Monografia Célia Pedagogia 2010

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Pedagogia 2010

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Monografia Célia Pedagogia 2010

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII - SENHOR DO BONFIM – BA PEDAGOGIA: DOCÊNCIA E GESTÃO NOS PROCESSOS EDUCATIVOS AVALIAÇÃO ESCOLAR: EM BUSCA DA COMPREENSÃO QUE OS PROFESSORES, PAIS E ALUNOS DO COLÉGIOCENECISTA PROFESSORA ISABEL DE QUEIROZ TÊM DA AVALIAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL I.CÉLIA CONCEIÇÃO DE ARAÚJO CEDRAZ DOS SANTOS SENHOR DO BONFIM - BA 2010
  2. 2. 2CELIA CONCEIÇÃO DE ARAUJO CEDRAZ DOS SANTOS AVALIAÇÃO ESCOLAR: EM BUSCA DA COMPREENSÃO QUE OS PROFESSORES, PAIS E ALUNOS DO COLÉGIOCENECISTA PROFESSORA ISABEL DE QUEIROZ TÊM DA AVALIAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL I. Trabalho Monográfico apresentado à Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação, Campus VII como pré-requisito para a conclusão do Curso de Pedagogia: Docência e Gestão dos Processos Educativos. Orientadora: Profª. Esp. Sandra Fabiana Almeida Franco . SENHOR DO BONFIM - BA 2010
  3. 3. 3 CÉLIA CONCEIÇÃO DE ARAUJO CEDRAZ DOS SANTOS AVALIAÇÃO ESCOLAR: EM BUSCA DA COMPREENSÃO QUE OS PROFESSORES, PAIS E ALUNOS DO COLÉGIO CENECISTA PROFESSORA ISABEL DE QUEIROZ TÊM DA AVALIAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL I. Aprovada em 08/09/2010 BANCA EXAMINADORARicardo José Amorim Beatriz BarrosProf. (a) Avaliador (a) Prof. (a) Avaliador (a) Sandra Fabiana Almeida Franco Prof. (a) Orientador (a)
  4. 4. 4Dedico este trabalho aos meus filhos, Gabriel eElize, duas bênçãos enviadas por Deus.Ao meu eterno e amado esposo Fabiano quesempre esteve ao meu lado, otimizando meusmomentos turbulentos. Para sempre te amo,meu amor.
  5. 5. 5 AGRADECIMENTOS A Deus, que me deu a sabedoria, serenidade e persistência, pois jamaisduvidei de sua presença ao meu lado e também no desempenho de minhaprofissão. A meu pai que construiu uma história de amor e a meus irmãos que são aminha fortaleza. Palavras de agradecimentos não poderão faltar para alguém muito especial,que mesmo não estando presente em minha vida, jamais deixarei de falar: a vocêminha mãe, que partiu muito cedo para o lar Celestial, sem poder contemplar maisessa conquista, que seria um orgulho seu... Mas que está presente para sempre emmim. Ao receber meu diploma mãe, sentirei sua presença, teu abraço carinhosocheio de orgulho e tuas mãos suaves tocarem meu rosto e os meus cabelos. Emsilêncio te abraçarei e deixarei a emoção fluir, com muitas saudades tuas. A tuamemória sempre reinará em mim e tudo o que me ensinou será sempre base do quesou hoje. (Lágrimas de saudades correm em meu rosto.) A professora Sandra Fabiana Almeida, pela satisfação que me concedeu aoaceitar orientar e concretizar este trabalho ao qual se reflete suas reconhecidasqualidades, enquanto docente. Do mesmo modo, são devidos agradecimentos aos mestres-professores quecontribuíram ao longo do curso para o enriquecimento dos meus conhecimentos. Quero também manifestar um sentimento de agradecimento aos meusamigos de turma, a Jaedson e as incansáveis e solidárias amigas: Francieli, Mayara,Virgínia e em especial a Maísa, pelo companheirismo constante em minha jornada.
  6. 6. 6“A principal meta da educação é criar homens que sejamcapazes de fazer coisas novas, não simplesmente repetiro que outras gerações já fizeram. Homens que sejamcriadores, inventores, descobridores. A segunda meta daeducação é formar mentes que estejam em condições decriticar, verificar e não aceitar tudo que a elas se propõe.” Jean Piaget
  7. 7. 7 RESUMOO presente estudo monográfico objetivou identificar as compreensões que osprofessores, pais e alunos do Colégio Cenecista Professora Isabel de Queiroz têmda avaliação escolar no Ensino Fundamental I. Dentro deste contexto buscamosalguns teóricos como: Brandão (2001), Klein (1995), Valente (2001), Luckesi (1998),Hoffaman (1998) Piaget (1978), Nérici (1977), Forquin (1993), Ferreira (2001),Vygotsky (1994), Chauí, (1997), Wallon (1995), Trivinos (1987), Sacristán (2000),dentre outros, para subsidiar nossa pesquisa. Utilizamos a pesquisa de cunhoqualitativo e como instrumentos de coleta de dados, a observação participante e aentrevista semi-estruturada, pois nos forneceram elementos relevantes paraalcançarmos um melhor resultado no espaço e dos sujeitos pesquisados. No tocanteaos resultados obtidos pudemos compreender que os professores apresentam umconceito bem formulado sobre avaliação, demonstrando que avaliam em todos osaspectos levando em consideração todas as atividades feitas em sala de aula emconjunto, no entanto o uso da classificação para medir o aluno também flui nomesmo espaço. Alguns pais, porém, demonstraram ter um conceito de avaliaçãotradicional, o que contribui para percebermos a falta de acompanhamento dos filhose desinteresse por informações sobre as formas avaliativas usadas na escola. Osalunos por sua vez cumprem as regras avaliativas estabelecidas, realizando asatividades impostas pelos professores.Palavras- chave: Compreensão, Avaliação, Aluno e Professor.
  8. 8. 8 LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 – Percentual quanto à formação docente.................................................39Gráfico 2 – Percentual quanto à formação profissional dos pais.............................39Gráfico 3 – Alunos concluindo o 5º ano do Ensino Fundamental I...........................40Gráfico 4 – Quanto ao gênero dos professores pesquisados...................................41Gráfico 5 – Quanto ao gênero dos alunos pesquisados ..........................................41Gráfico 6 – Quanto ao gênero dos pais pesquisados...............................................42 Gráfico 7 – Faixa etária dos professores...................................................................42Gráfico 8 – Faixa etária dos pais entrevistados........................................................43Gráfico 9 – Faixa etária dos alunos entrevistados....................................................43
  9. 9. 9 SUMÁRIOINTRODUÇÃO ..........................................................................................................11CAPÍTULO I...............................................................................................................12 1.1. AVALIAÇÃO NO TEMPO................................................................................12 1.1.1. Idade Antiga ....................................................................................12 1.1.2. Idade Média.....................................................................................13 1.1.3. Renascimento..................................................................................13 1.1.4. Contemporaneidade........................................................................14 1.2. CONCEITOS DE AVALIAÇÃO........................................................................14 1.3. AVALIAÇÃO: FAVORECEDORA DA QUALIDADE DE ENSINO....................18CAPÍTULO II..............................................................................................................21 2.1.COMPREENSÃO............................................................................................21 2.2. AVALIAÇÃO...................................................................................................22 2.3. ALUNO...........................................................................................................25 2.4. PROFESSOR.................................................................................................29CAPÍTULO III.............................................................................................................32 3.1. TIPO DA PESQUISA.....................................................................................32 3.2. SUJEITOS DA PESQUISA ..........................................................................33 3.3. LÓCUS DA PESQUISA.................................................................................33 3.4. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS.................................................34 3.4.1. Observação Participante.................................................................35 3.4.2. Entrevista Semi-estruturada............................................................36CAPÍTULO IV............................................................................................................38 4.1. PERFIL DOS SUJEITOS...............................................................................38
  10. 10. 10 4.1.1. Formação........................................................................................38 4.1.2. Gênero............................................................................................40 4.1.3. Idade...............................................................................................42 4.2. DISCUSSÃO DOS DADOS..........................................................................44 4.2.1. Compreensão de avaliação............................................................44 4.2.2. Formas Avaliativas.........................................................................47 4.2.3. Nota x Aprendizagem.....................................................................49CONFIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................52REFERÊNCIAS..........................................................................................................54APÊNDICES...............................................................................................................57
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO Este trabalho não almeja considerar todos os temas e definições em"Avaliação Escolar". Trata-se de uma pesquisa concisa sobre o assunto, porémanalisada com muita dedicação e sensatez na qual alunos, mestres e responsáveispossam ler, avaliar, criticar, adquirir conteúdo, refletir e talvez ter um parâmetrosobre o assunto contido neste trabalho. O tema "Avaliação Escolar" foi escolhido por nós, devido ao assunto que épolêmico e complexo, pois, os educadores de hoje têm enfrentado diversosproblemas no desenvolver do seu trabalho: tratar seu objeto de trabalho e seupúblico adequadamente, quer dizer, se relacionar com eles conforme os novosconceitos das relações sociais e como entender as múltiplas dimensões do exercícioda cidadania e até que ponto a avaliação escolar pode afetar a vida escolar e socialdos educandos. No entanto, o objetivo deste trabalho é refletir sobre a abordagemdo sistema de avaliação do ensino e a aprendizagem, para que as instituiçõesescolares públicas e privadas percebam que não podem medir e nem devem punir,classificar simplesmente a aprendizagem retratada pelos educandos. Enfim, ao realizarmos este trabalho, fizemos um levantamento histórico dosistema de avaliação desde a Antiguidade até o presente momento. Em seguida,explanamos sobre alguns tipos de avaliação, analisando e discutindo depoimentosde alguns educadores, pais e alunos. A partir desta pesquisa chegamos a algumas considerações de formarespeitosa e convicta que este trabalho pode contribuir muito para os que de algumaforma participam do processo educativo.
  12. 12. 12 CAPÍTULO I PROBLEMATIZAÇÃO1.1. AVALIAÇÃO NO TEMPO No espaço educacional alguns elementos sempre circundam o processo deensino-aprendizagem, entre eles a avaliação que dentro da sociedade se difundiucomo um processo contínuo. Todavia, quais são as compreensões que osprotagonistas, que atuam diretamente na educação, têm da avaliação? Buscandorespostas no contexto histórico encontramos através do tempo tendências edesenvolvimento do processo avaliativo em diferentes fases, tais como: IdadeAntiga, Idade Média, Renascimento e na Contemporaneidade.1.1.1. Idade Antiga Na história antiga, encontram-se diversas formas de avaliação. Há situaçõesem algumas tribos primitivas onde adolescentes eram submetidos a provasrelacionadas com seus costumes e só depois de mostrarem um bom desempenhonessas provas eram considerados adultos. (BRANDÃO, 2001). Em Esparta, na Grécia, os jovens eram submetidos a duras provas, atravésde jogos e competições atléticas, durante os quais deveriam provar sua granderesistência física e psicológica. Em Atenas, encontrava-se Sócrates, que submetiaseus alunos a um exaustivo e preciso inquérito oral, a expressão "O conhece-te a timesmo" no qual o sábio se empenhou toda a sua vida. Segundo Brandão (2001),Sócrates apontava a auto-avaliação como um pressuposto básico para o encontrocom a verdade. Seu método pedagógico também pôs em evidência o processo daconceituação, considerado básico sobre o ponto de vista científico.
  13. 13. 131.1.2. Idade Média Porém, a Idade Média com os períodos apostólicos, patrístico e monásticoapresentou um grande interesse pelo conhecimento de realidades mediatas, ou porum conjunto de verdades ao qual os homens chegaram não com o auxilio deinteligência, mas mediante a aceitação da fé. Predominaram, portanto, o métodoracional e o argumento de autoridade: o primeiro aplicado a realidades e fatos nãosuscetíveis de comprovação experimental, e o segundo consistindo em admitir umaverdade ou doutrina, baseada apenas no valor intelectual ou moral daquele que apropõe ou professa, submetendo-se desta forma a um processo avaliativo. Aceitava-se quase passivamente a opinião dos mestres ou autoridades no assunto. Repetir,portanto, integralmente o que se ouvia ou lia, era a prova mais convincente dosaber. A atenção e a memória eram os elementos mais valorizados nas escolasdesta época. (KLEIN, 1995). As instituições escolares de maior influência neste período e que constituíramas organizações mais poderosas e fecundas de todos os tempos foram àsuniversidades. Nestas instituições, os estudos destinavam-se principalmente, aformação de professores compreendendo o bacharelado, a licenciatura e odoutorado. Os que venciam o bacharelado deveriam prestar exames a fim deconseguir licença para ensinar. O exame consistia na interpretação e explicação detrechos selecionados por grandes mestres.1.1.3. Renascimento Para (KLEIN, 1995) no período do Renascimento manifestava o movimento doHumanismo em duas correntes, nitidamente diferenciado que se distinguiam entre acorrente do humanismo cristão e corrente do humanismo pagão. Enquanto, acorrente do humanismo cristão trazia valiosas contribuições para a avaliação atravésde uma orientação psicológica que visava atender as diferenças individuais dosalunos, a fim de que fossem preparados para a vida de acordo com as suasnecessidades, interesses e aptidões. A corrente do humanismo pagão exaltava aindividualidade humana, considerada como um fim em si mesma; a supervalorização do eu individual sem quaisquer vínculos com valores transcendentais.Este humanismo viria mais tarde imprimir no pensamento moderno seu caráter
  14. 14. 14predominantemente naturalista. Contudo, avaliar poderá significar o ato de examinaro grau de adequação entre um conjunto de informações e um conjunto de critériosapropriados ao objetivo fixado, para uma tomada de decisão.1.1.4. Contemporaneidade Nos tempos atuais, surge a necessidade de se construir um sistemaeducativo inteiramente novo no qual a educação da criança passa ao domínioexclusivo e absorvente do Estado. Há forte reação contra o ensino humanistatradicional, dando relevo predominante nos planos educativos às ciências naturais,às línguas modernas e aos trabalhos manuais. No início do século XX,predominaram as tendências pedagógicas que colocaram em primeiro plano oproblema técnico da educação. Atualmente, a tecnologia educacional se firma comouma maneira nova de pensar a educação e de fazer frente aos problemaseducacionais, afirma Valente (2001, p. 16).1.2. CONCEITOS DE AVALIAÇÃO Quanto às diversas formas de se avaliar, existe um consenso entre a maioriados autores que se relacionam com o mesmo assunto de avaliação e que buscamum ideal concreto e enriquecedor em torno de algumas categorias relativas aosprincipais tipos de avaliação. Porém é uma questão também muito discutida, entrealguns autores que possuem visões diferenciadas das opiniões existentes, poispoderá vir muitas vezes a ser usada de forma injusta e incorreta peloseducadores.Em certos casos, isto poderá provocar grandes danos na vida doeducando, o que o deixaria com alguma seqüela emocional, provocando-lhe umabarreira instintiva sempre que se sentir avaliado, decorrente do que lhe foiproporcionado anteriormente durante um processo avaliativo aplicado por umeducador. Neste sentido, como os autores nos dão algumas bases nestas diversasformas de avaliação, torna-se possível uma classificação. Segundo Rabelo (2003),ele expressa através de um quadro, identificações referentes à avaliação noprocesso formativo:
  15. 15. 15 AVALIAÇÃO: QUANTO À FORMAÇÃOPERÍODOS TIPOS OBJETIVOS INTERESSES BUSCAS ORIENTAR A AVALIAÇÃO BUSCA CONHECER, PRINCIPALMENTE INÍCIO DIAGNÓSTICA EXPLORAR ALUNO AS APTIDÕES, OS INTERESSES E AS CAPACIDADES E IDENTIFICAR ENQUANTO COMPETENCIAS ENQUANTO PRÉ-REQUISITOS PARA ADAPTAR PRODUTOR FUTUROS TRABALHOS. PREDIZER REGULAR SITUAR COMPREENDER A AVALIAÇÃO BUSCA INFORMAÇÕES SOBREDURANTE FORMATIVA HARMONIZAR ALUNO ESTRATÉGIAS DE SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS E DAS TRANQUILIZAR ENQUANTO DIFICULDADES SURGIDAS APOIAR ATIVIDADE, REFORÇAR PROCESSOS DE CORRIGIR PRODUÇÃO FACILITAR DIALOGAR VERIFICAR A AVALIAÇÃO BUSCA OBSERVAR COMPORTAMENTOS CLASSIFICAR ALUNO GLOBAIS, SOCIALMENTE SIGNIFICATIVOS, DEPOIS SOMATIVA SITUAR ENQUANTO DETERMINAR CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS E SE INFORMAR PRODUTO FINAL POSSÍVEL, DAR UM CERTIFICADO CERTIFICAR PÔR À PROVA Uma avaliação inicial ou diagnóstica faz um prognóstico sobre ascapacidades de um determinado aluno, como por exemplo, em relação a um novoconteúdo a ser abordado. Sendo assim, pode-se identificar algumas característicasem um aluno, podendo escolher algumas seqüências de trabalhos bem maisadaptadas a tais características. Com isso o professor pode identificar um perfil dossujeitos, antes mesmo de iniciar qualquer trabalho de ensino. Segundo Rabelo(2003): O diagnóstico é o momento de situar aptidões iniciais, necessidades, interesses de um indivíduo, de verificar pré-requisitos. É, antes de tudo, momento de detectar dificuldades dos alunos para que o professor possa melhor conceber estratégias de ação para solucioná-las. (p. 72). A avaliação diagnóstica pressupõe que os dados coletados por meio deinstrumentos sejam lidos com rigor científico tendo por objetivo não a aprovação oureprovação dos alunos, mas uma compreensão adequada do processo decrescimento. Para que a avaliação diagnóstica seja possível, é preciso compreendê-la e realizá-la comprometida com uma concepção pedagógica. Esta forma deentender, propor e realizar a avaliação exige que ela seja um instrumento auxiliar deaprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação dos alunos.
  16. 16. 16 Observando ainda o quadro “avaliação quanto à formação”, nota-se que aavaliação formativa demonstra ter a finalidade de proporcionar informações acercado desenvolvimento de um processo de ensino e aprendizagem, com o fim de que oprofessor possa ajustá-lo às características dos alunos a que se dirige. Este tipo deavaliação, não tem uma finalidade probatória. Entre suas principais funções estão,as de orientar, corrigir, reforçar, etc. A avaliação formativa é incorporada no ato do ensino integrando-se na ação de formação. Contribui para melhorar a aprendizagem, pois informa ao professor sobre o desenvolver da aprendizagem e ao aluno sobre os sucessos e fracassos, o seu próprio caminhar. (RABELO, 2003.p.75) Sendo assim, ela assume uma função reguladora, quando vem permitir tantoaos alunos como aos professores ajustarem estratégias e dispositivos, podendoreforçar competências que esteja de acordo com alguns objetivos previamenteestabelecidos permitindo aos próprios alunos analisar situações, reconhecer ecorrigir seus eventuais erros nas tarefas. Diferentemente da avaliação somatória, que traz um balanço aditivo de uma ouvárias seqüências de trabalhos, às vezes ela nos mostra uma realidade ativa emnossas escolas quando deixa concretizar como um processo cumulativo, pondo emprática o objetivo social de por a prova, de verificar, portanto, além de informar, elasitua e classifica. Tendo como principal função entregar um certificado, concluindoassim sua trajetória. Uma avaliação somativa naturalmente é uma avaliação pontual, já que, habitualmente, acontece no final de uma unidade de ensino, sempre tratando de determinar o grau de domínio de alguns objetivos previamente estabelecidos. (RABELO, 2003.p.76) Esta avaliação não auxilia em nada o avanço e o crescimento, constituindo-senum instrumento estático e frenador do processo de crescimento e subtrai da práticada avaliação aquilo que lhe é constitutivo. Como todos sabemos, apesar dos esforços feitos, muitas destas atitudes,permanecem na rotina das escolas, embora, por vezes, com certa aparência demodernidade. Quando se fala de avaliação, bem como “avaliação final”, na verdade
  17. 17. 17se está apenas a pensar em dar uma classificação. Certos de que classificar fazparte do processo avaliativo somatório, não deveria ser usado como um sinônimo,para “disfarçar” o que suspeita-se de que está errado. E para reforçar, Cortesão(1990) diz que: Tradicionalmente o professor encarava a avaliação exclusivamente como um processo de classificar os alunos no final de um período de tempo mais ou menos longo. Conseqüentemente a avaliação resumia-se às atividades que permitiam ao professor rotular o aluno e qualificar o resultado a que o aluno chegou. (p.32) A utilização, na prática pedagógica, da avaliação classificatória, desconsiderao educando como sujeito humano histórico, julgando-o e classificando-o, ficandopara o resto da vida, do ponto de vista do modelo escolar vigente, estigmatizado,pois as anotações e registros permanecerão, em definitivo, nos arquivo e noshistóricos escolares, que se transformarão em documentos legalmente definidos. Atualmente, os objetivos da avaliação deveriam visar tanto o processo deaprendizagem quanto os sucessos ou fracassos dos estudantes. Neste sentido, umadiferença fundamental em relação às provas escolares é a avaliação permanente,que se realiza com outro tipo de meios, entre os quais se inclui o conjunto de tarefasrealizadas pelo estudante no decurso do ano escolar. Sendo assim, a avaliaçãorealizada obtém sobre o aluno uma informação mais abrangente que a simples epontual referência das provas. Avaliar tornar-se-ia, um processo dinâmico, contínuo e sistemático queacompanharia o desenrolar do ato educativo de modo a permitir o seu constanteaperfeiçoamento. É muito importante que as atividades avaliativas forneçam dadosque permitam ao professor interrogar-se sobre a forma como atua, sobre as técnicasque utiliza, de modo que ele possa adaptar o seu ensino às características e asnecessidades de seus alunos. Portanto, o professor deve utilizar instrumentos avaliativos vinculados ànecessidade de dinamizar, problematizar e refletir sobre a ação educativa/avaliativada instituição. Esses instrumentos de avaliação devem ser utilizados pelo educadorque se preocupa em orientar indivíduos críticos, sendo capazes de analisarem as
  18. 18. 18suas próprias aptidões, atitudes, comportamentos, pontos favoráveis edesfavoráveis e êxitos na dimensão dos propósitos.1.3. AVALIAÇÃO: FAVORECEDORA DA QUALIDADE DE ENSINO A avaliação serve como medida para o trabalho do professor e do aluno. Parao docente, ela pode demonstrar as falhas e qualidades em fornecer subsídios noprocesso de ensino-aprendizagem do aluno. Serve ainda para que ele repense asua prática educativa. O professor que entende a educação como prática social transformadora e democrática trabalha com seus alunos na direção da ampliação do conhecimento, vinculado os conteúdos de ensino à realidade, escolhendo procedimentos que assegurem a aprendizagem efetiva. (RAIZES E ASAS s/d p.2) O sistema cobra a nota do professor e esse busca no aluno a medida do seutrabalho, assim, depois da aplicação dos instrumentos avaliativos será encontrado orespaldo necessário para verificar através da nota obtida pelo educando se aaprendizagem foi satisfatória ou não. Esse professor demonstra que, se ao contrárioforam ruins não conseguiram compreender o que foi ensinado. Segundo a Coleção Raízes e Asas (s/d p.5) no livro como ensinar um desafio.“Não há modelos gerais aplicáveis a qualquer situação, pois cada sala de aula éúnica: cada professor é diferente, os alunos não são iguais nem podem seridealizados”. A avaliação deve estar ligada ao Projeto Político Pedagógico (PPP) daescola: Ao planejamento e a ação pedagógica propriamente dita. Serve como elo aoprocesso de ensino-aprendizagem, unindo o trabalho do professor à sede deaprender do aluno mostrando assim, o respaldo para a ação educativa de qualidadedentro da unidade escolar. Percebe-se dessa forma, que a avaliação tem “perseguido”, ao longo dostempos, o processo de ensino e aprendizagem, na definição de Luckesi (1998)“Avaliação vem do latim e significa ato dinâmico, ato de apreciação”. Normalmente,feita na escola depois de acontecido o processo ensino-aprendizagem está aos
  19. 19. 19poucos sendo revista e provocando uma mudança de atitudes. Fávero (1995) dizque: A avaliação está presente em toda ação humana. Sempre buscamos ou fazemos alguma coisa conscientemente, sentimos necessidade de perguntar-nos se ela corresponde ao que nos propusemos, para uma tomada de posição, isto é, para aceitá-la transformá-la. Mais é do que avaliar, o que nos mostra que avaliar não significa necessariamente atribuir nota (p.9). Atualmente, na Lei de Diretrizes e Bases - LDB (BRASIL, 1996) o processoavaliativo é contemplado no Art. 24, inciso V, que diz: a verificação do rendimentoescolar observará alguns critérios entre eles o que discorre sobre o processoavaliativo:  Avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, prevaleça dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais; Dessa forma, entende-se que o docente deve valorizar a avaliação dentro doprocesso de ensino-aprendizagem. Como se observa em outro trecho da Lei aexpressão "verificação do rendimento escolar” que quer dizer comprovar orendimento escolar, assim acaba dando ênfase novamente a avaliação. Porconseguinte, segundo a LDB, cabe a escola comprovar a eficiência dos alunosatravés de um processo avaliativo. Mas, quando se fala em comprovar ou avaliar o rendimento dos alunos,depara-se com um elemento complexo, visto que avaliar não é a mesma coisa quemedir, pois a medida pode-se dispor de instrumentos precisos tais como: réguabalança, etc. Quanto mais preciso os instrumentos, mais exatos a medida. Aocontrário disso não há instrumento preciso para a avaliação. Contudo, na avaliaçãoescolar, não se avalia um objeto concreto observável e sim um processo humanocontínuo. Segundo Hoffmann (1998 p. 33): “Avaliar seria julgar o resultado dotrabalho da criança após o término da atividade. Tal ação fica reduzida a umaapreciação final do desempenho do aluno para fins de registro classificatório”. Com isso, para tentar contornar a complexidade que gira em torno daavaliação e impedir que a avaliação de um momento se torne em algo generalizado
  20. 20. 20para todo um processo, deve-se proceder a uma avaliação como algo contínuo quecapte o desenvolvimento do educando em todos os seus aspectos. (FLETCHER1998, p.39) Diante dos aspectos apresentados acima, torna-se importante discutir sobreas avaliações que estariam sendo adotadas na educação e se elas cumprem regras,seguindo algum padrão estabelecido pela instituição. Sendo assim, surgiu a seguintequestão de pesquisa: Quais as compreensões que os professores, pais e alunos doColégio Cenecista Professora Isabel de Queiroz têm sobre a avaliação no EnsinoFundamental l? Assim o estudo teve como objetivo compreender a avaliação escolar adotadadentro do Ensino Fundamental l. Se esta vem atendendo às expectativas de suaclientela, preocupando-se em formar sujeitos autônomos críticos e capazes deanalisar as suas próprias atitudes e comportamentos, significativamente, garantindoa inserção e ascensão social, além da melhoria na qualidade de vida.
  21. 21. 21 CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo cabe-nos analisarmos teoricamente a problemática de estudoa partir dos conceitos-chave: Compreensão, Avaliação, Aluno e Professor.2.1. COMPREENSÃO A palavra compreensão vem do latim “comprehensione” – ato ou efeito decompreender, faculdade de perceber; percepção. Mas a percepção humana vai,além disso, porque na realidade, ela comporta uma parte de empatia e identificação”(FERREIRA,1986). O processo de compreensão na educação busca principalmente desenvolvera capacidade do grupo, a entender as relações humanas através de uma concepçãode complexidade. Essa relação de complexidade no âmbito educativo é discutido porSacristán (2000) como: [...] fenômenos educativos como fenômenos sociais, é imprescindível chegar aos significados, ter acesso ao mundo conceitual dos indivíduos e às redes de significados compartilhados pelos grupos, comunidades e culturas (p.103). Diante da discussão do autor, ver-se que é preciso analisar nas instituiçõeseducativas a complexidade da compreensão, levando em consideração as culturasdos sujeitos envolvidos, subjetividades e incertezas. Assim, a busca pelascompreensões é um caminho de investigação para que consiga discutir a avaliaçãoescolar. Com isso, entender a compreensão que os professores, pais e alunos têm daavaliação escolar vai além de buscar explicações sobre os possíveis problemas queocorrem no ambiente em que a criança é educada. Buscar essas compreensões évislumbrar os fatos que interferem diretamente ou indiretamente no meioeducacional, social e cultural dos educandos. Salientamos também que o ato de compreender está estritamente ligado acompreensão humana. Segundo Morin (2005):
  22. 22. 22 A compreensão humana vai além da explicação é bastante para a compreensão intelectual ou objetiva das coisas anônimas ou materiais. É insuficiente para compreensão humana. Esta comporta um conhecimento de sujeito a sujeito. Por conseguinte, se vejo uma criança me chamando vou compreendê-la, não por medir o grau de salinidade de suas lágrimas, mas por buscar em mim minhas aflições infantis, identificando-a comigo e identificando-me com ela. O outro não apenas é percebido objetivamente, é percebido como outro sujeito com o qual nos identificamos e que identificamos conosco, o ego elter que se torna alter ego. Compreender inclui necessariamente, um processo de empatia, de identificação e de projeção. Sempre intersubjetiva, a compreensão pede abertura na simpatia e generosidade (p. 94-95). Dessa forma, assimilar a compreensão da avaliação escolar dentro dacomplexidade humana, está associada a identificar os aspectos imperceptíveis esignificativos que ocorre entre professor e alunos dentro das salas de aulas, espaçoprimordial para o processo de ensino-aprendizagem Para Sacristán (2000): [...] que compreender a vida da sala de aula é um requisito necessário para evitar a arbitrariedade na intervenção. Por outro lado, enquanto não se atua e experimenta não é possível conhecer, compreender e interpretar as peculiaridades e características de sua forma de ser. (p.81). Dando continuidade a essa reflexão também pontuamos que a prática dadocência é importante no ato da compreensão, pois permite a troca entre aluno eprofessor gerada pela empatia de ambos durante todo processo educativo, inclusiveno processo avaliativo.2.2. AVALIAÇÃO A avaliação educacional é uma tarefa didática necessária e permanente notrabalho do professor, ela deve acompanhar todos os passos do processo de ensinoe aprendizagem. É através dela que vão sendo comparados os resultados obtidosno decorrer do trabalho conjunto do professor e dos alunos, conforme os objetivospropostos, a fim de verificar progressos, dificuldades e orientar o trabalho para ascorreções necessárias. A avaliação insere-se não só nas funções didáticas, mastambém na própria dinâmica e estrutura do Processo de Ensino e Aprendizagem(PEA).
  23. 23. 23 A avaliação é uma das questões mais discutidas pelos grandes educadores,pois muitas vezes seu uso é considerado de forma injusta e incorreta, causandoprejuízos na vida do educando. Para Raízes e Asas (s/d): A avaliação tem também a função de orientar os procedimentos de ensino em sala de aula. È através dela que o professor obtém informações básicas sobre quantos e quais alunos estão conseguindo realizar as atividades onde estão concentradas as dificuldades e de que natureza são. (p.11) Analisando a definição do autor, acredita-se que a avaliação é o procedimentopara avaliarmos o processo de ensino-aprendizagem do aluno. Luckesi (1998) porsua vez, definiu a avaliação como instrumento que se classificam em tipos efunções. Entre os tipos de função argumentada pelo autor, temos a verificação, queacaba sendo uma avaliação taxativa, que gera medo e sofrimento, pois é umaconstatação para verificar se é verdadeira uma desconfiança, ou seja, aaprendizagem ou não aprendizagem do aluno. Já como função classificatória, a avaliação não auxilia em nada o avanço e ocrescimento; constitui-se num instrumento estático do processo de crescimento;subtrai da prática da avaliação aquilo que lhe é constitutivo. Como função diagnóstica pode servir a finalidade de avanço e crescimento.Constitui-se num momento dialético no processo de avançar no desenvolvimento daação, do crescimento para a competência. Diagnosticando, ela será enquantomomento dialético de “senso” do estágio em que está e de sua distância em relaçãoà perspectiva que está colocada como ponto de ser atingido à frente. SegundoLuckesi (1998); A referida função pressupõe que os dados coletados por meio deinstrumentos sejam lidos com rigor científico, não tendo por objetivo a aprovação oureprovação dos alunos, mas uma compreensão adequada do processo decrescimento.
  24. 24. 24 Assim, os resultados da avaliação deverão ser utilizados para diagnosticar asituação do aluno, tendo em vista o cumprimento das funções de auto compreensãoacima estabelecidas. Entretanto, para que a avaliação diagnóstica seja possível, épreciso compreendê-la e realizá-la comprometida com uma concepção pedagógica.Esta forma de entender, propor e realizar a avaliação exige que ela seja uminstrumento para auxiliar o processo de ensino-aprendizagem. Atualmente, os objetivos da avaliação visam tanto o processo deaprendizagem quanto os sucessos ou fracassos dos estudantes. Neste sentido, umadiferença fundamental em relação às provas escolares é a avaliação permanente,que se realiza com outro tipo de meios, entre os quais se inclui o conjunto de tarefasrealizadas pelo estudante no decurso do ano escolar. A avaliação é, assim,realizada para obter sobre o aluno uma informação mais abrangente que a simples epontual referência das provas, pois como diz Nunes (2000 p. 93): “A nota somente,não expressa o que o educando aprendeu isso porque ele pode tirar notas altas semsaber o conteúdo, através da “cola”, da memorização”. Outras concepções de avaliação perpassam a lógica que avaliar é umprocesso que deve abranger a organização escolar como um todo desde asrelações internas da escola, o trabalho docente, a organização do ensino, oprocesso de aprendizagem do aluno e, ainda, a relação com a sociedade. Dessa forma, a avaliação permitiria diagnosticar, reforçar e permitir crescer aaprendizagem dos discentes. O papel do professor neste contexto é o de umconselheiro, de um orientador, e não o de um juiz, júri e executor. Pois a avaliaçãocomo "punição" deve ser substituída pela abordagem da "melhoria contínua", assimcomo diz Chauí (1997), nascemos trazendo em nossa inteligência não só osprincípios racionais, cabendo ao professor avaliar de forma coerente. A avaliação também pode ser considerada um exercício mental que permite aanálise, o conhecimento, o diagnóstico, a medida ou julgamento de algo. Avaliarseria um processo de autoconhecimento e do conhecimento da realidade e darelação dos sujeitos com essa realidade. Seria um processo de re-criação eressignificação das instituições que fazem parte dessa realidade e das pessoas quea mantêm.
  25. 25. 25 Nesse caso, seria a forma de analisar como os alunos estão sendoavaliados? Quais as concepções que estão avaliadas? Quais os objetivos quepretende com essa avaliação? Questionam-se também se os processos deavaliação da aprendizagem dos alunos estão centrados num desempenho cognitivo,sem referência a um projeto político-pedagógico de escola. Os sentidos das avaliações escolares, infelizmente, tem se direcionado para oato real de aprovar ou reprovar os alunos, independente da teoria,conseqüentemente esta tem sido a prática.2.3. ALUNO Segundo a etimologia, o termo aluno significa literalmente “criança de peito”,“lactante” ou “filho adotivo”, do lat. alumnus, alumni, proveniente de alere, quesignifica “alimentar, sustentar, nutrir, fazer crescer”. Daí o sentido de que aluno éuma espécie de lactente intelectual; e não alguém “sem luz”, como afirma umaetimologia falsificada que lê a- como prefixo de negação (note que o prefixo é grego)e lun- como proveniente do latim lumen, luminis (luz). O termo aluno aponta,portanto, para a idéia de alguém imaturo, que precisa ser alimentado na boca eexige ainda muitos cuidados paternais ou maternais (LEWIS; SHORT 1879). Em sentido figurado ou metafórico, porém, aluno significa simplesmente“discípulo”, “aluno” ou “pupilo”, alguém que aprende de forma coletiva emestabelecimento de ensino pela mediação de um ou vários professores (FARIA1962). Quanto à palavra estudante, do verbo estudar, ela designa o indivíduo quese empenha em algum tipo de estudo. Sugere pessoa independente, que busca oalimento intelectual por conta própria, sem necessidade de ser alimentado na boca,e costuma fazer isto de maneira individual. Notamos que, enquanto o conceito aluno aponta para a dependência epassividade, o segundo conceito sinaliza autonomia e atividade. É precisoreconhecer que, em algumas fases escolares (Educação Infantil e EnsinoFundamental l e ll), atuamos como alunos, embora em outras (Ensino Médio e,principalmente, na Educação Superior), como estudantes. Mas não é preciso ter
  26. 26. 26preconceito pela palavra “aluno”, ela é a mais comum em contexto de sala de aula.Afinal de contas, o sonho de todo professor é que seus “alunos” se tornem também“estudantes”. A pedagogia moderna se esquiva do problema empregando apenas otermo “educando”. No entanto para PIAGET (1978): Devemos educar para compreender, e educar para conhecer as informações. [...] implica construção da própria inteligência [...] formarmos jovens capazes de críticas e auto críticas, jovens capazes de pensar criativamente, transformando ações, jovens que se posicionem perante outros e respeitem o posicionamento de cada um. (p.68) Abordar sobre o aluno também nos remete a relação do aluno com oprofessor. Morales (2006) pontua que uma boa relação entre ambos pode incidirpositivamente na aprendizagem dos discentes e na satisfação pessoal do professor.Ainda segundo o autor a função do professor é ajudar os alunos no seuaprendizado, buscando o seu êxito e não o seu fracasso. Assim, a qualidade darelação com o aluno pode ser relevante nesse aspecto. Para salientar ainda mais a questão sobre a relação entre professor e aluno,Morales (2006) nos remete a atenção às atitudes dos alunos, pois o aluno está eminteração com o professor em todos os momentos, quando perguntam ourespondem algo, quando se comunicam ou quando estão distraídos. Para o autor, oprofessor deve estar atento as atitudes dos alunos, pois elas demonstram a relaçãoque os alunos têm com o mesmo e com o processo. Assim, atitude do educador influi na criatividade do educando. Um olhar feio,uma resposta brusca, uma crítica ou um pedido de explicação, às vezes sãobastante para esfriar o entusiasmo, interromper um gesto, impedir uma criação. Poroutro lado, voltando a atenção para o educando com atitude de valorização de suaspesquisas, suas descobertas, sua expressão individual, por parte do educador, dãoabertura ao seu potencial criador e permitem o seu melhor desempenho em sala deaula. É importante entendermos que, entre as dimensões afetivas e cognitivaspresentes na aprendizagem, existem inter-relações e articulações, onde as trocassão muito importantes e necessárias.
  27. 27. 27 Para o aluno é de fundamental importância a educação familiar no seuprocesso educativo e nenhuma outra instituição está em condições de substituí-la,entretanto, é necessário que essas famílias sejam bem formadas para que possampassar uma boa educação, ou seja, tem que haver a compreensão, tolerância,carinho e firmeza que são condições indispensáveis para uma educação integral,visando todos os aspectos que formam a personalidade. A responsabilidade doacompanhamento dos pais na educação dos filhos deverá atender exigênciashumanas e sociais. Quando nos referimos à exigência humana, estamos mostrando que osfilhos ao virem ao mundo, são totalmente indefesos e necessitam de proteção eorientação para poder se desenvolverem bem. E a social, a família também formacidadãos capazes de colaborar para o sucesso e progresso da sociedade, bemcomo também a sua conservação. Sabe-se que como afirma Nérici (1977, p.12) “o processo educativo visaformar o cidadão capaz de servir a sua comunidade e de identificar-se com anseioscoletivos, deve conduzir a responsabilidade, liberdade, critica e participação”. Então, cabe aos pais orientar e acompanhar em suas atividades escolaresfazendo com que a criança sinta o prazer de compartilhar e poder desfrutarcondições de igualdade e amizade junto aos pais, para que já inicie o trabalho decooperação, pois somente assim ele poderá participar das aulas com maissegurança, compartilhando com seus semelhantes a tudo que se refere ao bemcomum. Para Nérici (1977): [...] não há duvidas de que um lar mal constituído, dificilmente pode educar. O mais que pode conseguir é angustiar, desorientar e neurotizar seus filhos. (...) Estudiosos do comportamento humano como Kumkel, Freud, Fromm e Horney são unãnimes em encarecer a importância do lar na formação do lar e da personalidade do individuo. (p.74)
  28. 28. 28 Segundo Freud, citado por Bock, (1999, p.204) “o grupo familiar constitui ocimento mais firme da ordem social estabelecido, o lugar em que se efetiva, ainteriorização da repressão, que continua na escola”. Então os pais têm obrigaçãode educar os filhos para o lar e para a sociedade, em processo de continuidade eharmonia, que se recebe na escola sem oposições que não se justificam eprejudicam a formação dos filhos. Nesse contexto, o psicanalista Frances Jacques Lacan, citado por Bock(1999), define assim a família: Entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial na transmissão de cultura. (...) a família prevalece na primeira educação, na repressão dos instintos, na aquisição da língua acertadamente chamada de materna. Com isso, ela preside os processos fundamentais do desenvolvimento psíquico. (p.238-239) O autor afirma que é na família que o aluno aprenderá a respeitar os tabusencontrados em seus caminhos. Adquirirá a linguagem que é condição básica paraque ela possa viver em uma sociedade imposta por muitas limitações, mas queexpõe muitas oportunidades. Devemos permitir ao aluno reflexão, análise e queconstrua progressivamente um modelo da tarefa que se tornará um referenteadequado para fazer exames críticos de suas produções, a fim de progredir rumo aum êxito maior. O processo de construção do conhecimento no aluno não começa, nem serealiza exclusivamente no espaço e tempo escolar. É a partir das vivências sociais eafetivas que ele adquire em determinadas formas de aprender e se relacionar comdiferentes tipos de saberes. Esse processo de formação se dá a partir de suainserção no meio. Para o aluno, durante o processo de ensino nas escolas são realizadasdiversas avaliações que leva o educador a avaliar seu aluno utilizando váriasferramentas que condiz com o seu aprendizado. Dentre estas ferramentasencontramos também os testes e as provas para garantir ao educador de que asinformações que serão recolhidas são válidas e que realmente os alunos
  29. 29. 29entenderam as questões, estes testes e provas permitem obter informações acercade seu desempenho máximo. Para Pais e Monteiro (1996): Os testes, provas e os outros procedimentos para medir a aprendizagem dos alunos não se destinam a substituir as observações e juízos informais dos professores. Antes pelo contrário, visam complementar e suplementar os métodos informais de obtenção acerca dos alunos. (p.95) Talvez por estarem entre hábitos muito enraizados, ou por se pensar que é amelhor forma de avaliação, ainda hoje há muitos professores que recorrem quaseexclusivamente aos testes e provas e muitos alunos só estudam na véspera da suarealização, sentindo-se angustiados e apreensivos para este momento. Se háaprendizagens que se avaliem através dos testes e provas, outras há que têm queser feitas também por outras formas, diferenciadas, sendo dinamicamentedirecionada pelos professores, para sua classe de alunos.2.4. PROFESSOR Na definição de Ferreira (2001) professor é aquele que ensina uma ciência,arte ou técnica. Com isso na visão simples, de algumas pessoas a função doprofessor é basicamente ensinar, reduzindo este ato a uma perspectiva mecânica,entretanto, ninguém ensina no vazio, há toda uma contextualização marcada pelointeresse de determinada época e sociedade. O professor é um profissional que tem uma formação para atuar nos espaçoseducativos, e são nesses mesmos espaços que os resultados de seus domínios nosconhecimentos científicos e nos saberes adquiridos no decorrer de sua história devida e da sociedade se fazem presentes, a fim de serem transmitidos aoseducandos de forma clara e objetiva. Sobre os saberes dos docentes Tardif (2002) fala que: [...] os professores sem suas atividades profissionais se apóiam em diversas formas de saberes: o saber curricular, proveniente dos programas e dos manuais escolares; o saber disciplinar, que constitui o conteúdo das
  30. 30. 30 matérias ensinadas nas escolas; o saber da formação profissional adquirida por ocasião da formação inicial ou continuado [...] (297). No ato de ensinar o professor também constrói valores que auxilia a relaçãodo homem com a sociedade e ao construir esses valores, insere o homem não só nasociedade, mas também em uma cultura. Assim: “[...] ensinar é colocar alguém empresença de certos elementos da cultura a fim de que eles se nutram, que eles osincorporem a sua substância, que ele construa sua identidade intelectual.”(FORQUIN, 1993, p.168). Ao ensinar o professor também emprega determinados meios para atingircertas finalidades e com isso ele acaba por desempenhar vários papéis, entre eles ode agente de mudança. Alencar (2005) nos fala que: “Os professores são pedreirosque colocam tijolos no edifício de uma nova sociedade, que não será feroz eexcludente com a atual (p.110)”. Segundo Tardif (2002), o docente também é um portador de valoresemancipados nas relações de poder que ocupam o espaço escolar. As relações depoder existentes na escola fazem com que os professores se comportem em algunsmomentos de forma mecânica impondo e seguindo regras na sala de aula. Para Burke (2003) precisamos de um professor que tenha conhecimento, eque saiba adapta-se aos acontecimentos da sala de aula de forma inteligente e hábile assim vencer os preconceitos, descrenças e hábitos enraizados ouinstitucionalizados nos sistemas educacionais. Acreditamos que o professor é um ser humano, social e político e que deveestá comprometido com sua tarefa e tecnicamente preparado para executar suaprática, e assim levar a população a uma consciência crítica que supere o sensocomum, todavia não desconsiderando, essa grande contribuição para a construçãoda sociedade, e sim permitir que esses saberes se façam presentes na construçãodos novos conhecimentos.
  31. 31. 31 Mizukami (1986) discorre que a relação entre o mestre e o aprendiz éhorizontal, professor e aluno aprendem juntos em atividades diárias. Nesteprocesso, o professor deverá estar engajado em um trabalho transformadorprocurando levar o aluno à consciência, valorizando a linguagem e a cultura. (p.99) Nesta abordagem, o diálogo marca a participação dos alunos juntamente comos professores. Os estudantes são partes do processo de aprendizagem queprocura enfatizar a cooperação e o trabalho coletivo na resolução dos problemasque venham surgir dentro dos variados ambientes sociais.
  32. 32. 32 CAPÍTULO III METODOLOGIA Caracterizada por um estudo minucioso, articulado a uma realidade, a fim dedescobrir, aperfeiçoar, ou acrescentar novas informações sobre o que já existe, ouseja, mostrar algo novo a respeito do fato estudado, a pesquisa se define como umconjunto de atividades intelectuais tendentes a descoberta de novos conhecimentos(TRIVINOS, 1987). Com base nessa perspectiva, é que se realizou a presentepesquisa, que têm como objetivo identificar as compreensões que os professores,pais e alunos do Colégio Cenecista Professora Isabel de Queiroz tem da avaliaçãoescolar no Ensino Fundamental I.3.1. TIPO DE PESQUISA Essa pesquisa foi construída numa perspectiva descritiva com abordagemqualitativa, pois se tratou de analisar dados referentes a existência da relação sujeitoe realidade, buscando conhecer os conceitos à luz do referencial teórico e tambémrefletir acerca das falas dos questionados para verificar como está sendo discutido,no interior do lócus pesquisado, a questão da avaliação escolar no EnsinoFundamental I, permitindo a análise dos dados de forma diferenciada, ereconhecendo a complexidade das relações humanas (LUDKE; ANDRE, 1986). Osautores caracterizam a pesquisa qualitativa, como procedimentos para a coleta dedados, a partir de vivências, idéias e práticas pedagógicas que permite uma relaçãocom o local de estudo e os sujeitos envolvidos. Para Ludke e André (1986) esse tipo de pesquisa utiliza o ambiente naturalcomo fonte direta dos dados, havendo um contato dinâmico e direto entre quempesquisa e quem é pesquisado, permitindo ao pesquisador desenvolvercompreensões, e não explicações e visões isoladas, pois a abordagem qualitativa érica em descrições de pessoas, situações e acontecimentos, onde todos os dadossão importantes, dessa forma existe uma preocupação maior com o processo.
  33. 33. 33 Bodgan e Biklen (1998) citado por Barbosa (2002) falam que a pesquisaqualitativa também permite ao pesquisador: [...] compreender o comportamento e a experiência humana. Eles procuram entender o processo pelo quais as pessoas constroem significados e descrevem o que são aqueles significados. Usam observações empíricas, porque é com os eventos concretos do comportamento humano que os investigadores podem pensar mais clara e profundamente sobre a condição humana (p.18). Com as definições expostas pelos autores, o que nos aproximou do nossoobjeto de estudo, acreditamos que a pesquisa qualitativa dará um suporte paraidentificarmos as compreensões que os professores, pais e alunos do ColégioCenecista Professora Isabel de Queiroz tem da avaliação escolar no EnsinoFundamental I.3.2. SUJEITOS DA PESQUISA Tivemos como sujeitos da pesquisa os professores que lecionam do 1º ao 5ºano do Ensino Fundamental I, os alunos do 5º ano por estudarem desde o 1º anonesta mesma instituição, e os pais dos respectivos alunos do Colégio CenecistaProfessora Isabel de Queiroz.3.3. LOCUS DA PESQUISA O lócus da pesquisa foi fundado em 04 de março de 1963, e teve início oprimeiro ano letivo, sob a direção das professoras Maria Margarida Passos Duarte –Diretora, Ivanise Jambeiro Gentil – Vice-Diretora e Maria Guerreiro Conceição –Secretária. Como na cidade de Senhor do Bonfim na década de 60, só existia doiscolégios que ofereciam o 1º grau completo e tinham o ensino privado, enquanto queas escolas públicas só ofereciam o ensino primário, sensibilizada pela falta deoportunidade para a classe menos favorecida, a professora Olga Campos deMenezes, promoveu uma reunião com algumas autoridades da época, propondo afundação de uma escola nos moldes da CNEC (Campanha Nacional de Escolas daComunidade). Graças a sua iniciativa, foi criado então o Ginásio que recebeu onome em homenagem a primeira professora da cidade com formação pedagógica.
  34. 34. 34“Ginásio Professora Isabel de Queiroz”. Hoje graças a uma doação de um terrenopor parte da Prefeitura Municipal, o atual Centro Educacional Cenecista ProfessoraIsabel de Queiroz, desde o ano de 1965, encontra-se abrigado em prédio própriolocalizada na Praça Simões Filho, 222, Centro, na cidade de Senhor do Bonfim noestado da Bahia. Desde 1978, o colégio através de bingos, rifas, festas etc, deuinício a um amplo trabalho de reformas sofrendo grandes modificações, por estáassentado numa área de aterro onde no passado existiu uma imensa lagoa. Hoje, ele funciona com um quadro docente composto por vinte e doisprofissionais no turno matutino do 1º ano ao 5º ano do Ensino Fundamental I, de 6ºano ao 9º ano do Ensino Fundamental II, Ensino Médio com formação geral e noperíodo noturno o espaço oferece faculdade com ensino presencial para os cursosde História e Letras com Inglês. O seu espaço físico é composto por: uma sala de vídeo, uma mecanografia,uma tesouraria, uma biblioteca, uma cantina, uma sala de informática, um auditório,quatorze salas de aula, cinco banheiros, uma cozinha, uma secretaria, uma sala decoordenação, uma quadra de esportes e uma área de lazer com parquinho. O seu quadro de funcionários, exceto o corpo docente citado acima, éformado por: dois orientadores pedagógicos, dois vigilantes, um porteiro, umadiretora, uma secretária, duas auxiliares de limpeza, três merendeiras sendo que acantina atende, aproximadamente, quatrocentos e dezesseis alunos, no períodomatutino.3.4. INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Os instrumentos escolhidos para a coleta de dados e que conseqüentementenos forneceram elementos relevantes para alcançarmos o objetivo da pesquisaforam: a observação participante e a entrevista semi-estruturada.
  35. 35. 353.4.1. Observação Participante A observação é um dos instrumentos mais utilizados na investigação epossibilita um contato pessoal e estreito entre o pesquisador e o objeto de estudo. Ludke e André (1986) diz que no ato de observar: O pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidências, pedindo cooperação ao grupo. Contudo terá em geral que aceitar o controle do grupo sobre o que será ou não tornado público pela pesquisa. (p. 29). Existem várias formas de observação, contudo, a mais adequada a nossoobjeto de estudo foi à observação participante, que para Marconi e Lakatos (1996)consistem em procedimentos onde a identidade e objetivos do pesquisador sãorevelados ao grupo pesquisado. Esse tipo de observação: [...] consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais deste... O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreenderam a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão. (MARCONI E LAKATOS, 1996 p.68). Ao observar participativamente o pesquisador chega mais perto daperspectiva dos sujeitos, sendo uma relevante para a pesquisa qualitativa. Comopontua Ludke e André (1986), nesse convívio em contato com as experiênciasdiárias, o observador percebe ou acompanha os sujeitos e sua compreensão sobrevisões de mundo e os significados que eles atribuem à realidade que os cerca. Para Ludke e André (1986), a observação participante também apresentavantagens em relação aos outros instrumentos, pois o observador pode recorrer aosconhecimentos e experiências vividas a fim de compreender e interpretar ofenômeno estudado. Relacionando os argumentos dos autores com nosso objeto de pesquisa, aobservação participante foi de fundamental importância para identificarmos as
  36. 36. 36compreensões que os professores, pais e alunos do Colégio Cenecista ProfessoraIsabel de Queiroz tem da avaliação escolar no Ensino Fundamental l.3.4.2. Entrevista Semi-estruturada A entrevista é uma das técnicas mais utilizadas na obtenção de dados naabordagem qualitativa, pois permite saber o que as pessoas pensam suas idéias esentimentos. Marconi e Lakatos (1996) a definem como: [...] um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informação a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional... uma conversação efetuada face a face ,de maneira metódica; proporciona ao entrevistado , verbalmente , a informação necessária. (p. 70) Na visão de Ludke e André (1986) a entrevista ganha vida quando começa,pois a relação que se constrói durante sua realização é de diálogo e interação entrequem entrevista e quem é entrevistado. Com isso facilita ao entrevistador sempreestar atento, as respostas que se obtêm ao longo dessa interação, observando maisde perto a gestos, expressões, entonações e sinais não verbais, visto que todacaptação é importante para compreender o que foi falo. Esse instrumento também apresenta grande vantagem sobre outras técnicas,pois permite a captação imediata e corrente da informação desejada com qualquertipo de informante, como também permite correções, esclarecimentos e adaptaçõesdesejadas. (LUDKE E ANDRÉ, 1986). Sobre a entrevista semi-estruturada Trivinos (1987) a entende como: [...] aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam a pesquisa e que em seguida oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se reconhecer as respostas do informante (p.146). Trivinos (1987) aborda que a entrevista do tipo semi-estruturada valoriza apresença do investigador, pois oferece elementos para que o informante encontre a
  37. 37. 37espontaneidade o que enriquece a investigação do problema. Assim o entrevistadordever saber estimular a obtenção de informações, criando um clima de confiançaonde deve prevalecer o respeito pelas crenças e ideais do entrevistado.
  38. 38. 38 CAPÍTULO IV ANÁLISE DOS RESULTADOS Para realização desta pesquisa foram utilizados como instrumentos de coletasde dados a observação participante no locus pesquisado e a entrevista semi-estruturada com professores, pais e alunos. Estes instrumentos nos permitiramconhecer o perfil dos sujeitos e analisar e interpretar as compreensões que eles têmde avaliação escolar no Ensino Fundamental I.4.1. PERFIL DOS SUJEITOS Através da entrevista semi-estruturada foram levantadas informações quepuderam traçar o perfil de cada membro envolvido na pesquisa. Na seqüênciaapresentaremos o perfil dos sujeitos onde serão designados no decorrer da análisecom P para um total de dez professores, PA para um total de sete pais e A para umtotal de seis alunos de acordo com as categorias escolhidas:4.1.1. Formação Observamos que em relação à formação dos professores entrevistados 40%estão cursando Pedagogia, 40% são graduados no curso de Pedagogia e nãopossuem especialização e 10% são graduados em Biologia sem especialização.Sendo assim, é interessante comentarmos que os profissionais da EducaçãoFundamental I, estão se qualificando profissionalmente na prática pedagógica semtemer e aceitando o novo. Sobre isso Freire (1996) afirma: “por isso é que, na formação permanente dosprofessores o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. Épensando criticamente sobre a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar apróxima prática” (p.43).
  39. 39. 39Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com professores do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz. Os dados também apontam que 10% dos pais não têm formação escolar,60% apenas concluíram o ensino médio e 30% apresentam formação em NívelSuperior e atuam em sala de aula.Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com pais do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.
  40. 40. 40 Dentre os alunos pesquisados, 100% encontram-se concluindo 5º no doEnsino Fundamental I, e estudam na escola lócus da pesquisa desde o 1º ano.Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com alunos do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.4.1. 2. Gênero Dentre os sujeitos tivemos uma forte predominância do sexo feminino, queapresenta 100% dos professores, 80% dos alunos e 90% dos pais. Com issopercebemos que nessa etapa da educação ainda existe uma forte feminilização naeducação das crianças. Diante deste contexto, os Referenciais para formação deProfessores (1999, p.32) aponta: “A feminilização da função, ao invés de representarde fato uma conquista profissional das mulheres, tem-se convertido num símbolo dedesvalorização social”. O que demonstra como o campo da docência tem sidodominado pelas mulheres. Em relação aos pais percebe-se a forte influência do gênero feminino que nasua grande maioria está representada na figura materna, onde a mãe é a únicaresponsável por auxiliar nos direcionamentos que a aluno tem na escola.
  41. 41. 41 Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com professores do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com alunos do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.
  42. 42. 42Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com pais do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.4.1.3. Idade Em relação a esta característica, percebemos que a idade dos entrevistados éflexível, pois os professores tem entre 25 a 40 anos, os pais entre 30 a 40 anos e osalunos estão na faixa etária entre 9 a 10 anos.Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com professores do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.
  43. 43. 43Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com pais do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz.Fonte: Entrevista semi-estruturada realizada com os professores do Colégio Cenecista Profª Isabel de Queiroz. Uma vez apresentada à síntese dos dados no qual obtivemos resultadoscaracterísticos dos sujeitos deste estudo, partimos então para a análise dos dados.4.2. DISCUSSÃO DOS DADOS
  44. 44. 44 Após a obtenção dos dados, por meio da utilização dos instrumentos depesquisa, observação participante e entrevista semi-estruturada, nos detivemos naanálise dos pontos que consideramos relevantes nesta pesquisa. Sobre análise de dados Ludke e André (1986) afirma que: Analisar os dados quantitativos significa “trabalhar” todo o material obtido durante a pesquisa, ou seja, relatos de observação, as transcrições de entrevistas, as análises de documentos e as demais informações disponíveis. A tarefa de análise implica num primeiro momento, a organização de todo material, dividindo-o em partes, relacionando essas partes e procurando identificar nele tendências e padrões relevantes (p. 46) O objetivo desta etapa é analisar e discutir a fala dos professores, alunos epais sobre a compreensão que eles têm de avaliação no Ensino Fundamental I. Para analisar as falas dos educadores, alunos e pais dividiu-se em categorias,uma vez que elas possibilitam uma melhor compreensão das falas coletadas. Assim,para respondermos a indagação inicial, organizamos e discutimos as falas nasseguintes categorias: Compreensão de avaliação – Refere-se à compreensão, opinião eentendimento dos educadores, alunos e pais sobre a avaliação. Formas avaliativas – Referem-se como os educadores avaliam os alunos emsala de aula. Nota x Conhecimento – Busca discutir se os alunos aprendem de fato com aavaliação.4.2.1. Compreensão de Avaliação Procurando compreender as respostas dos educadores, alunos e pais,percebe-se que a maior parte dos questionados tem uma visão alienada sobre oconceito de avaliação. Vejamos algumas falas:
  45. 45. 45 P (1) Avaliação é considerar a história do processo pessoal de cada aluno e sua relação com as atividades desenvolvidas, as necessidade de se comprometer com sua superação. P (2) É muito amplo o conceito de avaliação, mas entendo que seja investigar questionar, é ler hipótese dos educando sua zona real, seu conhecimento, para incorporar conhecimentos pertinentes a sua situação de aprendizagem trabalhando assim a zona proximal, também refletir sobre a ação pedagógica para replanejá-la. Nessas falas nota-se que os professores tem um conceito bem formulado deavaliação e que não tratam a avaliação com um único sentido de medir, julgar.Mostram que trabalham com a história do aluno, que os educandos não são vistoscomo seres vazios que aprendem só na escola, mas que trazem “bagagem”,currículo oculto, conhecimento e através deste conhecimento que os educadorestrabalham o todo e não apenas uma pequena parte do processo. Já a fala do professor 2, faz-se lembrar de Vygotsky (1995, p. 72), quando dizque a criança passa por: “[...] dois níveis de desenvolvimento: um se refere àsconquistas já efetivada, [...] desenvolvimento real [...] e o outro nível dedesenvolvimento proximal, que se relaciona às capacidades inacabadas a seremconstruídas [...]”. Isso porque quando o professor trabalha com algo que o aluno já sabe é odesenvolvimento real, porém quando o educador ajuda seu aluno a resolverquestões ou problemas, auxiliando-o para que ele consiga fazer, está trabalhando odesenvolvimento proximal, pois ela sabe fazer, porém com a ajuda de alguém. Destaforma o professor mostra ter conhecimento teóricos, pois se faz mediador para oaluno chegar ao conhecimento, ajudando nos momentos de dificuldade, facilitando osucesso da criança na escola. Porém a maioria das falas dos pais e alunos mostram que têm um conceito deavaliação mais tradicional. Vejamos algumas: PA (1) Entendo que seja um modo de julgar, determinar alguma situação. PA (2) É as provas. A (3) É bom as prova, ai nois sabe se aprendemos. A (5) Eu não gosto, eu fico num nervoso retado e acabo errando.
  46. 46. 46 A (1) A avaliação serve para ver se a gente aprendeu ou não. Percebe-se nas falas dos pais e alunos que estes vêem a avaliaçãosimplesmente como provas, e que os professores não levam em conta mais nada noaluno. Alguns pais ainda acham que os educadores fazem avaliações, apenas parajulgar, classificar ou medir seus filhos, talvez por eles (pais) terem tido umaavaliação muito rígida, de provas que não os qualificavam só os mediam. Issomostra como ainda em pleno século XXI, o tradicionalismo é forte e constante. Estefato traz à tona a falta de informação e convivência dos pais nas escolas e comosabem pouco sobre as formas avaliativas usados nos dias atuais. Percebeu-secomo os pais e alunos estão carentes de informação e infelizmente passam anoscom os filhos nas escolas sem conhecer como o filho é avaliado. Segue mais algunsdiscursos: PA (3) Não tenho conhecimento, porém ele diz que é avaliado através de trabalhos todos os dias, tornando-se um processo contínuo. PA (4) Não. PA (5) Não sei. Através das falas tornou-se evidente que a maioria dos pais, não sabem comoos filhos são avaliados, eles apenas acham ou gostariam que fossem dessa oudaquela forma ou ainda o filho disse que era através de trabalhos, comportamento,etc, porém os pais não procuram saber com os professores que seria o ideal. Issotraz muitas dúvidas e inquietações, pois fica a imagem de que a escola temresponsabilidades de educar e cuidar dos filhos e que para os pais basta mandá-lospara a escola. Às vezes parece que os pais pensam que mandando para escola estará tudoresolvido, pois seus filhos já estão destinados a escola, responsável maior pelaeducação, e, por isso não precisam auxiliar no processo educativo. Essa idéia nosfaz lembrar o inatismo que afirma: “nascemos trazendo em nossa inteligência não sóos princípios racionais, [...]” (CHAUÍ, 1997, p. 69).
  47. 47. 47 Cabe ao professor tentar fazer mudar essa realidade, para assim aresponsabilidade ser dividida entre todos, desta forma o sistema educacional e osprofissionais da educação sejam valorizados e capazes de formar cidadãos atuantesna sociedade buscando sempre o melhor.4.2.2. Formas avaliativas Luckesi (1998) definiu a avaliação como instrumento. Esse instrumentoabordado pelo autor, pode ser visto de várias formas avaliativas. Nessa categoriairemos analisar as diversas formas de se avaliar dentro do processo educativo. Percebemos que todos os professores avaliam seus alunos em todos, osaspectos, levando em consideração todas as atividades que são feitas em sala deaula. Segue algumas falas: P (5) Sim; Diagnóstica, democrática, participativa, não havendo submissão e sim liberdade, assim acontece à avaliação em um todo e não somente como uma matéria. P (10) Através de testes objetivos, dissertações, trabalhos livres, provas, apresentações de pesquisa. Fica evidente nas falas que os educadores avaliam seus alunos em todos osaspectos, valendo-se de vários instrumentos desde as provas objetivas, momentosque propiciem o respeito, além da valorização da afetividade entre todos:professor/aluno, aluno/aluno. Entre os tipos de avaliação utilizadas pelosprofessores, vemos presentes as funções avaliativas argumentativa, classificatória ediagnóstica debatidas por Luckesi (1998). Meios para avaliar o rendimento individualdos alunos. Isso é muito importante, pois cada aluno tem sua individualidade e se oprofessor utilizar meios que favoreçam a construção do conhecimento, mais ele sedesenvolverá. Fica claro isso quando se recorre a Wallon (1995. p.41) que diz “[...]não é possível definir um limite terminal para o desenvolvimento terminal dainteligência, nem tampouco da pessoa, pois dependem das condições oferecidaspelo meio e do grau de apropriação que o sujeito fizer dela”.
  48. 48. 48 Quanto mais o educador oferecer, mais o aluno receberá. O professoroferecendo vários meios como os citados, estes ajudarão a todos. Um exemplo é seo educador tem um aluno tímido que não se destaca em trabalhos orais, esseeducando poderá se destacar em outras atividades, por isso é necessário que oprofessor utilize vários meios, pois além de ser mais fácil detectar algumadificuldade, será mais fácil trabalhar com os mesmos. Esses métodos variados usados pelos professores estão satisfazendo amaioria dos pais, pois eles acham que existe uma abertura maior na escola e assimmais participação familiar. Desta forma haverá uma construção de conhecimentomais ampla e satisfatória. Vejamos também algumas falas dos pais e alunos sobreas formas avaliativas: PA (2) Acho bom porque a mãe pode participar mais e está sempre participando no dia- a- dia de seu filho. PA (4) Bom. PA (5) Muito bom, pois isso faz com que tanto o aluno, quanto o professor tenham conhecimento mais apurado. A (3) Nois sempre faiz prova e teste mais tem também uns trabalhos. A (2) A pró sempre explica dinovo quando não entendo. Como foi visto os pais acham que estes meios avaliativos são bons, pois temmais opções para os alunos, uma vez que são avaliados de diversas maneiras e nãoé como antigamente que era apenas prova objetiva e a resposta era obrigada a seraquela do livro, o pai quase não participava e o aluno tinha medo dos professores.Hoje é diferente, o aluno estabelece diálogo com os professores, não só ouvem,mas falam, perguntam dão suas opiniões. As maiorias dos educadores acham que mesmo avaliando o todo do aluno, vêque os métodos avaliativos ainda são muito classificatórios isso porque no final decada trimestre são obrigados a dar uma nota e desta forma estão medindo. Discutiremos mais algumas falas dos professores:
  49. 49. 49 P (7) Os métodos ainda são classificatórios. Podemos dizer que a educação passa por um processo de transformação, mas ela não acontece do dia para a noite. P (9) Como uma balança onde é necessária uma precisão muitas vezes. Ou 9 ou 8, 7,...6....... Com essas respostas parece que os educadores estão se contradizendo, poisanteriormente falaram que avaliam de forma a construir o conhecimento, olhando otodo, porém logo após dizem que os métodos são classificatórios para medir o alunoisso porque eles trabalham tentando construir o conhecimento, mas no final de cadatrimestre é necessário dar a nota por isso reclamam do método e isso justifica essacontradição. Desta forma, há um longo caminho a ser percorrido até que haja umaconvergência para se chegar a um denominador comum, assim o aluno vaiaprender de verdade sem ser preciso medi-lo, julgá-lo e para isso é necessárioesforço não só dos professores, mas toda a comunidade escolar.4.2.3. Nota x Aprendizagem Percebeu-se através da entrevista semi-estruturada, que quandoperguntados, se a nota mostra o que o aluno aprendeu, a maioria dos professores epais acham que a nota sozinha não mostra, mas que é necessário analisar outrosaspectos. Vejamos algumas falas: PA (5) Não o aluno tem várias formas de mostrar o que sabe, e cabe ao professor questionar e tentar descobrir a melhor. P (1) Nem sempre. Sabemos que o ser humano é movido por sentimentos que mudam e que interferem num momento de avaliação. Sendo assim, um aluno pode ser prejudicado em algum momento. Como também pode tirar uma boa nota, colando em uma prova “boa nota” não aprendeu. P (3) Não, a nota é somente um requisito obrigatório, os métodos avaliativos geralmente são falhos. Nesses depoimentos fica evidente que os educadores e pais, possuemconhecimento para entender seus alunos e filhos, pois sabem que existem muitascoisas que podem interferir na hora de uma avaliação.
  50. 50. 50 Recorrendo a Nunes (2000) quando ela aborda que a nota somente nãoexpressa o que o educando aprendeu isso porque ele pode tirar notas altas semsaber o conteúdo, através da “cola”, da memorização. Assim sendo cabe aoprofessor mostrar ao aluno que a nota é necessária, porém unida ao conhecimento.Só a nota não adianta, pois só através desse conhecimento ele conseguirá progredirnão apenas na sala de aula, mas na sua vida. Vejamos outra fala: P (2) Sim, desde que ela aponte para a busca do melhor do educando. Nesta fala, percebe-se que a prática não é mais adequada, pois o educadoracha, que se o aluno aprendeu vai tirar notas altas desde que o professor questionepara o que o aluno tem de melhor, porém é difícil essa colocação deste educador,pois mesmo direcionando para melhora do aluno, é necessário levar em conta, quemesmo este melhor do aluno que a professora comentou pode ser afetado pelo fatoremocional ou outros fatores, pois sabemos que de acordo com Rego apud Vygotsky(1995, p.120-121), [...] “o Homem como um ser que pensa, raciocina, deduz eabstrai, mas também como alguém que sente, se emociona, deseja, imagina e sesensibiliza”. Desta forma, muitas vezes o aluno sabe o conteúdo e vai mal na avaliaçãopor algum motivo. Isso significa que se deve sanar primeiro esses problemas, paradepois avaliá-lo. Deve-se lembrar que o educador tem que tentar fazer o aluno entender queele deve prestar atenção na aula para adquirir conhecimentos, sabedoria, e não paratirar notas altas, pois se o professor diz que quem tira notas altas aprendeu, o alunovai perder a vontade de estudar para aprender, pois vai notar que se “colar” vai tirarboas notas e todos irão achar que ele é um ótimo aluno. Isso é péssimo não só paraos alunos, mas para o sistema educacional.
  51. 51. 51 A maioria dos pais, também acha que a nota sozinha não diz nada, deixandobem claro que o respeito e o comportamento têm que ser avaliados. Segue outrasfalas: PA (2) Eu acho que não é só a nota, é também saber respeitar os professores, ser educado com os colegas e prestar atenção nas aulas PA (4) Não, somente o professor pode fazer avaliação do seu comportamento dentro da sala de aula. Através das falas, percebe-se que os pais acham que a educação com osprofessores e colegas é importantíssimo e consideram que são fatores que devemconstar na avaliação, e é provável que os educadores não esqueçam destes itensna hora de avaliar, pois só com todos métodos em consonância com a concepçãoadotada pela escola, enquanto diagnóstica, processual é que a avaliação vai chegaronde todos esperam, formando alunos construtores de conhecimento.
  52. 52. 52 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho discutiu-se as várias faces da avaliação e seus métodos,mostrando como os educadores avaliam, e como o aluno compreende a utilidade dosaber e do conhecimento. Buscou-se debater sobre este assunto através dos depoimentos doseducadores, alunos e pais, questionando a compreensão que os mesmos tem daavaliação no Ensino Fundamenta I. A pesquisa demonstrou que os educadores compreendem o processo daavaliação, porém estão em busca de fazer da avaliação um processo de construçãodo conhecimento. Pois os métodos por mais que se inovem com trabalhos epesquisas ainda estão muito ligados a classificar o aluno e não a qualificar o mesmo.Neste aspecto o sistema educacional poderia sugerir discussões e possíveismudanças sobre a avaliação, elencando seus pontos positivos e negativos. Com base nessa abordagem, pudemos entender que o professor não deve seprender somente a uma forma avaliativa, pois existem várias maneiras de avaliar;cada aluno é único e se identificará com um método avaliativo. Cabe ao educadorajudar o aluno a ser capaz de distinguir o verdadeiro significado da avaliação e comoa mesma pode contribuir para seu desenvolvimento. A avaliação deve ser vista como um instrumento que auxilia a aprendizagem.Enquanto a avaliação tiver um significado “ameaçador” por ter que adquirir umanota, a mesma nunca chegará ao objetivo proposto que é ser um processo deconstrução do conhecimento. Os professores devem tentar fazer o aluno entender oque é avaliar e para que serve a avaliação; assim, chegarão a uma educação maisqualitativa e menos quantitativa. Esta pesquisa não se encerra neste trabalho, pois, poderá incentivarpesquisadores e educadores para colaborar nas discussões e prováveis
  53. 53. 53transformações e ressignificações da avaliação como auxiliador dos conhecimentosadquiridos na prática pedagógica. Nota-se que o conhecimento adquirido anteriormente não foi em vão, poiscontribuiu e muito para a aquisição deste novo conhecimento muito mais amplo ecomplexo e desta forma nos mostra como é significativo estarmos sempre em buscade novos saberes para assim concebermos a avaliação como um processo deconstrução de conhecimento.
  54. 54. 54 REFERÊNCIASALENCAR, Chico. Educação no Brasil: Um Breve Olhar sobre o nosso lugar:Educar na Esperança em tempos de desencanto. Petrópolis: Editora Vozes,2005.BARBOSA, J. C. Pesquisa em Educação matemática: a questão decientificidade e dos métodos. Rios Claros: 2002.BRASIL. Lei nº 9.394 das Diretrizes e Bases da Educação. 20 de dezembro de1996.BRASIL, MEC. Secretaria de Educação Fundamental. Referenciais para formaçãode professores. Brasília, 1999.BRANDÃO, Z. A Dialética na sociologia da educação. Cadernos de Pesquisa,São Paulo, n.113, p. 153-165, jul. 2001.BOGDAN; R.; BIKLEN, S. Investigação qualitativa em educação. Porto: EditoraPorto, 1998.BOCK, Ana M. Bahia, FURTADO, Odair& TEIXEIRA, Maria de Lourdes. Psicologias- uma introdução ao estudo de psicologia. SP. Saraiva, 1999BURKE Tomas Joseph. O professor revolucionário: da pré-escola áuniversidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.CORTESÃO, Luísa TORRES, Maria Arminda. Avaliação Pedagógica I - Insucessoescolar. 4ª edição. Editora Porto: 1990. (Coleção Ser Professor)CHAUÍ, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática. 1997.FARIA, Ernesto. Dicionário escolar latino-português. MEC, 1962.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mine Aurélio, século XXI. 5ª ed. Rio deJaneiro: Ed. Nova Fronteira, 2001.FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa:2ª edição. Revisada e aumentada. São Paulo-SP: Nova Fronteira, 1986.FLETCHER, P. R. À procura do ensino eficaz. Relatório técnico. Brasília: MEC-DAEB. 1998.FORQUIN, Jean Claude. Escola e cultura: as bases sociais epistemológicas doconhecimento escolar; tradução de Guacira Lopes Louro. Porto Alegre: ArtesMédicas, 1993.HOFFMANN, J. Avaliação Mediadora. 14ª ed. Porto Alegre: Mediação, 1998.
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  57. 57. 57APÊNDICES

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