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Fanfic Ellen Pompeo/Patrick Dempsey

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  • 1. A porta de prata do Cadillac estava sendo fechada, ouviu-se uma pancada forte, nosilêncio da noite. Ele esperou pacientemente, ela fazer o seu caminho até a calçada dafrente. Finalmente, ela acendeu a luz da varanda da frente e, antes de colocar a chave nafechadura, virou-se para oferecer-lhe uma boa noite suavemente. Ele estava longedemais para ver a sua expressão, mas ele sabia que era havia um sorriso em suas feiçõesde porcelana.Ele acenou em resposta, ainda esperando até que ela, com sucesso, abriu a porta edesapareceu dentro de sua modesta casa. Afastando-se, suas narinas aspiravam o aromade baunilha e uma pitada de qualquer perfume floral que ela jogou sobre si mesma antesde sair do set.Sua própria garagem era apenas três casas abaixo, ele poderia estar lá em menos de umminuto. Mas naquela noite, ele foi mais devagar. Conduzia tão lentamente, que maldeixava bater o pé no acelerador. O carro dele passou sob as sombras dos postes deiluminação. Já passava da meia-noite, o carro dele era o único na rua.Houve um tempo, não muito tempo atrás, que teria corrido para casa para passar otempo com sua esposa e filha. Houve um tempo, em que ele ficava olhando para orelógio, xingando a cada minuto com pressa para chegar na hora marcada para ojantar ... e outras coisas.Aqueles tempos eram felizes. Preenchidos com os risos da filha e com os insultos de suaesposa enquanto ela o provocava sobre o seu cabelo, e outras coisas que ela achava quefariam as fãs desmaiaram mais. Ele tinha acabado de ser chamado para interpretar o Dr.Derek Shepherd em Greys Anatomy então. Ele conseguiu. Depois de tantos anos deluta para encontrar emprego para ajudar a pagar as hipotecas, ele foi bem sucedido.Ele devia tudo à sua esposa. Ela o empurrou para a frente, confortou-o após os testesque falharam, dando-lhe uma ambição que nunca pensou que era capaz. Ela era a rocha.Sua outra metade, a única pessoa que o fez sentir que ele poderia ser alguém de novo.Mas o sucesso trouxe suas próprias armadilhas. Ele estava sempre filmando. Depois quea série tinha decolado, chegava em casa cada vez mais tarde, com scripts de últimominuto, os episódios sendo filmados sem parar.Ele não sabia que homem ele tinha se tornado, mas ele também não tinha certeza se elejá se conhecia antes disto. Tudo isso mudou no dia em que conheceu a sua co-estrela.Ela tinha uma rara beleza por trás de seus olhos, o que tornou impossível para ele olharpara longe dela.Ela era inocente, mas não ingênua. Ela tinha capacidade para dizer uma coisa, mas quesignificava algo completamente diferente, atraindo todas as atenções. Quando elafalava, as pessoas escutavam. Começar uma amizade com ela parecia ser a coisa maislógica do mundo.Os dias e as noites se arrastavam, ela o fazia rir, mesmo quando ele queria chorar. Eles
  • 2. gostavam da companhia um do outro, tinham empatia com o elenco e faziam seutrabalho em conjunto, fazendo disso uma diversão intensa.Ele era incapaz de esperar acabar o seu tempo de filmagem, só para sair quando elasaía. Eles faziam jantares no set, e um provocava o outro sem piedade. Ele nãoconseguia esconder o brilho nos seus olhos quando falava sobre ela, e ele não tinhacerteza de que ele queria esconder.Ele parou em frente a sua casa e examinou-a, percebendo que os tempos felizes eramuma memória distante. Embora ele deixasse a filha na escola todas as manhãs, egastasse o tempo com ela o quanto podia, ele não estava em casa para colocá-la paradormir.Correndo uma mão sobre o queixo, ele soltou um suspiro, e estava prestes a sair docarro, quando seu celular piou no bolso de trás. Ele não conseguia esconder o sorrisoque iluminou o seu rosto. Ele se atrapalhou com o celular, antecipando quem era, queseus dedos estavam tremendo com os movimentos.Ele sabia quem seria. Ninguém mais estaria acordado a uma hora tão tardia. Esperandoaté que seus dedos estivessem parados, ele leu a mensagem em seu celular.Para Patrick: Obrigado pela carona. Talvez você me deixe levar da próxima vez. Boanoite!De: EllenComo ela morava perto dele, ele a tinha trazido de volta para casa nas últimas cinconoites. Ele disse a ela que nunca iria se perdoar se ela caísse no sono tentando dirigirtodo o caminho de volta para casa tão tarde. Eles estavam poupando o meio ambiente,fazendo sua parte contra o aquecimento global. Era normal.Com um sorriso, ele deletou a mensagem. Ele disse a si mesmo que estava deixando ocelular livre pra receber novas mensagens. Ele disse a si mesmo que não precisavaguardar a mensagem de sua melhor amiga. Patrick disse a si mesmo muitas coisas queele sabia que não eram verdade.-3 semanas depois- Era um dia ensolarado. Sendo a Califórnia, você nem sequer seria capaz de dizer que jáera tarde em outubro. O inverno se aproximava rapidamente, e mesmo assim ele aindaestava vestido com shorts cáqui e uma t-shirt.Foi um raro dia em que tinham terminado as filmagens cedo, e a luz do dia ainda oobrigava a usar óculos escuros. Enquanto seu carro continuou na estrada familiar, ovento corria pelas janelas abertas fazendo voar seus cabelos em todas as direções.”Patrick ... você não tem de se segurar em todos os lugares tão bem .... Eu não vou bater
  • 3. o seu carro ..." Ellen comentou com um sorriso na sua posição ao volante. Percebendoque ela estava certa, ele relaxou as mãos.Olhando para ela, ele notou a maneira que o vento soprava o seu cabelo loiro escuro emseu rosto. O sol refletindo sobre seus cachos dourados fez parecer um halo em volta desua cabeça. Ele queria pentear os fios ralos e mantê-los longe do rosto perfeito .... masuma coisa .... o impediu de fazê-lo."Nesta velocidade, pode acontecer uma batida". Ele avisou, preocupado por causa deseu carro antigo. Ele nunca deixou ninguém dirigir os carros antigos de sua coleção.Masela implorou por semanas ... e alguma coisa sobre o formato de seu lábio inferior,quando ela fez beicinho, o deixou incapaz de recusar. Em algum lugar dentro de sua cabeça, ele sabia que era um erro, mas, outra parte deseu cérebro argumentou que ela era uma boa amiga ... e os bons amigos confiam unsnos outros."Relaxe, se eu capotar o seu carro eu vou ter que comprar outro ... o que iria fazer umrombo em minhas economias que estou guardando para viagens". Ela brincou, umasugestão de seu sotaque de Boston escorregando. Ele sorria cada vez que ele o ouvia egostava mais do que queria admitir."Eu tenho fé em você." Ele garantiu, mas as suas mãos tinham se transformado empunhos mais uma vez. A conversão que ela fez para a sua rua estava um pouco rápidademais para seu gosto, mas ele escondeu a sua desaprovação. Ellen era doce e, porvezes, demasiado boa para seu próprio bem. Atrás da doçura, porém, ela também eramal-humorada ... com um forte temperamento italiano, que ele não queria estar no ladoerrado quando explodisse. Ela passou pela sua casa e não parou. Ele olhou-a em confusão. "Uh .... El ... você sabeque acabou de passar a sua casa, certo?""Eu só vou estacioná-lo e vou a pé para minha casa.” Ela disse a ele, e antes que elepercebesse, estavam entrando em sua garagem. Abrindo o portão da garagem, ele replicou: "Tem certeza?” Com um sorriso em suadireção, ela saiu do carro e puxou suas coisas do banco de trás."É logo ali, eu vou ficar bem.”"Você está certa. Bem, seja cuidadosa." Uma parte dele não queria vê-la ir. Eleautomaticamente se sentiu vazio quando ela começou a descer a calçada."Eu já sou uma menina grande!" Ela falou de volta para ele, parando um momento paraenviar-lhe um sorriso. Ele viu quando Ellen se virou para olhar para a varanda da frentee levantou a mão acenando. Ao olhar para quem Ellen acenou na varanda, ele ficoucara a cara com os olhos frios de sua esposa. Sua mão estava no ar, acenando para Ellen,mas o sorriso em seu rosto era forçado.
  • 4. Voltando-se para Ellen, ele a viu caminhar pela rua e, em seguida, caminhou até avaranda de sua casa.Antes que ele pudesse chegar perto de sua esposa, ela perguntou: "Vocês fizeram umbelo passeio?" Sua voz estava cheia de insinuações. Ele perguntou por quanto tempo elatinha ficado ali. Seus olhos eram frios e tão diferentes daqueles que ele tinha olhado odia todo. Seu corpo esfriou-se, preparando-se para a briga que certamente teria. Ele tinha esperado por uma explosão há semanas, como uma tempestade de verão e eletinha ignorado, evitado isso e feito tudo ao seu alcance para fingir que as coisas estavambem. Olhando para trás, para o carro, ele soltou um suspiro e pisou no alpendre."Não se preocupe, Patrick. Tenho certeza que ela chegou bem em casa". Ela fez umasaudação e entrou na casa. A porta de tela bateu atrás dela, mas ele não vacilou, mesmocom o barulho."Querida, eu estou em casa ..." Ele murmurou, mas não seguiu-a imediatamente, em vezdisso, ele deixou o vento soprar através de seus cabelos mais uma vez. Ele poderia jurarque ainda podia sentir o cheiro do perfume de Ellen fluindo levemente com a brisa. “O que está fazendo em casa tão cedo? Eu pensei que você tinha uma conferênciahoje?" Patrick perguntou, quando ele entrou na cozinha, onde sua esposa estavadistraída esfregando o balcão impecável. Estava irritada, ele poderia dizer ... embora elenão sabia exatamente por quê. Ela não respondeu de imediato, e após passarem vários minutos e ela continuasserígida, ele se irritou. "Então agora você está me ignorando? Estou exausto ... eu precisode um banho ... por isso, se você vai me ignorar ... então vou lá para cima". Ele estava se esfregando com o sabão quando viu um pato de borracha, vindo emdireção de sua cabeça. Ele desviou-se e perguntou: "Jillian ... que inferno?" Ele gritoubem alto e ela estreitou os olhos para ele."Abaixe sua voz. Sua filha está lá em cima dormindo. Este é horário de sua sesta sabe ...mas eu acho que ... já que esta é a primeira vez que você vem para casa em uma horadecente nas últimas semanas ... não sei se você sabe disto.”A insinuação de que ele não sabia sobre a vida de sua filha fez sua mente entrar emparafuso. Ele não precisava vir para casa e encontrá-la cheia de raiva e ressentimento.Ele preferia ter ficado um pouco mais no set, do que discutir com a esposa. Passando asmãos pelo cabelo com raiva, ele foi para a geladeira e pegou uma garrafa de água."O que é isto? Isso é o que você queria, lembra? Você me incentivou a fazer isso. Vocêqueria que nós tivéssemos dinheiro ... e .... fama e de que como seria um bom negóciopara sua empresa. Este é o meu trabalho, Jill. Eu não posso fazer minha própriaprogramação, como você pode. Você não teve quaisquer problemas com isso antes ....contanto que o dinheiro continuasse a entrar, certo? "
  • 5. Jill girou bruscamente. Seu cabelo loiro claro bateu contra seus ombros quando ela sevirou para ele. Foram tantas emoções em seus olhos. A raiva, a dor, mas acima de tudoinveja. Ele podia ver isso claramente, e ele percebeu que esta era uma briga que já nãopodia evitar."Isto não é sobre o seu horário de trabalho, Patrick. Não me venha com suas palhaçadas.Trata-se da co-estrela no fim da rua e sua felicidade de gastar horas com ela." Ele ficouchocado com as palavras dela."El....você está dizendo Ellen? Isto é ridículo. Nos somos amigos.""Ah ... dá um tempo. Talvez o namorado dela compre este monte de porcaria ... mas eucom certeza, não." Ela cuspiu as palavras, e afastou-se dele para colocar a maiordistância que podia entre ela e ele.Ela foi saindo do quarto, mas ele puxou seu braço, para ela voltar. “ O que você estáfazendo?" Ela perguntou freneticamente, e puxou seu braço para fora de alcance dePatrick."Eu não quero ter essa discussão aqui dentro ... não quando T pode ouvir.""Ah ..." Ela quase gargalhou com sarcasmo. "Você só não quer que ela saiba que seu paiprecioso é um adúltero ...""Jesus, Jillian .... você não está falando isto a sério, não é?""Sim ... isto é um fato. Se não falarmos sobre isso agora então quando? ... Em um anoou dois anos, ou quando a nossa filha estiver na idade de ler sobre o assunto naU.S.Magazine? Sua publicitária é boa .. . mas ela não é tão boa assim. "Patrick estava furioso e ficou andando em círculos sem nem mesmo saber o que dizer.Jillian nunca tinha tido muito ciúmes de seus colegas de elenco. Ela pareceu entender asdemandas de Hollywood e empurrava-o para a frente, para a fama, não importando opreço que custaria ao seu casamento. Ele admirava seu altruísmo, e agora, ele nãoestava certo de que ele sequer conhecia quem era a pessoa que estava diante dele."Nós somos apenas amigos". Ele defendeu, embora uma parte de seu coração doíachamar Ellen assim."Yeah. Aposto. Você acha que eu sou idiota? Você acha que eu não vejo a maneiracomo você olha para ela?" Patrick jogou suas mãos no ar, em resposta. "Você está brincando comigo? Ela é umaamiga. Uma de minhas melhores amigas. Você sabe que é raro encontrar isto nestacidade!"
  • 6. "Claro ... continue dizendo isso. Faz você se sentir menos culpado, certo? Você flertacom ela na minha frente!""Você está sendo ridícula. Esse é o jeito que eu sou. Eu flerto ... isto é inofensivo" "Não. .. não, eu não acho que isso seja inofensivo!" Eles nunca haviam brigado destamaneira ... nunca, e embora ele odiasse brigar com ela ... ele sabia que era algo quetinha de ser feito."Você deixa ela dirigir o seu carro? Seu bebê ... o carro que eu não posso dirigir?Aposto que ela ama isto ... o que ela teve que fazer para obter esse privilégio?""Não abuse, Jillian." Seus olhos eram escuros, a cor azul mal era visível. "Eu nunca teenganei. Eu não estou tendo um caso. Nós somos apenas amigos"."Certo. Posso pensar que só há necessidade de uma carona para casa todas as noitesdurante as últimas quatro semanas? Ah ... e o trailer que vocês compartilham? Isso deveser uma bela escapada para vocês dois." Ele não podia acreditar nas coisas que elaestava falando. Era o trabalho dele ... e ele não tinha controle sobre as longas horas ...ou arranjos sobre o trailer.Uma voz minúscula no fundo de sua mente o incomodava, rompendo com a suadeterminação, pouco a pouco dizendo que ele não seria tão defensivo, se isso não fosseverdade. Mas isso era insano. Ele nunca tinha dormido com Ellen. Eles nunca haviamtido relações fora da tela. Ele amava a sua família .... sua filha era o seu mundo."Nós somos apenas amigos, Jill. Eu não sei o que mais você quer que eu diga." Elavirou as costas para ele, para reconquistar sua confiança e, talvez, a sua coragem.Quando ela se virou novamente, toda a dor foi apagada de seus olhos ... e tudo o que sepodia ver era a raiva."Não. Você não vai fazer isso. Você não vai conseguir me fazer parecer uma idiota.Este é o nosso casamento, Patrick. Essa é a nossa família. Você tem uma esposa. Vocênão consegue sair, ir a jantares, e viajar com a nossa filha. Você não pode ver outramulher, mais do que você me vê. Não é assim que funciona. ""Jillian ..." Ele argumentou, baixando a voz. O sol estava começando a se pôr, a tardeestava tão bonita ... com tons de rosa e roxo escuro. Foi um irônico tapa na cara emrelação à briga feia que ele estava tendo com sua esposa."Não. Eu não quero ouvir isso." Ela disse a ele, e respirando profundamente disse: "Éela ou eu, Patrick." Ele ficou surpreso em silêncio mais uma vez."Que diabos isso quer dizer, Jillian?" Ele perguntou após alguns minutos de silêncio."Eu trabalho com ela todos os dias. Meredith e Derek são o hit dessa série ... eu tenhoque vê-la." Jillian parecia ter um argumento já formulado para qualquer defesa que elepudesse ter. Ela estava pensando nisso há algum tempo, deixando-o cozinhar e ferverdurante meses.
  • 7. "Não. Você tem que vê-la no set. Você tem de filmar com ela. È isso. Você não tem quefazer o jantar, ou levá-la para casa todas as noites ... ou deixar que ela dirija o seu bemmais precioso.""Assim, em vez de apenas ouvir o que eu tenho a dizer ... você vai me fazer desistir deum dos meus bons amigos? Eu não sabia que você era tão insegura.""Bem, eu nunca fui antes.""Eu nunca dei uma razão para sua insegurança!""Mas você está dando agora! Você tem que pensar seriamente sobre qual de nós vocêescolheria? Estou farta deste argumento já. Eu estou te dizendo agora, aquelamulher ...." Ela parou de falar, tentando encontrar uma palavra desagradável paradescrevê-la, e Patrick enviou um olhar que a impedia de dizer as palavras em voz alta."Aquela mulher ... o que ela é para você? ... Ela está destruindo o nosso casamento. Euestou te dizendo agora .... você tem de terminar o que você está tendo com ela ...""Não está acontecendo nada!" Ele interrompeu, mas ela não prestou atenção."Talvez você não esteja dormindo com ela .... mas você está tendo uma relaçãoemocional com ela e eu estou cansada disso." Ele estava balançando a cabeça, tentandodizer uma palavra, mas ela não deixava."Não, você tem que terminar as coisas com ela agora. Isso significa que você somentevai trabalhar com ela ... e é isso ... ou eu pego T e vamos embora." Qualquer coisa queele estivesse segurando explodiu nesse momento com a ameaça sobre sua filha."Você está, pelo diabo, falando sério? Não se atreva a me ameaçar. Fazer isto estátotalmente fora de proporção"."Ah, é? Quer me tentar? Eu vou sair, tenho certeza que você e Ellen serão muito felizesaqui". Ela cuspiu nele, recusando-se a escutar a razão.Ele não sabia o que fazer. A raiva amaldiçoada que sentia em suas veias ameaçavaultrapassá-lo .... ele não sabia o que pensar. Jillian estava agindo insanamente. Como elepoderia simplesmente desistir de sua amizade com Ellen? Os dois ficaram em silêncio por algum tempo, com o pôr do sol ao seu redor, o céuescurecendo lentamente, até que mal podiam ver um ao outro. Ambos haviam se acalmado, a luz da varanda se acendeu, ele teve um vislumbre de seuanel de casamento refletindo a luz. Ele era casado, ele fez os votos, ele teve uma famíliaamorosa ... e de repente a culpa caiu sobre sua mente."Ótimo." Ele resmungou ... no ar, sabendo que ela ainda estava olhando para ele e se
  • 8. recusando a olhar para ela. "Vou cortar minha amizade com Ellen." Ele pareciavisivelmente abatido. Seus ombros estavam caídos e os seus olhos estavam baixos.Jillian viu-o entrar dentro de casa ... ela não era capaz de se sentir vencedora. O maridoficou abalado com a perda de sua "boa amiga" Ellen ... ele ficou triste em perdê-la. Foientão que ela percebeu .... que as duas únicas pessoas que não sabiam que Patrickamava Ellen .... eram Patrick e Ellen.-1 semana depois-Quatro dias, noventa e seis horas ... e algum obsceno número de minutos. Isso é quantotempo fazia desde que tinha conversado com Ellen. O seriado teve uma pequena pausapara o feriado de Ação de Graças.Uma pausa no trabalho significou passar 4 dias com a esposa, que não fez nada mais doque ignorá-lo ou atirar observações amargas em seu caminho. Aparentemente, desistirde sua co-estrela não era suficiente. Ela queria garantias ... ela queria provar que eletinha parado, ela queria seu tempo ... o seu dinheiro ... ... e talvez até mesmo a sua alma. Tinha sido fácil dizer que ele ia parar de falar com Ellen. Em teoria ... dizendo que tudoera fácil. O problema era realmente fazê-lo. Felizmente ... ou como ele pensava ... nãotão felizmente ... as férias o tinham impedido de ver a sua co-estrela. Ellen tinha ido para o leste no dia de Ação de Graças, com Chris ele supunha. Ele nãotinha certeza, quando a sua mente começou a descrever Chris como um freelancer ....mas aconteceu ... Ele ainda tinha de fazer o telefonema que ele temia. Ele ainda tinhaque chamar a sua melhor amiga e efetivamente acabar com a sua amizade.Jillian lhe tinha dito para "acabar com o seu caso". Como você acaba com algo quenunca existiu? Ele não sabia ... e ele tinha certeza de que Ellen não sabia. Ele estavacom medo de magoá-la, ou esmagar o espírito de amor que ele conhecia tão bem. Emalgum lugar das profundezas do seu cérebro, sua mente lhe disse que ela deveria ter sidosua esposa, ele estava preocupado com a dor a que iria subjugá-la. Quatro dias .... noventa e nove horas ... e tantos ... muitos minutos depois ... ele se viusentado em seu trailer no set de filmagem. Shonda havia chamado antes do esperado.Algo sobre o script de uma reescrita, ele teve que se apressar para chegar e filmar. Ele játinha deixado Jillian decepcionada quando ele foi forçado a deixar o jantar que elesestavam compartilhando em silêncio.Patrick ainda não tinha conversado com Ellen. Seu avião tinha aterrado apenas duashoras atrás. Ela estaria no set logo e ele não conseguia esconder sua emoção. Sua pernamovia-se nervosa, causando um toque, toque, toque. Limpando as palmas das mãos suadas contra as suas calças, ele percebeu que não tinhase sentido tão nervoso desde o dia que ele pediu Jillian em casamento. A percepção odeixou confuso, e um pouco mal do estômago ... mas antes que ele pudesse se debruçarsobre o sentimento, uma voz tirou-o de seu devaneio.
  • 9. Que diabos aconteceu com você, Patrick? Você não parece bem." A voz que haviaconsumido seus pensamentos naqueles poucos dias, disse a ele, e ele olhou para cimapara ver Ellen de pé diante dele. Ele não tinha escutado ela entrar, mas isso não osurpreendeu. Ela sempre aparecia assim como que se esgueirando."Nada". Ele se atrapalhou, e lhe deu um sorriso. Sua mente estava trabalhandoliteralmente em sua visão. Seu cabelo estava em cachos soltos em volta do rosto, o tipode ondas que levam horas para fazer ... mas acabava parecendo que não levou nenhumahora em tudo. Ela estava à vontade, as bochechas rosadas brilhando com o calor.Mesmo em suas vestes simples, de jeans, uma t-shirt e sapatilhas de balé, ele pensouque ela nunca pareceu mais bonita.Amigos poderiam se chamar de bonitos! " Ele argumentou com a sua mente, com a suapsique agredida com as palavras de Jill. Ellen estava apenas olhando para elepreocupada, e ele percebeu que ela devia estar pensando que tinha perdido o juízo."Você está bem?" Ela perguntou, depois jogou sua bolsa grande para baixo e puxou oroteiro que havia sido revisado e enviado a seu hotel em Nova York. Ela nem sequertentou disfarçar o sotaque, que havia voltado de novo em seu discurso durante suaviagem para o leste. Ela ficava tão confortável ao seu lado, que não tinha de esconderseu verdadeiro eu.”Yeah. Eu estou. Foi apenas um dia longo. Eu senti sua falta, El". Ele não pôde seconter mais, ele levantou-se e a puxou em um abraço. Enquanto eles se abraçavam, elese perguntava como era possível que seus corpos pareciam se encaixar como duas peçasde quebra-cabeças que tinham sido perdidas ... e depois encontradas novamente por trásde algumas peças de mobília empoeirada."Senti falta de você também." Disse-lhe com um sorriso, e depois se afastou para sentar-se confortavelmente no pequeno sofá. "Eu sinto que nós não conversamos nunca mais.Como foi a sua ação de graças? Ela perguntou inocentemente. Ela tinha enviadomensagens de texto para ele algumas vezes, não era incomum. Mas ele tinha apagado asmensagens sem responder. Ele não conseguia lidar com isso com Jill pairando sobre ele. De repente, lembrou-se exatamente a razão por que eles não tinham se falado antes. Averdadeira razão ... O sorriso de Ellen caiu, vendo algo em seus olhos que ela não podiadescrever.Alguma coisa não estava certa, e ela se arredou mais e deu um tapinha no assento aolado dela. "O que é isso? O que está errado? Estou aqui se precisar de alguém paraconversar." Ele sentiu como se estivesse sendo esfaqueado no peito. Claro que elaestava lá. Ela estava sempre lá ... fazia qualquer coisa pelas pessoas ao seu redor. Isso éo que era. Isso é que ela sempre fazia. Ela estava lá para ouvir seus problemas ... mascomo ele poderia dizer que ela era o problema? Como ele podia olhar no rosto dela edizer-lhe que sua esposa a desprezava? Jill ameaçou deixá-lo se ele não parasse de falarcom ela. Como ele deveria dizer isto a Ellen?Balançando a cabeça, ele a colocou entre as mãos. Não. Ele não poderia colocar esse
  • 10. fardo sobre Ellen. Ele não podia sentar-se e responsabilizar sua co-estrela pelos seusproblemas conjugais.Ele não tinha idéia de quanto tempo ele havia perdido com seus pensamentos. Derepente, dedos macios estavam correndo em seus cabelos encaracolados na base dopescoço. O toque foi tão leve, que ele pensou que imaginava no começo, mas depois eleo sentiu sobre o pescoço de novo e ficou arrepiado.Ela se afastou tão de repente, pois seu estremecimento enviou bom senso na cabeçadela. Levantando a cabeça, ele olhou para ela. Um olhar azul encontrou um tom azulesverdeado e seus olhos entraram em choque com tal força, que nem sabiam o que fazerde repente, compartilhando a conexão.O ar em torno deles mudou, foi como se a eletricidade tivesse saltado e passado portodo o seu corpo. Era uma boa sensação, do tipo que você pode assistir de longe, emuma noite de verão ... Em todo o tempo em que tinha sido casado, nunca tinha pensado nenhuma vez sobrebeijar outra mulher fora da tela. Mas, nesse momento, ele poderia não pensar em maisnada senão provar seus lábios macios. Ele lambeu os lábios inconscientemente,perguntando o que iria sentir se ele apenas se inclinasse para a frente e fechasse adistância entre eles.As pessoas achariam engraçado, ele sabia. Ele beijou várias vezes na tela. Claro que elesabia como ela se sentia .... mas ... não era nada comparado com um beijo fora das telas.Um beijo .... Ele podia ler sempre os olhos dela. Ele observou a mudança de confiança nos olhosbrilhantes para temerosos e lacrimejantes. Ele viu tudo refletido ali. Toda emoção queela sentiu. Os olhos dela pediam a ele para não magoá-la, para não quebrar o coraçãoque talvez não fosse tão forte como ela deixou pensar que era.Com uma clareza repentina, ele foi capaz de acabar com sua fantasia. O feitiço foiquebrado em poucos segundos. A eletricidade foi-se devagar, deixando seus corposformigando ... mas deixou um silêncio estranho pairando no ar. Ele tinha que dizer a ela. Era a única coisa que restava a fazer. Talvez Jill estivessecerta ... em sua mente ... e depois empurrou o pensamento de lado. Era perfeitamentenatural imaginar-se beijando alguém."Jill e eu brigamos neste fim de semana." Ele deixou escapar, e se recusou a olhardentro dos olhos dela. Ele estava com muito medo do que ele estava prestes a ver dentrodeles."Isso é terrível". Ela respondeu com sinceridade. Ambos estavam ignorando o que tinhaacontecido apenas momentos antes ... e uma parte dele estava feliz por isso. "Sobre oque foi a briga?"
  • 11. Ele queria rir do quanto ela era inocente, como era ingênua em acreditar que sua esposatinha realmente a intenção de ser sua amiga. Ele tinha sido ingênuo também, mas elenunca mais cometeria esse erro novamente. Ele não queria colocar Ellen nessa posição."Sobre você". Ela estava muito chocada para responder ... e ele pensou que ia perguntarpor que ... mas algo lhe dizia que ela era muito inteligente para isso. Finalmente,olhando para ela, ele pôde ver seu abatimento. Parecia como se ele tivesse fisicamente aesbofeteado. Inclinando a cabeça em desculpas, viu como suas feições mudaram e foramsubstituídas pela culpa. "Oh Deus .... Patrick ... Eu sinto muito." Fazia sentido para ela,ela era uma mulher antes de tudo, ela sabia o que sentia. A culpa foi exatamente o queele queria evitar."Não, não, por favor, não se sinta mal. Isto não é culpa sua. Ela não consegue lidar comas horas que passamos no set .... o tempo que ficamos juntos ... ela não entende istotudo". Ellen assentiu com a cabeça, ela entendeu. O seu namorado também teve muitasdas mesmas reservas, quando ela começou a ficar até tarde da noite em filmagens noset."O que aconteceu? Talvez eu devesse falar com ela." Ela ofereceu, e o fez sorrir com asua vontade de ajudar a resolver o seu problema. Ela estava olhando para ele, esperandopor uma resposta ... e ele sabia que tinha que ser honesto com ela."Na verdade ... bem ... na verdade não. .... Ela basicamente me fez prometer que não averei mais." Ela acha que a nossa amizade está provocando um racha em nossocasamento" Ele tentou fazer uma pausa entre cada palavra ... dando-se mais tempo paraexplicar ... se preparar para o que estava prestes a acontecer. Mas, nada poderia tê-lopreparado para o mal que foi exibido em seu rosto."Ah ..." Foi tudo o que ela disse. Antes, ele nunca tinha sido capaz de fazer acomparação entre ela e seu alter ego, Meredith Grey. Mas olhando para ela naquelemomento ... foi fácil ver de onde ela tirou a inspiração para a alma escura e sinuosa deMeredith."É um .... ... sim, eu entendo." Ela murmurou, e então eles estavam mergulhados nosilêncio mais incômodo que já haviam encontrado. O gelo de sua esposa não era nadacomparado à sensação que a dor de Ellen estava causando em seu peito.Antes que ele pudesse responder, ela já havia se transformado diante de seus olhos. Nãomais tinha o olhar triste e desviado. Em vez disso, ela endireitou-se, pronta e confiante.Ela havia construído com cuidado a máscara em volta de si mesma como a maioria dosatores experientes fazia tão bem."Sinto muito, Ellen. Eu não sei mais o que fazer. Ela ameaçou ...." Ele decidiu nãocontar a ela todos os detalhes. Eles só a iriam fazê-la sentir-se pior. "Ela acha que issoajudará as coisas".
  • 12. "Ajudar as coisas?" Ellen falou em um tom que era de 100 por cento Ellen ... semnenhuma pitada de Meredith. "Ela não confia em você .... ela está falando sério? Vocênunca a traiu ... você é o homem mais fiel que eu já conheci. Você vive para suafamília." A raiva invadiu seus olhos, tornando-os mais azuis do que verdes."Eu sei...."“O que isso diz sobre o seu casamento, Patrick? Ela é tão insegura que você não podeter amigos do sexo feminino? O que ela quer? Será que ela quer que Shonda mantenhaMeredith e Derek separados no resto da série só para nós não nos vermos mais? "Ele se encolheu quando sua voz se levantou. Patrick sabia tudo sobre o seutemperamento italiano. Ele tinha visto muitas vezes ela o usar em seu namorado .... masela nunca tinha usado contra ele. Tudo o que podia fazer era suspirar, ele realmente nãotinha nenhuma palavra para defender a sua esposa. Ele pensou que ele poderia terrecusado, mas ele acreditava que sua esposa era capaz de levar sua filha embora."Eu não sei mais o que fazer, El. Eu sinto tanto. Você é minha melhor amiga. Isto não éfácil para mim.""Isso é ridículo. Eu espero que você saiba disso. Pedir ao marido para cortar todocontato com um colega de trabalho é um pouco exagerado." Ela cuspiu nele, e então selevantou e fez seu caminho de volta para seu quarto no trailer."Aonde você está indo?" Ele perguntou, ainda sem ter certeza do que estavaacontecendo. Ele tinha passado tanto tempo se preocupando com Ellen ... que ele nãotinha pensado muito no que iria acontecer."Eu estou indo para o trailer de Sandra. ... A menos que sua esposa também não queiraque eu fale com ela ..." Ela reuniu suas coisas com tal velocidade que ele se perguntavacomo ela dava conta."Ellen .... por favor ... eu não quero fazer isso. Você é minha melhor amiga. Eu sópreciso de algum tempo." Ficou em silêncio, rezando para ela ser razoável."Nós não somos melhores amigos, mais, Patrick ... você já decidiu isto". Ellen disse aele, mas ele ainda não tinha decidido nada ... mas ela fugiu para fora do trailer antes queele pudesse dizer-lhe isso. Dizer que ele ia deixar de ser amigo de Ellen e realmentefazê-lo .... .... são duas coisas completamente diferentes ... e sua mente ainda não tinhachegado a um acordo com isso.Sentado no sofá .... ouvindo Ellen gritando obscenidades sobre ele no trailer deSandra .... ele olhava para a parede, em silêncio. Tinha sido dois minutos .... 120segundos ... e quem sabe quantos milissegundos .... desde que ele tinha falado comEllen Pompeo .... e ele nunca se sentiu tão sozinho.Três dias depois, e Patrick ainda não tinha conseguido falar com Ellen. Ele sequer sepreocupou em contar quantas horas ele tinha perdido sem ela.
  • 13. Se ele não tivesse certeza do contrário, ele poderia jurar que sua co-estrela insistiu comShonda para que Meredith e Derek propositadamente estivessem em desacordo, porqueele não tivera sequer uma cena com ela, nesses últimos três dias.Sem a desculpa de filmagens, ele não tinha como falar com ela. Ela não tinha voltado aotrailer que costumavam compartilhar . Ele não tinha certeza de onde ela foi .... mas tinhapropositalmente seguido-a, por vezes, e ele sabia que ela deveria estar lá ... e ainda ... oseu refúgio em comum no set permaneceu vazio.Ele não estava gostando disto. Não deveria ser assim. Não é o que ele pensava queaconteceria ... embora ele fosse o primeiro a admitir que não tinha idéia do que tinhaque acontecer.Era cedo. Ainda era muito cedo para o seu trabalho começar, mas ele veio cedo assimmesmo, esperando para pegar Ellen antes de ela ir ao cabeleireiro e à maquiagem. Nãohavia muitas pessoas ao redor, ninguém no seu perfeito juízo viria trabalhar duas horasantes do momento em que deveriam estar lá.Colocando a mão no saco de papel marrom ao seu lado, sentiu o aroma gostoso do queestava dentro. Duas xícaras grandes de café estavam dentro do saco. Ele ainda podia vero vapor saindo deles, e esperava que eles permanecessem quentes até que ela chegasse.O café era essencial quente ... tão indispensável como as iguarias que ele tinha no saco.Patrick ... era um homem em uma missão.A familiar Mercedes estava subindo a rua, ele sabia que era a de Ellen, porque elebrincava com ela sobre vendê-la e, finalmente, comprar um carro típico de BeverlyHills. Ele olhou com expectativa, o estômago fazendo uma cambalhota com a idéia devê-la. Nos últimos três dias, ele só a tinha visto casualmente de longe quando ela estavafilmando. Ela deve ter tido seus colegas de elenco do lado dela ... conspirando paramantê-lo longe ... era a única maneira de ela esconder-se dele.Patrick olhava expectante, enquanto observava Ellen sair do banco do passageiro ecaminhar até a porta do lado do motorista. Ela não havia dirigido. Ele podia ver Chriscolocar a cabeça para fora da janela e beijá-la nos lábios. Sua mão, inconscientemente,agarrou o saco apertado entre os dedos.Ele nunca sentiu ciúmes de Chris antes. Ele nunca tinha sentido a reviravolta noestômago ao vê-la beijando seu namorado .... mas a cena que ele via enviou ondas deciúme pelo seu corpo todo. Chris se afastou, e Patrick ficou feliz por ele não ficarandando pelo set. Ele não estava certo de que poderia lidar com isso.Ellen ainda não o tinha visto, ela estava olhando para o seu carro até ele virar e irembora. Chris estava levando-a para trabalhar agora. A simples ideia o enfureceu. Virjuntos para o trabalho era a hora do dia em que podiam se descontrair e relaxar, sem terque conversar com todos os outros atores. Mas .... ele supunha que tudo tinha mudadoagora.Ele agarrou o saco com determinação. Ele iria consertar as coisas, em nome da amizade.
  • 14. Parecia, para Patrick, que havia se passado 30 minutos, enquanto ele observava Ellen,que estava completamente dura, olhando na mesma direção em que seu carro haviadesaparecido. Ela não se moveu, nem sequer um músculo, e ele se viu desejando quepudesse ver seu rosto.Ele não conseguia entender o que ela estava fazendo, se ela estava assistindo Chris irembora com tristeza ... gratidão ... ou apenas assistindo o mesmo, por uma questão deobservação. Se as coisas fossem diferentes, correria a seu lado e descobriria. Mas, elesabia que provavelmente ela iria matá-lo.Patrick se imaginou saltando para o lado dela, empurrando um copo de café na sua mãoe, em seguida, fazendo-a sorrir com alguma piada suja, que ele sussurraria em seuouvido. Foram estas pequenas coisas que ele perdeu. O jeito como ela o iria chamar deidiota ... o tempo todo sorrindo como uma criança no Natal.A cena que passava como um filme em sua cabeça era bem vívida. Depois que elasorrisse da brincadeira, ela enrolaria seus braços ao redor dele, diria o quanto sentia faltadele ... que precisava dele ... e então eles se beijavam. Sua mente fisicamente rebateu arealidade .. mas a imagem de seus lábios nos dela não desapareceu tão depressa.Mais uma vez ele estava imaginando beijá-la ... e ele teve de sacudir a cabeça paramandar os pensamentos para longe. Ele não podia pensar tais coisas, mas era como sesua mente estivesse se voltando contra ele. "Melhores amigos não se beijam!" Ele gritouem seu cérebro, e teve que morder a língua para manter as palavras dentro de sua boca.Ellen virou-se, justamente quando ele estava começando a se perguntar se ele deviamesmo ir até ela. Logo que seus olhos encontraram os dele, ele soube que ela o tinhavisto esperando por ela. Ela tinha ficado lá parada para ganhar confiança para seaproximar dele. Esse pensamento o perturbou.Ela era uma atriz, uma ótima atriz, mas a coisa que ele mais amava sobre sua amizade,era que eles nunca tiveram de usar seus talentos um com o outro. Olhando para ela,então, ele podia ver a tempestade de cinzas em seus olhos. Eles estavam cheios de vida,respiração, emoção, mas seu rosto ficou estóico e forte.Ele imaginou-se a falar aproximando-se dela. Havia uma parte de Meredith, que foiEllen. Assim como houve uma parte de Derek que era ele, mas ... eles eram os únicosque sabiam um sobre o outro."O que está fazendo?" Ela perguntou a ele, e ele balançou a cabeça, percebendo queestava sonhando de novo ... e ela agora estava parada na sua frente. Seja o que tivessepassado em sua mente, ela já havia guardado para si mesma, porque seus olhos já nãobrilhavam com a emoção. Eles haviam se tornado frios .... quase vazios de toda a vida.De repente, ele não se sentia mais tão confiante. Sentiu-se nervoso, desajeitado,adolescente, que enfrentava uma menina oferecendo uma rosquinha, quando o que elarealmente queria era um colar.
  • 15. Com muito pouca confiança, meteu o saco de papel nas mãos de Ellen e fechou osolhos. Ele não podia deixar de gaguejar. Ele tinha um discurso preparado ... algo sábio elunático que iria dizer a ela, tipo o quanto ele apreciava sua amizade ... e, no entanto, elefoi reduzido a um monte de escombros.O plano em sua cabeça mudou. O discurso foi desmantelado.Ellen aceitou o saco, e com um franzir da sobrancelha, ela o abriu. O delicioso aromaencheu o ar novamente, e ele pensou ter visto uma pista de um sorriso cruzar os lábiosdela antes de ela fechar a carranca novamente para ele."Você trouxe rosquinhas?" Levou um segundo para perceber que ela tinha realmentefalado com ele. A primeira frase, em três dias ... e, claro, foi sobre a comida. Em suacabeça ... ele tinha imaginado ela exibindo todo o seu corpo por ser tão atencioso. Mas,mais uma vez ... a realidade não correspondia a sua fantasia."Oh, hum ... sim." Ele quase gaguejou e, em seguida levou um minuto para serecompor. Ele foi Patrick Dempsey. Ele certamente poderia fazer melhor."E bagels". Ele acrescentou, com mais confiança. Ele estava, aos poucos, retomando seucontrole e calma.Ellen estava ainda olhando para ele, mas ele empurrou um copo de café na sua outramão e deu um sorriso. De repente, ela percebeu o que ele estava fazendo, e um sorrisoatravessou seu rosto.Lá estava ela, doce e adorável, e amava a sua atenção. Ver seu sorriso iluminou seu dia.Mas, o seu ego foi esvaziado logo quando ele abriu a boca. "Bem ... Achei que trazersua comida favorita seria uma forma adequada para você voltar a ser minha amiga denovo ..."O sorriso dela apagou-se no instante em que as palavras foram ditas e ele desejou nuncatê-las dito. Suas palavras tinham lembrado a ela por que eles não estavam se falando emprimeiro lugar, e ela amaldiçoou a si mesma por ser tão fraca."Eu sinto muito. É melhor você levar este café de volta ..." Ela disse a ele, enquanto elaexaminava o conteúdo séria. "Ele não tem um autocolante aprovado por sua esposa."Ela cuspiu friamente, e antes que ele pudesse responder, o café foi empurrado para suasmãos. Em um acesso de raiva, ela subiu os degraus e abriu a pequena porta de metal. "Fiqueicom as rosquinhas!" Ela gritou de volta para ele, com o sotaque de Boston fazendo-aparecer mais enfurecida.Ele ficou lá um pouco atônito e olhou para ela como se ela fugisse porque ele iria dizer-lhe os segredos do mundo."Está bem assim .... isso quer dizer que não estou perdoado?" Ele perguntou com toda a
  • 16. seriedade ... mas a porta já havia sido fechada atrás dela. A cena tinha sido muitomelhor em sua cabeça.Olhando o relógio pela terceira vez, Patrick ficou a contemplar as suas opções. Ele nãotinha nada para fazer por uma hora inteira .... uma novidade no set. Ele não saiu dotrailer. Não havia nenhum outro lugar que ele realmente queria estar.Ellen estava lá ... possivelmente pela primeira vez em 3 dias ... e ele estava lá fora comoum idiota. Ele permitiu que sua mente reagisse para fazer as escolhas possíveis. Vocêdeveria ir e obrigá-la a falar com você. " A metade do seu cérebro disse a ele. Mas aoutra metade, a metade mais vulnerável, lamentou-se e reclamou, e disse: "Não. .. ela élouca .. ela vai gritar ... a culpa é sua ... não vá para lá." Era difícil controlar oargumento interno.Finalmente, ele conseguiu empurrar para fora todos os pensamentos de sua mente. Nãoimporta o que ele fez, ele não podia deixar as coisas continuarem do jeito que estavam.Foi estranho. Eles tinham que trabalhar juntos e ele não podia ficar com a sensaçãoperturbadora de que eles tinham uma rixa.Com toda a coragem que conseguiu reunir, ele subiu os degraus com plena consciênciade que seus passos sobre a madeira poderiam ser ouvidos como um sino de advertência.A porta estava destrancada, e ele soltou um suspiro de alívio. Ela não era louca osuficiente para deixá-lo de fora completamente.Demorou algum tempo para se ajustar à luz fraca do trailer. Ela não acendeu as luzes e osol estava brilhando apenas um pouco já que era tão cedo. A porta fechou-se atrás dele eele pulou, assustando-se. Estava estranhamente silencioso, algo com o qual ele nãoestava acostumado."Eu estava me perguntando quando você iria subir aqui." Ellen falou. Seguindo o somda sua voz, ele virou-se e percebeu sua forma esparramada no sofá pequeno.Ela não estava exatamente sorrindo, mas ela não estava gritando tanto ... e ele tinhacerteza de que era um bom sinal. Decidindo agir como se nada tivesse acontecido, elerespondeu: "Hmm ... Estou vendo. Então você estava esperando por mim?"Ela não respondeu imediatamente e deixou que o silêncio crescesse entre eles. Elepensou que poderia vê-la franzindo a sobrancelha em sua direção, mas com a máiluminação era difícil dizer. "Certamente você não comprou 12 rosquinhas e 4 bagels sópara eu comer sozinha? Achei que era a sua maneira de assegurar que comeríamosjuntos. Mesmo assim .... Tenho certeza de que Jill mandou instalar câmeras paraacompanhar todos os nossos movimentos e vai pegar isso. " A voz dela começou emtom de provocação, mas quando ela tinha acabado de falar estava contaminada comamargura.Soltando um suspiro, ele andou em sua direção. O seu movimento permitiu-lhe ver orosto dela com mais clareza. Talvez ela estava tendo um dia de folga, ou talvez apenasnão queria esconder mais,mas seja qual for o motivo, ele pôde pela primeira vez, ver ador por escrito através de sua face.
  • 17. As emoções dolorosas estavam todas em volta dela, sugando a felicidade para fora desua alma. Ele soltou um sonoro suspiro. Ele havia feito isso, ele havia quebrado a suamelhor amiga e ele tinha isto em sua consciência.Não gostando da forma simpática com a qual ele estava olhando para ela, ela desviou oolhar para suas mãos, quebrando o contato. "Eu não queria que fosse dessa maneira,El ..." Ele parou de falar, deixando rolar o apelido como se fosse a última vez que elediria isso.Com esta declaração ela olhou para ele e soltou um riso cínico. "Então, como diabosvocê quer que seja, Patrick?" Ele realmente não tinha uma resposta, e ela sabia disso,assim ela continuou falando. "Sua esposa tem essa idéia maluca na cabeça dela ... e derepente você tem que começar a afastar os seus amigos. Você escolheu. Eu sei disto. Eunão esperaria que você desistisse de sua vida apenas para ser meu amigo. Mas ... não seincomoda mesmo por ela ter te posto nessa posição? "É claro que incomodava. Isto o deixava maluco. Ele não conversou com sua mulher, dequalquer maneira desde a briga que tiveram. Ele se sentou na beira do sofá. Ellenmoveu as pernas para acomodá-lo, mas ele não se moveu mais.”Claro que me incomoda. Ela jogou tudo isso em mim do nada .... eu nem sabia o quedizer. Nós não nos falamos desde então. Eu não posso nem olhar para ela sem ficarzangado." Os olhos de Ellen mudaram, mas ela não fez nenhum movimento paraconfortá-lo."Você precisa se defender." Ela ia dizer mais, mas se conteve. Ela não tinha nada contraJill .... bem, nunca teve e não queria começar agora.Patrick passou a mão pelos cabelos, não se importando que tivesse gastado horasdomesticando-os. "Eu fiz ... e tudo que falava parecia provar que eu estava tendo umcaso. Eu não sei de onde diabos ela tirou essa merda. Chris nunca fez isso?" Eleperguntou, e viu como Ellen mordeu o lábio."Não realmente. Ele é o homem mais seguro que eu conheço." Suas palavras pareceramforçadas e ele teve a sensação de que ela estava escondendo alguma coisa, construindoum muro em torno dela. Mas ele não estava exatamente em posição de forçá-la a nada."Eu não quero perder você, Ellen." Ele disse a ela, direcionando a conversa para longede sua esposa. "Você é minha melhor amiga. Eu não posso simplesmente me afastar porque .... não só porque somos amigos ... mas por causa do seriado também. Nós nãoseremos capazes de trabalhar bem assim. Você não será capaz de se sentir brilhante"."Eu não sou brilhante agora!" Ela argumentou, causando-lhe um sorriso ao ver o tantoque ela estava errada."Você pode até tentar não ser... Mas você é." Soltando um suspiro, ela balançou acabeça e levantou-se, como se ficar sentada ao lado dele era demais para ela.
  • 18. "É só ...." Ela parou e olhou para os sapatos antes de olhar mais uma vez nos seus olhos."Você prometeu que não seria meu amigo. Isto me leva a crer que essa amizaderealmente não significa muito para você. Você só sabe que precisa de mim para oseriado. Sem Meredith, Derek não é ninguém ... e eu entendo. Isto é Hollywood ...ninguém tem amigos de verdade mesmo".A decepção em sua voz era evidente, e ele ficou de pé para que ela pudesse estar nonível de seus olhos. Ele não estava acostumado a vê-la tão quebrada, era uma raridade eseu primeiro instinto foi envolvê-la em seus braços. Ele não tinha certeza, porém, queela deixasse."Nós fomos ... somos amigos de verdade." Ele corrigiu. "Você é minha melhor amiga.Não tem nada a ver com essa série. Eu fui infeliz nos últimos dias. Eu nem vou fingirque eu tenho sido feliz. Eu sinto a sua falta". Ellen enviou-lhe uma carranca incrédula,mas ele continuou falando.A mão dele subiu em um gesto inconsciente, mas se deteve antes que ele pudesse fazero caminho para a bochecha macia. Teria sido tão fácil de usar a mão em seu corpo e norosto dela. Sua cabeça encostaria nele ... e ela aceitaria o seu conforto. Mas ele mantevesua mão presa a seu lado."Ela me espremeu em um canto. Me senti mal. Concordei .... por uma questão deconcordar. Achei que era simples ... mas .... eu preciso de sua amizade". Ellen estavaolhando para ele, pensando em tudo o que tinha sido dito. Ele poderia dizer que elaestava travando uma batalha interna sobre o que pensar.Finalmente, depois de parecer que ela havia pensado em todas e em cada uma de suaspalavras, seu rosto suavizou-se e ela soltou um suspiro."Paddy ...." Ela quase sussurrou, e ele não pôde deixar de sorrir para o apelido que elavinha usando desde o dia em que se conheceram. Sua esposa utilizava o apelido, muitasvezes, também, embora ... ele nunca pareceu tão carinhoso quando ela disse isso."Nossa amizade, obviamente, vai criar problemas entre você e Jill. Se fosse Chris eoutra mulher ... Eu tenho certeza que eu faria a mesma coisa." Patrick balançou acabeça, não deixando que ela levasse a culpa."Não. .. nosso casamento tem tido problemas desde que eu comecei a série. Ela estáusando isso como um bode expiatório. Ela culpa tudo em mim ... quando ela nunca estáem casa também." Ellen inclinou a cabeça para o lado."Patrick ... eu estou te dando um fora. Você não precisa fazer isso porque se senteobrigado comigo. Eu nunca vou me perdoar se o seu casamento terminar por causadisso." Ela disse-lhe significativamente, e ela estava falando sério ...Dando um passo para trás, ele cruzou os braços. Ela o estava ajudando, colocando seuspróprios sentimentos de lado para o bem dele. Ela era uma amiga de verdade, e tantoquanto ele apreciava o gesto, ele sentia que não podia perdê-la. Amizades reais em
  • 19. Hollywood só acontecem uma vez ao longo da vida. Era um mundo de plástico rodeadode concorrência e de mentiras.No início de sua carreira, ele havia cometido o erro de cair na fantasia das atençõesoferecidas. Amigos eram amigos da fama ou do dinheiro ... ... ou porque se precisava dealgo. Uma vez que sua carreira caiu e ele ficou queimado, ele foi jogado de volta aomundo dos normais ... sem um único amigo no mundo. Ele não estava prestes a cometeresse erro novamente.Num momento de desespero, ele se aproximou dela e colocou seus braços em voltadela. Ele não conseguiu segurá-la por muito tempo. Ele precisava sentir o seu pequenocorpo enrolado em torno dele. Ela não respondeu de primeira, e ele achou quecertamente ela iria afastá-lo. Mas, com pouca hesitação, ela deixou os braços em voltadele e aceitou o seu conforto.Respirando profundamente, ele inalou seu perfume e deixou-o entrar em seus sentidos.Isto o confortou e lhe permitiu pensar com clareza ... talvez mais claramente do que eletinha pensado em uma semana. A cabeça de Ellen estava encostada em seu peito, e seusdedos se enrolavam em seus cachos alourados."Ellen ... isso é raro. Você sabe disso." Ele sussurrou em seu ouvido, ignorando a formacomo o corpo dela parecia tremer em resposta. Com suas palavras, ela levantou a cabeçae olhou nos olhos dele. Foi difícil, os seus olhos estavam tão cheios de emoção, que nãofoi fácil manter o contato visual.Usando o dedo indicador, ele colocou um pedaço do cabelo para trás da orelha. "Esta éuma amizade verdadeira, aquela que eu não quero ver perdida." Ela queria discutir comele, ele sentia isso, mas algo estava impedindo-a de fazê-lo. Ela costumava ser tão fácilde ler ... mas naquele momento ele não podia dizer se ela estava pensando em tudo."Eu vou falar com ela. Eu tenho que trabalhar isto". Seu anel de casamento refletia a luzem sua mão esquerda, quase zombando dele. "Eu não vou te perder. Perdi muitosamigos no passado ... é uma cidade sozinha, Ellen, eu preciso de alguém que entendaisso." Ellen concordou, e balançou a cabeça, mesmo que ela não pudesse colocar seussentimentos em palavras ainda.Respirando fundo, ela se afastou dele e ajeitou a camiseta. "Você faz parecer tão fácil.Não é. Ela me odeia agora ... Me sinto como um guincho para casa ... exceto ... nós nãoestamos tendo um caso com certeza ..." Ela parou de falar, e ele viu o rubor que varreu asua face. Ele teria feito uma piada sobre isso se eles não estivessem no meio da talconversa séria.“Nós não podemos ficar sem ter algum contato ... passamos 18 horas por dia juntos. Nósvamos fazer um compromisso de alguma forma." Ele garantiu, mas Ellen não pareceumuito convencida."Então .... você quer ser o que ... no set - amigos?" Ele se encolheu com seu tomexasperado."Eu acho que ... é a nossa melhor aposta."
  • 20. "Patrick ..." Ela avisou, mas ele balançou a cabeça e interrompeu. "Não, tudo vai ficarbem ... ela pensa que passamos muito tempo juntos fora do set. Então ... vamos serapenas amigos mais discretos". Soou bobo, mesmo para ele, mas ele estava quasedesesperado na sua necessidade de se agarrar a ela."Então ... o que ... nós fingimos que não sabemos um do outro depois do trabalho? Euando por mim, e você não olha para o meu lado enquanto você passa pela minha casa?"Ellen não estava impressionada com a sua ideia."Não. .. eu não quis dizer isso ...""Talvez Jill esteja certa." Ela respondeu, com pouco significado."O que?" Ele quase sufocou."Talvez a gente não deva passar muito tempo juntos fora do set"."El ...""Não, eu acho ... eu acho que ela tem medo de te perder ... e ela é a sua esposa, Patrick.Ela é a sua “felizes para sempre” e você não pode abrir mão disso." Ellen disse-lhecomo se ela tivesse que se convencer disso também. Patrick ficou pasmo. Ele nãoesperava por nada disso. "Ser amigos somente no set é provavelmente uma boa idéia ...para todos os envolvidos.""Certo... então como vamos fazer isso?" Ele perguntou, com uma pitada de humor naesperança de aliviar o clima triste que se estabeleceu em torno dele.Ela ainda estava pensando .... e ele não fez nenhum movimento para realmenteperguntar o que ela estava pensando. Ela lhe diria... Em seu próprio tempo. Em vezdisso, ele afastou-se dela completamente e se sentou no sofá novamente.Quando ele pensava que iria congelar com o silêncio, ela seguiu seu exemplo e sesentou ao lado dele. "Eu acho que para começar ... temos que vir separados paratrabalhar.‘E matar a camada de ozônio?’ Mas, ele sabia que ela estava certa. Mesmo se opensamento de ver Chris deixá-la todos os dias no trabalho o deixasse louco."Você realmente acha que sua esposa não se importará que sejamos amigos no set?Ellen ainda estava nervosa com isso. Patrick percebeu a frieza em que Ellen disse "suaesposa" ... mas ele realmente não poderia culpá-la. Entre outras coisas, Patrickpercebeu que Ellen e Jill já não seriam amigáveis entre si."Confie em mim. Vai ser bom." Mesmo quando ele pronunciou as palavras ... ele sabiaque elas estavam muito longe da verdade. Mas, ele tinha sua melhor amiga de volta ... eque tinha que contar com alguma coisa.
  • 21. - Um mês depois .... meados filmagens da 2 ª temporada –"Eu não posso acreditar em você, Patrick. Você disse que iria ficar longe dela .... vocêprometeu que seriam co-trabalhadores ... só que não é o que eu acabei de ver, né? Quediabos foi isso? Nem tente inventar que estavam ensaiando uma cena. Eu posso nãoestar neste negócio, mas eu não sou estúpida! "Patrick estava sentado em seu trailer. Parecia que, recentemente, cada discussãoimportante em sua vida tinha tido lugar naquela lata anormalmente pequena. Erarealmente o único lugar que poderia conversar em particular no set .... mesmo que elesuspeitasse que a voz de sua esposa estava ecoando por todo o estacionamento.Soltando um suspiro, ele simplesmente sentou-se, e viu como sua esposa andava paraum lado e para outro, lançando um soco no ar próximo a ele. Ele lutou contra o impulsode cobrir seus ouvidos. O momento foi infeliz, ele não esperava que Jill fossesurpreendê-lo no set. Ela nunca tinha feito isso antes .... Na verdade, ela geralmenteficava tão longe de seu trabalho quanto possível."Eu venho aqui... tentando consertar as coisas entre nós. Como eu tinha o dia de folga...eu pensei... caramba... talvez o meu marido gostasse de um bom almoço nos seuslugares favoritos. Mas, aparentemente eu perdi a memória. Eu não quero atrapalhar oseu momento particular, com Ellen Pompeo.Jill estava sendo ridícula, e ele sabia que tinha todas as intenções de ignorá-la... Até queela começou a falar de Ellen.Eles tinham tido uma pequena pausa nas gravações do seriado apenas duas horas antes,mas Ellen teve um momento difícil e estava estranhamente nervosa.A atriz estava chateada e para baixo. Para animá-la, ele a levou para um canto escuro deseu set. Estava tranqüilo, não havia muitas pessoas em volta, e isto lhe deu a chance deprovocá-la e contar suas piadas até que ela caiu em gargalhadas. E ele adorava suasgargalhadas."Honestamente, Patrick, você diz que não está tendo um caso. Você diz que nada estáacontecendo. Bem, certamente não parece ser assim. Ela vai atrás de você como umcachorro doente. E a sua mão? Ela sempre vai deixá-lo pegar em suas nádegas assim...ou espera... acho que isto era parte de ser apenas bons amigos também, né?” Jillianestava gritando, suas palavras eram pouco compreensíveis. Patrick nunca a tinha vistotão louca.Ele abraçou Ellen, lembrando-lhe de todos os atores que tiveram seus dias ruins. Eletocou em suas nádegas, brincando... Ele gostou do jeito que ela iria rir e dar uma tapanele. Era normal para eles, nada sério. "Patrick... tire sua mão da minha bunda." Ellenlhe tinha dito, antes da dissolução, mais uma vez em um ataque de riso. Infelizmente,Jill tinha estado ali nesta hora... E saiu segundos antes de o diretor dizer que eles tinhamconseguido o que eles queriam.Humilhado, e sentindo-se o pior homem do mundo, Patrick pensou nas palavras deJillian. Sua raiva estava fervendo agora. A cada espetada que ela dava em Ellen, sua
  • 22. raiva subia mais alto. Ele agüentaria as coisas que a mulher falasse contra ele. Mas...Dizer coisas desagradáveis sobre a sua amiga era inaceitável."Então... você só vai sentar-se? Você não vai negar desta vez? Acho que todo o set sabené, e eu sou o motivo de chacota em Hollywood. Pobre esposa de Patrick Dempsey...Ela está em casa aguardando o marido enquanto ele tem uma relação amorosa com suaco-estrela!? "Finalmente, ele ouviu o suficiente. Ele não conseguia parar as palavras que voaram parafora da boca. Sua voz foi crescendo... Crescendo cada vez mais alto, com cada palavra,mas ele não se importava. Se Jillian queria ter a briga mais uma vez... Eles teriam."Eu não estou transando com ela! Nós somos amigos. Você disse para manter a amizadeno trabalho e eu tenho feito isso. Eu fiz tudo o que você me pediu para fazer. Eu nãovou desistir da minha amizade com ela.” Ele tinha se levantado do seu assento, masmanteve distância dela.Ele nunca iria encostar a mão nela, mas ele não confiava em si mesmo para estar pertodela. Tinha muito tempo em que ele não se sentia tão irritado, e ele estava encontrandodificuldades para manter todas as suas emoções irracionais."Bem, suas ações falam mais alto que suas palavras, Patrick." Ela não cuspiu tudo commedo de seu temperamento já alterado."Minhas ações? Jillian, nós somos amigos. É só isso. Nós apenas flertamos... então oque? Ela tem um namorado. Eu sou uma pessoa de flertes... Você sabe que não édiferente com Ellen.""Oh, eu sei tudo sobre seus flertes. Foi assim comigo também, lembra? Isso foi umgolpe baixo, mesmo para Jill, e sua boca escancarou-se em estado de choque.“ Eu não posso acreditar nisso." Ele respondeu."Eu não posso acreditar como você está sendo um grande de um imbecil! Eu sou tuamulher, temos uma família... e o que você está jogando fora por alguns olhos verdesarregalados? Ela só está te usando, Patrick. Você é a estrela deste seriado, ela não. Elaestá apenas começando sua viagem grátis através de você... e com o tempo vocêperceberá que... você não tem mais nada.”"Não seja mesquinha, Jill." Ele cuspiu, sabendo que seu comentário foi muito longe daverdade."Mesquinha?" Ela riu só que mais parecia uma risada. "Como você pode ser tãoingênuo? Você acha que ela é tão inocente e pura. A perfeita Ellenzinha nunca cobiçaráseu amigo co-estrela, porque ela tem um namorado."Correndo as mãos pelos cabelos, ele não sabia o que dizer ou fazer, mas ele sabia quenão ia deixar que ela falasse desse jeito de Ellen. "Não. Pare de falar dela. Nós estamostendo essa conversa. Ela é minha amiga. Nós somos amigos no set. È só isso."
  • 23. "Então... o que? Você está só sentado assistindo o nosso casamento desmoronar?" Elaacusou, com puro ódio em seus olhos."Ele não estaria ruindo se você não brigasse por isso todo dia!" Ele gritou, e então derepente, a adrenalina e a raiva pareciam escoar para fora dele. De repente ele estavaextremamente consciente do seu entorno. As pessoas estavam fora do trailer, ele podiaouvi-las sussurrando em volta.Um silêncio caiu sobre eles. Enquanto lutava para recuperar o fôlego, ele se perguntavacomo o seu casamento tinha chegado a este ponto. Ele não pensava em si mesmo...Como um mau marido ou pai... Ele sinceramente achava que ele estava fazendo a coisacerta."Patrick... não podemos continuar assim." Ela disse a ele, sua voz baixa em nada pareciacom aquela de apenas alguns minutos antes."Eu sei..." Ele disse a ela, mas se recusou a encontrar o seu olhar. Ele não queria perdersua esposa e família... Mas não sabia como consertar o que foi tão longe em espiral, forade controle. Ao seu silêncio, Jillian enrijeceu.Chegando mais perto dele, ela lançou um cartão em cima da mesa ao seu lado. "O que éisso?" “Um conselheiro matrimonial. É altamente recomendado. Eu marquei uma consultapara nós na próxima semana.""Aconselhamento? Você nem me perguntou sobre isso?" Ele argumentou, irritado porela ter feito isso sem falar com ele primeiro. Em vez de começar outro argumento, elaapenas respondeu: "Patrick, você vai estar lá. Se você não for... o casamento acabou."Seu ultimato o queimava. Ele se sentia como se estivesse sendo levado para aguilhotina. Um conselheiro? Jillian estava preparada, calma e recolhida, como sempre, eaguardando a sua resposta. Tudo o que ele podia fazer era acenar de acordo."Tudo bem. Mas se fizermos isso, eu não quero ouvir mais nada sobre Ellen. Nós vamospara o aconselhamento... e você deixa minhas amizades em paz". Sua esposa não estavapreparada para ouvir isso, mas na verdade não havia muito que ela pudesse fazer, masacenou em acordo também.A porta se abriu, antes de qualquer um deles pudesse dizer mais alguma coisa. Patricksabia quem era instantaneamente, e disparou um olhar de advertência para Jill quandoela concentrou sua atenção na porta."Ah... desculpe... eu sinto muito, eu não sabia que você estava aqui." Ellen gaguejavaquando ela entrou no trailer e viu a cena à sua frente. Ninguém, nem mesmo as dezenasde pessoas circulando no exterior do trailer tinham dito para ela não ir lá dentro. Elaadivinhou que só queriam ver o circo pegar fogo."Ah... não, nós estávamos falando sobre você, Ellen." Jill respondeu com uma voz
  • 24. suave. Os olhos de Ellen se arregalaram, e ela se virou para sair. Ela sabia que... O quetodo mundo lá fora já sabia... Que a briga foi ruim e que era sobre ela."Vocês sabem... eu posso buscar as minhas coisas em outro momento.... vocês dois ..devem continuar o que estavam fazendo". Antes que ela pudesse sair pela porta, Jillian adeteve.Com um sorriso na direção de Patrick, Jill concentrou a sua atenção totalmente para amulher na sua frente. Ela não prestou atenção ao modo como Patrick vinha seaproximando, pronto para entrar em ação a qualquer momento. Ellen estava muitoassustada, uma emoção que nunca tinha sentido, pois, normalmente, sempre tinha sidosuper confiante, a menina de Boston pronta para qualquer confronto."Oh, por favor, fique. Eu estava realmente saindo. Eu sei que você e meu marido têmalgumas cenas para ensaiar. Não é verdade, Patrick?" Ela perguntou, mas não se atreveua virar para olhá-lo. Seus olhos se encheram de tanta raiva que ela sabia que ele iriaexplodir independentemente de Ellen estar lá."Meu marido sempre me diz... que você é muito talentosa. Aposto que você podeensinar a ele uma ou duas coisas..." Jill colocou a mão no ombro de Ellen. Teria sido umgesto de amizade... sob circunstâncias normais, mas não havia nada de amigável nainsinuação em sua voz."Apenas... faça-me um favor. Deixe um pouco para mim depois, ok?" Com um sorrisocruel, Jillian passou por Ellen e já saía pela porta, deixando uma Ellen atordoada e umenfurecido Patrick."Merda". Ele resmungou, quando a porta se fechou atrás de sua esposa. Ele sabia queele deveria ir atrás dela e gritar com ela. Mas, Ellen estava ali completamentebestificada. Lágrimas escorriam dos olhos dela, e antes que pudesse parar a si mesmo,ele atravessou a sala em dois passos largos e a envolveu em seus braços.Nesse momento, não havia nenhum lugar no mundo que preferia estar.Patrick estava deitado na cama assistindo as sombras dos carros passando através dasjanelas de seu quarto. Ainda que o seriado tivesse entrado em um curto hiato após oAno Novo ele ainda se sentia esgotado.Ele gostaria de poder dormir. Ele queria apenas desligar as luzes da cidade que nuncadeixavam o céu parecer escuro... Mesmo em Beverly Hills. A Cama Califórnia King eragrande demais para ele apenas. Ele estava acostumado com sua esposa e filha pequenamonopolizando todo o espaço. Mas, a cama estava vazia... E fria, apesar do climaquente lá fora.No dia anterior, quando Jill tinha partido com Tallulah para umas férias com a mãe, eleteve um suspiro de alívio. Pela primeira vez em mais de um mês, ele conseguia relaxar.Ele poderia se esquecer do seu casamento rochoso, sua agenda lotada e do stress queacompanha trabalhar num programa de sucesso.
  • 25. Soltando um gemido, ele desistiu de dormir. Tinha tentado por duas horas... E suamente só não iria desligar. Miseráveis pensamentos giravam em sua mente a um ritmotal que a sua respiração tinha problemas de convergência real. Deitado na cama, só fezpiorar. Isso lhe deu muito tempo para pensar.Sentando-se e deixando que os dedos dos pés raspassem o tapete de pelúcia, ele sentiunecessidade de ação. Ele podia sentir seus músculos gritando do treino que ele haviafeito anteriormente, mas ainda assim... A necessidade estava lá. Correr clarearia a suacabeça, e ele ia relaxar.Ele e Jillian haviam passado por três sessões de terapia, desde a visita surpresa de Jill noset. Todas as sessões de terapia pareciam trazer demônios que nem ele ou Jill tinhampensado antes. Perguntas sobre a fidelidade dele durante seu primeiro casamento, asrazões por trás de seu término, e um monte de outras coisas que ele não estava dispostoa discutir com um completo estranho.Jill manteve sua palavra e não provocou brigas com ele sobre Ellen. Embora, ele quasedesejou que tivesse... Porque a frieza que a cercava toda vez que o nome de sua co-estrela era pronunciado foi o suficiente para enfurecê-lo.A terapia só tinha feito torná-los mais amargos um com o outro. Parecia que o cara queveio "altamente recomendado" não era nada mais que um instigador ansioso pronto paratestemunhar a próxima grande luta.Ele tinha confessado a Jill, em um momento de fraqueza, que ele pensou que ela estavacom ciúmes porque sua carreira decolou tão bem. Em contrapartida, Jill confessou quesentia que Patrick a fazia sentir-se inferior por não ser uma celebridade como ele.Essas confissões deveriam ter contribuído para melhorar as coisas. Elas deveriam terfechado o fosso cada vez maior entre eles... Mas fez o contrário. Cada tarde, elesdeixavam o escritório com mais raiva do que quando entraram. E em vez de falar dassuas emoções, eles as escondiam como nunca esconderam antes.Era irreal a Patrick. Era como se ele fosse a estrela de seu próprio filme... E ele estavaapenas assistindo da platéia. Ele não tinha nenhum controle sobre o que estavaacontecendo. Como um membro da platéia, ele queria gritar e gritar com ospersonagens. Mas, ele estava jogando os dois papéis, e isso não estava funcionandobem.Pegando os tênis que ele encontrou no chão, ele atirou-os contra a parede, não seimportando se eles deixaram marcas na pintura. A pintura estava rachada de qualquermaneira. Nada podia esconder as rachaduras debaixo da pintura.Ele nunca se sentiu mais sozinho em sua vida inteira. Ele entendeu de repente por quetanta gente deixou Hollywood no minuto em que podia. Sob o glamour e fama, é apenasum mundo, só falsidade que suga a vida de todos.Porém ele sabia que a cidade não tinha arruinado todos. Andando até a janela grande,ele colocou a cabeça entre as cortinas e tentou olhar para a rua. Era uma subida, assim
  • 26. ele realmente não conseguia ver muito além da casa de sua vizinha. Mas, ele sabia queEllen estava lá... Em algum lugar... E isto o confortou.Ela não havia sido alterada por Hollywood. Não que ele tivesse conhecimento suficientepara ser um bom juiz. Mas, Greys Anatomy foi rapidamente se tornando um enormesucesso, e ela ainda não tinha demonstrado qualquer sinal de mudança por ser umasuper star.Pensamentos de culpa enrolavam-se em seu estômago fazendo-o sentir quase enjoado.A cidade podia não estar mudando-a... Mas ele certamente estava. Todo dia, ele estavatirando mais e mais da sua centelha, sua inocência, seu orgulho.As coisas não tinham sido as mesmas desde que ele a tinha segurado em seus braços.Eles não reconheciam a mudança, mas... Ainda... Algo estava diferente. Ele podia dizer,Shonda poderia dizer... Ele tinha certeza que seus fãs diriam logo que começassem a veros episódios que tinham filmado.Eles eram amigos no set, mas Patrick podia ver seus olhos brilhando com a culpa. Elenunca teria pensado que era possível, mas as palavras de sua esposa, combinado com oseu humor miserável tinham rachado a espontaneidade de Ellen.Ela se sentia responsável. Ele sabia que não havia nenhuma forma de convencê-la docontrário. Ele estava rapidamente destruindo todos à sua volta... E ele ainda... Não tinhaa menor idéia de como ele estava fazendo isso.No silêncio da sala, o som estridente do seu telefone celular perfurou o ar. Já era tarde,ele não tinha idéia de quem poderia ser. Ele não estava com vontade de falar comninguém, mas um instinto lhe disse que era uma chamada que ele deveria atender.Atendeu sem sequer verificar o ID, ele deixou sair à voz rouca de sua garganta. Soourouca e privada de sono... Ele não se preocupou em escondê-lo. "Olá?"Não havia nada além de silêncio no início. Bem... Silêncio misturado com música altaem segundo plano. Ele podia ouvir o ar em movimento, como o telefone estava sendolevado para uma sala diferente... E então a música parou... E tudo o que ouviu foi osilêncio."Alô?" Ele estava ficando irritado. Várias pessoas sempre encontraram uma maneira deobter o seu número de telefone celular deixando-o maluco. Patrick quase desligou, masalgo o impediu de fazê-lo. Foi esse sentimento de novo, e desta vez ele puxou seucoração disposto a ficar na linha.Ele podia ouvir a respiração pesada, e em seguida, uma coriza e, finalmente, uma vozquebrou o silêncio, embora... A voz era tão assustadora que ele iria morrer feliz, se elenunca mais a ouvisse."Patrick..." A voz suave chorou, e ele soube imediatamente que era Ellen. A sensação setransformou em pânico absoluto, ele agarrou o telefone mais apertado. Seu coraçãoafundou-se quando ela rompeu em pranto.
  • 27. "El? Ellen, que está errado? O que aconteceu?" Ele não havia falado com ela muitodesde que eles tinham dado um tempo nas filmagens. Eles tinham se visto pela manhã,em seu jogging, e eles tinham trocado apenas olás. A conversa foi breve o suficientepara ele explicar que Jill estava fora da cidade."Ele está me assustando. Ela finalmente conseguiu falar, chorando mais ainda. Elaparecia estar se acalmando, tentando seu melhor para manter suas emoções sobcontrole... mas quanto mais ela falava, mais inquieta, ela parecia ficar. "Estou commedo. Ele está muito zangado comigo".Patrick não entendeu. Suas palavras foram enigmáticas. Ele não tinha certeza sobre oque ela poderia estar falando, mas o fato de que ela estava desabando sobre o telefonefez seu sangue gelar. Devia ser sério. Ela não era o tipo donzela em perigo em tudo.Mesmo na ocasião em que ela era... Chris estava sempre lá... A sua mente parou derepente e pensamentos terríveis penetraram em sua cabeça."Quem está assustando você? É Chris?" Ele quase cuspiu as palavras, e então ele sesentiu como um idiota porque isso pareceu perturbá-la ainda mais."Paddy... você pode vir me buscar? Ele está bêbado.... e ele está dizendo coisas ....""Onde está você?" Ele não permitiria que ela terminasse a frase. Ele não queria perdertempo. Antes que pudesse responder, ele desviou sua lâmpada de cabeceira e encontroua calça que usava anteriormente."Koomas"."Em West Hollywood?""Sim". Sua voz parecia abalada quando ela disse isso, e de repente ele ouviu alguémgritando atrás dela. Ele não conseguia entender nada específico, era mais do que umavoz, vozes definitivamente masculinas, mas não tinha certeza se foi Chris ou não."Ellen? Ellen, você está bem?" Ele perguntou, de repente, entrando em pânico de saberque algo estava acontecendo com ela. Sua mente racional lhe disse que ela estava emum clube. Mas isso não impediu sua preocupação."Sinto muito por acordá-lo... você não tem que vir. Posso conseguir um táxi para casa."Alguma coisa tinha mudado. Ela não parecia assustada, mas ele não acreditava nela. Elaera uma boa atriz... Ela era mestre em dizer uma coisa ao mesmo tempo em que pensavaoutra completamente diferente."Não, não, eu estava acordado. Vá para fora do clube. Estou saindo agora." O telefonefoi desligado antes que pudesse dizer mais nada o que o deixou quase tremendo deadrenalina.Ele não se lembrava do como chegou até lá. Bem, isso foi uma mentira. Lembrou-se dealgumas partes. As partes em que ele avançou três sinais vermelhos e dirigia como seestivesse em uma de suas corridas e não em Hollywood Hills.
  • 28. Parecia que não tinha ninguém nas ruas, felizmente, o que era bom porque ele realmentenão queria acabar na US Magazine semanal com uma infração de trânsito quando estavaa caminho de resgatar a sua co-estrela. Quando ele chegou ao clube lotado, ele nãoconseguia entender o que Ellen estaria fazendo lá de qualquer maneira.Não era o tipo de lugar que Ellen gostava. Era um típico lugar de jovens estrelas. Ospaparazzi estavam sempre à espera na entrada para pegar qualquer coisa, como asbêbadas Paris Hilton ou Britney Spears, para dizer o que aconteceu naquela noite.Definitivamente não era lugar de Ellen.Recusando o estacionamento com manobrista, dirigiu para trás do clube, procurandoqualquer sinal dela. Ele não queria sair do carro... A imprensa o veria em um segundo, eele não estava exatamente vestido para uma noite de clube.Havia um beco de volta até a estrada e ele entrou nele. Ele estava pronto para discarpara ela, quando viu uma pessoa em frente ao carro. Pela primeira vez, ele foi capaz derespirar normalmente. Abrindo a porta, ela entrou no carro e pediu para ele sairrapidamente.Ele não estava entendo o motivo da pressa dela, mas depois viu o flash inconfundível decâmeras aparecem ao redor do carro e ele percebeu que ela estava tentando tirá-los de láantes que o mundo desabasse. Mesmo em seu estado de espírito, ela era sempre esperta.Sair do beco foi meio complicado, mas ele foi capaz de manobrar o carro e descer a ruaantes que os flashes chegassem perto deles. As janelas de seu carro eram escurecidas...E ele estava feliz que ele trouxe o seu BMW genérico em vez de um de seus veículosmais conhecidos.Serem fotografados juntos daquela maneira não seria bom para ninguém. Especialmentese Jill visse no dia seguinte no Access Hollywood. Ele pensou que só contaria a suaesposa sobre isso, apenas no caso de um dos fotógrafos ter conseguido bater uma fotodeles.Ellen não tinha falado, e no primeiro sinal vermelho, ele teve a chance de olhar para ela.Sua maquiagem estava borrada, prova de que ela tinha ficado mais chateada do que elafalou no telefone com ele. Seu cabelo era selvagem, como ele tivesse sido explodido poruma tempestade de vento e ela cheirava a álcool e cigarros, mas ele sabia que ela nãofumava e raramente bebia."Você está bem?" Ele perguntou, voltando-se para a estrada, pois o semáforo ficouverde. Foi uma pergunta tola, ele sabia disso. Ela claramente não estava bem. Ellenestava apertando as mãos juntas em movimentos nervosos em seu colo. Ela estava comum olhar distante, que ele não tinha certeza de que ela tinha sequer o ouvido falar comela.Usando uma mão para dirigir o carro, ele colocou a outra em seu joelho para obter a suaatenção e ela quase pulou para fora do banco. Com um suspiro, ele levantou sua mão eficou com ela para cima para mostrar-lhe que iria mantê-la lá.
  • 29. Algo terrível aconteceu definitivamente, nunca a tinha visto assim. Isto fez seuestômago dar nós. Alguém a tinha magoado... Alguém a amendontrou tãoprofundamente que o toque suave de sua mão em seu joelho tinha causado medo nela.Com os olhos preocupados ele olhou para ela, tentando manter seu foco nela.Finalmente, quando o silêncio no carro já estava muito sufocante, ele falou novamente."O que aconteceu lá dentro?" Ele perguntou quase rispidamente, e em seguida, suavizousua voz quando o corpo de Ellen ficou tenso. "Dê-me, pelo menos, uma pista. Estamosno meio da noite e eu vim salvá-la de um clube cheio de modelos adolescentes."Virando o rosto, de modo que ela estava olhando pela janela e não para ele, ela faloubaixinho. Ela estava envergonhada e embaraçada, e não poderia olhá-lo nos olhos emostrar-lhe como era fraca."Eu não queria ir. Mas, Chris queria. Ele queria reunir alguns músicos para a novamarca em que está trabalhando." Patrick sinceramente não se importava com o queChris estava fazendo, mas ele percebeu que Ellen estava dizendo a ele de seu jeito... Porisso ele deixava.Enquanto ela falava, ele chegava cada vez mais perto de suas casas. De vez em quandoele olhava para o espelho retrovisor para ter certeza de que os paparazzi não estavamseguindo-os."Eu queria apoiá-lo. Ele sempre diz que eu não apoio a sua linha de trabalho osuficiente. Então eu fui... e eles não apareceram... Ele ficou humilhado e seembebedou..." Em cada palavra que Ellen falava, Patrick segurava o volante apertado emais apertado. Ele não estava gostando do rumo que a história estava tomando."Eu queria ir embora... Eu odeio aquele lugar... e eu não estava prestes a me embebedar.Ele ficou louco... ele me disse coisas sobre minha vida... eu nunca o vi tão irritado."Levou algum tempo para ela começar a falar novamente, e Patrick não tinha certeza seela estava pensando sobre a melhor maneira de lhe dizer... Ou se era apenas difícil dedizer."Então... ele descontou em você." O sinal fechou naquele momento e ele freou umpouco forte demais. O carro deu uma guinada para frente e, inconscientemente, elelevou a mão a sua frente para impedi-la de bater no painel.Ela não estava com medo de suas mãos agora, suas próprias mãos tremiam... E eleestava feliz que ele podia dar algum conforto ao dirigir.Ellen ainda não tinha feito contato visual com ele. Isto o irritava. Ele precisava ver seusolhos para entender o que estava acontecendo, mas ele sabia... Ela mantinha distância depropósito."O que ele disse sobre mim?" Ele perguntou, esperando para pegá-la no ato. De maneiranenhuma, ele ia deixá-la em casa sem ter a história completa. A única resposta que elalhe deu foi um suspiro trêmulo.
  • 30. "Ele me acusou de dormir com você.""O que mais ele disse?" Ele perguntou entredentes. Patrick tentou manter uma posturacalma, mas sua raiva estava começando a subir. A mão de Ellen ficou mole na sua, masele apertou-a em estímulo.Ela já não estava olhando pela janela, mas tinha deslocado seu olhar para a estrada àfrente. Ele foi capaz de ver seu rosto, então ele percebeu quando ela olhou para o tetopara que suas lágrimas não caíssem."Ele... hum..." Ellen fez uma pausa, não sabendo como dizer sem quebrarcompletamente. "Ele me disse que eu era uma puta... e que eu só estava usando ele,porque você nunca..." Ela se sentiu constrangida quando perdeu a batalha e lágrimasquentes fizeram caminho pelo seu rosto."El..." Ele parou em frente a sua casa e colocou o carro no estacionamento para que elepudesse virar-se para ela. "Eu nunca o quê?" Patrick olhou para ela com tantaintensidade que ela estava sendo forçada a olhar para ele.Seus olhos se encontraram... E imediatamente surgiu uma faísca entre eles. "Eu nãoposso..." Ela sussurrou, não querendo dizer isso em voz alta.Ela era normalmente tão forte. Ela não deixava caras chegar perto dela. Ela era do tipoda garota que perseguia clientes como um barman. Ela era inteiramente capaz delevantar sozinha. Mas, Ellen havia confiado em Chris... Talvez mais do que ninguém.Suas palavras ecoaram em sua mente conduzindo dores de tristeza através de seu peito."Você pode me dizer. Estou aqui por você...""Eu disse a ele que éramos apenas amigos... mas ele continuou empurrando eempurrando..." Olhando longe dele, ela fez uma pausa, e depois olhou fixamente paraele. Seus olhos estavam pingando com cada emoção que ela era capaz. "Ele disse que eusó estava usando ele... porque você nunca iria deixar a sua esposa por uma puta comoeu."Respirando profundamente, Patrick ficou em silêncio, chocado. Ele não podia imaginarChris dizendo coisas tão dolorosas... Mas mais uma vez... Ele não o conhecia bem.Tudo o que ele sabia era que Ellen dizia que ele era um grande cara."Ele machucou você?" Ele deixou escapar, de repente, esmagado pela ira. Ele não seconsiderava demasiado duro, mas ele não iria sentar e assistir sua melhor amiga para serabusada... ... Mentalmente ou fisicamente.Sem responder, ela desviou o olhar de vergonha, e naquele segundo, ele sabia que seuspiores temores eram verdadeiros. "Ele fez, não foi? O que é que aquele bastardo fezcom você?" Perguntou Patrick, perdendo o último pedaço da sua resolução.Liberando sua mão, Ellen enxugou as lágrimas de seus olhos e deu algumas respiradas
  • 31. profundas. Tão logo sua mão estava fora da dele, ele sentiu frio, mas querendo agarrarsua mão de volta."Não. Não, ele não fez. Ele me empurrou contra a parede algumas vezes... ele só... elerealmente me assustou. É estúpido. Eu devia ter tomado um táxi para casa." Suaspalavras o enfureceram.Você está brincando comigo? Jesus, Ellen... Eu nem sequer quero pensar no que poderiater acontecido se você não me ligasse.""Ele não teria me machucado." Ela argumentou, ainda não acreditando que Chriscolocaria uma mão sobre ela. Ela o amava, ele era o seu namorado. Ela só não podiasequer imaginar o que tinha acontecido. Uma parte dela estava zangada com ele, queriamatá-lo... E outra... A parte que o amava... Não iria deixá-la ficar louca."Então por que você me chamou?... Se você estava tão certa, por que quis que eu viessebuscar você?" Cuspiu, não com raiva dela... Mas de toda a situação. O pensamento deque as mãos de Chris pudessem magoá-la de qualquer forma fez subir a bile em suagarganta.Sua pergunta pairava no ar, mas ela não tinha resposta para dar."Ele já a feriu antes?""Não." Disse-lhe, com toda a franqueza, mas seu lábio inferior tremia da puraintensidade da noite. "Eu sou da merda de Boston, Patrick. Eu praticamente cresciandando pelas ruas... Eu não tenho medo de caras... o que diabos está errado comigo?"Lágrimas escaparam pelo rosto, e ela não se preocupou em escondê-las.Usando a ponta dos dedos, ele limpou os olhos de Ellen. Ele tentou não prestar atençãoao choque de eletricidade, que disparou por ele quando a sua pele tocou a dela. "Nadahá de errado com você. Você è perfeita." Ele sussurrou em resposta.Rolando os olhos, ela pensou que ele estava brincando. Deixou-o fazer carinho. Mas,franziu as sobrancelhas, quando percebeu que era sério. Ele estava olhando para ela comadoração... Tal como ela fosse à única mulher no mundo. Era um olhar geralmentereservado de Derek para Meredith... Ou pelo menos... Ela pensava que era.De repente, as palmas de suas mãos ficaram suadas. Ela não sabia o que sentir... Umaminúscula excitação foi crescendo em seu estômago, apenas para ser extinta pelosentimento doentio de nervosismo... E medo.Um momento passou entre eles... O ar estalava quando seus olhares se encontraram.Tudo mudou naquele instante... O sentimento de excitação e cautela ficou espelhado emseus olhos. Eles estavam ligados, mas não estavam se tocando.Olhando para trás, mais tarde, Patrick iria perceber que esse exato momento em queseus olhos se encontraram... Mudou tudo... Embora nenhum deles sabia ainda."Eu vou ficar aqui esta noite." Ele disse a ela com a voz trêmula quando ele quebrou o
  • 32. contato visual. Discutindo com si mesmo e não com ela, ele acrescentou: "Ele poderiavoltar... e isso seria ruim... então eu vou ficar". Ele não conseguia sair. Mesmo que issosignificasse dormir em seu sofá, ele tinha que ficar perto dela.Ela sabia que deveria ter questionado. Ellen deveria ter-lhe dito que não, que ela podiacuidar de si... Mas a verdade é... Ela não tinha certeza do que ela queria... E esse fatoassustou-a ainda mais do que seu namorado a tinha assustado.O sol da manhã atingiu Ellen através do hall de entrada do quarto familiar. A luz do solbatia em seus olhos como facas em sua íris. Ela não tinha sequer tinha uma gota deálcool em seu corpo, no entanto, parecia que tinha passado a noite se afogando emvodka.Ela tinha dormido mal. Uma vez que Patrick tinha efetivamente escoado toda emoçãopara fora de seu corpo, olhando para ela enquanto ela falava, ela tinha atingido oslençóis com toda a intenção de dormir. Mas, seus pensamentos não se voltaram para onamorado, mas sim para o que aconteceu no carro.Ellen tinha visto algo nos olhos de Patrick que ela nunca tinha visto antes. Tinha-aatordoado completamente, que cada vez que ela fechava os próprios olhos, elaimaginava os olhos dele. Ela tinha dormido muito pouco... E seus olhos injetadosprovavam isso. O piso rangia debaixo dela, e ela encolheu-se, não querendo acordar o amigo, mas nahora que ela chegou perto do sofá de couro italiano, tudo o que ela viu foi um cobertor eum travesseiro amassados mal-utilizados.Seu coração se afundou um pouco. Claro que ele tinha ido para casa. Ele tinha coisaspara fazer... Uma família para checar. Sua mente ficou travada antes que seu coraçãopudesse afundar ainda mais. Ela achava melhor que ele tivesse ido, pois isso significavaque poderia evitar qualquer discussão sobre o que tinha acontecido dentro do carro nanoite anterior.Pegando o cobertor, ela o segurou pelos cantos e o dobrou ao meio. "Eu teria feito isso,você sabe." A voz de Patrick falou da porta, e ela se assustou tanto que o cobertor vooupara fora de suas mãos."Oh... Jesus, você me assustou. Eu pensei que você tinha ido embora." Erguendo cabeçapara olhar em seus olhos, ela percebeu de imediato que ele parecia tão cansado quantoela. Seu rosto estava pálido, com olheiras sob seus olhos. Houve um leve sorriso noslábios enquanto ele olhava para baixo para o cobertor, que ela tinha deixado cair."Ahh... agora você está pronta para me chutar para fora, né?". Havia uma incerteza emseus olhos, só por um segundo ela podia ver claramente brilhando em sua pupila azul,mas apenas por um segundo... Tinha desaparecido e cobriu-o com brincadeiras lúdicas."Você sabe... você começa a parecer cada vez mais como Meredith todos os dias. Foiuma boa coisa eu não estar bêbado na noite passada, senão você teria se aproveitado demim".
  • 33. Ela estava feliz com sua provocação, lembrando-se do primeiro episódio de Grey’sAnatomy, mas se perguntou o que ele estava escondendo. "Derek não bebe." Ela sorriupara ele. Sua voz soou rouca, como se ela estivesse se resfriando, exceto que erarealmente do tanto que chorou."Ah... Derek é diferente. Ele mantém garrafas de uísque escocês para que ele pudesseefetivamente esquecer que sua mulher existia." As palavras saíram de sua boca e tinhama intenção de serem engraçadas... Mas elas atingiram demasiado a realidade, e ambos seentreolharam em silêncio. Derek estava tentando esquecer sua mulher? Ou foi Patrick tentando esquecer suamulher? Ou... Ela estava tentando esquecer o namorado dela... Os pensamentosvarreram a mente de Ellen em um ritmo alucinante, e antes que qualquer um pudesseajudá-la, a sala estava cheia de constrangimento.Pegando o cobertor para distrair seus pensamentos, ela decidiu voltar para a conversa.Era mais fácil dessa maneira. Segura mesmo. Meredith e Derek não existem... Meredithe Derek... Não eram reais."Ele não bebe o suficiente para ficar bêbado". Ela sorriu. "E, além disso, ele levoubebida para casa." Rindo de sua brincadeira, Patrick imaginou que era melhor falarsobre seu argumento falso... Sobre pessoas falsas."Shonda nunca disse que ele levou uísque para casa... e, além disso, ele tinha que ter seembriagado, porque ele não se lembrava do nome dela também." Os olhos de Ellen brilhavam com a diversão. "Meredith não se lembra do nome deleporque Derek foi tão ruim na cama”, disse ela continuando a brincadeira. Não era nadaque ela já tinha lhe dito antes, mas ela sabia que iria chocá-lo. Talvez era o que elapretendia fazer.Ele olhou para ela com os olhos arregalados, sem ter certeza de que a sentença tivesserealmente saído de sua boca. "Ellen Pompeo... você tem uma mente suja depois dissotudo." Sua afirmação fez corar suas bochechas."Ela teria se lembrado de seu nome ....""Derek Shepherd .... é um deus na cama. ... As mulheres praticamente se jogam em cimadele. Quero dizer ... ele sou eu .. e eu sou ele ... Eu deveria saber." Ele brincou, e suarisadinha minúscula retirou a estranheza pela metade. "Talvez Meredith não fosse boade cama..." No momento em que ele dizia isso, ele sabia que era uma má idéia. Algosobre o brilho nos olhos dela disse-lhe que eles estavam entrando em território perigoso."Desde que ela sou eu e eu sou ela ... posso dizer honestamente ... ela é selvagem nacama. Meredith assume o controle." Ellen brincou, mas manteve os olhos focados nochão. Ela não podia olhar para ele e dizer isso. Patrick forçava sua respiração, tentandofazer o seu melhor para esconder seu choque.
  • 34. Ele tinha trabalhado com Ellen todo dia há mais de um ano... E nunca a ouviu falardessa maneira. Instantaneamente imagens começaram a passar por sua cabeça. Meredithusando um par de luvas estéreis para amarrar Derek à sua cadeira... Mereditharrancando os cabelos. Meredith... Assaltando-o no corredor e jogando-o no chão emuma sala. Mas, como as imagens ficavam mais claras, e pegou velocidade, ele nãoestava vendo Meredith, e sim, Ellen... E ele não era Derek... Era ele mesmo."Paddy? Você está bem?" Suas palavras trouxeram-no de volta à realidade. Ele nãotinha nenhuma maneira de saber quanto tempo ele estava imaginando as coisas sujas emsua mente, mas esperava que ela não pudesse ver as gotas de suor em sua testa.Os olhos de Patrick estavam escuros, de uma cor que ela nunca tinha visto antes. Ela oencarou com preocupação. Mas então, ela foi capaz de denominar a emoção. Luxúria...Seus olhos estavam escuros de luxúria. E ela ficou sem palavras. Este sempre tinha sidoo olhar de Derek para Meredith de maneira que... Mas lá estava ele... Olhando para elacom tanta intensidade que ela pensou que ele iria lançar-se sobre ela a qualquermomento.Foi uma sensação assustadora, quase primitiva, e tanto quanto ela queria desviar oolhar, ela não podia. Seus olhos refletiam seu próprio desejo. Imagens de Patrick nupassaram por sua cabeça. Sua imaginação tomou o controle, o pensamento em partesinferiores de seu corpo que ela nunca ousou imaginar.A sala ficou quente, e ela sentiu minúsculas gotas de suor descendo por seu corpo. Seucorpo inteiro estava em chamas, era um formigueiro de desejo. Isto foi esmagador.Era impossível para ela saber o que ele estava imaginando em sua cabeça, mas ela sópodia imaginar... E de repente seu rosto ficou ainda mais vermelho do que antes. Ellentinha dificuldade para respirar, como se não tivesse mais ar na sala.Eles estavam muito distantes, e ela estava feliz com a distância. Ela não sabia ao certo oque aconteceria se essa diferença de espaço não existisse. Mas, mesmo assim, uma forçafoi puxando-os, como ímã."Hum sim... eu fiz um pequeno lanche." Ele deixou escapar, se esforçando demais paraformar uma frase coerente. Ele não tinha perdido o desejo em seus olhos. Isso fez comque ele quisesse cruzar a sala e puxá-la para ele, mas ele não podia. Sua mente racionalmanteve-se no controle... Embora, o controle era a última coisa que ele queria.Ela era uma mulher linda, definitivamente sexy. Ele sempre tinha notado... Mas nuncatinha pensado nela em termos de sexo. Nem mesmo ao filmar cenas de amor. Mas,percebeu nesta manhã... Que talvez tivesse bloqueado isto o tempo todo. Ele não tinhadeixado a sua mente explorar essas possibilidades.Suas calças eram apertadas. Todo o sangue em seu corpo tinha ido parar direto em suavirilha e seus olhos se anuviaram. Ele não conseguia se lembrar da última vez que tinhafeito amor com sua esposa. Seu corpo doía pela libertação, e ele teve de se virar e sairda sala para não se envergonhar.
  • 35. Ela o seguiu em silêncio, mexendo com as pulseiras que usava. Uma vez na cozinha, eletrouxe um prato e uma caneca de café para o balcão e empurrou-a na frente delaenquanto ela se sentava."Você me fez... café da manhã?" Ellen perguntou surpresa.Ele lhe deu um sorriso malicioso, sentindo-se subitamente envergonhado. "Bem, eu nãoconseguia dormir... e eu não queria sair antes de você levantar... no caso dele voltar...assim... sim, aqui está." Ele se defendeu, dizendo a si mesmo que ele tinha feito issoporque estava entediado, e não porque ele queria vê-la sorrir.O pão francês na frente dela parecia delicioso e seu estômago gemeu de antecipação."Você não tinha que fazer isso. Sinto-me bastante mal por ter feito você me buscar.""Tudo bem, eu quis fazer isso." Ela passou para o café da manhã, dando pequenosgemidos, enquanto devorava cada mordida. A cabeça de Patrick ainda não tinha serecuperado das imagens sensuais, e seus gemidos fizeram o sangue ir direto para suavirilha novamente."O sofá é realmente desconfortável?""O que?" Ele questionou, visto que percebeu que tinha estado voando outra vez.Colocando o garfo para baixo, ela olhou para ele. Patrick podia sentir seus olhos natensão em suas calças."Eu queria saber se o sofá era desconfortável. Você disse que não dormiu muito." “Oh ... Eu estava nervoso sem saber se Chris voltava ou não para casa. Eu queria estaracordado, caso ele tentasse entrar." Ele mentiu uma grande mentira. Ele realmente tinhaficado acordado a noite toda pensando na maneira que os olhos dela brilhavam ao luar.Ela podia ver que ele estava mentindo, ele mal a tinha olhado nos olhos. Ela seperguntou se ele havia ficado acordado a noite toda pensando nas mesmas coisas emque ela tinha pensado. Mas, sua mente racional jogou estes pensamentos para longe.Que bobagem. Ele era casado. Ela era apenas um amigo."Eu não acho que Chris vai estar de volta por alguns dias. Ele me ligou esta manhã." “Ele ligou?" Ellen olhou para o prato, sabendo Patrick não ia gostar do que ela tinha adizer."Ele pediu desculpas. Ele disse que está passando um tempo difícil com o trabalho edeixou-se descontar em mim..." Ela sabia que estava dizendo isto a ele para sentir-semelhor. Não havia nenhuma desculpa para o que ele tinha feito, mas ela não via ohomem que ela amava fazer nada para prejudicá-la."Ellen..." Ele começou, não gostando do fato de ela estar dando desculpas para ele.
  • 36. "Eu sei... eu não deveria ter desculpado tão facilmente. Mas, ele parecia horrível. Eledisse que tinha ficado acordado a noite toda pensando nisso. Ele está indo visitar algunsamigos em Las Vegas por algumas noites, assim nós podemos esfriar a cabeça."Patrick ficou olhando para ela, não acreditando no que estava ouvindo. O namorado deEllen tinha praticamente a assaltado, e ela estava deixando ele voltar para casa. Seusdedos agarraram-se ao balcão.Todos os pensamentos de luxúria tinham ido embora, eles foram substituídos pela raiva."El... ele machucou-a. Ele acusou você de coisas terríveis e, em seguida, aterrorizouvocê. Você estava histérica na noite passada. Como você pode apenas fingir que nuncaaconteceu?" Sua voz se levantou e na cozinha, ela ecoou mais alto do que normalmenteteria."Você não entende. Ele nunca fez isso comigo antes... ele estava bêbado... foi um acasoinfeliz... que poderia acontecer a qualquer um... da mesma forma que sua esposa fezcom você.""Minha mulher não me empurrou contra uma parede. Existe uma diferença enorme."" Basta ficar de fora desta, Patrick.""Como vou fazer isso? Como eu posso apenas sentar e assistir ele machucá-la?" Cuspiuas palavras, e ela se levantou e levou seu prato para a pia."Ele não vai me machucar. Eu ..." Ela se virou para olhar para ele. Patrick estava prontopara a batalha, mas ao olhar dentro de seus olhos, seu rosto suavizou-se. Ellen nãoestava pronta para acreditar que Chris não era nada perfeito. "Ele não vai." Elaterminou."E se ele te machucar?" Patrick quase sussurrou, sem sequer dizer o nome de Chris. Sealguma vez ele tinha gostado do homem antes, tinha desaparecido completamenteagora. Ele nunca iria vê-lo como algo mais do que um canalha."Então eu vou deixá-lo." Ela disse confiante, mesmo que no fundo ela sabia que não eraassim tão fácil. Ele tinha atravessado tudo com ela. Tristeza, felicidade, fama, fortuna.Ele a conhecia antes de ela ser famosa, e a amava de qualquer maneira. Ela não poderiater feito isso sozinha... Ela não queria fazer isso sozinha."Isso é o que as mulheres sempre dizem". Ele lembrou-lhe, sem querer ofender, maspara mostrar que o que ela estava fazendo era comum."Eu sei. Mas, ele merece outra chance." Ela não prestou atenção à sobrancelha arqueadade Patrick. "Ele estava comigo antes do dinheiro, Patrick, antes da fama... ele ficoucomigo mesmo quando eu estou fora de casa por 18 horas... mesmo quando a descriçãodo meu trabalho é ficar com outros caras... ele entende. Devo-lhe outra chance." Ellenhonestamente sentia que aquele era o melhor curso de ação, e Patrick não poderia fazernada mais do que assentir.
  • 37. "Eu quero que você venha a mim, se isso acontecer novamente. Eu não me importo quehora do dia seja ou quem vai ficar chateado com isso. Eu não posso simplesmente sentare deixar ele te machucar." Ela sorriu sentindo sua proteção e se aproximou para abraçá-lo.Seu toque acendeu de imediato um fogo que não tinha sido extinto. Era demasiadoperigoso. Alguma coisa tinha mudado definitivamente, e desta vez... Parecia quenenhum dos dois poderia negá-lo.Às vezes, Ellen se perguntava por que razão seu trabalho implicava programaçãofatigante. Ficava bem depois do horário normal de trabalho dos não-atores. Mesmocomo atriz, estava no set desde as oito da manhã... E já eram 10 da noite.Não havia outros atores no set. Alguns executivos da ABC, cujos nomes Ellen não selembrava, tinham ficado infelizes com a entonação de sua voz no começo de um dosepisódios, assim Shonda tinha forçado Ellen a ficar para concluí-lo. A gravação da voz nunca levava muito tempo. Até então, ela poderia facilmente fazer avoz de Meredith com sabedoria dentro de segundos. Mas, nas noites em que ela estavatão exausta, ela mal conseguia ficar de pé, era difícil alcançá-la perfeitamente naprimeira tentativa.Andando pelos corredores mal iluminados, ela foi ansiosamente para a sala de serviçode audição. Fazia mais de um mês desde que Patrick havia dormido em seu sofá. Enesse mês, as coisas entre eles tinham mudado tanto, que todos ao seu redor tinhamcomeçado a achar estranho. As coisas com Chris estavam sendo trabalhadas. Ele tinha se desculpado imensamente,estava sempre a mimando com jantares e presentes, e ela tinha sido capaz de varrer paradebaixo do tapete os erros que tinha perdoado no passado.Infelizmente, as coisas com Patrick não estavam tão bem. Ele não estava sendo elemesmo perto dela. Ele não estava evitando-a... Mas toda vez que ele a via, ele ficavacom um olhar de pânico. Outras vezes, ele ficava olhando para ela com um olharextremamente culpado, como se tivesse matado seu cachorro.Aquele dia na casa dela tinha mudado as coisas. Houve um constrangimento sobre seusencontros amigáveis que nunca tinha estado lá antes. Isto a assustou ao máximo... Era aexpectativa que tomava conta de seu corpo quando ela o via. Era difícil para ela nãoimaginar as coisas que ele poderia fazer com ela, e então... Ela também se sentiaculpada.Agarrando um bolinho de chocolate de cima da mesa, ela saiu do quarto, apenas paraesbarrar em uma assistente de Shonda. "Oh meu Deus, Eu sinto tanto!" Ellen disse àjovem. A loira apenas balançou a cabeça, acostumado a ser espezinhada pelos atoresdurante todo o dia.
  • 38. "Shonda quer vê-la. Ela disse-me para pegá-la antes que você saísse do set." Intrigada,Ellen olhou para seu relógio." A esta hora? Ela quer me ver agora?" A assistente, Karen, apenas acenou comsimpatia. "Tudo bem ... eu acho." Ellen não teve outra escolha senão seguir a mulherpara o escritório de Shonda, que era no outro extremo do corredor.Seus pensamentos ainda estavam em Patrick quando ela estava andando. Mas, toda vezque ela tentava descobrir o que estava acontecendo, ela abanava a cabeça. Não havianada acontecendo. Estavam trabalhando mais e estavam cansados.Mesmo com sua mente racional assumindo, havia uma parte minúscula, a parte malvadade seu cérebro que brincava com ela. "Você o quer." Ele disse a ela. Mais e mais. "Vocêquer dormir com o seu co-estrela". No momento em que ela chegou ao escritório deShonda, ela conseguiu enviar os pensamentos enlouquecedores à distância. A terra danegação era melhor para ela... Tinha que ser.O escritório de Shonda era bastante pequeno para o título que ela carregava. Eraconfortável e não intimidava ninguém. Havia cartazes na parede, emoldurados, comanúncios de Greys Anatomy e alguns de outros projetos de Shonda. Ficou claro pela quantidade de fotos de Greys Anatomy e de lembranças que a série foicoroada como sendo sua jóia. Shonda estava lá, com Betsy. As duas raramenterealizavam umas reuniões separadas.Ellen passou mais tempo do que a maioria dos atores neste escritório. Ela era "a suaMeredith”, e desde o início, elas tinham compartilhado certo vínculo com ela. Shondaestava atrás de sua mesa, e Betsy estava sentada em uma cadeira de escritório do outrolado da mesa.Avançando, Ellen encheu a mão de M & Ms que Shonda mantinha em um frascoespecialmente para ela. "Eu mesmo retirei todos os verdes para você, El". A mulherprovocou, zombando do fato de que todos pensavam que Ellen agia como uma diva...Mesmo que isto estivesse longe da verdade, ela era muito simples."Ah ... obrigada, você sabe que eu não vou comer os verdes". Ellen ridicularizou comum sorriso. Foi só depois de a sala cair em um silêncio desconfortável, que Ellen olhoupara cima. Ela observou que Shonda assentiu com a cabeça, e sua assistente saiu da sala,fechando a porta atrás dela.Era estranho Shonda pedir sua assistente para sair, e Ellen franziu a testa de curiosidade.Seja qual for o tema da reunião... Era importante, e de repente seu estômago agitou emnervosismo.Ela sempre pensou em Shonda e Betsy como amigas... Ao invés de patroas, mas, nessemomento, sentiu como se ela fosse um garoto sendo repreendido. Suas mãos foram parao seu colo e começaram a torcer a ponta de sua camisa.
  • 39. Por vários minutos... Ninguém disse nada e foi à sensação mais desconfortável queEllen já tinha experimentado. Shonda estava apenas olhando-a, e ela se sentia insegura.Antes que Ellen pudesse falar alguma coisa, a face de Shonda mudou, e ela apontoupara Betsy que puxou sua cadeira giratória para mais perto. Elas trocaram um olharsilencioso que significava algo para elas, mas Ellen não conseguia entender.Balançando a cabeça, Shonda começou, "eu te amo, El. Você sabe disso. Você é minhaMeredith. Mas, recebi um telefonema urgente hoje da ABC..." O estômago de Ellencaiu. A conversa não estava começando bem, e ela se preparava para o que iria ouvir.Seu coração batia tão rápido que ela pensava com certeza que a mulher em frente a elapoderia ouvi-lo.Shonda continuou, depois de olhar para Betsy, uma vez mais segura. Ellen nãoconseguia encontrar o que dizer. "Eles viram os jornais da semana passada. Elesparecem estar descontentes com Meredith e Derek." O rosto de Ellen caiu. Ela seorgulhava em ser boa no que fazia. Ficar descontente com Meredith e Derek realmentesignificava que eles estavam descontentes com ela e Patrick... E vendo que Patrick nãoestava na reunião... Ela assumiu que significava que eles estavam descontentes com ela."Claro que eu tinha desculpas para dar a eles sobre isso. Mas, depois de olhar para osjornais... Eu tenho que concordar." O quarto começou a girar e Ellen sentou-secompletamente confusa. Sua cabeça estava pensando nas cenas que tinha filmado comPatrick."Eu sei que você é uma pessoa super privada. Talvez até mais privada do que a maioriadesta cidade... mas eu tenho que perguntar isso..." Shonda acabrunhou-se. Ela nãoqueria perguntar isso. Ela respeitava Ellen, a amava mesmo. Ela não queria ser a única aviolar sua privacidade.Vendo Shonda hesitar, Betsy perguntou por ela. "Está acontecendo alguma coisa entrevocê e Patrick?" A sala voltou a girar e sua boca ficou aberta pendurada em choque."O... o quê?" Ela não estava esperando isso. Ela estava esperando elas dizer-lhe queestavam liberando-a de seu contrato ... Ou que o seriado havia sido cancelado... Ouqualquer outra coisa pior. Mas, ela e Patrick? "Estou confusa". Ela admitiu incapaz deler o rosto de qualquer uma das mulheres. Respirando profundamente, Shonda assumiu a conversa. "A ABC apontou a tensão e oconstrangimento que era aparente nos episódios. Eu não vi em um primeiro momento.Meredith está com Finn... e Derek é ciumento... é certo ele estar estranho. Mas, quandoeu assisti novamente... ""É evidente". Betsy interrompeu. "Quando vimos... sem ser tendenciosa... quando vimoscomo fãs... nós vimos como as coisas estavam tensas.""Eu não..." Ellen começou, mas Betsy continuou falando, não deixando-a terminar.
  • 40. "Vocês dois são grandes atores. Maravilhosos mesmo. Nós não podíamos terconseguido melhor atores. Mas, vocês sempre tiveram essa... química sensacional e oque vimos na tela na semana passada ... não era química. "Ellen ficou chocada, e um pouco ofendida. Será que todo mundo achava que ela estavatendo um caso com Patrick? Ele era casado pelo amor de Deus. Será que as pessoas naABC agora pensavam nela como uma prostituta destruidora de lares?Ela balançou a cabeça, lágrimas ameaçando cair de seus olhos. "Não... não, nós nãoestamos tendo um caso." Ela queria gritar, gritar tão alto quanto pudesse, mas saiu comoum sussurro em seu lugar.Percebendo sua emoção, Shonda deu-lhe um olhar simpático. "El, não estamosperguntando isso porque achamos que... ou... na verdade, não. Devemos dizer, nós nãoestamos perguntando isso porque nós nos importamos. Porque honestamente, eu não meimporto.""Não. Nós não nos importamos. Trata-se de Hollywood." Betsy falou bem baixo. Amulher tinha a habilidade de terminar cada pensamento dos outros como se elesestivessem compartilhando o mesmo cérebro. "Nós sabemos como é. Essas coisasacontecem. Não há julgamento aqui"."Não julgamos tudo." Shonda assumiu novamente. "Mas, a ABC chamou a nossaatenção... e se os executivos estão percebendo isso... é um mau sinal. Disseram-me, ecito,"Diga-lhes que o que está ou estava acontecendo fora da tela seria melhor que fosseresolvido, e depois eles nos deram a luz verde para refazer as cenas. “Ellen estavaatordoada."Refilmar as cenas? Todas elas?" As pequenas mãos de Ellen tremiam no seu colo."Mas... vamos gastar semanas."Betsy apenas encolheu os ombros."Nós vamos ter que trabalhar horas extras para compensar isso... não será a primeiravez." Shonda a disse.“Eu realmente sinto muito por trazer isso. Mas, isso acontece muitas vezes nestenegócio. As pessoas começam algo no set... e se der errado... em seguida, os atoresnunca podem voltar para o buraco onde estavam indo. .. Eu só não quero ver issoacontecer aqui. E acredite, a ABC não quer. "Não importava o que Shonda dissera Ellen simplesmente não podia evitar a sensação dehorror. "É isso que todo mundo pensa agora? Que eu sou alguma prostituta deHollywood? Nós somos apenas amigos. Isso é tudo o que é." Ela foi incapaz de mantersuas emoções e lágrimas caíram pelo seu rosto.Ela não era de ficar deprimida por qualquer coisa. Mas, ela era uma atriz afinal decontas, ficar emocionada era parte de seu trabalho. Sentindo-se culpada, Betsy levantou-se e se sentou no banco ao lado dela e colocou uma mão reconfortante em seu ombro.
  • 41. Elas não tiveram a intenção de perturbá-la. Pelo contrário, elas queriam chegar ao fundode tudo o que acontecia antes ABC entrou em cena e fez isso para eles."Ellen... ninguém pensa que você é uma prostituta. Ninguém acha que alguma coisa estáacontecendo realmente. Nós três, e Steve somos os únicos que conhecem esta conversa.Nós vamos até dar outra desculpa para refazer a cenas."Limpando seus olhos, Ellen esperou até que as lágrimas secassem antes de falarnovamente. "O que Patrick disse?" Ela poderia facilmente vê-lo socar alguma coisa comseus punhos com a simples menção de um caso."Ainda não falamos com ele. Queríamos discutir isso com você primeiro. Não hánenhuma razão para trazê-lo para cá, até que nós precisemos." Ellen balançou a cabeça,incapaz de falar. Ela tinha deixado seu embaraço com Patrick entrar no set. As pessoasforam percebendo isso... O que significou que a sua confortável negação não iria durarmuito mais tempo."Ok, então se esqueça que nós mencionamos a palavra “caso”. Vocês estavam tão bem.A química ainda está lá... só que agora é mais tensa... e não o tipo de tensão boa." Betsydisse a ela, parando de falar de modo que Shonda pode adicionar suas próprias palavras."Certo... química sexual está bem... realmente está. É o que queremos realmente. Mas,Meredith e Derek são apenas amigos agora. Os espectadores precisam acreditar queFinn realmente poderia estar acontecendo... se não... o final será todo estragado".Shonda não entrou em detalhes, e Ellen teria que saber o que a mulher tinha preparadopara a sua personagem, mas pensando que ela estava demasiado ocupada com a tensãosexual."O que quer dizer tensão sexual? Eu não... Patrick é como um irmão para mim..." Ellenmentiu, mas mais para ela do que para Shonda. "Eu não penso dessa maneira." Outramentira, a mente de Ellen estava atirando para fora uma mentira atrás da outra, e ela nãoconseguia nem se sentir mal sobre isso, porque ela não sabia que eram mentiras.Ambas, Shonda e Betsy apenas olharam para ela com a mesma expressão. Foi um olharde descrença... ... Confusão e até mesmo um pouco de emoção."Oh, querida... você tem muito para aprender". Betsy acidentalmente disse em voz alta,e Shonda arregalou os olhos e foi trabalhar para encobrir o que tinha dito."Você e Patrick... são mais do que irmãos eu diria." Ela respondeu com calma, tentandocolocar da melhor maneira possível. "A tensão está lá... caso você não tenha percebidoainda, e isto é também proibido de discutir."Ellen olhou para ela em estado de choque. "O quê? Não... não, não está lá." Elabalançou a cabeça, sentindo o calor subir-lhe ao rosto. "Não há nada lá." Betsy riu comouma adolescente em uma mesa de almoço, e voltou a sentar na sua cadeira original.As três mulheres tinham transformado uma reunião sobre negócios em uma sobre
  • 42. relacionamentos... E nenhuma delas estava certa de como isto aconteceu. Os olhos deEllen dispararam para frente e para trás entre as duas em um ritmo rápido."Você e Patrick têm necessidade de falar sobre isso." Shonda aconselhou como fariauma mãe com um adolescente."O que? Conversar com ele... sobre... sobre o quê? Não... não há nada para falar." Ellennegava e, desta vez ao invés de discutir, Shonda apenas arqueou uma sobrancelha."Ouça, El, é sério, isso precisa ser corrigido. Essa tensão ou falta de jeito... ou comovocês dois queiram chamar... precisa terminar.""Mas, como? Eu nem sei o que dizer... ou o que precisa terminar. Nada aconteceu." Foià vez de Betsy arquear a sobrancelha."Talvez você apenas não percebeu ... mas algo claramente aconteceu." A sala caiu emum silêncio constrangedor. Ellen não sabia o que fazer ou o que dizer. Ela não podiaacreditar na conversa que tinha acabado de acontecer."Ele é bom para falar, tenho certeza que ele vai ouvir se você levar isto a ele. Podíamosencontrar com ele primeiro... mas... eu posso ver que seria mal..." Shonda disse a ela,sabendo que Patrick não ficaria feliz."Sim, fale com ele... grite com ele... inferno, apenas amarre-o, tenha as suas coisas comele... talvez isso facilitaria um pouco as coisas ..." Betsy brincou, e ambas Shonda eEllen soltaram um suspiro."Eu não sou... não... ele é casado... tenho um namorado... nós somos apenas amigos.Não é possível um rapaz e uma moça ser amigos nesta cidade?" Ellen perguntou, quasedesesperadamente. Ela não entendia o que todo mundo via. Em seu íntimo, não sentianada de diferente de uma amizade.Ambas, Shonda e Betsy olharam para ela com um olhar simpático. Ellen sabia aresposta, elas não tinham nada para dizer. "Esta é a menor cidade do mundo, Ellen. Amenor... mas sem amizades". Shonda disse a ela, e depois houve silêncio e Ellen selevantou."Vou hum... falar com ele... ou o que quer que seja. Vou tentar fazer o melhor." Shondae Betsy não disseram nada até que Ellen havia deixado a sala e fechou a porta atrás dela.Quase na mesma hora, elas se voltaram olhando uma para a outra. "Dou-lhe dois mesesantes de eles dormirem juntos." Betsy disse a ela com um sorriso."Não, um no máximo." Shonda respondeu, com um brilho nos olhos. As coisas estavamaquecendo, dentro e fora do set, e o que estava acontecendo, iria fazer com que o finalque ela tinha planejado ficasse melhor do que ela jamais poderia ter imaginado.
  • 43. Demorou uma eternidade para Ellen voltar a seu trailer. Sua mente estava cheia até aborda, e a única coisa que realmente poderia fazer era discutir com ela mesma como umpaciente psicótico. "Isso é loucura... isso é estúpido... a tensão não pode ser tão ruimassim..." Ela murmurou. O fluxo de palavras nem sequer seria reconhecível se alguémestivesse lá para ouvi-los.Chegando perto de seu trailer, Ellen pegou chave do seu bolso e respirouprofundamente. Não houve necessidade de fricotes. Ela era confiante, forte e boa noseu trabalho. Mas, mesmo assim ela percebeu que suas mãos ainda estavam tremendo.Inalando o ar mais uma vez, com a chave na mão, ela abriu a porta e deixou-a aberta.De pé na porta do trailer, seus sentidos estavam sobrecarregados com o ar úmido. Ocheiro de sabão almiscarado atacou suas narinas. A sala estava nebulosa, ela quasepodia ver o nevoeiro em torno dela.Ellen estava confusa, todo mundo tinha ido embora horas atrás. Um medo irracionalpercorreu seu corpo, mas antes que ela pudesse pensar muito sobre isso, uma figuraentrou na área pequena da sala de estar.As luzes estavam acesas, permitindo a Ellen ver, e ela olhou para cima, mesmo semquerer. Soltando um suspiro, ela arregalou os olhos. Patrick estava em pé diante dela,completamente nu. Ele soltou um uivo surpreso e enviou-lhe um olhar apavorado.Apesar do olhar chocado em seus rostos, nenhum deles fez qualquer movimento paracorrigir a situação. Ellen não poderia ajudá-lo, queria fechar os olhos, ela queria desviaro olhar. Mas, algo profundo dentro dela manteve seus olhos para frente.Lentamente, ela deixou o olhar dela ir de seu peito tonificado até a metade inferior deseu corpo. Minúsculas gotas de água pingavam do seu cabelo molhado e ela seguiu alinha de umidade até que desapareceu no seu pé.Ela nunca o tinha visto nu, não totalmente despido de qualquer maneira e ela se sentiacompletamente culpada quando seus olhos pousaram em seu pênis. Foi impressionante,todo o seu corpo era uma máquina bem tonificada e suas bochechas imediatamenteficaram vermelhas.O desejo adentrou entre as suas pernas. Isto não poderia ajudá-la e os seus olhosescureceu de imediato. O tempo inteiro, Patrick estava olhando para ela com admiração.Ele estava envergonhado em primeiro lugar.Mas, vendo Ellen olhá-lo com tanta intensidade... Ele podia sentir o calor que irradiavapara fora de seu corpo. Ele não conseguia tirar os olhos dela. Tudo o que ele viu foi oseu olhar ofuscado automaticamente e sua mente começou a imaginar as coisas que elepoderia fazer com ela.Com as imagens eróticas correndo por sua cabeça, ele imediatamente sentiu sua virilhacomeçar a se mexer na antecipação, o que trouxe a sua mente de volta à realidade.Parecia ter o mesmo efeito sobre Ellen, porque de repente seus olhos deixaram a sua
  • 44. região inferior e correu de volta até seu rosto. Agora... As coisas ficaram realmenteestranhas."Oh, hum... merda." Patrick resmungou e cobriu-se com as mãos, e correu de volta parao banheiro. Sua toalha estava em algum lugar lá... E se ele pudesse encontrá-la... ascoisas seriam melhores.Com os olhos arregalados, Ellen assistiu-o ir, e em seguida, percebendo que ela nãodeveria estar olhando, ela deixou seus olhos passearam loucamente ao redor da sala."Desculpe-me... Eu não sabia que havia alguém aqui... Eu..." Ela sussurrou enquanto eleembrulhava sua toalha na cintura. "Jesus... Eu sinto tanto." O nervosismo e a estranhezada situação, finalmente caíram nela. Manteve-se atrapalhada com as suas palavras atéque Patrick virou-se e mostrou seu sorriso divertido."É minha culpa...". Ele respondeu de ânimo leve, como se essas coisas acontecessemtodos os dias. Ele estava escondendo o seu nervosismo. "Eu estava secando ao ar livre...eu pensei que você tinha ido para casa." Ele explicou, segurando a toalha em um nó emseu quadril. Suas palavras fizeram Ellen olhar para ele, mas ela manteve o olhar em seusolhos... não ousando olhar para outro lugar.Patrick sorriu com sua tática de evasão. "Eu estava presa aqui fazendo várias vozes... eentão... Shonda me chamou para uma reunião..." Ela divagava um pouco, agindo maiscomo Meredith que Ellen... E depois, como se finalmente percebesse o que tinha dito,ela fitou-o em confusão."Você estava... se secando ao ar livre? Nu?" Perguntou, usando a mão para colocar umfio de cabelo solto atrás da orelha.Patrick suspirou e ajustou a toalha. "Às vezes quando estou sozinho eu faço isso. Érefrescante"."Refrescante?" Era algo que ela nunca havia sabido sobre ele, e a divertia. Pensamentossujos correram de volta à sua mente. Isso era mal. Muito mal. Ela não deveria nunca vê-lo nu... Não se devia ter pensamentos sujos com o seu melhor amigo."Gosta do que você vê?" Ele a provocou sabendo que ela estava longe de olhar em seusolhos novamente. Ele estava tentando quebrar o constrangimento que havia entre eles.Ele parecia que nunca iria embora. Ele pesava no ar em torno deles.Ele pensou que os olhos de Ellen iam saltar das órbitas, ela alargou-os muito, masfinalmente ela apenas sorriu, liberando um pouco da tensão que ela estava segurando emseus ombros. "Você é um homem sujo Patrick.""Hmm... não finja que você não gosta disto." Suas palavras eram como um raioatingindo o quarto e, de repente, a tensão voltou com tal vingança, que Ellen pensou queela teria dificuldade para respirar por um segundo.Dando uma risadinha quase dolorosa, ela olhou para ele. Ela havia gostado. Ela tinhagostado de vê-lo nu. Ela tinha chegado a essa conclusão... E nesse instante, Patrick tinhapercebido isto também.
  • 45. Suas pupilas estavam um pouco dilatadas, enquanto sua mente tentava descobrir o queaquilo significava. Inclinando a cabeça, viu como ela lutou com seus própriospensamentos enlouquecedores. Ele não estava acostumado a vê-la tão nervosa e semjeito, pisando de um pé para o outro, ele respirou fundo e foi em sua direção.De repente, os dois estavam muito conscientes da sua proximidade. A força magnéticaestava de volta, puxando um ao outro. Ele só parou quando ela entrou em pânico e seusolhos se encontraram. Seu olhar era tão facilmente legível que ele pensou que talvez elaestivesse apenas perdendo sua cabeça. Ela estava com medo, nervosa, apavorada,culpada... Todos aqueles pensamentos nadavam em torno de seus belos olhos verdesazulados."Ellen..." Ele começou, mas depois parou abruptamente. O rosto dela refletia o medoque ela sentia, e ele não queria vê-la com tanto medo. Não era dele exatamente que elatinha medo. Seus pensamentos não eram claros, no entanto, ele não tinha percebido amagnitude do que estava acontecendo.Mas os pensamentos de Ellen,estavam pela primeira vez, extremamente claros. Ela oqueria, ela gostava dele, ela precisava dele. A luxúria invadiu seu corpo com tal forçaque o seu interior ainda estava doendo com a necessidade. Ela torcia para que seuspensamentos não transparecessem. Ela não estava preparada para lidar com eles ainda.Com um aceno de cabeça, ele disse: "Eu vou até o banheiro e colocar minhas roupas.Espere aqui por mim". Ele disse a ela, em vez de lhe perguntar. Ela o viu ir, e só quandoela tinha ouvido fechar a porta pequena, ela soltou um gemido estrangulado e se jogouno sofá.Ela estava tão excitada, que ela podia sentir sua calcinha encharcada com a umidade.Ellen respirou estavelmente e resistiu à vontade de gritar a plenos pulmões. Como issotinha acontecido? Como a visão de seu corpo nu virou tanto a sua cabeça?Uma coisa era certa, o incidente não tinha feito nada para curar a tensão e oconstrangimento. Sua mente voou de volta para Shonda e Betsy. Poderia ser verdade oque elas tinham dito? Seria realmente a tensão sexual... Que estava fazendo coisas tãoestranhas?"Merda". Ela murmurou. Como ela deveria falar com ele sobre isso? O cheiro de sabãoalmiscarado encheu o ar novamente, e tudo o que fez foi lembrá-la do corpo nu dePatrick. "Merda. Merda, merda, merda.""Ellen, você está bem?" Perguntou Patrick, quando ele a viu bater a cabeça no encostodo sofá. Os minutos que ele gastou se vestindo haviam permitido acalmar sua cabeça...E outras partes do corpo também. Ele pensou que seria capaz de sair e fingir que nadatinha acontecido. Mas, enquanto ouvia a maldição de Ellen,... Ele sabia quedefinitivamente isso não era uma possibilidade."Claro." Veio a sua resposta curta. Seus olhos estavam bem fechados e ele não tinhacerteza se ela estava fazendo isso de propósito. Ele sentiu uma necessidade enorme de
  • 46. rir porque ela não estava bem, mas alguma coisa sobre sua linguagem corporal lhe disseque iria agarrá-lo e ele riu.Ele parou, olhando ao redor da sala, do controle remoto para a TV de tela planapequena. Ele não tinha certeza de qual deveria ser seu próximo passo, então elecautelosamente pegou o controle remoto e sentou-se na pequena área de comer emfrente a ela."Bom Deus... Jesus Cristo... merda... Eu não posso acreditar nisso." Ela murmurou,pelos menos foi a única parte que ele pode compreender. Ele tentou fingir que estavainteressado nos canais que ele estava folheando, mas na verdade, sua mente estava namulher sentada na sua frente.Não havia exatamente constrangimento no ar, mas outra coisa... Muito mais pesada.Após vários minutos ouvindo Ellen xingando como um marinheiro, ele se virou paraela, com um sorriso no rosto. "Realmente Ellen... você sabe como eu sei que você nãoestá bem? Porque você está pensando em voz alta durante os últimos dez minutos... porisso você quer me dizer o que está acontecendo?"De repente, seus olhos se abriram revelando sua emoção. Havia uma tempestade dentrodeles. Eles eram azuis-escuro, como o oceano... Como uma cor distinta que tomou o seufôlego."Você está certo. Eu não estou bem!" Ela cuspiu as palavras e quase lançou-se fora dosofá. Ela começou a fazer pequenos movimentos em torno do trailer como um touropreso em uma gaiola pequena."Eu não estou bem... isto..." "Isto não está bem. Nós não estamos bem!" Ele não tinhaidéia do que ela estava falando, mas ele decidiu deixá-la falar, era mais seguro dessaforma.A pequena mulher voltou a andar pelo trailer, com tal força que ele estava certo de queele poderia sentir o trailer em movimento. "Por que diabos... você está andando por aquinu... por que está aqui sempre?" Ela olhou para o relógio. "São dez horas da noite!""Você quer uma resposta, ou você quer gritar um pouco mais?" Ele brincou, e soubeimediatamente que era a coisa errada a se fazer, quando ela atirou nele uma almofada.Ele não podia ajudar, mas se divertiu com a sua exibição. Ela era mandona... Não...Com um temperamento que queimava quando atiçada. Ele sabia isto sobre ela, e ele nãotinha vergonha de admitir que ele gostava.Seus olhos estavam atirando adagas para ele e seu rosto estava vermelho com a raivaintensa que irradiava para fora de seu corpo. Seu peito arfava para cima e para baixocom cada respiração que dava. De repente, lembrou-se da conversa que tiveram na casadela. "Meredith assume o controle..." As palavras voavam mais e mais em sua mente eele entendeu o que ela queria dizer. Imaginou-a de forma clara, jogando-o no chão numacesso de raiva e fazendo-o gritar o nome dela quando ela se jogasse contra ele.A imagem erótica o deixou sem fala. O sangue foi latejando em sua cabeça... Nas
  • 47. orelhas ... E finalmente para baixo de sua virilha. Ele teve que mudar de posição paraafrouxar a incômoda sensação apertada contra seu jeans.Ela deve ter olhado fixamente para ele por algum tempo, porque ela soltou um gemidoirritado e jogou as mãos para o ar. "Sim Patrick, gostaria de uma resposta... em umfuturo próximo"."Sua calcinha deve estar apertada hoje. Eu nunca vi você tão mal-humorada." Elerespondeu, sem sequer pensar. Era um hábito... Arreliar... Fazer uma piada... Ironizar,quando a situação estava intensa. Mas, a menção da calcinha enviou o sangue a suavirilha mais uma vez.Ele nunca tinha visto sua calcinha. Bem, não daquela maneira. Claro que ele tinhatropeçado em algumas aqui e ali. Eles ficavam juntos no mesmo trailer, mas... ele nuncadeixou sua mente imaginar sobre suas calcinhas.Olhando para seu jeans skinny, ele percebeu o quão sua bunda ficava bem moldadadentro deles. Ela realmente tinha o corpo perfeito. Magra, mas atenuada, com curvasapenas o suficiente para deixar qualquer cara querendo mais. Ele perguntou se ela erauma garota tanga... O tipo que usa aquelas cordas desconfortáveis durante todo o diaapenas para ser sexy. Ou talvez... Ela era uma menina do laço... Tendo prazer emencontrar a roupa interior mais delicada e sofisticada ao redor. Estava imaginando tudoisso,... Até que ele olhou para ela, e por apenas uma fração de segundo... Ele viu umlampejo de diversão em seus olhos. Seu rosto ainda estava marcado pela raiva, mas seus olhos ardiam com a necessidade,desejo e anseio. Havia diversão lá, como se ela pudesse ler sua mente e sabiaexatamente o que ele estava pensando. Seus olhares ficaram presos em uma batalhasilenciosa, cada um tentando intimidar o outro... E então ele viu. Debaixo do desejo queescureceu seus olhos, houve um vislumbre tortuoso. Ele sabia só de olhar para ela queela não usava nada sob suas calças."Estou esperando". Ela disse a ele, fazendo-o soltar um suspiro. Ela cruzou as pernas oque não ajudou em nada sua virilha contraída. Ele queria amaldiçoar o mundo. Isto nãodevia estar acontecendo. Sua melhor amiga não devia afetá-lo tanto.Ele sempre soube que ela era "sexy", mas pareceu inocente. Ellen era como a garota daporta ao lado que tem toda a atenção dos rapazes, mas não sabia como ela era "sexy".Mas, agora, lendo os olhos cheios de luxúria de Ellen com tanta clareza, ele percebeu...Que ela definitivamente sabia que era sexy. Ela sabia como agradar um homem..."Meredith assume o controle." As palavras vieram com uma vingança."Eu uh..." Patrick gaguejou e, em seguida, respirou fundo para conseguir colocar seuspensamentos em ordem novamente. Ele mal conseguia se lembrar o que ela tinhaperguntado, em primeiro lugar. Correndo a mão pelos cabelos, ele tentava lembrar, edepois, quando se lembrou ele quase pulou na empolgação. Antes, que Ellen começassea gritar de novo, com um aceno de cabeça, ele começou a falar."Jill e eu brigamos." Ele observou como o rosto de Ellen mudou da raiva para derreter-
  • 48. se em culpa, e ele corrigiu a situação. "Não é sobre você." Ele assegurou, com umpequeno sorriso. "Só as coisas... O costume... eu nunca estou em casa... Tallulah temque ficar todo o dia com uma babá enquanto Jill tem que trabalhar..." Ele começou adesabafar, não percebendo que ele realmente precisava de liberação destas emoções,mas depois lembrou que ele estava respondendo a pergunta. Não foi o melhor momentopara se discutir os problemas de seu casamento com Ellen."De qualquer forma, nós brigamos, gritamos um com o outro... eu não poderia lidar comisso... por isso vim para cá.” Ele viu como a postura de Ellen se esvazioucompletamente. Sua história acalmou-a."Oh". Era a sua única resposta e eles caíram em silêncio. O único ruído vinha do sombaixo da TV. "Eu acho que a culpa é minha então. Eu deveria ter ido embora há muitotempo.”"Eu diria que nos dois falhamos. Eu tenho a dizer... nenhuma mulher jamais ficou tãofuriosa ao ver-me nu... é uma espécie de golpe no ego". Ele brincou, mas seu senso dehumor não poderia tirá-los da situação embaraçosa.Ela não respondeu, nem mesmo sorriu, e ele inclinou a cabeça para tentar ler seus olhos.Outra coisa estava errada. Ao vê-lo nu, sua raiva... Era apenas a ponta do iceberg."Shonda e Betsy me chamaram para uma reunião." Ela deixou escapar com a testaenrugada em linhas de preocupação. Ela mencionou isto antes, brevemente, e ele sechutou por não perceber que havia mais coisas.Antes que ele pudesse fazer a pergunta, ela respondeu-lhe, ela sabia que ele iaperguntar. "Eles queriam falar sobre Meredith e Derek."Ele olhou-a curiosamente. "Só chamaram você? Elas não me quiseram?"”Claro que não. Você iria matá-las se elas perguntassem a você o que me perguntaram.Mas eu não .. eu sou muito boa ... e emocional ... e .... confusa.""O que significa isso? O que elas perguntaram a você?" Ele rapidamente respondeu comuma pitada de raiva em sua voz. Ele sempre a protegia, sempre estava pronto para virem sua defesa."Nem queira saber." Ela disse com mau humor e se recusou a levantar os seus olhos. Oaborrecimento começou a rastejar em sua mente e, finalmente, ele sentiu o sangue sairde sua virilha e correr de volta para sua cabeça."Sim, eu quero saber sim, o que é que tem com Meredith e Derek?"Ellen olhou para ele, finalmente, vendo o jogo das emoções através de suascaracterísticas. Era quase como se ela estivesse o testando para ver se ele poderiarealmente lidar com a informação. Ela concordou em falar com ele... Mas era mais fácildizer do que fazer. Sua confiança desmoronava a cada respiração que dava.
  • 49. "A ABC está descontente com os jornais da semana passada. Querem que refilmemosnossas cenas". Ela finalmente conseguiu falar, após alguns minutos de silêncioconstrangedor."Refilmarmos? Mas por quê?" Ele franziu a testa. "Nós já estamos atrasados... vamosficar mais atrasados ainda. Tem certeza de que elas disseram isto?" Não fazia sentidopara ele. Como eles poderiam estar descontentes com seu desempenho?"Sim foi isso mesmo que elas disseram. Eu não sou uma idiota." Ela disse, ofendidapelo seu comentário."El... eu sei disso." Ele acenou com a cabeça se desculpando. Era a sua vez de selevantar, e andar pelo trailer ansiosamente, tentando juntar o que tinha feito de errado.Assistindo sua agitação nervosa, ela sabia que deveria contar o que tinha ficado mal. Elatinha apenas de lhe dizer que não tinha nada a ver com o seu desempenho como ator...Era tudo a ver com... Eles. Mas, ela tinha medo.Reconhecendo que a tensão significava perguntas... Que perguntas significavamdiscussões... Isso significava descobrir de onde veio... E ela não tinha certeza de que elaestava pronta para fazer isso. Suas mãos foram para os bolsos, e sua cabeça caiu emprofunda concentração, olhando para ele, tinha certeza que ele não estava prontotambém.Muitos pensamentos passavam por sua cabeça e, mesmo sem querer, ela disse que o queestava se passando, e, em seguida, fechou os olhos porque ele olhou para ela em estadode choque. "Elas me perguntaram se estávamos tendo um caso." Ela podia sentir seusolhos sobre ela. A tensão na sala pairava sobre eles como uma nuvem de tempestadeescura.Patrick estava muito chocado para formular quaisquer palavras. Ele não estavaesperando por isto. Ellen não olhava para ele, e ele sabia que tinha sido difícil para ela."Isso é..." Ele começou... Tinha a intenção de dizer alguma coisa, mas depois, elepensou um pouco mais, e fechou os punhos. A raiva corria em suas veias. "Isso écompletamente desnecessário e ridículo... Por que diabos elas te perguntaram isso?"Tirando as mãos do bolso, ele atravessou a sala em três passos largos e foi pegar seutelefone celular dentro da mochila."Onde diabos elas... o que elas pensam que você é alguma criança? Eu vou ligar paraelas agora." Ele estava com raiva, mais raiva do que ela imaginou que teria. Ele nãopodia controlar a sua raiva e começou a discar.Patrick já estava apertando a tecla de chamar, quando uma mão, pequena e quente, odeteve. Ellen tinha vindo ficar ao lado dele, e ele olhou para o rosto determinado. Nosegundo em que suas mãos se tocaram, sentiram-se como se estivessem debaixo dequentes relâmpagos. O choque que tinha se iniciado em sua mão correu para debaixo dobraço e em seu peito.Eles se entreolharam por alguns segundos, e nenhum deles moveu as suas mãos. Eles
  • 50. permaneceram "congelados" na posição, cada um com muito medo de se mover.Ninguém podia negar que o fogo de seus corpos estava se inflamando."Não ligue Paddy." Ela implorou. Toda a raiva tinha saído de sua voz, e ele engoliu emseco pensando em quão sexy ela parecia. Ele estava ouvindo com atenção, não querendoquebrar a conexão entre eles.“A ABC, disse que o que quer que esteja causando a tensão entre nós está aparecendona tela. Pensaram que talvez a gente estivesse tendo um caso... e que acabou mal." Elasentia vergonha de dizer isso mesmo, e queria desviar o olhar, mas seus olhosordenavam-lhe para ficar olhando os deles."Todo mundo presume que estamos nos enroscando... se eu soubesse eu teria feito issohá muito tempo." Disse-lhe sarcasticamente, mas sua voz era tão baixa e grave que elarealmente não poderia dizer se ele estava falando sério ou não. O ar estalava à sua volta.Cada minuto que passava parecia tornar o ar mais espesso e mais grosso.Tomando um profundo suspiro, ela pensou que teria que falar o que estava sentindo.Não foi fácil, mas ela tinha que fazer isto. Por causa de sua amizade e suas carreiras.Encontrando um pouco de confiança dentro dela, ela respondeu: "As coisas têm sidoestranhas entre nós Patrick. Desde..." Ela parou de falar e ele não perdeu tempo para suafinalização."Aquela noite que eu dormi na sua casa..." Tudo o que ela podia fazer era acenar com acabeça. Então, ele também sentia o mesmo, pensou Ellen. Isso foi bom, isso significavaque ela não estava completamente insana."Eu não sei... como consertar isto". Ela lhe disse, honestamente, e ela viu quando eleinclinou a cabeça imersa em pensamentos. Ele mal podia pensar em mais nada. Seucorpo estava tão perto dele, que ele ansiava por tocá-la. Suas mãos ainda estavam setocando, com o seu telefone por debaixo delas. Olhando para seus lábios atentamente,ele imaginou o que ele iria sentir mais uma vez, se deixasse sua língua invadir a boca deEllen.Ambos pareciam estar pensando a mesma coisa, porque Ellen lambeu os lábiosinconscientemente, e isso era tudo que faltava para ele segurar a cabeça dela em suasmãos.Seu celular caiu no chão, ele chegou seus lábios a poucos centímetros da boca dela. Elesó estava esperando para ter certeza de que ela não ia enfiar o joelho em sua virilha.Mas, antes que ele pudesse fazer mais alguma coisa, ela jogou sua cabeça para frente e,de repente, seus lábios estavam atacando os seus."Meredith gosta de assumir o controle... e assim o faz Ellen..." O pensamento passoupor sua cabeça e ele não queria dizer a ele para sair.Ele estava muito chocado para se mover. O choque em si foi esmagador. Suasterminações nervosas estavam em fogo. Seus lábios eram mais suaves e mais quentes doque ele imaginava que seriam. Derek e Meredith já tinham beijado antes... Um milhão
  • 51. de vezes. Mas, Patrick nunca tinha beijado Ellen. Seus beijos na frente das câmerasforam tímidos e ensaiados, mas isso... Não era como nada do que ele já tinhaexperimentado antes.Tomando o controle, Patrick a puxou para ele. Seus braços estavam em volta de seupescoço como se estivessem lá o tempo todo. Fazendo uma breve pausa, ele deixou asua língua entrar em sua boca e testou o movimento para ver se ela permitiria isso.Sem hesitar, sua língua foi duelando com a dela e gemidos saíam de dentro de suasgargantas. Os ruídos guturais que ele estava fazendo enviavam arrepios na espinha deEllen. Ela estava beijando-o com tanta paixão que ele quis saber como ele passou a vidainteira sem nunca sentir esta intensidade, desse jeito.Após vários minutos, eles se separaram, quase ao mesmo tempo. Ambos estavam sempalavras e sua respiração estava chegando a suspiros desiguais. Os lábios de Ellenestavam inchados e vermelhos. O desejo queimava nos olhos dos dois, mas eles estavamconscientes o bastante para perceber que precisavam parar."Uau". Ela finalmente falou incapaz de dizer quaisquer outras palavras. Com umsorriso, ele apenas olhou para ela. Ela não estava chateada, ou envergonhada, ela estavaapenas... Olhando com admiração para ele. Algo interessante aconteceu, pois o beijotinha quebrado a tensão pesada que os rodeava. A sala já estava mais leve. Não. Foi ocontrário. Uma calma assustadora se estabeleceu entre eles.Ainda sorrindo, mas agitada, Ellen se afastou dele. O beijo tinha liberado qualquertensão que ela tivesse sentido... E essa foi a parte estranha... Ela nem sequer se sentiamal com isso."Eu devo ir." Ela disse a ele, notando uma decepção em seus olhos. Mas, ele não lhedisse para ficar. Uma parte dele queria ficar tão longe dela quanto podia. Com elareunindo suas coisas, ele foi capaz de conseguir colocar seus pensamentos em ordem."Você está bem para dirigir de volta? Posso deixá-la em sua casa se você quiser... estámeio tarde." Ellen o olhou por um segundo. Ela não podia imaginar o que uma caronade carro seria. Será que a tensão voltou? Seria estranho? Não... Ela teve que dizer não."Tudo bem. Eu não estou tão cansada ainda." Ela disse a ele e seus olhos brilharamsabendo com certeza que o beijo tinha energizado a ambos."Ok tome cuidado.""Vou tomar". Ela disse a ele, e fez seu caminho até a porta. Ela enviou-lhe um últimosorriso antes de caminhar para fora. Os dedos de Patrick foram instantaneamente aoslábios. Ele ainda podia senti-los formigando. Os lábios de Ellen ainda estavam nos seuscomo um fantasma. Tinha certeza de que nunca esqueceria essa sensação.Pela primeira vez, percebeu que algo tinha mudado muito... Mas era um sentimento tãocalmo... Que ele nem sentiu a necessidade de se debruçar sobre ele.