Manuel da Fonseca-centenário natalício

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Manuel da Fonseca-centenário natalício

  1. 1. Centenário natalício de Manuel da Fonseca 15-10-1911/15-10-2011
  2. 2. Nome: Manuel da Fonseca Nascimento: 15-10-1911, Santiago do Cacém Morte: 11-3-1993, Lisboa Escritor português, vulto destacado do Neorrealismo, nasceu a 15 de outubro de 1911, em Santiago do Cacém, e morreu a 11 de março de 1993, em Lisboa. Partiu ainda jovem para Lisboa para realizar estudos secundários, tendo desempenhado posteriormente na capital diversas atividades profissionais no comércio, na indústria e no jornalismo. Antes de colaborar em Novo Cancioneiro , com Planície, coleção onde se afirmariam algumas coordenadas da estética poética Neorrealista numa primeira fase, editou, em 1940, Rosa dos Ventos , obra pioneira do neorrealismo poético português, nascida do convívio com um grupo de jovens escritores, entre os quais Mário Dionísio, José Gomes Ferreira, Rodrigues Miguéis, Manuel Mendes e Armindo Rodrigues, unidos numa "obstinada recusa de ser feliz num mundo agressivamente infeliz, uma ânsia de dádiva total e o grande sonho de criar uma literatura nova, radicada na convicção de que, na luta imensa pela libertação do Homem, ela teria um papel estimável a desempenhar contra o egoísmo, os interesses mesquinhos, a conivência, a indiferença perante o crime, a glorificação de um mundo podre" (DIONÍSIO, Mário - prefácio a Obra Poética de Manuel da Fonseca, 1984, p. 21). Não existindo descontinuidade entre a poesia e a prosa de Manuel da Fonseca, nem entre ambas e o escritor, que as impregna de um cariz autobiográfico, alimentado por recordações da convivência com o homem alentejano, ficção e obra poética interpenetram-se na evocação de personagens, narrativas, romances, paisagens alentejanas. Mário Dionísio ( id. pp. 32-33) vê na oposição cidade/vila, recorrente na obra de Manuel da Fonseca, a oposição entre o que é "apaixonado e violento, desgraçado e heroico, profundamente humano, grave, limpo" e o que é ridículo, repugnante, mesquinho, "de ambição medíocre, de preconceitos míseros, que desvirtuam e lentamente asfixiam uma imagem ideal de vida que, na poesia de Manuel da Fonseca, quase sempre se identifica com tudo o que a infância e a adolescência têm de ingénuo e generoso e transparente e que a vida embacia, adultera e destrói." Autor de uma obra ancorada na realidade e eivada de um apontado regionalismo, a escrita de Manuel da Fonseca ultrapassa a contingência histórica de que nasceu, por um enaltecimento da vida, compreendida como intrinsecamente livre das imposições, frustrações, mentiras e condicionamentos impostos pela sociedade, ânsia de libertação, simbolizada, por exemplo, na repressão sexual imposta a algumas figuras femininas ou na admiração de figuras marginais como o "maltês" ou o vagabundo. Cerromaior (1943), O Fogo e as Cinzas (1951) e Seara de Vento (1958) são algumas das suas obras mais emblemáticas. Bibliografia: Rosa dos Ventos , Lisboa, 1940; Planície , Coimbra, 1941; Aldeia Nova , Lisboa, 1942; Cerromaior , Lisboa, 1943; O Fogo e as Cinzas , Lisboa, 1951; Seara de Vento , Lisboa, 1958; Poemas Completos , Lisboa, 1958 (inclui obras anteriores e poemas inéditos, Lisboa, 1969); Um Anjo no Trapézio , Lisboa, 1968; Tempo de Solidão , Lisboa, 1969; Obra Poética, Lisboa, 1984; Crónicas Algarvias , Lisboa, 1986; Bairro de Lata , Lisboa, 1986.
  3. 3. Manuel da Fonseca apontamentos de um percurso                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Manuel da Fonseca apontamentos de um percurso "Não era noite nem dia Eram campos, campos, campos abertos num sonho quieto” "Não tenho hora marcada Ando ao sabor da maré" "O poeta tem olhos de água para refletirem todas as cores do mundo" Manuel Lopes da Fonseca nasceu em 15 de Outubro de 1911, em Santiago do Cacém. Aqui se manteve até completar a instrução primária. Desde muito cedo, por influência do pai, se iniciou no mundo da leitura. Na escola, cultiva a sua paixão pela escrita. A continuação dos estudos leva-o a Lisboa onde frequenta o colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões e a Escola Lusitânia e, mais tarde, a Escola de Belas Artes. As férias passa-as em Santiago do Cacém. Na grande cidade dá longos passeios. A vida noturna fascina-o. Encontra os seus primeiros empregos no comércio e na indústria. Apesar de muito ocupado, encontra tempo para o toureio e o desporto - jogou futebol, interessou-se pela espada e florete e ousou mesmo ganhar um campeonato de boxe. Em 1925 publica num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas. Foi habitual colaborador em revistas literárias, como O Pensamento, Vértice, Sol Nascente e Seara Nova. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura. Faleceu em 11 de Março de 1993, com 81 anos.
  4. 4. Manuel da Fonseca apontamentos de um percurso                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   Manuel da Fonseca apontamentos de um percurso OBRA : Rosa dos Ventos (poemas), 1940 Planície (poemas), 1942 Aldeia Nova (contos), 1942 Cerromaior (romance), 1943 O Fogo e as Cinzas (contos), 1951 Seara de Vento (romance), 1958 Poemas Completos , 1958 Um Anjo no Trapézio (contos), 1968 Tempo de Solidão (contos),1973 Antologia de Fialho de Almeida (sel. e intr.), 1984 Crónicas Algarvias (contos), 1986 À Lareira, Nos Fundos da Casa onde o Retorta Tem o Café , 2000 O Vagabundo na Cidade (crónicas), 2001 Pessoas na Paisagem , 2002 Mataram a Tuna - Voz de Luís Gaspar (mp3)
  5. 5. " Em Cerromaior nasci " "Depois, quando as forças deram para andar, desci ao largo." "O comboio matou o largo. Sob o rodado de ferro morreram homens que eu supunha eternos." O Fogo e as Cinzas "Horizonte todo de roda caiado de sol. Ao meio do cerro gretado esguia cabeça de cobra olha assobios de lume sobre espigas amarelas… (…Campaniços degredados na vastidão das searas sonham bilhas de água fria)." Planície "-Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! Um homem só não vale nada! Ouve-se como que um gemido soltado por dezenas de bocas, e os camponeses atiram-se para diante." Seara de Vento "- Gente que se vê, que se ouve – continuava a mulher. - Não são pensamentos, nem recordações. É gente viva." Um Anjo no Trapézio "Quero compor um poema onde fremente cante a vida das florestas, das águas e dos ventos. Que o meu canto seja no meio do temporal uma chicotada de vento que estremeça as estrelas, desfaça mitos e rasgue nevoeiros – escancarando sóis!" Poemas Completos "Pago o café e saio a grandes passadas. Hoje e depois e todos os dias que vierem, amo a vida mais e mais que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!" Rosa dos Ventos
  6. 6. Fotos em criança
  7. 7. Tempos de estudante Com os pais e o irmão, Artur. Em Lisboa, início dos anos 30, quando foi campeão de boxe.
  8. 8. Nos finais dos anos 30 e princípios de 40, quando começa a vida de escritor, escrevendo poemas e crónicas para o jornal O Diabo, à mesa dos cafés Madrid e Portugal, no Rossio. Na década de 40 Com o filho, José Carlos, em 1941
  9. 9. Década de 50 Autorretrato, 1959 Homenagem a Manuel da Fonseca na Casa do Alentejo, em Lisboa. Vêem-se, entre outros, o escritor ladeado por sua mãe e Ferreira de Castro, Alves Redol, Piteira Santos, Mário Soares e Rogério Paulo.
  10. 10. Manuel da Fonseca, nos anos 80. (Fotos de Rui Pacheco) Bairro Alto, Lisboa, em 1980 Festa do Avante, em 1980, em Lisboa, com o jornalista Carlos Pinhão e Manuel Alpedrinha, ex-preso político do Tarrafal. Rua da Misericórdia, Santiago do Cacém, em 1981.(Foto de Rui Pacheco)
  11. 11. Artur da Fonseca (irmão), o escritor Luís Pacheco e Manuel da Fonseca, em 1981. Rua Cipriano de Oliveira, Santiago do Cacém, em 1981. (Foto de Rui Pacheco) Rossio da Senhora do Monte, Santiago do Cacém, em 1981. (Foto de Rui Pacheco)
  12. 12. Romeirinhas - Santiago do Cacém, em 1981. Sociedade Harmonia, em Santiago do Cacém, em 1981, junto ao quadro pintado pelo seu pai. (Foto de Rui Pacheco) Festa da Amizade, em Vale Verde - Santiago do Cacém, 1981. (Fotos de Rui Pacheco)
  13. 13. Com Assis Pacheco e Augusto Abelaira, em Beja, em 1982 Marcha pela Paz, em Lisboa, com José Saramago, Piteira Santos, Maria Rosa Colaço, José Cardoso Pires e Urbano Tavares Rodrigues, em 1983. (Foto de Rui Pacheco) Cerimónia da atribuição a Manuel da Fonseca, pelo Presidente da República Ramalho Eanes, da Comenda da Ordem Militar de Sant'Iago de Espada, em 1983. (Foto de Rui Pacheco)
  14. 14. Casa do Alentejo, em Lisboa, com Urbano Tavares Rodrigues, em 1984. (Foto de Rui Pacheco) Num Colóquio, com Piteira Santos e Joaquim Namorado. Nas ruínas romanas de Miróbriga, em Santiago do Cacém.
  15. 15. Conteúdo disponível em http://www.esec-manuel-fonseca.rcts.pt/manuel.htm . Acedido em 14.10.2011

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