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12      No capítulo quarto, buscamos mostrar de forma minuciosa o alvo do trabalho,através da análise e interpretação de d...
13                                          CAPÌTULO I  1. LUDICIDADE: COMPREENDENDO O PAPEL DO LÚDICO NA FORMAÇÃO  DA CRI...
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23      Kramer (2005) ainda afirma o seguinte:                     O que se observa, ainda, nas práticas de educação infan...
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28      O lúdico no sentido pedagógico deve ser encarado de forma séria e correta,pois como afirma Almeida (1994, p. 43) “...
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30conhecimento sobre o mundo é ampliado, de modo que ela faz de conta e se colocano lugar do adulto. Assim, ao brincar a c...
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42      Escolas “A”:                        P-01: “É trabalhar com os jogos envolvendo o aluno na aprendizagem            ...
43                      O jogo é um fator didático altamente importante; mais do que um                      passatempo, e...
44                      P-07- “Sim. Geralmente com jogos, brincadeiras que transmitam                      conhecimentos. ...
45                      potencializando as situações de aprendizagem (p.19).      Como eles utilizam de momentos lúdicos e...
46                      P-08 - “O professor é o ministrante destas atividades. Na Educação infantil                      e...
47porque facilita o processo educativo, além de motivar as aulas, na compreensão dosconteúdos e no bom relacionamento entr...
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49      Com esta mesma citação elaboramos uma pergunta aos entrevistados se elesconcordavam com a citação e por que. Obser...
50                     Nós, adultos, temos na brincadeira com as crianças a oportunidade de                     conhecê-la...
51      Diante desse nosso estudo percebemos que ainda falta uma maior atençãosobre a utilização da ludicidade nas escolas...
52corporal e harmonioso, e também para construção do individual e coletivo dosalunos.      Foi justamente dentro desse con...
53ARFOUILLOUX, J. C. A entrevista com a criança. Tradução de A. T. Ribeiro. Riode Janeiro: Zahar, 1975.ARMANELLI, Wellingt...
54FURTADO, O; BOCK, A.M.B; TEIXEIRA, M.L.T. Psicologias: uma introdução aoestudo de psicologia. 13 ed. São Paulo: Saraiva,...
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Pedagogia 2009

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  1. 1. 11 INTRODUÇÃO A presente monografia tem como título "o Lúdico como Ferramenta noProcesso de Ensino Aprendizagem na Educação Infantil". Ao enfatizar a natureza dotrabalho, buscamos compreender qual a importância que o professor de EducaçãoInfantil dá a ludicidade como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem.Desta forma, pretendemos ir além da descrição das atividades visíveis decomportamento; o propósito é captar o sentido empregado pelo professor às suasações em uso da ludicidade na prática pedagógica. A pesquisa parte do fato de pensarmos a ludicidade como uma ferramentafacilitadora na construção do conhecimento. Para, em seguida, estabelecer ahipótese de que os professores da Educação Infantil utilizam a mesma no cotidianode sala de aula. Assim, o objetivo geral da pesquisa é identificar como o professor deEducação Infantil está utilizando a ludicidade em sala, e o que ele pensa a respeitodo uso da ludicidade na construção do conhecimento. O capítulo primeiro procurou detalhar os aspectos que nos levaram ainvestigação deste tema, assim como a problemática, os questionamentos e osobjetivos. Buscamos mostrar a importância do professor na utilização do lúdico noprocesso de ensino-aprendizagem e o valor que tem o brincar na infância. O capítulo segundo nos mostra as teorias que fundamentam as discussõesem autores como: Ferreira (1986), Almeida (2003), Kramer (2005), Machado (2001),Luckesi (apud RAMOS, 2000), Antunes (2003), Ferreiro (1998), entre outros. O capítulo terceiro traz a metodologia. Onde mostramos as finalidades dapesquisa, os instrumentos utilizados, o lócus de pesquisa além de caracterizar ossujeitos pesquisados.
  2. 2. 12 No capítulo quarto, buscamos mostrar de forma minuciosa o alvo do trabalho,através da análise e interpretação de dados, utilizando como ponto de partida a falados sujeitos entrevistados e suas opiniões, analisando, principalmente, como ocorreà utilização do lúdico como ferramenta no processo de ensino aprendizagem,comparando as idéias com a fundamentação teórica, produzindo assim os diferentessignificados desse estudo. Por fim, a conclusão que nos retrata os resultados obtidos com o trabalho.Fazemos um relato a respeito dos resultados encontrados, com ênfase na visão queo professor tem do uso da ludicidade na prática pedagógica.
  3. 3. 13 CAPÌTULO I 1. LUDICIDADE: COMPREENDENDO O PAPEL DO LÚDICO NA FORMAÇÃO DA CRIANÇA O contexto atual de educação em nosso país nos mostra índicespreocupantes no que concerne ao desempenho escolar dos nossos alunos, desdeos anos iniciais até os finais, ficando evidente que o ensino por si só não dá conta desanar as dificuldades apresentadas pelos alunos. Apesar de alcançar grandesavanços, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos revelou oquanto precisamos melhorar, na forma como vem sendo desempenhado o processode ensino-aprendizagem nas nossas escolas. A partir desse pressuposto,tornaremos evidente a importância da “ludicidade” assim como, as atividades lúdicaspodem ser importantes no desenvolvimento e na aprendizagem das crianças epoderão contribuir na melhoria dos índices de aprendizagem. A tabela abaixo com os números alcançados pelo IDEB ratifica as afirmaçõescitadas: FIGURA 01 REFERENTE AO IDEB Anos Iniciais do Anos Finais do Ensino Ensino Médio Ensino Fundamental Fundamental IDEB IDEB IDEB Metas Metas Metas Observado Observado Observado 2005 2007 2007 2021 2005 2007 2007 2021 2005 2007 2007 2021TOTAL 3,8 4,2 3,9 6,0 3,5 3,8 3,5 5,5 3,4 3,5 3,4 5,2 Tabela 1- FONTE: www.mec.gov.br/inep.br Evidenciamos então que dentro do processo de ensino-aprendizagem,propõe-se que o aluno tenha a capacidade de aprender, o que na sua etimologiasignifica “abarcar com profundidade, compreender, captar” (MACEDO, 2005, p. 10) eaprender com prazer, com envolvimento. Concordamos com Macedo, pois o
  4. 4. 14educando necessita se encher de desejo, vontade, para então dar significado à suaaprendizagem, sendo assim percebemos o professor como a mola propulsora paraque estes indivíduos – os discentes – aprendam e sintam-se parte integrante desseprocesso tão pessoal e singular que é a aprendizagem que varia de indivíduo paraindivíduo. Kuethe (1978, p. 06) Define aprendizagem como “o processo pelo o qual aconduta se modifica em resultado da experiência” desta forma a nossa práticapedagógica poderá ser o diferencial para o sujeito aprendiz, contudo não podemosafirmar que, a aprendizagem aconteceu se não observarmos uma “alteração deconduta, de comportamento frente ao novo saber em detrimento da vida”, nem tãopouco existe um meio de medirmos o nível de aprendizado do discente, ao menospor meio do seu desempenho, pois, temos que levar em consideração que “tantoprofessores, como estudantes, variam grandemente no que tange à personalidade, àcapacidade e outros aspectos, a relação entre eles caracteriza-se mais pelo o seupropósito do que pela sua forma de expressão”. (KUETHE, 1978, p. 13). Nesse sentido o processo deve se sobrepor ao modelo pedagógico no qual oaluno seja um mero receptor, pois a educação bancária não cabe mais dentro deuma educação que deve ter por meta alavancar o sujeito para sua autonomia eindependência, logo uma educação que o leve a apenas memorizar conteúdos estáfadada a fracassar e levar o aluno ao mesmo fracasso. Precisamos, sim, que oaluno compreenda de fato o que lhe é ensinado para poder formar suas própriasopiniões e então, criar o hábito do questionamento, afinal de contas como noscoloca Macedo (2005) o aluno precisa “Expressar um novo conhecimento, espacial e temporalmente determinado. Espacial porque se trata de juntar uma coisa com a outra. Temporal porque essa ligação modifica ou acrescenta algo que era, ou não era, antes dessa apreensão”. (p. 10) Essa colocação ratifica a Teoria Interacionista que afirma que aaprendizagem acontece a partir da interação do indivíduo com o meio.
  5. 5. 15 Podemos observar que as trocas sociais são condições necessárias para odesenvolvimento do pensamento. Logo, o professor ou mediador do conhecimentotorna-se o protagonista principal dessa mudança, pois a aprendizagem a partir daTeoria Interacionista é um processo muito dinâmico onde deve ser observado odesenvolvimento infantil, utilizando o lúdico como ferramenta/recurso facilitador doaprendizado, objetivando desta maneira uma melhoria no rendimento escolar, mastambém na vida, nos seus posicionamentos. Portanto, o espaço escolar deve seralegre e favorável, levando-se em consideração que, o lúdico representa valoresespecíficos, de modo que, principalmente na fase infantil, esses valores sãofundamentais e essenciais na construção de vida do ser humano. Mediante o exposto não podemos deixar de fazer alusão aos trabalhos dePiaget que contribuem de forma relevante para a definição da atividade lúdica.Tomando por base a psicologia genética (estudo da origem do conhecimento) anatureza do jogo se caracteriza em cada fase do desenvolvimento do ser humano apartir de habilidades específicas que vão surgindo em cada fase, considerando asfases do desenvolvimento. Dessa maneira, o processo ensino-aprendizagem por meio do lúdico constitui-se, sobretudo, como sendo algo dinâmico, no qual existe sempre movimento daapreensão do conhecimento através da junção contínua de saberes. Podemos,porém, afirmar que a idade deve ser respeitada, pois se a atividade lúdica propostanão estiver de acordo com a maturidade do aprendiz servirá apenas como mais umelemento para tornar a aula cansativa e desestimulante. Portanto, o brincar é fundamental para o desenvolvimento das crianças,sendo sua principal atividade quando não estão dedicadas às suas necessidades desobrevivência – repouso, alimentação, etc. – todas as crianças brincam se não estãocansadas, doentes ou impedidas, brincar é algo inerente ao ser humano, portanto,quando se pretende usar o lúdico na sua formação, conclui-se que se dará umprocesso agregador à sua aprendizagem. Ludicidade é uma temática que vem cada vez mais ganhando espaço nasdiscussões da sociedade atual, principalmente na área da educação infantil, por
  6. 6. 16termos no lúdico a essência da infância o que nos permite entre outras coisasrealizar um trabalho pedagógico pautado na construção do conhecimento de formamais elaborada e ao mesmo tempo mais prazerosa, sendo de suma importânciapara o desenvolvimento da aprendizagem e das questões psicológicas. Sabe-se que durante a infância, o brincar é uma das formas mais comuns docomportamento humano. Infelizmente, até a relativamente pouco tempo, o brincarera desvalorizado e menosprezado, destituído de valor a nível educativo, sendo vistoapenas como algo fútil e tolo, apenas um passatempo. A concepção de brincarpassa por uma transformação bastante positiva, e a sua importância no processo dedesenvolvimento de uma criança, pois independentemente das questões sociais,culturais, educativas o lúdico faz parte da vida da criança, considerando que estasvivem em um mundo, de encantamento, de sonhos, de alegria, de fantasia onderealidade e faz-de-conta se confundem. Nesta perspectiva a utilização de brincadeiras e jogos no processopedagógico desperta nas crianças o gosto pela vida levando-as a enfrentar osdesafios como lhe surgirem, com mais segurança e autonomia, pois na sociedadede mudanças aceleradas em que vivemos, somos sempre levados a adquirir novascompetências e brincar é algo indispensável para a consolidação de pessoas maisequilibradas nesta mesma sociedade. . Diante do exposto esta pesquisa discutirá o quanto o “lúdico” pode ser uminstrumento indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida dascrianças além de tornar evidente que os professores devem tomar consciênciadesse fato além de saber se estes têm conhecimento sobre a relação do brincar coma aprendizagem e o desenvolvimento da criança. A escolha do tema “A importância do lúdico como ferramenta no processo deensino-aprendizagem na Educação Infantil” justifica-se pelo fato de que osresultados da educação, apesar de todos os seus projetos, continuam insatisfatórios,percebendo-se a necessidade de mudanças no âmbito educacional. Nesse sentido,o lúdico pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento do serhumano, auxiliando na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social,
  7. 7. 17pessoal e cultural, facilitando o processo de socialização, comunicação, expressão econstrução do pensamento. Ressalta-se, porém, que o lúdico não é a únicaalternativa para a melhoria no processo ensino-aprendizagem, mas é uma ponte queauxilia na melhoria dos resultados. Mediante o exposto, propomos com este trabalho levantar a seguinte questão:Quais os significados que os professores de educação infantil dão a ludicidade noprocesso de aprendizagem? Diante dessa inquietação, apresentamos o objetivo denossa pesquisa que é: identificar quais os significados que os professores deeducação infantil dão a ludicidade no processo de aprendizagem. Ressaltamos a relevância deste estudo para a prática pedagógica dosdocentes, pois, percebemos que em alguns casos ainda existe uma espécie de“rejeição” com relação ao trabalho com os jogos lúdicos, por parte de algunsprofessores. Com vistas a “facilitar” a apreensão do saber, o lúdico funciona comoferramenta que dará suporte ao educador no decorrer do seu trabalho em sala deaula tendo em vista que os alunos aprendem mais em ambientes que lhes sejamfamiliares e lhes ofereçam uma certa intimidade com o objeto de estudo, nestesentido o espaço brincante é extremamente favorável às novas aprendizagens e aoreforço das anteriormente adquiridas. As contribuições resultantes deste nosso estudo para o espaço acadêmico éde trazer contribuições sobre a ludicidade. Estas contribuições poderão nos levar acriação de novas estratégias de intervenções, onde as atividades lúdicas não serãovistas apenas como momentos de prazer, mas como momentos cheios designificados para as pessoas que a utilizam e que esses significados sejam vistos einterpretados como um dos avanços da ciência. CAPÍTULO II
  8. 8. 182. QUADRO TEÓRICO A educação é um processo amplo e diversificado imprescindível para aformação do homem como indivíduo que vive em uma sociedade e estabelecerelações coletivas com aqueles que de alguma forma interferem em sua vida. Elapossui uma dualidade significativa, pois ao mesmo tempo lida com o camposubjetivo e objetivo dos sujeitos. Nesse sentido, é importante destacar, que naeducação infantil, essa dualidade mostra-se de forma mais nítida, pois, as criançasenvolvem-se inteiramente nas experiências cotidianas que acontecem na sala deaula. Portanto, evidenciamos a necessidade de um trabalho pedagógico que valorizea ludicidade como ferramenta no processo de ensino aprendizagem. Diante disso, estaremos buscando identificar quais os significados que osprofessores de educação infantil dão à ludicidade. Sendo assim, ressaltamos que asnossas discussões estarão norteadas pelas seguintes palavras-chave: Professores,Educação Infantil e Ludicidade.2.1 Professor: é hora de brincar! A fim de estudar e conhecer o significado que os professores de educaçãoinfantil dão à ludicidade, faz-se necessário definir que professor vem do latim“professore - aquele que professa ou ensina uma ciência, uma arte, um técnica, umadisciplina” (FERREIRA, 1993, p. 1398). Cabe ao professor assumir o papel de interlocutor, que traga aspectosprioritários em função da necessidade de cada um. Campos (1993) enfatiza: “Aludicidade poderia ser a ponte facilitadora da aprendizagem se o professorpudesse pensar e questionar-se sobre sua forma de ensinar, relacionando autilização do lúdico como fator motivante de qualquer tipo de aula” (p. 25). É através dos jogos e brincadeiras que a criança começa a descobrir omundo, explorando, se relacionando, criando, ela constrói e socializa o
  9. 9. 19conhecimento na troca de experiências com outras crianças, permitindo que tarefase habilidades possam ser executadas de maneira independente ou mesmo comajuda dos colegas a partir de atividades lúdicas. Nesse sentido, o professor será o responsável por ajudar a criança a ampliaras suas possibilidades, proporcionando a elas brincadeiras e jogos que contribuampara o seu progresso intelectual, psicossocial e educacional. De acordo com Dohme (2003): O uso do lúdico na educação prevê, principalmente a utilização de metodologias agradáveis e adequadas às crianças que façam com que o aprendizado aconteça dentro do “seu mundo”, das coisas que lhes são importantes e naturais de se fazer, que respeitam as características próprias das crianças, seus interesses e esquemas de raciocínio próprio (p.15). O professor é denominado mediador do conhecimento, capaz de transformardesmistificar conceitos prévios, agindo de forma racional e lógica podendo atuarcriticamente junto aos problemas sociais possibilitando a construção de cidadãoscríticos, pois assim afirma Mizukami (1986): O professor nessa abordagem assume a função de facilitador da aprendizagem, e nesse clima o estudante entrará em contato com os problemas vitais que tenha repercussão na existência. Daí o professor a ser compreendido como um facilitador da aprendizagem, congruente, ou seja, integrado (p. 52). Podemos dizer também que professor é aquele que ajuda na construção deuma sociedade que busca mudança do mundo, por meio da formação de pessoassensíveis, impulsionadas pelo prazer que há em uma educação que não priorize oindividualismo, mas a cooperação mútua e vivências fraternas/lúdicas entre osalunos e todos os sujeitos responsáveis pela escola. Com eficácia nesse contexto,Gentili e Alencar (2005) denominam: Professores e professoras são pedreiros que colocam no edifício de uma nova sociedade, que não será feroz e excludente como a atual. Mestres e mestras são anunciadores de um tempo de mais delicadeza que já aparece num olhar curioso de suas crianças num idealismo de seus jovens alunos. (....) E educadoras são parteiras do futuro! Educadoras têm a delicada
  10. 10. 20 tarefa de investigar a mina que é cada pessoa, com suas preciosidades escondidas. Jóias que ele próprio aluno ou aluna, muitas vezes desconhece (p. 110). Pode-se dizer, portanto, que a educação lúdica integra na sua essência umaconcepção prática, atuante e concreta, embasa pelo desejo constante de ampliar aspossibilidades de permanência dos alunos nas escolas. Cabe então, aosprofissionais da educação organizar atividades lúdicas que ajudem e estimulem acriança no processo de ensino aprendizagem. Desse modo os educadores farão doato de educar um compromisso consciente, intencional e modificador da sociedade Formar educadores conscientes, para introduzir o lúdico na escola é umameta fundamental, mas tarefa difícil de ser cumprida. Almeida (2003) acredita que: O sentido real, verdadeiro, funcional da educação lúdica estará garantido se o educador estiver preparado para realizá-lo. Nada será feito se ele não tiver um profundo conhecimento sobre os fundamentos essenciais da educação lúdica, condições suficientes para socializar o conhecimento e pré-disposição para levar isso adiante (p. 63). Os educadores são profissionais de suma importância para possibilitar ocrescimento intelectual, cultural e artístico de seus alunos e da sociedade como umtodo, pois o docente principalmente da Educação Infantil, aposta em um modelopedagógico sócio-construtivista, seja um mediador de toda a construção e relaçãoda criança com o conhecimento. Em se tratando da atividade lúdica o papel dodocente enquanto mediador, ainda se torna mais evidente. A formação dos professores, voltada para a educação lúdica abre caminhospara dinamizar seu trabalho, que certamente será mais produtivo prazeroso. Paraalcançar essa meta, é necessário que os professores reconsiderem sua praticapedagógica, trazendo harmonia e alegria para o ambiente escolar. Isso dependerádo nível de envolvimento do educador, de sua concepção de educação. ParaFriedmann (2002): É fundamental tomar consciência de que a atividade do lúdico infantil fornece informações elementares a respeito da criança: suas emoções, a forma como interage com seus colegas, seu desempenho físico-motor, seu estagio de desenvolvimento, seu nível lingüístico, sua formação moral, e
  11. 11. 21 mais, nessa perspectiva, o professor é mais do que um orientador: ele deve ser um desafiador, colocando dificuldades progressivas no jogo, como uma forma de avançar nos seus propósitos de promover o desenvolvimento ou para fixar a aprendizagem. Esse é o grande papel do professor enquanto educador lúdico e criativo (p. 14–15) A evolução do conceito de aprendizagem sugere que educar passe a serfacilitar a criatividade, no sentido de recolocar o ser humano em sua evoluçãohistórica, deixando de lado a idéia de que aprender significa a mesma coisa queacumular conhecimentos sobre fatos, dados e informações isoladas. De acordo como Referencial Curricular da Educação infantil (1998) Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural (p. 23). Sendo assim, acreditamos que o professor de educação infantil que prioriza aludicidade, consegue com mais facilidade a participação dos alunos em todos osmomentos pedagógicos e educativos que acontecem no cotidiano das escolas.2.2 Educação Infantil... Continuando a brincadeira! A infância é um período de grande importância na vida do homem. È nela quesurgem os primeiros contatos sociais e as primeiras construções de um pequeno serque ao decorrer de sua vida estará contribuindo para a mudança ou permanênciados processos existentes na sociedade. Neste contexto, Kramer (2005) relata: Estudos contemporâneos sobre infância enfatizam que a criança é um sujeito social, que possui historia e que, além disso, é produtora e reprodutora do meio no qual está inserida, atuando, portanto como produtora de história e cultura (p.133). As crianças ao longo da história não tiveram vez e voz. Sua existência nomundo dependia da vontade do adulto, que a todo o momento reprimia suasexpressões não dando-lhe liberdade de expor seus anseios e de atuar nacomunidade como ser que possui potencial criador. Portanto, precisamos recuperartodo o tempo perdido e toda agressão feita às crianças; desenvolvendo a ludicidade.
  12. 12. 22 Os primeiros anos de vida de uma pessoa são muito importantes, definitivosna formação do sujeito como ser histórico e social, construtor e transformador dasua realidade. Por isso, compreendemos educação infantil como um processoeducacional responsável pelas primeiras construções que a criança faz em sua vida. A educação infantil é aquela que busca propiciar a construção deconhecimentos especialmente de envolvimento integral da criança; pois quando esta“chega ao mundo” é herdeira da cultura e do meio em que está inserida. A educação infantil vem contribuindo de forma crescente para a formaçãosocial de nossas crianças. Segundo a Constituição de 1998, ela passou a serlegalmente oferecida como dever do Estado e direito de todas as crianças. Essaafirmação é confirmada ao analisarmos o que diz a LDB (Lei das Diretrizes e Bases)Art. 29: A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (LEI 9394, de DEZEMBRO de 1996). O atendimento à infância surge pela necessidade de ter um lugar onde ascrianças pudessem ficar enquanto os pais trabalhavam, afinal: “foi como problemaque a criança começou a ser vista pela sociedade... E com o sentimento filantrópico,caritativo, assistencial, é que começou a ser atendida fora da família (DIDONET;2001 p.12)”. Diante do que foi abordado anteriormente, percebemos que as concepçõesde educação infantil muitas vezes passam por compreensões diversas em nossasociedade. Neste contexto, Kramer (1998) relata que: A herança histórica de constituição de educação infantil como etapa da escolarização da criança pequena muitas vezes impede a percepção de que “a educação infantil não se restringe aos aspectos sanitários ou assistencial, mas não se resume tampouco, à mera antecipação da escolaridade nem à transmissão seqüencial de informações” (p.7).
  13. 13. 23 Kramer (2005) ainda afirma o seguinte: O que se observa, ainda, nas práticas de educação infantil é uma ênfase ora em aspectos assistenciais, ora em caráter pedagógico, no sentido de transmissão de conhecimentos. Cabe perguntar: no contexto dessas práticas, onde fica a criança como sujeito social? Sua história, seu saber, sua identidade, que espaço tem ocupado a criança como sujeito histórico- cultural nas políticas de formação dos professores de educação infantil? (p.135). A concepção de educação infantil vem mudando. A visão assistencialista estádando lugar a um novo enfoque educacional, pois em tempos passados, até mesmoo ambiente destinado à educação das crianças era separado dos demais,proporcionado um segmentação em vez de integração educacional. De acordo comessa afirmação, Machado (2001) expressa que: Na educação infantil brasileira o entendimento das novas definições de creche e pré-escola pelo critério da faixa etária tem levado, em muitos casos, mas não em todos, a uma maior segmentação no atendimento à criança de 0 a 6 anos, fazendo com que tenham que mudar de instituição e de período diário de freqüência ao completar 4 anos de idade. É interessante notar que se verifica a mesma tendência no ensino fundamental, com muitos estados dividindo as escolas entre 1ª e 4ª série e 5ª série em diante, funcionando em prédios separados (p.29). A educação infantil por ser tão importante, deve valorizar a criança em suatotalidade respeitando a identidade de cada aluno que dela faz parte, epossibilitando experiências lúdicas por meio das brincadeiras. A brincadeira é umespaço de socialização, de construção que desenvolve todos os sentidos da criança.O ato de brincar não é apenas para o desenvolvimento escolar, mas para que elapossa adquirir experiência de elaboração das vivências. A brincadeira implica para a criança muito mais do que um simples ato debrincar, pois é através dela que a criança se comunica com o mundo e também estáse expressando. Machado (2001) acredita que o brincar é: [...] também um grande canal para o aprendizado, senão o único canal para verdadeiros processos cognitivos. [...] ao brincar, a criança, pensa, reflete e
  14. 14. 24 organiza-se internamente para aprender aquilo que ela quer, precisa, necessita, está no seu momento de aprender; isto pode não ter a ver com o que o pai, o professor ou o fabricante do brinquedo propõe que ela aprenda (p. 37). Machado (2001, p. 24) acredita que “brincar é viver criativamente no mundo.Ter prazer em brincar é ter prazer em viver”. Assim partindo desse pressuposto éque observamos que, hoje, nas escolas, o brincar está ausente de uma propostapedagógica. Muitas instituições de educação infantil simplesmente esqueceram abrincadeira, na sala de aula ou ela é utilizada com uma perspectiva didática, quandonão é considerada uma perda de tempo. A criança precisa conviver com um montede proibições, que vem desde a escola até a sua casa estas proibições, muitasvezes de forma excessiva têm contribuído cada vez mais para que tenhamos na salade aula alunos apáticos e passivos, ou até mesmo desmotivados. Machado (2001) afirma: Brincar é um aprendizado de vida que leva as crianças para esse ou aquele caminho para traçar seu próprio percurso ou para tê-los traçado pelos pais, professores, tios, namorados, vizinhos. Tudo depende de como as crianças brincam e qual é a atitude dos adultos ao redor em relação a essas brincadeiras (p. 37). O brincar se diferencia do sonho, pois no ato de brincar a consciência adquireimportância, a criança sabe que seu jogo não é correspondente à realidade, emboraos dados da realidade sirvam de base para o brincar. Por outro lado, através do jogocria, corrige os aspectos insatisfatórios do real que realiza sua imaginação e seusdesejos. O que se tem percebido nas escolas, é a falta de espaço e tempo destinadosà atividade lúdica, o que compromete o desenvolvimento da criatividade da criança,limitando as possibilidades de os professores acompanharem o desenvolvimentodas crianças, e conhecerem melhor o universo sócio cultural em que estão inseridas. Armanelli (2003, p. 50-51) afirma:
  15. 15. 25 No conceito de pessoas leigas, o brinquedo é um instrumento de recreação destinado a ocupar a criança, alegrando-a enquanto o tempo passa. Dentro do campo de ação da ciência educacional, entretanto, o brinquedo não tem essa característica de atividade acessória e secundária, porque assume papel de relevo no esquema das atividades infantis, como agente eficaz de propulsão evolutiva, acompanhando e favorecendo o crescimento sócio- psico-biológico da criança. Os professores de educação infantil precisam estar atentos às funçõeseducativas da ludicidade para que assim, compreendam o valor que ela tem naformação das crianças, pois quando brincamos, jogamos e etc. nos envolvemos comas situações, não só no sentido físico, como também, psicológico e social. Oliveira(1986, p.18) acredita que a criança que brinca aprende. Citando o psicólogo J.C.Arfouilloux, ele afirma: A criança que brinca [...], experimenta-se e constroi-se através do brinquedo. Ela aprende a dominar a angustia, a conhecer seu corpo, a fazer representações do mundo exterior, e mais tarde, a agir sobre ele. O brinquedo é um trabalho de construção e de criação. Assim é possível perceber que a brincadeira é a melhor forma de a criançaaprender, e descobrir o mundo que a cerca. Por isso a educação infantil éresponsável por todos esses aspectos lúdicos.2.3 Ludicidade: compreendendo a brincadeira! Segundo Grosso (2009) O lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus",que do ponto de vista etimológico, quer dizer "jogo", mas se ficasse confinadosomente à sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas ao jogar, aobrincar, ao movimento espontâneo. O lúdico segundo Feijó (1992) extrapola esseconceito, o lúdico é uma necessidade básica da personalidade, do corpo e damente, faz parte das atividades essenciais da dinâmica humana. A nossa proposta nesse estudo é de construir um conceito de ludicidade querompa com os padrões tradicionais que ainda focalizam-na como momento de perdade tempo sem significação alguma. Luckesi (apud RAMOS, 2000) vem enriquecer oconceito afirmando que ludicidade é:
  16. 16. 26 ...um fazer humano, mais amplo, que se relaciona não apenas à presença das brincadeiras ou jogos, mas também a um sentimento, atitude do sujeito envolvido na ação, que se refere a um prazer de celebração em função do envolvimento genuíno com a atividade, a sensação de plenitude que acompanha as coisas significativas e verdadeiras (p.52). Educar através do lúdico ajuda a criança a formar um conceito de mundo aomesmo tempo em que a prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em quevive, integrando e adaptando-se às condições de mundo em que lhe foi oferecida,aprendendo a competir, cooperar com seus semelhantes e conviver como um sersocial. Segundo Marcelino (1990) as escolas omitem ou negam a importância dolúdico na educação infantil, ele acredita que: Raramente a atividade lúdica é considerada pela escola, e quando isso ocorre, as propostas são tão carregadas pelo adjetivo “educativo”, que perdem as possibilidades de realização do brinquedo, da alegria, da espontaneidade, da festa (p. 85) Assim valorizando as atividades lúdicas, a escola ajuda a criança a formar umbom conceito de mundo, onde a criatividade é estimulada e seus direitos sãorespeitados. O brincar é apropriação ativa da realidade por meio da representação,portanto o brincar implica em aprender. Almeida (2003) enfatiza: A educação lúdica contribui e influencia na formação da criança, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integrando-se ao mais alto espírito democrático enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio.(p. 41) Negar o lúdico pode ser entendido como uma perspectiva geral e, desseponto de vista, ela está diretamente relacionada com a negação que a escola faz dacriança, com o desrespeito á sua cultura. É necessário que a escola repense quem é
  17. 17. 27o seu aluno, a quem ela está educando, respeitando a sua individualidade,facilitando sua produtividade. A atitude lúdica oferece aos alunos experiências concretas, necessárias eindispensáveis às abstrações e operações cognitivas. As atividades lúdicas e jogospermitem liberdade de ação, naturalidade e prazer, que raramente são encontradosem outras atividades escolares. O lúdico é essencial para o processo de ensinoaprendizagem, não só para o sucesso pedagógico, mas também para a formação docidadão. Antunes (2003) acredita que é perfeitamente possível alfabetizar a emoçãoatravés da ludicidade e dos jogos, levando o aluno a vivenciar situações queagucem suas funções cerebrais e abasteçam suas memórias de informaçõesprontas para serem usadas caso necessitem. Almeida (2003) ressalta: A educação lúdica integra uma teoria profunda e uma prática atuante. Seus objetivos, além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a liberação das relações pessoais passivas, técnicas para as relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras, fazendo do ato de educar um compromisso consciente intencional, de esforço, sem perder o caráter de prazer, de satisfação individual e modificador da sociedade. (p. 31) O lúdico aplicado a prática pedagógica não apenas contribui para aaprendizagem da criança, como possibilita ao educador tornar suas aulas maisdinâmicas e prazerosas como afirma o autor acima a atividade lúdica proporciona aoeducador um momento de aproximação entre teoria e prática, além de se tornar uminstrumento que irá influenciar o sujeito de forma profunda e complexa, na atividadepedagógica. Cunha (1994) ressalta: A brincadeira oferece uma “situação de aprendizagem delicada”, isto é, o educador precisa ser capaz de respeitar e nutrir o interesse da criança, dando-lhe possibilidades para que envolva em seu processo, ou do contrario perde-se a riqueza que o lúdico representa. (p. 96)
  18. 18. 28 O lúdico no sentido pedagógico deve ser encarado de forma séria e correta,pois como afirma Almeida (1994, p. 43) “o sentido real, verdadeiro, funcional daeducação lúdica estará garantida se o educador estiver preparado para realizá-lo”.Sendo que o papel do educador é, intervir de forma adequada, permitindo que oaluno adquira conhecimentos e habilidades. Destacamos que a valorização da ludicidade pode ser um meio eficaz de seromper com os paradigmas tradicionais que ainda permeiam a educação infantil. Porisso uma prática pedagógica que lide com uma aprendizagem prazerosa, e com asemoções de cada aluno é imprescindível para que as relações sociais sejamconcretizadas com êxito, sendo que o professor se torna responsável, por esteaspecto. Já Ferreiro (1998) indicava para a importância de se oferecer à criança umambiente agradável, onde ela se sinta bem e a vontade, sentindo-se integrante domeio em que ela está inserida. É ingênuo considerar o lúdico como uma atividade apenas de prazer ediversão, negando seu caráter educativo. A educação lúdica é uma ação inerentetanto na criança quanto no adulto, a criança aprende através do lúdico ao encontrarna própria vida o complemento para suas necessidades. Segundo Kishimoto (2005): Brincando [...] as crianças aprendem [...] a cooperar com os companheiros [...], a obedecer as regras do jogo [...], a acatar a autoridade [...], a assumir a responsabilidade, a aceitar penalidades que lhe são impostas [...], a dar oportunidades aos demais [...], enfim, a viver em sociedade (p. 110) A escola precisa perceber que através do lúdico as crianças têm maiorchance de crescer e se adaptar ao mundo em que vivem. Ele precisa serconsiderado como parte integrante da vida do ser humano tanto na forma dedivertimento como para aliviar as tensões.2.3.1 O jogo na formação e no desenvolvimento da criança
  19. 19. 29 Almeida (2003, p. 41) explica que os educadores excluíram os jogos dasatividades formadoras e da pratica educativa com os seguintes argumentos: “[...] os jogos contradizem a seriedade do ato de estudar, o jogo representa o reflexo da civilização dominada pelo “haxixe” e pela fruição passiva em busca do prazer, satisfação social, independente de uma ação reflexiva e coletiva”. Ele afirma ainda que os “jogos são vistos, a priori, como a ‘pedra de entrave’das ciências humanas (p. 41)”. No entanto, os trabalhos de Piaget, Chateau, Wallonacabaram por contribuir para a definição dessa educação lúdica. Eles tomaram porbase a psicologia genética, que dá grande atenção ao jogo. Piaget (1995) considera quatro períodos no processo evolutivo da espéciehumana estes são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazermelhor" no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo dedesenvolvimento. Embasados no estudo de Furtado (1999) poderíamos descrever oprocesso de desenvolvimento infantil da seguinte forma:• 1º período: Sensório-motor (0 a 2 anos)• 2º período: Pré-operatório (2 a 7 anos)• 3º período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos)• 4º período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante) Sobre a importância do ato de brincar para o desenvolvimento psíquico do serhumano, Bettelheim (1984) afirma que: Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo. Sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar mesmo se não a entendemos (p. 105). Quando brinca, a criança cria situações imaginárias em que se comportacomo se estivesse agindo como e no mundo do adulto. Enquanto brinca, seu
  20. 20. 30conhecimento sobre o mundo é ampliado, de modo que ela faz de conta e se colocano lugar do adulto. Assim, ao brincar a criança recria e repensa os acontecimentosque viveu, sabendo que está brincando. Jean-Jacques Rousseau (in Almeida, 1978, p. 18) acredita que “seriaconveniente dar à criança a oportunidade de um ensino livre e espontâneo, pois ointeresse geraria alegria e descontração. Ele pontua ainda: “Em todos os jogos queestão persuadidas de que se trata apenas de jogo, as crianças sofrem sem sequeixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem derramar torrentesde lágrimas”. Na brincadeira a criança assume diferentes papéis e nessarepresentação age, frente à realidade, transferindo e substituindo suas açõescotidianas pelas ações e características do papel assumindo, ou seja, muitas vezesdo papel do adulto, utilizando-se de objetos substitutos.
  21. 21. 31 CAPÍTULO III3. PERCURSOS METODOLÓGICOS Os procedimentos metodológicos, assim como o tema da pesquisa fazemparte da vivência do pesquisador e lhe diz respeito, pois se caracterizam como umato próprio e não admite neutralidade, esse caráter político se dá pela dimensãosocial da pesquisa. Segundo Severino (2002), “qualquer pesquisa em qualquer nível exige dopesquisador um envolvimento tal, que seu objetivo de investigação passa a fazerparte de sua vida”. A afirmação confirma a idéia de que a pesquisa qualitativa épessoal e denota o perfil do pesquisador, bem como sua relação com o objeto deestudo, uma vez que trabalha com valores, crenças, opiniões, atitudes erepresentações, aprofundando os estudos e delimitando-o para atingir o objetivo aque se propôs.3.1 Abordagem utilizada A pesquisa deu-se no campo da investigação qualitativa, que segundoMazzotti e Gewandsznayder (2001), por sua diversidade e flexibilidade não admitemregras precisas, aplicáveis a uma ampla gama de casos. Considerando que o focoda pesquisa, bem como as categorias teóricas só deverão ser definidos no decorrerdo processo de investigação. Pelo fato de a ludicidade estar relacionada à educação, bem como ásquestões complexas inerentes à formação das crianças, optamos pela abordagemqualitativa, pois teremos maiores possibilidades de alcançar o nosso objetivo. Machado e Almeida (2006) salientam que:
  22. 22. 32 A pesquisa qualitativa (interpretativa) é considerada como aquela onde os pesquisadores interessam-se por compreender os significados que os indivíduos dão a sua própria vida e as suas experiências. O ponto de vista, o sentido que os atores dão aos seus comportamentos humanos e sociais. Mas estes significados e estas interpretações são abordados nas interações sociais onde os aspectos políticos e sociais afetam os pontos de vista dos atores. Há concordância de que interesses sociais e políticos orientam as integrações dos atores (p.32). O que chama atenção é o fato de que, freqüentemente, a pesquisa qualitativanão está sendo definida por si só, pois para o processo de investigação científica,implica que o pesquisador, não se deve restringir a resultados frutos de umadeterminada abordagem.3.2 Lócus e sujeitos da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas escolas particulares, Centro EducacionalConstruindo Conhecimento, que funciona nos turnos matutino e vespertino e naSementinha do Futuro, funcionando os dois turnos. E duas da rede pública deensino, Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, funcionando nos turnosmatutino e vespertino, e na Fundame (Fundação de Amparo ao Menor) que tambémfunciona os dois turnos. Todas as escolas estão situadas na cidade de Senhor doBonfim-Ba Os sujeitos foram 15 professores, de Educação Infantil, que trabalham nasescolas em questão. Objetivando assim, através do cruzamento dos dadoscoletados, investigar o quanto os professores de Educação infantil fazem uso daludicidade em seu dia-a-dia em sala de aula. Em uma primeira etapa os professores foram informados do propósito dotrabalho, e ao tomarem conhecimento se dispuseram a responder as questõespropostas, permitindo aprofundar-nos na coleta de dados do maior número possívelde informações e esclarecimento a cerca de como anda o uso da ludicidade na salade aula de Educação Infantil.
  23. 23. 33 Dessa forma ao trabalhar com o cotidiano escolar codificando a realidade dosespaços brincantes nas escolas e sua importância para a vida e aprendizagem dosestudantes, fez-se opção por uma metodologia que trata das questões reais comflexibilidade e abertura.3.3 Instrumentos de coleta dedados Sem a utilização de certos instrumentos de coleta de dados, torna-sepraticamente inviável; principalmente numa abordagem qualitativa, almejar o objetivode estudo. Os instrumentos aos quais fizemos uso na construção dessa pesquisaforam, o questionário fechado, que tem na sua construção questões objetivas, sendoassim permite-nos respostas que possibilitam a comparação com outrosinstrumentos de coleta de dados, e a entrevista semi-estruturada, que mostra umarelação fixa de perguntas, cuja ordem e redação permanecem invariáveis para todosos entrevistados. Permitindo assim o tratamento dos dados, nos dando suporte paraapurar opiniões e atitudes explícitas e conscientes dos entrevistados.3.3.1 Questionário fechado O questionário segue uma ordem de perguntas a serem respondidas pelos sujeitos. Em se tratando desse instrumento de coleta de dados Marconi e Lakatos (1996) dizem o seguinte: Questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o questionário ao informante, pelo correio ou por um portador, depois de preenchido, o pesquisado, devolve-o do mesmo modo. (p.88) Dentre as várias possibilidades que o questionário possibilita, utilizamos oquestionário fechado, a fim de traçar um perfil dos sujeitos de pesquisa. SegundoBarros (2000), o questionário fechado é aquele que apresenta categorias oualternativas de respostas fixas.
  24. 24. 34 Triviños (1987) afirma que: “sem dúvida o questionário fechado, de empregousual no trabalho positivista, também o podemos utilizar na pesquisa qualitativa”(p.137). O questionário fechado visa também adquirir informações que estejamrelacionadas à idade, gênero, estado civil, religião, renda mensal entre outras. Num primeiro momento foi explicado o propósito do trabalho, em um segundomomento os questionários foram distribuídos entre os 15 professores das escolascitadas acima, os quais foram muito receptivos, nos receberam com muito boavontade. Foi dado um tempo para que todos respondessem as questões, que eramobjetivas, e foram devolvidas para que nós começássemos a nossa análise.3.3.2 Entrevista semi-estruturada A entrevista semi-estruturada foi utilizada, pelo fato de ela ser um instrumentopertinente no campo de pesquisa qualitativa; já que permite que o entrevistador crierelações de aproximação com o entrevistado solicitando as informações de queprecisa sobre determinado tema ou problema, que em nosso caso, está relacionadoà ludicidade. Ludke e André (1986) defendem a entrevista, pois: Ao lado da observação, a entrevista representa um dos principais instrumentos básicos para a coleta de dados, dentro da perspectiva de pesquisa. Esta é, aliás, uma das principais técnicas de trabalho em quase todos os tipos de pesquisa utilizados nas ciências sociais. Ela desempenha importante papel não apenas nas atividades científicas como em muitas outras atividades humanas. De início é importante atentar par o caráter de interação que permeia a entrevista. Mas do outros instrumentos de pesquisa, que em geral estabelecem uma relação hierárquica entre o pesquisador e o pesquisado... (p.33). A entrevista é considerada como uma técnica verbal uma vez que tem comopressuposto, a oralidade e diálogo entre duas ou mais pessoas. Ela nos deu suportedurante a coleta de dados realizada com professores de educação infantil. Em relação a entrevista semi-estruturada Triviños (1987) salienta:
  25. 25. 35 Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipótese, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante (p.146). Portanto, esse instrumento ampliou os nossos níveis de conhecimento emrelação à temática aqui pesquisada e permitiu que pudéssemos avançar de formasignificativa na análise dos dados coletados. A entrevista foi realizada num período de 5 dias. Foi-nos disponibilizado ohorário do “recreio”, para que assim pudéssemos ter um melhor aproveitamento decada professor. Em todas as escolas a entrevista foi bem encaminhada, osprofessores se mostraram interessados em cooperar, fazendo assim com quehouvesse uma boa interação, onde pudemos observar o grau de conhecimento quecada um tem a cerca do objeto da pesquisa.
  26. 26. 36 CAPÍTULO IV4. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS Os dados e informações foram realizados em quatro escolas, duas da redemunicipal de ensino e duas da rede particular todas situada na cidade de Senhor doBonfim – Bahia. Estes dados coletados e interpretados procuram identificar a formapelo qual os docentes, enquanto mediadores e lapidadores do saber utilizam olúdico em sala de aula como ferramenta no processo de ensino aprendizagem. Aseguir, serão apresentadas as categorias construídas a partir das falas dosprofessores, obtidas através do questionário sócio-econômico e a entrevistaestruturada. As escolas que foram pesquisadas serão aqui denominadas de Escolas “A”para escolas da rede pública de ensino que as falas dos professores destasentidades foram numeradas de 1 a 8 e Escolas “B” para as escolas da redeparticular de ensino, que as falas destes professores foram numeradas de 9 a 15, ea letra “P” para especificar a fala do professor.4.1 Perfil dos sujeitos a partir dos dados do questionário social Entre os professores entrevistados nesta amostragem, há uma predominânciado gênero feminino, sendo 93% do sexo feminino e 7% do masculino. FIGURA 02 PERCENTUAL REFERENTE AO GÊNERO Gênero 1; 7% Masculino Feminino 14; 93%
  27. 27. 37 Escola "A" Escola "B" 1; 14% 0; 0% Masculino Masculino Feminino Feminino 6; 86% 8; 100% Estes dados corroboram que o ensino da Educação Infantil está maisdirecionado ao público feminino, ou seja, para as professoras. Na citação de Santos(1999), podemos compreender a causa disto: “A feminilização do magistério ocorreucom a luta das mulheres para se estabeleceram profissionalmente, configurando umnicho no mercado de trabalho ocupado por mulheres”. Temos os seguintes dados obtidos quanto a formação dos entrevistados:33% tem Licenciatura em pedagogia, 40% tem Licenciatura incompleta emPedagogia e 27% tem Formação em magistério. FIGURA 03 PERCENTUAL REFENTE A FORMAÇÃO Formação 4; 27% Licenciatura em Pedagogia 5; 33% Licenciatura em Pedagogia (cursando) Magistério 6; 40% Escola "A" Escola "B" 1; 14% 2; 25% Licenciatura em Licenciatura em Pedagogia 3; 38% Pedagogia 3; 43% Licenciatura em Licenciatura em Pedagogia (cursando) Pedagogia (cursando) Magistério Magistério 3; 43% 3; 37% Diante destes dados percebemosque a figura do professor da Educação Infantil na nossa realidade está se
  28. 28. 38qualificando. A valorização dos profissionais da Educação Infantil é de fundamentalimportância, pois é um direito dos próprios professores e também das crianças.Depois da LDB de nº 9394/96 foi reconhecido a Educação Infantil como a primeiraetapa da educação básica. Temos outro documento muito importante é oReferencial Curricular Nacional para a Educação Infantil que veio como suportepara auxiliar os professores em suas aulas no desenvolvimento integral da criança. Mas se queremos efetivar realmente uma Educação Infantil verdadeiramentede qualidade, precisamos pensar ainda naqueles professores que ainda têmformação adequada, recebem remuneração baixa e trabalham sob condiçõesbastante precárias. Realidades às vezes não muito distantes de nós. Quanto ao tempo de serviço de cada profissional, 40% trabalham de 4 a 5anos, 20% trabalham a 1 ano, 20% trabalha de 2 a 3 anos e 20% mais de 5 anos. FIGURA 04 RELACIONADO AO TEMPO DE SERVIÇO Tempo que leciona 3; 20% 3; 20% 1 ano 2 a 3 anos 3; 20% 4 a 5 anos mais de 5 6; 40% Escola "A" Escola "B" 1; 14% 1; 13% 2; 25% 2; 29% 1 ano 1 ano 2 a 3 anos 2 a 3 anos 2; 25% 4 a 5 anos 4 a 5 anos mais de 5 anos mais de 5 anos 3; 43% 1; 14% E 3; 37%ss es dados demonstram que a maioria desses profissionais atua há menos de umadécada, começaram logo após a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação a Lei
  29. 29. 39de nº 9.394/96 que veio reconhecer a Educação Infantil como uma modalidade deensino. Por ter iniciado a sua prática com a nova LDB, estes profissionais devemestar atentos sobre as novas propostas de ensino para Educação Infantil, e tambémdeverão estar refletindo constantemente sua prática, e aperfeiçoando sempre. A série que leciona. Maternal 33%, Educação Infantil I 27%, Educação InfantilII 33% e a Alfabetização 7%. FIGURA 05 RELACIONADO A TURMA QUE ENSINA Série que leciona 1; 7% 5; 33% Maternal 5; 33% Educação Infantil I Educação Infantil II Alfabetização 4; 27% Escola "A" Escola "B" 1; 14% 0; 0% 2; 28% Maternal 3; 38% 3; 37% Maternal Educação Infantil I Educação Infantil I 2; 29% Educação Infantil II Educação Infantil II Alfabetização Alfabetização 2; 29% 2; 25% Quanto a quantidade de alunos em sala de aula o gráfico abaixo demonstra oseguinte: 60% das salas tem entre 10 a 20 alunos, 33% de 20 a 30 alunos e 7%mais de 30 alunos. FIGURA 06 RELACIONADA À QUANTIDADE DE ALUNOS Quantidade de alunos por sala 10 a 20 alunos 1; 7% 5; 33% Entre 21 e 30 alunos 9; 60% Mais de 30 alunos
  30. 30. 40 Escola "B" Escola A" 1; 13% 0; 0% 2; 25% 10 a 20 alunos 10 a 20 alunos Entre 21 e 30 Entre 21 e 30 alunos alunos Mais de 30 Mais de 30 alunos 7; 100% alunos 5; 62% Verificamos que diante da demonstração acima o número de salas com maisde 30 alunos é o percentual menor da pesquisa realizada. Reconhecendo que asdemais turmas têm um número menor de 30 alunos, mesmo assim, consideramosque a realidade de algumas salas de aula tem um número elevado de crianças einfluenciando no processo ensino-aprendizagem. Pois uma sala de Educação Infantilsuperlotada torna inviável a possibilidade de atingir bons resultados no processo deaprendizagem. Observaremos agora o gráfico para analisar a quantidade de turnostrabalhados por cada professor. FIGURA 07 RELACIONADA AOS TURNOS DE TRABALHO Número de turno 1 turno 7; 47% 8; 53% 2 turnos Escola "A" Escola "B" 3; 38% 3; 43% 1 turno 1 turno 4; 57% 2 turnos 2 turnos 5; 62%
  31. 31. 41 De 15 professores entrevistados 53% trabalham somente um turno e 47%trabalham em dois turnos. Faremos uma observação para os dados dos professoresque trabalham em dois turnos, pois é quase a metade dos entrevistados. Revelandorealidade comum nas escolas, pois estes têm necessidades de trabalhar uma cargahorária maior para suprir suas necessidades. Quanto a qualidade de seu trabalhoesses professores que trabalham dois turnos trabalham com educação infantil pelomenos em um turno. Isso fica visível que a qualidade do trabalho desse professorem sala de aula com as crianças de educação infantil pode ficar comprometido, poisessa modalidade de ensino requer uma disponibilidade maior para a preparação deatividades principalmente atividades direcionadas ao lúdico.4.2 Análise e interpretação dos dados a partir da entrevista semi-estruturada Com o perfil dos entrevistados traçados através do questionáriosocioeconômico, faremos uma análise e interpretação dos dados colhidos ao longodo processo de investigação a partir da entrevista, que diante das falas dosentrevistados procuramos compreender a questão de pesquisa deste trabalho.4.3 A compreensão de Ludicidade Iniciamos nossas análises direcionando nossos olhares sobre ascompreensões que os professores pesquisados tem da ludicidade. Conhecer estascompressões é algo muito importante para nós, porque é revelador, pois é atravésdestas compreensões que podemos perceber se o professor tem conhecimentossobre a temática em questão e como ele utiliza destes instrumentos para facilitar oensino /aprendizagem dos seus alunos. Dos sujeitos pesquisados muitos compreendem como a definição maisapropriada para ludicidade, os jogos e as brincadeiras. Observamos nas seguintesfalas:
  32. 32. 42 Escolas “A”: P-01: “É trabalhar com os jogos envolvendo o aluno na aprendizagem significativa para o cotidiano da sua vida”. P-05: “É trabalhar com o lúdico dando significado e contextualizando o conteúdo trabalhado”. P-08: “É uma forma de aprendizado, onde as crianças aprendem brincando e se divertem”. Escolas “B”: P-10: “Brincar, prazer e diversão”. P-13: “É a interação com os conteúdos da forma brincante”. P-15: “Diversão e conhecimento”. Observa-se nas falas dos entrevistados das duas redes de ensino que todostêm a sua percepção do que seja ludicidade, mas com o mesmo foco, ou seja, adiversão o prazer nas práticas pedagógicas através dos jogos e brincadeiras. Comosendo uma ciência nova é preciso ser estudada e melhor compreendida evivenciada, são afirmações de Santos (2001). Como os jogos e as brincadeiras foram mais utilizados para melhor definir apergunta, estão muito bem direcionadas as definições dos professores, porque olúdico tem a sua origem na palavra latina “ludus” que quer dizer “jogos” e“brincadeiras”. São os jogos e brincadeiras que oportunizam a aprendizagem dascrianças. Na escola o professor tem um papel fundamental ao utilizar nas aulasjogos e brincadeiras. Alguns teóricos como Piaget e Vigotsky frisaram sobre a importância que osmétodos lúdicos proporcionam à educação de crianças, pois proporcionam maioraproximação, uma melhoria na integração e na interação do grupo, facilitando aaprendizagem. Para Teixeira (1995):
  33. 33. 43 O jogo é um fator didático altamente importante; mais do que um passatempo, ele é elemento indispensável para o processo de ensino- aprendizagem. Educação pelo jogo deve, portanto, ser a preocupação básica de todos os professores que têm intenção de motivar seus alunos ao aprendizado. (p. 49).4.4 O lúdico nas práticas educativas. A utilização de atividades lúdicas nos espaços escolares se torna umexcelente recurso, proporcionando ao educando um ambiente mais prazeroso emotivador. Algumas profissionais da educação ainda desconhecem os benefíciosdestes momentos e utilizam destas atividades somente para preencher o tempo, eacham também que estas atividades nada contribuem para o ensino-aprendizagem. Estudos demonstram que é importante para o seu desenvolvimento dacriança, tempo e espaço para o brincar no ambiente escolar. Por isso devemosrefletir sobre as práticas educativas dos educadores em relação às atividadeslúdicas. É preciso re-significar o fazer pedagógico em relação as atividades lúdicas,no ambiente escolar, trazer para a escola os jogos e brincadeiras, utilizando-oscomo instrumento curricular. Dada a importância das atividades lúdicas escolares questionamos aosprofessores se o lúdico está presente em suas práticas educativas e de que forma.Ao serem questionados a maioria respondeu sim, trabalha o lúdico na sala de aula eque utilizam atividades como jogos, dramatização, estórias, contos e outros...Podemos conferir nas falas abaixo: Escolas “A”: P-02: “Sim. Trabalho 2 vezes a 3 vezes por semana através de jogos e brincadeiras. Nos momentos em que eles estão muito agitados”. P-03- “Sim. Através de jogos, dramatizações, atividades que expressem os sentimentos entre outros. Na maioria dos momentos, nas músicas, histórias, conteúdos (alguns) e outros”.
  34. 34. 44 P-07- “Sim. Geralmente com jogos, brincadeiras que transmitam conhecimentos. Utilizo geralmente no inicio das atividades para descontrair e também após outras atividades para fixar o conteúdo”. Escolas “B”: P-09: “Sim. Interagindo com as crianças. Nas aulas, de modo em geral.” P-11: “Sempre. Com histórias, contos, teatro, músicas e brincadeiras. Eu estou sempre buscando o lúdico nas aulas, fazendo com que isso faça parte do nosso cotidiano”. P-12: “Sempre. Cantando, ensinando de forma brincante. Em todas as aulas”. Mesmo todos tendo respondido que sim, ficou visível, diante das falas dosentrevistados, que nas escolas da rede particular os professores trabalham commais freqüência e com mais diversidade de atividades. Deve-se pelo fato de umacobrança maior dos pais que acompanham o desenvolvimento de seus filhos commais freqüência em comparação com os pais dos alunos das redes públicas. Aprópria escola particular exige que os professores contemplem em seusplanejamentos atividades direcionadas a ludicidade. Vale ressaltar que a escolapública tem outras realidades que talvez interfiram de forma significativa nasrealizações efetivas destas atividades nas suas práticas educativas como, porexemplo: a falta de estrutura física, falta de material, o número excessivo de alunospor sala de aula, entre outros. Os professores em geral apontam que o lúdico está presente na rotina da salade aula, ou seja, não está restrito somente no momento do recreio ou datascomemorativas. Verificamos que eles utilizam dos jogos e brincadeiras comoinstrumentos pedagógicos em sala de aula, observe que, tanto foi citado nas falasdos professores da Escola “A” como da Escola “B”, as duas categorias usam destesinstrumentos como recurso facilitador do processo educativo. Kishimoto (1999) afirma: ... quando as situações lúdicas são intencionalmente criadas pelo adulto com vistas a estimular certos tipos de aprendizagem surge a dimensão educativa. Desde que sejam mantidas as condições para expressão do jogo, ou seja, a ação intencional da criança para brincar o educador está
  35. 35. 45 potencializando as situações de aprendizagem (p.19). Como eles utilizam de momentos lúdicos em suas atividades, devem estaratentos porque requer deles, uma atenção maior destas atividades em sala de aula.Que eles usem do fazer lúdico como uma metodologia de ensino e não atividadessem significados, e também sem uma proposta educacional, como simplesmentemais uma atividade para passar o tempo. A observação por parte dos professores com cada atividade lúdica aplicadaem sala de aula é de fundamental importância, para o alcance dos objetivospropostos com cada atividade aplicada só assim, estas atividades passarão a serrealmente instrumentos pedagógicos para o desenvolvimento dos alunos.4.5 A função do educador nos momentos lúdicos na escola. O papel do educador na realização das atividades lúdica é muito importante.Ele deve ter conhecimento e valorizar os momentos lúdicos, ou seja, os jogos ebrincadeiras como instrumentos significativos nas práticas escolares. Nestesmomentos o professor deve fazer parte junto com as crianças, sendo um orientadore mediador entre o ensino e a aprendizagem dos alunos. Ele deve fazer parterealmente desses momentos. Além da responsabilidade de realizar atividadesignificativa que favoreça o desenvolvimento das crianças. Deve fazer parterealmente desses momentos, não um fazer de conta. Para a criança é muitoimportante perceber que o professor está realmente brincando fazendo parte dosjogos e brincadeiras, isso ajudará na relação entre professor e aluno. Ao analisar qual a compreensão que os professores entrevistados têm de suafunção enquanto educadores responsáveis em realizar momentos lúdicos em salade aula todos relatam aqui seu ponto de vista: Escolas “A”: P-03 - “É de participar juntamente com os alunos. É importante porque desenvolve o aprendizado e os valores através de jogos e brincadeiras.”
  36. 36. 46 P-08 - “O professor é o ministrante destas atividades. Na Educação infantil e Maternal é de sua importância” Escolas “B”: P-09: “Mediar o conhecimento de forma brincante. Muito importante porque a gente brincando envolve melhor as crianças”. P-13: “Levar para seus alunos a diversão, o brincar para trabalhar o corpo a espontaneidade. É muito importante, principalmente porque se trata da Educação Infantil, fase que os jogos tem muita importância para a formação das crianças. P-14: “Hoje temos que sair um pouco do tradicional e abraçar a ludicidade. Até eu mesmo me sinto mais a vontade com eles e consigo transmitir melhor os conteúdos“. Todos reconhecem a sua importância enquanto responsável em desenvolveratividades lúdicas em suas práticas educativas, mas os professores da escola “B”tem uma linguagem mais consistente, demonstrando ter maior domínio e maiorconhecimento sobre a ludicidade. Quando o educador explora os momentos lúdicos e a criança vivencia emconjunto, lhe é aberta muitas possibilidades para o seu desenvolvimento em todosos aspectos. Então o papel docente em desempenhar atividades lúdicas e para queelas sejam importantes em sua prática pedagógica, dependerá de sua posturametodológica aplicada em sala de aula como já foi citado na análise da perguntaanterior. Pois é o professor que elabora suas atividades e assim, deverá contemplaras atividades lúdicas, demonstrando também um cuidado ao selecionardeterminadas atividades que possibilite a participação de todos os alunos de formademocrática. Os professores devem ser mediadores do processo. Devem estarextremamente envolvidos também na atividade. Para Almeida (1987): A esperança de uma criança, ao caminhar para a escola é encontrar um amigo, um guia, um animador, um líder - alguém muito consciente e que se preocupe com ela e que a faça pensar, tomar consciência de si de do mundo e que seja capaz de dar-lhe as mãos para construir com ela uma nova história e uma sociedade melhor (p.195). Ao analisar a falas dos professores é percebido que todos concordam que éimportante o lúdico estar presente nas práticas pedagógicas. E o lúdico é importante
  37. 37. 47porque facilita o processo educativo, além de motivar as aulas, na compreensão dosconteúdos e no bom relacionamento entre professor e aluno. Mas para que isto aconteça, dependerá muito da formação do professor.Muitos estão falhando no que se refere à formação lúdica e isto reflete em suaprática de uma forma muito visível. È comum encontrar conteúdos indissociáveiscom a realidade dos alunos e atividades lúdicas como mero passa tempo. É sobre esta formação do professor para compreender a importância eamplitude sobre o lúdico que Santos (2001,) relata: “É preciso que os profissionaisde educação reconheçam o real significado do lúdico para aplicá-lo adequadamente,estabelecendo relações entre o brincar e o aprender. Fica claro para todos nós, que além de boa formação é preciso também oprofessor e todos aqueles que fazem parte da comunidade escolar contribua com aaprendizagem e o desenvolvimento das crianças nas séries iniciais. E para isso elesdevem contemplar nos planejamentos pedagógicos, projetos escolares, etc... Asatividades lúdicas, que na maioria das vezes em algumas realidades escolares sãodeixadas para segundo plano.4.6 O lúdico como instrumento de formação social. Muitas pesquisas apontam os benefícios que as atividades lúdicas trazempara crianças que estão na fase da Educação Infantil. E uns dos autores que discuteo papel das brincadeiras no desenvolvimento infantil é Vygotsky (1998 apudWAJSKOP, 1995) que relata que: A brincadeira infantil é entendida como atividade social da criança, cuja natureza e origem específicas são elementos fundamentais para a construção de sua personalidade e compreensão da realidade na qual se insere. A brincadeira é de fato um espaço de aprendizado sócio-cultural localizado no tempo e no espaço (p.16). As atividades lúdicas devem ser consideradas como coisa séria. Atravésdessas brincadeiras que a crianças desenvolvem os aspectos social, cultural, e
  38. 38. 48cognitivo. Então é dada a importância em saber dos professores como elescompreendem o lúdico como instrumento de formação social da criança e como eleinfluencia no desenvolvimento cognitivo da criança.Isso pode ser verificado através das seguintes falas: Escolas “A”: P-01: “Sim. Porque muitos aprendem brincando. Até quando a criança desenvolve o aprendizado”. P-02: “Sim. Porque é brincando que se aprende e compreende o conteúdo”. P- 08: “Sim. Além de divertir e transmitir conhecimento alguns jogos podem também transmitir valores que podem interferir na formação pessoal e social da criança”. Escolas “B”: P-10: “Claro! Brincando a gente interage inclusive com o mundo. P-14: “Sim. Quando brincam eles têm mais contato uns com os outros. P-15: “Sim. Porque mesmo fora da escola é através da brincadeira que eles se integram com os outros. De muitas formas, brincando eles pulam, correm, precisam pensar rápido”. Diante das falas dos professores, podemos observar que algumas delas nãocontemplam ao segundo questionamento que refere-se a influência do lúdico nodesenvolvimento cognitivo da criança. Ficando evidente que devemos ter outro olharsobre essas influências dos momentos lúdicos no desenvolvimento cognitivo dacriança nos espaços escolares, precisando um aprofundamento sobre o assunto,compreender realmente o verdadeiro sentido dos jogos e brincadeira para odesenvolvimento da vida da criança por parte dos professores de modo geral. Houve também ausência de resposta para segunda, isto nos leva entenderque os profissionais de educação precisam compreender mais como o lúdico é oforte aliado para sua prática em sala de aula. Segundo Almeida (1995): A educação lúdica contribui e influencia na formação da criança, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente, integrando-se ao mais alto espírito democrático enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. A sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação do meio (p.41).
  39. 39. 49 Com esta mesma citação elaboramos uma pergunta aos entrevistados se elesconcordavam com a citação e por que. Observemos o que eles disseram sobre opensamento do autor: Escolas “A”: P-01: Sim. Porque desenvolve o interesse modificando o jeito de agir de cada um. P-08: Sim a afirmação é correta e condiz com o meu pensamento. Escolas “B”: P-09: Sim. Porque através da brincadeira eles se integram mais. P-12: Sim. É só olhar as crianças na sua brincadeira. P-13: Sim. (Não justificaram). P-14: Sim.(Não justificaram). Todos concordam com o autor, mas uma boa parte não justificou a resposta.Então faremos uma reflexão diante do que foi respondido por alguns professores esobre a citação de Almeida (1995) que vem relatar da importância da interaçãosocial das crianças. Os que concordam com o autor reafirmam que as crianças precisam dainteração com o outro para crescer e se socializar. Ela precisa de troca deexperiências com outras crianças e também com adultos para o seu crescimentocomo pessoa, como sujeito. Vigotsky defende que o ser humano é o resultado dainteração com o meio em que vive. Portanto, para potencializar o desenvolvimentode uma criança, é preciso que ela se relacione com outras. Nas escolas a interaçãocom os colegas e adultos é importante, mas a interação com o professor é defundamental importância, ele deve se fazer presente de uma forma agradável eprazerosa. Segundo Agostinho (2003):
  40. 40. 50 Nós, adultos, temos na brincadeira com as crianças a oportunidade de conhecê-las e de nos “re” alfabetizarmos nas diversas linguagens, resgatando as diversas dimensões humanas que fomos embrutecendo em nós, quase esquecendo-as ao nos tornar adultos, encouraçados pela lógica do mercado, competitivo, sério, sisudo. Estar com as crianças, longe de ser uma perspectiva romântica, representa uma possibilidade concreta que temos para aprendermos e reaprendermos com elas (p. 76). Através das nossas conversas com os professores evidenciamos em muitasfalas qual a relevância que a ludicidade tem no processo de ensino-aprendizagem,pois, para muitos educadores, ela contribui para a construção de uma práxisemancipadora e integradora, na medida em que tornar-se um instrumento deaprendizagem que favorece a aquisição do conhecimento em perspectivas edimensões que vão além do desenvolvimento do educando. O lúdico é umaestratégia insubstituível para ser usada como estímulo na construção doconhecimento humano e na progressão das diferentes habilidades operatórias, alémdisso, é uma importante ferramenta de progresso pessoal e de alcance de objetivosinstitucionais. Acreditamos que a inserção de atividades lúdicas no currículo escolar,poderia desenvolver aptidões necessárias para a formação dos educandos, comotambém, facilitaria no processo contínuo que a educação promove aos indivíduos, ode formar e ao mesmo tempo preparar estes para uma visão crítica de mundo.Finalizamos então essa análise reafirmando através das falas dos professores oreconhecimento da importância que as atividades lúdicas têm na educação, pois aescola deve preparar o educando para as relações sociais e o professor deve seapropriar da importância do lúdico como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem. CONSIDERAÇÕES FINAIS O período de elaboração da monografia e a aplicação dos instrumentos paraalcançar os objetivos da questão de pesquisa: “A importância do lúdico comoferramenta no processo de ensino-aprendizagem” permitiu identificar o papel dolúdico nas práticas educativas e como os professores utilizam-se dele no seucotidiano em sala de aula.
  41. 41. 51 Diante desse nosso estudo percebemos que ainda falta uma maior atençãosobre a utilização da ludicidade nas escolas. Sabemos que não são todas asescolas que dispõem de profissionais que consigam trabalhar a ludicidade como umimportante instrumento de aprendizagem. Só teremos uma Educação Infantil dequalidade, que cumprirá todos os seus objetivos, quando os aspectos de ordemcultural e social forem também privilegiados. Parece faltar uma reflexão teórica sobre ludicidade por parte dos professores,ou seja, ocupando um espaço ainda menor nas discussões. Mesmo sendo umprocesso a longo prazo a ludicidade não era discutida com tanta veemência. Asbrincadeiras e jogos eram compreendidos principalmente na Educação Infantil comomero passatempo e não era visto de forma séria com sua devida importância. E hojeainda é encarada por alguns como forma ingênua apenas de prazer e diversão semo seu caráter educativo. Sabemos que só há pouco tempo alguns cursos de Graduação em Pedagogiatrazem um suporte com o Componente Curricular Educação, Ludicidade eCorporeidade, ou seja, muitos dos profissionais não tiveram a oportunidade de terum suporte teórico. Percebemos isso nas falas de alguns de nossos entrevistados. A infância é um período muito rico e não pode ser desperdiçada, ela étambém a idade das brincadeiras. Acreditamos que por meio delas a criança satisfazem grande parte seus interesses, necessidades e desejos. Destacamos o lúdicocomo uma das maneiras mais eficazes no processo de aprendizagem poispossibilita descobertas inúmeras, auxilia no desenvolvimento social, cultural ecognitivo e também a imaginação e a criatividade da criança. O próprio ato de brincar é um momento riquíssimo, o contato com asbrincadeiras já nos leva a descobrir muito sobre nós. A criança deve ter liberdadenesses momentos, devem colocar para fora o que sentem. Desenvolver um modelo de educação que priorize as formas lúdicas deaprender no processo formativo é uma oportunidade para o desenvolvimento mental,
  42. 42. 52corporal e harmonioso, e também para construção do individual e coletivo dosalunos. Foi justamente dentro desse contexto que pudemos perceber a relevância decomo os professores de educação infantil utilizam a ludicidade como ferramenta noprocesso de ensino aprendizagem. Pois as escolas devem estar munidas de umespaço lúdico que possibilite o professor introduzir atividades lúdicas que ajudem oaluno a se desenvolver em todos os aspectos. Acreditamos que conseguimos com esse trabalho despertar em todos nós,profissionais da educação, uma reflexão a respeito da importância da ludicidade queainda é pouca explorada ou trabalhada de forma errônea nos espaços formais, emespecial as escolas. Que seja compreendida a sua amplitude e o seu real significadoe importância, sendo a postura do professor de educação infantil de fundamentalrelevância neste contexto. Pretendemos aqui promover uma profunda reflexão sobreas possibilidades da inserção da ludicidade nas escolas através de práticaseducativas capazes de transformar esses espaços em espaços integradores edinâmicos que não só promovem o desenvolvimento cognitivo das crianças como aformação plena delas. REFERÊNCIASAGOSTINHO, Kátia Adair. O Espaço da Creche que Lugar é Esse? Dissertação(Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2003.ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica - técnicas e jogos pedagógicos.São Paulo: Edições Loyola, 1987.ALVES, Eva Maria Siqueira. A ludicidade e o ensino de matemática: Uma práticapossível. Campinas, SP: Papirus, 2001.
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