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Módulo vii   a revolução científica
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Módulo vii a revolução científica

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  • 1. Curso Ciência e FéMódulo VII – A Revolução Científica© Bernardo Mottabmotta@observit.pthttp://espectadores.blogspot.com
  • 2. Curso Ciência e Fé!   I – Introdução!   II – Filosofia Grega e Cosmologia Grega!   III – Filosofia Medieval e Ciência Medieval!   IV – Inquisição e Ciência!   V e VI – O Caso Galileu!   VII – A Revolução Científica!   VIII – Darwin e a Igreja Católica!   IX – Os Argumentos Cosmológico e Teleológico!   X – Filosofia da Mente e Inteligência Artificial!   XI – Milagres e Ciência!   XII – Concordância entre Cristianismo e Ciência
  • 3. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 3
  • 4. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   A resposta do costume: “porque a Ciência refutou os erros do aristotelismo”!   Resposta enganadora: !  A “nova” física (Oxford, Paris, Domingo de Soto, Galileu, etc.) refutou a física aristotélica !  A “nova” cosmologia (Copérnico) refutou a cosmologia ptolemaica !  No entanto, a metafísica de Aristóteles (incluindo a sua ontologia) não foi refutada!   Alguns conceitos ontológicos aristotélico-tomistas ainda válidos e não refutados (inevitáveis!): !  Acto e Potência !  Substância e acidente !  Causas final, formal, eficiente e material !  Essência e existência (conceitos tomistas)!   A tradição escolástica, no século XVII e XVIII, estava “infectada” por duas “doenças”: !  O averroísmo, perigoso pela tese da “dupla verdade” e pelo fanatismo aristotélico !  O nominalismo, perigoso pela negação dos universais e pelo subjectivismo do conhecimento!   Finalmente, a tradição escolástica era a “espinha dorsal” filosófica da teologia católica!   A escolástica pretendia retratar fielmente e racionalmente a realidade: escorava o realismo católico!   Derrubar a escolástica permitiria propagar uma visão individual e privada da religião e da moral 4 4
  • 5. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   Um averroísta típico do Renascimento: Cesare Cremonini (1550-1631)!   Um dos mais admirados filósofos da época (mesmo fora de Itália)!   Professor de Filosofia Natural: !  1573-1590: Professor em Ferrara !  1591-1631: Professor em Pádua (dobro do salário de Galileu)!   Materialista (ateu), rejeitava a imortalidade da alma!   Considerado por Galileu como o protótipo do aristotélico fanático!   Foi investigado pela Inquisição devido ao seu averroísmo: !  Mortalidade da alma humana !  Separação entre razão (filosofia) e fé !  Que a razão e a fé poderiam estar em contradição (“dupla verdade”)!   Lema pessoal: “Intus ut liber, foris ut moris est”, ou seja, “interiormente livre, exteriormente de acordocom os costumes”; Cremonini não admitia publicamente o seu ateísmo, mas todos o tinham por ateu!   Quando Galileu observou a Lua com o telescópio (1610), Cremonini recusou-se a usar o aparelho!   Cremonini defendia que Aristóteles tinha provado que a Lua era uma esfera perfeita!   O averroísmo torna muito difícil defender de forma credível a compatibilidade entre Fé e Razão 5 5
  • 6. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   Três tipos de coisas que “parecem” ser imateriais: !  Universais: “triangularidade”, “unicidade”, “multiplicidade”, “humanidade”, “animalidade”, etc. !  Números !  Proposições (afirmações verdadeiras ou falsas)!   Qual é o estatuto ontológico destas coisas?!   Realismo !  Defende que estas coisas existem na realidade, e são objectivas, ou seja, distintas dos sujeitos que pensam nelas !  Toda a humanidade poderia desaparecer, e estas coisas continuariam a existir!   Conceptualismo !  Defende que estas coisas existem na realidade, mas apenas na mente de quem pensa nelas !  Assim, os universais, os números e as proposições necessitam de uma mente para existirem!   Nominalismo !  Defende que estas coisas não existem na realidade !  Os universais, os números e as proposições corresponderiam a meros “padrões” de actividade neuronal, reflectindo hábitos e convenções sociais e culturais 6
  • 7. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   Realismo platónico !  Os universais, números e proposições existem num “mundo das formas” !  Essa existência é autónoma e independente de processos mentais!   Realismo cristão (aristotélico-tomista) !  Os universais, números e proposições existem no intelecto de Deus !  Requerem o intelecto de Deus para existirem de forma perfeita !  Podem ser instanciados na Natureza de forma imperfeita !  No entanto, o intelecto humano pode aceder a eles, e mesmo ter deles uma concepção perfeita, operando sobre dados sensoriais !  Exemplo: triangularidade, humanidade, etc. 7
  • 8. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   Guilherme de Ockham (c.1288-c.1348), franciscano inglês e filósofo escolástico!   Terá estudado em Oxford entre 1319 e 1321, sem completar o mestrado!   Em 1323, alguém viajou de Inglaterra para a corte Papal em Avignon, para odenunciar como herege!   Em 1324, Ockham tem que se deslocar a Avignon para ser interrogado!   Permanece em Avignon entre 1324 e 1328, e envolve-se em controvérsias!   Em 1328, foge para Pisa com o seu superior, Miguel de Cesena, e outros!   Em 1329, sob a protecção do Imperador Luís da Baviera, seguem para Munique!   Excomungado por ter fugido de Avignon, Guilherme fica em Munique até à sua morte em 1347!   Legado: !  A “navalha de Ockham”: não se devem multiplicar as entidades para lá do necessário !  A expressão é atribuída a Ockham, mas não surge na sua obra !  O também chamado “princípio da economia, ou da parcimónia” é muito antigo e comum !  A sua Suma de Lógica faz dele um dos mais importantes lógicos medievais !  Por negar os universais, Ockham é considerado o pai do nominalismo * !  Céptico acerca das causas finais: “todas as causas são imediatas” !  Céptico acerca da eficácia da razão em Teologia: tendia para o fideísmo 8 8
  • 9. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   Uma boa parte da escolástica ensinada no tempo da Revolução Científica era nominalista!   Esse nominalismo passará para alguns filósofos-chave da Revolução Científica, como John Locke!   Os perigos da filosofia de Ockham para a moral e para a Ciência: !  Fideísmo: a vontade de Deus determina a moral, não há acesso racional a verdades morais, apenas pela Fé; a vontade de Deus é soberana, e sobrepõe-se a eventuais “leis” científicas !  Nominalismo: a negação dos universais implica negar que certas coisas tenham essências em comum: deixa de ser defensável que causas do tipo A gerem regularmente efeitos do Tipo B !  A negação dos universais implica negar categorias como “causas do tipo A” ou “efeitos do tipo B” !  As ideias de Ockham sobre causalidade sofrem deste problema grave, fruto do seu nominalismo!   As ideias de David Hume (1711-1776) sobre causalidade também sofrem do mesmo problema!   O nominalismo não serve apenas para deitar fora provas da existência de Deus (segunda via tomista)!   Também serve para deitar fora a Ciência, que não pode prescindir da causalidade e dos universais 9 9
  • 10. IntroduçãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   David Hume (1711-1776), filósofo escocês: «Quando percorremos bibliotecas, persuadidos destes princípios, que devastação devemos fazer? Se tomarmos nas nossas mãos algum volume; de divindade ou de metafísica escolástica, por exemplo; perguntemos: Contém algum raciocínio abstracto respeitante à quantidade ou ao número? Não. Contém algum raciocínio experimental respeitante a material de facto e existência? Não. Que seja então lançado às chamas. Pois não pode conter nada senão sofismas e ilusão.»!   Hume não consegue (ou não quer) distinguir a escolástica (a filosofia aristotélico-tomista clássica) dassuas deformações averroístas e nominalistas!   Hume tinha uma compreensão muito rudimentar (e errada) das principais questões metafísicas!   “A razão é, e deve apenas ser, escrava das paixões”: uma ideia muito perigosa para toda a Ciência 10 10
  • 11. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 11
  • 12. Francis BaconFrancis Bacon (1561-1626)!   Filósofo, estadista, cientista e jurista inglês!   Propõe um novo método de obtenção de conhecimento científico!   Novum Organum Scientiarum (Londres, primeira edição em 1620)!   O título refere-se ao Organon, o corpo de seis tratados que Aristóteles dedicouà lógica; Bacon propõe um novo “órgão” (ou método) em lugar do antigo !   O método baconiano é empírico e indutivo: !  Recolher dados através da experimentação e da observação !  Formalizar leis científicas induzidas a partir desses dados ! Das observações e experiências particulares às leis gerais !   Bacon propõe o abandono das causas finais (teleológicas) !   Bacon sobre as formas (ou causas formais), objecto da Metafísica: !  As formas “não são mais do que aquelas leis e determinações (…) que governam e constituem cada natureza simples, como calor, luz, peso, em cada tipo de matéria ou sujeito (…)” !   As causas eficiente e material são do domínio da Física 12 12
  • 13. Francis BaconFrancis Bacon (1561-1626)!   Para Aristóteles e para a escolástica, a forma é uma causa das coisas naturais: é a causa formal!   Bacon equipara “forma” com “lei científica”!   Ao fazer isso, perde-se o carácter causal da forma!   As leis científicas não causam nada: apenas quantificam uma regularidade na Natureza!   A lei da gravidade (de Newton) não causa nada: quantifica a relação entre massa e força gravítica:!   No fenómeno da atracção gravítica, a massa é a causa e a força gravítica é o efeito!   A fórmula de Newton apenas descreve a relação quantitativa entre causa e efeito!   Não é a fórmula de Newton que provoca a atracção entre corpos com massa! 13 13
  • 14. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 14
  • 15. René DescartesRené Descartes (1596-1650)!   Filósofo e matemático francês, considerado o “pai” da filosofia moderna!   Estudou no Collège Royal Henry-le-Grand (Jesuíta), em La Flèche!   Cria a geometria analítica, unindo álgebra e geometria através do seusistema de coordenadas: as figuras geométricas podem ser descritas porequações cujas variáveis são coordenadas num sistema de eixos ortogonais!   Viveu vinte anos nos Países Baixos, de 1628 a 1649!   Morreu a 11 de Fevereiro de 1650 em Estocolmo, onde estava ao serviço da rainha Cristina da Suécia!   A sua atitude filosófica é a oposta da escolástica: em vez dos primeiros princípios, a utilidade prática: «Mas logo que adquiri algumas noções gerais sobre física e que, tendo-as posto à prova em diversas dificuldades particulares, notei até onde elas podem conduzir e quanto diferem dos princípios até agora aceites, convenci-me de que não poderia guardá-las só para mim sem pecar muito contra a lei que nos obriga a contribuir tanto quanto possível para o bem geral. Com efeito, essas noções mostraram-me que é possível chegar a conhecimentos muito úteis à vida e que em vez dessa filosofia especulativa que se ensina nas escolas se pode encontrar uma outra [filosofia] prática que, conhecendo o poder e as acções do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão distintamente como conhecemos os diversos misteres dos nossos artífices, os poderíamos utilizar de igual modo em tudo aquilo para que servem, tornando-nos assim como que senhores e possuidores da natureza», Discurso do Método 15 15
  • 16. René DescartesO fundamento da verdade!   Descartes distingue na sua ontologia dois tipos radicalmente distintos de substância: !  Substância pensante (“res cogitans”) !  Substância extensa (“res extensa”)!   Este dualismo implica que a forma e a finalidade não fazem parte da essência das substâncias extensas!   O dualismo cartesiano leva a uma visão mecanicista da realidade natural!   Descartes defende que o ser humano possui ideias inatas!   Primeira coisa “clara e distinta” para Descartes: !  “Penso, logo existo” (“cogito, ergo sum”) !  “Estou certo que eu sou uma coisa pensante”, mas como se pode ter a certeza disto? «Não sei então [depois de ter descoberto o cogito] também o que se requer para tornar- me certo de qualquer coisa? Neste primeiro conhecimento não há nada para além do que uma percepção clara e distinta daquilo que conheço, que não seria indubitavelmente suficiente para assegurar-me da verdade da coisa, se pudesse ocorrer que uma coisa que concebesse tão clara e distintamente fosse falsa.»!   Segundo Descartes, um “génio maligno” poderia gerar em nós falsas “ideias claras e distintas” 16 16
  • 17. René DescartesO fundamento da verdade!   A “percepção clara e distinta” não é, então, suficiente para obter conhecimento verdadeiro: «Posso persuadir-me de [eu] ter sido feito de tal modo pela natureza que me pudesse facilmente enganar, mesmo nas coisas que julgo perceber de maneira evidentíssima»!   E no entanto, a filosofia moderna montou toda uma epistemologia “subjectiva” em cima do “cogito”!!   Que propõe, então, Descartes, para se sair desta incerteza? «Depois que percebi verdadeiramente que Deus existe, juntamente entendi que todas as coisas dependem dele e que ele não é enganador. Assim vejo claramente que a certeza e a verdade de toda ciência dependem só do conhecimento do Deus verdadeiro, de sorte que, antes de o conhecer, nada poderia saber perfeitamente de coisa alguma»!   Descartes propõe a existência de Deus como fundamento da verdade! 17 17
  • 18. René DescartesO fundamento da verdade!   Da ideia inata do “cogito”, Descartes chega à ideia inata da existência de Deus!   Contrariamente ao aristotelismo-tomismo, a existência de Deus não seria demonstrável “a posteriori”!   A existência de Deus decorria de Deus ser um ser perfeito, por uma espécie de argumento ontológico!   Apesar da preocupação cristã de Descartes, a filosofia moderna “deitou fora” essa ideia inata de Deus!   A filosofia moderna aproveitará o “cogito” de Descartes, fundamento de todo o subjectivismo filosófico: ! A teoria do conhecimento da escolástica assenta no realismo: confiança na razão e nos sentidos ! A de Descartes assenta do cepticismo: desconfiança de tudo, excepto do “acto pensante”!   Descartes “despromove” o Deus cristão para um mero “artífice” cuja função é apenas criar: «Em suma, a essência do Deus de Descartes é determinada sobretudo pela sua função filosófica de criar, isto é, preservar o mundo mecanicista-científico concebido pelo próprio Descartes. Ora, é verdadeiro que um Criador é um Deus eminentemente cristão, mas um Deus cuja essência consista em ser Criador não é um Deus cristão. A essência do verdadeiro Deus cristão não é criar, é Ser. ‘Aquele que é’ (Ex. 3, 14) pode também criar se quiser, mas não é quem é enquanto cria (…); pode criar enquanto é absolutamente.» - Etienne Gilson, Deus e a Filosofia!   É como o Deus do “intelligent design”: um “artífice cósmico” separado da Criação e não omnipresente18 18
  • 19. René DescartesA física cartesiana: muita intuição, pouca experimentação…!   A sua obra principal sobre Filosofia Natural, Princípios de Filosofia (1644)!   Três tipos de matéria: subtil, fina e grosseira!   A matéria era contínua e indivisível (contra o atomismo)!   A teoria dos vórtices: !  A matéria move-se em bandas circulares !  Todo o Universo é uma complexa rede de vórtices !  Pretendia explicar os movimentos planetários sem ser necessária a força gravítica (que ele via como obscura) !  Permitia evitar problemas com a Igreja Católica após 1633 !  Descartes colocava a Terra num vórtice em órbita do Sol ! A Terra permanecia imóvel relativamente ao vórtice !  Esta teoria não se adapta os dados experimentais !  Será abandonada em favor da física newtoniana!   Descartes rejeitou a lei galileana da queda livre, que estava certa!   Tenta explicar a refracção da luz através de uma analogia com bolas de ténis (ABI)!   O seu mecanicismo leva-o a uma má analogia: ao atravessar um pano CBE a bola afasta-se da normal!   Com a luz, sucede o contrário (e Descartes sabia-o), mas preferiu manter essa analogia mecanicista 19 19
  • 20. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 20
  • 21. John LockeJohn Locke (1632-1704)!   Filósofo e físico britânico, protestante, considerado o “pai” do liberalismo!   A importância da sua obra para a política moderna e contemporâneaé imensa (em Berkeley, Voltaire, Jefferson, Hume, Mill, Russell, entre outros)!   Contra Descartes, Locke defendeu que nascemos com o intelecto comouma “tábua rasa”, rejeitando as “ideias inatas” cartesianas!   As correntes filosóficas contestadas por Locke: !  Num extremo, a escolástica e a doutrina e moral que esta acarreta !  O racionalismo cartesiano e a sua defesa das “ideias inatas” (segundo Locke, elas implicariam dogmatismo e limites à liberdade intelectual) !  No outro extremo, o empiricismo e o cepticismo radicais de Thomas Hobbes (1588-1679)!   As ideias-chave da filosofia de Locke, repleta de tensões e inconsistências: ! A ênfase nas ciências naturais como paradigma de racionalidade !  Cepticismo (não radical) acerca da tradição e da autoridade ! Minimalismo teológico: alma imaterial persistente após a morte, existência de Deus, e pouco mais !  Tolerância religiosa (o ponto anterior é visto como o caminho para esta tolerância) !  Direitos individuais (contra o absolutismo defendido por Hobbes para evitar a anarquia do “estado natural”) !  Necessidade do consenso dos cidadãos para legitimar um governo (democracia) 21 21
  • 22. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 22
  • 23. Isaac NewtonIsaac Newton (1643-1727)!   Físico, matemático, astrónomo, teólogo, filósofo e alquimista inglês!   É difícil exagerar a importância científica da obra de Newton!   “Pai” do cálculo integral e diferencial (Leibniz também, em paralelo)!   A sua obra principal: Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (1687)!   É uma das mais importantes obras científicas de sempre: !  Três leis de Newton do movimento: inércia, “F=ma”, acção-reacção !  Lei de Newton da gravitação universal !  A derivação das leis planetárias de Kepler !  Kepler chegara às suas leis por via empírica (observações) !  Newton demonstra-as por via matemática!   A sua obra científica está permeada de ideias teológicas!   Newton defende que Deus actua permanentemente para manter o movimento regular do Cosmos!   Esta acção permanente é entendida como uma causa eficiente, e não como manter o Cosmos no “ser”!   Leibniz (mais alinhado com a escolástica) defende que o Cosmos opera por “causas segundas”!   Leibniz indigna-se com a ideia de que Deus não teria capacidade de criar algo com movimento perpétuo 23 23
  • 24. Isaac NewtonIsaac Newton (1643-1727), Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica (pp. 138-139) 24 24
  • 25. Isaac NewtonIsaac Newton (1643-1727)!   Da sua obra sobre Óptica: «Pois enquanto os cometas se movem em órbitas muito excêntricas em todo o tipo de posições, o destino cego nunca conseguiria fazer mover os planetas de uma só forma em órbitas concêntricas, salvo irregularidades desprezáveis que podem resultar da acção mútua entre cometas e planetas, e que tendem a aumentar, até que este sistema precise de uma reforma.»!   Neste trecho, Newton formula um argumento de “design”!   Nesse mesmo trecho, Newton defende a intervenção contínua de Deus na Natureza: !  Para provocar e manter permanentemente as órbitas regulares e concêntricas !  Para “reformar”, de tempos a tempos, um sistema afectado por irregularidades acumuladas!   Leibniz criticava Newton, dizendo que a acção contínua de Deus equivalia a um milagre contínuo!   Este conceito newtoniano de Deus é o prelúdio ao “Deus relojoeiro” dos deístas!   Se Newton estivesse vivo hoje, ele aceitaria sem problemas os argumentos do “intelligent design” 25 25
  • 26. Isaac NewtonIsaac Newton (1643-1727), o teólogo-alquimista!   Diagrama do Templo de Salomão, da obra The Chronology of Ancient Kingdoms (1728) 26 26
  • 27. Isaac NewtonIsaac Newton (1643-1727), o teólogo-alquimista!   The Hieroglyphical figures of Nicholas Flammel explained (início da década de 1680)!   Astronomical calculations and the Barbarian invasions (início do Séc. XVIII, sobre o livro do Apocalipse) 27 27
  • 28. Índice1.  Introdução2.  Francis Bacon3.  René Descartes4.  John Locke5.  Isaac Newton6.  Conclusão 28
  • 29. ConclusãoAs ideias-chave do aristotelismo-tomismo!   A Ciência é uma actividade louvável: consiste no estudo do “livro da Criação” e é uma actividadeespecialmente adequada ao ser humano, porque o ser o humano é o único ser intelectual na Natureza!   A existência de Deus é demonstrável racionalmente (essas provas são os “preâmbulos da Fé”)!   A moral divina (das Escrituras) é conciliada com a moral natural (da Razão e da Natureza)!   Isto implica que é possível ao Homem chegar a uma moral universal e objectiva usando a razão!   O fim do Homem é o seu aperfeiçoamento moral, o abandono do pecado, procurar Deus e louvá-Lo!   O objectivo desta vida terrena consiste nesse aperfeiçoamento moral, tendo em vista a vida eterna!   Viver em sociedade é natural e a sociedade deve dar ao Homem condições para atingir esse objectivoAs ideias-chave da filosofia moderna no tempo da Revolução Científica!   Não se nega a existência de Deus, mas separa-se conhecimento científico de fé religiosa!   A fé cristã já não é defendida com o vigor racional de quem fala acerca da realidade das coisas!   A fé cristã passa a ser vista como algo apenas do foro privado e aceite por tradição (fideísmo)!   O fim do Homem é a procura do bem-estar comum nesta vida terrena!   A Ciência é vista como o caminho para o “domínio da Natureza”, devendo ser aplicada para fins úteis!   A Ciência vale mais pela sua utilidade, e não tanto por nos dar a conhecer a realidade 29 29
  • 30. ConclusãoPorque é abandonada a tradição escolástica?!   É verdade que a escolástica deu prioridade à filosofia em detrimento da experimentação: «A contemplação da natureza e da sua beleza certamente que atrasou a pesquisa científica da sua estrutura propriamente física. Os sábios entendem que este erro não pode ser repetido e a violência dos seus ataques contra o finalismo [contra as causas finais] explica-se pelo menos em parte por isto. Se este receio não fosse hoje supérfluo, diríamos que era justificado. No entanto, é supérfluo porque nada impede os dois pontos de vista de coexistir, e se a sua coexistência pacífica é possível, ela é desejável. Uma meia verdade não vale mais que uma verdade inteira, e, de facto, estas duas partes da verdade coexistiram, mesmo depois de [Francis] Bacon, nos espíritos científicos de longe superiores ao seu; mesmo depois de Descartes, em génios que não lhe eram certamente inferiores» - Etienne Gilson (1884-1978)!   A filosofia moderna fez o inverso: deu prioridade à experimentação em detrimento da filosofia!   Como consequência, é inegável que houve acelerado progresso científico e tecnológico!   Mas também é verdade que o retrocesso filosófico teve (e tem) consequências negativas para a Ciência!   Exemplo: a constante cosmológica de Einstein, um erro devido à sua crença na eternidade do Cosmos 30 30
  • 31. ConclusãoOs motivos para esta mudança radical!   Uma inegável decrepitude da escolástica (por causa do averroísmo e do nominalismo)!   O crescente interesse pela experimentação, sobretudo a partir dos sucessos de Galileu!   No protestantismo, a mudança filosófica teve importantes motivações políticas: !  A crítica protestante ao aristotelismo-tomismo serviu o combate ao catolicismo ! Uma nova filosofia mais céptica e subjectivista ajudava a apaziguar intensas disputas religiosas!   Mas há também motivações psicológicas mais generalistas: !  A “libertação” das obrigações morais do jusnaturalismo (“lei natural”) aristotélico-tomista !  O desejo de “respeitabilidade social” por parte de certa elite intelectual agnóstica ou ateia !  O desejo de mais liberdade individual, pois as verdades morais eram vistas como anti-libertárias!   Há dois factos importantes a reter acerca da Revolução Científica: 1. Os pensadores da Revolução Científica não refutaram a metafísica aristotélico-tomista! 2. Logo, o impressionante progresso científico e tecnológico não se deveu a essa (inexistente) refutação! 31 31
  • 32. ConclusãoPorque é abandonada a tradição escolástica? «Animosidade, atitude, agenda, mas pouco em termos de argumento. Isto, como sugeri, foi o que esteve por detrás da revolução intelectual que removeu a filosofia clássica de Platão e Agostinho, e especialmente a de Aristóteles e [São Tomás de] Aquino, e entronou a filosofia moderna de [Francis] Bacon, Hobbes, Descartes, Locke, Hume e outros. Mas “pouco” [em termos de argumento] não é “nada”, e existiram alguns argumentos, apesar de nenhum deles ser muito impressionante.» - Edward Feser A actividade científica requer um equilíbrio entre tradição e inovação. A tradição está em preservar o saber recebido, no difícil acesso a jornais “peer reviewed”, na autoridade do professor, no respeito pelos graus académicos. O abandono do aristotelismo-tomismo é um corte radical com uma tradição multissecular que nunca foi refutada. 32 32

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