Monografia Marilúcia Pedagogia 2009

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Pedagogia 2009

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  • 1. 10 APRESENTAÇÃO O Ensino público tem sido o foco das discussões em torno da questão damelhoria da qualidade da educação em nosso país, muitos são os investimentospara alcançar essa qualidade, mas observamos que apesar de ter tido um avançona universalização, não podemos dizer o mesmo quanto à qualidade do ensino,pouco se tem conseguido para mudar as estatísticas no âmbito educacional. Oproblema educacional não é só uma questão de governo e sim de todos osenvolvidos neste processo inclusive da sociedade em geral. Essas mudanças só virão a partir da conscientização de todos os envolvidosneste processo. Nessa perspectiva, as atividades lúdicas se apresentam como umimportante instrumento para a educação de crianças a partir de brincadeiras, jogos ebrinquedos, elementos que fazem parte do mundo da criança e que contribuem parao seu desenvolvimento físico, cognitivo e social. O presente Trabalho de Conclusão de Curso está representado em quatrocapítulos da seguinte forma: No primeiro capitulo falamos sobre ludicidade e educação: a importância dobrincar, buscando de forma coesa apresentar a problemática e a questão levantadaacerca do tema abordado. No segundo capítulo passamos a fundamentar o tema abordado a partir dosteóricos estudados durante o curso e as leituras realizadas no mesmo período queserviram para uma reflexão mais aprofundada sobre o tema. O terceiro capítulo é dedicado a metodologia onde apresentamos os passosseguidos e os instrumentos utilizados para a obtenção dos dados necessários paraatingirmos os objetivos apresentados nesta pesquisa.
  • 2. 11 Chegamos ao quarto e último capítulo onde apresentamos as análises e osresultados obtidos a partir de uma investigação realizada em duas escolas da redemunicipal de Senhor do Bonfim – Bahia, onde foram entrevistados 12 professoressobre o tema Ludicidade. Por último, nas considerações finais, trazemos uma síntese dos elementosque se destacaram nos resultados analisados e interpretados. Também procuramosressaltar a necessidade de um olhar diferenciado sobre o brincar na prática docentelevando os educadores a uma reflexão sobre esse importante tema.
  • 3. 12 CAPÍTULO I Ludicidade e educação: a importância do brincar A educação no Brasil tem passado por um processo de transformação nosseus mais variados aspectos, segundo pesquisas, uma evolução importante emtermos quantitativos, mas em relação aos aspectos qualitativos o sistemaeducacional esta diante de um desafio muito maior. Segundo o Jornal da Educação,Edição Fevereiro/2007, os resultados de pesquisa sobre Educação Básica no Brasil,indicam que, apesar de certo avanço na universalização do Ensino Fundamental, aqualidade da escolarização das nossas crianças e adolescentes está piorando,segundo o Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica) “no conjunto,a constatação é triste e preocupante: nos últimos dez anos a educação no Brasilpiorou, ou seja, em todos os dados comparativos, o desempenho dos alunos naavaliação de 2005 é inferior a de 1995.” Essa constatação na educação entra em desacordo com o que rege a Lei deDiretrizes e Bases (1996) Do direito à Educação e do Dever de Educar: ( art 3º; IX)“padrões mínimos de qualidade de ensino, definidos como a variedade e quantidademínimas, por aluno, de insumos indispensáveis ao desenvolvimento do processo deensino aprendizagem”. Esse quadro da educação nos leva a alguns questionamentos: o que temcontribuído para a má qualidade do ensino público? As metodologias utilizadas nasescolas são eficientes e adequadas para suprir as necessidades de aprendizagemdos alunos? Estão sendo respeitados os direitos das crianças quanto a umaeducação de qualidade que contemple suas reais necessidades, observando osseus níveis de desenvolvimento? São muitos os fatores que incidem na qualidade doensino conforme vem retratado nos PCNs (1997): Existem ainda, dentro do contexto escolar, outros mecanismos de influência educativa, cuja natureza e funcionamento em grande medida são desconhecidos, mas que têm incidência considerável sobre a
  • 4. 13 aprendizagem dos alunos. Dentre eles destacam-se a organização e o funcionamento da instituição escolar e os valores implícitos e explícitos que permeiam as relações entre os membros da escola; são fatores determinantes da qualidade de ensino e podem chegar a influir de maneira significativa sobre o que e como os alunos aprendem (p. 38-39). É preciso refletir sobre esse aspecto da educação, pois, o sucesso oufracasso da educação é de responsabilidade de todos os envolvidos nesseambiente. Como diz Luck (2006, p. 92): “[...] entendemos que todos os problemasrelacionados à educação, são problemas da coletividade, não são problemasexclusivamente do governo como entidade superior separada da sociedade”. Para uma melhoria na qualidade do ensino se faz necessário rever asmetodologias utilizadas e como estão sendo utilizadas nas escolas. As metodologiasadotadas a tempos, não condizem mais com as reais necessidades das crianças dehoje. Assim, entendemos que não se deve desprezar o movimento natural dacriança em favor do conhecimento formal e sim utilizar-se das brincadeiras e jogoscomo forma de estimular a capacidade criativa e construtiva da criança. Diante dissoMachado (1994) diz que: A brincadeira verdadeiramente espontânea que traz consigo a energia criativa, a possibilidade do novo e do original, é aquela que surgiu da própria criança, que escolheu brincar disso e não daquilo, que organizou os brinquedos, os objetos, os materiais, o espaço como quis e que elaborou regras e papéis... e isso implica uma atitude por parte do adulto, com um modo de ser mais tranqüilo, relaxado, liberal, que não atropele a criança. Para que ela se sinta à vontade para lidar com o mundo à sua maneira, aprendendo o que ela quer aprender (p. 37) Nessa perspectiva, o professor como mediador do conhecimento deveampliar cada vez mais as vivências da criança com os brinquedos e as brincadeirase com outras crianças, dando total autonomia para que as crianças possam escolherdo que e como querem brincar. Assim, contribuirá pra que a criança tenha umdesenvolvimento saudável. A educação lúdica surge como proposta que visa contribuir concretamentepara a aprendizagem do educando, buscando uma melhoria do ensino, quer naqualificação e formação crítica do educando, quer para garantir satisfatoriamente apermanência do aluno na escola e também para melhorar o relacionamento e
  • 5. 14ajustamento das pessoas na sociedade. Nesse sentido Almeida (1995; p. 11)ressalta que: “Educar ludicamente tem uma significação muito profunda e estápresente em todos os segmentos da vida. Felicidade que se manifesta na interaçãocom os semelhantes. O brincar e o jogar são formas de educar ludicamente, mas são vistos comodiversão, passatempo, algo sem importância. É preciso desmistificar esse conceitocriado por alguns professores, para viabilizar e ampliar a sua inserção no processoeducativo. É importante observar que o lúdico além de resgatar a infância buscasalvar a espontaneidade e a criatividade da criança que vem se perdendo ao longodo tempo. Esse processo criativo é uma tentativa de aumentar o interesse pela salade aula. Como afirma Santos (1997): A ludicidade é uma necessidade do ser em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (p.12). Assim, a educação lúdica traz para as práticas pedagógicas novas formas deatuar em sala de aula. Sendo que, para que ela realmente aconteça é necessárioque o sujeito que a vivencia esteja plenamente entregue nesta atividade. Sobre issoAlmeida (1990, p. 41) cita que:”A sua prática exige a participação franca, criativa,livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso detransformação e modificação do meio”. O brincar faz parte do mundo da criança desde cedo, pois é parte inerente dacriança. É importante que a criança vivencie a brincadeira e possa fazê-laespontaneamente. É através do brincar que ela expressa emoções, fantasias,desejos e sonhos. Em relação à criança, Santos (1999, p. 18) nos diz que: “Acriança sem a fantasia do brincar jamais terá o encanto, o mistério e a ousadia dossonhadores que só a emoção proporciona”. Diante disso, não podemos dissociar a brincadeira da criança, pois, ela fazparte de sua vivência sendo fundamental para o seu desenvolvimento em todos os
  • 6. 15aspectos de sua vida. Sobre esse aspecto Maluf (2003; p. 43) afirma que: “A criançaé incapaz de separar, pelo menos a princípio, a realidade da fantasia; o brincar paraa criança é uma coisa muito séria”. Sendo assim, podemos entender a brincadeira como uma atividade sócio-cultural, pois ela se origina nos valores e hábitos de um determinado grupo social,onde as crianças têm a liberdade de escolher com o quê e como elas querembrincar. Para brincar as crianças utilizam-se da imitação de situações conhecidas, deprocessos imaginativos e da estruturação de regras. A brincadeira é, portanto, umespaço de aprendizagem significativa para a criança No âmbito educacional, o lúdico ganha cada vez mais espaço, e o professorpara desempenhar bem o seu papel nesse novo contexto, precisa de uma novapostura frente à classe. De dono absoluto do saber, o educador passa a serintermediário entre o conhecimento acumulado e o interesse e a necessidade doaluno. Assim, a escola como espaço de aprendizagem não pode desprezar esseaspecto tão importante da criança. É necessário que as instituições de ensinolancem um novo olhar sobre o brincar, buscando utilizar-se desse recurso (abrincadeira) para propiciar aos alunos uma educação lúdica, promovendo assim umaaprendizagem significativa e prazerosa. Portanto a construção desta pesquisa é relevante, pois busca desmistificar oconceito que professores tem do brincar como apenas diversão, passatempo, emostrar como o brincar é importante para o desenvolvimento da criança e que podeser um aliado na construção do conhecimento das crianças de escolas públicas doBrasil, da Bahia e do nosso município. Diante dessa compreensão, acreditamos ser pertinente elegermos a seguintequestão: Quais as concepções que os professores do Ensino Fundamental I dasEscolas Municipais Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Dr. José Gonçalves têmsobre o brincar?
  • 7. 16 Emerge dessa questão, o nosso objetivo geral: Conhecer como professoresdo Ensino Fundamental I das Escolas Municipais Nossa Senhora do PerpétuoSocorro e Dr. José Gonçalves concebem a ludicidade na prática pedagógica e comoatividade livre. Os objetivos específicos da pesquisa são: • Identificar as concepções de professores sobre a importância do brincar na prática pedagógica; • Analisar o posicionamento de professores quanto à presença da atividade lúdica na sala de aula e como atividade livre; • Identificar as influências da atividade lúdica sobre o processo de ensino/aprendizagem na prática pedagógica. A pesquisa foi relevante, pois com seus resultados, contribuíram para umamelhor compreensão sobre o brincar como meio de promover a socialização doconhecimento e desenvolvimento psíquico, motor e físico das crianças com basenas reflexões e saberes construídos ao longo de nossos estudos.
  • 8. 17 CAPÍTULO II A partir da discussão estabelecida no Capítulo I e da definição do problemade estudo, elegeram-se como palavras-chave à realização desta pesquisa,ludicidade, professor, escola pública e brincar. Passaremos a conceituá-las deacordo com os conhecimentos construídos ao longo do curso e estudos pertinentes.2.1 A ludicidade no processo educativo Quando se pesquisam sobre a prática pedagógica de trabalho com crianças noprocesso ensino/aprendizagem, logo se pensa em estratégias e metas de trabalhodocente de qualidade didática que dê prioridade ao desenvolvimento pleno dacriança no nível escolar que as compõem. Pensar a ação pedagógica, nestemomento, significa voltar a atenção para a prática pedagógica respeitando as fasesde exigências do desenvolvimento psíquico motor, cognitivo, social e cultural decada criança. Frente a isso, torna-se necessário refletir sobre os conteúdos e técnicas aserem trabalhadas na primeira infância, sendo também importante elaboraratividades que contemplem a infância. Nesse sentido, trabalhar com a ludicidadepermitindo à livre expressão, a criatividade, a curiosidade, a fantasia e imaginaçãoda criança é de suma importância para que ela se desenvolva de maneira saudável.Assim, para entendermos melhor sobre ludicidade passaremos a conceituá-la dentrodo contexto histórico/social fundamentando-a a partir dos teóricos pertinentes. Segundo Almeida, o lúdico tem sua origem na palavra "ludus" que quer dizerjogo, a palavra evoluiu levando em consideração as pesquisas em psicomotricidade,de modo que deixou de ser considerado apenas o sentido de jogo, passando a tervalor educativo. A partir do século XVI, os humanistas começaram a perceber o valor educativo dos jogos, e os colégios jesuítas foram os primeiros a recolocá- los em prática. Impuseram, pouco a pouco, às pessoas de bem e aos amantes da ordem uma opinião menos radical com relação aos jogos (ALMEIDA, 1995; p. 16).
  • 9. 18 O lúdico faz parte da atividade humana e caracteriza-se por ser espontâneo.Na Antiga Grécia Platão, um dos maiores pensadores, afirmavam que nos primeirosanos da criança deveriam estar presentes os jogos educativos. Teóricos comoMontaigne, Comênio, Rousseau e outros ressaltam a importância do processo lúdicona educação. Entretanto, a cultura determinista e normatizada que nos foi incutida porvárias décadas aprisiona o conhecimento diante do que está estabelecido pelasociedade, direcionando assim as ações dos indivíduos. Essas normas estãofortemente presentes nas práticas dos sujeitos em relação à ludicidade. Comosalienta Santos (2000) quando diz que: Culturalmente somos programados para não sermos lúdicos. Basta lembrarmos quantas vezes em nossas vidas já ouvimos frases como estas: “Chega de brincar, agora é hora de estudar”; “Brincadeira tem hora”; “Fale a verdade, não brinque”; “A vida não é uma brincadeira”. Assim fomos construindo nossas idéias sobre o lúdico (p. 57). Assim, culturalmente somos invadidos por normas desde a infância, o quepode vir a interferir no desenvolvimento de atitudes espontâneas, autônomas ecriativa do indivíduo. Assim a ludicidade é desvalorizada pelo determinismo dasculturas da sociedade. Sendo que a espontaneidade, a autonomia e criatividade são,exatamente, o que a ludicidade proporciona àqueles que a vivenciam. Na visão deMaluf (2003): A busca do saber torna-se importante e prazerosa quando a criança aprende brincando. É possível, através do brincar, formar indivíduos com autonomia, motivados para muitos interesses e capazes de aprender rapidamente (p. 9). O homem é um ser que está sempre em busca de conhecimento, aprender éuma necessidade do ser humano desde o seu nascimento e dele depende para suasobrevivência. A educação tem um papel fundamental na integração do homem nasociedade, é ela quem garante a formação do indivíduo para atuar de forma crítica,participativa e criativa no mundo. O conhecimento é importante para o homem emqualquer fase de sua vida, como também é importante o brincar, são coisas
  • 10. 19distintas, porém necessárias para o equilíbrio emocional e social de qualquerindivíduo. Para Almeida (2003): O ser humano nasceu para aprender, para descobrir e apropriar-se de todos os conhecimentos, desde os mais simples (levar a colher à boca) até os mais complexos (criar e solucionar problemas), e é isso que lhe garante a sobrevivência e a integração na sociedade como ser participativo, crítico e criativo (p. 11). Nessa perspectiva, o conhecimento lúdico deve fazer parte dessa busca doser humano, pois ela traz para a educação uma proposta inovadora e libertadora naprática educativa, apresentando diversas possibilidades de se trabalhar comcrianças, utilizando-se da brincadeira como instrumento de aprendizagem. Deacordo com Almeida (2003): A educação lúdica integra uma teoria profunda e uma prática atuante. Seus objetivos, além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações pessoais passivas, técnicas para as relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras, fazendo do ato de educar um compromisso consciente intencional, de esforço, sem perder o caráter de prazer, de satisfação individual e modificador da sociedade (p. 31-32). O papel da lúdicidade na prática educativa vai além do simples brincar, seusobjetivos busca a dimensão da experiência vivenciada pelo ser humano que seexpressa no individual, no coletivo, no interior e exterior de cada indivíduo. Essemomento lúdico, vivenciado por cada individuo, é uma experiência única e pessoalque se constitui em um aprendizado para toda vida e só se concretiza quandoestamos envolvidos plenamente nessa atividade. Nesse sentido Luckesi (2000) diz: O que a ludicidade traz de novo é o fato de que o ser humano, quando age ludicamente, vivencia uma experiência plena. Com isso queremos dizer que, na vivencia de uma atividade lúdica, cada um de nós estamos plenos, inteiros nesse momento... Enquanto estamos participando verdadeiramente de uma atividade lúdica, não há lugar, na nossa experiência, pra qualquer outra coisa além dessa própria atividade. Não há divisão. Estamos inteiros, plenos, flexíveis, alegres, saudáveis. Poderá ocorrer, evidentemente, de estarmos no meio de ma atividade lúdica e, ao mesmo tempo, estarmos divididos com outra coisa, mas aí, com certeza, não estamos verdadeiramente participando dessa atividade. Estaremos com o corpo aí presente, mas com a mente em outro lugar e, então, nossa atividade não será plena e, por isso mesmo, não será lúdica (p. 21).
  • 11. 20 Para que as atividades lúdicas sejam experimentadas de forma plena énecessária uma entrega total dos envolvidos nessa atividade, pois, se não houveruma entrega total ela não se concretizará e será apenas mais uma atividade semqualquer significado. A brincadeira como atividade livre ela colabora para odesenvolvimento físico, motor e social da criança enquanto a brincadeira comoatividade planejada ela facilita o processo de aprendizagem. É importanteressaltarmos que as atividades lúdicas tanto livres quanto planejadas é significativapara quem participa, pois ela permite vivenciar experiências únicas aos envolvidossejam crianças, jovens e adultos. Para alguns teóricos, lúdico e jogo têm o mesmo significado. Apesar de olúdico ser avaliado como algo sem importância, desprovido de seriedade e objetivoseducacionais, ela tem importante papel no desenvolvimento da criança, sendonecessário esclarecer que as manifestações do lúdico na escola exigem adelimitação de objetivos pedagógicos. Além disso, tais atividades precisam sercoordenadas por um orientador/educador que será responsável pelos objetivos,pelas reformulações necessárias durante a realização das atividades nas interaçõessociais. Os PCNs (2003) definem que: Além de ser um objeto sociocultural [...] o jogo é uma atividade natural no desenvolvimento dos processos psicológicos básicos; supõe um fazer sem obrigação externa e imposta, embora demande exigências, normas e controles (p. 48). Entretanto, concebendo-se o lúdico como um caminho possível ao processode ensino, é importante entendermos que como outra qualquer aplicação didáticaexige delineamento de objetivos e a confecção de um planejamento. Do contrário,será vista apenas como “o momento de brincar por brincar”. Assim, ludicidade constitui-se numa forma prazerosa e criativa de educarutilizando-se do brincar, essência natural do ser humano, levando-o a condição desujeito reflexivo, critico e capaz de fazer suas próprias escolhas, contribuindo assimpara formar cidadãos saudáveis, sensíveis e conscientes de seu papel nasociedade. Para que esse tipo de prática educativa realmente aconteça é necessárioque as instituições de ensino lancem um novo olhar sobre essa nova forma deeducar. Para Freire (1996; p. 80) “a alegria necessária à atividade educativa é a
  • 12. 21esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podem aprender, ensinar,inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos” Infelizmente, ainda hoje as instituições educacionais repetem os velhosmoldes de ensino, pautada na prática da repetição e memorização do conhecimento,onde o aluno é reprimido, tirando-lhe a liberdade de expressar suas idéias,pensamentos e opiniões. Essa forma de educar nos dias atuais não é maiscomportável, pois educar não consiste em passar informações, mas sim socializá-las, confrontá-las, refleti-las. Assim afirma Santos (1997): Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstâncias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida (p. 11-12). Nessa concepção, compreendemos que educar é um desafio e oseducadores precisam estar preparados para esse desafio, buscando novoscaminhos para a prática pedagógica, tendo uma visão ampla das muitas maneirasde se trabalhar em sala de aula, oportunizando ao aluno diversos caminhos paraque ele tenha opções de escolher o caminho que queira seguir na construção do seuconhecimento. Nessa perspectiva a ludicidade deve ser vista como um doscaminhos possíveis de melhoria dos resultados por parte dos educadoresinteressados em promover mudanças. Para Freire (1996; p. 80) “a alegrianecessária à atividade educativa é a esperança. A esperança de que professor ealunos juntos podem aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmenteresistir aos obstáculos”. Assim, a aprendizagem terá um novo significado, tanto paraquem ensina como para quem está aprendendo.2.2 A formação lúdica do professor A ludicidade, enquanto disciplina, a bem pouco tempo não existia noscurrículos oficiais dos cursos de formação do professor, muitos desses profissionaisque atuam a muito tempo no magistério pouco conhece sobre o tema. O que
  • 13. 22inviabiliza a sua inclusão no processo educativo. Formar educadores para umaplena introdução do lúdico na escola é sem dúvida, fundamental para garantir osentido verdadeiro, real e funcional das atividades lúdicas no espaço escolar. Assimnos diz Santos (1997): Sabemos que os cursos de licenciatura têm recebido inúmeras críticas, especialmente no que se refere à sua ineficiência quanto a formação dos profissionais de educação. É hoje, questão de consenso que os egressos dos cursos de graduação não estão suficientemente preparados para atender as necessidades das escolas, principalmente no que se refere à compreensão da criança como ser histórico/social, capaz de construir seu próprio conhecimento (p. 12). Diante da nova ordem social, das tecnologias avançadas e do mundoeletrizado não cabe mais uma educação nos padrões normatizados exige-se doprofissional de educação uma nova postura, novos métodos, nova visão da suaprática educativa. Para trabalhar a ludicidade em sala de aula é preciso que o professor tenhaum conhecimento aprofundado do assunto e esteja preparado para realizá-lo,viabilizando assim tempo e espaço para que a criança possa vivenciar essaexperiência de forma plena. As várias atividades lúdicas permitem ao educador deaventurar-se no mundo das brincadeiras. Assim os cursos de formação desseprofissional devem se adequar a esta nova realidade da educação. Sobre aformação do educador, Almeida (1995) diz: É muito importante que o professor não se atire a uma prática com insegurança ou desconhecimento. É necessário que invista na própria formação, lendo, conversando, pesquisando, buscando alternativas variadas, recriando. Quanto mais conhecimento tiver sobre o assunto, mais segurança terá na aplicação e execução do trabalho (p.43). Diante disso, percebemos que a formação do educador é importante enecessária, mas que infelizmente os currículos ainda não contemplam de formasatisfatória e adequada a educação lúdica na formação do educador. Muitosprofessores que atuam na área hoje não foram contemplados com esta disciplina nasua grade curricular. O que inviabiliza a sua aplicação de forma satisfatória nosprocessos educativos das escolas, principalmente das escolas públicas, que sofremcom a burocracia e o engessamento por parte das políticas públicas.
  • 14. 23 Ensinar nos dias atuais é uma tarefa complexa e difícil, pois é grande adesmotivação e desinteresse por parte dos alunos. Diante de tanta tecnologia,inovação e celeridade em que as noticias circulam, exige-se cada vez mais de umametodologia que acompanhe toda essa movimentação e os professores precisamacompanhar essa evolução, buscando cada vez mais aprimorar a sua práticaeducativa, ampliar o seu conhecimento e a sua visão de mundo para atender demaneira adequada as necessidades de aprendizagem de seus alunos. Os PCNs(1997) vêm afirmar essa necessidade quando diz: O professor deve ter propostas claras sobre o que, quando e como ensinar e avaliar, a fim de possibilitar o planejamento de atividades de ensino para a aprendizagem de maneira adequada e coerente com seus objetivos. É a partir dessas determinações que o professor elabora a programação diária de sala de aula e organiza sua intervenção de maneira a propor situações de aprendizagem ajustadas às capacidades cognitivas dos alunos. Em síntese, não é a aprendizagem que deve se ajustar ao ensino, mas sim o ensino que deve potencializar a aprendizagem. Sendo assim, é importante que o professor crie oportunidades para queaconteça uma prática educativa que venha atrair e cativar os indivíduos envolvidosneste processo. Cabe ao professor variar sua metodologia na aplicação do ensino, euma das alternativas possíveis são as atividades lúdicas. Assim ressalta Maluf(2003): “O professor é quem cria oportunidades para que o brincar aconteça de umamaneira sempre educativa. Devemos procurar inovar para não deixar que nossasaulas sejam cansativas e que caiam na mesmice” (p.29). Diante disso, compreendemos que quanto mais vivências lúdicas foremproporcionadas ao educador mais ele estará preparado para trabalhar com a criançaem sala de aula como nos diz Santos (1997; p. 21): “Por isso quanto mais vivênciaslúdicas forem proporcionadas nos currículos acadêmicos, mais preparado oeducador estará para trabalhar com a criança”. Portanto, os professores precisamser contemplados com essa formação para atuarem nos espaços escolares paraque a escola alcance o seu principal objetivo que é de promover uma formação dequalidade para o aluno.2.3 A escola pública e o lúdico A escola pública no Brasil vem ao longo de sua trajetória buscando melhorara qualidade do ensino, mas a burocracia e o engessamento das políticas públicas
  • 15. 24têm contribuído para um sistema educacional ineficiente, com índices que colocam opaís em último lugar com números baixos de conclusão do Ensino Fundamental, secomparados com países da América Latina. No momento atual o grande desafio da escola pública está em garantir umensino de qualidade para todos, e ao mesmo tempo respeitar a diversidade local,étnica, social, cultural e biológica de cada indivíduo. A escola é a segunda casa doaluno é nela que ele passa boa parte de sua vida. Assim, ela precisa buscar detodas as formas garantir um ensino de qualidade, preparando a criança para ser umcidadão que possa participar de forma ativa, de todo processo político, social eeconômico do seu país. Gadotti (1992) enfatiza que: A escola não deve apenas transmitir conhecimentos, mas também preocupar-se com a formação global dos alunos, numa visão em que o conhecer e o intervir no real se encontrem. Mas, para isso, é preciso saber trabalhar com as diferenças: é preciso reconhecê-las, não camuflá-las, aceitando que, para conhecer a mim mesmo, preciso conhecer o outro (p. 82). Sendo assim, a escola deve ser um lugar de prazer, de alegria, onde ascrianças se sintam a vontade e gostem de estar na escola, não só pelos colegas queali encontram, nem só pela merenda ali oferecida, mas que gostem principalmenteda sala de aula, dos métodos de aprendizagem e dos educadores. Assim teremosalunos motivados e interessados em aprender cada vez mais. Nesse sentidoAlmeida (2003) ressalta que: De modo geral, é preciso recuperar o verdadeiro sentido da palavra “escola”: lugar de alegria, prazer intelectual, satisfação; é preciso também repensar a formação do professor, para que reflitam cada vez mais sobre sua função (consciência histórica) e adquiram cada vez mais competência, não só em busca do conhecimento teórico, mas numa prática que se alimentará do desejo de aprender cada vez mais para poder transformar. (p. 64). Deste modo, as diferentes abordagens das atividades lúdicas no contextoescolar, como alternativa de resgatar a alegria e o prazer de aprender, poderãocontribuir para ampliar os conhecimentos e possibilitar caminhos para umprofissional mais dinâmico e reflexivo, capaz de atender às necessidades dos
  • 16. 25educandos, pois o tempo e a história nos impõem à busca por novas práticaspedagógicas, que facilitem o processo dinâmico que é a aprendizagem. É importanteque a escola contemple no seu projeto político pedagógico, as atividades lúdicas,como um referencial de suporte significativo para se trabalhar conteúdos de todas asáreas do conhecimento. Uma escola que tenha um bom planejamento, está melhor preparada paraoferecer um ensino sólido e consistente. Segundo Nóvoa (1991; p. 125): “Asescolas normais estão na origem de uma profunda mudança, de uma verdadeiramutação sociológica do pessoal docente primário”. Nessa perspectiva, espera-seuma escola diferente, onde a criança deseje estar e em que haja prazer e alegriapara descobrir e aprender, pois em muitas escolas públicas existem crianças quetrabalham desde cedo, em atividades diversas, para ajudar na renda familiar e otempo disponível é sobrecarregado com deveres e afazeres, restando poucasoportunidades para as atividades lúdicas. A partir dessa constatação, almeja-se resgatar o verdadeiro papel social daescola e do educador, isto presupõe mudanças que envolve todos os aspectos deformação, remuneração e valorização da instituição que inclui número de alunos,espaço adequado e material didático suficiente para atender as necessidades dosalunos. Convém salientar que as mudanças não ocorrerão de forma espontânea, éum processo complexo que exige competência e comprometimento de todos quecompõem a comunidade escolar. Tem-se buscado com grande esforço alternativaspara auxiliar e facilitar o processo dinâmico que é a aprendizagem. Entretanto,ainda encontram-se presentes nas escolas, alunos distraídos, sem estímulos pararealizar as atividades escolares, encarando a escola como algo difícil, pesado eobrigatório. Sobre a escola, Almeida (2003) tece o seguinte comentário: Analisando as escolas freqüentadas por nossos alunos, vemos que a maioria delas continua depositária do saber acadêmico, marcado por uma ação castradora e diretiva que não se ajusta à vida do aluno, não lhe desperta o prazer de descobrir o conhecimento, não lhe possibilita a satisfação de aprofundar os estudos, de desvendar coisas novas e muito
  • 17. 26 menos de praticar uma vida coletiva. Na verdade, o aluno é levado e programado a repetir e reproduzir tudo, para com isso poder consumir tudo que lhe é imposto (p. 57). Algumas dificuldades pedagógicas como indisciplina dos alunos,desinteresse, baixa aprendizagem e outros de ordem sócio-econômica, permeiamno espaço escolar, houve uma democratização no acesso ao ensino, mas nãohouve democratização na melhoria socio-econômica com isso, a escola perdeu seubrilho e seu encanto.2.4 O papel do brincar na aprendizagem. O brincar dentro da nossa cultura sempre teve uma conotação pejorativa,sendo visto como passatempo, algo sem importância, sem utilidade, fruto de umadistorcida concepção por parte dos que assim o vêem. Portanto, faz-se necessáriodispor sobre esse assunto, muitas vezes deixado de lado, e lançar um novo olharpara a brincadeira para que se entenda a importância do brincar na vida da criança ede sua inserção no processo educativo. A brincadeira faz parte do mundo da criança desde ao nascer e através delavivencia experiências que contribuem para o seu desenvolvimento físico, motor epsicológico e essa experiência ela traz com sigo quando vem para a escola. Negrine(1994: p. 20), em estudos realizados sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil,afirma que "quando a criança chega à escola, traz consigo toda uma pré-história,construída a partir de suas vivências, grande parte delas através da atividadelúdica". Sendo assim, é fundamental que os educadores tenham conhecimento dosaber que a criança construiu na interação com o ambiente familiar e sociocultural,para formular sua proposta pedagógica Ao abordarmos sobre o brincar não podemos deixar de falar sobre a infância,já que existe uma relação intrínseca entre ambas. Percebemos ao longo da nossahistória que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente ela eravista como um adulto em miniatura e não tinha existência social e o seu valor erasegundo o nível social que ocupava. Assim, ressalta Santos (1997):
  • 18. 27 Ao retornar a história e a evolução do homem na sociedade, vamos perceber que a criança nem sempre foi considerada como é hoje. Antigamente, ela não tinha existência social, era considerada miniatura do adulto, ou quase adulto, ou adulto em miniatura. Seu valor era relativo, nas classes altas era educada para o futuro e nas classes baixas o valor da criança iniciava quando ela podia ser útil ao trabalho, colaborando na geração da renda familiar (p. 19). Não muito diferente dos dias atuais, onde algumas crianças não têm direito aobrincar, pois estão muitas vezes trabalhando para ajudar os pais. Com isso, ascrianças vão crescendo perdendo todo o sentido da infância, passando a fase adultaprecocemente, formando assim adultos frustrados, problemáticos e emocionalmentefragilizados. Pois, é no brincar que criança expressa naturalmente sua forma derepresentação da realidade. Brincar faz parte do dia-a-dia da criança, e é umaimportante necessidade da mesma. Como afirma Maluf (2003): Brincar é tão importante quanto estudar, ajuda a esquecer momentos difíceis. Quando brincamos, conseguimos sem muito esforço, encontrar respostas a várias indagações, podemos sanar dificuldades de aprendizagem, bem como interagirmos com nossos semelhantes (p. 19). A ação de brincar, segundo Almeida (1994) “é algo natural na criança e pornão ser uma atividade sistematizada e estruturada, acaba sendo a própriaexpressão de vida da criança”. Rizzi e Haydt (1987; p. 14) convergem para a mesmaperspectiva quando afirmam: “O brincar corresponde a um impulso da criança e estesentido, satisfaz uma necessidade interior, pois, o ser humano apresenta umatendência lúdica” Diante de tal pensamento, podemos entender que a brincadeira é então, umaatividade sócio-cultural, pois ela se origina nos valores e hábitos de um determinadogrupo social, onde as crianças têm a liberdade de escolher com o quê e como elasquerem brincar. Para brincar as crianças utiliza-se da imitação de situaçõesconhecidas, de processos imaginativos e da estruturação de regras. A brincadeira é,assim, um espaço de aprendizagem significativa para a criança. A brincadeira para a criança tem um significado importante, não há uma sócriança, que não goste de brincar. Portanto, não podemos ignorar este aspecto
  • 19. 28essencial na vida da criança, pois brincar é um prazer que enquanto diverte colaborapara o desenvolvimento social, cognitivo e afetivo da mesma. Para que as atividades lúdicas sejam experimentadas de forma plena pelo serhumano é necessária uma entrega total dos envolvidos nessa atividade, pois, se nãohouver uma entrega total ela não se concretiza e será apenas mais uma atividadesem qualquer significado. Para Luckesi (1998): Brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado de consciência (p. 09). Segundo alguns autores, lúdico e jogo têm o mesmo significado. Apesar de olúdico ser avaliado como algo sem importância, desprovido de seriedade e objetivoseducacionais, é importante deixar claro que as manifestações lúdicas na escolaexigem a delimitação de objetivos pedagógicos. Além disso, tais atividades precisamser coordenadas por um orientador/educador que será responsável pelos objetivos,pelas reformulações necessárias durante a realização das atividades nas interaçõessociais. Os PCNs (2003) definem que: Além de ser um objeto sociocultural [...] o jogo é uma atividade natural no desenvolvimento dos processos psicológicos básicos; supõe um fazer sem obrigação externa e imposta, embora demande exigências, normas e controles (p. 48). Por isso, pode-se afirmar que o prazer lúdico do jogo serve como motivaçãopara uma determinada atividade, pois a atividade lúdica é um componenteextremamente importante para a motivação pedagógica, e ainda contribui para odesenvolvimento da autonomia e criatividade da criança. Para Marcellino (2001), aatividade lúdica é um meio de expressão fundamental para as crianças, e pode serum grande recurso pedagógico. Sobre o jogo, o autor afirma que: O jogo é um recurso metodológico capaz de propiciar uma aprendizagem espontânea e natural. Estimula a crítica, a criatividade, a socialização, sendo, portanto, reconhecido como umas das atividades mais significativas – senão a mais significativa - pelo conteúdo pedagógico social (p. 74).
  • 20. 29 Concebendo-se o lúdico como um caminho possível ao processo de ensino, éimportante entendermos que como outra qualquer aplicação didática exigedelineamento de objetivos e a confecção de um planejamento. Do contrário, serávista apenas como “o momento de brincar por brincar”. Entender o lúdico como uma atividade que promove apenas prazer ediversão, negando seu caráter educativo é uma concepção ingênua e semfundamento. Torna-se mais atrativo para a criança aprender com prazer, alegria evontade. Nessa perspectiva, Sneyderes (1996, p. 36) comenta que: “Educar é ir emdireção à alegria”. As atividades lúdicas permitem que a criança aprenda com prazere satisfação, sendo importante ressaltar que a educação lúdica está longe de serapenas passatempo, diversão superficial, brincadeira sem importância. A educação lúdica está presente na vida de todos os indivíduos e éestabelecida numa relação de troca entre o individual e o coletivo. Através dasatividades lúdicas a criança aprende ao encontrar na própria vida, nas pessoas reaisa complementação para as suas necessidades. Assim, afirma Almeida (1995): A educação lúdica é uma ação inerente na criança, adolescente, jovem e adulto e aparece sempre como uma forma transacional em direção a algum conhecimento, que se redefine na elaboração constante do pensamento individual em permutações constantes com o pensamento coletivo (p. 11). Portanto, a ludicidade como sendo um tema importante no processo ensino-aprendizagem, não pode ser deixada de lado ela deve fazer parte das discussões eda prática diária de todo professor comprometido com a sua prática docente.Disponibilizando tempo e espaço para as atividades lúdicas, lançando mão dacriatividade, participando juntamente com seus alunos das atividades propostas ebuscando trabalhar de forma planejada, utilizando-se das brincadeiras e dos jogoscomo instrumentos facilitadores na aprendizagem de todos que almejam oconhecimento.
  • 21. 30 CAPÍTULO III PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este capítulo descreve todos os passos seguidos para a realização destetrabalho. Para Rodrigues (2006, p. 88), “a investigação científica é um processoimportante para a aquisição e a produção do conhecimento. Ela possibilita aopesquisador compreender o mundo em que vive”. Os dados, as informaçõescoletadas sobre determinada questão e o conhecimento adquirido sobre os mesmos,confrontado entre si, constituem uma pesquisa.3.1 Tipo de pesquisa Para a investigação utilizamos a abordagem qualitativa, pois a mesma nosfornece o ambiente natural, onde o pesquisador busca os dados necessários para odesenvolvimento de sua pesquisa. Neste estudo foi utilizada a abordagem qualitativapelo fato de nos permitir investigar problemas que as demais abordagens não nospermitem em virtude da sua complexidade. Segundo Rodrigues (2006): A pesquisa qualitativa é utilizada para investigar problemas que os procedimentos estatísticos não podem alcançar ou representar, em virtude de sua complexidade. Entre esses problemas, podemos destacar aspectos psicológicos, opiniões, comportamentos, atitudes de indivíduos ou de grupos. Por meio da abordagem qualitativa, o pesquisador tenta descrever a complexidade de uma determinada hipótese, analisar a interação entre as variáveis e ainda interpretar os dados, fatos e teorias (p. 90) Conforme Ludke (1986, p. 11) “a pesquisa qualitativa tem o ambiente naturalcomo sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento”. Napesquisa qualitativa, existe o contato direto entre o pesquisador, o ambiente e asituação investigada, através do trabalho de campo. Conforme ressalta Bogdan eBiklen (1982) : Pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos, obtidos no contato direto do pesquisador com a situação estudada,
  • 22. 31 enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes (apud LUDKE,1996, p.13). Assim, através da pesquisa qualitativa podemos evidenciar aspectosimportantes dos indivíduos pesquisados, fundamentais e necessárias à realizaçãodessa pesquisa.3.2 Lócus de pesquisa Foi realizada uma pesquisa de campo, com a participação da EscolaMunicipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e a Escola Municipal Dr. JoséGonçalves, para investigar como os professores do Ensino Fundamental dessasescolas concebem a ludicidade na prática pedagógica e como atividade livre. A Escola Municipal Nossa Senhora do Perpétuo Socorro localizada na Rua 3,Quadra A, Caminho F, s/n, no bairro Bonfim I em Senhor do Bonfim – Bahia. Atendealunos do Fundamental I e II. Seu espaço físico é constituído por uma secretaria,uma sala de professores, sala de informática, 4 (quatro) banheiros, 1 (um) pátio, 1(uma) cozinha e 8 (oito) salas de aula. Funciona nos três turnos matutino, vespertinoe noturno. A Escola Municipal Dr. José Gonçalves, localizada no Acesso 14, s/n, nobairro Bonfim II, na cidade de Senhor do Bonfim – Bahia. Atende alunos do EnsinoFundamental I e II. Seu espaço físico é constituído de oito salas de aula, uma salade vídeo, uma sala de professores, uma sala de recursos, uma sala de informática,uma secretaria, três banheiros, uma cozinha e pátio para recreação. Funciona nosturnos matutino, vespertino e noturno.3.3 Sujeitos da pesquisa Participaram da pesquisa 12 professores pertencentes às referidas escolas. Aescolha dos sujeitos se deu pelo fato dos mesmos atuarem em escola da redepública e por estarem diretamente ligados com a temática em questão. Osprofessores escolhidos estão atuando há alguns anos nas escolas do município, a
  • 23. 32maioria possui nível superior. Quanto à receptividade dos professores na hora daentrevista, a maioria foram receptivos e se dispuseram prontamente a responder aosquestionamentos. 3.4 Instrumentos de coleta de dados Como meio de obtenção das informações e dados relevantes para a construção dessa pesquisa, utilizamos o questionário fechado e a entrevista estruturada. A opção por estes instrumentos de coleta de dados se deu pelo fato de que estas técnicas nos permitem obter informações e relatos de peso dos sujeitos pesquisados dando assim, suporte para a realização do presente trabalho. Na entrevista e no questionário dá-se um grande peso aos relatos verbais dos sujeitos para obtenção de informações sobre os estímulos ou experiências a que estão expostos e para o conhecimento de seus comportamentos (SELLTIZ, 1987, p. 15). Assim, entendemos a importância destes instrumentos na coleta dos dados,pois nos forneceram elementos que nos trouxeram respostas as questõesinicialmente formuladas, imprescindíveis para a realização e elucidação destapesquisa. O questionário fechado é um instrumento de coleta de dados importante paracoletar informações a cerca dos indivíduos pesquisados. Marconi e Lakatos (1996,p. 88) definem o questionário como “... um instrumento de coleta de dados,constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas porescrito e sem a presença do entrevistador”. Para Selltiz (1987): o questionário é uma técnica útil para obtenção de informações à cerca do que a pessoa sabe, crê ou espera, sente ou deseja, pretende fazer, faz ou fez, bem como a respeito de suas explicações ou razões para quaisquer das coisas precedentes” (apud Gil, 1991, p. 90). Assim, a escolha pelo questionário foi pela necessidade de levantar dadosque possibilitassem traçar o perfil dos sujeitos pesquisados, visando,posteriormente, delinear os sujeitos em seus aspectos sociais, econômicos eeducacionais.
  • 24. 33 A entrevista é um instrumento de coleta de dados muito usado atualmente pelos pesquisadores para a obtenção de dados e informações do objeto a ser pesquisado. É importante ressaltarmos que a entrevista não é uma conversa qualquer, ela é utilizada para obter do informante dados para a pesquisa, por isso é preciso que ela tenha uma orientação e objetivos para que ela se concretize. Assim afirma Cervo (1983) quando diz: A entrevista não é simples conversa. É conversa orientada para um objetivo definido: recolher, através do interrogatório do informante, dados para a pesquisa. A entrevista tornou-se, nos últimos anos, um instrumento de que servem constantemente os pesquisadores em ciências sociais e psicológicas. Recorrem estes à entrevista sempre que tem necessidade de dados que não podem encontrar em registros e fontes documentárias e que podem ser fornecidos por certas pessoas. Estes dados serão utilizados tanto para o estudo de “fatos” como de casos ou de opiniões (p. 157). A entrevista é um procedimento utilizado na investigação social para a coletade dados, bem como para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problemasocial. Segundo Lakatos (1991; p.196), “se constitui em importante instrumento detrabalho nos vários campos das ciências sociais e de outros setores de atividades,como da sociologia, da antropologia, da psicologia e outros.” Sobre a entrevista Trivinos (1992; p.146) dá sua contribuição quando diz:“devemos lembrar que a entrevista é um dos recursos que emprega o pesquisadorqualitativo no estudo de um fenômeno social.” A entrevista possibilitou conhecermelhor os nossos sujeitos de pesquisa, e trouxe informações importantes para aelucidação das questões levantadas sobre o tema abordado neste trabalho. Neste estudo optamos por trabalhar com a entrevista estruturada, poisatravés da entrevista estruturada, foi possível obter informações a partir de umroteiro constando de uma lista de pontos previamente estabelecidos de acordo coma problemática central. Desta forma, proporcionou uma interação e influência mútuaentre entrevistado e entrevistador, já que a resposta obtida não foi apenas umareação, ela foi influenciada também pela comunicação silenciosa, os gestos, o olhar,e o tom de voz com que o entrevistado respondeu ao entrevistador. Portanto, as entrevistas foram utilizadas como um instrumento complementar
  • 25. 34para as informações que foram obtidas através dos questionários buscando-se comisso uma aproximação, o máximo possível da situação sobre a qual se pretendiapesquisar. Outro instrumento utilizado foi a análise documental que embora poucoexplorada não só na área de educação como em áreas de ação social, constitui-senuma técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja complementando asinformações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de umtema ou problema. Phillips (1974; p. 187) define documentos como “quaisquermateriais escritos que possam ser usados como fonte de informação sobre ocomportamento humano”. Deste modo, buscou-se através da análise documental identificar informaçõesfactuais nos documentos a partir de questões ou hipóteses de interesse. Osdocumentos utilizados foram o PPP (Projeto Político Pedagógico) e os planos decurso dos professores das duas escolas. Através desses documentos obtivemosinformações importantes, que deram suporte na interpretação e analise dos dadosobtidos. A análise documental é uma estratégia que envolve, pois, não só aobservação e a entrevista, mas, todo um conjunto de técnicas metodológicaspressupondo um grande envolvimento do pesquisador na situação estudada
  • 26. 35 CAPÍTULO IV ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Neste capítulo apresentamos os dados coletados através dos instrumentosutilizados: questionário fechado e entrevista estruturada visualizados por meio degráficos, seguidos da sua análise e interpretação. A análise de dados seguida de sua interpretação é de fundamentalimportância em um trabalho científico, em virtude de que é através dela que se temuma posição sobre o tema abordado.4.1 Análise do questionário – Perfil socioeconômico dos docentes4.1.1 Quanto ao gênero – Gráfico 1 PROFESSORES - SEXO 8% 8% Masculino Feminino 92% 92% A partir da amostragem, percebemos que 8% correspondem ao número deprofessores do sexo masculino sendo que 92% do sexo feminino verificamos assima predominância do sexo feminino na área educacional. Isto vem reafirmar a
  • 27. 36feminização do magistério, apontando assim para a desvalorização da profissãodocente, conforme comenta Nóvoa (1991): A feminização do corpo docente primário – fenômeno que apesar das especificidades de cada país, pode ser claramente percebido no conjunto das sociedades ocidentais a partir de meados dos séculos XIX – contribuiu para uma desvalorização relativa da profissão docente (p. 126). Com isso, vale ressaltar que não houve mudanças significativas que viessemincorrer em melhorias na qualidade do ensino. Os baixos salários, a falta dequalificação profissional, a falta de infra-estrutura adequada e outros. Tais fatoresrefletem na atuação do professor no dia-a-dia da sala de aula, pois para a aplicaçãode atividades lúdicas o professor precisa estar animado, motivado, e capacitadopara desenvolver habilidades na sua prática educativa.4.1.2 Faixa etária – Gráfico 2 PROFESSORES - FAIXA ETÁRIA 25% 50% 50% 25% 30 a 35 35 a 40 Acima de 40 25% 25% A partir do gráfico acima podemos observar que 50% dos entrevistados têmmais de 40 anos, 25% está na faixa de 30 a 35 anos e os outros 25% tem de 35 a 40anos. Percebemos, através dos dados obtidos, que a maioria são pessoas que estãoacima de 40 anos, estes resultados demonstram que os profissionais que atuam
  • 28. 37nessas escolas são pessoas que tem “maturidade” suficiente para conduzir oprocesso educativo com determinação e com experiências de vida que muito tem acontribuir na prática educativa. Sobre esse aspecto Pimenta (2006; p. 69) tece oseguinte comentário: “o professor é ser da práxis. Na sua atividade ele traduz aunidade ou o confronto teoria e prática. Sua formação escolar e seus valoresadquiridos na vida – o seu compromisso, enfim, com sua práxis utilitária ou criadora”.As vivências do professor traduzem-se em experiências que são transmitidas naatuação diária de sala de aula e que favorecem a prática educativa. São exemplosda busca constante do conhecimento para aperfeiçoamento das ações que serevelam no transcorrer da vida.4.1.3 Formação profissional – Gráfico 3 PROFESSORES - NÍVEL 33% 25% Nível Médio Superior Completo Superior Incompleto 42% Quanto à formação profissional, o gráfico nos mostra que 25% têm nívelmédio, 42% têm nível superior completo e 33% tem superior incompleto. Portanto amaior parte dos professores que atuam nas escolas pesquisadas possui nívelsuperior completo, sendo esse um ponto positivo para a educação. Com o avançodas tecnologias e a rapidez das notícias tem se exigido do profissional em educaçãobuscar cada vez mais capacitar-se. Assim, o professor não deve se atirar a umaprática sem conhecimento do assunto conforme ressalta Almeida (1995):
  • 29. 38 É muito importante que o professor não se atire a uma prática com insegurança ou desconhecimento. É necessário que invista na própria formação, lendo, conversando, pesquisando, buscando alternativas variadas, recriando. Quanto mais conhecimento tiver sobre o assunto, mais segurança terá na aplicação e execução do trabalho (p.43). A formação é muito importante para o profissional que deseja atuar nosespaços de ensino. As exigências do novo mercado buscam por profissionaisqualificados e que desempenhe o seu papel da melhor maneira possível. Não sendodiferente na educação, onde se exige o ensino superior para atuar nos espaçosescolares. O profissional em educação precisa cada vez mais se atualizar, buscandoem todos os meios de comunicação recursos, informações e atualidades para estarutilizando-a no dia-a-dia da sala de aula.4.1.4 Graduação em área específica - Gráfico 4 PROFESSORES - ATUAÇÃO NA ÁREA EDUCACIONAL 8% 8% Pedagogia Letras 92% 92% Observando o gráfico, podemos constatar que 92% dos professores sãograduados em pedagogia. O que favorece significativamente a prática pedagógicano processo ensino-aprendizagem. Essa porcentagem é significativa para a áreaeducacional, demonstrando que grande parte dos professores são detentores doconhecimento pedagógico. Diante disso, espera-se desse profissional uma atuaçãodiferenciada no ambiente escolar. É importante que os que atuam na área
  • 30. 39educacional atuem dentro de sua especialização para promover um ensinoconsistente e de qualidade. É importante ressaltar que muitos educadoresatualmente estão buscando especialização, sendo essa uma exigência enecessidade da educação atualmente. Para que as atividades lúdicas, objeto centraldeste trabalho, façam parte do cotidiano escolar é necessário que os professorestenham uma formação lúdica, que muitas vezes só se dá de forma aprofundadanuma especialização que contemple esta área Conforme Santos (1997): A formação lúdica deve possibilitar ao futuro educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades e limitações desbloquear suas resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida das crianças, do jovem e do adulto (p. 14). Nessa perspectiva, o professor só poderá realizar um bom trabalho lúdico setiver conhecimento aprofundado da importância das atividades lúdicas no processoensino-aprendizagem e estiver disposto a romper com as barreiras dotradicionalismo e buscar vivenciá-las diariamente em sala de aula, permitindo-seadentrar no mundo das brincadeiras, dos jogos e das fantasias, conduzindo assim aaprendizagem de forma prazerosa e significativa no ambiente escolar.4.1.5 Tempo de atuação na área educacional – Gráfico 5 PROFESSORES - T EMPO DE ATUAÇÃO NA ÁREA EDUCACIONAL 0% 33% 0% 8% 8% 33% 0 a 5 Anos 5 a 10 anos 10 a 15 anos 42% 15 a 20 anos 17% Mais de 20 anos 42% 17%
  • 31. 40 Analisando o gráfico, percebemos que o tempo de atuação na área deeducação dos professores questionados é bastante significativo. Todos osentrevistados têm um tempo considerável de atuação na área. Isso só contribui noprocesso de ensino-aprendizagem, quanto mais tempo de ensino, tem o professormais experiência e prática ele tem para desempenhar bem o seu papel de educador.4.1.6 Quanto à formação lúdica – Gráfico 6 PROFESSORES - ATUAÇÃO NA ÁREA EDUCACIONAL 17% 17% SimSim NãoNão 83% 83% Na amostragem, observamos que 83% dos professores que responderam aoquestionário não foram contemplados com a disciplina ludicidade na sua formaçãoapenas 17% tiveram essa disciplina no seu currículo. Daí, constatamos que a nãoutilização das atividades lúdicas na prática do professor se deve, também, pela faltade formação lúdica dos entrevistados. Assim, entendemos a necessidade deoferecer a esses educadores uma formação lúdica capaz de superar os obstáculosexistentes na realização dessas atividades tão importante para o desenvolvimentocognitivo, social e cultural da criança. Conforme ressalta Maluf (2003): Brincar é tão importante quanto estudar, ajuda a esquecer momentos difíceis. Quando brincamos, conseguimos - sem muito esforço - encontrar respostas a várias indagações, podemos sanar dificuldades de aprendizagem, bem como interagimos com nossos semelhantes (p. 19). É imprescindível para os educadores atuais uma formação lúdica que lhesdêem suporte para viabilizar a utilização das atividades lúdicas no processo ensino-aprendizagem dos seus alunos.
  • 32. 414.2 – Análises das entrevistas4.2.1 – O lúdico como atividade livre e/ou planejada na práticapedagógica. As atividades lúdicas apresentam-se como instrumentos facilitadores noprocesso ensino-aprendizagem, pois contribuem para o desenvolvimento motor,social e cognitivo das crianças. Daí a sua importância para a prática pedagógicatanto no ambiente escolar como fora dele. Diante disso, a inclusão das atividadeslúdicas no processo educativo, só tem a contribuir para a educação das crianças. Todos os entrevistados quando questionados sobre a importância do lúdicocomo atividade livre ou planejada na prática pedagógica, responderam serimportante e que contribui no processo ensino-aprendizagem da criança. Eis algunsfragmentos das falas dos entrevistados: “Contribui para a melhoria no ensino-aprendizagem do aluno” (P. 1). “As atividades lúdicas são importantes, pois a criança aprende brincando” (P. 4). “Através de jogos lúdicos ou atividades lúdicas em sala de aula, consegue-se perceber o crescimento e desenvolvimento da criança, principalmente na questão da cognição. E assim a prática pedagógica torna-se mais dinâmica e envolvente” (P 6). “É importante porque contribui para o desenvolvimento e aprendizagem do aluno” (P. 7). Analisando as falas dos professores percebemos que mesmo não tendo umconhecimento aprofundado sobre o lúdico como foi explicitado pelos mesmos noquestionário fechado, onde a maioria declarou não ter tido em seu curso ouformação a disciplina ludicidade, todos concordam que através das atividadeslúdicas a criança aprende. Essa aparente contradição nos revela outras variáveis
  • 33. 42que nos traz novas interrogações, pois a declaração a respeito da área de estudo daludicidade na formação docente, nos revela que não houve uma formação “sólida econsistente” sob este aspecto, porém os discursos dos entrevistados quanto àimportância da ludicidade revelam um possível “condicionamento” às atuaisexigências dos espaços de formação continuada, nos quais questões como estavem sendo abordadas. Embora tenham “dúvidas” quanto à motivação doposicionamento dos docentes, é importante perceber, que mesmo assim, temos umponto de grande valia a considerar no sentido do reconhecimento da importânciadas atividades lúdicas na prática pedagógica, conforme afirma Maluf (2003): A busca do saber torna-se importante e prazerosa quando a criança aprende brincando. É possível, através do brincar, formar indivíduos com autonomia, motivados para muitos interesses e capazes de aprender rapidamente (p. 9). O lúdico como atividade livre dá aos indivíduos liberdade de fazer suaspróprias escolhas, contribuindo para formar sujeitos “autônomos”, saudáveis,criativos e espontâneos, como atividade planejada facilita o processo de ensino-aprendizagem, obtendo-se um resultado de acordo com os objetivos traçados. Asatividades lúdicas têm um papel importante na vida das crianças, pois são atravésdessas atividades que elas se desenvolvem físicas, sociais e mentalmente,contribuindo assim, no processo ensino-aprendizagem tanto no ambiente escolarcomo fora dele. E não deve ser vista como diversão ou passatempo. Qualquer queseja a atividade lúdica contribui de alguma maneira para o desenvolvimento dosindivíduos. Assim diz Santos (1997): A ludicidade é uma necessidade do ser em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento (p.12). Diante disso, podemos dizer que o lúdico na prática pedagógica tem um papelimportante, pois colabora para uma aprendizagem significativa. Oferece aos alunosexperiências concretas, necessárias e indispensáveis às abstrações e operaçõescognitivas.
  • 34. 43 Ao abordar sobre o lúdico enquanto atividade livre no ambiente escolar oufora dele, alguns dos entrevistados mostrou não ter um conhecimento aprofundadosobre esse aspecto do lúdico. Isso ficou claro nos seus discursos vagos e sucintos: “O lúdico naturalmente faz parte da vida da criança tanto no ambiente escolar como fora dele”. (P. 2) “Dentro ou fora do ambiente escolar, o lúdico é muito importante na prática pedagógica”. (P. 4) “O lúdico chama mais a atenção da criança” (P. 5) “O aluno aprende se interagindo com os colegas ou com a comunidade”. (P. 8). Diante destas falas, fica evidente a insegurança dos docentes ao trataremesta questão, pois não trouxeram nenhuma informação relevante sobre a ludicidadeno ambiente escolar ou fora dele, apenas reforçaram a resposta dada na abordagemanterior. Esse discurso dos entrevistados só vem confirmar a ausência de formaçãolúdica dos professores. Ainda nesta categoria, perguntamos aos entrevistados se os mesmos tinhamum planejamento direcionado para as atividades lúdicas na sua prática pedagógica.Eis os discursos: “Não há um planejamento direcionado, eu é que coloco em meu plano”. (P. 3) “Sim, sem planejamento fica difícil trabalhar”. (P. 4) “Sim, pois é através destas que também avalio o crescimento físico, cognitivo e a autonomia das crianças”. (P. 6) “Deve existir”. (P. 7)
  • 35. 44 “Raramente, apenas quando o assunto contempla, ele é colocado no planejamento”. (P. 9) Analisando as respostas da P. 3, e P. 9, observamos que os professores aodeclararem que são eles quem coloca no plano, fica entendido que as atividadeslúdicas não constam no projeto político pedagógico da escola de acordo com o queanalisamos posteriormente, e que não são trabalhadas diariamente em sala de aula.Podemos encontrar na fala da P. 7 o foco central do posicionamento do docente aodeclarar: “deve existir” ao exprimir “DEVE”, a docente revela, nas entrelinhas que aquestão lúdica no planejamento e na sua prática se reduz mais numa cobrançaexterna do que a uma necessidade. A resposta da docente entra em desacordo como que é apresentado nos PCNs (1997; p. 39): “O professor deve ter propostas clarassobre o que, quando e como ensinar e avaliar, a fim de possibilitar o planejamentode atividades de ensino para a aprendizagem de maneira adequada e coerente comseus objetivos”. Analisando o PPP da escola e o plano de curso dos professores, observamosque as atividades lúdicas não são tratadas de forma adequada dentro doplanejamento, apenas são apresentadas algumas atividades direcionadas pelocalendário. A programação é organizada considerando algumas datascomemorativas. Percebemos que o lúdico não é um aspecto de grande relevânciapara os professores e que não há uma prática efetiva das atividades lúdicas em salade aula, está relegada a segundo plano por parte dos educadores e administradoresda escola. É preciso que o docente planeje suas aulas de forma que o brincartransforme-se em trabalho pedagógico, para que experimentem como mediadores, overdadeiro significado da aprendizagem com desejo e prazer. Que busque por meiodas atividades lúdicas promoverem uma educação de qualidade, que realmenteconsiga ir ao encontro dos interesses e necessidades da criança.4.2.2 As atividades lúdicas na prática educativa
  • 36. 45 A prática docente deve ser permeada por motivação, criatividade ehabilidades, tendo objetivos claros das atividades a serem desempenhadas e quecorrespondam com o nível cognitivo do aluno. Essas características são importantespara que a educação venha atingir os seus objetivos. Vale ressaltar que asatividades lúdicas na prática educativa são um instrumento importante e só tem acontribuir no processo ensino-aprendizagem. Portanto, é interessante que oprofessor utilize-se das atividades lúdicas como jogos, brincadeiras, músicas,danças, caça-palavras, cruzadinhas, etc, no dia-a-dia da sala de aula, assim estarádiversificando a sua metodologia, tornando a aula dinâmica e prazerosa. Ao abordar sobre a frequência das atividades lúdicas na prática educativa, emque momentos e de que forma, os discursos dos entrevistados foram os maisvariados possíveis. Eis as falas: “Sim, sempre procuro levar o lúdico para a sala de aula, costumo aplicar antes da explanação dos assuntos para facilitar a aprendizagem”. (P. 3) “Raramente uso atividades lúdicas, apenas quando o conteúdo trabalhado da margem para isso”. (P 9) “Sim. Na explicação de determinado assunto, conforme a disciplina utilizo uma dinâmica adequada. Ex: Matemática (utilizo bingo de adição, boliche dos números, etc.)”. (P 10) Ao analisarmos as falas do P 9 e P 10 percebemos que o uso das atividadeslúdicas do ponto de vista destes docentes estão condicionadas a um tipo de assuntoa ser explanado, para os docentes as atividades lúdicas servem para umdeterminado assunto e não para outro, visão esta, equivocada, percebemos maisuma vez a necessidade de um conhecimento aprofundado sobre as atividadeslúdicas no processo educativa. Pois, todas as áreas do conhecimento podem sertrabalhadas através de atividades lúdicas, bastando para isso adequação,criatividade e disponibilidade de espaço e tempo que deve ser oportunizado para acriança e esse espaço e tempo deve ser criado pelo professor, conforme afirma
  • 37. 46Maluf (2003; p. 29): “O professor é quem cria oportunidades para que o brincaraconteça de uma maneira sempre educativa”. O professor tem “autonomia” na sala de aula para promover atividades lúdicasde acordo com os objetivos apresentados no planejamento. É competência daeducação e do educador proporcionar aos seus educandos um ambiente rico ematividades lúdicas, contribuindo assim para uma aprendizagem prazerosa esignificativa. A fala da P. 3 deixa claro o posicionamento da professora quanto àsatividades lúdicas, ela não acredita que a aprendizagem pode acontecerefetivamente na atividade lúdica. Observamos que muitos professores têmdificuldade em adequar as atividades lúdicas ao conteúdo trabalhado, isso fica clarono discurso dos docentes, reafirmando a necessidade de uma formação lúdica.Santos (1997; p. 21): vem afirmar essa necessidade quando diz: “Por isso quantomais vivências lúdicas forem proporcionadas nos currículos acadêmicos, maispreparado o educador estará para trabalhar com a criança”. Diante disso fica patentea necessidade de uma formação lúdica para o educador para que ele possatrabalhar as atividades lúdicas de forma adequada no ambiente escolar. Outro ponto a considerar é quando o professor associa ludicidade aomomento da recreação, é comum ouvirmos este tipo de colocação nos discursosdos professores, podemos perceber claramente na fala de um dos entrevistados: “Sim, não diariamente, mas através de aulas dinâmicas que envolvam jogos onde facilitam o aprendizado e desperta o interesse dos alunos. Há também o dia da recreação onde eles brincam livremente”. (P. 6) Percebe-se na fala da docente, que ainda existe uma concepção equivocadaquanto ao significado das atividades lúdicas no espaço escolar. Mais uma vez vemconfirmar a necessidade de uma formação lúdica no currículo do profissional de
  • 38. 47educação. Só assim ele poderá trabalhar as atividades lúdicas de forma adequada econsistente.4.2.3 – A relação professor/aluno nas atividades lúdicas. A relação professor-aluno precisa ser estabelecida a partir dos objetivos quese deseja alcançar através das atividades lúdicas. Pois, o valor da ludicidade é vistaquando possibilita o relacionamento entre aluno e professor, que consequentementeestabelece uma ligação de respeito e companheirismo. Uma boa relação entreprofessor e aluno contribui significativamente para a socialização do conhecimento.O envolvimento do professor nas atividades lúdicas é importante faz com que oaluno tenha confiança e tenha o desejo de participar das atividades. A educação lúdica, por sua vez, favorece as relações entre professor e aluno,pois permite a interação no momento das atividades, onde o professor não sópropicia essas atividades aos seus alunos, mas também participa juntamente comeles, tornando a aula dinâmica e prazerosa, dando ao aluno liberdade para criar,construir e expressar-se de forma espontânea e participativa. Assim o professorcomo mediador do conhecimento, deve conduzir a sua prática de acordo com anecessidade de aprendizagem desses indivíduos. Para Freire (1996; p. 80) “aalegria necessária à atividade educativa é a esperança. A esperança de queprofessor e alunos juntos podem aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntosigualmente resistir aos obstáculos”. Para entendermos a relação estabelecida entre professor/aluno nasatividades lúdicas, buscamos nos discursos dos entrevistados elementos queindiquem como se dá essa relação. “Mostra interesse, participação, euforia, pois o aluno aflora o emocional em atividades lúdicas voltadas para o interesse do aluno”. ( P. 10)
  • 39. 48 “Os alunos quando estão realizando alguma atividade lúdica se expressam melhor, opinam, dão idéias para outras dinâmicas, realmente participam com mais interesse”. (P. 12) Apesar dos entraves e dificuldades na efetivação de novas práticas, ficaevidente a partir dos discursos dos professores que dentro de suas limitações,quanto ao conhecimento do lúdico, estão implementando suas aulas com atividadeslúdicas, e que as relações afetivas se solidificam tornando o vínculo professor-alunomuito mais íntimo. Entretanto, apesar dos benefícios que a ludicidade traz para asala de aula, os professores ainda utilizam as brincadeiras e jogos esporadicamente. Um aspecto importante a ser considerado no discurso dos professores équando eles ressaltam o interesse e a participação dos alunos nessas atividades,isso vem confirmar que as atividades lúdicas tornam as aulas dinâmicas eprazerosas, despertando o interesse dos alunos por essas atividades. Sobre esseassunto Almeida (2003) ressalta que: A educação lúdica integra uma teoria profunda e uma prática atuante. Seus objetivos, além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contexto histórico, social, cultural, psicológico, enfatizam a libertação das relações pessoais passivas, técnicas para as relações reflexivas, criadoras, inteligentes, socializadoras, fazendo do ato de educar um compromisso consciente intencional, de esforço, sem perder o caráter de prazer, de satisfação individual e modificador da sociedade (p. 31-32). Os professores confirmam o interesse dos alunos nas atividades lúdicas.Apesar das facilidades apontadas pelos professores nos seus discursos, percebe-seuma aparente contradição, pois os mesmos não aplicam de forma adequada asatividades lúdicas em sala de aula. Assim, pelas análises feitas entendemos que oposicionamento dos professores vem mostrar que não estão capacitadosadequadamente para a inclusão das atividades lúdicas na prática educativa, falta-lhes uma formação lúdica sólida e consistente. As atividades lúdicas em sala de aula contribuem para uma relação maisconsistente entre professor e aluno. Essa particularidade do lúdico vem mostrar quesua utilização na prática pedagógica vem somar pontos na construção doconhecimento, beneficiando os mais interessados neste processo, as crianças.
  • 40. 494.2.4 Dificuldades e potencialidades na aplicação das atividadeslúdicas Todo e qualquer trabalho apresenta dificuldades no momento de suaaplicação, não sendo diferente com as atividades lúdicas, já que dependem demuitos fatores como espaço, tempo, profissional qualificado, material disponível eoutros, para que ela aconteça de forma adequada e significativa na educação dascrianças. Muitas são as dificuldades enfrentadas pelos docentes para a aplicação dasatividades lúdicas em sala de aula. Falta de formação lúdica, espaço físicoinadequado, material insuficiente, falta um bom planejamento e adaptação dosconteúdos às atividades lúdicas, essas são algumas das dificuldades encontradaspelos professores para desenvolver e aplicar o lúdico na prática pedagógica. Se por um lado são muitas as dificuldades na aplicação das atividades lúdicaspor outro o lúdico oferece uma infinidade de possibilidades de se trabalhar, bastandopara isso criatividade, boa vontade e disposição do professor em realizar essasatividades, que através de simples materiais pode realizar um bom trabalhopedagógico. Sobre as dificuldades encontradas para a realização das atividades lúdicasem sala de aula, colhemos dos docentes os seguintes discursos: “Enfrento dificuldades porque na escola que trabalho não somos orientados pela coordenação para esta prática, por isso tenho que pesquisar sozinha”. (P. 3) “Falta de material didático e espaço físico”. (P. 6) “Espaços e recursos”. (P. 4) Quanto a essa abordagem, a maioria dos entrevistados apresentou comodificuldade para trabalhar o lúdico em sala de aula a falta de material e espaço físico
  • 41. 50inadequado. O posicionamento dos professores quanto a esse aspecto, apresenta-se mais como um obstáculo colocado pelo próprio professor para a não utilizaçãodas atividades lúdicas. Pois as atividades lúdicas apresentam uma diversidade demateriais, brincadeiras e jogos criados a partir de elementos simples disponíveis emqualquer escola como papel, cartolina, emborrachado figuras, e materiais recicladosque podem ser adquiridos pelos próprios alunos e que podem ser utilizados eexplorados pelos professores em todas as áreas do conhecimento, quanto aoespaço físico o professor não deve se limitar só ao espaço da sala de aula há outrosespaços que devem ser explorados pelo professor na aplicação das atividadeslúdicas, como por exemplo, o pátio e as áreas abertas que existem na maioria dasescolas. Para que as atividades lúdicas estejam presentes na prática do professor énecessário que ele goste de brincar e que tenha consciência da sua importância navida da criança e na prática educativa. Só assim, poderá promover mudanças saindodo tradicionalismo para uma prática educativa dinâmica, criativa e participativa. No discurso da P. 3 podemos observar que a falta de conhecimento sobre olúdico e a falta de prática lúdica no ambiente escolar, constitui-se num obstáculopara a sua viabilização na prática educativa, isso fica claro na fala da professora aodizer: “não somos orientados pela coordenação para essa prática”. Ao analisarmosesta questão, percebemos a falta de formação lúdica desse professor e a falta deinclusão das atividades lúdicas no planejamento da escola. Nessa perspectiva,Santos (1997) comenta que: Nesse sentido, a formação do educador, a nosso ver, ganharia em qualidade se, em sua sustentação, estivessem presentes os três pilares: a formação teórica, a formação pedagógica e como inovação a formação lúdica (p. 14). Entendemos que, para uma prática atuante e significativa o professordeve estar amparado de todos os recursos possíveis, para poder desempenhar assuas atividades com sucesso. E boa parte desses recursos deve ser buscada pelopróprio professor.
  • 42. 51 Ainda nessa categoria, abordamos os entrevistados para saber quais aspotencialidades encontradas pelos mesmos para desenvolver as atividades lúdicasna sua prática pedagógica. Colhemos dos entrevistados os seguintes discursos: “O desejo da maioria das crianças de desenvolver estas atividades e o resultado apresentado posteriormente”. (P. 6) “Prazer de fazer, inovar e buscar alternativas para estar melhorando a prática educativa em sala de aula”. (P. 10) “A variedade de jogos e brincadeiras que podem ser trabalhadas com os alunos”. (P.11) Na fala da P. 6 é ressaltado o interesse dos alunos nas atividades lúdicas. Oprofessor no seu discurso confirma que as atividades lúdicas atraem a atenção dosalunos. Então, porque as atividades lúdicas não são aplicadas diariamente em salade aula? Esses questionamentos nos leva a refletir sobre a atuação dessesprofessores na prática educativa. A participação, o envolvimento e o interesse das crianças nas atividadespropostas são elementos fundamentais para qualquer processo educativo. Asatividades lúdicas, como temos comprovado no depoimento dos entrevistados,desperta nas crianças o interesse nas atividades. Na fala da P. 10 identificamos um elemento importante citado pela mesma aodizer: “buscar alternativas para estar melhorando a prática educativa em sala deaula” nessa fala a entrevistada reconhece as atividades lúdicas como umaalternativa para melhorar a prática educativa. Mas apesar de ter essereconhecimento, na sua prática e no seu planejamento as atividades lúdicas nãoaparecem de forma consistente. Esse posicionamento da educadora mostra umdistanciamento entre o dizer e o fazer. Portanto, de todos os dados que foi possível analisar neste trabalho de cunhocientífico, percebemos que a ludicidade é uma questão importante e significativa
  • 43. 52para a prática pedagógica. Por isso, é essencial que escola e educadores seproponham não somente ao sucesso pedagógico, mas também a formação doindivíduo, pois o resultado imediato dessa ação educativa é a aprendizagem emtodas as dimensões: cognitiva, social, pessoal e relacional. Para esta pesquisa, as análises foram relevantes, pois serviram paraconhecermos melhor os que fazem o dia-a-dia da educação das escolas públicas,através do perfil sócio econômico e dos discursos dos entrevistados. Percebemosque no discurso eles concebem as atividades lúdicas como uma alternativaimportante na prática educativa e no ambiente escolar, mas a negam na prática. Osresultados aqui apresentados nos chamam a atenção para a necessidade de umprofissional qualificado, que tenha habilidades para trabalhar ludicamente querealmente esteja envolvido no seu fazer pedagógico, que reveja seus conceitos faceàs atividades lúdicas na sua prática educativa em sala de aula e no ambienteescolar. Somente através deste posicionamento é que o professor estarátransformando o brincar em trabalho pedagógico, e assim estará promovendo umaaprendizagem prazerosa e significativa.
  • 44. 53 CONSIDERAÇÕES FINAIS No transcorrer desse trabalho buscamos refletir sobre a importância dasatividades lúdicas em sala de aula e no ambiente escolar. Diante do exposto,entendemos que as atividades lúdicas dentro da prática pedagógica sãoimportantes, pois através do brincar as crianças se desenvolvem afetiva, cultural esocialmente. É importante ressaltar que o brincar nos espaços educativos deve sempreestar no quadro de discussões e reflexões dos educadores. É sempre bomavaliarmos, e questionarmos a prática docente em sala de aula. Se os professoresrealmente estão utilizando a brincadeira de forma educativa? Quais os objetivos aserem alcançados com essas brincadeiras? Assim, será possível ao educadorredescobrir e reconstruir o seu fazer lúdico, contribuindo assim para umaaprendizagem significativa e prazerosa. O estudo permitiu visualizar como as atividades lúdicas estão sendo utilizadasno ambiente escolar e como os professores concebem o lúdico em sala de aula.Através dos discursos dos entrevistados comprovamos que apesar de não terem umconhecimento aprofundado sobre o tema, reconhecem a sua importância na práticapedagógica, parece contraditório, mas através das análises pudemos entender queas necessidades atuais têm levantado questões sobre a prática educativa e temtrazido novas propostas de se trabalhar em sala de aula, sendo as atividades lúdicasuma das propostas apresentadas nos vários cursos de formação continuada deonde a maioria dos professores obtém alguma informação sobre o lúdico. O que fica evidente nos discursos dos professores entrevistados é que háuma necessidade de aprofundamento do conhecimento sobre atividades lúdicas enão somente de um conhecimento teórico mais de prática. Assim, pelas análisesfeitas entendemos que o posicionamento dos professores vem mostrar que nãoestão preparados adequadamente para a inclusão das atividades lúdicas na práticaeducativa, falta-lhes uma formação lúdica sólida e consistente.
  • 45. 54 Claramente, percebemos nos discursos dos professores um anseio por maisconhecimento, prática e orientação sobre as atividades lúdicas. Isso foi confirmadonas entrevistas. Outro aspecto importante que percebemos no discurso dosprofessores é quando ressaltam o interesse dos alunos pelas atividades lúdicas. Istosó vem confirmar que através das atividades lúdicas as crianças se envolvem deforma plena interagindo com o meio e com os outros, resultando assim numdesenvolvimento saudável dos envolvidos. Para este trabalho, as análises foram relevantes, pois serviram para identificarcomo os professores concebem as atividades lúdicas em sala de aula. Através doperfil socioeconômico e dos discursos dos entrevistados, percebemos que elesconcebem as atividades lúdicas como uma alternativa importante na práticaeducativa e no ambiente escolar, sendo um ponto positivo para a educação. Os resultados obtidos foram significativos, pois os objetivos propostos foramatingidos, porque adquirimos maiores conhecimentos acerca da ludicidade e sesugere que novos estudos continuem a ser realizados com intuito de que asatividades lúdicas cada vez mais tenham espaço na prática educativa do professor,não só no ambiente escolar como fora dele também. Portanto, cabe à escola e a nós, educadores, viabilizar as atividades lúdicastanto no ambiente escolar como fora dele, lançando um novo olhar sobre o brincar,transformando-o em trabalho pedagógico, promovendo às nossas crianças umaaprendizagem significativa e prazerosa, formando assim cidadãos “autônomos”,críticos e participativos. Desta forma estaremos promovendo uma educação comqualidade, cumprindo com o seu papel maior que é “educar”. Deixamos aqui um ponto de reflexão para os profissionais de educação quepromova mudanças na prática educativa, deixando de lado os entraves do fazerpedagógico como o comodismo, o tradicionalismo e o descompromisso e se atire auma prática criativa, dinâmica e prazerosa. Que as atividades lúdicas sejam uminstrumento cada vez mais utilizado no ambiente escolar e na prática educativa decada professor.
  • 46. 55 Este trabalho contribuiu de forma significativa para nossa formaçãoprofissional, pois nos permitiu uma maior aproximação com a realidade educacional,ampliando a nossa visão quanto ao aspecto lúdico vivenciado no ambiente escolare na prática educativa dos professores pesquisados.
  • 47. 56 BIBLIOGRAFIAALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: Técnicas e jogos pedagógicos.São Paulo: Loyola 1990.ALMEIDA, Paulo Nunes de. Educação Lúdica: Técnicas e jogos pedagógicos. 5.ed. São Paulo: Loyola 1994.______________________. Educação Lúdica: Técnicas e jogos pedagógicos. 6.ed. Editora Loyola, São Paulo; 1995.______________________. Educação Lúdica: Técnicas e jogos pedagógicos.11. ed. Editora Loyola, São Paulo; 2003.BOGDAN, R., e Biklen S. K. Qualitative Research for educationa. Boston, Aellynand Bacon, inc; 1982.BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros CurricularesNacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria deEducação Fundamental – Brasília: MEC/SEF, 1997.BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais:Matemática. 3. ed. Brasília: A Secretaria; 2003.CERVO, A. L. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários.São Paulo: 1983.FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à práticaeducativa, 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.GADOTTI, Moacir. Diversidade cultural e educação para todos. São Paulo, 1992.JORNAL DA EDUCAÇÃO. Educação Básica: Os resultados preocupantes doSAEB (Edição Fevereiro/2007) http://www.jornaldaeducação.inf.br (consultado em09 de dezembro de 2008).LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa: planejamento execução depesquisa, amostragem e técnicas de pesquisa, elaboração, análise einterpretação de dados. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991.LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 dedezembro de 1996.LUCK, Heloisa. Concepções e processos democráticos de gestão educacional.Petrópolis, RJ: Vozes 2006.
  • 48. 57LUCKESI, Cipriano Carlos. “Desenvolvimento dos estados de consciência eludicidade”, in Interfaces da Educação, Cadernos de Pesquisa - NUFIHE/UFBA,1998.LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação, ludicidade e prevenção das neurosesfuturas: uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. FACED/UFBA, 2000.LUDKE, Menga e André, Marli E.D.A. Pesquisa em educação: abordagensqualitativas. São Paulo: EPU, 1986.MACHADO, Marina Marcondes. O brinquedo-sucata e a criança. 4. ed. EditoraLoyola; São Paulo: 1994.MALUF, Ângela Cristina Munhoz. Brincar prazer e aprendizado. Faculdade deEducação da Unicamp, Campinas, SP, 2003.MARCELLINO, N.C. Pedagogia da animação. Papirus. Campinas/SP, 2001.MARCONI, Marina de A., & LAKATOS, Eva M. Técnicas de pesquisas:planejamento e educação de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisa,elaboração, análises e interpretação de dados. 3. ed. São Paulo: Atlas; 1996.NEGRINI, Aírton. Aprendizagem e desenvolvimento infantil. Porto Alegre:Prodil,1994.NÓVOA, A. Para o estudo social-histórico da gênese e desenvolvimento daprofissão docente. In Teoria & Educação, Porto Alegre, 1991PCN’s, Parâmetros Curriculares Nacionais; introdução aos parâmetroscurriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997.PHILIPS, B. S. Pesquisa Social. Rio de Janeiro: Agir, 1974.PIMENTA, Selma Garrido. O estágio na formação de professores: unidade teoriae prática? 7. Ed. – São Paulo: Cortez, 2006.RIZZI, Leonor & HAYDT, Regina Célia. Atividades Lúdicas na educação dacriança. São Paulo: Ática, 1987.RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. São Paulo: Avercamp, 2006.SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.) O lúdico na formação do educador.Petrópolis – RJ. Vozes, 1997.SANTOS, Santa Marli Pires dos. Cruz, Dulce R. M. da. Brinquedo e infância: umguia para pais e educadores em creche. Petrópolis – RJ. Vozes, 1999.SANTOS, Santa Marli Pires dos. (org.). Brinquedoteca: a criança, o adulto e olúdico. Petrópolis – RJ. Vozes, 2000.
  • 49. 58SELLTIZ, Wrightsman e Cook. Métodos de pesquisa nas relações sociais; trad.Maria Martha Hubner d’ Oliveira 2. ed. São Paulo: EPU, 1987.SNEYDERS, Georges. Alunos Felizes. São Paulo: Paz e Terra, 1996.TRIVINOS, A.N.S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: A pesquisaqualitativa em educação São Paulo; Atlas, 1992.
  • 50. 59APÊNDICES
  • 51. 60 Apêndice 1UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII Senhores, Os dados obtidos através deste questionamento, serão utilizados apenas para o estudo em questão, não sendo revelados os nomes dos pesquisados.Perfil sócio-econômico e pedagógico do professor1. Sexo[ ] Masculino [ ] Feminino2. Idade[ ] 30 a 35 anos [ ] 35 a 40 anos[ ] mais de 40 anos3. Grau de formação.[ ] Nível médio [ ] Nível superior completo [ ] Nível superior incompleto4. Curso de Graduação ( Somente nos casos de nível superior):[ ] Pedagogia [ ] Letras5. Tempo de atuação no magistério.[ ] 0 a 5 anos [ ] 5 a 10 anos [ ] 10 a 15 anos[ ] 15 a 20 anos [ ] mais de 20 anos6. Quanto à formação foi contemplado(a) com a disciplina ludicidade?[ ] Sim [ ] Não
  • 52. 61 Apêndice 2UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VIISenhores, Os dados obtidos através desta entrevista serão utilizados apenas para o estudo em questão, não sendo revelados os nomes dos pesquisados.O discurso do professor 1. Qual a importância da ludicidade para a prática Pedagógica? 2. Qual a importância do lúdico enquanto atividade livre no ambiente escolar e/ou fora dele? 3. As atividades lúdicas fazem parte da sua prática educativa em sala de aula? Em que momentos? De que forma? 4. Como você avalia a participação e o comportamento dos alunos nas atividades lúdicas? 5. Quais as atividades lúdicas que você mais trabalha com seus alunos? 6. Você participa juntamente com os alunos das atividades lúdicas a eles oferecidas? 7. Há um planejamento direcionado para estas atividades? 8. Quais as dificuldades que você enfrenta na aplicação destas atividades? 9. Quais as potencialidades que você encontra para desenvolver as atividades lúdicas na sua prática pedagógica?