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Monografia Cássia Pedagogia 2012
 

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Pedagogia 2012

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    Monografia Cássia Pedagogia 2012 Monografia Cássia Pedagogia 2012 Document Transcript

    • 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA CÁSSIA MILENA BATISTA GOMESA IMPORTÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA A FORMAÇÃO DA CRIANÇA NA PERSPECTIVA DOS PAIS SENHOR DO BONFIM-BA 2012
    • 2 CÁSSIA MILENA BATISTA GOMESA IMPORTÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA A FORMAÇÃO DA CRIANÇA NA PERSPECTIVA DOS PAIS Monografia apresentada ao Departamento de Educação-Campus VII, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Licenciatura Plena em Pedagogia. Orientador: Prof. Esp. Pascoal Eron S. de Souza SENHOR DO BONFIM-BA 2012
    • 3 CÁSSIA MILENA BATISTA GOMES A IMPORTÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA A FORMAÇÃO DA CRIANÇA NA PERSPECTIVA DOS PAISMonografia apresentada ao Departamento de Educação-Campus VII, daUniversidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção degraduação no Curso de Licenciatura Plena em PedagogiaAprovada em _______, de Agosto, de 2012. BANCA EXAMINADORA _______________________________________________________ Orientador: Profº. Esp. Pascoal Eron S. de Souza Universidade do Estado da Bahia –UNEB Orientador _____________________________________________________ Prof° (a) _________________________________ Universidade do Estado da Bahia – UNEB Examinador (a) _____________________________________________________ Prof° (a) ____________________________ Universidade do Estado da Bahia – UNEB Examinador (a)
    • 4Dedico este trabalho em primeiro lugar a Deus e à minha família, com quem compartilho os meus mais preciosos laços... Aos meus amados pais Cícero e Zilda que me incentivaram e torceram pela realização desta conquista. A minha Tia Eronilda por incentivar cada passo da minha vida.
    • 5 AGRADECIMENTOS A Deus, em primeiro lugar, por ter me concedido a sabedoria necessária pararealização deste trabalho... Toda honra e toda glória sejam dadas a ti Senhor.Obrigada por guiar os meus passos. Aos meus amados Pais Cícero e Zilda que com amor e dedicação nãomediram esforços para que não me faltasse nada. Ao meu amado noivo Alexsandro por toda paciência e compreensão emmeio a tantos dias aflitos. Aos meus Irmãos Júnior e Eduardo que mesmo não sendo presentes seique torceram por mim. Ao meu orientador Prof° Pascoal Eron que, com toda paciência, sabedoria ededicação esteve presente sempre nos mostrando o caminho correto. O meu muitoobrigada! Sua participação foi essencial para a conclusão deste trabalho. A querida Profª Sandra Fabiana, que com toda dedicação esteve presente noinício deste trabalho e contribuiu de forma significativa para diversas reflexões. A Adriana Araújo, companheira de tantos momentos difíceis e de tantasalegrias em especial as voltadas para a Literatura Infantil. Amiga... Você foi umgrande incentivo e esteve comigo todos os dias dizendo “Calma mulher...” Obrigada,com você tudo foi mais fácil. A minha equipe maravilhosa Paulinho, Clara, Lú, Nilton, Edneide eAdriana, vocês foram especiais em todos os momentos, cada sorriso, cada alegriaestará marcada na minha memória e no meu coração, obrigada por tudo. As minhas queridas amigas Lidiana (Lili) e Gláucia (Gal), que com todocarinho e compreensão participaram de todos os momentos aflitos, compartilhadosem dias de trabalho. Vocês me incentivaram e acreditaram que tudo ia dar certo. A Wendel e Andréia por me oferecerem em diversas ocasiões aoportunidade de conciliar trabalho e estudo. A Tia Terezinha, Geisa e Hellen por todos os incentivos e por todo carinho. A todas as crianças que estiveram presente ouvindo e apreciando cadahistória que eu contava com todo amor e dedicação. Em especial as meninas daONG Haidê Pelegrine, que com um sorriso sincero nos receberam com todo amor ecarinho.
    • 6 A turma de Pedagogia 2008.1, cada momento vivido e compartilhado foramfundamentais e marcantes, tantos risos, tantas angústias, mas no fim tudo deu certo.Em especial Juliana Bispo por nos proporcionar momentos de alegria edescontração em meio a tantas dificuldades. A todos os Professores que fizeram parte desse percurso acadêmico.Obrigada, vocês tiveram uma participação especial em diversos momentos deaprendizagem. A todos os funcionários do CECC (Centro Educacional ConstruindoConhecimento) que me receberam por diversas vezes de portas abertas pararealização de várias atividades. Aos Pais dos alunos do 1° ano do Ensino Fundamental, do CentroEducacional Construindo Conhecimento por terem contribuído de forma significativapara esta pesquisa. Em fim, a todos os familiares e amigos que participaram de alguma formapara a conclusão deste trabalho, o meu muito obrigada, vocês colaboraram para queeu pudesse realizar mais um dos meus sonhos. Que Deus possa abençoar cada umde vocês.
    • 7“Quem conta é também quem aconchega, quem traz pra perto,quem respira junto e quem dialoga.” Celso Sisto.
    • 8 RESUMO Esta pesquisa monográfica vem trazendo abordagens sobre a Literatura Infantil, enfocando aContação de Histórias como eixo central. Foram propostos como objetivos identificar qual é aimportância da Contação de Histórias para a formação da criança na perspectiva dos pais, assimcomo, perceber se eles ainda contam histórias para seus filhos; buscando posteriormente umaanálise junto aos teóricos na ânsia de conhecer a prática dos sujeitos e o que os autores trazemacerca da mesma. As abordagens sobre a Literatura Infantil se fazem necessárias para uma melhorcompreensão em relação as histórias infantis e perceber a participação da família diante desta práticaé essencial. A referida pesquisa se caracteriza em uma abordagem qualitativa, o percursometodológico foi de significante relevância, pois foi o caminho percorrido para refletirmos sobre avisão dos pais acerca da contação de histórias e este garantiu-nos, perante aos autores, o teor decientificidade deste estudo. Foi perceptível que a arte de Contar Histórias se faz presente dentro docontexto familiar dos participantes deste trabalho. Portanto a Literatura infantil atua de formasignificativa na vida das famílias, isto diante das possibilidades das mesmas que enfrentam jornadasdiárias de trabalho, mas ainda conseguem encontrar tempo para viver este momento de troca deafetividade, cumplicidade e conhecimento. Desta maneira, ressaltamos a importância desta atividadea qual desperta nas crianças um maior interesse nas atividades educacionais, como tambémtrabalhar a aprendizagem de forma divertida e significativa.Palavras-chave: Literatura Infantil. Contação de Histórias. Família.
    • 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA DESCRIÇÃO PÁGINA 01 Gráfico de faixa etária dos pais entrevistados 27 02 Gráfico Referente à renda familiar dos pais 28 entrevistados
    • 10 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ................................................................................................ 11CAPITULO I1. PROBLEMATIZAÇÃO .............................................................................. 13CAPITULO II2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................ 16 2.1. Literatura Infantil ................................................................................ 16 2.2. Contação de Histórias ........................................................................ 19 2.2.1. Os Pais como contadores de história........................................... 20 2.3. Família .............................................................................................. 21CAPITULO III3. METODOLOGIA ........................................................................................ 23 3.1. Tipo de pesquisa ............................................................................... 23 3.2. Lócus da pesquisa ............................................................................ 24 3.3. Sujeitos da pesquisa ......................................................................... 24 3.4. Instrumentos de coletas de dados ..................................................... 25 3.4.1. Questionário Fechado ................................................................. 25 3.4.2. Entrevista Semi-estruturada ........................................................ 25 3.5. Tabulação dos dados......................................................................... 26CAPITULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS ............................. 27 4.1. Perfil dos sujeitos da pesquisa .......................................................... 27 4.1.1. Faixa etária ................................................................................ 27 4.1.2. Nível de escolaridade ................................................................. 28 4.1.3. Renda Familiar ........................................................................... 28 4.1.4. Quantidade de filhos ................................................................... 29 4.1.5. Gosto pela leitura ........................................................................ 29 4.1.6. Leituras Realizadas .................................................................... 29 4.1.7. Contar Histórias .......................................................................... 29 4.2. Análise e Entrevistas - Dialogando com os pais ................................. 29 4.2.1. As histórias infantis contadas pelos pais ....................................... 30 4.2.2. As Histórias contadas em casa ou na escola pelas crianças ............ 31 4.2.3. A importância da contação de história na família .............................. 32 4.2.4. A aprendizagem da criança através das histórias ............................. 34 4.2.5. A busca de informações sobre as histórias infantis e o acesso ........ 36 4.2.6. As crianças pedem para ouvir histórias/ idade para ouvir histórias 38 4.2.7. Visão das Crianças sobre as histórias infantis .............................. 39 4.2.8. Contar Histórias é....................................................................... 40CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 42REFERÊNCIAS.............................................................................................. 43APÊNDICE...................................................................................................... 45
    • 11 INTRODUÇÃO Ao entrarmos em contato com as crianças, nas experiências de estágiona época do curso normal, surgiu o desejo de contar histórias para elas, com ointuito de levar uma forma diferente de aprendizagem para a sala de aula ou atémesmo como uma forma divertida de levar o acesso a leitura para os pequenosouvintes. Ao ingressar na universidade ouve-se questionamentos a respeito do temaLiteratura Infantil, os primeiros trabalhos realizados com esta temática foramtornando-se cada vez mais instigantes surgindo assim o desejo de levar para aprática aquilo que defendíamos com tanto entusiasmo. A realização de diferentes atividades, a partir do uso da Literatura Infantil,nos fez perceber o quanto é gratificante levar a aprendizagem para as criançasatravés da Contação de Histórias e sermos recompensados com resultadospositivos para a educação, além de ver a alegria dos pequenos expressada atravésde olhares e gestos em todo o desenvolvimento das atividades. Para aprofundarmosnossos conhecimentos, fizemos um estudo detalhado voltado para a Contação deHistórias na perspectiva dos Pais e assim apresentaremos a nossa pesquisa. A referida pesquisa está desenvolvida em quatro capítulos, no primeiroabordamos a nossa problemática e apresentamos os nossos objetivos, os quaisbuscamos alcançar a partir das reflexões que trazem os nossos sujeitos a respeitodo tema em questão. No segundo capítulo, apresentar-se-á a fundamentação teórica que trazuma abordagem sobre a Literatura Infantil, a Contação de Histórias e a Família,sendo estes temas confrontados com nosso posicionamento frente ao tema. O terceiro capítulo foi abordado o percurso metodológico desenvolvido nodecorrer desta pesquisa, tendo suporte na pesquisa em abordagem qualitativa,sendo utilizados como instrumentos de coleta de dados o questionário fechado e aentrevista semi-estruturada, para coletar informações que foram de suma relevânciapara este trabalho.
    • 12 Para concluir, o quarto capítulo apresenta os resultados que foramobtidos através das reflexões que trouxeram os Pais a respeito das nossasinquietações em relação à Contação de Histórias, podendo esta pesquisa colaborarpara serem motivados outros trabalhos no espaço acadêmico a respeito dos temasanalisados. Este trabalho de conclusão de curso se faz de grande importância porserem acrescentadas experiências essenciais no percurso acadêmico e profissional.Compreender que o educador também é um pesquisador torna a nossa formaçãoainda mais completa enquanto pedagogo no seu sentido social.
    • 13 CAPÍTULO I1 PROBLEMATIZAÇÃO Desde muito cedo a contação de histórias esteve presente na vidahumana, o homem sentiu a necessidade de partilhar seus costumes, suas crenças,e sua cultura, assim as histórias foram surgindo e com o passar dos tempostransmitidas como herança familiar. Era comum as famílias se reunirem para contare ouvir histórias depois das refeições, também a noite e principalmente antes dascrianças dormirem. Dessa forma, essa prática permaneceu por muito tempo,crianças e adultos faziam da hora da história um momento inesquecível. Hoje, convivemos com inúmeras mudanças, principalmente com osavanços tecnológicos, os pais que por diversos momentos partilhavam as históriasinfantis com seus filhos, algumas vezes por motivos de trabalho ou de não dispor detempo suficiente, acabam oferecendo as crianças meios de “distração” como jogos,internet, e brinquedos modernos. Assim, sem incentivo as próprias crianças buscamsempre mais novidades para fazer parte do seu mundo e dessa forma, umaatividade que antes era freqüente “A arte de contar histórias” vai se perdendo aolongo do tempo. Todavia, vale ressaltar que ainda existem inúmeras pessoas que buscamnas histórias infantis uma aproximação maior com as crianças; algumas, porém nãoadministram corretamente o tempo livre e com isso os filhos passam a participar decontações de histórias somente na escola, através dos professores ou dos próprioscolegas. Ao longo do percurso acadêmico, nas realizações de atividades práticasde estágio percebemos, que o processo educativo se torna mais prazeroso para ascrianças, quando são trabalhados assuntos de maneira diferenciada. O uso daLiteratura Infantil em sala de aula desperta na criança um interesse maior nasatividades, principalmente nas questões voltadas para a leitura, na qual, as criançasprecisam ser estimuladas desde cedo. Compreende-se, que os assuntostrabalhados através das histórias infantis são assimilados com maior facilidade, e
    • 14dessa maneira a aprendizagem passa a ser vista de forma prazerosa, porém, éindispensável que esse processo educativo tenha continuidade também em casa, nafamília. É preciso que os próprios pais sejam responsáveis para dar continuidadeao trabalho educativo e a participação da família nos assuntos voltados paraeducação é de extrema importância. Por diversos momentos na nossa trajetória doCurso de Licenciatura Plena em Pedagogia, nos estudos voltados para a LiteraturaInfantil, compreendemos que através das histórias as crianças desenvolvemhabilidades essenciais para a vida e nos perguntamos se os pais ainda contamhistórias para seus filhos. Nesse sentido, justificamos a escolha do nosso lócus de pesquisa, oCentro Educacional Construindo Conhecimento onde, estivemos presente poralgumas ocasiões e participamos de atividades educacionais, principalmente narealização de observações e de estágios supervisionados. Assim, nos sentimosmotivados em buscarmos um estudo mais detalhado sobre a contação de histórias epara aprofundarmos nossas reflexões, buscamos compreender o ponto de vista dospais a respeito desta temática, pois, nas atividades práticas de estágios realizadasem toda a trajetória acadêmica, não foi possível uma aproximação maior com afamília. Diante dessas questões, ressaltamos a importância desse trabalho deconclusão de curso, pois, acreditamos que as análises que serão abordadas sefazem necessárias para a nossa formação e podem também contribuirsignificativamente para as discussões em torno da importância da literatura infantilno desenvolvimento da criança e em seus processos de aprendizagem. A partirdessas considerações, surge o nosso questionamento: Qual a importância dacontação de história para a formação da criança na perspectiva dos pais? Dessa forma, temos como objetivo: Identificar qual é a importância dacontação de história para a formação da criança na perspectiva dos pais, assimcomo, perceberem se eles ainda contam histórias para seus filhos.
    • 15 A partir dessas considerações, esta pesquisa monográfica poderácontribuir de forma significativa para motivação de outros trabalhos e que à luz dasidéias propostas, seguindo o pensamento dos autores estudados poderá favoreceroutras reflexões, trazendo as questões da literatura infantil para o cenárioacadêmico. Entretanto, destacamos a importância dos temas voltados para a família,que precisam ser aprofundados com maior freqüência para realização de propostaseducacionais que valorizem os assuntos que fazem parte deste contexto.
    • 16 CAPITULO II2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Iniciamos este capítulo, buscando refletir sobre alguns temas que sefazem necessários para uma abordagem significativa a respeito do tema emquestão. Optamos em fazer uma breve apresentação sobre a Literatura Infantil, porse tratar de um tema amplo para reflexões, em seguida buscaremos discutir asquestões a respeito da Contação de histórias, que são o foco desta pesquisa eserão necessárias para a compreensão dos conceitos seguintes. Deste modo,abordaremos também um pouco da Participação dos pais na contação de histórias epor fim discutiremos algumas funções que fazem parte da Família.2.1. Literatura Infantil Ao falarmos de Literatura Infantil devemos antes de tudo analisar como sedeu a origem dos textos infantis para conhecermos um pouco sobre a sua história,veremos que com o passar do tempo ocorreram inúmeras mudanças na sociedadeenvolvendo esta temática. O surgimento da Literatura Infantil teve início com a tradição oral, onde,suas fontes se apresentam no folclore, nas lendas e nos mitos, como também, apartir da necessidade que o homem sentiu em transmitir suas idéias. Até o séculoXII as crianças participavam da vida adulta, e eram vistas como adultos emminiaturas compartilhavam da vida social, religião, política e seu mundo não eramseparados do mundo dos adultos, não se tinha uma visão de infância. SegundoÁries (1978): Até o século XVII, a infância não era entendida de maneira como percebemos hoje. As crianças eram tratadas como mini-adultos, trabalhavam e viviam juntos aos adultos, vestiam-se como adultos e praticavam de tudo: da vida social, política e religiosa da comunidade, não havia propriamente dito, “um mundo infantil”, diferente e separado, ou uma visão especial sobre infância, não se escrevia para elas, pois não existia “infância” (p. 23).
    • 17 Cunha (1991) nos deixa claro que somente durante o século XIII é queocorreram mudanças na sociedade que beneficiaram as crianças, fazendo com quesuas necessidades e características próprias fossem valorizadas e sua vida fosseseparada da vida dos adultos. Com essas mudanças, as crianças começaram areceber tratamento especial, deixando de partilhar da vida dos adultos como era decostume. Dessa forma, com a valorização da infância as narrativas que antes eramcompartilhadas com os adultos, passaram a ser apresentadas para as crianças comintuito formativo. Zilberman (1987) ressalta que, com a valorização da infância ganhatambém espaço a união familiar e passa a existir uma preocupação com odesenvolvimento intelectual da criança. Assim, Literatura Infantil e Escola sãoconvocadas para ajudar na busca do espaço da criança na sociedade. Não é por acaso que a escola e a Literatura Infantil passam a caminharjuntas, pois os primeiros textos infantis foram escritos por professores e pedagogoscom fins educacionais. (Zilberman, 1987). Contudo, como a criança era vista comoadulto em tamanho menor, os textos para o público infantil foram adaptados atravésde obras voltadas para os adultos. A partir das mudanças ocorridas na sociedade as obras literárias eramreduzidas porém, conseguiam alcançar o objetivo maior ,atrair o pequeno leitor elevá-lo a entrar em contato com diversas experiências que a vida proporciona, tantona realidade como na fantasia. (COELHO, 2000). No Brasil a Literatura infantil surge a partir da implantação da ImprensaRégia, somente em 1808 é que começaram a produzir livros para as crianças.Nessa época os livros infantis começam a circular no país, porém essas produçõesainda eram escassas. Em 1921 Monteiro Lobato publica Narizinho Arrebitado, onde aimaginação já começa a aparecer com frequência nas histórias infantis. Lobato nostraz uma literatura de encantos que auxilia a ampliação do conhecimento dascrianças, além de valorizar os aspectos culturais, ele buscou aproximá-las do
    • 18nacionalismo através da criação dos personagens das histórias. Segundo Cunha(1991): Com Monteiro Lobato é que tem início a verdadeira literatura infantil brasileira. Com uma obra diversificada quanto a gêneros e orientações, cria esse autor uma literatura centralizada em algumas personagens, que percorrem e unificam seu universo ficcional (p. 24). As obras literárias para crianças crescem a cada dia, hoje são abordadostemas que trazem o cotidiano para a sala de aula e nos mostram que a LiteraturaInfantil enquanto instrumento pedagógico está presente, auxiliando e incentivandono interesse das crianças pela leitura, atuando também como arte. Pode-se afirmar que a literatura é a mais importante das artes, pois sua matéria é a palavra (o pensamento, as idéias, a imaginação), exatamente aquilo que se distingue ou define a especificidade do humano. Além disso, sua eficácia como instrumento de formação do ser está diretamente ligada a uma das atividades básicas do indivíduo em sociedade: a leitura. (Coelho 2000. p. 10). A Literatura Infantil se apresenta como a mais importante das artes e estáinserida na formação do ser humano através da leitura. Na criança de formaespecial, age como uma fonte enriquecedora de conhecimento, onde, os pequenosleitores podem expressar suas emoções e suas habilidades através das histórias.Coelho (2000) traz as seguintes abstrações: Podemos dizer que, como objeto que provoca emoções, dá prazer ou diverte e, acima de tudo, modifica a consciência de mundo de seu leitor, a literatura infantil é arte. Sob outro aspecto, como instrumento manipulador por uma intenção educativa, ela se inscreve na área pedagógica. (p. 46). Uma das funções da Literatura Infantil na área pedagógica, é levar oconhecimento para as crianças através de obras literárias que possam aproximar ascrianças de maneira diversificada da prática da leitura. É preciso que os momentosenvolvendo esta prática possam ser prazerosos e com isso vale ressaltar aimportância da contação de história, onde as crianças expressam suas emoções eassim cabe a responsabilidade do contador da história fazer dessa hora ummomento inesquecível.
    • 192. 2. Contação de Histórias As histórias são contadas para as crianças por diversas pessoas, é nafamília que a criança entra em contato pela primeira vez com o universo infantil ediversos saberes são transmitidos através de personagens e de momentosimaginários. Dessa maneira, a arte de contar história enriquece o aprendizado dacriança além de valorizar a afetividade. O primeiro CONTATO DA CRIANÇA COM UM TEXTO É FEITO ORALMENTE, através da voz da mãe, do pai ou dos avós, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas (tendo a criança ou os pais como personagens), livros atuais e curtinhos, poemas sonoros e outros mais... contados durante o dia – numa tarde de chuva, ou estando todos soltos na grama, num feriado ou domingo – ou num momento de aconchego, à noite, antes de dormir, a criança se preparando para um sono gostoso e reparador, e para um sonho rico, embalado por uma voz amada. (ABRAMOVICH 1997, p. 16,17). Esses primeiros contatos que a criança tem com as histórias infantisexpressam uma aproximação entre os pequenos ouvintes e a família. Essa relação éindispensável, o carinho, a dedicação e atenção são formas que os próprios paisbuscam para manter uma relação de afeto com os filhos, e estes fatores ao longo dotempo influenciam seu desenvolvimento cognitivo. Ao ingressarem na escola as crianças passam a ouvir histórias por meiode outras pessoas, os professores são responsáveis para estimular a construção doconhecimento e em alguns momentos utilizam a arte de contar história como suportepedagógico. A compreensão da criança a respeito dos assuntos contidos nashistórias é visivelmente notada quando ela passa a recontar da sua maneira o quelhe foi transmitido. Para chamar a atenção dos ouvintes o contador precisa utilizarmeios para prender a atenção e levar os pequenos à busca de outras informações.Com isso, trazemos os pressupostos apontados por Bettelheim (1980): Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade, mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação: a ajudá-la a desenvolver o intelecto e a tornar clara suas emoções; estar harmonizado com suas ansiedades e aspirações: reconhecer plenamente suas dificuldades e, ao mesmo tempo, seguir soluções para os problemas que as perturbam (p.13).
    • 20 As histórias infantis precisam chamar a atenção das crianças naperspectiva de oferecer meios para que elas possam desenvolver as suascapacidades, demonstrando-as principalmente na busca de soluções para as suasdúvidas diárias. Silva (1991) nos esclarece que “a história tranqüiliza, prende aatenção, informa, socializa e ao mesmo tempo educa”. Nesse sentido, compreende-se que além de divertir e dar prazer a contação de história colabora também para odesenvolvimento da aprendizagem de forma significativa. É ouvindo histórias que se pode entrar em contato com diversas emoçõescomo a alegria, a raiva, a insegurança, a tranqüilidade e tantas outras causadaspelas narrativas. (ABRAMOVICH, 1997). Para a realização desta tarefa é necessáriodepositar todo o amor possível e ter boa vontade para transmitir as histórias. “Se quisermos que a narrativa atinja toda a sua potencialidade devemos,sim narrar com o coração, isso implica em estar internamente disponível para isso,doando o que temos de melhor de mais genuíno, e entregando-se a esta tarefa comprazer e boa vontade.”. (BUSATTO, 2003, p. 47). É necessário despertar na criançao desejo de querer ouvir histórias e a participação da família nesta tarefa éindispensável.2.2.1. Os pais como contadores de histórias É perceptível que, a contação de história se apresenta como uma formade aproximação entre as crianças e os pais, esse momento enriquece a relação dafamília e colabora para a transmissão de valores. Compreende-se que ao contaruma história os pais precisam utilizar meios para despertar na criança o desejonecessário para querer ouvir o que será contado até o final. A história é o mesmo que um quadro artístico ou uma bonita peça musical: não poderemos descrevê-los ou executá-los bem se não os apreciarmos. Se a história não nos desperta a sensibilidade, a emoção, não iremos contá-la com sucesso. Primeiro, é preciso gostar dela, compreendê-la para transmitir tudo isso ao ouvinte. (SILVA 1991, p. 14 ). O contador da história precisa conhecer o que será transmitido, sentir-semotivado na realização dessa tarefa e ter emoção para desenvolver a idéia do texto.
    • 21Entretanto, Para narrar uma história o contador precisa agir com naturalidade, ebuscar uma maneira simples que não comprometa o objetivo da história. “A técnicaé a forma utilizada para contar a história, a partir de uma intenção levando emconsideração os recursos que serão utilizados”. (MACHADO, 2004 p. 14). É importante também, utilizar meios para prender a atenção da criança, ospais podem usar a imaginação para dar vida a personagens ou ainda, utilizarmúsicas e fantoches como suporte. Compreende-se, que é preciso oferecer livrosinfantis para as crianças, mesmo os pais que não dispõem de recursos para acompra desse material de leitura, podem utilizar bibliotecas publicas para levar oconhecimento através das histórias infantis para seus filhos e é necessário umaatenção rigorosa para a escolha deste material. Gregorin Filho (2009), pontua oseguinte: É importante, portanto, que o livro a ser oferecido à criança seja adequado à sua maturidade como leitor, pois um livro com letras miúdas ou com um extensão maior do que a sua competência de leitor pode entender constitui fator do afastamento da atividade leitura ou da sua rejeição a essa atividade. (p.50,51). A escolha das histórias infantis é uma tarefa importante para que no decorrerdo processo da leitura a criança perceba o verdadeiro prazer em entrar em contatocom os textos literários. Existem uma diversidade de temas que estão presentes noslivros infantis e eles colaboram para que o percurso educativo tenha tambémcontinuidade em casa e dessa forma, compreende-se a importância da família.2. 3. Família Ao se pensar em família muitas abstrações vêm à mente, entretanto,precisamos pensar que ela constitui o primeiro grupo social em que a criançaparticipa. Contudo, quando se ouve a palavra família o primeiro pensamento que setem é que a expressão designa uma idéia a respeito de pessoas que constituemuma casa formada de pai, mãe e filhos, este é o princípio para refletirmos sobre umapalavra que aborda imensas questões.
    • 22 A palavra FAMÍLIA, no sentido popular e nos dicionários, significa pessoas aparentadas que vivem em geral na mesma casa, particularmente o pai, a mãe e os filhos. Ou ainda, pessoas de mesmo sangue, ascendência, linhagem, estirpe ou admitidos por adoção. (PRADO, 1991, p. 7). De modo geral, a família constitui-se especialmente por um determinado graude parentesco, pessoas fazem parte de um grupo e geralmente convivem juntas namesma casa. Dessa forma, são partilhadas as suas idéias, seus costumes, suascrenças e de geração em geração desenvolvem-se novas famílias. Tem-se que serefletir que na contemporaneidade muitos outros formatos de famílias se configurame que devem ser levados em conta já que o formato – Pai – Mãe – Filho – Irmãos –não atende a todos os casos de família existentes e o educador deve compreenderque este é um ambiente delicado de discussões e deve tecer considerações a partirdas realidades existentes no seu grupo discente. Familiarizar-se com os próprios filhos, fazê-los falar sobre todas as coisas, tratá-los como pessoas racionais e conquistá-los pela doçura é um segredo infalível para se fazer deles o que se quiser. As crianças são plantas jovens que é preciso cultivar e regar com freqüência: alguns conselhos dados na hora certa, algumas demonstrações de ternura e amizade feitas de tempos em tempos as comovem e as conquistam. Algumas caricias, alguns presentinhos, algumas palavras de confiança e cordialidade impressionam seu espírito, e poucas são as que resistem a esses meios doces e fáceis de transformá-las em pessoas honradas e probas. (GOULSSAULT;1693 apud ARIÈS;1978. p.104.). “A família não é um simples fenômeno natural. Ela é uma instituição socialvariando através da história e apresentando até formas e finalidades diversas numamesma época e lugar, conforme o grupo social que esteja observado.”. (PRADO;1991. p. 12.). É importante ressaltar que o grupo familiar, independente de suaconfiguração, tem um importante papel na construção do ser social, pois é na famíliaque têm-se as primeiras influencias de pontos de vista, de conhecimento eprincipalmente de aprendizagem. Pois por ser o primeiro núcleo social cabe a famíliadesenvolver junto a criança sua integração no ambiente social de maneira ativa eprodutiva; e , sobretudo no espaço escolar.
    • 23 CAPITULO III3 METODOLOGIA A importância da pesquisa surge através do desejo em querer responder asdúvidas que vão surgindo ao longo de toda trajetória acadêmica e visando respondera questões que são importantes sobre um determinado assunto, buscamos umaprofundamento sobre essas inquietações. A pesquisa em educação se torna indispensável para a busca deconhecimento. Segundo Bianchi (2003) a metodologia “é um conjunto deinstrumentos que deverá ser utilizado na investigação e tem por finalidade encontraro caminho mais racional para atingir os objetivos propostos, de maneira mais rápidae melhor”. (p. 27). Compreende-se que, a metodologia é o caminho a ser seguido para alcançaros possíveis objetivos que serão traçados para esta pesquisa em educação.3.1. Tipo de Pesquisa Para desenvolver este trabalho optou-se pela pesquisa de abordagemqualitativa em educação, permitindo um estudo mais detalhado sobre as relações dasociedade e que de maneira significativa contribuirá para a obtenção de dados, osquais serão essenciais para chegar a compreensão da importância da contação dehistória para a formação da criança na perspectiva dos pais. Para Ludke e André(1986): “A abordagem qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidosno contato direto do pesquisador com a situação estudada, enfatizando mais oprocesso do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dosparticipantes.”. (p. 11). A importância da pesquisa qualitativa esta atribuída a grandeza de aspectosdescritivos, além de possibilitar um contato maior com a realidade que será
    • 24analisada, favorecendo um detalhamento maior sobre a visão dos participantessobre o tema analisado.3.2. Lócus de Pesquisa Através da escolha do lócus de pesquisa percebe-se a importância dainstituição escolhida a qual favorece uma reflexão sobre as indagações quepermeiam este trabalho monográfico. Para este trabalho escolheu-se como lócus de pesquisa o Centro EducacionalConstruindo Conhecimento, uma instituição da rede particular de ensino, fundadadesde o ano de 2009, situada à Rua Voluntários da Pátria n° 131, no Bairro Alto daMaravilha, na cidade de Senhor do Bonfim – Ba. A referida instituição atende cercade 115 alunos, sendo distribuídos nos turnos matutino e vespertino, oferecendo asséries de Educação Infantil e Ensino fundamental do 1º ao 5 ° ano. Sua estrutura física é composta por cinco salas de aulas, uma secretaria, doispátios, três banheiros e um depósito. Seu quadro de funcionários é composto pornove professores, sendo um do sexo masculino e oito do sexo feminino. Umaprofessora tem nível superior completo, seis professores estão em formaçãosuperior e duas possuem o ensino médio completo com habilitação em magistério, aescola conta também com um auxiliar de serviços gerais.3. 3. Sujeitos de Pesquisa Escolheu-se para esta pesquisa dezesseis pais de alunos, de uma turma do1° ano do Ensino Fundamental. Os referidos sujeitos de pesquisa foram doze mãese quatro pais, porém no respectivo trabalho não discutiremos questões de gênero eutilizaremos o termo Pais para nos referimos a eles nas nossas reflexões. Os pais responderam a um questionário, que foi enviado para casa atravésdos alunos no qual, foram elaboradas perguntas para traçar o perfil dos sujeitos.Após esta primeira aproximação, devido a falta de tempo somente nove pais sedisponibilizaram para participarem de uma entrevista, onde foram realizadas agrande maioria no próprio lócus de pesquisa.
    • 253.4. Instrumentos de Coleta de Dados Foi perceptível, a importância da escolha dos instrumentos de coletas dedados, através desses suportes desenvolveram-se melhores resultados. Utilizamosde inicio o Questionário fechado e em seguida a Entrevista semi-estruturada queserão abordados a seguir.3.4.1. Questionário fechado Para iniciar a coleta de informações escolheu-se como instrumento de coletade dados o questionário fechado, que permite-nos conhecer o perfil dos sujeitos depesquisa, assim como a sua realidade. Marconi e Lakatos (1996, p.88) definem oquestionário como “(...) um instrumento de coleta de dados, constituído por umasérie ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem apresença do entrevistador”. Dessa forma, consegue-se obter as primeirasinformações a respeito do tema proposto.3.4.2. Entrevista semi-estrutura Para obter mais informações para esta pesquisa após traçar o perfil dossujeitos, optou-se pela entrevista semi-estruturada, que por sua vez torna-seindispensável a obtenção de dados mais precisos, além de permitir uma maioraproximação entre o sujeito de pesquisa e o pesquisador. (...) entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias, hipóteses, que interessam a pesquisa, e que, em seguida oferece amplo campo de interrogativas, fruto de nossas hipóteses que vão surgindo à medida que recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo de pesquisa.( TRIVIÑOS, 1987, p.146). Segundo essas reflexões, a entrevista semi-estruturada possibilita opesquisador vivenciar e observar de forma minuciosa cada momento com oentrevistado. O contato com os sujeitos permitiu-nos vivenciar diversas situações,emoções verdadeiras como o relato de experiências, que não tinham sido refletidas
    • 26pelos próprios pais e que se tornaram essenciais para uma melhor compreensãodas questões analisadas.3.5. Tabulação dos Dados Com os dados coletados iniciamos o tratamento das informações e traçarmoso perfil dos nossos sujeitos através das respostas dos questionários. Fizemos asseparações dos dados e conseguimos informações importantes para realização dasprimeiras abordagens, em seguida, de forma minuciosa e respeitando a opinião dossujeitos de pesquisa, passamos a analisar as informações contidas nas entrevistas.Com cautela, analisaremos as opiniões dos pais sobre questões voltadas para acontação de histórias e veremos como eles abordam este assunto.
    • 27 CAPÍTULO IV4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Este capítulo traz os resultados da referida pesquisa, nós vamos detalhar aseguir o perfil dos nossos sujeitos e várias questões que são fundamentais paracompreendermos melhor quem eles são. Em seguida aprofundaremos esta pesquisacom as respostas que trazem os nossos sujeitos a respeito das nossas inquietações.4.1. Perfil dos Sujeitos de Pesquisa4.1.1. Faixa etária Faixa Etária dos Pais Entrevistados 12,5% 25% 12,5% 15 a 25 anos 26 a 30 anos 31 a 35 anos acima de 36 50% Fig 1: Gráfico de Faixa Etária dos Pais Entrevistados. De acordo com as informações obtidas, a faixa etária dos sujeitos varia,25% tem de 15 a 25 anos, 12,5% de 26 a 30 anos, 50% tem entre 31 a 35 anos e25% possuem idade superior a 36 anos. Compreendemos que, a idade representaum forte grau de maturidade, sendo que 75% dos sujeitos pesquisado possuemidade superior a 31anos.
    • 284.1.2. Nível de escolaridade Ressaltamos ainda, que o nível de escolaridade também varia, 25% possuemo Ensino Fundamental Incompleto, 44% o Ensino Médio incompleto e 31%completaram o Ensino Médio. Dessa forma, identificamos que 69% dos pais nãoterminaram o Ensino Médio, muitas vezes devido a questões voltadas para otrabalho ou até mesmo por falta de oportunidade quando mais jovens.4.1.3. Renda familiar Renda Familiar 13% Menos de um Salário Mínimo Um Salário Mínimo 49% Dois Salários Mínimos 38% Fig 2: Gráfico referente a Renda Familiar dos pais entrevistados Segundo os dados coletados, 50% dos pais possuem renda inferior a 1salário mínimo, o que nos garante afirmar que a maioria não tem emprego fixo, 37%recebem 1 salário mínimo e 13% trabalham e são remunerados com 2 saláriosmínimos. Todavia, apesar de 50% dos sujeitos não terem uma renda familiar fixa,mesmo assim procuram manter seus filhos em uma escola particular.
    • 294.1.4. Quantidade de filhos Em relação a quantidade de filhos, 50% dos sujeitos desta pesquisa tem 2filhos, 13% tem 3 filhos, 31% apenas um filho e somente 6% tem mais de 3 filhos.4.1.5. Gosto pela leitura Ao iniciarmos as questões voltadas para o tema proposto “A contação dehistórias”, questionamos se os nossos sujeitos gostavam de ler e as respostas foramàs seguintes: somente 12% dos pais responderam que sim, gostam muito de ler,19% disseram que sim, mas que tem preguiça e 69% deles disseram que sim, masatribuíram a falta de tempo como fator principal para não lerem.4.1.6. Leituras realizadas: contos, romances e outras formas de literatura Questionamos também, se os sujeitos costumavam ler contos, romances, ououtras formas de literatura, 56% dos pais relataram que sim, de vez em quando,25% dos sujeitos, afirmaram que sim, mas dificilmente, 13% responderam que não,e somente 6% afirmaram que sim, gostam de ler com freqüência. Entretanto,percebemos que os pais que afirmaram anteriormente que gostam de ler, aindalêem com pouca freqüência e muitos desconhecem as formas de leituras citadas.4.1.7. Contar histórias Questionamos se os sujeitos costumavam contar histórias para seus filhos eas respostas foram: 31% deles afirmaram que sim, com freqüência contam históriaspara seus filhos. 19% disseram que sim, de vez em quando, 19% pontuaram quesim, mas raramente e somente 31% dos pais responderam que não.4.2. Análises das Entrevistas – Dialogando com os Pais Para mantermos o sigilo absoluto dos sujeitos de pesquisa, utilizaremos ostermos Pai, Mãe 1, Mãe 2, Mãe 3, Mãe 4, Mãe 5 , Mãe 6, Mãe 7 e Mãe 8. Paraapresentarmos as análises dos resultados da Entrevista optamos em dialogar com
    • 30as falas dos pais de acordo com a seqüência das perguntas que foramestabelecidas organizando os dados de uma forma próxima aos objetivos propostos.4.2.1. As histórias infantis contadas pelos pais É fundamental entender, se os pais contam histórias para os filhos, este é oprimeiro passo para compreendermos se esta tarefa ainda está presente na vida dascrianças, tarefa esta que deveria fazer parte da vida de todas as crianças. Assim,vejamos o que relatam os Pais a respeito desta questão: Assim, eu conto aquelas historinhas infantis normais, de vez em quando eu conto, que elas pedem, mas é o tempo mesmo, eu trabalho em casa né e ai a gente não tem muito tempo. Uma vez por semana, as vezes duas, depende também da insistência delas. (Mãe 1) Conto, quase todos os dias, só esses dias que eu tava meio doente, ai eu sempre conto e eu sempre compro aquelas coleções. (Mãe 2) Costumo, assim, ela me pede mais na hora de dormir, as vezes é quase todos os dias, as vezes quando ela tá com muito sono ela deita na cama e dorme, ai esquece, mas as vezes quando ela ta elétrica ai eu conto.(Mãe 5) Conto sim, tenho uma filha só graças a Deus (risos). Quase toda noite assim, que ela vai dormir, ela gosta que eu fique contando história pra ela, pra ela dormir entendeu? e as vezes a tarde também, mas é mais difícil é mais a noite. (Mãe 6) Não, mas, porém o pai dela que é assim (pausa)... um pai maravilhoso conta todos os dias, não só conta como cria, os dois juntos e manda ela criar sozinha, então (pausa)... eu não faço isso mas o pai faz. No início assim, quando ela era menorzinha um pouquinho, todas as noites ele contava uma história diferente pra ela, além de contar ele ainda tava criando, fazendo um livro, ainda tão fazendo até hoje. Ai tão fazendo um livro, então ele conta uma história e faz uma parte do livro que eles tão fazendo. (Mãe 8) Eu conto, eu acho que pelo menos uma vez por semana eu conto uma historinha pra ela, ela gosta de ouvir! (Pai) Através dessas reflexões compreende-se que, os pais contam histórias paraseus filhos sempre que possível, como relata o Pai. Todavia, a hora de dormir é ummomento que permite maior aproximação para realização desta atividade eressaltamos a fala da Mãe 6, onde ela nos mostra que a própria criança pede paraouvir histórias. É importante pontuarmos que para contar histórias não existemomento certo, porém, como nos diz a Mãe 1, a falta de tempo colabora para a não
    • 31realização desta atividade, como nos esclarece Cunha (1991) “É constante aafirmação feita pelo adulto de que o cansaço impede qualquer leitura, ao fim de umdia de trabalho”, talvez este seja um dos motivos para que a hora da história sejafeita na parte da noite, onde, os Pais geralmente estão em casa com seus filhos. Nesse sentido, é fundamental que as crianças de todas as idades possamentrar em contato com as histórias infantis e a hora da história é um momento deaproximação também na parte da noite, na qual a criança esta se preparando parater uma noite de sono gostosa e se aprontar para viajar através dos sonhos ouvindouma voz amada. (ABRAMOVICH; 1997). Compreendemos também, que mesmo os pais que não contam históriasinfantis, como é o caso da Mãe 8, apreciam esta arte e valorizam este momentomesmo não participando de tal atividade. Ressaltamos isto quando a Mãe 8 relatacom emoção a respeito do esposo através da fala “Que é assim (pausa)... um paimaravilhoso conta todos os dias” . Deste modo, as histórias acabam contagiandonão só as crianças como também os pais e levando-os ao encontro dos seus laçossentimentais.4.2.2. As histórias contadas em casa ou na escola pelas crianças As crianças por diversos momentos acabam recontando as histórias infantisque elas escutam em casa e na escola, é necessário destacarmos a fantasia queelas começam a criar através das histórias. Todavia, ressaltamos a maneira como acriança conta é a forma que ela utiliza para transmitir o que ela aprendeu. Éimportante percebemos que esta prática acontece com os filhos dos nossos sujeitos: Ele conta. As vezes ele assisti na televisão ai ele conta.(Mãe 2) Sim, costumam. (Mãe 3) Conta, no caso se ele souber de alguma historinha que ele ouviu ele chega me falando. (Mãe 4) Costumam. Eles sempre me contam, as vezes quando eu conto eles começam a debater, fazer perguntas, ai depois quando passa um tempo eles ficam contando pra mim principalmente a menina. (Mãe 5)
    • 32 É perceptível que as crianças recontam as histórias que elas ouvem tantoem casa, como na escola. O recontar da história é uma tarefa importante, pois épreciso atenção para dar sequência aos fatos, dessa maneira as crianças podemaprender a organizarem as suas ideias para poder transmiti-las. Ressaltamos ainda,a fala do Pai quando ele faz um comentário a respeito desta questão “pra outroscoleguinhas de rua eu já ouvi né contando, comentando a história e contando,tentando contar do jeito dela,” percebe-se que o próprio pai pontua que a criançarealiza a contação de história do seu jeito e reforçamos a reflexão de que é precisorespeitar a maneira como a criança lida com o recontar das histórias. Ao observarmos o relato da Mãe 5 percebemos, que as crianças fazemquestionamentos a respeito das histórias, ler histórias é poder... Ter curiosidade, arespeito de tantas questões, é alcançar ideias para poder ir a busca de soluções... Éprocurar resolver as próprias dificuldades ou buscar um caminho para resolvê-las.(ABRAMOVICH; 1997). Compreende-se através dessas análises, como através dashistórias a própria criança entra em contato com diversas situações e se depara comdiversas dúvidas, e no decorrer deste percurso elas vão à busca de soluções.4.2.3. A importância da contação de histórias na família As histórias infantis estimulam a aprendizagem da criança em diversas áreas,através desta arte, podem ser desenvolvidas habilidades que são necessárias paraa formação do ser humano por toda a vida. Em relação à importância desta atividaderealizada em casa a Mãe 8 explica “É muito importante... principalmente na parte daleitura. Porque a criança só vai querer aprender a ler se ela gostar de ler...”, elaexemplifica a filha que ouve as histórias contadas pelo pai e fica ansiosa para ler,dessa forma a criança aprendeu a ler muito cedo. Após ouvir uma história interessante, a criança utiliza o entusiasmo e vaiem busca de outras fontes de informação, e com isso as histórias são encontradas,podendo serem apreciadas novamente, sem dúvida com o passar do tempo ashistórias ou partes que são mais importantes vão ficar no pensamento e quandoalguém sentir o desejo de relembrar aquele momento que fez o coração bater mais
    • 33forte e os olhos brilharem, poderão ver o livro e matar a saudade. (SISTO; 2005).Pode-se notar, que os demais pais atribuem importância a arte de contar histórias: Eu acho importante porque é um jeito assim, como é que se diz, de educar assim a leitura, ter o hábito da leitura. Porque hoje em dia a criança é difícil ler, e ai você vai lendo e eles vão aprendendo a ter gosto pela leitura, é bom. (Mãe 2) Eu acho. Porque ai (pausa)... é assim, ela vai mais desenvolvendo, tendo mais interesse em ler, e assim, quando ela tiver os filhos dela, ela também vai passar aquilo que ela aprendeu. (Mãe 5) Constatamos que, a Mãe 2 e a Mãe 5 também atribuem fator importante acontação história para a leitura. Podemos perceber que a Mãe 2 diz que a partir dashistórias as crianças adquirem o gosto pela leitura, e a Mãe 5 esclarece que ascrianças adquirem interesse em ler. Verifica-se também, que os pais relatam aimportância da aproximação que eles tem com os filhos, além do desenvolvimentomental das crianças: Sim porque né, é uma coisa assim (pausa)... eu mesma gosto de contar, porque eu acho que é uma coisa assim... tão... como é mesmo minha primeira filha né ai, é uma aproximação. Ai eu gosto. (Mãe 6) Acho, muito importante, eu acho que assim é o desenvolvimento é (pausa) mental dela né assim, eu vejo muitas crianças que brincam com jogos eletrônicos, esses tipos de coisas e não tem muita história pra contar. Eu acredito que muito que a história desenvolve muito a mente, a mente da criança, do adulto, da criança, de quem quer que seja. (Pai) Concordamos e reforçamos as reflexões dos pais que acham importantecontar histórias para as crianças em casa e acreditam que podem ser desenvolvidashabilidades necessárias para o desenvolvimento da criança. A Mãe 3 nos fala “queacha Importante, e que é fundamental para o desenvolvimento da criança.” Nestaperspectiva, Abramovich (1997) nos esclarece que é importante para a formação decrianças de todas as idades escutar muitas histórias e este é o início daaprendizagem para ser um leitor. Os pais podem se empenhar na tarefa de contar história para seus filhose refletir quais os motivos que os levam a realizar esta prática. Dessa forma vejamoso que nos esclarece Machado (2004):
    • 34 Alguém conta história porque gosta de sonhar, ou quer compartilhar um momento de magia. Ou porque deseja que os outros experimentem o mesmo estado acima e além do tempo. Ou se sente desafiado a conquistar uma audiência , ou o gosto de ver o brilho nos olhos das crianças. Tanta coisa...(p.70). Portanto, existem diversos motivos para os pais contarem histórias para ascrianças, isso vai depender do objetivo que eles têm, seja qual for a finalidade elaspodem entrar em contato com uma aprendizagem diferenciada com resultadossatisfatórios, pois, através das histórias as crianças podem aprender diversas coisas.4.2.4. A aprendizagem da criança através das histórias As histórias infantis são essenciais para melhorar a aprendizagem dascrianças, na escola são assimilados assuntos de forma divertida e em casa podemser trabalhados temas do cotidiano. Em relação às “coisas” que as crianças podemaprender com as histórias infantis os pais relataram: Eu acho que elas podem assim aprender a ter gosto pelo estudo, elas ouvindo em casa, elas vão aprender a ouvir na escola também, porque elas vão pegar gosto, eu acho que elas aprendem muitas coisas. Seja na escola ou em casa através das histórias. (Mãe1) Na minha opinião, muitas coisas né, para educação. Principalmente a educação deles, no que é contado pra eles, através das histórias (pausa), eles podem aprender respeitar o próximo, quando começa a contar uma história eles podem aprender respeitar o colega, não brigar na escola, ter educação, não responder os professores, isso ai. (Mãe 3) Reforçamos a compreensão expressada na fala da Mãe 1, com as históriasinfantis as crianças demonstram um interesse maior em relação ao estudo,aprendem a ouvir os outros e respeitar as opiniões, a Mãe 3 relata também que ashistórias desenvolvem um papel educativo, sendo demonstrado através docomportamento das crianças. Ouvir histórias, é entrar em contato com diversassituações, é conhecer uma variedade de acontecimentos, e vivenciar momentosimaginários que são essenciais para a aprendizagem.
    • 35 As histórias aumentam o horizonte dos ouvintes, com elas eles “conhecem a China”, “pisam na lua”, voam através do tempo, da pré- história aos dias de hoje, travam conhecimento com fadas, duendes, monstros e heróis. Estas emoções semeiam a imaginação e estimulam a criatividade. (DOHME, 2000,p.20) As histórias infantis devem ser adequadas de acordo com a idade da criançae com a sua maturidade, a Mãe 7 destaca “Elas aprendem no livro e querem fazertambém em casa sabe(...) mas não é todo livro que eu dou pra ela ler entendeu?(...)é mais livro que eu dou pra ela eu escolho, porque tem que escolher né, do jeito queo mundo tá hoje”. Percebemos a preocupação com o desenvolvimento cognitivo dacriança, com o estímulo que a literatura traz, outro ponto relevante é a inquietaçãodiante dos valores, o sujeito se mostra consciente de que é preciso orientar, sepreocupar com o tipo de literatura adequado a criança, e ele assume prontamenteesta função. “O ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, opensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir denovo (a mesma histórias ou outra)”(...). (ABRAMOVOVICH 1997) a contação dehistórias, antes de mais nada, no ambiente familiar pode ser um ponto onde osmomentos de afetividade, de estreitamento de laços entre os membros da família ea criança quando o modelo contemporâneo de família traz os pais trabalhando echegando em casa cansados e no momento da contação a experiência serfortíssima; todavia estes estímulos enriquecem a formação da criança,principalmente a criatividade e a imaginação, a curiosidade entre outros. A Mãe 8 foi objetiva em responder o que as crianças podem aprender com ashistórias infantis, “Bom... exemplos de como se comportar bem (...) nas histórias temmuito disso, nas fábulas ensina muito também você ter uma boa atitude né deescolher entre o bem e o mal. Então eu acho que isso é importante”, ela acreditaque quando as crianças ouvem uma história como as fábulas que passa umamensagem de fundo moral, onde os personagens são seres da natureza, ocomportamento delas pode ser influenciado com resultados positivos. A Mãe 5 nos mostra que a criança utiliza a fantasia para vivenciar as históriasinfantis, ela relata “Assim no mundo em que a gente vive hoje, pra ela, dependendo
    • 36da história elas criam uma fantasia(...)”, a fantasia que ela se refere está atribuída amaneira como a criança se transporta e vivencia os fatos trazidos na história, noconto, na fábula... O como a criança se traveste das personagens e vivem ossentimentos, se emocionam com os fatos acontecidos e se aborrecem com osvilões, se alegram com finais felizes, e com isso querer mudar fatos narrados pelocontador e levar desta vez seu mundo ao mundo da fantasia.4.2.5. A busca de informações sobre as histórias infantis e o acesso a livrosinfantis Buscar informações sobre as histórias infantis é necessário para podercompreender como são abordados os diferentes temas contidos nos textos, existeminúmeras maneiras para ter esse contato. Ao questionarmos a respeito desseassunto os Pais disseram que buscam informações, porém são informaçõesvoltadas ao senso comum, as questões do dia a dia e não sobre questões formaisacadêmicas. Busco, as vezes eu olho assim e acho alguma coisa interessante, ela tem alguns livros de histórias e ela fica me atentando pra mim contar, ai eu começo a falar do meu jeito (risos). (Mãe3). Umas da minha cabeça (risos), eu não sei te explicar muito bem não, eu acho que vem na mente assim, eu nem escrevo antes ou coisa assim parecida não, simplesmente vou contando, vem na minha mente mesmo. Algumas foi coisa que eu ouvi quando era criança né, também alguma história que eu assisti ou que alguém contou pra mim quando criança, eu passo pra ela e outras são inventadas, criadas. (Pai) Através dessa reflexões, as histórias contadas pelos Pais geralmente são asque tem uma acesso mais fácil, histórias inventadas ou que eles escutavam quandocrianças e até mesmo aquelas que estão contidas em livros que eles possuem emcasa. Vejamos o que relata a Mãe 7: Busco (pausa)... assim, tem vezes que eu compro assim, na rua que eu vejo que dá para mim ler para ela e mostrar os desenhos, que tá adequado, ai eu busco, eu compro, às vezes tem a amiguinha dela que tem, ela fica interessada sabe? de eu pegar pra ler pra ela. Ai eu pego olho como é primeiro pra depois eu mostrar pra ela e tem vezes também que eu fico lendo para ela e ela fica escutando, depois ela pede para ficar olhando e diz ela que tá lendo, ai ela vê os desenhos e ai fala que tá lendo (risos).
    • 37 Esse relato representa uma interessante questão, a Mãe7 mostra interesseem buscar informações sobre as histórias infantis, oferecendo a filha o acesso aoslivros, demonstrando em alguns momentos uma preocupação no que diz respeito asleituras. Depreende-se que, a criança em questão, como não domina a leitura,acaba fazendo a leitura de imagem que é necessária para o individuo reconhecer aseqüência de cenas e ter contato com elementos das narrativas, como aspersonagens, o espaço e o tempo. (GREGORIN FILHO; 2009). Em relação ao acesso com os livros infantis, todos os Pais responderam queem casa as crianças dispõem deste material e acreditam que na escola também, pormeio das histórias que as crianças contam, vejamos alguns relatos: Tem, só que a mais nova é muito sapeca e ela rasga o que minha filha ganha e eu compro, só que agora ela cresceu e ela tá aprendendo a deixar, mais ela não deixava não. (Mãe 1). Tem. Essa semana também a gente passou em frente a biblioteca ai ele (pausa), mãe tu me traz pra eu pegar uma livro de histórinha (risos) e eu digo tá bom qualquer dia a gente vem (risos) já é um incentivo né. (Mãe 2). O contato da criança com os livros, é expressado pela Mãe 1 com umapreocupação quanto ao cuidado deste material, concordamos e acrescentamos, quea criança que rasga o livro apesar de não saber ler já está se familiarizando, orasgar e o pegar, mostra um interesse em conhecer aquele objeto. A mãe 2 diz ainda, que a própria criança se mostra interessada em entrar emcontato com os livros, ao reconhecer o ambiente da biblioteca ele estará entrandoem contato com a diversidade de materiais existentes naquele local. “Assim, nodecorrer de múltiplas leituras, a criança vai incorporando o conceito do livro comodepositário de memória, o que pode ser bastante estimulado com visitas àbiblioteca”. (GREGORIN FILHO; 2009. p. 53.). Essas reflexões garante-nos afirmar que os entrevistados buscaminformações de acordo com as possibilidades e oportunidades que são acessíveis epara que o acesso aos livros seja significativo é preciso que haja um incentivo maiorpara os pequenos leitores nas práticas envolvendo a leitura.
    • 384.2.6. As crianças pedem para ouvir histórias / idade para ouvir histórias Os Pais relataram que as crianças sempre pedem para eles contaremhistórias, essa aproximação é muito importante, no tocante afetivo quando se dirimeas distancias que a organização da sociedade atual, em que os pais passam muitotempo fora de casa a trabalho; como também obter experiência e momentos imparesde formação no tocante ao gosto pela literatura, leitura e a oportunidade davalorização do estimulo a criatividade, a imaginação as vivencias... “Quem conta étambém quem aconchega, quem traz pra perto, quem respira junto a quem dialoga”.(SISTO; 2005. p. 32.), diante disso os pais apontam que: Pede, a minha filha pede, ela sempre mamãe conta uma histórinha pra mim principalmente assim, quando vai deitar na hora de dormir, e eu gosto muito de contar aquelas historinhas bíblicas, aqueles livrinhos bíblicos. (Mãe 5). Pede, se ela pudesse todo dia ia dormindo ouvindo uma história. (Pai). Não são apenas as crianças que gostam de ouvir histórias, os adultosexpressam um forte interesse por este tema, muitos ainda se reúnem com osfamiliares para desenvolver esta arte e com tantos coisas para contar perdem anoção do tempo vivendo aquele momento, tão importante para a instituição família ea formação das crianças e também dos pais. Adultos também adoram ouvir uma boa história, passar noites contando causos, horas contando histórias pelo telefone (verdadeiras, fictícias, vontades do que aconteça...) por querer partilhar com outros algum momento que não tenham vivido juntos... quantas vezes, no meio dum papo cálido e próximo, ou agitado e risonho, alguém diz: “ Ei, eu já te contei essa história? Não??? Nossa... Pois é...” (Abramovich , 1997,p.22). Como saber se existe uma idade certa para a criança parar de ouvir histórias,elas que encantam todos aqueles que ouvem e motivam os que contam. Mas seráque existe realmente um momento em que as crianças precisam parar de ouvirhistórias e os pais devem parar de contá-las? Esses questionamentos surgemmuitas vezes mas para que se compreenda melhor tomamos as considerações dospais que apontam que:
    • 39 Não. Eu até hoje eu gosto de ouvir histórias, eu pedia a minha tia para me contar história, ela me contava tantas histórias e é essas histórias eu conto para minhas filhas. Eu gostava, só que ela já faleceu e se ela estivesse viva até hoje eu pedia pra ela me contar. (Mãe 1). Não, eu acho que não, porque eu mesmo tenho essa idade, eu tou com 39 anos e sempre gosto de ouvir histórias né. Minha mãe nunca contou histórias para mim e tanto quando eu conto pra ela eu fico imaginando também, voltando ao tempo e imaginando. (Mãe 5). Se tem (pausa)... eu não parei não (risos). Eu continuo ouvindo. (Pai) É perceptível que o ato de contar histórias desperta a emoção, percebemosisso na fala comovente da Mãe 1 ao relatar uma experiência de vida a qual estevepresente uma pessoa que teve um enorme significado e ela passa para sua filhaexperiências de uma vida. O fato de não ter ouvido histórias quando criança foi umamotivação para despertar o desejo da Mãe 5, em levar as histórias infantis para afilha e recordar com emoção a sua infância, o Pai com alegria relata que continuaouvindo e contando história para a filha e que esta atividade sempre esteve presentena sua casa. Compreendemos que não existe idade para contar ou ouvir históriasesta arte encanta todas as pessoas em especial as crianças e torna-se essencialpara aprendizagem.4.2.7. Visão das crianças sobre as histórias infantis As crianças demonstram o que sentem ao entrarem em contato com ashistórias, se são agradáveis causam sorrisos imensos, pedem para repetir, queremser os contadores, quando não são interessantes elas se mostram inquietas,desatentas e não assimilam a ideia do texto. Em relação a opinião das criançassobre as histórias infantis os pais fizeram as seguintes afirmativas: A Ela adora... ela acha assim (pausa) uma coisa fora do comum (risos). (Mãe 6). Ela gosta, principalmente das princesas ave ela ama. Teve um homem que veio vender uns livros né de princesa,essas coisas, ai ela pediu logo os das princesas, ela ama e ai ela já tem uma coleção em casa, mas ela quer outra. Tem CD, DVD de coleção assim que eu compro que já vem o CD e DVD pra ela assistir e toda hora ela tá passando, ela passa mais de mil vezes o mesmo CD, já tá até ralado (risos). (Mãe 7). Os Pais responderam que as crianças gostam de ouvir histórias, sentemalegria, acham uma coisa inexplicável como relata a Mãe 6, viajam no mundo da
    • 40imaginação como diz a Mãe 8, “(...) ela simplesmente tá lá dentro da história (...)”. AMãe 7, afirma que a filha gosta muito, que pede para a mãe comprar as coleções dehistórias que são vendidas na escola, a criança demonstram um interesse maior emhistórias de contos de fadas: [...] com ou sem a presença de fadas (mas sempre com o maravilhoso), seus argumentos desenvolvem-se da magia feérica (reis, rainhas, príncipes, princesas, fadas, gênios, bruxas, gigantes, anões, objetos mágicos, metamorfoses, tempo e espaço fora da realidade conhecida etc.)e tem como eixo gerador uma problemática existencial. Ou melhor, tem como núcleo problemático à realização essencial do herói ou da heroína, realização que, via de regra, está visceralmente ligado à união homem-mulher. (COELHO, 1987, p. 14). É notório o prazer das crianças, na visão dos pais, ao ouvir histórias. Umponto positivo que pode-se ressaltar é que os pais também demonstram prazer acontar histórias e também se transportam ao mundo da fantasia, vivem com seusfilhos os momentos de prazer propiciados pela literatura. Os pais demonstram quetentam ao máximo proporcionar esses momentos com seus filhos, pois notam queeles se sentem muito bem nestes momentos e afirmam o quão importante é paraeles e para as crianças.4.2.8. Contar histórias é... A contação de histórias na visão dos pais foi o foco principal desta análise,neste sentido foi-se indagado aos sujeitos justamente isso “Em uma palavra contarhistórias é” e as reações foram inúmeras como: sorrisos, silêncio, reflexões... abusca por eles para sintetizar o valor em que a contação aparecia na vida deles edos filhos, e, principalmente dos filhos pois durante a maioria das respostas elesressaltavam o quão era gratificante ver seus filhos vivenciando estes momentos. “[...] Quantas crianças têm esse prazer satisfeito dentro da sua própria casa, ou melhor, quantos pais se dispõem a essa tarefa? Concordo que chegar em casa depois de um dia exaustivo tira o ânimo de qualquer um, então, como encontrar energia para ainda contar histórias? mas quem disse que criar filhos é uma tarefa fácil”. (BUSATTO, 2003, p. 46). E como resposta apareceram o seguinte: “Importante” (Mãe 1). “Viver” (Mãe5). “Felicidade” (Mãe 8). E, é nestas respostas que esse estudo se fortalece, pois o
    • 41reconhecimento, inenarrável, dos pais frente a contação de histórias que a literaturainfantil se alicerça. Tão importante para as vivencias e proporcionar momentos defelicidade antes de tudo e dentro disso a aprendizagem se finca, permeada porprazer dos filhos, força de vontade dos pais, que dentro das dificuldadesencontradas podem ver as possibilidades de superação e compreender a relevânciado ouvir histórias, como também do contar, neste caso.
    • 425 CONSIDERAÇÕES FINAIS A arte de contar histórias é uma tradição milenar que continua fazendo partedos hábitos da humanidade até hoje. Após diversas análises compreendemos que, aContação de Histórias se faz presente dentro do contexto familiar, e isso ficouexpresso através das considerações dos nossos sujeitos. Percebemos, que os Paismesmo não dispondo de tempo suficiente para realização desta atividade, aindacontam histórias para seus filhos. Os participantes da presente pesquisa relataram uma importânciafundamental no desenvolvimento das crianças através das histórias, principalmenteno que diz respeito à leitura, sendo uma atividade essencial para a vida do serhumano, demonstraram também que além de ser despertados um interesse maiornas atividades educacionais, uma aproximação necessária com os filhos no contextofamiliar é proporcionada. Os pais acreditam que Contar Histórias é “Importante, époder Viver, como também ter Felicidade” e além de desenvolver a mente dacriança, possibilita uma descoberta do mundo da fantasia e da diversão. O contar histórias colabora para que os laços de amor, cumplicidade eaconchego não se percam em meio a falta de tempo do dia a dia e dessa forma, aimportância atribuída pelos pais a esta temática nos garante afirmar: As históriasinfantis permitem ao contador e ao ouvinte, neste caso os pais e os filhos, manterum relacionamento de afeto essencial para uma boa convivência. Diante destas reflexões, podemos concluir que este trabalho monográficotrouxe uma variedade de informações até então desconhecidas, em relação a visãodos pais a cerca da temática estudada, depreendeu-se que eles demonstraram uminteresse significativo em buscar aproximar os filhos dos textos infantis. Assim,concluímos a nossa pesquisa com a satisfação de termos aprofundado comdedicação, ao fim de uma longa caminhada, as nossas propostas em refletir sobre aLiteratura Infantil e a Contação de histórias.
    • 43 REFERÊNCIASABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo:Scipione, 1997. (pensamentos e ação no magistério).ÁRIES, Philippe. História social da criança e da família. 2. ed. Rio de Janeiro:Guanabara, 1978.BETELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Trad. Arlene Caetano.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980.BIANCHI, Anna Cecília de Moraes. Manual de orientação: estágiosupervisionado. 3ª ed. São Paulo: Pioneira Thomson Lerning, 2003.BUSATTO, Cléo. Contar e encantar: pequenos segredos da narrativa.Petrópolis, RJ. ed. Vozes, 2003.COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise, didática. São Paulo:Moderna, 2000.COELHO, Nelly Novaes. O conto de fadas. São Paulo: Ática, 1987.CUNHA, Maria Antonieta Antunes. Literatura infantil: teoria e prática. São Paulo:Ática, 1991.DOHME, Vânia D’ Ângelo. Técnicas de contar histórias. 4.ed. São Paulo. Informal,2000.GREGORIN FILHO, josé Nicolau. Literatura infantil: múltiplas linguagens naformação de leitores. São Paulo. ed. Melhoramentos, 2009.LUDKE, Menga. ANDRE, Marli E. D. Pesquisa em educação: abordagemqualitativa - São Paulo: EPU, 1986.MACHADO, Regina – Arcodais: Fundamentos teórico-poético da arte de contarhistórias. São Paulo. DCL, 2004.MARCONI, M. A.; LAKATOS, E.M. Técnicas de pesquisa: Planejamento depesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração, análise einterpretação de dados. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1996.PRADO, Danda., O que é família?. 12 ed. São Paulo:Ática, 1991.SILVA, Maria Betty Coelho. Contar histórias: uma arte sem idade. 4. ed. Ática.1991SISTO, Celso. Textos e Pretextos sobre a arte de contar histórias. Curitiba.Positivo, 2005.
    • 44TRIVINOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: Apesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Ática, 1987.ZILBERMAN, Regina. A Literatura infantil na escola. São Paulo: Global, 1987.
    • 45APÊNDICES
    • 46 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO __________________________________________________________ UNEB – UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA CAMPUS VII CURSO DE PEDAGOGIA 2008.1 _____________________________________________________________Prezado (a) Senhor (a):Este questionário tem por intuito coletar informações sobre “Qual a importância dacontação de história para a formação da criança na perspectiva dos pais”, os dadoscoletados serão utilizados para realização de Pesquisa Monográfica. Ressalta-seque não é necessária a sua identificação e que manteremos com sigilo absoluto assuas informações.Desde já agradecemos a sua colaboração e estamos cientes de que sua opiniãoserá de grande importância para a realização deste Trabalho de Conclusão deCurso. Cássia MilenaPor favor, preencha as informações abaixo: QUESTIONÁRIOPerfil dos sujeitos da pesquisa1- sexo( ) Feminino ( ) Masculino2 – Parentesco com a criança matriculada nesta escola( ) Pai ( ) Mãe ( ) Tia/tio ( ) Avó/avô
    • 47( ) Irmão/irmã ( ) Outro (_________________________________)2 – Faixa etária( ) 15 - 25 anos( ) 26 - 30 anos( ) 31- 35 anos( ) acima de 36 anos3 – Nível de escolaridade( ) Ensino Fundamental Incompleto( ) Ensino Fundamental Completo( ) Ensino Médio Incompleto( ) Ensino Médio Completo( ) Ensino Superior Incompleto( ) Ensino Superior Completo4 – Renda Familiar( ) menos de 1 salário mínimo( ) 1 salário mínimo( ) 2 salários mínimos( ) 3 salários mínimos( ) mais de 3 salários mínimos5 – Quantos filhos o (a) senhor (a) tem?( ) 1 filho ( ) 2 filhos ( ) 3 filhos ( ) mais de 3 filhos6 – Você gosta de ler?( ) Sim, muito.
    • 48( ) Sim, mas não tenho tempo.( ) Sim, mas tenho preguiça.( ) Não.7 – Você costuma ler contos, ou romances, ou outras formas de literatura?( ) Sim, com frequencia.( ) Sim, de vez em quando.( ) Sim, mas dificilmente.( ) Não.8 – Qual foi a última vez que você leu um conto, ou romance, ou outra formade literatura?( ) Este mês ( ) No mês passado( ) Já faz seis meses ( ) O ano passado( ) Faz mais de um ano ( ) Faz muitos anos( ) Nunca fiz este tipo de leitura9 – O senhor (a) costuma contar histórias infantis para seu/sua filho(a)?( ) Sim, com frequencia.( ) Sim, de vez em quando.( ) Sim, mas raramente.( ) Não.10 – Quando foi a última vez que você leu ou contou uma história infantil paraseu/sua filho(a)?( ) Esta semana( ) A semana passada( ) Faz um mês( ) Faz dois ou três meses( ) Faz mais de três meses
    • 49( ) Faz tanto tempo, que não lembro( ) Nunca contei ou li historinhas para meu/minha filho/a
    • 50APÊNDICE B – ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMI - ESTRUTURADA __________________________________________________________ UNEB – UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA CAMPUS VII CURSO DE PEDAGOGIA 2008.1 _____________________________________________________________1 – O senhor (a) costuma contar histórias para seu (a) filho (a)? Com quefrequência?2 – Seu (a) filho (a) costuma recontar as histórias que ele (a) ouve em casa ou naescola?3 – O (a) senhor (a) acha importante Contar Histórias em casa para as crianças? Porquê?4 – O que o (a) senhor (a) acha que as crianças podem aprender com as históriasinfantis?5 – O senhor (a) busca informações sobre as histórias infantis? De que forma?6 – Seu/sua filho(a) tem acesso a livros infantis em casa?7 – Seu/sua filho(a) pede para o (a) senhor (a) contar histórias para ele/ela?8 – O (a) senhor(a) acha que tem uma idade certa da criança parar de ouvirhistórias?09 – O que seu/sua filho(a) acha das histórias infantis?10 – Em apenas uma palavra Contar História é?