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ELIONEIDE PINTO CRUZO ENSINO DE MATEMÁTICA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E         ADULTOS NO MUNICIPIO DE FILADELFIA ...
ELIONEIDE PINTO CRUZ O ENSINO DE MATEMÁTICA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E              ADULTOS NO MUNICIPIO DE FILAD...
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AGRADECIMENTOS        A Deus pela misericórdia concedida.        À minha família pela ajuda e paciência nos        momento...
O campo da EJA está se firmando demaneira    muito     intensa      com     suaespecificidade,    com    suas    dificulda...
SUMÁRIORESUMO.........................................................................................................    ...
RESUMO       O presente estudo teve como objetivos verificar de que forma osconhecimentos informais de Matemática trazidos...
INTRODUÇÃO       Os problemas sociais como desescolarização, desemprego ou subemprego,vem se constituindo objeto de anális...
educação popular para todos os brasileiros. Aborda também as contribuições e arelação ensino-aprendizagem da Matemática na...
CAPÍTULO I                                 PROBLEMÁTICA1.1 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL           ...
apresentados. Muitos professores adotam uma metodologia tradicional pautada ematividades modelo, desprezando o que o aluno...
domésticas ou reduzindo seu pouco tempo de lazer, dispõem-se a freqüentar cursosnoturnos, na expectativa de melhorar suas ...
regiões do país. Num curto período de tempo, foram criadas várias escolassupletivas, mobilizando esforços de profissionais...
estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela efervescência política daépoca, seria interrompida alguns meses ...
possibilidade de continuidade de estudos para os recém-alfabetizados, assim comopara como para os chamados analfabetos fun...
imediato, enquanto sua vontade de conhecer vai muito além. Perde-se assim a oportunidade criada pela situação educativa de...
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alunos eram aqueles que “não aprendiam”, e os professores eram aqueles que “nãoensinavam”.           A partir do projeto, ...
Para realizar o projeto em 2006 também houve alguns problemas e dificuldades como: constantes mudanças no quadro deprofess...
CAPÍTULO II                           FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA      Neste capítulo procuramos compreender o ensino-aprendizag...
passagem do conhecimento espontâneo, conforme D´Ambrósio (1986), para oconhecimento elaborado, isto é, sistematizado.     ...
A formação inicial e a continuada estão intimamente ligadas, pois a primeirase complementa e é ampliada pela segunda. É po...
para que idéias e atividades essenciais na educação brasileira mudassem einovassem.      No atual contexto a educação popu...
Segundo Jezine (2003, p.157), esses movimentos "tinham como objetivopromover a conscientização do povo, para que este pude...
É necessário reconhecer o papel da educação e seus limites. Mas apesar dosobstáculos, os Movimentos Populares precisam con...
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espaço escolar é de grande importância, devendo ser considerado pelo educadorcomo ponto de partida para a aprendizagem das...
grupo cultural, como ponto de partida para gerar novos conhecimentos. Propõe ocompartilhamento de responsabilidade sobre a...
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Sendo assim, para a concretização de uma prática administrativa epedagógica verdadeiramente voltada à formação humana, é n...
Naturalmente, alunos da EJA percebem-se pressionados pelas demandas domercado de trabalho e pelos critérios de uma socieda...
O ensino da Matemática, ao longo dos anos, tem sido considerado o granderesponsável pelo fracasso escolar e, conseqüenteme...
atual, em que se generalizam tecnologias e meios de informação baseados emdados quantitativos e espaciais em diferentes re...
A participação dos alunos numa variedade de situações que lhes permitadescobrir, construir, teorizar e perceber a natureza...
CAPÍTULO III                                    METODOLOGIA3.1 – ESCLARENDO O PROBLEMA       A discussão inicial sobre as ...
3.2 – MÉTODOS       A metodologia usada para esta pesquisa é do tipo investigação-ação, quesegundo LUDKE e ANDRÉ (1986), é...
convenções que os auxiliam na resolução de problemas, e muitas vezes essasconvenções (dos alunos) não são valorizadas dent...
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uma aprendizagem significativa que venha a contribuir para a vida social dosmesmos, complementando as informações já apres...
CAPÍTULO IV                       ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS      Esta pesquisa tem como marco principal o ensino de Mat...
conteúdos de Matemática para que os alunos possam aproveitá-los em seu trabalho,na família e na sociedade na qual está ins...
Sendo quase uma linguagem universal é importante que os alunos tenhamuma visão clara disso para que se motive no seu apren...
apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares.                               (1998, p. 28)       Todos ...
QUESTÃO 3 – A Matemática que você aprende na escola tem contribuídopara a sua vida fora dela? Justifique:      Os entrevis...
QUESTÃO 4 – Os conhecimentos matemáticos que você usa no seu trabalhotem relação com os que são ensinados na escola? Justi...
com a disciplina, a sua participação em sala de aula                                considerando-se os aspectos afetivos e...
Assim, é necessário formar cidadãos matematicamente alfabetizados, quesaibam resolver, de modo inteligente, seus problemas...
Monografia Elioneide Matemática 2007
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Monografia Elioneide Matemática 2007

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII SENHOR DO BONFIMO ENSINO DE MATEMÁTICA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICIPIO DE FILADELFIA - BAHIA Senhor do Bonfim/BA 2007.
  2. 2. ELIONEIDE PINTO CRUZO ENSINO DE MATEMÁTICA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICIPIO DE FILADELFIA - BAHIA Monografia apresentada ao Departamento de Educação – Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial à conclusão do Curso de graduação em Matemática. Orientadora Profª Alayde Ferreira dos Santos. Senhor do Bonfim 2007.
  3. 3. ELIONEIDE PINTO CRUZ O ENSINO DE MATEMÁTICA NO PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICIPIO DE FILADELFIA - BAHIA Trabalho de conclusão de curso aprovado como requisito parcial à obtençãode título de graduação em Matemática da Universidade do estado da Bahia –Departamento de Educação – Campus VIIOrientador: ____________________________________ Prof.Avaliador:______________________________________ Prof.Avaliador: ______________________________________ Prof.
  4. 4. DEDICATÓRIA A Deus, pai de infinita sabedoria e bondade. À minha família que me apoiou nessa jornada.
  5. 5. AGRADECIMENTOS A Deus pela misericórdia concedida. À minha família pela ajuda e paciência nos momentos mais críticos. Aos mestres pelo apoio e disponibilidade nos primeiros formatos do Projeto de Pesquisa.
  6. 6. O campo da EJA está se firmando demaneira muito intensa com suaespecificidade, com suas dificuldadespróprias e também com suas deficiênciasque precisam ser vencidas. Quemtrabalha com Educação de jovens eadultos não atende pessoas“desencantadas” com a educação, massujeitos que chegam na escolacarregando saberes, vivências, culturas,valores, visões de mundo e de trabalho.Estão ali também como sujeitos daconstrução desse espaço que tem suascaracterísticas próprias e uma identidadeconstruída coletivamente entre educandose educadores. (Arroyo, 2003:7)
  7. 7. SUMÁRIORESUMO......................................................................................................... 08INTRODUÇÃO ............................................................................................... 09CAPÍTULO I – PROBLEMÁTICA .................................................................. 111.1 História da Educação de Jovens e Adultos no Brasil ............................... 111.2 Problematizando a Educação de Jovens e Adultos no Município deFiladélfia........................................................................................................... 18CAPÍTULO II – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................ 242.1 O professor e a Educação de Jovens e Adultos........................................ 242.2 Paulo Freire: Construindo uma prática de educação popular .................. 262.3 A Matemática na Educação de Jovens e Adultos .................................... 302.4 Contribuições da Matemática na Educação de Jovens e Adultos ............ 342.5 Relação Ensino-aprendizagem da Matemática na Educação de Jovense Adultos ......................................................................................................... 36CAPÍTULO III – METODOLOGIA .................................................................. 403.1 Esclarecendo o problema ......................................................................... 403.2 Métodos .................................................................................................... 413.3 Sujeitos de Pesquisa ................................................................................ 423.4 Local da Pesquisa .................................................................................... 433.5 Instrumento de Pesquisa .......................................................................... 43CAPÍTULO IV – ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS ................................ 454.1 Os questionários........................................................................................ 464.2 Análise do questionário respondido pelo aluno ........................................ 464.3 Análise do questionário do professor ....................................................... 51CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 54REFERENCIAS .............................................................................................. 56ANEXOS
  8. 8. RESUMO O presente estudo teve como objetivos verificar de que forma osconhecimentos informais de Matemática trazidos pelos alunos da EJA à sala de aulatêm sido utilizados como recurso facilitador da aprendizagem. A investigaçãoMatemática tem sido uma das maneiras que encontramos para ensinar e aprenderMatemática, respeitando o conhecimento do aluno jovem e adulto já inserido noprocesso de trabalho e nas práticas sociais, como também a possibilidade deacesso às diversas áreas do conhecimento articulado que podem contribuir para aconstrução da cidadania. Neste trabalho foi realizada uma investigação com aprofessora e alunos de 4ª série de uma escola pública do município de Filadélfia-Bahia, a qual se inclui na modalidade de EJA – Educação de Jovens e Adultos. Como propósito de tornar o ensino dos conteúdos matemáticos na EJA, mais dinâmico ecompreensível para os alunos. Privilegiou-se uma abordagem qualitativa, nametodologia que contemplou o estudo de questões ligadas ao uso dos conteúdosestudados em sala de aula à atividades diárias dos alunos, usando a pesquisa-açãoque segundo Ludke e André (1986),é uma pesquisa voltada para as experiências evivências dos indivíduos onde obtivemos informações pertinentes a utilização dosconteúdos matemáticos no dia-a-dia dos alunos entrevistados. A fundamentaçãoteórica foi baseada nos autores: Freire (1986), Vigotsky (1984), D’Ámbrósio (2003),Bishop (1991), Fonseca (1999), dentre outros. Com base na fundamentação teóricaque subsidiou esta pesquisa foi feita a análise e interpretação dos dados, onde ficouconstatado que a professora aproveita os conhecimentos informais sobreMatemática, trazidos pelos alunos que por sua vez utilizam os conteúdostrabalhados em sala de aula em seu dia-a-dia.Palavras-chave: EJA; ensino de matemática; conhecimento do aluno; aprendizagemsignificativa.
  9. 9. INTRODUÇÃO Os problemas sociais como desescolarização, desemprego ou subemprego,vem se constituindo objeto de análise e pesquisa de educadores e profissionaisligados a área de Ciências Sociais, considerando que se faz relação desses com odesenvolvimento individual e social e, um problema tem repercutido como causa eao mesmo tempo conseqüência, no universo de contradições existentes na atualsociedade brasileira, o baixo Índice de Desenvolvimento Humano. Está evidenciado na sociedade que a falta de Educação Básica tem sidoconsiderado um fator de exclusão social, mas já se percebe, também, que estáhavendo um esforço por parte de organismos nacionais e internacionais, ONG’s,setores organizados da sociedade civil, no sentido de implantar ações para tentarminimizar pelo menos o problema da escolarização que inviabiliza até mesmo apossibilidade das camadas populares concorrerem a uma das poucas vagasexistentes no mercado de trabalho, considerando, que pelo excesso de mão de obrase exige cada vez mais qualificação do trabalhador. A Educação de Jovens eAdultos pode ser considerada um dos desafios impostos aos governantes queprecisam possibilitar as condições de oferta a essa grande camada da sociedadebrasileira. O presente trabalho aborda o ensino da Matemática no programa deEducação de Jovens e Adultos no município de Filadélfia-Bahia e está estruturadoda seguinte forma: O primeiro capítulo retrata a História da Educação de Jovens e Adultos noBrasil enfatizando essa modalidade de ensino no Município de Filadélfia, assimcomo as inquietações dos profissionais envolvidos buscando compreender asespecificidades da EJA nas primeiras séries de ensino. O segundo capítulo busca compreender a EJA segundo alguns teóricos quese dedicaram à entender e facilitar a aprendizagem dos jovens e adultos.Destacamos Paulo Freire por ser considerado o construtor de uma proposta de
  10. 10. educação popular para todos os brasileiros. Aborda também as contribuições e arelação ensino-aprendizagem da Matemática na Educação de Jovens e Adultos. No terceiro capítulo é abordado a metodologia voltada para a utilização dosconteúdos matemáticos no dia-a-dia do aluno. A coleta de dados foi com base nasrespostas dos alunos e professora em um questionário realizado em sala de aula naEscola Municipal Aristides Lopes da Silva em Filadélfia-Bahia. O quarto capítulo traz uma análise e discussão dos dados coletados duranteas observações e pesquisa de campo na 2ª quinzena de julho de 2007, assim comoo questionário e as respostas dos alunos e da professora. Este trabalho buscou compreender teórica e empiricamente as metodologiase recursos didáticos utilizados na EJA, visando a atender o princípio da adequaçãodestes à realidade dos jovens e adultos. O estudo teve por finalidade contribuir para um repensar do educador atuantenas classes de EJA, fazendo o mesmo refletir sobre sua prática pedagógica,especialmente como formador de cidadãos cônscios de seu papel na sociedade.Também pretende, na medida em que se analisa profundamente o material utilizado,servir de subsídio a um repensar dessa escolha, relacionando-a aos objetivos daEJA previstos na legislação e no pensamento pedagógico vigente.
  11. 11. CAPÍTULO I PROBLEMÁTICA1.1 - HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO BRASIL “A educação é direito de todos e dever do Estado e da família..., ensino fundamental obrigatório e gratuito, inclusive sua oferta é garantida para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria”. (Constituição Federal, 1988) A Matemática se faz presente em praticamente tudo que nos rodeia. Emcasa, na rua, nas várias profissões, na cidade, no campo, nas diversas culturas, oser humano necessita contar, calcular, comprar, medir, localizar, representar,interpretar, e o faz informalmente, à sua maneira dentro das suas limitações,utilizando assim vários conhecimentos matemáticos. Porém, esses conhecimentosnão tem sido transportados para sala de aula como recurso facilitador daaprendizagem, pois é comum ouvir professores afirmarem que os alunos não sabemnada. Há décadas vem se assistindo no cenário educacional a multiplicidade defracassos construídos por vários fatores: evasão, repetência, reprovação, influênciade aprendizagem entre outros. E o ensino, em particular o da Matemática, temsofrido muitas críticas por não atingir seus objetivos e pela deficiência deaprendizagem apresentada pelos alunos. Segundo SILVA (2002): (...) O ensino de Matemática tem ao longo dos anos, acumulado divida junto a sociedade, por não conduzir o aluno de um estado de ignorância Matemática para um estado apropriado de conhecimentos que lhe sejam útil para melhor intervir na sociedade em que vive.(p. 65) Diante disso percebe-se que um dos maiores problemas do ensino deMatemática é a forma desinteressante e inútil com que os conteúdos são
  12. 12. apresentados. Muitos professores adotam uma metodologia tradicional pautada ematividades modelo, desprezando o que o aluno já sabe e seu contexto social, tudoisso para cumprir um programa curricular sistematizado, linearizado, sem significadopara o aprendiz que não percebe a utilidade daquilo que lhe é ensinado. Como dizBICUDO (1999): “Apesar de a Matemática ser utilizada e estar presente na vidadiária, as idéias e procedimentos matemáticos parecem muito diferentes dosutilizados na experiência prática ou na vida diária” (p. 162). As exigências educativas da sociedade atual são crescentes e estãorelacionadas a diferentes dimensões da vida das pessoas. O mundo contemporâneo passa atualmente por uma revolução tecnológicaque está alterando profundamente as formas de trabalho. Estão sendodesenvolvidas tecnologias e novas maneiras de organizar a produção, que elevambastante a produtividade, e delas depende a inserção competitiva da produçãonacional numa economia cada vez mais mundializada. Essas novas tecnologias esistemas organizacionais exigem trabalhadores mais versáteis, capazes decompreender o processo de trabalho como um todo, dotados de autonomia einiciativa para resolver problemas em equipe. Será cada vez mais necessária acapacidade de se comunicar e se reciclar continuamente, de buscar e relacionarinformações diversas. No Brasil, há mais de trinta e cinco milhões de pessoas maiores de quatorzeanos que não completaram quatro anos de escolaridade. Além dos vinte milhõesidentificados como analfabetos. Famílias que vivem em situação econômica precáriaenfrentam grandes dificuldades em manter as crianças na escola. No público que efetivamente freqüenta os programas de educação de jovense adultos, é cada vez mais reduzido o número daqueles que não tiveram nenhumapassagem anterior pela escola. É também cada vez mais freqüente a presença deadolescentes e jovens recém-saídos do ensino regular por onde tiveram passagensacidentadas. A quase totalidade dos alunos desses programas, incluídos os adolescentes,são trabalhadores. Com sacrifício, acumulando responsabilidades profissionais e
  13. 13. domésticas ou reduzindo seu pouco tempo de lazer, dispõem-se a freqüentar cursosnoturnos, na expectativa de melhorar suas condições de vida. A maioria nutre aesperança de continuar os estudos, concluir o Ensino Médio, ter acesso a outrosgraus de ensino e a habilitação profissional. A educação básica de adultos começou a delimitar seu lugar na história daeducação no Brasil a partir da década de 30, quando finalmente começa a seconsolidar um sistema público de educação elementar no país. Neste período, asociedade brasileira passava por grandes transformações, associadas ao processode industrialização e concentração populacional em centros urbanos. A oferta deensino básico gratuito estendia-se consideravelmente, acolhendo setores sociaiscada vez mais diversos. A ampliação da educação elementar foi impulsionada pelogoverno federal, que traçava diretrizes educacionais para todo o país, determinandoas responsabilidades dos estados e municípios. Tal movimento incluiu tambémesforços articulados nacionalmente de extensão do ensino elementar aos adultos,especialmente nos anos 40 (Educação de Jovens e Adultos – Proposta Curricularpara o 1º segmento do Ensino Fundamental). Com o fim da ditadura de Vargas em 1945, o país vivia a efervescênciapolítica da redemocratização. A Segunda Guerra Mundial recém terminara e a ONU— Organização das Nações Unidas — alertava para a urgência de integrar os povosvisando a paz e a democracia. Tudo isso contribuiu para que a educação dosadultos ganhasse destaque dentro da preocupação geral com a educação elementarcomum. Era urgente a necessidade de aumentar as bases eleitorais para asustentação do governo central, integrar as massas populacionais de imigraçãorecente e também incrementar a produção. Nesse período, a educação de adultos define sua identidade tomando a formade uma campanha nacional de massa, a Campanha de Educação de Adultos,lançada em 1947. Pretendia-se, numa primeira etapa, uma ação extensiva queprevia a alfabetização em três meses, e mais a condensação do curso primário emdois períodos de sete meses. Nos primeiros anos a campanha conseguiu resultados significativos,articulando e ampliando os serviços já existentes e estendendo-se às diversas
  14. 14. regiões do país. Num curto período de tempo, foram criadas várias escolassupletivas, mobilizando esforços de profissionais e voluntários. A confiança na capacidade de aprendizagem dos adultos e a difusão de ummétodo de ensino de leitura para adultos conhecido como Laubach inspiraram ainiciativa do Ministério da Educação de produzir pela primeira vez material didáticoespecífico para o ensino da leitura e da escrita para os adultos. No final da década de 50, as críticas à Campanha de Educação de Adultosdirigiam-se tanto às suas deficiências administrativas e financeiras quanto à suaorientação pedagógica. Denunciava-se o caráter superficial do aprendizado que seefetivava no curto período da alfabetização, a inadequação do método para apopulação adulta e para as diferentes regiões do país. Todas essas críticasconvergiram para uma nova visão sobre o problema do analfabetismo e para aconsolidação de um novo paradigma pedagógico para a educação de adultos, cujareferência principal foi o educador pernambucano Paulo Freire. O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como sua proposta para aalfabetização de adultos, inspiraram os principais programas de alfabetização eeducação popular que se realizaram no país no início dos anos 60. Essesprogramas foram empreendidos por intelectuais, estudantes e católicos engajadosnuma ação política junto aos grupos populares. Desenvolvendo e aplicando essasnovas diretrizes, atuaram os educadores do MEB — Movimento de Educação deBase, ligado à CNBB — Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dos CPCs —Centros de Cultura Popular, organizados pela UNE — União Nacional dosEstudantes, dos Movimentos de Cultura Popular, que reuniam artistas e intelectuaise tinham apoio de administrações municipais. Esses diversos grupos de educadoresforam se articulando e passaram a pressionar o governo federal para que osapoiasse e estabelecesse uma coordenação nacional das iniciativas (Educação deJovens e Adultos – Proposta Curricular para o 1º segmento do Ensino Fundamental). Em janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização, queprevia a disseminação por todo Brasil de programas de alfabetização orientadospela proposta de Paulo Freire. A preparação do plano, com forte engajamento de
  15. 15. estudantes, sindicatos e diversos grupos estimulados pela efervescência política daépoca, seria interrompida alguns meses depois pelo golpe militar. O paradigma pedagógico que se construiu nessas práticas baseava-se numnovo entendimento da relação entre a problemática educacional e a problemáticasocial. Antes apontado como causa da pobreza e da marginalização, oanalfabetismo passou a ser interpretado como efeito da situação de pobreza geradapor uma estrutura social não igualitária. Era preciso, portanto, que o processoeducativo interferisse na estrutura social que produzia o analfabetismo. Aalfabetização e a educação de base de adultos deveriam partir sempre de umexame crítico da realidade existencial dos educandos, da identificação das origensde seus problemas e das possibilidades de superá-los. Além dessa dimensão social e política, os ideais pedagógicos que sedifundiam tinham um forte componente ético, implicando um profundocomprometimento do educador com os educandos. Os analfabetos deveriam serreconhecidos como homens e mulheres produtivos, que possuíam uma cultura. Com o golpe militar de 1964, os programas de alfabetização e educaçãopopular que se haviam multiplicado no período entre 1961 e 1964 foram vistos comouma grave ameaça à ordem e seus promotores duramente reprimidos. O governo sópermitiu a realização de programas de alfabetização de adultos assistencialistas econservadores, até que, em 1967, ele mesmo assumiu o controle dessa atividadelançando o Mobral — Movimento Brasileiro de Alfabetização. Era a resposta doregime militar à ainda grave situação do analfabetismo no país. O Mobral constitui-se como organização autônoma em relação ao Ministério da Educação, contandocom um volume significativo de recursos. Em 1969 lançou-se numa Campanhamassiva de alfabetização. Foram instaladas Comissões Municipais que seresponsabilizavam pela execução das atividades, mas a orientação e supervisãopedagógica bem como a produção de materiais didáticos eram centralizadas. Durante a década de 70, o Mobral expandiu-se por todo o território nacional,diversificando sua atuação. Das iniciativas que derivaram do Programa deAlfabetização, a mais importante foi o PEI — Programa de Educação Integrada, quecorrespondia a uma condensação do antigo curso primário. Este programa abria a
  16. 16. possibilidade de continuidade de estudos para os recém-alfabetizados, assim comopara como para os chamados analfabetos funcionais, pessoas que dominavamprecariamente a leitura e a escrita. Desacreditado nos meios políticos e educacionais, o mobral foi extinto em1985. Seu lugar foi ocupado pela Fundação Educar, que abria mão de executardiretamente os programas, passando a apoiar financeira e tecnicamente asiniciativas de governos, entidades civis e empresa a ela conveniada. Desde os anos 50, eram recorrentes as críticas a campanhas que pretendiamalfabetizar em poucos meses, com perspectivas vagas de continuidade, depois dasquais se constatavam altos índices de regressão ao analfabetismo. Os programasmais recentes prevêem um tempo maior, de um, dois ou até três anos dedicados àalfabetização e pós-alfabetização, de modo a garantir que o jovem ou adulto atinjamaior domínio dos instrumentos da cultura letrada, para que possa utilizá-los na vidadiária ou mesmo prosseguir seus estudos, completando sua escolarização. A alfabetização é crescentemente incorporada a programas mais extensivosde educação básica de jovens e adultos.Outro indicador da ampliação da concepção de alfabetização no sentido de umavisão mais abrangente de educação básica é a crescente preocupação com relaçãoà iniciação Matemática. Muitas vezes, a preocupação foi posta pelos próprioseducandos, que expressavam o desejo de aprender a “fazer contas”, certamente emrazão da funcionalidade que tal habilidade tem para a resolução de problemas davida diária. De fato, considerando-se a incidência das representações e operaçõesnuméricas nos mais diversos campos da cultura, é fundamental incluir suaaprendizagem numa concepção de alfabetização integral. Um princípio pedagógico já bastante assimilado entre os que se dedicam à educação básica de adultos é o daincorporação da cultura e da realidade vivencial dos educandos como conteúdo ou ponto de partida da prática educativa. Nocaso da educação de adultos, talvez fique mais evidente a inadequação de uma educação que não interfira nas formas de oeducando compreender e atuar no mundo. A análise das práticas, entretanto, mostra as dificuldades de se operacionalizaresse princípio. Muitos materiais didáticos, geralmente os produzidos em grande escala, fazem referência à “trabalhadores” ou“pessoas do povo” genéricas, com as quais é difícil homens e mulheres concretos se identificarem. Em outros casos, a supostarealidade do educando é retratada apenas em seus aspectos negativos — pobreza, sofrimento, injustiça — ou apenas na suadimensão política. Ocorre também a redução dos interesses ou necessidades educativas dos jovens e adultos ao que lhes é
  17. 17. imediato, enquanto sua vontade de conhecer vai muito além. Perde-se assim a oportunidade criada pela situação educativa dese ampliarem os instrumentos de pensamento e a visão de mundo dos educandos e dos educadores. Na alfabetização, o exercício mecânico de montagem e desmontagem de palavras e sílabas vai se sobrepondo àconstrução de significados; os problemas matemáticos dão lugar à memorização dos procedimentos das operações. Muitasvezes, com a intenção de simplificar as mensagens, já que se trata de uma iniciação à cultura letrada, os textos oferecidospara leitura repetem a mesma estrutura e estilo, expondo uma visão unilateral dos temas tratados. Com relação ao ensino de Matemática para jovens e adultos, a questão pedagógica mais instigante é o fato de queeles quase sempre, independentemente do ensino sistemático, desenvolvem procedimentos próprios de resolução deproblemas envolvendo quantificações e cálculos. Há jovens e adultos analfabetos capazes de fazer cálculos bastantecomplexos, ainda que não saibam como representá-los por escrito na forma convencional, ou ainda que não saibam sequerexplicar como chegaram ao resultado. O desafio é como relaciona-los significativamente com a aprendizagem dasrepresentações numéricas e dos algoritmos ensinados na escola. No âmbito das políticas educacionais, os primeiros anos da década de 90 não foram muito favoráveis. O governofederal foi a principal instância de apoio a articulação das iniciativas de Educação de Jovens e Adultos. Com a extinção daFundação Educar, em 1990, criou-se um enorme vazio em ternos de política para o setor. Alguns estados e municípios têmassumido a responsabilidade de oferecer programas na área, assim como algumas organizações da sociedade civil, mas aoferta ainda está longe de satisfazer a demanda. A Educação, no limiar do século XXI, tem se configurado como uma dimensão condutora para um refletir e umquestionar constante sobre o contexto social. Neste sentido, a educação entendida num aspecto mais abrangente, permite que se tenha uma visão renovada doseu papel enquanto elemento estruturados do desenvolvimento do indivíduo, o que especificamente, segundo a PropostaCurricular do NUPEP, “nos dá alicerces para uma nova fundamentação da Educação de Jovens e Adultos (EJA), em nível deeducação básica de Adolescentes, Jovens e Adultos conforme determina a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional(Lei 9.394/96)”. Para tanto, é de suma importância uma nova fundamentação da teoria e prática da Educação de Jovens e Adultos,com a intenção de tornar mais significativo o processo de “ressocialização” dessa ação educativa. Termo este aqui entendidocomo sendo um processo de recognição e de reinvenção do conhecimento. No processo de ressocialização ocorre a interação das capacidades individuais e coletivas dos sujeitos populares,tendo em vista a construção de uma consciência crítica ativa.1.2 – PROBLEMATIZANDO E EJA (EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS) NO MUNICIPIO DE FILADÉLFIA. O município de Filadélfia-Ba está localizado na Zona fisiográfica de Senhor do Bonfim, no Centro Norte baiano, incluído noPolígono das Secas, com uma extensão territorial de 566 km². Centrada na produção agrícola, a economia do município demonstra umprocesso de constantes mudanças que decorrem das variações climáticas. A rede municipal tem 29 classes de EJA (incluindo sede e zona rural) com 956 alunos matriculados em 2006. Desses, 260evadiram e apenas 696 concluíram o ano letivo (anexo 1).
  18. 18. ___________________________________________________________________ Ver anexo 1 As classes aceleradas (EJA) foram criadas no município a partir da década de 90 com o objetivo de acabar com o analfabetismoentre jovens e adultos que não tiveram oportunidade na idade escolar, ou seja, quando crianças. A vida dos jovens e adultos dessa região é marcada pela diversidade, pelo trabalho junto à natureza, que tem se constituído aolongo dos anos, numa ação depredatória e inadequada à região. Acredita-se que a forma de intervenção na natureza, tradicionalmente adotadapelas famílias, resulta de um tipo de saber acumulado entre gerações, que não tinha a preocupação da sustentabilidade de suas ações, Ano após ano os índices de evasão nas classes de EJA e no município aumentava muito e a aprendizagem eraprecária. Então em 2005 a Secretaria de Educação fez parceria com o IRPAA (Instituto Regional da Pequena AgriculturaApropriada) em um projeto arrojado cujo título é “Em cada Saber um jeito de ser”, visando a melhoria na qualidade de ensino ea diminuição dos índices de evasão no município. A ação prioritária do projeto é a valorização de momentos de formação comos professores de EJA da Rede Municipal de Filadélfia-Ba. Além desses momentos o projeto prevê ações diretamente com osalunos e nas comunidades. O projeto está sendo desenvolvido em cinco etapas, para as quais se constituirá uma equipe responsável pelagestão do projeto, composta de pedagogos, pedagogas e técnicos que compõem a equipe do IRPAA e de pedagogas daSecretaria Municipal de Educação do Município. Ao final de cada etapa do projeto acontecem visitas de monitoramento nasescolas. Segundo a Secretaria Municipal de Educação do Município, falar do Projeto“Em cada saber um jeito de ser”, é sempre algo bastante prazeroso, sobretudoquando é feita uma comparação (se é que isso é possível, pois cada momento éúnico), onde as evidências positivas serão bem mais perecíveis. Por outro lado,olhando para a potencialidade do Projeto, tanto em termos conteudista comometodológico não há como não lamentarmos, pois, não seremos aqui hipócritas nãoreconhecendo as nossas fragilidades. Como diz o velho ditado “A primeira impressão é a que fica”, por isso,apresentaremos aqui primeiramente os “bons frutos” do Projeto no segundosemestre do ano de 2006, a exemplo da ampliação da visão dos professores ealunos da EJA quanto à realidade local, que é um dos resultados previsto no projeto. Hoje, é totalmente percebível essa atitude em meio aos professores e alunosda Educação de Jovens e Adultos, onde a compreensão da realidade local, emmuitos, tomou novo direcionamento, inclusive assumindo-se como professor oualuno da EJA, modalidade anteriormente ao Projeto, comumente descriminada. Os
  19. 19. alunos eram aqueles que “não aprendiam”, e os professores eram aqueles que “nãoensinavam”. A partir do projeto, descobriu-se que em grande parte dos alunos da EJA, permeava um desejo comum: “aprender a ler eescrever”. Os “grandes sonhos futuristas”, como faculdade, bom emprego, etc, não estavam em seus objetivos, que muitas vezes, eram“motivados” a freqüentar a escola com esses argumentos. Por outro lado, o professor que não trabalhasse uma série de conteúdos – muitasvezes desvinculados da realidade dos alunos – era taxado de incapaz, “enrolão”. Com o Projeto, os professores começam a observar asespecificidades dos alunos, buscando trabalhar os anseios de cada um. Tanto dos mais idosos, como também dos mais jovens, que buscam naescola, oportunidades para uma vida que ainda será construída. A cada dia, vai sendo consolidada a idéia do Ensino de Jovens e Adultos como uma modalidade diferenciada, e não comoinferior. Isto é percebível tanto nos professores e alunos da EJA, como em todos os seguimentos da educação do município. Outro fator digno de relevância é o dinamismo com que as aulas acontecem. As metodologias utilizadas pelos professores vêm seadequando às turmas. Em algumas comunidades, por conseqüência do perfil dos alunos, as aulas são mais movimentadas, participativas... emoutras, é requerida dos professores uma “maior formalidade”, onde músicas, dinâmicas, brincadeiras, etc, não são vistos com bons olhos,todavia, o método expositivo e o quadro de giz, não são as únicas ferramentas dos professores. São comuns os trabalhos em equipes, ondeenquanto realizam as tarefas, também compartilham materiais, discutem idéias, opinam sobre os mais variados assuntos. Apesar de ainda ser pouco considerado a importância em termos de impacto, outro fator importante é a presença da comunidadenas ações da escola, o que torna os assuntos discutidos durante as aulas, também acessível a todos da comunidade. Infelizmente, os contatosmais próximos só acontecem quando há culminâncias de projetos, mas, são contatos significativos, pois além da escola ser apresentada comoum espaço prazeroso, também é vista como uma instituição que está preocupada com o bem estar comum. Poderíamos apresentar várias outras conquistas do Projeto, contudo, alguns fatores acabaram inviabilizando ações maissignificativas, entre as quais e principalmente as ações políticas partidárias, que a todo o momento provocaram tanto nos professores comonos alunos o sentimento de insegurança quanto ao futuro próximo: os professores não tinham certeza de receberem seus honorários, osalunos não sabiam se terminariam o ano letivo. Estas incertezas, infelizmente forma fontes propulsoras para um acréscimo bastantesignificativo da evasão no segundo semestre. Outro fator que contribuiu negativamente para que resultados mais expressivos deixassem de ser alcançados, foi a constantemudança do quadro de professores, o que não permitia uma continuidade tanto das formações, como das relações e das ações dos professorescom os alunos e com a comunidade. É importante aqui ressaltar que as mudanças aconteciam a todo tempo, e não apenas no inicio do anoletivo. Além das dificuldades supracitadas, as mudanças dos professores em alguns casos eram acrescidas de falta de experiência nãoapenas no trabalho com a EJA, mas com o trabalho em sala de aula em geral. Os resultados alcançados em 2006 foram: ampliação da visão dos professores e alunos sobre a realidade local; construçãocoletiva, envolvendo professores e Secretaria de Educação, de um Programa de Formação Continuada para os professores de EJA;construção coletiva do Referencial Curricular para a EJA, contendo os princípios e referencial teórico-metodológico que subsidiem a práticadocente; diminuição da evasão e repetência escolar; maior interesse e participação dos alunos nas aulas; maior envolvimento entre as açõesda escola e da comunidade; redirecionamento da prática pedagógica com o desenvolvimento de aulas mais dinâmicas e atraentes, utilizandoos conhecimentos obtidos nos processos de formação; inserção dos conteúdos referentes ao contexto local dos jovens e adultos, no currículoescolar; construção de módulos específicos para o trabalho com a EJA e realização da 1ª Mostra Cultural da EJA.
  20. 20. Para realizar o projeto em 2006 também houve alguns problemas e dificuldades como: constantes mudanças no quadro deprofessores da EJA. Com isso, houve uma descontinuidade da formação dos mesmos; professores inexperientes, ou seja, sem ou quasenenhuma habilidade pedagógica; falta de recursos didáticos, dificultando o trabalho docente; iluminação precária em algumas escolas deEJA; pouco espaço de tempo entre uma formação e outra; atraso no pagamento aos professores de EJA, em alguns casos inviabilizando oacesso dos mesmos às escolas rurais; freqüência irregular dos alunos na maioria das turmas de EJA e ausência do Poder Público noacompanhamento do Projeto. Diante disso o presente estudo tem como enfoque principal o ensino da Matemática no programa de jovens e adultos. O interessepelo tema surgiu da minha trajetória como educadora e da experiência docente com a disciplina de Matemática, onde pude perceber quealunos com distorção idade-série assimilavam os conteúdos mais facilmente quando relacionado com situações do dia-a-dia. a partir dessaconstatação surgiu o desejo de realizar este trabalho de pesquisa com alunos de EJA pois os mesmos, na sua grande maioria, já estãoinseridos no mercado de trabalho, o que faz com que eles adquiram vários conhecimentos informais que podem ser utilizados em sala deaula. Com isso justifica-se o interesse pelo tema e apresenta a seguinte questão: Os conhecimentos matemáticos trazidos pelos alunosda EJA têm sido utilizados como recurso facilitador da aprendizagem? Partindo dessa indagação norteadora para essa pesquisa pode-se definir como objetivos os seguintes: Verificar de que maneira os conhecimentos informais dos alunos do EJA têm sido aproveitados para facilitar a aprendizagem de Matemática; Identificar as contribuições do ensino de Matemática para a vida social dos alunos da EJA; Este estudo será considerado relevante porque oportunizará aqueles que trabalham com Jovens e Adultos a obter maisinformações sobre esse campo educacional, podendo melhorar suas práticas pedagógicas produzindo assim melhoria na qualidade do ensino.
  21. 21. CAPÍTULO II FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo procuramos compreender o ensino-aprendizagem naEducação de Jovens e Adultos, em especial o ensino da Matemática, segundoalguns teóricos como: FREIRE (1986), D’AMBRÓSIO (2001), BISHOP (1991),FONSECA (1999), entre outros.2.1 – O PROFESSOR E A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Devemos pensar num novo professor, mediador do conhecimento, sensível e crítico, aprendiz permanente e organizador do trabalho na escola, um orientador, um cooperador, curioso e, sobretudo, um construtor de sentido. Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção {...} É preciso que, pelo contrário, desde o começo do processo, á ficando cada vez mais claro que, embora diferentes entre si, quem forma se forma e re-forma ao formar e quem é formado forma-se e forma ao ser formado {...} Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (FREIRE, 1997, apud GADOTTI, 2000). De acordo com FREIRE (1986) o educador não é aquele que “deposita” oconhecimento na cabeça do educando e também não é deixando o educandosozinho que o conhecimento “brota” de forma espontânea. Quem o constrói é osujeito, mas a partir da relação social, mediada pela realidade. Portanto, o alfabetizador deve ser aquele que provoca situações nas quais osinteresses possam emergir, e o educando possa atuar. Dar condições para que oaluno tenha acesso a elementos novos, para possibilitar a elaboração de respostasaos problemas suscitados. Esse mediador deve interagir com as representações dosujeito, isto é, identificar conceitos matemáticos nas produções dos alunos,acompanhar o percurso da construção deles para poder melhor orientá-los na
  22. 22. passagem do conhecimento espontâneo, conforme D´Ambrósio (1986), para oconhecimento elaborado, isto é, sistematizado. Dessa forma, os alfabetizadores são colocados em um contexto deaprendizagem e aprendem a “fazer fazendo”, isto é, errando, acertando, tendoproblemas a resolver, discutindo, construindo hipóteses, observando, revendo,argumentando, tomando decisões, pesquisando, uma vez que experiência vivida noprocesso de formação é uma referência importante na construção de possibilidadesde intervenção como profissionais. O papel do alfabetizador como mediador deve favorecer no educando a reconstrução das relações existentes no objeto deconhecimento. Como mediador do conhecimento, o alfabetizador precisa ter, como práticapedagógica, em sala de aula, uma ação dialógica, à luz dos ensinamentos de PauloFreire que é também lembrado durante a formação inicial e continuada doalfabetizador.Nenhum educador adquire competência profissional apenasestudando. É necessário, também, que sejam colocados diante da realidade em queirão atuar. Competência profissional (PERRENOUD, 1999) significa a capacidade demobilizar vários recursos entre os quais os conhecimentos teóricos e práticos davida profissional e pessoal.Aprender a ensinar Matemática em classes populares éum desafio para esse alfabetizador, pois exige dele o conhecimento de umarealidade muito diferente da que ele vive. Portanto, o acompanhamento sistemáticodesse educador é muito importante para que ele possa perceber os alunos comopessoas que precisam aprender a Matemática a partir da realidade em que vivem,dos saberes espontâneos e culturais, Matemática essa chamada de etnoMatemáticapor D´AMBRÓSIO (1986). Dessa forma, o alfabetizador estará valorizando essesaber e tornando a Matemática prazerosa, lúdica e com problemas voltados para ocotidiano do aluno, bem como melhorando a auto-estima dele, dando-lheoportunidades de conquistar sua autonomia. O alfabetizador estará assim,interagindo como um orientador, mediador da relação que se estabelece entre oaluno e o conhecimento matemático e não como um transmissor de conhecimentosacabados e destituídos de significados.
  23. 23. A formação inicial e a continuada estão intimamente ligadas, pois a primeirase complementa e é ampliada pela segunda. É por meio dessa formação e de suaprática que os alfabetizadores conseguem conquistar sua autonomia, melhorandosua criatividade e o modo de se relacionar consigo e com os outros, bem comodesenvolvendo competências para ensinar e aprender Matemática. O alfabetizadordeve saber escutar, dialogar, deve querer bem aos educandos e a afetividade deveconstar no seu dia-a-dia de educador e quanto a isto escreve FREIRE (1986). Compreender o significado da alfabetização Matemática tanto nos aspectosda leitura como quanto nos da escrita contribui para o alfabetizador entender melhoros atos de ler e de escrever do educando. Conforme VIGOTSKY (1984), a aprendizagem do indivíduo na escola tem uma pré-história, pois essa aprendizagem começamuito antes da escolar (conhecimento cotidiano). Portanto, é necessária uma articulação entre o conhecimento do cotidiano e o formal. O estudo da linguagem Matemática na formação dos alfabetizadores constitui desafio tendo em vista a perspectiva de favorecer aintegração com a prática do viver social desenvolvido nas turmas de alfabetização de adultos, objetivando a formação de uma consciênciacrítico-social na construção de sua cidadania.2.2 – PAULO FREIRE: CONSTRUINDO UMA PRÁTICA DE EDUCAÇÃO POPULAR Paulo Freire é sem dúvida alguma, um educador humanista e militante. Em concepção de educação parte-se sempre de um contexto concreto para responder a esse contexto. Em Educação como prática da liberdade, esse contexto é o processo de desenvolvimento econômico e o movimento de superação da cultura colonial nas ‘sociedades em trânsito’. O autor procura mostrar, nessas sociedades, qual é o papel da educação, do ponto de vista do oprimido, na construção de uma sociedade democrática ou ‘sociedade aberta’. Para ele, essa sociedade não pode ser construída pelas elites porque elas são incapazes de oferecer as bases de uma política de reformas. Essa nova sociedade somente poderá constituir-se como resultado da luta das massas populares, as unias capazes de operar tal mudança. (GADOTTI, 1996, p. 83-84).Na história da educação brasileira é imprescindível falarmos de Paulo Freire, não somente por sua importância enquanto educador, mas,principalmente, como construtor de uma proposta de educação para todos brasileiros – uma educação popular. A educação popular, como prática educativa e como teoria pedagógica quenasceu, principalmente na América Latina, no calor das lutas populares, contribuiu
  24. 24. para que idéias e atividades essenciais na educação brasileira mudassem einovassem. No atual contexto a educação popular, faz-se mais do que necessária, frenteà concepção dominante de educação que reforça, na prática, a exclusão social e ainsolidariedade humana. É nos anos 60 que aparecem Paulo Freira e sua equipe de trabalho, que dãouma virada no enfoque da educação popular, ao propor que os processosmetodológicos para a alfabetização de adultos transcendam as técnicas e centrem-se em elementos de conscientização. Lançam seu manifesto contra a educaçãobancária que desumaniza o homem e o converte num depósito de conteúdos; epropõem como saída a Educação Problematizadora. O desafio proposto por Freireera conceber a alfabetização de adultos para além da aquisição e produção deconhecimentos cognitivos, mesmo sendo estes necessários e imprescindíveis. O pensamento pedagógico de Paulo Freire, assim como sua proposta para aalfabetização de adultos inspiraram os principais programas de alfabetização eeducação popular que se realizaram no país no início dos anos 60. Essesprogramas foram empreendidos por intelectuais, estudantes e católicos engajadosnuma ação política junto aos grupos populares. Desenvolvendo e aplicando essas novas diretrizes, atuaram os educadoresdo MEB (Movimento de educação de base), ligados à CNBB (Conferência Nacionaldos Bispos do Brasil), dos CPCs ( Centros de Cultura Popular), organizados pelaUNE ( União Nacional dos Estudantes), dos Movimentos de Cultura Popular, quereuniam artistas e intelectuais e tinham apoio de administrações municipais, aCampanha de Pé no Chão Também se Aprende a Ler, da Secretaria Municipal deEducação de Natal e a Campanha de Educação Popular (CEPLAR) naParaíba.Essas duas últimas campanhas citadas tinham vínculos com o estado eefetuaram um tipo de educação popular, que, "se não estavam diretamente emfunção dos interesses dos trabalhadores, abriram espaços, a partir de interessesimediatos, para a conquista daqueles interesses fundamentais”.(WANDERLEY,1984, p.106).
  25. 25. Segundo Jezine (2003, p.157), esses movimentos "tinham como objetivopromover a conscientização do povo, para que este pudesse atuar transformandosua realidade". Esses diversos grupos foram se articulando e passaram a pressionaro governo federal para que os apoiasse e estabelecesse uma coordenação nacionaldas iniciativas. Em janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de Alfabetização,que previa a disseminação por todo o Brasil de Programas de Alfabetizaçãoorientados pela proposta de Paulo Freire. A alfabetização e a educação de adultos deveriam partir sempre de umexame crítico da realidade existencial dos educandos, da identificação das origensde seus problemas e das possibilidades de superá-los. Além da dimensão social e política, os ideais pedagógicos que se difundiamtinham um forte componente ético, implicando um profundo comprometimento doeducador com os educandos. Os analfabetos deveriam ser reconhecidos comohomens e mulheres produtivos, que possuíam uma cultura. Dessa perspectiva,Paulo Freire criticou a chamada educação bancária, que considerava o analfabetorejeitado e ignorante, uma espécie de gaveta vazia onde o educador deveriadepositar conhecimento. No dizer de Freire (2002): A educação que se impõe aos que verdadeiramente se comprometem com a libertação não pode fundar-se numa compreensão dos homens como seres "vazios” a quem o mundo "encha” de conteúdos; não pode basear-se numa consciência espacializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como "corpos conscientes” e na consciência como consciência intencionada ao mundo. Não pode ser a do depósito de conteúdos, mas a da problematização dos homens em suas relações com o mundo. (p.67) Tomando o educando como sujeito de sua aprendizagem, Freire propunhauma ação educativa que não negasse sua cultura, mas que fosse transformandoatravés do diálogo. Na época, ele referia-se a uma consciência ingênua ouintransitiva, herança de uma sociedade fechada, agrária e oligárquica, que deveriaser transformada em consciência crítica, necessária ao engajamento ativo nodesenvolvimento político e econômico da nação.
  26. 26. É necessário reconhecer o papel da educação e seus limites. Mas apesar dosobstáculos, os Movimentos Populares precisam continuar sua luta política parapressionar o Estado no sentido de cumprir o seu dever. "Jamais deixá-lo emsossego, jamais eximi-lo de sua tarefa pedagógica, jamais permitir que suas classesdominantes durmam em paz". (FREIRE, 1995, p.21). Freire (2001) ao analisar o impacto da dinâmica da globalização econômicasobre a sociedade brasileira, busca refletir sobre a necessidade da construção deum espaço público democrático para os problemas brasileiros. E uma dasalternativas apontadas por ele, foi pensar no fortalecimento de uma escola públicapopular autônoma e democrática, isto é, sob a hegemonia social. Seria horrível se tivéssemos a sensibilidade da dor, da fome, da injustiça, da ameaça sem nenhuma possibilidade de captar a ou as razões da negatividade. Seria horrível se apenas sentíssemos a opressão, mas não pudéssemos imaginar um mundo diferente, sonhar com ele como projeto e nos entregar à luta por sua construção. Nos fizemos mulheres e homens experimentando-nos no jogo destas tramas. Não somos, estamos sendo. A liberdade não se recebe de presente, é bem que se enriquece na luta por ele, na busca permanente, na medida mesma em que não há vida sem a presença, por mínima que seja, de liberdade. Mas apesar de a vida, em si, implicar a liberdade, isto não significa, de modo algum, que a tenhamos gratuitamente. Os inimigos da vida a ameaçam constantemente. Precisamos, por isso, lutar, ora para mantê-la, ora para reconquistá-la, ora para ampliá-la. (Paulo FREIRE)Podemos perceber que as palavras geradoras ou temas geradores são o ponto departida do processo de aprendizagem, ao qual estão referenciadas diversasdimensões do conhecimento. Desde a problematização da realidade até suacompreensão sócio-cultural, as pessoas no processo de educação reconhecem-secomo cidadãos e, principalmente, como agentes transformadores de seu cotidiano,de sua vida.2.3 – A MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS O conhecimento matemático da prática deve ser eficaz, deve “funcionar”. Nem sempre a validação é pautada pela lógica dedutiva. As soluções estão impregnadas pelas condições circunstanciais nas quais o problema foi gerado. Além disso, os procedimentos adquiridos na prática não precisam ser
  27. 27. genéricos, e nem é necessário explica-los oralmente. (CARVALHO, 1997, p. 13) A informatização e as mudanças exigidas pela sociedade e pelo mercado detrabalho colocam a escola frente a desafios que exigem respostas rápidas eposturas inovadoras. As mudanças ocorrem tão rapidamente que as escolas têmtido dificuldades em acompanhá-las. O conceito de cidadania toma novas formas,exigindo inovações e aprendizagem específicas para que o cidadão esteja melhorinserido no contexto social. Alguns pesquisadores associam a Educação Matemática de jovens e adultosa uma instrumentação para o mercado de trabalho, o qual é cada vez mais exigentenas sociedades urbanas e industriais. A dificuldade para o aprendizado muitas vezes se refere à falta de motivaçãodo aluno devido à falta de tempo dedicado ao estudo, à indiferença de professoresquanto aos seus problemas pessoais, falta de clareza e objetividade dos docentesem apresentar os conteúdos na sala de aula. É fundamental analisar o perfil do aluno, para conhecer as suascaracterísticas e especificidades. A análise torna-se de suma importância para a construção de uma propostapedagógica que considere essas especificidades. É fundamental entender quem éesse sujeito com o qual se lida, para que os conteúdos que deverão ser trabalhadostenham sentido e sejam elementos concretos na sua formação, instrumentalizando-opara uma intervenção significativa na sua realidade. O educando adulto traz uma experiência de vida e um aprendizado que normalmente não é considerado nas experiências deaprendizagem. Os jovens e adultos que não tiveram acesso à escolaridade desejam e têm o direito ao conhecimento matemático escolar,considerado por muitos como um dos grandes responsáveis pelo fracasso escolar. D’Ambrosio (2003) aponta como dilema para todoseducadores, o duplo sentido da educação: um deles é permitir a cada indivíduo a realização plena de seu potencial criativo; o outro, prepararo indivíduo para a cidadania. A relação educação, criatividade e cidadania apresentam inúmeras dificuldades. Muitos jovens e adultos dominam noções Matemáticas que foram aprendidasde maneira informal ou intuitiva. Esse conhecimento que o aluno da EJA traz para o
  28. 28. espaço escolar é de grande importância, devendo ser considerado pelo educadorcomo ponto de partida para a aprendizagem das representações simbólicasconvencionais. As situações Matemáticas apresentadas devem fazer sentido para osalunos no sentido de que possam realizar conexões com o cotidiano e comproblemas ligados a outras áreas de conhecimento. Em função da freqüente redução de tempo dos cursos da Educação deJovens e Adultos (EJA), as instituições e os professores se vêem, muitas vezes,obrigados a fazer uma redução de conteúdos entre os já selecionados nos currículosda escola “regular”. Percebemos, em nossa experiência que a abreviação curricular muitas vezesutilizada, subestima o aluno da EJA como um ser capaz e dotado de potencialidadesde aprendizagem. Tendo em vista o controle exercido pelo livro didático e devido àcarência de material apropriado para esse segmento, os alunos da EJA sãoduplamente prejudicados, uma vez que, as atividades desenvolvidas não têmsignificado para eles, sendo tratados como crianças ao não se considerar todoconhecimento construído fora da escola. Dessa forma dificilmente será possibilitadaa criatividade e se contribuirá para o exercício da cidadania. Não podemos nos esquecer que é de fundamental importância o resgate e/oudespertar da auto-estima desses alunos, valorizando os conteúdos atitudinais eprocedimentais tanto quanto, ou até mais que os conceituais, uma vez que, atravésdesses conteúdos, o fluir dos conhecimentos conceituais se processará de formacada vez mais intensa. A educação de jovens e adultos se apresenta como um campo de práticaseducativas que, embora tendo em comum um segmento da população como objetode sua atenção, abriga uma diversidade de concepções. A linha mestra da proposta curricular nacional para a EJA é a formação parao exercício da cidadania. Considera fundamental a atuação do próprio aluno natarefa de construir significados sobre os conteúdos de aprendizagem. Dá ênfase àrelação de confiança e respeito mútuo entre professor e aluno numa praticacooperativa e solidária e reconhece os saberes gerados pelo individuo dentro do seu
  29. 29. grupo cultural, como ponto de partida para gerar novos conhecimentos. Propõe ocompartilhamento de responsabilidade sobre a aprendizagem, na busca dealternativas que auxiliem o aluno a aprender a aprender. Ressalta a importância decontemplar as diferentes naturezas do conteúdo escolares (conceituais,procedimentais e atitudinais) de maneira integrada no processo de ensino eaprendizagem, visando o desenvolvimento amplo e equilibrado dos alunos, tendoem vista sua vinculação à função social da escola. Ao ressaltar a necessidade de conhecer os valores da Matemática, BISHOP(1991) elucida que a educação é um processo social e, sendo a Matemática umfenômeno cultural, transcende os limites sociais. Sendo assim, cada culturadesenvolve sua própria tecnologia simbólica da Matemática como resposta àsdemandas do entorno, experimentadas através das seis atividades universais. Um outro aspecto citado por BISHOP (1991) diz respeito à importância quedeve ser dada à individualidade do aluno e ao contexto social e cultural do ensinovisando promover conexões e significados pessoais no processo de aprendizagem. BISHOP (1991) enfatiza que a aprendizagem cultural é um processo criativo einterativo em que interacionam os que vivem a cultura com os que nascem dentrodela, e que se dá como resultado idéias, normas e valores que são similares de umageração a seguinte. Assim sendo, a aprendizagem cultural é um ato de re-criaçãopor parte de cada pessoa. A pesquisa do INAF – Indicador Nacional de Alfabetismo Fundamental -realizado pelo Instituto Paulo Montenegro do Ibope,com a ONG Ação Educativa (publicada pela Folha de São Paulo em Fevereiro de 2003), adequaram o conceito de analfabetismo emMatemática às pessoas que demonstram não dominar nem sequer as habilidades Matemáticas mais simples e básicas, como ler o preço de umproduto ou anotar e reconhecer um número telefônico ditado por outra pessoa. Aprender Matemática, para D’AMBRÓSIO não consiste em uma simples “aquisição de técnicas” ou memorização de fórmulas edefinições mas sim, na capacidade de refletir, argumentar e buscar recursos para solucionar problemas que se encontram em nossa sociedade. É preciso oportunizar, aos jovens e adultos, situações para que expressem seus conhecimentos acerca dos números e construamhipóteses para que percebam a lógica da seqüência numérica de sua escrita e representação. À medida, em que os jovens e adultos são questionados precisamdesenvolver uma explicação verbal que oportunizará ao professor compreender asestratégias e os conhecimentos que usam para resolver os problemas e, permitindo
  30. 30. que comecem a perceber regularidades, que ampliem seus conhecimentos e dessemodo possam aprimorá-los para aplicar em outras situações. D’AMBRÓSIO(2001) entende a Matemática como:“(...) uma estratégia desenvolvida pela espécie humana ao longo de suahistória para explicar, para entender, para manejar e conviver com a realidade sensível, perceptível, e com o seu imaginário, naturalmentedentro de um contexto natural e cultural” (p.82) É importante que seja diagnosticado o universo numérico no qual estáinserido o jovem e adulto e para tal, o professor deve promover situações queexigem análises como, por exemplo, dados estatísticos e gráficos simplesencontrados em jornais e revistas, numeração das ruas, leitura da conta de luz,enfim, dados ou informações nas quais aparecem números. O ensino da Matemáticadeve ser parte integrante não apenas do planejamento, mas sim, de todo o processode letramento dos educandos.2.4 – CONTRIBUIÇÕES DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS EADULTOS. A educação de adultos exige uma inclusão que tome por base o reconhecimento dojovem adulto como sujeito. Coloca-nos o desafio de pautar o processo educativo pelacompreensão e pelo respeito do diferente e da diversidade: ter o direito a ser igual quando adiferença nos inferioriza e o de ser diferente quando a igualdade nos descaracteriza. Aopensar no desafio de construirmos princípios que regem a educação de adultos, há debuscar-se uma educação qualitativamente diferente, que tem como perspectiva umasociedade tolerante e igualitária, que a reconhece ao longo da vida como direito inalienávelde todos. (SANTOS, 2004) A educação deve voltar-se para uma formação na qual os educandos-trabalhadores possam: aprender permanentemente, refletir criticamente; agir comresponsabilidade individual e coletiva; participar do trabalho e da vida coletiva;comportar-se de forma solidária; acompanhar a dinamicidade das mudanças sociais;enfrentar problemas novos construindo soluções originais com agilidade e rapidez, apartir da utilização metodologicamente adequada de conhecimentos científicos,tecnológicos e sócio-históricos. (KUENZER, 2000, p. 40)
  31. 31. Sendo assim, para a concretização de uma prática administrativa epedagógica verdadeiramente voltada à formação humana, é necessário que oprocesso ensino-aprendizagem, na Educação de Jovens e Adultos seja coerentecom: 1. O seu papel na socialização dos sujeitos, agregando elementos e valores que os levem à emancipação e à afirmação de sua identidade cultural; 2. O exercício de uma cidadania democrática, reflexo de um processo cognitivo, crítico e emancipatório, com base em valores como respeito mútuo, solidariedade e justiça;Em geral as pessoas não colocam em dúvida a permanência, ou mesmo aexistência da Matemática nos currículos. Mesmo que a maioria das pessoas nãoconsiga oferecer justificativas que vão além do domínio das operações básicas, anecessidade de aprender Matemática é um consenso. Alguns autores chegam aafirmar que o saber matemático, dentre outros, é condição necessária para exercera cidadania na sociedade em que vivemos. Mesmo que muitos professores se afirmem certos da importância de ensinarMatemática, não apresentam, muitas vezes, a mesma clareza quanto a "o quê" daMatemática deve ser ensinado. Quando se trabalha com tempo reduzido, como écomum na EJA, costuma indicar uma saída: ensinar o básico. Porém, quase sempre,esse básico é representado pelo mínimo de conteúdo ou por "todo" conteúdo vistode forma superficial. Concordamos com FONSECA (1999:36) ao afirmar que "abusca do essencial não pode ter a conotação de mera exclusão de algunsconteúdos mais sofisticados, dando a sensação de que os alunos jovens e adultosreceberiam menos do que os alunos do curso regular". Definir os conhecimentos e habilidades básicos de Matemática no sentido jáanteriormente descrito pode ser o caminho para se conseguir amenizar a diminuiçãodo tempo de permanência na escola. Não se trata de escolher entre ensinar ou nãofunção, por exemplo. Mas, antes, de se questionar qual é (e qual foi) a importânciadesse conhecimento para a sociedade. E, além disso, esclarecer se ele possuiprincípios que são alicerces para outros conhecimentos.
  32. 32. Naturalmente, alunos da EJA percebem-se pressionados pelas demandas domercado de trabalho e pelos critérios de uma sociedade onde o saber letrado éaltamente valorizado. Mas trazem em seu discurso não apenas as referencias ànecessidade: reafirmam o investimento na realização de um desejo e a consciênciada conquista de um direito. Muitos autores têm destacado que um componente forte da geração danecessidade de voltar ou começar a estudar seria justamente o anseio por dominarconceitos e procedimentos da Matemática. Embora já seja um lugar comum, nunca é demais insistir na importância daMatemática para a solução de problemas reais, urgentes e vitais nas atividadesprofissionais ou em outras circunstancias do exercício da cidadania vivenciadospelos alunos da EJA. Não é portando-se como ferramenta que a Matemática emerge comofundamental num processo educativo de jovens e adultos. É preciso tomar emconsideração que os alunos não vêm a escola apenas à procura da aquisição de uminstrumento para uso imediato na vida diária, até porque parte dessas noções ehabilidades de utilização mais freqüente no dia-a-dia eles já dominamrazoavelmente, embora manifestem desejo de otimizá-las. O papel na construção da cidadania que se tem buscado conferir à educaçãode Jovens e Adultos pede hoje um cuidado crescente com o aspecto sócio-culturalda abordagem Matemática, tornando-se cada vez mais evidente a necessidade decontextualizar o conhecimento matemático a ser transmitido ou construído, nãoapenas inserindo-a numa situação problema, ou numa abordagem dita “concreta”,mas buscando suas origens, acompanhando sua evolução, explicitando suafinalidade ou seu papel na interpretação e na transformação da realidade com o qualo aluno se depara.2.5 – RELAÇÃO ENSINO-APRENDIZAGEM DA MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO DEJOVENS E ADULOS.
  33. 33. O ensino da Matemática, ao longo dos anos, tem sido considerado o granderesponsável pelo fracasso escolar e, conseqüentemente, vem atuando comogerador da exclusão de significativa parte do alunado, conferindo à escola um papelelitista e discriminatório. Isso é válido para qualquer fase, ciclo, série, modalidade,tipo ou outro nome que se queira dar, ou se dê, para as diferentes etapas deescolarização. Mais do que no ensino regular, h´que se ter preocupação com aformação e/ou transformação dos conceitos matemáticos, ou seja, com o ensino daMatemática para a população jovem e adulta que procura a escola, a fim de quedela não seja excluída mais uma vez. O ensino de Matemática, no Brasil, tem passado por mudanças, porém nãomuito significativas, a ponto de reverter a situação de descontextualização e dereprodução atribuídas à escola. Não há como se pensar em Matemática apenas como aprendizagem deregras, cálculos, fórmulas ou quaisquer situações que levem a resultados através damemorização. A vinculação da Matemática à realidade social é de grandeimportância para o sucesso de sua aprendizagem. Assim como o ensino da língua, a Matemática constitui instrumento primordialdo processo educativo. Como tal, esse processo deve ter por base a finalidade daeducação nacional, pois tanto os objetivos desta quanto a literatura educacional têmdado relevo à formação do cidadão e ao exercício da cidadania, posto que osdemais aspectos a esses se agregam, para não dizer se subordinam. O exercício da cidadania não pode prescindir dos conhecimentosmatemáticos, pois estes proporcionam ao indivíduo condições de questionar eresolver diferentes situações-problema que surgem no dia-a-dia. A Matemática estápresente em todas as atividades humanas e as ocorrências da vida diária exigemdas pessoas conhecimentos matemáticos que as auxiliam a resolver os problemasquantitativos que surgem a cada instante. A Matemática está em constante evolução para atender às necessidades domundo moderno. Saber Matemática torna-se cada vez mais necessário no mundo
  34. 34. atual, em que se generalizam tecnologias e meios de informação baseados emdados quantitativos e espaciais em diferentes representações. Essa íntima relação da Matemática com os problemas e as necessidadessociais trazem à tona a importância de se saber o conteúdo matemático e, portanto,de ensiná-lo. As atividades de discussão em torno dos temas socioeconômicos,como custo de vida, inflação, juros, reajustes de preços e salários, além de outros,não podem constituir alvos principais, substituindo a socialização do conteúdomatemático ou tornando-o assistemático. As camadas populares – no caso os jovens e adultos, na sua grande maioriatrabalhadores – não podem prescindir do domínio dessa ferramenta cultural. Assim,o ensino da Matemática deve ir além de simples técnicas para sua compreensão(imediata); ele deve oferecer meios que garantam ao aluno uma compreensãoverdadeira dos conteúdos ensinados, através de reflexões, análises e construções,visando a sua aplicação no cotidiano. Esta aplicação não está apenas no fato deexecutar cálculos do dia-a-dia, mas de realizá-los de modo a compreender e analisaro que se está calculando. Cabe evidenciar que o jovem ou adulto que procura a escola faz pornecessidade de, em sua maioria, já pertencer ao mundo do trabalho, que exige cadavez mais pessoas que saibam perguntar, que assimilem informações e resolvamproblemas utilizando processos de pensamento cada vez mais elaborados. É válidoressaltar, ainda, que esse jovem e/ou adulto possui conhecimentos matemáticosadquiridos de modo informal ou intuitivo, mas que precisam ser levados emconsideração pelo professor, que deve ser o facilitador da mediação entre oconhecimento informal e o sistematizado. Como em todo processo de ensino-aprendizagem, o aproveitamento daexperiência e do saber do educando passa a ser a referência essencial para otrabalho em Matemática. Dessa forma, o professor estará auxiliando na superaçãoda dicotomia teoria e prática, Matemática e realidade, educação e trabalho, partindodas situações-problema próprias do contexto do aluno, contribuindo, dessa forma,para o redimensionamento de sua prática social.
  35. 35. A participação dos alunos numa variedade de situações que lhes permitadescobrir, construir, teorizar e perceber a natureza dinâmica do conteúdomatemático é condição para que eles se tornem sujeitos das transformaçõesdesejadas. Assim, ao invés de marginalizar o aluno, a escola precisa incluí-lo noprocesso de recriação do conhecimento e possibilitar-lhe o uso adequado do produtodesse processo. Desta maneira, ele terá condições de superar os desafios que avida lhe apresenta e verá atendidas suas próprias necessidades. Uma das formas de desenvolver o ensino contextualizado é realizá-lo demodo interdisciplinar ou, pelo menos, articulado com outros conteúdos. A educação Matemática, comprometida com a formação o cidadão e com oexercício da cidadania, implica na sua integração com outros conteúdos,principalmente com os da língua materna, desenvolvendo um ensino de formacontextualizada. Portanto, é importante que o professor situe os alunos, explicandoos objetivos, as aplicações do que está sendo estudado e as possíveis relações comoutros campos do conhecimento.
  36. 36. CAPÍTULO III METODOLOGIA3.1 – ESCLARENDO O PROBLEMA A discussão inicial sobre as razões para se ensinar Matemática sãofundamentais, já que inúmeras investigações têm mostrado que a maneira como osprofessores encaram a Matemática tem uma influência decisiva no modo como aensinam. Nessa perspectiva, ensinar ciências - Matemática - é fundamental,necessário e desafiador, proporcionando ao aluno meios para observar e compararsituações, entender e resolver problemas, ter condições de perceber algunsfenômenos, formular modelos explicativos, estabelecer relações entre teoria e aprática, bem como nas situações afim, ou seja transpor a visão de uma ciênciaestática, cheia de fórmulas e símbolos, verificando que a linguagem científicaconstitui a compreensão dos problemas e até mesmo dos fenômenos. Para CONTRERAS (1994), a grande dificuldade do professor é que nemsempre ele pode realizar mudanças que percebe como necessárias, se atuasolitariamente, dentro da estrutura institucional em que está inserido seu trabalho: ouseja: fica difícil sem a ajuda de outros. Desse modo, enlevando a necessária infusão do conhecimento matemático eas dificuldades presentes no processo de ensino aprendizagem, este projetotrabalha com o objetivo de aproximar os alunos de conteúdos matemáticos (emespecial as quatro operações) a partir de conhecimentos prévios dos alunos, poisestas são as dificuldades que muitos indivíduos carregam por toda a sua vida. Comesse trabalho pretende-se despertar no aluno um interesse por uma nova visãosobre a Matemática, fato esse que terá grande influência no desempenho escolar domesmo, pois assim ele irá conhecer uma disciplina que não é somente composta detécnicas, que muitas vezes parecem ser incompreensíveis.
  37. 37. 3.2 – MÉTODOS A metodologia usada para esta pesquisa é do tipo investigação-ação, quesegundo LUDKE e ANDRÉ (1986), é uma pesquisa voltada para as experiências evivências dos indivíduos e grupos que participam e constroem o ambiente (cotidianoescolar). O ensino da Matemática é extremamente importante, no entanto como elavem sendo ensinada, ou seja, de uma forma totalmente desinteressante, pois elaestá sendo apresentada descontextualizada, e além disso de uma maneiratradicional na maioria dos casos, o professor é um mero transmissor deconhecimentos, os alunos realmente perdem o interesse em aprendê-la por carregarum estigma de ser uma disciplina muito seletiva. Também se tem que considerar que o Ensino de Matemática tem ocupadoum espaço singular na formação escolar, e também o desempenho do aluno emMatemática tem especial importância na definição do seu sucesso ou insucessoescolar, significado para muitos, reprovação e abandono da escola. Segundo SCHLIEMANN (1998, p.14): (...) as dificuldades com a aritmética escolar não se devem à incapacidade de raciocinar matematicamente, mas sim à não compreensão dos sistemas simbólicos e das convenções ensinadas na escola. Este fato está relacionado à Matemática dentro da escola cheia de símbolos etécnicas e totalmente descontextualizada, enquanto que a Matemática realizada forada escola pelos alunos, é mais facilmente resolvida, pois nesta, símbolos e técnicasnão são o principal. Schliemann ressalta que estudos, consistentemente, revelam que osalgoritmos que estão sendo ensinados nas escolas para a resolução de problemasaritméticos nem sempre ajudam a resolver problemas fora do contexto escolar. Alémdisso as estratégias desenvolvidas pelos alunos no cotidiano parecem maiseficientes que os algoritmos escolares aritméticos, pois nestes eles criam
  38. 38. convenções que os auxiliam na resolução de problemas, e muitas vezes essasconvenções (dos alunos) não são valorizadas dentro do contexto escolar. A análise dos aspectos positivos e das limitações da Matemática do dia-a-dia leva-nos a questão de como podemos planejar oportunidades para que a criança desenvolva um conhecimento mais amplo do que ela pode desenvolver fora da escola, mas que preservem o enfoque sobre o significado, como ocorre nas situações diárias. (SCHLIEMANN, 1998, p.22) Para que a Matemática trabalhada na escola tenha atividades maisapropriadas é importante valorizar o seu uso como uma estratégia para atingir eresolver problemas relevantes, que estimulem o aprendizado do aluno. Para queisso ocorra a resolução de problemas tem grande importância para esse ensino, poistrabalha com situações ligadas ao cotidiano dos alunos, e que permitem explorartemas importantes para o trabalho em sala de aula.3.3 – SUJEITOS DE PESQUISA As perguntas do estudo foram realizadas com 07 (sete) alunos da 4ª série daEJA - Educação de Jovens e Adultos com faixa etária entre 17 (dezessete) a 37(trinta e sete) anos de idade, de classe média baixa que trabalham durante o dia:alunas A, D e E costureiras, aluno B comerciante e alunas C, F e G donas de casa,e que não tiveram oportunidade de estudar em uma escola regular por teremprecisado trabalhar muito cedo para ajudar a família com as despesas. Também foi realizado um questionário com a professora da turma paraanalisar como ela aproveita os conhecimentos informais do aluno em sala de aula.3.4 – LOCAL DA PESQUISA A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Aristides Lopes da Silva,localizada no Bairro Novo – Município de Filadélfia – Bahia. É uma escola pequena com 05 (cinco) salas de aula, 01 (uma) secretaria, 01(uma) cantina, 03 (três) banheiros, 01 (uma) sala de leitura com diversos
  39. 39. exemplares, TV, DVD, 06 (seis) computadores; funciona nos turnos matutino – 05(cinco) turmas: 1º ano base com 18 alunos, 1ª série A com 20 alunos, 2ª série A com26 alunos, 3ª série A com 26 alunos e 4ª série A com 21 alunos –, vespertino – 05(cinco) turmas: 1ª série B com 19 alunos, 2ª série B com 26 alunos, 2ª série C om25alunos, 3ª série B com 29 alunos e 4ª série B com 20 alunos – e noturno quefunciona com duas turmas de EJA, sendo uma turma de 1ª, 2ª e 3ª série com 29alunos e a outra turma de 4ª série com 25 alunos. Composta por um corpo docente de doze professores e corpo discente de284 alunos, uma diretora, uma secretária, três merendeiras e um coordenadorpedagógico.3.5 – INSTRUMENTO DE PESQUISA Os dados foram coletados através de questionários com questões abertasque envolvem conceitos matemáticos para verificar como os alunos aprendem essesconceitos e averiguar a compreensão dos mesmos quanto a função dos números, aordenação e construção dos códigos matemáticos no seu dia-a-dia. Foi realizado também uma pesquisa bibliográfica que teve como fonte algunslivros e documentos acerca da Matemática ensinada na escola e a Educação deJovens e Adultos. Inicialmente a pesquisa priorizou um estudo documental, na qual foramanalisados livros, documentos e pesquisas na internet sobre o Ensino daMatemática na EJA. Num segundo momento foram realizadas as entrevistas com osalunos de EJA, onde foram realizadas perguntas sobre o uso da Matemática nocotidiano dos mesmos. A entrevista foi feita com um grupo de sete alunos onde foi discutido sobre autilização dos conteúdos de Matemática em compras, medidas e comprimentos. Foi aplicado também um questionário a professora com o objetivo deidentificar se a mesma aproveita os conhecimentos informais dos seus alunos sobrea Matemática em sala de aula, como esses conhecimentos são utilizados, se há
  40. 40. uma aprendizagem significativa que venha a contribuir para a vida social dosmesmos, complementando as informações já apresentadas pelos alunos.
  41. 41. CAPÍTULO IV ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS Esta pesquisa tem como marco principal o ensino de Matemática noPrograma de Educação de Jovens e Adultos no Município de Filadélfia. Tem comoobjetivo, pesquisar as idéias de jovens e adultos sobre conceitos e como elesconstroem seu conhecimento, especialmente os conhecimentos matemáticos,verificando igualmente as idéias dos alunos quanto ao uso desses conhecimentosno seu dia-a-dia, verificando de que maneira os conhecimentos informais da EJAtêm sido aproveitados para facilitar a aprendizagem de Matemática.O conhecimento prévio do aluno tem que ser valorizado, não dá para negar o que eleaprendeu em sua vivência, pois ao chegar à escola ele já traz consigoconhecimentos informais sobre a disciplina, o que certamente indica que ele deparoucom situações em que utilizasse a Matemática, e a partir dos conhecimentos que elepossui poderá construir novos conhecimentos. Se os alunos não puderem perceber o conhecimento matemático que já possui, dificilmente terão um bom aprendizado, pois tal competência vem sendo continuamente negada em sua história de vida escolar. (CARVALHO, 1994, p. 16)A interpretação do aluno em um problema, depende do conhecimento que ele trazconsigo sobre o assunto, por isso o trabalho com situações diárias tiradas docontexto em que o aluno está alocado. Essa modalidade de problemas enriquece oaprendizado do aluno, pois assim ele incorporará novos conhecimentos que poderãoser somados a outros que já possui. Baseado nas dificuldades encontradas no processo de ensino/aprendizagemesta pesquisa do tipo pesquisa-ação pretende analisar como são trabalhados os
  42. 42. conteúdos de Matemática para que os alunos possam aproveitá-los em seu trabalho,na família e na sociedade na qual está inserido. Os dados serão expostos a partir de categorias conforme análise einterpretação dos questionários respondidos por alunos da 4ª série de EJA daEscola Municipal Aristides Lopes da Silva.4.1 – OS QUESTIONÁRIOS Os questionários abertos foram neste trabalho, os principais instrumentosutilizados, pois possibilitaram a aquisição de informações necessárias aoposicionamento acerca do problema pesquisado, facilitando o desenvolvimento dapesquisa.4.2 – ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO RESPONDIDO PELO ALUNO A pesquisa foi realizada na Escola Municipal Aristides Lopes da Silva, nomunicípio de Filadélfia. Durante o trabalho foi feito um questionário² em sala de aula.Os dados da pesquisa foram registrados no mês de julho de 2007. Também entendemos que conforme Goldenberg (2000, p. 90) “a entrevista ouquestionários são instrumentos para conseguir respostas que o pesquisador nãoconseguiria com outros instrumentos”. QUESTÃO 1 – Como você utiliza a Matemática no seu dia-a-dia? Esta questão foi feita para analisar se o aluno tem consciência do uso daMatemática na sua vida diária. A vida cotidiana é ponto de partida e de chegada de toda atividade e conhecimentos do homem, desde a forma mais simples de criação e reprodução da realidade até as formas mais elaboradas do conhecimento. (DUARTE, 1994)
  43. 43. Sendo quase uma linguagem universal é importante que os alunos tenhamuma visão clara disso para que se motive no seu aprendizado. Eis algumas falas: “Comprando alimentos. Comprando uma roupa. Costurando”. (aluno A¹)___________________________________________________________________ 1. O Código (Letra) foi utilizado para preservar a identidade dos alunos – 2. Ver anexo 2 ”Nas compras de supermercado, ajudando meus filhos, nas atividades emcasa”. (aluno B) “Quando eu vou ao mercado fazer as minhas compras”. (Aluno C) “Fazendo compras no mercado. Costurando”. (Aluno D) “Supermercado. Comprando carne. Costurando”. (Aluno E) “Quando eu vou a feira preciso de usar Matemática para fazer minhascontas”. (Aluno F) “Vendendo na feira, comprando, pagando as contas, sabendo economizarcom o pouco dinheiro que recebo”. (Aluno G). Para que a aprendizagem ocorra é preciso ter consciência do que estamosestudando e para que estamos estudando, sem essa visão o ensino fica limitado edificulta bastante o entendimento dos conteúdos de Matemática estudados naescola, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais deve-se levar em conta que: QUESTÃO 2 – Você acha importante estudar Matemática? Por que? [...] é importante que a Matemática desempenhe, no currículo, equilibrada e indissociavelmente, seu papel na formação de capacidades intelectuais, na estruturação do pensamento, na agilização do raciocínio do aluno, na sua aplicação a problemas, situações de vida cotidiana e atividades do mundo do trabalho e no
  44. 44. apoio à construção de conhecimentos em outras áreas curriculares. (1998, p. 28) Todos os entrevistados responderam que é de fundamental importância oestudo da Matemática, pois ninguém consegue viver sem a utilização de números esem resolver problemas relacionados com compras e vendas, assim como para lidarcom dinheiro e banco. “Sim. Porque quando as pessoas dá um troco a gente sabe quanto sobrou”.(Aluno A) “Sim. Porque é fundamental em nossas vidas, não podemos viver sem osnúmeros”. (Aluno B) “Sim. Porque a Matemática é importante para a gente contar o dinheiroquando a gente recebe do banco”. (Aluno C) “Sim, é importante estudar Matemática porque tudo que a gente compra épreciso usar a Matemática”. (Aluno D) “Sim. Porque quando a gente faz a conta a gente sabe responder dia-a-diaMatemática”. (Aluno E) “Sim. Porque eu preciso de estudar Matemática é importante para nós usardia-a-dia” . (Aluno F) “Porque as vezes sabemos dar troco, fazer contar tudo certinho na cabeça,mais no lápis precisamos também fazer e aprender”. (Aluno G) Foi possível notar que todos os alunos percebem a importância daMatemática em sua vida cotidiana e que sem a mesma fica impossível resolver osproblemas do dia-a-dia. Então cabe aos professores conscientizarem os alunossobre a necessidade do ensino da Matemática, levando-os ao crescimento dosconteúdos desta disciplina.
  45. 45. QUESTÃO 3 – A Matemática que você aprende na escola tem contribuídopara a sua vida fora dela? Justifique: Os entrevistados responderam que sim que a Matemática aprendida naescola contribui sim para suas vidas fora dela. Através de suas experiências com problemas de naturezas diferentes o aluno interpreta o fenômeno matemático e procura explicá-lo dentro de sua concepção da Matemática envolvida. (TOLEDO, 1997, p. 14) “Sim. Porque quando eu vou comprar alguma coisa eu sei o preço”. (aluno A) “Muito. Pois através do que eu aprendi na escola posso ensinar os meusfilhos em casa, nas tarefas para casa”. (Aluno B) “Sim. Porque eu ajudo os meus filhos em casa, responder suas atividades”.(Aluno C) “Sim. Porque eu vou comprar alguma coisa, eu já sei quanto vai dá a contapara eu paga”. (Aluno D) “Sim. Porque eu compro alguma coisa eu sei quanto vou receber”. (Aluno E) “Sim. Porque nós precisa todas os dia de atemática, nós precisa de ensinarnossos filhos”. (Aluno F) “Sim. Mas é muito mais complicado”. (Aluno G) Trabalhar atividades do cotidiano em sala de aula exige do professor muitacriatividade, pois fora da escola bem ou mal, os alunos resolvem problemas equando o problema se apresenta em sala de aula já não é mais o mesmo, háinclusive dificuldades na interpretação. Portanto o papel do professor é trabalharcom situações problemas que permitam aos alunos relacionarem os conhecimentosque já possuem, com os conhecimentos trabalhados na escola, e assim feito o alunopoderá adquirir de maneira significativa, a linguagem Matemática.
  46. 46. QUESTÃO 4 – Os conhecimentos matemáticos que você usa no seu trabalhotem relação com os que são ensinados na escola? Justifique: Todos responderam que sim porque nas atividades diárias é necessário quetenha um conhecimento matemático para resolução de atividades. Segundo Newton Duarte a aquisição do conhecimento matemático não seinicia para o educando adulto, apenas quando ele ingressa no processo formal doensino. “Sim. Porque nós compra alimento e a gente sabe quanto sobra”. (Aluno A) “Sim. Porque trabalho com vendas, preciso passar troco, e isso me ajudamuito”. (Aluno B) “Sim. Nos trabalhos no dia-a-dia em casa”. (Aluno C) “Tem relação com o que são ensinado porque a gente sabe quanto vai pagare quanto vai receber de troco”. (Aluno D) “Sim. Porque me ajuda nas tarefas”. (Aluno E) “Sim. Porque quando eu vou ao mercado preciso de usar Matemática”. (AlunoF) “As contas”. (Aluno G) Esse questionamento foi feito para verificar se a Matemática da escola épercebida pelos alunos em seu dia-a-dia. Eles perceberam que estão diretamenteem contato com a disciplina de forma positiva, e com isso concluíram a importânciade se ter um compromisso maior com o seu aprendizado, pois os conteúdos não selimitam às aulas. QUESTÃO 5 – Como você gostaria que fosse o ensino de Matemática? As reflexões sobre as possibilidades de mudança pedagógica com referência à Matemática indicam a necessidade de repensar alguns pontos, por exemplo: a relação do aprendiz
  47. 47. com a disciplina, a sua participação em sala de aula considerando-se os aspectos afetivos e cognitivos e o enfoque dado à Matemática para que ela se torne objeto de conhecimento e saber – pessoal e interpessoal dos alunos. (MICOTI apud BICUDO, 1999, p. 164). Os alunos responderam que gostariam que o ensino da Matemática fossemais divertido através de jogos e brincadeiras. Para o conhecimento matemático, são grandes as vantagens do jogo em salade aula, pois uma atividade lúdica e agradável sempre será bem vinda, para facilitaro aprendizado dos alunos, estimulando o pensamento, uma vez que para participarnão basta estar presente, mas também estar atento à situações que se renovam acada momento, promovendo a socialização a partir das regras, mesmo as maissimples, permitindo o avanço na construção do conhecimento. “Com jogos, esportes, etc”. (Aluno A) “Mais divertido com jogos e brincadeiras”. (Aluno B) “Mais divertidos”. (Aluno C) “Assim está ótimo porque eu estou aprendendo bem”. (aluno D) “Mais fácil”. (Aluno E) “Eu queria que Matemática fosse mais fácil”. (Aluno F) “Não. Tem que ser do jeito que é”. (Aluno G) A matemática trabalhada com a resolução de problemas, não visa somentetrabalhar com situações problemas encontradas no cotidiano dos alunos, é precisotambém trabalhar com assuntos que sejam interessantes para eles, despertandoassim o prazer em aprender Matemática, e ao se deparar com uma situaçãoproblema o aprendiz irá avançar, utilizando a investigação, reflexão e empenho,pensando produtivamente, sobre como utilizar conhecimentos matemáticos para aresolução.
  48. 48. Assim, é necessário formar cidadãos matematicamente alfabetizados, quesaibam resolver, de modo inteligente, seus problemas de comércio, economia,administração, engenharia, medicina, previsão do tempo e outros da vida diária. E,para isso, é preciso que o aluno tenha, em seu currículo de Matemática elementar, aresolução de problemas como parte substancial, para que desenvolva desde cedosua capacidade de enfrentar situações-problema (DANTE, 1998, p.15).4.3 – ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO DO PRTOFESSOR A professora participante dessa pesquisa tem 08 anos de experiência em salade aula e 03 anos trabalhando com EJA, sua formação é licenciatura plena dePedagogia e leciona com 4ª série de EJA na Escola Municipal Aristides Lopes daSilva. Cada professor tem seu jeito de ensinar, de pensar e ver o mundo e asociedade em que vive. A partir desse modo de vida ele interfere na relação com oaluno e sua aprendizagem. Este questionário foi realizado com a finalidade de identificar as facilidades edificuldades da professora em promover para os seus alunos uma aprendizagem deMatemática significativa em que eles possam utilizar esses conhecimentos em suavida. A Matemática tem um papel fundamental, pois permite resolver problemas davida cotidiana, tem muitas aplicações no mundo de trabalho e funciona comoinstrumento essencial para a construção de conhecimentos. É importante tambémna construção da cidadania, onde a sociedade se utiliza cada vez mais deconhecimentos científicos e recursos tecnológicos, dos quais os indivíduos devem epodem se apropriar. O questionário destinado a professora foi o seguinte: QUESTÃO 1 – Como você aproveita os conhecimentos informais dos seusalunos sobre a Matemática?

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