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Monografia Gilvanete Pedagogia 2012

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  • 1. 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA GILVANETE MENDES DA SILVA AZERÊDOA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Senhor do Bonfim – BA 2012
  • 2. 1 GILVANETE MENDES DA SILVA AZERÊDOA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Colegiado de Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus VII, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Licenciada em Pedagogia. Orientadora: Profª: Beatriz Costa de Souza Senhor do Bonfim – BA 2012
  • 3. 2 GILVANETE MENDES DA SILVA AZERÊDO A FORMAÇÃO DE PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL Aprovada em: 16 de Agosto de 2012.Banca Examinadora: _________________________________________ Profª: Beatriz Costa de Souza (Orientadora) __________________________________________ Profª: Maria Glória da Paz Avaliadora ___________________________________________ Profº: Ozelito Souza Cruz Avaliador Senhor do Bonfim – BA 2012
  • 4. 3A vida é feita de momentos que se tornam inesquecíveis,especialmente se esses momentos são vividos com pessoasimportantes para as nossas conquistas. Nada disso seriapossível sem o apoio de todos que contribuíram para arealização deste sonho.Dedico este trabalho primeiramente a Deus que me deu aoportunidade de vivenciar esta experiência, por ter me dadoforça e coragem para seguir, mesmo nos momentos maisdifíceis;Dedico a minha família em especial a meus pais: JoséFrancisco e Adaídes que foram os primeiros que investiramem minha formação, e acreditaram que eu podia ter uma vidacom melhores oportunidades;Dedico aos meus filhos: Rômulo e Alarico José pelo incentivoe apoio mesmo sabendo o quanto era difícil conviver com aminha ausência todas as noites;Dedico ao meu esposo: Alarico pelo apoio e incentivo quesempre me deu, acreditando no meu potencial, por torcer pelomeu sucesso, e por dividir comigo os momentos difíceisdurante essa jornada;Dedico aos meus sogros: Olga e Rômulo pelo incentivo eapoio em todos os momentos;
  • 5. 4Dedico a minha amiga Sidnéa por vibrar com as minhasconquistas, e por me ajudar a suportar as dificuldades dessesmomentos;Dedico aos meus professores que foram fundamentais naconstrução do conhecimento, e na minha formação, sem elesnada disso seria possível;Dedico aos colegas de classe pelos muitos momentos deangústia e de alegria que vivenciamos e que ficarãoguardados para sempre.
  • 6. 5 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me presenteado com esta oportunidade, quando eu achavaque era um universo muito a além da minha realidade; A minha professora orientadora Beatriz de Souza Barros pela dedicação,paciência, atenção, e por todos os incentivos, mesmo quando tinha que dizer queprecisávamos melhorar, isto foi fundamental para construção do nosso trabalho; Aos professores que participaram da pesquisa pela colaboração edemonstração de respeito que tiveram ao aceitar participar; A minha família por todo o apoio, incentivo e força quando sentia-medesanimada com as dificuldades dos momentos mais difíceis; Aos professores do Curso de Pedagogia que contribuíram para a nossaformação nos auxiliando, nos incentivando nos levando a descobrir respostas paraas nossas angústias; Enfim, a todos que de forma direta ou indireta contribuíram para a realizaçãodeste momento.
  • 7. 6 RESUMOO Trabalho de Conclusão de Curso é parte complementar para concluirmos o cursode Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia-UNEB, Departamento deEducação Campus VII, em Senhor do Bonfim-Ba. A pesquisa buscou conhecer aformação do professor da Educação Infantil da cidade de Itiúba-Ba, cujo objetivoprocurou diagnosticar e analisar que habilidades e competências o professor devepossuir para atuar nas classes de Educação Infantil. Para uma melhor análiseutilizamos as palavras-chave: Educação Infantil; Habilidades e Competências; e aFormação de Professores, para aprofundar as discussões buscamos diversosautores como: Catani (1987); Linhares (2001); Perrenoud (2000); Koche (1997);Oliveira (2001); Lorenzato (2006), entre outros. As contribuições dos autoresenriqueceram as discussões e a compreensão da temática. A pesquisa foi realizadacom quinze professores de diferentes escolas da cidade. Os procedimentosutilizados foram a observação e o questionário semi-estruturado, pois acreditamosque com estes instrumentos conseguiríamos os dados necessários para a realizaçãoda pesquisa. Analisando os resultados desta investigação podemos conhecer aformação dos professores da Educação Infantil desta cidade.Palavras – chave: Educação Infantil, Habilidades e Competências, Formação deProfessores
  • 8. 7 SUMÁRIOINTRODUÇÃO...................................................................................................09CAPÍTULO I.......................................................................................................111. PROBLEMATIZAÇÃO..................................................................................11CAPÍTULO II......................................................................................................152. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................15 2.1 Educação Infantil....................................................................................15 2.2 Habilidades e Competências..................................................................20 2.3 Formação de Professores......................................................................24CAPÍTULO III.....................................................................................................313. METODOLOGIA DA PESQUISA..................................................................31 3.1 Tipo de Pesquisa....................................................................................31 3.2 Lócus da Pesquisa.................................................................................32 3.3 Sujeitos da Pesquisa..............................................................................33 3.4 Instrumentos da Pesquisa......................................................................33CAPÍTULO IV....................................................................................................354. ANALISANDO OS RESULTADOS...............................................................35 4.1 Conhecendo nossos sujeitos..................................................................35 4.2 Tempo de Serviço..................................................................................37 4.3 Faixa Etária............................................................................................38 4.4 Nível de Formação.................................................................................39
  • 9. 8 4.5 Analisando a experiência na Educação Infantil durante o processo de formação...............................................................................................................41 4.6 Cursos de formação continuada e aperfeiçoamento para atuar em classes de Educação Infantil...................................................................................................42 4.7 A importância da formação continuada para a prática....................................43 4.8 O papel da Educação Infantil no desenvolvimento das crianças....................45 4.9 Habilidades necessárias para o trabalho na Educação Infantil......................46 4.10 Características do professor de Educação Infantil........................................48CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................50REFERÊNCIAS..........................................................................................................53APÊNDICE.................................................................................................................56
  • 10. 9 INTRODUÇÃO O trabalho aqui desenvolvido surgiu da paixão pelas turmas de EducaçãoInfantil, e das discussões sobre o tema durante o Curso de Pedagogia, despertandocada vez mais o interesse em conhecer essas turmas, e os profissionais que atuamnesta fase. Sabemos que as crianças durante muito tempo foram tratadas comominiaturas dos adultos, e que não existia a preocupação com o seudesenvolvimento, pois acreditava-se que para ela se desenvolver bastava vivenciaro universo dos adulto. Isso só começou a mudar quando se percebeu que a criançanão era esse mini-adulto e precisava de um cuidado especial, o que modificou aconduta em relação a criança. Outro fato que nos motivou, foi o estudo sobre o surgimento da EducaçãoInfantil, que ocorreu com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, e anecessidade de locais para deixar seus filhos durante a jornada. O momentodecisivo foi quando tivemos que assumir uma dessas classes, e não sabíamos comodesenvolver este trabalho, pois não tínhamos habilidade nenhuma para essa função,nos sentindo incapazes e frustrados, sendo preciso vivenciar a prática para detectarnossa limitação. Vivenciando a prática e utilizando a teoria nos apaixonamos poresse nível da educação. A partir daí surgiu à inquietação sobre a formação dosprofessores da Educação Infantil, e se eles possuem uma formação que os habiliteneste trabalho. O trabalho foi dividido em quatro capítulos, começando pela problemática quetraz os argumentos pelos quais escolhemos a temática, considerando que aEducação Infantil durante muito tempo não era considerada uma etapa da educaçãobásica, e desta forma, as pessoas que trabalhavam com as crianças também nãotinham formação alguma para a função. Mas esse fato modificou-se e osprofissionais precisavam ser melhor preparados, e desde então as mudanças foramocorrendo.
  • 11. 10 O segundo capítulo é a fundamentação teórica que faz uma reflexão sobre aeducação infantil, as habilidades e competências dos professores e a formação deprofessores, que é fundamentada em diversos teóricos como: Catani (1987);Linhares (2001); Perrenoud (2000); Koche (1997); Oliveira (2001); Lorenzato (2006),entre outros. As discussões dos autores foram fundamentais para a compreensão datemática, e para a construção do conhecimento. O terceiro capítulo trata da metodologia utilizada para o desenvolvimento dapesquisa, os sujeitos, o local da pesquisa e os instrumentos utilizados para a coletade dados. É a parte onde descrevemos como a pesquisa aconteceu, como agimospara conseguir desenvolver a pesquisa, sendo fundamental para a realização dotrabalho, pois não existe trabalho bom sem planejamento. O quarto capítulo é composto da análise dos dados, onde analisamos osdados coletados e comparamos com os argumentos descritos durante o trabalho,como também descobrimos outras questões sobre o tema, e buscamoscompreender as inquietações que nos fizeram optar pela temática. É a parte que trazas respostas para as nossas perguntas e que nos deixou mais inquietos com osresultados encontrados. As considerações finais sintetizam todo o trabalho, onde descrevemos avisão em relação à pesquisa, e construímos nossas hipóteses, oferecendocontribuições para futuras discussões sobre o tema.
  • 12. 11 CAPÍTULO I 1. PROBLEMATIZAÇÃO A história da educação brasileira é constituída de muitas mudanças e rupturas,e se fizermos uma retrospectiva poderemos compreender melhor muitas questõesque até hoje se fazem presentes no cenário educacional. Tudo começou com achegada dos portugueses ao Brasil, que implantaram aqui seus costumes, tradições,sua religiosidade, desconsiderando os costumes e tradições do povo indígena queaqui vivia. Os jesuítas foram os responsáveis para catequizá-los civilizá-los, educá-los e durante séculos foram responsáveis pela educação dos índios e filhos dosportugueses que aqui viviam, construíram as primeiras escolas do país, e foram osprimeiros professores, ensinando os índios a ler e a escrever e as outras crianças.Entretanto os jesuítas tiveram seu modelo educacional destruído quando foramexpulsos pelo Marquês de Pombal, deixando o sistema educacional no maior caos.Para Anita e Martins (1987): Os jesuítas foram os principais promotores, organizadores da educação escolar no Brasil, pois foram os únicos educadores de profissão até 1758. Sua ação educativa estendia-se aos mamelucos, aos órfãos, aos filhos dos principais caciques e dos colonos brancos. (p.18). Desde então muitas reformas aconteceram tentando modificar e melhorar aeducação no Brasil, tendo em vista que a sociedade passou por transformaçõespolíticas, econômicas e sociais, o que afeta diretamente o modelo de educação a serdesenvolvido. É o caso da família que tinha sua organização centrada nopatriarcalismo onde o pai era o chefe, e deveria trabalhar para manter a família, e opapel da mãe era cuidar dos filhos educá-los e da organização da casa. A famíliatambém passou por transformações, principalmente no papel da mulher que cuidavaapenas da família, como cuidado com a casa e a educação dos filhos, inclusiveensinando as primeiras letras.
  • 13. 12 Desta forma muitas crianças quando chegavam à escola já conheciamalgumas letras, algumas até já liam, isso quando a mãe também sabia ler. Com asnovas mudanças da sociedade as mulheres começaram a trabalhar fora, ganhandoseu espaço no mercado de trabalho, mas perdendo o controle da educação dosfilhos. Surgiram novos modelos de família que não são centrados só na figura do paicomo chefe, mas que transformaram o contexto histórico familiar. Como destacaLinhares (2001): (...) as famílias também se diferenciam por razões e compromissos de classe social, nacionalidade, etnia, gênero, sexualidade e religião, que incidirão, por sua vez, nas relações estabelecidas com os colégios que acolhem seus filhos e filhas. (p.46)Com essa série de mudanças as famílias foram desestruturadas e buscam transferira educação de seus filhos para a escola, que ainda não conseguiu assimilar quepapel deve desempenhar já que a sociedade não é mais a mesma. Resta à escola perceber isso e acompanhar esta mudança para proporcionara seus membros melhores condições de aprender e desenvolver suascompetências, considerando que o papel da família não pode ser transferido, mas aescola pode adaptar-se as novas atribuições que vão além de simplesmente ensinara ler, escrever e calcular, mas levar os alunos a interpretar, analisar e modificar suahistória. Teles (1992) destaca que: Quanto mais a Família abre mão de suas antigas funções, e quanto menor se torna a influência religiosa sobre os indivíduos, mais cresce a importância da Escola como aparelho ideológico (via de transmissão da visão de mundo da classe dominante) que, cada vez mais cedo, e por muitas horas do dia, ―catequiza‖ os indivíduos (e, ainda por cima como algo ―obrigatório‖ e que dá ―prestígio‖, e permite uma ―falsa‖ ascensão social). (p. 23).
  • 14. 13 Tantas mudanças levaram o sistema educacional a adaptar-se a necessidadede se ter cada vez mais escolas em todos os níveis para atender a demanda. Entãosurge a urgência de aumentar o número de creches e escolas de educação infantil,pois desde cedo as mães precisam sair para trabalhar e as crianças precisam de umacompanhamento que preencha as lacunas deixadas pela família que preferecolocar suas crianças desde cedo nas escolinhas e creches por acreditar que aliestarão seguras e sendo educadas. A Educação Infantil no Brasil surge então danecessidade das mães em sair para o mercado de trabalho e desde então o númerode escolas de educação infantil vem crescendo. A educação infantil proporciona a estas crianças um melhor desenvolvimentopsico-motor, social e afetivo elementos básicos ao seu desenvolvimento, porém asociedade ainda desconhece esses aspectos e um dos principais objetivos quelevam suas famílias a procurarem estas escolas é ter segurança para trabalhar esaber que seus filhos estarão seguros, embora as famílias tenham uma visãodistorcida das professoras da educação infantil onde muitas vezes são vistas como―babás‖, que desde que cuidem e gostem de crianças é o suficiente. Garcia (1993)destaca que: A pré – escola torna-se mais um espaço de descobertas sobre a vida. Espaço privilegiado, pois ali se reúnem crianças diversas, com informações, realidades e curiosidades diferentes, que interagem entre si e com a professora, que também traz suas experiências e conhecimentos acumulados. Juntos, constroem novos conhecimentos e se apropriam dos conhecimentos disponíveis, que se revelam pertinentes para o grupo de crianças. (p. 34). Só que o que poderia ser tão simples assim é agravado pelo fato de que semconhecimento da educação infantil muitos professores em vez de contribuir para odesenvolvimento das crianças causam traumas difíceis de serem superados,desconsiderando suas fases de desenvolvimento.
  • 15. 14 É neste momento que se faz tão importante um profissional com umaformação sólida que conheça os processos de desenvolvimentos das crianças, epara isso os cursos de formação, em especial o curso de Pedagogia, tenta prepararestes profissionais para atuarem na educação infantil e nas séries iniciais, poisacreditamos que ele proporcione aos futuros professores uma base teórica quepoderá auxiliá-los na sua prática. Para Catani (1987): Hoje, é preciso dar-lhe uma formação diferenciada. É preciso privilegiar o licenciado numa formação que lhe é específica, que tenha a ver com a função que ele vai desempenhar. E é preciso repensar o curso. Repensar o conteúdo mesmo, a disciplina, o jeito de ensinar essa disciplina. (p.120). Diante das grandes mudanças ocorridas no mundo, e a necessidade de seter profissionais da educação mais preparados e capacitados e com uma grandecapacidade de adaptar-se as mudanças do Sistema Educacional e da sociedade, aescola teve que rever seus conceitos, houve a necessidade de uma formação maisabrangente e qualificada, que possibilitasse ao docente interagir neste contexto commais eficácia. Com todas estas inquietações gostaríamos de analisar que tipo deformação deve receber o professor para atuar em classes de Educação Infantil?Objetivamos com este trabalho diagnosticar e analisar que habilidades ecompetências deve possuir o professor para atuar em classes de educação infantil.
  • 16. 15 CAPÍTULO II 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA2.1 Educação Infantil Nunca na história da humanidade aconteceram tantas mudanças em espaçostão curtos, a globalização, os avanços tecnológicos, as mudanças na economia,vivenciamos uma era de profundas transformações sociais, culturais, econômicasdesta forma seria ilusão que o sistema educacional tentasse acompanhar estasmudanças, visto que, este sistema precisa de tempo para acompanhar astransformações, embora nem sempre consiga. O sistema educacional tem sido alvo de muitas críticas e reformas, porémvisam à melhoria da educação em todos os seus aspectos. Muito tempo foi precisopara compreender e modificar a conduta relacionada à criança, admitindo que esta éum ser com necessidades distintas dos adultos, buscando um tratamento adequadoa esta fase. Este talvez tenha sido o primeiro passo para a compreensão do universoinfantil; o segundo e não menos importante refere-se à educação dada pela escola,uma escola que tem travado batalhas para adequar-se as necessidades dascrianças, notadamente as que ingressam na Educação Infantil e que demandam ummaior cuidado na sua formação. Quanto a isso Oliveira (2001) ressalta que: A história do sistema educacional brasileiro é marcado há mais de um século por um germe de preocupação que constitui segmento fundamental denominado educação infantil – educação pré – escolar e que durante as ultimas décadas vem se fortalecendo. (p.52).
  • 17. 16 Desde que surgiu a necessidade de oferecer as crianças e a suas mãeslugares especiais para deixar seus filhos durante a jornada de trabalho, a educaçãoinfantil vem tentando se ajustar as necessidades do momento. No início estesestabelecimentos eram vistos e criados apenas para o cuidado com a higiene e asaúde. Com o passar do tempo à medida que aumentava a procura, os serviçostiveram que ser melhorados oferecendo muito mais do que simples cuidados. Souzae Kramer (1991) acrescentam: A necessidade de pré –escola aparece, historicamente, como reflexo direto das grandes transformações sociais, econômicas e políticas que ocorrem na Europa – especialmente na França e Inglaterra – a partir do século XVIII. Eram as creches que surgiram, com caráter assistencialista, visando capitalista em expansão lhes impunha, além de servirem como guardiãs de crianças órfãs e filhos de trabalhadores. Nesse sentido, a pré-escola tinha como função precípua a guarda das crianças. (p.23). Estes estabelecimentos tiveram diversas denominações desde Casas dosExpostos que recebiam as crianças abandonadas, os jardins-de-infância que tinhamum caráter assistencialista para cuidar dessas crianças durante a jornada detrabalho de suas mães, e as creches cuja finalidade era a mesma dos jardins-de-infância. Entretanto houve uma conscientização da importância destas instituições edo seu importante papel na vida das mães operárias, embora saibamos que mesmocom alguns avanços estas instituições ainda se preocupavam bastante com a saúdee a higiene das crianças. Foi um longo caminho até que se compreendesse qual a função a ser exercidapor estas instituições, pois as mudanças ocorridas na sociedade transformaram oconceito de família, e o papel da escola, então precisava-se oferecer umatendimento diferenciado a esta nova clientela, que teve que sair mais cedo doconvívio familiar.
  • 18. 17 Mesmo sabendo que a educação infantil surgiu por esses motivos que jáforam descritos, esta educação ainda é vista como lugar de ―cuidado‖ com a higiene,a saúde e o seu caráter assistencialista. A sociedade tem uma visão distorcida destesistema de ensino que mesmo com todos os avanços, inclusive no dever que oEstado tem com relação a esta fase, ainda percebemos o desconhecimento destetipo de educação. Para Souza e Kramer (1991): Isso significa que a pré-escola deve ter como função essencial, uma proposta educativa mais ampla, isto é, que ultrapasse o mero assistencialismo. A assistência, embora indispensável pela situação calaminosa em que se encontra a infância brasileira, se excessivamente paternalista, gera o comodismo e a dependência, dificultando, ou até mesmo impedindo, uma transformação social mais ampla. (p.15). Muitas pesquisas foram feitas para identificar e compreender diversoscomportamentos infantis, conforme as fases de desenvolvimento. Percebeu-seentão, que todos os comportamentos apresentados pela criança tinham umsignificado, a partir daí procurou-se desenvolver as habilidades das criançasrespeitando seus limites e suas fases. Desta forma as escolas de educação infantil trazem um novo olhar queultrapassa o conceito de assistencialismo, pois é na educação infantil que ascrianças devem experimentar, vivenciar, construir, desconstruir sentimentos,emoções, conhecimentos, aprendizagens muitos já vivenciados por ela fora daescola, mas que neste espaço se consolidam. Souza e Kramer (1991) descrevemque ―durante o século XIX, uma nova função passa a ser atribuída à pré-escola,mais relacionada à idéia de ―educação‖ do que à de assistência.‖ (p.23). As escolas de educação infantil não são mais espaços só para o ―cuidado‖,são também espaços educativos, onde as crianças desenvolvem sua personalidadecom segurança, é um momento de descoberta para a criança, e é preciso que elaseja instigada a descobrir os caminhos mais propícios para este aprendizado de
  • 19. 18forma significativa e criativa, pelo menos é isso que se espera dessas escolasquando são preparadas para atender estes pequenos. A educação infantil tem um papel fundamental para a socialização da criançano convívio social, que ultrapassa os limites da família. A escola tem assumidoresponsabilidades que foram sendo atribuídas a ela. A sociedade diante da sua novaconjuntura tem transformado a escola numa instituição que deve gerenciar e educaras crianças em todos os aspectos. Sabemos que a sociedade levou séculos para entender que a criança era umser diferente do adulto, e que, portanto, deveria ter um tratamento diferenciado, erapreciso compreender suas necessidades e possibilidades buscando uma educaçãoque valorizasse sua identidade. Para Machado (1991): Educar significa também respeitar a criança: ela não é um mini-adulto, mas um ser que tem características, sensibilidade e lógica próprias. Assim, desenvolvimento, transformação, crescimento em etapas sucessivas é parte desse processo. (p.42). É na educação infantil que a criança vai descobrindo e experimentandosensações inovadoras e significativas, o aprendizado é constante desde umasimples brincadeira até o desenvolvimento de uma atividade mais elaborada. Nesta fase é importante que a criança tenha contato com os mais variadostipos de material (areia, massinha de modelar, tintas, etc.) isso contribuirá para queela desenvolva a sua autonomia um aspecto importante para a formação da suapersonalidade. Quanto a isso Machado (1991) acredita que: Para a criança de zero a seis anos tudo está por se conhecer. A assimilação e o avanço no conhecimento dependerão, no entanto, do significado que este possuir para ela. Assim aspectos cognitivos e sócio-afetivos se entrelaçam nessa faixa etária. Estes últimos tendem a não ser levados em
  • 20. 19 conta de forma explicita nos currículos de pré-escola, e as condutas nesse sentido ficam a critério do professor, conforme seu bom senso ou estado de espírito do momento. (p.77). Sabemos que quando a criança tem a oportunidade de passar pelaeducação infantil tem mais chances de se tornar um estudante criativo,independente e seguro diante das responsabilidades assumidas. Durante muitotempo acreditou-se que a educação infantil era uma etapa somente de cuidados(proteger, alimentar) hoje sabemos que esta é uma fase singular na vida destespequenos, pois estes têm a oportunidade de experimentar sensações de alegria,medo, tristeza e amizade aspectos que fortalecem a personalidade. Machado (1991)acredita que: A pré-escola garante os cuidados relativos á saúde e higiene das crianças, tão necessários nessa fase de suas vidas. Preserva o espaço do brincar como manifestação fundamental da infância e assegura as aquisições cognitivas básicas, mas vai além, criando condições que favoreçam o desenvolvimento global e harmonioso da personalidade, fim último da educação. Nesse sentido a criança que é privada da pré-escola, seja ela qual for, tem seu desenvolvimento empobrecido. (p.19). Hoje é grande o número de escolas de educação infantil, pois esta é aprimeira etapa da educação básica, como define a Lei de Diretrizes e Bases (LDB)no Art. 29: A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Essa fase tão significativa para o desenvolvimento cognitivo e social dascrianças precisa de escolas que ofereçam o mínimo de conforto para as crianças,desde a estrutura física com salas de aula amplas e arejadas, oferecer materiais queestimulem o desenvolvimento infantil garantindo um desenvolvimento significativo, e
  • 21. 20também deve ter profissionais que conheçam, valorizem e estimulem todas ashabilidades e competências das crianças em suas diferentes fases.2.2 Habilidades e competências Todo professor precisa conhecer o seu espaço de trabalho para construir suasanálises e a partir daí desenvolver um trabalho com habilidade e competência.Entretanto sabemos que muitos profissionais não conseguem elaborar suas metasdevido a pouca experiência na área de atuação. Atualmente o que mais tem se falado e questionado são as habilidadesnecessárias para o professor atuar em cada nível de ensino, e se este professorpossui a competência tão exigida. Segundo Olinto (2000): habilidade significa―qualidade de quem é hábil; capacidade, inteligência; facilidade em executarqualquer coisa‖ (p.441), enquanto competência significa ―capacidade; qualidade dequem é capaz‖ (p.201), com esta conceituação podemos perceber que uma palavraestá interligada a outra, portanto as duas andam juntas. Partindo desta análise e indo em direção ao nosso foco principal que são osprofessores da educação infantil podemos verificar que para atuar nestas classes énecessário conhecimentos teóricos, práticos, respeito aos conhecimentos préviosdos educandos, capacidade de se adaptar as situações e as necessidades da turma,como: saber compreender, analisar e escutar para a partir destes aspectosdesenvolver um trabalho significativo para as crianças e para o próprio professor.Quanto a isso Perrenoud (2000) diz: A competência do professor é, então, essencialmente didática. Ajuda-o a fundamentar-se nas representações prévias dos alunos, sem se fechar nelas, a encontrar um ponto de entrada em seu sistema cognitivo, uma maneira de desestabilizá-los apenas o suficiente para levá-los a
  • 22. 21 restabelecerem o equilíbrio, incorporando novos elementos ás representações existentes, reorganizando-as se necessário. (p.29). O professor que tem habilidade e competência leva os alunos a ouvir, adiscutir, e a interagir conseguindo desenvolver qualquer atividade, pois o que maispercebemos nestes profissionais é a dificuldade que tem em fazer as criançasouvirem, haja vista que o tempo de concentração da criança é muito pequeno,portanto ele deve ser hábil para apresentar o conteúdo ou conceito que serátrabalhado de maneira sucinta para que o aluno não perca o interesse durante estaexposição. Assim sendo a competência deve ser o modo como este profissionaldesenvolverá este trabalho sem deixar os alunos desmotivados durante esteprocesso. Perrenoud (2000) afirma: A competência requerida hoje em dia é o domínio dos conteúdos com suficiente fluência e distância para construí-los em situações abertas e tarefas complexas, aproveitando ocasiões, partindo dos interesses dos alunos, explorando os acontecimentos, em suma, favorecendo a apropriação ativa e a transferência dos saberes, sem passar necessariamente por sua exposição metódica, na ordem prescrita por um sumário. (p.27). Na Educação Infantil o que se espera destes professores é que eles tenhamessas duas características, assim como nos outros segmentos da educação, maspara a educação infantil o educador que não consegue unir estas duas ações nãoconseguirá executar seu trabalho com êxito, e ainda corre o risco de transmitirinsegurança, desrespeito, dificuldade de aprendizagem para as crianças. Essa faseé de descobertas tanto das crianças como dos professores, pois o que acontecediariamente é uma descoberta de como agir, planejar, desenvolver as atividadesrealizadas com as crianças. Lorenzato (2006) destaca que: Uma das crenças educacionais mais divulgadas e aceitas pela cultura popular é a que concebe a função do professor de educação infantil como sendo a mais fácil, se comparada com as funções dos professores de qualquer outra faixa etária. Na verdade, ser o orientador do processo de
  • 23. 22 crescimento de crianças com pequeno vocabulário, com instrumentos cognitivos ainda pré-lógicos, que não conseguem manter a atenção além de alguns minutos, que centram sua atenção em alguns detalhes em detrimento de outros que não dominam as relações espaciais dos ambientes em que vivem que nem mesmo desenvolveram toda a motricidade do seu corpo, que em seus julgamentos consideram apenas as consequências dos atos e não as intenções, enfim, ser um condutor de seres iniciantes, mas com um enorme potencial de aprendizagem, é uma difícil missão e de grande responsabilidade. (p.19). Todo aprendizado só se efetiva na prática não podemos esperar deprofissionais que conhecem teorias do desenvolvimento das crianças que eles terãohabilidades e competências para atuar com as crianças, somente a prática nospermite descobrir qual a melhor forma de levar nossas crianças a aprender comsegurança e sem frustrações. Perrenoud (2000) argumenta: Toda competência individual constrói-se, no sentido de que não se pode transmiti-la, de que só pode ser treinada, nascer da experiência e da reflexão sobre a experiência, mesmo quando existem modelos teóricos, instrumentos e saberes procedimentais. (p.85). Talvez muitos problemas como frustração, insegurança, medo, timidez,agressividade poderiam ser evitados se os profissionais que trabalham na educaçãoinfantil tivessem afinidade com este nível de ensino, pois o primeiro passo para essamudança seria ter profissionais que trabalham nos níveis de sua preferência. Seria importante que nesta fase da educação os profissionais fossemqualificados para compreender muitos comportamentos apresentados pelascrianças, porém existe uma dicotomia, se por um lado se espera que estesprofessores tenham essas habilidades e competências para trabalhar com essasclasses por outro encontramos profissionais que estão vivenciando pela primeira veztrabalhar com essas classes, pois ao mesmo tempo em que essa experiência possaser significativa e reveladora para esses professores, corre-se o risco de não haver
  • 24. 23identificação com a turma causando frustrações para as crianças e para o próprioprofessor, o que o levará a ter uma visão distorcida da Educação Infantil. Ter competência, ter habilidade, ou seria melhor dizer ser competente e serhabilidoso, pois não basta ‖ter‖ é preciso ―ser‖, ser responsável para entender que setemos habilidade e competência, mas não agimos de maneira habilidosa ecompetente, nada adianta. Moysés (1994) diz que: (...) competente, é o professor que, sentindo-se politicamente comprometido com seu aluno, conhece e utiliza adequadamente os recursos capazes de lhes propiciar uma aprendizagem real, e plena de sentido. Competente, é o professor que tudo faz para tornar seu aluno um cidadão crítico e bem informado, em condições de compreender e atuar no mundo em que vive. (p.14). Para a realização de um trabalho de qualidade é preciso desenvolver algumashabilidades como: ouvir, observar, diagnosticar, interagir, num equilíbrio entre práticae teoria sem desprezar os conhecimentos dos educandos, mas buscando outrasalternativas para a construção de saberes necessários a prática do professor quepossuí um espaço propício para a descoberta e a comparação de aprendizagenspara ambos. Desta forma ele aprenderá e adquirirá as habilidades necessárias e acompetência exigida. Tardif (2002) discute: Ensinar é mobilizar uma ampla variedade de saberes, reutilizando-os no trabalho para adaptá-los e transformá-los pelo e para o trabalho. A experiência de trabalho, portanto, é apenas um espaço onde o professor aplica saberes, sendo ele mesmo saber do trabalho sobre saberes, em suma; reflexividade, retomada, reprodução, reiteração daquilo que se sabe naquilo que se sabe fazer, a fim de produzir sua própria prática profissional. (p.21). Vivemos numa sociedade competitiva e que a todo momento exige de seusprofissionais mais qualificação para melhor desenvolver suas atividades, e a escolacomo uma instituição que tem a função de preparar estes profissionais precisa
  • 25. 24também ter profissionais qualificados para saber como transformar as crianças emadultos com habilidade e competência na sua vida pessoal e profissional, portantosó conseguirá realizar essa tarefa o professor que tem essas características. Kallok(2000) fala que: Esse professor deverá ser capaz de adaptar-se ás mudanças, de trabalhar com a criatividade, com o novo, com as novas tecnologias, com os valores humanos, com a incerteza, com a reflexão. Portanto, o professor que precisamos é alguém, que faça uso da reflexão como uma forma de ação. Não uma reflexão pura e simples, mas a reflexão na e sobre a ação numa visão investigativa, de busca de uma ampliação do saber e do conhecimento, construindo de fato este conhecimento. (p.12) . Portanto, para ser um bom educador infantil é preciso ter a sensibilidade deobservar as manifestações infantis no cotidiano da sala de aula e a partir delas serflexível para transformar situações inéditas em aprendizado para as crianças, pois seo educador consegue transformar uma situação imprevista em fonte deaprendizagem mostra o quanto ele pode contribuir para a formação da identidade dacriança, essa articulação entre prática e teoria faz dele um profissional amplamentehabilidoso e competente.2.3 Formação de Professores Durante muito tempo para ser professor bastava saber ler, escrever, resolveras operações básicas, e isto diferenciavam o professor do resto da população, poisnuma sociedade onde a grande maioria era analfabeta, encontrar alguém que sedestacasse com estes requisitos fazia dele um sábio. O professor era o dono do saber, ninguém ousava discordar, seusensinamentos eram leis, os alunos estavam ali para aprender sem contestar, e osque não conseguiam eram punidos com castigos como a palmatória, ajoelhar-se no
  • 26. 25milho entre outros, Esta era a escola tradicionalista e durante séculos foi assim atéque a complexidade da sociedade moderna passou a exigir um professor melhorpreparado para dar conta da formação de um novo cidadão. As discussões sobre a formação de professores tem uma trajetória antiga.Analisando a história da educação brasileira que começou com os colégios jesuítas,e que foram os primeiros professores no período da colonização, encontramos ummodelo educacional organizado, que foi extinto com a reforma Pombalina que natentativa de ocupar o espaço educacional deixado pelos primeiros educadoresmostrou-se ineficiente por falta de uma estrutura física e mesmo básica, e deprofessores preparados para a implantação do novo sistema educacional. Quanto aisso Anita e Martins (1987) destaca: A educação escolar, que era dada exclusivamente em escolas confessionais, passou a ser dada por aulas régias, por mestres leigos que ―mostravam não só uma espessa ignorância das matérias que ensinavam, mas uma ausência absoluta de senso pedagógico‖. Foram estes professores que substituíram os jesuítas na educação dos brasileiros, e as aulas régias foram a maneira de se resolver a carência de professores. Os professores destas aulas exerciam o magistério independentemente uns dos outros, programavam o conteúdo, a época, a duração dos cursos e o ensino, sem alguma unidade, era absolutamente fragmentado. Cada qual desenvolvia seus cursos conforme suas decisões pessoais. (p.19). Desde então, muitas reformas ocorreram para melhorar a educação, econsequentemente a formação de seus professores. As mudanças sociais noséculo XIV com a Revolução Francesa passaram a exigir uma educação maiscompatível com o novo cenário socioeconômico e que para fazer frente à realidadenecessita-se de uma escola com professores melhor preparados. Os acontecimentos ocorridos na França influenciaram o nosso sistemaeducacional. Modificando as concepções sobre educação no país que até entãoseguia um modelo tradicional. Mas em 1932 ocorreu uma reforma mudando todo o
  • 27. 26currículo das antigas Escolas Normais surgindo a proposta da Educação Nova. Comeste novo modelo acreditava-se que a educação do país melhoraria, e um novoconceito de professor surgiu, passando a ser um estimulador para que a criança sedesenvolvesse naturalmente. Anita e Martins (1987) afirmam: A difusão dos princípios escolanovistas impõe ao professor um novo papel: será o de simples agente estimulador para que a criança se desenvolva por si. O fundamental, é que ela se desenvolva por meio da sua experiência, o professor é simplesmente um intermediário de tal forma que ―coloque-se em primeiro lugar a ação dos alunos e não a palavra do professor.‖ (p.33). Diante deste quadro um grupo de intelectuais publicou um manifesto que ficouconhecido como: O Manifesto dos Pioneiros da Educação que foi redigido porFernando de Azevêdo trazendo uma nova visão a respeito da educação, pois traziaconceitos que colocavam a educação acima de qualquer reforma, pois só aeducação seria capaz de transformar a sociedade. Diante de um mundomodernizado o velho sistema educacional não atendia as necessidade, e a novaproposta educacional favorecia o desenvolvimento social e intelectual dos cidadãos. O Manifesto pretendia adotar um plano de reconstrução educacional quedestacava a necessidade de uma educação que favorecesse os interesses dapopulação em melhores oportunidades profissionais. Mesmo com a divergência deopiniões dos signatários que foram os responsáveis pelo documento, isso não foiempecilho para apoiar as propostas de Fernando de Azevêdo cuja finalidade era arenovação da educação. Dentre os 26 intelectuais que fizeram parte deste manifestoos que mais se destacaram foram: Fernando de Azevêdo, Anísio Teixeira eLourenço Filho, entretanto foi Anísio Teixeira o grande representante da EscolaNova no Brasil foi ele quem implantou esse novo modelo de escola que veiocontrapor-se ao modelo tradicional. Ghiraldelli (2009) destaca que: ―A reconstrução educacional do Brasil – ao povo e ao governo‖, ―o texto do Manifesto inicia dizendo que dentre todos os problemas nacionais nem mesmo os problemas econômicos poderiam ―disputar a primazia‖ com o problema educacional. Isso porque, ―se a evolução orgânica do sistema
  • 28. 27 cultural de um país depende de suas condições econômicas‖, seria então impossível ―desenvolver as forças econômicas ou de produção‖ sem ―preparo intensivo das forças culturais e o desenvolvimento das aptidões à invenção e á iniciativa‖ que seriam os ―fatores fundamentais do acréscimo de riquezas de uma sociedade‖. (p.42). Nas décadas que se seguiram não houve muitos avanços quanto à formaçãodo professor e somente em 1964 surge o Centro de Formação e Aperfeiçoamento doMagistério (CEFAM), que trazia características da Escola Normal, com o propósitode substituir os antigos cursos de magistério e os normais, pois valorizavam umaformação mais abrangente e diversificada, acreditando que um profissional bemformado contribuiria para a melhora da educação no país. Os interessados emingressar neste curso tinham que prestar um exame, e uma entrevista, e os queeram aprovados recebiam também uma bolsa de estudo no valor de um saláriomínimo Com a aprovação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 1996),esses centros foram aos poucos sendo extintos. Com a Lei 5692/71 a formação do professor tem uma nova orientação legal,definindo o Curso Superior em Universidade e em Institutos de Educação comoespaços de formação de professores para as séries iniciais do Ensino Fundamental.A alternativa agora era formar professores em cursos superiores como o dePedagogia, que iria capacitá-los para as séries iniciais do ensino fundamentalgarantindo, assim, um melhor preparo para o exercício de sua função, previsto naLDB no Artigo 61: I ―a presença de sólida formação básica, que propicie oconhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências detrabalho; (Incluído pela Lei nº 12.014, de 2009)‖. Com estas reflexões podemos constatar que o problema da formação doprofessor tem um longo caminho, com consideráveis tentativas de melhorar opreparo para o exercício do magistério. Quanto a isso Catani (1987) discute que: ―Aformação do profissional da educação precisa ser seriamente revista e, repensada,novas propostas precisam ser apresentadas a fim de que seja, devidamente
  • 29. 28preparado para desempenhar sua função de agente de transformação social.‖(p.179). No entanto, esta formação era voltada para as séries iniciais, e em nenhummomento falou-se da formação de professores da Educação Infantil, até porque estanão fazia parte da educação básica, e o atendimento ás crianças de 0 á 6 anos nãoera responsabilidade do poder público ficando restrito a iniciativa privada. Hoje a Educação Infantil vivencia sua melhor fase, se pensarmos que houveuma conscientização sobre sua importância para o desenvolvimento cognitivo esocial das crianças. E isto trouxe como consequência a busca por uma formaçãoque propiciasse ao professor conhecimentos e competências para trabalhar comestas classes. O professor da Educação Infantil deve ser um observador ativo que a partirdestas observações descobre a maneira mais simples e eficaz de trabalhar com ascrianças, valorizando seu amadurecimento, seus conhecimentos e suasaprendizagens sem frustrá-los. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) no seu Art. 87,determina que, ―até o fim da Década da Educação (dezembro de 2007) somenteserão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados portreinamento em serviço‖, houve uma grande procura pelos cursos superiores, e ogoverno contribuiu oferecendo diversos cursos para o aperfeiçoamento e aqualificação dos mesmos. Entretanto há um precedente na Lei que admite ―aformação em nível médio para os professores das séries iniciais e da educaçãoinfantil‖, o que de certa forma, é um retrocesso se pensarmos na importância daformação do educador.
  • 30. 29 A necessidade de uma formação mais sólida possibilita o docente conhecer erefletir sobre muitos comportamentos apresentados pelas crianças no processo deensino e aprendizagem facilitando seu trabalho e contribuindo positivamente paraum amadurecimento infantil mais expressivo. Linhares (2001) diz que: (...) é nas universidades, e em particular nas públicas, onde se forma o professor mais capaz de estabelecer uma relação reflexiva e critica com os saberes docentes e com o processo de construção desses saberes, com a sua prática político-pedagógica cotidiana, com a escola, com o sistema educacional e com a sociedade em que se insere. (p.133). Os municípios têm se empenhado em oferecer capacitações para osprofessores para que estes possam melhorar sua prática como está previsto na LDB―programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversosníveis‖, a exemplo de cursos de Alfabetização como: Proletramento, Ciclo deAlfabetização, Cursos para a Educação Infantil, entre outros. Destacamos ainda ocurso de Pedagogia em parceria com a Universidade que foi habilitado no municípiocomo (UNEB 2000); e Plataforma Freire, que oferece diversas graduações na áreade educação. Portanto, se durante décadas a discussão era sobre a falta depolíticas públicas para a educação infantil e consequentemente a formação doprofissional, nesta fase vivenciamos uma enxurrada de programas para atender essademanda. Todos (governo, escola, sociedade) desejam professores bem formadospara atuar com crianças, pois descobriu-se que um bom profissional nessa fasecontribui para um desenvolvimento mais significativo. A LDB no Artigo 62 destaca: ―§1º A União, o Distrito Federal, os Estados e os Municípios, em regime decolaboração, deverão promover a formação inicial, a continuada e a capacitação dosprofissionais de magistério. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009).‖ Diante de tantos debates sobre a formação do professor na atualidade aindanos questionamos se os cursos universitários e as capacitações proporcionam aosdocentes a competência tão exigida? Os cursos talvez ainda não consigam prepararo professor dando a competência, que desejamos, mas sabemos que as discussõesque ocorrem favorecem uma reflexão sobre a importância de valorizar, estimular e
  • 31. 30compreender a necessidade de profissionais mais qualificados, visto que, umaeducação de qualidade está relacionada com profissionais capacitados. É o caso doprofissional da Educação Infantil que convivia com a concepção social de quetrabalhar com crianças não era algo que exigia tantos conhecimentos, bastavagostar de crianças, ser mulher, pois a mulher sabe cuidar mais de crianças, serdinâmica e extrovertida, características hoje consideradas ultrapassadas diante domundo globalizado. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil(1998) destaca que: As funções deste profissional vêm passando, portanto, por reformulações profundas. O que se esperava dele há algumas décadas não corresponde mais ao que se espera nos dias atuais. Nessa perspectiva, os debates têm indicado a necessidade de uma formação mais abrangente e unificadora para profissionais tanto de creches como de pré-escolas e de uma reestruturação dos quadros de carreira que leve em consideração os conhecimentos já acumulados no exercício profissional, como possibilite a atualização profissional. (p.39). Os professores da Educação Infantil vislumbram uma nova fase sobre aimportância do seu trabalho, visto que a Educação Infantil é considerada a etapamais importante do desenvolvimento da aprendizagem da criança, e o professor é oagente da transformação desta fase tão singular para um amadurecimento infantilsaudável. Esse novo olhar sobre a Educação Infantil e sobre a formação de seusprofessores é consequência de políticas educacionais para a formação inicial econtinuada dos docentes, entretanto sabemos que ainda não é o desejável, mas é opossível, pois é partindo do possível que podemos alcançar o desejável. A formaçãodo professor ainda encontra obstáculos especialmente no que se refere ao currículodos cursos de formação que discutem pouco a respeito da singularidade destaetapa, fazendo com que este profissional receba uma formação fragmentada, que érefletida no trabalho realizado por ele.
  • 32. 31 CAPÍTULO III 3. METODOLOGIA DA PESQUISA Este trabalho nos permitiu conhecer e analisar que tipo de formação possui oprofessor de Educação Infantil no município de Itiúba – BA. Sabemos da importânciade estabelecer metas para alcançar os resultados esperados, e a metodologia alémde nos conduzir para o desenvolvimento deste trabalho direcionou nossos passospara encontrarmos as respostas aos questionamentos feitos aqui. Nesta etapa abordamos a metodologia procurando enfocar o método utilizadopara a concretização da pesquisa, a fim de demonstrar os caminhos a seremseguidos. Para facilitar o desenvolvimento, e consequentemente sua compreensãoKoche (1997) coloca que: (...) os procedimentos que serão adotados em uma investigação dependerão da natureza do problema investigado, de suas variáveis, de suas definições, das condições e competência do investigador, do estado da arte em que se encontra a área de conhecimento em que se insere o problema investigado, dos recursos financeiros e tempo disponível. (p.135). A metodologia implica nos caminhos que pretendemos seguir, e os recursosque utilizamos na construção do conhecimento científico.3.1 Tipo de pesquisa Pesquisar é descobrir respostas para as inquietações que temos durante oprocesso de aprendizagem de determinados assuntos, construindo as interpretaçõesnecessárias para a compreensão do problema investigado.
  • 33. 32 Optamos por adotar a pesquisa qualitativa por acreditar que ela é aalternativa que melhor atende as nossas inquietações sobre a formação doprofessor da Educação Infantil no município de Itiúba – Ba, pois procurou analisar asituação, com o intuito de abarcar o problema investigado, garantindo que o seudesenvolvimento acontecesse de forma mais clara e objetiva promovendo a suamelhor abrangência Conforme Michaliszyn e Tomasini (2005): A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, preocupando-se com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Trabalha com o universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes. A abordagem qualitativa, ao contrario da quantitativa, aprofunda-se no mundo dos significados das ações e relações humanas. (p.57). A pesquisa é uma fonte de descobertas desde que seja planejada, elaborada,seguindo requisitos básicos como: estudo bibliográfico, observação, interação comos sujeitos, partindo destes requisitos tivemos suporte para desenvolvermos apesquisa.3.2 Lócus da Pesquisa A pesquisa foi realizada na cidade de Itiúba – Ba. O município de Itiúba estálocalizado no semiárido do Norte Baiano na Região do Território do Sisal, acerca de300 km da capital do estado (Salvador). Possui área total de 1.737,8 km², suapopulação é estimada em 36.113 habitantes, o que dá uma densidade populacionalde aproximadamente 20,78 hab/km², segundo o censo do IBGE (BRASIL, 2010). A cidade de Itiúba – Ba não possuí nenhuma escola pública específica deEducação Infantil. As classes de Educação Infantil estão inseridas nas escolas deensino fundamental. Desta forma não trabalharemos com nenhuma escolaespecífica, mas com os professores que atuam nesse nível de ensino. Para atingir onúmero ideal de sujeitos, visitamos sete escolas da cidade, onde encontramosescolas com apenas uma turma de educação infantil, outras com duas
  • 34. 333.3 Sujeitos da Pesquisa A pesquisa foi realizada com quinze (15) professores da educação infantil, dediferentes escolas da cidade representando assim um número diversificado poratuarem em escolas distintas. Esperamos obter uma maior abrangência do trabalhorealizado e a partir daí avaliar as inquietações tão discutidas até agora. A intenção foi de conhecer a realidade da educação infantil e a formação dosprofessores deste nível e não de identificar estes profissionais por essa razão nãoidentificaremos nenhuma escola ou professor com a intenção de preservar suasidentidades. 3.4 Instrumentos da Pesquisa Todo trabalho precisa ser planejado para que todos os aspectos sejamanalisados com cautela e seriedade. Como o trabalho desenvolvido envolve muitosprofessores não teríamos como reuni-los para uma entrevista ou roda de conversa,optamos por aplicar questionários semi-estruturado, por acreditarmos que com estasinformações poderemos fazer um diagnóstico desta situação, e por entendermosque não estaríamos intimidando – os a fornecer as informações, considerando quenenhum professor foi forçado a responder as questões propostas. De acordo comThiollent (1987): O questionário, seja ele concebido num modelo de observação direta ou de questionamento, contém uma lista de perguntas cuja temática corresponde, em principio, a uma ‗tradução‘ das hipóteses de pesquisa sob forma interrogativa. Tal ‗tradução‘ deve levar em conta o provável nível de informação dos entrevistados e ser submetida a um rigoroso controle no decorrer da elaboração do questionário para evitar, ou menos avaliar, as distorções que ela introduz. (p.32).
  • 35. 34 O questionário buscou fornecer os dados, referentes a identidade dessesprofessores, a visão sobre a educação infantil, sobre a formação do professor, eoutros aspectos que garantiram uma análise mais segura. Durante a visita às escolas podemos observar o trabalho dos professores quefoi um outro recurso para a pesquisa levando-nos a confrontar o que vimos com oque colhemos, e assim analisarmos os resultados. A observação foi utilizada paraverificar situações inéditas que provavelmente pudessem ocorrer neste local, e quesó através da observação seria possível visualizar. Segundo Cervo; Bervian e Silva(2007): Observar é aplicar atentamente os sentidos físicos a um objeto para dele obter um conhecimento claro e preciso. A observação é de importância capital nas ciências. É dela que depende o valor de todos os outros processos. Sem a observação, o estudo da realidade e de suas leis seria reduzido á simples conjectura e adivinhação. (p.31). A partir desta coleta analisamos todos os dados que foram coletados,verificando as informações e confrontando com o que observamos o que nospossibilitou construir as nossas hipóteses.
  • 36. 35 CAPÍTULO IV 4. ANALISANDO OS RESULTADOS Esta etapa é a mais importante e reveladora, pois analisamos os resultadosdo nosso trabalho, em relação à formação do professor de educação infantil, nacidade de Itiúba – Ba, e buscamos compreender as inquietações descritas duranteeste processo de construção do conhecimento. Considerando as respostas dos nossos sujeitos que foram quinze (15)professores da educação infantil, onde discutimos a sua formação, descobrimosfatos reveladores que modificaram a visão sobre a formação do professor deeducação infantil de Itiúba, pois sabemos que todo trabalho científico tem o objetivode descobrir e entender o problema investigado. Agiremos com cautela na análise dos dados, buscando uma melhorcompreensão em relação as nossas inquietações. Durante este processo deinvestigação percorremos diversas escolas da cidade, conversamos com osprofessores da Educação Infantil, e tivemos a oportunidade de observar as escolasem que estão inseridas essas classes, e o trabalho dos professores.4.1 Conhecendo nossos sujeitos Foi uma experiência enriquecedora que transformou as concepções quetínhamos sobre estes espaços e seus profissionais. A saga começou com asandanças de escola em escola, ao todo (07) estabelecimentos.
  • 37. 36 Dos sujeitos desta pesquisa temos quinze (15) professores das escolas ondeas classes de educação infantil estão distribuídas, aos quais foram entregues quinzequestionários, mas cinco professores não quiseram responder por razões nãoconvincentes.Gráfico 1:Fonte: Questionário semi-estruturado aplicado aos professores da Educação Infantil da cidade de Itiúba- Ba, em2012. Sabemos que uma grande parte dos professores é composta por mulheres,no entanto na educação infantil isto ficou bastante claro, pois todos os sujeitos dapesquisa eram mulheres. O que se confirma quando discutimos a concepção socialde que a mulher tem mais ―jeito‖ para cuidar e educar crianças. Como afirmam Anitae Martins (1987): A mulher sempre foi considerada como elemento ideal para o magistério, especialmente o de Primeiras Letras. Por influência positivista, considerava- se a mulher como naturalmente dotada para assistência à infância uma vez que a paciência, a tolerância e parcimônia ―só podem partir do coração
  • 38. 37 feminino‖ e essa tarefa, da educação das crianças nas escolas, por direito e por natureza devia ―ter-lhe sempre pertencido.‖ (p.26). Na Educação Infantil a professora desempenha funções que vão além deeducar, exige também o cuidado com as crianças e quanto menores mais atençãonecessitam como: higienizá-las, que apesar do histórico da Educação Infantil queprivilegiava esse tarefa, nos dias atuais não foram descartados, pois esta é umaatividade que ainda é desenvolvida pela professora dessas turmas, sabemos quemuitas turmas só contam com a professora que é a responsável pela realização detodas as tarefas.4.2 Tempo de serviço O tempo de experiência na Educação Infantil pode representar uma melhorprática, haja vista, que toda experiência é adquirida na prática, e através da prática oprofessor tem subsídios para diagnosticar muitos comportamentos apresentadospelos alunos. Quanto a isso Perrenoud (2000) diz que: Toda prática é reflexiva, no duplo sentido em que seu autor reflete para agir e estabelece a posteriori uma relação reflexiva com a ação realizada. Uma parte de nossa vida mental consiste em pensar no que vamos fazer, no que fazemos, no que fizemos. Todo ser humano é um prático reflexivo. Insiste - se nisso para convidar a uma reflexão mais metódica que não seja movida apenas por suas motivações habituais – angústia, preocupação de antecipar, resistência do real, regulação ou justificativa da ação -, mas por uma vontade de aprender metodicamente com a experiência e de transformar sua prática a cada ano. (p.160). Observando o gráfico abaixo podemos notar que entre os professoresentrevistados o tempo de experiência da maioria com essas turmas é pouco, pois40% tem de 2 á 5 anos de serviço, 30% tem mais de 10 anos de experiência, outros20% tem menos de 2 anos e 10% tem de 5 á 10 anos de experiência.
  • 39. 38Gráfico 2: TEMPO DE SERVIÇO 10% 20% 40% 40% tem de 2 a 5 anos 30% mais de 10 anos 20%tem menos de 2 anos 30% 10% tem de 5 a 10 anosFonte: Questionário semi-estruturado aplicado aos professores da Educação Infantil da cidade de Itiúba- Ba, em2012. Podemos detectar que a maior parte dos docentes ainda tem poucaexperiência na educação infantil. Sabemos da importância de profissionais maisexperientes para essas classes, pois para trabalhar com crianças é preciso maisconhecimentos para entender seus comportamentos, e quanto mais tempo comessas turmas maior é o aprendizado para ambos. O tempo de experiência poderepresentar mais afinidade, respeito aos saberes dos alunos, uma melhorcompreensão dos processos de aprendizagem, principalmente com maior tempo deatuação na Educação Infantil.4.3 Faixa Etária
  • 40. 39Gráfico 3: FAIXA ETÁRIA 0 10% 50% tem de 25 à 35 anos 50% 40% mais de 35 anos 40% 10% tem de 18 à 25 anosFonte: Questionário semi-estruturado aplicado aos professores da Educação Infantil da cidade de Itiúba- Ba, em2012. Observamos que os professores possuem uma idade razoável, considerandoa sua faixa etária, pois 50 % têm de 25 á 35 anos, 40% têm mais de 35 anos, 10%tem de 18 á 25. Sabemos que a idade não é justificativa para a realização de umbom trabalho, mas os professores com essa faixa etária podem demonstrar umamaior interação com as turmas.4.4 Nível de Formação Os professores estão cada vez mais preocupados com a sua formação, pois60% dos professores apresentam o superior incompleto, enquanto 20% possuemsomente o magistério, os outros 10% tem formação em pedagogia, e 10% temalguma especialização, porém a grande maioria ainda não possuí uma formação emcurso superior, mas estão buscando essa formação.
  • 41. 40Gráfico 4: NÍVEL DE FORMAÇÃO 10% 10% 60% superior incompleto 20% 20% magistério 60% 10% pedagogia 10% especializaçãoFonte: Questionário semi-estruturado aplicado aos professores da Educação Infantil da cidade de Itiúba- Ba, em2012. Se pensarmos que há algumas décadas atrás os professores em sua maioriapossuíam formação mínima, ou nenhuma, hoje nos deparamos com um avançosignificativo na qualificação destes profissionais, pois como podemos verificar umagrande parte dos professores está preocupada com a sua formação, considerandoque uma formação específica propicia uma melhor prática. O grande número de profissionais que buscam melhorar sua formação poderepresentar um desenvolvimento relativo nos níveis de educação infantil e sériesiniciais, que são as fases que mais necessitam de profissionais capacitados. Dianteda necessidade de melhorar sua formação os professores contam com o apoio doMunicípio, e do Estado que tem oferecido diversos cursos na intenção de qualificaros profissionais da educação como está previsto na LDB Art. 87: ―III - realizarprogramas de capacitação para todos os professores em exercício, utilizandotambém, para isto, os recursos da educação a distância;‖ Assim todos os
  • 42. 41professores tem a oportunidade de aprimorar sua formação, lhes garantindomelhores condições para desempenhar as funções que lhes são atribuídas.4.5 Analisando a experiência na Educação Infantil durante o processo deformação As discussões seguintes nos permitiram analisar e discutir alguns aspectosrelacionados à formação do professor de Educação Infantil, pois em muitosmomentos durante a realização do trabalho discutimos o quanto se faz necessárioum professor capacitado que consiga unir teoria e prática, visto que esses doiselementos ajudam o professor a construir sua ação na busca de novas experiênciase adquirir o conhecimento tão exigido para o trabalho com essas turmas. Comodescreve Garcia (1993 p.72) ―a teoria é validada quando possibilita a reflexão sobrea prática e, sobretudo, quando contribui para que a prática avance para níveis dequalidade.‖ Desta forma durante o processo de formação dos sujeitos destapesquisa eles revelam o quanto a experiência nestas classes é importante. É o quenos relatam os professores abaixo diante do questionamento: durante seu processode formação teve alguma experiência na Educação Infantil? O que achou?: P.1. Sim. Uma experiência nova, que foi fundamental pela minha escolha de trabalho com a educação infantil. P.2. Sim, achei maravilhoso porque através dessa experiência adquirir mais conhecimentos para aplicar na minha prática pedagógica. P.4. Não, mas acredito que o que nos dar experiência é o prazer e atuação e entusiasmo em aprender a cada dia e melhorar nossas ações. P.7. Sim. Que é uma turma que devemos dar mais atenção, desenvolver um bom trabalho, pois é na educação infantil que os educandos devem ser preparados para o ensino fundamental. Nos discursos dos professores eles consideram o quanto o processo deformação voltado para a Educação o Infantil é um fator importante para melhorarem
  • 43. 42a sua prática. No entanto, nem todos tiveram a oportunidade de vivenciar estaexperiência, considerada fundamental para conhecer o universo da EducaçãoInfantil. Sendo assim, é através da experiência que adquirimos prática econhecimentos para a realização do trabalho de qualidade que tanto almejamos.Libâneo (1994): diz que: O pressuposto, assim, é que o professor necessita de uma instrumentalização ao mesmo tempo teórica e técnica para que realize satisfatoriamente o trabalho docente, em condições de criar sua própria didática, ou seja, sua prática de ensino em situações didáticas específicas conforme o contexto social em que ele atue. (p.12). Diante destas constatações podemos verificar que o profissional que tem aoportunidade de vivenciar experiências práticas com essas classes tem maisfacilidade de interagir com as turmas, pois elas possibilitam vivenciar a realidade.4.6 Cursos de formação continuada e aperfeiçoamento para atuar em classesde Educação Infantil Sabemos da importância de preparar o professor para trabalhar com crianças,pois nos dias atuais não é mais admissível que tenhamos profissionais que nãoconheçam as fases de desenvolvimento das crianças, e para isso a formaçãocontinuada e os cursos de aperfeiçoamento precisam tentar preparar estesprofissionais para atuar nestas classes, embora saibamos que nem sempre issoacontece, como descreveram nossos sujeitos diante do questionamento: você já fezalgum curso de capacitação ou formação para trabalhar na educação infantil? O queachou? P.1. Sim. Educação infantil é trabalho prazeroso, mas requer uma eficaz formação continuada. P.2. Não tive essa oportunidade. P.4. Não. Mas tenho consciência da importância da formação do profissional na área.
  • 44. 43 P.5. Voltado só para a educação infantil não, mas participo todos os anos da jornada pedagógica que algumas vezes foram voltadas para a educação infantil. P.9. Sim. Achei gratificante porque aprendi maneiras diferentes e práticas para trabalhar competências e habilidades necessárias ao aprendizado da criança através de jogos, brinquedos e brincadeiras. Nesta análise percebemos que os professores consideram importante oscursos de aperfeiçoamento e a formação continuada para trabalhar na EducaçãoInfantil, pois através deste preparo o educador adquire conhecimentos e técnicas,aspectos essenciais para desempenhar as atividades com êxito. Percebemos também que nem todos os professores tiveram a oportunidadede participar de cursos de formação nem de capacitações para trabalhar com essasturmas, mas precisaram aprender a lidar na prática, sendo assim, é preciso rever oscursos oferecidos aos professores, pois é inadmissível que professores que deverãoatuar na Educação Infantil e no Ensino Fundamental não tenham acesso a umaformação que os prepare melhor para atuar com as classes de Educação Infantil, eprecise vivenciar o trabalho para buscar um aperfeiçoamento que o auxilie nasatividades com as crianças. Isso mostra o quanto à prática é importante para adquiriros conhecimentos necessários para interagir com as turmas. A Lei de Diretrizes eBases da Educação (LDB) destaca no Art. 62 que: ―2º A formação continuada e acapacitação dos profissionais de magistério poderão utilizar recursos e tecnologiasde educação a distância‖. (Incluído pela Lei nº 12.056, de 2009). Talvez essa seja mais uma lacuna deixada pelos Municípios que mesmotentando oferecer uma formação mais apropriada, ainda não conseguem suprirtodas as expectativas dos educadores, e isso fica evidente na prática pedagógica.Com essa análise não queremos dizer que os cursos preencherão todas as lacunasdeixadas por uma formação fragmentada, mas darão o suporte para que o professorpossa desempenhar o seu papel com segurança.
  • 45. 444.7 A importância da formação continuada para a prática Muito já foi discutido aqui sobre a importância de profissionais bempreparados para assumirem as classes de Educação Infantil. Durante o processo deinvestigação procuramos descobrir se os professores se sentiam preparados paratrabalharem com essas turmas e ficamos surpresos com as respostas: P.3. Sim, pois tenho afinidade e um pouco de experiência. Porém, pretendo fazer uma especialização para aprofundar meus conhecimentos. P.4. Sim, porque compreendo que a educação infantil é a base e projeta caminhos necessário para a construção e o desenvolvimento da nossa sociedade. P.9. Não. Porque preciso desenvolver meu lado recreativo, pois não gosto muito de brincar com as crianças, faço pois sei que a brincadeira é um dos recursos pedagógicos importantíssimos para a aprendizagem significativa da criança. P.10. Não. Acredito que tentamos fazer o melhor, mas não temos a formação adequada. Como podemos observar houve uma divisão entre os que se achampreparados e os que acham que precisam melhorar. Mesmo os que declaram terpreparação, assumem que precisam aprofundar seus conhecimentos, desta formademonstram insegurança ao responderem sobre sua preparação. Dentre todos queresponderam chamo a atenção para a resposta da P.10, que talvez seja a que maissintetizou os discursos, ao dizer que não é o suficiente, mas está à procura de umamelhor qualificação, a fim de garantir uma prática mais eficaz. Com uma nova concepção sobre a Educação Infantil, a sociedade demonstraum outro olhar para esta fase, em que uma educação de qualidade reflete nas sériesseguintes. Hoje a escola de Educação Infantil ideal é aquela que considera osaspectos de desenvolvimento infantil, promovendo uma interação maior entreprofessores e crianças onde o trabalho de um depende do desenvolvimento dooutro. O professor na sala de aula, não impõe seus conhecimentos, descobre junto
  • 46. 45com os alunos as melhores maneiras de construírem este aprendizado. Para Souzae Kramer (1991): Na concepção difundida pelos educadores modernos, a pré-escola se constitui no lugar onde a criança tem oportunidade de desenvolver certas operações mentais, expandir a sensibilidade e a criatividade, desenvolver habilidades psicomotoras específicas, ampliar o vocabulário, ampliar o relacionamento social e conviver com valores morais diferentes dos da família. (p.16). Desta forma entendemos que preparar o professor não é somente oferecercapacitações ―curtas‖ (grifo nosso) que não garantem que estes profissionaisestejam prontos, mas acompanhar os profissionais nesse processo até que sesintam seguros e independentes para desempenhar as funções propostas.4.8 O papel da Educação Infantil no desenvolvimento das crianças A grande procura por escolas de Educação Infantil revela que houve umaconscientização sobre esse nível de ensino, pois quanto mais cedo a criança temacesso a essa educação seu desenvolvimento é mais expressivo. Diante das análises feitas, todos os professores demonstraram terconhecimento sobre a importância da Educação Infantil, pois os discursos revelamque: P.1. A educação infantil é uma fase fundamental na construção da personalidade da criança. Está ligada ao desenvolvimento físico, emocional, conhecimento para que no futuro sejam adultos criativos e capazes. P.6. A educação infantil é muito importante para desenvolver as crianças, pois facilita no convívio ajudando a interagir na sociedade, adquirindo valores, conceitos, auto-estima e com certeza tornará esta criança um adulto responsável confiante e seguro. P.9. É importante porque tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
  • 47. 46 Os professores afirmam o quanto a Educação Infantil favorece odesenvolvimento das crianças, em todos os aspectos de desenvolvimento eaprendizagem, garantindo uma maior interação na vida em sociedade. No nossopaís ela já passou por diversos momentos, até chegar ao que vivenciamos hoje,onde todos (família, professores, governo), compreenderam que ela é parteessencial no desenvolvimento cognitivo e social das crianças. O ReferencialCurricular Nacional para Educação Infantil (1998) destaca que: A expansão da educação infantil no Brasil e no mundo tem ocorrido de forma crescente nas últimas décadas, acompanhando a intensificação da urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças na organização e estrutura das famílias. (p.11). Se todos concordam que a Educação Infantil é parte essencial no processode desenvolvimento e aprendizagem das crianças, e que precisamos deprofissionais cada vez mais preparados para atuarem com estas turmas, quem sabedaqui a alguns anos dessa constatação pode surgir uma possível melhoria daeducação confirmando o papel desempenhado por esta etapa da escolarização.4.9 Habilidades necessárias para o trabalho na Educação Infantil Os professores de um modo geral precisam ter uma formação adequada queos possibilite conhecer os processos que gerenciam o processo de ensino eaprendizagem. Também precisam desenvolver habilidades para o trabalho comqualquer nível de ensino, mas na Educação Infantil essas habilidades devem aflorar,pois é muito difícil conseguir desenvolver um trabalho de qualidade sem habilidades,técnicas e conhecimento. Como afirma Perrenoud (2000): Escolher e modular as atividades de aprendizagem é uma competência profissional essencial, que supõe não apenas um bom conhecimento dos
  • 48. 47 mecanismos gerais de desenvolvimento e de aprendizagem, mas também um domínio das didáticas das disciplinas. (p.48). A Educação Infantil é uma fase em que o professor precisa apropriar-se dediversos recursos, estratégias e habilidades a fim de propiciar às criançasoportunidades de conhecer, descobrir e interagir em diversos espaços sociaiscriando estratégias para adequar-se. Desta forma os professores precisam possuiralgumas habilidades para desenvolver este trabalho. Na pesquisa realizada ossujeitos fizeram algumas declarações a respeito destas habilidades: P.10. A sensibilidade para acolher as diferenças, dinâmico, ter conhecimento das fases e características próprias da infância. P.4. Um aspecto importante é ter conhecimento teórico para poder desenvolver sua prática, ter compreensão da importância de brincar no desenvolvimento e aprendizagem, para um ensino organizado de qualidade. P.2. A habilidade de saber conhecer, conviver, o desejo de criar, aprender em refletir sobre si.. Diante destes discursos percebemos que os professores demonstram possuiralgumas habilidades importantes, para coordenar as atividades necessárias para odesenvolvimento infantil, considerando a importância de uma boa formação paraatender as exigências desta fase. Os professores da Educação Infantil precisam ser muito mais do quesimplesmente transmissores de conteúdos, eles precisam construir o conhecimentocom as crianças, demonstrando, experimentando, atuando, contracenando, pois sóassim as crianças assimilarão mais facilmente os conteúdos a serem explorados.Como está descrito no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil(1998): (...) o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que
  • 49. 48 articulem os recursos e capacidades afetivas, emocionais, sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se, portanto, no parceiro mais experiente, por excelência, cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico, prazeroso, saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas. (p.30). E como declararam nossos sujeitos isso só é possível quando existeconhecimento das fases de desenvolvimento das crianças, e a partir daí encontraros recursos apropriados para desenvolver sua prática com mais habilidades,técnicas e segurança.4.10 Características do professor de Educação Infantil A concepção social que se tinha do professor de Educação Infantil era queprecisava ser mulher, carinhosa, extrovertida, gostasse de crianças, pois a mulherpor ser mãe desenvolvia esta tarefa com mais segurança como destaca Linhares(2001, p.43): ―O modelo docente que se defendia aparece como cópia das tarefasdas mães, equivocadas a estas, portanto, com responsabilidades similares nas salasde aulas de educação infantil.‖ Portanto desde que possuísse essas característicasera o suficiente para ser uma professora dessas turmas. Hoje com uma sociedadecada vez mais competitiva e exigente o professor desta fase não pode atender só aesses requisitos, entre essas características surgiram outras tão importantes quantoàs descritas acima como ser polivalente, dinâmico, ter a capacidade de adaptar-seas mudanças, ser competente e compromissado, etc. Os professores abaixo descrevem como deve ser o professor de EducaçãoInfantil, e nas suas falas podemos notar que eles também consideram importantescaracterísticas que vão além das concepções do passado: P.2. Humano, amoroso, amigo, alegre, responsabilidade, investigador, pesquisador, comunicador.
  • 50. 49 P.9. Motivador, paciente, criativo, inovador, reflexivo, e mediador das aprendizagens, carinhoso e dinâmico. P.4. Trata-se de um profissional pesquisador, responsável compromissado e acima de tudo tenha sensibilidade e afetividade no ambiente escolar. Todos os discursos dos professores revelam que eles destacamcaracterísticas muito importante para o novo professor destas turmas principalmenteno que se refere a um processo constante de reflexão da prática, isso poderepresentar um aspecto positivo, pois eles reconhecem que para serem professoresde crianças de 04 à 05 anos não basta possuir características simplistas, mas umperfil diferenciado para atender as características específicas da clientela. NoReferencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) aborda sobre o perfildesses profissionais: O trabalho direto com crianças pequenas exige que o professor tenha uma competência polivalente. Ser polivalente significa que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. Este caráter polivalente demanda, por sua vez, uma formação bastante ampla do profissional que deve tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente sobre sua prática, (...). (p.41). Portanto, o novo perfil do professor busca muito mais conhecimento,compreensão e uma formação adequada que permita construir sua práticapedagógica juntamente com as crianças, valorizando as inquietações trazidas porelas.
  • 51. 50 CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante todo o trabalho procuramos analisar, discutir e compreender aimportância de uma formação adequada para os professores da educação infantil, eas consequências de um profissional bem – formado para atuar nestas classes. Ao escolhermos a temática acreditávamos que os professores da educaçãoinfantil não tinham conhecimentos específicos sobre este nível de ensino.Analisando a história da educação brasileira, e todas as mudanças sofridas - entreelas a formação do professor que passou por vários momentos desde os jesuítasaos professores leigos e hoje ao grande número de professores com formaçõescada vez melhor - isso nos permitiu compreender que concepção de criança e deeducação que existia e o que existe no momento, podendo entender assim, que aeducação infantil passou por um longo caminho até chegar ao que encontramoshoje. Apesar de sabermos que ainda existem muitos profissionais sem preparaçãopara estar nestas classes, fomos surpreendidos com a formação dos sujeitos dapesquisa, pois todos tem um conhecimento relevante sobre a educação infantil, eseus processos. O que nos deixou intrigados foi o fato de que se esses profissionaistem uma visão significativa sobre esta fase, como explicar o descaso que muitasvezes observamos destes com as turmas? Se uma boa parte deles busca umamelhor formação, o que acontece com estes profissionais que não desempenhamsuas atividades de maneira adequada? O que temos observado é que hoje existe uma grande procura pelos cursosde formação, pois a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB (93/94) trouxeuma nova proposta relacionada a formação dos professores, destacando que até ofim da Década da Educação (dezembro 2007) eles tinham que possuir uma
  • 52. 51formação específica em curso superior. Outro fator foi a municipalização queofereceu mais oportunidades para os professores, pois agora o município também éresponsável pela educação, não ficando a cargo somente do Estado. Assim comuma formação mais qualificada o professor tem mais possibilidades de desenvolvermelhor o seu trabalho, buscando cada vez mais pelos cursos superiores e asespecializações, no entanto, ainda não se concretiza um melhor desempenho doprofessor, principalmente com as classes de Educação Infantil. Vivenciamos uma fase em que a maioria dos professores têm acesso aoscursos universitários, as capacitações, entre outros, pois os Municípios e Estadooferecem diversos cursos, facilitando o acesso do professor nestes. Os professorespossuem cada vez mais ―títulos‖ (grifo nosso) de cursos que participaram, noentanto, ainda não observamos em sua prática as mudanças necessárias para amelhoria da educação. Eles apresentam requisitos importantes e necessários paratrabalharem nestas classes, só precisam compreender que ter uma formação éessencial para ter uma prática melhor e não para acumular títulos, que muitas vezesnão acrescentam significados à prática que realizam. Esta constatação aponta para uma dicotomia entre o que os professoresrevelaram e o que observamos, pois nos discursos percebemos que eles têm umavisão razoável da educação infantil, da importância de professores melhorespreparados, da necessidade de técnicas, habilidades e conhecimento sobre ascrianças, porém na sua prática pedagógica notamos atitudes contraditórias, como aatitude dos professores que não quiseram participar da pesquisa, mesmo sabendo oquanto a sua participação seria importante para ampliarmos a visão dos profissionaisda Educação Infantil. A resistência pode ter sido uma fuga para não demonstraremas possíveis fragilidades da sua formação. Apesar dos avanços em relação ao perfil do profissional da educação infantilpercebemos que eles ainda carregam e valorizam estereótipos simplistas do tipo:carinhoso, dedicado, amável, etc, e que muitos se veem como ―tias‖ que estão lá
  • 53. 52muito mais para desenvolver a tarefa de ―cuidar‖ deixando a educação a deriva.Estes profissionais devem destacar-se por aspectos relacionados a competência,técnicas e conhecimentos, pois no atual contexto educacional e social osprofissionais precisam adaptar-se as novas necessidades de um mundo globalizadoe da nova concepção de criança. Em todos os momentos desta pesquisa percebemos que essa formação éuma realidade, no entanto em determinados momentos a prática do professor nãocondiz com a sua formação. Assim nos perguntamos só a formação garante umamelhor prática? Ou a prática é fruto das convicções, dos ideais, do que valorizamose no que acreditamos? Sem estes aspectos nada mudará mesmo com uma boaformação. As discussões que aconteceram serviram para aprofundar nossosconhecimentos sobre o tema, surgindo também outras aflições, no entanto todas asreflexões não se constituem como verdades incondicionais, mas serviram paraconhecermos discutirmos sobre os fatos deixando contribuições que poderão auxiliarem outras pesquisas.
  • 54. 53 REFERÊNCIASANITA, Maria; MARTINS, Viviani. O professor como agente político. 2ª edição,São Paulo: Loyola, 1987.BRASIL. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996.BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil / Ministério daEducação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. — Brasília:MEC/SEF, 1998.BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1> . Acesso em: 01 jul. 2012.CATANI, Denise Bárbara. Universidade, escola e formação de professores. 2ªEdição; São Paulo: Editora Brasiliense, 1987.CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologiacientífica. 6ª edição; São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007.GARCIA, Regina Leite (org); Perez Carmem Lúcia Vidal (et al.) Revisitando a pré –escola – 2ª. ed. São Paulo: Cortez, 1993.GHIRALDELLI, Júnior Paulo; História da educação brasileira; 4. Ed. – São Paulo:Cortez, 2009.KALLOK, Maisa Gomes Brandão. As exigências da formação do professor naatualidade. Maceió: EDUFAL, 2000.KOCHE, José Carlos. Fundamentos da metodologia científica: teoria da ciênciae prática da pesquisa. 16ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
  • 55. 54LIBÂNEO, José Carlos. Didática. (Coleção magistério 2º grau, formação doprofessor), Cortez: São Paulo, 1994.LINHARES, Célia (org); Os professores e a reinvenção da escola: Brasil eEspanha; São Paulo: Cortez, 2001.LORENZATO, Sérgio. Educação infantil e percepção matemática. Campinas, SP:Autores Associados, 2006 – (Coleção Formação de Professores).MACHADO, Maria Lúcia A. Pré-escola é não é escola: a busca de um caminho.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.MICHALISZYN, Mario Sergio; TOMASINI, Ricardo. Pesquisa: orientações enormas para elaboração de projetos, monografias e artigos científicos.Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.MOYSÉS, Lucia. O desafio de saber ensinar. Campinas, SP: Papirus, 4ª Edição,1994.OLINTO, Antônio. Minidicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Moderna,2000.OLIVEIRA, Zilma Moraes Ramos de (org). Educação infantil: muitos olhares. 5.Ed. São Paulo; Cortez, 2001.PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Trad. PatríciaChittoni Ramos - Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.REIS, Minervina Joseli Espíndola. O olhar do professor aluno na sua formaçãoacadêmica: avanços e desafios. Salvador: Editora EGBA, 2003, 114p.(Bibliografia: p.111-114).SOUZA, Solange Jobim; KRAMER, Sonia. Educação ou Tutela? A criança de 0 a6 anos. São Paulo: Edições Loyola, 1991.
  • 56. 55TARDIF, Maurice: Saberes docentes e formação profissional - 5ª Edição,Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.TELES, Maria Luiza Silveira. Educação: a revolução necessária. Petrópolis, RJ:Vozes, 1992.THIOLLENT, Michel J. M. Crítica metodológica, investigação social e enqueteoperária: São Paulo: Editora Polis LTDA, 1987.
  • 57. 56APÊNDICE
  • 58. 57 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO-CAMPUS VII CURSO: PEDAGOGIA 2008.1 Este questionário é parte complementar do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)que tem como temática: A formação de Professores da Educação Infantil. Desde já agradecemos sua participação. Não é necessário assinar, todas asinformações aqui prestadas terão como finalidade única, fornecer dados para nosso trabalhocientífico. QUESTIONÁRIO PARA COLETA DE DADOS RESPONDA ÁS QUESTÕES ABAIXO: 1. a) Sexo ( )M ( )F b) Idade ( ) 18 à 25 ( ) 25 à 35 ( ) Mais de 35 c) A quanto tempo trabalha na Educação Infantil? ( ) Menos de 2 anos ( ) De 2 á 5 anos ( ) De 5 á 10 anos ( ) Mais de 10 anos d) Qual o seu nível de formação? ( ) magistério ( ) superior em Pedagogia ( ) superior incompleto
  • 59. 58( ) especialização( ) outro__________________________________________________2. Durante o seu processo de formação teve alguma experiência na Educação Infantil? O que achou?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3. Você já fez algum curso de capacitação ou formação para trabalhar na educação infantil? O que achou?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4. Você se considera preparado para trabalhar na Educação Infantil? Justifique.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5. Para você qual a importância da Educação Infantil para o desenvolvimentodas crianças?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6. Na sua opinião que habilidades deve possuir um professor de EducaçãoInfantil?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  • 60. 59______________________________________________________________________________________________________________________________________7. Em sua opinião que características deve possuí o professor consideradoideal para a Educação Infantil?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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