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  • 1. ARTIGO DE ATUALIZAÇÃO Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem Hyperbaric oxygenation: basic information to nursing staff Oxigenación hperbarica: informaciones basicas al equipo de enfermería Liandra Midori Kubagawa1 Maristela Belletti Mutt Urasaki2 KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Cãmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem. Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, p. 168-74, 2002. RESUMOEste trabalho visa fornecer informações básicas à equipe de enfermagem sobre a oxigenoterapia hiperbárica,apresentando considerações sobre os tipos de câmaras, as indicações terapêuticas, os efeitos da câmara sobreo paciente e as intervenções de responsabilidade da enfermagem, com a finalidade de contribuir para a qualidadeda assistência.UNITERMOS: Oxigenação hiperbárica; Cuidados de enfermagem; Prática profissional. ABSTRACTThis paper aims to present basic information to the nursing staff about the hyberbaric oxygenation. It providesindications about the kinds of chambers, therapeutic indications, effects of the therapy over the patient, and thenursing interventions that contribute for a better quality of the delivered care.KEYWORDS: Hyberbaric oxygenation; Nursing care; Professional practice. RESÚMENEste trabajo visa fornecer informaciones básicas al equipo de enfermería sobre la oxigenación hiperbarica; traeconsideraciones sobre los distintos tipos de cámaras; las indicaciones terapéuticas; los efectos de la cámara y lasintervenciones de responsabilidad de enfermería, buscando así, contribuir para la calidad de la asistencia prestada.UNITÉRMINOS: Oxigenación hiperbarica; Atención de enfermería; Práctica profesional. Recebido em: 13/07/2001 Aprovado em: 15/08/20021 Aluna do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade de Mogi das Cruzes.2 Enfermeira . Professora Doutora do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade de Mogi das Cruzes.168 Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002
  • 2. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem. KUBAGAWINTRODUÇÃO sem o uso de uma bomba extracorpórea; em 1958 Charles Illingmorth usou o oxigênio hiperbárico naA oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade cirurgia cardíaca a céu aberto e para tratar a gangrenaterapêutica cuja aplicação abrange várias patologias e gasosa, o envenenamento pelo monóxido de carbonocondições clínicas. Trata-se de uma técnica moderna e e a doença da membrana hialina; em 1960 Jacobsonrevolucionária que auxilia a medicina tradicional. A OHB usou o oxigênio hiperbárico para aumentar a eficáciaestá baseada no uso de oxigênio sob condições da radioterapia no câncer; em 1964 J. Van Elkambientais e sob pressão. desenvolveu uma câmara grande para cirurgia e terapia. No Brasil, médicos da marinha utilizaram a câmara O número de profissionais de enfermagem que hiperbárica em medicina do trabalho durante atrabalham diretamente com a OHB em unidades e construção da ponte Rio-Niterói em 1971 e, em 1973,clínicas especializadas parece não ser significativo pois, em São Paulo, foi utilizada para o atendimento dosembora não tenhamos dados estatísticos a esse trabalhadores da construção do metrô (CENTROrespeito, é possível visualizar esse quadro tendo em BRASILEIRO DE MEDICINA HIPERBÁRICA, s/d).vista as poucas instalações no país, o limitado númerode máquinas e os recursos disponíveis. Entretanto, um De acordo com CANDIDO (2001a), pode-se dividirimportante número de profissionais de enfermagem já a medicina hiperbárica em dois grandes ramos. Umvivenciaram situações em que cuidaram de pacientes dedicado à atividade profissional de mergulhadores,submetidos a OHB, ou no pré-tratamento, aeronautas e trabalhadores sob ar comprimido,encaminhando os pacientes para as unidades prevalecendo uma abordagem voltada para a saúdeespecializadas, ou recebendo pacientes pós-tratamento. ocupacional, e outro referente às aplicações clínicasPortanto consideramos necessário que os profissionais da OHB. Neste caso, o desafio tem sido pesquisar ede enfermagem tenham informações básicas sobre a sistematizar protocolos que demonstrem cientificamenteOHB e os respectivos cuidados de enfermagem para o potencial clínico do recurso terapêutico em váriasproporcionarem assistência de melhor qualidade. Este patologias, essencialmente em infecções por anaeróbiostrabalho visa fomentar a disponibilidade de informações ou mistas, isquemias, lesões refratárias e intoxicações.aos profissionais. Os estudos iniciais sobre a OHB partiram daCONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A OHB evolução dos mergulhos a grandes profundidades e do desenvolvimento de máquinas capazes de permitir aoA OHB é um método terapêutico no qual o paciente é homem suportar elevações de pressão e diferenças nacolocado em uma câmara apropriada onde a taxa de oxigênio disponível. A partir destescomposição do ar é de 100% de oxigênio e a pressão conhecimentos adquiridos por médicos da Marinha, asinterna ultrapassa a pressão atmosférica, ou seja, maior câmaras foram adaptadas para a oxigenoterapiaque uma atmosfera ou 760mmHg (ao nível do mar o hiperbárica (MARTINS et al., 1995).peso do ar que comprime a superfície da terra é de14,7 psi, o que corresponde a 760mmHg, equivalente Atualmente, há dois tipos de câmaras: câmaraa uma atmosfera). Para que ocorra o tratamento pela monoplace ou individual e câmara multiplace ouoxigenoterapia hiperbárica, é preciso que estas duas estacionária. Ambas possuem vantagens econdições sejam estabelecidas, isto é, a inalação de desvantagens.100% de oxigênio e a pressão dentro da câmara maiorque a pressão atmosférica ( MILLER, 1993; MARTINS Câmara monoplace ou individualet al., 1995; TRIVELLATTO, 1995; SIPAHI et al.,1996;IAZZETTI; MANTOVANI, 1998; ESTEVES, 1999; VantagensCENTRO, s/d). Nela somente o paciente é comprimido pela inalação do oxigênio puro e pela pressão relativamente pequena. O primeiro registro sobre a câmara hiperbárica data Poderá ser descomprimido instantaneamente, se forde 1662 na Inglaterra por Henshal. Em 1850 foram necessário. Basta apenas uma pessoa para operar odesenvolvidas mais de cinqüenta câmaras por toda equipamento. Uma enfermeira treinada é capaz deEuropa; em 1860 foi usada no Canadá e posteriormente acompanhar o funcionamento de várias câmarasnos Estados Unidos; em 1878 Paul Bert descreveu os simultaneamente. Seu custo é bem menor e o espaçoefeitos convulsivos do oxigênio sob pressão; em 1891 que ocupa em um centro hospitalar é mais reduzido.J. L. Corning fez um relato do uso do ar comprimidoem anestesia; em 1899 Smith descreveu os efeitos Desvantagenspulmonares adversos do oxigênio sob pressão; Iete Nesta câmara o paciente fica isolado, porém atualmenteBoerema, em 1956, empregou o oxigênio hiperbárico existem equipamentos para o controle clínico epara ganhar tempo na cirurgia cardíaca a céu aberto ressuscitação, permitindo uma supervisão satisfatória. Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002 169
  • 3. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem.KUBAGAWCâmara multiplace ou estacionária - intoxicação por monóxido de carbono (CO) e inalação de fumaça;Vantagens - lesões de esmagamento, síndrome compartimentalSua capacidade comporta mais de um paciente e outras isquemias agudas traumáticas;possibilitando o acompanhamento pelo médico e - intoxicação aguda por cianeto;demais profissionais no seu interior. Isto pode ser - cicatrização de feridas problemáticas;importante na primeira sessão quando o paciente - processos isquêmicos, necróticos e infectados deapresenta ansiedade, medo e no tratamento de casos partes moles;graves. - osteomielites crônicas refratárias e agudas de risco; - gangrena gasosa clostridiana;Desvantagens - enxertos isquêmicos ou infectados;São unidades complexas e sua instalação demanda a - micoses profundas refratárias;solução de alguns problemas técnicos para a - anemia aguda por perda sanguínea ou hemólise;montagem. Esta câmara é pressurizada e - osteorradionecrose e radionecrose de tecidosdespressurizada com ar comprimido, sendo que nesta moles;situação o oxigênio é respirado através de máscaras - úlceras arteriais e feridas operatórias, princi-ou capuzes especiais. É necessário pessoal qualificado palmente em diabéticos.para operação da câmara, o que pode acarretarproblemas de organização dentro da estrutura Grupo II – Restritashospitalar. A equipe médica e de enfermagem ficamexpostas ao ambiente hiperbárico, o que implica na Compreendem as doenças que estão em investigaçãoseleção de pessoas habilitadas para essa situação: há clínica em vários centros especializados no mundo. Sãonecessidade de exames médicos admissionais e elas particularmente as queimaduras térmicas, pois háperiódicos, específicos e obrigatórios (MILLER, 1993; controvérsias na sua classificação como indicação doMARTINS et al., 1995; TRIVELLATTO, 1995). grupo I. O tratamento empregado, seja em câmara Grupo III – Experimentaismonoplace ou multiplace é realizado em várias sessões,cujo nível de pressão, duração, intervalos e número Compreendem as patologias que representam áreastotal de aplicações são variáveis de acordo com as promissoras de investigação científica, acompanhadaenfermidades e protocolos utilizados. Em geral, as por serviços ligados a hospitais universitários ou outrossessões duram de uma a duas horas efetuadas ao longo centros de pesquisa, nas quais os pacientes devem serde 10 a 30 dias. Antes de iniciar a terapia o cliente tratados somente de acordo com protocolos formais dedeverá ser submetido a anamnese e exame clínico pesquisa médica. São elas:completo, com particular atenção ao tímpano e sistemapulmonar (CANDIDO, 2001b). - abscessos cerebrais por anaeróbios ou por flora mista;Emprego terapêutico da OHB - edema cerebral; - lesões – disfunções do sistema nervoso centralSegundo MARTINS et al. (1995), pode-se classificar (SNC);em três categorias fundamentais a indicação terapêutica - cefaléia em salva;da OHB: aceitas, restritas e experimentais. Sua - traumatismo raquimedular agudo sem secreção declassificação envolve as seguintes situações: medula espinhal; - intoxicação por tetracloreto de carbono e sulfetoGrupo I – Aceitas de hidrogênio; - lesão por congelamento;Compreendem as doenças e problemas que - fraturas ósseas de difícil consolidação;seguramente obtém benefícios. Podem ser tratadas de - hanseníase lepromatosa;forma exclusiva ou combinadas a outros tratamentos. - meningite meningocócica;São elas: - esclerose múltipla; - pioderma gangrenoso;- síndrome de Fournier; - colite pseudo membranosa;- doença de Crohn; - mielite, cistite e enterite por radiação;- pés e pernas de diabéticos; - insuficiência aguda de artéria retiniana;- úlceras crônicas de membros inferiores; - abscessos intra-abdominais, sepse (peritonite);- embolias aéreas ou gasosas agudas, doenças - crise falcêmica; descompressivas; - picada de aranha marrom (Loxosceles reclusa).170 Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002
  • 4. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem. KUBAGAWContra-indicações da OHB Em resumo, para aumento de 100mmHg de tensão, há um aumento aproximado de 0,3 ml de oxigênio paraDe acordo com TRIVELLATTO (1995) e ESTEVES cada 100ml de plasma. O conteúdo elevado de O2(1999), algumas situações são contra-indicadas ao uso fornecido aos tecidos é a base das vantagens teóricasda OHB. São elas: para o uso de O2 hiperbárico, as quais são observadas na prática clínica. O único método de aumentar a- Absolutas: incluem o uso de drogas ( doxirrubicin, pressão do oxigênio inspirado acima das condições dissulfiram, cis-platinum, mafenide acetato), o atmosféricas é através da utilização de câmaras pneumotórax não tratado e a gravidez; hiperbáricas.- Relativas: incluem infecções de vias aéreas superiores, doença pulmonar obstrutiva crônica com A OHB, conforme descrito anteriormente, está retenção de CO2, hipertemia, história de indicada em várias doenças, proporcionando grandes pneumotórax espontâneo, cirurgia prévia do ouvido, benefícios e progressos na recuperação dos pacientes, traumas ou doenças inflamatórias do tímpano, seja como tratamento de primeira escolha, ou como esferocitose congênita, infecção viral, febre alta importante coadjuvante. De acordo com TRIVELLATTO incontrolável e hipertensão arterial incontrolada. (1995), a ação combinada do aumento da pressão atmosférica e o aumento do oxigênio respirado resultamEfeitos da OHB em efeitos primários e secundários: I – Efeitos PrimáriosA atmosfera normal contém aproximadamente 20% deoxigênio, sob condições normais isso é suficiente para a) Hiperoxigenação: a OHB permite o aumento deas necessidades corporais. Na presença de hipóxia oxigênio dissolvido no plasma. À pressão de 760mmHgaguda ou crônica essa percentagem deve ser o oxigênio é de 0,3v%, com a elevação da pressãoaumentada para que as lesões teciduais possam ser este pode chegar a 6,0v%. Segundo ESTEVES (1999),restabelecidas. Ao nível do mar a saturação do sangue devido ao aumento da pressão e liquefação do oxigênioarterial é de aproximadamente 95% de oxigênio e a no sangue ocorre um suporte imediato aos tecidostensão desse gás na traquéia durante a inspiração é de comprometidos, permitindo o funcionamento celular149 mmHg. Respirando-se oxigênio a 100%, ele desloca sem a utilização da hemoglobina.o nitrogênio e a tensão do oxigênio se leva a 713mmHg(CENTRO BRASILEIRO DE MEDICINA HIPERBÁRICA b) Efeito mecânico originado pelo aumento des/d). O oxigênio é transportado pelo sangue sob duas pressão: o aumento da pressão atmosférica causa aformas: ligado à hemoglobina e dissolvido no plasma diminuição do volume de oxigênio dissolvido no plasma;(MARTINS et al., 1995). com duas atmosferas o volume reduz para ½, com três o volume reduz para 1/3. De acordo com ESTEVES De acordo com ESTEVES(1999), o valor terapêutico (1999), o efeito físico da Lei de Boyle, isto é, quantoda OHB reside no fato de ocorrer no capilar alveolar a maior a pressão atmosférica menor o volume de gás,liquefação do oxigênio a 100% respirado dentro de uma permite compreender a indicação da OHB para doençascâmara hiperbárica. TRIVELLATTO (1995) também infecciosas provocadas por germes produtores de gás,afirma a ocorrência deste fenômeno, embora a para embolia gasosa e doenças descompressivas.necessidade de oxigênio varie dependendo do tipo decélula, respirando-se oxigênio a 100%, em pressão de II – Efeitos Secundários3 atmosferas, aproximadamente 6 ml de oxigênio por100 ml de sangue são dissolvidos no plasma, sendo a) Vasoconstrição: a terapia hiperbárica resulta empossível dispensar o mecanismo transportador de vasoconstrição com a diminuição de edemas,hemoglobina, suprindo a necessidade de oxigênio entretanto, a oxigenação é mantida pelo aumento detissular apenas com o dissolvido no plasma. oxigênio dissolvido no plasma; Assim, temos os valores apresentados no quadro b) Proliferação de fibroblastos: a proliferação deabaixo. Quadro 1. Equivalência entre aporte de oxigênio em atmosferas e quantidade de oxigênio no sangue (CENTRO BRASILEIRO DE MEDICINA HIPERBÁRICA, s/d). Respiração de ar ambiente.................................................0,3 ml de O2/100ml de sangue Respiração de 100% de O2.................................................2,0 ml de O2/100ml de sangue Respiração de 100% de O2 a 2atm ....................................8 ml de O2/100ml de sangue Respiração de 100% de O2 a 3atm......................................5,3 ml de O2/100ml de sangue Respiração de 100% de O2 a 3,5atm............................ ......6,5 ml de O2/100ml de sangue Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002 171
  • 5. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem.KUBAGAWfibroblastos, bem como a síntese de colágeno, são de exposição na câmara e a magnitude da pressão.processos oxigênio-dependentes; ESTEVES (1999) cita como efeitos adversos: excitabilidade neuronal com crises focais e/ou c) Neovascularização: a hipóxia, seguida de convulsões (incidência de dois casos a cada 10.000hiperóxia, provoca aumento da rede capilar tanto em sessões), queimação retroesternal, tosse seca enúmero como em diâmetro. Este efeito, segundo dispnéia.ESTEVES (1999), é bastante importante para otratamento de lesões isquêmicas, áreas com enxertos Para evitar os efeitos neurológicos e pulmonares háde pele, fraturas hipóxicas e fraturas com dificuldade limites estabelecidos de exposição à hiperóxiade formação de calo ósseo pela sua ação osteogênica; hiperbárica em termos de pressão e período de permanência na câmara (CANDIDO, 2001b). d) Inibição/inativação de produtos de toxinas: inibiçãoda produção de toxinas clostridial e inativação das A oxigenoterapia hiperbárica pode eventualmentetoxinas circulantes; acusar algumas sensações para o paciente. De acordo com MARTINS et al. (1995), as principais são: e) Sinergismos com os antibióticos: os amino-glicosídeos e a anfotericina B se beneficiam de -sensação de “ouvidos cheios”ou de que o “tímpanoambientes ricos em O2 para serem transportados pela está sendo empurrado para dentro”;membranas celulares. A OHB pode favorecer o efeito -sensação de aumento da temperatura no interiordestas drogas. da câmara; -sensação de que a voz se torna mais aguda e Dentre os mecanismos de ação citados, ESTEVES anasalada, como a do “pato Donald”.(1999) acrescenta a ação anti-inflamatória da OHB; estaprovoca bloqueio em várias etapas da cascata Intervenções de enfermagem em OHBinflamatória. A equipe de enfermagem deve estar preparada para Os efeitos positivos do emprego da OHB no atender os pacientes que serão submetidos a OHB. Étratamento de vários tipos de feridas, podem ser de fundamental importância considerar que o oxigênioverificados nos estudos de CANDIDO (2001c,d,e,f,g, puro pode provocar acidentes. O gás é altamenteh,i,j,l,m) e MELERO et al. (1991). Para estes autores, a inflamável e sua toxicidade é prejudicial tanto aoutilização da OHB é fundamental principalmente em paciente quanto ao profissional. Este, deve conhecerlesões graves e insidiosas de origem traumática ou as considerações de segurança para ambientes comséptica, como fasciites necrotizantes extensas e rede de oxigênio (ATKINSON, MURRAY, 1989).síndrome de Fournier. Nestes casos, são necessários aidentificação do agente agressor, a administração de As intervenções de enfermagem estão relacionadasantibioticoterapia específica, o desbridamento cirúrgico ao paciente e família e ao ambiente.amplo e repetitivo para a retirada de todo materialnecrótico, a realização adequada de curativos e a Intervenções relacionadas ao paciente e famíliaaplicação de sessões diárias de OHB. Estes :procedimentos são importantes tanto para o controle - orientar paciente e família sobre a finalidade ede infecções como para propiciar futuras reconstruções importância do tratamento, o tipo de câmara a qualcirúrgicas. será submetido e a manutenção do cuidado no local das lesões de pele;Efeitos adversos da OHB - informar sobre as sensações que o paciente eventualmente poderá sentir;Durante as sessões, ocorre um aumento de 10 a 20 - informar quanto ao ruído dentro da câmara devidovezes na quantidade de O2 dissolvido nos tecidos. Com a entrada de ar (MARTINS et al., 1995);o aumento da produção de radicais ativados do O2, - validar a compreensão das informações recebidasproporcionado pelo aumento do substrato livre pelo paciente e pela família, evitando julgamentosdisponível, em OHB vários tecidos apresentam-se mais críticos, caso tenham dúvidas ou a compreensãosuscetíveis a lesões oxidativas decorrendo disfunções tenha sido incorreta;evidentes. Além da ação tóxica pulmonar, cujos efeitos - dar oportunidade para o paciente e a famíliacrônicos e subagudos são mais conhecidos, o sistema sanarem as dúvidas;nervoso central pode apresentar alterações importantes - avaliar se o paciente mostra-se ansiosoe de forma aguda (CANDIDO, 2001b). principalmente antes das primeiras sessões; - permanecer ao lado do paciente caso esteja ansioso Os efeitos adversos estão relacionados ao tempo ou com medo, procurar tranqüilizá-lo escutando-o172 Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002
  • 6. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem. KUBAGAW com atenção e respeitando seu estado emocional; REFERÊNCIAS- manter os cuidados locais para tratamento de feridas por meio de limpezas, irrigações, desbridamentos, coberturas e oclusões, conforme protocolos da instituição; ATKINSON, LD; MURRIA, ME. Fundamentos de enfermagem- não utilizar curativos com substâncias oleosas e – introdução ao processo de enfermagem. Rio de Janeiro; soluções de iodo antes do tratamento devido aos Guanabara Koogan; 1989. riscos de explosão em presença do oxigênio CANDIDO, LC. Nova abordagem no tratamento de feridas. São (ESTEVES, 1999); Paulo: SENAC; 2001. cap 11. (falta página): Tratamento coadjuvante- manter a administração de medicamentos no tratamento de feridas – oxigenoterapia hiperbárica. intravenosos (MARTINS at al., 1995); CANDIDO, LC. Aplicação da oxigenoterapia hiperbárica no- vestir o paciente com roupa de algodão e não de tratamento de feridas. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de seda ou material sintético, pois estes podem gerar Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em eletricidade estática; Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo:- retirar todos os objetos metálicos antes de Sobest, Sobende; 2001b. encaminhar para a OHB; CANDIDO, LC. Tratamento de feridas por deiscência de sutura- retirar lentes de contato e óculos antes de cirúrgica. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de encaminhar para a OHB; Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em- manter os cabelos do paciente umedecidos Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo: Sobest, Sobende; 2001c. (MARTINS et al., 1995);- realizar exame físico no paciente após a sessão de CANDIDO, LC. Tratamento tópico de feridas causadas por OHB com especial atenção ao sistema respiratório mordedura de animais peçonhentos. In: Anais do IV Congresso e audição; Brasileiro de Estomoterapia ; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo:- observar e documentar o aparecimento de efeitos Sobest, Sobende; 2001d. adversos: crises focais, convulsões, tosse, dispnéia, queimação retroesternal, sensações “desagradáveis CANDIDO, LC. Tratamento tópico e cirúrgico de lesões pós – e incomodas” nos ouvidos e outras. síndrome de Fournier. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo:Intervenções relacionadas ao ambiente Sobest, Sobende; 2001e.- impedir pacientes e visitantes de fumarem nas CANDIDO, LC. Tratamento tópico e cirúrgico de neoplasias vegetantes. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de proximidades da câmara; Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em- manter todos os aparelhos elétricos afastados pelo Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo: menos 1,5m da câmara; Sobest, Sobende; 2001f.- ter extintores de incêndio por perto e saber como CANDIDO, LC. Tratamento tópico e cirúrgico de úlceras usá-los; neuropáticas – pé diabético. In: Anais do IV Congresso Brasileiro- respeitar o tempo estabelecido da sessão, evitando de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em atrasos e o perigo da intoxicação; Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo:- estar habilitado para operar a máquina Sobest, Sobende; 2001g. corretamente. CANDIDO, LC. Tratamento de lesões vasculogênicas refratárias. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo: Sobest, Sobende; 2001h.CONSIDERAÇÕES FINAIS CANDIDO, LC. Tratamento tópico e cirúrgico de lesões pós – fasciites necrotizantes. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem emA OHB, como forma de tratamento, é ainda pouco Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo:disponível no país, embora a amplitude de suas Sobest, Sobende; 2001i.indicações clínicas revelem sua importância para a CANDIDO, LC Tratamento tópico e cirúrgico de úlcera de pressão.saúde. In: Anais do IV Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; Os profissionais de enfermagem ao cuidarem dos São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo: Sobest, Sobende; 2001j.pacientes com indicação da OHB têm por CANDIDO, LC. Lesões traumáticas complexas com perda deresponsabilidade conhecer as informações básicas e substância cutânea – tratamento tópico e cirúrgico. In: Anais donecessárias sobre este tratamento, contribuindo, desta IV Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congressoforma, para a assistência de enfermagem com Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; São Paulo (SP). [CD-ROM]. São Paulo: Sobest, Sobende; 2001l.qualidade. Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002 173
  • 7. KUBAGAWA, LM; URASAKI, MBM. Câmara hiperbárica: informações básicas para a equipe de enfermagem.KUBAGAW CANDIDO, LC. Reconstrução do membro superior em queimaduras MARTINS, RCA; et al. Bases da oxigenoterapia hiperbárica. J Bras complexas – alternativas na terapia tópica. In: Anais do IV Med, v.69, n. 4, p. 121-32, 1995. Congresso Brasileiro de Estomoterapia; I Congresso Brasileiro de Enfermagem em Dermatologia, 2001; São Paulo MELERO, M; et al. Tratamiento adjuvante con oxigeno hiperbarico (SP). [CD-ROM]. São Paulo: Sobest, Sobende; 2001m. en un paciente con mucormicoses rino-sinuso-orbitaria. Med Buenos Aires, v. 51, n. 1, 1991. CENTRO BRASILEIRO DE MEDICINA HIPERBÁRICA. Oxigenoterapia Hiperbárica. São Paulo. [s.d] MILLER, RD. Anestesia. São Paulo: Artes Médicas; 1993. cap. 67, p. 2095-97: Cuidados clínicos em ambiente hiperbárico. ESTEVES, CH. A realidade da terapia hiperbárica no tratamento de feridas. Rev Esc Enf USP, v.33, n. especial, p. 160-61, 1999. SIPAHI, AM; et al. Hiperbaric oxygen: a new alternative in the treatment of perianal crohn’disease. Rev Hosp Clin Fac Med S IAZZETTI, PE.; MANTOVANI, M. Hiperóxia hiperbárica em Paulo, v. 51, n. 5, p. 189-91, 1996. infecções graves e sepse – conceitos e perspectivas. Med Ribeirão Preto, v. 31, n. 34, p. 412-23, 1998. TRIVELLATTO, SV. Oxigenoterapia hiperbárica. Rev Med Minas Gerais, v. 5, n. 4, p. 255-56, 1995. A partir do Volume 22, a ser editado em 2003, a REPEn passará a usar o sistema de referências “Estilo Vancouver”. No próximo número serão fornecidas maiores informações e as novas normas para submissão de manuscritos. Aguarde. revista paulista de Publique aqui.174 Rev Paul Enf, v. 21, n. 2, maio/ago., 2002

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