Monografia Aelson Pedagogia Itiúba 2012

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Pedagogia Itiúba 2012

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Monografia Aelson Pedagogia Itiúba 2012

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÂO- CAMPUS VII Senhor do Bonfim-BA Aelson dos Santos Bispo Arlete Alves Cecia Alexandrina de Souza Barbosa Rozeli Maria Bispo dos Santos LEITURA E ESCRITA SOB OS OLHARES DOS PROFESSORES DA ESCOLA LUCIANO JOSÉ DOSSANTOS DO POVOADO DE PONTA BAIXA, MUNICÍPIO DE ITIÚBA – BAHIA ITIÚBA-BA 2012
  2. 2. Aelson dos Santos BispoArlete AlvesCecia Alexandrina de Souza BarbosaRozeli Maria Bispo dos Santos LEITURA E ESCRITA SOB OS OLHARES DOS PROFESSORES DA ESCOLA LUCIANO JOSÉ DOSSANTOS DO POVOADO DE PONTA BAIXA, MUNICÍPIO DE ITIÚBA – BAHIA Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, como instrumento parcial de avaliação do curso de Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Professora Maria Conceição Curaçá Gonçalves ITIÚBA-BA 2012
  3. 3. Aelson dos Santos BispoArlete AlvesCecia Alexandrina de Souza BarbosaRozeli Maria Bispo dos Santos LEITURA E ESCRITA SOB OS OLHARES DOS PROFESSORES DA ESCOLA LUCIANO JOSÉ DOSSANTOS DO POVOADO DE PONTA BAIXA, MUNICÍPIO DE ITIÚBA – BAHIA Monografia apresentada à Universidade do Estado da Bahia – UNEB, como instrumento parcial de avaliação do curso de Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Professora Maria Conceição Curaçá GonçalvesAprovado pelos membros da banca examinadora em _____/_____/2012.Com menção: Banca Examinadora Avaliador (a) Avaliador (a)
  4. 4. AGRADECIMENTOSAgradecemos, em primeiro lugar, a Deus, o mestre dos mestres e acolhedor detodas as coisas.Por extensão, à nossas mães, cônjuges, familiares e amigos.Mas, como por reciprocidade, queremos agradecer de forma especial, a (o)s nossa(o)s colegas de trabalho que, conjuntamente, realizamos todos os trabalhosacadêmicos.A todas as pessoas que acreditaram no potencial dos nossos esforços. Na nossavontade e desejo de lutar, na força da nossa peleja e no valor póstumo destapesquisa.A nossa estimável orientadora, que nos conduziu com firmeza e dedicação naorientação desta dissertação. Seus ultimatos foram entendidos por este grupocomo uma forma de dizer: ―Voem mais alto. Vocês são capazes!‖.Sobre tudo, agradecemos às pessoas de quem foram furtadas horas de carinho eatenção para que pudéssemos conquistar esta valiosa obra literária. Produto estede fundamental importância na construção do conhecimento e na trajetória dasnossas vidas e ascensão profissional.
  5. 5. “Fui alfabetizado no chão do quintal da minha casa, àsombra das mangueiras, com palavras do meu mundo enão do mundo maior dos meus pais. O chão foi o meuquadro-negro; gravetos, o meu giz.” (Paulo Freire, 2009).
  6. 6. RESUMOEste trabalho monográfico insere-se numa pesquisa bibliográfica e de campofundamentada nos estudos de Paulo Freire (2009, 50 ed.). Numa abordagemhumanística dialética este estudo também se fundamenta em outros autorescomo Cagliari (2009), Costa (2000), Sena (2009), Soares ((2006) e Barreto(2004), que numa visão didática epistemológica se detém nas reflexões de PauloFreire e em suas propostas de alfabetização, apresentando as bases de seupensamento, os conceitos elaboradores e o papel do educador). Este estudo tevepor objetivo principal diagnosticar o olhar dos professores da Escola MunicipalLuciano José dos Santos, situada no povoado de Ponta Baixa no município deItiúba – BA, sobre o processo de leitura e escrita a partir de suas trajetórias comoprofissionais da educação considerando suas práticas diárias e experiênciasdidáticas. Essa temática surgiu como resposta às inquietações decorrentes dosdebates no Campo Acadêmico da Rede UNEB - 2000, sobre as dificuldades dosalunos nas séries iniciais a respeito da leitura e escrita. Não obstante, estadissertação divide-se por temas, a saber: a escrita, a leitura e a formação deprofessores. A coleta e a análise de dados estão dispostas em gráficos paramelhor entendimento e compreensão dos leitores. Por fim, este documento seencerra apresentando os ganhos e as dificuldades encontradas com a elaboraçãoda pesquisa, deixando para os leitores, professores e futuros profissionais da áreade educação suas reflexões no processo do repensar suas posturas didáticas.Palavras-chave: 1. Alfabetização 2. Escrita 3. Leitura 4. Formação de professores
  7. 7. ABSTRACTThis monograph is part of a literature search and field studies based on PauloFreire (2009, 50th ed.). In this study dialectical humanistic approach is also basedon other authors such as Cagliari (2009), Costa (2000), Sena (2009), Soares((2006) and Barreto (2004), a vision that stops teaching epistemological reflectionsof Paulo Freire and his proposals of literacy by presenting the foundations of histhought, the concepts designers and the role of educator. This study was aimed atdiagnosing the teachers views of the Municipal School Luciano José dos Santos,located in the village in the municipality of Ponta Baixa of Itiúba - BA, on theprocess of reading and writing from their careers as professional educatorsconsidering their daily practices and student experiments. This theme emerged inresponse to concerns arising from the debates in Academic Field Network UNEB -2000 on students difficulties in the initial series about reading and writing.Nevertheless, this work is divided by themes, namely: writing, reading and teachertraining. Collection and data analysis are displayed on graphs for betterunderstanding and understanding of readers. Finally, this paper concludes bypresenting the advances and difficulties encountered with the development ofresearch, leaving readers, teachers and future professionals in the field of educationtheir suggestions and opinions in the process of rethinking their teaching positions.Keywords: 1. Literacy 2. Writing 3. Reading 4. Training of teachers
  8. 8. 8 LISTA DE GRÁFICOSGráfico 01 - Leitura ................................................................................................28Gráfico 02 - Escrita ................................................................................................29Gráfico 03 - Dificulades dos alunos no processo ensino aprendizagem ................30Gráfico 04 - A relação da leitura e escrita no ensino aprendizagem ......................30Gráfico 05 - Como o professor trabalha a escrita na sala de aula ........................31Gráfico 06 - Uso do ABC para alfabetizar .............................................................32Gráfico 07 - Material didático usado para alfabetizar .............................................33Gráfico 08 - Como o professor trabalha a leitura e escrita na sala de aula ...........33Gráfico 09 – As mudanças na forma de alfabetizar ..............................................34
  9. 9. 9 SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO....................................................................................................09CAPÍTULO I2. REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................................11 2.1 A escrita.......................................................................................................11 22. A leitura........................................................................................................14 2.3 Formação de professores............................................................................18CAPÍTULO II3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...........................................................223.1 Tipos de pesquisa.............................................................................................223.2 Caracterização da área de estudo ...................................................................233.3 Sujeitos da pesquisa........................................................................................243.4 Instrumentos de coleta de dados ....................................................................24CAPÍTULO III4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS .............................................. 265. REFLEXÕES SOBRE O RESULTADO ...........................................................366. CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................397. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................... 42
  10. 10. 10 INTRODUÇAOEste estudo que aborda a leitura e escrita nas séries iniciais sob o olhar dosprofessores da Escola Luciano José dos Santos do Povoado de Ponta Baixa noMunicípio de Itiúba – Bahia tem como objetivo diagnosticar através de umapesquisa científica o olhar dos professores sob o processo de leitura e escrita apartir de sua trajetória como profissional da educação considerando suas práticas eexperiências e a maneira como eles conceituam a leitura e a escrita no cotidiano.Considerando que a educação é uma atividade que se filia aos processos demudanças e valorização da diversidade em todas as suas nuances, procurou-seneste trabalho monográfico oferecer uma ampla variedade bibliográfica quedemonstram situações em que estão inseridas em nossas práticas pedagógicas.Embora o sistema educacional remonte a um sistema estereotipador econservador, como Senna (2007) nos admoesta, ainda assim acreditamos serempossíveis às mudanças esperadas por nós professores.Afinal, falar de educação no Brasil significa levar em conta a origem das famílias ereconhecer as diferenças de referências culturais. Significa, também, reconhecerque no interior destas famílias e na relação de umas com as outras encontramosindivíduos diferentes com especificidades de gênero, etnia, religião, orientaçãosexual, valores e outras questões definidas nas suas histórias pessoais. Uma vezque, a convivência com a diversidade implica o respeito, o reconhecimento e avalorização da/o outra/o.Essa temática surgiu como resposta às inquietações decorrentes dos debates noCampo Acadêmico da Rede Uneb-2000 / Itiúba - BA, nas aulas da disciplinaComponente Curricular Língua Portuguesa, onde foi trabalhada a dificuldade deleitura dos alunos nas séries iniciais, despertou ainda mais essa problemática queestá sempre presente no meio da aprendizagem dos docentes. Queremos deixarpara as futuras gerações uma preciosidade cravada no papel timbrado que conte anossa história de vida, nossas lutas, o nosso retrato e o nosso legado.
  11. 11. 11Diante desta temática pretende-se despertar no referido grupo de professores -alunos pesquisadores aprofundamento no tocante às suas práticas pedagógicas,repensar suas posturas didática. Ressaltando que será de muita utilidade opresente estudo por ter como foco uma comunidade carente de informação,comunicação e formação docente no processo de leitura e escrita. Salienta-se queo estudo não esgotou as questões que a temática desperta nos pesquisadores nosmotivando num outro momento continuar a discussão.A presente pesquisa está dividida em três capítulos: O primeiro capítulo fala darelevância desta pesquisa no cenário educacional, assim como a justificativa daescolha do tema. O segundo capítulo traz o embasamento deste trabalho:basicamente fundamentado em FREIRE (2009, 50 ed.), com indução de autorescomo CAGLIARI (2006), Romanowisk, (2007), Senna, (2009), Cavalcanti, (2009),Costa, (2000), e Bezerra, (2009), que fazem em suas obras literárias, uma ilação,às idéias e finalidades dos estudos de Paulo Freire. Assim fizemos uma busca dasfases da leitura e escrita acompanhando a linha do tempo no seu processo deevolução fazendo referencia às idéias dos autores citados, os quais acastelam otema abordado.No terceiro capítulo pautamos por apresentar a coleta de dados, análise einterpretação dos dados por meio de gráficos, a partir das nossas observações eleituras. Deste modo apresentamos neste capítulo as discussões, a opinião dosnossos entrevistados, a metodologia empregada e os resultados encontrados. Noentanto finalizamos o nosso trabalho apresentando as dificuldades encontradas, osganhos, avanços e conquistas com a elaboração deste documento. Tambémdeixamos nossas sugestões para os leitores, professores e futuros profissionais daárea de educação.
  12. 12. 12 CAPÍTULO I 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 A ESCRITAA escrita era representada apenas como figuras de objetos formas ideogramaispara transmitir mensagens associadas à imagem. A escrita é, portanto, umainvenção decisiva para a história da humanidade. Ela é a representação dopensamento e da linguagem humana por meio de símbolos.A escrita evoluiu a partir do desenho, onde cada figura representava um objeto.Num modelo moderno de representação gráfica podemos comparar a escritapictográfica com os logotipos, as placas de trânsito, rótulos cartazes e etc., osquais expressam apenas o valor semântico da mensagem, não tendo nenhumarelação direta com a sonoridade (CAGLIARI, 2009).A criação do alfabeto é uma invenção que parte da ideia de representar não a coisaem si, mas o som. O alfabeto é uma tentativa de desenhar o som da língua e temrepresentação puramente sonográfica. Ele é resultado da decomposição do somdas palavras em sílabas ou em fonemas - o som das letras. Cada letra representaum fonema ou mais de um.Na verdade, a escrita, assim como as línguas, está em permanente processo deevolução. Ela reflete e acompanha a maneira como as sociedades vivem, seushábitos, tecnologia e peculiaridades. Por isso, textos de apenas cem anos atrás,muitas vezes, já possuem palavras que caíram em desuso. Atualmente o nossoalfabeto conta 26 letras, inclundo as letras k, w e y para as palavras de origemestrangeira de acordo com o decreto de n° 6583/2008 que regulamenta a reformaortográfica da nossa língua escrita, mas somente será obrigatória a partir de 2012.
  13. 13. 13Ninguém aprende a ler e escrever sem aprender relações entre fonemas egrafemas, para codificar e decodificar. Envolve, também, aprender a manusear opróprio corpo, os movimentos motores, a coordenação das mãos e dedos parasegurar num lápis, enfim envolve uma série de aspectos.Nos dizeres de Soares (2006:1-8) [...] ―letramento, é, pois, o resultado da ação deensinar ou de aprender a ler e escrever: condição que adquire um grupo social ouum indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita [...]‖. Colaborandocom esta mesma proposição, Freire (1982:9) pressupõe que: ―[...] a leitura domundo precede a leitura da palavra, daí que a leitura posterior desta não possaprescindir da continuidade da leitura daquela‖. Soares (2003:15-17), também infereà leitura dizendo que a compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura críticaimplica a percepção das relações entre o texto e o contexto.Ainda segundo Soares, o que mais propriamente se denomina letramento é aimersão do indivíduo na cultura escrita, participação em experiências variadas coma leitura e a escrita, conhecimento e interação com diferentes tipos de gêneros dematerial escrito (SOARES, 2003: l3). Para ela, enquanto a alfabetização se ocupada aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupos de indivíduos, o letramentofocaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por umasociedade. Os conceitos de alfabetização e letramento significam a mesma coisa,ou seja, um conceito está inserido no outro.No entanto, é importante explicitar a indissociabilidade dos dois processos:alfabetizar, com base no letramento, respeitando a especificidade do ensino eaprendizagem da língua escrita sem dissociá-la do processo de letramento e aespecificidade do ensino e aprendizagem do letramento sem dissociá-lo daalfabetização. Contudo, o processo de letramento ou cultura letrada não acontecede modo espontâneo, exige mediação pela professora e/ou da famíliaproporcionando aos alunos, de forma constante e significativa, a interação com aspráticas sociais de leitura e escrita, isto é, com a cultura escrita em especial aliteratura Infantil.
  14. 14. 14A produção da escrita emerge de um processo de ensino aprendizagem e faz partede um encaminhamento pedagógico no qual o aluno reflete, apresenta sua opiniãoe sugestão. Contudo não devemos esquecer que há uma diferença entre a escritaprodução e a escrita reprodução, onde a primeira dá lugar aos conhecimentos jáadquirido dos alunos e a segunda recai sobre a produção do e para o aluno. É olugar do sujeito ocupado pelo aluno no processo de produção do texto que vaiapontar a distinção entre o os diferentes tipos de escrita. Caso o aluno não tenha aoportunidade de dizer sua voz no texto que produz, sua voz não será produção,mas reprodução. O aluno está dizendo o que o professor quer ouvir. Neste caso,ninguém pode escrever sobre o que não conhece e sobre o que sente.Freire (2004) acredita que o indivíduo que escreve com desenvoltura, expondosuas idéias com coerência e unidade textual, terá percorrido outros saberesanteriores a este, tais como aquisição de um espírito crítico, competências parafiltrar e equilibrar o científico e o popular; e, por fim, o saber que o faz entenderaquilo que se lê. As dificuldades que os alunos enfrentam quando vão produzir umtexto são na grande maioria expressas na forma da escrita. Na maior parte doscasos, eles não apresentam dificuldades em se expressar na oralidade através dalinguagem coloquial. Os problemas aparecem quando surge necessidade deprodução textual.Acontece que na linguagem oral o falante se expressa não só através da fala, mastambém através de gestos, sinais e expressões. Esses recursos não sãoexplorados na modalidade escrita, pois ela tem normas próprias, como regras deortografia, pontuação que não são reconhecidas na fala. Não adianta saber queescrever é diferente de falar. É necessário preocupar-se com o sucesso dosobjetivos da produção textual, como a interação entre o produtor do texto e o seureceptor. Para que o discurso tenha êxito, ele deve construir um todo significativo.Devem existir elementos que estabeleçam ligação entre as partes, isto é, queconfiram coesão ao discurso. Daí o maior desafio o professor, como já explicadoacima, de desconstruir uma cultura arraigada na indolência da leitura e desenvolvernos alunos o hábito de ler.
  15. 15. 15 2.2 A LEITURAA leitura é um processo mental e se desenvolve a medida que assimilamos o quevemos e observamos. Para que possamos fazer uma boa leitura das nossasobservações, faz-se é necessário primeiro, que, estejamos familiarizados com oobjeto da observação. Freire (2009:20), diz que a leitura do mundo procede dapalavra e a leitura desta implica a continuidade da leitura daquele. De forma queeste movimento do mundo à palavra e da palavra ao mundo se dá de formapresente e onisciente, Segundo o autor. Ou seja, o movimento produzido pela forçada palavra flui ao mundo através da leitura que dele fazemos. Isto quer dizer quede alguma maneira a leitura da palavra não é precedida somente pela leitura demundo que fazemos, mas também pela forma de escrevemos, reescrevemos etransformamos o mundo, por meio da nossa prática consciente.Em outra abordagem, Freire (2004:77-82) chama atenção para o ato do aprender aler para saber escrever. Em sua visão epistemológica, Freire admoesta que antesmesmo da leitura da palavra é possível o entendimento abrangente, reflexivo ecompreensivo das coisas ao nosso redor. Portanto é de fácil interpretação entenderque a leitura procede à escrita e que esta última só é possível mediante o uso dalinguagem falada, diante do ponto de vista de uma compreensão filosófica, globaldo ato de ler. A leitura da palavra escrita implica a oralidade. Esta por sua vezimplica as condições de letramento e a capacidade do aprender e transformar.Outros autores também escreveram a este respeito e faz bem que venhamos aquiexpressar tais pensamentos. De acordo com Lima (1994:144), as crianças que temacesso a bens culturais e que convivem em meios propícios ao desenvolvimentode seus potenciais estão mais aptas a se desenvolverem melhor na escola. Limaacrescenta que a vivência, o vocabulário, o acesso a bens culturais promovem epermitem às crianças e jovens da classe média a se beneficiarem das informaçõestransmitidas pela escola, ao passo que as crianças das camadas populares, pelaausência destes instrumentos, têm suas chances reduzidas a praticamentenenhuma possibilidade assimilativa.Para Senna (2009) o objeto mais consagrado para a compreensão e leituracontextualizada do mundo que cerca o leitor/aluno é o texto escrito. Senna não
  16. 16. 16despreza as experiências trazidas na bagagem de cada indivíduo, mas coloca aleitura escrita como ferramenta de extensão no processo do entendimento doconhecimento adquirido. Assim, segundo Senna, os tipos de textos produzidospelos alunos, refletem os mais variados traços culturais imbustidos na forma depensar de cada indivíduo, de maneira que uma disciplina não pode transferir para aoutra a responsabilidade de ensinar ao aluno a produzir ou ler textos. Portanto, deacordo com Senna a leitura escrita não se limita à decodificação de sinais: A leitura é um fenômeno mental, abrangente (...) os novos cidadãos que estão se formando precisam saber ler o que vêem; produzir e expressar- se no mundo audiovisual e virtual (...). Somente leitores críticos, capazes de transformar o que lêem em conceitos pessoas poderão ser considerados sujeitos alfabetizados. (SENA, 2009, p. 96).Não é de admirar que os novos leitores precisem mesmo saber ler o mundo virtual,pois as novas tecnologias estabelecidas em formas de onda trazem um mundototalmente quimérico embalado à era digital que se esconde a realidade de muitascrianças brasileiras que não tem acesso a estas ferramentas. Assim, a escolaprecisa ser a mediadora entre este e aqueles para garantir os objetivos quenorteiam a escola neste país. Dar o suporte necessário à aquisição dasferramentas digitais modernas se encaixa num modelo de escola que apesar deestar no papel, ainda está distante da realidade social das escolas públicasbrasileiras. Ser bom leitor implica em boas ferramentas de trabalho e instrução.Freire (2009) afirma que ler significa ser questionado pelo mundo e por se mesmo,acrescenta que certas respostas podem ser encontradas na escrita, mas que estassó podem ter significado e significância se podermos ter acesso a essa escrita, oque implica em construir uma resposta que integra parte das novas informações aoque já se é. Portanto, ler é uma opção inteligente, difícil, exigente, mas gratificante,diz Freire em sua carta aos professores. Ler é criar a compreensão do lido; daí aimportância do ensino correto da leitura e da escrita. Ensinar a ler significa engajar-se na experiência da compreensão e da comunicação; é entender a relação doobjeto em análise com o outro objeto, tanto no tempo como no espaço.
  17. 17. 17Para Freire (2009), não saber ler e escrever é uma conseqüência das condições deonde a pessoa vive. Ele afirma que o ato do conhecimento e o ato criador sãoprocessos que integram a alfabetização e que tem no alfabetizando o sujeito ativoda ação, embora haja casos em que não é necessário saber ler ou escrever.Contudo, simplesmente, é negado às minorias o direito de ler e escrever um mundoreal que possibilite uma leitura diferenciada das condicionantes imposta pelasclasses dominantes, conforme o fragmento abaixo: Este tipo de relação requer um profundo compromisso ético-político por parte dos educadores com o desenvolvimento pessoal e social das pessoas e com o amadurecimento das relações democráticas no interior da instituição escolar e desta com o seu entorno. Sabemos que ainda estamos longe deste tipo de relação, mas digo isto não para desanimá-los, mas para que sirva de incentivo e perseverança, pois é através dele que poderemos ressignificar a escola, a educação e o educador. (COSTA, 2000. P. 12).Para Costa, o compromisso da escola para com sua clientela é de sumaimportância, pois carrega consigo a legado do saber e dos processos demudanças, sem que tutele seus alunos. Portanto, a escola tem um compromissopolítico e não tutelar.Destarte, Freire (2006) enfatiza ainda que a leitura derivada da linguagem sejamais do que uma mera ferramenta escolar em algum tipo particular de tecnologiade escrita, é algo inerente e necessário ao trabalho do professor, de português,matemática ou de qualquer outra disciplina. Deste modo podemos dizer que oprocesso de alfabetização é um ato com o qual se reconhece os conhecimentosinerentes às bagagens possuídas pelo povo, bastando para isso apropriação dareflexão, embasada em um pensamento ligado ao contexto social e histórico dosujeito como objeto de curiosidade e do conhecimento do educando. É naapreensão desta totalidade o aprender surge das profundezas do ser para oâmago da reflexão e desta para a compreensão dos fatos da palavra e da escrita.Munido desta ferramenta, o profissional da educação poderá dizer, de fato, que éum alfabetizador e educador. Do contrário serão apenas meros reprodutores desistema. Senna (2009, p. 93) destaca a idéia da linguagem e sua abrangência eimportância na sociedade:
  18. 18. 18 Pela complexidade e pela diversidade dos problemas que levanta, a linguagem tem necessidade da analise da filosofia, da antropologia, da psicanálise, da sociologia, sem falar das diferentes disciplinas lingüísticas.Para que os alunos desenvolvam o gosto pela leitura, estes devem ser atrativos,bem ilustrados e estarem de acordo com a realidade do aluno. Deve-se tambémlevar em conta o nível intelectual, o gosto e os interesses do educando. De acordocom Barbosa (2006:36-38), a leitura informativa, juntamente com a leitura literáriaserve para aumentar o conhecimento, auxiliar na informação funcional, nascuriosidades e necessidades de orientação para a vida (livro, revistas, romances,leitura superficial). Para ele este tipo de leitura favorece o aluno ao passo quedesperta o hábito de ler. Contudo, a escola não pode abrir mão da leitura cognitiva,pois ela profunda o estudo científico. Mesmo nos tempos modernos o professornão deve abrir mão da leitura corretiva, pois esta serve para corrigir as falhas,apontar os erros ortográficos e preparar o aluno para o mundo competitivo que oespera lá fora, conforme Freire (2002:57), abaixo transcrito. Ninguém lê ou estuda automaticamente se não assume diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha.Para Freire (2006), o ambiente social e familiar atua também sobre as preferênciasliterárias do público infantil: o nível cultural, a profissão dos pais e o poder aquisitivotêm influência na atitude de crianças e jovens diante da literatura, através doscondicionamentos culturais. Além desses fatores, o sexo é outra variávelsignificativa no que diz respeito aos interesses de leitura. As preferências literáriasdos meninos estão voltadas para aventuras, viagens e explorações, enquanto asmeninas se interessam mais por histórias de amor, crianças, vida familiar, etc..Assim verifica-se que o professor precisa possuir, além das competênciasfundamentais para o exercício da profissão estar atento a todas estas questões degênero e cultura.
  19. 19. 19Neste sentido Senna (2009) sustenta que as mudanças estão acontecendo, masque são lentas e graduais. Sustenta que as mudanças perpassam pela valorizaçãoda diversidade cultural, dos aspectos sócio-históicos no ambiente escolar, dorespeito às trajetórias pessoais extraescolares. Ele acredita que a forma maisadequada de corrigir a questão do preconceito relacionado à capacidade mental doaluno marginalizado, seja a de uma educação inclusiva comprometida com averdade, com a tolerância e com a democracia, todos ancorados no projeto políticopedagógico da educação, dentro e for da escola. 2.3 FORMAÇÃO DE PROFESSORESNo Brasil, a partir de 1920, foram realizadas várias reformas de ensino quetrouxeram novos significados para a prática docente que perpassou pela formaçãodos professores como disseminadores do conhecimento científico com base noideário das políticas públicas. Essas reformas somadas à difusão dos meios decomunicação de massa, somadas à expansão do crescimento demográfico, a mádistribuição de renda, as necessidades de trabalho dentro das famílias e ascondições de trabalho dos professores, tem gerado mais frustração do queprodução e mais indignação do que qualquer outro resultado esperado, conformeRomanowski (2007:91). Isto porque as reformas não deram aos professores ascondições necessárias ao desenvolvimento do hábito de leitura e os rendimentosnecessários à formação de leitores críticos, tornando-os meros reprodutores deconteúdos e não aprendeu a refletir sua prática pedagógica.Destarte, Senna (2009) ressalta que os professores, enquanto formadores deopinião, se não estiverem ou não forem leitores efetivos do contexto históricosubjacente aos conteúdos que ensinam, não poderão, ou pelos menos, nãoestarão à altura de serem mediadores de leitura no ensino aprendizagem. ParaSenna este tipo de leitura se faz indispensável em todas as disciplinaspedagógicas, condição necessária à responsabilidade dos professores nacondução do processo de ensino-aprendizagem.
  20. 20. 20Um fato não pode ser negado: culturalmente falando o/as brasileiro/as não tem ohábito da leitura. Carência esta que prejudica toda uma estrutura em cadeia. ―Nãoposso ensinar, se não aprendeu a fazer‖, admoesta Senna. Estes e outros graus dedificuldades são enfrentados por professores e alunos e por aqueles quandotambém eram alunos. Recente pesquisa do MEC, realizada em 2010 comestudantes dos cursos de pedagogia de todo o Brasil, mostrou que apenas um acada dez pessoas no Brasil disse gostar de ler e que apenas um a cada cemdisseram ler pelo menos um livro por ano. Se levarmos em conta as estatísticas depaíses mais avançados como Canadá e China, a estatística do nosso país fica nopatamar da 16ª posição em hábitos de leitura. Nos EUA, por exemplo, são escritospelo menos quatro livros por dia, enquanto que no Brasil, esta mesma quantidade éproduzida em uma semana, ou seja, segundo dados do Ministério da Cultura/2008,são lançados no Brasil 0,9 livros por dia.Em outro estudo mais recente feito pela CBL/2012 (Câmara Brasileira do Livro),entre os mais de 189 milhões de brasileiros, há cerca de 26 milhões de leitoresativos que lêem pelo menos três livros por ano. Segundo o último estudo da CBL,cada brasileiro lê, em média, 1,8 livro/ano, diferente dos EUA (cinco livros percapita) ou da Europa (entre cinco a oito livros lidos por habitante). Para osespecialistas na qualidade de exemplares produzidos no Brasil, o índice de leiturano Brasil deverá aumentar em razão do significativo número de atividades do setor,como feiras, bienais e eventos nas universidades em todo o país.Este comportamento do hábito da não leitura afeta de forma cíclica direta todos oscidadãos e cidadãs brasileiras, uma vez que tal comportamento é cultural e geravícios negativos comportamentais para toda a sociedade, incluindo aí os pais,professores e alunos, bem como toda comunidade acadêmica. Desta forma, oprofessor tem na sua prática pedagógica, não só o desafio da luta contra seuspróprios vícios, mas também a luta árdua de vencer o medo da oralidade escrita efalada de seus educando. Assim, os professores precisam entender que ospensamentos estão vivos em cada um dos alunos e que a leitura é para provocarestes pensamentos e não para poupar o trabalho do aluno pensar. Talvez o grandedesgaste esteja na forma como os alunos são escutados. ―Os livros não ensinam
  21. 21. 21tudo...‖, diz Costa, (2000), por isto é preciso ensinar os alunos a pensarem paraque cada um possa escrever sua própria história.Tudo isto sem levar em conta as vantagens e desvantagens da profissão doeducador, haja vista muitos professores exercerem o ofício por falta deoportunidades, outras que venham acalhar o sustento material. SegundoRomanowsk (2007), o termo profissão refere-se ao hábito do trabalho diário, àocupação secular, os meios empregados por um indivíduo como forma de sustentoindividual e da família. Em consonância a esta descrição, o termoprofissionalização parte da premissa da subsistência, contudo não se restringe tãosomente a aquisição de materiais, mas como forma de conduta, como um modo devida adotado pelo/a cidadão/ã na garantia da autonomia profissional.Neste ínterim, bem diferente do que alguém possa imaginar, devemos saber queprofessor é profissão, mas educar é arte, é amor, é dedicação e abdicação. Quemnos diz isso é Cavalcanti (2009) quando relata em seus escritos experiências deprofessores que executam a profissão apenas como meio de sustento esubsistência. Na maioria das vezes nas cidades interioranas predomina asprofissões sexistas que separa homens e mulheres pelo peso da ocupação e danecessidade da mantença familiar, onde homens são incentivados para a lida docampo e as mulheres como domésticas e professoras.Ainda neste contexto, há uma vertente bem acentuada neste sentido quando oassunto é emprego. Neste caso Romanowski é bem clara quando diz que diante darecessão pelo qual o país passa na organização atual de trabalho, os trabalhadores―aceitam as condições desfavoráveis de trabalho para manter o emprego‖.(ROMANOWSKI, 2007:45). ―Os professores tem enfrentado a precariedade dotrabalho, somada aos baixos níveis salariais‖, acrescenta. O certo é que mesmo mediante tantas capacitações dos professores oferecidas através das redes de ensino público, a partir dos anos 90, ainda se atribui à figura do professor o sucesso e o insucesso dos programas educacionais, como nos mostra o fragmento abaixo:
  22. 22. 22 As políticas educacionais a partir dos anos de 1990 apontam para a expansão dos sistemas de ensino em países populosos e com altos níveis de desigualdades sociais. As políticas descentralizadas e a avaliação do desempenho da escola atribuem aos professores a responsabilidade pelo êxito ou insucesso dos programas governamentais. (...), os professores passam muitas vezes a ter que desempenhar o exercício de outras atividades além da docência. (...) o profissionalismo sustentado no desempenho técnico despolitiza o professor, produzindo a hemogeneização da prática docente. (...) A proletarização está associado à perda de controle pelo trabalhador (professor) do seu processo de trabalho. A profissionalização constitui condição de preservação e garantia de um estatuto profissional. (ROMANOWSKI, 2007, p. 40-43).Assim, o professor que é versado como um instrutor, pois sua prática pedagógicareduz-se aos muros da escola e porque não dizer da sala de aula. Quando ocorreto seria o contrário: não só o professor, mas um educador. O professoreducador transpõe esses limites trespassando os horizontes expansivos docotidiano que move a vida em seu contexto social. Podemos dizer que o professorque se politiza apenas como instrutor torna uma pessoa alienada, fato queprejudica não só aos alunos, mas também a si próprio, pois professa voto defidelidade às alianças cultuadoras das burocracias que tendem à domesticação e àsubjugação, uma vez que se torna uma pessoa sem estilo crítico, sem liderançaprópria, um mero reprodutor dos pensamentos alheios, O professor educadorconcebe a necessidade mínima de burocracia, sendo esta, mero instrumento quedeve estar a serviço dos direitos e liberdades fundamentais do ser humano.A tomada de consciência, juntamente com o desprendimento dos modelos arcaicosde educação e disciplina são dualidades das quais não mais se permite nacontemporaneidade, frente às rápidas mudanças dos novos tempos. Portanto faz-se urgente a retomada de posturas firmes no março decisório de uma nova épocaglobalizada, competitiva, rumo ao processo democrático. A liberdade não serestringe apenas às leis e decretos, mas a mudanças de comportamentos,conforme urge o alinhamento das linhas decisórias. O professor como um mediadordo conhecimento deve ser o primeiro a não se curvar diante do seu imperador.
  23. 23. 23 CAPÍTULO II3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOSEste trabalho é fruto de uma pesquisa com professores da escola Luciano Josedos Santos localizada no povoado de Ponta Baixa, município de Itiúba no Estadoda Bahia. Para se chegar ao resultado foi necessário percorrer um longo caminho;partimos de nossas reflexões como professores aguçados pela experiência, e,provocados por nossas leituras e reflexões na academia. Nesta pesquisa, oprocesso e seus significados são os focos principais da abordagem. Desta forma, apesquisa é exploratória. Para sua constituição foram entrevistados diretamente seisprofessores dos turnos matutino e vespertino das séries iniciais da citada escola,também foram analisadas referencias bibliográficas de autores que defende otema. 3.1 TIPOS DE PESQUISATrata-se de uma pesquisa de campo qualitativa com embasamento bibliográfico,numa abordagem exploratória e construção dialética. Em linhas gerais, a pesquisaqualitativa detecta a presença ou não de algum fenômeno, sem se importar comsua magnitude ou intensidade; segundo Neves, tal pesquisa: ―É denominada qualitativa em contraposição‖ à pesquisa quantitativa, em função da forma como os dados são tratados e da forma de apreensão da realidade, em que, no caso da pesquisa qualitativa, o mundo é conhecido por meio das experiências e do senso Comum. (Neves, 1996:1).Para Neves a pesquisa qualitativa detecta a causa de um problema que nosangustia dentro de uma comunidade, onde o mundo será conhecedor destaproblematização enquanto que a mesma não será capaz de apontar soluções doque foi questionado.
  24. 24. 24 3.2 CARACTERIZAÇÕES DA ÁREA DE ESTUDOA referida pesquisa foi realizada na Escola Luciano José dos Santos no Povoadode Ponta Baixa, que esta localizada a 24 km do município de Itiúba. Está situadano norte da Bahia na região sisaleira, fazendo parte do semiárido baiano, ficando acerca de 380 km de Salvador.O Povoado de Ponta Baixa conta hoje com uma população estimada em 659habitantes. Com costumes que ainda estão prevalecendo desde o surgimento dopovoado como festas de reis, candomblé, festas juninas e religiosas. A economialocal tem seu forte na pecuária e na fabricação de esteiras, por outro lado aindaprevalece o trabalho da construção de alvenarias.A escola conta hoje com 117 alunos, na faixa etária de 4 a 14 anos de idade, emsua maioria do sexo masculino. Devido aos dados estatísticos apontar para ummaior nascimento de crianças do sexo masculino é este grupo que estaprevalecendo em nossa localidade. O Educandário possui quatro salas da aula,uma cantina, dois banheiros, uma secretaria e um pátio de recreação, funcionandonos turnos matutinos e vespertinos, basicamente com o ensino fundamental I,tendo como educadores das séries iniciais, as professoras aqui entrevistadas.Os alunos freqüentemente evadem-se da escola por razões de acompanhar ospais na labuta diária, no sustento das famílias e ainda porque ficamdesestimulados; falta-lhes motivação. Por este motivo no IDEB de 2009 a escolaobteve a média de 2,8 ficando bem abaixo da média nacional. Motivo pelo qual aescola foi contemplada com o programa PDE para incentivar a melhoria doaprendizado dos alunos. Ainda assim, a escola conta com um número muito alto derepetência e evasão escolar.A Escola Luciano José dos Santos foi e sempre será de grande importância para odesenvolvimento intelectual do ser humano desta comunidade, pois sem acesso aomesmo não se pode acompanhar as mudanças que estão acontecendo a nívelglobal e que trazem consigo toda uma questão de modernidade.
  25. 25. 25 3.3 SUJEITOS DA PESQUISAA referida pesquisa contou com seis professores pesquisados da escola já citadaacima, todas do sexo feminino; a maioria trabalha 40 horas, e sua formaçãoacadêmica é pedagogia favorecendo que tenham uma visão crítica sobre odesenvolvimento da leitura e escrita. Já que o sistema exige formação empedagogia para que os mesmos desenvolvam um trabalho voltado para oentendimento da criança, pois é no inicio da alfabetização que a mesma requeruma maior atenção no mundo em que começa a defrontar em seu dia-a-diaescolar.Os professores pesquisados já estão a muitos anos desenvolvendo o papel deeducador em uma comunidade onde as dificuldades estão sempre presentes,tornando-se, assim, um grande desafio para os docentes. Em seu trabalho que éde grande importância para a nossa comunidade e porque não o nosso país? Asdificuldades são grandes, mas estamos sempre as desafiando. 3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOSOs instrumentos usados nesta pesquisa foram de fundamental importância para odesenvolvimento deste trabalho que visa mostrar as concepções sobre leitura eescrita sob os olhares dos professores da Escola Luciano José dos Santos, quecontou com a coleta de dados através de questionário com questões em suamaioria fechada para uma melhor reflexão da pesquisa.Para preservar o anonimato dos sujeitos foram criadas siglas para preservar aintegridade absoluta de cada um que serão identificados no decorrer das análisespor siglas: S1, S2, S3, S4, S5, S6.A pesquisa contou com uma ficha diagnóstica (questionário), com onze questõessendo nove questões fechadas (multiescolha) e duas questões abertas(dissertativas).
  26. 26. 26 O Questionário, numa pesquisa, é um instrumento ou programa de coleta de dados. Se sua confecção é feita pelo pesquisador, seu preenchimento é realizado pelo informante. A linguagem utilizada no questionário deve ser simples e direta para que o respondente compreenda com clareza o que está sendo perguntado. Não é recomendado o uso de gírias, a não ser que se faça necessário por necessidade de características de linguagem do grupo (grupo de surfista, por exemplo). Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num universo reduzido, para que se possam corrigir eventuais erros de formulação. (Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT; 2005).Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, o questionário éuma forma de coletar dados dos entrevistados e deve ser feito com clareza, comlinguagem simples e formal, proporcionando ao entrevistado a compreensão dosfatos descritos no mesmo.Também fez parte deste trabalho o processo da observação, frente aos sujeitos.Foram documentados os registros escritos dos professores, e nos comprometemosa manter os dados em sigilo, utilizando as informações apenas no nosso trabalhoacadêmico.Por fim, esta investigação trilhou os caminhos das literaturas consultadasperpetuando uma parte às falas dos entrevistados, fazendo o retrato do objeto deestudo através dos indicadores abordados no campo deste texto, ou seja, fazendouma análise do perfil escolar desta região. Optou-se por ter os instrumentos depesquisa de campo como fio condutor à temática para mostrar as possibilidades deabertura, mudanças e transformação mediante a intervenção dos profissionais daEducação e o sistema educacional.
  27. 27. 27 CAPÍTULO III4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOSO Presente trabalho foi tabulado e analisado a partir do referencial consultado econduzido por meio de observações sem perder de vista os dados coletados.Abordaremos a seguir o corpo docente da pesquisa dentro de um contexto em queos mesmos serão representados através de porcentagem. Dos professorespesquisados todos pertencem ao quadro de funcionários da Prefeitura Municipal deItiúba – BA, sendo os mesmos concursados e efetivos com exceção do sujeito S4,que está no quadro através de portaria. Sendo assim os professores pesquisados50% representa a formação em magistério, enquanto que os outros 50% dospesquisados tem graduação em pedagogia. Os mesmos atuam no quadro doEnsino Fundamental I da Escola Luciano José dos Santos.O quadro de professores da instituição citada acima não é diferente das demaislocalidades do nosso país. As mulheres ainda são maioria, tendo em vista omercado de trabalho não dar muita oportunidade para as mesmas, só restandoassim a educação, que não opina pela sexualidade masculina deixando a entenderque a escola não é lugar para homem, seguindo assim os passos de nossaantiguidade.O quadro de professores da Escola Luciano José dos Santos nos mostra umaestatística como em quase todas as profissões, que para complementar sua rendatem que exercer uma atividade paralela, isto acontece com 50% dos docentes danossa escola. A outra metade não tem outra atividade, talvez por não possuíremtempo disponível, ou, se sentem satisfeitos com o que estão ganhando com suaprofissão.Nós, professores, vivemos em um país que não valoriza o professor, sendo quedeveria ser uma das profissões mais bem pagas, porque é através do professor
  28. 28. 28que o sujeito desenvolve seu conhecimento intelectual e profissional, seja emqualquer área socioeconômica, cultural, educacional ou outras existentes noplaneta.A pesquisa nos fez refletir sobre os dados tratados a luz de teorias elencadas apartir de nossas observações e serão apresentados a seguir: Questão 01: Em sua opinião leitura é: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.Dos professores pesquisados 66.6% responderam que ler é fazer uma leituracontextualizada, a partir do texto explorado, demonstrando um amploconhecimento a respeito do processo de leitura, em contrapartida 33.3% ainda temuma visão limitada sobre o ato de ler e não souberam responder a questão.De acordo com Freire: Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade, a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. (FREIRE, 1993).
  29. 29. 29Como evidencia o autor, o ato de ler exige curiosidade, dedicação para que oobjetivo do conhecimento seja alcançado e que ninguém leia somente por ler. Aleitura é um aprendizado do mundo exterior para o mundo próprio do leitor, ondeeste e somente este pode entender e deduzir seus pensamentos. Questão 02: Em sua opinião escrita é: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012. Dos professores pesquisados 66.6% responderam que escrita é quando oaluno reescreve no papel seu entendimento sobre o que ouviu e viu, percebemosque esses professores só acreditam que os alunos estão capacitados na escritaquando eles escrevem o que ouvem e que vêem, enquanto que 16.6% acreditamque os alunos na pré-Silábica já estão desenvolvendo à escrita, 16.6% entendemque a escrita é quando o aluno desenvolve textos com coerência, voltado para arealidade em que o mesmo convive de acordo com a citação a seguir. A escrita é uma representação da linguagem. No entanto, a escrita não Representa todos os aspectos da linguagem. De fato, a humanidade tem criado e utilizado deferentes sistemas de escritas, os quais representam aspectos diferentes da estrutura da linguagem . (Revista Pátio nº 29, fev.-abril/2011:14). De acordo com o mencionado acima a escrita representa a linguagem, masa humanidade a utiliza de vários aspectos diferentes. Ou seja, não só se escreve
  30. 30. 30através de letra, mas de outras formas como: gráficos, desenhos e outros, comouma representação do pensamento daquilo que se vê, observa e lê. Daí aimportância da leitura dos sinais, na resignificação gráfica, nas séries iniciais. Questão 03: O que leva as crianças a demorarem de aprender a ler eescrever: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012. Dos professores pesquisados 33.3% entendem que a não participação ativada família é uma das causas que levam os alunos a um lento aprendizado. Deoutra forma 66.6% acreditam que a não acessibilidade a materiais pedagógicosadequados e a falta de uma boa estrutura física escolar influenciam diretamente naleitura e escrita desses educandos. Demonstrando uma coerente visão destessujeitos que entendem que é preciso mudanças no contexto educacional paramelhoria do processo ensino – aprendizagem dos alunos da escola pública.
  31. 31. 31Questão 04: Quais as dificuldades encontradas no início da alfabetização dosalunos, com relação à leitura e a escrita: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.As dificuldades encontradas no início da alfabetização dos alunos, com relação àleitura e a escrita. Na visão de 16.6% dos professores a falta de motivação dosalunos contribui para a dificuldade na alfabetização, de outra forma 83.3%acreditam que o não acompanhamento dos pais com freqüência e a falta depreparo do professor é o ponto chave para o aluno enfrentar dificuldades no iniciode sua alfabetização. Aqui fica clara a necessidade da participação dos pais noprocesso de ensino – aprendizagem; por outro lado é importante salientar que ospais nem sempre tem informação e formação voltados para a prática da leitura eescrita, o que dificulta o processo.De acordo com a revista Nova Escola, (2003:14), na maioria das vezes a falta demotivação é causada por características pessoais do aluno e contexto da escola: Omedo do fracasso e a forma de orientá-lo; a falta de clareza sobre os objetivos daaprendizagem; e a não satisfação das expectativas. Se junta a isto a influência dospais e colegas, as experiências pessoais, o ambiente escolar, a interação com oprofessor e a avaliação.
  32. 32. 32 Questão 05: Quando se refere á questão, como você trabalha a escritana sala de aula: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.Os professores questionados foram unânimes em suas respostas, ou seja, 100%deixaram a entender que a produção de texto e a prática da leitura é o caminhopara esses educandos desenvolverem a escrita e leitura em sua trajetória doconhecimento, para que os mesmos venham conviver no meio social semnenhuma descriminação. No entanto é importante que estes professores sejamtambém leitores e produtores de textos, que não fiquem apenas no nível dodiscurso. Questão 06: Você usa o ABC para alfabetizar?
  33. 33. 33 Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012. 83.3% dos questionados responderam que não. Já 16.6% responderam quesim. Pelo que entendemos os professores já estão mudando a sua metodologia deensinar, enquanto outros ainda mantêm a tradicional no nosso sistemaeducacional. Isto deixa claro que novas escolas já têm novos materiais didáticosque distancia dos tradicionais. Ainda assim, as mudanças são tímidas quanto ao uso das ferramentasdisponíveis no disposto na nova Lei de Diretrizes e Bases - LDB de nº 9394/96 queprevê carga horária mínima de oitocentas horas e duzentos dias letivos naeducação básica com partes diversificadas em função das peculiaridades locais,mais os orçamentos previstos pelo Estado, União e Municípios.Questão 07: Quanto ao material didático para alfabetizar:Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.No questionamento em relação ao material didático foi destacada a seguintepergunta: Quanto ao material didático para alfabetizar? Todas foram unânimes naresposta, ou seja, 100% disseram que selecionam textos, constroem fichas,decoram a sala com palavras textos e etc. O que deixa a entender que o materialdidático é uma criatividade do professor, não está mais restrito ao livro didático.
  34. 34. 34 Questão 08: Como você trabalha leitura e escrita na sala de aula: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.Na pergunta como você trabalha leitura e escrita na sala de aula? 66.6% dosquestionados informaram que trabalham a partir do livro, textos e de exposição defichas, 16.6% responderam que usam textos diversos e 16.6% utilizam gravuras,vídeos, textos, embalagem e etc.Nestas respostas pudemos perceber que os questionados estão desenvolvendonovo método, envolvendo a criatividade com textos diversificados para melhorar odesenvolvimento do aluno. O aluno precisa ler para pensar seus própriospensamentos, contudo o livro didático não é a única ferramenta. Outrasferramentas de leitura são de suma importância no processo de ensinoaprendizagem. A leitura sempre deve contribuir para o desenvolvimento dainteligência, sendo assim, sua grande utilidade está quando se torna o ponto departida para pensamentos próprios e nunca o ponto de chegada para regrasdecorativas e produção de erudição. Esta última aumenta os arquivos da memória,mas não desenvolve a inteligência. Somente mediante a leitura correta teremospensadores críticos capazes de interpretar o mudo ao seu redor, conforme Costa(2000:5) nos admoesta ao dizer ―quando lemos outra pessoa pensa por nós: sórepetimos o seu processo mental...‖.
  35. 35. 35 Questão 09: O que mudou da alfabetização antiga para a atual: Fonte: Questionário aplicado aos professores da Escola Luciano José dos Santos; 2012.Quando se refere à questão o que mudou da sua alfabetização para aalfabetização de hoje, 83,3% afirmam que a metodologia mudou, mas o discurso ea prática continuam focados no tradicional. E 16.6% acreditam que a convivênciaentre professor e aluno mudou, não tendo mais aquele respeito que existia notradicionalismo. Questão aberta 01:Qual sua opinião a respeito do livro didático? Os professores fizeram os seguintesrelatos:S1 afirma que o livro didático é indispensável e também muito importante para oaprendizado do aluno.S2 diz que o livro didático deve ser um dos suportes utilizados pelo professor, masnão deve ser sua única ferramenta.S3 revela que são inadequados.S4 aponta que o livro didático está vindo muito vazio, ou seja, não está como osanteriores.
  36. 36. 36S5 descreve que o livro didático não é a única ferramenta a ser usada peloprofessor, deve se procurar outros tipos de suportes para trabalhar.E por fim S6 descreve que o livro didático é um suporte que o professor podeutilizar no trabalho, mas deve transformar sua forma de aplicar os textos.Pudemos observar ao longo desta descrição que alguns professores já têm umanova visão sobre o livro didático onde o mesmo ainda faz parte do seu convívioescolar, mas precisando de adaptação para melhor produção; já outro revelou queos livros são inadequados, não possuem conhecimentos dos assuntos das novasmetodologias que estamos vivenciando, ou, não deu importância à pergunta. Questão aberta 02:Em sua visão profissional as capacitações são suficientes para o trabalho com aleitura e a escrita na sala de aula?S1 respondeu não: porque são muito raras e não recebemos um preparo que nosreforce.Já S2 expressou a seguinte resposta: não, as capacitações são de sumaimportância para o trabalho do professor, mas na sala de aula muitas vezes oprofessor encontra situações inesperadas; é preciso inovar seus conhecimentospara saber lidar com elas.Já S3 determinou sim, mas disse que “infelizmente o material de apoio pedagógicoé insuficiente e inadequado”.Com relação a S4 ele disse que não, porque a maioria é capacitada no grau, masnão tem amor ao trabalho que faz.S5 refletiu como resposta não, porque na sala de aula o professor encontra muitasrealidades diferentes e difíceis, por isso o professor precisa ir à busca de novosmétodos.
  37. 37. 37S6 destacou a seguinte ideia, as capacitações são importantes no trabalho doprofessor; esse trabalho precisa ser praticado de acordo com a realidade em quese encontra a turma.Os professores revelam em suas falas a necessidade de mais capacitações quevenham enriquecer e melhorar suas práticas pedagógicas. Sabe-se que avanço naeducação só acontecerá se houver mais investimento na área dos profissionais deeducação, mais especificamente, os professores.
  38. 38. 385. REFLEXÕES SOBRE O RESULTADO DA PESQUISA A pesquisa desenvolvida na Escola Luciano José dos Santos, apontouresultados que serão de suma importância para a comunidade escolar destalocalidade. A mesma não aponta soluções para resolver a problemática do corpodocente da referida escola, mas aponta onde e como os professores devem focarseus olhares e ações. Por outro lado a pesquisa detectou algo que está semprepresente no corpo docente de nossa comunidade, da região e do Brasil. Pudemosperceber nos questionamentos da pesquisa os professores questionados já estãoconscientes da nova metodologia que o sistema hoje requer para uma boaalfabetização dos discentes, para que os mesmos não fiquem desatualizados dacontextualização que está implantada no sistema educacional.O discurso apontado nos questionamentos revelou que ele ainda não é colocadoem prática, havendo assim uma contradição na metodologia do inovador e nametodologia antiga, e que os mesmos ainda estão vivenciando o tradicionalismoporque estão no momento de transição do método tradicional para uma nova formade trabalhar.As análises e interpretações desta pesquisa servem para nos orientar e elaborarsoluções que possam intervir no processo de aprendizagem. Os pontosrelacionados às dificuldades dos alunos no processo de leitura e escrita abordadosnesta pesquisa pelos professores entrevistados foram: a não participação dafamília na escola; a falta de acessibilidade dos alunos a materiais gráficos emultimídia e a falta de estrutura escolar, tanto física, quanto sistemática.Ora, de acordo com Sena (2000), as crianças que tem acesso a bens culturais eque convivem em meios propícios ao desenvolvimento de seus potenciais estãomais aptas a se desenvolverem melhor na escola. Neste caso a resposta dasentrevistadas faz um aporte ao pensamento de Soares (2006) quando esta diz quea vivência dos alunos, o vocabulário e o acesso a bens culturais promovem epermitem às crianças e jovens da classe média a se beneficiarem das informaçõestransmitidas pela escola; ao passo que as crianças das camadas populares, pelaausência destes instrumentos, têm suas chances reduzidas a praticamentenenhuma possibilidade assimilativa. Para Costa (2000), as aulas precisam ser
  39. 39. 39dinâmicas, mesmo quando se usa materiais diversos como filmes e etc., pois cadaum aprende de um jeito. Assim a continuação desta pesquisa será de sumaimportância para a avaliação nos processos de mudança, a partir desta.Quanto à questão estrutural da escola podemos dizer que de acordo com osautores abordados no corpo do trabalho, diversos fatores podem intervir naaprendizagem: números de alunos, diferença de faixa etária e composição daturma podem sim comprometer a aprendizagem. Embora esta ou aquela situaçãoexerça uma influência diferenciada conforme a disciplina. Turmas grandes e pordemais heterogêneas exigem mais trabalho do docente e acabam não auxiliando aaprendizagem se não for levada em conta esta diversidade. Turma grande poderáser, até mesmo de vinte alunos, dependendo da atividade que se pretendedesenvolver e dos objetivos que se pretende alcançar. Local e horário em que seráministrada a disciplina também exercem influencia no desenvolvimento daaprendizagem. Portanto, condições mínimas podem ser indispensáveis para adesenvoltura de um trabalho eficiente.Desta forma, toda a estrutura escolar é importante e deve estar atenta aosinstrumentos que oferecem ao alunado. As mudanças não devem ser apenastécnicas, mas também políticas. Para que a avaliação sirva à aprendizagem éessencial conhecer cada aluno e suas necessidades. O aluno deve ser envolvidona própria avaliação. Nisto o importante não é identificar problemas deaprendizagem, mas necessidades. Contudo, no contexto desta pesquisa, talvez oque esteja causando a desmotivação do alunado seja mesmo a falta de materialadequado.Quanto à participação das famílias na escola podemos enfatizar que de acordocom Freire (2004), a participação ativa da família nas escolas influênciadiretamente na desenvoltura da leitura de mundo a ser desenvolvida pelascrianças. Daí que a escola precisa repensar sua prática pedagógica junto com asfamílias. O ser humano é um ser de reações. Somos cotidianamente convocadospara encontros, para convivências humanas. Desta forma acreditamos quecrianças e adolescentes aprendem mais com o curso dos acontecimentos, com aspráticas experimentadas e com a incorporação de valores incutida na crença dos
  40. 40. 40pais, daí a importância da presença da família na escola. As práticas e vivências nodia-a-dia das escolas e das comunidades são exercícios que colocam oseducandos diante de si mesmos e do mundo, diante do desafio de valorizar a vida.Segundo Costa (2000), a solução está numa relação democrática e participativaentre escola e família, sem que haja subordinação de uma e imposição da outra.Ele diz que comunidade envolvida é escola protegida e que escola ideal é aquelaque todos aprendem.
  41. 41. 41 6. CONSIDERAÇÕES FINAISA pesquisa aqui apresentada teve por intuito responder a questão norteadora dotema abordado, o qual se apresenta sobre a visão dos professores entrevistados acerca da importância da leitura e da escrita na construção da identidade eautonomia do aluno. O percurso transcorrido durante a elaboração destamonografia, embora curto, foi suficiente para que pudéssemos desenvolver umolhar crítico, diferenciado a respeito da nossa clientela escolar discente e destapara com a comunidade escolar docente. Por meio dos estudos percebemos que,as características e particularidades trazidas pelos indivíduos marcam a trajetóriado conhecimento e conseqüentemente do desenvolvimento do educando. Asincansáveis horas de pesquisa bibliográfica nos forneceram dados preciosos paraque pudéssemos avaliar com êxito nossas ações, nossas práticas pedagógicas,enquanto educadores e desta forma identificar problemas e construir propostaseducacionais compatíveis com a realidade de nossos educandos. Esta é nossapretensão.Participar do processo educativo implica na proximidade do professor para com oaluno, amola em ouvir e expor a opinião do estudante. Trata-se de uma açãoreflexivo-participativa, construída com base nos saberes e conhecimentos trazidospelos educandos, de forma que a bagagem trazida pelo aluno seja o fio condutordo processo ensino-aprendizagem. Portanto a arte de educar é um procedimentode ações contínuas, gradativas, construída coletivamente, resguardada asparticularidades dos sujeitos envolvidos.Através das leituras, também observamos que a relação leitura e escrita é defundamental importância na construção da identidade e autonomia das pessoas. Apartir do momento em que o aluno aprende ler e escrever ele passa a fazer umaleitura própria do mundo que o cerca de forma mais segura e elucidativa. O bomleitor desenvolve também um olhar apurado sobre suas expectativas e medos. Oaluno sente-se mais seguro e mais preparado para enfrentar os novos desafios,frente ao desvincular-se da dupla proteção oferecida, ora pelos pais, ora pela
  42. 42. 42escola. O leitor assíduo, quando munido das ferramentas necessárias às suasaventuras, adquire total confiança em si mesmo.A pesquisa realizada mostrou que a leitura e escrita sob os olhares dos professoresda escola Luciano José dos Santos é essencial para o desenvolvimento dosindivíduos independente da sua formação. Na opinião dos entrevistados talconvivência é fundamental para que a criança seja inserida no meio social e afetivosem problemas de relacionamento disciplinar e intelectual. É no meio escolar queos indivíduos tem seus contatos iniciais com os tipos de linguagens, hábitos ecostumes; fatores essenciais na formação autônoma dos sujeitos.Não vamos aqui negar as dificuldades encontradas na elaboração destedocumento, pois não foram poucos: desde a falta de conhecimento das normastécnicas até as discussões em grupo, mas salientamos que tudo valeu apena apóstermos encontrado o caminho. Pois, sabemos que a escola estar longe de ser aidealizada, mas estamos convictos de que as mudanças nascem de um estímulo,de um desejo, de uma motivação; e que estes podem ser adquiridos aqui mesmo,neste espaço, através dos estudos, das capacitações mais intensificadas, dalogística escolar mais detalhada, dos orçamentos mais bem distribuídos, dossalários mais justos, da assiduidade dos educadores, da responsabilidade dos pais,da supervisão da direção escolar, do respeito do sistema educacional aos direitosdo educando, da convicção de quem diz e da responsabilidade de quem faz.Assim sendo, entendemos que é primordial a participação diária e a pontualidadedos professores na sala de aula, na interação direta com a direção e pais dosalunos, na busca de informação e na troca de conhecimentos com outros colegasde profissão. A relação comunidade escolar versus sociedade é uma lacunacrescente, linear que tem gerado conflitos dentro e fora da escola. Talcomportamento desencadeia no meio social uma problemática que não pode sersuperada, senão pela interação do tripé escolar: professores, pais e alunos. Aausência dos pais na escola, somada ao descompromisso de muitos professoresdesvirtuam o ambiente de ensino que protagoniza a referência maior da educação,conforme foi demonstrado no corpo desta pesquisa. Sendo esta a principal queixados professores na lentidão do aprendizado dos alunos.
  43. 43. 43Assim, é preciso que as escolas juntamente com os pais dos alunos desenvolvamuma relação de parceria e compromisso em forma de rede, a fim de superar asdificuldades e lacunas existentes no processo educacional. A escola não pode fugirda sua função de agente transformador. Seu papel social e seu padrão tradicionalde organização, ainda é certamente o local onde são desenvolvidos os primeiroscontatos da criança com o mundo que o cerca, com os valores éticos, com acrença de um lugar seguro, onde se obtém apoio e carinho. Portanto o professornão pode, simplesmente, fingir que ensina e deixar o aluno ficar refém de umsistema prevaricador. Como disse o poeta: ―quem não inclui, exclui!‖. A inserção éum grande desafio, mas é possível!
  44. 44. 44 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASCAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Linguística. São Paulo: Scipione, 2009(Coleção Pensamento e Ação na sala de aula)CAVALCANTI, Petrônio. Paulo Freire: saberes e dizeres de um professor feliz.Recife: Ed. do autor, 2009.COSTA, Antonio Carlos Gomes da. Educador: novo milênio, novo perfil?Paulus: São Paulo, 2000BARRETO, Vera. Paulo Freire para educadores. São Paulo: Arte & Ciência,2004.FREIRE, Paulo; Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar. EditoraOlho DÁgua, 10ª ed., p. 27-38.FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que secompletam/Paulo FREIRE. 5º Ed. São Paulo: Cortez, 2009._____________. Conscientização: Teoria e prática da libertação: uma introduçãoao pensamento de Paulo Freire. V cd. São Paulo : Ed. Centauro, 2006.______________. A importância do ato de ler: em três artigos que secompletam. (Coleção Polemicas do Nosso Tempo, Vol. IV) 2V cd. São Paulo:Autores Asso-ciados: Ed. Cortez, 1989.______________. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2’ ed, 11ª reimp. —Belo Horizonte: Autêntica, 2006.ROMANOWSKI, Joana Paulin. Formação e profissionalização docente. 3ª ed.rev. e atual. Curitiba: Ibpex, 2007.SENNA, Luiz Antonio Gomes. Letramento: Princípios e Processos. Ibpx:Curitiba,2009.
  45. 45. 45ALVES, RUBEM. Conversas com quem gosta de ensinar. São Paulo: Cortez,1983.BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana.Petrópolis: Vozes, 1997.BOURDIEU, Pierre &PASSERON, J. C. A reprodução: elementos para uma teoriado sistema de ensino. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.BRANDAO, Carlos Rodrigues. O que é Educação? São Paulo: Brasiliense, 30 ed,1994 (Coleção Primeiros Passos).CUNHA, L. A. Educação e desenvolvimento Social no Brasil. Rio de Janeiro:Francisco Alves, 1975.KREMER, Sonia. Guia prático da nova ortografia. Rio: PUC,2011.GUILLEN, Isabel. 500 nos: um novo mundo na TV. Brasília: Secretara deeducação à Distância, 3003.REVISTA PRESENÇA PEDAGÓGICA. A leitura escrita como experiência – seupapel na formação de sujeitos sociais. Jan./fev. 2000, v. 6, n°. 31.REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, ano XII – n. 118 – dezembro, 1998.REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, outubro/1999.REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, ano XVIII – n. 159 – jan./fev./2003.REVISTA NOVA ESCOLA. São Paulo: Abril, ano XIX – n. 173 – jun./jul./2004.ROMANELLI, Otaiza o. História de educação no Brasil: 1930-1973. Petrópolis:Vozes, 1978.SAVIANI, Derneval. Educação Brasileira: estrutura e sistema. São Paulo: Saraiva,1983.SAVIANI, Derneval. Escola e Democracia. São Paulo: Cortez, 1984.SAVIANI, Derneval. A Nova Lei da educação. Campinas: Autores Associados,1987.ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 1472: Trabalhosacadêmicos. 2ª ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2005.
  46. 46. 46ANEXOS
  47. 47. 47 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII SENHOR DO BONFIM PROGRAMA REDE UNEB 2000 ITIÚBA – BA COMPONENTE CURRICULAR: PEDAGOGIA ALUNOS: AELSON, ARLETE, CECIA E ROZELIEntrevista sobre Leitura e Escrita sob os olhares dos professores da Escola Luciano José dos Santos do Povoado Ponta Baixa ITIÚBA 2012
  48. 48. 48 QUESTÕES1. Em sua opinião Leitura é: a) ( ) Ler e interpretar o que está escrito no texto; b) ( ) Decodificar as palavras existentes no texto; c) ( ) Ler é fazer uma leitura contextualizada a partir do texto explorado.2. Em sua opinião Escrita é: a) ( ) Quando a criança está na pré-silábica até sua total alfabetização; b) ( ) Habilidade de escrever textos coerentes; c) ( ) É quando o aluno reescreve no papel seu entendimento sobre o que ouviu e viu; d) ( ) É um simples rabisco numa folha de papel.3. Em sua opinião o que leva as crianças a demorarem de aprender a ler e escrever? a) ( ) A não participação ativa das famílias; b) ( ) As aulas que não são atrativas; c) ( ) A metodologia usada pelo professor; d) ( ) A falta de acesso a revistas, livros, e outros atrativos a leitura.4. Quais as dificuldades encontradas no inicio da alfabetização dos seus alunos, com relação à leitura e escrita: a) ( ) A falta de motivação dos alunos; b) ( ) Os alunos que só fazem decorar as palavras e textos; c) ( ) A falta de materiais adequados para o trabalho de alfabetizar; d) ( ) O não acompanhamento dos pais no dia a dia escolar e falta de preparo do professor.5. Como você trabalha a Escrita na sala de aula? a) ( ) Produção de textos coletivos; b) ( ) Fazendo a reescrita de seus textos; c) ( ) Incentivando os alunos a prática da leitura e produção de textos.
  49. 49. 49 6. Você usa o ABC para alfabetizar: ( ) Sim ( ) Não 7. Quanto o material didático para alfabetizar: a) ( ) Isso é papel do coordenador. Ele deve deixar tudo pronto para minha prática docente; b) ( ) Seleciono textos, construo fichas, decoro à sala com palavras e etc; c) ( ) Prefiro usar somente o livro didático. 8. Como você trabalha Leitura e Escrita na sala de aula: a) ( ) A partir do livro, textos e de exposições de fichas (palavras); b) ( ) Textos diversos; c) ( ) Gravuras, vídeos, textos, embalagens e etc.; d) ( ) Sigo o texto do livro. 9. O que mudou da sua alfabetização para a alfabetização de hoje. a) ( ) A metodologia aplicada pelo professor; b) ( ) A forma de convivência entre professor e aluno; c) ( ) A parceria entre a escola e a comunidade; d) ( ) Vejo que não mudou nada.Questão aberta 1º: Qual sua opinião a respeito do livro didático?Questão aberta 2º: Em sua visão profissional as capacitações são suficientespara o trabalho com a leitura e escrita na sala de aula? Justifique suaresposta.

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