DROGAS – uma guerraperdida?
Dos males damodernidade,    talvez   nenhum se equipare   à amplaproliferação das drogas.
Vidasindividuais  e famílias reduzidas a farrapo e escombro  diante do flagelo do     vício.
Numa esquina qualquer, de uma  cracolândia qualquer, de uma cidade          brasileira qualquer,um jovem acende um cachimb...
Quantas vidas ainda serão     reduzidas a farrapos,quantos destinos ainda haverão   de se perder para sempre?
Para se entender a devastadora epidemiadas drogas que assola a nossa sociedade,   é preciso analisar o tema sob uma       ...
Não se pode   abordar otema sem fazer   referência    às nossas   fronteiras   nacionais.
No cenárioda geopolíticaglobal, o Brasil  ocupa uma  posição de relevância nacomplexa redeinternacional      do narcotráfi...
O país possuicerca de 15 mil quilômetros de fronteiras,      com  fiscalização     muito deficiente ou     mesmo inexisten...
...e alguns    países  vizinhos elencados   entre os   maioresprodutoresmundiais de   drogas.
Colômbia  Maior produtormundial de cocaína,com 68 mil hectares de cultivo de coca.
Colômbia  (68 mil hectares)       Peru   Segundo maior produtor de cocaína,com 59,9 mil hectares. Seguida a tendênciaatual...
Colômbia   (68 mil hectares)        Peru   (59,9 mil hectares)      Bolívia   Terceiro maiorprodutor mundial de       coca...
Colômbia  (68 mil hectares)       Peru  (59,9 mil hectares)     Bolívia (30,9 mil hectares)   Paraguai   Segundo maiorprod...
O que leva   os países  andinos aproduzir tanta   droga sãoessencialmente   questões econômicas.
A maior partedos que se dedicamaos cultivos não são  narcotraficantes,  mas produtores rurais miseráveis, vislumbrando um ...
O processo de refino, transporte e  comercialização    da droga tem      rendido aos   narcotraficantes         lucros   a...
Grande parte dacocaína produzida nos países andinos    atravessa as fronteiras rumo aoterritório brasileiro,   seja para e...
O mapa ao lado mostra a extensãodo limite fronteiriçodo Brasil com os trêsmaiores produtoresmundiais de cocaína – responsá...
Este mapa mostra a dinâmica de distribuição da cocaína produzida pelos países andinos.
Grande parte da droga segue para a América   do Norte, enquanto outra parte segue,   via território brasileiro, para a Eur...
Uma crescente parcela da cocaína produzida sedestina ao mercado consumidor brasileiro, que tem crescido consideravelmente ...
Num mundo globalizado, caracterizado pela fluidez das transações comerciais, o crime organizado segue suas atividades a pl...
Para ilustrar a dificuldade em se detera atuação do crime organizado transnacional,       vejamos o exemplo dos E.U.A.
Os E.U.A. têm enfrentado graves problemas de  segurança na sua fronteira com o México,  envolvendo principalmente organiza...
Apesar de dispor de uma polícia federaldedicada exclusivamente ao combate ao tráfico, e    de ter os soldados mais bem tre...
Até apelaram para a construção de um muro                     físicoque separa a divisa entre os dois países, noite e
Mas, vira e mexe, túneis por onde volumososcarregamentos de droga continuam passando        livremente são descobertos.
Alguns especialistas sustentam que enquanto houver gente querendo consumir droga, ostraficantes darão um jeito de garantir...
Se a superpotência mundial não consegue cuidar de uma fronteira seca com um único país, que é  muito mais um corredor do q...
A fronteira brasileira com a Bolívia sozinha é maisextensa do que toda a faixa entre México e E.U.A.
Enquanto a fronteira entre México e E.U.A. é umafronteira seca e desértica, a brasileira inclui a densa   floresta amazôni...
O próprio ministro da Justiça reconheceurecentemente que há um “nível elevado de  vulnerabilidade” nas nossas fronteiras.
Outras autoridades apontam   as fronteiras brasileiras entreas mais desguarnecidas do mundo.
Em 2010, foi lançado    o livro-reportagem   “Fronteiras Abertas –  Um retrato do abandono  da Aduana Brasileira”.   O tra...
O livro – resultado de umaviagem de dez meses queos autores empreenderam por mais de 15.000 km    de fronteira seca –     ...
A fragilidade denossas fronteiras está     diretamenterelacionada à amplacirculação de drogasnas nossas cidades –  uma tri...
Um levantamento  realizado pela  Confederação  Nacional dosMunicípios em 2010constatou que 98%dos municípios do  país enfr...
Segundo o Centro     Brasileiro de  Informações sobre       Drogas    Psicotrópicas,    a droga é hojeuma ameaça onipresen...
Já que a produção ecomercialização dasdrogas encontram-se   longe de serem   adequadamente combatidas, vamos  refletir um ...
O que é que leva       umapessoa a embarcar no risco suicida  que as drogas   representam?Os usuários podemser agrupados e...
De um lado, temos acategoria de usuáriosformada pela parcela“invisível”, excluída,esquecida e ignorada   da sociedade.    ...
Nas décadas de 1980 e 1990, crianças    de rua tinham na cola de sapateiro  a principal droga     de escolha.  Cola de Sap...
A aspiração da cola desapateiro causa euforia, desinibição, alteração    das percepções, insensibilidade à dor,    fome e ...
Na época, políticos egovernantes se fizeram   de cegos diante     do problema. Disseram: “Não temos nada a ver com isso.” ...
Passaram-seduas décadase o problema  se agravoudrasticamente.
Crianças e adolescentes ao relento e expostosàs mazelas e durezas da vivência de rua, que   ontem cheiravam cola, hoje se ...
Crack/Oxi: subprodutos da cocaína                  misturados   a soda cáustica ou bicarbonato de sódio;– são cinco vezes ...
A fumaça chega ao cérebro com velocidade e     potência extremas, causando problemas              respiratórios agudos. Pr...
A expectativa de vida dos usuários   gira entre quatro e oito anos,   – crianças e adolescentes que   não chegarão à idade...
O tratamento para a recuperação de usuários  é muito complexo, e o completo descaso edespreparo das instâncias públicas no...
A fuga. A ilusão de identidade,   de satisfação, de plenitude.A sensação de preencher o vazio,   a fome e o abandono social.
Além dos moradores  de rua, vítimas do abandono e descaso        social,    há uma outracategoria de usuários, formada por...
Ao contrário da cruelinvisibilidade social queacomete as camadas que sobrevivem à margem     da sociedade,    estes jovens...
Tiveram acesso    a boas escolas e a uma educação que   teoricamente osdeveria ter prevenido   sobre a viagemgeralmente se...
Não foi a   miséria material   que os empurrou     para o vício,    mas uma outra  forma de miséria,a existencial e afetiva.
Cristiane Gaidies,       conhecida pelo apelido         de “Maçãzinha”, era        uma jovem de cabelos           cor de m...
Aos 19 anos, abandona             os amigos e envolve-se             com maconha e crack.            A família tenta de tu...
A ex-estudante de classe  média torna-se aos 20   anos uma andarilha  das ruas de São Paulo,  uma nômade urbana, praticant...
O dono do veículo,  um jovem empresário,    presencia a cena,     e do alto do seu   apartamento no 12º andar dispara cont...
Ela ainda se arrasta por30 metros antes de cair  sem vida no asfalto     manchado de       vermelho.  No bolso traseiro de...
A outrora adolescente de                      cabelos cor de mel, olhos                     expressivos e sorriso claro   ...
Desde muito jovem  Nelson dal Poggetto sabia o que era sofrer.Ao 12 anos começou sua  aflitiva jornada pelo   mundo das dr...
Internado duas vezes,   volta a fumar ocachimbinho de crack pouco tempo depois   de receber alta.                         ...
Aos 19 anos, antes decometer suicídio, deixaum bilhete de despedida   para a família:...                          “Amei mu...
Adriana de Oliveira era uma garota linda e    cheia de sonhos,  tida por todos que a conheciam como uma  pessoa meiga, doc...
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No entanto, a vida deAdriana toma um outrorumo após o namorado,um rapaz que cursa o 3ºano de direito e filho de  um bem-su...
Quão tênue e vulnerável  é a linha que separa    a experimentação    e o uso recreativo do risco potencial que as drogas r...
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O laudo médico  revela a causa    da morte: – uma mistura fatal de álcool,maconha e cocaína. Mais uma precocepartida, aos ...
Diante das históriasde Adriana, Nelson, Cristiane e de tantos    outros jovens,  talvez seja hora de refletirmos sobre osv...
Uma sociedade de  consumo voraz, quetransformou a busca do  prazer imediato e da    satisfação numa  condição existencial ...
Jovens desorientados,    que buscam nosprazeres ilusórios uma        forma de se libertar do peso de  uma sociedade quedes...
Tristes retratos do fracasso dos laços    de sociabilidade        familiar    e comunitária.  O desamor e o não-reconhecim...
Que sociedade éesta que construímos,tão repleta de valores    desvirtuados?   Talvez seja hora de,enfim, refletirmos com  ...
Anúncios que associam a felicidade e o bem-estar ao consumo de bebidas             alcoólicas.(uma droga tão ou mais nociv...
Artistas com imenso apelo junto ao público infanto-juvenil servindo de“exemplo” para gerações de crianças e            ado...
Empresários, artistas, publicitáriose donos de emissoras de tv faturam             bilhões.E nós arcamos com os danos e cu...
Programas que massacram   a subjetividade e anulam        o senso crítico,banalizando e mercantilizando         a existênc...
“Vamos bisbilhotar”   “Pode espiar à vontade”  “Pra que educação, arte ou          cultura?”“Vamos banalizar a existência”...
A torrente abusiva de publicidade que invade os lares e formata a mente de crianças e adolescentes    desde a mais tenra i...
A mensagem impregnada em mentes   indefesas, de que somos o que            possuímos, e que viver se resume a consumir.
“Troque de carro, troque de celular,  beba mais cerveja, etc. etc. etc...”
Uma vida centrada em bens          materiais,uma existência sem um sentido  ou propósito mais nobre.
Nada melhor do que   a televisão para      preencher  uma vida vazia,carente de aspirações       elevadas   e sem padrões ...
Não seria uma vidavazia de propósito,sentido e conteúdo uma porta de fácil   entrada para o  abuso do álcool,    a maconha...
Talvez seja hora derefletirmos sobre como  a atual programação      televisiva está   contribuindo parasolapar as bases ét...
Acreditar que as forças policiaisconseguirão sozinhas algum diaresolver o problema das drogas    é ignorar as causas reais...
O máximo que as forças policiais  isoladamente  conseguirão éprosseguir na suaheroica tarefa de“enxugar gelo”,...         ...
Para reverter a batalhacontra as drogas, devemosbuscar novos paradigmas   sociais e existenciais.Buscar corrigir as causas...
Vejamos alguns componentes do nosso         complexo       mosaico social  tão repleto de falhas,     que precisam ser  di...
s                       Corrupção              s         Política          Graves                                       De...
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O escritorJosé Saramago    dizia:“Para se acabar com as velhas    prisões,  É necessário   construirnovas escolas.”
“No Brasil, a educação das massasainda é uma utopia verde-amarela.”                      Silviano Santiago
Na guerra contra as drogas,mais importante do que soldados e  policiais são os professores e           educadores.
Uma educação plena, capaz de      transmitir valores e virtudes,              conduzindocada criança em direção à sua plen...
Uma educação capaz de     banhar de sentido, propósito   e bondade as vidas que iniciamsua jornada pelos caminhos do mundo.
O legítimo anseio que todos trazemos    no peito, de descobrir por que              existimos,e de revestir os nossos dias...
O desejo de “ver com olhos livres”.       A “alegria dos que    não sabem e descobrem”.
Há que se cuidar do broto,para que a vida nos dê flor e fruto.
Trocar o amargo reprimir e remediarpela doçura de amar, ensinar, prevenir,          e juntos descobrir.
“Só a participação cidadã  é capaz de mudar esse          país.”    Betinho
Um outro mundo é    possível.
Projeto “Compaixão e Cidadania”Um espaço para refletirmos sobre temas essenciais.               compaixao_cidadania@hotmai...
O MUNDO DAS DROGAS: Caminho sem volta
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Belo trabalho para se entender melhor o problema das drogas no Brasil e no mundo. Não adianta fugir deste problema que aflige o Brasil e grande parte da América Latina. Nós fazemos parte dele. precisamos estar cientes disso. Estamos caminhando à passos largos para um beco sem saída. Na realidade ninguém sabe como enfrentar esta problemática, cuja solução, infelizmente está muito distante. Mas conhecer bem a problemática já é um passo. Este power point esplana bem o assunto. Vale à pena ver este trabalho. (indicação Otomar Konig)

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O MUNDO DAS DROGAS: Caminho sem volta

  1. 1. DROGAS – uma guerraperdida?
  2. 2. Dos males damodernidade, talvez nenhum se equipare à amplaproliferação das drogas.
  3. 3. Vidasindividuais e famílias reduzidas a farrapo e escombro diante do flagelo do vício.
  4. 4. Numa esquina qualquer, de uma cracolândia qualquer, de uma cidade brasileira qualquer,um jovem acende um cachimbo de crack.
  5. 5. Quantas vidas ainda serão reduzidas a farrapos,quantos destinos ainda haverão de se perder para sempre?
  6. 6. Para se entender a devastadora epidemiadas drogas que assola a nossa sociedade, é preciso analisar o tema sob uma perspectiva mais ampla.
  7. 7. Não se pode abordar otema sem fazer referência às nossas fronteiras nacionais.
  8. 8. No cenárioda geopolíticaglobal, o Brasil ocupa uma posição de relevância nacomplexa redeinternacional do narcotráfico.
  9. 9. O país possuicerca de 15 mil quilômetros de fronteiras, com fiscalização muito deficiente ou mesmo inexistente,...
  10. 10. ...e alguns países vizinhos elencados entre os maioresprodutoresmundiais de drogas.
  11. 11. Colômbia Maior produtormundial de cocaína,com 68 mil hectares de cultivo de coca.
  12. 12. Colômbia (68 mil hectares) Peru Segundo maior produtor de cocaína,com 59,9 mil hectares. Seguida a tendênciaatual, deverá superar a Colômbia nos próximos anos.
  13. 13. Colômbia (68 mil hectares) Peru (59,9 mil hectares) Bolívia Terceiro maiorprodutor mundial de cocaína,com 30,9 mil hectares de cultivo de coca.
  14. 14. Colômbia (68 mil hectares) Peru (59,9 mil hectares) Bolívia (30,9 mil hectares) Paraguai Segundo maiorprodutor mundial de maconha, atrás apenas do México.
  15. 15. O que leva os países andinos aproduzir tanta droga sãoessencialmente questões econômicas.
  16. 16. A maior partedos que se dedicamaos cultivos não são narcotraficantes, mas produtores rurais miseráveis, vislumbrando um lucro superior ao que obteriamcaso se dedicassem a plantações tradicionais dehortifrutigranjeiros.
  17. 17. O processo de refino, transporte e comercialização da droga tem rendido aos narcotraficantes lucros astronômicos. Segundo a ONU, o tráfico de drogas movimenta anualmente em todo o mundocerca de 500 bilhões de dólares.
  18. 18. Grande parte dacocaína produzida nos países andinos atravessa as fronteiras rumo aoterritório brasileiro, seja para envioposterior à Europa e América do Norte, seja para distribuição no mercado nacional brasileiro.
  19. 19. O mapa ao lado mostra a extensãodo limite fronteiriçodo Brasil com os trêsmaiores produtoresmundiais de cocaína – responsáveis porpraticamente 100% da produção mundial. O mapa permite visualizar adimensão do problema que o Brasil enfrenta.
  20. 20. Este mapa mostra a dinâmica de distribuição da cocaína produzida pelos países andinos.
  21. 21. Grande parte da droga segue para a América do Norte, enquanto outra parte segue, via território brasileiro, para a Europa.
  22. 22. Uma crescente parcela da cocaína produzida sedestina ao mercado consumidor brasileiro, que tem crescido consideravelmente nos últimos
  23. 23. Num mundo globalizado, caracterizado pela fluidez das transações comerciais, o crime organizado segue suas atividades a pleno
  24. 24. Para ilustrar a dificuldade em se detera atuação do crime organizado transnacional, vejamos o exemplo dos E.U.A.
  25. 25. Os E.U.A. têm enfrentado graves problemas de segurança na sua fronteira com o México, envolvendo principalmente organizações
  26. 26. Apesar de dispor de uma polícia federaldedicada exclusivamente ao combate ao tráfico, e de ter os soldados mais bem treinados e equipados do mundo, eles tem falhado sucessivamente em evitar o ingresso de
  27. 27. Até apelaram para a construção de um muro físicoque separa a divisa entre os dois países, noite e
  28. 28. Mas, vira e mexe, túneis por onde volumososcarregamentos de droga continuam passando livremente são descobertos.
  29. 29. Alguns especialistas sustentam que enquanto houver gente querendo consumir droga, ostraficantes darão um jeito de garantir o lucro
  30. 30. Se a superpotência mundial não consegue cuidar de uma fronteira seca com um único país, que é muito mais um corredor do que produtor de drogas, imagine a situação nas fronteiras brasileiras,
  31. 31. A fronteira brasileira com a Bolívia sozinha é maisextensa do que toda a faixa entre México e E.U.A.
  32. 32. Enquanto a fronteira entre México e E.U.A. é umafronteira seca e desértica, a brasileira inclui a densa floresta amazônica, com seus mil rios, lagos e áreas pantanosas.
  33. 33. O próprio ministro da Justiça reconheceurecentemente que há um “nível elevado de vulnerabilidade” nas nossas fronteiras.
  34. 34. Outras autoridades apontam as fronteiras brasileiras entreas mais desguarnecidas do mundo.
  35. 35. Em 2010, foi lançado o livro-reportagem “Fronteiras Abertas – Um retrato do abandono da Aduana Brasileira”. O trabalho aborda como a falta de vigilância e fiscalização permite a entrada no país de armas, drogas, munições e produtos contrabandeados, além de facilitar o ingresso e a de criminosos, veículos roubados saídae a remessa ilegal de dinheiro que abastece toda rede de ilegalidades.
  36. 36. O livro – resultado de umaviagem de dez meses queos autores empreenderam por mais de 15.000 km de fronteira seca – narra um cenário de fronteiras sem dono.
  37. 37. A fragilidade denossas fronteiras está diretamenterelacionada à amplacirculação de drogasnas nossas cidades – uma triste e dura realidade com a qual convivemos e que nos desafia a buscar juntos alguma saída.
  38. 38. Um levantamento realizado pela Confederação Nacional dosMunicípios em 2010constatou que 98%dos municípios do país enfrentam problemas de circulação econsumo de crack.
  39. 39. Segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, a droga é hojeuma ameaça onipresente.
  40. 40. Já que a produção ecomercialização dasdrogas encontram-se longe de serem adequadamente combatidas, vamos refletir um pouco sobre a outra ponta do processo do tráfico: o usuário.
  41. 41. O que é que leva umapessoa a embarcar no risco suicida que as drogas representam?Os usuários podemser agrupados em duas categorias básicas.
  42. 42. De um lado, temos acategoria de usuáriosformada pela parcela“invisível”, excluída,esquecida e ignorada da sociedade. Moradores de ruae crianças e adolescentes em situação de risco social, que muitas vezesrecorrem às drogas para amenizar a vivência de rua, e sua amarga rotina de fome e frio, abusos,
  43. 43. Nas décadas de 1980 e 1990, crianças de rua tinham na cola de sapateiro a principal droga de escolha. Cola de Sapateiro: Solvente e inalante, cujas substâncias básicas sãoo tolueno e o benzeno,depressoras do Sistema Nervoso Central.
  44. 44. A aspiração da cola desapateiro causa euforia, desinibição, alteração das percepções, insensibilidade à dor, fome e cansaço. Pode causar alterações narespiração, culminando com a morte do usuário.
  45. 45. Na época, políticos egovernantes se fizeram de cegos diante do problema. Disseram: “Não temos nada a ver com isso.” A sociedade civil também se fez de surda,tratando com frio descaso o abandono social. E dissemos: “Não é problema nosso tampouco.”
  46. 46. Passaram-seduas décadase o problema se agravoudrasticamente.
  47. 47. Crianças e adolescentes ao relento e expostosàs mazelas e durezas da vivência de rua, que ontem cheiravam cola, hoje se tornaram escravos dedrogas muito mais devastadoras: o crack e o oxi.
  48. 48. Crack/Oxi: subprodutos da cocaína misturados a soda cáustica ou bicarbonato de sódio;– são cinco vezes mais potentes que a cocaína, produzindo dependência com muita facilidade.
  49. 49. A fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas, causando problemas respiratórios agudos. Produzem uma sensação de confiança, poder eexcitação, seguida por um período de depressão, paranoia, com alucinações e delírios. Não raro, tornam o usuário violento e suicida em potencial.
  50. 50. A expectativa de vida dos usuários gira entre quatro e oito anos, – crianças e adolescentes que não chegarão à idade adulta.
  51. 51. O tratamento para a recuperação de usuários é muito complexo, e o completo descaso edespreparo das instâncias públicas no trato daquestão faz com que a reabilitação psicossocial seja uma possibilidade bastante remota.
  52. 52. A fuga. A ilusão de identidade, de satisfação, de plenitude.A sensação de preencher o vazio, a fome e o abandono social.
  53. 53. Além dos moradores de rua, vítimas do abandono e descaso social, há uma outracategoria de usuários, formada por jovensque tiveram condiçõessociais privilegiadas.
  54. 54. Ao contrário da cruelinvisibilidade social queacomete as camadas que sobrevivem à margem da sociedade, estes jovens têm nome e sobrenome, possuem lares, álbuns de fotografias, pais e famílias.
  55. 55. Tiveram acesso a boas escolas e a uma educação que teoricamente osdeveria ter prevenido sobre a viagemgeralmente sem volta que é o mundo do vício.
  56. 56. Não foi a miséria material que os empurrou para o vício, mas uma outra forma de miséria,a existencial e afetiva.
  57. 57. Cristiane Gaidies, conhecida pelo apelido de “Maçãzinha”, era uma jovem de cabelos cor de mel, olhos expressivos e sorriso claro. Filha de uma psicóloga e um dentista, dormia até os 18 anos abraçada ao ursinho de pelúcia. Como tantas jovens de suaidade, gostava de ir a shoppingcenters, festas e shows de rock.
  58. 58. Aos 19 anos, abandona os amigos e envolve-se com maconha e crack. A família tenta de tudo, – diálogos, terapeutas, psiquiatras, mudanças, internação numa clínica especializada. “Ela sumia de casa, ficava vagando pelas ruas fumando crack e depoisreaparecia parecendo uma mendiga”, lembra a mãe.
  59. 59. A ex-estudante de classe média torna-se aos 20 anos uma andarilha das ruas de São Paulo, uma nômade urbana, praticante de pequenos furtos para alimentar seu vício.Numa noite, tenta roubarum toca-fitas, exigido por um traficante que a abastece. É o preço da droga.
  60. 60. O dono do veículo, um jovem empresário, presencia a cena, e do alto do seu apartamento no 12º andar dispara contra o estacionamento do prédio com o objetivo de afugentar os ladrões.O tiro, que era para ser de advertência, atinge emcheio a frágil jovem pelas costas.
  61. 61. Ela ainda se arrasta por30 metros antes de cair sem vida no asfalto manchado de vermelho. No bolso traseiro de sua calça levavaum cachimbo de crack, feito de uma tampa detubo de pasta de dente e uma antena oca de rádio de carro.
  62. 62. A outrora adolescente de cabelos cor de mel, olhos expressivos e sorriso claro passou seus últimos dias......num casarão abandonado,sujo e úmido, em companhia de prostitutas, travestis, mendigos e viciados.
  63. 63. Desde muito jovem Nelson dal Poggetto sabia o que era sofrer.Ao 12 anos começou sua aflitiva jornada pelo mundo das drogas, iniciando com álcool e maconha, para em seguida passar para cocaína e crack.
  64. 64. Internado duas vezes, volta a fumar ocachimbinho de crack pouco tempo depois de receber alta. Durante as recaídas, troca celular e outros pertences por droga, mergulhando num ciclo de depressão e arrependimento.
  65. 65. Aos 19 anos, antes decometer suicídio, deixaum bilhete de despedida para a família:... “Amei muito vocês e vou tranquilo. Isso vai ser um alívio”.
  66. 66. Adriana de Oliveira era uma garota linda e cheia de sonhos, tida por todos que a conheciam como uma pessoa meiga, doce, brincalhona e amante da vida.Era boa aluna na escola, e tocava piano.
  67. 67. A jovem de 20 anos, de olhos azulados, pele morena e cabelosescorridos pelos ombrosiniciava uma promissora carreira como modelo. Parecia ser uma dessaspessoas abençoadas, paraquem nada dá errado na vida.
  68. 68. No entanto, a vida deAdriana toma um outrorumo após o namorado,um rapaz que cursa o 3ºano de direito e filho de um bem-sucedido advogado, a apresentar ao mundo das drogas.
  69. 69. Quão tênue e vulnerável é a linha que separa a experimentação e o uso recreativo do risco potencial que as drogas representam.
  70. 70. Durante uma festa numa chácara, Adriana passa mal,sente dificuldades pararespirar e apresenta um quadro convulsivo. Ao ser transportadapara o pronto-socorro já é tarde demais.
  71. 71. O laudo médico revela a causa da morte: – uma mistura fatal de álcool,maconha e cocaína. Mais uma precocepartida, aos 20 anos.Mais uma históriainterrompida pelo álcool, pela maconha e cocaína.
  72. 72. Diante das históriasde Adriana, Nelson, Cristiane e de tantos outros jovens, talvez seja hora de refletirmos sobre osvalores que norteiam a nossa sociedade.
  73. 73. Uma sociedade de consumo voraz, quetransformou a busca do prazer imediato e da satisfação numa condição existencial essencial.
  74. 74. Jovens desorientados, que buscam nosprazeres ilusórios uma forma de se libertar do peso de uma sociedade quedesumanizou o homem e humanizou o dinheiro
  75. 75. Tristes retratos do fracasso dos laços de sociabilidade familiar e comunitária. O desamor e o não-reconhecimento afetivo servindo de pilares para uma vivência
  76. 76. Que sociedade éesta que construímos,tão repleta de valores desvirtuados? Talvez seja hora de,enfim, refletirmos com mais atenção sobre o impacto devastador da nossa atualprogramação televisiva, que golpeiaespecialmente, com cruel violência, crianças, jovens e adolescentes.
  77. 77. Anúncios que associam a felicidade e o bem-estar ao consumo de bebidas alcoólicas.(uma droga tão ou mais nociva que as
  78. 78. Artistas com imenso apelo junto ao público infanto-juvenil servindo de“exemplo” para gerações de crianças e adolescentes.
  79. 79. Empresários, artistas, publicitáriose donos de emissoras de tv faturam bilhões.E nós arcamos com os danos e custos sociais decorrentes.
  80. 80. Programas que massacram a subjetividade e anulam o senso crítico,banalizando e mercantilizando a existência.
  81. 81. “Vamos bisbilhotar” “Pode espiar à vontade” “Pra que educação, arte ou cultura?”“Vamos banalizar a existência” “Viva a futilidade!”
  82. 82. A torrente abusiva de publicidade que invade os lares e formata a mente de crianças e adolescentes desde a mais tenra idade.
  83. 83. A mensagem impregnada em mentes indefesas, de que somos o que possuímos, e que viver se resume a consumir.
  84. 84. “Troque de carro, troque de celular, beba mais cerveja, etc. etc. etc...”
  85. 85. Uma vida centrada em bens materiais,uma existência sem um sentido ou propósito mais nobre.
  86. 86. Nada melhor do que a televisão para preencher uma vida vazia,carente de aspirações elevadas e sem padrões morais firmes...
  87. 87. Não seria uma vidavazia de propósito,sentido e conteúdo uma porta de fácil entrada para o abuso do álcool, a maconha, a cocaína, o crack e todas asdemais drogas que entorpecem a mente?
  88. 88. Talvez seja hora derefletirmos sobre como a atual programação televisiva está contribuindo parasolapar as bases éticas e morais necessárias para que crianças, jovens e adolescentes possam resistir às falsas promessas que asdrogas (lícitas e ilícitas) oferecem.
  89. 89. Acreditar que as forças policiaisconseguirão sozinhas algum diaresolver o problema das drogas é ignorar as causas reais que alimentam a degradação moral,e o tráfico e vício subsequentes.
  90. 90. O máximo que as forças policiais isoladamente conseguirão éprosseguir na suaheroica tarefa de“enxugar gelo”,... ...entupindo cada vez mais e mais e mais as já desumanas e superlotadas prisões.
  91. 91. Para reverter a batalhacontra as drogas, devemosbuscar novos paradigmas sociais e existenciais.Buscar corrigir as causas estruturais que conduzem ao vício que alimenta o tráfico.
  92. 92. Vejamos alguns componentes do nosso complexo mosaico social tão repleto de falhas, que precisam ser discutidas e sanadas caso queiramosconstruir uma sociedade soberana e livre:...
  93. 93. s Corrupção s Política Graves Desigualdades s Baixa qualidade da Educação Sociais Uso de s Drogas Ilícitas Criminalidade Consumo de s e ViolênciaBebidas Alcoólicas Pobreza Moral e Cultural Individualismo Exacerbado Programação Materialismo Televisiva e Consumismo s
  94. 94. s Corrupção Política Graves s Talvez seja hora Desigualdades s Baixa qualidade de acordarmos da Educação para o fatoSociais de que Uso de a epidemia s Drogas Ilícitas das drogas é apenas Criminalidade um dos sintomas Consumo de s e ViolênciaBebidas Alcoólicas de um problema Pobreza Moral mais amplo, muito e Cultural que encontra sua origem Individualismo no grave descaso Exacerbado com a Educação Programação Materialismo no país. e a Infância Televisiva e Consumismo s
  95. 95. O escritorJosé Saramago dizia:“Para se acabar com as velhas prisões, É necessário construirnovas escolas.”
  96. 96. “No Brasil, a educação das massasainda é uma utopia verde-amarela.” Silviano Santiago
  97. 97. Na guerra contra as drogas,mais importante do que soldados e policiais são os professores e educadores.
  98. 98. Uma educação plena, capaz de transmitir valores e virtudes, conduzindocada criança em direção à sua plenitude.
  99. 99. Uma educação capaz de banhar de sentido, propósito e bondade as vidas que iniciamsua jornada pelos caminhos do mundo.
  100. 100. O legítimo anseio que todos trazemos no peito, de descobrir por que existimos,e de revestir os nossos dias de beleza, poesia,
  101. 101. O desejo de “ver com olhos livres”. A “alegria dos que não sabem e descobrem”.
  102. 102. Há que se cuidar do broto,para que a vida nos dê flor e fruto.
  103. 103. Trocar o amargo reprimir e remediarpela doçura de amar, ensinar, prevenir, e juntos descobrir.
  104. 104. “Só a participação cidadã é capaz de mudar esse país.” Betinho
  105. 105. Um outro mundo é possível.
  106. 106. Projeto “Compaixão e Cidadania”Um espaço para refletirmos sobre temas essenciais. compaixao_cidadania@hotmail.com
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