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Museu da lingua portuguesa

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  • 1. terça-feira, 2 de março de 2010Museu da Língua Portuguesa promove exposição Menas: o certo do errado, o erradodo certoExposição mostra erros linguísticos mais comuns cometidos pelas pessoasO Museu da Língua Portuguesa inaugura no dia 15 de março, às 19h30, a exposiçãoMenas: o certo do errado, o errado do certo. Esta será a sexta exposição a ocupar oespaço das exposições temporárias, reforçando o papel do Museu como importanteespaço educador e difusor da língua portuguesa. A abertura ao público será naterça-feira, 16, e a mostra vai até junho deste ano.Menas. O próprio título da exposição é uma provocação. Mesmo sabendo que"menos" é um advérbio, portanto, invariável, quantas vezes já não ouvimos a"concordância" com o gênero feminino por pessoas das mais diferentes classes eidades. Para os curadores da exposição, os professores Ataliba de Castilho eEduardo Calbucci, Menas está na fronteira entre tudo o que não vale e o vale-tudo.E essa provocação é a proposta da exposição que ocupa cerca de 450 metrosquadrados do Museu da Língua Portuguesa com sete instalações para enumerarnossos "erros" linguísticos mais comuns, entender por que erramos e discutir aamplitude e a criatividade da língua.O título e a ideia da exposição partiram do próprio secretário de Cultura, JoãoSayad. Segundo ele "a exposição pretende discutir criticamente o hábito, que não éapenas do brasileiro, de catalogar discursos e enunciadores em certo e errado,educados e despreparados. A língua é bem público e vivo, enriquecido e modificadopor todos os falantes. É natural que os donos da língua, ou os cultos e educadosprotestem e reajam quando ela é apropriada por intrusos que falam diferente. Masa alteração e o erro são parte do jogo de todas as línguas vivas."O diretor do Museu da Língua Portuguesa, Antonio Carlos de Moraes Sartini, temcerteza de que a Menas aproximará ainda mais o Museu de seu grande público, jáque a exposição tratará de questões presentes no nosso dia a dia. "A exposição,além de muito interativa e divertida, mostrará aos visitantes os principais fatoresque nos levam a fugir da norma culta do idioma e, também, reforçará a ideia daexistência e pertinência dos vários padrões de linguagem que devem, ou deveriam,ser dominados por todos, criando verdadeiros usuários poliglotas de uma só língua,no caso a portuguesa", conclui.Os curadoresA exposição conta com dois curadores que sabem muito bem do que estão falando:
  • 2. Ataliba de Castilho e Eduardo Calbucci. A combinação entre o conhecimento e acapacidade de comunicação foi a dose certa para um conteúdo que diverte semperder a consistência. O professor Ataliba é uma das principais autoridades doBrasil quando o assunto é língua portuguesa. Atualmente aposentado, foi professortitular de Filologia e Língua Portuguesa da Faculdade de Filosofia, Letras e CiênciasHumanas da Universidade de São Paulo até 2007. Na sua bagagem acadêmica,constam 24 livros publicados e 60 publicações em revistas especializadas.Já Eduardo Calbucci é Bacharel em Comunicação Social, com habilitação emJornalismo pela Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP), mestre e doutor emLinguística pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanos (FLCH-USP). Écoautor do material de português (Gramática, Texto, Redação e Literatura) esociologia do Sistema Anglo de Ensino, professor do Anglo Vestibulares em SãoPaulo desde 1994 e membro do corpo editorial da Editora Anglo. Tem tambémvasta experiência como professor de português no Ensino Médio. Publicou, em1999, pela Ateliê Editorial, Saramago: um roteiro para os romances, obra que estáem segunda edição. Seu novo livro, A Enunciação em Machado de Assis, a serpublicado pela Nankin e pela Edusp, está em fase final de edição.Para o professor Ataliba, a exposição é uma oportunidade de promover o encontrodas pessoas cheias de certeza, que consideram sua a missão de ensinar o brasileiroa falar certo, com aquelas que acham uma perda de tempo preocupar-se com acorreção linguística: "A Exposição Menas tomou outra direção: expor os visitantes aum conjunto de situações linguísticas, convidando-os a refletir sobre os dados,tirando suas próprias conclusões".As instalaçõesPortas AbertasA visita à exposição Menas começa na gare da Estação da Luz, antes de o visitantepassar pela bilheteria do Museu. Em 30 banners estarão grafadas diversas frasescom erros ortográficos registrados no português popularmente falado no Brasil.Portas Abertas é o título desta instalação que, segundo os curadores, tem oobjetivo de deixar o visitante "com a pulga atrás da orelha". Este será o passaportepara o que se ocorrerá lá dentro, no restante da exposição.ÓculosA segunda instalação é um jogo de espelhos que, à primeira vista, sugere aovisitante uma grande bagunça. O objetivo é livrá-lo de seus juízos prévios sobre oserros da linguagem, preparando-o para tirar proveito das outras seções daexposição. Jogos óticos, mecanismos de movimento e outros truques capturam oolhar, provocam uma espécie de vertigem, quebrando antigas certezas e abrindo amente para o que virá.Os 100 erros nossos de cada diaEm um grande painel de 3m × 12m, foram grafados os "100 erros nossos de cadadia" - uma divertida seleção de erros lexicais, semânticos, gramaticais e discursivosmais frequentes, aqueles que todos nós, de vez em quando, cometemos. Ovisitante verá que, por vezes, é tênue a linha que separa o certo do errado. Oscomentários que se seguem a cada erro mostram a motivação estrutural do erro; ofato de que o que se considera errado hoje já foi considerado certo; a motivaçãofonética do erro; a ênfase exagerada etc. Ou seja, por trás de cada erro hádeterminada utilização da língua, criativa aqui, analógica acolá, mas sempreinovadora.Jogo do certo e do erradoEsta instalação utilizará nove telas de computador touch screen ligadas em rede. O"jogo" proposto é um quiz com 15 perguntas em cada tela. O visitante vai
  • 3. encontrar uma atividade que desafiará suas certezas. Entre elas, a que no dia a diaele encontrará muitas situações em que algo parece estar certo (mas não está) edescobrir outras palavras ou expressões que ele tem certeza de que estão erradas(e, na verdade, não estão). A cada questão correspondem quatro alternativas. Ovisitante escolhe a que lhe pareça mais adequada. Imediatamente, o sistemacalcula o percentual de visitantes que fizeram a mesma escolha. Na sequência, umcomentário explica o fundamento das alternativas. A quantificação percentual detodas as perguntas será computada durante todo o período da exposição.Biblioteca de BabelEsta instalação encerra uma desordem intencional, cujo objetivo é retratar a línguacomo de fato ela é. Escritores e compositores se manifestam sobre a língua e sobrea vida, apresentando posições inesperadas e criativas que desarranjam a visãotradicional sobre a língua portuguesa. Daí o título: "Biblioteca" - que supõe aorganização, as ideias no lugar, o já sabido - "de Babel" - o avesso disso tudo, adesordem criativa, as ideias provocativas, o não sabido. Biblioteca de Babel é umametáfora poderosa, que capta a língua portuguesa no que ela tem de estruturado,ordenado, previsível, convivendo com o desarticulado, o caótico, o imprevisível. Asantíteses descrevem perfeitamente o que é uma língua natural, representandoinesperadamente sua síntese. O português brasileiro exemplifica muito bem estadupla face das línguas naturais.Norma, a CamaleoaÉ preciso saber gramática para falar e escrever bem? É preciso seguir as regras e ovocabulário certo? A língua é um organismo vivo? Língua é poder? Não tem certo eerrado, tem o adequado para cada momento? O importante é saber se comunicar?Dentro da própria língua, há tensões e conflitos de visão de quatro sistemas: anorma gramatical, a norma lexical, a norma semântica e a norma discursiva.No vídeo Norma, a camaleoa, a atriz Alessandra Colassanti, filha dos escritoresAffonso Romano de SantAnna e Marina Colasanti, encarna as quatro normas dalíngua portuguesa ao mesmo tempo, apresentando-as e discutindo-as. O encontrofictício das "Normas" se dá no banheiro do museu, que o visitante observa atrásdos espelhos. Entre um retoque de maquiagem e uma ajeitada no cabelo, elasdiscutem que, ao operar com as regras em nosso cotidiano, podemos selecionarformas aceitas ou formas rejeitadas pela sociedade. Cada sistema abriga tanto ocerto quanto o errado.Mas as normas são quatro ou são uma só? Elas são tudo isso ao mesmo tempo.Elas são quatro em uma, quando uma mesma expressão apresenta problemasoriundos dos quatro sistemas. Elas são uma em quatro, quando o erro vem de umsistema só. De qualquer forma, não há dúvida que Norma é uma camaleoa.Janelas abertasDepois deste mergulho no português brasileiro, está na hora de o visitante retornaraos amplos espaços sociais onde é praticada nossa língua. Um corredor estreito efinal da exposição traz à tona índices de uma rua de comércio popular e dolinguajar praticado nessas ruas, convidando o público a voltar para a vida fora doMuseu e perceber a língua de maneira mais generosa, apreciando sua criatividade emutabilidade.ServiçoMenas: o certo do errado, o errado do certoAbertura para o público: 16 de marçoMuseu da Língua PortuguesaPraça da Luz, s/nº, CentroTelefone: (11) 3326-0775
  • 4. www.museudalinguaportuguesa.org.brIngresso: R$ 6,00 (pagamento somente em dinheiro)Estudantes com carteira de estudante do ano e documento de identidade pagammeia-entrada. Crianças com até 10 anos e idosos a partir de 60 anos não pagamingresso, bem como professores da rede públicahttp://welbi.blogspot.com/2010/03/museu-da-lingua-portuguesa-promove.html

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