Pub jornal 2012_c1

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  • 1. Jornal de Filosofia 2012Agrupamento de Escolas do Forte da Casa
  • 2. Caros leitores.Tal como no ano letivo anterior este Jornal surge no âmbito da realização do pro-jeto pedagógico do Grupo de Filosofia do Agrupamento de Escolas do Forte da Ca-sa. Tentamos nele abranger o conteúdo programático da disciplina, principalmenteno âmbito do disciplina de Filosofia. Optámos por um tipo de abordagem diferente,não tanto como um jornal mas mais como uma coletânea de ensaios elaboradospor alunos sobre temas chave para a disciplina. Por ser nossa intenção mostrar quea disciplina pode e deve ser oferecida de forma acessível, inteligível, praticável, mes-mo empolgante. Pretendemos mostrar que a Filosofia não tem que ser um “bichode sete cabeças” mas sim um instrumento de abertura de horizontes, de espíritos,mentalidades, de participação, mas principalmente de abertura para o facto de, porsermos seres pensantes, de termos capacidade de nos interrogar sobre o MUNDOque nos rodeia, sobre NÓS e sobre os OUTROS,Se tu ES, tu RESPIRASSe tu respiras, tu FALASSe tu falas, tu PERGUNTASSe tu perguntas, tu PENSASSe tu pensas, tu PROCURASSe tu procuras, tu EXPERIMENTASSe tu experimentas, tu APRENDES Se tu aprendes, tu CRESCES E quando cresces, tu DESEJAS Se tu desejas, tu ENCONTRAS Se tu encontras, tu DUVIDAS Se tu duvidas, tu PERGUNTAS Se tu perguntas, tu ENTENDES Se tu entendes, tu SABES Se tu sabes, tu QUERES SABER MAIS E se tu queres saber mais, ESTÁS VIVO...
  • 3. Afinal, a Filosofia...Eu antes pensava que filosofia era uma coisaestúpida por ser ignorante. Ser ignorante não énão saber fazer contas de matemática ou nãosaber resolver a teoria quântica de não seiquem. Ser ignorante é pensar que sabemos tu-do, que tudo é assim, que não há volta a dar.Que o sol é amarelo, mas sei lá eu se o sol é osol, se é amarelo, verde ou ás bolinhas ? Nin-guém me garante. Antes também acreditavampiamente que o mundo era quadrado, e séculosdepois, uma alma pensadora, disse que não, …/...apresentou uma teoria. Tal como os poucos se- Um ser livre , como eu um dia me espero tor-res pensantes neste mundo, pois a maior parte é nar , têm a capacidade de responder, de agiruma cambada de ignorantes, ele foi livre. Mas como quer , logicamente é um ser com livreesta capacidade de ser livre é uma enorme res- arbítrio, por tomar as suas decisões, tendo emponsabilidade .Um ser livre, como Jean Paul Sar- consideração a sua vontade. Mas não posso detre disse , é uma grande responsabilidade, pois deixar de pensar no que eu não controlo . Tãoum Homem livre carrega o peso do mundo nos teoria afirmada como determinismo, em queombros. A liberdade pode nem sempre ser tão basicamente, tudo o que acontece têm umadoce como nós pensamos. Ser livre implica esco- causa , e por consequentemente um efeito , elher, decidir como agir , é errado vermos um ser tal acontecimento completa o anterior. É basica-livre como Deus Todo-Poderoso , ser omnipo- mente uma cadeia viciante. Mas os conceitostente , a liberdade não significa poder fazer tu- não valem nada se não forem aplicados, serãodo , a liberdade dá-nos não a completa capaci- apenas mais palavras, mas entulho , para encherdade de decidirmos o que acontece, ou o que o mundo. Portanto , eu chamo-me Sofia. Nãofazemos, pois há muitas coisas que estão fora do escolhi que o meu apelido seja Linguiça , nãonosso controlo, mas sim a capacidade , a manei- escolhi ser Portuguesa, não escolhi ter meio pal-ra de respondermos , de reagirmos como quere- mo de testa, não escolhi ter uma falha nos den-mos, dentro dos nossos limites. Podemos ligar tes , nem muito menos ter nascido ás nove ho-isto um pouco ao livre arbítrio. ras da manhã de uma fria manhã de dia 18 de …/... Fevereiro , isto supera-me. São coisas que não controlo, mas que independentemente da mi- nha vontade aconteceram. Agora com as tonela- das que o mundo me pesa, sou um pouco livre, posso reagir perante esses acontecimentos.“A capacidade de ser livre é uma Aceitar a minha falha nos dentes, usar sapatos altos para ficar com três quartos de palmo em grande responsabilidade…” vez de meio . Pedir para não me chamarem Lin- guiça e para não ser fria como a manhã de inver- no em que nasci. Está tudo á minha disposição , quando tiver a capacidade de ser livre , física e emocionalmente, logo vemos o que vou fazer, mas quer queira quer não, há coisas que estão traçadas. Sofia Linguiça
  • 4. Ética e MoralO que é a Ética? Depois de refletir sobreo que eu acho do significado da mesmaposso dizer que a Ética é um conjunto devalores que orientam o comportamentodo Homem em relação aos outros Ho-mens na sociedade em que vive, garan-tindo assim o seu bem-estar a nível soci-al. Para mim a Ética está muito relacio-nada com a subjetividade de cada um denós, porque a Ética está relacionada coma nossa consciência, por outras palavrasa nossa voz interior. A nossa consciênciaé o que nos permite uma análise do Beme do Mal, através dos princípios que amesma nos dá. Claro que nem semprerealizamos ações muito corretas como por exemplo um indivíduo que decide roubar umaloja. Neste caso como o indivíduo não tomou a melhor das decisões, apesar de este pensarque conseguiu enganar toda a gente, engana-se, pois ele não consegue enganar a sua vozinterior que o irá atormentar por não ter tido uma boa atitude.O que é a Moral? A Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do Ho-mem na sociedade, estabelecendo condições de convivência com respeito e liberdade, poiscaso contrário se as mesmas não fossem estabelecidas, cada um de nós faria o que quises-se.Assim a Ética e a Moral completam-se uma à outra porque sem a Moral não seria possível aconvivência entre a Ética de cada um de nós sem que as mesmas se sobrepusessem umasàs outras e sem a Ética para além de nós não conseguir-mos distinguir o Bem do Mal nãoiríamos ter os nossos próprios princípios, seríamos como marionetas que seguiam as regrasestabelecidas.Em suma a Ética e a Moral são duas coisas distintas, indispensáveis para a nossa vida, e quenão vivem uma sem a outra. Assim concluo que sem a Moral não seria possível a convivên-cia, e sem a Ética a nossa vida não teria qualquer liberdade, tornando-se infeliz.“...Ética...a nossa voz interior…”“...sem a Ética a nossa vida não teria qualquer liberdade…”
  • 5. Ética e Moral . O novo bicho de sete cabeças.Ética e moral. Palavras banais ao início de aula passada. Eu sabia as definições que vêm no dicionário, eu achoque sou uma grande burra. Sou muito articulada, falo muito mas não sei metade do que digo. São letras queformam palavras e eu digo-as. É como se eu falasse do amor e não o conhecesse. Falo de ética e nem sei oque significa. Hesitei bastante ao escrever este texto pois não tinha inicialmente compreendido a conceito naaula. Estava demasiado aérea. E a filosofia requer muita concentração. Agora estou aqui em diante do meuportátil a tocar nas teclas e a ver o que sai. Sempre me disseram que eu era uma pessoa muito imoral , oupelo menos a minha avó sempre disse, pois eu nunca consegui chegar ás expectativas dela. Fazia sempre ocontrário do que ela me pedia. Quanto mais crescia mais me afastava do caminho que ela quisesse que eutomasse, parece que ela tinha já tudo pensado e nisso saio muito a ela. Nestes meus anos de adolescência,que são vistos como os cruciais para a definição da minha personalidade, eu tenho-me afirmado bastante emantido fiel aos meus princípios. O Homem está sempre na procura da linha reta, na “retidão da mente” , nomodo de fazer as coisas da maneira mais certa. De se manter na linha. Apesar de eu me aparentar muito“alinhada” não é nada disso que parecem achar. Sempre tive opiniões muito vincadas e sempre me mantivefiel aos meus princípios. Á minha ética. Mas muita gente prefere a porcaria da moral. Se cada um de nós nãoacreditasse em ética, nos seus princípios eramos todos um bando de autómatos, sem coração e que faríamostudo “by the book”. Eu não quero ser assim. Eu prefiro arranjar dez mil discussões do que ceder a normas, ámoral. Que o diabo leve a moral e a enterre. Eu já arranjei tantos problemas devido a ela. Sou uma pessoaextremamente imoral para umas coisas, e muito ética para outras. Há coisas que necessitam da moral , oumelhor, da GRANDE FRASE “ é assim que nos devemos comportar, porque assim é que é certo”. Isso é neces-sário porque senão o mundo era uma enorme rebaldaria e não havia nenhuma ordem. Mas menospreza-se avoz interior das pessoas. Calam-na com um monte de regulamentos só porque “assim é que têm que ser “ diza minha avó. Diz toda a sociedade. Ainda no outro dia, no Parlamento da Madeira , José Manuel Coelho sen-tou-se no lugar do Sr. Alberto João Jardim, para demonstrar a falta de comparência deste. Apareceram logoimensos guardas para o levarem de volta. Ele foi moral, seguiu as normas ? NEM PENSAR. Mas foi ético . Ou-viu a sua voz interior que dizia para ele protestar. E eu acho que as pessoas querem apagar a ética do mapaporque há muita coisa que não lhes interessa ouvir. A sociedade quer ficar agrilhoada nas normas. Natural-mente dizem que as leis são para proteger todos e que agradam a todos. Isso é tão mentira como eu ser boa amatemática. Estes dois conceitos só se poderão conjugar quando cada um deles se negar a si próprio. Os éti-cos negarem a sua ética e os moralistas a sua moral. E trocarem de lados. Viverem um dia com pressupostosdiferentes e verem como a sua casmurrice possa afetar os outros seres humanos. Numa vida em sociedadetêm que haver bastante “compromising” temos que saber lidar uns com os outros e o atual regime impostoquase na maioria dos países é a Democracia. Democracia significa povo ao poder. O povo não está nada nopoder porque não é ouvido. O povo é que sabe o que sofre todos os dias , e sabe que as leis da constituiçãonão estão de acordo com o que se passa no mundo.Eu estou bastante emocionada a escrever isto porque se as pessoas tivessem o tempo para se ouvirem umasás outras , viveríamos muito melhor. Será legítimo qualquer pessoa deixar de viver como quer porque não éassim que deve ser? Que eu saiba não estamos enclausurados. Em suma, estes dois conceitos são completa-mente conciliáveis. Cada um deles simplesmente têm que se negar a si próprio e ver o outro. Pode-se ser mo-ral e ético . Pode-se ser correto e fiel e si mesmo. O problema disto tudo é que estamos muito aceleradospara perceber isso. Estamos mais ocupados a ver quando sai o novo iPhone. Quando a sociedade quiser tudose fará e estes dois conceitos conciliarão se perfeitamente. “ Como devemos agir, como devemos fazer e sim-plesmente as coisas em que cada um acredita.” Não sei se isto está algo que preste, mas não o conseguia fa-zer de outro modo. Não seria ético da minha parte. Não consigo escrever textos profundos com palavras ca-ríssimas porque não sou assim. Eu não escrevo palavras eu escrevo sentimentos. Eu sou ética e simplesmenteestou bem assim. Sabe muito melhor estar fora da linha, do que viver a vida que outros escolheram para mime poder ser o que quero. Peço desculpa pela desilusão. Sofia Linguíça
  • 6. “...Vai para a direita, Tiago...”“...atirar um caderno ao chão …” Ética e Norma Moral Quantas vezes já quisemos ir contra as regras estabelecidas? Contra aquilo que é a lei, a dita norma moral? Quantas vezes já nos quisemos comportar de maneira diferente aquilo que é suposto e se espera de nós? Dar-lhes um gran- de encontrão e fazermos o que a nossa voz interior diz, a nossa ética? É que, talvez seja novidade para alguns, mas as leis nem sempre são éticas. As leis obedecem a preconceitos que a sociedade foi criando ao longo do tempo, limi- tam o pensar e o fazer, criam muros na nossa vida onde se pode ler em gran- des letras ‘NÃO PODES FAZER ISTO’. Por exemplo, a norma moral diz-me que eu não posso atirar um caderno ao chão enquanto estou a ler este texto, não é de bom tom. É extravagante. A minha ética diz-me para o fazer. Para arriscar. Ups! Tiago – 1 Norma Moral – 0. A minha ética não se importa com os olhares que neste momento me estão a lançar das mesas lá de trás. A ética, a minha ética, é livre. Procura uma liberdade que não se encontra num Código de Direi- to, é uma liberdade interior que se projeta para o meu exterior. Procura uma liberdade que me permita ser feliz, que melhore o meu modo de vida, que me ajude a construir uma escala de valores reais. É aquela voz que me sussurra ao ouvido “Vai para a direita, Tiago” quando todos os outros vão para a esquerda. No início, era apenas isso, um sussurro. Agora, que penso sobre tudo o que es- tá à minha volta mas também naquilo que está dentro de mim, é uma voz cla- ra, definida e que me orienta. “...Pensar. É tão gratuito. Tão vasto…” Porém, não somos perfeitos, limitamo-nos à nossa simples condição humana e nem sempre seguimos o que a ética nos diz. Daí nos depararmos com os nos- sos problemas e situações menos agradáveis que vamos enfrentando ao longo da vida. Não receio no entanto todos esses desafios que me são colocados, tal como Sartre disse “O Homem está à altura de tudo o que lhe acontece”. Se eu TIAGO!!!...‘NÃO PODES FAZER ISTO’... pensar, se a Catarina aqui ao meu lado pensar, se nós pensarmos e se o mun- do pensar, talvez consigamos viver numa sociedade ética, numa dita utopia. Pensar. É tão gratuito. Tão vasto. Resta-me apanhar o caderno do chão. A normal moral exige. Por enquanto. Ti- ago Silva “...não somos perfeitos…”
  • 7. Ética e norma moral em Filosofia Ética e moral, que conceitos tão abstratos esses, com que me deparei no dia de hoje. Ética e moral, mas o que afinal é isso de ética e moral? Já utilizei tantas vezes estas miseras pala- vras e de repente, no momento em que me perguntam, qual o seu significado?, eu paraliso, paraliso não por não ter vontade de falar, mas pelo facto, de ao pensar nestas duas palavri- nhas deste modo eu não sei o que elas são. De facto, pergunto-me, o que é que faz com que a minha pessoa utilize expressões, sobre as quais desconhece o verdadeiro significado? E assim a minha mente ficou presa a essas expressões durante horas, ética, moral, moral, ética, porque é que eu não consigo responder? E esta pergunta permaneceu e permane-“...a moral é o que torna possível a convivência entre as inúmeras diferenças éticas existentes…” ceu, tentei ir até ao fundo da questão e procurar respostas para estas novas perguntas e perguntas para essas mesmas respostas, questionei-me, juntei ideologias, juntei significa- dos e eis que algo começou a fazer sentido. Se a ética é algo esta associada ao “bom”, isto é se quando somos generosos, amigáveis, compreensivos, estamos a ser éticos, então supo- nho que a ética se relacione com o conjunto de valores que cada ser humano possui. Sendo assim, cada um de nós vive mediante as nossas próprias Éticas, sendo que cada individuo tem as suas e rege a sua vida de acordo com as mesmas. Posto isto, se a ética na minha ma- neira de ver se relaciona com o facto de “algo” ser bom para nós próprios e para toda a so- ciedade, então julgo que a moral tenha a ver não com aquilo que nos achamos ser o “bem” mas sim com o que nós achamos ser o “justo”. Ou seja, se a ética se relaciona com os valo- res de cada um dos membros de uma comunidade então a moral associa-se ao respeito e à liberdade dos mesmos. Tornando-se então a moral a ponte que liga as diferenças éticas umas às outras, isto é, a moral é o que torna possível a convivência entre as inúmeras dife- renças éticas existentes, fazendo com que todas elas se respeitem sem que umas se sobre- ponham às outras, sendo que de certo modo a moral prevalecerá sobre a ética. Após ter culminado neste ponto, as minhas noções sobre este tema, passaram a fazer muito mais sentido, sendo que, pelo meu ver a ética está associada às noções que o ser humano possui de carácter, de virtudes, isto é, a ética relaciona-se com as decisões de cada um de nós so- bre aquilo que somos e não somos, sobre aquilo que um dia gostaríamos de ser, da manei- ra como cada um de nós enfrenta cada situação, seja ela positiva ou negativa, sendo que todas as decisões da qual o propósito irá dar um determinado sentido a nossa vida, serão então decisões éticas. O que já não acontece exatamente com a moral, uma vez que esta, está muito mais associada na minha maneira de ver aquilo que está correto para a socieda- de onde nos encontramos, ou seja, a todos os conceitos de justiça, responsabilidade e de limites. A moral tem sobretudo a ver com a nossa liberdade sendo que o direito de realiza- ção das nossas ações só é permitido até aos limites dos restantes, impedindo-nos de sobre- por os nossos limites, violando os limites dos outros indivíduos. Em suma, a conclusão a que chego é que ambas as coisas são indispensáveis à nossa existência. Com uma grande diferença, que quem age moralmente têm de respeitar a comunidade onde está inserido e pode ser contemplado ou crucificado por isso. No entanto quem age eticamente, respeita simplesmente os seus valores e as suas ideologias sendo que também pode ser contempla- do, mas no entanto não pode ser punido pelas suas ações, mesmo sendo estas infelizes. Resumindo a moral é a res- ponsável por tornar a nossa convivência com os restantes possível, visto que, sem moral a nossa convivência em co- munidade seria impossível, no entanto sem a ética, esta seria lamentável e desprezível.
  • 8. ? ? ? ? ? ? Ética e Norma Moral ! ! ! ! ! !A ética é a voz interior, a consciência, que avisa quando algo está certo ou quando algo está errado. É aquela vozinha que nos atormenta se Eu não sou ninguém se não tiver ética. A ética é a voz inte- rior, a consciência, que avisa quando algo está certo ou quando algo está errado. É aquela vozinha que nos atormen- ta se fazemos algo que ela já nos havia dito que estava er- rado. Mas também pode fazer com que nos sintamos bem ao tomarmos decisões corretas. Faz parte da minha subjetivi- dade. Por exemplo, se eu roubar, a minha consciência vai acusar-me que a minha ação está errada. Mas se eu roubar muitas vezes, desrespeitando a minha consciência, ela vai deixar de me acusar quando eu roubar. Na minha opinião, a consciência tem de ser respeitada, por que ela é o verdadei- ro guia da nossa vida. A norma moral refere-se aos princípios já estabelecidos que nos “obrigam” a seguir determinados comportamentos. A ética pode ajudar-nos a discernir as consequências das nor- mas de moral, mas também pode dizer-nos algo completamente contrário a elas. Por isso, pode dizer-se que a nossa voz interior nem sempre está totalmente de acordo com as normas morais. O que nos deixa numa posição um pouco ingrata. A quem devemos obedecer? Às normas morais ou à consciência? A nossa consciência pode ser influencia- da pelas nossas convicções ou até pela educação que nos deram, pelo que na minha opi- nião devíamos tentar estabelecer um equilíbrio. Em determinados assuntos teremos de respeitar as normas morais para evitar punição, mas em outras ocasiões temos seguir o que a nossa vozinha interior nos diz. No entanto, é curioso notar que a nossa consciên- cia dita como certas as ações que envolvem o respeito pelos outros e, acima de tudo, quando essas ações envolvem as nossas crenças. As normas morais são iguais para várias pessoas de várias nacionalidades, mas não exis- te duas pessoas com éticas iguais. A ética é algo individual, que pertence a cada um de nós. Por isso nem todos concordamos com tudo o que outros fazem, pois o que a nossafazemos algo que ela já nos havia dito que estava errado. voz interior nos diz que está errado, a outros, a sua voz interior pode dizer que está correto. Na minha opinião, apesar dos contrastes evidentes entre ética e normas morais, as nor- mas morais não podiam existir sem a ética, porque se não existisse a consciência, quem dita essas normas não poderia saber se o que estava a implantar estaria certo ou erra- do. Por fim, na minha opinião a ética também está intimamente relacionada com a liberda- de, porque uma pessoa sem liberdade não pode fazer uso da sua ética para tomar ações livres, apesar de ela continuar a existir se não houver liberdade. O que se pode dizer é que ela não seria usada para a tomada de decisões mas apenas para julgar ações de ou- tros, já que a nossa consciência também nos permite caracterizar as ações de outras pessoas e julgá-las por essas mesmas ações. Por isso, eu digo que a vida não teria o mí- nimo sentido sem ética, pois se não tivéssemos um guia próprio dentro de nós, vivería- mos uma vida completamente vazia, já que não tomaríamos ações baseadas na nossa própria consciência. A minha consciência pode influenciar, e muito, o tipo de pessoa que sou, desde que eu siga as suas instruções. Sofia Linguíça
  • 9. “A consciência assume-se como primeira resposta.” Ética e Norma Moral. Todos os seres humanos possuem em si, uma “vida” no seu interior, aquilo que modifica as suas ações. Essa vi- da leva-nos a refletir e a consciencializar sobre o bem e o mal, o correto e o incorreto,.. Afinal de contas o que é esta vida, que nos faz ser diferente de todos os outros seres? A consciência assume-se como primeira resposta. To- das as nossas ações são posteriormente analisadas a par- tir da nossa reflecção e condenadas pela nossa consciên- cia. Consciência essa que nos dá uma perceção de como havemos de agir de uma forma posterior. Por exemplo, o facto de numa bela tarde de sol, decidir em vez de brincar no parque ir roubar rebuçados na loja, faz com que por conse- guinte a minha consciência me diga que tal Acão foi completamente errada. Com isto, a dita consciência poderá penalizar-me de uma forma temporariamente indefinida. Podemos de certa forma, aceitar toda essa penalização, mas temos a nossa grande arma, a liberdade. Quero com isto dizer que temos liberdade para enfrentar a nossa própria consciência e aí entrar numa grande guerra interior, de um lado a consciência e do outro aquilo que o nosso coração nos diz. A única consequência de toda esta batalha é o sofrimento, aquilo que nos “...temos liberdade para enfrentar a nossa própria consciência…” consegue destruir das formas mais cruéis. Quero com isto dizer que a ética está ligada á subjetividade de cada individuo. Esta grande individualidade da ética é bastante importante para que seja possível a norma moral. A norma moral é determinada pelo conjunto de leis que faz com que um individuo as siga de forma determinada. Ao contrário da ética a norma moral é algo exterior a nós próprios, ou seja, algo que não conte-mos dentro de nós e que não detemos o controlo. Trata-se a penas e só de uma prescrição, um código a seguir. Também contradizendo a ética, a norma moral é algo que engloba a objetividade de cada individuo. Apesar da adversidade entre estes dois grandes condutores da vida, existe uma compatibili- zação entre elas. O grande exemplo desta afirmação verifica-se na politica, por exemplo, ao estado se abrir á opinião pública, de forma a que a ética de cada um interfira na norma moral do estado. Para mim apenas ambos, estes grandes pilares, são importantes e mostram a sua relevância na Acão de cada um de nós, e é óbvio que seria uma impossibilidade viver sem um deles, pois estes são o grande motor da Acão humana. Personalizando, para mim seria-me total- mente impossível existir sem ética. O que seria de mim se não tivesse a minha grande ami- ga, que me alerta para o bem e para o mal? Poderia assim magoar alguém sem ter noção que estava completamente a ser cruel (má) ou por outro lado estar a ajudar alguém e não ter a perceção que lhe estava a ser boa. Se assim o fosse não me consideraria humana, mas sim outro ser inimaginável. Por outro lado as normas morais também me são efetivamente necessárias. O viver sem regras, nem que sejam leis próprias é completamente impensável, é de certa forma um viver por viver. Com tudo isto quero dizer que a ética e as normas mo- rais contribuem completamente para que eu seja um ser racional e não um ser completa- mente impossível de visualizar, não só em ter-mos visuais mas também em termos filosófi- cos. Simplesmente não seria nada. Inês André
  • 10. Ética e normal moralO que é a ética? A ética está ligada à subjetividade de cadaum de nós, é aquela voz interior com que estamos todosfamiliarizados em chamá-la de consciência. Essa consciên-cia alerta-nos, quando estamos a fazer uma determinada Acão, do que é cor-reto ou errado. Cada indivíduo possui uma ética distinta de todas as outras,pois esta baseia-se no tipo de educação que cada um recebeu e o tipo deambiente que o rodeia, influenciando, assim, a sua subjetividade. No entan-to, as normas morais tem características mais distintas.A norma moral é externa e objetiva, são as leis da sociedade que nos dizemqual é a maneira correta de todos agirmos, uma espécie de ética globalizada,ideal para a sociedade. O problema é que como a ética é subjetiva e individu-al, nem sempre se harmoniza com as normas morais. Alguns indivíduos comdeterminadas éticas podem estar de acordo com uma certa norma moral,mas outros podem estar contra esta mesma. Por exemplo, uma pessoa queacabou de mentir a um amigo, por razões que são irrelevantes para o caso,sente-se culpado por o ter feito pois a sua consciência sempre lhe disse queé errado mentir, mas se o sujeito da mesma Acão fosse um individuo cujaconsciência lhe dissesse que não haveria mal algum em mentir, então esseindividuo não sentiria tanto peso na consciência como o que se sentiu culpa-do pela Acão. Até mesmo quando existem protestos ou greves contra umadeterminada lei imposta pelo governo, a causa por detrás disso é o facto daética dessas pessoas estar contra essas leis, daí as pessoas revoltarem-se.Em síntese, a ética refere-se à reflexão do porquê de considerarmos válidosos costumes e as normas das diferentes morais. Faz-nos refletir sobre qualserá a maneira mais correta de vivermos de acordo com a nossa subjetivida-de. A moralidade remete-nos para o conjunto de normas e de códigos exis-tentes em cada sociedade, fixando a noção do que será bom ou mau.“...são as leis da sociedade que nos dizem qual é a maneira correta de todos agirmos, uma espécie de ética globalizada, ideal para a sociedade.” Catarina Sousa
  • 11. ÉTICA…(S)….“...é uma reflexão interior em relação a cada um de nós.” Bem, na minha opinião, a ética, trata-se de uma questão indivi- dualista, pois é um conjunto de ações que cada pessoa toma considerando as mesmas como corretas ou incorretas. A ética defende o facto de que são as consequências que tornam uma Acão moralmente correta ou incorreta, assim as intenções do agente são de um mo- do geral desvalorizadas, pois o que se avalia não são propriamente as inten- ções do agente, mas sim as consequências de uma mesma Acão tomada. “...são as consequências que tornam uma Acão moralmente correta ou incorreta…” É como que adquiríssemos ética por hábito. Para mim a ética é uma reflexão interior em relação a cada um de nós, é o nosso modo de ser e pensar, o que nos atribui características boas, ou más, ou especiais, ou egoístas, etc. Acho que a ética também pode estar relacionada com a nossa liberdade, de escolher entre fazer o certo ou o errado. A nossa liberdade e a nossa ética, são elas que orientam o nosso comportamento em relação às outras pessoas. Exemplificando, uma pessoa ao passar por nós deixa uma carteira cair no chão, eticamente correto seria devolvermos a carteira, eticamente incorreto, seria ficarmos simplesmente com a carteira sem dizermos nada á pessoa que a perdeu. Porém, aspetos eticamente corretos podem ser influenciados por fatores ex- teriores a nós, como por exemplo, estarmos num grupo de amigos e os mes- mos nos incitarem a não devolver a carteira, podemos até nem devolvê-la, o que é moralmente incorreto, por sermos influenciados por esses mesmos ami- gos. Aqui, já se trata um pouco mais de moral que de ética. Basicamente, a moral é um conjunto de condutas pré-estabelecidas por uma sociedade, que são consideradas assim mesmo como corretas ou incorretas pelo grupo, pela sociedade e já não apenas por um só indivíduo. Esta, a moral, está diretamente relacionada com costumes. Em suma, ética e moral, são dois conceitos para uma mesma realidade. Inês Lopes
  • 12. “Sinto o frio que está lá fora nesta noite de Janeiro e ouço o silêncio.” A Morte Moral “A Morte de Ivan Ilitch” de Leo Tolstoy é uma das obras mais admiradas deste escritor. Deparei-me com este pequenino livro com não mais de 70 páginas numa estante que nem sequer salta à vista. Pensei ser uma leitura leve, uma simples história sobre o acontecimento da morte de uma pessoa. Não podia estar mais enganado, pois foi provavelmente dos livros que mais me fez pen- sar até hoje. Apresenta-nos a história de Ivan começando a narrativa logo com a notícia da sua morte, sendo os capítulos seguintes episódios anteriores da sua vida até ao momento fatídico da morte. E é precisamente no último excer- to do livro que é feita uma observação que me deu um clique, que mais uma vez me permite ir um pouco mais além na minha mente. “Ivan fechou os olhos para finalmente descansar. A morte tinha acabado”. A minha primeira reação foi de espanto mas então comecei a perceber: Ivan já estava morto há muito tempo. Não fisicamente, mas moralmente. A sua morte não é propriamente o momento em que o seu coração pára, Ivan vivia uma vida falsa e em constante negação com o seu eu. E não será uma vida artificial e construída em mentiras já uma espécie de morte, a morte moral que referi? Fiquei a pensar realmente nos conceitos de vida e de morte. Quantas pessoas com que nos cruzamos na rua apenas existem e não vivem? Quantos aniquila- ram completamente a sua voz interior, quantos a mataram? Quantos inverte- ram a sua escala de valores e já não perseguem aquilo que querem? E quantos já nem sequer pensam? Vivemos numa sociedade que está do avesso, e isso reflete-se em todos os sectores: na economia, na política, nas relações que nos rodeiam. Faz falta filosofia, faz falta pensar sobre quem somos e o que so- mos. Ou corremos o risco de já estar mortos e nem saber. Eu, Tiago Silva, sinto o teclado por baixo das minhas mãos. Sinto a luz do ecrã do computador a iluminar-me. Sinto o frio que está lá fora nesta noite de Ja- neiro e ouço o silêncio. Sinto a tempestade de pensamentos que me atravessa a mente, sinto a ânsia de saber tudo, de saber o mundo. Eu, Tiago Silva, estou vivo. Tiago Silva “Eu... estou vivo.”
  • 13. “Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.”“Mantenha suas palavras positivas, porque suas pa- lavras tornam-se suas atitudes.”“Mantenha suas atitudes positivas, porque suas ati- tudes tornam-se seus hábitos.”“Mantenha seus hábitos positivos, porque seus há- bitos tornam-se seus valores.”“Mantenha seus valores positivos, porque seus va- lores … Tornam-se seu destino.”
  • 14. O que é um valor? Se me perguntassem antes da aula, o que era um valor, o senso comum obrigar-me-ia a dizer que é a importância que damos a uma coisa. Depois de pensar nele do ponto de vista filosófico (começa a ser comum), consegui compreender que é algo muito mais complexo que isso. O valor nasce da interação que nós, seres humanos, estabelecemos com os obje-“Dar um pouco de nós, emprestá-lo às coisas preenchendo-as de significado.” tos. Desse modo, o valor não vai estar nas próprias coisas, mas sim no que lhes vamos atri- buir, dependendo da situação em que nos encontramos. É ele que ajuda a determinar as nossas decisões, que nos leva a agir duma maneira e não doutra. Como exemplo, escolher a água no deserto em vez de ouro, mas suceder o contrário se estivéssemos numa cidade. Sendo assim, o valor não é algo fixo e inalterável, mas sim algo mutável e que se adapta. Temos de ter em conta que existe sem dúvida uma hierarquia entre eles, valores que consi- deramos mais importantes e que pesam mais na tomada da decisão. No entanto, será o valor algo que nos torna independentes e que podemos escolher? Temos liberdade de hie- rarquizá-los e condicioná-los perante a situação ou será ela que nos condiciona a nós? São algo que vamos adquirindo por experiência própria e apenas dependentes da nossa própria consciência, assimilados por influência humana alheia ou mesmo colocados em nós por um ser superior, Deus? O valor nasce do processo de reflexão, mas não o podemos classificar como algo completa- mente subjetivo, pois não depende só de fatores inteligíveis e do nosso campo mental mas também por muitas condicionantes do nosso mundo físico. No entanto, também não é algo objetivo, pelo exemplo apresentado anteriormente. Então afinal, o que é um valor? Começo por dizer aquilo que não é: Não é apenas uma quantia monetária, ou princípios morais pelos quais nos regemos. O valor é a essência hu- mana, é mais uma vez, aquilo que nos distingue de tudo o resto e nos confere identidade. O valor é aquilo que dá sentido ao mundo, à vida, e pelo qual vale a pena viver. É algo que se encontra em nós, daí a expressão “dar valor”. Dar um pouco de nós, emprestá-lo às coisas preenchendo-as de significado. É a ideia e o conceito no seu estado mais expansivo. No entanto, os valores são, como tudo, suscetíveis de dúvida e crítica, surgindo assim tam- bém a expressão “juízos de valor”. Não nos dizem respeito só a nós, pois sendo algo bas- tante idiossincrático irão provocar diversas reações nos outros. Não querendo de modo al- gum limitá-lo, depois desta dissertação definiria valor tal como Lavelle disse: como a rutura com a indiferença. Tiago Silva
  • 15. O que são os valores? Eu antes de começar a falar dos valores propriamente ditos tenho a dizer que me sinto confusa, pois com tanta reflexão, já não sei se o que sei é verdade, enem sei se o que digo vale alguma coisa e finalmente percebo o significado de “pertencera algo maior que eu “, é uma constante inconstante, isto que sinto. Depois de passar 3dias a debater-me com este minha horrível dúvida, lá articulei, balbuciando uma respostafraturada. O valor não era o que eu pensava que era, confirmando a teoria de que eu nãosei nada. Um valor não é eu estar tipo a pensar no preço de um lamborghini, e sinto-mesaturada de passar os meus textos a dizer que é algo muito mais profundo que isso. Masé assim que são as coisas e eu não tenho culpa disso, os meus olhos não vêem as coisas apreto e branco. São desconfiados e sabem que há mais por de trás. Um valor, disse-me aminha mãe, compadecida, “ é uma grande regra que todos cumprem”. E isso é tão verda-de como eu estar em Malibu agora. Se todos respeitassem essa grande regra, por exem-plo, a de cumprir promessas, não havia desilusões. O meu pai sempre me disse que melevaria ao Porto e eu nunca lá estive, portanto chego á conclusão que não devo basear omeu texto nisso e que existem desilusões.Eu penso que os valores sejam influências inconstantes, os valores mudam de um dia pa-ra o outro, de pessoa para pessoa. Os valores são uma balança grande, com uns grandespratos dourados e que inconscientemente estamos sempre a pensar neles. Essa balançaestá na nossa cabeça, e pode ser para decisões banais como “ preto ou amarelo” ou co-mo a “desilusão ou a mentira?”. E é claro que eu vejo que os valores sejam muito corre-tamente aplicados em situações verdadeiras, em situações que exijam mais de nós, quetenham repercussões. Que façam barulho e que causem danos. Que façam mudar o meuconceito sobre qualquer coisa num clique, que me toldem visão, mas que me abram osolhos. E que todos os valores que a minha santa mãe me incutiu sejam verdadeiros ounão.É os interessantes os valores, da conceção de valor, porque num momento o “não min-tas” que a minha mãe me disse todos os dias passe a ser secundário. Que ela um dia meproíba de algo que eu pretendo genuinamente, e pode ser algo até elevado ao amor. Euaí vou rejeitar o valor que ela me incutiu, vou mentir-lhe, apesar de o odiar e de me sentirculpada, iria me custar mais ter perdido a minha felicidade. A minha prioridade mudou.Ou então o exemplo de “ não roubes”. Se alguma vez eu me visse na situação de não tercapacidade de conseguir sustentar os meus filhos, eu roubaria. A minha prioridade mu-dou outra vez. Nestes exemplos, só se pode avaliar conhecendo o amor e o desespero, equem não os conhecesse, ou até só mesmo eu própria podia avaliar, pois felizmente cadaum de nós é diferente, não vê tudo com os mesmos olhos, não têm as mesmas priorida-des, não têm as mesmas influências. E isso torna-se algo interessante, nem toda a agentepensar da mesma maneira senão seríamos todos uns autómatos. Eu não sei se o valorque tenho é os corretos, se os vou destruir, se os vou preservar. Não sei as escolhas quevou ter que fazer, e as prioridades estão sempre a mudar. Só posso contar com a minhacapacidade de avaliação, com a minha reflexibilidade recentemente adquirida, com a mi-nha ignorância, e por fim, com a balança. Sofia Linguiça
  • 16. “...deixando de ser apenas “mais um” no meio de tantos outros, passando a ser “aquele um” entre todos os outros.”O que são valores em filosofia?Quando optamos por realizar uma determinada ação no lugar de outra, ou seja, quandodecidimos fazer um determinado “algo”, estamos a realizar uma escolha, escolha essaque não seria possível de obter caso não tivéssemos realizado uma profunda reflexão an-teriormente sobre ela mesma. Manifestando então, certas preferências da nossa parte,de umas em relação às outras. Isto é, acabamos então, por evocar inconscientemente,certos motivos para justificar as nossas decisões. Motivos, esses que se poderão apoiarem factos, pois é certo, que existirá uma razão no nosso subconsciente que nos fará optarpor determinada coisa, face a outra, no entanto, essas mesmas escolhas tem sempre deter implícitas nelas certos valores. Valores esses que acabaram por justificar ou legitimaressas nossas mesmas preferências. Ou seja, os valores são critérios segundo os quais va-lorizamos ou desvalorizamos algo, isto é, os valores são critérios segundo os quais damosuma determinada importância a uma determinada coisa, face a um determinado momen-to, necessidade ou situação. Pois os valores são algo que numa determinada situação iráter uma diferente importância face a nossa necessidade, de modo que esses mesmos va-lores são algo que terá uma determinada importância quanto as nossas ações, pois são osnossos valores pré-concebidos que acabaram por influenciar qualquer uma das nossasações. Por muito mínimas que estas sejam, tornando-as preferíveis em relaçãooutras. Posto isto, julgo que um valor reporte-se pelas relações entre as razões pelasquais realizamos determinadas ações, justificando-as. Pois na minha humilde opinião osvalores serão considerados de um certo modo aquele “algo” que acaba por “colocar emmovimento”, todos os nossos comportamentos, bem como as condutas das pessoas pe-rante as suas próprias vidas. Pois ao longo da nossa vida estamos constantemente a reali-zar juízos de valor e a guiarmo-nos mediante os mesmos. Logo, julgo que, eles, os valores,acabam por orientar a nossa vida, marcando a nossa própria personalidade, ou seja a ver-dadeira essência humana, isto é, uma pessoa acaba por de certo modo se definir em fun-ção dos valores que possui. Cada um dos seres humanos nasce com a capacidade de serlivre e de procurar, dentro da sua própria mente, e do seu próprio coração aquilo que es-ta certo ou errado para ele, aquilo que de facto têm importância na sua vida e no que arodeia, pois se todos nós somos presenteados com a capacidade de viver livres, porque éque teimamos em escondermo-nos atrás dos conceitos pré-concebidos da sociedade?Logo se somos livres e possuímos a capacidade de refletir, possuímos também a capacida-de de determinar aquele “algo” que de facto têm valor, ou seja temos a capacidade decriar os nossos próprios valores, e não apenas aceitar aqueles que nos são impostos porterceiros. E é isto, que de facto marca a diferença, que realmente nos torna diferentes,fazendo com que nos destaquemos, deixando de ser apenas “mais um” no meio de tantosoutros, passando a ser “aquele um” entre todos os outros. Tânia Amaral
  • 17. Liberdade"Quem é bom, é livre, ainda que seja escravo. Quem é mau é escravo, ainda que seja livre." (Santo Agostinho)"Liberdade é uma possibilidade de ser melhor, enquanto que escravidão é a certeza de ser pior." (Albert Camus)"Liberdade é o direito de fazer tudo aquilo que as leis permitem." (Barão de Montesquieu)"O homem nasceu livre, e em todos os lugares ele está acorrentado." (Jean-Jacques Rousseau)"A liberdade não tem qualquer valor se não inclui a liberdade de errar." (Mahatma Gandhi)"Quem pensa segundo a opinião dos outros, está muito longe de ser um homem livre." (Autor desconhecido)"Aquele a quem você confia seu segredo torna-se senhor de sua liberdade." (François de La Roche Foucauld)"Depois da ordem e da liberdade, a economia é uma das coisas essenciais a um governo livre. A economia é sempre uma garantiade paz." (Calvin Coolidge)"Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela." (Autor desconhecido)"Tudo que é realmente grande e inspirador é criado pelo indivíduo que pode trabalhar em liberdade." (Albert Einstein)"Liberdade sem socialismo é privilégio, injustiça; socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade." (Mijaíl AlexándróvichBakunin)"Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si mesmos." (Abraham Lincoln)"A liberdade é a única riqueza, porque do resto somos ao mesmo tempo amos e escravos." (William Hazlitt)"A verdadeira liberdade consiste somente em fazer o que devemos, sem sermos constrangidos a fazer o que não deve-mos." (Jonathan Edwards)"A liberdade diminui à medida que o homem evolui e se torna civilizado." (Salazar)"Apenas a opressão deve temer o exercício pleno das liberdades." (José Martí)"A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até numcárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão." (Massimo Bontempelli)"Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos quedizem que só as pessoas educadas são livres." (Epiteto)"O que fica de pé, se cair a liberdade?" (Kipling)"A liberdade é algo maravilhoso, mas não quando o preço que se paga por ela tem de ser a solidão." (Bertrand Russel)"O destino dos homens é a liberdade." (Vinícius de Moraes)"Não há excesso de liberdade se aqueles que são livres são responsáveis. O problema é liberdade sem responsabilidade." (MiltonFriedman)"A liberdade, quando começa a criar raízes, é uma planta de crescimento rápido." (George Washington)"A grande meia verdade: liberdade." (William Blake)"A liberdade é o direito de fazer aquilo que não é prejudicial." (Autor desconhecido)"Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com minha consciên-cia." (John Milton)"Liberdade é obediência às leis que a pessoa estabeleceu para si própria." (Jean-Jacques Rousseau)"Tudo está fluindo. O homem está em permanente reconstrução; por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se." (Laurode Oliveira Lima)"Só peço para ser livre. As borboletas são livres." (Charles Dickens)"Não são livres todos aqueles que fogem das suas cadeias." (Gotthold Ephraim)"Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados..." (Robert Browning)"A liberdade me ensinou, e muito bem, que nela se concentra todo o prazer possível." (Margarida, rainha de Navarra)"...Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo." (Luis Fernando Veríssimo)"Sonha e serás livre de espírito... luta e serás livre na vida." (Che Guevara)"Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!" (Nicolau Maquiavel)"É livre quem deixou de ser escravo de si mesmo." (Sêneca)"O mais livre de todos os homens é aquele que consegue ser livre na própria escravidão." (François Fénelon)"Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade." (Luiz Márcio M. Martins)
  • 18. Determinismo e liberdadeO caso que nos é apresentado é o caso de assassínio. Dois rapazes nomeadamente entre os 18 e 19anos, Loeb e Leopold ,licenciados, mataram um rapaz de 14 anos. Desmembraram-no. O caso foiconduzido a tribunal, sendo o seu advogado Clarence Darrow. Darrow defendeu os seus dois clientesargumentando a favor do determinismo. Ou seja, que tudo o que aconteceu foi predestinado, quetudo têm uma causa, e que todos os acontecimentos são a continuidade do acontecimento anterior,portanto aquele pobre rapaz desmembrado foi morto não pela vontade dos seus assassinos, massegundo esta teoria porque a sua morta já estava predestinada, e devido a isso Loeb e Leopold nãodeveriam ser castigados. Tudo já estava , digamos , “escrito” e estes rapazes foram apenas o meiopara um fim .O que os levou a cometer esse crime , foi algo tão exterior a eles, algo tão fora do seu controlo comoa cor dos seus olhos, afirma Darrow. Que esse acontecimento foi catapultado por outros, por outrascausas, completamente exteriores ao livre arbítrio destes dois homens. A sua educação, os seus pais,até a sua descendência. Este acontecimento pode ter sido, deste ponto de vista, catapultado peloTio- avô da prima em segundo grau. Segundo esta teoria, vamos culpar o Tio-avô da prima emsegundo grau.Mas agora vamos ver isto por outro prisma, segundo a teoria da liberdade, do livre arbítrio. Diz-seque um ser tem livre arbítrio quando toma as decisões tendo como base a sua vontade, e um sercom livre arbítrio é notoriamente um ser livre, pois tem a capacidade, digamos, a liberdade de tomaras suas próprias decisões. A liberdade não é um conceito completamente claro, completamentedefinível. E custa-me bastante dizer o que a liberdade é , pois para mim a liberdade não se diz, não sesabe. A liberdade sente-se. A liberdade não é omnipotência, não é um poder que nos permite fazertudo. É um poder, que me pesa nas costas que me permite responder, ter algum raciocínio própriode acordo como quero. É o que me permite ser eu, e o eu não existe sem a minha Liberdade. Apesada liberdade. Estes dois rapazes não foram livres, pois negaram a liberdade a outro. Mataram-no, tiraram-lhe e vida. O rapaz não pode usufruir de tudo o que existe neste mundo. Ficou nem ameio, ficou a um quarto.Mas agora exponho uma contradição. Os rapazes não foram livres, mas tiveram o livre-arbítrio, ouseja, as suas cabecinhas pensaram, decidiram matar o rapaz. Eles é que decidiram. Não foramcoagidos, ameaçados ou simplesmente a vida deles dependia desse acto bárbaro. Ou se calhar sim,não sei.Portanto, faço uma dedução final deste caso após toda a exposição de ambas as teorias. Sim, hácoisas que estão predestinadas, e traçadas, coisas mais abstractas. Como já disse, a cor dos meusolhos, já estava determinada, já estava escolhida através de múltiplos processos biológicos. Eu nãotive qualquer controlo nisso. Mas qualquer ser racional pensa pela sua cabeça, têm liberdade, têmlivre- arbítrio. Tem a capacidade, dentro do que pode alcançar, de escolher, de fazer , de agir. Esempre se disse que “devemos ser responsabilizados pelos nossos actos” , assim bem seja, pois eunão acredito que enquanto estas duas almas estavam a matar o pobre rapaz, enquanto viam a vida asair dos seu corpo, o brilho dos olhos a esmorecer, o faziam porque o Tio-avô da prima em segundograu, o quis, o decidiu.E também acho importante frisar, que tanto uma criança rica pode sair um serial killer, como umapessoa pobre, um presidente da república. Nós temos a capacidade de escolher, só temos quequerer e simplesmente não arranjar desculpas, não podemos justificar o injustificável com magia. Sofia Linguíça
  • 19. Determinismo e Liberdade Ser livre é a capacidade para me perder dentro de mim mesmo, para me per-der nas minhas múltiplas decisões e saber que elas influenciam a minha vida,que não sou uma marioneta controlada por algo invisível que já está determi-nado, algo maior que mim mesmo e que não compreendo. É saber que tudo oque eu faça levará a um resultado lógico (a maior parte das vezes) e que esco-lhas diferentes levam a caminhos diferentes. Se tenho liberdade, sei que asopções está nas minhas mãos e que eu é decido aquilo que quero fazer. Que “E eu escolho ser diferente. Escolho ser livre.”sou responsável pelos meus atos e que estes nascem da minha vontade. Comliberdade posso fazer tudo mas nem tudo me irá trazer resultados positivos,nem tudo me convém. Já o determinismo defende que tudo o que fazemos e que nos acontece é oresultado de ações e acontecimentos anteriores. Desse modo, nada nos perten-ce e não existe individualidade, pois já está tudo definido à partida, vivemoscom um destino traçado. Pensamos estar a fazer escolhas quando na realidadenão estamos a escolher nada. Praticar boas ou más ações, ficar em casa ou sa-ir à rua, tirar boa ou má nota nos testes, ser alguém com uma carreira ou umvagabundo, tudo isso já se encontra definido. Somos como pequenas peças dedominó, que eventualmente acabam por cair quando as anteriores lhes emba-tem. Nenhuma decisão que tomemos irá afetar o ciclo da nossa vida, pois es-tas já estavam previstas. Tomar café ou matar o vizinho será igual, porquenão têm repercussões não expectáveis na nossa vida: já estava destinado. Nãopodemos ser culpados pelos nossos próprios atos e se temos de ir para ao sítioB é lá que iremos eventualmente parar, não importa tentar escapar. Pensandodeste modo, o determinismo é um conceito assustador e massivo pois mostra-nos que não temos qualquer hipótese de escolha ou planeamento para a nossavida, não temos liberdade. A verdade é que há certas coisas que não determinamos: onde nascemos, osnossos pais, o nosso país, os traços do nosso rosto. Mas na minha opinião, éingénuo pensar que não temos qualquer poder sobre a nossa vida. Fazer o cer-to ou o errado não depende de algo predefinido, depende de uma escolha. Seralguém bem sucedido na vida ou não depende das decisões que tomamos e donosso esforço. Ser uma cópia autómata e igual a todos ou irmos contra a cor-rente, destacarmo-nos no meio duma multidão, termos a coragem de admitirque somos diferentes e levantarmo-nos por aquilo em que acreditamos requercoragem e irreverência. Requer liberdade. E eu escolho ser diferente. Escolhoser livre. Tiago Silva
  • 20. do que as que seria suposto eu responder? Porque que quando me sento para simplesmente escrever um texto para uma aula, me surgem mais de vinte e nove mil questõesQual a diferença entre Determinismo e Liberdade?O determinismo é a hipótese de que tudo acontece como resultado do que aconteceu an-teriormente. Isto é, todos e cada um dos acontecimentos do universo estão submetidos aum sistema de causas e efeitos necessários. De modo que, se nós, nos encontramos rodea-dos de teorias sobre as mais ínfimas coisas que nos circundam, teorias, essas que são de-terministas. Leva-me a concluir que segundo o determinismo a estrutura do mundo, é detal modo óbvia, que todas as ações e acontecimentos podem ser racionalmente previstoscom a maior precisão, ou seja, se possuirmos a capacidade de conhecer por completo oestado do universo atual, seriamos capazes de determinar todo o futuro. Pondo a generali-dade do determinismo de lado e focando-me nos exemplos do texto, suscitam-me algumasdúvidas. Partindo do pressuposto que o nosso destino está traçado e que todas as nossasações já estão condicionadas à nascença, de modo que, independentemente de serem es-tas boas ou más nada as poderá alterar. Aceitando o facto de que nem eu, nem nenhumser, possui um qualquer controlo sobre a sua vida e sobre os seus atos, sendo então tãoculpado por um crime, por uma doença, pela sua maneira de falar, de escrever ou simples-mente por aspetos fisionómicos como o seu sexo, a sua cor de pele, de cabelo ou de olhos.Não tendo então nenhum de nós responsabilidade moral sobre nenhum acontecimento,como é possível sermos livres? Se o determinismo implica a negação da liberdade e da res-ponsabilidade, afirmando que tudo está determinado e que nada poderemos fazer paraalterar o destino que para nós foi traçado, deixando bem assente que as nossas ações sãoresultado de algo que não é possível ser controlado por nós, então como é possível explicarque eu hoje esteja aqui, que eu hoje respire, como é possível explicar que eu neste precisomomento esteja a ler este texto. Eu poderia não o ler, aliás eu poderia não o ter escrito se-quer, poderia não me ter dado ao trabalho de refletir sobre estes assuntos e de deixar porescrito alguns dos pontos da minha reflexão, mas eu fi-lo. Porquê? Porque tive liberdadepara o fazer, poderia o ter escrito de manhã, mas não optei por escreve-lo à noite, porquegosto mais de escrever à noite. E isto porque? Porque sou livre de o fazer, porque, possuoa capacidade de liberdade que os seres inteligentes possuem e porque tenho a capacidadede controlar parte das minhas ações. Depois de horas a escrever e a apagar, letras e maisletras e já agora, “letras”, o que é isso de “letras”? Porque que a união delas forma pala-vras? Porque que estas mesmas palavras podem ser tão importantes? Porque que quandome sento para simplesmente escrever um texto para uma aula, me surgem mais de vinte enove mil questões do que as que seria suposto eu responder? Será que isso estava deter-minado? Será que eu estava determinada a questionar aquilo que outrem já me disse ser ocorreto? Ou será que isso é meramente liberdade? A minha liberdade. Liberdade, essa pa-lavra radiante que me aquece o coração e me faz sentir quase completa. Será? Será que ofacto de eu estar a respirar neste momento indica que sou livre? Será que eu estar aqui,aqui e agora, sentada com inúmeros olhos postos em mim a ler algo que eu mesma escrevifaz de mim um ser livre? Eu não estou a intervir na liberdade dos restantes, eu não estou a obrigar ninguém a ouvir-me, logo estou a ser livre, certo? Ou será que este momento já fora anteriormente determinado? E assim fiquei, assim fiquei eu horas a fio, a questionar-me sobre cada segundo que passava, e sobre o simples facto de eu estar a ser livre por estar ali a pensar e a digitar letras e mais letras, já estaria predestinado? Ou estaria eu exercer a minha liberda- de fazendo-o? …/...
  • 21. …/... rior que originou esta minha vontade interminável de escrever e de me questionar sem limites? Se este momento é então o desfecho de um acontecimento anterior, então qual terá sido o acontecimento ante-Se este momento é então o desfecho de um acontecimento anterior, então qual terá sido oacontecimento anterior que originou esta minha vontade interminável de escrever e de mequestionar sem limites? E foi assim, que as diferenças, ou melhor, talvez as semelhançasentre o determinismo e a liberdade começaram a fazer sentido. Eu não consigo determinarcom qual eu estou mais de acordo ou estou menos. Mas a verdade é que passei grandeparte da minha vida a pensar que o destino era algo que de facto já estaria preestabelecidoe que se algo não aconteceu era porque não tinha de acontecer e eu não poderia fazer na-da contra isso. Será que isso faz de mim uma determinista? No entanto, se por um lado op-tei por acreditar em que tudo na vida tem uma razão de ser, e as minhas ações não muda-riam nada, por outro lado, não parei de agir, não parei de tentar, não parei de sorrir mes-mo se tudo na minha vida estivesse errado, logo, se eu embora acreditasse no destino,continuasse a fazer algo para o alterar, ou o tornar benéfico a meu favor, estaria então ausufruir da minha capacidade de ser livre. E na minha opinião talvez seja aqui que se esta-belece uma das grandes diferenças entre o determinismo e a liberdade, isto é, se por suavez no que toca ao determinismo todos os acontecimentos têm uma causa, e nós, sereshumanos não podemos fazer nada para a alterar ou para modificar aquilo que nos está pre-destinado no futuro, no que toca à liberdade, tudo isto se contradiz, visto que a liberdade,é o dom que nos permite escolher entre os milhões de ideologias que nos são impostas pe-la sociedade, fazendo com que nós, indivíduos, tenhamos as nossas próprias decisões e es-colhas, não nos deixando submeter a um outro “algo”. Logo, segundo o determinismo aliberdade é algo que também já está preestabelecido, ou seja, aquilo que nós aceitamoscomo liberdade não é nada mais, nada menos do que alguma coisa que já estaria anterior-mente determinada, mesmo antes de nós mesmos sabermos que seria isso a nossa escolhafinal. Já no que toca à liberdade, tudo aquilo que está no nosso futuro depende de nósmesmos e das decisões e ações momentâneas que estabelecermos, bem como tudo aquiloque estaria supostamente determinado poderá vir a ser alterado, se nós assim o entender-mos. Em suma, a conclusão a que me foi permitido chegar é que o determinismo e o libera-lismo são ambos duas doutrinas muito mais complexas do que aparentam, que se vão con-tradizendo constantemente uma à outra. Pois se, uma por sua vez afirma que o nosso futu-ro depende de algo que já fora determinado pelos nossos antepassados e que nada pode-remos fazer para o alterar, a outra, demonstra-nos que cada um de nós possui a capacida-de de alterar tudo aquilo que nos rodeia, cabendo-nos então apenas a nós a capacidade dedecidirmos o nosso futuro e de alterar todo o nosso destino, se assim o entendermos. Tânia Amaral
  • 22. Liberdade ou Livre arbítrio? “Dão me duas opções. Viver enjaulada nos meus próprios medos ou receios ou simplesmente sair e ser feliz á minha maneira , “Devo dizer que de longe este é o tema mais difícil com o qual me debati até hoje em filo-sofia, pois volta a chegar-me aquele grande questão do facto de eu não saber nada equando mais me entranho, mas penso mais o sinto em mim. Vejo o livre arbítrio como anossa verdadeira capacidade de escolher, de decidir. Talvez um pouco como a expressãoverdadeira da nossa vontade, eu quero isto não aquilo. Eu vou para ali não para acolá. Enem sempre todas as nossas ações são uma reflexão do livre arbítrio, por vezes temosque fazer certas coisas que não nos apetecem, que não queremos ou simplesmente so-mos coagidos ou obrigados a fazê-los, portanto é muito importante não confundir os es-ses conceitos, reforçando que o livre arbítrio é a nossa vontade no seu estado mais puro.Dão me duas opções. Viver enjaulada nos meus próprios medos ou receios ou simples-mente sair e ser feliz á minha maneira, eu escolho ser feliz. Foi a minha vontade, e entãopoderei dizer que essa decisão foi uma decisão tomada por livre arbítrio, pois se fossecoagida e a escolhesse na mesma, a vontade já não era minha, podemos dizer que basica-mente era eu a tomar a decisão de outra pessoa.Em termos da liberdade, que é um grande palavrão, eu vejo a como tudo o que consegui-mos ou podemos alcançar. Os meus pais, o nosso país, impõem uma certa liberdade maseu não acho que devemos limitar a definição de liberdade a isso. Há pessoas que são cer-tamente livres mas continuam enjauladas em si próprias, portanto vejo a liberdade, masa liberdade genuína, como algo definido por nós. Acho que um ser só é completamentelivre, não é só quando não está preso ou quando têm a liberdade de fazer tudo o quequer, um ser é verdadeiramente livre quando têm a liberdade suficiente para pensar so-bre tudo, sem ter qualquer medo. Mas esta liberdade é algo muito condicionada, daí quea minha liberdade acabe quando a dos outros começa, pondo a seguinte questão: Sereieu mesmo livre quando eu estiver a interromper a liberdade dos outros?Não, Eu sou livre quando tiver a liberdade de pensar sobre tudo e quando conseguir fazerquase tudo o que posso, e o que me proponho, cruzando esta definição com o livre arbí-trio, sendo um ser livre notoriamente um que possa tomar as suas próprias decisões ten-do como base a sua vontade. Portanto se eu negar a liberdade aos outros estou a ser aser egoísta, correspondendo á libertinagem e aí estou, de livre vontade a escolher, o mal,a negar a liberdade aos outros.Em suma, posso dizer completamente que eu ainda não sou livre, não consigo fazer tudoo que quero nem tenho a capacidade de pensar sobre tudo, sobre o mundo. Não consigoainda refletir como desejo. Também não sou livre ainda por ser muitas vezes egoísta, epassar a minha liberdade por vezes á frente das dos outros, e com o tempo chegarei lá. Sofia Linguiça “...eu escolho ser feliz…”
  • 23. Determinismo e Liberdade “A Questão da Responsabilidade”Será que somos moralmente responsáveis? Será o determinismo verdadeiro? Será que so-mos responsabilizados pelo que fazemos se o determinismo for verdadeiro? Estas são al-gumas perguntas que podemos colocar sobre a responsabilidade e o determinismo, mas hámuitas mais.Para arranjarmos respostas a estas perguntas temos de saber do que estamos a falar. Porexemplo, o que é o determinismo?O Determinismo é um conjunto de acontecimentos segundo o qual eles têm uma causa, porpalavras mais simples, tudo é o resultado/efeito de causas anteriores.Ficaríamos intrigados se algo acontecesse e não houvesse explicação. É como irmos a ummédico, que nos diz que estamos doentes, mas não nos sabe dizer qual é a nossa doença/onosso mal.Uma pessoa que tem uma perspetiva determinista vê o mundo como um conjunto de cau-sas e efeitos, tudo o que é causado por acontecimentos anteriores tem os seus efeitos, e éassim que o estado das coisas atualmente é o resultado do efeito de coisas anteriores.Um grande exemplo que uma pessoa que acredita no determinismo pode dar, é o atual es-tado do nosso país. Estamos agora nesta crise devido a acontecimentos anteriores que“nós” causámos. Se anteriormente vivemos como ricos e eramos pobres, agora as conse-quências estão a emergir e vamos ter de viver com elas.Então se acreditarmos que o determinismo é verdadeiro, será que poderemos ser responsa-bilizados pelo que fazemos? Nós achamos que é possível! Então se as nossas ações têmefeitos posteriormente, obviamente que somos responsáveis!Se fizermos uma má ação, como roubar ou matar, poderemos não sofrer logo as conse-quências mas mais tarde ou mais cedo, vamos ser responsabilizados pelo que fizemos.Mas o que é a responsabilidade? A responsabilidade é a qualidade/capacidade de respon-der ou prestar contas pelos seus próprios atos e os seus efeitos. Tem a ver com a liberdadede escolher o seu caminho, o bem ou o mal, levando cada pessoa a assumir a sua escolha eagir em todas as suas consequências.Será que somos sempre responsáveis pelas nossas ações?Esta é uma questão que tem gerado muita contradição e confusão, pois não podemos resol-ver este problema através do método das ciências, porque estas perguntas e respostas sãouma conceção da realidade.Se as pessoas que defendem o determinismo dizem que tudo o que fazemos é determinadopelo que já aconteceu, de certa forma as nossas ações não são livres. Então como é quepodemos ser responsabilizados se não temos liberdade de fazer as nossas escolhas?Apenas o libertismo, torna racional a ideia de responsabilidade moral. Imaginemos queuma pessoa decide roubar um Banco, e ninguém o forçou a tal escolha. De acordo com olibertismo, só podemos considerar a pessoa moralmente responsável pela sua ação se elanão foi causada, nem pelos seus próprios motivos, desejos ou objetivos.Mas como só faz sentido considerarmos uma pessoa moralmente responsável pelas suasescolhas se resultarem em parte pela sua necessidade ou desejos, então o libertismo estáincorreto? …/...
  • 24. …/...Entrámos num labirinto cheio de perguntas sem resposta!Mas se uma pessoa está convencida que tem liberdade de escolha ou livre-arbítrio tem ummaior sentido de responsabilidade do que a pessoa que pensa que o determinismo absolutogoverna o mundo e a vida humana. Se realmente existe escolha na altura que temos de to-mar uma decisão, os Homens têm claramente responsabilidade moral para decidirem entreinúmeras alternativas e o alibi determinista não tem peso nenhum.Mas a nossa vida é construída, é uma tarefa.O que nos distingue dos animais é que podemos pensar, escolher. O poder da mente dedescobrir horizontes, projeta-los permite distinguir o que o homem é e quem é.Como temos opções de escolha somos considerados livres.A liberdade é algo com que nascemos e vivemos toda a vida. Não podemos simplesmentedeitá-la fora, nem podemos dizer que não somos livres, porque o somos, só que as conse-quências da liberdade podem ser duras, às vezes, dependendo das nossas ações.Como a liberdade é uma atitude, um ato de consciência e todos os homens tem um poucode consciência, o homem é livre!Uma pessoa livre tem de ser responsável. A liberdade e a responsabilidade são como umcasal, um par, são inseparáveis.Na vida, todos temos vitórias e fracassos. Construímo-la a partir de erros, que podem sertransformados em lições para a vida. Tal como Eleanor Roosevelt disse acerca da respon-sabilidade moral: “A filosofia de uma pessoa não é melhor expressa por palavras mas simpelas escolhas que a pessoa faz. Ao longo dos tempos, moldamos as nossas vidas e molda-mo-nos a nós mesmos. O processo nunca termina até morrermos. E, as escolhas que fize-mos são, no final de contas, a nossa própria responsabilidade."Estamos sempre a aprender e a formar novas teorias para fazer o mundo girar. Temos desaciar a nossa fome de conhecimento, pois é este que nos diferencia dos animais e nos tor-na no que hoje somos.Todos nós temos a responsabilidade de dar um bocado de nós ao mundo. Temos a liberda-de de nos poder expressar e com esta liberdade podemos tornar o mundo um sítio melhorpara se viver! Cláudia Alves Ana Vieira Tiago Vieira
  • 25. Liberdade e DeterminismoLiberdade… Eu sou liberdade, sinto a liberdade, vivo em liberdade, sou e serei eternamente livre.Estou para sempre condenada a isso, e é algo que jamais me poderão retirar. Nasceu comigo eserá sepultada comigo.Por mais que me interrogue a mim mesma, não consigo perceber qual o significado de tudo isto,que simplesmente está presente na pessoa que sou, pois de certa forma é aquilo que me faz serdiferente de todos os outros. Tudo em retorno de tão fácil palavra faz-me questionar vezes semconta, dentro de mim. Desisti por completo de pensar com a cabeça e tive a livre vontade de pen-sar com o coração. Como é notório até no meu simples pensar a liberdade me influência. Comtudo isto os “porquês?” dançam sobre mim, afinal de contas, porque tenho a liberdade de ser apessoa que sou?, porque tenho a liberdade de agir da forma que ajo?, porque tenho a liberdadede simplesmente falar quando quero?, … Poderia nunca fazê-lo, poderia achar que tudo isto severifica porque tem de ser assim, e assim entregar tudo ao destino. Mas não, não quero ser umapessoa que entrega tudo nas mãos de algo indefinido e que assim se torna uma pessoa vazia, de-sabitada de qualquer oportunidade de ser livre e voar com as suas próprias asas, deixando quevoem por ela.Afinal de contas eu sou o espalho da minha própria liberdade. Mas como em todos os espelhos aspequenas imperfeições são notórias, então percebi que nem tudo se resume a liberdade. Nãotenho a liberdade de ter olhos da cor que tenho, de ter a educação que tenho, … Tudo isto deve-se a causas completamente exteriores a mim mesma, contrariadas pela liberdade. Ou seja, o tervontade de comer uma deliciosa maçã vermelha por estar cheia de fome, não depende de mim,mas sim do determinismo em aspetos externos à ação de comer a maçã (a fome que sinto, paraconsequentemente poder continuar viva). Em suma, como tudo no Mundo, tudo é contrariadopor algo. Como verificamos o determinismo adversa a liberdade.Como pode ser possível, as nossas simples ações resultarem de aspetos totalmente opostos, on-de a subjetividade de um é contrariada pela objetividade do outro? Somos como ímanes que es-tamos em total equilíbrio com a adversidade de dois componentes opostos? Somos, afinal decontas, livres condenados. Condenados ao determinismo e livres com a liberdade.Finalizando, poderia nunca ter me utilizado como exemplo para explicar tais conceitos, mas quemmelhor que nós próprios para auxiliar em tais problemas que nos afligem. Ou seja o pensar por-que tais fazem parte de mim e me modificam de uma forma estonteante. Resume-se ao facto deter a capacidade de refletir e de se manifestar um equilíbrio entre tais oponentes. Afinal de con-tas, consegui debruçar-me sobre o impossível: a combinação da liberdade com o determinismo…simplesmente ser eu própria. Inês André
  • 26. Liberdade e Determinismo “Eu quero ser livre”. A maioria das pessoas já disse esta frase, mas poucas foram as querealmente refletiram sobre ela. O conceito de liberdade é um conceito subjetivo e pode ter mui-tos tipos de resposta. Nunca se chegará a uma definição total de liberdade. Na minha opinião,uma pessoa é livre quando faz uso da sua capacidade de tomar certas e determinadas decisões,quando pode fazer as suas próprias escolhas sem ter nenhum tipo de influência externa. A liber-dade tem a ver com a nossa subjetividade. A liberdade faz parte do próprio conceito de vida hu-mana, uma vez que sem ela seriamos apenas como marionetas. Uma marioneta apenas realiza oque a pessoa que a manuseia quer, não tem qualquer vontade própria. Mas nós, felizmente, nãosomos assim. Temos vontade própria. Podemos dizer que a liberdade é como um dom que temose distingue-nos dos outros seres vivos. No entanto, a liberdade tem condicionantes. Uma dessascondicionantes é o facto de a nossa liberdade estar intimamente relacionada com a liberdade deoutros. Por exemplo, eu existo apenas porque os meus pais quiseram ter filhos. Os meus pais fize-ram uso da sua liberdade para me conceberem. De outra maneira, eu não existiria, logo não terialiberdade. Outro exemplo: Eu só posso usar a minha liberdade para escolher a roupa que devovestir, porque outra pessoa tomou a liberdade de produzir aquela roupa. Outra condicionante daliberdade é o facto de que existem sempre fatores externos que podem comprometer as nossasações. Por exemplo, se eu decidir viajar de avião para uma cidade e o avião tiver de fazer umaaterragem de emergência noutra cidade devido a uma avaria nos motores, não fui livre, pois aminha ação tomou um rumo que eu não podia prever, que não fazia parte do que eu havia anteri-ormente planeado e isso fez com que aquilo que correu mal (a avaria nos motores do avião) sesobrepusesse àquilo que era esperado (chegar ao destino). Do outro lado da liberdade está o determinismo. Segundo os deterministas todas asações que realizamos têm uma causa exterior a nós, nomeadamente a hereditariedade, o ambi-ente em que fomos criados e o modo como fomos educados, e que por isso não temos responsa-bilidade moral ou responsabilidade interior. Por exemplo, se uma pessoa assassina outra, os de-terministas defendem que ela não é responsável moral e interiormente por essa morte, uma vezque essa ação já estaria determinada que iria acontecer, devido a fatores externos à subjetivida-de do agente do crime. Por estas razões os deterministas acreditam não haver compatibilidadeentre a teoria do determinismo e a teoria do libertismo. Mas será que é mesmo assim? Será quenão existe um meio-termo que possa compatibilizar estas teorias? A verdade é que, se pensar-mos bem, não somos totalmente livres, porque se o fossemos seriamos totalmente independen-tes de tudo o que nos rodeia, mas também não faz sentido dizer que todas as nossas ações sãodeterminadas, uma vez que se assim o fossem seriamos robôs, ou como já disse anteriormente,marionetas. Por isso, na minha humilde opinião, nem o libertismo nem o determinismo estãocompletamente errados, pois há ações que realizamos de forma livre e espontânea, mas tambémexistem ações que somos coagidos a realizar, por isso talvez faça algum sentido conjugarmos osconceitos das duas teorias. As ações livres são apenas influenciadas pelo nosso interior subjetivo, ou seja, são influ-enciadas pelos nossos valores, pelo nosso conceito do que é bom ou mau e também pela nossapersonalidade. Essas ações partem unicamente de nós. Todavia, as ações que somos coagidos ouobrigados a realizar partem de fatores externos à nossa subjetividade. Não partem unicamentede nós. Pode dizer-se que o determinismo moderado é uma maneira encontrada para compatibi-lizar as duas teorias (libertismo e determinismo), um meio-termo entre elas, uma vez que defen-de que as nossas ações podem ser causadas, mas ainda assim serem livres, ou seja, as nossasações que tiverem causas internas são livres, mas as ações com causas externas são determina-das. Por estas razões, o determinismo moderado pode ser a teoriamais credível para explicar o comportamento humano. “...Eu quero ser livre…”.
  • 27. “...deixarmos de ser incetos para passarmos simplesmente a ser humanos, em convivência com a nossa consciência e Saber…” Análise filosófica ao livro “A Metamorfose” de Franz Kafka Franz Kafka era um escritor genial e acima de tudo, um pensador e observador da mente e comportamentohumano. A Metamorfose retrata a história de Gregor Samsa, um caixeiro-viajante, que certa manhã, quandoacorda, encontra-se transformado num inseto. Ora, seria de esperar que se isto acontecesse a qualquer umde nós a nossa reação seria berrar e entrar em pânico. Gregor apenas pensa que o seu chefe não vai gostardaquilo. Anulou portanto a sua vontade, o seu eu, vive em função da sua família e do objetivo de os susten-tar. É visto também por eles como apenas um sustento, comos podemos ver pelas atitudes demonstradas aolongo da evolução da história.Porém, A Metamorfose é muito mais do que apenas a história de um homem que se transforma em inseto edas consequências que advém disso. Toda a história é uma metáfora (como Kafka bem nos habituou) para aalienação social. Retrata perfeitamente o comportamento humano. Todas as pessoas que se encontram forados nossos conceitos pré-estabelecidos, excluímos automaticamente. Prende-se também, a questão do medoda perda de identidade, pois a metamorfose de Gregor resulta na adquirição de comportamentos, emoções eopiniões completamente diferentes daquelas que tinha até então.No entanto, não é apenas esta a metamorfose encontrada no livro. A sua família também sofre uma, vistoque são obrigados a começarem a trabalhar e alteram o seu estilo de vida. Estes, em vez de ajudarem Gregorna sua nova condição, metem-no de lado, fechando-o num quarto, mostrando repulsa e aversão. Isto provo-ca revolta no seu interior.A única pessoa que se mostra interessada em Gregor, é uma mulher-a-dias contratada depois da antiga cria-da se despedir depois da transformação ocorrer. Poderá esta personagem representar a Filosofia? O interes-se pelo abstrato, pelo diferente, o ver para além do absurdo? Ela não demonstra medo, mas sim curiosidadee por vezes, até alguma agressividade para com ele.Penso que uma das coisas mais interessantes de observar, é que em nenhum momento do livro, Gregor seapercebe naquilo que se transformou. Apenas se adapta aos seus novos membros, funções e estilo de vida.Um pouco como nós, ele aceita o que lhe acontece sem procurar justificação alguma, está tão absorvido narotina e no seu trabalho que não se apercebe verdadeiramente da sua nova condição.Para mim, A Metamorfose é uma das melhores obras de Kafka e fez-me pensar muito durante toda a noite,muitas horas depois de o ler. Surgiram-me várias questões na cabeça. Não somos também nós, vítimas dasociedade e da alienação que ela automaticamente nos impõe? Não somos também incestos como a perso-nagem, presos a determinadas funções e obrigações que nos são impostas logo desde que nascemos? Penso na Sociedade como uma espécie de monstro que nos acorrenta e nos berra na sua atitude castigadora: Tem filhos! Casa-te! Paga os teus impostos! Trabalha! Obedece à lei! Veste-te normalmente, segue a moda! Mas calma! Que isto aca- ba por ter piada: somos livres. Temos de seguir uma data de regras e compor- tamentos, correndo o risco de acabar como Gregor, completamente excluídos, mas somos livres. (Note-se aqui o meu tom extremamente irónico e sarcásti- co). A Metamorfose é uma história de mudança, de alerta, que pelo menos a mim me transmite uma ideia muito clara: Temos de rever rapidamente os nossos comportamentos. A maneira como pensamos. Temos de ser nós a realizar a metamorfose. Mas ao contrário do livro, deixarmos de ser incetos para passar- mos simplesmente a ser humanos, em convivência com a nossa consciência e Saber. Tiago Silva
  • 28. Qual a diferença entre liberdade e Livre -arbítrio?A liberdade é um dom que os seres inteligentes recebem, dom esse a partir do qual podemescolher de entre os milhentos clichés que a sociedade possui, isto é, de entre as várias for-mas de bem, de mal, de mentira, de verdade ou de beleza existentes, por exemplo. A nossaliberdade ou parte dela é algo que nasce connosco no entanto é também algo que acabamospor ir adquirindo ao longo dos tempos. Na minha opinião a liberdade é a capacidade queum indivíduo possui de modo a não se deixar submeter a um outro. Isto é, a liberdade éalgo muito mais confuso do que simplesmente chegar ao cume de uma montanha e gritar“ESTOU LIVRE”, porque de certo modo nunca estamos totalmente livres, acabamos sem-pre por estar presos a algo, e já nem falo do facto de os indivíduos estarem presos a clichésfalo apenas de cada um de nós estar preso a outras coisas banais como simplesmente osimples ato de respirar, pois de certo que é algo que todos nós necessitamos, de modo quese estamos assim tão dependentes de algo, como é que podemos dizer que somos livres?Como é que podemos dizer que podemos fazer tudo aquilo que queremos? A verdade éque não, não somos totalmente livre pois estamos demasiado dependentes de um grandenúmero de coisas para podermos afirmar que somos de facto livres, e não, não podemosfazer tudo aquilo que queremos. Em primeiro lugar, um individuo apenas têm o poder deexercer a sua vontade dentro dos limites da lei, assumindo a responsabilidade de seus atos.E além disso, cada individuo só pode ser livre até ao inicio da liberdade de um outro. Poisa liberdade de cada um de nós termina quando a do próximo começa. Isto é, nós só somoslivres até ao ponto em que as nossas decisões, actos e ações não interferem com as dosrestantes. E cada um de nós apenas consegue adquirir uma verdadeira liberdade se possui acapacidade de reflectir, pois só um sujeito que pensa, poderá ser de facto livre. O que nosremete para o livre-arbítrio, pois se não possuimos livre-arbítio, ou seja, se não possuimosa capacidade e a liberdade de escolha e de ação, então quase por definição não poderiamos “...A liberdade é um dom que os seres inteligentes recebem…”decidir de um outro modo, e estariamos apenas limitados aquilo que um alguém nos dizser o correcto, limitando os nossos horizontes apenas àquilo a que a sociedade nos remetediáriamente , isto é, se uma pessoa não poderia ter decidido de um outro modo, então essapessoa não seria responsável pelos seus pensamentos e ações. De modo que, tendo isso emconta, se um individuo não poderia então ter decidido de um outro modo, então nãopoderia ser responsável pelas decisões que faz ou que viria a fazer. Posto isto, calculo quea liberdade é o direito que cada um e cada qual tem de falar e fazer o que quiser, desde quenão ultrapasse os limites de Liberdade de outro. No entanto o Livre-Arbítrio contradisce,pois de certo modo, é a capacidade que cada um e cada qual tem de, individualmente,ultrapassar esses limites, ou seja é o direito que todo o indivíduo tem de decidir, e escolherem função dasua própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causadeterminante, sujeitando-se então posteriormente às consequências que esses mesmosfactos acarretarem. Sendo então cada um de nós a limitar os limites da nossa próprialiberdade, recorrendo aos nossos valores e a nossa reflexão para determinar esses mesmoslimites. E será então essa mesma capacidade de reflexão que nos dará a hipotece de decidiro que esta certo ou errado, e só essa mesma reflexão nos fará ser diferentes, e não apenasmais uns outros adeptos de clichés pré-estabelecidos. Será então essa capacidade deescolha que nos fará livres, sendo que se escolhermos ser livres em pró do bem, estaremosa ter em conta na nossa reflexão, o respeito pelo valor do outro, logo o respeito pelahumanidade, já se contrariamente, escolher-mos o mal estaremos a negar a liberdade dosoutros, de modo a que isso fará com que as ações que estamos a tomar deixem de serclassificadas como liberdade e passem a ser classificadas como libertinagem. O que meleva a concluir que, de certo modo a Liberdade e a possibilidade de exercermos umdeterminado comportamento sem restrições nem políticas nem sociais, de outrem.Enquanto, o Livre-Arbítrio e a suposta capacidade que cada um de nós têm de exercer umcomportamento autónomo e sem restrições, regido pelo nosso proprio espírito. De modoque o livre-arbítrio existe então para que o homem possua a ilusão de que tem algumcontrole sobre sua limitada vida, sendo que só assim é possivel manter a esperança. Tânia Amaral
  • 29. Filosofia: “Diferença entre Liberdade e Livre arbítrio”Uma das grandes diferenças entre liberdade e livre arbítrio é que, no livre arbítrio pode-mos escolher várias possibilidades, o bem ou o mal, enquanto a liberdade está limitada áescolha de uma só possibilidade, o que não significa e seja restrita. Não se pode falar deliberdade sem se falar de reflexibilidade.Aquilo que entendi por livre arbítrio é que tem a ver com o ser livre nas escolhas que fa-ço, eu arbitro a minha vida. Eu sou livre de escolher o que posso fazer. O livre arbítrio es-tá sempre relacionado com um valor que nos é dado ou adquirido por nós.A liberdade não é o espelho do livre arbítrio, ela é intersubjetiva. Não é individual. Nãopodemos negar a liberdade aos outros. As nossas ações, a nossa liberdade, não pode in-terferir com a liberdade dos outros. A nossa liberdade só acaba quando acabamos com aliberdade dos outros.Depois de outra reflexão que fiz após ter ouvido a sua opinião foi que tenho que me li-bertar mais dos livros e papéis.Quando me deparei com este tema de liberdade e livre arbítrio achei um pouco confuso.Sempre pensei que a liberdade era fazer tudo o que quisesse a menos que interferissecom a liberdade do próximo.Só agora percebi que a liberdade não está em fazer tudo o que quero mas sim no queposso fazer sem negar a liberdade aos outros, essa mesma liberdade que eu tenho direitode ter e que nego aos outros quando pratico a minha “falsa” liberdade.Só agora percebi que quem diz que é livre, pode estar a ser hipócrita pois, aqueles nazisque acabaram com a liberdade dos outros deram-se conta que acabaram com a liberdadedeles? De um certo modo sim, pois sabiam o errado das suas ações, mas por outro ladonão, pois continuavam a achar-se livres, continuavam a matar, logo a roubar a liberdadeque é dada de igual modo a todos, só que, poucas pessoas desse “todos” é que a sabemusar.O livre arbítrio está relacionado com as minhas ações, com o ser eu a escolher o que façoe como o faço, eu comando a minha vida. Nós arbitramos a nossa vida segundo o que nosensinam, logo está relacionado com um valor.A liberdade não é o mesmo que livre arbítrio, a liberdade não é individual, eu pratico aminha liberdade, e quando a pratico estou ou não, dependendo das minhas açõesa negar a liberdade a outros, logo a liberdade não pode ser individual, pois todos nós apossuímos.Eu acho que de certa forma o livre arbítrio pode ser individual, pois sou eu que lidero aminha vida, é claro que posso ser influenciado, mas basta eu querer para mudar a minhaopinião, basta eu refletir sobre o que considero certo ou errado para escolher a minhavida. Concluiu assim que a Filosofia faz-me ver, mais uma vez, que “Só sei que nada sei”. Vera Gonçalves
  • 30. Livre Arbítrio e Liberdade Livre arbítrio e liberdade. Pensei saber algo sobre estes dois conceitos tão presentes no nosso dia-a-dia e na nossa vida mas revelou ser o assunto mais difícil de refletir e tentar compreender até agora. O livre arbítrio é a crença de que nós, seres humanos, é que temos controlo sobre as nossas ações. Somos nós que escolhemos aquilo que queremos fazer, depois de avaliar-“...um magnata poderoso e com todo o dinheiro do mundo que nunca irá ser livre…” mos as possibilidades que temos e qual nos parece a melhor. Porém, penso que isto é relativo, pois quantas vezes já demos por nós a pensar “devia antes ter feito isto” ou “como raio fui fazer aquilo”? A nossa conceção de melhor escolha varia com o tempo e ponderação e a maior parte das vezes só depois de observar os resultados que certa es- colha e Acão tiveram. Tendo livre arbítrio, temos a possibilidade de poder escolher o cer- to ou errado, tendo estes dois conceitos, impactos diferentes em nós e nos outros. Porém, a liberdade é um conceito mais abrangente. Ter livre arbítrio não é ser livre. O livre arbítrio é algo que parte de nós, é a nossa vontade. A liberdade é o bem. E quantas vezes a nossa vontade não é o bem? Ou irá beneficiar-nos a nós mas prejudicar outros seres? Ter liberdade é não ser subjugado e controlado por outrem, mas é também não o fazer, não interferir na liberdade de outro. Não podemos por isso dizer que é um concei- to isolado porque a liberdade só é possível em comunidade. Porém não podemos confun- dir a liberdade com a libertinagem. A liberdade está de acordo com a nossa consciência, pois diz-nos “Podes fazer isto, mas sabes que não é o melhor para ti” enquanto a liberti- nagem será algo como “Eu vou fazer isto porque quero e ninguém me vai impedir.” Ao termos liberdade, sabemos que qualquer Acão que tomemos vai ter uma consequência. A liberdade faz com que estejamos em sintonia com o nosso interior e exterior. Um racis- ta, por exemplo, não é uma pessoa livre pois interfere constantemente na liberdade de alguém que não considere igual a si mesmo. Porém, é-lhe dado o livre arbítrio de ser ra- cista ou não. A liberdade é colocar o bem acima de tudo e escolher sempre o que é certo, ajustando as nossas prioridades de modo a não prejudicar o exterior. Uma pessoa que pratique o bem vai ser sempre uma pessoa livre, mesmo que esta seja um sem-abrigo porque passamos na Avenida da Liberdade (irónico o nome, não é?). Já uma pessoa que pratique o mal pode ser um magnata poderoso e com todo o dinheiro do mundo que nunca irá ser livre. É um conceito que nasce no nosso interior. Tiago Silva
  • 31. A AÇÃO HUMANAA AÇÃO HUMANAA AÇÃO HUMANA A AÇÃO HUMANA
  • 32. “ A Acão Humana”A Acão humana. Mas que grande palavrão. Eu podia ser básica, dizer que é comer, beber, dançar.Isso também é agir, mas a dita “Acão Humana”, com letras maiúsculas, num tamanho colossal, a “...Uma consequência de eu fazer alguém sorrir é essa pessoa sentir felicidade ou um deslumbre de…”meu ver é mais algo do que apenas digamos, “pensar e fazer”, é algo que necessita de reflexão, demuita leitura de vários pontos de vista. Não é algo que se faça de ânimo leve como comer uma sim-ples maçã, é algo tão mais profundo. É ir á raiz dessa Acão, e tal, como no pensamento reflexivo,ver a essência dessa Acão. Analisá-la em relação a vários contextos, é pô-la numa balança imaginá-ria e ver as suas raízes, o seu fundamento, as suas consequências. Boas, Más e assim-assim.Para agirmos, mas eu quero reforçar o significado filosófico deste palavrão “ Acão Humana” que euaté á passada terça, antes de me desagrilhoar das minhas velhas conceções deste conceito que agirela algo como dar um pezinho de dança, mas agora vejo que é muito mais que isso, necessitamosde estar na posse de várias condições. Toda a Acão têm um motivo, algo que nos impele a agir ou afazer algo, é a razão, é o impulsionador, é o que responde ao porquê? Porque é que as pessoas se-guem os sonhos? Porque é que as pessoas são tão cegas? Porque é que há fome quando andampessoas a passear de BMW? e também, numa Acão existe a intenção . E apesar de este conceito sersimilar com o de motivo, ainda apresenta algumas diferenças. A intenção pergunta-nos o que que-remos fazer, a meu ver parece um pouco perguntar-nos o que é o nosso desejo, penso que sejaalgo um pouco mais genuíno, que vai ao nosso âmago, á nossa essência.Outro componente da Acão humana é a finalidade, perguntando, questionado obviamente qualserá o fim dessa Acão, dando eu como exemplos, eu irei trabalhar para ter um bom futuro, a Mariavai á escola par aprende, todas as manhãs apanho o autocarro para ir para a escola e mais mil fra-ses que nos darão o fim de algo, cujo fim será algo muito mais importante do que eu apanhar o au-tocarro para ir para a escola, a meu ver, algo mais filosófico. Algo com o dito “verdadeiro significa-do”.A decisão, também um importante componente, supõe escolher entre várias alternativas duranteeste extenso processo da avaliação da Acão humana, da sua formação, incidindo muitas vezes en-tre o chamado “realizável”, ou que se consegue atingir mais facilmente e a concentração numa me-ta que se pretende tornar alcançável. Eu vejo a decisão como uma das partes mais avaliadoras, éatravés dela, que por vezes conseguimos clarificar, tirar dúvidas. Os meios são os procedimentosque temos de cumprir para se chegar ao nosso objetivo, a o nosso resultado que deriva da nossavontade de ser, ou de fazer, tendo em conta as circunstâncias ou o contexto. Eu dizer que “decidi irpara casa fazer exercícios de consolidação” foi o meio para “ ter uma boa nota “, que é o resultado.Apresentei este exemplo de fácil compreensão, mas logicamente, isto em termos da gigante mons-truosidade da Acão humana é algo elaboradamente mais complexo. E por fim, as consequências,pobres coitadas, muitas vezes vistas como negativas, são o resultado da nossa Acão, mas eu souuma eterna otimista, não gosto quando pintam tudo de preto. Uma consequência de eu fazer al-guém sorrir é essa pessoa sentir felicidade ou um deslumbre de.Este texto pode parecer muito extenso e aborrecido, mas talvez sem estas diretrizes, sem estadasetapas sobre as quais as “Acão Humana” (a com letras maiúsculas e gordas) têm que passar, sãotão importantes, que sem elas, o que seria agir? Sofia Batista
  • 33. AÇÃO FILOSÓFICA"Homens e mulheres, acrescentam à vida que têm a existência que criam. "Ao longo da minha vida, já ouvi inúmeras vezes esta frase, no entanto, nunca percebi porcompleto o seu significado, muito provavelmente, nunca o percebi por nunca me ter dadoao luxo de refletir sobre ela. No entanto, após uma breve reflexão sobre o que seria de fac-to uma Acão, bem como, o que seria no fim de contas a Acão humana. Surgiu-me entãoesta frase em mente. Partindo do pressuposto, que cada um de nós tem a capacidade derefletir, cada um de nós irá então possuir capacidades suficientes para ponderar, para re-fletir sobre todos os prós e contras de cada mínima coisa, para idealizar, para superar asnossas próprias expectativas e sermos então nos mesmos a acrescentar a tudo aquilo quejá possuímos, tudo aquilo que ainda desejamos. Isto é primeiramente, ao pensarmos emações humanas, é tentador pensar nos tipos de ações ou de comportamentos que se po-dem identificar com os tipos de movimentos corporais. Mas isso é obviamente incorretopois ao pensarmos de um modo mais profundo no que são verdadeiramente as ações hu-manas, imediatamente iremos descobrir inúmeras diferenças entre elas e todos os outrosacontecimentos do mundo natural. Pois a ação humana vai muito além dos simples movi-mentos corporais, no entanto, é um tanto ao quanto complicado encontrarmos uma expli-cação correta para o que é uma ação, pois em geral as pessoas procuram explicar as suasações bem como as de outras pessoas sugerindo que uma ação é realizada devido á vonta-de de um determinado agente ou porque a pessoa realizou determinada Acão consciente-mente ou seja por iniciativa própria. Sendo então talvez aqui que se encontre o enquadra-mento geral do problema filosófico de ação, pois o problema está em encontrar critériosque definam o que é uma ação o que me remete para o facto de a definição de ação estarmuito limitada aos horizontes das nossas mentes. Analisando cuidadosamente o exemplodo protagonista do texto leva-me a concluir que a ação humana esta dependente de um“N” número de constituintes, isto é, inicialmente o protagonista já teria o seu destino tra-çado por terceiros, no entanto, quando iniciou uma reflexão sobre toda a sua vida até aomomento, ele descobriu que o futuro que o esperava não era exatamente aquele que eledesejava, logo a ação humana inicia-se com uma profunda reflexão, posto esta reflexão, oprotagonista apresentou as suas justificações, para não querer aquele futuro que lhe foraimposto, mostrando neste caso ao seu pai os motivos pelos quais não queria ser gestor,querendo então ser Actor, querendo fazer no futuro algo que lhe desse uma satisfação pes-soal, ou seja além de uma longa reflexão, para uma ação é também necessário ponderar eoptar minuciosamente em relação a cada mínimo pormenor, pois temos de concluir aquiloque na realidade ambicionamos fazer, ponderando ainda como pretendemos lá chegar, oporque de queremos realizar essa determinada ação e por fim qual é para nós o objetivofinal de tudo isso. Evidenciando então os exemplos do texto, concluo que para a realizaçãode cada mínima ação é necessário procedermos a um inúmero número de critérios, crité-rios esses pelos quais diariamente passamos, no entanto, muitas das vezes nem nos aper-cebemos pois estamos demasiado centrados no que acontecerá no futuro, acabando pordeixar de parte o facto de o nosso verdadeiro futuro estar então nas reflexões e nas esco-lhas realizadas por nós no presente. Tânia Amaral
  • 34. ilusões. O verdadeiro filósofo não vê só a mesa: vê para além dela. É por isto que a Filosofia é destruidora: ajuda-nos a compreender que até agora vivemos em mentiras eProve que é humano Muitas vezes na Internet, deparamo-nos com “Prove que é humano” quando nos regista-mos em alguns sites. Basta escrevermos um código que aparece, para provar que somosrealmente uma pessoa e não um hacker ou qualquer outro tipo de programa automático. Eentão, pergunto-me eu, e se nos fizessem esta pergunta na nossa vida fora do computa-dor? Se chegassem ao pé de nós na rua e nos desafiassem a provarmos que somos huma-nos. O que faríamos? Provavelmente não teríamos resposta, seria uma questão que levariaà mesma reação como quando fomos questionados sobre o eu e sobre a mesa. “Então... eusou eu!” ou “A mesa é uma mesa!”. Por muito que nos custe admitir, nós não temos certe-zas de nada. Não podemos dar nada como adquirido. O que nos garante a nós que somoshumanos? Que o próprio conceito de ser humano não está errado? Não pretendo chegar a nenhuma conclusão: Eu próprio não consigo provar que sou huma-no. Pretendo apenas provar que se não percebemos o que se passa no nosso interior, co-mo podemos perceber aquilo que se passa à nossa volta? É por isto que a Filosofia é des-truidora: ajuda-nos a compreender que até agora vivemos em mentiras e ilusões. O verda-deiro filósofo não vê só a mesa: vê para além dela.A realidade ilusória O que nos garante a nós que este mundo é real? Que tudo isto é na verdade, a realidade?Os nossos olhos? Podermos ver o que se passa à nossa volta? Também podíamos ver que amesa não se movia, e na verdade ela move-se. Então? Existem garantias que estamos real-mente vivos? O que me garante a mim que este mundo não é mero produto do meu cére-bro e imaginação? Que as pessoas à minha volta não são mais do que manifestações daminha personalidade? Ou que na verdade somos o sonho de alguém? E que quando essapessoa decidir acordar: Vazio. Escuridão. Os nossos olhos mentem. A sociedade mente-nos.Limita-nos, agarra-nos no pescoço e obriga-nos a olhar em frente, sem questionar nada. Éo típico “Ver para crer”. O vento existe, mas por acaso conseguimos nós vê-lo? Espero umdia conseguir obter resposta a todas estas perguntas. Ou então, quando morrer, perceberque o conceito que temos de morte está errado. Que na realidade, continuamos despertos,que os nossos átomos se integram no resto do universo. Ou que acordamos finalmente naverdadeira realidade. Há um sem-número de opções, mas um zero-número de respostas.Até agora, a Filosofia, tem-me feito questionar uma data de coisas que eu dava como cer-tas e sobre as quais nunca tinha pensado, pois achava que se me diziam que era assim, sópodia mesmo ser. Apesar de reconhecer que continuo na minha condição de ignorante, seique é uma ignorância mais rica. Que pelo menos, questiona os valores e procura. Procuranovas formas de pensar. E vai-se expandindo. E mesmo que não chegue a nenhuma conclu-são, sinto-me mais consciente e livre de dogmas e preconceitos. O conhecimento filosófico traz liberdade. Tiago Silva
  • 35. “ A Relatividade do Errado” De Isaac AsimovO Texto de Isaac Asimov, intitulado de “ A Relatividade do errado”, Asimov responde a uma carta de um amigo seu, que se estava a licenciar em Literatura Inglesa que lhe pretendia ensinar ciência. Á primeira vista, pareceu – lhe bastante estranho ser ensinado por um ba- charel de Literatura inglesa, mas Asimov toma a mesma postura que Sócrates, o homem mais sábio da Grécia tomou, dizendo, “Só sei que nada sei”, não desprezando os conheci- mentos do seu amigo bacharel.O facto fascinante deste texto, é como é que um físico tão sábio e que confia cegamente na ciência, consegue ter uma noção de ignorância tão patente na sua existência? Depois da minha milésima leitura deste texto, fiquei com esta impressão tão cravada na minha men- te.Isaac Asimov constrói vários argumentos tendo como base a conceção que as pessoas têmda Terra (Redonda, Quadrada, uma Esfera, uma Pêra Bartlett), que tantos defenderam cadauma destas teorias apresentadas por mim, com argumentos quase ditos como irrefutáveis. Mas depois o mais simples aglomerado de palavras, de frases, de letras, destrói por com- pleto teorias elaboradas durante imensos anos, não me arriscando a dizer séculos. E é mesmo isso que Asimov frisa bastante no seu texto, que o ser humano vê tudo a preto ou a branco. Certo ou Errado. Bom ou Mau. Cheio ou Vazio.Que o ser humano não consegue ter um meio-termo, e que ao julgarmos que todas as teo-rias estão erradas, estamos ainda a ser mais errados do que as próprias pessoas que elabo- raram as ditas teorias, porque quem as elaborou foram seres extremamente filosóficos, que questionaram a veracidade das teorias que provavelmente aprenderam, que lhes fo- ram ensinadas na escola, e começando do zero, mesmo que não fosse a verdadeira teoria, chegaram um passo mais perto da verdade, que nós ainda hoje não descobrimos.Durante o decorrer do texto, Asimov demonstra essas mesmas situações, apresentando um vasto leque de argumentos que aparentemente são plausíveis, e depois com uma simplesfrase, com uma definição matemática ou com apenas um simples conhecimento universal, o físico destrói, em milésimos de segundos, tudo o que criou.Portanto, a meu ver, o verdadeiro significado filosófico do texto de Isaac Asimov, é que to- dos devíamos ser humildes o suficiente para, como ele disse, admitirmos que “ só sei quenada sei” e estas cinco palavras, serão talvez, as palavras mais verdadeiras de todo o mun- do, porque são a única certeza verdadeira que temos. Sofia Batista
  • 36. A Relatividade do ErradoIsaac Asimov«Parece que em um de meus inúmeros ensaios, eu expressei certa felicidade em viver em um século emque finalmente, entendemos o básico sobre o universo.» Lendo então estas palavras proferidas então por Isaac Asimov, provavelmente num (suposto) estado de plenareflexão, levando então a minha própria pessoa a refletir, sobre estes mesmos pressupostos clichés aos quaisnos entregamos como verdade absoluta, considerando que tudo só poderá estar absolutamente certo ou absolu-tamente errado, e cada vez mais aceitamos desde o primeiro segundo de vida aquilo que nos ensinam, desde osimples facto de “que a colher é para ser agarrada com a mão direita e para levar a boca sem sujar tudo em seuredor”, “que as meias são para calçar nos pés e não nas mãos”, “que a camisola têm de se vestir com as costu-ras para dentro e não para fora”. Posteriormente ensinam-nos então “que a terra é redonda, redonda e achatadanos pólos”, “que a terra é um planeta e que é neste planeta que se encontra a nossa casa”, que nós vivemos por-que respiramos e que podemos ser tudo aquilo que quisermos porque somos privilegiados com a capacidade desonhar, de imaginar, de pensar e de refletir, e que por vezes, encontramos novas soluções ou versões para no-vos problemas e observações, obtendo então uma nova visão sobre o mundo e sobre cada coisa existente nele,o grande senão nesse novo mundo que descobrimos dentro da nossa mente é que naturalmente não será o mes-mo, possível de encontrar dentro de qualquer uma outra mente e será então ainda menos aquela definição aqual somos submetidos todos os dias. No entanto, dia após dia, deparamo-nos com uma nova realidade e umnovo conceito de verdade, de certo e errado, que posteriormente teriam nos transmitido como a única certezaexistente, mas que neste momento teria deixado de ser certa pois, um outro alguém, um outro ingénuo sonha-dor, teria refletido e limado uma outra aresta sobre essa determinada conceção inicialmente existente, apresen-tando uma outra evidência demasiado óbvia, o que faz com que todo o universo esqueça tudo aquilo que soubeaté ao momento e tome então essa conceção como a única realidade existente. O que me leva a perguntar diari-amente “o que é que na realidade está correto ou errado?”, que mediante uma vasta reflexão me leva a concluirque nós sabemos nunca irá passar de uma “perfeição imperfeita”, pois se num momento tudo aquilo que sabe-mos é o mais correto de sempre, num outro momento passará a ser totalmente incorreto, e ai está o problemabásico da sociedade, as pessoas pensam que “certo” e “errado” são absolutos; que tudo o que não é perfeita-mente e completamente certo é totalmente e igualmente errado. No entanto, todas essas teorias não estão erra-das, mas sim incompletas, pois independentemente das suas medidas serem enormemente refinadas o seu prin-cípio permanece sempre. O é isto que está carta formalmente informal me leva a concluir, que se um bacharelde literatura inglesa poderá ensinar um físico, porque é que uma criança inocente não poderá ensinar um filoso-fo? Mas a verdade é que pode, pode, porque tudo aquilo que ela disser será verdadeiro e irá para além dos pres-supostos da sociedade, pressupostos esses que ela não entenderá ainda, no entanto será capaz de os enfrentar asua maneira, voltando a teoria da terra ser redonda, mas se fosse redonda ela cairia, então terá de ser plana paraela permanecer em pé, pois ela não saberá ainda a lei da gravidade, logo aos seus olhos a teoria da terra planaserá muito mais verdadeira do que a teoria da terra redonda. E assim, tal como esta mesma insignificante metá-fora se procede todas as descobertas e aperfeiçoamentos da nossa realidade atual, “se eu penso, logo existo”,dai se eu refletir irei chegar a uma qualquer conclusão de modo que se a realidade cientifica a qual estamosacomodados atualmente não estivesse sempre a evoluir , então a vida teria sempre permanecido igual, sem umaqualquer alteração, alterações essas que foram necessárias e que tenho a certeza que não ficaram por aqui, por-que entre todos estes milhões de pessoas existentes pelo mundo fora, de certo que existirá um outro sonhador,ambicioso de chegar mais além, além das catuais teorias, além dos catuais clichés. Quem saberá então se essemesmo novo “génio” não estará neste preciso momento ao nosso lado? Voltando finalmente a observação ini-cial, de toda a certeza sobre não restarem dúvidas sobre todas as conceções que temos do universo, apenas adi-anto que a única coisa que alguém poderá ter errado é a “certeza”, pois essa acaba por na verdade nunca ser certa, e para concluirmos isso basta deixarmos de ser pri- sioneiros de nos mesmos e de todas as conceções existen- tes sobre tudo ao nosso redor, e passar a abrir a nossa mente e não os nossos olhos. Tânia Amaral
  • 37. Liberdade é o direito de fazer o próprio deverA liberdade está presente nas nossas vidas, quer seja em sonhos, objetivos ou pensa-mentos. Ser livre requer a ausência de submissão perante algo e a independência doser humano. Tal como o filósofo inglês Thomas Hobbes disse “ A liberdade não estáno querer, mas sim no fazer” , ou seja, não estamos a ser livres quando simplesmentedesejamos alguma coisa mas sim quando agimos a favor desta.No filme O clube dos poetas mortos podemos testemunhar esse acontecimento poisaqueles jovens ao inicio estavam submissos perante os pais e professores e não lhesera permitido liberdade de expressão até o professor Keating aparecer. A partir daí,Keating começou a dar liberdade aos alunos de exprimirem a sua subjetividade atra-vés da máxima latina Carpe diem que se traduz como “aproveite o dia”. Keating quis,através da poesia, ensinar aos seus alunos a dar valor à vida e aproveitá-la, excluindotudo o que está morto, ou seja, tudo aquilo que não tinha valor para eles era conside-rado como algo que estivesse morto, sem vida. Um bom exemplo foi quando este osmandou rasgar as páginas da introdução do livro de poesia, que apresentava uma ex-plicação matemática para esta o que, para ele, não fazia qualquer sentido pois a poe-sia não pode ser entendida através de gráficos, a poesia sente-se na alma.Inspirados pelo lema “seize the day”, ao longo do filme, os alunos foram ganhandocoragem para experimentar desafios e experiências nas suas vidas que anteriormentenunca tinham ousado enfrentar, como o exemplo do Neil que conseguiu entrar numapeça de teatro apesar do descontentamento do pai que, mais tarde levou a uma dascausas do seu suicídio pois Neil sentia que estava constantemente a ser impedido defazer o que queria pela sua vida, não se sentia livre.Acho que a lição que podemos tirar deste filme é termos a capacidade de quebrar bar-reiras impostas em nós mas também é igualmente importante fazer isso de modo coe-rente. Catarina Sousa
  • 38. Filme “O Clube dos Poetas Mortos”Depois do visionamento do filme “O Clube dos Poetas Mortos” pude compreender que este filmeretrata um colégio onde existe “Tradição”, “Honra”, “Disciplina”e “Excelência”, onde os alunossão ensinados para que tenham profissões de grande importância e que lhes assegurassem umbom rendimento. Neste colégio todos os professores eram rígidos e ensinavam a matéria aosalunos de forma rigorosa, até que chega um novo professor ao colégio, Keating, que vinha substi-tuir o professor de Inglês. Este professor ao contrário de todos os outros dava liberdade aosalunos para que estes pudessem pensar por si próprios.Com a expressão “Carpe Diem” (aproveita o dia), Keating ensinou-os a ver a vida de forma dife-rente, e a avaliar as suas crenças, pois ao longo dos tempos o colégio tinha vindo a seguir umacorrente de ideias que tinham como único objectivo a obtenção de bons resultados escolares dosseus alunos, impedindo-os de serem livres, e de poderem pensar de forma criativa e por elespróprios.Deste modo, antes da chegada deste professor pouco ortodoxo ao colégio, os alunos não tinhamqualquer liberdade, pois só faziam o que os pais queriam. A partir do momento em que Keatingcomeçou a dar-lhes aulas, os alunos passaram a ser mais livres, pois Keating encorajava-os a vi-ver uma vida plena de sentimentos e emoções, a libertarem-se dos invisíveis grilhões das con-venções sociais que o colégio lhes impunha, e a sentirem verdadeiramente a poesia. Para alémdisso com a chegada deste professor ao colégio, houve a recriação do Clube dos Poetas Mortos,que foi mais uma coisa importante para a alteração do comportamento e forma de pensar destesalunos.Deste modo com a chegada de Keating ao colégio, os alunos não só passaram a ter uma maior li-berdade, por poderem pensar mais por eles próprios, como também ganharam mais confiançaneles próprios para conseguirem realizar os seus sonhos, e enfrentar os seus pais. Assim sendo,a partir do momento em que Keating chegou ao colégio, os alunos puderam aprender com esteque eles deviam dar mais importância aos seus sonhos, às suas ideias, à poesia, e não a coisasmatérias e sem valor, como por exemplo os manuais, pois Keating pensava que os alunos deviamde pensar por eles próprios e não seguirem simplesmente coisas escritas.Em suma este filme pretende transmitir-nos a ideia de que nós devemos procurar viver a vidaintensamente, aproveitando-a ao máximo, procurando entender as paixões, os amores, sob o nos-so ponto de vista, mas sempre de maneira examinada, isto é “Eliminando tudo o que não é vida”. Cristiana Pinto
  • 39. Poetas Vivos, Poetas Mortos Poderia dizer que a expressão “Clube dos Poetas Mortos” se refere apenas aofacto dos alunos declamarem poemas de pessoas que já morreram, mas issoseria negar a profundidade simbólica deste filme. Através da poesia e dos ensi-namentos do professor Keating, os alunos aprendem a viver e a gostar de vi-ver, aprendem a libertar-se das amarras da mente e dos agentes opressoresque negam a sua liberdade. Deixam de olhar apenas numa direção, aprendema usar o seu pescoço metafísico. Estes estavam como mortos, não literalmentee fisicamente mas moralmente, como podemos encontrar em vários textos deTolstoy, questão já anteriormente discutida com o professor de Filosofia. O fil-me aborda os conceitos de liberdade e libertinagem mas também da falta de-les, mostrando os extremos de cada situação. O suicídio de Neal mostra-nosque para ele talvez fosse melhor estar morto fisicamente do que viver uma vi-da falsa e vazia assente nos valores do seu pai. Talvez aí, a morte acabasse. Háno filme uma constante busca pela essência da vida, pela essência do eu. Ospoemas são uma metáfora para a consciência do Homem. Poetas somos todos nós que choramos e rimos e desafiamos as leis da gravi-dade tal como o conjunto de secretária que voa do telhado. Os que sugam otutano da vida e abraçam as árvores, pois talvez as árvores falem e haja poesiadentro delas. A nossa vida talvez seja um enorme livro de poemas, onde escre-vemos todos os dias, e que contém todos os estilos literários. E quem não pen-sa, talvez esteja sempre a escrever no mesmo estilo monótono, ler uma páginaou um capítulo inteiro será igual. Poetas somos todos nós. Quantos estão mortos? Tiago Silva
  • 40. “ O Clube dos Poetas Mortos “"Digamos que existem dois tipos de mentes poéticas: uma apta a inventar fábulas outra disposta acrer nelas. (Galileu Galilei) “Esta citação de Galileu Galilei dá muita luz a este tema. Numa sociedade caracterizada pela grandeinfluência da ciência, da política ,da economia , existem mesmo esses dois tipos de pessoas. As quelevam e as que se deixam levar. Antigamente a cultura, o brilhantismo, a inteligência, eram excessi-vamente olhados com reverência. Felizmente hoje em dia estamos entupidos disso, apesar de aindaexistirem pessoas verdadeiramente burras. O que deve ser olhado com admiração é a pouca capaci-dade das pessoas se expressarem verdadeiramente. Talvez de fazerem música, de fazerem poesia.Nem eu consegui iniciar o texto sem uma citação, não sou poeta o suficiente. Não consigo extrair apoesia de mim. Todos nós somos um pouco poetas , não o conseguimos ver. Estamos tão entupidospela realidade que existe neste mundo pouco válido e insensato para mim, que não temos tempopara nos vermos a nós.Eu acho brilhante o que este mundo retrata. A poesia é encarada como sinal de cultura, estudá-la,decorá-la , percebê-la é fundamental para se ser um ser consciente do mundo. Mas ser poeta é irre-alista. Dizer sentimentos ás três pancadas é sinal de barbaridade. Seria muito mais correto e educa-do fazer uma dissertação de vinte páginas explicando o meu amor por ti através da biologia.As massas acorrem a esses temas, mas há umas poucas ovelhas que fogem do rebanho e que res-suscitam o poeta morto dentro deles. Eu acho que até é exagerado dizer que ele está morto, está éum bocadinho abafado pela excentricidade do agora. Ninguém perde tempo a pegar num pedaçode papel e a pressionar a caneta contra ele, deixando que a sua alma tome o controlo de todo oseu discernimento cognitivo. Será que daqui a um tempo a arte morrerá e a física tomará o seu lu-gar? Será que vamos passar a ser Robots?A poesia é algo mais que um género literário. Eu sou poesia, e cada vez que começo a bater lenta-mente nas teclas do meu computador dou lhe vida. A poesia não é algo que têm necessariamentede ser partilhada. A poesia é a música que a alma esconde. O que se têm feito agora é amarrar asmãos do pianista que a cria. Divaguei imenso neste texto, achei-o imensamente difícil de escrever,sem saber na totalidade o que poesia quer mesmo dizer.Os poetas mortos, andam aí escondidos pelas almas. Se me abrisses o peito, verias um sentado achorar, porque eu estou demasiado ocupada para o libertar. Há demasiadas coisas que me envol-vem. Também não posso deixar de pensar que as pessoas inteligentes não são proporcionalmenteas pessoas poéticas. Mas claro que uma pessoa poética é inteligente, pois conseguiu ter a inteligên-cia que eu não tenho de abafar o ruído e de o deixar sair cá para fora. A poesia torna-se como queum grito doido da alma. Os poetas estão mortos pois a sociedade está preocupada com a intelectu-alidade. Se calhar ser poeta não parece bem, talvez ser poeta seja coisa de doidos. Ser médico émuito mais certo, do que andar á deriva e escrever livros, ficando embebida na minha própria inte-lectualidade. Ser médico é mais certo. Ser livre sabe melhor.Os Poetas andam mortos porque as pessoas se deixam levar pelos braços do que se deve fazer. Co-mo vimos no filme, os rapazes não liam , não estudavam poesia. Os rapazes viviam poesia. A poesianão é algo pomposo que só Poetas laureados podem escrever. A poesia é algo que homens aluadosde certos dogmas, de certas conceções podem escrever. Homens que levam, não que se deixamlevar. Há poucos desses.Balanço-me agora neste impasse para tentar encontrar algo que defina a poesia morta do meu ser.O clube dos poetas mortos é um local, que não têm de ser físico, em que em segredo, pois se escan-dalosamente isto fosse público, Deus sabe o desdém com que iríamos ser olhados ,porque somosemocionais, não técnicos ou científicos. É Onde se dizem todas as palavras que aparentemente nãotêm nenhum sentido, e que na escola são substituídas por teoremas. Um local onde as pessoasacendem de novo o seu poeta por um bocadinho. Onde se lê trovas durante duas horas. Tristemen-te, quando se sai desse local, físico ou imaginário, somos novamente entupidos por tudo o que nosrodeia. Agora vejo-nos, e estamos agarrados á matemática, e o poeta voltou a chorar. Sofia Linguíça
  • 41. ...CARPE DIEM...No colégio onde o filme é retratado venera-se a quantidade em desprimor daqualidade, ou seja, os professores ensinam os alunos para que estes possam irpara as melhores universidades, impingindo-lhes as matérias e não os ensinan-do a pensar por si. O filme ilustra a rigidez e a retidão das regras impostas aosalunos e á consequente rebeldia por parte deles em quebrá-las. O filme mos-tra-nos também as relações pais-filhos em que os filhos abdicavam dos seussonhos seguindo os dos seus pais, como sucedeu com Neil que queria seguiruma carreira artística e o sei pai não o permitia. Neil não teve a coragem de seimpor, acabando por cometer o suicídio. No colégio, o professor Keating expli-cava a matéria de um modo completamente diferente, motivava os alunos, in-centivava-os a falar, a intervir, a pensar e deixava-os correr riscos pois confiavaneles. A expulsão de Keating não conseguiu deter as suas lições e ideias, estesencontravam-se nos corações dos próprios alunos, sendo isso depois refletidonos seus comportamentos no final do filme. Houve uma expressão do profes-sor, cito “Carpe Diem” que tem como significado “aproveita o dia”, com isto,permitiu com que os alunos vissem a vida de uma perspetiva diferente, maisalargada, avaliassem as suas crenças, pois ao longo dos tempos a escola tinhacomo único objetivo a obtenção de bons resultados académicos, criando umaforte barreira para serem criativos e de usufruírem de um pensamento pró-prio. Ana Rita Namura da Silva
  • 42. O clube dos poetas mortos“Fui à floresta porque queria viver profundamente e sugar a essência da vida. Eliminar tudo o quenão era vida. E não, ao morrer, descobrir que não vivi”. Vou ler em voz alta, vou subir para cima deuma mesa, vou deitar-me debaixo dela e vou ver de todas as perspectivas que eu consiga. Vou estarem movimento e ela irá se encontrar parada no mesmíssimo lugar e ao mesmo tempo eu vou estarparada enquanto ela se encontra em movimento em meu redor. Vou estar ali, vou fechar os olhos eao mesmo tempo sei que irei ver de muitas mais perspectivas do que aquelas que me foi permitidover até hoje, mesmo de olhos bem abertos. Vou escrever com a alma e não ter medo de o dizer.Vou abrir os olhos novamente, vou sorrir e proferir cada palavra que eu escrevi sem medos, vourasgar páginas chatas e reescreve-as eu mesma, vou ser um dia artista porque assim eu quero, e nooutro dia serei jogadora profissional do último jogo da minha lista, vou ser talvez pintora de qua-dros abstractos e quem sabe escritora de histórias infantis, e por fim depois de tudo isso irei serpoeta, não num dia, mas em todos eles sem excepção. Vou testar um pouco de tudo e não vou que-rer ter o completo de nada, vou amar até ao limite, vou chorar até as lágrimas secarem, vou rir atéficar sem fôlego e vou correr até ao horizonte, ou mesmo até depois dele. Vou fazer tudo isso aomesmo tempo que continuarei aqui sentada. Vou ser feliz porque sou livre e vou ser livre porquesou feliz. Vou viver intensamente até ao último segundo. Neste segundo, e neste também. Nestes eem todos os outros que se seguirem. Porque um dia, “um destes” (segundos) será o último e quan-do esse último chegar eu quero estar completa. Completa de nada mas a transbordar de tudo. Tal-vez não tenha sido ontem totalmente livre mas hoje ainda o posso ser, e se for essa a minha esco-lha, nenhum outro ser a pode impedir. São morais proferidas nas entrelinhas como estas, que tantome prenderam ao clube dos poetas mortos. Este não é apenas um filme como tantos outros de co-légios masculinos, com rapazes extremamente disciplinados até ao dia em que descobrem que exis-te uma vida atrás do livro. Mas é sim, um filme que nos ensina que é preciso saber reescrever oslivros, reeditar as histórias e abrir a mente. Desta vez não apenas para ir um pouco mais além, maspara ir o todo mais além, para viver, não apenas para fazer as horas, os dias e os anos passarem.Para nos ensinar não apenas como passar o tempo, mas sim como é viver, o que é viver e o que é avida, a verdadeira essência da vida, seja ela qual for. E acho que acima de tudo é essa a mensagemque o filme nos passa, que para viver a vida verdadeiramente não é preciso mil anos, é preciso ape-nas uma alma recheada de sonhos e pensamentos fortes. Um poeta é um sonhador e um sonhadorpode ser qualquer coisa que ele deseje. E na minha opinião o filme é uma verdadeira obra de arte,não por nos dizer que temos de aproveitar a vida, mas sim pela maneira como essa mensagem nosé transmitida. Deste o simples facto de o segundo antes de um insignificante chutar de uma bola setornar num cume de liberdade tão grande que acaba por se tornar numa das mais incríveis procla-mações poéticas de sempre, até ao ponto de posteriormente “um alguém” optar pela morte emlugar de uma vida determinada por terceiros. E se aqui o suicídio foi um acto livre, então, a perso-nagem demostra melhor que ninguém o ideal do filme. Para viver não é preciso uma vida longa massim saber aproveitar cada segundo de uma vida curta. E eu, eu hoje estou aqui, estou aqui porquequero estar, estou a ler este texto porque o quero ler e talvez um dia esteja a ler este ou um outrotexto, num lugar totalmente diferente, talvez um dia parte deste texto faça parte de um dos meuslivros já editados ou então talvez nunca mais o leia, talvez nunca mais ninguém o leia. Mas isso tam-bém não me importa porque num determinado momento da minha vida eu o escrevi, eu o li, e cadapalavra proferida fez diferença pelo menos a uma pessoa, a mim mesma. E sabem que mais, sim “épreciso rasgar-se as introduções e extinguir o ensino de técnicas de entendimento” comuns, obri-gando cada um a “criar a sua maneira de pensar”. E por isso mais uma vez digo, que se lixem os es-tereótipos e os ideais perfeitamente concebidos pela nossa sociedade retrógrada, se querem viverentão força, “Carpe Diem”, aproveitem o dia ao máximo. Tânia Amaral
  • 43. Liberdade é Viver….(baseado no filme: “Dead Poets Society”)O Clube dos poetas Mortos é sem dúvida alguma uma magnífica encenação onde a liberdade é agrande mensagem que o filme pretende transparecer.Ao longo de toda a metragem, todos aqueles jovens são totalmente oprimidos e colocados numa cú-pula onde a liberdade e a possibilidade de expressão estão totalmente colocados num Mundo longín-quo. Em todos aqueles jovens não existia nada que eles próprios pudessem ter total controlo, eramconsiderados próprios robots das suas vidas. Estes não tinham acapacidade de viver por eles e que de certa forma, era rapida-mente substituída por outras identidades que os comandavam.Aquelas vidas não eram vidas, mas sim existências necessária àfelicidade de outros.Com o filme, todos aqueles jovens percebem o grande poder deliberdade que até então desconheciam na totalidade. Como nãopodia deixar de ser o grande meio de transporte para tal mu-dança foi a grande narrativa dos poetas, a Poesia. Desconheçoalgo melhor, do que a esta para conseguir mudar a perspetivade todas aqueles mentes distantes do Mundo Real. Em muitoscasos estavam tão presos ao triste que nem tinham a capacida-de de soletrar palavra após palavra, frase após frase… As amar-ras eram tão fortes que não existia a possibilidade de seremsoltos por si próprios.Ao longo de toda a encenação existe uma mudança não só de pensamentos, de estados de alma, eaté mesmo de pessoas… Uma única pessoa juntamente com o grande espetacular da poesia conse-guiram transformar toda aquela obscuridade.No final do filme, ao terem de enfrentar uma situação de confronto com o poder de liberdade, todoseles se manifestam soltando todas as lições até então consolidadas.É notório ao longo de todo o filme uma clarificação de uma subjetividade totalmente roubada, ouseja, existia a negação de liberdade à qual se dá a forte designação de violência. Tudo era completa-mente uniforme e encontrava-se de uma forma estereotipada. Para mim, toda aquela situação nãoera um modo de vida mas sim um modo de criação de seres perfeitos privados de uma vida exteriorcompletamente maravilhosa.É completamente desprezível uma vida não vivida por nós próprios, onde os sentimentos não exis-tem. Não existe possibilidade de dizer um “amo-te” um“odeio-te” um “gosto” e um “não gosto”. Toda estásubjetividade é retirada de um forma completamentebruta e mortífera. Por isso a grande mensagem deixadapelo filme, é para que cada pessoa viva a sua vida deuma forma livre, de encontro com a sua vontade. Casocontrário tudo o que possam achar viver é mera hipo-crisia, onde a única solução pode ser a perda de vonta-de de viver. Por isso, a grande chave da vida, é ser-mosnós próprios, contrariando toda a universalidade que possa existir à nossa volta. Afinal de contas oque nos faz viver é o poder ser diferente de todos os outros e onde o poder dos meus sentimentosainda me tornam algo mais diferente e especial. Por isso acima de tudo vivam de uma forma espontâ-nea e criativa. IInês André
  • 44. MILL VS KANT
  • 45. Mill e Kant Vejamos a questão pelo seguinte prisma: Mill e Kant são como os dois melhorestrabalhadores duma empresa, competindo entre si. São ambos brilhantes mas acabam porter perspectivas completamente diferentes no que toca às nossas decisões (como asdevemos tomar e o que se encontra na base das mesmas). Stuart Mill é um convicto apoiante do Utilitarismo, focando-se nas consequências dosnossos actos, ou seja, nada deve ser feito se puder provocar um mau resultado, o queacaba por limitar o nosso campo de acção. Para além disso, as intenções não têm qualquervalor, apenas as acções praticadas. Neste caso, a expressão “de boas intenções está oinferno cheio” acaba por ter um certo sentido. O pilar do Utilitarismo é o agir sempre demodo a fazer com que o maior número de pessoas seja feliz. Mas será a felicidade algopossível de medir e fabricar? Imaginemos uma situação extrema: Durante um incêndiotemos a possibilidade de salvar o nosso melhor amigo ou 8 pessoas com que nunca noscruzámos na vida. A resposta e atitude óbvia de qualquer humano seria salvar o amigodevido às ligações emocionais inevitáveis. Amamos o que conhecemos e o que temoscomo nosso. Não fará muito sentido abdicar dos nossos sentimentos e valores pelanecessidade de provocar a felicidade geral. Isso é entrar num estado psicótico. Mill negaassim o egoísmo tão tipicamente humano. Mas não será o egoísmo um traço natural danossa personalidade que se prende com questões de sobrevivência maiores? Já Kant diz-nos que a boa vontade é a única coisa intrinsecamente boa. A intenção contabastante e é o mais importante independentemente de qualquer resultado posterior daacção. Se a minha intenção era boa, como poderia adivinhar que o resultado no futuro iriaser drástico? O conhecimento humano restringe-se ao tempo vivido, pois não podemosimaginar o depois. Nem sempre a nossa acção tem de ser realizada de modo a provocar aaprovação geral mas sim com o que nos parecer mais conforme na altura em quetomamos a nossa decisão, depende daquilo a que decidirmos dar mais valor. Penso que são ambas teorias interessantíssimas e alvo de reflexões e dissertaçõesinfindáveis. O mais interessante, se estivermos atentos, é perceber que Kant, Mill ouqualquer outro filósofo, independentemente do conteúdo estudado e pontos de vista seinclina sempre para a mesma questão comum: O que é o Homem? Quem somos nós? Tiago Silva
  • 46. Diferenças entre Kant e MillÀ medida que o tempo passa e eu me perco cada vez mais entre os meus pensamentos, mais certezas ganho deque tudo o que existe no mundo não passa de uma constante dúvida. Cada vez mais me deparo com inúmerassoluções difíceis e contraditórias para um mesmo problema simples. Neste ponto em que me encontro, tudopassou a ser um problema, tudo passou a conter dúvidas, e quando me refiro a tudo, englobo tudo mesmo.Desde o simples facto de uma mesa estar parada ou em movimento, de eu ser livre ou determinada ou atémesmo ao ponto de eu ter passado a vida toda de olhos abertos, sem no entanto ter-me sido permitido ver aessência de nada. Pegando num molho de dúvidas e contradições existentes em mim, fortaleço-as aindanovamente, desta vez apoiando-me nas teorias de dois grandes senhores. Falo então de Immanuel Kant e JohnStuart Mill. Debruçando-me então sobre duas teorias éticas bastante diferentes , pois tal como já seria deesperar ambos os filosofos referidos em cima fundamentam teorias bastante diferentes em relação aosmesmissimos assuntos. Isto é Kant fundamenta a ética deontológica, e John Stuart Mill fundamenta a éticaconsequencialista. A ética deontológica é uma teoria moral segundo a qual as acções devem ser realizadas,independentemente das consequências que resultem da sua realização. É uma ética centrada na noção dodever. Isto é, segundo kant a boa vontade é a única coisa absolutamente boa. Isto é, independentemente dasconsequências e independentemente de nos prejudicar-mos a nós mesmos e à maioria da socieadade que nosrodeia. O nosso dever é o nosso dever, e este encontra-se acima de tudo o resto, visto que o nosso dever é únicoe inegociável. No entanto, Kant adiciona ainda uma famosa distinção as nossas ações, visto que segundo ele, nóspoderemos agir não somente por dever mas também poderemos agir em conformidade com o dever, isto é, serealizar-mos uma ação simplesmente por saber-mos que essa é a ação correta , que essa é a ação que devemosfazer e nada mais nos condiciona a não fazê-la, então esta é uma ação por dever. No entanto, se realizar-mosuma determinada ação em conformidade com o dever esta significa que mais importante ainda do que ocumprimento do dever encontra-se o nosso interesse pessoal. Contudo isto não significa que neste tipo deações, nós iremos agir de modo contrário ao dever, antes pelo contrário, nestes casos iremos também agir deacordo com o dever sim. Mas, no entanto precisamis de razões suplementares para o fazer, nomeadamente ofacto de aqui, colocar-mos o nosso interesse pessoal acima do dever. Já Mill fundamenta a éticaconsequencialista. Ética esta que é designada por uma teoria moral segundo a qual as acções são avaliadascomo correctas ou incorrectas em virtude das suas consequências. Nomeadamente o utilitarismo, sendo estauma das principais formas de consequencialismo. Mill, contrariamente a Kant, pensa que o bem é,simplesmente aquele, que se revela mais útil à maioria, ou seja o que beneficia o maior número de pessoaspossível. Mill apresenta como princípio da utilidade o princípio da maior felicidade. Assim o agir será eticamentecorrecto se proporcionam felicidade ou ausência de sofrimento, sendo deste modo considerados menos éticosos comportamentos geradores de sofrimento ou de menos felicidade. Em suma,Kant defendia que uma acçãoera correcta ou incorrecta, consoante a máxima que lhe deu origem, isto é, defende que os juízos morais daacção humana não têm como justificação a obtenção de bons resultados ou a sua utilidade avaliando assim asacções do Homem em função do seu princípio implícito e independentemente dos seus efeitos, tratando-seassim de uma ética do dever na qual o dever se eleva em relação à felicidade, ao que o ser humano nem sempredeseja, pois, primeiramente o conceito de dever e só posteriormente o conceito de bem, de felicidade nãotendo justificação a obtenção de bons resultados ou a sua utilidade. Contrariamente a Mill, que defende que asacções são corretas ou incorrectas, aceitáveis ou inaceitáveis, conforme os seus fins, as suas consequências, poisas acções deveram ser julgadas de acordo com os resultados que é esperado alcançarem, visto que a felicidade eo nosso bem-estar pessoal é a finalidade de todas as nossas ações. Tânia Amaral
  • 47. ARISTÓTELES:O" verdadeiro discípulo é aquele que consegue superar o mestre."O" homem que é prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz."O" homem livre é senhor de sua vontade e somente escravo de sua própria consciência."A" principal qualidade do estilo é a clareza."PLATÃO:O" que mais vale não é viver, mas viver bem" .A" harmonia se consegue através da virtude" .T" eme a velhice, pois ela nunca vem só" .O" belo é o esplendor da verdade" .SÓCRATES:A" palavra é o fio de ouro do pensamento."C" onhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo de Deus."A" verdade não está com os homens, mas entre os homens."U" ma vida não examinada não merece ser vivida."
  • 48. Escola: Simples edifício ou conceito utópico? É certo e sabido que qualquer pessoa da minha idade, se obedecer aos padrõesmorais estabelecidos pela sociedade, se encontra a estudar numa escola. Àpartida, opinião geral, é o que faz mais sentido pois é na escola que aprendemossobre vários assuntos que nos preparem para sermos cidadãos e exercer umaprofissão no futuro. Visto de fora, tudo parece perfeito e nos seus conformes.Mas a situação é diferente se formos alunos que têm conhecimento da situaçãoactual e que saibam pensar sobre aquilo que os rodeia. O conceito de escola estáadulterado. Somos bombardeados todos os dias com matérias de váriasdisciplinas que não irão ter qualquer aplicação prática na nossa vida nemcontribuem minimamente para o nosso intelecto. De que me irá servir dentro de10 anos saber que determinados ventos sopram numa região com um nomerusso impossível de dizer por um mero mortal? Para além do mais, muitas vezesos conteúdos são dados partindo dos pressupostos de que tudo realmente éassim. Mas a questão essencial que deveríamos colocar a nós mesmos comoestudantes e aos nossos professores é: De onde vem o conhecimento? Decorartextos inteiros para nos “safarmos” na pergunta de desenvolvimento não é asolução, o ensino não deveria passar por nos fazer decorar determinados factosmas sim saber analisá-los, questioná-los, rejeitá-los e percebê-los, perceber osporquês. Caso contrário, corremos o risco de nos tornarmos autênticas ovelhasque caminham sempre na mesma direcção. Não seria mais interessante sabertodos os ideais que estão por detrás de uma decisão histórica, do que saber queela aconteceu na data x no sítio y? Não será mais importante perceber o que nosmove como seres humanos, o nosso motivo? Tentar compreender minimamenteo nosso modus operandi? A escola deveria ser sobretudo um lugar ondedeveríamos ser ensinados a desenvolver a nossa autonomia e o nossopensamento crítico. Não, a Filosofia não é uma disciplina inútil: é aquela quequestiona os conhecimentos sem os dar de mão beijada, o que acaba por sercriticado por pessoas que se encontram há 10 anos habituadas a um método deensino com um ponto de vista objectivo que não se preocupa minimamente emperceber os pressupostos e que não é capaz de fazer um esforço para pensar,porque nunca havia sido feito anteriormente. Este texto pode e deve ser encarado como um manifesto. Como a opinião deum aluno do ensino secundário que não se conforma com o que vem apenas nosmanuais mas que anseia saber o mundo. Que valoriza mais a experiência. Poruma educação que estimule a nossa criatividade. Por uma educação que nosajude a crescer interiormente e nos dê maturidade. Por uma educação que nosajude a pensar e não que nos ensine a obedecer. Tiago Silva
  • 49. FILOSOFIA FINANCEIRA Hoje, vivemos num mundo dominado pelos grandes poderes económico, afirmação corrente nos nossos órgãos de comunicação social. Perante esta afirmação Podíamos pensar que quem produz, “anda na lavoura”, dominaria o mundo, o que teria sentido, poisquem trabalha deve usufruir de melhor vida do que aqueles que pouco ou nada produzem. Perante uma aná-lise, reflexão, dentro da óptica de quem produz começamos a perceber que quem produz é escravo de umoutro grande poder, que nada produz (no sentido da lavoura, de transformar produtos ou produzi-los) masque domina a economia real, ou seja, o poder financeiro, com todos os seus órgãos, FMI (Fundo MonetárioInternacional), Bancos Centrais, Agência de Rating.Emprestam o dinheiro que é de todos nós e depois dizem-nos que com os instrumentos de controlo monetário conseguem controlar a inflação, ou seja, fazer descer/subir preços, injetarem/retirarem liquidez na economia real, no fundo controlarem a nossa vida economica.Podem argumentar dizendo-me, como construtor civil, só recorres ao crédito porque assim o entendes. Ve-jamos se é assim, um construtor civil que recorre ao crédito bancário pode fasear os seus gastos em função doseu rendimento, isto é, ao pagar de modo faseado tem mais tempo para rentabilizar o seu investimento. Oconstrutor que não recorre ao crédito bancário está à partida em desvantagem competitiva com os seus con-correntes. Uma forte razão para recorrer ao crédito bancário. Até mesmo os particulares reconhecem vanta-gem no Crédito Habitação doutra forma nunca teríamos casa própria.Reparem que as empresas (quem pro-duz realmente, necessita das vantagens competitivas que o crédito bancário permite obter). Contudo, ficamosaprisionados, na alçada dos ditames deste mundo financeiro, e o poder passa a estar nas mãos não de quemproduz mas de quem empresta dinheiro e cobra um juro. Os defensores do mundo financeiro podem dizer-me, mas nós financiamos a Economia, sem o dinheiro que possuímos para emprestar o desenvolvimento eco-nómico era na realidade bem inferior. Contudo, é neste terreno que temos de colocar as grandes questões,procurar os pressupostos da nossa vida económica/financeira, perceber como o mundo económico, as nossasempresas, e agora de forma premente os nossos Estados são dominados pelo financeiro, correndo o risco debancarrota ou de insolvência, sobretudo pelo o agiotismo não controlado, encapotado de livre mercado decapitais, ou seja, tudo se passa numa óptica da livre oferta e procura, e neste jogo se estabelece a taxa dejuro. Sabemos que isto nem sempre é assim, muitas empresas tem os seus créditos (investimentos) indexadosa taxas diretoras( por exemplo, Euribor), e os Bancos Centrais (BCE ,FED, Banco Central do Japão), se subiremas taxas de referência, que também significa começam a emprestar mais caro, os bancos subordinados reper-cutem nos seus clientes, nas empresas. Dito de uma forma clara, as empresas passam a pagar mais pelos em-préstimos contraídos, de tal forma que tem de repercutir tais custos nos preço final dos seus produtos. A vidada empresa depende como vemos da taxa de juro cobrada pelo banco financiador, o chamado Spread (lucrodo banco), contudo esta margem pode aumentar se a taxa diretora subir. Dito de uma forma simples, os Ban-cos passam a ganhar mais e as empresas menos. Perguntam-me, como é possível? Deve-se sobretudo ás for-mas de aprisionamento que o mercado financeiro foi colocando no económico. Sem retirar a importância aomercado financeiro devemos em primeiro lugar tentar percebe-lo, criticá-lo, até para que possa servir-nosmelhor. Vejamos, as empresas ao fazer análise de investimentos sabem até onde a taxa de juro cobrada pelomercados financeiros é suportável, condição necessária do investimento, contudo não está nas suas mãos olimite da taxa de juro, esta é sempre indexada, colocando problemas graves à economia real. Uma das gran-des questões difíceis de resolver, mas que deve ser colocada, é se o mercado financeiro que advoga o desen-volvimento económico, o controlo da inflação através dos seus instrumentos que são poderosos como jávimos, não provocará margens especulativas que não se ajustam ao desenvolvimento da economia real? Por-que não regular a taxa de juro entre parâmetros que seja sustentável o desenvolvimento da Economia real?Seria uma forma de controlar a especulação da própria banca seus agentes e dos especuladores em geral,contudo, perdiam poder, isto é, o sistema financeiro retiraria um grilhão ao mundo económico. Esse é o verda-deiro obstáculo a uma regulamentação séria, ou que visasse efetivamente um livre mercado (falo também decapitais) à maneira de Adam Smith, em que o preço( no caso do mercado financeiro, o juro do capital) fosseestabelecido no jogo livre das forças do mercado, em que nem a oferta nem a procura tem o poder de deter-minar o preço do produto( a taxa de juro, no mercado financeiro), seria o preço justo, a taxa de juro apropria-da.Como sabemos, não é isso que acontece, o mercado monetário com as suas instituições já referidas, mani-pulam a seu belo prazer a forma como enriquecem e deixam ou não enriquecer outros. …/...
  • 50. …/...Uma outra questão que parece-me não menos interessante é, até que ponto alguém que vende dinheiro(cobrando um juro) tem noção que está a especular, não falo dos Hedge Funds( que são a potenciação máxi-ma da origem do problema, e os seus promotores sabem qual a sua base- a especulação), mas da Banca Co-mercial que vive dos empréstimos que faz para a Economia real, para os particulares, que concede créditosem uma verdadeira análise daquilo que a economia produz, o que estou a afirmar é o desajustamento entreo dinheiro que é emprestado e aquilo que se produz( isto por si, no meu conceito já é especulação). Dois exem-plos, uma família aufere um salário médio mensal que não permite ter capacidade para comprar casa, acon-tecia nos anos oitenta, contudo a banca comercial para angariar mais clientes passou a promover créditoshabitação com limites de pagamento (alargados) a quarenta anos, como consequência, os créditos dispara-ram, o preço das casa sobem, aproveitando um aumento distorcido desta procura. Pergunto, essas pessoasmelhoraram o seu rendimento, a sua produção? Não. Consequência, endividamento. O mesmo passou-se comos Estados soberanos, crescente endividamento, não acompanhado pela produção dos países. Penso que é nafalta de ajustamento entre o que se produz e a dívida que temos capacidade de contrair que reside o proble-ma, com consequências desastrosas para a vida de todos nós. É um claro exemplo que a atuação do mundofinanceiro provoca inflação, assim como a sua atuação está longe de perceber a quem e como emprestar, ouseja, concede crédito não considerando apenas a riqueza criada, mas também especulando. É neste pontoque reside um dos problemas fundamentais do mundo financeiro. Exige-se que se faça uma crítica sobre osseus próprios pressupostos. É urgente distinguir margens permitidas das especulativas. Os críticos responde-ram que não é benéfico limitar as leis do mercado. Contudo, devemos perceber que qualquer margem deveestar de acordo com o princípio do balanceamento entre riqueza criada e margens correspondentes. Qualquermargem que se afasta deste princípio deve ser considerada especulativa, destruidora da economia real e porisso mesmo devemos intervir para evitar essas margens. Toda a banca comercial e de investimento tem defazer essa análise, e deverão ser os reguladores que devem mostrar como fazê-lo. Parece-me que existe obs-táculos, desde a limitação das margens de lucro, perda de poder do mundo financeiro, mas, sem dúvida, ummundo mais sustentável para todos nós. Não defendo a exterminação do mundo financeiro, mas que deve serreformulado nos seus pressupostos para uma prática diferentes e mais justas para todos nós. Quando falo deuma estruturação dos pressupostos, estou a falar de uma Filosofia que se ajuste melhor à realidade e sobretu-do com preocupações éticas, ou seja, que se preocupe na construção de um mundo melhor. O Professor: Rui Santos
  • 51. FICHA TÉCNICA:Coordenação:Prof. Rui SantosRevisão de Texto:Prof. Rui SantosEdição de Imagem a Cargo dos alunos responsáveis pelos tra-balhos apresentados.Agrupamento de Escolas do Forte da CasaAbril de 2012