Monografia Eurenice pedagogia 2011

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Pedagogia 2011

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Monografia Eurenice pedagogia 2011

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA - COLPED AURENICE PEREIRA DA SILVA JATOBÁCULTURA ESCOLAR: O ESPAÇO FÍSICO DA ESCOLA MUNICIPAL MATERNAL FUNDAÇÃO BONFINENSE, ANTIGA LBA, EM SENHOR DO BONFIM, BAHIA. SENHOR DO BONFIM-BA Março/2011
  2. 2. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA - COLPED AURENICE PEREIRA DA SILVA JATOBÁCULTURA ESCOLAR: O ESPAÇO FÍSICO DA ESCOLA MUNICIPAL MATERNAL FUNDAÇÃO BONFINENSE, ANTIGA LBA, EM SENHOR DO BONFIM, BAHIA. Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos. Linha de Pesquisa: Memória, Cultura e História da Educação. Orientadora: Profª Drª Maria Gloria da Paz SENHOR DO BONFIM-BA Março/2011
  3. 3. AURENICE PEREIRA DA SILVA JATOBÁ CULTURA ESCOLAR: O ESPAÇO FÍSICO DA ESCOLA MUNICIPAL MATERNAL FUNDAÇÃO BONFINENSE, ANTIGA LBA, EM SENHOR DO BONFIM, BAHIA. Monografia apresentada ao Departamento de Educação / Campus VII – Senhor do Bonfim, da Universidade do Estado da Bahia, como parte dos requisitos para obtenção de graduação no Curso de Pedagogia com Habilitação em Docência e Gestão de Processos Educativos. Aprovada em ____ de ________________ de 2011. BANCA EXAMINADORA_______________________________________________________________ Profª Drª Maria Gloria da Paz - Universidade do Estado da Bahia –UNEB Orientadora _____________________________________________________________ Profª Beatriz de Souza Barros - Universidade do Estado da Bahia- UNEB Examinadora _____________________________________________________Profº Dr. Gilberto Lima dos Santos - Universidade do Estado da Bahia- UNEB Examinador
  4. 4. O espaço, fora de nós, ganha e traduz as coisas:Se quiseres conquistar a existência de uma árvore,Reveste-a de espaço interno, esse espaçoQue tem seu ser em ti. Cerca-a de coações.Ela não tem limite, e só se torna realmente umaárvoreQuando se ordena no seio da tua renúncia. (Bachelard, 2003)
  5. 5. DEDICATÓRIADedico este trabalho, aos meus filhos, LemonnierFilho e Graziela Benevides, ao meu esposo, queaceitaram e suportaram muitos momentos deausência no decorrer do curso.
  6. 6. AGRADECIMENTOSA Deus, que me deu vida e que com a sua infinita bondade, permitiu que a minhajornada no Curso de Pedagogia fosse cumprida.Aos meus Pais, que com toda humildade ensinou-me a cultivar valores, como:honestidade, respeito aos mais velhos, respeito aos professores, entre outros.Ao meu esposo Lemonnier, que amo muito, que sempre esteve ao meu lado,dando-me apoio, que com seu amor e paciência sempre me motivou a continuarminha jornada. Obrigada por ser um marido e um pai exemplar.Aos professores que contribuíram para minha formação.Às minhas colegas de faculdade pela troca de informações e experiências,especialmente Anailma Santos, Ana Lúcia Freire e Maria Clara Fortes, que meajudaram muito no decorrer do curso.E à minha Orientadora, Maria Glória da Paz, mulher sublime, que com suasuavidade, e tranquilidade, ofertou-me seus conhecimentos, orientando-me naconstrução dessa pesquisa.As todas as pessoas que se dispuseram a ser investigados, que toleraram minhapresença e todos que não citei que contribuíram para a concretização destetrabalho. Obrigada.
  7. 7. SUMÁRIOINTRODUÇÃO........................................................................................................... 12CAPÍTULO I............................................................................................................... 141.1 Educação infantil: uma demanda em constante crescimento............................ 141.2 Os Espaços escolares: lugares de ação sócio educativa................................ 171.3 A Legislação atual um documento sobre os espaços destinados à Educação Infantil.................................................................................................................. 211.4 A Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense: um olhar sobre a antiga LBA........................................................................................................................ 25CAPÍTULO II.............................................................................................................. 272. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS.............................................................. 272.1 Pesquisa.............................................................................................................. 27 2.1.1 História Oral........................................................................................272.2 Instrumentos da pesquisa................................................................................... 28 2.2.1 Observação........................................................................................ 28 2.2.2 Entrevista........................................................................................... 282.3 Guia da Entrevista................................................................................................ 28 2.3.1 Bloco I Identificação dos depoentes................................................... 29 2.3.2 Bloco II As questões de estudo........................................................... 292.4 Carta Cessão...................................................................................................... 342.5 As fontes.............................................................................................................. 35 2.5.1 Fontes Orais....................................................................................... 35 2.5.1.1 Caracterização das fontes orais..................................................36 2.5.2 Fontes Escritas...................................................................................432.6 Local da Pesquisa............................................................................................... 44 2.6.1 Mapa de localização...........................................................................452.7 Dados gerais da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense................... 46CAPITULO III............................................................................................................. 473. DIALOGANDO COM OS SUJEITOS ENTREVISTADOS.................................... 473.1 Espaço Físico: Um ambiente apropriado para Educação Infantil........................ 47
  8. 8. 3.2 A influencia do ambiente físico escolar no processo ensino-aprendizagem na vi- são dos professores.............................................................................................493.3 O espaço físico da Escola Municipal Maternal Fundacão Bonfinense na visão dos professores................................................................................................... 503.4 As crianças e a hora do recreio: um local especial e as atividades realizadas.. 513.5 A localização das salas: uma contribuição para a qualidade do ensino............. 52TECENDO ALGUMAS CONSIDERAÇÕES.............................................................. 55REFERÊNCIAS..........................................................................................................58FONTES ELETRÔNICAS.......................................................................................... 62FONTES ORAIS ....................................................................................................... 63ANEXOS.................................................................................................................... 64
  9. 9. LISTA DE SIGLASSIGLA SIGNIFICADOLBA Legião Brasileira de AssistênciaLDB Lei de Diretrizes e BasesPNE Plano Nacional de Educação
  10. 10. LISTA DE MAPASMAPA HISTÓRICO PÁGINA01 Mapa do Território de Identidade do Piemonte 45 Norte do Itapicurú, Bahia, 2004
  11. 11. LISTA DE FOTOGRAFIAS FOTO HISTÓRICO PÁGINAFotografia 01 Aldey Bispo dos Santos 36Fotografia 02 Dulcinéia Candida Cardoso de 37 MedeirosFotografia 03 Nancy Souza Bastos 38Fotografia 04 Iramaia Guirra 39Fotografia 05 Maria das Neves de Aquino Dourado 40Fotografia 06 Maria de Fátima Gonçalves Silva 41Fotografia 07 José Lourenço Fonseca de Carvalho 42
  12. 12. RESUMOEste trabalho tem como tema A Cultura Escolar e dentro desta área escolhemospara estudo o espaço físico escolar da Escola Municipal Maternal FundaçãoBonfinense, antiga LBA, localizada no município de Senhor do Bonfim-BA, umaescola destinada à educação infantil. O objetivo que demandou este estudo foiinvestigar, através da oralidade e de fontes documentais, como as professorascompreendem o espaço físico da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense,Antiga LBA, em Senhor do Bonfim, Bahia, e qual a sua importância para odesenvolvimento das atividades sócio-pedagógicas voltadas a crianças de 0 a 06anos. A construção deste estudo se deu através da pesquisa bibliográfica, daobservação e da história oral, teve como fontes escritas Ariès (1981), Frago eEscolano (2001), Dominique Julia (2001), Bachelard (2003) e Verena Alberti (2008).Como fontes orais, contamos com algumas professoras e pessoas da comunidadeque nos atenderam com boa vontade. O resultado deste estudo ratifica tudo o quefoi pesquisado, visto e observado no tocante ao espaço físico sob a mira da culturaescolar culminando com a opinião da direção e corpo docente da referida escolaquanto à importância do espaço físico e estrutural como um dos fatorespreponderantes para o sucesso escolar. Com as entrevistas das professoras ficouclaro que uma boa infra-estrutura escolar beneficia a todos os envolvidos noprocesso educativo por propiciar um espaço de troca de conhecimentos através dainteração indivíduo/meio/indivíduo.Palavras-Chave: Espaço escolar. Cultura escolar. Legião Brasileira de Assistência -LBA.
  13. 13. 12 INTRODUÇÃO O trabalho de Conclusão de Curso que ora apresentamos tem aporte na CulturaEscolar e dentro desta área de conhecimento, como recorte, o estudo sobre O espaçofísico da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense, Antiga LBA, emSenhor do Bonfim, Bahia. A temática foi escolhida no decorrer do Curso de Pedagogia, a partir deobservações, bem como estágio em algumas instituições voltadas para a educaçãoinfantil. O que se percebeu durante essas visitas é que o espaço físico destinado a umaação tão significativa como é a formação de crianças é inadequado, pois carece deplanejamento prévio e geralmente, são escolas construídas em locais de difícil acesso,sem aeração e ventilação e sem as mínimas condições de conforto, bem como semnenhum atrativo para a faixa de crianças entre 0 a 06 anos. Entendendo que a escola não é um estacionamento de crianças e sim um lugarde socialização, de transmissão de valores e conhecimentos, este estudo se propõe adiscutir a importância do espaço escolar (instalações, mobiliário, iluminação, arejamento,aspecto estético, material didático) para o processo de ensino-aprendizagem, assimcomo da atuação dos agentes, desde os que lidam mais diretamente com o públicoinfantil como diretor e professores , até a legislação e a ação do poder público no quetange aos investimentos em Educação Infantil, tema que faz parte dos discursospolíticos. É sabido pela maioria dos profissionais da educação que a primeira etapa daeducação da criança acontece no convívio familiar. Segundo Brandão (2001), nasociedade grega a educação das crianças até os 07 anos era de competência das mãese depois do estado; Após essa fase, as meninas continuavam nas tarefas domésticas eos meninos eram entregues ao Estado; a partir daí, a educação passa a ser uma funçãoda escola, sendo esta indispensável para o desenvolvimento daquela sociedade.
  14. 14. 13 As Instituições Infantis para crianças de 0 a 6 anos, de acordo com Romão(2006), surgem em meados do século XVIII, na França, e consistiam em dois grupos: osasilos de primeira infância, que eram as creches com caráter assistencialista, destinadasaos pobres, ou seja, mães que precisavam trabalhar e não tinham com quem deixarseus filhos, e os ―jardins-de-infancia‖, escolas para segunda infância que atendiamcrianças de 3 a 6 anos e destinavam-se a todas as camadas sociais. Sob este aspecto entendemos que a instituição escolar apresenta-se com umaestrutura material constituída para atender a uma determinada finalidade: socializar,conviver coletivamente, o que não é uma finalidade qualquer, por ser algoextremamente necessário e de caráter permanente. (SAVIANI, 2007). Assim, a questão das discussões sobre a Educação Infantil é um assuntohistórico, que está sempre em pauta, pois suscita muitos debates a respeito do universoinfantil, que, segundo Angotti (2006), ―ainda não conquistou espaço suficientementeexpressivo a tal ponto de ter deixado de ser intenção vazia de discursos políticos‖ (p.16). Todas as dicussões em torno da educação infantil nos fazem entender que oespaço escolar é de grande importância para a Educação Infantil. Neste trabalho nosdispomos a conhecer como é que os agentes da educação ( professores, diretores)compreendem o espaço físico da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense,Antiga LBA, em Senhor do Bonfim, Bahia, e a sua importância para o desenvolvimentodas atividades sócio-pedagógicas das crianças de 0 a 06 anos.Palavras - chave: Espaço escolar. Cultura escolar. Legião Brasileira de Assistência-LBA.
  15. 15. 14 CAPÍTULO I1.1 Educação Infantil: uma demanda em constante crescimento De acordo com estudiosos, no decorrer da história da Educação Infantilevidencia-se que a concepção de infância é uma construção histórica e social e que, aomesmo tempo, existem múltiplas ideias sobre criança e desenvolvimento infantil e,consequentemente, surgem debates constantes, mediando as práticas educacionais. Na idade Média, segundo Ariès (1981), os colégios eram reservados a um pequenonúmero de clérigos e misturavam diferentes idades dentro de um espírito de liberdadede costumes. A escola não dispunha de acomodações grandes, o mestre instalava-seno claustro e em geral alugava uma sala por um preço regulamentado nas escolasuniversitárias. Forrava-se o chão e os alunos aí se sentavam. As crianças viviamigualmente com os adultos, não havia separação, ou seja, não se tinha uma visão deinfância, segundo este autor: Até o século XVII, a infância não era entendida da maneira como percebemos hoje. As crianças eram tratadas como mini-adultos, trabalhavam e viviam juntos aos adultos, vestiam-se como adultos e praticavam de tudo: da vida social, política e religiosa da comunidade, não havia propriamente dito, ―um mundo infantil‖, diferente e separado, ou uma visão especial sobre infância (ARIÈS, 1981, p. 23). Kramer (1987) afirma sobre as instituições infantis: ―Surgem a partir do séculoXVIII instituições com caráter assistencialista, servindo de guardiãs de crianças órfãs efilhos de trabalhadores, cujo objetivo era cuidar da higiene, alimentação e segurança dascrianças, negando o aspecto pedagógico‖ (p 23). Segundo Bencosta (2005), ―no Brasil, até a Primeira República (1889-1930), nãohavia prédio próprio para o funcionamento das escolas, que desenvolviam suasatividades em qualquer espaço sem condições apropriadas‖ (p.286). Essas instituiçõesapenas disfarçavam o problema e não apresentavam a competência de buscarmudanças mais intensas na realidade social dessas crianças.
  16. 16. 15 Com o processo de alfabetização e a democratização da educação brasileira, aconstrução de prédios específicos para o funcionamento das escolas adquire umdestaque especial. De acordo com a história, visava atender à elite, era valorizada esua estrutura física apresentava ambientes diversificados e conservados, pois recebiainfluência européia, o que subentende-se que atendia às expectativas necessárias parao ensino e aprendizagem. Segundo Lopes e Clareto (2007), as escolas obedeciam aosmodelos internacionais, reproduziam os padrões higienistas europeus, e assim seadequavam às exigências da elite da época. Além da localização como marco privilegiado, as primeiras escolas republicanas serão rica em seus detalhes: estátuas, jardins, construções com ambientes amplos, ventilados [...] a escola passa a ser pensada como espaço imaginado pela burguesia, local asséptico, sem odores, limpo e organizado (p.83). Em 1875, no Rio de Janeiro, e em 1877, em São Paulo, surgiram os primeirosjardins-de-infância, mas nehum deles voltado ao atendimento a crianças das camadaspopulares, mas particulares, para atender às crianças da elite, e desenvolviam umaprogramação pedagógica inspirada em Froebel (OLIVEIRA, 2008). Embasados nopensamento froebeliano de que o inicio da infância é uma fase de importância decisivana formação das pessoas e que a criança é como uma planta que exige cuidados paraque cresça de maneira saudável e que para tanto deveria estar exposta a condiçõesfavoráveis em seu meio ambiente. Segundo Arce ( 2002), Froebel procurava na infânciao elo que igualaria todos os homens, sua essência boa e divina ainda não corrompidapelo convivio social: [...] Acreditava que a criança trazia em si a semente divina de tudo o que há de melhor no ser humano. Por isso, propunha cultivar nas crianças suas tendências divinas, sua essência humana através do jogo, das ocupações e das atividades livres, com ritmos, movimentos livres , tal como Deus faz com as plantas da natureza [... ] (p. 62). Em meados do século XVIII e século XIX, com o crescimento social e a expansãodo processo de industrialização no Brasil, houve necessidade de qualificar a mão-de-obra para inserção do indivíduo no mercado de trabalho. A educação pública passou aser considerada fator ativo do processo econômico. Havendo maior procura pelaeducação escolar, percebeu-se que era imprescindível ampliar a rede de escolas
  17. 17. 16públicas e o governo providenciou a construção de escolas de forma rápida e baratapara a população pobre. Com o ingresso da mulher no mercado de trabalho, surgiram as escolasmaternais, de caráter assistencialista, para atender os filhos de mães operárias ouempregadas domésticas e que, segundo Romão (2006), eram espaços provisórios quenão atendiam às necessidades básicas das crianças; esta afirma que a partir dos anos1940 e 1950 houve crescimento das escolas infantis, mas a prioridade era atender aescola primária, diminuindo assim os recursos destinados à educação infantil atémeados de 70. A partir dos anos 80, a classe popular clama por ampliação da escola e reivindicado Estado o dever para com a educação das crianças de 0 a 06, o que até então, nãodemonstrava empenhado para com essa função (OLIVEIRA, 2008, p.35). Desde então,a Constituição de 1988 vem assegurar o direito da criança à Educação Infantil. Segundo Kuhlmann (2001), um século após o surgimento da Educação Infantil, ademanda era muito grande e o Estado não assumia a sua função, permitindo com isso ouso de galpões para abrigar as ―escolas”, a não destinação de recursos, a atuação depessoas sem formação para lidar com crianças nessa faixa etária. Barreto (1998),acrescenta que as instituições de educação infantil no Brasil, devido à forma como seexpandiu, sem os investimentos técnicos e financeiros necessários, depara-se compadrões bastante aquém dos desejados: [...] a insuficiência e inadequação de espaços físicos, equipamentos e materiais pedagógicos; a não incorporação da dimensão educativa nos objetivos da creche; a separação entre as funções de cuidar e educar, a inexistência de currículos ou propostas pedagógicas são alguns problemas a enfrentar. (BARRETO, 1998, p. 25). Uma vez que a sociedade passa por mudanças, entende-se que a escola tambémdeveria acompanhar essas transformações, sobretudo no que diz respeito ao seuaspecto físico e social. São muitos os trabalhos e documentos, como Normas,Referenciais, Diretrizes Operacionais, Planos e Parâmetros Nacionais para a Concepção
  18. 18. 17do Espaço Educacional Infantil que apontam essa questão; muitos desses documentostrazem sugestões para a melhoria dos espaços escolares que oportunizem à criança, aliberdade de movimentos, a liberdade de ir e vir, o que possibilita a socialização com omundo e com as pessoas e ajuda a estabelecer uma relação prazerosa, de modo que acriança aprenda se divertindo.1.2 Os Espaços escolares: lugares de ação socioeducativa Os espaços destinados à Educação Infantil necessitam de olhares maiscuidadosos. Segundo alguns autores, essa estrutura física é também parte integrante docurrículo, uma vez que tem influência direta no processo de ensino aprendizagem dacriança, seja na organização do espaço educativo, seja no material didático disponível eacessível aos sujeitos que ali convivem. Para Carvalho e Rubiano (2001), ―ascaracterísticas físicas de um ambiente geralmente são negligenciadas no planejamentode ambientes infantis coletivos e que esses ambientes devem ser ricos e estimuladores‖(p.107). Do mesmo modo, Vygotsky (1998) defendeu em suas teorias educativas que paraaprender a andar, subir, descer, correr a criança necessita de espaço para semovimentar em repetidas tentativas de aprendizagem, o que também acontece com oaprender a ler e escrever, e de igual forma, com a interação social. ―Assim, oaprendizado é um aspecto necessário e universal do processo de desenvolvimento dasfunções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas‖(VYGOTSKY, 1998, p. 118). Nesse contexto, uma proposta pedagógica deve considerarque a criança precisa de um ambiente que garanta sua segurança física e psicológica,assegurando a oportunidade de se perceber como sujeito. A proposta pedagógica deve considerar a importancia dos aspectos socioemocionais na aprendizagem e na criação de um ambiente interacional rico de situações que provoquem a atividade infantil, a descoberta, o envolvimento em brincadeiras [...] deve prorizar o desenvolvimento da imaginação, do raciocínio e da linguagem, como instrumentos básicos para a criança se apropriar de conhecimentos elaborados em seu meio social (OLIVEIRA, 2008, p.50).
  19. 19. 18 As instituições de Educação Infantil possuem características diferentes eespeciais, como nos afirma Nóvoa (1998), ―As escolas são instituições de um tipo muitoparticular, que não podem ser pensadas como qualquer fábrica ou oficina: a educaçãonão tolera a simplificação do humano‖ (p. 16). Assim, o espaço físico tem suas particularidades. Nesse sentido, é preciso deantemão reconhecer que a organização do espaço físico escolar destinado a crianças,bem como o tipo de mobiliário, as diferentes disposições do ambiente, o modelo deedificação, tudo isso se institui historicamente, criando assim uma cultura escolar. Aoadentrarmos nesse ambiente, nesse espaço, sabemos logo distinguir para quê foiorganizado. Na visão de McLaren (2000), ―A escola foi histórica e tradicionalmenteconcebida para criar consensos, homogeneizar ritmos, valores e condutas, de acordocom uma certa visão/concepção de mundo‖ (p.15). Resultante de um conjunto de regras,valores, crenças e modelos de conduta oriundos do ambiente cultural dos sujeitos que afrequentam (professores e alunos), criando assim cada instituição de ensino a suaprópria cultura escolar. Seguindo este raciocínio é que Frago (1995), apud Faria Filho (2004), concebecultura escolar como um conjunto de tudo que acontece no interior da escolaconcernente a práticas de normas e teorias e comenta que: ―A cultura escolar é a vidade toda a escola: fatos e ideias, mentes e corpos, objetos e comportamentos, modos depensar, o dizer e o fazer‖ (p.69). Sendo assim, é através da mediação do ser humanoque efetivamente consegue criar mecanismos para as transformações sociais, sendoesta uma das finalidades da educação. De acordo com os autores acima citados, acultura escolar é: O conjunto dos aspectos institucionalizados que caracterizam a escola como organização, o que inclui "práticas e condutas, modos de vida, hábitos e ritos – a história cotidiana do fazer escolar –, objetos materiais – função, uso, distribuição no espaço, materialidade física, simbologia, introdução, transformação, desaparecimento (...) e modos de pensar, bem como significados e idéias compartilhadas‖ (p.05). E ainda na opinião de Frago (1995), apud Faria Filho (2004), há tantas culturasescolares quanto instituições de ensino, advogando a cada escola a capacidade de
  20. 20. 19produzir uma cultura específica, singular e original advinda das maneiras de fazer epensar, atitudes e comportamentos de sua clientela, sedimentada ao longo do temposob a forma de tradições, regras e costumes. Nesse sentido, as relações que seestabelecem entre os sujeitos que ali convivem, é de suma importância para as práticaseducacionais. Entrementes, Julia (2001) faz uma reflexão mais profunda quando descreve acultura escolar como ―um conjunto de normas que definem conhecimentos a ensinar econdutas a inculcar, e um conjunto de práticas que permitem a transmissão dessesconhecimentos e a incorporação desses comportamentos‖ (p.10). Julia convidava oshistoriadores da educação a se interrogarem sobre as práticas cotidianas, sobre ofuncionamento interno da escola. O que nos conduz ao entendimento de que o tempo eo espaço escolar são dimensões de grande relevância no processo educacional, poispassamos parte de nosso tempo nesse espaço, construindo nossa história, que éguardada em nossa memória. Segundo Candau (2000), a cultura escolar supõe necessariamente uma seleçãoentre materiais culturais disponíveis num determinado momento histórico e social querealiza um trabalho de reorganização e reestruturação proposto pela escola comfinalidade de aprendizagem. Candau afirma ainda que ― a cultura escolar predominanteem nossas escolas se revela como ―engessada‖, pouco permeável ao contexto em quese insere, aos universos culturais das crianças a que se dirige‖(p.68). Percebemos, apartir desses conceitos de cultura escolar, a dificuldade de se incorporar os avanços dodesenvolvimento nos espaços educativos, pois as escolas têm sempre característicashomogêneas, seja no aspecto pedagógico ou na organização do espaço, este poucoevolui. Em nossa vivência de infância, quem não lembra da escola? Para Bachelard(2003): ―existe para cada um de nós uma casa onírica, uma casa de lembrança-sonho,perdida na sombra de um além do passado verdadeiro‖ (p. 34). O autor mostra que hápoesia nos principais espaços preferidos pelo homem. É neste contexto que podemosafirmar que a escola, depois da familia é o segundo lugar ao qual devemos ter um olhardiferenciado, pois é na escola que acontecem nossas interações, nossas descobertas,
  21. 21. 20principalmente no que se refere ao período da infância, pois esta, como afirmaBachelard ( 2003), ―permanece viva em nós‖ (p 35). Assim como a infância é uma etapatão importante na vida da criança, as escolas de educação infantil devem ser espaçosplanejados e atrativos, devendo ser vista com atenção e significado. Pois é nessa etapaque flui a nossa imaginação e as experiencias nesse espaço certamento irão refletir nanossa vida social, pessoal e psicológica. Bachelard (2003), nos traz que o espaço físico é uma questão de sumaimportância à condição humana, tanto é que no plano familiar quanto escolar nosremete à percepções e sensações indeléveis e determinantes como pontos dereferência no mundo. Em sua opinião, ―a casa é vista como o grande berço, oaconchego e proteção desde o nascimento do homem, é o paraíso material. Aslembranças da casa estão guardadas na memória, no inconsciente e acompanham-nosdurante toda a vida, sempre voltamo-nos a elas nos nossos devaneios‖ (p.36). O homem criou a casa como abrigo familiar/social e, para seu desenvolvimento,trouxe, na seqüência histórica, a escola para protegê-lo das dificuldades intelectuais,sociais e culturais. Desde então, corroborando com Vinão Frago e Escolano (2001), ―oespaço como território e lugar introduz nas palavras de Barchelard a dialética do internoe do externo – aquilo que é escola e aquilo que fica fora dela, por exemplo, e tambémem relação à sala de aula e a outros espaços escolares – o fechado e o aberto –estruturas cortantes ou hermétricas, frente a estruturas de transição ou porosas – e opequeno e o grande – a escola/ lar frente a escola/quartel (p.65).‖ Temos na afirmaçãoacima de que a escola tornou-se um segundo lar e não se deve esquecer que, comoqualquer outro tipo de habitação, incluída a própria casa, é uma criação cultural sujeita amudanças históricas. Nessa linha de raciocínio, podemos entender através de Andrade (2006) que ―oespaço físico é uma estrutura que materializa as práticas sociais, culturais eeducacionais de uma determinada época e possui o poder de gerar, através de suastransformações, novos modos de vida e de relações (p.3)‖, levando-nos a crer que, emsua relação com o espaço, o ser humano o modifica quantas vezes for preciso ematendimento às suas necessidades físicas, estéticas, culturais e sociais.
  22. 22. 21 1.3 A legislação atual, um documento sobre os espaços destinados à Educação Infantil. Muitas mudanças ocorreram na estrutura da sociedade, seja no aspecto social,cultural ou econômico, e no decorrer da história percebemos que a criança foi vista dediferentes formas e os conceitos sobre a mesma sempre foram se transformando. Comoafirma Cunha (1983), as crianças passaram a ser tratadas diferenciadamente dosadultos, recebendo tratamento de acordo com sua faixa etária. Desde então, comecou-se a pensar e criar formas, modelos educacionais,métodos pedagógicos com características próprias de acordo com a idade. A escolapassou a ter um papel fundamental para o desenvolvimento social e intelectual dacriança, mas no que se refere ao ambiente escolar percebemos que a escola nãoevoluiu, manteve-se estática, obsoleta, sem criar elementos funcionais quecontribuíssem no ato educativo. Para tanto houve a necessidade da criação daLegislação Educacional Brasileira, apresentando uma série de informações no sentidode deliberar critérios de qualidade para infraestrutura das Instituições de EducaçãoInfantil. Seja na LDB/96, Lei de Diretrizes e Bases (1996), no Referencial Curricular paraa Educação Infantil (1998) , Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil (2000), eainda o PNE- Plano Nacional de Educação (2001), Os Parâmetros Básicos deInfraestrutura para Instituições de Educação Infantil (2006), todos esses documentosapontam para a questão do espaço físico que aparece associado à propostapedagógica. A Constituição de 1988 traz no seu art. 208 que ―O dever do Estado com aeducação será efetivado mediante garantia de (...) atendimento em creche e pré-escolaàs crianças de zero a seis anos de idade‖. Ou seja, a Educação Infantil passa a servista como direito de toda criança e dever do estado e da família para que se faça valera lei, sendo que no Art. 211 a responsabilidade também passa a ser do poder públicomunicipal em oferecer creches e pré-escolas a todas as crianças cujas famílias desejemou careçam destes serviços. Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão em regime de colaboração seus sistemas de ensino. § 2º Os Municípios atuarão
  23. 23. 22 prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996). O artigo 211 demonstra um avanço para a Educação Infantil, dá um novo enfoqueem relação às crianças, mas percebemos ainda, a falta de preocupação com a estruturadas escolas públicas, de parte do poder público, seja no âmbito federal ou estadual notocante à elaboração das leis, pois ao mesmo tempo em que entende a importância daEducação Infantil, em dado momento transpõe a responsabilidade ao poder públicomunicipal. Consequentemente apela ao modelo mais barato de educação, pois até entãoo discurso do município é o de que não dispõe de recursos para implementar umaestrutura física adequada, que atenda os requisitos básicos das crianças, comotambém à formação de professores. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (LDB/96) vem firmar o direito dacriança de 0 a 06 anos à Educação Infantil, mencionando algumas regras. Ao colocar aEducação Infantil como primeira etapa da educação básica, tem como finalidade odesenvolvimento integral da criança até seis anos de idade em seus aspectos físico,psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade(Art. 29). O Referencial Curricular para Educação Infantil (1998) é um conjunto deorientações pedagógicas que vem contribuir de forma significativa para sua qualidade;dentre várias informações e sugestões está a questão do espaço físico destinado àEducação Infantil, no sentido de propiciar condições para que as crianças possamusufruí-lo em benefício do seu desenvolvimento e aprendizagem. Para tanto, é precisoque o espaço seja versátil e permeável à sua ação, sujeito às modificações propostaspelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas.[...] Além disso,a aprendizagem transcende o espaço da sala, toma conta da área externa e de outrosespaços da instituição e fora dela‖ (p.68). Os Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil(2006) é outro documento preparado com parcerias de educadores, arquitetos eengenheiros envolvidos em planejar, refletir, construir/reformar espaços destinados à
  24. 24. 23educação das crianças de 0 a 06 anos. Essa publicação dá ênfase à qualidade dessesespaços, propõe a incorporaçao de metodologias participativas que incluam asnecessidades e os desejos dos usuários, a proposta pedagógica e a interação com ascaracterísticas ambientais. Esse documento trata ainda sobre a área a ser construída e os aspectosestéticos, como a aparência da edificação e sugere que os locais recreativos, as áreascoberta e livre sejam diversificadas com areia, grama e pavimentação. O documentodemonstra uma preocupação com a arquitetura dos espaços da Educação Infantil, sepreocupa com o aparelhamento, o piso, externo e interno, o tipo de mobiliário,banheiros, salas de aula, e ainda os aspectos climáticos, a ventila-cão a iluminação e ouso das cores dentro deste espaço destinado a crianças. (BRASIL, 2006.p. 21-35). Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, o uso do espaçofísico aparece associado às propostas pedagógicas como um dos elementos quepossibilitam a implantação e o aperfeiçoamento das diretrizes (BRASIL, 2006, p.36).Ainda nesse sentido, as Diretrizes Operacionais para a Educação Infantil afirmam que osespaços físicos deverão ser coerentes com a proposta pedagógica da unidade e com asnormas prescritas pela legislação vigente referentes a: localização, acesso, segurança,meio ambiente, salubridade, saneamento, higiene, tamanho, luminosidade, ventilação etemperatura, de acordo com a diversidade climática regional, dizendo ainda que osespaços internos e externos deverão atender às diferentes funções da instituição deEducação Infantil. (BRASIL, 2006. p. 37). Complementando esse conjunto de documentos, em 2001 foi promulgada a leique aprovou o Plano Nacional de Educação – PNE (Brasil, 2001) e vem somar critériose parâmetros de qualidade para os espaços físicos da Educação Infantil. De um total de26 pontos referentes a ―Objetivos e Metas‖ do Plano destacam-se dois itensrelacionados à temática. 1. A Meta nº 2 estabelece a exigência de ―padrões mínimos de infra-estrutura para o funcionamento adequado das instituições (creches e pré-escolas) públicas e privadas, que respeitando as diversidades regionais assegurem o atendimento das características das distintas faixas etárias e das
  25. 25. 24 necessidades do processo educativo quanto a: a) espaço interno, com iluminação, insolação, ventilação, visão para o espaço externo, rede elétrica e segurança, água potável, esgotamento sanitário; b) instalações sanitárias e para a higiene pessoal das crianças; c) instalações para preparo e/ou serviços de alimentação; d) ambiente interno e externo para o desenvolvimento das atividades, conforme as diretrizes curriculares e a metodologia da Educação Infantil, incluindo repouso, expressão livre, movimento e brinquedo; e) mobiliário, equipamentos e materiais pedagógicos; f) adequação às características das crianças especiais‖ (Brasil, 2006:37). A segunda meta em evidência sugere que as construções desse tipo de espaçofísico devem atender às exigencias que constam da 2ª meta anteriromente destacada. ―A Meta nº 3 define que a autorização para construção e funcionamento das instituições,tanto as públicas quanto as escolas privadas, só poderá ser feita se estas atenderemaos requisitos de infraestrutura da segunda meta‖ (Brasil, 2006: 38). Nesta perspectiva o ambiente escolar da Educação Infantil deve ser um lugaragradável, bem elaborado, que possa atender às necessidades de sua clientela. Poisalém de ser uma etapa especial da infância, é no ambiente escolar que as criançaspassam boa parte de sua vida construindo sua história, estabelecendo relações,adquirindo conhecimentos para formação da sua identidade. Como afirma Oliveira(2001): A identidade pessoal está intrinsecamente ligada à noção de identidade de lugar, que consiste de cognições cumulativas – pensamentos, memórias, crenças, valores, idéias, preferências e significados – sobre o mundo o qual a pessoa vive (p.109). Todavia, um ambiente organizado, com salas amplas, iluminadas, pintadas, comrefeitório, área de lazer, banheiro adequado e limpo para crianças, auxilia a estabelecere firmar valores onde as crianças podem ser estimuladas a manter e cuidar doambiente. Para Escolano, (1998), ―[...] tanto o espaço quanto o tempo escolar ensinam,permitindo a interiorização de comportamentos e de representações sociais‖ (p. 26). Nesse contexto, podemos afirmar que o espaço também educa, é umaconstrução cultural, pois é nesse espaço e através dos costumes, das rotinas queacontecem mudanças que vão refletir significativamente na vida da criança e em suaformação de valores, conforme afirmação de Melis (2007):
  26. 26. 25 O espaço escolar propicia um contato com diferentes realidades culturais e familiares, o período que a criança passa na escola pode trazer situações novas que os adultos precisam estar atentos para continuar a ajudar na construção de valores positivos (p.62). Ainda sobre esse tema se faz necessário trazer para discussão algumasreferências sobre Anísio Teixeira, um intelectual que enxergava além do seu tempo osproblemas educacionais e que, de acordo com Dórea (2000), esteve à frente daadministração das Secretarias de Educação do Rio de Janeiro, no período de 1931 -1935, e da Bahia, no período de 1947- 1951. Era considerado ―o arquiteto da educaçãobrasileira‖, tal era o seu interesse em prover a escola de um espaço designadamenteplanejado para a educação. Para ele, sem instalações adequadas não poderia havertrabalho educativo e, por isso, o prédio, base física e preliminar para qualquer programaeducacional, tornava-se indispensável para a realização de todos os demais planos deensino. Nesse contexto, Teixeira (1971) afirma que ―É custoso e caro porque sãocustosos e caros os objetivos a que visa. Não se pode fazer educação barata‖ (p.175). 1.4 A Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense: um olhar sobre a antiga LBA. A Legião Brasileira de Assistência (LBA) foi um órgão brasileiro fundado emagosto de 1942 pela então primeira-dama Darcy Vargas, com o objetivo de ajudar asfamílias dos soldados enviados à Segunda Guerra Mundial. Com o final da guerra,tornou-se um órgão de assistência a famílias necessitadas em geral. De acordo com Oliveira (2008. p. 107), no período dos governos militares pós-1964 , as políticas adotadas em nível federal, por intermédio de órgãos como a LBA,continuaram a divulgar a ideia de creche e até mesmo pré-escola como equipamentossociais de assistência à criança carente. Era uma política de ajuda governamental comcaráter assistencial, por meio de programas emergenciais de massa de baixo custo,desenvolvido por pessoas leigas e voluntárias, com envolvimento de mães quecuidavam de turmas de mais de cem crianças pré-escolares.
  27. 27. 26 De certa forma, ainda é possível perceber nas escolas públicas destinadas aopúblico infantil uma cultura, no que se refere a crianças das camadas sociais maispobres, a questão de uma educação com caráter compensatório ou assitencialista, semque haja uma reflexão crítica mais aprofundada sobre as raízes estruturais dosproblemas sociais influenciando nas decisões de políticas de educação infantil. Em 1991, sob a gestão de Rosane Collor, primeira dama no Governo FernandoCollor de Melo, foram feitas denúncias de esquemas de desvios de verbas da LBA. ALBA foi extinta em 1º de janeiro de 1995, no primeiro dia de governo de FernandoHenrique Cardoso. Na cidade de Senhor do Bonfim-BA, em meados de 1964, a LBA já existia, deacordo com o ex-pároco Padre José Lourenço Fonseca de Carvalho. No mesmoperíodo, foi constituida a Fundação Bonfinense de Assistência e Promoção Social. EssaInstituição realizava obras assitenciais distribuindo alimentos. […] ―os alimentos que vinham dos Estados Unidos, era um programa do Governo dos Estados Unidos para os países subdesenvolvidos, com a distribuição de leite em pó, farinha de trigo, fubá de milho, óleo, roupas que vinham para a diocese, para o Bispado e nós aqui distribuíamos para as pessoas necessitadas aqui da cidade e também aos arredores, desses povoados vizinhos[...] (José Lourenço- vide anexos). Atualmente, a Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense está localizadana Praça Juracy Magalhães, S/N, centro, no município de Senhor do Bonfim. SegundoInformações do órgão estadual Direc 28, a escola foi criada a partir do dia 12 de maiodo ano 1988, portaria 1078, sendo que na Direc 28 não há registro sobre a criação daLBA em Senhor do Bonfim. A referida escola, segundo informantes da Secretaria Municipal de Educação deSenhor do Bonfim, de acordo com a documentação constante em arquivos, foimunicipalizada em 1999, Decreto nº 220/99 A, de 04 de Junho de 1999, assinadopelo então Prefeito Cândido Augusto de Freitas Martins (ver anexo). O local defuncionamento da escola é uma casa adaptada e cedida pela LBA ao município.
  28. 28. 27 CAPITULO – II2. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O presente trabalho tem como objetivo investigar através da oralidade e de fontesdocumentais, como é que os professores compreendem o espaço físico da EscolaMunicipal Maternal Fundação Bonfinense, Antiga LBA em Senhor do Bonfim, Bahia, esua importância para o desenvolvimento das atividades sócio-pedagógicas das criançasde 0 a 06 anos.2.1 A PESQUISA Entendemos por metodologia o caminho de pensamento e prática exercidas naabordagem da realidade. Diante disso, o ponto de partida para o desenvolvimento donosso estudo foi a busca de informações através da história oral. 2.1.1 História Oral A História Oral é um grande auxilio na busca de informações e pode ser útil nahistória do cotidiano, história política, história de comunidades, de instituições e históriada memória. É também uma abordagem metodológica interdisciplinar que permite umainteração benéfica com as disciplinas das Ciências Sociais. Segundo, Alberti (2008): A história oral é hoje um caminho interessante para se conhecer e registrar múltiplas possibilidades que se manifestam e dão sentido a formas de vidas e escolhas de diferentes grupos sociais, em todas as camadas da sociedade (p.164). Assim, a história oral permite uma proximidade com o passado, e, de acordo comAlberti (2008), ―está afinada com as novas tendências de pesquisa nas ciênciashumanas‖, trazendo contribuições mais interessantes para determinadas tomadas dedecisões no presente.
  29. 29. 282.2 OS INSTUMENTOS DA PESQUISA: Os instrumentos escolhidos para a coleta de informações destinadas a estetrabalho foram a observação e a entrevista.2.2.1 A Observação Com o objetivo de uma melhor avaliação da arquitetura da instituição, realizamosuma série de visitas para que pudéssemos observar: a área externa, a área construída,e, na área interna, a adequação das salas de ensino, o mobiliário e o espaçoefetivamente utilizados por todos nas atividades da escola.2.2.2 A Entrevista A entrevista foi o instrumento escolhido para este trabalho. Foi direcionada porum guia, dividido em dois blocos, contendo no primeiro os elementos de identificaçãodas fontes/ pessoas entrevistadas: nome, endereço, filiação, cor entre outros. Nosegundo bloco, as questões voltadas para o objeto de estudo. De acordo com Brandão (2002), apud Ferreira: A entrevista é trabalho, reclemando uma atenção permanente dos pesquisador aos seus objetivos, obrigando-o a colocar-se intensamente à escuta do que é dito, refletir sobre a forma e o conteúdo da fala do entrevistado, os encadeamentos, as indecisões, contradições, as expressões e gestos (p.104) De fato a entrevista requer do pesquisador uma atenção especial à fala dossujeitos entrevistados.2.3 O GUIA DE ENTREVISTAS
  30. 30. 29 Para a realização das entrevistas usamos um roteiro contendo as questõesorganizadas em dois blocos:2.3.1 Bloco I Identificação dos depoentes Na primeira etapa da pesquisa, criamos uma ficha de identificação com o intuitode traçar o perfil dos entrevistados, possibilitando assim um melhor conhecimento darealidade dos mesmos, com indicadores das condições de trabalho, a formação, tempode ensino, idade, gênero, entre outros. Foi uma etapa demorada, em que osentrevistados não gostavam de fornecer seus dados, a exemplo do número dedocumentos e também sua renda.2.3.2 Bloco II As questões de estudo Nesse segundo bloco encontram-se as questões relevantes para nossa pesquisa,a serem respondidas pelos(as) entrevistados(as), uma direcionada às professoras ediretora da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense e a outra direcionada aoex- pároco José Lourenço Fonseca de Carvalho, Fundador da Fundação Bonfinense deAssistência e Promoção Social, antiga LBA. Não podemos deixar de mencionar adificuldade em entrevistar as professoras, pois era o período em que estas estavam emférias, após as férias estavam participando da Jornada Pedagógica. Apesar disso,conseguimos entrevistá-las. Uma preferiu que fosse em sua residência mas, as outraspreferiram na escola mesmo. Algumas estavam inseguras, quanto a falar da escola, doambinete de trabalho. Mas, na conclusão, estavam satisfeitas em ter colaborado comnossa pesquisa. Para realizar a entrevista, utilizamos um gravador digital VoiceRecorder Powerpack DVR- 860BK.
  31. 31. 30 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.1 PESQUISADORA: Aurenice Pereira da Silva Jatobá ORIENTADORA: Profª Drª. Maria Glória da PazCaro Diretor (a) esta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do cursode Pedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosaparticipação.Nome da escola:_________________________________________________ 1° BLOCO ROTEIRO DA ENTREVISTA COM O/A DIRETOR DA ESCOLA.1 - Nome________________________________________________________2- Há quanto tempo dirige esta escola?___________________________________________________________________3- A escola funciona em quantos turnos? Quais os horários dos turnos__________________________________________________________________4- Quantos funcionários possui a escola?___________________________________________________________________5- Quantos professores?___________________________________________________________________6- Quantos alunos a escola possui?___________________________________________________________________7- Quantas salas de aula?___________________________________________________________________8- Qual a média de crianças por sala?___________________________________________________________________ Muito obrigada!
  32. 32. 31 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.Este Entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do curso de Pedagogia, daUNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosa participação. 1° BLOCO ROTEIRO DA ENTREVISTAPor : Aurenice Pereira da Silva JotobáORIENTADORA: Profª. Drª. Maria Glória da PazAssunto: Pesquisa sobre o Espaço Físico Escolar da Escola Municipal MaternalFundação Bonfinense – antiga LBA1° BLOCO: Identificação do (a) entrevistado (a)Data:.............de …................................ de 2...................... horário: ….................horasLocal: ….........................................................................................................................Nome: …........................................................................................................................Cor..................................................................................................................................Idade: ….......................ou data de nascimento: ….......................................................Posição no grupo familiar:..............................................................................................Filiação: …......................................... e ….....................................................................Local de nascimento:......................................................................................................Estado Civil:....................................................................................................................N° de filhos: …............ (feminino) …................ (masculino) …......................................Religião: ….....................................................................................................................Escolaridade:..................................................................................................................Ocupação: …..................................................................................................................Tempo de docência na Educação ................................................................................Carga horária ( ) 20 horas ( ) 40 horas ( ) 60 horasRenda salarial: até um salário mínimo ( ) até dois salários mínimos ( )mais de dois salários mínimos ( )
  33. 33. 32 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII COLEGIADO DE PEDAGOGIA 2007.1 PESQUISADORA: Aurenice Pereira da Silva Jatobá ORIENTADORA: Profª Drª Maria Glória da PazCaro Professor (a) esta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, docurso de Pedagogia, da UNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente agenerosa participação. Obrigada.Nome do entrevistado:_________________________________________________ 2º BLOCO: ENTREVISTA1) Quais são os elementos que você considera prioritários para um ambiente deEducação Infantil?2) Você acha que o ambiente físico escolar influencia no processo ensino-aprendizagem? De que maneira?3) Para você, o que seria necessário para que o espaço físico escolar seja um ambienteapropriado para Educação Infantil?4) Como é que você vê o espaço físico desta escola?5) As crianças têm um local especial para hora do recreio?6) Como é este espaço e quais são as atividades realizadas dentro dele?7) Em sua opinião, a localização das salas de aulas interfere na qualidade do ensino?Por quê?8) Você acredita que o ambiente físico que a escola apresenta atualmente favorece parauma boa ação pedagógica?
  34. 34. 33 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS VII PEDAGOGIA 2007.1 PESQUISADORA: Aurenice Pereira da Silva Jatobá ORIENTADORA: Profª. Drª. Maria Glória da PazEsta entrevista faz parte de uma pesquisa monográfica TCC, do curso de Pedagogia, daUNEB do Campus VII. Agradecemos antecipadamente a generosa participação.Obrigada.Nome do entrevistado:_________________________________________________ ENTREVISTA SOBRE ANTIGA LBA 1) Ano de implantação da LBA em Senhor do Bonfim 2) Em qual Governo foi implantada? 3) Qual a filosofia da instituição? 4) Onde funcionava? 5) Quem eram os professores? 6) Como era administrar uma instituição desse porte? 7) Quem era a clientela da LBA? 8) Recebia recursos? De onde? 9) Qual era o destino desses recursos? 10) Quais eram os programas/projetos implantados pela LBA? 11) Por que acabou?
  35. 35. 34 2.4 Carta de cessão Este documento permite que o material produzido na entrevista possa ser usadoou exposto pela Instituição, desde que esteja devidamente assinada pelos depoentes.CESSÃO DE DIREITOS SOBRE DEPOIMENTO ORAL PARA A UNEB 1 – Pelo presente documento...........................brasileira, estadocivil)......................(profissão)..........carteira de identidade nº......., emitidapor.................... CPF nº................, residente e domiciliadaem..................................................., Município de Senhor do Bonfim, Bahia..cede etransfere nesse ato, gratuitamente, em caráter universal e definitivo ao Campus VII daUniversidade Estadual da Bahia (UNEB) a totalidade dos seus direitos patrimoniais deautor sobre o depoimento prestado no dia ....de ...................... de 2010, perante opesquisador..........................................................................................2 – Na forma preconizada pela legislação nacional e pelas convenções internacionais deque o Brasil é signatário, o DEPOENTE, proprietário originário do depoimento de quetrata este termo, terá, indefinidamente, o direito ao exercício pleno dos seus direitosmorais sobre o referido depoimento, de sorte que sempre terá seu nome citado porocasião de qualquer utilização.3 – Fica pois o Campus VII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) plenamenteautorizado a utilizar o referido depoimento, no todo ou em parte, editado ou integral,inclusive cedendo seus direitos a terceiros, no Brasil e/ou no exterior. Sendo esta formalegitima e eficaz que representa legalmente os nosso interesses, assinam o presentedocumento em 02 (duas) vias de igual teor e para um só efeito................[assinatura da entrevistada]............TESTEMUNHAS:_____________________________________1ª testemunha______________________________________2ª testemunha
  36. 36. 352.5 AS FONTES2.5.1 Fontes Orais As fontes orais são elementos que permitem o fornecimento de pistas para odesvelamento de fatos históricos, permitindo ainda ao pesquisador estabelecer relaçõesentre os indivíduos, seus costumes e a sua coletividade. Trabalhar com fontes oraisimplica em obedecer a uma série de regras metodológicas. É preciso respeito aoscolaboradores e aos seus depoimentos, daí a necessidade de se estabelecer critérios deescolha. Segundo Alberti (2008, p. 172), ―Para selecioná-los é necessário umconhecimento prévio do universo estudado; é preciso conhecer o papel dos queparticiparam e participam do tema investigado...‖ As fontes orais da pesquisa aqui retratadas foram 03 (três) professoras e 01(uma) diretora, da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense, que atuam nasturmas de Educação Infantil do Ensino Fundamental no turno matutino, 01 (um) ex-pároco da Diocese, fundador da antiga Instituição, uma funcionária da DIREC-28 e aSecretária de Educação do Município.
  37. 37. 362.5.1.1Caracterizando as Fontes Orais Foto n° 01 Professora Aldey Bispo dos Santos (1973) Brasileira, casada, cor parda, 37 anos, nascida em 21 de fevereiro de 1973,primeira filha de 04 irmãos, filha de João Bispo de Sena e Irani Dias dos Santos, naturalde Senhor do Bonfim-BA,. Tem dois filhos, sendo um de sexo feminino e outro do sexomasculino. Espírita, curso superior incompleto, professora, tempo de docencia 13 anoscom Carga horária de 20 (vinte) horas, renda salarial de até dois salários mínimos.
  38. 38. 37 Foto n° 02 Diretora Dulcinéia Candida Cardoso de Medeiros (1978) Brasileira, casada, cor parda, 32 anos, nascida 12 de dezembro de 1978,primogenita, filha de Arismário G. Cardoso e Doralice C. Cardos, natural de Senhor doBonfim-BA, tem quatro filhos, sendo 02 do sexo feminino e 02 do sexo masculino.Cristã, Pós-graduada em Educacao Infantil, tempo de docência 11 anos, sendo 01 anocomo Diretora, carga horária de 40 (quarenta) horas, renda salarial mais de dois saláriosmínimos.
  39. 39. 38 Foto n° 03 Professora Nanci Souza Bastos (1971) Brasileira, casada, cor parda, 39 anos, nascida em 08 de outubro de 1971, filhade Antonio Bastos Miranda e Maria S. Damasceno, quinta filha de 06 irmãos, natural deSenhor do Bonfim-BA, tem 05 filhos, sendo 03 do sexo feminino de 02 do sexomasculino, católica, curso superior incompleto (pedagogia), professora, 12 anos naeducação, carga horária, 40 horas com renda de até dois salários mínimos.
  40. 40. 39 Foto n° 04 Professora Iramaia Guirra (1965) Brasileira, casada, cor parda, 45 anos, nascida em 05 de julho de 1965, décimaterceira filha de 14 irmãos, filha de Fábio Guirra e Nivia Marinho, Natural de AntonioGonçalves- BA, tem duas filhas, católica, nivel superior completo, professora, 04 anos naEducação Infantil, carga horária 40 horas, renda de até dois salários mínimos.
  41. 41. 40 Foto n° 05 Secretária de Educação Maria das Neves de Aquino Dourado (1970) Brasileira, casada, cor parda, nascida em 15 de maio de 1970, oitava de onzeirmãos, filha de João José de Aquino e Terezinha Silva de Aquino, Natural de Senhor doBonfim-BA, um filho do sexo masculino, católica, curso superior, Secretária deEducação, 11 anos na educação, com renda superior a de dois salários mínimos.
  42. 42. 41 Foto n° 06 Maria de Fátima Gonçalves da Silva (não permitiu fotografar) Brasileira, solteira, cor parda, nascida em 15 de outubro de 19XX, Filha de JoséPedro Silva e Amália Gonçalves da Silva, Natural de Senhor do Bonfim-BA, católica,curso superior, Professora, secretária da Direc 28, a mais de 29 anos, com cargahorária 60 horas e não informou a renda salarial.
  43. 43. 42 Foto nº 07 Ex- Padre José Lourenço Fonseca de Carvalho (1932) Brasileiro, casado, cor branca, 79 anos, nascido em 06 de agosto de 1932,terceiro filho de 09 irmãos, filho de Antonio Lourenço de Carvalho Neto e JosefaFonseca de Carvalho, Natural de Salvador- BA, tem 02 (dois) filhos , um do sexofeminino e um do sexo masculino, católico, nível superior( Teológo) e aposentado daPatrobrás.
  44. 44. 432.5.2 Fontes escritas As fontes escritas foram fundamentais na construção do nossa pesquisa, poisatravés da mesma fundamentamos e esclarecemos as discussões sobre a temáticaescolhida, dando solidez e embasamento para o nosso trabalho. Buscamos nosaprofundar nas contribuições dos livros, teses de doutorados, artigos e documentosoficiais entre os quais destacamos alguns dos autores: ARIÈS (1981) CANDAU (2000)FRAGO e ESCOLANO (1998/2001), JULIA (2001), BACHELARD (2003), OLIVEIRA(2001/ 2008), LOPES E CLARETO (2007), MELIS (2006) entre outros. 1. Ariès (1981) traz o conceito de infância, a natureza histórica e social da criança e a família. 2. Candau (2000) ressalta em sua obra ―Reinventar a escola‖, uma análise crítica sobre o novo papel da escola, local de visão plural e histórica do conhecimento, da ciência, da tecnologia e das diferentes linguagens. 3. Frago e Escolano (2001) traz em sua obra:‖ Currículo, espaço e subjetividade – a arquitetura como programa‖. Trabalha o espaço escolar em todos os níveis, procurando explorar todas suas possibilidades enquanto instrumento realmente eficaz de educação. 4. Julia, (2001), em sua obra: ―A cultura escolar como objeto histórico‖, procura fornecer subsídios para o estudo da cultura escolar em perspectiva histórica, tornando possível a compreensão do modo como ao longo do tempo a escola tem se constituído em eixo matricial da cultura. 5. Bachelard (2003) em seu livro "A Poética do Espaço", o filósofo francês Gaston Bachelard (1884-1962) procedendo a uma específica análise de espaços e lugares, cria uma reflexão singular a que chama "Poética do Espaço".
  45. 45. 44 6. Oliveira (2001/2008) aborda aspectos que historicamente orientam a ideia de quais seriam as funções da creche e da pré-escola enquanto instituições de atendimento e educação de crianças pequenas. 7. Lopes (2007) ressalta como é que as comunidades escolares lidam com a questão do espaço, tanto do ponto de vista das noções de espaços, quanto do ponto de vista das relações sócio-espaciais. 8. Melis (2007) este livro fala a respeito dos espaços na escola de educação infantil, afirmando o espaço como um lugar educativo. 9. Alberti (2008) relata a história oral, bem como a utilização das fontes orais na coleta de relatos.2.6 LOCAL DA PESQUISA: O município1 de Senhor do Bonfim O município de Senhor do Bonfim – hoje sede da 28ª região administrativa daBahia – segundo historiadores regionais, teve a sua origem ligada às margens de umalagoa, atual Praça Simões Filho, local de paragem/passagem de tropeiros e aventureirosque se dirigiam às minas da Jacobina, e aos que, em direção contrária, iam ao encontrodas localidades banhadas pelas águas do Rio São Francisco. Seu povoamento origina-se na localidade de Missão do Sahy (1697), localidade pertencente ao Município deSenhor do Bonfim. Comunidade essa formada por remanescentes indígenas e que,inevitavelmente, sofreram a influência religiosa dos Franciscanos. Com efeito, no final do século XVII, fundaram os franciscanos o Arraial de Missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy, centro regional de catequização, isto é, de divulgação, transposição de idéias, da mentalidade cristã para a indígena ( ARAÚJO, 2001).1. http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel.painel.php?codmun=293010# acesso em 30jan/11
  46. 46. 45Senhor do Bonfim, de acordo com o IBGE¹ conta atualmente com um índicepopulacional de aproximadamente 74.431, distribuídos em seus 827.48 Km².2.6.1 Mapa de localização2.2 PAZ, Maria Gloria da. História e educação de mulheres remanescentes indígenas de Missão do Sahy.Tese de doutorado. UFRN: Natal, 2009
  47. 47. 46 2.7 DADOS GERAIS DA ESCOLA MUNICIPAL MATERNAL FUNDAÇÃO BONFINENSE A Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense está localizada na PraçaJuracy Magalhães, s/n, em Senhor do Bonfim-BA, funciona em dois turnos - matutino evespertino, possuindo seis salas de aula, uma sala de computação ainda em faseimplantação, uma secretaria, um almoxarifado, uma cozinha, dois porões, quatrobanheiros e um pátio pequeno. Possui uma área total de terreno de 740,51 m² e áreaconstruída de 200,00 m². A escola conta com 10 professores, 01 diretora e 12 funcionários e atende emmédia 260 alunos, número que pode variar, pois a escola está em período de matrículase nossa pesquisa teve início no final de 2010 e princípio de 2011, dando-nos condiçõesde afirmar que em 2010 as salas eram mais cheias, entre 25 a 30 alunos por classe.
  48. 48. 47 CAPÍTULO III3. DIALOGANDO COM OS SUJEITOS ENTEVISTADOS Neste capítulo apresentamos a interpretação das entrevistas a partir da questãoda nossa pesquisa: Como os professores e a diretor/a compreendem o espaço físico daEscola Municipal Maternal Fundação Bonfinense, Antiga LBA, em Senhor do Bonfim,Bahia e sua importância para o desenvolvimento das atividades sócio-pedagógicas dascrianças de 0 a 06 anos.3.1 Espaço Físico: Um ambiente apropriado para Educação Infantil De acordo com os entrevistados o espaço destinado à Educação Infantil, requeruma série de elementos. ―[...] teria que ter um, um berçário, e teria que ter um refeitório,um lugar para que se fizesse é.. brincadeiras, recreações [...]‖ . Devido ao tempo que acriança passa dentro da escola é necessário que esta escola promova o seu bem-estar,até porque a clientela da escola pública é formada por pessoas pobres, com váriascarências, com pouca perspectiva de sucesso e pouco estímulo de autoestima; nessesentido, a escola poderia oferecer um espaço agradável, onde a criança se sentisseacolhida, como expressa uma professora. […] ―essa criança teria que ter fora da sala de aula estes outros ambientes que é pra compor o ambiente de aprendizagem pra ela, o ambiente ideal seria esse, que não precisasse tirar a cadeira do lugar pra que essa criança pudesse brincar, que essa criança não tenha um recreio diferenciado de outras crianças por falta de espaço [..]‖ Interpretando outros depoimentos, pode-se concluir que o espaço da escolapesquisada não é acolhedor, não é agradável, não transmite segurança e não éconfortável, enfim, é um espaço inadequado para educação infantil, ―[...[ a criança,principalmente de educação infantil, precisa se sentir muito à vontade. Ela precisa gostardaquele ambiente, ela precisa se sentir acolhida naquele ambiente e nem semprenossas escolas têm esse ambiente, [ e ] passa essa segurança pra criança.‖
  49. 49. 48 Outros relatos consideram a estrutura de suma importância, mas como parteintegral desse complexo estaria a formação do professor, como destaca uma dasentrevistadas […]‖ mas a começar pelo tipo de professor que vai para educação infantil, que precisa de um professor que seja uma pessoa dinâmica, disposta a estar trabalhando com as crianças, a parte de coordenação motora, de expressividade, então, precisa de alguém que realmente tem uma postura dinâmica além da questão do professor que tenha essa postura dinâmica, que tenha formação adequada, né que uma coisa está atrelada a outra, ajuda, de repente não tem formação, mas a formação ajuda[...] ― Uma postura adequada desse professor poderia ajudar inclusive na distribuiçãodo ambiente e em sua utilização. Nesse sentido, por conta também dessa ausência deformação, percebemos que os ambientes destinados às crianças desconsideram asnecessidades da mesma, limitando seu desenvolvimento. Oliveira (2001) compreendeque: O ambiente infantil deve ser planejado para dar oportunidade às crianças desenvolverem domínio e controle sobre seu habitat, fornecendo instalações físicas convenientes para que as crianças satisfaçam suas necessidades – tomar água, ter fácil acesso a prateleiras, estante com materiais, a mesas e cadeiras – sem assistência constante (p.110). Os professores que atuam na escola percebem a importância do espaço físicopara o cotidiano escolar dessas crianças, sabem também que precisam adequar oespaço às atividades oferecidas […] ―precisa que tenha um espaço físico adequado, que para a educação infantil precisa de espaço, o ideal é que cada escola tenha uma área de refeitório, pra que eles possam fazer as refeições dele neste ambiente, onde o professor vai trabalhar aspecto como higiene, né, que tivesse banheiros adaptados, pra junto com a higiene eles tivessem fazendo a escovação, que o parquinho e uma área, além dessa área do parquinho uma área onde eles pudessem, uma área segura onde eles possam correr, brincar fazer atividades recreativas junto como os professores e também atividades livres, e que tenha material didático pedagógico necessário, porque muitas vão está trabalhando com essa parte lúdica e que envolve vários recursos, tintas, pinceis, e purai vai, né, uma serie de materiais que precisa pra educação infantil. Tem que ser espaçoso, em termos de sala, ele tem que ser arejado, tem que ser bem iluminado, amplo, tem que ser ambiente agradável. Criança gosta de colorido, não que tenha uma poluição visual, mas que quando fosse trabalhar a parte pedagógica tenha-se o cuidado de trazer coisas coloridas porque isso queira ou não queira chama a atenção da criança.‖
  50. 50. 49 Acredita-se que, nesse contexto, a criança deva sentir-se mais segura paraexplorar o ambiente, e assim assimilar a contribuição do meio para o seudesenvolvimento cognitivo, motor e emocional. 3.2 A influência do ambiente físico escolar no processo ensino-aprendizagem na visão dos professores A estrutura física das escolas nem sempre atende às necessidades básicas desua clientela, principalmente as de ensino público, não havendo uma preocupação emprojetar um ambiente que contemplasse o conforto, que fosse adequado paradesempenhar o seu papel e que evoluísse, tanto no sentido de ampliação como nasmudanças pedagógicas que ocorrem na educação. Segundo Melis (2007), ―o uso dosespaços está relacionado à aprendizagem. É preciso reconhecer que as criançasaprendem conceitos, testam hipóteses, percebem detalhes quando interagem com omundo concreto com o qual convivem‖ (p.45). Nesse sentido, a falta de espaçoadequado, onde a criança possa movimentar-se, pode gerar mal estar, dificultando aaprendizagem da mesma, como afirmam as professoras: […] ―Sim, a criança precisa de uma rotina, então quando uma escola não tem um espaço adequado, quando esse espaço precisa ser mudado, precisa ser modificado e quebra essa rotina prejudica o aprendizado dela‖. […] ―Se eu tenho um ambiente, que é um ambiente apertado, pequeno, impróprio, então a criança não vai ter um espaço adequado pra está conseguindo desenvolver o que essa faixa etária requer, né? então o ambiente pode interferir neste aspecto, no aspecto de aprendizagem, o professor ele pode trabalhar de maneira diversificada, na sala de aula, mas se ele tem uma sala de aula espaçosa, tem a possibilidade dele tá fazendo joguinhos nesta sala de aula, e se for uma sala de aula pequena onde não consegue afastar as carteiras, como ele vai fazer isso? Então de certa forma acaba prejudicando, neste aspecto o espaço pode prejudicar no desenvolvimento de algumas atividades, agora também vai depender da criatividade do professor em dentro do espaço que ele tem estar adequando e adaptando pra que os alunos não tenha prejuízo‖. De acordo com Oliveira (2008), ―o ambiente é o principal elemento dedeterminação do desenvolvimento humano, [...] desde que lhe sejam dadas condiçõesfavoráveis‖ (p.125). De acordo com Lima (2001), apud Lopes e Clareto (2007), ‖Oespaço é muito importante para criança pequena, pois muitas das aprendizagens que
  51. 51. 50ela realizará em seus primeiros anos de vida estão ligadas aos espaços disponíveis e/ouacessíveis a ela‖ (p.105). Constatamos, nos depoimentos dos professores, que a estrutura física da escoladeveria estar favorecendo aos sujeitos que ali convivem principalmente, no que se refereà ação pedagógica direcionada à Educação Infantil. Um ambiente que não seja arejado,bem iluminado, espaçoso, agradável, acessível pode vir a dificultar a aprendizagem dacriança e as relações ali estabelecidas. 3.3 O espaço físico da Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense na visão dos professores. Na visão dos professores entrevistados, há muita limitação no que se refere aespaço físico dessa Instituição de Educação Infantil, principalmente porque o prédio nãofoi projetado para ser uma escola, e sim uma casa residencial o que significa falta deespaço para adequação da escola à modalidade de educação à qual se propõe, [...] pra mim entrar em uma sala, na minha sala, eu tenho que passar pela sala de outra professora, pra que a gente vá até a sala do professor também se passa pela sala de outra professora, a cozinha na sala de educação infantil 1, a sala de educação infantil 1 a cozinha fica dentro da sala, fica o almoxarifado dentro de sala... quer dizer, tudo isso atrapalha... a professora não consegue dá uma aula, toda hora ela é interrompida porque se precisa passar, precisa fazer alguma coisa, é horrível, não é nada favorável é... Este depoimento deixa claro um dos transtornos enfrentados em sua práticadiária, que é a mobilidade das pessoas nas dependências da escola, ―[…] pra que agente vá até a sala do professor também se passa pela sala de outra professora [...]‖além de retratar a capacidade da comunidade escolar em articular maneiras dedinamizar o funcionamento dessa unidade infantil. ―[…] a gente ali tem que fazer cambalhota, tem que ser artista o tempo todo, tem que tá criando o tempo todo, pra puder prender a atenção da criança, pra tentar fazer um bom trabalho, sem prejudicar o professor que tá do lado, tem que usar muito da criatividade.‖
  52. 52. 51 De acordo com as condições existentes, os professores precisam usar decriatividade para proporcionar aos alunos pelo menos a realização de algumasatividades nas salas de aula, bem como no recreio ―[...] nós temos que fazer recreiosseparados, da educação infantil e do ciclo, [...]‖ para que as crianças menores possambrincar um pouco nos momentos destinados às atividades livres.3.4 As crianças e a hora do recreio: um local especial e as atividades realizadas O ambiente do recreio é um local diferenciado, pois é destinado ao lazer, àsbrincadeiras livres, jogos, pular, correr, bem como realizar as festas comemorativas daescola, servindo também para a interação entre seus pares, além de ser um localdestinado à execução de tarefas extraclasse mediadas pelos professores. Nesse sentidoo espaço pode criar condições favoráveis ou não ao desenvolvimento das crianças, mas,de acordo com as entrevistadas, o espaço sendo pequeno não oferece oportunidadespara um melhor desempenho das crianças. ―[...] eu acho que esse é nosso maior problema, a falta de espaço, um espaço mal apropriado, não tem, na sala de aula o espaço também é bem pequeno, eu acho pequeno, geralmente não se pode fazer muita coisa, não dá pra se fazer um cantinho de leitura, porque não se tem espaço pra isso, a sala geralmente são super lotadas ao ponto de professora não poder sentar pra descansar, não pode sentar um minuto.‖ Os depoimentos expressam preocupação com a condição de fazer educaçãoinfantil nessas condições e fica claro quando se trata do espaço destinado ao recreio,embora a escola possua um pátio coberto e pequeno, torna-se impraticável a realizaçãode atividades extraclasse devido à localização do pátio, em frente às salas de aula, ―[...]a sala, elas ficam virada pra ala onde tem a recreação, então são dois horários derecreio, um horário de 10:30 h e outro de 10:30 h a 11:00 h, então é uma hora perdida,porque os meninos brincam, zoam, ai não tem como controlar, eles fazem muitazuada,[...]‖ Algumas dificuldades impedem a realização de atividades extraclasse com ascrianças. O espaço somente serve para o recreio, assim mesmo com algumas limitaçõesem virtude de ser um espaço comum a outras turmas de alunos maiores. Um exemplo
  53. 53. 52citado é o do parque móvel. Este tem que ser colocado todos os dias, ou seja, não háuma disponibilidade permanente e sendo assim é parte de atividades controladas. […] dias é colocado um parquinho pra eles brincarem, fora essa área coberta, tem um restante de área descoberta onde eles podem..é .. correr um pouco, não tanto porque tem uma área que é um pouco em declive e já oferece perigo e a gente tem que tá tomando cuidado nesse sentido. As demais entrevistadas afirmam que a escola possui o espaço recreativo, noentanto esse espaço é pequeno. Interpretamos a partir desses relatos, que o espaçonão oferece estímulo para o desenvolvimento motor das crianças, pois estas sóinteragem com seus pares, limitando seu desenvolvimento corporal e seus movimentosdevido à falta de brinquedos que possam oferecer desafios para crianças. De acordocom Oliveira (2001), ―os ambientes devem fornecer oportunidades para as criançasandarem, correrem, subirem, descerem e pularem com segurança‖ (p.110/111). O espaço escolar em questão possui uma arquitetura que limita a criança emsuas ações, como também restringe o professor em realizar as atividades inerentes aoatendimento a essa faixa etária, que exige um espaço maior, seja ele interno ou externo,e com possibilidades de fazer crescer e florescer em atitudes e sentimentos de alegria ecrescimento, conforme nos recomenda Bachelard (2003, p.204) ―O espaço, fora de nós,ganha e traduz as coisas [...]‖3.5 A localização das salas: uma contribuição para a qualidade do ensino A sala de aula é concebida como um espaço privilegiado da cultura escolar(Candau, 2000), nesse sentido há de refletir que cultura está sendo vivida, pois como umlugar de troca de experiências, de diversidade, crenças e ideias e valores, lugar derelação pedagógica, confirmando sua heterogeneidade. É um lugar de vivências e deconflitos. É certo que a arquitetura do espaço onde se desenvolve o ensino poderia serprojetado de forma que facilitasse a locomoção dos seus usuários e com uma atenção
  54. 54. 53especial para a faixa etária a quem é destinado o espaço escolar infantil, uma realidadeobservada no depoimento que segue ―Então... as salas elas foram projetadas de forma errada, foram construída uma sala dentro da outra, se fez algumas adaptações que não deu resultado se é de ajudar o professor, complicou mais ainda, porque é uma sala dentro da outra, quem já se viu um negócio desse? É uma cozinha que funciona dentro de uma sala de aula, é um almoxarifado que funciona dentro de uma sala de aula, então não tem nada a favor da educação, nada, a gente ali tem que fazer cambalhota, tem que ser artista o tempo todo, tem que tá criando o tempo todo, pra puder prender a atenção da criança, pra tentar fazer um bom trabalho, sem prejudicar o professor que tá do lado, tem que usar muito da criatividade..‖ Na escola pesquisada, algumas salas de aula ficam dentro de outra sala de aula,ou seja, existem caminhos de acesso por dentro das sala de aula, causandointerrupções na execução das atividades escolares, distração entre as crianças edeconforto entre os professores, conforme depoimentos abaixo: ´[…] nós temos um problema assim, de sala dentro da outra, no caso da minha, na minha sala fica a cantina e o almoxarifado, então fica muito aquele... o entre e sai, como se diz.. o entre e sai e prejudica muito a atenção das crianças, o professor, tem que tá parando pra esperar até que o pessoal saiam. Outro aspecto observado nos depoimentos diz respeito à localização da escola.Não há placas de trânsito nem redutores de velocidade indicando que é passagemescolar. O trânsito é intenso, principalmente no horário em que a escola está encerrandosuas atividades. Esta é uma preocupação dos professores ―Na hora da saída os pais chegam essas crianças ficam numa mine-calcada, o trânsito é intenso, é um risco terrível desses meninos saírem correndo, a hora da saída pra nós é um tormento, ainda tem que ficar o tempo todo prestando atenção naquelas crianças, a localização da escola que também não é adequada ela fica numa área que tem um movimento muito grande, entendeu? Então é carro subindo, é carro descendo, é moto e essas crianças querem sair correndo, os pais às vezes, é mais de um que vai buscar, não presta atenção. Na hora da saída, a gente fica o tempo todo; olha fulano, olha o menino, olha o menino,com medo de acontecer um acidente, entendeu? De fato a localização da referida escola é uma área urbana central, onde a via detrânsito é mão única, com baixo declive e sem a devida sinalização, tornando-se umaárea perigosa. Toda área escolar deve ser sinalizada, ter redutores de velocidade,principalmente quando se trata de escolas destinadas ao público infantil. De acordo com
  55. 55. 54o depoimento acima, é possivel perceber a aflição que o professor tem no horário dasaída, visto que é o momento em que as crianças ficam inquietas, na expectativa de irao encontro dos seus pais, aumentando ainda mais a responsabilidade do professor.
  56. 56. 55 TECENDO ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A Escola Municipal Maternal Fundação Bonfinense, de acordo com nossasobservações, não possui uma estrutura física que atenda às necessidades das criançasque a freqüentam. Não conta com uma brinquedoteca onde possam ser desenvolvidosjogos diversos, brincadeiras, casinha de bonecas, fantoches, carrinhos, balanços,escorregadeiras e outros, ampliando assim a socialização, o desenvolvimento daimaginação através do brincar. Não possui uma biblioteca onde as crianças possammanusear livros, inventar histórias, ―ler histórias‖, contar histórias, manusear revistas.Não tem sala de vídeo para os professores realizarem atividades diferenciadas. Na árealivre, existe um local em que as crianças não tem acesso, pois o terreno é íngreme eperigoso. O pátio coberto é pequeno e a parte descoberta é uma ladeira comcalçamento, que em dias de chuva torna-se escorregadio . Enfim os professores selimitam à sala de aula. A referida escola possui muitos entraves que dificultam a concentração dascrianças, pois existe uma sala de aula dentro da outra sala de aula e as crianças daoutra sala precisam muitas vezes ir ao banheiro e ficam transitando pela outra sala. Emoutra sala de aula fica a cozinha, que causa muito barulho devido às atividadesexercidas pelas cozinheiras (cozinhar, lavar pratos, ligar liquidificador, higienizar acozinha, etc.) e afetam diretamente a concentração das crianças, além do vai e vem,pois a cozinheiras têm que passar por dentro da sala de aula para ir para cozinha e ir àdispensa. Outro problema são os banheiros, que além de se destinar a pessoas adultas,ficam longe das salas de aula e as crianças para irem ao banheiro, tem que se deslocarna maioria das vezes sozinhas expondo-se à riscos, pois existe uma ladeira. Quandopossível a professora acompanha a criança até o banheiro. Recentemente o municípiocolocou uma assistente, facilitando no acompanhamento da criança.. Outro detalhe é apia de lavar mãos, que é alta e as crianças pequenas têm dificuldade para alcançá-la erealizar sua higiene. No aspecto de pintura a escola é carente , o mobiliário de algumasturmas está sucateado e não é adequado para a idade. O piso de algumas salas é ruim,

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