Monografia Cristiana Pedagogia Itiúba 2012

0 views
23,558 views

Published on

Pedagogia Itiúba 2012

0 Comments
2 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
0
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
242
Comments
0
Likes
2
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Monografia Cristiana Pedagogia Itiúba 2012

  1. 1. INTRODUÇÃO Este estudo tem como finalidade investigar e analisar a evasão escolarda Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Ginásio Municipal Antônio SimõesValadares na cidade de Itiúba, Bahia. O objetivo do nosso trabalho foiidentificar as causas que levam esses alunos a se distanciarem da escola.Portanto, focamos o nosso trabalho no tema Evasão de Jovens e Adultos naescola. O tema desse trabalho monográfico surgiu de nossa inquietação apartir da experiência em sala de aula de educação de jovens e adultos em quenos deparamos com o problema da evasão, o que nos motivou a este trabalhode investigação. Segundo Arroyo (1997, p.23), [...] na maioria das causas da evasão escolar, a escola tem a responsabilidade de atribuir desestruturação familiar e o professor e aluno não tem a responsabilidade para aprender, tornando-se um jogo de empurra. Sabemos que a escola atual precisa está preparada para receber estes jovens e adultos que são frutos de uma sociedade injusta. Muitas pesquisas têm apontado que o problema da evasão escolar emnosso país está ligado a diversos fatores tais como social, cultural, político eeconômico. Levando em consideração que os sujeitos dessa modalidade sãoespecialmente alunos que trabalham e, que por diversas situações vividas emseu cotidiano, são levados a abandonar a escola. Os motivos para o abandonoescolar podem ser ilustrados quando o jovem e adulto deixam a escola paratrabalhar, quando as condições de acesso e segurança são precárias, oshorários são incompatíveis com as responsabilidades que se viram obrigados aassumir, ou evadem por considerarem que a formação que recebem nãocontribui de forma significativa para eles. A evasão escolar ao longo da implantação dos programas dealfabetização e da educação continuada para jovens e adultos temapresentado resultados negativos, tornando-se desafiador para o professormanter a permanência do aluno na escola. Dentro deste contexto sociocultural 8
  2. 2. existem vários fatores preponderantes que interferem na sua permanênciaescolar devido à sobrecarga de trabalho, o uso de drogas, professores semformação específica para atuarem na modalidade de educação para jovens eadultos e isto tem contribuído mais para a exclusão social do que pra aformação educacional. Neste trabalho monográfico, a pretensão é apresentarpara a discussão as causas e consequências da evasão escolar na Educaçãode Jovens e Adultos do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares e comoafirma Arroyo (2007, p.6). Parece-me que ao longo desses últimos anos cada vez a juventude, os jovens e os adultos populares estão mais demarcados, segregados e estigmatizados [...] A juventude popular está cada vez mais vulnerável, sem horizontes, em limitadas alternativas de liberdade. É essa juventude que tem sido sujeito central nas salas de EJA. Sendoassim, perguntamos: o que muda na organização do trabalho pedagógico? Osalunos estão cada vez mais excluídos da sociedade, e qual a tarefa que cabe àescola? São questões que gostaríamos de saber. Afinal, a tarefa vai além dosmuros escolares e dependem da atitude política de valorização dessesegmento social que vive na pele as contradições do modo de produçãocapitalista. Portanto, nossa tarefa é compreender, analisar e investigar como eporque acontece tanta evasão dentro do colégio acima citado. Diante de princípios significativos, o processo metodológico e político noensino para jovens e adultos tem que ser contemplado com novas práticas queatendam as perspectivas de seus educandos estimulando-os e motivando-osde forma consciente. A preocupação do nosso país deveria ser a erradicaçãodo analfabetismo e as consequências econômicas geradas por este e que ospaíses em desenvolvimento têm enfrentado. A falta de qualificação profissionaltambém tem gerado uma desestruturação e segregação social nas escolas dopaís. Percebe-se que é preciso rever alguns pontos deste sistema de ensinopara jovens e adultos, sendo necessário avaliar tanto as metodologiasaplicadas para este seguimento como também os motivos que estão 9
  3. 3. contribuindo para o crescimento da evasão escolar na EJA. É importanteestarmos atentos para o fato de que o aluno de EJA é um aluno diferente, umpouco inseguro e, são as diversas derrotas vividas ao longo de um processoescolar, muitas vezes já iniciada no ensino regular, que abala sua autoestima emuitas vezes o impede de prosseguir. Assim, qualquer decepção, por mínimaque seja, sofrida na escola faz com que este sujeito abandone o ambienteescolar. O presente trabalho pretende também desenvolver uma reflexão sobrealguns aspectos relacionados a um tema que permeia um debate que se fazcada vez mais necessário e atual, na medida em que são percebidas precáriaas condições a que está submetida a classe menos favorecida de nossasociedade, a evasão escolar, que nos remete ao universo de jovens e adultosanalfabetos. Fala-se dos pobres excluídos, daqueles que, por qualquer motivoficaram fora do processo de formação através da educação formal em idadeapropriada. Na educação brasileira o quadro é de indutora evasão, com ela vem aexclusão desses jovens e adultos. Ao longo da história tem-se um cenário deexploração e espoliação da maioria da classe trabalhadora em prol de umaminoria, que aproveita desta ordem sociopolítica para usufruir as benesses deum sistema que, mantido na apartação social, na relação entre classes sociais,e possibilitou ao longo dos séculos, a manutenção desta ordem que privilegia aprodução da exclusão daqueles que não se encontram em salas de aulas. Diante de todo contexto, percebe-se que a evasão no Ginásio MunicipalAntônio Simões Valadares, nas salas da EJA, nos leva a pensar sobre osistema de ensino e as mudanças necessárias no mesmo para que ele possaatrair jovens e adultos a retomarem seus estudos. Contudo faz-se necessáriouma renovação no processo metodológico e político no ensino, contempladocom novas práticas que atendam melhor as expectativas de seus alunos, paraisso é preciso preparar melhor seu profissional proporcionando-lhesqualificação adequada. Desse modo, nota-se que os jovens e adultos da EJA,devem ser estimulados e motivados de forma a se interessarem pelos estudose incuti-los uma nova perspectiva de vida e de mais oportunidades futuras. Só 10
  4. 4. assim poderá dar início ao processo de redução do quadro de evasão, nomomento em que a escola for capaz de por em prática muitas reivindicaçõesdos estudantes no sistema de ensino, deixando de lado o modelo arcaico,fechado como parte de um passado distante. Nota-se que a evasão de jovens e adultos é um problema sério em todopaís, sendo muitas vezes passivamente assimilada e tolerada pelo sistema deensino e pela comunidade. As consequências dessa evasão podem sersentidas com mais intensidade nas cadeias públicas, penitenciárias e centro deinternação para jovens em conflitos com a lei. (MORAES, 2010, p.16). Naverdade muitas são as causas para que os jovens e adultos evadirem daescola. Enfim, percebe-se que muitas tentativas foram feitas no sentido deresponder as causas da evasão escolar da EJA no Ginásio Municipal AntônioSimões Valadares. No Capitulo I apresentamos a problemática da educação de jovens eadultos e procuramos situar a nossa questão de pesquisa que é investigar eanalisar a evasão escolar na Educação de Jovens e Adultos e as causas quelevam esses alunos a se distanciarem da escola. No Capítulo II apresentamos nossa discussão teórica sobre a temáticada educação de jovens e adultos, tendo o aporte teórico de vários autores queproporcionaram o suporte necessário às análises dos dados e a compreensãodo nosso objeto de pesquisa. Fizeram parte deste contexto: Arroyo (2007),Moraes (2010), Morin (2003), entre outros. No Capítulo III descrevemos o caminho que foi trilhado na pesquisa, adescrição metodológica do locus, os sujeitos da pesquisa e os instrumentosque utilizamos na coleta de dados que nos permitiu captar a compreensão dossujeitos da pesquisa. No Capítulo IV, apresentamos a análise e interpretação reflexiva dosdados coletados, dos sujeitos da pesquisa sendo embasados pelos autoresselecionados no estudo que nos deram sustentação teórica nas discussõesrealizadas. 11
  5. 5. Concluímos nosso trabalho monográfico apresentando nossasconsiderações finais, demonstrando ao mesmo tempo nosso posicionamentoem relação aos dados coletados na pesquisa. 12
  6. 6. CAPÍTULO I 1. A QUESTÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BARSIL: situando o problema de pesquisa A Educação de jovens e adultos tem sofrido grandes modificações nasultimas décadas, mas o Brasil ainda enfrenta o problema do analfabetismo,principalmente entre jovens e adultos, que não tiveram oportunidade de seapropriarem do saber da leitura e da escrita na idade em que a maioria dascrianças e jovens aprende a ler e escrever. Nesse sentido, esses jovens eadultos que não adquiriram o saber necessário para atender as exigências deuma sociedade letrada acabam sendo excluídos e vivendo numa situação denão cidadania. O ato de ler o mundo, os seres humanos o fazem antes de leras palavras, porém, em uma sociedade letrada ler e escrever lhes possibilitauma compreensão muito abrangente desse mundo, daí a importância desseconhecimento e do acesso a ele para todos como forma de garantir umaparticipação plena na sociedade. Nos últimos anos muitos jovens e adultos têm se preocupado com suaescolarização, e por esta razão muitos deles têm procurando a escola nodesejo de retomar seu processo educativo. Grande parte dessas pessoas nãoteve oportunidade de frequentar a escola quando crianças, e devido às suascondições financeiras, e da necessidade de garantir sua sobrevivência, essesjovens e adultos precisaram trabalhar junto com seus pais ou familiares paragarantir o sustento da família. E, quando surge a oportunidade, ou quando aexigência desse saber se faz presente em suas vidas eles retornam para aescola em busca do saber escolarizado, exigido pela sociedade e pelo mundodo trabalho, principalmente par jovens e adultos trabalhadores urbanos. Porém, os problemas educacionais que enfrentam estes jovens eadultos são inúmeros, principalmente com relação a permanência na escola atéconcluir o processo de escolarização obrigatório. Na educação de jovens eadultos, um dos problemas mais frequentes ou mais importantes deles é a 13
  7. 7. evasão escolar, ou seja, muitos jovens e adultos buscam a escola, sematriculam, mas acabam desistindo dos seus estudos. Este é um fato recorrente no ensino de jovens e adultos, é um problemaque atinge todo o país e nesse sentido é importante, para reverter tal situação,entender por que ela ocorre. Costuma-se associar a evasão escolar a baixarenda do cidadão, mas este não é o único fato, já que a evasão é encontradaem outras camadas sociais. Inclusive nas regiões que possuem uma boaestrutura educacional. A escola deveria ser um lugar onde a aprendizagemfosse uma rica experiência de vida, principalmente para os jovens e adultos,que tem menos acesso a recursos educativos. Sobretudo para o adolescente, ojovem e o adulto, a escola deve ser um espaço privilegiado, onde possamrefletir sobre as experiências, compreendê-las e transformá-las. Os adultos, ao se integrarem em programas de educação básica, já temuma ideia do que seja a escola, muitas vezes construída com base na escolaque eles frequentaram brevemente quando crianças. E, muitas vezes, apesarde referirem-se à precariedade dessas escolas, lembram-se delas com carinhoe sentem com pesar o fato de terem deixado de frequentá-la. Assim o papel doeducador de jovens e adultos junto a estes educandos deve ser o de ampliarseus interesses, compreendendo suas dificuldades e planejando atividadessignificativas que promovam uma verdadeira aprendizagem, que deve ir muitoalém das exposições que o professor costuma fazer em salas de aula regular,e das atividades mecânicas de memorização que ele supõe serem suficientespara estes alunos da EJA. A escola para jovens e adultos trabalhadores deve tornar-se um espaçode ressocialização, através dos conhecimentos que ela trabalha, colocando osujeito individual ou social em polêmica com suas experiências anteriores. E oprofessor é o motivador e mediador que os ajudará no processo de busca equestionamento desses conhecimentos, ajudando-os a questioná-los, a buscardesvendar seus mistérios, suas implicações a que nos leva a vivência emgrupo, e em sociedade onde a leitura e a escrita tem um papel importante nacomunicação entre as pessoas e o que elas fazem. 14
  8. 8. Os alfabetizandos, jovens e adultos, que frequentam as salas de EJA,por mais que não tenham frequentado a escola regular, vivem numa sociedadeletrada em que estão diariamente em contato com diferentes tipos de escritatais como documentos, propagandas, rótulos, panfletos, outdoors, e a própriatelevisão, etc. E ao iniciar seu processo de alfabetização já trazem consigodiferentes hipóteses sobre o mundo letrado, a função da leitura e da escrita,assim como toda uma experiência com a oralidade. Porém, muitas vezes estesjovens e adultos são tratados como se não soubessem nada, não tivessemnenhum conhecimento tanto sobre a leitura e escrita como o conhecimento demundo que deve ser o ponto de partida para seu processo de escolarização.Desta forma, a sociedade exclui os analfabetos, quando na verdade deveriamobilizar-se na tentativa de ajudá-los, estimulando-os, e muitas vezes nãorecebem estímulos nem de seus próprios familiares, o que torna este processoum pouco mais difícil. O trabalho com Educação de Jovens e Adultos exige que o professor setorne um grande aliado deles para que possam sentir-se seguros e bem vindosnaquele espaço, afinal o que mais precisam é de apoio, o que não acontece namaioria dos casos. Sabemos que o ensino noturno apresenta uma série decaracterísticas singulares, pois recebe um alunado que já se encontra inseridona produção capitalista e que chega à escola já esgotado pela lida do trabalhoque o deixa cansado e isso tem contribuído para o crescimento da evasãonesse seguimento da educação e para a produção de um contingente de mãode obra pouco qualificada que vai ocupar os postos de trabalhos que nãoexigem muita formação ou o trabalho na informalidade. Em nosso país há milhões de brasileiros analfabetos ou que temescolarização incompleta, e as causas geralmente são as mesmas. Umhistórico que mostra que pais analfabetos, necessidade de trabalho,inexistência de escola em algumas localidades ou muito distantes, falta dedinheiro, transporte, sem mencionar que os programas destinados à educaçãoou alfabetização de adultos não têm contribuído muito para mudanças maisamplas. O que vemos então é o grande número de evadidos de jovens eadultos em nosso país, estado e município. E por trabalharmos em uma escolaque oferece esta modalidade de ensino nos sentimos incomodadas com o 15
  9. 9. grande número de evasão nas turmas da EJA, e com base no que apontamosacima e da observação dessa realidade do Ginásio Municipal Antônio SimõesValadares nos perguntamos, por que então eles sempre retornam para aescola e de novo evadem?. Nesta pesquisa buscamos conhecer, inicialmente, o perfil dos alunos daEJA que se encontram no processo educativo da alfabetização. Assim, o nossopropósito foi investigar a evasão escolar da Educação de Jovens e Adultos(EJA) no Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares na cidade de Itiúba,Bahia. O nosso objetivo foi identificar as causas que levam esses alunos a sedistanciarem da escola. Além disso, compreender o que os leva a retornaremseguidamente à escola e o que esta representa para eles. Desta forma nospropusemos os seguintes objetivos:Objetivo Geral: Identificar as causas que levam ao esvaziamento dos alunos da EJA doGinásio Municipal Antônio Simões Valadares.Objetivos Específicos: • Conhecer os aspectos sociais e econômicos dos alunos da EJA. • Identificar qual o sentido que a escola tem para alunos da EJA. • Compreender o porquê da evasão dos alunos da EJA no Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares. 16
  10. 10. CAPÍTULO II 2. A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E AS NECESSIDADES FORMATIVAS DE ADULTOS E JOVENS TRABALHADORES2.1. Um pouco de História da Educação de Jovens e Adultos A história da EJA insere-se num cenário econômico social e político eestá geralmente atrelada a relação entre educação e trabalho, haja vista que osseus sujeitos são trabalhadores, jovens em busca do primeiro emprego ou sãopessoas trabalhadoras aposentadas. É importante indagarmos alguns aspectossocioeconômicos que influenciam a educação brasileira, possibilitando aanálise da EJA em relação às necessidades sociais e políticas que marcam aconjuntura política e econômica brasileira. A educação é um dos direitos sociais garantidos no texto constitucionalde 1988. Ele tem estado presente nas lutas de diversos movimentos sociais,que demandam acesso e permanência na escola. Na história da educação, aeducação que hoje é denominada de jovens e adultos em outra perspectiva jáfoi chamada de educação de adultos e de educação popular. A educaçãopopular é um paradigma educacional, se assim se pode dizer, que articula oacesso ao conhecimento a processos emancipatórios. Ela foi desenvolvida nocontexto de movimentos populares e de trabalhadores. E nesse contexto,Paulo Freire é um dos educadores que adensou o debate da educação popularno Brasil, particularmente nos anos de 1960. A educação de adultos tem 17
  11. 11. trajetória secular na educação brasileira, tem como bandeira central asuperação da alfabetização e escolarização de jovens e adultos. O saber ler e escrever, especialmente entre os adultos, foi motivo demaior atenção na história da educação brasileira com a lei Saraiva ou “nova leieleitoral”, sancionada pelo imperador, em 9 de janeiro de 1882. A Lei Saraiva,foi responsável pela modificação da lei vigente, abolindo as eleições indiretas eadotando o critério da instrução, desta forma impedia o voto do analfabeto,embora excluísse a maioria da população do acesso eleitoral, pois os votanteseram selecionados pelos seus rendimentos anuais líquidos, essa lei favoreceuas camadas médias. Já a Constituição de 1891 eliminou a seleção por renda,porém a manteve pelo aspecto da instrução escolar (PAIVA, 1987, p.82/83). Havia expectativa entre aqueles que idealizavam a valorização daeducação de que a restrição ao voto do analfabeto fosse ampliar a expansãodo sistema escolar, algo que não aconteceu, pois no final do século XIX e iníciodo século XX, a maior parte da população do país era considerada analfabeta,um número em torno de 80%. Ainda segundo Paiva (1987, p.85), “O censo de 1890 informava aexistência de 85,21% de iletrados na população total.” O índice deanalfabetismo era motivo de vergonha nacional, e a educação passou a sernecessária para a elevação cultural da nação. O adulto iletrado marcava umasociedade, então bastante desenvolvida. Era tratado como um ser “ignorante” ecomo sujeito que precisava ser ajustado socialmente e a educação era um doscaminhos para superar o atraso, que se dizia, no campo da política em que seencontrava a sociedade brasileira. A educação básica de adultos começou adelimitar seu lugar na história da educação no Brasil a partir da década de 30,quando finalmente começa a consolidar um sistema público de educaçãoelementar no país. Neste período, a sociedade brasileira passava por grandestransformações, associadas ao processo de industrialização e concentraçãopopulacional em centros urbanos. A ampliação da educação elementar foiimpulsionada pelo governo federal, que começava a organizar as diretrizes 18
  12. 12. educacionais para todo o país, determinando as responsabilidades dos estadose municípios. Com o fim da ditadura militar da era Vargas, em 1945, o país vivia aefervescência política da redemocratização. A segunda Guerra Mundial recém-terminada e a ONU (Organização das Nações Unidas) alertava para a urgênciade integrar os povos visando à paz e a democracia. Tudo isso, contribuiu paraque a educação dos adultos ganhasse destaque dentro da preocupação geralcom a educação elementar comum. Nesse período a educação dos adultosdefine sua identidade tomando a forma de uma campanha nacional de massa,a campanha de educação de 1947. Essa campanha de educação de adultoslançada em 1947 alimentou a reflexão e o debate em torno do analfabetismono Brasil. Durante as décadas de 1950 e 1960, surgiram muitos movimentos deeducação popular e programas de alfabetização de adultos, tais como oocorrido em Recife, o Movimento de Cultura Popular (MCP), o qual consistia nacriação de escolas para o povo, como aproveitamento de salas de associaçõesde bairros, entidades esportivas e igrejas. Posteriormente, com a eleição deMiguel Arraes, como não havia condições de construir escolas, procedeu-se aocupação de outros espaços e a fabricação de carteiras nas oficinas daprefeitura, bem como a arrecadação de verbas juntos aos comerciantes aosindustriais e a população em geral. O objetivo do MCP, conforme Beisiegel (1997, p.226), era “elevar o nívelcultural das massas, conscientizando-as paralelamente”. Além do trabalho dealfabetização, novas frentes de ação foram elaboradas entre as quais sedestacam o teatro, os núcleos de cultura popular, os meios informais deeducação, o canto, a música, a dança popular e o artesanato. Como escreveBrandão (2008, p.29): Dentro de uma ampla prática de cultura popular possível fertilizar processos interativos, através dos quais atos e gestos de teor pedagógico poderia transformar consciência de pessoas e de grupos humanos. Esses grupos humanos de uma múltipla e diferenciada classe social podem se tornar capazes de reelaborar ideologicamente sua própria cultura. Por isso, as expressões educação como pratica da “liberdade” e a “ação cultural por liberdade” precisam ser 19
  13. 13. enfatizados, e educação libertadora era um entre outros termos que mais tarde foi substituído por educação popular. Era esse trabalho dos centros popular de cultura popular (MCP). Antes desses movimentos, existiu também a campanha “De pé no chãotambém se aprende a ler”, desenvolvida em Natal e oriunda, de discussõessemelhantes ás que geraram o MCP, principalmente a ênfase nas carênciaseducacionais. A década de 1950 e os anos iniciais da década de 1960 foi um períodode efervescência para a Educação de Jovens e Adultos. Durante este períodosurgiram muitas iniciativas governamentais e da sociedade civil em prol daalfabetização de adultos e com propostas para a educação continuada destesalfabetizados. A concepção pedagógica que direcionou os vários movimentosde alfabetização nesse período tinha como base o trabalho desenvolvido porPaulo Freire, no que ficou conhecido como o Método Paulo Freire. Porém todosos programas implementados neste período foram encerrados com o GolpeMilitar de 1964. O fechamento político ocorrido com a ditadura militar iniciada em marçode 1964 fechou os programas de alfabetização inspirados nos movimentos decultura popular e no trabalho de Paulo Freire, além de perseguir o educadortendo este de fugir do país, permanecendo fora do Brasil até a abertura políticana década de 1980. Durante a ditadura militar, por força da pressão popular por educação etambém por compromissos com organismos internacionais os militareslançaram o seu programa de alfabetização, o MOBRAL - Movimento Brasileirode Alfabetização, em 1967. Este programa segundo Haddad e Pierro (2000) Passou a se configurar como um programa que, por um lado, atendesse aos objetivos de dar uma resposta aos marginalizados do sistema escolar e, por outro, atendesse aos objetivos políticos dos governos militares. (p. 114) O Mobral foi o grande programa de educação de adultos do períodomilitar que além de oferecer programas de alfabetização junto a estados e 20
  14. 14. municípios, também ampliou os seus ramos de atuação para ofertar o ensinosupletivo. Embora dizendo-se inspirado na proposta freireana, estava longe deatender às questões básicas do Método de Paulo Freire que tinha como meta aproblematização e conscientização política por meio da alfabetização. Omaterial empregado para a alfabetização no Mobral não tinha nada deproblematizador, embora trabalhasse com palavras-chave, era o mesmomaterial para todo e qualquer grupo de alfabetizados, desconsiderando o queno método Paulo Freire seria a leitura de mundo dos alfabetizandos, retirandodaí as palavras-chave para o processo de alfabetização. O Mobral permaneceu como o único programa de educação de adultospor mais de uma década e como afirma Haddad e Pierro (2000) O MOBRAL, ao final da década de 1970, passaria por modificações nos seus objetivos, ampliando para outros campos de trabalho – desde a educação comunitária a educação de crianças –, em um processo de permanente metamorfose que visava a sua sobrevivência diante dos cada vez mais claros fracassos nos objetivos iniciais de superar o analfabetismo no Brasil.(p. 116). A educação de jovens e adultos no período posterior a abertura políticaem 1985 foi “[...] marcada pela contradição”, pois, se por um lado se afirmavaesse direito “no plano jurídico do direito formal da população jovem e adulta àeducação básica”, por outro lado havia a negação desse direito “pelas políticaspúblicas concretas” (HADDAD e PIERRO, 2000, p.119). O que aconteceunesse período foi o fim do Mobral, substituído em 1985 pela FundaçãoNacional para Educação de Jovens e Adultos – Educar. O período seguinte à redemocratização marcou os movimentos políticose sociais de retomada da democracia e também dos movimentos em prol daeducação e da construção da nova Carta Constitucional que garantisse osdireitos e anseios da sociedade. E foi justamente a Constituição de 1988 quegarantiu a educação para jovens e adultos que não haviam conseguido suaescolarização no tempo normal. Sobre esta questão Haddad e Pierro (2000)afirmam que 21
  15. 15. Nenhum feito no terreno institucional foi mais importante para a educação de jovens e adultos nesse período que a conquista do direito universal ao ensino fundamental público e gratuito, independentemente de idade, consagrado no Artigo 208 da Constituição de 1988. Além dessa garantia constitucional, as disposições transitórias da Carta Magna estabeleceram um prazo de dez anos durante os quais os governos e a sociedade civil deveriam concentrar esforços para a erradicação do analfabetismo e a universalização do ensino fundamental, objetivos aos quais deveriam ser dedicados 50% dos recursos vinculados à educação dos três níveis de governo (p. 120). Embora a Constituição de 1988 tenha trazido esse avanço nos direitosde jovens e adultos não escolarizados à alfabetização e à educação básica,percebe-se que os avanços são muito poucos em relação à oferta de educaçãode jovens e adultos, à melhoria da qualidade da educação oferecida, eprincipalmente, aos resultados dessa educação. Os programas dealfabetização promovidos pelos governos até o momento não garantem umaqualidade na alfabetização, nem garantem também a permanência de jovens eadultos na escola, promovendo assim a escolarização, de fato, dessesegmento da população. A evasão apresentada nas escolas que oferecemEducação de Jovens e Adultos é bastante significativa e preocupante, pois nosleva a questionar os tempos e espaços destinados à EJA, além da formaçãodos professores que trabalham com esse segmento. 2.2. Os Sujeitos da EJA: Jovens e Adultos Trabalhadores Ao tratarmos sobre a educação de jovens e adultos é preciso nosperguntar: quem são os sujeitos dessa educação? Quais suas características?O que eles/elas desejam? São questões complexas que não são facilmenterespondidas, mas podemos responder a primeira dizendo que os sujeitos daEJA são jovens e adultos trabalhadores que não conseguiram realizar a suaescolarização no período que a maioria das crianças e jovens realiza – ainfância e a adolescência. Por diversas razões – sobrevivência e por issonecessitaram trabalhar, migrações em busca de melhores condições de vida,desajustes familiares, falta de escola perto de onde moravam – apenas para 22
  16. 16. citar alguns exemplos. E, se podemos falar de uma característica geral dessessujeitos é que eles/elas pertencem às camadas mais pobres da populaçãobrasileira. Os jovens e adultos trabalhadores lutam para superar suas condiçõesde vida (moradia, saúde, alimentação, transporte, emprego, etc.) que muitasvezes estão na raiz do problema do analfabetismo. O desemprego, os baixossalários e as péssimas condições de vida comprometem o processo dealfabetização desses alunos e também a possibilidade de continuarem naescola e concluírem sua escolarização. Deste modo é preciso entender que o público alvo da EJA éheterogêneo, marcado por trajetórias e necessidades diferentes, e por issomesmo não é possível se pensar numa educação para esse segmento nosmoldes da educação oferecida às crianças e jovens do ensino regular.Tradicionalmente, a escola tem sido marcada em sua organização por critériosseletivos que tem como base a concepção da homogeneidade do ensino. Estaconcepção reflete um modelo caracterizado pela uniformidade em todos osaspectos da abordagem educacional: no currículo, no material didático, noplanejamento, numa aula, no conteúdo curricular, na atividade para todos emsala de aula. O estudante que não se enquadra nesta abordagem permanece ámargem da escolarização, fracassa na escola ou é levado a evadir. O nãoreconhecimento da heterogeneidade dos alunos da EJA contribui paraaprofundar as desigualdades educacionais ao invés de combatê-las. Para que a educação de jovens e adultos sirva aos seus propósitos sefaz necessário um currículo, tempos e espaços que respondam àsnecessidades de sua clientela, além de profissionais que tenham umaformação para trabalhar com jovens e adultos. O professor deve ser omediador do conhecimento desses alunos, e, portanto tem que ter oconhecimento necessário do universo, dos anseios e das necessidadesdaqueles que buscam a educação de jovens e adultos. Paulo Freire diz em seu livro “A pedagogia do Oprimido” que não hánada melhor para o desenvolvimento dos alunos, que o respeito aos 23
  17. 17. conhecimentos que o aluno traz consigo para a escola, sendo o dever doprofessor, e mesmo da instituição instigar para que esses conhecimentossejam ampliados e melhor, entendidos em um contexto mais amplo. É nessaperspectiva que deve ser a educação de jovens e adultos, partindo doconhecimento que trazem os alunos, mas também ampliando esseconhecimento, levando os alunos e alunas da EJA a terem acesso aosconhecimentos historicamente produzidos, porém, diferente das crianças eadolescentes do ensino regular, esses conhecimentos precisam serselecionados para responder aos anseios, expectativas e desejos dos adultos ejovens que buscam a EJA. CAPÍTULO III3. ABORDAGEM METODOLÓGICA A pesquisa nas ciências sociais se faz a partir da abordagem qualitativa,pois nos permite ter um contato direto entre o pesquisador e objeto pesquisado,além de nos permitir investigar situações que as demais abordagens nãopermitem em virtude da sua complexidade como também possibilita oaprofundamento da pesquisa. Minayo (1994, p.21) afirma que a Pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com universo de significados motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à, operacionalização de invariáveis. Desse modo, por trabalhar com o universo de significados “a pesquisaqualitativa responde a questão muito particulares. Ela se preocupa, nasciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificados”(DESLANDES, 1994, p.21) sendo priorizado o espaço natural dos sujeitos. 24
  18. 18. Diante disso, optou-se pela pesquisa qualitativa uma vez que esta nos propicia,enquanto pesquisador, vivenciar experiências ao tempo que procura garantir arepresentação de dados baseados em critérios de qualidade, tomando comobase a entrevista semi-estruturada que nos possibilita compreender o que ossujeitos dizem e pensam sobre o tema pesquisado.3.1. Locus da pesquisa O locus de pesquisa permite ao pesquisador observar, questionar,investigar e analisar o objeto estudado. Assim, o nosso locus de pesquisa foi oGinásio Antônio Simões Valadares, localizado na cidade de Itiúba, Bahia, àRua Vereador Ademir Simões Freitas, nº 172, no Bairro do Alto. O referidoGinásio foi fundado em 06/05/1969. No início era apenas a diretoria, uma salade professores, 4 salas de aula, dois sanitários, sendo um masculino e umfeminino, um auditório, que mais tarde o auditório foi dividido para ser classesde 7ª e 8ª séries. O Ginásio funciona nos turnos matutino, vespertino e noturno,atendendo uma clientela do nível fundamental I do 1º ao 5º ano, II do 6º ao 9ºano e EJA I e II, é considerado de grande porte, conta com 14 salas de aula,uma sala para professores, uma secretaria, uma diretoria e coordenação, doisbanheiros para funcionários, uma sala de vídeo, quatro banheiros, doismasculinos e dois femininos, uma quadra de esportes, um pátio arborizado,uma cantina com depósito para merenda, cisterna com água de chuva, umasala de informática, espaço com horta e uma biblioteca. A escola funciona nos três turnos, como já foi dito anteriormente. Aindahá extensões dessa escola nos povoados de Picos, Cacimbas, Taquari, Sítiodos Moços, Alto do São Gonçalo e Ponta Baixa. O vínculo entre escola ecomunidade ainda é restrito, dar-se apenas em reuniões de pais e mestres, aofinal de cada unidade e em eventos realizados na escola. A escola possuiprofessores que fazem parte do quadro docente, são profissionais, efetivos econcursados, 20% possuem nível superior completo nas diversas áreas e 59%cursando o 3º grau e 12% em magistério. Os demais funcionários, porteiros, 25
  19. 19. secretários, tarefeiros e merendeiras são efetivos e concursados, estes quecontribuem e colaboram no ensino – aprendizagem. No referido ginásio há materiais como TV, DVD, Vídeo, Computador comimpressora, retro – projetor, livros didáticos, caixa de som, microfone, mapas,jogos educativos e outros, todos disponíveis para os professores desenvolverum excelente trabalho. No citado ginásio há um projeto político pedagógico(PPP) que orienta aos professores desta instituição a trabalhar com asdisciplinas nas salas da EJA, além de trabalhar os valores éticos, políticos ereligiosos.3.2. Sujeitos da pesquisa Durante todo o processo de pesquisa observamos que a mesma permitea aproximação do pesquisador e o seu objeto de estudo. Na pesquisa foiobservada que a quantidade de pessoas não é tão importante quanto apreexistência em olhar a questão com outros ângulos (GOLDENBERG, 2000,p.83). Daí, os sujeitos escolhidos para participar da pesquisa, foram osprofessores e alunos, da EJA do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares.Assim tivemos 03 alunos que foram entrevistados e 04 professores queresponderam a um questionário aberto. Na discussão dos resultados, optamos por resguardar os nomes e nãoidentificar diretamente os sujeitos entrevistados, preservando suas identidades.A partir de procedimentos baseados nas entrevistas, procura-se conhecer oque pensam os entrevistados em relação a problemática da Evasão Escolar daEJA (Educação de Jovens e Adultos) no Ginásio Municipal de Itiúba, Bahia.Usamos para nos referir aos alunos a letra A maiúscula mais um número, omesmo procedimento foi feito com os professores, usando a letra P maiúsculamais um número.3.3. Instrumentos de coleta de dados e perspectivas de análise 26
  20. 20. Para alcançar os objetivos desta pesquisa utilizamos como instrumentosde coleta de dados o questionário aberto e a entrevista semi-estruturada quenos possibilitassem identificar as causas da evasão dos alunos da EJA e porque eles sempre retornam para a escola. Segundo Goldenberg (2000) A pesquisa cientifica requer flexibilidade, capacidade de observação e de interação com os observados. Seus instrumentos devem ser corrigidos adaptados durante todo o processo de trabalho, visando aos objetivos da pesquisa. No entanto, não se pode iniciar uma pesquisa sem se prever os passos que deverão ser dados (p. 79). Desse modo, é preciso que o pesquisador esteja em contato com ossujeitos utilizando-se de instrumentos que possibilitem a coleta de dadosnecessária à interpretação de uma determinada realidade favorecendo, assim,uma possível intervenção na mesma. No estudo de caso etnográfico, vistotratar-se de fenômenos ocorridos no âmbito da escola, buscamos por meio dapesquisa compreender a evasão escolar de Jovens e Adultos do Colégiopesquisado, neste sentido O pesquisador procura revelar a multiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema, focalizando-o como um todo. Esse tipo de abordagem enfatiza a complexidade natural das situações, evidenciando a Inter-relação dos seus componentes. (LUDKE e ANDRÉ, 1986, p.19). Utilizamos o método descritivo. O principal elemento referenciado pararealizar esta pesquisa, encontra-se no número de alunos evadidos da EJA doGinásio Municipal Antônio Simões Valadares no turno noturno. Analisando asrespostas elaboradas na forma de questionário, sentimos a necessidade deconfrontar os dados referentes a evasão com opiniões de alunos que aindafrequentam a escola. É importante ressaltar que os problemassocioeconômicos, psicológicos, ambientes familiares, questões culturais, açõesmetodológicas e pedagógicas, são elementos que influenciam na trajetória doaluno no processo de ensino. Portanto pensando nestes inúmeros fatoresdecidimos também trabalhar com os professores e a direção da escola. 27
  21. 21. A retomada de aspectos-base do assunto tem como principal focomanter acesa a discussão e reiterar que educação é processo, salientando quenão existe processo sem que haja sujeitos envolvidos em atividades que exijamplanejamento, execução e avaliação de resultados. Vale lembrar que utilizamosa pesquisa bibliográfica, assim enriquecendo o nosso trabalho. O trabalhoelaborado está organizado da seguinte forma: entrevistas com 03 alunos daEJA e um questionário aberto aplicado com 04 professores, e este material queanalisamos no capítulo que se segue. CAPÍTULO IV4.1. A evasão dos alunos da EJA no Ginásio Municipal Antônio SimõesValadares: o que dizem os sujeitos da pesquisa Neste capítulo apresentamos a análise e reflexão dos dados coletadosno campo da pesquisa buscando compreender o porquê os alunos daEducação de Jovens e Adultos do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadaresevadem, quais as causas que os levam a abandonarem a escola, por queretornam sempre e o que representa a escola para eles. Através dos resultados dos questionários e entrevistas realizados comos alunos, observa-se que as respostas são parecidas, demonstrando asimilaridade nas histórias de vida dos sujeitos, devido os mesmos seremoriundos das camadas mais pobres da população do município. Dos cincoalunos participantes da pesquisa, dois responderam um questionário e trêsaceitaram ser entrevistados. Analisaremos em primeiro momento os resultadosobtidos com os alunos e na sequência analisamos os resultados obtidos com oquestionário realizado com os professores. Utilizaremos a letra A maiúsculapara nos referirmos aos alunos junto com um numero: A1, A2, A3, A4, . E paranos referirmos aos professores usaremos P mais o numero: P1, P2, P3, etc. 28
  22. 22. 4.1.1. Com a palavra, os alunos do Ginásio Municipal AntônioSimões Valadares: análise das entrevistas Iniciamos a entrevista perguntando aos alunos por que eles estudavampara tentar compreender qual a importância da escola e do conhecimentoescolarizado para estes alunos. Dos 03 entrevistados, os alunos A2 e A3disseram simplesmente “porque é bom e importante”. O terceiro alunoestendeu-se um pouco mais A1. “Para aprender alguma coisa e por ser muito importante porque sem estudo a pessoa não é ninguém”. Nota-se nas falas dos entrevistados que todos acham o estudoimportante e por isso estão estudando. Mas na resposta de A1, percebe-se queeste entende que a escola, ou o saber escolar tem um significado social aoafirmar que “sem estudo a pessoa não é ninguém”, mostrando que oconhecimento escolarizado é valorizado pela sociedade e que, quem não opossui é excluído da mesma. Perguntamos também se eles eram repetentes e há quanto tempoestavam estudando em turmas de EJA. Dos três entrevistados apenas o alunoA3 não era repetente, os outros dois falaram que desistiram, mas não dizemquantos anos ficaram fora da escola, talvez por vergonha. E quando indagadoshá quanto tempo estavam nas turmas de EJA, A1 respondeu que está há trêsanos, A2, está há dois anos e A3 respondeu que está estudando em umaturma de EJA pela primeira vez. Percebe-se que eles não se aprofundam emsuas falas, por se mostrarem inibidos diante das entrevistas. Procuramos saber também por que é importante estudar e se osconhecimentos adquiridos na escola são importantes para tomar algumadecisão na vida. Ao responderem a esses questionamentos eles o fazem demaneira genérica enfatizando que é importante para vencer na vida, para ter 29
  23. 23. uma vida melhor e para aprender mais, porém não especificam nenhumconhecimento. A1. “É muito importante estudar, porque sem estudo ninguém vence na vida”. A2. “É para eu ter uma qualidade de vida melhor”. A3. “Porque é importante estudar para aprender mais”. Quando questionamos os alunos sobre o que eles, de fato, aprenderamna escola mais uma vez recebemos uma resposta genérica de A1 e A2, semque eles pudessem especificar o que tem aprendido. A3 volta a enfatizar aimportância de estudar para ser alguém na vida. A1. “Aprendi muitas coisas novas”. A2. “Aprendi muitas coisas novas”. A3. “Por eu ter parado de estudar muito tempo, estudar é a melhor coisa que está acontecendo em minha vida, sei que sem estudo ninguém é ninguém, estou estudando para vencer na vida”. Dos três sujeitos pesquisados dois deram a mesma resposta, apenasum, estendeu e aprofundou mais em sua fala. Percebe-se também que ossujeitos não citaram quais as coisas novas eles aprenderam, por mais quetentássemos que eles dessem respostas mais coerentes, eles se retraiam efalavam poucas frases. Ao perguntarmos aos alunos o que eles haviam conquistado, de fato, naescola eles foram um pouco mais expansivos na resposta, exaltando pontospositivos nessa conquista tais como respeito, valores, além de conhecimentos. A1. “Conquistei o aprendizado, a educação, o respeito ao próximo, valores que conquistei na escola e conhecimento que ela me proporcionou”. A2. “E ter mais conhecimento nos estudos, a escola é o lugar que oferece oportunidade de aprender a ler, a escrever e abre portas para o conhecimento, para o novo e para a realidade”. 30
  24. 24. A3. “É através da escola que se pode conquistar coisas boas, importantes para qualquer pessoa e é a oportunidade para trabalhar e fazer parte da sociedade”. Percebe-se nas falas dos sujeitos pesquisados que eles acreditam oupelo menos repetem o discurso, de que é através do conhecimentoescolarizado que se consegue melhores condições de vida. Nesta perguntaeles falaram mais, se mostraram mais desinibidos, mostrando o que elesalmejam da escola. Pelas falas dos alunos percebemos o que eles buscam naescola, o que esperam dela. As questões acima respondidas pelos alunos nos mostram que elessabem da importância da escola para suas vidas, do significado social que temaqueles que se apropriam do saber escolarizado e que, quem não detém esseconhecimento é estigmatizado, excluído da sociedade e do mundo do trabalho. Mas quando refletimos sobre algumas das questões colocadas acima eas respostas dadas pelos alunos, como por exemplo, por que é importanteestudar, o que eles aprenderam na escola e se o que aprenderam os ajudamnas decisões do dia-a-dia percebemos a imprecisão nas respostas, e nos fazpensar se essa percepção genérica não se deve justamente à distância entreos conhecimentos ensinados na EJA e a vida concreta desses alunos poiscomo afirma Arroyo (2007) os conhecimentos ensinados aos alunos da EJAdevem ser Conhecimentos que esclareçam suas indagações, que os ajudam a entender-se como indivíduos e sobretudo como coletivos. Tão vulneráveis, em percursos humanos tão precarizados. A função de todo conhecimento é melhor entender-nos no mundo e na sociedade. (p.10) O que nos parece que está longe de ter esse sentido para os alunos quefrequentam a escola pesquisada, pois não conseguem especificar essesconteúdos aprendidos e a sua materialização em suas vidas. 31
  25. 25. Quando questionamos os alunos sobre sua frequência na escola e oque provoca a evasão da mesma, obtivemos respostas parecidas de A1 e A2que são alunos repetentes em turma de EJA, e uma resposta de A3 sobre oque ele imagina que seja a causa dessa evasão: A1. “Apesar de ser um bom projeto da educação, desistir de estudar muito tempo, porque tinha que trabalhar, também pelo preconceito que ate hoje existe com os alunos que estuda no EJA”. A2. “Eu deixei de estudar há 15 anos mais tem dois anos que eu estudo, deixei de estudar para trabalhar, porque morava no campo e isso foi difícil a frequentar a escola”. A3. “Muitos desistem por motivos pessoais, como doença, viajar para trabalhar fora, um por causa da bebida e das drogas”. Percebe-se nas falas de A1 e A2 que, enquanto alunos de EJA queprecisaram afastar-se da escola, sabem exatamente porque a maioria evade,pois os motivos quase sempre são a necessidade de trabalhar para garantir asobrevivência, além da dificuldade de uma escola perto de casa. Claro que aquestão da bebida ou das drogas pode estar, em menor número, nos motivospara a evasão mesmo numa cidade pequena como Itiúba. Quando questionados se haviam se arrependido de ter parado deestudar e se agora eles pensavam em continuar os estudos e por que, osalunos confirmaram as respostas dadas anteriormente sobre o motivo doabandono: o trabalho. E o motivo de seguir estudando enfatizam a crenças quetem na escola, de com o estudo ter uma vida melhor. A1. “[...] me arrependi, mais tinha que trabalhar. Quero continuar estudando para garantir meu futuro, para eu fazer concursos e me efetivar e me assegurar do emprego e alcançar meus objetivos”. A2. “[...] eu tinha que trabalhar por isso parei de estudar. Quero continuar estudando porque quero ter alguma coisa na vida e sonho por dias melhores”. A3. “Me arrependi, deixei para trabalhar. Estudar para eu ter mais conhecimento das coisas que acontece ao meu redor e 32
  26. 26. também que acontece no mundo passei muitos anos sem estudar e isso dificultou muito na minha vida, foi ruim, porque só com estudo é que se conquista o que é bom e valoroso”. Por último perguntamos sobre a metodologia utilizada pelosprofessores, se esta contribuía ou ajudava no aprendizado deles. Dos trêsalunos entrevistados apenas A3 respondeu que sim, sendo justamente aqueleque estava começando na EJA pela primeira vez. A1 e A2 que já eramrepetentes disseram que faltava uma melhor “explicação” por parte dosprofessores. A1. “Acho que deveria haver mais explicação para que os alunos entendam melhor e com clareza os assuntos dados na sala de aula, acho que deveria ter mais dinâmicas para nos chamar atenção e nos despertasse a vontade de aprender mais”. A2. “Não. É preciso ter professores preparados, sei que os professores se sentem seguros, mais tem certa dificuldade em explicar os assuntos”. A3. “Sim”. Nota-se nos comentários de A1 e A2 certo descontentamento a respeitoda metodologia aplicada em sala de aula. Isso nos faz pensar sobre osprofessores da EJA, pois estes precisam ter uma formação específica como sealmeja para os professores da educação infantil ou outra modalidade deensino. Não se pode achar que para trabalhar com jovens e adultostrabalhadores, o professor não necessita de uma formação especifica. Nessesentido concordamos com Ribeiro (1999) ao afirmar que Os professores de jovens e adultos devem estar aptos a repensar a organização disciplinar e de séries, no sentido de abrir possibilidades para que os educandos realizem percursos formativos mais diversificados, mais apropriados às suas condições de vida. Os jovens e adultos merecem experimentar novos meios de aprendizagem e progressão nos estudos, que não aqueles que provavelmente os impediram de levar a termo sua escolarização anteriormente. (p. 195). 33
  27. 27. 4.1.2. O que tem a dizer os professores da EJA do G. M. A. S. V: análise doquestionário aberto aplicado aos professores Analisamos o conteúdo dos questionários aplicados com os sujeitos-professores do G. M. A. S. V., sobre a evasão dos alunos da EJA, inicialmentepara compreender o que os professores pensavam sobre a EJA, se tinhamformação específica para essa modalidade de ensino e qual a concepçãoteórico metodológica sobre a EJA. 4.1.2.1. Cursos de capacitação ou formação para a EJA e tempo deserviço P1. “Fiz cursos de capacitação e de formação continuada em 1998. Sou pós-graduada em psicopedagogia clinica e institucional, atuo no magistério há 20 anos e na sala da EJA há 14 anos”. P2. “Não apenas curso de formação continuada, sou pedagoga, atuo no magistério há 30 anos e na EJA já tem 20 anos, creio que sou capaz para lidar com os alunos da EJA”. P3. “Não respondeu”. P4. “Não, por não termos apoio por parte da secretaria e dos demais órgãos”. Dos 04 professores que responderam ao questionário, um nãorespondeu a questão sobre a formação e o tempo de serviço, um fez curso decapacitação e dois não fizeram. Percebe-se que neste aspecto os professorestrabalham com jovens e adultos trabalhadores, provavelmente, com a mesma 34
  28. 28. visão que tiveram de sua formação voltada para crianças e adolescentes, o queé muito diferente do trabalho na EJA. Ao serem questionados sobre o que entendem por Educação de Jovense Adultos-EJA e quais os fundamentos teóricos do seu trabalho com a EJA.Percebe-se que os 04 professores têm algum conhecimento sobre o que seja aEducação de Jovens e Adultos, ainda que seja de forma genérica. Quanto aosfundamentos de seu trabalho pedagógico, 02 dos professores citam PauloFreire, e 01 dos professores cita Piaget como referência para seu trabalho, oque suscita que este professor pode estar referenciado na experiência delecom o ensino fundamental de crianças e adolescentes, enquanto 01 professornão respondeu a esta questão. Vejamos o que dizem os professores:4.1.2.2. O que entende por EJA e o posicionamento teórico quefundamenta o trabalho P1. “A educação de jovens e adultos onde a práxis pedagógica se baseia e intensifica no educando como ativo e critico na sociedade vigente um trabalhador. (fundamenta-se em) Piaget, diante da versatilidade da metodologia, sendo que outros educadores (pensadores teóricos) também faz parte e permeiam a metodologia da minha práxis pedagógica de o educando é o centro e elo do processo de aprendizagem”. P2. “Entendendo que é uma aprendizagem e qualificação permanente não suplementar, mas fundamental e que favoreça a emancipação do educando com o acolhimento dos seus conhecimentos interesses e necessidades de aprendizagem. (fundamenta-e em) Sim, PE LANDRE, Paulo Freire, não como metodologia de ensino, mas como teoria do conhecimento, muito mais um método de aprender, conhecer, que de ensinar”. P3. “A educação de jovens e adultos vem sendo um veículo que dá o direito a cidadania substancial aqueles que não tiveram acesso á escolarização na idade apropriada dando aos mesmos a oportunidade de inclusão também”. (Não respondeu sobre em que se fundamenta). 35
  29. 29. P4. “É a educação de jovens e adultos. (fundamenta-e em) Paulo Freire – pois o mesmo começava pela base”. Embora os professores tentem colocar explicitar sua concepção teórica,ainda não está claro para estes, o que fundamenta seu trabalho e como essateoria está presente em seu trabalho. Assim questionamos, para tentar aclararo que eles entendem sobre EJA, qual a visão deles sobre essa modalidade deensino. Somente 03 professores responderam a esta questão.4.1.2.3. Visão de EJA dos professores P1. “É o mecanismo através do qual humanizamos, conscientizamos e letramos o cidadão da nossa sociedade, fazendo com a valorização dos seus conhecimentos, que esses alunos possam ampliar as suas possibilidades de socialização, que possam participar de uma sociedade com independência e autonomia, principalmente no ensino de historia que precisa está ligada a transformação social”. P3. “O EJA é um programa do governo para preparar o aluno para o mercado de trabalho formando cidadãos conscientes de seus direitos e deveres”. P4. “Em relação ao nosso município, ainda há muita coisa a se fazer por ela (EJA). Pois disponibilizamos de pouco material para que assim tenhamos aulas mais enriquecidas”. 36
  30. 30. Dos 03 professores que responderam a questão percebemos que cadaum vê a EJA de uma perspectiva diferente. Enquanto P1 afirma que a EJA éinstrumento de humanização e conscientização e que vai ampliar suaspossibilidades de socialização e independência na sociedade, P2 tem umavisão meio contraditória da EJA vista por este professor, ao mesmo tempo,como um programa de governo que prepara o aluno para o mercado detrabalho e também lhe dar uma formação consciente de cidadania. P4 refere-seàs dificuldades encontradas no município com relação à EJA, referindo-se àfalta de materiais que os auxiliem na elaboração das aulas. Nota-se que asrespostas divergem em relação a visão que tem os professores que atuam nasala de aula da EJA. Pedimos também que os professores falassem sobre os seus alunos,como eles os percebiam a partir da sua visão sobre a EJA, se eles conheciama realidade socioeconômica dos alunos.4.1.2.4. A realidade socioeconômica de seus alunos P1. “Classe baixa (empregada doméstica, serventes e diaristas) a maioria recebe menos de um salário mínimo, quando empregada; em pouquíssimas exceções grande parte é desempregada”. P2. “De classe baixa, sem renda, os que trabalham recebem salários abaixo do mínimo, sem registro e muitos são trabalhadores rurais”. P3. “Baixa renda, a maioria deles vem de famílias desestruturadas com problemas de alcoolismo, drogas, separação de pais, além da falta de emprego e com a autoestima nos pés”. 37
  31. 31. P4. “A maioria dos alunos é de classe baixa”. Em suas respostam, os professores demonstram conhecer a realidadesocioeconômica dos alunos, porém não basta apenas constar esse fato, épreciso que o trabalho pedagógico do professor leve em consideração essarealidade não no sentido de pauperizar o conhecimento destinado a essesalunos, mas tendo essa realidade como ponto de partida, possibilitar aapropriação dos conhecimentos necessários para a vida desses alunos. Para que pudéssemos entender a relação entre a visão que osprofessores têm dos alunos, e a metodologia utilizada, procuramos saber sobreos recursos que utiliza e se o material didático é adequado com a realidadedos alunos. Apenas P4 não respondeu à primeira questão, sobre o que achados recursos que utiliza. Percebemos que os professores têm opiniõesdiferentes sobre essas questões como vemos a seguir.4.1.2.5. O que acha dos recursos que utiliza na EJA. O material didáticoque utiliza é coerente com a realidade dos alunos P1. “Muito bom; a escola disponibiliza de excelentes recursos audiovisuais e didáticos, sendo o livro didático muito utilizado e de excelente qualidade. (se é coerente) Sim, porque atende a necessidade dos alunos no processo ensino – aprendizagem”. P2. “Acho que são importantes porque precisamos substituir metodologia de ensino de visão, racionalista e padronizada por novos recursos de linguagens modernas. A utilização desses recursos de forma responsável pode trazer soluções pedagógicas inovadoras. (se é coerente) Sim, porque atendem as perspectivas de aprendizagem dos alunos”. P3. “São produtos ou recursos muito avançados para a realidade dos alunos. Por isso utilizamos outros recursos. (se é 38
  32. 32. coerente) Mais ou menos, pois às vezes não temos material suficiente para trabalhar com os alunos individualmente, pelo motivo já citado antes (faltou recurso para a EJA), mas o pouco que temos dá pra ser coerente com a realidade deles”. P4. (se é coerente) “Não, porque o material didático esta fora da realidade dos alunos e também do professor por não ter sido preparado adequadamente”. De acordo com P1 e P2 os recursos que utilizam são bons e importantese a escola disponibiliza para eles trabalharem. Já P3 afirma que os recursosdisponibilizados pela escola são muito avançados para os alunos e por issoutiliza outros, embora não diga quais. Com relação à coerência do material coma realidade dos alunos a opinião se divide, P1 e P2 afirmam que é coerente eque atende as necessidades e expectativas dos alunos. P3 diz que é mais oumenos coerente, pois às vezes não tem material suficiente para trabalhar; e P4afirma categoricamente que não é coerente, pois está fora da realidade dosalunos e também do professor, pois este não sabe como usar, visto que nãoteve formação para tal. E sobre esta afirmação de P4 trazemos para análise a última questãorespondida pelos professores através do questionário aberto. Perguntamos aosprofessores quais as dificuldades que eles encontravam na realização do seutrabalho enquanto professores da EJA. Vejamos o que eles dizem. 4.1.2.6. As dificuldades encontradas na prática profissional da EJA P1. “Curso de formação continuada para nos direcionar na metodologia diária”. P2. “No inicio as dificuldades encontradas com a EJA, não decorreram muitas vezes das especificidades desta modalidade, mas de lacunas da nossa formação geral, no entanto com a participação dos cursos de formação 39
  33. 33. continuada, as possibilidades para o processo se tornaram visíveis”. P3. “A evasão, a falta de compromisso deles para com a escola, para consigo mesmo, uma sala exclusiva para cada disciplina como: sala de laboratório de ciências, de geografia..”. P4. “A deficiência de recursos didáticos, desistência do aluno, a falta de motivação e preparação”. Percebemos que as falas dos professores se dividem em duasvertentes. A primeira, que aparece nas falas de P1 e P2 diz respeito asdificuldades referentes à formação para trabalhar com Educação de Jovens eAdultos pois falam da necessidade de formação continuada e de lacunas emsua formação inicial. A segunda vertente está nas falas de P3 e P4 quandoafirmam que as dificuldades/deficiências estão nos alunos, em sua falta decompromisso, de motivação, nos problemas estruturais (recursos didáticos,salas de laboratório/ ambientes de ciências, geografia, etc.). Nota-se que a evasão dos alunos do Ginásio Municipal Antônio SimõesValadares, estão atrelados a diversos fatores, mas percebe-se também que osprofessores que atuam nas salas da EJA não estão preparados para atuaremnas salas de aula desses jovens e adultos. Portanto é necessário refletirmossobre a prática educacional e os sujeitos que estão inseridos na construçãodesse processo para que possamos compreender a construção e a presençada educação de jovens e adultos a fim de diminuir o índice da evasão nestaescola. 40
  34. 34. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho procuramos compreender as causas e consequências daevasão escolar no ensino de jovens e adultos do G.M.A.S.V. ao tentarmosouvir alunos e professores desta instituição. Desde já queremos dizer que nãoé fácil visto que são muitos fatores que interferem no abandono da escola pelosalunos. Podemos aqui supor algumas conclusões que não são definitivas e,portanto, estão abertas para novas investigações. Observamos durante a pesquisa realizada que a educação de jovens eadultos muitas vezes não corresponde às expectativas da qualificação dosprofessores devido às teorias estarem distantes da técnica desses profissionaise de eles não terem uma compreensão clara do trabalho com jovens e adultos,em decorrência de sua falta de formação para essa modalidade de ensino. 41
  35. 35. Sabemos que vivemos num mundo letrado e de grande exigência no usoda leitura, da escrita e na interpretação dos diversos símbolos que ilustram omundo moderno. Diante das diversas situações analisadas, tivemos a certezade que as práticas pedagógicas aplicadas por alguns professores da EJA nãosão convergentes com a proposta metodológica apresentada para essamodalidade de ensino. É necessário rever alguns pontos do sistema de ensinopara os jovens e adultos, estes que necessitam de serem avaliados a partir deuma metodologia aplicada que leve em consideração as especificidadesdesses alunos e de seus percursos de aprendizagem. Pois como percebemos,além dos problemas enfrentados pelos jovens e adultos para permanecerem naescola (a necessidade de trabalhar aparece como a principal dificuldade empermanecer na escola) e obterem sua escolarização, ainda enfrentam outrosobstáculos na própria escola, tais como a falta de preparação dos professores,materiais inadequados ou a falta deles, tempos e espaços que remetem àescola oferecida às crianças e adolescentes do ensino regular. Pudemos perceber que o grande problema nesta comunidade escolar éatribuído ao fator econômico, pois a mesma encontra-se inserida nummunicípio que não dispõe de muitas alternativas de trabalho, mas notamostambém que as aulas não são repassadas de acordo com a capacidade dosalunos. A questão da evasão escolar, ocorre de modo geral em todas as escolasdo país, devido ao crescimento populacional como também à problemas deordem familiar e social. Portanto a evasão deve ser vista como um problema decaráter social e econômico. A evasão é um fator poderoso e assim os jovens eadultos são desestimulados a continuar na escola, eles se sentem inseguros esão considerados diferentes e isso abala sua autoestima, fazendo com queevadam. As marcas que trazem os jovens e adultos deixam sequelas nas vidasdeles e talvez uma ferida que nunca se feche ou deixe cicatrizes para o restode suas vidas. Diante das diversas situações analisadas, temos certeza de quea forma metodológica aplicada não condiz com a realidade da clientela da EJA.Desta forma podemos supor, a partir da pesquisa realizada, que a questão da 42
  36. 36. evasão do Ginásio Municipal Antônio Simões Valadares, só poderá mudar estequadro com muita luta e vontade, criando novos mecanismos didáticos quepossa chamar a atenção dos jovens e adultos em sala de aula, buscando odiálogo, procurando conhecer melhor os alunos e buscar soluções para aevasão a partir da realidade concreta dos alunos e da escola. É válido lembrar que a educação é um processo contínuo e para sereficaz deve vincular-se a uma ação concreta. Mudanças nas práticaseducacionais sem dúvida, urgentes, porque há muito que a escola pode e devepromover condições de aprendizagem e desse modo contribuir para o processode permanência do sujeito da EJA, assim evitando que os alunos evadam daescola e da sala de aula. Por isso, é necessário que a escola crie mecanismosque desperte a atenção desses jovens e adultos. O laço de afetividade é umdos fatores importantes para que esses alunos continuem estudando, fazercom que o aluno perceba que a escola não o vê apenas com um aluno e simcomo uma pessoa que busca realizar um sonho, assim dando-o atençãonecessária a fim de que o mesmo se sinta parte integrante da escola como osoutros alunos que estão no ensino regular.REFERÊNCIASARROYO, M. G. Da Escola Carente à Escola Possível. São Paulo: Loyola,1997. (coleção educação popular - nº. 8)._____________. Balanço da EJA: O que mudou nos modos de vida dosjovens – adultos populares? REVEJ@ - Revista de Educação de Jovens eAdultos, Belo Horizonte vol.1, p. 5-19, agosto. 2007.BEISIEGEL, C. de R. A política de educação de jovens e adultosanalfabetos do Brasil. In: OLIVEIRA, D. A. (ORG) Gestão democrática daeducação: desafios contemporâneos. Petrópolis: Vozes 1997. 43
  37. 37. BRANDÃO, C. R. O que e método Paulo Freire. 13 ed. São Paulo:Brasiliense, 2008.DESLANDES, Suely Ferreira (Org.) et al. Pesquisa social: Teoria, método eCriatividade. São Paulo: Vozes, 1994.FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança: um reencontro com pedagogia dooprimido. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra, 1993._____________. Educação e atualidade brasileira. São Paulo: Cortez, 2001.GOLDENBERG, M. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa de qualidadeem Ciências Sociais. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.HADDAD, S. DI PIERRO, M. C. Aprendizagem de jovens e adultos:avaliação da década da educação para todos. São Paulo em Perspectiva, SãoPaulo. 14, n1, mar. 2000. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n1/9800.pdf> . Acesso em 25 de maio de2012._____________. Escolarização de jovens e adultos. Revista Brasileira deEducação Nº 14 Mai/Jun/Jul/Ago 2000. Disponível em:<http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/rbde14/rbde14_08_sergio_haddad_e_maria_clara_di_pierro.pdf>. Acesso em 25 de maio de 2012.LUDKE, Menga, e ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação:Abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.MORAES, R. E. Educação de jovens e adultos: um campo de direitos e deresponsabilidade pública. Diálogo na educação de jovens e adultos. BeloHorizonte, M.G: Autêntica, 2010.MORIN. E. O método V: a humanidade, identidade humana. 2. ed. PortoAlegre: Sulina, 2003.MINAYO, M. C. de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 20ed. Petrópolis: Vozes, 1994. 44
  38. 38. PAIVA, V. Educação popular e educação de adultos. São Paulo: 4ª ed.Loyola, 1987.RIBEIRO, Vera Masagão. A formação de educadores e a constituição daeducação de jovens e adultos como campo pedagógico. Revista Educação& Sociedade, ano XX, nº 68. São Paulo: Ação Educativa, Campinas: Papirus,1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v20n68/a10v2068.pdf>Acesso em 25 de maio de 2012. 45
  39. 39. APÊNDICES Diretoria Sala dos Professores Biblioteca 46
  40. 40. Banheiro dos Alunos 47
  41. 41. Sala de Informática Cantina 48
  42. 42. Depósito da MerendaSalas de Aula 49
  43. 43. 50
  44. 44. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIISENHOR DO BONFIM - BAHIA Questionário de resposta dos alunos da EJA do Ginásio Municipal Antonio Simões Valadares 1. Por que vai a escola? Que importância tem a escola na sua vida ? R. ________________________________________________ 2. É repetente: Quantos anos? R. _________________________________________________ 3. A quanto tempo é aluno da EJA? R. _________________________________________________ 4. Porque é importante estudar? E os conhecimentos adquiridos na escola são importantes para tomar alguma decisão na vida? R. _________________________________________________ 5. O que tem aprendido de fato na escola? R. _________________________________________________ 51
  45. 45. 6. O que se pode conquistar de fato na escola?R. _________________________________________________7. Em sua opinião o que leva tanto a evasão dos alunos da EJA?R. ________________________________________________8. A coordenação pedagógica tem visitado com freqüência as turmas da EJA? Ou a escola tem um acompanhamento pedagógico?R. _______________________________________________9. O que de fato lhe faz dá continuidade aos seus estudos?R._______________________________________________10. Como aluno da eja tem participado frequentemente das atividades desenvolvidas na sala de aula? Por quê?R. ______________________________________________11. Como gostaria que fossem ministradas as aulas da eja?R. _______________________________________________12. Como são recepcionados pelos funcionários da escola? 52
  46. 46. R. _______________________________________________13. A direção está sempre presente para atender os alunos da eja?R. ______________________________________________14. A merenda escolar é de boa qualidade?R. ______________________________________________15. A metodologia aplicada pelos professores da eja é interessante e contribui no seu aprendizado ?R. ______________________________________________ 53
  47. 47. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIISENHOR DO BONFIM - BAHIAPrezado (a) Professor (a), No trabalho que ora desenvolvemos para a elaboração de nossa monografia, precisamosobter algumas informações acerca de sua visão sobre a Eja e o material didático que sãoutilizados na Educação de Jovens e Adultos no Ginásio Antonio Simões Valadares . Para tal,solicito a sua colaboração respondendo às questões abaixo.Sexo: ______________Idade: ______________Formação profissional: ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Tempo de atuação no magistério: ____ anos 54
  48. 48. Tempo de atuação na EJA: ____ anos1-Você fez alguma especialização para trabalhar com a EJA?_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________2- O que você entende por EJA?_________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________3- Você trabalha com a EJA fundamentada em algum posicionamento teórico específico?Qual? Porquê?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________4- O que você acha dos recursos que utiliza na EJA? Por quê?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 55
  49. 49. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________5- Qual a sua visão da EJA?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________6- Além dos livros didáticos, quais outros recursos que você utiliza na EJA?______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7- Qual é a realidade sócio-econômica de seus alunos?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________8- O material didático que você utiliza é coerente com a realidade dos alunos? Por quê?___________________________________________________________________________ 56
  50. 50. _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9- Quais as dificuldades encontradas na prática profissional da EJA?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 57

×