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Monografia Eneadra Pedagogia 2008
 

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Pedagogia 2008

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    Monografia Eneadra Pedagogia 2008 Monografia Eneadra Pedagogia 2008 Document Transcript

    • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIIA VISÃO DO EDUCANDO SOBRE O ENSINO DE ARTE NO COLÉGIO ESTADUAL TEIXEIRA DE FREITAS Por ENEANDRA DA SILVA BATISTA SENHOR DO BONFIM JUNHO DE 2008
    • ENEANDRA DA SILVA BATISTAA VISÃO DO EDUCANDO SOBRE O ENSINO DE ARTE NO COLÉGIO ESTADUAL TEIXEIRA DE FREITAS Trabalho monográfico apresentado ao Departamento de Educação Campus VII da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, como pré-requisito para conclusão do curso de Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Cláudia Maísa Antunes Lins.
    • ENEANDRA DA SILVA BATISTA A VISÃO DO EDUCANDO SOBRE O ENSINO DE ARTE DO COLÉGIO ESTADUAL TEIXEIRA DE FREITASAprovada em: 03 de julho de 2008BANCA EXAMINADORA: Beatriz de Souza Barros Simone Vanderley Prof.(a) Avaliador (a) Prof. (a). Avaliador (a) Profª. Cláudia Maísa Antunes Lins
    • (Orientadora)
    • DEDICATÓRIAA Deus por sua presença forte em minha vida.A minha família pelo apoio em todos os momentos.Aos meus amigos que direta ou indiretamente ajudaram-me neste caminho.A minha orientadora Maísa pelo apoio e pelo carinho com que me orientou.
    • AGRADECIMENTOSAo Departamento de Educação Campus VI I;Aos funcionários que contribuíram com a minha permanência no Campus;A todos os professores pelas suas contribuições em cada semestre;A professora Maísa pela maravilhosa orientação;
    • “A história fez a sua parte, os homens que a construíram deixaram suasmarcas e, sejam elas quais forem, o que realmente une passado e presente éa existência da arte.” (Carmen Lúcia A. Biasoli)
    • BATISTA, Eneandra da Silva, A visão do educando sobre o ensino dearte no Colégio Estadual Teixeira de Freitas. Monografia de Conclusão deCurso de Pedagogia Licenciatura Plena, Habilitação em Educação Infantil enas Séries Iniciais, apresentada a Universidade do Estado da Bahia, CampusVII, Senhor do Bonfim – BA, 2007 - 63fls. RESUMO A presente pesquisa objetivou perceber a concepção que os educandos doColégio Estadual Teixeira de Freitas têm sobre o ensino de arte e qual aimportância do ensino desta disciplina para estes alunos. O ensino de arte temavançado no que se refere à pesquisa, mais estes avanços pouco espaço temencontrado no ambiente escolar, muitas vezes por desconhecimento doprofessor. O dialogo com vários teóricos foi importante para queconhecêssemos a fundo o tema e o relacionássemos com o que osentrevistados disseram através da metodologia utilizada, a entrevistaestruturada e o questionário, no qual obtivemos resultados satisfatórios para ainterpretação do problema, onde foi detectado que, por mais que os alunossintam prazer com nas aulas de arte as mesmas não estão contribuindo deuma forma significativa na vida dos educandos.Conceitos – chaves: A arte do contexto social ao educacional, a arte –educação instrumento importante na formação do educando, a formação deprofessores no ensino de arte.
    • SUMÁRIOAPRESENTAÇÃO............................................................................................ 11CAPÍTULO I...................................................................................................... 13 A ARTE EDUCAÇÃO NO QUADRO BRASILEIRO.........................................131.1. A Trajetória do ensino de arte na história brasileira.................................. 17CAPÍTULO II..................................................................................................... 25A ARTE NA ESCOLA....................................................................................... 252.1 A arte do contexto social ao educacional .................................................. 252.2. A arte-educação instrumento importante na formação do educando....... 302.3. A formação de professores no ensino de arte........................................... 35CAPITULO III.................................................................................................... 39TRILHA METODOLOGICA............................................................................... 393.1.Lócus da Pesquisa...................................................................................... 423.2.Sujeitos Entrevistados da Pesquisa............................................................ 433.3.Instrumentos da Pesquisa.......................................................................... 43CAPÍTULOVI..................................................................................................... 45ANALISANDO E INTERPRETANDO OS DADOS............................................ 454.1. Perfil dos estudantes pesquisados............................................................ 464.1.1. Faixa etária............................................................................................. 464.1.2. Gênero.................................................................................................... 464.2.A arte na sala de aula: o que a escola tem ensinado................................. 474.3.A concepção dos educandos sobre o ensino de arte................................. 494.4. A significação do ensino de arte para o educando.................................... 514.5. A formação do professor............................................................................ 52CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. 54
    • REFERÊNCIAS......................................................................................... 57APÊNDICES............................................................................................. 61
    • LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 - Faixa Etária.................................................................................... 46Gráfico 2 – Gênero............................................................................................47
    • 11 APRESENTAÇÃO Este trabalho monográfico “A visão do educando sobre o ensino de arte noColégio Estadual Teixeira de Freitas”, no município de Senhor do Bonfim, nasce daproblematização da questão de como a instituição escolar tem contribuído com aformação dos educandos através das aulas de arte, os objetivos desse trabalho são:Perceber a concepção que estes educandos têm sobre o ensino de arte e identificara importância da mesma para os mesmos. A história do processo de desenvolvimento do ser humano na terra foicontada inúmeras vezes pela arte que se produziu e se produz na sociedade. Aolongo de milhares de anos a arte teve o seu significado modificado de acordo com osobjetivos de cada época, através desta arte produzida, além de podemos conheceras diversas culturas de povos antigos e atuais podemos também desenvolver asnossas próprias percepções a cerca de nós mesmos e do mundo que nos cerca. O ensino da arte, no entanto vem nos mostrar a importância que a mesmatem para a sociedade e as várias possibilidades em aprendizagem edesenvolvimento que a arte pode proporcionar ao educando. A arte não foi incluídapor acaso no currículo escolar, várias foram às lutas travadas por arte-educadoresinteressados na área para conseguir a sua obrigatoriedade na Lei de Diretrizes eBases nº 5692/71 e reafirmada na forma da LDB de nº 9394/96, mas ainda assimcontinuou sendo tratada com descaso na instituição escolar, poucas são as escolasque contam com profissionais especializados na área para assumir as matérias. Estetrabalho não visa resolver os problemas referentes ao seu ensino mais vem de umamaneira humilde tentar chamar a atenção para esse problema, problematizando eprovocando reflexões. A presente pesquisa esta dividida em quatro capítulos que incorpora umestudo situado referente os ensino de arte na escola. O primeiro capítulo vem nos situar quanto à arte e o seu ensino no cotidianodo ser humano no que se refere a sua história e a importância, seguido da
    • 12problemática que nos conta como surgiu o problema e quais os objetivos que foramtraçadas partir deste problema e por fim sua relevância. O segundo capítulo é de caráter teórico, dialogamos ao longo deste capítulocom autores como: Duarte Jr., Barbosa, Assis, Fischer entre outros que nosajudaram a compreender este tema, tanto no que se refere ao campo específico daarte, como no que tange a pesquisa em educação. No terceiro capítulo encontramos a metodologia que reafirma os objetivos dapesquisa, nos esclarece o conceito do que é pesquisa através de Lakatos e a linhaepistemológica seguida, nos situa a cerca de onde ocorrerá a pesquisa (lócus), quaisos sujeitos entrevistados e os instrumentos de pesquisa utilizado que nos ajudou aalcançar os objetivos traçados. No quarto capítulo deste trabalho situa-se a análise de dados e asinterpretações, as falas dos sujeitos entrevistados e as suas concepções sobre oensino de arte e a importância que a mesma tem para os sujeitos. Neste capítuloiremos obter as primeiras impressões acerca do confronto entre o diálogo quetivemos com os teóricos como Duarte Jr., Mae Barbosa, entre outros que acreditamque arte-educação auxilia no desenvolvimento dos educandos, com a fala dosdiscentes colhidas através dos instrumentos de pesquisa. E por último a conclusão que nos mostram os resultados obtidos a partir dacomparação entre as concepções de teóricos e entrevistados, onde fazemos tambémuma reflexão sobre o ensino da arte, como acontece e as questões que se colocampauta hoje sobre a importância da desta na formação humana.
    • 13 CAPÍTULO I A ARTE - EDUCAÇÃO NO QUADRO BRASILEIRO Ouvir música, ir ao teatro, ao cinema, assistir a filmes e admirar paisagens épara nós seres humanos algo tão natural como respirar. Quem nunca ouviu umamúsica em outro idioma e mesmo sem entender o que é cantado se emocionou sóem ouvi - lá ou ao assistir um filme se viu tão envolvido que imaginou ser o próprioprotagonista? Assim é a arte, deixa a imaginação fluir, os sentimentos falarem, nostransporta para outro lugar, segundo COSTA (2004, p. 135): A arte penetra em nós através da porta da sensibilidade, mantendo aberto esse canal com nossa natureza mais intuitiva e profunda. A cada emoção ou prazer que resulta do contato com o belo, nossos sentidos se renovam e se apuram num processo infindável de recriação. A cada momento de arte nos tornamos mais aptos à capacitação da beleza do mundo e de seus significados. Portanto a arte não só nos ajuda a lidarmos com os nossos sentimentos,nossas emoções mais também nos auxilia a compreender o mundo que nos cerca.Muitas obras de arte, por exemplo, serviam para contar a história do ser humano eo seu processo de desenvolvimento na terra. Ao longo dos anos junto com o processo de desenvolvimento da terra nósaprendemos a sermos seres humanos, a vivermos em sociedade agir, falar vestir deacordo com a mesma, aprendemos a perceber e a vivenciar o mundo em queestamos inseridos, segundo Duarte Jr. (2004, p.26) nós nos tornamos indivíduosquando: Em decorrência de um processo educativo cujo principal veículo é a linguagem. Por ela aprendemos a ordenar o mundo numa estrutura significativa e adquirimos as “verdades” da comunidade onde devemos viver. Tal processo educacional primário –aprendemos a ser humano – é chamado de socialização, por alguns autores. A criança é socializada: adquire uma linguagem e, com ela, uma determinada forma de falar, pensar e agir, segundo a cultura em que está.
    • 14 Em contato com a sua comunidade o homem aprende de uma maneirainformal através das experiências vividas com outras pessoas, e de uma maneiraformal por meio principalmente da escola. Estamos inseridos em uma sociedade “civilizada”, capitalista que prioriza aprodução de bens de consumo e que é dividida em classes onde se instalamsituações de diferentes formas de exploração e opressão, se constituindo umarelação de dominantes e dominados. A instituição escolar é um local responsávelpela transmissão dos conhecimentos adquiridos ao longo dos anos em umasociedade às novas gerações, portanto todo conhecimento que seja consideradoimportante para se manter a sistema capitalista será ensinado nas instituiçõesescolares de acordo com Brandão (2002, p.67): “(...) ‘o fim da educação’ são osinteresses da sociedade, ou de grupos sociais determinados, através do saber queforma a consciência que pensa o mundo e qualifica o trabalho do homem educado”. Os conhecimentos durante muito tempo não foram transmitidos igualmente,os filhos das pessoas de classes dominantes iam a escola aprender a pensar,restando aos filhos das classes dominadas aprenderem execução de tarefas. Com oensino de arte, não foi diferente, a mesma para a elite brasileira era vista comosinônimo de status, por outro lado os filhos de pessoas das classes mais pobresaprendiam o ofício da arte para o sustento de sua família futuramente. Na modernidade os conhecimentos importantes são aqueles fornecidos pelaciência. Os conhecimentos científicos tornaram-se a pedra fundamental do saber eagir humano e a razão por sua vez trasformou-se o pilar básico dessa sociedade. Osistema capitalista se institui e se fortalece no contexto da idade moderna e a lógicade funcionalismo desse sistema entra nas escolas inspirado por um discursotecnicista implantado nas fábricas no auge da industrialização tendenciando ofortalecimento aos processos de homogeneização. E como escola não é umainstituição separada da sociedade age a partir desses princípios capitalistas. Nessaperspectiva Duarte Jr. (2004, p.31) nos diz: (...) as escolas se orientam no sentido do conhecimento objetivo, racional da vida. De certa forma, a escola se dirige atualmente à transmissão de conhecimentos tidos como ‘universais’, isto é, validos para qualquer indivíduo em qualquer parte do mundo. A escola tem como função a comunidade de fórmulas científicas que, espera-se
    • 15 habilitem o sujeito a conhecer racionalmente o mundo e nele operar produtividade. A sociedade em si necessita de mão-de-obra especializada para atender asnecessidades exigidas pelas grandes empresas existentes é nada melhor do que seutilizar da educação para “preparar” essas pessoas para exercer a função em quelhes for designada, conforme Bobbit (apud SILVA, 2001,p.23) ao escrever sobre ocurrículo“ propunha que a escola funcionasse da mesma forma que qualquer outraempresa comercial ou industrial” assim as escolas seriam grandes moldes deempresas. Segundo Althusser ( apud SILVA, 2001, p.31) para que o sistema capitalistacontinue vigente em nossa sociedade e não seja contestado se faz necessário queinstituições reproduzam as “maravilhas” deste sistema, seja através de ideologias ouda repressão ao dizer que: A permanência da sociedade capitalista depende da reprodução de seus componentes propriamente econômicos (força de trabalho, meios de produção) e da reprodução de seus componentes ideológicos. Além da continuidade das condições de sua produção material, a sociedade capitalista não se sustentaria se não houvesse mecanismos e instituições encarregadas de garantir que o status quo não fosse contestado. Isso pode ser garantido através da força ou de convencimento, da repressão ou de ideologia. Assim continuaremos seguindo um modelo empresarial onde cada indivíduotem a sua função, atividades são realizadas de maneira individual, mecânica esistematizadas, e esse modelo e apresentado e inserido nas instituições escolares. Nas escolas encontramos currículos fragmentados, cada disciplina temhorário para começar e terminar, é são classificadas por importância, portanto asmais importantes têm mais tempo, os conteúdos também são fragmentados mesmoque estejam correlacionados, a hora do recreio também os alunos podem liberar umpouco as suas emoções através de conversas e brincadeiras mais ao soar o sinotodos deverão voltar para a classe e assumir as suas funções tudo devidamentecronometrado.
    • 16 Nesse sentido a escola tem funcionado com aparelho ideológico do estado,lançando mão de instrumentos tecnicista que nascem num contexto de produção deuma ciência com uma concepção de valores de um sistema capitalista. Diante do que expusemos a acerca da estrutura escolar atual onde seencaixaria o sentir, as emoções dos educandos? Como expressar o que sentimosem uma ”rede” organizada para treinar pessoas, a saber, e agir de forma racionalquase que mecânica. No sistema capitalista a instituição escolar vem como umagrande formadora profissionais, onde os alunos são depositados e treinados a copiarrespostas prontas, resultando então na enorme valorização dada a razão eesquecendo-se da emoção. Acabamos por não termos espaço para a criaçãocopiamos e repetimos ”verdades” impostas pela sociedade em que vivemos. O autor Duarte Jr. (2004, p. 24) compara a escola a uma caixa de Skinnerquando diz: “(...) A campainha toca, os alunos se sentam e passam a escrever umsem-números de palavras, cuja significação não compreender bem”. Em seu livroDesenvolvimento da Capacidade Criadora, Lowenfeld também comenta sobre agrande valorização que a escola vem dando ao desenvolvimento intelectual umaênfase em detrimento da emoção e da sensibilidade quando diz: Em nosso sistema educacional a maior ênfase incide sobre a aprendizagem da informação dos fatos. Em grande escala, a aprovação ou reprovação num exame ou curso a passagem de ano ou mesmo a permanência na escola depende do domínio ou da memorização de certos fragmentos de informação os quais já são conhecidos do professor. Assim, a função do sistema escolar parece consistir em criar pessoas que possam armazenar fragmentos de informações e depois possam repeti-los a um sinal dado. (Lowenfeld, 1989 p. 15) Não estou querendo afirmar que o desenvolvimento intelectual da criança nãoseja importante, mas o que coloco em questão é esse sistema que busca odesenvolvimento através de acúmulo de informações que para o educando não fazsentido algum formando segundo Larrosa (2001, p. 02) sujeitos de informação: (...) O sujeito da informação sabe muitas coisas passa seu tempo buscando informação, o que mais o preocupa é não ter bastante informação, cada vez sabe mais, cada vez mais, cada vez esta melhor informado, porém com essa obsessão pala informação e pelo saber(mas saber não no sentido de ‘sabedoria’, mas no sentido de estar ’informado)o que consegue é que nada lhe aconteça.
    • 17 Um sistema mecanizado onde todos devem estar prontos em suas carteiras adarem respostas “certas” quando forem solicitados pelos professores sem levar emconsideração os seus sentimentos, emoções e experiências e acima de tudo semincentivá-los a buscar respostas, a questionar, a exprimir os seus sentimentosconstruindo assim o seu conhecimento. O ensino de arte deveria ser nestas escolas uma área que auxiliasse oseducandos na construção dos seus conhecimentos, mais acabou por se tornar umamatéria sem importância, aplicadas por professores que não tem nenhumconhecimento na área ou precisam completar a sua carga horária. Segundo Duarte Jr. (2004, p.12): A arte-educação não significa o treino de alguém para se tornar artista, não significa a aprendizagem de uma técnica, num dado ramo das artes. Antes, quer significar uma educação que tenha arte como uma de suas principais aliadas. Uma educação que permita uma maior sensibilidade para como mundo que cerca cada um de nós. O ensino de arte vem para trazer emoção para o currículo tão racionalizado,somos seres humanos, portanto somos constituídos de razão e emoção, e a arteproporciona trabalhar este lado emocional, quer trabalhar a compreensão do mundoem que se vive olhado com os olhos da emoção, dos sentimentos. A realidade do ensino de arte não é um fato recente, é uma história queacontece há vários anos na educação brasileira e que agora teremos a oportunidadede conhecer.1.1. A trajetória do ensino da arte na história brasileira Uma retrospectiva, na história do ensino de arte no Brasil nos ajudará acompreender que a educação sempre foi uma das grandes máquinas de dominaçãoa serviço da elite e que o ensino de arte serviu e serve para que a mesma continue. Desde a colonização o povo brasileiro foi vítima de um sistema castrador maisem algumas épocas lutou e conseguiram liberdade para exprimir os seus ideais.
    • 18 Como estou falando de arte vamos nos utilizar da nossa imaginação e voltaralguns anos no tempo exatamente no ano de 1530 quando a colonização iniciou-seem nosso país. O Brasil era um país repleto de animais, florestas e águascristalinas, junto com esta paisagem viam-se também diversos índios em suastarefas cotidianas e os famosos colonizadores ocupadíssimos em dividir as terrasem capitanias hereditárias mantendo os indígenas como escravos. Essa visão tornar-se-ia completa com a chegada dos padres jesuítas e o seutrabalho pedagógico e missionário que segundo Biasoli (2004, p.47) tinha doisobjetivos: o primeiro era pregar a fé católica seguido pela garantia da unidadepolítica, por meio da educação, a arte seria um instrumento fortíssimo paraconseguir atingi-los. Da cultura indígena sempre faz parte a música, dança e apintura, para esse povo a arte representava o seu modo de ser e viver e foramimplantando cantos católicos, danças litúrgicas e dramatizações com textos bíblicosque os jesuítas dominaram os índios e impuseram a sua cultura. (BRANDÃO 1984,p.20). Em 1759 os jesuítas foram expulsos do cenário brasileiro por Marques dePombal, agora era ele quem dava as “cartas” por aqui, cartas estas que reduziu oensino da arte ao simples ensino de desenho e “aulas régias”. Brinquet (apudBIASOLI 2004, p. 50) descreve como sendo “aulas que se constituíam no primeirotipo de ensino público, eram classes esparsas e as avulsas dadas por professorespagos pelo governo e não obedeciam a nenhum plano estabelecido” ao relacionarcom os dias atuais notem que o descaso com que a aula de arte é tratada atravessaséculos. A arte também estava presente no ano de 1808, quando chegou ao Brasil orei de Portugal com seus imensos barcos atracados em nosso porto fugindo dasameaças de Napoleão Bonaparte. O rei chegando aqui tratou de realizar logodiversas mudanças principalmente no setor cultural criando a Imprensa Régia, aBiblioteca Pública, Museu Real entre outros. A educação sofreu transformações e com ela o ensino de arte, foiimplantando nessas aulas o ensino de ofícios artísticos e mecânicos criadossegundo modelos vindos de Paris de acordo com Biasoli (2004, p.52) e assim
    • 19percebe-se que bastante antiga a prática de se aplicar modelos internacionais naeducação brasileira sem levar em consideração a sua cultura. No período Imperial uma missão Francesa chega ao Brasil com o seu estiloNeoclássico e o projeto de montar uma escola de arte destinada as elites brasileiras,restaram às classes populares aulas de arte realizadas através de exercícios formaisna educação primária e secundária. O trabalho manual sempre foi muito discriminado por ser uma prática deartesãos, mas segundo Barbosa esse conceito foi mudando quando passou asignificar ser um símbolo de refinamento para as elites quando diz: Uma vez que a arte como criação, embora atividade manual, chegou a ser moderadamente aceita pela sociedade com o símbolo de refinamentos, quando praticada pelas classes abastadas para preencher as horas de lazer, acreditamos que, na realidade, ‘o preconceito contra a atividade manual teve uma raiz mais profunda, isto é, o preconceito contra o trabalho, gerado pelo hábito português de viver de escravos’. (BARBOSA, 2005 p.27) Para a elite brasileira a arte se tornou na prática de lazer, apreciação do beloe símbolo de status conceito ainda bastante forte em nossa sociedade e para apopulação o ensino de arte seria ao mais um meio de mecanizar as pessoas. No período republicano período marcado pela instituição da primeiraconstituição em 1891 e pelos partidos liberais o ensino de arte foi alvo de umadisputa de ideais entre liberais e positivistas, os liberais liderados por Rui Barbosaacreditavam que através do ensino de arte a população poderia se tornar capaz deexercer atividades profissionais por meio de ensino artístico, já os positivistas tinhama convicção de que o ensino da arte poderia educar a mente, Biasoli (2004, p. 57),nos explica melhor quando diz: Na concepção positivista, a arte é considerada um veículo poderoso para desenvolver o raciocínio e, ensinada pelo método positivo subordina a imaginação à observação, possibilitando a identificação das leis que regem as formas (...). ‘Já os liberais deslumbrados com a indústria norte-americana lutam a favor da resolução industrial no país e da conseqüente capacitação profissional de seus cidadãos, enfatizando o ensino artístico técnico voltado para o desenho geométrico’.
    • 20 Concluindo este trecho da história obtivemos como resultado a implantaçãonas escolas do desenho geométrico juntamente com a cópia a arte servindo comoinstrumento de capacitação de pessoas para o trabalho. A década de 1920 foi uma época em que considero um momento importantena educação brasileira à mesma foi contagiada por educadores intelectuaisverdadeiramente sedentos de uma melhoria no sistema educacional e junto comeste estava o ensino de arte. A psicologia experimental, método americano, foi aplicada em escolaexperimental brasileira e supervisionado por pesquisadores acreditava-se que a artenão era algo que se podia ser ensinado e sim expressado com base na imaginaçãoda criança. Nessa fase muitos são os intelectuais que se interessam pelodesenvolvimento infantil através da arte mais foi por meio dos ideais de Mário deAndrade e Anita Malfatti que a arte infantil começou a ser valorizada e em 1948 aprimeira escolinha de arte foi criada por Augusto Rodrigues, porém todo esse sonhode transformação é interrompido pela era Vargas. Uma época em que pessoas eram impedidas de se manifestarem de toda equalquer maneira, que para os olhos do governo parecesse suspeita. Assim foi esteperíodo marcado por conflitos e pela diminuição de professores interessados emescrever sobre o ensino de artes, Augusto Rodrigues não se deixa abater e com asua escolinha continua oferecendo aulas de desenho e pintura a crianças e jovensdesenvolvendo a auto-expressão ganhando reconhecimento de artistas eeducadores, mais tarde essa escola se tornaria também um centro de treinamentode artes. De acordo com Biasoli (2004, p.66): A repercussão das práticas desenvolvidas leva o Governo Federal a permitir, depois de 1958 a criação de classes experimentais de arte nas escolas primárias e secundárias. Até alguns convênios são formados com instituições de ensino privado para reparar professores interessados numa educação criativa. O ensino de arte, mais uma vez ganha a atenção dos governantes, mascontinua a ocupar o cargo de complemento, uma distração para alunos nas horasvagas.
    • 21 O período que começa no governo de Juscelino Kubitschek (1955 – 1960) evai até o governo de Getúlio Vargas, com o golpe militar em 1964, marcouduramente a nossa educação principalmente no que se refere ao ensino da arte. O decreto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1961 éinstituído no Brasil e com ela nasce na Universidade de Brasília o desejo de seestudar, o ensino de arte estudo esse que é marcado por diversos debates ediscursos a cerca da área mais que infelizmente são interrompidos por causa dasmudanças políticas de 1964, época em que artistas são proibidos de expressar osideais e que o ensino de arte continuou sendo relegado ao conceito de atividadeextra classe. O ensino de arte com LDB. Nº 5692/71 torna-se obrigatória nas escolas,depois de tantas lutas iniciadas desde a década de 20, mas não do jeito que seimaginava, segundo Duarte Jr. (2004, p. 80). Na escola oficial a arte sempre entrou pela porta dos fundos e, ainda assim de maneira disfarçada. Teve ela de se disfarçar tanto que se tornou descaracterizada deixou de ser arte. Virou tudo: desenho geométrico, artes manuais, artes industriais, artes domésticas e etc. Tudo menos arte. Na realidade a arte na Lei de Diretrizes e Bases nº 5692/71 veio novamentecomo instrumento de produção de mão-de-obra para as grandes empresas só queagora garantida por lei na instituição escolar, o ensino de arte foi relegada àsdisciplinas menos importantes seguindo um currículo tecnicista. Os educadores por sua vez tinham que fazer um curso de habilitação de doisanos mais por não dominarem todas as linguagens artísticas (plásticas, teatro,música etc.) tentava ensiná-la de uma maneira superficial, de acordo com o PCN(2001, p. 29). Os professores de Educação Artística, capacitados inicialmente em cursos de curta duração, tinham como única alternativa seguir documentos oficiais (guias curriculares) e livros didáticos em geral, que não explicavam fundamentos, orientações teórico-metodologicas ou mesmo bibliografias específicas. Durante o final da década de 70 e começo da década de 80 iniciou-se omovimento Arte-Educação que visava conscientizar e organizar grupos de
    • 22professores de arte tanto da educação formal quanto informal para discutir sobre avalorização e aprimoramento do profissional dentro da instituição escolar, omovimento ganhou força e diversos eventos foram realizados para rever a posiçãoda arte nas escolas segundo BIASOLI (2004, p. 76) Em 20 de dezembro de 1996 foi instituída no Brasil a Lei de nº 9394/96, naqual consta que: “O ensino de arte constituirá componente curricular obrigatório, nosdiversos níveis de educação básica, de forma a promover o desenvolvimento culturaldos alunos”. (PCN, 2001, p. 30) Depois de uma década de instituída a LDB nº 9394/96 continuou sendoensinada com os mesmos objetivos e métodos, os alunos continuaram sentados emsuas carteiras assistindo a duas horas de aula (no máximo) semanais compostaspor conteúdos geralmente artes plásticas (pinturas e desenhos) ou desenhogeométrico a serem reproduzidas pelos alunos. Agora relembremos nossos tempos de escola. Todos nós temos lembrançado que passamos na escola algumas boas e outras ruins, o recreio, os colegas e osprofessores e principalmente as aulas, algumas consideradas de extremaimportância pela escola como a aula de Português e Matemática e outros menosimportantes Educação Física e Educação Artística, mais quero especificamente falardas aulas de Educação Artística, aulas que para alguns alunos são sinônimos dedivertimento para outros de bagunça. Essas aulas se caracterizavam por acontecerem na sexta-feira para alunos doEnsino fundamental I, dia em que o aluno só permanece na escola metade do temponormal que é preenchido com desenhos mimeografados de alguns personagens dedatas comemorativas que segundo Duarte Jr. (2004,p.82) “esconde uma sutilimposição de valores e sentidos”. Outra atividade comum, que ocorre nas aulas deArtes e o famoso papel ofício em branco aonde o aluno irá “desenvolver” a suacriatividade usando lápis comum, borracha e lápis de cor (se tiver) ao seu término oaluno guarda o seu criativo desenho e leva para casa com um pequeno visto daprofessora ou uma mensagem: Que lindo!
    • 23 Com o Ensino Fundamental II não é diferente com a proximidade de datascomemorativas pedi-se aos alunos que confeccionem: cartazes, cartões, pequenosobjetos manuais e até livros com dicas de como se devem dançar determinadosestilos de músicas, tudo com um padrão estético determinado pelo professor. Na escola que estudei passei por todos os processos citados acima econfesso que na época achava divertido às vezes meio boba confeccionando todosos anos, um caderno onde teria que escolher um estilo de música, fazer desenhosde pessoas dançando aquela música e escrever abaixo como fazer para dança - lá. Ensinar a disciplina arte me pareceu menos importante ainda, pois trabalharcom a mesma implica em ter que programar aulas e não cumpri-las, já que naqueledia foi marcada uma reunião bem no meu horário da aula de arte. Para nósprofessores da disciplina cabia: decorar a escola em datas comemorativas assimcomo organizar peças teatrais e coreografias para festas juninas e de finais de anocom uma ou duas aulas por semana, começar os famosos trabalhos manuais e nãoterminá-los porque o sinal tocou e a próxima aula é mais importante, sem esquecerdas aulas de recuperação que deveriam ser feitas com antecedência para nãoatrapalhar os alunos no seu estudo das matérias mais importantes. Foi observando estas duas realidades (como aluna e “professora”) quecomecei a concordar com PORCHER (1989, p. 13) quando diz que:...”A EducaçãoArtística divide com a Educação Física o privilégio de serem rejeitadas,explicitamente ou não, ao se ingressar no território da escola”. As aulas de arte sãoconsideradas muitas vezes uma verdadeira piada entre alunos e professores deoutras disciplinas isso é revoltante tendo em vista a importância da arte para asnossas vidas. Diante deste quadro percebo que a escola através das aulas de arte não temcontribuído com o desenvolvimento do educando de uma maneira que o mesmopossa expressar-se artisticamente de acordo com os seus sentimentos, emoções eexperiências construindo os seus conhecimentos de forma crítica e reflexiva, agindoe interagindo com mundo em que vive.
    • 24 Baseado neste problema sinto-me instigada a investigar primeiro sobre qual aconcepção que os discentes do Colégio Estadual Teixeira de Freitas têm sobre oensino de arte na escola e qual a importância do ensino de arte para os mesmos eassim alcançar os meus objetivos que são: Perceber qual a concepção que estudantes têm sobre o ensino da arte; Identificar qual a importância da mesma (arte) para estes. Pretendo ter como conceitos-chave: A Arte do contexto social ao educacional;a arte-educação instrumento importante na formação do educando e a formação dosprofessores em arte, para ao final desta pesquisa reunir algumas questões, quepossam contribuir com o trabalho de futuros pesquisadores acadêmicos, assimcomo trazer provocações, sobre o ensino da arte no espaço escolar pretendendointeragir com educação, arte-educação e comunidade em geral interessada pelotema sobre as questões pertinentes.
    • 25 CAPÍTULO II A ARTE NA ESCOLA2.1 A arte do contexto social ao educacional Escrever sobre arte e não citar a presença da mesma na sociedade ao longodos anos poderia parecer sem lógica, já que desde o início da sua existência o serhumano produziu e produz arte como uma forma de satisfazer as suas necessidadesno meio social, necessidades essas que mudaram de acordo com o processo dedesenvolvimento humano e acompanhando este processo mudou-se também oobjetivo de fazer arte, como nos diz Sauders (1998, p.130): A arte é um fenômeno cultural, inventada há milhões de anos pelos seres humanos para satisfazer algumas de suas necessidades. Como as necessidades mudam através dos séculos, assim também mudaram os objetivos da arte. A autora Barbosa (2007, p.10) também afirma que a arte está inserida nasociedade quando diz que: Apesar de ser um produto da fantasia e da imaginação, a arte não está separada da economia, política e dos padrões sociais que operam na sociedade. Idéias, emoções, linguagens diferem de tempos em tempos e de lugar para lugar e não existe visão desinfluenciada e isolada. Para estes dois autores a produção de arte está ligada à sociedade e seusobjetivos mudam de acordo com as transformações ocorridas neste meio mesmoque seja um produto imaginário, as obras de arte produzidas sejam elas arte visual,música, dança e teatro ao longo de milhões de anos sempre esteve relacionado àsociedade, conforme SAUNDERS (1998, p.14) ”Um dos mais antigos objetivos daarte era o de manter viva a história dos povos como parte de sua sobrevivência”.
    • 26 Para arte já foi dada várias significações, em alguns períodos da história aarte era produzida para a realização de rituais mágicos ou com fins religiosos osegípcios, por exemplo, acreditavam que o homem poderia obter a felicidade após amorte através de objetos de arte, segundo Janson (1996, p.24): (...) o homem pode obter sua própria felicidade após a morte, equipando sua sepultura com uma espécie de replica sombria de seu ambiente cotidiano para o prazer de seu espírito, o Ka, e assegurando que o Ka1 viesse a ter um corpo para habitar (seu próprio cadáver mumificado ou como substituto uma estátua de si próprio). Em outras épocas em diferentes contextos históricos que o significado da artevai ganhando outros sentidos em povos a utilizaram como um meio de decoração,de acordo com Sauders (1998, p.131): A arte era usada para a indústria. Os gregos e os romanos serviram- se dela para fins religiosos e também na decoração de suas paredes, em pequenos apartamentos onde jardins eram pintados para dar a impressão de se estar ao ar livre. Atualmente descrever o significado da arte para a sociedade em que vivemosé um tanto complexo, já que estamos repletos de informações, de acordo comSauders (1998, p.136), vivemos em um mundo com: (...) sistema sócio-politico-econômico e a confusão com os valores éticos, morais e espirituais, o desequilíbrio entre os que tem e os que não tem as pessoas de estômago cheio as de estômago vazio, as sociedades tribais vivendo ao longo das civilizações industriais; as nações industrializadas partindo para a era espacial a constante ameaça de uma auto destruição e a auto matização desrespeitando a vida humana. As diferenças culturais, sociais e econômicas no mundo sempre existiram,mas no momento atual parecem estar mais acentuadas e visíveis a todo o mundocausando certo desconforto no que se refere a conviver com tudo isso, os artistas doséculo XX e XXI através das suas obras vêm fazer comentários críticos e sociais.1 Réplica do ambiente onde o falecido vivia construída na sepultura.
    • 27 É assim nos perguntamos o que seria arte? Como ela consegue atravessar otempo independente da cultura, política e econômica que esta vivendo determinadacivilização? A autora FREITAS (2006, p.4) define arte “como um trabalho de pensamento,um pensamento emocional e específico que o ser humano produz com relação aoseu lugar no mundo”. E assim a arte seria então uma forma de entender e de seexpressar de uma maneira íntima, pessoal, emocional e racional ao mesmo tempoatravés da arte o ser humano pode expressar o seu papel no mundo em que viveassim como liberar essa expressão para outras pessoas através do seu trabalhoartístico. Conforme Fischer a arte não só é uma forma de liberação emocional maistambém auxilia o homem a compreender esta realidade a suportá-la e por fim atransformá-la quando diz: Só a arte pode fazer todas essas coisas. A arte pode elevar o homem de um estado de fragmentação a um de ser íntegro total. A arte capacita o homem para compreender a realidade e o ajuda não só a suportá-la como a transformá-la, aumentando-lhe a determinação de torná-la mais humana e mais hospitaleira para a humanidade. A arte, ela própria é uma realidade social. (1987, p.56- 57) Inspirada por este campo epistemológico o PCN (2001, p.45) de arte interagecom esta definição de Ernest Fischer ao entender que a arte é: (...) um modo privilegiado de conhecimento e aproximação entre os indivíduos de culturas distintas, pois favorece o reconhecimento de semelhanças e diferenças expressas nos produtos artísticos e concepções estéticas num plano que vai além do discurso verbal. Por outro lado DEHEINZELIN (1993, p.91) não se arrisca a tentar definir arte,ela declara que “arte é um vasto campo de conhecimento humano, certamente omais misterioso e belo de todos.” A autora percebe a arte como sendo um campomisterioso que nos convida a usufruirmos das suas maravilhas. De acordo com Barbosa (apud FREITAS 2006, p.01) por meio da arte o serhumano percebe o ambiente em que vive e age sobre ele ao dizer que:
    • 28 Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada. Descoberta as maravilhas que a arte proporciona ao ser humano ajudando-oa compreender e transformar o mundo que o cerca, assim como a apreciar erespeitar a arte de outras culturas ficará fácil compreender o porquê da mesma (arte)ter sido introduzida no currículo da instituição escolar, já que a escola visa formarpessoas capazes de compreender, agir e interagir na sociedade de uma formacrítica e reflexiva, DUARTE JR. (2004, p.66) diz que: ”a arte não possibilita apenasum meio do mundo dos sentimentos, mas também a sua educação”. Por mais que falemos o quanto à arte no ambiente escolar é importante, eque a mesma tenha o seu lugar nos currículos das escolas brasileiras garantido pelaLei de nº9394/96, a arte continua sendo vista como uma disciplina sem importânciae com uma atividade de entretenimento para os educandos entre uma disciplina eoutra considerada mais importante. O descaso que presenciamos nas instituições escolares em relação à arte emeducação é um reflexo de um processo histórico contado no primeiro capítulo destetrabalho onde o ensino de arte era privilegiado apenas das classes dominantes equando as classes mais pobres tiveram a oportunidade de conhecê-la, a mesma foimodificada sendo aplicada de forma mecânica e técnica. Segundo DUARTE JR.(2004, p.29) “com o processo de civilização não houve somente a divisão do pensare do agir, as classes dominantes têm idéias, as dominadas as executam”. A sociedade atual é capitalista é tem como um dos seus pilares aracionalidade, o saber objetivo, não há tempo ou espaço para serem perdidos comsubjetividades e expressões de sentimentos e emoções, diante desta realidade e deacordo com Duarte Jr. é normal que as escolas se orientam no sentido de prepararos cidadãos para atuarem nas mesmas:
    • 29 (...) o fim último de nosso ensino sempre foi a produção de mão-de- obra: o adestramento do individuo para exercício de uma profissão(técnica) lá fora, no mercado de trabalho. Nunca tivemos, por aqui uma educação humanista, pois ela não interessa ao modelo industrialista de desenvolvimento adotado por nós. A escola sempre foi vista como linha de produção em que se fabricam indivíduos mecanicamente adaptados as exigências do industrialismo.(DUARTE JR.,2004, p.80) O ambiente escolar ganha a função de uma grande produtora de mão-de-obra para o mundo, todo aquele que entrar na mesma será treinado a reproduzirrespostas e entregá-las quando se for necessário. As aulas de artes tornaram-se mais um meio de mecanização do trabalhohumano com os seus desenhos prontos, cópias de quadros famosos, apresentaçõesde teatro em datas comemorativas. Segundo Barbosa (1998, p.82) esta é umarealidade presente tanto em escolas públicas quanto particulares quando declaraque: (...) o estilo da arte escolar é o mesmo, tanto em escolas particulares quanto nas públicas, apesar do uso de material mais diversificado nas primeiras. Atividades são em geral centralizadas em trabalhos de ateliê e subordinadas mesmo uso do ‘pseudo-original’ de sucata, aos mesmos temas convencionais, aos mesmos símbolos culturais e comerciais (natal, Dia das mães etc..) à mesma relação, supostamente nova entre expressão pictórica ou expressão plástica e dramatização. Em nossas escolas sejam elas públicas ou particulares o materialapresentado em matéria de arte-educação nada mais é que metodologias antigascom novas roupagens são materiais didáticos utilizados há décadas com umalinguagem atual e desenhos coloridos de acordo com BARBOSA (1998, p.83). Essa é a realidade contada é conhecida por todos os freqüentadores deuma sala de aula nas aulas de arte. Mas como seria uma verdadeira arte-educação?Como os alunos se beneficiariam com elas?
    • 302.2. A arte-educação instrumento importante na formação do educando As aulas de educação artística para uma turma são sinônimos de atividadesfáceis e horas de descontração. Este é o momento que o aluno encontra para seexpressar mesmo que de maneira limitada, já que as atividades são meras cópiasde modelos expostos pelos professores mais mesmos assim alguns tentam deixartraços individuais em seus trabalhos seja através de cores ou formas. Esse é o tipo de aula que geralmente causa certo desconforto nosprofessores da disciplina por se tratarem de aulas em que os alunos sentem-se maislivres para transitarem na sala e manterem conversas com os colegas, o docentetem a sensação de descontrole da turma, por isso de acordo com Strazzacappa dá-se prioridade a atividades de artes plásticas, já que os alunos têm que executá-lassentados: Os cursos de Educação Artística, cujo carácter ‘menos formal’ poderia possibilitar maior mobilidade das crianças em sala de aula, tendem a priorizar os trabalhos de artes plásticas (desenho, pintura e algumas vezes escultura), atividades onde o aluno tem que permanecer sentado. Embora a LDB 9394/96 garanta o ensino de Artes como curricular obrigatório da Educação Básica representado por várias linguagens (música, dança, teatro e artes visuais) raramente a dança, a expressão corporal, a mímica e o teatro são abordados, seja pela falta de especialista na área nas escolas, seja despreparo do professor. (STRAZZACAPPA 2007, p.2). Segundo Strazzacappa o ensino de arte na escola possui uma característicamenos formal que possibilita maior movimento dos educandos em sala de aula,mais o que sempre se priorizou em sala foram os exercícios de artes plásticasalgumas descritas acima pela autora, pois são atividades que o aluno executasentado, portanto sem fazer barulho ou qualquer movimento. Nestas aulas o conteúdo restringe-se a copias de desenhos, decoração desala de aula e confecções de cartões em datas comemorativas sob a supervisão eaprovação do professor de arte, tudo de acordo com os padrões de belezaestabelecidos por ele. Sobre isso Duarte Jr. nos diz que (2004, p.86):
    • 31 (...) A imitação e o adestramento atingem aí, raias do delírio, pois o que importa, para muitos professores, é o aluno seguir o modelo dado por eles. É copiar a ‘arte’ proposta pelo mestre: fazer um desenho igual ao que está na lousa, pintar uma figura mimeografada, recortar contornos já traçados, escrever um poema baseado em outro dado etc. Com modelos de aulas como este o ensino de arte vem sendo desenvolvidade maneira incompleta ou totalmente incorreta, conforme Fusari e Ferraz (2000,p.16) quando diz: Na prática, a educação Artística vem sendo desenvolvida nas escolas brasileiras de forma incompleta, quando não incorreta. Esquecendo ou desconhecendo que o processo de aprendizagem e desenvolvimento do educando envolve múltiplos aspectos, muitos professores propõem atividades às vezes totalmente desvinculadas de um verdadeiro do ensino de arte. Mas se o que se tem visto nas salas de aula não são aulas de arte comoseriam então? O que seria arte-educação? Antes de obtermos definições sobre o que seria arte-educação consideroimportante sabermos como surgiu esta terminologia arte-educação e qual a suasignificação, conforme Biasoli (2004, p.87): A arte-educação constituiu, no Brasil, um movimento surgido no final da década de 1970, organizado fora da educação escolar, que buscava novas metodologias de ensino e aprendizagem da arte nas escolas por meio de uma concepção de ensino de arte com base numa ação educativa mais criadora, mais ativa e que envolvesse o aluno de forma mais direta, mais correta. Atualmente o termo é conhecido pela maioria das pessoas envolvidas com oensino de arte, que se denominam arte-educadores, estes por sua vez buscamatravés de conhecimentos melhorarem a sua prática pedagógica. Agora o que seria arte-educação? O autor Duarte Jr. (2004, p.72) nos expõeo que seria uma real arte-educação ao dizer que: (...) arte-educação não significa o treino para alguém se tornar um artista. Ela pretende ser uma maneira mais ampla de se abordar o fenômeno educacional considerando-o não apenas como transmissão simbólica de conhecimento, mais como um processo
    • 32 formativo do humano. Um processo que envolve a criação de um sentido para a vida, e que emerge desde os nossos sentimentos peculiares. O autor pontua que arte-educação vem como um meio de formar osindivíduos, não como uma transmissão de conhecimentos onde o professor ensina ealuno aprende, mas dá a arte em valor formativo, a arte para ser útil na educaçãoprecisa dar ao aluno a oportunidade de criar e lidar com os seus própriossentimentos. Conforme LOWENFELD (1989) a escola foi dada a função de transmitir aosalunos informações fragmentadas e estas informações deveriam ser repetidas a umsinal dado para Duarte Jr. a arte-educação não é verdadeira se ocorrida em umsistema educacional como esse descrito por Lowenfeld. Uma outra autora que nos ajudaria a compreender o conceito de arte-educação seria Freitas (2006, p.1) quando diz que: A arte-educação enquanto conhecimento a ser construído, linguagem a ser experimentada e fruída, a expressão a ser externalizada e refletida estaremos considerando a arte como área de conhecimento com características únicas e imprescindíveis ao desenvolvimento do ser humano. Um ser dotado de uma subjetividade, que não pode ser ignorados no processo de ensino e aprendizagem da arte que tanto busca quebras de dicotomias. Ao definir arte-educação Freitas acredita que arte é uma área deconhecimento que precisa ser construída, mais que se experimentada no ambienteescolar proporciona ao educando o desenvolvimento de características únicas doser humano, portanto trabalhar arte em modelo escolar onde os discentes ficam emsuas carteiras com a função de armazenar informações como foi descrito porLowenfeld seria inexeqüível. A autora ASSIS (2001, p.14) define arte-educação como “um instrumentopoderoso de organização do individuo no seu tempo e em seu meio. Ela instiga suaintuição na medida em que reconhecendo as necessidades, lhe propõe elementospara especulações dos seus sentidos”.
    • 33 Na opinião de Fusari e Ferraz (apud BIASOLI, 2004, p.87) a arte-educaçãovem para valorizar o professor de arte e colocar em discussão a maneira de realizaro seu trabalho em sala de aula, ajudando assim na conscientização sobre a suaimportância profissional e política na sociedade. O PCN (1998, p. 19) de arte vem nos dizer que ao se produzir arte econhecer produções de outras culturas, os educandos terão a oportunidade decompreender a variedade de valores que orientam as diversas sociedadesenriquecendo e diversificando a sua imaginação além é claro dele (aluno) seperceber na sociedade como um agente transformador, ao dizer que: Produzindo trabalhos artísticos e conhecendo essa produção nas outras culturas, o aluno poderá compreender a diversidade de valores que orientam tanto seus modos de pensar e agir como os da sociedade. Trata-se de criar um campo de sentido para a valorização do que lhe é próprio e favorecer o entendimento da riqueza e diversidade da imaginação humana. Além disso, os alunos tornam-se capazes de perceber sua realidade cotidiana mais vivamente, reconhecendo e decodificando formas, sons, gestos, movimentos que estão à sua volta. O exercício de uma percepção crítica das transformações que ocorrem na natureza e na cultura pode criar condições para que os alunos percebam o seu comprometimento na manutenção de uma qualidade de vida melhor. Com tantas oportunidades de conhecimento e desenvolvimento propostaspelo conceito de ensino de arte, se incluído corretamente na sala de aula teremoseducandos, mais sensíveis ao que acontece no mundo em que os rodeia e tambémmais aberto no que se refere à disponibilidade de aprender, pois segundoLOWENFELD (1989, p.17 e 18 ) O homem aprende através dos sentidos. A capacidade de ver, sentir, ouvir, falar e saborear, proporciona os meios para estabelecer uma interação do homem e o meio (...) Os programas das escolas tendem a descuidar do simples fato de que o homem –e também a criança - aprende através dos cinco sentidos. O desenvolvimento da sensibilidade perceptiva deveria pois converter –se em uma das partes mais importantes para desenvolver a sensibilidade e maior a capacidade de aguçar todos os sentidos, maior será, também a oportunidade de aprender. De acordo com ASSIS (2001, p.15) o refinamento dos sentidos serápossível através da interação entre programa-educador-educando baseado em
    • 34pilares que são: o pensar arte, saber arte, fazer arte e crescer com arte, a autora nosdiz que um programa bem elaborado com um professor que se preocupe com seusalunos e esteja interado com os mesmos e de fundamental importância para setornar o que ela chama de “um indivíduo pleno”. No campo de conhecimento em arte-educação atualmente contamos compesquisadores empenhados em desenvolver trabalhos para auxiliar o professor emsua prática em sala de aula Ana Mae Barbosa, doutora nesta área desenvolveu aproposta Triangular. Segundo a autora a proposta surgiu como uma forma deaproximar o ver do fazer, “a triplicação para a aprendizagem da arte o fazer pelo verou contextualizar” BARBOSA(acessado em 2008,p.5), a proposta triangular surgiriaem um contexto onde os educadores da área estavam com medo de levar a cópiapara a sala, mais esta não se resumia a uma cópia, o aluno teria que ver a obra dearte, contextualizá-la e só depois produzir a sua própria arte, por isso foi chamadade proposta triangular pois está baseado em três pilares: VER, CONTEXTUALIZARe FAZER. A proposta triangular traz para a sala de aula obras de arte para seremconhecidas, analisadas e para a partir daí os educandos produzirem as sua própriasobras de arte não como processo de cópia, mais de acordo com a sua visão eexperiências individuais. O autor DUARTE JR. (2005, p.103) nos diz que a “atravésda arte somos levados a conhecer a nossas experiências vividas, que escapam àlinearidade da linguagem”, portanto cada um tem a um jeito particular de observar,analisar e fazer arte, cada pessoa passa por diferentes experiências de vida e se dealguma maneira essas experiências sejam iguais cada ser humano tem um jeitoúnico de significá-las. Segundo LEÃO (2003) essa proposta foi resultado de estudos realizadospela professora Babosa com referência em trabalhos desenvolvidos porpesquisadores ingleses e americanos preocupados com um currículo que visassenão só o desenvolvimento do aluno, mas também as suas necessidades e os seusinteresses deixando assim de ser uma aula incompreendida ou um meropassatempo.
    • 35 Arte na educação não só pode modificar o ser humano, como pode tambémajudá-lo na sua identificação cultural, segundo Barbosa (apud BIASOLI, 2004, p.91): A arte na educação como expressão pessoal e como cultura é um importante instrumento para a identificação cultural e o desenvolvimento. Pelas Arte, é possível desenvolver a percepção e a imaginação, aprender a realidade percebida e desenvolve a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada. Exposta as possibilidades que o ensino de arte abre e proporcionar aoeducando discutiremos a seguir qual o papel do professor de arte neste contexto.2.3. A formação de professores no ensino de arte Sempre ouvimos falar em preparação de professores para atuarem naeducação básica. Quando preparados para atuar no Ensino Fundamental I muitassão as disciplinas que orientam o professor a buscar novas metodologias para oensino das matérias consideradas importantes poucas são as vezes que o nomearte e mencionada ao longo dos cursos de formação de professores,especificamente no magistério2, uma talvez duas no máximo. Já os professores que irão atuar no Ensino Fundamental II a situação torna-se mais complicada com cargas horárias incompletas as aulas de EducaçãoArtística servirão para preencher às vinte horas semanais e o famoso “tapa buracos“e assim encontramos docentes despreparados no que se refere ao ensino de arte,de acordo com Duarte Jr.(2004,p.81-82): O próprio professor de arte é visto com um ‘pau pra toda obra’, como ‘ um quebra galho’. Frequentemente ele é obrigado a ceder suas aulas para aulas de reposição de outras disciplinas, quando não lhe é delegada a incumbência de ‘decorar’ a escola e os carros alegóricos para as festividades cívicas. Neste sentido faz-se totalmente inócua a disciplina educação artística já que toda a estrutura física, burocrática e ideológica da escola organizada na direção da imposição do cerceamento da criatividade.2 Curso extinto pela LDB 9394/96 .
    • 36 Quando não está ocupado com a decoração da escola, o professor de artese ocupa em programar atividades para a turma uma atividade são aquelas já tãoconhecidas de quem freqüentou uma aula de arte: desenho, recorte, colagem,reprodução de músicas, ASSIS (2001, p.10) nos diz que: “organizar atividadeseducativas que envolva as artes vai muito além da cópia e do colorir desenhos jáprontos, da confecção de enfeites e da decoração da sala, da reprodução mecânicade músicas”. De acordo com Assis o professor de arte não estará organizando umaatividade realmente educativa desta forma, mais infelizmente é o que vemosacontecer em sala, devido um despreparo do professor que assume a disciplina,sem um curso de conhecimento na área, este professor aplica atividades que muitasdas vezes ele mesmo no seu período escolar viu com os seus respectivosprofessores. Por muitas vezes o professor até tenta mudar as práticas vigentes aadotando e novas metodologias, objetivos estratégias e livros com ediçõesrenovadas, mais por falta de conhecimento na história do ensino de arte acabalevando para sala de aula práticas bastantes antigas apresentadas como novas,conforme nos diz Barbosa (1998, p. 81). A falta de conhecimento sobre o passado está levando os arte- educadores brasileiros a valorizarem excessivamente o ‘novo’..Tudo o que é considerado novidade é adotado entusiasticamente. Objetivos, métodos e estratégias supostamente ‘novos’ vêm sendo sucessivamente introduzidas nas salas de arte em que haja qualquer preocupação com sua inter-relação. Não se deve esquecer também que no quadro de docentes que lecionam naárea de arte apenas um professor é responsável em trabalhar todas as áreas quecompreendem a arte-educação, conforme Duarte Jr. (2004, p.82): (...) educação artística ‘compreende as áreas de música, teatro e artes plásticas’. Ocorre, porém, que é impossível formar-se um professor que domine integralmente as três áreas, e isto gera deficiências no trabalho efetivamente desenvolvido. O ideal seria, certamente a constituição de uma equipe de professores em que cada um se responsabilizasse por uma área especifica. Ideal talvez impraticável a contar o total abandono da educação em que estamos, em termos de verbas oficial.
    • 37 Esta e a situação atual do professor de arte, mas o que é ser um professor eo qual o papel no ensino de arte? Segundo Fusari e Ferraz (2000, p.49) o professorde arte é um profissional que atua “através de uma pedagogia mais realista e maisprogressista, que aproxime os estudantes do legado cultural e artístico dahumanidade, permitindo, assim que tenham conhecimento dos aspectos maissignificativos da nossa cultura, em diversas manifestações” o profissional que atuana área de arte deve estar consciente do seu papel e da importância do mesmo naformação do educando. Conforme Assis (2001, p.16): O professor, o arte-educador, portanto é o mediador do processo educativo na infância e adolescência e precisa estar apto a reconhecer a integridade destas questões e trabalhá-las primeiro em si próprio para que possa ver no outro, estar no outro e viver no outro, ou seja, para que possa, dentro das exigências da contemporaneidade, participar do processo do aluno. O arte-educador segundo Assis deve estar preparado para auxiliar o aluno noseu processo de educação mais para isso ele deve se preparar primeiro trabalhandotodas as questões expostas pela autora só assim ele estará apto para iniciar o seutrabalho. Para que os discentes tenham uma verdadeira formação em arte dentro daeducação os profissionais de ensino ligados à arte-educação têm que se prepararemna área, porque não se pode ensinar aquilo que não se sabe. Como umdo/mnt/temp/oo/20120920202059/mono-120920152055-phpapp01.docente irárealizar o seu trabalho se não está preparado para tal? Conforme Fusari e Ferraz (2000, p.50) para o professor desenvolver um bomtrabalho em arte-educação se faz necessário que o mesmo desenvolva ações como: Estudar, participar de cursos, buscar informações, discutir, aprofundar reflexões e praticas com os colegas docentes. É importante participar ainda das associações de professores de arte- educadores, o que contribui para a atualização e o desenvolvimento profissional e o político em todos os níveis de ensino.
    • 38 A autora ASSIS (2001, p.16) nos diz que a aprendizagem cognitiva éimportante aprendizagem esta que ela classifica como sendo “conhecimento esensibilidade”, mais que outros itens como: princípios e qualidade, a criatividade eflexibilidade, paciência e sabedoria, alegria e coerência e por último discernimento eequanimidade são importantes também para essa formação. Mas só participar de atividades descritas acima não basta, freqüentar teatrosassistindo a peças e musicais, ir a exposições de arte conhecendo as diferentesformas artísticas, bem como os artistas que produziram época , contexto, conheceras artistas locais, regionais, nacionais e internacionais são atividadesimportantíssimas a serem praticadas pelo professor de arte para melhor auxiliar oeducando em sala de aula. Biasoli (2004, p.109) pensa que: (...) se o professor pensar a arte como área específica do conhecimento humano, se identificar e dominar os conteúdos dessa área do conhecimento e se sua ação teórico-prática artística e estética estiver conectada com uma concepção de arte e com consistentes propostas pedagógicas, já não haverá aqueles obstáculos que tanto dificultam a prática educacional em arte e a elaboração de um corpo de conhecimento específico que realmente de sustentação a prática pedagógica do professor de arte. Com o sistema escolar que possuímos não podemos ter uma arte-educaçãocem por cento eficientes, mas se tivermos professores capacitados e sensíveis,conhecedores da área que estão atuando poderão melhorar o quadro da educaçãobrasileira beneficiando assim os nossos educandos.
    • 39 CAPÍTULO III TRILHA METODOLÓGICA A pesquisa aqui apresentada obteve como objetivo identificar a concepção ea importância do ensino de arte para os educandos do Colégio Estadual Teixeira deFreitas, para isso buscamos ouvir a voz desses estudantes através de instrumentosde pesquisas que possibilitou ir a campo obter respostas que nos ajudou a desenhara problematização. De acordo com Ander-Egg (apud LAKATOS 1990, p.15) a pesquisa “é umprocedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novosfatos e dados, relações ou leis em qualquer campo de conhecimento”. Conforme Lüdke (1986, p.1): Para de realizar uma pesquisa é preciso promover o confronto entre os dados, as evidências, as informações coletadas sobre determinado assunto e o conhecimento teórico acumulado a respeito dele. Em geral isso se faz a partir do estudo de um problema, que ao mesmo tempo desperta o interesse do pesquisador e limita sua atividade de pesquisa a uma determinada porção do saber, a qual ele se compromete a construir naquele momento. A pesquisa vem como um meio de esclarecermos a situação de umdeterminado problema. Através da pesquisa, questões referentes a um determinadoassunto são reunidas e confrontadas com os dados colhidos ao longo do processode busca. O problema deste trabalho surgiu a partir de vivências e inquietaçõespessoais, primeiro como educanda onde tive a oportunidade de construir os meusprimeiros conceitos em relação a arte através de atividades de desenhos, recorte,colagem e pinturas, era um dos momentos mais prazerosos que sentia no ambienteescolar e que maravilha era pintar, desenhar e colar, estas eram as aulas maisesperadas da semana, nos sentíamos livres para transitar e conversar, era o nosso
    • 40momento onde a nossa individualidade era posta nos vários trabalhos sugeridospelos professores de Educação Artística. Nesse sentido, numa perspectiva mais progressista da educação, essasatividades descritas são problematizadas e consideradas como atividadestradicionais, e de acordo com nossa atual compreensão elas realmente trazem essaperspectiva, ainda assim nos sentíamos bem com elas, por que pintávamos,colávamos, desenhávamos. A questão que se coloca não é a negação dessas atividades, a arte-educação que gostaríamos de dialogar, inspirada principalmente em Mae Barbosa eDuarte Jr. refere-se a uma arte que contribua com o desenvolvimento do educando,onde o mesmo possa com a ajuda do professor construir os seus próprios caminhosde conhecimento de uma forma crítica e reflexiva. A autora Barbosa, por exemplo,nos sugere uma proposta triangular que auxilia o aluno no que se refere a conheceruma obra, contextualizá-la e produzir a sua própria obra, por outro lado temos oautor Duarte Jr. (2005, p.103) que nos diz que por meio da arte somos capazes deconhecer experiências vividas que vão além da linguagem. Portanto a arte e o seuensino têm muito a enriquecer no que se refere ao desenvolvimento do ser humano. Outra forma de descrever, perceber as aulas de arte-educação foi olhar anossa práxis, nossa prática docente. Trabalhar com arte foi reviver os momentosprazerosos que havia vivido na época de escola, só que agora com aresponsabilidade de estar à frente da turma, ou seja, de sofrer todo o desconfortoem ter a diretora a observar a “bagunça” da classe e ter os horários “roubados” parareuniões e atividades consideradas mais importantes para a escola. No processo de nossa formação, ensino superior, mesmo com um currículocontendo poucas disciplinas envolvendo arte, mais uma vez obteve a oportunidadede estudá-la, só que agora de uma forma mais intensa e científica. Conhecer aspossibilidades que o ensino de arte pode proporcionar ao ser humano e omovimento da arte-educação iniciado na década de 70 despertou em mim apossibilidade em tornar-me uma arte-educadora.
    • 41 Esta pesquisa esta baseada em experiências vividas e observações decomo ocorrem as aulas de arte na escola compreendendo as como fenômenoscomplexos e dinâmicos o que nos fez optar por apresentar uma perspectivaepistemológica inspirada na fenomenologia, já que segundo Mansini (1991, p.63): A pesquisa fenomenológica, portanto, parte da compreensão de nosso viver - não de definições de conceitos – da compreensão que orienta a atenção para aquilo que se vai investigar. Ao percebermos novas características do fenômeno, ou ao encontrarmos no ouro interpretações, ou compreensões diferentes, surge para nós uma nova interpretação que levará a outra compreensão. A pesquisa fenomenológica se origina a partir da vivência dos indivíduos ondeno decorrer da mesma (pesquisa) serão percebidas questões que nos levará adiversas compreensões e interpretações (MANSINI, 1991). Este trabalho caracterizou-se como uma pesquisa qualitativa por ter buscadouma descrição do fenômeno a partir da escuta da nossa fala, fazendo a memória denossa experiência como discente e das fala dos adolescentes entrevistados queatravés dos instrumentos de pesquisa, a entrevista estruturada e o questionário, foipossível descrever como acontecem as aulas de Educação Artística. Para que isso,o pesquisador foi a campo colher o esses referidos dados e priorizou no processodesta coleta a visão dos sujeitos entrevistados, portanto temos uma qualitativa emque nos aventuramos a fazer um ensaio etnográfico, quando nos propomos adescrever esse fenômeno no caso da nossa pesquisa, aulas de Educação Artística. Segundo André (2005) para se realizar uma pesquisa com técnica etnográficadeve haver uma interação entre pesquisador e o objeto da pesquisa, valorizandomais o processo do que os resultados finais é essa pesquisa buscou realizar umensaio deste tipo de técnica. E assim a presente pesquisa visou oferecer a importância devida ao problemapesquisado que partiu de vivências pessoais primeiramente, passando pelo dialogocom teóricos que nos auxiliaram a compreender melhor o tema e que através dosinstrumentos e técnicas de pesquisa pudemos ir a campo investigar os sujeitos e terconhecimento das suas falas, para só então confrontá-las com os conhecimentos
    • 42fornecidos pelos teóricos que vieram a contribuir para uma resposta satisfatória aproblematização.3.1 LÓCUS DA PESQUISA O Colégio Estadual Teixeira de Freitas é uma instituição escolar pública queoferece a Educação Básica (Ensino Fundamental I, II e o EJA) nos turnos Matutino,Vespertino e Noturno. A escola em questão localiza-se na zona urbana da cidade de Senhor doBonfim–Bahia e atualmente e mantida pelo Governo do Estado da Bahia e possuiem sua estrutura física com: 5 (cinco) banheiros,1(uma) cozinha,11(onze) salas deaula,1 (uma )sala de Ciências,1(uma ) sala de Matemática,1(uma) sala deVídeo,1(uma) biblioteca,1(uma)sala de coordenação,1(uma) secretaria,1(uma)salade direção , 1(uma )quadra e 1 ( um) auditório . O quadro de funcionários é composto por: 2 (duas) coordenadoras, 1 (uma)diretora, 2(duas) vice-diretoras, 1(uma) secretária, 8(oito) assistentes administrativase 8 pessoas no apoio distribuídas nos serviços de merendeira e auxiliar de serviçosgerais para atender ao número de 1.134 alunos. A escolha do lócus de pesquisa se deu pelo fato de ser um Colégio ondeestudei e obtive minhas primeiras impressões sobre arte nas aulas de EducaçãoArtística, voltar foi reviver de certa maneira minha infância e adolescência. A visãodos corredores, do pátio, das salas foi evocado na minha mente como se tudoacontece a minha frente, os lugares, conversas, as trocas de materiais de arte nasaulas de pinturas, os jograis e recitações de poesias nos dias das mães, asapresentações com danças de quadrilhas nas festas juninas e os corais na festasnatalinas, experiências como essas tornaram-se inesquecíveis e revivê-las foiinexplicável.
    • 433.2 SUJEITOS ENTREVISTADOS DA PESQUISA Os sujeitos da pesquisa foram educandos do Colégio Estadual Teixeira deFreitas pertencentes a duas turmas de 8º séries, série escolhida devido já terempassado pelas aulas de arte no Ensino Fundamental I bem como pelas aulas dearte, de quinta a sétima séries, experiências com o ensino de arte. Os entrevistadossão todos adolescentes com idades compreendidas entre 13 e 18 anos que residemtanto em bairros na cidade de Senhor do Bonfim como: Pêra, Bosque e Gambôaquanto em distritos com: Umburanas e Tanquinho. Junto com esses sujeitos nos propomos a descrever o acontecer das aulas deEducação Artística. Ver estes educandos em sala de aula desenvolvendo trabalhosartísticos, foi como me ver há anos atrás executando atividades bem parecidas emaulas com muito barulho, lápis de cores passando entre os colegas, todos colocandoem formas e cores a sua singularidades nestes trabalhos, ouvir estes alunos e comose estivesse tentando descobrir se as emoções que sentia são parecidas com queesses alunos sentem.3.3 INSTRUMENTO DA PESQUISA Para a coleta e análise dos dados optamos pela entrevista estruturada e oquestionário. A entrevista estruturada de acordo com BARROS; LEHFELD (2000,p.91) é uma entrevista que contém questões que são previamente formuladas peloentrevistador, um roteiro prévio, sem possibilidade de alterar qualquer questão. Uma etapa foi importante, pois antecedeu a entrega dos questionários, umaentrevista estruturada informal que foi realizada com os educandos de uma maneiraque suas dúvidas fossem esclarecidas sobre o porquê de se responder aquelasquestões e como elas seriam utilizadas. Essa aproximação foi importante no sentidode buscar um caminho que os deixasse mais à vontade. Capitar as primeirasimpressões sobre a turma foi de extrema importância, já que algumas falas
    • 44encontradas na entrevista foram reafirmadas nos questionários favorecendo assimos resultados finais desta pesquisa. O questionário escolhido consiste no semi-aberto, ou seja, a combinação dequestões abertas e fechadas que foi dividido em dois momentos: no primeiromomento o entrevistado respondeu questões fechadas que segundo BARROS;LEHFELD (2000, p.90) “são aquelas que questões que apresentam categorias dealternativas de respostas fixas” que nos ajudou a estabelecer um perfil doentrevistado (a) e no segundo momento foram respondidas as questões abertas queainda de acordo com BARROS; LEHFELD (2000, p.90) “são aquelas que levam oinformante a responder livremente com frases o orações”, questões estas que nosauxiliaram a conhecer o discurso dos mesmos resultando em um questionário com10(dez) questões. Segundo Fachin (1993, p. 121): O questionário consiste num elenco de questões que são apreciadas e submetidas a certo número de pessoas com o intuito de obter respostas para a coleta de informações. E para que a coleta de informações seja significativas, cabe verificar os meios de como, quando e onde obter as informações. O questionário foi um instrumento importante por facilitar, caracterizar e obteras respostas necessárias à pesquisa com maior precisão dos fatos e por sua rápidae objetiva prática de aplicação. No nosso caso específico os adolescentes foramsolicitados a falar sobre as aulas de arte, como acontecem e qual a importância. Oque possibilitou descrevê-las e refletir acerca dessas experiências.
    • 45 CAPÍTULO IV ANALISANDO E INTERPRETANDO DADOS No presente capítulo foram analisados e interpretados os dados colhidos apartir dos instrumentos de pesquisa, a entrevista estruturada e o questionário, quefoi devidamente respondido pelos alunos entrevistados. Uma conversa antes da entrega do questionário foi fundamental para que osmesmos se sentissem mais seguros para responder o questionário, primeiramenteme identifiquei pelo nome e falei que era uma antiga aluna do colégio esclarecisobre o que estava fazendo no Colégio, em que eles poderiam me ajudar eoralmente citei algumas questões para que também oralmente eles tentassem meresponder, algumas perguntas foram feitas sobre o que deveriam fazer e quandotudo foi esclarecido os questionários foram entregues, as possíveis dúvidas quesurgiram no decorrer do mesmo foram sendo respondidas. Foi proposto pela direção que os alunos respondessem os questionários nosdias das aulas de Educação Artística, por se tratar de duas turmas de 8ª séries osmesmos foram respondidos em dias diferentes. A primeira turma recebeu oquestionário dia 10 de abril de 2008 e a segunda dia 13 de abril de 2008, em umasala foram recolhidos 26 questionários e em outra 30, somando um total de 56questionários respondidos. Das questões fechadas todos os questionários foram considerados, mas noque se refere às questões abertas, foram selecionadas 28%, ou seja, 16questionários por acreditar que um número superior a este as respostas repetem-se. Quando analisadas as questões foram utilizadas de acordo com cadacategoria criada, portanto não segue a seqüência em que foram perguntadas aosestudantes.
    • 464.1. PERFIL DOS ESTUDANTES PESQUISADOS Por se tratar de um trabalho que objetivou identificar a concepção e aimportância que as aulas de arte têm para educandos do Colégio Estadual Teixeirade Freitas, primeiro compreendeu-se que deveria se identificar este aluno pela suafaixa etária e gênero, com base nas informações constatamos que esta pesquisaobteve a contribuição de adolescente e em sua maioria mulheres, conforme osdados que veremos a seguir:4.1.1. Faixa Etária De acordo com os dados fornecidos 75% dos sujeitos pesquisados estão emuma faixa etária compreendida entre 13 e 15 anos e 25% das turmas estão em umafaixa etária compreendida entre 16 e 18 anos. GRÁFICO 1 FAIXA ETÁRIA Entre 13 e 15 anos Entre 16 e 18 anos4.1.2 Gênero O que nos foi fornecido através dos questionários é que dos estudantesquestionados 51,8% são do gênero feminino e 48,2% são do gênero masculino.
    • 47GRÁFICO 2 GÊNERO Gênero Feminino Masculino4.2. A arte na sala de aula: O que a escola tem ensinado. Ao longo deste trabalho interagimos com teóricos sobre a arte e seu ensinono sistema educacional e para melhor compreendermos como ele vem acontecendona escola o questionário que levamos a campo foi um instrumento de extremaimportância para interagirmos com os sujeitos em foco (educandos) e assimalcançar os objetivos traçados. As frases que veremos a seguir são respostas dos sujeitos pesquisados emrelação ao que o aluno tem aprendido na escola como conteúdo:Pinto, recorto, colos-desenho etc. (AL2)3.Desenho, aprendemos sobre os pintores famosos, e também aprendemos um poucosobre arte (AL 3).3 Visando manutenção do anonimato dos entrevistados atribuímos um código (AL) acrescido dealgarismos arábicos (1, 2, 3, 4..).
    • 48Faço os trabalhos que a professora passa. Faço as atividades e quando tem algumadata especial fazemos as atividades em relação. Ex: o dia das mães. (AL11)Desenha, pintar escrever (AL13). Quando questionados sobre o que fazem e que atividades são desenvolvidasem sala de aula as respostas dos entrevistados são bem parecidos com o modelode ensino de arte que vimos acontecer a tempos atrás, atividades de cópias, recorte,colagem e desenhos ainda são desenvolvidos em sala. Pintores famosos tambémsão vistos, mas de uma forma mecânica e sem reflexão, prática distante da propostatriangular de Ana Mae Barbosa que visa o ver, contextualizar e fazer (produzir) umaobra de arte. De acordo com Leão e ensino de arte deve estar em consonância com aatualidade, na sala o aluno deve ser também um construtor de sua aprendizagem, omesmo não deve ficar apenas a disposição dos conhecimentos transmitidos peloprofessor se limitado a atividades de cópia seguindo um ensino tradicional. Oeducando deve ser visto com um sujeito ativo na sua educação e não como umobjeto a ser moldado pelo professor, conforme nos diz Leão: O ensino da arte deve estar em consonância com a contemporaneidade. A sala de aula deve ser um espelho do atelier ou um laboratório do cientista. Neles são desenvolvidas pesquisas, técnicas são criadas e recriadas, e o processo criador toma forma de uma maneira viva, dinâmica. A pesquisa e a construção do conhecimento é um valor tanto para o educador quanto para o educando, rompendo com a relação sujeito/objeto do ensino tradicional. Este processo poderá ser desafiador. Delimita-se o ponto de partida e de chegada será resultante da experimentação. Dessa forma, o ensino de arte estará intimamente ligado ao interesse de quem aprende. (acessado em 2008, p.01). Encontramos também na fala dos entrevistados a prática das lembrancinhaspara datas comemorativas como o dia das mães, citado pelo AL 11, essa prática temse caracterizado por atividades subordinadas a temas convencionais e símbolosculturais de uma matriz e a símbolos comerciais (Barbosa, 2005) uma prática queserve a um sistema capitalista que visa formar pessoas que sirvam aos interessesde consumo desse sistema.
    • 49 Através de respostas dos entrevistados percebe-se claramente que ainstituição escolar parou no tempo, os professores mudaram, os alunos mudaram,mas os conteúdos continuaram os mesmos, podem até serem aplicados de formadiferente, porém os mesmos.4.3. A concepção dos educandos sobre o ensino de arte É interessante destacar que em nosso trabalho propomos uma revisão comrelação aos procedimentos de como vem acontecendo as aulas de arte, nossafundamentação busca alicerce nas contribuições de Barbosa, Duarte Jr., Assis entreoutros. Esses autores problematizam o ensino de arte descontextualizando. Mesmodiante dessas problematizações percebemos através do discurso dos discentespesquisados que as aulas de arte são consideradas momentos em que os mesmossentem-se “livres” para expressarem os seus sentimentos em momento de prazermesmo nesse formato de colagem, pintura, desenhos, descontextualizadas econtroladas pelo professor. Vejamos como eles demonstram através das frasesselecionadas abaixo nos dizem quando perguntamos sobre se gostavam das aulasde arte.Por que desinvolve mas a nossa vontade de desenhar. (AL 1).Por que é um momento que se espresa as sentimentos. (AL2).Aprendi que a arte me faz bem e quero investir nela. (AL5)Porquê nos ensina a sentir praser na arte e é um bom passatempo e pode ser muitoultio no futuro.(AL 6)Porque é muito legal aprender a desenhar e as formas geométricas. (AL 7) A arte mesmo ensinada de forma mecânica consegue despertar noseducandos sensações e emoções. Ficou claro na fala dos alunos que os mesmoscompreendem o ensino de arte como sendo aulas desenhos, mais que ainda assimo prazer pode estar presente. O aluno 6, por exemplo, consegue enxergar na artealguma utilidade para o futuro, mas com a função de simples um bom passatempo.
    • 50 Ver o aluno como um banco para depósito de informações é uma práticaainda bastante comum nas escolas públicas, o aluno (a) 16 deixa transparecer queesta prática tem funcionado quando diz:Eu gosto das aulas de arte porque tem silêncio e a professora é boa. (AL 16)De acordo com Duarte Jr. (2006, p.165). Decorrentes de nossa sociedade industrial, as condições de mercado influenciam o tipo de educação a que estamos submetidos, a qual contribui, sem contestação, para a formação desse tipo de pessoa que, compartimentada, movimenta-se entre uma vida profissional e um cotidiano sensível, cotidiano para o qual parece não possuir o menor treinamento com base no desenvolvimento e refinamento de sua sensibilidade. Em sua fala o aluno (a) entende a aula de arte como sendo uma aula em queo silêncio deve ser essencial, uma fala de conformismo. Somos treinados em nossasescolas para servir a este sistema capitalista, portanto as emoções, assensibilidades que deveria ser trabalhadas nas aulas de arte não o são. Outra fala que analisada é a do aluno (a)10 quando diz:Desenhar, porque. Eu não sabia desenhar mas agora. Eu sei e Sai bonito. (AL 10). Alguns educandos também entendem o ensino de arte como uma práticaapenas de desenho como o AL10. As atividades de desenho geralmente sãodesenvolvidas em sala de aula por serem mais práticas, o professor entrega o papeloficio ao aluno e deixa que o mesmo desenho livremente sentado em sua carteira,os alunos executam a sua atividade as vezes sem um motivo aparente.Como o aluno pode desenvolver a sua criatividade, a percepção de si mesmo e domundo ao seu redor através de atividades simplistas como estas? Segundo Duarte Jr. (2006, p.185) (...) o indivíduo criativo não é aquele que simplesmente resolve uma questão em geral proposta por outrem, mas sim aquele dotado de acuidade e da sensibilidade para descobrir um problema uma inadequação, um mau funcionamento, uma possibilidade de melhoria ali onde todos os outros não vêem qualquer dificuldade.
    • 51 O que percebemos diante dessas questões, que inclusive nos pareceparadoxais, é “que a arte é um campo indispensável à formação humana”, de acordocom Farias (1999, p.70) a arte-educação promove no ser humano umdesenvolvimento no campo do nível físico, emocional, mental e espiritual, aindasegundo Farias (1999, p.71): Desenvolvendo-se nos quatro níveis de maneira articulada, buscando competências de ponta e dando um tratamento integrador aos conhecimentos construídos, o sujeito vai definindo e aperfeiçoando sua relação com o todo. (...) Em sintonia com seu tempo, apontando alternativas que engrandecem seu ser, o sujeito se faz na história, como agente e assim, educa-se e torna-se feliz.4.4. A significação do ensino de arte para os entrevistados Quando os entrevistados foram questionados sobre se o Ensino FundamentalII foi todo realizado na Escola em questão obtivemos uma porcentagem de 27% doseducandos fizeram todo o ensino fundamental II na escola pesquisada e 21% vieramde colégios como: Rômulo Galvão, Cazuza Torres, Júlio César, Colégio Estadual deSenhor do Bonfim. Este questionamento foi importante para sabermos como o ensino de artevem marcando e contribuindo com a vida dos entrevistados durante os quase quatroanos de Ensino Fundamental II, perguntou-se ao estudante que atividade o haviamarcado ou que se o mesmo lembrava-se das séries anteriores nas aulas de arte eobtivemos as seguintes respostas:Foi, por exemplo, colar figuras e charges, cartazes, desenhar etc... (AL 4)não. (AL 7)Desenhar. (AL 8 )Não por que eu não lembro. ( AL 14)
    • 52fazer bonequinhos nas pedrinhas e fazer bonecos de palitos de picolé e fruteiras depalitos. (AL 15). Observa-se que os alunos vindos de outras escolas, os alunos tiveramexperiências semelhantes com relação à Educação Artística. As atividades serepetem desenho, recorte, colagem. O que chama atenção também são os alunos 7e 14 que não lembram nenhuma atividade que tenha marcado, ou seja, mesmoestudando durante quase quatro anos, a disciplina Educação Artística, participou denenhuma experiência significativa a partir dessa área do conhecimento, que é tãoimportante quanto às demais. 4.5. A formação do professor Quando perguntados sobre se o professor de arte trabalha com outrasdisciplinas foi detectado que o professor além da disciplina de Arte este professorensina Geografia. O que isso pode significar? O professor de arte como vemacontecendo nas escolas geralmente é um professor que ensina outra disciplina eque frequentemente é incumbido da tarefa por precisar completar a sua cargahorária. Portanto contamos com professores despreparados, ensinado arte”empurrado” por um sistema escolar e uma lei que inclui a arte no Ensino Básico,mais que coloca todo e qualquer profissional para assumi - lá, não cuidando daformação do professores a partir de uma política educacional que inclua ecompreenda a arte com um campo importante na formação do ser humano oresultado desta ação são as constantes repetições de anos e anos de desenho,recorte e colagem vistos em sala de aula aplicados por professores que passampela área de arte sem conhecimento algum ou com os conhecimentos queadquiridos na época em que estudou de acordo com FUSARI E FERRAZ(2000,p.69) “para desenvolver um bom trabalho de arte o professor precisa descobrirquais são os interesses, vivências, linguagens, modos de conhecimento de arte epráticas de vida de seus alunos” e atividades como estas só serão possíveis comum professor que esteja realmente capacitado na área.
    • 53 Está na hora das universidades que trabalham com formação de professoresinvestirem na implantação de cursos de licenciatura em arte e arte-educação.
    • 54 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa monográfica realizada com educandos do Colégio EstadualTeixeira de Freitas localizado na cidade Senhor do Bonfim – Bahia objetivouperceber a concepção que os estudantes desta instituição têm sobre o ensino dearte e identificar a importância da mesma (arte) para estes. Conforme os dados fornecidos pelos entrevistados, constatamos que tudo nasociedade mudou, até na escola, de certa forma encontramos mudanças, mas noque se refere ao ensino da arte a mesma continua sendo ensinada numaperspectiva tradicional e ultrapassada. O que encontramos em sala de aula foramvelhas atividades de cópias, recorte, colagem e desenho, não estou afirmando queatividades como estas não possam fazer parte do ensino de arte desde que comobjetivos traçados e uma metodologia adequada aplicados por profissionais quetenham conhecimento da área, destacando também a importância do ensino de artee a continuidade de estudos que apontam possibilidades relativas para este ensino. Depois de dialogarmos com tantos teóricos, percebemos que as aulas de artenão se restringem apenas ao campo do recortar, colar, desenhar, e escrever quemesmo com o movimento da década de 70 no que se refere ao ensino de arte aescola aparenta ter parado no tempo. Ao nos reportar ao capítulo II deste trabalho monográfico encontraremos osautores com quais dialogamos, falarem sobre arte-educação. O autor Duarte Jr.(2004) nos diz que “arte-educação não significa o treino para alguém se tornar umartista, mais sim um processo formativo do ser humano”, um processo no qual oindivíduo esta se desenvolvendo e se formando, Freitas (2006, p.1) nos diz que oaluno é “um ser dotado de subjetividade, que não pode ser ignorado” e Barbosadisponibiliza a proposta triangular para ser aplicada em sala de aula de uma maneiraprazerosa e eficaz. Trabalhos produzidos na área de arte-educação ainda sãopouquíssimos mais o pouco que temos não está sendo utilizado em sala de aula porprofissionais responsáveis pela disciplina.
    • 55 Comprovamos que a arte mesmo sendo ensinada de forma limitada ainda emuitas vezes contraria aos discursos dos arte-educadores, consegue despertar noseducandos sentimentos de liberdade e de prazer e que pelo menos em um destesalunos a arte é vista com alguma utilidade para o seu futuro, mesmo que este nãoconsiga identificar inicialmente qual é, que para os entrevistados estas são aulasprazerosa, que os fazem se desprender de aulas sérias e chatas. Encontramos também a grande valorização de valores estéticos impostospelo professor de arte, desvalorizando o que foi produzido pelo aluno. Ao desenhar,pintar, colar ou recortar o aluno esta empregando a sua subjetividade, às vezessentimentos íntimos e pessoais são expressos através dos seus trabalhos e oprofessor por falta de conhecimento na área não consegue perceber a dimensão doque foi expresso. No que se refere às atividades, por serem as mesmas, ao longo de muitosanos, acabam que se tornando um processo repetitivo, resultando no desinteressedos alunos com a relação às aulas, e as atividades tornam-se práticas depassatempo, atividades sem muita importância, chegando ao ponto do aluno nãoconseguir lembrar de atividade interessante ou uma atividade que tenha marcado aolongo de quase quatro anos, período que corresponde a todo o Ensino FundamentalII. Esses dados devem servir como um sinal de alerta a todos que se interessampelo tema. Como estudar uma disciplina que os educandos julgam prazerosa e nãoconseguir lembrar de uma atividade sequer? Talvez este seja tema para um outrotrabalho, mais o que poderia esta acontecendo? As aulas de arte para os educandos são aulas que trabalham com odesenvolvimento do sentimento, da fruição, trabalha com as emoções, no entantomesmo presente na sociedade a arte e o seu ensino não são valorizados como sedeveria e são visto até com certo preconceito. De acordo com Barbosa (1998, p.14)para que os preconceitos em relação arte sejam desmistificados seria necessáriodiscutirmos “a função da arte em diferentes culturas, o papel do artista em diferentesculturas e o papel de quem decide o que é arte e o que é arte da boa qualidade emdiferentes culturas”.
    • 56 Ao final deste trabalho acredito ter conseguido alcançar os objetivos assimcomo ter reunido algumas questões, que possam contribuir com o trabalho defuturos pesquisadores acadêmicos, assim como trazer provocações, sobre o ensinoda arte no espaço escolar, pretendendo interagir com educação. Aqui fica umaproposta de mudança às Secretarias de Educação Estadual e Municipal, mas emespecial aos professores que com o seu poder transformador podem realmenteatravés de muito estudo e dedicação mudar a realidade atual da arte-educação.
    • 57 REFERÊNCIASANDRE, Marli Eliza D. A. de. Etnografia da Prática Escolar. 12ª ed. São Paulo:Papirus, 2005.BARBOSA, Ana Mae. Arte-Educação na Cultura Brasileira. Recife. CEPE, 1998.________________.Tópicos Utópicos: A multiculturalidade e os parâmetroscurriculares nacionais de 97/98. Belo Horizonte. C/Arte, 1998.________________.A Arte–Educação no Brasil. 5ª ed. São Paulo: Perspectiva,2005._________________.A multiculturalidade na Educação Estética. Disponível emhttp: www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/mee/meetext.htm. Acessado em 19 deagosto de 2005._________________. Arte-Educação no Brasil: realidade hoje e expectativasfuturas. Tradução Sofia Fan. Disponível em: <http: www.scielo.br/scielo.php?pid=so103-4014199890003000108script=sciarttext> Acesso em 14 de mar. de 2007.BARROS, Aidil Jesus da Silveira. LEHFELD, Neide Aparecida de Souza.Fundamentos de Metodologia Cientifica. Um guia para a iniciação cientifíca. 2ªed. São Paulo: Markron Books, 2000.BIASOLI, Carmen Lúcia Abadie. A formação do professor de Arte. Do ensaio... aencenação. 2 ª ed. São Paulo: Papirus. 2004.BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Livro Casa de Escola: cultura camponesa eeducação rural. 2 ª ed. Campinas: Papirus, 1984.
    • 58BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 41º ed São Paulo: Brasiliense,2002.COSTA, Cristina. Questões de Arte. O belo, a percepção estética e o fazerartístico. 2 ª ed. São Paulo: Moderna, 2004.DEHEINZELIN, Monique. Uma proposta curricular de educação infantil: a fomecom a vontade de comer. Salvador: Secretaria de Educação e Cultura do Estadoda Bahia, 1993.DUARTE JÚNIOR, João Francisco. O sentido dos Sentidos a educação (do)sensível. 4ª ed. Paraná: Criar, 2006.________________, João Francisco. Por que Arte-Educação? 15 ª ed. São Paulo:Papirus, 2004.________________, João Francisco. Fundamentos estéticos da educação. 8ª ed.São Paulo: Papirus, 2005.FACHIN, Odelia. Fundamentos de Metodologia. São Paulo: Atlas. 1993.FARIAS, Sérgio Coelho Borges. A arte e o domínio afetivo na educação. In:Coletânea PPGE/Programa de Pós-Graduação em Educação. v 1, n.1 – Salvador:Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação. Programa de Educaçãoem Pós-graduação, 1999.FAZENDA, Ivani (org). MANSINI, Elicie F. Salzano. Metodologia da PesquisaEducacional. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1991.FISCHER, Ernest. A necessidade da Arte. 9 ª ed. Guanabara Koogon. AfiliadaTradução Leandro Konder, 1987.FREITAS, Joselaine Borgo Fernandes de. Arte é conhecimento, é construção, éexpressão. Disponível em: http: www.revista. art. br. Acesso em: 09 de janeiro de2006.
    • 59FUSARI, Maria F. de Rezende. FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. Arte na EducaçãoEscolar. São Paulo: Cortez, 2000.JANSON, H. W. JANSON, Antony. F. Iniciação à História da Arte. TraduçãoJefferson Luiz Camargo. 2 ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.LAKATOS, Eva Maria. MARCONI, Maria de Andrade. Técnica de Pesquisa:planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa,elaboração, análise e interpretação de dados. 3 ª ed. São Paulo: Atlas. 1990.LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Palestraproferida no 13º COLE-Congresso de Leitura do Brasil, realizado naUNICAMP,Campinas/São Paulo, no período de 17 a 30 de julho de 2001.Disponívelem: http:www.miniweb.com.br/atualidade/INFO/ textos /saber htm. Acesso em: 15 demaio de 2008.LEÃO, Raimundo Matos de. Apreciação da obra de arte: a proposta triangular.Disponível em: http: < www.futuroeducacao.org. br/apreciacaodeobradearte>.Acessoem : 02 de maio de 2008.LEÃO, Raimundo. A Arte no Espaço Educativo. Disponível em: http://<www.caracol.imaginario.com/paragrafo aberto/rmlarteduca.html>. Acesso em: 02de maio de 2008.LOWENFELD, V.BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da Capacidade Criadora.São Paulo. Mestre Jou, 1989.LÜDKE, Menga. ANDRE, Marli E. D. A. A pesquisa em educação: abordagensqualitativas. 9ª ed. São Paulo: EPU, 1986.ONG. ASSIS, Sônia. A Arte ampliando possibilidades. Educação e Participação.2ª ed. São Paul: ITAU, UNICEF e CENPEC, 2001.
    • 60Parâmetros Curriculares Nacionais: arte (1ª a 4ª série)/Ministro da Educação:Secretaria da Educação Fundamental. 3 ª ed. Brasília, 2001.Parâmetros Curriculares Nacionais: arte (5ª a 8ª série)/Ministro da Educação:Secretaria da Educação Fundamental. Brasília. 1998.PEIXE, Rita Inês Petrykowski. Entrevista: Conversando com Ana Mae Barbosa.Disponível em: hppt: www.cdr.unc.br/pg/revistavirtual/numerosete/entrevista.htm.Acesso em : 02 de maio de 2008.PORCHER, Louis. Educação Artística: Luxo ou necessidade? 5ª ed. São Paulo:Summus, 1989.SAUNDERS, Robert. Pernambuco. Secretaria de Educação. DSE/Departamentode Cultura. Arte-Educação. Perspectivas-Recife: CEPE, 1998.SILVA, Tomaz Tadeu da. Documentos de identidade. Uma Introdução às Teoriasdo Currículo. Belo Horizonte. Autêntica, 2001.STRAZZACAPPA, Márcia. A Educação e a fábrica de Corpos: a dança na escola.Disponível em: http: www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s0101-326220010001000005&1.... Acesso em: 14 de março de 2007.
    • 61APÊNDICE
    • 62UNEB - Universidade do Estado da Bahia Campus VIIQuestionário Complementar do trabalho de Conclusão de CursoCurso de PedagogiaPerfil do estudante da 8ª série (Ensino Fundamental II) do Colégio EstadualTeixeira de Freitas.1.Faixa Etária :( )de 13 a 15 anos( ) de 17 a 19 anos( ) de 21 a 23 anos( ) de 23 a 25 anos2. Gênero:( ) masculino ( ) feminino3.As séries anteriores foram realizadas neste colégio? Se a resposta fornegativa, por favor, cite o nome da escola.4.Você estuda arte aqui na escola? Quem é o professor?___________________________________________________________________5.Seu professor de arte além dessa disciplina ,qual outra disciplina ele ensina?___________________________________________________________________7.Gosta das aulas de arte?Por quê?______________________________________________________________________________________________________________________________________8.O que você tem aprendido nas aulas de arte?______________________________________________________________________________________________________________________________________9.Que atividades são realizadas nas aulas de arte?______________________________________________________________________________________________________________________________________10.E nas séries anteriores a esta que está, você lembra de como foram asatividades? Poderia citar algumas ou uma atividade que mais lhe marcou?______________________________________________________________________________________________________________________________________ Muito obrigada pela sua contribuição!
    • 63GRÁFICO 1 FAIXA ETÁRIA Entre 13 e 15 anos Entre 16 e 18 anos 25% 75%GRÁFICO 2 GÊNERO
    • 64 Feminino48,2% 51,8% Masculino