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18(p.32). E assim caberá ao educador permear essas vivências com suas práticaspedagógicas.      Nesse ensejo é importante ...
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24      Para Machado (1991) o professor de educação infantil precisa estar de fatocomprometido com a prática educacional c...
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26a fim de que possa possibilitar uma base sólida que influenciará todo o processo dedesenvolvimento da criança. Nesta vis...
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343.2 OS AGENTES DA PESQUISA      Assim, tivemos como sujeitos de pesquisa seis professores (as) da Creche-Escola Paroquia...
35      Na creche, as crianças têm atendimento / educacional, recreativa, nutricionalem dois turnos. No turno matutino ela...
36                     Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo.                     Ele se ...
37      A entrevista não é uma simples conversa. É um diálogo com um propósito derecolher por meio de interrogatórios, esc...
38aspectos sociais, econômicos e educacionais dos sujeitos pesquisados, obtivemosinformações precisas sobre a creche. Ness...
39                                  CAPÍTULO IV4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS      Este capítulo tem o objetivo de apresentar...
404.1.1 GÊNERO      Os sujeitos da pesquisa são em sua totalidade do sexo feminino. Reforçandoconcepções e idéias que se t...
414.1.2 IDADE                                          De 30 anos a 39                                          anos     5...
42qualificação, devido a necessidade de buscar conhecimentos na área em queatuam. Em nosso campo de observação notamos int...
43pouca experiência de tempo na área da Educação Infantil. Os ParâmetrosCurriculares Nacionais (1998) dizem: “São os profe...
44         Isso nos leva a pensar que quando o professor trabalha por um único períodoele pode se dedicar mais tempo para ...
45      Verifica-se no gráfico que 67% das professoras que trabalham na crecheparticipam de cursos de formação continuada ...
464.1.8 RENDA FAMILIAR             17%      0%                                                Entre 1 e 2 salários        ...
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48                    É um espaço onde a criança recebe segurança, carinho, educação                    desenvolvendo açõe...
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Monografia Leidiane Pedagogia 2011
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Monografia Leidiane Pedagogia 2011

  1. 1. 10 INTRODUÇÃO O presente trabalho monográfico se desenvolveu em torno do mote “Creche:repensando a qualidade da educação para a primeira infância” e, como o própriotema indica, o nosso enfoque é direcionado a uma reflexão sobre a qualidade deeducação ofertada nas creches, posto que de acordo com a Lei 9.394/96, aEducação Infantil abrange a faixa etária de zero a cinco anos e as creches atendema primeira fase da Educação Infantil para crianças de zero a três anos de idade. Não podemos deixar de ressaltar que a Educação Infantil começou a ganharimportância com a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1996, apartir do seu reconhecimento como parte integrante da educação básica. Mas nãopodemos ignorar que falta qualidade nessa etapa de ensino principalmente porque,é preciso conhecer as características de cada faixa etária para saber como trabalhá-las respeitando o modo de ser e de pensar específico de cada idade como também,saber o que é necessário oferecer nesse nível de ensino, de modo a promover odesenvolvimento infantil através dos sentidos e das ações corporais que provoquemsensações e desafios motores; da estimulação da linguagem oral através decantigas, rodas de conversa, gestos, mímicas. O trabalho na Educação Infantil devepromover autonomia, possibilitando a criança decidir do que brincar, com quembrincar e o que mais gosta de fazer; levando sempre em conta que nesta fase deEducação-Infantil-Creche o movimento é muito importante e quanto mais a criançase movimenta maior será o seu aprendizado, uma vez que ela ainda não domina acapacidade de expressão através da fala. Outro aspecto responsável pela qualidade da educação para a primeirainfância é o ambiente onde a criança é acolhida, este precisa ser propício àsatividades que lá serão desenvolvidas: espaçoso, confortável e seguro. Partindodesses pressupostos, buscamos Identificar o papel da creche para odesenvolvimento da criança na primeira infância na perspectiva dos professores erefletir sobre a qualidade da educação ofertada na Creche-Escola Paroquial.
  2. 2. 11 Conforme o que foi anunciado nas considerações iniciais, ainda almejamospor meio dessa pesquisa novas idéias que contribuam para a melhoria da educaçãodestinada à primeira infância. Nossa pesquisa foi dividida em quatro capítulos. No capitulo I, traçamos um esboço à luz da história sobre o surgimento dacreche, fazendo uma breve retrospectiva desde a eclosão da era industrial até a eraatual situando o tema no contexto contemporâneo. No capitulo II, temos os conceitos-chave respaldados por definições deteóricos estudiosos do tema em questão e algumas considerações que julgamospertinentes de nossa autoria. No capitulo III, apresentamos a metodologia adotada no deslanchar dessetrabalho, buscando referência em autores renomados para encontrarmos asestratégias adequadas ao nosso objetivo. No capitulo IV, temos as análises e interpretações dos resultados com autilização da observação participante, entrevista semi-estruturada, questionáriofechado. Através da analogia das concepções dos sujeitos entrevistados com osdiscursos colhidos na fundamentação teórica, nos foi possível a visão do queesperávamos alcançar. Nas considerações finais, sintetizamos tudo que foi percebido e apreendidoem torno dessa importante temática, o que nos permitiu tecer opiniões e sugestõesna expectativa de estarmos contribuindo de alguma forma para a melhoria daeducação destinada à primeira infância.
  3. 3. 12 CAPÍTULO I 1. PROBLEMATIZAÇÃO CRECHES: COMO, POR QUÊ E PARA QUÊ? Diante do cenário de grandes transformações sociais, educacionais eeconômicas que ora vivenciamos, a influência educativa que a creche pode exercerna formação de indivíduo em seus primeiros anos de vida tem se revelado comofator fundamental na concepção e realização da proposta pedagógica da escola. Nesse contexto, a creche no Brasil desde a sua criação na década de 20 doséculo passado, tem representado um espaço acolhedor e seguro, onde as criançasde zero a seis anos recebiam cuidados, enquanto seus pais trabalhavam e segundoMachado (1991) esta: [...] demanda da sociedade por um espaço onde as crianças de zero a seis anos permanecessem cuidadas enquanto seus pais trabalhavam, foi determinante na proliferação desse tipo de estabelecimento. Nessa perspectiva predominou a chamada visão assistencialista e sanitarista, isto é, caberia a essas instituições substituir a mãe no cuidado da criança, alimentando e cuidando da sua higiene e saúde com muito rigor. Proteção e carinho também eram vistos como ingredientes importantes. (p. 17). Objetivando refletir sobre os fundamentos da creche que tem mais de meioséculo de existência como educação extradomiciliar, remontamos a suahistoricidade na época da Revolução Industrial, quando mulheres, tanto solteirasquanto casadas, ingressaram no mercado de trabalho e para as mulheres dapopulação de camadas populares que trabalhavam fora, a creche passou a seressencial no acolhimento e cuidados aos filhos das mães trabalhadoras. Bem comoafirma Oliveira (1992): A implantação da industrialização no país, na segunda metade do século passado, provocou a necessidade de incorporar grande número de mulheres, casadas ou solteiras ao trabalho nas fábricas. As que eram mães tiveram que enfrentar o problema do cuidado aos seus filhos. (...) Tanto o discurso dos patrões quanto o próprio movimento operário tinha um ideal de mulher voltada para o lar e que só trabalhava por necessidade econômica. Com isso as poucas creches criadas continuavam a ser vistas apenas como paliativos, como remediando uma situação com um mal necessário (p. 18).
  4. 4. 13 Sendo assim, a criação da creche foi motivada pela estruturação docapitalismo, da crescente urbanização e necessidade da força de trabalho. Nessecontexto, é oportuno dizer que a creche surgiu inicialmente como uma instituiçãoassistencial, que ocupava o lugar da família, nas diversas formas de ausência. Hajavista que só freqüentavam as creches crianças cujas mães trabalhadoras nãopodiam pagar uma profissional para cuidá-las em sua residência, e as pessoas quecuidavam das crianças nas creches tinham apenas que desempenhar o papel demãe substituta; sem nenhum preparo de cunho educativo. É cabível pontuar aqui, que a conquista do direito à creche se deu depois demuitas reivindicações e conflitos. Na década de 40 o presidente Getúlio Vargas criouuma lei que determinava que as empresas oferecessem bercários para acolher osfilhos das mães trabalhadoras, durante o período da amamentação. Comocontextualiza Oliveira (1992): Procurando regulamentar as difíceis relações entre patrões e empregados, o presidente Getúlio Vargas criou, em 1943, uma legislação específica, a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho). Esta lei determinou a organização de berçários para abrigar os filhos das operárias durante o período da amamentação. Tal lei, entretanto, abria espaço para que outras entidades, que não a própria empresa empregadora da mãe, realizassem essa tarefa através de convênios. (p. 19). Faz-se necessário saber que a criação dessas leis foi muito importante paraas mulheres, pois alcançaram alguns direitos que as amparavam e davamconfiança, tanto para elas como para os seus filhos, assegurando cada vez mais asua posição no mercado de trabalho. Vale ressaltar que nas décadas de 30, 40 e 50existiam poucas creches fora das indústrias, e essas eram administradas porentidades filantrópicas que, com o tempo, passaram a receber auxílio do governopara desenvolver trabalhos. É importante reforçar que na década de 60 não só as mulheres de camadaspopulares trabalhavam, mas as de classe média também, enfrentando os mesmosproblemas de não terem onde deixar os seus filhos, surgindo, porém, as creches epré-escolas particulares. Nesse contexto inicia-se a ideologia da EducaçãoCompensatória, em que as crianças economicamente menos favorecidas são
  5. 5. 14carentes e inferiores às crianças de classe média; essa ideologia acreditava que aescola creche poderia compensar essa deficiência. Oliveira (1992) diz: Verificamos assim, que as crianças dos diferentes grupos sociais eram submetidas a contextos de desenvolvimento diferentes e desiguais, nas famílias, nas creches e pré-escolas. Enquanto que as crianças pobres eram atendidas em creches com propostas que partiam de uma idéia de carência e deficiência, as crianças mais ricas eram colocadas em ambientes estimuladores e consideradas como tendo um processo dinâmico de viver e desenvolver-se (p. 21). Na verdade, a problemática da Educação Infantil não é nova, considerandoque a ação educativa das crianças no Brasil acompanha a trajetória histórica dopaís. Daí a necessidade e importância de se enfatizarem os estudos e investigaçõesacerca das políticas públicas direcionadas a essa modalidade educacional,especialmente na creche. A este respeito Cerisara (2002) contribui dizendo: A creche pelas próprias características do seu percurso histórico em nossa sociedade tem oscilado entre o domínio doméstico da família das crianças, cuja responsável tem sido a professora dos alunos das séries iniciais do ensino fundamental. Portanto, o conflito reside entre outros fatores, na identidade dessa instituição em relação ao domínio a que pertence, pois é a partir dele que sua função social e educativa pode ser definida e, como decorrência, a identidade que a profissional deve ter, em concordância com a identidade e funções assumidas pela instituição (p.50). Desse modo, na década de 80 notou-se que o desenvolvimento cognitivo,afetivo, social e cultural não deslanchava e este modelo de creche embasado no“cuidar” passou a ser questionado por vários segmentos da esfera social. E tambémpor entidades civis organizadas em defesa dos direitos da primeira infância,resultando em movimentos reivindicatórios que solicitavam a extinção do sistemaexclusivamente assistencialista, em prol de um trabalho dirigido à educação e aodesenvolvimento da criança. No Brasil, a Educação Infantil – em especial a creche – começou a ter espaçoe avanço na política educacional, a partir da progressiva conscientização dapopulação brasileira, que começou a lutar pelos seus direitos, através departicipações em movimentos sociais, culminando numa conquista significativa daEducação Infantil no Brasil: o reconhecimento na Constituição de 1988, que dádireito à Educação a todas as crianças de zero a seis anos, e do dever do Estado de
  6. 6. 15oferecer creches e pré-escolas para tornar fato este direito. A esse respeito Oliveira(1992) salienta: Culminando este processo, a própria constituição de 1988 reflete o movimento recente de repensar as funções sociais da creche. Ela reconhece a creche como uma instituição educativa, um direito da criança, uma opção da família e um dever do Estado (p.22). Outro avanço obtido pela Educação Infantil foi a Aprovação do Estatuto daCriança e do Adolescente (ECA lei n° 8069/90) que, no artigo 53 afirma o direito dacriança à educação, visando o pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparando-apara o exercício da cidadania. Dessa forma a ação educativa necessita de umareflexão sobre a relação de ensino e aprendizagem embasada num sistemademocrático que vise o acesso e permanência dos educandos na escolavalorizando-os de forma plena e integral, respeitando suas individualidades epotencialidades. Reafirmando os direitos da criança, a Lei de Diretrizes e Bases da EducaçãoNacional (LDB 9394/96) sistematiza e confirma o princípio da Educação Infantiloferecer em creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos deidade e pré-escolas para as crianças de quatro a seis anos de idade. (CAP I e II,ART. 30). Fica evidente que, a partir desta lei, a criança passa a ser encarada como umsujeito de direitos, com necessidades específicas, havendo um reconhecimento danecessidade de um atendimento pedagógico e não apenas cuidados que a poucaidade exige. Com o propósito de garantir às crianças de zero a seis anos os direitosestabelecidos nesta lei (9.394/96), o MEC (Ministério da Educação e Cultura)desenvolveu políticas de Educação Infantil, em instâncias competentes, objetivandouma melhoria da qualidade de atendimento em creches e pré-escolas. Para estaúltima surgiu o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (1998), comoelemento orientador de ações, na busca de nortear pedagogicamente a prática
  7. 7. 16cotidiana do atendimento dado à Educação Infantil que, até então, na grande maioriadas creches e pré-escolas era tratado de forma meramente assistencialista. No entanto, esse reconhecimento legitimado nos Referenciais CurricularesNacionais da Educação Infantil não tem deslanchado no tocante ao cumprimento ealcance de metas. Ou seja, a Educação Infantil na Escola Pública ainda nãoavançou em seus reais objetivos e o problema é atribuído por muitos estudiosos aocurrículo, por este ter sido elaborado pela elite e para a elite; não contemplando asclasses menos favorecidas. Vale ressaltar, que no ano de 2006 houve um avanço nas PolíticasEducacionais, surgindo o FUNDEB (Fundo de Manutenção de Desenvolvimento daEducação Básica e Valorização dos Profissionais da Educação), que prevê no seucumprimento como legislação, recursos extensivos à educação infantil (creches epré-escolas), ensino fundamental e médio. Nesses documentos, a criança recebeu atenção especial e passou a ser alvodos deveres públicos do estado e da sociedade. Os movimentos sociais e ospoderes públicos (municipais, estaduais, e federais) vêm se empenhando no sentidode melhorar a qualidade do ensino, em especial à educação voltada para a primeirainfância. É importante salientar que houve avanços relativos à legislação e definiçõesnas políticas educacionais, o que não significa que essas se concretizam naspráticas reais. Pois, como ressalta Campos (Apud MACHADO, 2005): O divórcio entre a legislação e a realidade, no Brasil não é de hoje. Nossa Tradição cultural e política sempre foram marcadas por esta distância e até mesmo pela oposição entre aquilo que gostamos de colocar no papel e o que fazemos na realidade (p.37). Com isso a legislação assume a concepção de crianças como sujeito dedireitos e deveres, o que exige uma formação específica dos profissionais quetrabalham com elas na Educação Infantil, realizando uma prática pedagógica emconsonância com essa exigência.
  8. 8. 17 Na perspectiva de garantir às crianças pequenas uma educação dequalidade, tão defendida nos discursos, é preciso que posturas por parte dasautoridades e dos educadores diante da fase inicial da vida escolar de nossascrianças sejam repensadas no sentido de prepará-los para o processo deaprendizagem. E mais ainda se faz necessário repensar sobre a designação deprofessores menos preparados e menos comprometidos para trabalhar em creche,sem experiência, sem especialidade em Educação Infantil. É preciso reverter essasituação de notória gravidade. Pois conforme afirma Oliveira (2001): (...) Esta postura apóia-se no pressuposto de que a criança de 0 a 6 anos tem características e necessidades diferenciadas das outras faixas etárias, que requerem cuidado e atenção por parte do adulto e que, quando negligenciadas, colocam em risco a sobrevivência da própria criança, ou comprometem gravemente seu desenvolvimento posterior (p.26). Portanto, profissionais que detêm profundo conhecimento sobre a fase dodesenvolvimento infantil, terão muito mais capacidade de contribuir para ofereceruma educação de qualidade às crianças pequenas e estas serão cuidadas, tantofísica quanto educacionalmente. Neste sentido é essencial ressaltar a importânciados cursos de capacitação e formação continuada para os profissionais atuantes nascreches. Macêdo (1991) explicita: [...] entendemos que uma proposta de qualidade, só se viabilizará através do trabalho de profissionais capacitados na área de ensino pré-escolar e condições infra-estruturais satisfatórias. Ademais, diante do quadro de escassez de iniciativas e de profissionais capacitados freqüentemente apontadas pelas estatísticas nesta área, qualquer programa pré-escolar que tenha objetivo a qualidade, implica na crescente valorização do profissional da pré-escola, a pré-capacitação bem como a capacitação ao longo do processo (p.16). Diante do exposto é cabível pontuar que no processo de Educação Infantil,(especialmente o que é praticado na creche), o papel do educador é de grandeimportância, pois é ele que cria os espaços, disponibiliza materiais, participa dasbrincadeiras. Ou seja, faz o intermédio na construção do conhecimento. Em estudosrealizados sobre a aprendizagem e desenvolvimento infantil, Maluf (2003) afirma que“quanto mais a criança participa de atividades lúdicas, novas buscas deconhecimentos se manifestam, seu aprendizado será sempre mais prazeroso”
  9. 9. 18(p.32). E assim caberá ao educador permear essas vivências com suas práticaspedagógicas. Nesse ensejo é importante mencionarmos que um dos maiores defensores daEducação Infantil foi Froebel que, em l840, na cidade de Blankenburg fundou oprimeiro Jardim de Infância visando suprir as necessidades educacionais da criançaem sua primeira infância, através de um ensino baseado numa educaçãoespontânea, em que a criança se sentisse livre para expressar seu interior ealcançar seus interesses através de atividades práticas, tendo como fundamento apercepção e a aquisição da linguagem, exercitando os sentidos por meio debrincadeiras, possibilitando o contato sensorial com o mundo exterior. Segundo Arce(2002) “as técnicas utilizadas até hoje em Educação Infantil devem muito a Froebel,que viu nas brincadeiras o primeiro recurso no caminho da aprendizagem” (p.35). Em síntese, é considerável a repercussão do brincar no desenvolvimento dacriança, englobando o trabalho e a brincadeira em grupo, a arte, a imaginação, acriatividade, visando a construção dos sujeitos solidários, autônomos, críticos e comestruturas afetivas e cognitivas necessárias para operar sua realidade social epessoal. Almeida (2003) destaca o papel da ludicidade no desenvolvimento dacriança: A educação lúdica além de contribuir e influenciar na formação da criança e do adolescente, possibilitando um crescimento sadio, um enriquecimento permanente integra-se ao mais alto espírito de uma prática democrática, enquanto investe em uma produção séria do conhecimento. Sua prática exige a participação franca, criativa, livre, crítica, promovendo a interação social e tendo em vista o forte compromisso de transformação e modificação com o meio (p.57). A esse respeito Vygotsky (1998), alerta sobre a importância e a necessidadedo brinquedo na infância. No seu entendimento as maiores aquisições de umacriança são alcançadas no brinquedo, aspectos que determinarão seu nível básicode ação real e moralidade na vida adulta. Nessa perspectiva, o trabalho na creche de cuidar e educar crianças de zeroa seis anos nos remete a refletir também sobre a importância do relacionamento
  10. 10. 19com o outro; pois a partir do convívio com outras crianças o desenvolvimentopsicológico e cognitivo é favorecido, à medida que a interação entre as crianças vaiacontecendo – principalmente, quando um pede para o outro um lápis, umaborracha ou quando observa o desenho do outro e tenta imitá-lo etc. Bem assimnoutras brincadeiras. No entanto, para atuar na Educação Infantil – principalmente a que épraticada nas creches – é preciso que o educador desempenhe o seu papel nodesenvolvimento humano, social e cultural dessas crianças. Que não as veja comose fossem uma folha de papel em branco, mas como cidadãs, considerando osconhecimentos que as crianças já trazem consigo enquanto pessoas criadoras decultura, o que tem implicações profundas para o trabalho realizado em creches, pré-escolas e outros espaços não-formais, de caráter científico, artístico ou cultural. Diante disso, vê-se a importância do ambiente escolar ser acolhedor, onde osprofissionais de Educação Infantil – em especial os das creches – sejamcomprometidos com a sua profissão e com seus alunos, já que trabalhar com aeducação de crianças nos seus primeiros anos de vida é essencial para melhorar oíndice de aprendizado dos alunos, estimulando-os desde cedo na busca peloconhecimento. Para tanto é indispensável refletir as práticas pedagógicas utilizadas paradespertar na criança a vontade de aprender. É preciso sobretudo repensar sobre anecessidade da boa formação do educador, para que desenvolva atividadesadequadas a esta faixa etária (zero a seis anos), em que a falta de preparação doprofessor que não domina o processo cognitivo e psicológico pelo qual a criançapassa nesta fase pode prejudicar todo o desempenho infantil, tanto escolar quantosocial e familiar. Diante do contexto nacional, percebe-se uma crescente preocupação com acreche, que já se apresenta com algumas conquistas na área. Um exemplo disso é aincorporação da creche ao sistema de ensino dando, desse modo, sinais de haverao menos um reconhecimento para a construção de uma identidade nova, que vise
  11. 11. 20atender melhor a criança pequena dentro de suas aspirações. Conforme relataMachado (2005): Cresce a consciência no mundo inteiro, sobre a importância da educação das crianças de 0 a 6 anos em estabelecimentos específicos como orientações e práticas pedagógicas próprias, como decorrência das transformações socioeconômicas verificadas nas ultimas décadas, e também apoiada em fortes argumentos consistentes advindos das ciências que investigam o processo de desenvolvimento da criança (p.44). Atualmente, na Educação Infantil, o debate concentra-se na autonomia dacreche, a fim de que possa elaborar e desenvolver o seu projeto político pedagógicovoltado para a realidade de seus alunos. Considerando esse contexto, percebe-seque o espaço educativo deve ser negociado e compartilhado entre todos os atoressociais, como elementos indicadores de qualidade, seguido de professores quecompreendam e pratiquem a sua práxis educativa pautada na ética e que objetive odesenvolvimento das crianças. Esse bom indicativo nos é feito por Arroyo (1995): O professor ao em vez de focalizar a criança como o centro do processo avaliativo, tem que avaliar o seu trabalho pedagógico, ou melhor, o contexto educativo que passa a ser a referência e, assim, a observação do cotidiano constitui-se como cenário de discussão e análise envolvendo todos os sujeitos (p.17). Frente a este panorama, uma indagação nos provoca a refletir sobre aqualidade da educação que acontece nos espaços das creches. No Brasil, não seconseguiu ainda determinar na prática, a mudança na realidade das criançasbrasileiras e nas propostas de trabalho das creches e pré-escolas, considerando quea política da Educação Infantil determina como funções da creche e pré-escolacuidar e educar. Diante disso, surgiu-nos a seguinte inquietação: Qual o papel dacreche para o desenvolvimento da criança na primeira infância, na perspectiva dosprofessores? Justificamos a relevância dessa pesquisa, por entendermos que a educaçãovoltada para a primeira infância é de grande importância para a formação humana,trazendo concepções da responsabilidade do profissional da Educação Infantil nodesenvolvimento da primeira infância e da responsabilidade da creche-escola e dasociedade para a sua formação. Nessa perspectiva sentimos a necessidade de um
  12. 12. 21estudo mais profundo sobre o papel desta instituição e dos profissionais que nelasatuam, fazendo-os repensar se suas práticas educativas estão condizentes com afaixa etária das crianças assistidas. Sendo assim, o presente trabalho tem comoobjetivo Identificar o papel da creche para o desenvolvimento da criança na primeirainfância, na perspectiva dos professores.
  13. 13. 22 CAPÍTULO II2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA É indispensável que a Educação Infantil – principalmente a que é praticadanas creches – seja um espaço que propicie o desenvolvimento infantil considerandoos conhecimentos e valores culturais que as crianças já trazem consigo egradativamente garantindo a ampliação destes, de forma que auxilie na construçãoda autonomia, cooperação e criatividade, contribuindo para a formação decidadania. Este capítulo discutirá o perfil profissional do professor, dandoseguimento falaremos sobre a creche e finalizando a discussão com odesenvolvimento da primeira infância.2.1 O PERFIL PROFISSIONAL DO PROFESSOR DE CRECHE Percebe-se que o professor de Educação Infantil é um mediador entre acriança e o conhecimento, exercendo a função de organizador, facilitador,incentivador e motivador, enfim é de grande importância para mediar seus alunos naconstrução do conhecimento, no sentido de permitir o desenvolvimento da criança,sua segurança física e emocional, mobilizando o aluno para sua aprendizagem. Isto implica dizer que o professor precisa ser principalmente um educador,assim faz-se necessário reconhecer que o processo educativo é constituído de umatroca de saberes. Como reforço vale ainda lançar mão de Paulo Freire (1996)quando diz que não há docência sem discência, pois “quem ensina aprende aoensinar e quem aprende ensina ao aprender” (p.25). Assim, estamos conscientes que o professor de creche é uma figura essencialno processo educativo – no entanto é necessário que ele não veja como se só eledetém conhecimentos, tendo assim o que transmitir e o aluno receber. Já que oprocesso educativo é contínuo, constituído de uma troca de saberes, o professornão é o único que detém conhecimentos.
  14. 14. 23 É pertinente destacar que o professor não assuma uma postura deautoritarismo, “impondo” seu conhecimento, como se ele fosse o dono do saber,sem levar em consideração os saberes prévios dos alunos. Cabe ainda citar Angotti (2006) em suas reflexões sobre o educador infantil: O educador infantil deveria valer-se da teoria, da ciência, da tecnologia, mas também de sua sensibilidade; deveria, portanto integrar vários campos de conhecimento em sua prática profissional. Tais conhecimentos esclareciam quem a criança alvo de seu trabalho, quais são suas peculiaridades e que planos poderiam ser traçados para o seu cuidado e educação. Para reunir todas essas condições, tal profissional deveria ser um indivíduo maduro e reconhecer que suas atribuições e responsabilidades influenciam sua capacidade de desempenhar o cuidado (p.84). Compreende-se o professor como um indivíduo capaz de contribuir para odesenvolvimento cognitivo, social e cultural de seus alunos. Em palavras maisprecisas Kramer (2001) afirma que um bom professor deve: Tomar a realidade das crianças como ponto de partida para o trabalho, reconhecendo sua diversidade; observar as ações infantis e as interações entre as crianças, valorizando estas atividades; confiar nas possibilidades que todas as crianças têm de se desenvolver e aprender promovendo a construção de sua auto-imagem positiva; propor atividades com sentidos reais e desafiadores para as crianças, que sejam, pois, simultaneamente significativas e prazerosas, incentivando sempre a descoberta, a criatividade e a criticidade; favorecer a ampliação do processo de construção dos conhecimentos, valorizando o acesso aos conhecimentos do mundo físico e social; enfatizar a participação e ajuda mútua possibilitando a construção da autonomia e da cooperação (p.38). Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil(Introdução, 1998) o trabalho direto com crianças pequenas exige que o professortrabalhe com conteúdos de naturezas diversas, que abrangem desde cuidadosbásicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes de diversas áreas.No entanto, o que costumamos presenciar nas creches é um número significativo deprofissionais sem formação escolar mínima, denominados de berçarista, auxiliar,babá, monitor, recreacionista.
  15. 15. 24 Para Machado (1991) o professor de educação infantil precisa estar de fatocomprometido com a prática educacional como também com conhecimentosinerentes aos cuidados e aprendizagem infantis, e acrescenta que: O educador ideal deve possuir algumas características básicas: ser observador, ter olhos, ouvidos, sensibilidade para perceber as necessidades da criança, do grupo. Deve ser um pensador, pois a reflexão procede e acompanha a atuação propriamente dita. Conseqüentemente, será também uma figura atuante, envolvendo-se nessa relação e estará atento ao mundo ao seu redor, aberto a questionamentos, estudando, reciclando-se e buscando no processo de auto-conhecimento aspectos pessoais de desenvolvimento e reeducação. (p.48). Nesse teor, é essencial que o professor reconheça a importância do seupapel na educação e na formação da criança, que ele adote uma postura de prazerpelo seu trabalho, para que este seja realizado positivamente tanto para a criançacomo para o próprio professor. Por isso seu trabalho supõe compromisso,criatividade, doação, respeito aos saberes do educando. Visando um exímio desempenho nessa primeira etapa da educação básica,imprescindível se faz uma articulação da prática pedagógica com a valorização dopapel do profissional que atua com a criança de zero a três anos. Indiscutivelmente, o papel do profissional da infância em nossos dias exigealguém que seja capaz de tomar decisão, dialogando com seus pares e com acomunidade; que planeje sua ação educativa a partir das necessidades da criança eque encare a prática pedagógica como algo inacabado. Sendo assim, que seja umpesquisador em constante formação, ou seja, um eterno aprendiz – de maneira queproporcione um trabalho de qualidade. Dessa forma os Referenciais para Formaçãode Professores (1999) relatam: Tudo parece indicar, portanto, que uma boa formação profissional aliada a um contexto institucional que favoreça o espírito de equipe, o trabalho em colaboração, a construção coletiva, o exercício responsável de autonomia profissional e adequadas condições de trabalho são, na verdade, direitos dos profissionais da educação, principalmente se a meta for a qualidade real (p. 27).
  16. 16. 25 Acreditamos que o professor é um ser humano político, social, deve estarcomprometido com sua tarefa e tecnicamente preparado para executar a suaprática. Conforme Marques (2000): Faz-se mister, portanto, se dê a formação continuada como obra de empenho coletivo dos educadores situados no seio das instituições, organismos e movimentos sociais, sob a forma de programas ao mesmo tempo participativa, orgânico - sistemáticos e continuados (p.208). Referindo-se à busca de conhecimento como alimento para seu crescimentopessoal e profissional, o autor alude à necessidade do profissional da educação decreche de uma formação inicial sólida e consistente, seguida de uma formaçãocontinuada para manter-se sempre atualizado em sua função educativa. Oliveira(2001) reforça dizendo que: O professor precisa avivar em si mesmo o compromisso de uma constante busca de conhecimento como alimento para seu crescimento pessoal e profissional. Isto poderá gerar-lhe segurança e confiabilidade na relação de seu trabalho docente. Esta busca poderá instrumentalizá-lo para assumir seus créditos, seus ideais, suas verdades, contribuindo para referendar um corpo teórico que dê sustentação para realização de seu fazer (p.64). Nesse sentido, se faz necessário questionarmos e afirmamos a importânciada formação adequada do professor, bem como seu trabalho com crianças, comsuas respectivas famílias e com a comunidade. São fatores que determinam aqualidade de estabelecimentos educacionais em qualquer segmento. Nesse sentidoOliveira (2008) enfatiza: Em virtude disso, pode-se afirmar que o professor de creche ou pré-escola, ou seja, aquele que trabalha diretamente com as crianças participa da elaboração da proposta pedagógica de sua instituição, desenvolve, com base nela, um plano de trabalho junto às crianças, zela pela aprendizagem e desenvolvimento delas, ajustando as condições do ambiente físico e social, responde pela programação estipulada, participa de treinamentos e busca articulação com a família e a comunidade. No caso do professor de creche, ele é um especialista no treinamento do processo de ensinar crianças muito pequenas, que ocorre em um ambiente coletivo e diverso do familiar (p.26). Assim, profissionais que trabalham com essa faixa etária, devem estarpreparados para acompanhar a criança nesse processo intenso e cotidiano dedescobertas, de crescimento, desenvolvendo propostas pedagógicas de qualidade,
  17. 17. 26a fim de que possa possibilitar uma base sólida que influenciará todo o processo dedesenvolvimento da criança. Nesta visão, Oliveira (2008) argumenta: Professores de Educação Infantil são responsáveis por imprimir uma base sólida à trajetória escolar bem-sucedida das crianças. Dar-lhes boa formação, discutir com eles alguns dos condicionantes que fizeram a educação infantil terem a trajetória descrita são formas de confirmá-los como profissionais com competência para desenvolver propostas pedagógicas de qualidade em nossas creches e pré-escolas (p.32). Faz-se necessário que o educador crie situações significativas deaprendizagem, se quiser alcançar o desenvolvimento de habilidades cognitivas,motoras e sócio-afetivas. Mas, sobretudo é fundamental que a formação da criançaseja vista como algo inacabado, sempre sujeito a novas inserções, a novos recuos,a novas tentativas.2.2 CRECHES: O RECONHECIMENTO DA INFÂNCIA ABRINDO NOVOSCAMINHOS RUMO Á CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Para identificarmos o papel da creche para o desenvolvimento da criança naprimeira infância, na perspectiva dos professores, é necessário entendermos o que écreche. Segundo Rizzo (1989) A creche abrange todo o serviço prestado à criançapequena que nesta faixa etária ainda está se organizando como pessoa, formandoas bases de sua personalidade e construindo a sua identidade. Com o objetivo deoferecer uma educação de qualidade embasada em condições que dêem suporte aodesenvolvimento e sua integração social. Visando uma educação de qualidade, indispensável se faz refletir que práticaspedagógicas utilizar para despertar na criança a vontade de aprender; quais osvalores que precisam ser edificados; e qual o compromisso da creche no tocante aaprendizagem. Vale ressaltar que as creches, hoje em dia, possuem uma nova dimensão:não são mais uma instituição onde se guardam crianças enquanto suas mãestrabalham: nesse espaço elas podem se desenvolver em todos os aspectos eaprendem a ser gradativamente independente. Oliveira (1992) em sua definição nosleva a compreender que:
  18. 18. 27 A creche é um dos contextos de desenvolvimento da criança. Além de prestar cuidados físicos, ela cria condições para o seu desenvolvimento cognitivo, simbólico, social e emocional. O importante é que a creche seja pensada não como instituição substituta da família, mas como ambiente de socialização diferente do familiar. Nela se dá o cuidado e a educação de crianças que aí vivem, convivem, exploram, conhecem, construindo uma visão de mundo e de si mesmas, constituindo-se como sujeitos. (p.64). Assim Machado (2005) explicita sua definição de creche: A creche deve ser um espaço de relações múltiplas e variadas, para a criança, que enfatiza o respeito à dignidade e as diversidades sociais, econômicas, culturais, étnicas e religiosas, mediante utilização de situações estimuladoras, desafiantes e lúdicas (p.85). Diante disso sabemos que é na creche que as crianças pequenas começarãoa se conhecer e a conhecer o outro, a desenvolver habilidades de relação com ooutro e construir conhecimentos. Nesse viés reconhecemos que as vivências comoutras crianças nos centros de Educação Infantil são relevantes porque provocamnovas experiências, permitem adquirir novos hábitos, atitudes, valores e também alinguagem daqueles que interagem com as crianças. Conforme discutiramAbramowiz e Wagkop (1995): A creche é um espaço de socialização de vivências e interações. Neste espaço as interações traduzem-se por atividades diárias que as crianças realizam com a companhia de outras crianças sob a orientação de um professor. Situações estas que contribuem para o processo de aprendizagem e desenvolvimento psicossocial da criança (p.39). Nessa perspectiva Rosemberg (1989) relata que a função da creche é daratenção às crianças dentro de sua faixa de idade, compreendendo cuidados desaúde, higiene, preparação desde o nascimento para as escolas, orientação àsfamílias. Em outras palavras, a creche cuida e educa desde o nascimento no sentidode tornar a criança atendida emocionalmente, saudável e capaz de reconhecer suaidentidade e limites de sua autonomia dentro do grupo, ao interagir com adultos eoutras crianças, exercitando sua cidadania desde pequena. De tal modo, por ser a primeira etapa do processo de escolarização, aeducação das crianças pequenas de zero a três anos de idade requer um cuidadoespecial por parte de todos que estão envolvidos neste ato, pois é nesta fase que os
  19. 19. 28indivíduos fazem suas primeiras descobertas e vivem novas experiências quecontribuem para o seu desenvolvimento. Acreditamos que quanto mais a creche efetivar sua proposta educativa,garantindo uma boa qualidade junto às crianças, proporcionando situações quecontribuem para o processo de aprendizagem e desenvolvimento psicossocial, alémde novas experiências, aquisição de novos hábitos, atitudes e valores, mais seuuniverso cultural se ampliará. As creches devem ser espaços educativos que proporcionem totais condiçõespara que as crianças desenvolvam suas capacidades intelectuais, emocionais,sociais e motoras. Devem apresentar um ambiente limpo, saudável, seguro,organizado, obedecendo a um padrão de qualidade. Neste contexto Machado (2005)enfatiza: Ter a creche incluída no sistema de ensino significa elaborar uma proposta pedagógica a ser planejada, desenvolvida e avaliada por toda a comunidade escolar. Essa gestão democrática da creche deve ser voltada para o aperfeiçoamento pedagógico de seu cotidiano. O padrão de qualidade a ser obedecido pela creche passa a incluir critérios pedagógicos de desenvolvimento de competências pelas crianças, além de outros requisitos que uma instituição deve apresentar: ambiente limpo, saudável, organizado, com cuidados físicos também atentamente observados (p.81). Nesse aspecto é pertinente destacar que as creches são modalidades deEducação Infantil. O trabalho pedagógico realizado no seu interior deve ter umcunho educativo, pois visam garantir assistência, alimentação, cuidados físicos,segurança, com condições humanas que tragam benefícios sociais e culturais paraas crianças. Havia muita distorção do atendimento da creche, pois se entendia como umafase de preparação para o Ensino Fundamental, quando, na verdade, é uma etapana qual o desenvolvimento da criança é abordado de maneira diferenciada. Aimportância desse espaço vai além do processo de alfabetização das crianças, nãopodendo ser tratada e vista apenas como local seguro para as mães deixarem osseus filhos.
  20. 20. 29 Decerto que, educando a criança através de situações de cuidados,brincadeiras e aprendizagens que contribuam para o desenvolvimento dascapacidades infantis e formação de valores, a creche é sem dúvida um espaçoeducativo de inquestionável valor.2.3 DESENVOLVIMENTO DA PRIMEIRA INFÂNCIA A história da criança ao longo dos anos foi marcada por várias modificaçõessocioculturais, diferente estruturas familiares e condições econômicas. Conformenos relata Áries. (1981) “Até por volta do século XII, à arte medieval desconhecia ainfância ou não tentava representá-la. É mais provável que não houvesse lugar paraa infância nesse mundo” (p.50). No entanto, no final do século XVII, os moralistas e educadores da épocaimplantaram um novo conceito de infância, através do estudo da psicologia infantil eda necessidade de melhor entender a infância e corrigi-la, gerando assim um novosentimento que influenciou a educação até o século XX. Assim sendo, a primeira infância é o período de vida que vai até os seis anosde idade, contudo os primeiros anos de vida da criança são fundamentais para odesenvolvimento das estruturas físicas, psíquicas e da relação social. Asexperiências que são adquiridas nesse período influenciam em toda a sua vida. Estudos demonstram que se dá na primeira infância a base para asaprendizagens humanas e que é nesse período que o cérebro mais se desenvolve.A esse respeito Drouet (1998) acrescenta sobre a importância de um ambienteestimulador, que favoreça esse desenvolvimento e, portanto, a sua aprendizagemfutura, visto que os primeiros anos de vida são extremamente importantes efundamentais para se ter um bom desenvolvimento, seja no aspecto físico, mental,cultural, social ou afetivo. Uma das funções específicas da creche é de atender a criança em toda a suapotencialidade cognitiva, afetiva, psicomotora e social. Nesse período é ideal para a
  21. 21. 30criança adquirir a maior quantidade possível de experiências nessas áreas, para oseu completo desenvolvimento. Em concordância, Barros (1991), diz que: À medida que a criança se desenvolve, modificam-se também seus organismos, suas proporções físicas, suas capacidades mentais, seus interesses, seu comportamento motor, emocional, social etc. Pais e professores de hoje concebem a criança assim, e procuram tratá-la de acordo com suas peculiaridades, respeitando a fase de desenvolvimento em que ela se encontra (p. 15). Na visão de Piaget (1999), durante toda a primeira infância, se observaminteresses através da oralidade da criança, do desenho, das imagens, etc. Todosestes itens adquirem significado para o sujeito na medida de suas necessidades,estas dependendo do equilíbrio psicológico e, sobretudo, das novas mudançasimportantes para sua manutenção. É nesta perspectiva que Piaget (1999) continuaseu argumento afirmando que: É por este motivo que se observa, durante toda a primeira infância, uma repetição parcial, em planos novos da evolução já realizada pela lactante no plano elementar das adaptações práticas. Estas espécies de repetição, com defasagem de um plano inferior aos planos superiores são extremamente reveladoras dos mecanismos íntimos da evolução mental (p.25). Não podemos ignorar que a criança, como todo ser humano, é um sujeitosocial e histórico profundamente marcado pelo meio social em que está inserido.Sua personalidade se constrói através de vivências e interações com outros seres ecom o meio que o cerca cotidianamente. Nesse sentido evidenciamos que odesenvolvimento infantil acontece a partir da construção, da criatividade e oralidade,proporcionando às crianças condições de aprendizagens pedagógicas e pessoais.Vygotsky (1984) discute essa questão fazendo as seguintes indagações: Um processo interpessoal é transformado num processo intrapessoal. Todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro no nível social, e, depois, no nível individual; primeiro entre pessoas (interpsicológico), e, depois, no interior da criança (intrapsicológico). (...) Todas as funções superiores originam-se das relações reais, entre indivíduos humanos (p.75). Neste processo, a educação da creche pode auxiliar o desenvolvimento dacriança nesses aspectos por meio de dinâmicas embasadas em atividades lúdicas,
  22. 22. 31uma vez que ao brincar as crianças encontram mais facilidade em adquirirconhecimentos e habilidades, pois como bem diz o Referencial Curricular Nacionalpara a Educação Infantil (1998): “Ao brincar as crianças recriam e repensam osacontecimentos que lhes deram origem, sabendo que estão brincando” (p.27). As brincadeiras favorecem a interação na primeira infância e é, sem dúvidaalguma, um importante instrumento de socialização da criança. Não foi em vão queVygotsky (1998) atribuiu enorme importância ao papel da interação social nodesenvolvimento do ser humano. Uma das mais significativas contribuições dasteses que ele formulou está na tentativa de explicitar e não apenas pressupor comoo processo de desenvolvimento é socialmente constituído. Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio dentro de um sistema de comportamento social e, sendo dirigidas e objetivos definidos, são retratadas através do prisma do ambiente da criança e desde até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história e história social (VYGOTSKY, 1998, p. 40). É de inegável importância a necessidade de um ambiente estimulador, quefavoreça esse desenvolvimento e, portanto, a sua aprendizagem futura. Os cincoprimeiros anos de vida são extremamente importantes e fundamentais para se terum bom desenvolvimento, tanto no aspecto físico, mental, social, cultural, afetivo. Deacordo com Angotti (2006): Crianças, seres íntegros em suas manifestações de singularidade, sociabilidade, historicidade e cultura, que, por meio das práticas de educação e cuidado, deverão ter a garantia de seu desenvolvimento pleno pelas vias da integração entre seus aspectos constitutivos, ou seja, o físico, emocional, afetivo, cognitivo/lingüístico e social (p.20). Nessa linha, equivale dizer que à medida que a criança se desenvolve,modificam-se também seus organismos, suas proporções físicas, suas capacidadesmentais, seus interesses. Conseqüentemente, profissionais que trabalham comcrianças precisam tratá-las de acordo com suas peculiaridades, respeitando a fasede desenvolvimento em que se encontram. Santos e Cruz (1999) abordam algumasdessas peculiaridades:
  23. 23. 32 Na faixa etária de zero a três anos as mudanças que ocorrem na criança são muito rápidas, mais do que em qualquer outro período de vida. Essas mudanças não se dão de forma gradual, mas se processam aos saltos, havendo em cada salto momentos de ruptura, ocasionando na criança processo contínuo de organização e reorganização. Tais experiências, muitas vezes penosas, pois são carregadas de conflitos, medos e ansiedades; por isso a qualidade do atendimento nesse período é muito importante e tem grande influência na formação de sua personalidade (p.10). Partindo desta nova visão, tornou-se possível entender que a infância é a faseem que a criança desenvolve suas capacidades de relação e interação com aspessoas do meio que vivem como também o acesso ao conhecimento e a suaidentidade, buscando estruturar suas idéias para entender o mundo que a cerca. Pensar a criança e a infância implica analisar uma multiplicidade dediferenças como as de classe social, etnia e gênero. Para conhecê-la melhor, énecessário levar em conta suas condições reais de vida, sua origem histórica e suacultura. São seres dotados de direitos nos quais os adultos devem compreendê-lossem a indução de suas perspectivas, orientando-os sempre. Mas cabe também aosprofessores, e à escola de um modo geral, tomarem consciência de questão tãorelevante como o estudo aprofundado da primeira infância, e direcionarem suaspráticas pedagógicas para o reconhecimento da criança como sujeito atuante daspráticas sociais.
  24. 24. 33 CAPÍTULO III3. UNIVERSO DA PESQUISA Este capítulo traz reflexões sobre a importância da pesquisa no campoeducacional, visando analisar os fatos que inquietam e causam curiosidade, assimpercebemos que a pesquisa implica em uma série de etapas e procedimentos aserem seguidas a fim de obtermos respostas e informações sobre o objeto deestudo.3.1 NATUREZA QUALITATIVA Quando se quer desenvolver uma investigação torna-se indispensáveldeterminar o tipo da pesquisa e os tipos de pesquisas dependem dos objetivos doestudo e da natureza do problema (GRESSLER, 1989). Nossa pesquisa atrelou-se à pesquisa qualitativa, pois sabemos que é nessetipo de pesquisa que o pesquisador mantém contato maior com o ambientepesquisado. Ludke e André (1986) conceituam: A pesquisa qualitativa tem um ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. A pesquisa qualitativa supõe o contato direto e prolongado do pesquisador com o ambiente e a situação que está sendo investigada, via de regra, através do trabalho intensivo de campo (p.11). Apesar de todos os desafios que a pesquisa na abordagem qualitativaenfrenta, esse tipo de investigação auxiliou na obtenção dos dados que certamentenos mostrou resultados concretos dentro do âmbito escolar e social. Com opropósito de estudar, de forma reflexiva, toda essa temática buscamos respaldo emuma abordagem qualitativa, por percebermos que esta é a mais pertinente no campodas ciências humanas e sociais. Então, a pesquisa na abordagem qualitativa nos permite descobrir de formanatural o que nos inquieta, com o auxílio dos sujeitos selecionados, dando-nosestes, de forma livre, as informações relevantes ao nosso trabalho.
  25. 25. 343.2 OS AGENTES DA PESQUISA Assim, tivemos como sujeitos de pesquisa seis professores (as) da Creche-Escola Paroquial onde buscamos coletar os dados; todas do sexo feminino quelecionam no maternalzinho, maternal, Educação Infantil I e II, nos turnos matutino evespertino. A escolha desses sujeitos pressupõe a aceitação da existência social dacreche e da sua função institucional.3.3 O LOCAL DA PESQUISA O locus de pesquisa foi a Creche-Escola Paroquial, localizada na Rua BomJardim, n° 127, Bairro Bom Jardim, Senhor do Bonfim – BA. Essa instituição surgiuno ano de 2007, mediante a solicitação da associação do bairro que possui umgrande número de crianças cujas mães necessitavam trabalhar e não tinham ondedeixar os seus filhos. Diante dessa realidade, por não haver nenhuma creche nobairro nem adjacências, a Secretaria Municipal de Educação atendeu a solicitaçãoinaugurando a Creche Escola Paroquial, atendendo crianças de 02 a 05 anos naRua Juscelino Kubsteck, Bairro São Jorge até o final do ano de 2009. A demanda dealunos foi crescendo e o espaço ocupado pela creche não tinha estrutura física paraacolher mais alunos, então no início de 2010 a Secretaria Municipal de Educação fezum convênio com a Igreja Batista Sião, no qual a referida igreja emprestou seuespaço físico que anteriormente funcionava uma escola particular para quefuncionasse a Creche Escola Paroquial. Esta instituição recebe crianças na faixa etária de 02 a 05 anos, distribuídasnos cursos de maternalzinho, maternal, Educação Infantil I e II, nos turno matutino evespertino. O serviço é oferecido em conformidade com as diretrizes da políticanacional da Educação Infantil, Art- 29. “A Educação Infantil, 1ª etapa da EducaçãoBásica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 6 anos deidade, em seus aspectos: físicos, psicológicos, intelectuais e sociais, completando aação da família e da comunidade” e do Estatuto da Criança e do Adolescente, Art. –53. “A criança e o Adolescente têm direito a Educação, visando o plenodesenvolvimento”.
  26. 26. 35 Na creche, as crianças têm atendimento / educacional, recreativa, nutricionalem dois turnos. No turno matutino elas participam de atividades pedagógicas,lúdicas recreativas. No turno vespertino, atividades de lazer, de recreação e deesporte. Recursos humanos envolvidos nas atividades: coordenador pedagógico,professores, auxiliares de classe. Os recursos materiais são: material didático,pedagógico, produtos alimentícios e produtos de higiene pessoal. Sendo assim, acreche é mantida pela prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim. Esse locus foi escolhido por receber crianças de bairros periféricos, visandoanalisar a qualidade da educação voltada para a primeira infância, principalmenteessas crianças oriundas de famílias de classes menos favorecidas.3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Utilizamos como instrumentos de coleta de dados nessa pesquisa, a observaçãoparticipante, a entrevista semi-estruturada e o questionário fechado, para traçar o perfildos(as) educadores (as) e adquirirmos informações sobre a creche.3.4.1 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE A pesquisa primeiramente se realiza a partir de um olhar investigador, fruto de umainquietação do sujeito pesquisador, que durante sua atuação no locus de estudo observaatentamente tudo o que está a sua volta, a fim de obter o conhecimento claro e precisopara a efetivação do seu objeto de estudo. De acordo com Cervo (2007): Observar é aplicar atentamente os sentidos físicos a um objeto para dele obter um conhecimento claro e preciso. A observação é de importância, capital nas ciências. É dela que depende o valor de todos os outros processos. Sem a observação, o estudo da realidade e de suas leis seria reduzido à simples conjectura e adivinhação (p.31). Existem várias formas de observação, contudo a mais adequada a nossoobjeto de estudo é a observação participante, que para Marconi e Lakatos (1996):
  27. 27. 36 Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo. Ele se incorpora ao grupo, confunde-se com ele. Fica tão próximo quanto um membro do grupo que está estudando e participa das atividades normais deste... O objetivo inicial é ganhar a confiança do grupo, fazer os indivíduos compreenderem a importância da investigação, sem ocultar o seu objetivo ou sua missão (p.68). Assim, ao observar através de visitas periódicas de dois meses, se fazpertinente destacar que o espaço físico da creche pesquisada não é confortávelpara acolher as crianças, devido a falta de estrutura composta de salas pequenas,não tem refeitório, o pátio muito pequeno. No entanto, mesmo diante de tantosproblemas referentes à estrutura e auxílio de poucos recursos, as educadorasprocuram desenvolver um trabalho pedagógico significativo. A observação diretapermitiu o contato entre pesquisador e sujeitos pesquisados; a partir dessaaproximação foi possível analisar a questão que está sendo pesquisada.3.4.2 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA Juntamente com o outro instrumento já apresentado, a entrevista foifundamental para colher os dados, a fim de fornecer subsídios para alcançar nossoobjetivo. A entrevista foi procedida da seguinte forma: primeiramente foi necessárioidentificar os sujeitos a serem entrevistados, depois agendar horários com cada umdeles, com um roteiro em mãos foi organizada a entrevista em seguida foramanotada as respostas dos atores da pesquisa com a finalidade de obter informaçõespara o trabalho. A entrevista é uma das técnicas mais utilizadas na obtenção de dados naabordagem qualitativa, pois permite saber o que as pessoas pensam suas idéias esentimentos. Marconi e Lakatos (1996) a definem como: Um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informação a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional... Uma conversação efetuada face a face de maneira metódica; proporciona ao entrevistado, verbalmente, a informação necessária (p. 70).
  28. 28. 37 A entrevista não é uma simples conversa. É um diálogo com um propósito derecolher por meio de interrogatórios, esclarecimentos imediatos para enriquecer ainvestigação. Na concepção de Ludke e André (1986), a entrevista ganha vida quandocomeça, pois a relação que se constrói durante sua realização é de diálogo einteração entre quem entrevista e quem é entrevistado. Com isso facilita aoentrevistador estar sempre atento, as respostas obtidas ao longo dessa interação,observando mais de perto a gestos, expressões sociais, alteração da voz, visto quetoda captação é importante para compreender o que foi falado. Esse tipo de instrumento pressupõe uma relação de interação que cria umainfluência recíproca entre quem pergunta e quem responde e permite aoentrevistador fazer adaptações necessárias no desenrolar da entrevista. A escolha por esta técnica se deu pela oportunidade de ficar frente a frentecom entrevistado e por se tratar de um instrumento que oferece flexibilidade, queacaba proporcionando ao entrevistado maior liberdade para expressar as suasopiniões. Triviños (1987) reforça quando diz: (...) aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que em seguida oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão seguindo à medida que se recebem as respostas do informante (p. 146). Nesse teor, adotamos a entrevista semi-estruturada por considerá-la umimportante instrumento na coleta de dados; uma vez que estabelece umainteração entre entrevistador e entrevistado, havendo um contato mais próximoentre o pesquisador e sujeito.3.4.3 QUESTIONÁRIO FECHADO Para a obtenção de informações para a conclusão da nossa pesquisa além daobservação, da entrevista, optamos também pelo questionário fechado, e assimdiante dessa proposta de levantamento de dados com o objetivo de traçar o perfil,
  29. 29. 38aspectos sociais, econômicos e educacionais dos sujeitos pesquisados, obtivemosinformações precisas sobre a creche. Nesse mesmo ensejo Cervo (2007) relata: O questionário é a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com mais exatidão o que se deseja. Em geral, a palavra questionário refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche. Assim, qualquer pessoa que preencheu um pedido de trabalho teve a experiência de responder a um questionário. Ele contém um conjunto de questões, todas logicamente relacionadas com um problema central (p.53). Partindo desses pressupostos é que escolhemos o questionário fechadocomo instrumento de coleta de dados, pois além de se adequar em nossa pesquisa,ele permitiu traçar o perfil dos pesquisados, buscando delineá-los em seus espaçossociais, educacionais, enfim, descrições que trazem significados importantes paraanálise e interpretação dos dados obtidos.
  30. 30. 39 CAPÍTULO IV4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Este capítulo tem o objetivo de apresentar os resultados obtidos dainvestigação, onde o foco principal é identificar o papel da creche para odesenvolvimento da criança na primeira infância na perspectiva dos professores.Este referido capítulo é considerado o carro chefe do nosso trabalho diante dapossibilidade de confrontarmos a teoria e a prática dos sujeitos da pesquisa. Com base nos instrumentos de coleta de dados que foram aplicados aossujeitos da pesquisa é que nos foi permitido conhecer de perto a realidade, ocomportamento, as atitudes e prática frente à temática pesquisada. Apresentamosagora o perfil dos sujeitos pesquisados, nesse contexto foi utilizado o questionáriosócio-econômico, contando com perguntas fechadas.4.1. PERFIL DOS SUJEITOS Com base no questionário fechado, buscamos delinear o perfil sócio-econômico dos sujeitos pesquisados através dos itens: Sexo, idade, formação,tempo de serviço, jornada de trabalho e renda familiar etc. Assim, selecionamos 06 (seis) professores (as) da Creche-Escola Paroquialresidentes em Senhor do Bonfim – BA para fazerem parte dessa pesquisa. Cadasujeito que chega a ser professor (a) de creche é um ser singular, pois traz consigoseus mais profundos sonhos, sua história de vida e seu contexto sócio-cultural algoque revela seus anseios, suas inquietações e suas angústias, que possibilitammergulhar na essência existencial desses sujeitos. É evidente que são várias asrazões particulares que levam os indivíduos a se tornar um professor e adotar umapostura de mediador do conhecimento.
  31. 31. 404.1.1 GÊNERO Os sujeitos da pesquisa são em sua totalidade do sexo feminino. Reforçandoconcepções e idéias que se tinham antes acerca da vida profissional da mulhercomo professora e acaba perpassando até os dias atuais, uma vez que impregnouna sociedade a imagem feminina associada ao ambiente doméstico e a funçãodocente. Sobre isso Cerisara (2002) afirma: Sem pretender uma definição acabada do perfil das profissionais de educação infantil, pode-se afirmar que elas têm sido mulheres de diferentes classes sociais, de diferentes idades, de diferentes raças, com diferentes trajetórias pessoais e profissionais, com diferentes expectativas frente à sua vida pessoal e profissional, e que trabalham em uma instituição que transita entre o espaço público e o espaço doméstico, em uma profissão que guarda o traço de ambigüidade entre a função materna e a função docente (p.26). Percebemos dessa forma, que a história da Educação Infantil está de certaforma vinculada a idéia da mulher ser professora de crianças, pois esta é maisamável, carinhosa, paciente, sensível e tal trabalho se estende com o trabalhodoméstico, contribuindo, portanto para a desvalorização do seu trabalho, uma vezque um grande número de mulheres que trabalham na área não tem qualificaçãoprofissional. Os Referenciais para Formação de Professores (1999) demonstram istomuito bem quando afirma: A feminilização da função, ao invés de representar de fato uma conquista profissional das mulheres tem se convertido num símbolo de desvalorização social. O imaginário social foi cristalizando uma representação de trabalho docente destinado a crianças, cujos requisitos são muito mais a sensibilidade e a paciência do que o estudo e o preparo profissional (p.32). Assim, não podemos negar que o conceito de gênero nessa profissãosignifica compreender de uma forma mais ampla, ou seja, “que o conceito de gêneroestá presente não só na experiência doméstica, mas em todos os sistemaseconômico, políticos ou de poder” (CERISARA, 2002, p.30). Com os resultados obtidos notamos que ainda perdura a idéia de ser umaprofissão voltada para o universo feminino, o que demonstra com essa pesquisa,mediante um crescente número de mulheres atuantes na área.
  32. 32. 414.1.2 IDADE De 30 anos a 39 anos 50% 5 0% De 40 anos a 50 anosFonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa O gráfico acima mostra o perfil etário das participantes da pesquisa,observando que 50% das pesquisadas tem a idade entre 30 a 39 anos e 50% entre40 a 50 anos. Conclui-se que estas professoras carregam consigo uma significativabagagem de experiência de vida decorrente da idade.4.1.3 FORMAÇÃO 0% Nível Superior Completo com Pós Graduação Nível Superior 50% 50% incompletoFonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisaFonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa No que se refere ao grau de escolaridade, percebemos que 50% possuemsuperior completo com pós-graduação e 50% ainda estão buscando essa
  33. 33. 42qualificação, devido a necessidade de buscar conhecimentos na área em queatuam. Em nosso campo de observação notamos interesse e motivação dessaseducadoras, visto que estamos cientes dos avanços que isto pode trazer para oconhecimento do aluno. Notamos que há muitos educadores em busca de aperfeiçoamento na suaprática educativa, reconhecendo que mesmo estando em processo de formaçãonunca estão prontos e acabados. Circunstancialmente, são sempre pesquisadores,eternos aprendizes. Porquanto, Oliveira (2008) afirma: Entendendo que a democratização do ensino passa pelos professores, por sua formação, por sua valorização profissional e por suas condições de trabalho, pesquisadores têm defendido a importância do investimento no seu desenvolvimento profissional. Esse processo de valorização envolve formação inicial e continuada, articulada, identitária e profissional (p.13). Frente aos resultados obtidos consideramos um percentual bastantesignificativo àqueles que estão buscando uma graduação e especialização,analisando suas respostas ficou perceptível o interesse e estímulo de buscar maisqualificação profissional.4.1.4 TEMPO DE SERVIÇO 1 7% 0% 0% Menos de 1 a no Mais de 10 anos 83 %Fonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa Quanto ao tempo de serviço, verifica-se através do gráfico que 17% dasprofessoras tem menos de um ano atuando na área. O que nos leva a perceber
  34. 34. 43pouca experiência de tempo na área da Educação Infantil. Os ParâmetrosCurriculares Nacionais (1998) dizem: “São os professores iniciantes sem experiênciaem magistério que aí vão lecionar. Essas necessitariam de professores maisexperimentados, com mais prática de docência” (p.88). Observamos por meio do questionário aplicado que 83% das professorasestão atuando há bastante tempo, o que nos leva a crer que a experiênciaprofissional da maioria tem em relação com o tempo de serviço. Assim percebemosque a maioria dos sujeitos da pesquisa tem um tempo significativo prestado na áreade educação.4.1.5 JORNADA DE TRABALHO 20 Horas 50% 50% 40 horasFonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa Percebemos que 50% dos sujeitos pesquisados trabalham 20 horas e a outrametade 40 horas, e a justificativa dessa dupla jornada de trabalho está nos baixossalários que levam professores que trabalham 20 horas a optar por outrasocupações no período que tem disponibilidade. Assim os Referenciais paraFormação de Professores (1999) relatam que “Os baixos salários recebidos por umajornada parcial de trabalho foi levando mulheres a optar por uma jornada de tempointegral como professoras ou a buscar outras ocupações no período que temdisponível” (p.32).
  35. 35. 44 Isso nos leva a pensar que quando o professor trabalha por um único períodoele pode se dedicar mais tempo para estudar, pesquisar, planejar e organizar suasaulas.4.1.6 QUANTIDADE DE ALUNOS NA SALA DE AULA 17% Mais de 20 Mais de 30 83%Fonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa Acerca dos professores questionados constatam-se através do gráfico que83% possuem na sala de aula mais de 20 alunos, um número bastante significativode crianças, uma vez que o espaço da sala-de-aula é pequeno, sendo que umnúmero elevado de crianças não contribui para um bom desenvolvimento,dificultando o processo de ensino e aprendizagem.4.1.7 PARTICIPA DE CURSOS DE FORMAÇÃO CONTINUADA 0% 33% Com frequência Quando tem oportunidade 67% 0%Fonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa
  36. 36. 45 Verifica-se no gráfico que 67% das professoras que trabalham na crecheparticipam de cursos de formação continuada quando tem oportunidade,demonstrando a falta de interesse dos governantes em trazer cursos de formaçãocontinuada com mais freqüência, pois estas relatam que não tem condições decustear esses cursos já que são desenvolvidos em outras cidades. Bem como nosdizem os Referenciais para Formação de Professores (1999): “O investimentofinanceiro na formação de professores, embora necessário há muito tempo, torna-seagora inadiável (p.33). Cabe-nos, voltar o nosso olhar para esses 33% que participam de cursos deformação continuada com freqüência, demonstrando uma preocupação quanto a suaatuação na sala de aula, sem medir esforços para custear seus cursos, percebendo-se assim, o tamanho da responsabilidade que lhes é colocada ao assumircompromisso de constante busca de conhecimento como alimento para ocrescimento pessoal e profissional. Nesse sentido, nos reportamos a Freire (1996) aoafirmar que “Na formação permanente dos professores, o momento fundamental é oda reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou deontem que se pode melhorar a próxima prática” (p.39). Assim com a compreensão sobre formação continuada, o professor saberáintermediar as problemáticas que geram novos conhecimentos em seu dia-a-dia comas crianças, visto que essa formação contínua objetiva desenvolver ações reflexivaspara que possa ser utilizado para intermediar sua própria prática na sala de aula.Marques (2000) ressalta: “(...) a formação continuada, não pode entender-se apenascomo reparo a uma inadequada preparação anterior”. (p.207). Esta afirmação remete-nos a reflexão de que a formação continuada assume-se em várias instâncias como nos cursos, palestras, debates, encontros, seminários,congressos, oficinas, trazendo sempre novas formas de conhecimentos emetodologias que auxiliam o trabalho pedagógico do professor na sala de aula.
  37. 37. 464.1.8 RENDA FAMILIAR 17% 0% Entre 1 e 2 salários Entre 3 e 4 salário 17% Mais de 5 salários 66%Fonte: Questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa Dos sujeitos questionados nota-se que 66% tem uma renda familiar situadaentre 1 a 2 salários mínimos, comprovando que há uma tendência no Brasil a umamá distribuição de renda e baixos níveis salariais que o educador recebe, o quecomprova a insatisfação do professor quanto a remuneração. Os Referenciais paraFormação de Professores (1999) dizem: “De modo geral, não só no Brasil, mas namaioria dos países em desenvolvimento, o professor é uma pessoa de nível sócioeconômico baixo” (p.32). Na verdade, somente uma pequena parcela doprofessorado correspondente a 17% confirma uma renda razoável, incluindo nela osque se desdobram em dois ou três turnos de trabalho.4.2 DISCUTINDO OS RESULTADOS DOS DISCURSOS DOS PROFESSORESATRAVÉS DA OBSERVAÇÃO E ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA Nessa etapa da pesquisa apresentaremos a análise da observaçãosistemática, realizada no locus de pesquisa, fazendo um paralelo com dadoscolhidos na entrevista semi-estruturada. Ambos os instrumentos de coleta de dadosforam importantíssimos, pois nos permitiram colher informações que foramanalisadas por meio dos discursos dos sujeitos da pesquisa, tivemos o propósito deassociá-los, a fim de enriquecer a investigação científica. Assim, consideramos quenessa etapa de análise e interpretação dos dados foi considerado relevante paranossa pesquisa, pois nos ajudou a fazer um estudo minucioso e, ao mesmo tempo,
  38. 38. 47uma análise crítica acerca da posição tomada pelos sujeitos diante do temaabordado. A entrevista foi realizada através de roteiros de perguntas e respostas ondeos sujeitos da pesquisa tiveram a oportunidade de expressar opiniões sobre otrabalho desenvolvido na creche, servindo de ferramenta para ratificação oudiscordância das discussões utilizadas na fundamentação teórica. Portanto, com ointuito de uma melhor organização e entendimento desta pesquisa destacamosalgumas categorias utilizadas na entrevista; abaixo selecionamos os discursos dossujeitos que emergiram na análise e interpretação dos dados obtidos. Vale ainda frisar que, o resultado do nosso trabalho gira em volta dos dadoscoletados com os sujeitos da pesquisa que são identificados como S1, S2... S6 ondeo “S” significa sujeito e o número de ordem que ocorreu a entrevista, sendo osdiscursos obtidos na entrevista um dos principais elementos norteadores parafinalização dessa pesquisa que apresentaremos através de categorias quemostraremos a seguir. Categoria 1 - Compreensão sobre creche e sua importância Categoria 2 - Creche: espaço físico promovendo o desenvolvimento natural Categoria 3 - Formação continuada associada a prática pedagógica. Categoria 4 – Creche: qualidade de ensino em questão associado asdificuldades encontradas no meio do processo4.2.1 COMPREENSÃO SOBRE CRECHE E SUA IMPORTÂNCIA Diante do contato com os sujeitos da pesquisa, seja na fase de observação,seja na entrevista, emergiram das falas dos professores a compreensão sobre opapel da creche para o desenvolvimento da criança na primeira infância. Através dapergunta “Como você conceitua o termo creche?” Obtivemos as seguintesrespostas:
  39. 39. 48 É um espaço onde a criança recebe segurança, carinho, educação desenvolvendo ações complementares da família, pois a creche não trabalha sozinha precisa da junção família e escola. (S 2). Espaço de interação, socialização e aprendizagem (S 3). Não deixa de ser uma base, porque é um processo contínuo, antigamente na creche o trabalho era voltado somente para o assistencialismo e hoje prepara mais para a parte pedagógica (S 4). Analisando essas falas percebemos que 50% dos sujeitos da pesquisareconhecem a importância da creche para a primeira infância, demonstrando atravésdos seus discursos uma visão coerente dessa etapa da educação, pois conceituamesse espaço como ambiente que desenvolve ação diferente do familiar, instituiçãoque estimula a socialização, interação, considerando-o como alicerce, esse lugar setorna essencial para que nele se desenvolva o cuidado e educação. Como discutiuOliveira (2008) A creche desenvolve ações complementares às da família, devendo voltar- se para a inserção, prevenção, promoção e proteção à infância; propiciando ainda a integração entre famílias e comunidade, enquanto projeto integrado de desenvolvimento e inserção (p.85) Ao analisarmos as entrevistas e observando o contexto do locus pesquisado,foi possível perceber posturas e gestos contraditórios no que diz respeito àverdadeira função da creche. Assim analisamos a seguinte fala: A creche é um lugar onde as crianças passam o dia todo, muitas vezes pelo motivo das mães trabalharem e não terem onde deixá-las, sendo que a maioria das crianças é de família desestruturada, assim durante o período que elas passam na creche recebem pelo menos alguns ensinamentos bons e a função do professor é como se fosse a mãe (S 6). Verificamos duas visões diferentes: Na primeira análise, os sujeitos S 2, S 3 eS 4 em suas falas demonstram um maior conhecimento sobre a creche e estaspoderão contribuir melhor com uma educação de qualidade das crianças pequenas,que serão cuidadas tanto física quanto educacionalmente. Já S 6, apresenta umavisão reducionista da creche, pois a professora afirma que a creche se resume numlocal onde se acolhe a criança menos favorecida e a função do professor de crechese compara a de uma mãe. Analisando a fala de (S 6) voltamos a historicidade da
  40. 40. 49creche, em meados da década de 20, quando a creche adotava um modeloassistencialista. Oliveira (1992) vem falando a respeito e coloca que: Em resumo, o trabalho junto às crianças nas creches naquela época era de cunho assistencial-custodial. A preocupação era com a alimentação, higiene e segurança física das crianças. Um trabalho voltado para a educação, para o desenvolvimento intelectual e afetivo das mesmas não era valorizado (p.19). É oportuno trazer neste momento a fala da (S 3) quando afirma que creche é: “Onde as crianças vivem a maior parte do dia, aprendem pelo menos ter bons hábitos”. Analisando as contradições das professoras com a compreensão do que écreche, essa mesma professora havia falado anteriormente que é um espaço deinteração, socialização e aprendizagem e a mesma também continua citando comoum local onde se guarda crianças e se aprende bons hábitos, não havendo oreconhecimento da verdadeira função dessa instituição, diferente do que acredita o(S 3). Sob esta questão, Oliveira (2008) chama a atenção ao relatar que: Os cuidados ministrados na creche e na pré-escola não se reduzem ao atendimento de necessidades físicas das crianças, deixando-as confortáveis em relação as sono, à fome, à sede e à higiene. Incluem a criação de um ambiente que garanta a segurança física e psicológica delas, que lhes assegure oportunidades de exploração e de construção de sentidos pessoais, que se preocupe com a forma pela qual elas estão se percebendo como sujeitos. Nesses ambientes de educação, a criança se sente cuidada. Sente que há uma preocupação com o seu bem-estar, com seus sentimentos, com suas produções, com sua auto-estima. Educar e cuidar são formas de acolher (p.47). Entendemos que a creche não deve ser tratada e vista somente como espaçoseguro para as mães deixarem os seus filhos, essa instituição deve ser analisadacomo modalidade de Educação Infantil que tem como objetivo promover odesenvolvimento da criança no aspecto social, cultural, educativo etc.4.2.2 CRECHE: ESPAÇO FÍSICO PROMOVENDO O DESENVOLVIMENTONATURAL
  41. 41. 50 Sobre essa temática pode-se perceber que as professoras compreendem acreche como espaço físico que promove o desenvolvimento natural. Segundo elas éna fase da creche que é um período ideal para a criança adquirir a maior quantidadede experiências que auxiliam no seu desenvolvimento, pois, é nos primeiros anos dainfância que se instala, de forma marcante, a relação da criança com oconhecimento. Sobre isso as afirmações que seguem mostram o modo que algumasprofessoras compreendem a creche como espaço de contribuição para odesenvolvimento da criança: Sim, porque ela é alicerce de uma formação e o professor é um instrumento mediador para que esse desenvolvimento ocorra proporcionando brincadeiras, movimentos, atividades educativas (S 2). Sim, lógico por conta de até mesmo estar socializando ao falar com outra criança, cumprir horário, obedecer a regras, além do aprendizado que é universal o que é comum numa creche (S 3). Sim, porque vai desde o cuidar, auxiliando lógico no desenvolvimento social, educacional, afetivo etc (S 6). Diante dessas respostas percebe-se que 50% dos sujeitos reconhecem acreche como um espaço que contribui para o desenvolvimento da criança naprimeira infância, reconhecendo também o seu papel para essa intervenção, poissão prerrogativas básicas para que esse processo possa ocorrer e atingir a realfunção da creche que é levar em conta as condições sociais, psicológicas naturaisde cada criança. Acreditamos que o desenvolvimento é um processo contínuo e que cada umtem o seu tempo de aprender, por isso é fundamental reconhecer as particularidadesda criança, levando em conta o contexto em que ela está inserida. Sobre estaquestão Oliveira (2001) afirma que: “a criança é um ser social, o que significa dizerque seu desenvolvimento se dá entre outros seres humanos, em um espaço etempo determinados” (p.27). Assim, para que a creche possa contribuir para o desenvolvimento da criançana primeira infância, não basta somente deixá-la nessa instituição acreditando que
  42. 42. 51sempre extrairá boas experiências para o seu desenvolvimento. Isso depende,sobretudo, dos educadores, conforme percebam o seu papel na creche junto ascrianças. Pois, como infere Oliveira (1992): Não basta, porém deixar a criança em qualquer ambiente, acreditando que ela sempre extrairá dele boas experiências para o seu desenvolvimento. Além disso, não se pode pensar que o arranjo de condições externas atue igualmente sobre todas as crianças, mesmo as de idade próximas (p.85). Isso nos leva a pensar que, com a compreensão da sua própria prática, oprofessor saberá intermediar as problemáticas que giram em torno da creche a fimde que possa contribuir de forma crescente para o desenvolvimento da criança, jáque a finalidade é propiciar a construção de conhecimentos. No entanto, para que isso de fato aconteça é necessário que o educador sejacomprometido com sua profissão e auxilie a criança a identificar suas necessidadese priorizá-la, assim como atendê-las de forma adequada. Como expressa Kramer(2001): A fim de que essa função se efetive na prática, o trabalho pedagógico precisa se orientar por uma visão das crianças como seres sociais, indivíduos que vivem em sociedade, cidadãs e cidadãos. Isso exige que levemos em consideração suas diferentes características, não só em termos de histórias de vida ou região geográfica, mas também de classe social, etnia e sexo. (p.19). Nesta mesma linha de pensamento citamos os argumentos de Angotti (2006)que diz o seguinte: Crianças, seres íntegros em suas manifestações de singularidade, sociabilidade, historicidade e cultura, que, por meio das práticas de educação e cuidado, deverão ter a garantia de seu desenvolvimento pleno pelas vias da integração entre seus aspectos constitutivos, ou seja, o físico, emocional, afetivo, cognitivo/ lingüístico e social (p.20). É oportuno agora trazer o discurso de S 5: Acredito que a creche possa contribuir para o desenvolvimento da criança porque ela adota os mesmos critérios de uma escola normal.
  43. 43. 52 Apenas a entrevistada S 5 não menciona a importância real da creche nodesenvolvimento da criança, pois afirma em seu relato que o papel desse espaço éadotar os mesmos critérios de uma escola normal, descaracterizando asnecessidades próprias dessa faixa etária, não reconhecendo o seu verdadeiro papelque é de estimular e acompanhar a criança em seu desenvolvimento, se isentandode sua responsabilidade perante essas crianças. A este respeito Cerisara (2002)coloca o seguinte: Percebe-se que nem as auxiliares de sala, nem as professoras apresentam condições plenas para o exercício da função de professora de crianças de 0 a 6 anos. A experiência acumulada de algumas não é suficiente para realização do trabalho, da mesma forma que os cursos realizados e que deveriam habilitar as professoras para assumir o trabalho com crianças pequenas não o fazem, uma vez que tinham como referência a escola de ensino fundamental (p.99) Vale destacar que, a creche é importante para o desenvolvimento da criançapor propiciar novas experiências, permitir a aquisição de novos hábitos, atitudes evalores.4.2.3 FORMAÇÃO CONTINUADA ASSOCIADA À PRÁTICA PEDAGÓGICA A fim de dar conta das demandas da sociedade na atualidade, é necessárioque o educador não estacione somente em um curso de formação inicial; uma vezque a formação continuada vem complementar, mudar, melhorar a formação jáobtida. E as educadoras também compreendem a importância dessa formação parauma mudança na prática como podemos ver em seus depoimentos: O professor deve estar sempre buscando novos conhecimentos para desenvolver um bom trabalho (S 2). Importantíssimo porque quem pára fica no atraso, é preciso caminhar acompanhando a evolução. Eu procuro estar sempre informada, procurando me atualizar, participar de cursos, pois é uma grande preocupação minha, pois o professor deve estar sempre trazendo coisas atrativas para sala de aula que desperte a curiosidade das crianças, mas não deve dar nada pronto (S 3). É importante está sempre se qualificando e é claro vivenciar na sala de aula, contribuindo para uma aprendizagem mais eficaz (S 4). É importante estar se capacitando (S 5). O professor deve estar em constante aprendizado (S 6).

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