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Monografia Marilândia Pedagogia 2009

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Pedagogia 2009

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  • 1. UNVIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS VII UNEB MARILÂNDIA ALECRIM DOS SANTOS VIEIRA A RELAÇÃO ENTRE A REALIDADE SOCIOECONÔMICA E O PROCESSO DEALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS DA ESCOLA EUDES MUNIZ DE OLIVEIRA NACOMUNIDADE DE VARZINHA NO MUNICIPIO DE CAMPO FORMOSO, NA VISÃO DOS PROFESSORES SENHOR DO BONFIM-BA 2009
  • 2. 2 MARILÂNDIA ALECRIM DOS SANTOS VIEIRAA RELAÇÃO ENTRE A REALIDADE SOCIOECONÔMICA E O PROCESSO DEALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS DA ESCOLA EUDES MUNIZ DE OLIVEIRA NACOMUNIDADE DE VARZINHA NO MUNICIPIO DE CAMPO FORMOSO, NA VISÃODOS PROFESSORES Trabalho monográfico apresentado como pré- requisito para conclusão do curso de Pedagogia com Habilitação em Licenciatura Plena em Pedagogia, Docência e Gestão de Processos Educativos Pelo Departamento de Educação Campus VII Senhor do Bonfim. Orientador: Professor: Pascoal Eron S. de Souza. SENHOR DO BONFIM-BA 2009
  • 3. 3 MARILÂNDIA ALECRIM DOS SANTOS VIEIRAA RELAÇÃO ENTRE A REALIDADE SOCIOECONÔMICA E O PROCESSO DEALFABETIZAÇÃO DE CRIANÇAS DA ESCOLA EUDES MUNIZ DE OLIVEIRA NACOMUNIDADE DE VARZINHA NO MUNICIPIO DE CAMPO FORMOSO, NA VISÃODOS PROFESSORES. APROVADA_____DE_________DE 2009 Orientador: Pascoal Eron S. Souza BANCA EXAMINADORA BANCA EXAMINADORA_______________________ _____________________ ______________________________ PROFº. Pascoal Eron S. Souza
  • 4. 4A Deus, por tudo que tenho, por tudo que sou, e porter me capacitado. E aos meus familiares, pelaforça e o grande apoio, sem os quais teria sidoimpossível .
  • 5. 5 AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pela capacitação para a superação de todos os meuslimites, pela vitória de um sonho que parecia distante e por suas constantesprovidências. As minhas grandes e estimadas amigas, Darci (minha mãe), Cláudia eRosilane (minhas irmãs) pela disponibilidade para cuidar do meu pequeno filho todasas vezes que precisei, pelo estímulo para persistir e o encorajamento. Ao Gabriel, (meu filho), uma benção de Deus para mim, um estímulo paraminha vitória. Ao Crispim, meu amado, pela força, pelo estímulo, por dividir comigo todas asminhas angustias, sucessos e inquietações, que me apoiou muito, contribuindo paraa minha vitória em mais esta etapa. Aos meus demais parentes, meu pai, meus irmãos e irmãns, que mesmoindiretamente, muito contribuíram para a vitória em mais esta etapa. As minhas colegas de curso, Meirevane, Jeane, Rosana, Léia, Gilmara, etodas as demais que juntas comigo dividiram angustias e vitórias. As professoras da escola Eudes Muniz de Campo Formoso, pela contribuiçãopara a elaboração desta pesquisa. A todos os professores do curso de pedagogia do Campus VII, pelacontribuição e atenção em todo o curso. Ao meu professor e orientador Pascoal Eron S. Souza, pelas orientações,disponibilidade, intervenções, boa vontade e dedicação na contribuição dodesenvolvimento desse trabalho.
  • 6. 6 RESUMOO Presente trabalho monográfico é a demonstração dos resultados dos estudos einvestigações voltados para os problemas sociais que interferem no processo dealfabetização dos alunos da Escola Eudes Muniz de Oliveira, situada no povoado deVarzinha em Campo Formoso-BA. A realização do mesmo teve como suporte teórico: Mello(1994); Demo (2001); Frigotto (1993); Coraggio (1996), e muitos outros, através dos quaisfoi possível uma discussão sobre a temática aqui abordada, que teve como objetivoidentificar quais os problemas sociais que interferem no processo de alfabetização dascrianças da citada comunidade sob a perspectiva dos professores. A partir da análise, dosestudos e investigações, houve a possibilidade de compreender qual a visão dosprofessores sobre o referido assunto, bem como identificar muitos dos problemassocioeconômicos que interferem nesse processo. Este estudo baseou-se em umaabordagem qualitativa de pesquisa que utilizou como instrumento de coleta de dados oquestionário fechado e entrevista semi-estruturada, cuja finalidade era adquirir dados maisconcretos sobre o perfil dos alunos enquanto sujeitos deste processo; bem comocompreender qual é a visão dos professores enquanto participantes do mesmo e osresponsáveis de forma mais direta pela transformação e mudança dessa situação, uma vezque é percebida a necessidade de um trabalho coletivo voltado para as reais necessidadesdo aluno dentro do contexto social no qual eles estão inseridos, propiciando assim umaeducação mais eqüitativa e de melhor qualidade. Partindo dessa concepção, a escolaprecisa trabalhar em cumplicidade com a comunidade no desenvolvimento de métodos eprojetos flexíveis, que possibilitem a inserção das necessidades locais e mais amplas dentrodo plano de estudo e desenvolvimento educacional, o qual precisa priorizar a realidade dascrianças no seu contexto de vida, na visão de o quanto isto se torna significativo para acriança.PALAVRAS-CHAVE: Problemas sociais, Processo de alfabetização, Escola.
  • 7. 7 LISTA DE FIGURASFigura 4.1.1 – Percentual em relação à profissão dos pais.......................................38Figura 4.1.2 – Percentual em relação à ajuda das crianças aos pais no sisal...........39Figura 4.1.3 – Percentual em relação a quem ajuda as crianças nas atividadesescolares....................................................................................................................39Figura 4.1.4 – Percentual em relação ao analfabetismo entre os pais......................40Figura 4.1.5 – Percentual em relação ao hábito da criança estudar fora da escola..40
  • 8. 8 SUMÁRIOINTRODUÇÃO............................................................................................... 5CAPÍTULO I.................................................................................................... 121. A QUALIDADE EDUCACIONAL FRENTE AOS PROBLEMAS SOCIAIS 12CAPÍTULO II .................................................................................................. 202- AS CONSEQÜÊNCIAS GERADAS PELOS PROBLEMASSOCIAIS NO PROCESSO EDUCATIVO ......................................................... 202.1 Problemas Sociais..................................................................................... 202.2- Alguns Problemas Sociais da Educação.................................................. 242.3- Processo de Alfabetização...................................................................... 272.4- Escola.................................................................................................. .... 30CAPÍTULO III .................................................................................................. 343- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.................................................... 343.1- Definição da Pesquisa.............................................................................. 343.2- Instrumento de Coleta de Dados.............................................................. 353.3- Lócus da Pesquisa.................................................................................... 353.4- Sujeitos da Pesquisa................................................................................. 36CAPÍTULO IV .................................................................................................. 374-ANÁLISE DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS .......... 374.1-Resultado do Questionário Fechado ......................................................... 384..1.1 – O Trabalho dos Pais............................................................................. 384.1.2- Ajuda das Crianças aos Pais No Sisal ................................................... 384.1.3- Quem Ajuda os Alunos nas Atividades Escolares ................................... 394.1.4-O Analfabetismo Entre os Pais.................................................................. 394.1.5- Você Costuma Estudar Quando Não Está no Trabalho ou na Escola ..... 404.2- Resultado da Entrevista Semi-Estruturada ............................................. 404.2.1- Problemas Socioeconômicos com Interferênciano Processo de alfabetização ......................................................................... 414.2.2- O Auxílio dos Pais nas Atividades Escolares para Casa ...................... 424.2.3- O Fator Repetência Como Uma das Conseqüências Socioeconômicas.. 43
  • 9. 94.2.4- As Causas da Evasão ............................................................................. 444.2.5- A Concepção dos Professores Sobre as Crianças Que ApresentamDificuldades no Processo de Alfabetização ...................................................... 454.2.6- A Forma de Intervenção Pedagógica das Professoras com os Alunos QueApresentam Dificuldades de Aprendizagem..................................................... 45FINALIZANDO AS CONSIDERAÇÕES........................................................... 48REFERÊNCIAS ................................................................................................ 50APÊNDICES.
  • 10. 10 INTRODUÇÃO O fio condutor do presente trabalho monográfico é identificar quais são osproblemas sociais que interferem no processo de alfabetização das crianças daescola Eudes Muniz de Oliveira situada no povoado de Varzinha, município deCampo Formoso-Ba. Essa temática constitui-se em uma questão muito relevante, frente a nossarealidade social, bem como a realidade educacional em nível nacional, na qual ascrianças às vezes por serem mal compreendidas, tornam-se vítimas de algumassituações de exclusões, em conseqüência da sua realidade frente as precáriaspolíticas públicas “existentes” em função dos problemas sociais que lhes acometem. O interesse pela temática é fruto das nossas inquietações como professoraem relação ao alto índice de repetência e evasão de crianças, principalmente dascamadas mais pobres da sociedade, bem como do posicionamento dos professoresfrente à citada realidade. Assim objetivando identificar quais os problemas sociais que interferem noprocesso de alfabetização destas crianças, iniciamos este trabalho. No capítulo I, apresentaremos algumas realidades que permeiam o contextoqualitativo educacional brasileiro, frente aos problemas sociais e as políticaspúblicas “existentes” para solucionar os problemas existentes. No capitulo II, abordaremos os conceitos-chave, discutindo e argumentandocom suporte de alguns teóricos tais como: Cerqueira (1992); Teixeira (2002); Soares(1999); Mello (1994); Demo (2001); Frigotto (1993); Coraggio (1996), e muitos outros, atrajetória das manifestações contra os problemas sociais no Brasil, bem como, sobreos problemas sociais educacionais, a escola e o processo de alfabetização.
  • 11. 11 No capitulo III, encontra-se a metodologia, nela descrevemos os métodos quese adequaram na realização desta pesquisa, nos amparando em autores para aconcretização da defesa da temática abordada. No capítulo IV, apresentamos análise de dados e a interpretação dosrespectivos resultados. Utilizamos a entrevista semi-estruturada , com o objetivo deidentificar a visão dos professores frente à temática abordada, e o questionáriofechado, no intuito de identificar a interferência dos problemas socioeconômicos noprocesso educacional dos alunos. Finalizamos as nossas considerações, com a demonstração das nossasinquietações mediante os problemas sociais que interferem na qualidadeeducacional, bem como das compreensões dos professores frente às mesmas.Esperamos que a nossa pesquisa seja relevante para todos aqueles que tiveremacesso a ela e que a temática aqui abordada, através deste trabalho possa contribuirna construção da prática docente, de todos que estejam buscando subsídios para aaplicação prática ou para a realização de futuras pesquisas.
  • 12. 12 CAPITULO I1.0- A QUALIDADE EDUCACIONAL FRENTE AOS PROBLEMAS SOCIAIS A realidade educacional brasileira compreende muitas facetas, que vão muitoalém do contexto imediato que envolve o educador e o educando , perpassandoassim os limites ingênuos do pensamento simplista e vislumbrando os aspectosamplos e profundos que envolvem questões políticas, socioeconômicas e culturais,que estão inevitavelmente entrelaçadas e arraigadas em um emaranhado quecompreende ideologias e necessidades tanto ligadas a questões impostas, tantopela cultura ou sociedade, quanto por uma questão de sobrevivência. É preciso compreender as causas que interferem na qualidade educacional,para que se busquem soluções adequadas, viabilizando assim a construção de umaeducação pública eqüitativa e democrática que educa para o real exercício dacidadania e da democratização plena. Compreender a realidade que atrofia o processo educacional de determinadaescola, implica consequentemente em conhecer a realidade de vida dos sujeitos doprocesso educacional que a compõe, bem como os aspectos que envolvem aquelacomunidade, desde as características culturais, e socioeconômicas, aos maisespecíficos do educando: como os aspectos cognitivos e ideológicos. A produção do conhecimento responde sempre a necessidades. O conhecimento que vai sendo produzido na filosofia, na ciência, na arte (na economia na educação) não é alheio à vida dos homens, não é neutro frente aos problemas concretos que os homens vivem, nem tempo e lugar determinados, numa sociedade específica. (...). Este conhecimento (enquanto responde a necessidades concretas sempre presta um serviço). Cabe perguntar: serve a que? Serve a quem?( FRIGOTTO 1993, p.135)O processo educacional da criança não é um fato que sucede isoladamente ouindiferente a sua realidade. Muito pelo contrario: a criança é diretamente afetada eenvolvida pelo ambiente onde vive.
  • 13. 13 Sendo a alfabetização a base da estrutura educacional do educando para o seu desenvolvimento escolar, é preciso que esse processo seja desenvolvido de forma significativa e abrangente, de forma a que possa visar na sua expansão todas as necessidades educacionais, sociais, culturais e psicológicas do sujeito, para que esse não venha futuramente a ter uma deficiência no seu processo de aprendizagem; uma vez que é sobre a base de sua estruturação que se perceberá no educando a repercussão no seu desenvolvimento. De acordo com Leite (2001), p.28): O processo de alfabetização pode constituir-se tanto num processo de libertação/conscientização, quanto num processo de domesticação/alienação dos indivíduos dependendo do contexto ideológico em que ocorre. Embora os indicadores nacionais¹ apontem que atualmente 97% das criançasestão na escola, é preciso considerar em quais condições de aprendizagem elasestão sendo submetidas. Pois os mesmos indicadores também mostram que entreas crianças que estão na escola, 21,7% estão repetindo a mesma série e apenas51% concluirão o Ensino Fundamental, fazendo-o em 10,2 anos em média. Essesindicadores explicitam uma deficiência qualitativa na educação, percebem-se aquialguns fatores que estão intimamente ligados a essa deficiência, tais como: evasãoe repetência; que são conseqüências de uma série de outros fatores dependentesde muitas outras questões Cabe conhecer a realidade de cada comunidade, escola, família ou criança eos educadores, dentro de uma perspectiva socioeconômica e política; para que seavalie onde realmente encontra-se o gerador das conseqüências desagradáveis queculminam nesses percentuais desastrosos. E é por partir dessa realidade dasescolas públicas brasileiras que é possível especificar a existência das diversascontradições e desigualdades.¹ MEC/INEP/SENSO 2002.
  • 14. 14 As escolas públicas, de forma mais específica das regiões do semi-áridobrasileiro são as que estão no ranking dos percentuais de baixo nível qualitativo.Entre os muitos contribuintes para o resultado desses índices está a questãosocioeconômica, Friggoto, (1993); no caso, as atividades geradoras de renda, queobriga pela necessidade que muitas crianças deixem de freqüentar a escolaregularmente para desenvolver as atividades dos trabalhos pesados nas plantaçõesde sisal ou na agricultura. Essas atividades realizadas por crianças e adolescentes além de seremperigosas e inadequadas para eles, são proibidas pela legislação brasileira. Eacabam, por fim, afetando seu desenvolvimento em seus aspectos psíquicos,educacional e físico, tornando a criança totalmente desprovida de melhoresexpectativas futuras, e trancafiada a uma realidade que parece ser única einevitável. O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral, (e que) não é a consciência dos homens que determinam o seu ser, mas é seu social, inversamente, que determina sua consciência. (MARX, K. , apud. FRIGOTTO. 1993, p.24) Esses trabalhos desenvolvidos pelas crianças e seus familiares interferemtambém no acompanhamento dos pais aos seus filhos no trajeto do seudesenvolvimento escolar. Essa interferência existe não simplesmente pelo que serefere à questão de tempo, embora seja um dos fatos. Mas, também, no que serelaciona a politização dos seus pais, bem como, a expectativa de vida e ascensãosocial. O rendimento escolar, a permanência ou não ao longo da trajetória escolar são tidos como função de um conjunto de “fatores”. As análises multivariadas, com elaborada sofisticação estatística, chegam à mesma conclusão (quase metafísica) _ o fator sócio- econômico é que tem o peso maior na “determinação” das diferenças encontradas; em seguida, os fatores ligados à educação dos pais, etc. (FRIGOTTO, 1993, p.49.)
  • 15. 15 A família contribui diretamente nas formas comportamentais da criança. Suasatitudes refletem reações já vistas e vividas no seu cotidiano familiar, que é onde acriança passa mais tempo. A convivência em família torna a criança também bemmais propensa a aceitar ou não as situações impostas pela sociedade, no que dizrespeito à reprodução e diferença de classes, mesmo que inconscientemente.Carnoy (1993) abordando esse assunto diz que: “A família atua, por meio daexperiência dos pais, no sentido de ajudar a reproduzir a estrutura de classes,transmitindo aos filhos os valores que são de modo geral úteis no mesmo tipo decargos que os pais ocupam”.(p.128) Da questão familiar depende também a cultura da criança, que é construídacom a convivência. A questão cultural da criança é um dos fatores que nem sempreé respeitada pela escola, até porque a própria escola tem sua forma monocultural,impondo assim uma proposta cultural dominante, que nem sempre condiz com arealidade da criança; além de discriminar a própria criança por considerar isso umempecilho para o seu desempenho escolar e não considerando as diferenças.Candau (2002) falando a esse respeito salienta que: “enquanto a diversidade culturalfor um obstáculo para o êxito escolar, não haverá respeito às diferenças, masprodução e reprodução das desigualdades”. (p.71) Embora a escola proponha como meta a igualdade de oportunidade, essarealidade se encontra muito distante do seu alcance; porque igualdade deoportunidade não se resume necessariamente em padronização dos métodosdidáticos ou propostas pedagógicas. Porque a escola trabalha com seres humanos eisso significa lidar com a diversidade e com o pluralismo. A diversidade que deveria ser uma dinâmica na proposta pedagógica escolaracaba sendo uma questão polêmica para muitos profissionais da educação que naprática não conseguem lidar com essa questão e acabam por fim, atrofiando odesempenho processual das crianças.
  • 16. 16 É necessário entender que a diversidade e as diferenças não são apenas umaquestão cultural, mas engloba também os aspectos do desenvolvimento cognitivo,emocional e comportamental do aluno. Aspectos esses que por não seremreconhecidos devidamente e trabalhados da forma adequada acabam muitas vezessendo interpretados como fatores comprometedores do êxito escolar. Collares(1996) menciona que: “O cotidiano escolar é permeado de preconceitos e juízosprévios sobre os alunos e suas famílias”.(p.26) A falta de prioridade para se trabalhar de forma adequada com crianças“diferentes”, não é uma lacuna existente apenas nos professores. As autoridadescompetentes que representam o estado são os principais responsáveis por essevácuo. O comportamento dos profissionais da educação frente a questões destanatureza, quase que em regra geral é sentirem-se impotentes, por não terem umaqualificação específica para lidar com essas “diferenças”, além de nem sempreconsiderar a hipótese comprovada: da estratégia política, de manter as diferençasde classes, bem como: a desigualdade social. A escola tem assumido uma postura de rotular as crianças que apresentamcertos comportamentos tais como: hiperatividade, dificuldades de aprendizagem,alunos inquietos, muito calados, etc. em alunos doentes, transformando assimquestões sociais em biológicas, como expressa Collares (1996), quando diz : Na escola este processo de biologização geralmente se manifesta colocando como causa de fracasso escolar quaisquer doenças das crianças. Desloca-se o eixo de uma discussão político pedagógica para causas e soluções pretensamente médicas, portanto inacessíveis à educação. ( p. 28). Assim, torna-se natural na escola a admissão contingente da formação,limitando desta forma as oportunidades para aqueles que estão “dentro dos padrõesda competitividade”, especificamente aos que alcançam as regras impostas pelosistema, regras arbitrárias, injustas e que não correspondem ao slogan de“igualdade de oportunidades”. Aos que estão fora destas “regras”, cabe oconformismo da cultura imposta pela sociedade e aderida apaticamente pela escola;
  • 17. 17que se resume no resultado da competitividade, onde os menos favorecidos ficamsempre aquém das oportunidades. Quando Sacristán (1998) comenta sobre esseassunto, ele expressa que: Dessa forma, aceitam-se as características de uma sociedade desigual e discriminatória, pois aparecem como um resultado natural e inevitável das diferenças individuais evidenciadas em capacidades e esforços. A ênfase do individualismo, na promoção da autonomia individual, no respeito à liberdade de cada um para conseguir, mediante a concorrência com os demais, o máximo de suas possibilidades, justifica as desigualdades de resultados, de aquisições e, portanto, a divisão de trabalho e a configuração hierárquica das relações sociais. (...). Esse processo vai minando progressivamente as possibilidades dos mais desfavorecidos social e economicamente, em particular num meio que estimula a competitividade, em detrimento da solidariedade, desde os primeiros momentos da aprendizagem escolar. (p. 16) É necessário que haja nas práticas cotidianas da escola um currículo flexível,que seja apto para atender da forma mais adequada e real as necessidades dosalunos de forma contextualizada, que contemple ao máximo suas prioridades derealidade de vida, possibilitando a visão amplificada da realidade de mundo, não seesquivando de possibilitar ao aluno o atendimento as suas necessidades sociais,politizando-o para que o mesmo possa agir de forma ativa e crítica na sociedade. A adequação do currículo à realidade do aluno facilitará a sua compreensão demundo, e o seu processo de alfabetização, contribuindo assim no seudesenvolvimento educacional, pois o mesmo estará atrelado a uma realidade devida e não a uma realidade que é imposta de fora do seu contexto real. Essa flexibilidade do currículo precisa estar presente desde a alfabetização pois ela é um processo, e assim sendo, é necessário que o alfabetizador esteja atento para que possa atender o alfabetizando de acordo com as suas necessidades; uma vez que esse processo envolve fases que devem ser consideradas para que haja um bom desempenho de ambos. Assim necessário se faz que, muito além do simples fato de trabalhar as técnicas necessárias para o desenvolvimento da técnica do domínio da escrita e da leitura, se trabalhe também
  • 18. 18 as necessidades básicas do educando dentro do contexto social no qual ele está inserido, oportunizando-lhe assim uma forma pela qual ele possa ter uma ampla visão de mundo e de realidade dentro do contexto real sociocultural que o envolve. Segundo Cook-Gumperz (1991.p, 29). “A alfabetização não pode ser julgada separadamente de alguma compreensão das circunstâncias sociais, tradições específicas que afetam o modo como esta capacidade enraíza-se numa sociedade”. Convém que todas as propostas de alfabetização tenham como desafioinstigar os professores a manter uma atitude reflexiva sobre a realidade na qual sedá o processo de alfabetização. Que devem ser reconsiderados a cada resultadoinsatisfatório, para que haja uma mudança radical dos dados estatísticos oficiais queapontam para o fracasso escolar , na aquisição da leitura e da escrita, seja eleresultante da falha da simples técnica ou da realidade socioeconômica, cultural oucognitiva do aluno. Sobre isso Ferreiro (2001) afirma que: “O professor é quem podeminorar esta carência, evitando, porém ficar prisioneiro de suas próprias convicções:as de um adulto já alfabetizado”. Percebendo essa necessidade, sentimo-nos motivados a refletir sobre osproblemas sociais que interferem no processo de alfabetização na Escola EudesMuniz de Oliveira, situada no povoado de Varzinha, no município de CampoFormoso-Ba, bem como ampliar a nossa compreensão sobre como tem seprocessado esse fato, trabalhando a seguinte questão: Quais os problemas sociaisque interferem noprocesso de alfabetização dos alunos da escola Eudes Muniz de Oliveira? A nossa pesquisa tem como objetivo: Identificar quais os problemas sociaisque interferem no processo de alfabetização dos alunos da escola Eudes Muniz deOliveira. Cremos que o desenvolvimento desse trabalho é pertinente; pois osresultados podem ser relevantes para a educação de Campo Formoso,possibilitando aos educadores da referida comunidade ter uma visão mais
  • 19. 19amplificada do tema em pauta, bem como, contribuir para a reflexão de questõesque vão muito além da técnica e penetram nas profundas questões de sociedade,política e realidade de vida.
  • 20. 20 CAPÍTULO II2- AS CONSEQÜÊNCIAS GERADAS PELOS PROBLEMAS SOCIAIS NOPROCESSO EDUCATIVO A temática dessa nossa pesquisa abordará alguns conceitos chaves que nosnortearão no desenvolvimento desse trabalho, possibilitando-nos alcançar os nossosobjetivos.Tais conceitos compreendem as palavras-chave: Problemas sociais,Processo de alfabetização e Escola.2.1- Problemas Sociais. Por esse ser um tema muito vasto e abrangente, faz-se aqui uma explanaçãodo mesmo em um contexto mais generalizado no que se refere aos momentos emque eles foram evidenciados com mais veemência na sociedade brasileira por partedas baixas camadas sociais, que de alguma forma, sentiram a necessidade de semanifestarem em nome de uma vida mais digna, da democracia e da cidadania;embora seja um fato secularmente histórico, e real no cotidiano da sociedade.Posteriormente estaremos abordando-o dentro do contexto educacional, o qual é ofoco principal da nossa discussão. Os problemas sociais que atingem uma nação são resultantes do tipo depolíticas públicas que são exercidas para o combate ou a solução dos mesmos. Empaíses subdesenvolvidos esses problemas geralmente são bem mais nítidos emaiores do que nos demais. Entre os muitos existentes estão os mais comuns,ligados à educação, saúde, moradia, desemprego, qualidade de vida, violência,desigualdade social e habitação, etc. As questões sociais se dão em um cenário real, composto de classes que secontrapõem mediante ideologias e lutas que objetivam soluções para os seusinteresses ou necessidades antagônicas. Os protagonistas dessas lutas se
  • 21. 21caracterizam de um lado como o poder dominante, que corresponde aosrepresentantes do Estado, que segundo Cerqueira (1992) é a classe socialhegemônica , detentora do poder político e do capital e do outro, os dominados; queé constituída da classe trabalhadora ou proletariado, ou seja, as classes subalternas. Embora a questão social seja um fato evidente em todas as sociedades, nemsempre há a consciência do poder público de tratá-la com critérios mínimos deresponsabilidade, pela concretização do bem comum; há a preponderância do poderdominante de nem sempre querer assumi-la como uma questão passiva deprovidências necessárias para o bem da sociedade; e sim, em geral assumem apostura de ignorá-la, sob a defesa de conveniências particulares. Esse fato pode serconcretizado seja pela postura de rotulá-la como uma circunstância historicamenteinata, seja como forma de tachá-la de irreversível. Como de fato ocorreu no Brasil,onde a questão social só passou a ser assumida como legítima, segundo Cerqueira(1992) após 1930, quando no governo Vargas esse problema passa a ser tratadopor novos aparelhos do Estado, consolidando nas leis trabalhistas. No decorrer da história brasileira as maiores conquistas adquiridas se deramcom lutas e mobilizações sociais coletivas, caracterizadas por grandes movimentos,que se levantaram e persistiram no ideal da melhoria de condições de vida dapopulação, que embora , tendo grande maioria não politizada, mas que, induzidospela necessidade de melhores condições de modo de sobrevivência e por uma vidamais digna, se uniram em busca de seus ideais. Foram de grande peso as ações coletivas que ocorreram no país a partir do momento em que se dá a redemocratização e que, embora objetivassem mudanças mais gerais nas instituições ou nas políticas públicas, tiveram impacto ou sedimentaram-se sobre o local, contribuindo para que esse se dinamizasse, gerando outros tipos de ações e organizações. (TEIXEIRA, 2002. p.120). Os movimentos sociais foram aos poucos se organizando, à medida dasnecessidades bem como dos resultados obtidos, atingindo assim os diversos grupossociais. Dos quais se originaram muitas organizações, associações e sindicatos,
  • 22. 22todos existentes sobre o mesmo objetivo; a defesa do cidadão, a democratização eo exercício da cidadania. Na resistência a ditadura e no processo de redemocratização, a sociedade organizada exerceu um importante papel, destacando se alguns segmentos sociais ao desafiar a repressão e criar fatos políticos que repercutiram em todo o país – estudantes intelectuais, artistas.(TEIXEIRA, 2002, p.121). Na medida em que as mobilizações sociais foram tendo êxito a sociedade civilfoi melhor se organizando, passando assim a ter uma maior influência nas questõessociais , tendo a oportunidade de uma participação mais direta junto ao poderpúblico, nas decisões e direcionamento das questões de interesse das comunidadese do cidadão comum. Essa particularidade, possibilitou a interferência da opiniãopública “com relevante significado no sentido do exercício do controle social doEstado e dos representantes eleitos” segundo Teixeira (2002), ilustrando assim a“forma como a ética tem mobilizado a sociedade civil”. Foi através da luta de diversos grupos sociais contra a exacerbada exclusãosocial , que ganha ênfase muitas conquistas das camadas populares, das quais oacesso a educação pública passa a ser um privilégio não apenas de uma minoria,mas torna-se uma obrigatoriedade para o estado e um direito adquirido do cidadão. Embora o acesso à escola pública seja hoje uma facilidade bem maisavançada do que em tempos anteriores, esse não é um mérito do estado em si,segundo Soares (1999), é antes de tudo o resultado de uma conquista progressivada luta pela democratização do saber das camadas populares no processo históricobrasileiro. Essa facilitação em si, porém, não é a afirmação do acesso a escola de formaeqüitativa, muito pelo contrário, mesmo com essa abertura, para o direito do cidadãoa escola pública e o dever do estado em oferecê-la, o poder dominante possui seusmecanismos de exclusão, que viabilizam meios sorrateiros para que as camadas
  • 23. 23populares tenham o mínimo possível de acesso à educação de qualidade, bemcomo aos níveis educacionais mais elevados . Soares (1999), aborda essa questãoao mencionar o progressivo afunilamento do nosso sistema educacional, que vaiconstruindo a chamada “pirâmide educacional brasileira”. Existem assim muitas teorias que tentam explicar, essa questão doafunilamento educacional, e a maioria delas giram em torno do pressupostoideológico de incapacidade dos alunos das camadas populares, todas elas voltadaspara explicações que responsabilizam o próprio aluno, seja por falta de aptidão, pordeficiência ou diferenças culturais, ou mesmo, por déficit lingüístico, como salientaSoares (1999). Contudo essas justificativas em momento nenhum colocam emcheque, a questão da própria escola em relação ao seu papel diante da realidadecontextual dos alunos das camadas populares. São muitos os mecanismos existentes na tentativa da manutenção do podersob o controle da hegemonia burguesa, dentre tais está a escola que tem sidoutilizada como pivô de interesses do capitalismo monopolista dentro da sociedade,em um jogo de interesses que acumula capital e força de trabalho, utilizando destaforma estratégias sorrateiras para negar as camadas populares o direto de umaeducação eqüitativa. Como salienta Frigotto (1993): Do ponto de vista mais global, pode-se observar que estes mecanismos vão desde a negação ao atingimento dos níveis mais elevados da escolarização, pela seletividade interna na própria escola até o aligeiramento e desqualificação do trabalho escolar para a grande maioria.(p.164). Ainda há uma demonstração de centralidade voltada para o pressupostoideológico de que o fracasso escolar das camadas populares, é resultante de fatoresdiversos que englobam a incapacidade das crianças que compõem essas camadas.Essa suposição transparece um emaranhado de discriminações que no fundogarantem a permanência acerbada das desigualdades sociais. E mesmo que aolongo do tempo muitas “tentativas” tenham sido feitas, no intuito de sanar oproblema que afeta a educação, contudo percebe-se que, o problema não se
  • 24. 24centraliza no fato de como resolver, e sim, na forma como essa realidade vem sendotratada. Soares (1999), ao tratar desta questão relata que: Na há solução educacional para o problema do fracasso escolar; só a eliminação das discriminações das desigualdades sociais e econômicas poderia garantir igualdade de condições de rendimento na escola à solução estaria, pois, em transformações da estrutura social, como um todo: transformações apenas na escola não passam de mistificação, não surtem efeito e parecem mesmo ter o objetivo de apenas simular soluções; sendo na verdade, um reforço da discriminação. (p.64). É preciso que a sociedade esteja unida na luta pela democratização daeducação, porque só assim será possível a contemplação de uma educação maiseqüitativa, onde as políticas públicas não estejam voltadas apenas para acentralidade da resolução superficial dos fatos. E sim que o problema educacionalque aflige o país, seja tratado pela raiz da questão.2.2- Alguns Problemas Sociais da Educação A educação compreende um dos pilares principais de uma sociedade, umavez que ela é um indicador tanto econômico quanto social, essencialmenteindispensável no processo de modernização da humanidade. Modernidade é naessência educação.( DEMO, 1996) O mundo inteiro vê na educação hoje, uma fonte positiva de perspectiva demudanças. Mesmo em países economicamente desenvolvidos ou emdesenvolvimento, onde o sistema educacional não tem sido submetido a constantesreformas, objetivando a eficiência e equidade social; ela é vista como um suportecapaz de desmistificar as mazelas sociais e os conflitos, e como uma promotora daconstrução de sociedades mais justas e igualitárias, capaz de associar odesenvolvimento econômico a uma melhoria da qualidade de vida e a um sistemademocrático, organizado e eficiente.
  • 25. 25 A educação é hoje uma prioridade revestida no mundo inteiro. Diferentes países, de acordo com as suas características históricas, promovem reformas em seus sistemas educacionais, com a finalidade de torná-los mais eficientes e eqüitativos no preparo de uma nova cidadania, capaz de enfrentar a revolução tecnológica que está ocorrendo no processo produtivo e seus desdobramentos políticos, sociais e éticos. (MELLO,1994. p.30) Diante desta realidade a qual permeia a sociedade, a educação precisa estaradequada e atualizada. Uma educação que prepara o individuo para lidar com umatecnologia não mais limitada apenas ao desempenho de funções manuais, masconectada a funções intelectuais, que alfabetiza não apenas para o simples ato deler e escrever, mas para o desenvolvimento do raciocínio lógico e das habilidadescognitivas; Uma educação para a ética social e que respeita e valoriza asdiversidades culturais, capaz de conciliar crescimento econômico, com a melhoria daqualidade de vida, que politiza o cidadão para que esse possa exercer a suacidadania diante da realidade política e social que transcorre no nosso país. Diante deste cenário a educação é convocada talvez, prioritariamente, para expressar uma nova relação entre desenvolvimento econômico e democracia, como um dos fatores que podem contribuir para associar o crescimento econômico à melhoria, da qualidade de vida, e a consolidação dos valores democráticos. (MELLO,1994,p.31) Uma educação que atenda a novas exigências e perspectivas da sociedademoderna, precisa ser uma educação com qualidade. Para se construir umaeducação de qualidade, são muitos os fatores que influenciam nesse processo,entre eles destaca-se a questão dos professores, no que envolve melhores salários,valorização e capacitação dos docentes, que é uma questão complexa, e primordial.A sua relevância no processo educacional é inquestionável, por ser ele o construtorde formação de opinião, o condutor do processo de aprendizagem, e o responsávelpelo desempenho de uma educação com base sólida sem superficialidade. “A pedrade toque da qualidade educativa é o professor”. Demo (2001, p. 88)
  • 26. 26 Em um país como o nosso,em que o sistema educacional está à mercê deuma ideologia dominante, voltada prioritariamente para a satisfação de interesses econveniências próprias; torna-se ainda mais relevante a figura do professor; comoaquele que utilizaria a melhor alternativa didática e pedagógica que permita aplicarem um contexto adequado o desafio de promover uma educação hábil, inovadora esignificativa. E disto depende a valorização do professor que é um pré-requisitoindispensável para tal que só será possível através de políticas educacionais quepromovam meios para que assim suceda de acordo com Mello (1994), é precisoestimular e criar modelos alternativos de formação dos professores. É preciso que diante da situação atual, onde a profissão docente é pouco ounada atrativa em conseqüência do insignificante investimento que a mesma tem sidodestinada como menciona Mello (1994), convém inverter essa situação precária,através de fatores que propiciem a valorização do professor. Os quais de acordocom a autora, são também: a capacitação dos docentes em serviço e a questãosalarial. Entre outros problemas da educação que precisam de políticas educacionaisnecessárias para tornar a educação brasileira de qualidade com melhoria do ensinoestá, como Mello (1994), relata: a necessidade de rever e equilibrar os recursos efinanciamentos a serem destinados a educação, investir na estrutura física dasescolas melhorando, ampliando e construindo, qualificar os gestores escolares,mudar o sistema de avaliação escolar, manter o vínculo participativo da comunidadena escola e investimento financeiro nas necessidades dos alunos também voltadospara: saúde, lazer e cultura.2.3- Processo de Alfabetização Por muito tempo tradicionalmente se compreendeu que o processo dealfabetização iniciava e findava-se na sala de aula entre as quatro paredes, e que osucesso do processo era proveniente da aplicação certa de um determinado
  • 27. 27método, que sendo desenvolvido corretamente resultava na consumação doprocesso, que era a garantia do aluno aprender a ler e escrever tecnicamente. Essateoria é desmistificada por Ferreiro (1999), quando evidencia que o centro doprocesso não se dá na forma “como se ensina” e sim em “como se aprende”. Durante muito tempo permaneceu a idéia de que a escola era exclusivamentea detentora de todas as “fórmulas” necessárias para a alfabetização, e não seconsiderava as representações das crianças e as suas experiências econhecimentos extra escolares, bem como: ignoravam-se as características inatasdas crianças que são ativas e inteligentes, delegando assim a escola o monopólio do“saber”. Não considerando que a criança também aprende com a convivência noambiente em que convive. Ferreiro (1999) aborda isso com muita propriedade ao dizer que: Há crianças que chegam à escola sabendo que a escrita serve para escrever coisas inteligentes, divertidas ou importantes. Essas são as que terminam de alfabetizar-se na escola, mas começaram a alfabetizar muito antes, através da possibilidade de entrar em contato, de interagir com a língua escrita. Há outras que dependem da escola para apropriar-se da escrita. (p.47) A aprendizagem é um processo contínuo no cotidiano das crianças, processoesse que antecede o seu ingresso na escola, essa que por sua vez já manteve emum dado momento histórico o monopólio do saber. O processo de alfabetizaçãoinfantil é amplo e a criança configura as suas representações que são construídastambém de acordo com o contexto social no qual ela está inserida. Ferreiro (1999),diz que: “a alfabetização não é um estado ao qual se chega, mas um processo cujoinício é na maioria dos casos anterior a escola e que não termina ao finalizar aescola primária” (p.47). O processo formal de alfabetização é uma construção de conhecimentos quecompreende algumas fases, nas quais a criança vai aprendendo e adquiridoalgumas técnicas e habilidades que a depender do contato externo são aprimoradas
  • 28. 28pela escola, cada uma dependente do desempenho da anterior. Avançadas essasfases a criança já adentra ao mundo formal da leitura e da escrita, sequenciando umprocesso crescente da educação formal, refletindo assim em cada nova etapa aaprendizagem alcançada na anterior. Soares, (2003) no artigo Letramento e Escolarização, nos diz que: Embora correndo o risco de uma excessiva simplificação, pode-se dizer que a inserção no mundo da escrita se dá por meio da aquisição de uma técnica – a isso se chama alfabetização, e por meio do desenvolvimento de competências (habilidades, conhecimentos, atitudes) de uso efetivo dessa tecnologia em práticas sociais que envolvem a língua escrita – a isso se chama letramento (2003, p. 90). A alfabetização compreende todo um processo, o qual depende também dealgumas circunstâncias. A criança que vive em contato com um meio que favoreçaum melhor e maior contato com o mundo das letras, da escrita e da tecnologia é emgeral tendenciada a ter um melhor desempenho no processo de alfabetização; emcontra partida, aqueles que vivem em um ambiente menos favorável a esse contextotendem a ter mais dificuldade por não estarem familiarizadas com um ambientealfabetizador: ou seja, as circunstâncias socioeconômicas também influenciam sobreo processo de alfabetização, como comenta Cook-Gumperz, (1991.p, 29). “Aalfabetização não pode ser julgada separadamente de alguma compreensão dascircunstâncias sociais, tradições específicas que afetam o modo como estacapacidade enraíza-se numa sociedade.” As considerações sobre a alfabetização se processam das mais diversasformas, são conceito e métodos que se abordam, ora direcionados ao professor, oradirecionado ao aluno, ora direcionados aos métodos e materiais didáticos. Noentanto se faz necessário tentar considerar essas abordagens conjuntamente, natentativa de que se aproveite tudo o que contribuir para a boa qualidade e o bomdesempenho do processo alfabetizador: considerando as reais necessidades doeducando, e possibilitando-lhe desde esse processo, uma visão mais ampla de
  • 29. 29mundo, onde ele possa se posicionar como um sujeito participante e ativo nasociedade em que vive. Segundo Ferreiro (2000): para que haja eficácia naalfabetização o professor deverá “adaptar seu ponto de vista ao da criança. Umatarefa que não é nada fácil”. (p.61). O desenvolvimento escolar da criança depende das facetas pelas quais elaspassam no seu processo de alfabetização, o que torna fundamental o conhecimentodas mesmas para que sejam utilizadas no momento adequado para que aalfabetização se processe sem complexos problemas. Leite (2001) ao abordar sobreesse processo, nos diz que: O processo de alfabetização pode constituir-se tanto num processo de libertação/conscientização, tanto num processo de domesticação/alienação dos indivíduos dependendo do contexto ideológico em que ocorre. (p.28) O processo de alfabetização não se constitui através de um método ou práticasistemática que sendo aplicado corretamente concluirá na alfabetização da criança.Esse processo deve acontecer de forma que sejam consideradas as especificidadesdelas, bem como a sua forma de refletir e construir as suas interpretações.2.4- ESCOLA Sendo a escola o espaço formal onde se dá a construção do conhecimento eo local onde o individuo é preparado para conviver e se relacionar sociavelmente, aprática educativa voltada para as necessidades reais da sua clientela é mais do queindispensável, é essencial e primordial, pois compete a ela a incumbência decapacitar o indivíduo, de prepará-lo, no conhecimento social, cultural, político,histórico, para que ele se torne apto a conviver ativamente em uma sociedade emconstantes mudanças. A escola tem por função preparar o individuo para o exercício da cidadania moderna, para a modernidade. Isso significa formar o homem capaz de
  • 30. 30 conviver numa sociedade em que se cruzam interveniência e influências mundiais da cultura, da política, da economia, da ciência e da técnica (RODRIGUES, 1991, p. 56). A escola ocupa um lugar significativo na sociedade e compete a ela a missãode um papel relevante na transmissão da cultura e a inserção do individuo nocontexto da ordem social e a preparação do educando para o desenvolvimento e oprogresso. A escola é uma instituição responsável por promover a cidadania,desenvolver o senso crítico do cidadão, politizando-o e preparando-o para enfrentaras constantes mudanças sociais. Libâneo (1992), sobre isto diz que: “Cada sociedadeprecisa cuidar da formação dos indivíduos, auxiliarem no desenvolvimento formadornas várias instâncias da vida social”. Sendo a escola uma instituição social, tem por meta preparar o cidadão ecapacitá-lo na compreensão da realidade da sociedade em que vive e as possíveisinfluências que o envolve. “A escola por si, não forma cidadão; a escola o prepara, oinstrumentaliza, dá condições para que ele possa se formar e se construir”.(RODRIGUES, 1991, p. 56). Como instituição social a escola existe em meio a um paradoxo político,econômico e social. Pois ao passo que existe para politizar o cidadão e prepará-lopara o ativo exercício da cidadania, ela também sofre a influência forte da classedominante, que insiste em torná-la uma reprodutora de seus interesses ideológicos. A escola está inserida numa auto realidade da qual sofre e exerce influência. Ela não é apenas o local onde se reproduzem os interesses, os valores, a cultura, a ideologia. Também pode influenciar a ideologia, os valores, a ciência, a política e a cultura na sociedade em que está inserida. (RODRIGUES. 1991.p. 7). No entanto, o neoliberalismo pressiona, por uma escola “moderna” que seidentifique com os seus propósitos capitalista e ideológico, e prega um modelo deescola “ágil e eficiente” na capacitação de indivíduos hábeis, para atuar de acordocom a acirrada competição do mercado de trabalho: com flexibilidade para trabalhar
  • 31. 31em áreas diferentes. Que todo e qualquer conteúdo abordado na escola, estejavoltado para esse contexto. Nesta escola não pode haver a construção de cidadãos, pois só há espaço para a construção do consumidor e do futuro “colaborador” das empresas”. Nesta escola não há espaço para as questões ligadas a política (pois as perguntas: Por quê? Para que? E para quem?) apenas para as questões técnicas (para a pergunta: como?) (GANDIN, 1999). Ao passo em que vão ocorrendo as transformações sociais, seja na esferapolítica, econômica ou cultural, a escola é coagida a adaptar-se. Pela função que lheé atribuída na sociedade, ela está sempre sendo analisada, e submetida a umaavaliação de resultados e atualização contextualizada, pois da mesma se esperaeficiência no desenvolvimento de certas habilidades, e competências resultantes daescolarização.Mello (1994) quando aborda sobre esse assunto, diz que: As novas exigências da cidadania moderna, a revolução da informática e dos meios de comunicação de massa, a necessidade de se redescobrir e revalorizar a ética nas relações sociais – enfim, as possibilidades e impasses deste final de século, colocam a educação diante de uma agenda exigente e desafiadora, (p.33). A educação escolar para ter eficácia, necessita ser conceituada de acordocom a realidade e as necessidades do educando. Desta forma se faz necessário queos conteúdos abordados no processo de ensino aprendizagem condigam com arealidade da vida comunitária, contrariamente ao que aponta a realidade da escola;conforme nos diz Sacristán (1998, p.49) “Os conteúdos da aprendizagem não vemrequeridos pelas exigências da vida comunitária na escola, mas por um currículoque se impõe de fora”. Existe uma dicotomia na função da escola, pois ao mesmo tempo em quedesempenha o papel de promover o conhecimento que esclarece e facilita o
  • 32. 32entendimento do sujeito, possibilitando-lhe uma postura ativamente participante nasociedade; a mesma também se apresenta como o aparelho ideológico do Estado,reproduzindo um sistema que beneficia as suas conveniências e a classedominante. Gentille (1995) comentando sobre isso fala que: “por um lado a escolacorporifica o poder do estado; (...) por outro lado, transformou-se na principalportadora de esperanças para um futuro melhor para a classe trabalhadoraespecificamente”. (p.22) A realidade que envolve a escola não é a de ser administrada por doissistemas distintos, mas a de estar sendo controlada por um sistema de poder, aopasso em que serve justamente a uma classe subalterna, sobre a qual o sistemaprecisa manter um controle de ensino num modo sistemático, que lhe prive aomáximo possível de condições de formação que lhe instigue ao conhecimento quepropicia a verdadeira cidadania. Sendo justamente esse um dos motivos principaisque está por trás da desqualificação da qualidade de ensino. Sobre isto Gentille (1995) menciona: A principio, as fontes principais do quadro educativo educacional caótico a que chegamos residem no estado, em sua burocracia, seu modelo de intervenção padronizador e centralizado. Porém, surgem também como empecilhos educacional: os políticos e seus partidos e os grupos profissionais organizados (as corporações). (p.63) Evidentemente a realidade implícita que existe por trás da função da escola éque a mesma é dominada por um sistema que objetiva manter a reprodução ebeneficiar-se, sobre a negação da qualidade necessária à classe dominada; fatoesse perceptível também mediante a situação caótica que a escolarização abrange,seja pela qualidade do ensino, pela seletividade, ou pelo pouco caso feito para comas classes subalternas na negação da escolarização, principalmente em níveis maiselevados: mesmo com tantos recursos e possibilidades necessárias. SegundoFrigotto (1993): Do ponto de vista mais global, pode-se observar que estes mecanismos vão desde a negação ao atingimento dos níveis mais elevados da escolarização, pela seletividade interna na própia escola
  • 33. 33 até o aligeiramento e desqualificação do trabalho escolar pela a grande maioria. (p. 164) Necessário se faz que a escola que atenda a classe trabalhadora, além decumprir as suas atividades corriqueiras, e abordar os componentes curriculares jáutilizados: providencie também formas pelas quais o seu currículo e calendáriosejam adequados a realidade da comunidade na qual ela esteja inserida,considerando indispensavelmente a cultura e necessidades locais, ou seja: a escolaenquanto instituição social responsável para promover a educação precisa adaptar-se a clientela no que diz respeito a sua maneira de vida, criando as condiçõesprecisas e atendendo as suas carências educacionais e não necessariamenteimpondo um modelo que não condiz com a sua realidade de vida. Para Frigoto (1993): A escola que interessa a classe trabalhadora é então, aquela que ensina matemática, português, història, etc. de forma eficaz e organicamente vinculada ao movimento que cria as condições para que os diferentes seguimentos de trabalhadores estruturem uma consciência de classe, venha a se constituir não apenas numa “classe em si”, e se fortaleça enquanto tal na luta pela concretização de seus interesses. Uma escola, portanto, que não lhes negue seu saber produzido coletivamente no interior do processo produtivo, nos movimentos de luta por seus interesses, nas diferentes manifestações culturais, mas que, pelo contrário, seja um lócus onde este saber seja mais bem elaborado e se constitua num instrumento que lhes faculte uma compreensão, mais aguda na realidade e um aperfeiçoamento de sua capacidade de luta. ( p. 200, 201). O acesso ao saber na escola existirá de uma forma menos limitada se ademocracia fosse de fato uma realidade sem pressupostos devidos conseqüentesdo sistema. Forma que minimizaria o caráter ambíguo e contraditório da escola quesegundo Frigotto (1993), esclarece que para tanto é preciso erigir sobre a práticaeducativa uma teoria mais elaborada que revelem, no caráter ontogênico, mediadore contraditório dessa prática, os elementos decisivos de sua superação.
  • 34. 34 CAPÍTULO III3- PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS3.1- Definição da pesquisa A realização de uma pesquisa não é um fato neutro, que está condicionadoao ponto de vista do pesquisador. Para que ela tenha a essência de uma verdadeirapesquisa é essencial que alguns aspectos sejam observados através de umprocesso investigativo, em que “haja o confrontamento dos dados, as evidências, asinformações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teóricoacumulado a respeito dele”;(LUDKE E ANDRÉ, 1986, p. 26). A pesquisa qualitativa propicia ao pesquisador a vivência dessa experiênciae procura buscar explicações sobre as concepções e percepções que os sujeitostêm do tema abordado, esta envolve todo um processo investigativo que alicerça asua construção. De acordo com Goldenberg (2000) os dados qualitativos constituemem descrições detalhadas de situações com o objetivo de compreender osindivíduos em seus próprios termos. É a investigação que propicia a realização de uma pesquisa, que por sua vezobjetiva solucionar dúvidas, fazer experimentos de fenômenos, solucionarproblemas, através de procedimentos científicos. De acordo com Barros (2000): “ainvestigação é a composição do ato de estudar, observar e experimentar osfenômenos, colocando de lado as suas compreensões a partir de expressõessuperficiais, subjetivas e imediatas”. (p.14) Esta pesquisa é de caráter qualitativo, que por sua vez, para ser realizada, épreciso que se considerem fatos reais, que haja um planejamento cuidadoso,comfundamentos metodológicos e controlados sistematicamente com a determinadaanálise da fidelidade do que foi investigado. Que na concepção de Ludke e André(1986, p.26) “nos permite chegar mais perto da perspectiva dos sujeitos, umimportante alvo nas abordagens qualitativas”.
  • 35. 353.2- Instrumento de Coleta de Dados Nesta pesquisa foram utilizados para o seu desenvolvimento instrumentos deabordagem qualitativa, que se constitui através de observação direta; no intuito dedesmistificar os questionamentos que nos inquietam, em relação ao nosso objetivode pesquisa. Foi utilizado como instrumento primeiramente o questionário fechadocom os alunos, objetivando a aquisição de dados específicos na busca de fatos quecontribuam com o resultado da pesquisa. De acordo com a colocação de Andrade(1999): “perguntas fechadas são aquelas que indicam três ou quatro opções derespostas ou se limitam à resposta afirmativa ou negativa e já traz espaçosdestinados a marcação da escolha”. (p.131). Foi também utilizada uma entrevistasemi-estruturada, com as professoras, contendo algumas questões significativaspara o estudo do tema proposto, objetivando assim os dados dos sujeitos e os seussignificados.3.3- Local da Pesquisa A sua realização se deu na escola: Eudes Muniz de Oliveira, no povoado deVarzinha, situado no município de Campo Formoso-BA, localizada a uma distânciade 36 km da sede do município. A população é composta de aproximadamente 400habitantes, o clima é semi-árido e a maior parte da população sobrevive do sisal. Aescola é única no povoado, atende uma clientela da creche a 4ª série do ensinofundamental, sendo que a creche funciona em tempo integral. O espaço físico da escola é composto de: 07 (sete) salas de aula, 01 (uma)secretaria, uma cozinha, 05 (cinco) banheiros, 02 (dois) depósitos, um campo defutebol e uma vasta área de lazer. O corpo docente e administrativo da escola é composto de : 01 (uma)coordenadora, 01 (uma) diretora, 07 (sete) professores, 02 (duas) cozinheiras, 01(um) porteiro, 02 (dois) funcionários de serviços gerais e 01 (uma) secretária.
  • 36. 36 3.4- Sujeitos da Pesquisa Objetivando conhecer a relação entre a realidade socioeconômica e oprocesso de alfabetização dos alunos da escola acima citada, temos como sujeitosda pesquisa os alunos da pré-escola, composta de 25 (vinte e cinco) estudantes, nafaixa etária de (06) anos de idade), da 1ª série composta de 23 (vinte e três), nafaixa etária de (07) sete a (09) nove anos e a 2ª série composta por 22 alunos, efaixa etária de (08) oito a (11) onze anos; bem como os (03) três professores dasséries citadas. Embora a soma das turmas citadas corresponda a (70) setentaalunos, no entanto no dia da aplicação do questionário fechado, tinham apenas (54)cinqüenta e quatro presentes, com os quais a pesquisa foi realizada. Vale ressaltarque antes da aplicação do questionário fechado com as turmas as professoras foramquestionadas sobre a conveniência do mesmo em relação a faixa etária dos alunos,principalmente do pré e foi mediante o interesse delas pela temática que o mesmofoi aplicado, pois a professora se propôs a aplicá-lo individualmente, enquanto queas outras garantiram não haver dificuldade nenhuma. Os professores sujeitos da pesquisa são (03) três do sexo femenino, sendoque em relação ao nível de escolaridade possuem nível superior incompleto. Uma égraduanda no curso de letras, e as outras (02) duas em normal superior. Todasestão na função do magistério a mais de 08 anos, mais especificamente nas sériesiniciais do Ensino Fundamental e nenhuma delas mora no povoado onde ensinam.
  • 37. 37 CAPÍTULO IV4- ANALISE DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS Na tentativa de compreender de forma mas precisa sobre os problemas queinterferem no processo de alfabetização das crianças, esta pesquisa tem comoobjetivo: identificar quais os problemas sociais que interferem no processo dealfabetização dos alunos da escola Eudes Muniz de Oliveira, do povoado deVarzinha município de Campo Formoso. Obtidos os resultados das questões, adquiridos a partir dos nossosinstrumentos utilizados para a coleta de dados informações ou seja: o questionáriofechado feito com as crianças das turmas do pré, da 1ª e 2ª séries, que do totalhaviam 54 crianças presentes e responderam as questões que foram aplicadaspelos professores individualmente e da entrevista semi-estruturada, aplicada as 3professoras, é possível observar os problemas sociais que interferem naalfabetização das crianças da escola Eudes Muniz de Oliveira, causas que levam arepetência e evasão escolar das mesmas. Apresentaremos a seguir o resultado das questões aplicadas aos 54 alunosatravés das informações do questionário fechado, bem como, da entrevista semi-estruturada, feita com os professores.4.1- Resultado do Questionário Fechado: O questionário fechado aqui apresentado tem como finalidade conhecermelhor a situação socioeconômica dos pais dos alunos do povoado em estudo, paraque assim se torne mais fácil à compreensão da analise dos resultados. Para tantofoi aplicado um questionário fechado com os alunos das turmas de alfabetização(pré), da 1ª série e da 2ª série.
  • 38. 38 Demonstração do resultado das investigações através do levantamento dosdados do questionário fechado.4.1.1- O Trabalho dos Pais 1% 99% Trabalha no Sisal Outras Funções Em relação ao trabalho dos pais das crianças conforme o gráfico demonstrafica claro que a grande maioria das famílias da comunidade sobrevive do trabalho nosisal. Conclui-se assim, que a fonte de renda da comunidade é quase queexclusivamente o sisal. Que é um trabalho desenvolvido através do cultivo do agave,uma planta com folhas compridas e pontudas, com um espinho agudo na pontacentral. O processo do trabalho se dá primeiramente com o corte das folhas, que emseguida precisam ser transportadas para um motor, onde serão cevadas para aretirada das fibras vegetais que são utilizadas em vários setores da indústria e doartesanato.4.1.2- Ajuda das Crianças aos Pais no Sisal Dentre os 54 entrevistados, 24 deles responderam que ajudam os pais nosisal. Essas crianças procuram conciliar escola e trabalho, numa tentativa decomplementar à renda familiar.
  • 39. 39 55% 45% Ajuda no Sisal Não Ajuda No que se refere ao desenvolvimento do trabalho infantil pelas crianças épossível perceber na demonstração do gráfico, que pelo menos 45% delas, ajudamseus pais no sisal, na tentativa de complemento da renda familiar. Vale ressaltar queessa questão foi respondida positivamente pelas crianças da 1ª e 2ª séries.4.1.3 - Quem Ajuda os Alunos nas Atividades Escolares. A observação do gráfico torna perceptível que ainda há um percentualconsiderável de crianças que não tem um acompanhamento necessário, nasatividades escolares, dando assim uma seqüência mais precisa ao que se aprendena escola. 19% 20% 61% Irmãos Pais Ninguém4.1.4- Analfabetismo Entre os Pais A observação do gráfico nos faz perceber uma mudança em relação aocompleto analfabetismo, pois pessoas que anteriormente não tiveram aoportunidade de freqüentar a escola, agora vão achegando-se a ela. Pois das
  • 40. 40crianças que responderam as questões sobre a situação dos seus pais em relação aessa temática 19% responderam que eles sabem ler e escrever. Pessoas quehaviam sidos privadas da escola anteriormente, começam a usufruir timidamentedas poucas e precárias políticas públicas educacionais voltadas para a alfabetizaçãode adultos. 19% 81% Sabem Ler Não Sabem Ler4.1.5- Você Costuma Estudar Quando Não Está no Trabalho ou na Escola O gráfico a seguir mostra um número de alunos muito significativo em relaçãoao que é respondido quando questionados sobre o costume de estudar fora daescola. 42% dos entrevistados respondem negativamente a essa questão, noslevando a questionar sobre o nível de prioridade que é destinado aos estudosmediante a realidade contextual. 58% 42% Sim Não4.2- RESULTADO DA ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA
  • 41. 41 Com a análise da entrevista semi-estruturada, aplicada aos (03) trêsprofessores, foi possível ter uma melhor compreensão, da sua visão; sobre osproblemas socioeconômicos que interferem no processo de alfabetização dascrianças,do povoado de Varzinha no município de Campo Formoso. Sobre atemática abordada pudemos verificar as seguintes compreensões na visão dosprofessores:4.2.1 - Problemas Socioeconômicos Como Interferência no Processo deAlfabetização. Em relação a essa temática ficou evidente a visão dos professores, que foramunânimes em afirmar que os problemas socioeconômicos interferem no processo deaprendizagem dos alunos. Sobre isso, uma das professoras diz que: A sociedade é mascarada pelas grandes desigualdades sociais, onde as classes mais favorecidas, dispõem de recursos financeiros que lhe propiciam recursos para usufruir de certos confortos que lhe facilitarão no processo de aprendizagem e de uma vida mais digna. Ao passo que os pertencentes às classes menos favorecidas por não usufruírem desses confortos, isso virá a contribuir de forma negativa no processo de aprendizagem.(Po1)² Fica evidente na visão da professora que os problemas socioeconômicostrazem consigo algumas conseqüências para aqueles que são acometidos pelosmesmos, entre as quais o processo de alfabetização e a aprendizagem sãoprejudicados por falta de alguns “privilégios” essenciais, tais como; recursosfinanceiros e certos confortos que ele propicia. Diante dessa afirmação a professora nos lembra o que fala Coraggio (1996):Ao mencionar as questões “externas” ao processo educativo como influenciadorasna qualidade interna em si dos processos de aprendizagem tais como:____________________ ²Termo utilizado para manter o sigilo sobre a identidade dos sujeitos pesquisados,utilizaremos as letras Po acompanhadas dos números.
  • 42. 42 ...Níveis de nutrição e condições de habitat, necessidade ineludível de trabalhar para obter receitas, recursos insuficientes para custear os gastos (visíveis e ocultos) que significa ir a escola, ambiente familiar ou comunitário desestimulante para o estudo, desvalorização social do papel do professor, falta de motivação para o estudo na ausência de expectativas positivas para o sucesso social a ele ligadas etc. (p.224)4.2.2- O Auxílio dos Pais nas Atividades Escolares Para Casa Sobre essa questão as professoras apresentaram uma visão similar; a de quenão há a participação dos pais, por duas causas: o sistema de trabalho com suajornada, e o analfabetismo dos mesmos.A Po2 aborda que em relação ao acompanhamento das atividades da escola: Infelizmente não há o acompanhamento dos pais. Porém, vale ressaltar, que este fator se dá, principalmente, pelo fato de que a escola está inserida em uma comunidade muito carente, onde a maioria dos pais precisa sair para trabalhar fora, impossibilitando assim, que estes venham a participar de forma ativa na vida escolar dos seus filhos. Vale lembrar também, que muitos desses pais não são alfabetizados, o que só vem a prejudicar, ainda mais esse processo. A Po2 ao abordar em suas palavras que a falta de acompanhamento dos paisnas atividades escolares dos seus filhos, se dá justamente pelos fatores: trabalho eanalfabetismo. Na sua visão esses fatores estão ligados diretamente a questõessocioeconômicas. Ao fazer tais afirmações a professora concorda com Coraggio (1996) aosalientar que:”o investimento em educação requer verbas complementares. Investirnas escolas de uma comunidade carente de investimentos, os quais poderiamfacilitar seu desenvolvimento (outras políticas “sociais” e “econômicas”)”. (p.226). Aescola que atende a classe trabalhadora não possui uma política eficaz parabeneficiar os alunos, que não tem o acompanhamento dos pais em casa , seja porquestões trabalhistas ou por nível de escolaridade dos mesmos; deixando-os assimem desvantagens, como em muitas outras questões.
  • 43. 434.2.3- O Fator Repetência Como Uma das Conseqüências da situaçãoSocioeconômica. Neste caso as professoras identificam a falta de contato com o universo daleitura fora da sala de aula como um dos motivos principais da repetência, sendoque toda a responsabilidade do desenvolvimento educativo do aluno fica a cargo doprofessor e da escola. A Po3 afirma que: “muitos deles precisam de acompanhamento especial”. Elainforma que dos 24 alunos da turma 09 deles são repetentes, 05 por 03 anos, 02 por04 anos, e 02 por 02 anos. E essas crianças mesmo estando nessa série já há essetempo, o nível de desenvolvimento é bem lento, 05 deles não transcrevem a letramanuscrita, e apenas 01 consegue transcrever apenas algumas letras bastão. Esses05 não distinguem letras de números, e insistem em fazer garatujas. Os outros 04 jáconseguem transcrever muito lentamente, encontram-se em fase de transição deletra (da bastão para a manuscrita), mas não conhecem especificamente as letrasdo alfabeto. A professora Po1 relatou que dos seus 46 alunos, (que correspondem assuas 2 turmas, das quais somente uma participou da pesquisa),13 ainda não lêem, desses 05 foram repetentes da série anterior por 04 anos, e osdemais embora repetentes na primeira série, já identificam as letras dodo alfabeto, e estão em continuação do processo de alfabetização. A mesma enfocaque o índice de repetência tem sido alto nos últimos anos, exceto no ano anteriorque para sanar esse problema houve uma ordem da secretária de educação, queinstruiu à não repetência em nenhuma circunstância. Nesse sentido a professora menciona algo que se aproxima da afirmação deFrigotto (1993):”concretamente a desqualificação da escola é, antes de tudo, adesqualificação para a escola freqüentada pela classe trabalhadora” (p.165). Ao
  • 44. 44mesmo passo em que vale a afirmação de Demo (2001): “É uma agressão àrepetência em massa na 1ª série, seja porque quem sai reprovado é o sistema, emparticular o professor, seja porque se incute a convivência desde o início com ofracasso”. (p.80). Com essa compreensão fica evidente que a escola falha no seu papel depromotora do “direito de igualdade” e que a posição de muitos professores frente aessas circunstâncias é a de impotência.4.2.4- As Causas da Evasão No que se refere a essa situação as repostas das professoras foram bemsimilares, todas definem a questão do deslocamento dos pais na migração atrás demelhores condições de trabalho como fator principal da evasão. A Po2, faz a sua colocação sobre essa realidade mencionando que: “A evasão está ligada ao trabalho dos pais. Quando os pais precisam ir para outro motor de sisal, os filhos não têm onde ficar e os acompanham”. A Po1 falando sobre isto ressalta que: “Muitos dos alunos se obrigam a trabalhar no sisal, no intuito de contribuir para o aumento da renda financeira da família”. Com essa compatibilidade das respostas das professoras é notória a forteinfluência do fator socioeconômico no desenvolvimento do processo educacional dascrianças. E isso nos faz lembra as ressalvas de Demo (1994) sobre a pobreza,quando afirma: “Pobreza é o processo de repressão do acesso às vantagenssociais”. (p.19). Nota-se que, quando a criança é oriunda de uma família que dispõede melhores recursos financeiros, não há necessidade que ela tente alguma formade trabalho para complementar a renda da família, bem como se os pais não tiverem
  • 45. 45tempo o suficiente para acompanhá-los nas atividades escolares, no entanto terá avisão e recursos de colocá-los em um reforço.4.2.5- A Concepção dos Professore Sobre as Crianças que ApresentamDificuldades no Processo de Alfabetização. Em relação a essa temática as respostas das professoras são variadas,enquanto umas associaram ao fator socioeconômico a outra associou a questõespsíquicas, como veremos. Na visão da Po2 a sua resposta é a seguinte: “São muitos os alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. São muitos os fatores que influenciam, o mais evidente porém é o socioeconômico”. Já a Po3 salienta que: “Essa dificuldade está ligada a algum distúrbio mental que a criança aparenta ter”. Essa visão determinista das professoras, nos faz lembrar das colocações deSoares (1999), quando ela aponta diversos fatores, que são atribuídos aos alunos,das camadas populares na tentativa de explicar o porquê do fracasso escolardesses alunos; dos quais, eles são sempre taxados como os incapazes, e emmomento algum a escola no desempenho de suas funções educativas, que mascaraa reprodução das desigualdades sociais, é questionada ou responsabilizada.4.2.6- A Forma de intervenção pedagógica das Professoras Com os Alunos queApresentam Dificuldades de Aprendizagem. Diante do posicionamento das professoras sobre essa questão é possívelcompreender a falta de investimento do Estado na capacitação dos professores,como também a impotência dos mesmos frente a essa realidade. Em relação a essaquestão as professoras afirmam o seguinte:
  • 46. 46 “Busco mil maneiras para aplicá-las e algumas dão certo e o que mais tem dado certo é tratá-las como crianças normais” (Po1) “Não há um trabalho diferenciado, pois a turma é grande e eu não tenho experiência com esse tipo de crianças”. (Po2) Faço atividades diferenciadas para aqueles que estão sem conseguir alcançar o nível aproximado da maioria e enquanto os que estão mais desenvolvidos vão fazendo as suas atividades eu dou um auxílio mais direto aos que tem mais dificuldades; outras vezes eu peço aos outros para irem auxiliando o coleguinha que ainda não consegue fazer a atividade, ou então coloco os mais desembaraçados para sentar com os que têm mais dificuldades, para que sirva de incentivo. Porém é muito difício a situação, é desmotivadora. (Po3) No relato das professoras é possível compreender que ambas se defrontamcom uma realidade da qual não tem uma capacitação específica para tratá-las. Éperceptível também a impotência das mesmas frente à situação. E isso nos fazlembrar justamente do que salienta Mello (1994) quando fala sobre a necessidadede capacitar os docentes em serviço:”capacitar os professores não em quaisquerconteúdos, mas naqueles requeridos para participar efetivamente da formulação eexecução do projeto pedagógico da escola, mantida a especificidade da área oudisciplina de ensino”. (p.104) Abordando também sobre essa temática, e a necessidade do investimentopelo sistema educacional na capacitação dos professores, bem como, em políticaspúblicas eficazes para inverter a realidade que permeia sobre a situação de criançasque vivem a mercê das conseqüências socioeconômicas frente ao descaso eestratégia do estado, Demo (2001) ressalta o seguinte:”a condição econômica ecultural da maioria das crianças coloca desafio acerbo, cujo enfrentamento exigequalidade ostensiva do sistema, sobretudo dos professores”. Frente aos problemas socioeconômicos da sociedade brasileira é bem visívela repercussão das conseqüências sobre o desenvolvimento do processo deaprendizagem das crianças, bem como da inércia da “escola”, mais precisamente dosistema em relação aos fatos. Percebe-se que há certo distanciamento entre o que oprofessor foi capacitado para lidar e o que ele convive na prática.
  • 47. 47 Compreende-se também que há uma camuflagem no verdadeiro papel daescola em relação ao que se espera da mesma. E isso está inteiramente ligado aojogo de interesses do poder dominante. Possibilitando-nos a visão de que oproblema não está nas crianças em si, elas acabam apenas sendo vítimas de umsistema programado para agir em torno de interesses particulares, que acabadeixando para a população menos favorecida o saldo das conseqüências,dos quaisalguns foram aqui mencionados. É preciso que os professores estejam cientes da realidade existente emrelação aos alunos com os quais eles trabalham, para que possam buscar formasmais produtivas e eficazes no desenvolvimento do seu trabalho e para o melhoraproveitamento e conseqüente qualidade do ensino.
  • 48. 48 FINALIZANDO AS CONSIDERAÇÕES Os problemas que atrofiam a qualidade da educação brasileira são os maisdiversos, dentre os quais os de ordem socioeconômica; que é a mola mestre dentretodos os demais, por concentrar vários fatores conseqüentes de uma nação onde amaior parte da população sofre a mercê da ideologia dominante, que porconveniência de interesses tornam-se indiferentes às necessidades reais dascamadas populares de baixa renda. São muitas as conseqüências provenientes desses problemas que tornam aqualidade da educação inexpressiva, frente ao que se espera da mesma, em meio auma sociedade em constantes transformações em épocas modernas, onde atecnologia e a velocidade das informações de massa, diante das exigências daglobalização, induz a uma educação que possua uma qualidade eficaz. Essa realidade nos instigou a investigar e identificar quais são os problemassociais que interferem no processo de alfabetização das crianças da Escola EudesMuniz de Oliveira, no povoado de Varzinha, no município de Campo Formoso. Deacordo com as muitas informações adquiridas foi possível observar que: as criançasdo povoado são crianças carentes, provenientes de famílias trabalhadoras no sisal,crianças que precisam ajudar os pais, na tentativa de contribuir na renda familiar, eque para tanto tentam conciliar escola e trabalho. Como conseqüência do sistema e jornada de trabalho dos pais, torna-seinviável o acompanhamento ideal aos filhos nas atividades escolares, isso aindasomado ao fato da maioria deles serem analfabetos, e diante dessa realidade existea questão do papel da escola, que enquanto reprodutora das desigualdades sociais,não está idealizada para atender equitativamente essa demanda, por estar sob osparadigmas da ideologia dominante, tornando assim os alunos das camadas sociaispopulares em desvantagem, obtendo como conseqüência o auto índice derepetência e evasão.
  • 49. 49 Pudemos observar na coleta das diversas informações alguns aspectosrelevantes voltados para a visão dos docentes, das quais: eles, apontam uma visãopré-formulada de que os alunos tem alguma deficiência que atrapalha no seuprocesso de alfabetização, eles admitem que não estão habilitados paradesenvolverem um trabalho eficaz, em meio aos poucos recursos quedisponibilizam, bem como, diante da falta de políticas públicas essenciais queinvistam em áreas especificas. Ficou nítida por parte deles a impotência dosmesmos diante dessa realidade e a insatisfação por falta de investimentosespecíficos para essas necessidades. Acreditamos que mesmo em meio a essa situação que passa a educaçãobrasileira; desqualificada por falta de políticas públicas necessárias para o bomdesenvolvimento da qualidade educacional; ainda seja possível manter perspectivasde superação e através do trabalho coletivo e a cumplicidade com a comunidade nabusca de métodos, trabalhos e projetos que ajudem na solução ou minimizações dosproblemas que tem dificultado o bom andamento e a qualidade educacional, possammudar a situação e tornar possível a inversão deste quadro. Contudo é necessário que professores e todos os que estão envolvidos maisdiretamente com a educação, estejam sensibilizados e disponíveis para acontribuição na construção de uma educação mais eficiente e de uma sociedademenos desigual e mais justa.
  • 50. 50 REFERÊNCIAS:ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução a Metodologia do TrabalhoCientífico. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 1999.BARROS, Aidil de Jesus Paes de.LEHED, Neide Aparecida de Souza. Projeto dePesquisa: Propostas Metodológicas. Petrópolis, 2000.CANDAU, Vera Maria. Sociedade Educação e Culturas: Questões e Propostas:Petrópolis;Vozes, 2002.CARNOY Martim,: Escola e Trabalho no Estado Capitalista. 2ª ed. São Paulo:Cortez, 1993.CERQUEIRA, Filho Gisálio. A questão social no Brasil: Crítica do discursopolítico. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992.COLLARES, Cecília Azevedo Lima, MOYSES, Mª Aparecida Afonso. Preconceitosno Cotidiano Escolar Ensino e Medicalização. São Paulo: Cortez. CampinasUNICAMP: Faculdade de Educação. Faculdade de Ciências Médicas. 1996.COOK-GUMPERZ, Jenny. A Construção social da Alfabetização. Porto Alegre:Artes Médicas,1991.CORAGGIO, José Luis. Desenvolvimento humano e educação; O Papel dasOngs Latino Americanas na Iniciativa da Educação Para Todos. São Paulo;Cortez, Instituto Paulo Freire, 1996.DEMO, Pedro. Política social, educação e cidadania. 2ª ed. Campinas, SP:Papirus, 1996.__________ Desafios Modernos da Educação. 11ª ed. Petrópolis, Vozes, 2001.
  • 51. 51FERREIRO, Emília. Com Todas as Letras. São Paulo: Cortez, 1999.__________. Reflexões Sobre Alfabetização. São Paulo: Cortez, 2000.__________. Cultura Escrita e Educação. São Paulo. Artemed.2001.FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 21ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.FRIGOTTO, Gaudêncio. A produtividade da escola improdutiva:um (re) examedas relações entre educação e estrutura econômica social e capitalista. 4ed.São Paulo; Cortez, 1993.GANDIN, Danilo. Temas Para um Projeto Político Pedagógico. Petrópolis, Rio deJaneiro: Vozes, 1999.GENTILLE, Pablo. Pedagogia da Exclusão: O Neoliberalismo e a Crise daEscola Pública. Petrópolis, RJ: vozes, 1995.GOLDENBERG, Mirian. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa qualitativa emciências sociais. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.LEITE, Sergio Antônio da Silva. Alfabetização e Letramento: Contribuições para aspráticas pedagógicas. Campinas, SP: Arte Escrita, 2001.LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1992.LÜDKE, Menga. ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em Educação: AbordagensQualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
  • 52. 52MELLO, Guiomar Namo. Cidadania e competitividade-desafíos Educacionais doTerceiro Milênio. 7ª ed. São Paulo; Cortez , 1994.MENEGOLLA, Maximiliano. E agora professor? 4ª ed. Mundo jovem, Porto Alegre,1989.RODRIGUES, Neidson. Da mistificação da escola a escola necessária. 5ª ed.,São Paulo: Cortez, 1991.SACRISTÁN, J. GIMENO. Compreender e transformar o ensino/ J. GimenoSacristan e A. I. Pérez Gómez; trado. Ernani F. da Fonseca Rosa – 4. Ed. ArtMed,1998.SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização: do Pensamento Único àConsciência Universal. 15º ed. Rio de Janeiro: Recorde, 2008.SOARES, Magda. Letramento e escolarização. IN: MASAGÃO, V. R. Letramentono Brasil. Belo horizonte: UFMG, 2003..TEIXEIRA, Elenaldo Celso. O Local e o Global: Limites e Desafios daParticipação Cidadã . 3ª ed. São Paulo: Cortez; Recife. UFBA, 2002.
  • 53. 53APÊNDICE
  • 54. 54 Questionário fechadoEm que seus pais trabalham?( ) no sisal ( ) outras funçõesVocê trabalha no sisal com seus pais?( ) sim ( ) nãoQuem lhe ajuda nas atividades que leva da escola?( ) seus pais ( )irmãos ( ) ninguémSeus pais sabem ler e escrever?( ) sim ( ) nãoVocê costuma estudar quando não está na escola ou no trabalho?
  • 55. 55 ( ) sim ( ) não ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA. 1- VOCÊ ACHA QUE AS CONDIÇÕES SOCIOECONOMICAS INFLUENCIAMNO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DAS CRIANÇAS? DE QUE FORMA? 2- OS PAIS DAS CRIANÇAS OS ORIENTAM E AJUDAM NAS ATIVIDADESDE CASA? 3- COMO ESTÁ A SUA TURMA EM RELAÇÃO A REPETENCIA? 4- HÁ EVASÃO? E ELA ESTÁ LIGADA MAIS A QUE DIRETAMENTE? 5- VOCE TEM ALGUM ALUNO QUE JULGA TER DIFICULDADE DEAPRENDIZAGEM? E VOCE ACHA QUE TAL DIFICULDADE ESTA LIGADA AQUE? Caro professor as respostas a essas questões contribuirão grandemente paraa defesa da minha monografia, que tem como objetivo: compreender quais são osfatores socioeconômicos que interferem no processo de alfabetização das crianças.A sua identidade será mantida em sigilo, dependo apenas das respostas paradefender os meus argumentos. Grata: Marilândia Alecrim.
  • 56. 56
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