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  • 1. Na manhã seguinte, ele acordou cedo e foi para o tribunal com Jillianacompanhados de seu advogado, para dar entrada no pedido de divórcio. Elespreencheram os formulários apropriados, pagaram uma taxa e apresentaram osdocumentos.Eles optaram pelo divórcio simplificado, que agiliza o processo e geralmente nãoenvolve um tribunal. Os divórcios simplificados são divórcios não contestados esem culpa, nos quais não há desavenças sobre o acordo. Geralmente, ele é amaneira mais barata e menos estressante de se obter o divórcio. Obtendo aaprovação de um juiz para o seu acordo consensual, os divórcios simplificadosgeralmente são concedidos muito rápido (30 dias após a entrada dadocumentação).De noite, em casa ele conversava com Ellen a respeito do divórcio. “Então El,dentro de 30 dias eu serei um homem solteiro.” Disse sorrindo, enquanto aenlaçava pela cintura.“Solteiro e sozinho?” Ela devolveu a brincadeira, enquanto suas mãos enlaçavamseu pescoço.“Não, sem nenhuma possibilidade disto acontecer”. E beijou-lhe os lábios.“E Tallulah, já conversaram sobre isso com ela?” Perguntou Ellen. Às vezes, amera menção de sua filha deixava Patrick inseguro. Ele se preocupava com ela ecomo seria todo o impacto sobre ela no futuro. Ellen entendia isso. Ela ainda oamava ainda mais por causa disto.“Ellen, ela é uma menina arguta e perspicaz, mas tem somente seis anos. Você selembra de ontem, que contamos para ela que os gêmeos eram seus irmãozinhos?Parecia que ela já sabia. E isso partiu meu coração. Não ter contado para elaantes. O que será que passou pela cabecinha dela este tempo todo? Eu gostariade saber. Se ela não está se sentindo agredida, descuidada... não sei ... Jillian eeu concordamos com a custódia parcial, então de vez em quando ela virá ficarcom a gente, principalmente nos finais de semana. Você fica ok com isso?” Eleolhava nos olhos de Ellen, para sentir sua reação.“Claro que sim, Paddy. Eu já falei para você que eu amo a menina, como se fosseminha!” Falou Ellen veementemente.Sorrindo Paddy levantou-a pela cintura e deitou-a na cama. “El, nós precisamoscomprar uma casa.”"Você quer comprar uma casa?" Ela estava um pouco surpresa com a idéia."Estive pensando sobre isso." Patrick respondeu em um tom cauteloso queimplicava que ele tinha feito muito mais do que pensar sobre o assunto. "Agora
  • 2. nós não precisamos mais morar nesta casa. Eu sei que foi conveniente vivermostão perto, mas agora não precisamos esconder mais a nossa situação.""É foi muito conveniente." Ela concordou e sorriu lembrando-se de todas asformas como foi."Mas, realmente não é grande o suficiente para nós quatro”. Ele parou de falar,para pensar a melhor forma de dizer o que ele queria dizer, sem ferir seussentimentos. "Bem, Chris mantinha suas coisas aqui, muitas vezes ele dormiuaqui. É só ... é muito dele. São muitas lembranças. Quero começar de novo.Quero que os nossos bebês tenham um novo começo." Ele estava olhando paraela com interesse completo. “Eu estou fazendo algum sentido?”"Você quer um lugar que seja só nosso, com lembranças nossas. Eu sei disso."Ela respondeu baixinho, e ele soltou um suspiro que não tinha sequer percebidoque estava segurando."Yeah. Exatamente." Seus olhares se encontraram por um segundo e o quarto, derepente, parecia vibrar com as ondas de energia que saíam deles. "Eu quero quevocê se sinta confortável lá também." Sua voz era baixa e estranhamente quieta. "Eu quero fazer isso Patrick! Eu quero comprar uma casa com você. Compraruma casa é como começar de novo. Nós precisamos disso, você está certo." Suavoz tremia de emoção, não de tristeza, mas de paixão. Ela também precisava ficarlonge das memórias de Chris, o homem que uma vez pensou que seria seucompanheiro de alma e longe das memórias de jantares com seu bom amigoPatrick e sua esposa. Ela precisava de algo para indicar seu novo começo, comPatrick.”Mas, eu quero algo que você goste tanto quanto eu. Eu estava pensando quepoderíamos olhar casas grandes o suficiente para nós cinco." Ela ignorou aconfusão momentânea que atravessou o rosto de Patrick com suas palavras."Então, se ..." Ellen balançou a cabeça com força. "Não, quando Tallulahpermanecer conosco, ela pode ter seu próprio quarto ... o seu próprio lugar. Suaspróprias coisas. Ela pode decorá-la como ela quiser e manter as coisas dela lá.Não é um se, Patrick. É um quando. Jillian sabe que você é um bom pai. ETallulah sabe o quanto você a ama. Eu sei que você, às vezes, se sente umfracasso, quando se trata dela. Mas, você é um homem bom. Você vive paraaquela menina e ela sabe disso."Ellen falou com tanta confiança que Patrick não teve outra escolha senão acreditarnela. Um sorriso grato irrompeu sobre os lábios. Ele não sabia o que tinha feitopara merecê-la. "Você pensou em incluir Tallulah." Ele disse com um ar dedescrença, mesmo sabendo que ele não deveria se surpreender. Ellen pensavanos outros bem antes de pensar em si mesma. "Eu não posso dizer o quanto issosignifica para mim."
  • 3. "Claro que eu penso nela." Ela respondeu levemente. "Ela vai ser uma parte destafamília. Ela terá seu próprio lugar para correr quando seus irmãos a deixaremmaluca." Respirando profundamente para manter suas emoções sob controle,então ele a puxou em um abraço apertado. "Vai dar tudo dar certo, Paddy." Elafalou e ela realmente acreditava nisso.Era dia 10 de novembro. Era o aniversário de Ellen e eles estavam gravandocenas atrasadas de Derek/Meredith havia mais de seis horas. De manhã, Patricktinha corrido para registrar os bebês. Com seu nome. Os seus filhos. Encontrando-se com Ellen no trailer, ele mostrou as certidões de nascimento para ela.“Oh, Paddy, que bom! Isto foi o melhor presente de aniversário que já ganhei navida!” Disse emocionada. Mas ele sabia que ela merecia muito mais.Na hora do intervalo, os amigos compraram um bolo e todos cantaram parabénspara ela. Aqueles que sabiam de sua relação estavam mais felizes ainda, quepuderam, enfim, contar ao mundo sobre ela. Os outros ficaram meio atônitos,quando souberam, mas no fundo, sempre tinham desconfiado de algo, e tambémficaram felizes por eles.“Está tudo certo, foi tudo ótimo. Agora, vamos, voltem ao trabalho, que vocêsestão muito atrasados com as cenas.” Disse Shonda rindo.Chegando em casa, exaustos, porém, juntos, sem precisar de Patrick entrarsorrateiramente, foram ver os bebês. Ellen correu para amamentá-los. Eles játomavam mamadeira e comiam papinha, mas ela ainda não abria mão disto.Enquanto isso, Patrick foi ficar um pouco com Tallulah e colocá-la para dormir. Elee Jillian tinham conversado com a menina no dia anterior, sobre o divórcio, ePatrick queria dar muita atenção a ela nestes primeiros dias.Ela, aparentemente, entendeu tudo, e parecia ter ficado numa boa. “A única coisaruim, é não podermos ficar todos juntos”. Tinha dito a menina. Mas ele prometeuque iria vê-la todos os dias. “Eu também quero ver meus irmãozinhos todos osdias”. Jillian prometeu que alguém a levaria na casa de Ellen, todos os dias depoisde sua aula, para ela poder brincar um pouquinho com os bebês.De volta para casa, Patrick entrou no quarto dos bebês para dar-lhes boa noite.Ellen já havia tomado banho e esperava por ele com os bebês. Eles já estavamcom três meses, eram bebês gordinhos e rosados. Lindos. Patrick e Ellen nãocansavam de beijá-los e apertá-los. Sean não se importava de ser apertado.Taylor, apesar de gostar de ficar só no colo, não gostava muito destasdemonstrações. Ele resmungava na hora. E quando via o pai, só queria ele.
  • 4. Deixando-os no quarto com Mary, para poderem dormir. Foram para seu quarto.Eles estavam muito cansados e deitaram na cama juntos, e ficaram se abraçando,enquanto Patrick sussurrava no ouvido de Ellen.“Feliz aniversário, meu amor. Bem, você sabe que eu sou um romântico decoração". Ele colocou a mão no peito para provar isso. Ellen deu uma risada. Elelevantou-se da cama, e, de repente, ela sentiu imediatamente um vazio sem elepor perto. "Aonde você vai?" Ela perguntou curiosa."Pegar o seu presente. Eu comprei-o ontem, depois que saí do tribunal." Ellenfranziu a testa, enquanto o observava ir até a cômoda pequena que ela tinhareservado para ele guardar suas coisas. Ele vasculhou a gaveta até encontrar oque estava procurando. Deixando escapar um suspiro satisfeito, ele agarrou acaixa embrulhada em papel prateado brilhante firmemente em sua mão.Ellen ainda estava com a testa enrugada quando ele voltou. "Eu pensei que nóstínhamos concordado que você não compraria nada para mim hoje.” De repente,seu rosto corou ligeiramente. Eles realmente não tinham jamais trocado presentesna sua curta relação. Eles ainda não sabiam de tudo um sobre o outro."Eu sei que prometi, mas eu imaginei que isto iria animá-la." Ele voltou para acama e sentou-se ao lado dela. "Além disso ... eu fiquei doido para dar isto avocê.""Você já me deu o melhor presente hoje." Sorrindo docemente, Patrick beijou suatesta para silenciá-la."Ellen, tudo bem”. Ele realmente não podia esperar para dar o presente a ela. Elesabia que ela adoraria. Ele prestou atenção quando ela tinha falado sobre algoque ela tinha visto na Rodeo Drive. Ele tinha feito de tudo para garantir que elanão o comprasse para si."Você tem certeza? Eu me sinto mal." Balançando a cabeça, Patrick riu eempurrou o pacote prateado em suas mãos. "Não se sinta mal. Quase que te deiisso ontem mesmo, de tanto que eu estava animado.”Olhando para baixo, para a caixa retangular, o coração de Ellen começou a batermais rápido. Patrick era um homem de jóias. Ela sempre soube disso. Ela nãosabia que ela estava tão nervosa. Eles estavam apaixonados, eles tiveram filhosjuntos. Ele comprar-lhe uma jóia não devia ser grande coisa. Mas, sabendo comoera importante para ele, ela sabia que era um grande negócio."Você realmente tem que abrir para ver o que há dentro, Ellen." Ele zombou. Elehavia observado divertido como ela ficava silenciosamente olhando para o pacote."Estou com medo." Ela brincou, mesmo sendo uma espécie de verdade.
  • 5. "Não fique. Não é um Harry Winston. Eu prometo." Suas palavras a fizeram sesentir um pouco melhor. Ela não tinha certeza do que ela faria se ele tivesse gastomuito com ela. Ela iria se sentir demasiado culpada se ele tivesse feito algo loucocomo comprar um diamante de alto preço. "Abra-o". Ele empurrava com um acenode cabeça. "Certo". Com as mãos levemente trêmulas, ela rasgou o papel e suspirou quandoa caixa com a marca Cartier familiar entrou em sua vista."Patrick ..." Ela disse em tom de alerta, mesmo que as palmas das mãoscomeçassem a suar em emoção."Basta abri-lo." As mãos dela já haviam aberto a tampa antes mesmo que elefalasse."Oh ... meu Deus". Ela falou com voz estridente quando ela levantou o colar deplatina com um pingente no ar. Patrick estava rindo de orelha a orelha, ele nãopodia parar."Você se lembrou?" Ela perguntou com admiração, embora ela soubesse que nãodeveria ter ficado surpresa. O pingente quadrado tinha um E maiúsculo escrito emrelevo com pequenos diamantes em torno das bordas. Ela tinha visto meses atrás,na loja, mas não se sentia bem sobre a compra de uma coisa tão cara na época."Lembro-me de tudo o que você me fala"."Você é tão extravagante." Ela disse a ele, mas o sorriso nunca deixou seu rosto."Obrigado." Inclinando-se, beijou-o nos lábios, segurando o colar em sua mão. "Euamei isso.""Eu sabia que você amaria. Vamos ver como fica". Empurrando seu cabelo longede seu pescoço, ele apertou a cadeia delicada no lugar e virou-o para que opingente ficasse na frente. "Parece até mais bonito em você." Ela corou, mas seusolhos estavam brilhando de felicidade."É o presente mais bonito que eu já ganhei.""Bom". Sussurrou Patrick, e então ele foi incapaz de manter seus lábios longe delapor mais tempo.Dez dias depois estavam Patrick, Ellen e Tallulah na pré-estréia de Encantada. Elefez questão que Ellen os acompanhasse. “Nós agora somos uma família El, e sónão levo os gêmeos, porque eles não iam dar sossego.” Ele tinha dito a ela. Elestinham chegado debaixo de uma chuva de flashes. “Olhem para cá!” Dizia umfotógrafo. “Virem, fiquem juntos”. Dizia outro. Até conseguirem passar pelos
  • 6. paparazzi e chegar na porta do cinema, foi um sufoco. Para Ellen e Tallulah, poisPatrick adorava tudo aquilo. E ele merecia, mesmo. Era para ele a festa toda. Elesentou-se no meio das duas a espera do filme. Naquela sessão só tinhamconvidados da Disney, entre artistas que moravam em LA, os produtores,diretores, roteiristas e outros.Ellen sentia todos os olhares sobre ela. Todo mundo já sabia, é claro, foi umestrondoso caso. Mas, a maioria dos olhares era de simpatia, pois do jeito queLeslie colocou no comunicado, ela já tinha sofrido muito.Patrick sorria e acenava para todo mundo. As pessoas iam ao lugar onde estavamsentados para cumprimentá-los. Geralmente, perguntavam pelos gêmeos. Ahistória do relacionamento dos dois dava um filme de cinema, pensava Ellen.Assim que apagaram as luzes e o filme começou, Patrick colocou um braço sobreo ombro de Ellen e outro em Tallulah. “As lindas mulheres da minha vida”.Pensava ele, orgulhoso. Ellen estava linda em seu tubinho preto. A maternidadetinha dado a ela uma beleza etérea. Ele tinha visto vários homens olhar para elacom admiração. Ela usava o colar que ele lhe tinha dado, o que o deixava feliz.O filme foi um sucesso. Com certeza iria arrebentar nas bilheterias, do mundotodo. No final, todo mundo se levantou e bateu palmas. Tallulah adorou ver o paina telona. “Papai, você ficou tão lindo!”. Dava gritinhos de alegria. “Eu sou lindo,T”. Disse sem nenhum pudor.“Ai, Paddy, que ego que você tem, hein?” Disse Ellen revirando os olhos.“Você também acha, eu sei disto.” Disse beijando-a na bochecha.“Metido!” Ela revidou com outro beijo.Era tão bom poder fazer isso livremente, sem esconder. Não que eles fossemfazer amor na frente de todo mundo, nem ficar se agarrando, não. Era sódemonstração de carinho. Era a espontaneidade dos dois. Eles sempre foramassim. Nunca cansavam de se tocar.Após a sessão de cinema, eles foram convidados para a festa que a Disneyestava promovendo. Eles resolveram ir, mas não podiam demorar por causa deTallulah que dormia cedo.A festa estava ótima. Muitos artistas do set de Grey’s Anatomy foram convidadose compareceram. Estavam todos animados com a audiência da série, que sóestava aumentando. A quarta temporada de GA ia de vento em popa, ainda maisagora que Ellen tinha voltado às gravações.
  • 7. Patrick deixou Tallulah com Chandra que a estava mimando, e levou Ellen para omeio da pista de dança. “Nossa, há quanto tempo tenho vontade de fazer isso.”Disse colocando os braços em volta dela.“Eu também”. Sussurrou em seu ouvido, enlaçando-o em volta do pescoço. Ele aapertou mais para perto de si.“Paddy, cuidado com o que vai fazer na frente de todos”. Disse divertida.“Eles só vão ver o quanto eu te amo!” Falou e deu um longo beijo apaixonado emsua boca. Soltou seus lábios e beijou sua testa. “Eu te adoro, El. Minha vida nãotem sentido sem você.”“Te amo tanto, Paddy, que até dói”. Disse Ellen de volta.Enfim, chegou o hiato entre as festas de fim de ano. Patrick combinou com Jillianque passaria o Natal com Tallulah e ela passaria o ano novo. No ano seguinte elesrevezariam. O bebê de Jillian havia nascido, uma menina, que se chamavaRachel. Tallulah tinha escolhido o nome e agora estava dividida entre os irmãos ea irmãzinha. Não ia mais todos os dias ficar com gêmeos, como dizia ela todaimportante “Tenho que ajudar minha mãe a cuidar da Rachel”. Ellen e Patricksentiam falta dela. Os bebês também. Mas, o que fazer, era a vida. Ela adorava osgêmeos, mas também adorava a irmãzinha.Os gêmeos estavam cada vez mais espertos. Já ficavam de pé no berço,chamando, do jeito deles, é claro. Ellen já não amamentava mais. Eles nãoqueriam mais o leite dela, pois estavam comendo papinha, frutas, tomavam suco.Tudo era mais gostoso para o paladar deles. Continuavam a cópia xerox dePatrick. A única coisa em que pareciam com a mãe, eram as sobrancelhasarqueadas, o que os deixavam mais belos ainda.Na véspera do Natal, Kathy e as outras irmãs vieram para a casa de Ellen. Elasiriam passar o Natal com eles. Ellen pediu e Patrick aceitou feliz. Ele não conheciaas outras irmãs dela. A casa virou uma balbúrdia de vozes, gritos de crianças,latidos de cachorros. Tallulah logo fez amizade com uma sobrinha de Ellen quetinha sua idade. Patrick se deu muito bem com as outras irmãs de Ellen e comseus respectivos maridos.Depois da ceia de Natal, dos presentes abertos, das brincadeiras, eles puseramas crianças para dormir e continuaram a conversa. Kathy vendo Ellen entrar nacozinha levando alguns copos para lavar foi atrás dela.“E aí, a magia continua? Acho que pela sua cara, sim.” Disse sorrindo.“Melhor ainda, irmã. Agora que não precisamos esconder do mundo, ele está maisrelaxado, mais feliz. Ele pode ser o Patrick Dempsey”.
  • 8. “Fiquei sabendo que vocês compraram uma casa nova. É aqui perto?”“Sim, demos uma sorte danada. É na rua de trás. Ela é linda. Grande, com muitosquartos, tem um jardim enorme para os meninos poderem brincar. E é perto dacasa de Jillian, então fica fácil para Tallulah ir e vir quando quiser”.“Que ótimo. E quando vocês mudam?”“No começo de janeiro. Eu e o Paddy vamos sair uma semana. Só nós dois, semos meninos. Nós nunca tivemos um tempo para nós, sozinhos, sabe? Nossocomeço foi bastante conturbado e logo vieram os gêmeos. Mary e Mônica vãoficar com eles para nós. E aí quando voltarmos, nos mudamos”. Respondeu Ellenfeliz.“Ah, sei, como se fosse uma lua-de-mel”. E para onde vocês vão, se é que sepode saber?” Sorria enquanto falava.“Não vamos muito longe, não. Vamos para um hotel que um amigo de Patrick temperto de Las Vegas. Os gêmeos ainda estão muito pequenos, e nós ficamosreceosos que aconteça alguma coisa e estivermos muito longe para fazer algumacoisa”.“Você está certa, Ellie. Mas aproveite, curta seu homem. E o meu conselho, vocêtem seguido?”“Aquele de rir com ele? Não tem outro jeito com o Paddy, não. Ele é engraçado,impulsivo. Se eu não rio com ele, eu rio dele....” Se bem que tem horas quegostaria de jogar uma panela na cabeça dele”. Disse, lembrando-se dos ciúmesque às vezes o faziam descabeçado.“Kathy, vê se pode. Ele tem ciúmes do padeiro, de um novo câmera man lá no set,que ele cismou que está dando em cima de mim, e até do meu mestre de ioga,que eu conheço há mais de quinze anos. Você acredita, nisso?” Ela perguntoucom os olhos arregalados.“Ellie, você é uma mulher linda. Ficou ainda mais bonita depois da maternidade. Écompreensível que ele sinta ciúmes de você. Você não tem ciúmes dele? É umbelo homem!” Perguntou Kathy.“Se tenho. Eu morro de ciúmes das belas mulheres com quem ele contracena.Mas logo passa. Eu sei que ele tem que trabalhar.” Respondeu pensativa.“Então, você só se controla mais do que ele, nessas horas. Ele é mais emotivo,impulsivo, eu já percebi que ele não guarda muito dos sentimentos dele paradentro, não. Ele os joga na cara da pessoa. É o jeito dele de ser, então não fiquecom raiva dele, quando ele tiver ciúmes de você. Depois passa, não passa?”
  • 9. “É, depois ele sempre vem pedindo perdão, com aquele olhar de cãozinhoabandonado. E eu não agüento!” Disse já sorrindo.“Viu, é isso que importa, baby.” E beijou as bochechas de Ellen. “Feliz Natal,querida.”“Pra você também, Kathy”. Disse abraçando a irmã.Mais tarde, já na cama, agarrados um ao outro, Patrick sussurrou no ouvido deEllen, “ Tenho uma coisa para você”.“Mas Paddy, você já me deu meu presente hoje”. Disse lembrando-se de um lindovestido vermelho que encontrou em cima da sua cama, assim que saiu do banho.Patrick tinha a abraçado por trás. “Feliz Natal, meu amor!” Ela sorriu e foi logopegar o presente que ela tinha comprado para ele, uma coleção de miniaturas decarros antigos. Ele amou. Os carros eram miniaturas de seus próprios carros desua coleção.“Mas eu tenho outro, porém não sei se você vai gostar dele!” Falou e sua vozparecia ansiosa, quando tirou um embrulho debaixo do travesseiro.Ellen desconfiou do que era quando viu o tamanho e o formato do pacote.“Paddy, você não comprou outra jóia para mim, comprou?” Ele mesmo abriu opacote e tirando de dentro uma caixinha, ele a abriu e pegou uma linda aliança.Era um solitário. Ellen arfou.“O que ..... Paddy, não ....”“Ellen Pompeo, você quer se casar comigo?” Sua voz estava cheia de emoção.“Desde a primeira vez que te vi, claro que sim Patrick Dempsey!” Respondeuenquanto duas lágrimas escorriam pelo seu rosto. “Mas, como? O divórcio jásaiu?” Perguntou ela.“Sim, antes de ontem. Mas eu queria te fazer uma surpresa, hoje. Feliz Natal, El!”Disse abraçando-a. “Eu te amo”.“Me pegou de surpresa, mesmo. Eu também te amo muito Paddy. Feliz Natal paravocê também!” Beijou-o.“Então, podemos marcar a data?” Ele perguntou divertido. “Pode ser no início defevereiro?”
  • 10. “Sim, é uma data boa.” Depois lembrou-se de uma coisa e disse sorrindo. “Nósdevemos ser o único casal que, primeiro tem filhos, depois vai para a lua-de-mel elogo após se casa”.“Nossa relação sempre foi assim, diferente da de todo mundo!” Ele respondeudivertido.Eles resolveram deixar para pensar em tudo no dia seguinte, pois estavam mortosde cansaço e sono. Dormiram abraçados e felizes. Tudo o que eles um diasonharam, estava acontecendo. Eles eram uma família de verdade.2 meses depoisEllen tinha acabado de fazer sua ioga, conversou um pouco com John, seumestre, e foi na cantina da academia pegar uma bebida isotônica, para repor asenergias, antes de voltar para casa. Para a casa nova. Depois de sua lua-de-mel,eles tinham se mudado. E após a mudança, eles tinham se casado. Sentou-se emuma das mesas da cantina e lembrando-se do dia do casamento, ela sorriu. Nemparecia que já estava casada há um mês.Foi uma cerimônia simples, mas emocionante. Fizeram a cerimônia no jardim dacasa de Shonda que era muito bonito, e ela tinha oferecido, pois sabia que elesnão queriam muita pompa. Foram poucos os convidados. Os amigos do set,Mônica, Leslie, Liz, alguns amigos em comum de Patrick e Ellen, e claro, Tallulahos gêmeos e Mary, as irmãs de Ellen e a família de Patrick.Ellen estava maravilhosa com um vestido branco, de corte simples, bordado pertodos seios, e caía esplendorosamente bem em seu corpo perfeito. Quando Patricka viu ele literalmente ficou de boca aberta – “El, você está sensacional! Todos oshomens aqui vão ficar com inveja de mim!”Ela riu, enquanto pegava na sua mão e iam em direção ao altar improvisado.“Paddy, você também está tão de bonito! As mulheres todas também vão meinvejar!”Tallulah estava perfeita, levando as alianças ao altar. Patrick ficou bastanteemocionado, quando a viu entrando. Os gêmeos estavam lindos, com roupas depajem, porém só conseguiram ficar com elas durante os primeiros quinze minutos.Depois começaram a ficar agitados e Mary e Mônica tiveram que dar uma voltinhacom eles, e acabaram trocando suas roupas que os estavam incomodando.Estava nesse devaneio, quando escutou uma voz masculina. “Posso me sentar,aqui com você?” Ela olhou para cima e viu um colega de ioga, de quem ela não selembrava o nome. Ele já estava em seu lugar quando ela chegava e quandoacabava a sessão ele saía rapidamente.
  • 11. “Sim, pode.” Ela respondeu com alguma dúvida em sua voz. Mas estava curiosa.Ele devia ter uns 45 anos, tinha cabelos claros e olhos verdes. Na verdade, eraum homem bonito.“Obrigado. Meu nome é Jeffrey e eu sei quem você é.” Ele era simpático e comoEllen era educada e cordial, ficaram conversando por mais de meia hora. Ele faloucom ela que não tinha conversado com ela antes, por causa de ela ser umaestrela. Mas, depois quando viu como ela tratava bem todos os demais, resolveuque podiam ser amigos também.“Nossa, o papo está bom, mas realmente eu tenho que ir embora”. Disse Ellenolhando o relógio na parede. Patrick logo iria chegar de sua reunião com ospublicitários de sua equipe de corridas, Vision Racing, e ela queria estar em casaquando ele chegasse.“Ok, então até a próxima sessão”. Disse Jeffrey levantando-se e estendendo amão para ela apertar. Ela retribuiu o cumprimento, sorrindo levemente.Caminhando a pé até sua casa, Ellen ria interiormente. Será que ela tinhaganhado uma cantada? Patrick não poderia nem sonhar com isso. Ao abrir a portade casa e ver os gêmeos tentando dar seus primeiros passinhos, a fez esquecerinteiramente do novo amigo.Logo Patrick chegou e a casa virou o alvoroço que sempre acontecia. Ele eraexuberante, falava alto, ria, colocava os meninos no pescoço, enfim, virava umcompleto meninão dentro de casa, junto aos filhos. Ellen já sabia que ele era umbom pai, mesmo antes dos gêmeos nascerem. Ela já o tinha visto com Tallulah.Mas, mesmo assim, ele superava suas expectativas.“El, eu vou ter que ir uns dias para a Flórida, por causa da corrida de Daytona.Temos que fazer reconhecimento da pista, dos carros, antes da corrida, você seimporta?” Perguntou a ela, enquanto viam o noticiário na TV.“Você vai pilotar dessa vez, Paddy?” Perguntou temerosa. Ela sabia que essa erasua outra paixão. Correr.“Estou querendo.... eu gosto tanto!” Respondeu pegando na mão dela.“Então, que seja. Só tome cuidado, amor. Eu não quero que você se machuque,ok?” Falava isso, mas por dentro ela se acabava de apreensão. Ele era a sua vida.Ela tinha medo de que algo ruim pudesse acontecer com ele. Mas nunca iademonstrar isto para ele. Melhor era pensar em coisas boas.“Da próxima vez, quando os gêmeos estiverem maiores, podemos ir todos juntos,o que você acha?”“Oh, vamos amar!” Não sem uma pontinha de inverdade na voz. “Quando você vaiviajar? Já falou com Shonda?” Ela perguntou.
  • 12. “Vou combinar com ela amanhã, nas filmagens. Talvez ela queira que eu adiantealgumas cenas.”“Certo. E eu e os bebês iremos morrer de saudades, lindo.”“Eu também, El”. Disse beijando seus lábios.Patrick já estava na Flórida havia três dias, e ela tinha resolvido levar os gêmeospara a praça, a fim de que brincassem um pouco fora de casa. Ela tinha acabadoas gravações mais cedo, porque Patrick não estava lá para fazer as cenas quetinham que fazer juntos. Eles estavam filmando o final da quarta temporada, ecomo sempre, todos já estavam muito cansados, esperando pelas férias.Mary havia ido com eles também. Elas estavam brincando com os bebês no bancode areia, quando uma sombra caiu sobre Ellen que estava sentada com eles nochão. “Olá, que coincidência você aqui!” Olhando para cima e tampando o sol coma mão para ver melhor, Ellen descobriu o seu novo amigo Jeffrey.“Oi, olá!” Disse na defensiva. Ela nunca tinha prestado atenção nele e agora elavirava e se mexia lá estava ele. Eles já tinham se encontrado na padaria, outro diana lanchonete, outro dia enquanto ela fazia seu cooper. Será que ele a estavaseguindo, ou ela é que estava com minhocas na cabeça e tudo era somentecoincidência mesmo? Ele nunca, nessas ocasiões, tinha avançado o sinal. Elaestava era sendo metida, achando que ele estivesse interessado nela. Então,sacudindo a cabeça, ela deixou estes pensamentos ridículos irem embora.“O que você está fazendo aqui?” Ela perguntou com um sorriso, mas curiosa, poissabia que ele não tinha filhos. Ele já havia comentado com ela, em um destesencontros casuais.“Acontece que eu trabalho naquele prédio logo ali em frente”, e apontou para umedifício majestoso com vidros espelhados. “Então sempre venho aqui dar umaespairecida.” Respondeu ele, omitindo que quando estava saindo de seuescritório, ele a viu na praça, e por isso foi até lá. Ele sempre a admirou, sempre aachou bonita, desde a primeira vez em que ele a viu na ioga. Mas, sempre tevereceio de puxar conversa com ela. Primeiro, por ela ser uma pessoa famosa, esegundo por ela ser tão distante. A primeira impressão sobre ela passou, quandoele viu que ela tratava todo mundo muito bem . Ela era educada e sempre davaautógrafos quando alguém pedia. A segunda impressão, há pouco tempo elesoube porque era. Ela tinha segredos, que só podia compartilhar com poucaspessoas, por isso o aspecto distante. Ela não era distante, ela tinha medo quedescobrissem o seu segredo.“Estes aí são os seus bebês? Mas eu tenho que te dizer que eu acompanhei suahistória pelas revistas. Você sofreu muito, não é?” Enfatizou o você.
  • 13. “Nós sofremos muito, eu e meu marido.” Era tão bom poder usar estas palavras,meu marido, ela ainda custava a crer que tinha dado tudo certo, que tinham secasado, que eram uma família linda e feliz.Ele viu o brilho nos olhos dela quando ela disse aquilo. Mas no fundo, ele nãoacreditava em suas palavras. Como ela podia amar um homem que tinha feitoaquilo com ela? E daí que depois de tudo o que aconteceu, ele se casou? Elenunca faria isto com ela. Depois balançou a cabeça e continuou uma conversaamena com ela.“É difícil cuidar de dois bebês ao mesmo tempo?” Disse se agachando esegurando na mãozinha de Taylor. O menino lhe mandou um olhar azul cristal econtinuou brincando com seus brinquedinhos. “Seus filhos são lindos!” Dissehonestamente.“Eu sei”, disse Ellen orgulhosa, “eles são a cara do pai”. Lá vinha ela com essehomem de novo. Será que ela só pensava nele? Ele irritou-se um pouco. “Nãoacho. Acho que eles se parecem muito com você”. Ele respondeu enfaticamente.“Oh, é porque você não conhece Patrick, pessoalmente. Quando eu o apresentar,você verá que são xerox”. Ela falou inocentemente.Ele franziu a testa, pensando que não tinha vontade nenhuma de conhecer omarido dela. Já o tinha visto, na série, em filmes e em fotos. Só os olhos e oscabelos dos bebês pareciam com ele, o resto era todo de Ellen.Continuaram conversando, e como acontecia na Costa Oeste dos EUA, o tempovirou sem mais nem menos e grossas gotas de chuva começaram a cair. Ellenlevantou-se com Sean nos braços, enquanto Mary pegava Taylor. Mesmo sendorápidas, elas não conseguiriam chegar em casa, com os bebês e os carrinhos,sem tomar uma grande chuvarada.“Entrem no meu carro, que está estacionado bem ali em frente, que eu deixovocês em casa”, disse Steve.“Não precisa, e além do mais os carrinhos não entram dentro do seu carro”. DisseEllen, já achando demais enfiar bebês e carrinhos dentro do carro dele.“Não seja tola, meu carro tem um bagageiro enorme.” E apontou para ela ver oPajero que ele dirigia no momento.Como a chuva apertasse, Mary disse para ela “Vamos logo El, aceite a caronasenão os meninos vão molhar muito.”Chegando em frente sua casa, Ellen abriu a porta da garagem para que Jeffreypudesse por o carro lá dentro. Ele ajudou-as a tirar os meninos e todas as tralhas.
  • 14. Ellen estava grata por sua ajuda. “Você quer entrar para tomar uma xícara decafé?” Perguntou educadamente.Ele estava morrendo de vontade de ficar mais um pouco com ela, mas resolveuque iria devagar com ela. Ele não queria assustá-la. Ele queria conquistá-la. E issoteria que ser feito lentamente. “Não, outro dia eu venho tomar café com você,obrigado”.“Eu é que agradeço por você nos ter dado carona”. Disse sorrindo Ellen.“Então, a gente se vê na ioga, sim?”“Certo. Adeus”“Adeus”.“Tem gente que quando souber disto vai ficar uma fera!” Disse Mary olhando parao rosto de Ellen.“Você acha que o Paddy vai achar ruim de termos pegado carona com Jeffrey?Nada disso, Mary, ele é só um amigo. Patrick vai entender, e estava chovendo.Você mesma me disse para virmos logo com ele.” Disse na defensiva.“Ellie, este homem está interessado em você. Ele não tirou os olhos de cima devocê o tempo todo, eu vi. Eu só queria que você ficasse ciente disso, para suaprópria proteção. E eu só te incentivei a pegar carona por causa dos bebês.” Maryrespondeu.“Ora, você está vendo coisas. Ele é gentil, é um bom amigo”. Respondeu Ellenquerendo encerrar o assunto.Mary temia por Ellen. Ela viu o olhar que ele mandou para Ellen, quando ela nãoestava vendo. Era um olhar de cobiça, de desejo, não era de amor, decompanheirismo. Não era o olhar que Patrick tinha para ela. Ela teve medo dessehomem. Preferia que Ellen não o visse nunca mais. Mas quem era ela para falaralguma coisa?Na verdade, Jeffrey Fairlane era herdeiro de um empresário muito bem sucedidona área de hotelaria e milionário. O seu hotel Le Crowne Plaza Hotel era muitobem conceituado em LA. Ele já tinha se casado e divorciado duas vezes e nãotivera filhos. Ele não se dava muito bem com crianças. Único filho homem dafamília, foi extremamente mimado pelos pais. Ele estava acostumado a ter tudo oque queria, inclusive mulheres. E ele, agora, queria Ellen.“Não vou poupar esforços”, pensava ele. “Aquela mulher vai ser minha”.
  • 15. Ellen, por outro lado, nem pensava nele. Ela estava morrendo de saudades dePaddy, que iria chegar no final de semana. Ela estava gravando quase 10 horaspor dia, e quando chegava em casa, ficava totalmente por conta dos gêmeos. Elesestavam crescidos e pediam muita atenção, agora. Ela só se lembrava de Jeffrey,quando chegava na ioga e o via no seu lugar de costume.Neste dia, porém, chegando na ioga, percebeu que Jeffrey tinha trocado de lugare agora estava ao lado dela. Ele a cumprimentou amigavelmente e começaram afazer os exercícios. Na hora, ela ficou um pouco perturbada, mas depois com asséries de exercícios, esqueceu-se de tudo e relaxou.Acabada a sessão, ela foi para o vestiário se trocar e depois foi para a cantinapara comprar a sua bebida isotônica. A mulher do balcão lhe entregou o troco e agarrafa e quando ela se virou, esbarrou em uma pessoa que estava atrás dela, esua garrafa caiu rolando no chão.“Ai ... me desculpe”. Disse ela, e depois viu que era Jeffrey, e ele tinha seabaixado para pegar sua bebida.“Não, não se desculpe, a culpa foi minha, eu cheguei sem avisar.” Disse sorrindo eentregando a garrafinha para ela. “Ainda bem que é de plástico.” Ele tinha umsorriso amigável e cativante. Por dentro, fervia de excitação, por ter encostadonela e sentido o seu perfume. Ele tinha feito de propósito, mas quem estivessevendo, não iria notar seu interesse. Nem Ellen tinha notado, ele percebeu, poissorriu para ele.Novamente sentaram-se na mesma mesa, para saborearem suas bebidas. “Vocêcostuma filmar nos finais de semana?” Ele perguntou, forçando-se a umaconversa amena, pois na verdade gostaria de agarrá-la bem ali. Ela estavaadorável, com um rabo de cavalo, as bochechas coradas e os olhos brilhantes.“Só quando estamos muito atrasados. Neste mesmo, vou filmar, porque meumarido chega amanhã e nós temos que gravar nossas cenas juntos.” Ele irritou-seinteriormente. Meu marido isto, meu marido aquilo. Será que ela fazia depropósito? Mas ele não deixava transparecer o seu desagrado. Isto teria que serfeito muito lentamente, ele sabia, senão ela escorregaria pelas suas mãos. Eletinha que conquistá-la, mas não poderia assustá-la. Então ele iria devagar. Porenquanto seria só um amigo.“Ah, que pena. Eu ia te convidar e aos meninos também, para passearmos napraça novamente, amanhã. Os dias estão lindos aqui na Califórnia.” Ele falou coma voz amistosa. “E eu não tenho muitos amigos”. Complementou.Como sempre o coração de Ellen se confrangia de pesar pelas pessoassolitárias. Ela era assim. Apesar do temperamento forte, ela tinha um coraçãodoce. Não gostava de ver ninguém sofrendo.
  • 16. “Quando tiver oportunidade, eu vou apresentar o Patrick a você. Vocês podemcorrer juntos, ir para a academia. Ele pode ser um bom amigo. Todo mundo gostadele.” Falou Ellen, inocentemente. Nem passava pela cabeça dela, que não erabem isso que ele gostaria de fazer. Se Patrick soubesse o que era, eles nuncapoderiam ser amigos, seriam, isto sim, inimigos mortais.“Vou gostar muito de conhecê-lo.” Respondeu mentindo. “Você vai à festa deaniversário do mestre, quinta que vem? Por que não o traz, assim você pode nosapresentar”. Ele não queria saber de Patrick, ele queria saber mesmo é se ela iriaao aniversário de John.“Boa idéia, isto é, se ele não tiver que filmar, né? Porque ele está atrasado porcausa desta viagem à Flórida.” Ela respondeu pensativamente.Ele ficou eufórico de que isso pudesse acontecer e ela fosse desacompanhada nafesta. Já estava sonhando com o dia.Assim que o avião aterrisou, Patrick pegou um táxi e foi direto para o set defilmagem, Ellen e o resto do pessoal já estavam esperando por ele. A maioria dascenas eram de Meredith e Derek o que era bom. O ruim era que as cenas nãoeram de amor, “eles” estavam separados e Derek estava namorando umaenfermeira, Rose. E como ele estava doido para beijar Ellen, na hora do breakentre uma cena e outra, ele a agarrou e largou um beijo em sua boca, na frente detudo mundo, elenco, cameras man, enfim quem quer que estivesse ao lado deles.“Paddy ... não dá para esperar chegarmos ao trailer?” Ela ria entre seus beijos.“Não, não dá. Estava morrendo de vontade de te beijar e como não tivemosnenhuma cena de beijo.....” Ele sorriu marotamente.“Pois é, em compensação agora você vai gravar uma cena de beijo com Rose ... eeu vou para o trailer porque eu não quero ver esta cena”. Respondeu enciumada,e foi em direção à saída, deixando-o gargalhando.No final das gravações, estavam cansados e Patrick queria ir logo para casa parapegar os gêmeos acordados. Nem fizeram muita hora no trailer. “Vamos El, euquero ver meus filhos, você toma banho em casa, anda!!”“Ora, seu impaciente, deixe-me pelo menos trocar de roupa!” Disse Ellen aostropeços, pois estava correndo e tirando as roupas de Meredith e colocando asdela. “Você quer que eu saia nua?”“Isto seria interessante!!” Ele respondeu com desejo no olhar, vendo sua pelebranca e macia. “Mas vamos, mulher, que demora.”
  • 17. Chegaram em casa e Patrick correu para o quarto dos meninos. Eles aindaestavam acordados e foi aquela alegria. Eles davam gritinhos de prazer, enquantoo pai os levantava em seus braços e os beijava sem parar. “Olá meus pequeninos,papai estava morrendo de saudades!!!” Ficou com eles por mais de uma hora, atéEllen sugerir que eles estavam ficando cada vez mais excitados e que se Patricknão parasse com a brincadeira, ninguém iria dormir naquela casa.Colocando os bebês nos berços, com Taylor contrariado, levantando-se e ficandona ponta dos pés segurando na grade, querendo o pai. “Taylor Christopher, vá sedeitar....” Dizia Ellen com amor, mas com firmeza. “Esse garotinho é terrível,Paddy, você acredita que ele toma os brinquedos da mão de Sean, toda hora?Além de puxar os cabelos do outro?” Mas estava sorrindo. Os meninos eram muitoligados um ao outro. O primeiro que acordava, ficava de pé e olhando para o outroberço, ficava chamando pelo outro, na sua linguagem, claro. Era lindo de se ver.“E Sean, não o enfrenta de volta?” Patrick perguntou divertido.Às vezes sim, quando ele gosta realmente do brinquedo. Mas, na maioria dasvezes, ele só olha e parte para outro brinquedo. Ele é mais tranqüilo”.“Como podem ser tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo?” Ele seperguntava, enquanto iram para o seu quarto. “E Ellen, estes dias que eu fiqueilonge, eles mudaram tanto, eles agora estão parecendo demais com você.”“Você acha mesmo? Que engraçado, o Jeffrey disse a mesma coisa...” Na horaem que falou, descobriu que não devia ter aberto a boca.“Quem é Jeffrey?” Perguntou Patrick, já com os olhos escurecidos.“Ele é um colega da ioga, Paddy.” Respondeu como se isso fosse uma coisacorriqueira, mas ele percebeu uma leve contração de seus lábios.“E onde ele ficou conhecendo os meninos?” Ele a apertava.“Ah, eu e Mary estávamos na pracinha com eles, quando ele nos viu e foi até lápara conhecê-los, pois eu não paro de falar neles na ioga. Mas o que é isso? ASanta Inquisição?” O temperamento forte dela aflorou, neste instante, quando elapercebeu que estava em meio a um interrogatório. “Jesus Paddy, ele só nos deuuma carona porque começou a chover de repente e ....”Ele não a deixou acabar a frase. “O ... o que? Ele deu uma carona, e vocêaceitou?” Ele perguntou estarrecido.“Paddy, não comece com os seus ciúmes. O que você queria que eu fizesse?Deixasse os meninos se encharcar e ficar doentes?” Ela estava ficando com raivadele.
  • 18. “Por que então você saiu, se sabia que ia chover, sem carro?” Ele não davatréguas.“Porque simplesmente não sabia que ia chover, ok? Pare com estas perguntas,está enchendo o saco.” Suspirou nervosa.“El, eu morro de ciúmes de você. O que eu posso fazer? Eu não consigo controlarmeus arroubos possessivos. Eu nunca fui assim.” Falou com a cabeça baixa, semquerer confrontar os olhos dela.O coração mole de Ellen prevaleceu. Ela o amava demais. Ela sabia que ele nãopensava mal dela, na verdade. “Paddy”, disse chegando perto dele e o abraçando,“eu nunca dei margens para você sentir tanto ciúmes, dei?” Ele abanou a cabeçaem negativa.“Eu sei disso, El. Mas você é tão linda, e tão ingênua, às vezes! Prometo que voutentar controlar meus sentimentos. Pelos menos vou guardar meus piores ciúmese não vou mais encher o seu saco....” Ele era assim, na mesma hora que estavamorrendo de raiva, acalmava-se no instante seguinte. E ela amava isto nele,também.“Meu amor, você acha que eu não morro de ciúmes de você também? Eu tenhomuito ciúmes. Tenho ciúmes de suas fãs, de suas co-estrelas nos filmes. Mas euconfio em você.” Ela disse acariciando seus cabelos.“Eu também confio em você, Ellen. Eu só não confio nos outros. Em suas más-intenções.” Respondeu também a acariciando.“Qual o problema em aceitar carona de um amigo, Paddy? Ele quer te conhecer,também. Eu falei que iria apresentá-los, quem sabe ele fica seu amigo, ele ésozinho em LA?” Ela perguntou querendo apaziguar os ânimos.“Tudo bem, El. Se você diz que é só um amigo, então posso ser amigo dele sim.Mas, lembra-se de que você pegava carona comigo antes? E eu não queria ser sóseu amigo.” Ele disse, mas já estava sorrindo.“E nem eu queria ser só sua amiga.” Disse beijando-o."Bem, acredito nisso." Ele provocou. Suas mãos percorriam suas costas até ascoxas, como se ele memorizasse cada curva. Ele percebeu que ela estremecia, eisto o fez ainda mais ansioso para explorar o corpo dela. "Tire a roupa." Patrickpediu e ela riu e afastou-se ligeiramente."Você não perde tempo, héin?" Ellen o arreliou."Eu quero ver você." Suas inspirações estavam subitamente fora de controle
  • 19. enquanto imaginava seu corpo nu. Sua presença tão próxima a ele, de repente oestava deixando louco. "Por favor?"Balançando a cabeça em diversão, Ellen revirou os olhos, mas moveu-se paralevantar sua camisa sobre a cabeça de qualquer maneira. Quem era ela para ficarbrincando? Ela nunca poderia resistir ao seu olhar articulado, especialmentequando havia tanto desejo dentro de seus olhos azuis escuros.Patrick arfou quando a sua pele branca se tornou visível. Ela não estava usandosutiã, então olhou primeiro para os seios perfeitamente arredondados antes dedescer para a curva de seu abdômen. Seu olhar era tão intenso que elaestremeceu."Eu tenho seu corpo permanentemente gravado na minha mente." Ela corou comsuas palavras. Ele era tão gentil em seus movimentos leves que trouxe lágrimasaos seus olhos. Ninguém jamais olhou para ela com tanta admiração e espantocomo Patrick olhava. "Tão linda". Patrick murmurou baixo em sua garganta.Puxando-a mais para perto, sua boca foi puxada para a dela como um ímã.O beijo começou lento e, em seguida, rapidamente se tornou frenético à medidaque se reconheceram um ao outro. Parecia que tinha se passado uma eternidadedesde que ele havia tocado nela. Suas mãos não poderiam nunca parar de tocar oseu corpo nu.Ele soltou seus lábios e passou sua boca dando beijos quentes pelo pescoço eclavícula de Ellen. "Você tem muita roupa pela frente." Ela ofegava."Você vai ter que consertar isso". Ele resmungou. Seu rosto estava enterrado nacurva suave sobre seus seios e ele se recusou a mover-se. Todo e qualquer lugarem que ele tocava, Ellen sentia que estava em chamas. Ela rapidamentecomeçou a perder a sua capacidade de pensar.Com as mãos trêmulas, ela encontrou o botão da calça jeans e soltou-o. A línguade Patrick foi torturar seus mamilos com leves movimentos, e Ellen tornou-semais frenética quando ela empurrou as calças para baixo e depois fez o mesmocom suas cuecas. Ele estava duro, e mais do que pronto, e ele sussurrou quandoela pegou nele."El ..." Ele gemeu. Patrick estava distraído enquanto apertava a mão dela comfirmeza. "Eu não vou realmente durar se você continuar fazendo isso." Ignorando-o, ela deslizou a mão sobre ele novamente."Bom". Jogando seus lábios contra os dele, os seus corpos se chocaram e ambosgemiam no contato repentino."Eu quero levá-la lentamente." Patrick sussurrou, mas seus olhos estavamescuros com o desejo e seu corpo doía para estar dentro dela.
  • 20. "Temos toda a noite para o lento." Com um sorriso no rosto, ele sabia que nãopodia e nem poderia negar-lhe qualquer coisa. Em um movimento rápido, elelevantou-a e suas pernas foram imediatamente em torno de sua cintura.Transportando-a para a cama, ele jogou-a para baixo suavemente, mas Ellenrecusou-se a tirar suas pernas de seu corpo, então Patrick tombou em cima dela.A semana passou num piscar de olhos. Eles estavam gravando as últimas cenasda quarta temporada. A última cena de Ellen, pois para Patrick ainda estavamfaltando algumas. A cena era ao ar livre, e tinha poucas pessoas. Só ela, Patrick eo diretor e câmeras. Era uma cena linda, com velas, e muito romântica. E elestinham que se beijar, beijar muito. E foi o que eles fizeram. Foi uma cenaautêntica, pois eles se beijaram de língua e tudo mais, enquanto ele sussurravaem seu ouvido.“Eu te amo, El, você é a mulher que eu sempre procurei”.“Eu te amo também, Paddy, sou completamente apaixonada por você!”A quinta-feira chegou e com ela a festa do mestre de Ellen. Ela não podia deixarde ir, nem que fosse só um pouco. Ela não estava achando graça de ir semPatrick. Ele até demonstrou vontade de acompanhá-la, mas tinha que filmar suascenas atrasadas. Então ela iria sozinha.A festinha estava acontecendo na academia mesmo. Jeffrey e mais algunsconvidados já tinham chegado e estavam provando os petiscos. Ele estavatomando uma gin tônica. Ele aguardava a chegada de Ellen. Será que ela viriasozinha? Ficava se perguntando. De repente a viu entrando pela porta. Ela estavalinda com um vestido verde de alças finas, que realçava a cor de seus olhos. Elatinha escovado os cabelos e eles estavam brilhantes. No pescoço tinha um colarmaravilhoso, com um E no pingente. Nossa, como ela era maravilhosa. E pelojeito tinha vindo sozinha, pois mais ninguém entrou junto com ela. O cara devia serdoente por deixá-la sair de casa sozinha, linda como era.Ele esperou quieto no seu canto, ela cumprimentar o mestre e os outrosconvidados. Ele não queria ir chegando nela, apesar de ser sua vontade. Ele nãoia assustá-la, de jeito nenhum. Quando ela chegou perto dele e deu um sorriso, oseu coração se acelerou.“Olá Jeffrey, como tem passado?” Ela falou casualmente, sem nenhuma malícia.“Estou ótimo. Como estão os garotinhos?” Ele deliberadamente não tocava nonome de Patrick. E não estava nem aí se ela percebesse.
  • 21. “Oh, estão ótimos, lindos como sempre”. Ela olhou ao redor, querendo pegar umabebida para ela.“O que você vai querer?” Ele perguntou vendo o que ela procurava.“Eu aceitaria uma taça de champagne, por favor!”Como eram poucos convidados, logo estavam sentados em uma roda,conversando e contando casos. Alguém pediu ao mestre para colocar música,para que pudessem dançar. Ele colocou. Logo, logo tinha casais dançando napista onde faziam ioga costumeiramente.“Você aceitaria dançar uma música comigo?” Jeffrey perguntou a ela.Ela ficou sem saber o que fazer por alguns minutos. Depois resolveu que nãotinha nada a ver que ela dançasse com ele. Eles eram somente amigos. Ela nãosentia nada por ele, só amizade. E ela tinha certeza de que ele se sentia domesmo jeito que ela.“Danço sim”. Ela respondeu.Levando-a para o centro da sala, ele pegou-a pela cintura e ela colocou as mãoslevemente encostadas em seu peito. Ela deixou bastante espaço entre seuscorpos, para não dar margem a falatórios depois.Enquanto dançavam, conversavam sobre coisas amenas, mas Jeffrey fervia devontade de apertá-la mais em seus braços. O cheiro dela o estava torturando. Eela estava lá, sem saber de nada, ou será que sabia e estava escondendo o jogo?Havia mulheres assim. Elas faziam de tudo para o homem ficar cada vez maisapaixonado por elas. Fingiam que não queriam nada, mas por dentro estavamdoidas para serem agarradas. Será que ela era uma dessas?A maioria das mulheres ficava doida com ele. Era só olhar para o salão. Quantasnão estavam olhando para eles dançando com inveja de Ellen? Ele sabia que erao máximo. Ele sabia que era bonito, atraente e rico. Muito rico. Era um partidão.Tinha muito mais dinheiro do que qualquer estrela de cinema. E daí que tivessefracassado em seus dois casamentos? Patrick Dempsey também fora casadoduas vezes, e ela o aceitou, não foi?“Vou testá-la agora, um pouco”, pensou quando já estavam dançando a terceiramúsica. Assim que a música terminou, ela tirou os braços de seu peito e já ia sedesviando, quando ele a apertou pela cintura e a trouxe mais perto. Ela levou umsusto e olhou-o com aqueles maravilhosos olhos verdes em confusão.“Vamos dançar mais uma só, por favor!” Ele pediu com voz suave, mas olhandodentro de seus olhos, Ellen viu uma ferocidade que a fez ficar com medo dele.
  • 22. “Não .... eu tinha prometido uma e nós já dançamos três”. Disse com voz animada,tentando parecer informal.Mas ele continuou apertando-a mais em seus braços e ela já estava secontorcendo para sair daquele abraço embaraçoso, quando escutou uma vozconhecida.“Hum ,,,, será que eu podia dançar um pouco com a minha mulher?” Ela olhoupara o lado e o alívio caiu sobre ela. Patrick estava ao lado deles, e já colocava amão em seu ombro e a puxava lentamente em sua direção. Mas depois do alívio,veio a apreensão, pois Patrick olhava com ódio para Jeffrey, que devolvia o olharcom um sorriso zombeteiro.“Boa noite, você deve ser, hã, vamos ver, o Patrick Dempsey?” Ele escarneciaabertamente. Se Ellen não o conhecesse, acharia que ele estava querendo umabriga. Então ela resolveu intervir.“Paddy, este é o Jeffrey, de quem te falei outro dia. Jeffrey, este é o meu marido,Patrick.” Patrick não teve outra opção senão a de cumprimentar o patife. Será queEllen não tinha notado que ele estava zombando deles?“Prazer em conhecê-lo”. Mentiu Patrick.“Igualmente.” Mentiu Jeffrey.Olhando para os olhos apavorados de Ellen, Patrick resolveu não falar nem fazernada no momento. Ele a levou para o centro do salão para dançar com ela.“Quer dizer que eu deixo minha linda mulher sair sozinha, e quando chego elaestá nos braços de um loiraço ...?” Ele falou sorrindo e ela relaxou quando viu queele estava brincando com ela. “O que é que você tem contra os morenos? Só emcasa você tem três. Já enjoou?” Continuou a brincadeira.“Nunca, não vou enjoar nunca!” Disse encostando totalmente nele. E ficaramassim dançando agarrados um ao outro. Se beijando levemente de vez emquando.Patrick mandava olhares para Jeffrey, sem Ellen perceber. Era como se dissesse,“Esta mulher é minha, toda minha. Sua alma, seu amor, são meus”.E o olhar de Jeffrey respondia, “Mas um dia será minha. Você não perde poresperar”. E se encaravam com hostilidade.Depois de dançarem, eles conversaram mais um pouco com as pessoas queestavam ali, e após, foram se despedir do mestre.“Que pena, vocês já vão?” Ele perguntou pesaroso.
  • 23. “Patrick filmou o dia inteiro, coitado, está muito cansado. E tem os bebês. Elesacordam cedo e amanhã a Mary vai ao médico, então vamos ter que levantar maiscedo para tomar conta deles.” Ellen explicou.“Certo. Então vejo você na terça?”“Sim.”Jeffrey ficou olhando eles saírem com um olhar feroz.O mestre John chegou perto dele neste instante. “Jeff, eu gostaria de conversarcom você?” Disse com sua calma habitual.“Sim, pode dizer”. Respondeu mal-humorado.“Eu já estou percebendo o que você está fazendo há algumas semanas. Jeff, eunão gosto interferir na vida pessoal de meus alunos, mas eu gosto especialmentede Ellen e não gostaria de vê-la sofrendo mais. Ela passou por uma barra muitopesada tem muito pouco tempo. E agora ela se estabilizou, está feliz com seumarido e filhos. Por favor, não estrague isto. A ioga a ajudou a ir em frente quandoestava com problemas. Jeff, eu também gosto de você. Eu sei os problemas quevocê também passa, mas se você estiver perturbando muito a Ellen, eu vou pedirque você se retire de minhas aulas.” E foi saindo para conversar com os outrosconvidados.Jeffrey sentiu-se chicoteado por aquelas palavras. Quem John achava que era? Aque problema ele estava se referindo? O do seu último divórcio, em que a sua ex-mulher o acusou de ser um homem violento? Não era possível que alguémpudesse acreditar naquela vagabunda! Ela mereceu o que levou. Ela era umainteresseira, só queria o dinheiro dele. Ellen não era assim. Ela o amaria deverdade. Ela seria dele, de qualquer jeito.Chegando em casa, Patrick não sabia se puxava o assunto do novo amigo deEllen, ou se deixava para lá. Ele tinha total confiança nela, mas lembrava-se dahora em que tinha chegado na academia e viu a cena. Ela tentava se desvencilhardo homem e ele a estava apertando para perto dele. Só de lembrar disso, a bilesubia em sua garganta. Ela era tão frágil, tão ingênua, só pensava o melhor sobreas pessoas. Será que só ele percebeu o que o homem queria? Ele queria suaesposa, e deixou claro que o desprezava.Abraçando-o, Ellen sentiu a tensão em seu corpo e adivinhou o porquê. Ela estavaorgulhosa dele. Ele levou a situação numa boa, lá na academia. Não fez cenas deciúmes e foi agradável com todos. Até com Jeffrey. Quando ela pensou nele,estremeceu. Ela não estava gostando do rumo que amizade com ele estavatomando. Ela era ingênua, mas não era boba. Aquilo ia ter que acabar.
  • 24. Nas sessões seguintes, Ellen permaneceu fria com Jeffrey. Não conversava maiscom ele, e sempre que ele chegava perto, ela dava uma desculpa e saía de perto.Era melhor assim.Jeffrey sentia que estava a perdendo. E para piorar sua situação, ele foi chamadoem Nova York para gerenciar sua cadeia de hotel. Ele teria que se mudar logo. Eele não queria ficar sem Ellen. Então ele resolveu ir para a porta da casa de Ellene esperar uma oportunidade de ficar sozinho com ela.Na sexta-feira, de tarde, sua sorte chegou. Ele viu Patrick e a babá saindo com osmeninos para um passeio, ou seja lá o que fosse. Então, saiu do carro e subindoos degraus da entrada, bateu na porta.Ellen atendeu com um sorriso no rosto, mas quando viu quem era o sorriso seapagou.Olá, tudo bem?” Perguntou Jeffrey e antes que Ellen pudesse responder falou.“Posso entrar, Ellen, eu preciso conversar com você?”. Ela ficou um poucoapreensiva, mas resolveu que seria bom uma conversa mesmo, ela ia resolvertudo de uma vez por todas.“Entre, por favor!” Disse gravemente, e sentando-se de frente para ele, na sala,perguntou. “E então, o que você quer de mim?”“Bem, eu vim aqui para te dizer que eu estou me mudando para Nova York, porcausa dos negócios e gostaria que você fosse comigo. Eu quero você, estoumaluco por você. Se você quiser, pode levar os gêmeos.” Disse condescendente.A boca de Ellen se abriu e fechou várias vezes. O homem era maluco. Então afúria subiu pelo seu corpo. Que ousadia. Vir a sua casa com uma propostadaquelas. “O... que? Como assim, você me quer, você simplesmente se perguntouse EU quero você? Você é arrogante, metido e presunçoso. Que audácia, e aindapor cima me dizendo que eu POSSO levar meus filhos. De onde você tirou amaldita idéia de que eu iria embora com você? Ela espumava de raiva.“Ellen, eu sou um homem melhor que o seu marido, aceite isso. Sou mais rico,posso te dar o que você quiser no mundo”. Continuava com sua empáfia.Ellen não acreditava naquelas palavras. Se ela fosse um homem teria dado umsoco na cara dele. “Você é idiota, ou só está fingindo? Eu não estou com Patrickpor dinheiro, estúpido.” Ela não conseguia conter suas palavras de fúria. Eu estoucom ele porque o amo. Eu sou totalmente apaixonada por ele. Ele é a minha vida,o ar que respiro, ele está na minha pele, será que não percebeu isso ainda? Eununca vou deixá-lo por nada nesta vida! Porra, cara, com tanta mulhermaravilhosa e solteira nesta cidade, você tinha que se meter justo comigo?” Elatinha que se acalmar, estava perdendo o controle. “Você é uma criança mimada,que não sabe receber um NÃO na vida!”
  • 25. Vendo a fúria dentro de seus olhos verdes e como ela estava quase tendo umataque histérico, Jeffrey finalmente recuou. Ela não gostava mesmo dele, comoele uma vez pensou que era só charme dela. E ele nunca precisou lutar por nadana vida, e não ia começar agora. É como ela disse, o mundo estava cheio demulheres bonitas.“Tá certo, eu desisto. Vou te deixar em paz, agora.” Viu que ela relaxou um pouco.“Você esta certa, eu quase nunca recebo um ‘não’ como resposta, então aindanão sei trabalhar com isso. Mas, desisto. Você é uma boa pessoa. Não vou maiste incomodar”. E estendendo a mão para ela e sorrindo, perguntou “Amigos?”Como tinha coração mole, Ellen sorriu de volta e pegou na mão dele. “Amigos.”Neste instante, a porta da frente se abriu e Patrick, Mary e os meninos entraram.Ele lançou um olhar curioso para os dois.“Olá Patrick, eu já estava de saída.” Passou por ele, cumprimentando-o com acabeça. E antes de sair, virou-se para trás. “Você é um homem de sorte.”“Tenho certeza disso!” Patrick respondeu friamente e Jeffrey foi embora.Mary levou os meninos para a cozinha e ele voltou-se para Ellen. “Eu deixo vocêsozinha por meia hora, e quando chego está atracada com o loiraço de novo? Masdisse isso sorrindo e a pegando nos braços.“Eu não estava atracada com ele, exagerado”. Ela ria também. Como era bomsaber que ele confiava nela, e que estava controlando os seus ciúmes.“Estava sim, senhora. Ele estava assim, se encaixando em você!” E a agarroupela cintura e a encaixou em seu corpo. “Ele estava assim, se esfregando emvocê!” E a beijou apaixonadamente.“Eu estou brincando, El. Mas eu juro, que se eu vir esse homem tocando em vocêdesse jeito, eu arrebento a cara dele.!!”“Nossa, que fortão, hein”? Dava risadas.“O que ele queria, El?” Perguntou sério.“Somente se despedir. Ele vai embora para Nova York”. Preferiu não comentarque ele queria levá-la junto.“Ah .... que ótima notícia. Deus é bom demais pra mim mesmo!”“Metido! Vamos, os meninos têm de comer agora!” Foram juntos á cozinha dandorisadas.
  • 26. - fevereiro/2009 –A vida era boa para eles. Claro que havia dias melhores e outros piores. Eleseram uma família comum e felizes. Os feriados de fim de ano foram ótimos.Tallulah ficou com eles o tempo todo, pois Jillian tinha viajado para ficar com afamília de Scott e ela preferiu ficar com o pai e Ellen. Ela tinha adoração pelosirmãozinhos e brincava muito com eles.Eles estavam filmando a quinta temporada de GA. Quase acabando, na verdade.Os gêmeos estavam com um ano e meio. O tempo passava rápido. Eles setornaram garotos meigos e lindos. Claro que dava trabalho, mas nada que elesnão pudessem lidar.Ellen e Patrick continuavam apaixonados, um pelo outro. Sempre faziam amorcom tanta voracidade e paixão que pareciam estar envolvidos em um tipo dediscussão silenciosa e interminável. Isso os deixava exaustos, com olheiras,desgastados. Eles tentavam se desvencilhar um do outro e descobriram nãoconseguir. Descobriram-se incapazes de manter os olhos e as mãos longe docorpo do outro.Naquela tarde, eles quatro foram à praia escondida de Derek. Eles sempre iam lácom os meninos, eles adoravam o lugar.Sentados em uma manta, pertinho um do outro, enquanto vigiavam as crianças,Ellen pegou na mão de Patrick.“Amor, eu preciso te contar uma coisa!” Tinha um brilho em seus olhos.“Boa ou ruim?” Ele perguntou beijando a ponta de seu nariz.“Maravilhosa. Eu vou ter outro bebê!” Disse, esperando a sua reação.Ele ficou olhando para ela com os olhos arregalados processando a informação.De repente, abriu um sorriso e a agarrando e beijou suas bochechas. “Oh, El éuma notícia maravilhosa mesmo”! Quando você ficou sabendo? Por que não mecontou antes? O bebê é para quando?” Ele estava frenético, como sempre.“Calma, amor. Fiquei sabendo ontem à tarde e só te contei hoje, porque sabia queviríamos aqui, e queria fazer uma surpresa. O bebê é para setembro, estou comum mês de gestação, e não, não sei o sexo ainda”. Respondeu, antes de ele fazera pergunta.“Tomara que fosse uma menininha”. Ele disse contemplando o por do sol. “Aindabem que nossa casa tem muitos quartos”. Disse sorrindo feliz.
  • 27. A areia agora estava cor de cobre, e eles corriam os dedos por ela. O oceanoagitava-se como árvores no outono, suspirando de contentamento. Os meninosestavam brincando, cavando a areia molhada com suas pazinhas e enchendoseus baldinhos. O sol poente havia banhado a pele deles com um tom vivo debronze.Ellen continuava sentada ao seu lado na manta, a brisa da primavera correndo porseu cabelo. Ele observou a curva delicada de seu pescoço, o nariz que fungava oar salgado, a veia escura correndo por seu braço delgado. Sentiu um nó crescerna garganta, sentiu algo dentro de si arder de desejo. Não parecia possível queele a amasse ainda mais depois de tanto tempo. Mas amava.“Pensando em que?” Ele sussurrou.Ela sorriu e desviou seu olhar do oceano para ele. O sol tremulava em seus olhos.“Numa frase que ouvi. Diz que ‘uma família feliz nada mais é do que um paraísoadiantado’.Sem perceber, eles se voltaram para os filhos. Eles estavam agora pegando aareia molhada com as mãos, achatando-a como uma panqueca, e lançando-apara longe.“Você é quem vai dar banho neles hoje”. Disse Ellen secamente. “Eu não vouencostar um dedo neles.”Patrick deitou-se na manta e olhou para o céu. Ele observou os raios luminosostremeluzentes que pareciam feitos de lápis de cera. “Aqui vai um ditado pra você:O céu é um oceano de cabeça para baixo”.“Quem disse isso?”“Eu. Patrick Galen Dempsey”.Eles riram. Os meninos olharam para eles e Patrick se sentou de imediato.“Ei, fofinhos, venham aqui perto do papai”.Com os meninos perto deles, Ellen e Patrick se aproximaram de tal maneira queseus joelhos se tocaram. Os meninos sentaram-se na frente deles e cada um deseus pais lhe abraçaram.Eles ficaram na mesma posição, olhando as últimas gotas de doçura do dia. O solse aproximou ainda mais da linha do horizonte, mas se recusava a descer porcompleto, como Taylor quando se recusava a ir para a cama.À volta deles, a terra suspirava. Os quatro se uniram à sua respiração miraculosa.