Hipertexto em sala de aula
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×
 

Hipertexto em sala de aula

on

  • 1,784 views

 

Statistics

Views

Total Views
1,784
Views on SlideShare
1,782
Embed Views
2

Actions

Likes
1
Downloads
22
Comments
0

1 Embed 2

http://docenciasuperior-30turma.blogspot.com 2

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

Hipertexto em sala de aula Hipertexto em sala de aula Document Transcript

  • HIPERTEXTO EM SALA DE AULA: UM CAMINHO PARA A INTERDISCIPLINARIDADE? Nadiana Lima da Silva (UFPE) nadianalima@gmail.com Dayse dos Santos Maciel (UFPE) dayse_maciel@hotmail.com Aline Guedes Alcoforado (UFPE) alinealcoforado@gmail.comRESUMO: Sabemos que o “hipertexto é, por natureza e essência, intertextual ” (Koch, 2003) eque é preciso recuperar, em nossa memória, o intertexto necessário para a compreensão.Diante disso, nesta análise, propomos demonstrar como poderíamos construir um hipertexto einter-relacionar conhecimentos diversos, interdisciplinarmente. Permeia esta proposta o fato deser imprescindível para a educação que as disciplinas estejam em diálogo.PALAVRAS-CHAVE: hipertexto, interdisciplinaridade, conhecimento.ABSTRACT: We know that "hypertext is, for nature and essence, intertextual" (Koch, 2003) andthat it’s necessary to remind, in our memory, the intertext necessary for the understanding.Hence, in this analysis, we intend to demonstrate the possibilities of a hypertext constructionand the interrelations among diverse knowledge through interdisciplinarity, noting, therefore, theimportance of disciplines dialogue for the education.KEY WORDS: hypertext, interdisciplinarity, knowledge.RESUMÉ: Nous savons que “l’hypertexte est, par nature et essence, intertextual" (Koch, 2003)et que c est précis de récupérer, dans notre mémoire, l intertexto nécessaire pour lacompréhension. En avant de cela, dans cette analyse, nous proposons démontrer comme nouspourrions construire une hypertexte et rapportera des connaissances diverses,interdisciplinairement. Nous considérons le costume d être indispendable pour léducation queles disciplines soient dans dialogue.MOTS-CLÉ: hypertexte, interdisciplinarité, connaissances.Considerações iniciais “Para que aprender isso?”, “Onde vou usar isso?”. Não raro, muitos professores já seviram em uma situação constrangedora ao escutarem questionamentos como esses, queilustram um grande problema, verificado em várias instituições de ensino: a fragmentação doconhecimento em disciplinas cada vez mais estanques, o que resulta numa visão de mundobastante esquemática. Em decorrência dessa divisão, por não se articularem com outras áreasde saber e, por isso, tornarem-se tão distantes da realidade do aluno (que, na maior parte dasvezes, tem sua bagagem de conhecimentos desconsiderada), os conteúdos passam a tersentido apenas para os especialistas daquela área. Diante disso, a interdisciplinaridade se mostra como uma alternativa para solucionar oproblema, na medida em que implica uma mudança de postura diante do conhecimento, que
  • passa a ser construído coletivamente, frente às relações estabelecidas entre as disciplinas.Para tanto, algumas ferramentas pedagógicas podem ser utilizadas. Uma delas, em potencial,bastante promissora, é o uso das novas tecnologias, em especial o hipertexto, como inibidordas barreiras decorrentes das disciplinas. Assim, considerando que “o hipertexto é, por natureza e essência, intertextual” (Koch,2003) e que o texto é um lugar de múltiplos sentidos, em que estes são construídos numa açãocolaborativa entre os interlocutores, que precisam mobilizar diversos conhecimentos(lingüísticos, enciclopédicos e interacionais), e recuperar em sua memória social o intertextonecessário para o processamento textual, propomos demonstrar, nesta análise, comopoderíamos construir um hipertexto e inter-relacionar conhecimentos diversos,interdisciplinarmente. Permeia esta proposta o fato de ser imprescindível para a educação odiálogo entre as disciplinas, diminuindo a barreira entre as áreas de conhecimento. Para tanto, diante da forte presença de referências à cultura nordestina, utilizamos,como corpus do nosso trabalho e como texto-base para construção do hipertexto, a letra damúsica Leão do Norte, composta por Lenine e Paulo César Pinheiro. Ancoramo-nos, para fundamentação teórica, nos estudos de Lévy (1993), Xavier(2002), Komesu (2006), Koch (2003 e 2006) e Kleiman e Moraes (1999).1. Fundamentação teórica: interligando alguns nós Tendo em vista que a compreensão é um processo inferencial, em que os sentidos dotexto são sócio-interativamente construídos por sujeitos ativos numa ação colaborativa, faz-senecessário considerar o texto não um repositório de informações que são pré-estabelecidaspelo autor e apenas apreendidas pelo leitor, mas o produto da interação entre texto einterlocutores. Deste modo, encaramos o texto como passível de múltiplos sentidos,construídos a partir da mobilização de conhecimentos de natureza variada do leitor e deestratégias sociocognitivas utilizadas por este. Os sentidos, então, não estão, explicitamente,na superfície lingüística do texto, mas são produzidos a partir de algumas sinalizações que estenos apresenta. Muitas dessas sinalizações do texto nos fazem recorrer a outros textos,anteriormente produzidos, para compreendermos a informação veiculada e os propósitoscomunicativos do produtor. Se partirmos do pressuposto que todo texto é um “mosaico decitações” de outros dizeres, como afirma Kristeva1, e que “todo texto é um intertexto; outrostextos estão presentes nele”, conforme Barthes (1983), ao reforçar o conceito da autora,podemos afirmar ser de grande influência (em vários graus), na leitura2, o reconhecimentodestes outros textos. Em sintonia com que afirma Xavier, no que diz respeito à pluritextualidade do hipertexto(ver próximo tópico), podemos afirmar ser de grande importância, no ambiente escolar, odesenvolvimento das competências dos alunos (tendo em vista tanto as estratégias de leitura1 Júlia Kristeva propôs o conceito de intertextualidade, ancorada nos conceitos de dialogismo ede polifonia, formulados por Mikhail Bakhtin.2 Consideramos, neste estudo, os termos compreensão e leitura como sinônimos.
  • específicas dos leitores do hipertexto, quanto as de escritura) a partir articulação de vários“aportes sígnicos”. Deste modo, além do aprimoramento dessas competências, podemos teceruma rede entre as mais diversas áreas de conhecimento, distanciando as barreiras construídasentre essas áreas. Essa perspectiva é bastante útil em sala de aula, na medida em que,articulando as disciplinas entre si (interdisciplinaridade), via hipertexto, podemos: “desenvolver o letramento pleno porque [os projetos disciplinares] expõem o aluno avários tipos de texto em vários tipos de eventos, ou a várias formas de ler um mesmo texto,dando oportunidade para se vivenciarem as várias práticas de forma colaborativa e com aajuda de alguém familiarizado com elas”. (Kleiman e Moraes, 1999:99).1.1 Percorrendo as trilhas do hipertexto Assim como procedemos neste trabalho, ao selecionarmos algumas palavras e a elasassociarmos uma nota de rodapé ou mesmo ao fazermos menção a outros estudos queremetem a uma determinada fonte bibliográfica, estamos disponibilizando links, mesmo nãosendo em suporte material. Esta prática de escolher textos, sons, vídeos etc. por associaçãopermitiu que o matemático e físico Vannevar Bush propusesse um dispositivo chamado Memex(Memory Extension), no artigo As we way think, em 1945. Segundo Bush (apud Lévy, 1993:28),nesse artigo, assim como o cérebro humano, o dispositivo deveria funcionar a partir deassociações e não apenas pela indexação simples. O leitor poderia mobilizar rapidamente,através de um botão, qualquer informação de um reservatório extenso de informações,anteriormente criado. Além disso, o leitor poderia fazer observações acerca do conteúdoselecionado, o que já caracterizava o papel ativo do leitor que poderia construir um textoparalelo, interativamente. O termo hipertexto, contudo, surge apenas nos anos sessenta, comTheodor Holm Nelson, na proposta do projeto Xanadu. Nelson, baseado no Memex de Bush,elaborou um sistema que armazenava dados e permitia o acesso a qualquer informação,através do computador. Conceituar o hipertexto, entretanto, não é tarefa fácil. Para tanto,apresentaremos algumas visões e destacaremos as mais pertinentes para o presente estudo. Para Lévy (1993, 33), o hipertexto constitui-se por um conjunto de nós, que podem serformados por imagens, gráficos, palavras, etc., que podem, por sua vez, serem hipertextos.Para Marcuschi, sob o prisma dos estudos lingüísticos, o hipertexto “não é um gênero textualnem um simples suporte de gêneros diversos, mas como um tipo de escritura. É uma forma deorganização cognitiva e referencial cujos princípios constituem um conjunto de possibilidadesestruturais” (apud, Komesu, 2006). Segundo Koch, ao considerar a concepção de textoadotada pela Lingüística Textual, afirma que “o hipertexto constitui um suporte lingüístico-semiótico hoje intensamente utilizado para estabelecer interações virtuais desterritorializadas”(2003: 63). Para essa autora, o que difere o hipertexto do texto impresso é apenas o suporte ea rapidez com que é acessado. View slide
  • No entanto, o conceito que adotamos nesta análise é a definição assumida por Xavier,segundo o qual, o hipertexto pode ser considerado “uma forma híbrida, dinâmica e flexível delinguagem que dialoga com outras interfaces semióticas, adiciona e condiciona à sua superfícieformas outras de textualidade” (2004: 171). É de grande importância, para esse autor, a idéiade hiperlink, por meio do qual “a distância de um indivíduo a outro, de uma idéia a outra, passaa ser medida por célebres clicks-de-mouse sobre estas inteligentes engenhocas digitais”(2002). Ainda conforme o autor, a pluritextualidade, que “é uma novidade fascinante dohipertexto por viabilizar a absorção de diferentes aportes sígnicos numa mesma superfície deleitura, tais como palavras, ícones animados, efeitos sonoros, diagramas e tabelastridimensionais.” (2004, 175), conferiria ao hipertexto uma peculiaridade. Quanto a esseaspecto do hipertexto, Komesu afirma haver lacunas no estudo de Xavier, uma vez que,segundo a autora, este autor “focaliza sua atenção em estratégias de referenciação ligadas,principalmente, ao texto escrito, e parece colocar em segundo plano a análise dos dados nãoverbais” (Komesu, 2006). Komesu ainda afirma compartilhar das definições de Koch (2002),Marcuschi (1999) e Xavier (2002), apresentadas acima, mas declara ter algumas ressalvasquanto a algumas afirmações a respeito dos traços do hipertexto (não-linearidade,intertextualidade, multissemiose, etc.). Posto isso e levando em conta que “todo texto impresso pode ser um hipertexto”(Xavier, 2004: 175), veremos adiante como poderíamos construir um hipertexto, tendo vista osobjetivos específicos e os conteúdos das disciplinas escolares.2. Construindo o hipertexto Diante das marcantes e constantes referências à cultura popular nordestina, sobretudo 3a pernambucana, reconhecemos na letra “Leão do Norte” um forte potencial no que dizrespeito à interdisciplinaridade. Por isso, tentaremos demonstrar como esse texto poderia serdesenvolvido em sala de aula, entre algumas disciplinas curriculares. Para tanto, destacamosalguns termos (que constituiriam os futuros hiperlinks) e os associamos a trechos de outrostextos, ora publicados e pré-existentes, ora produzidos por nós. Vale salientar que partimos do pressuposto, em conformidade com que afirma 4Possenti acerca da ênfase do papel do leitor no hipertexto, que o produtor deste sinaliza,explicitamente, através dos termos ao qual se relaciona o link, por quais caminhos o leitor podeseguir (mesmo que não o faça), de acordo com seus objetivos comunicativos. Assim, a escolhados textos e, conseqüentemente, dos hiperlinks a serem selecionados, é norteada pelospropósitos do professor, em função do conteúdo específico do programa ou dos temas quejulgue pertinentes.3 A letra está reproduzida, juntamente com as relações estabelecidas, em anexo.4 Para Possenti, a ênfase no papel do leitor é decorrente da concepção de língua que seconsidere. Desse modo, ao encararmos a língua como um processo interativo, naturalmente,estamos considerando o leitor como um sujeito ativo que mobiliza diversos conhecimentos, apartir das sinalizações do texto. Esse papel do leitor está presente tanto na leitura do hipertextoquanto em qualquer texto impresso. View slide
  • Antes de aprofundar alguns temas em sala de aula, utilizando o texto escolhido, faz-senecessário apresentar alguns conceitos básicos de informática que permitam a construção dohipertexto, como a criação de hiperlinks, a criação de páginas da web (Microsoft FrontPage),navegação na internet, etc. Depois de os alunos estarem familiarizados com as ferramentas dainformática, os professores de cada disciplina aprofundariam os temas desejados. Primeiramente, com o intuito de trabalhar, a partir do texto-base, um tema do conteúdoda disciplina Geografia, selecionamos o termo “Capibaribe” (linha 8) e o relacionamos a umtexto que aborda a hidrografia pernambucana, em que há uma tipologia dos rios, seusafluentes e suas características, incluindo o Capibaribe. Vale lembrar que, se fosse outro onosso propósito (explorar um tema de literatura, por exemplo), poderíamos ter escolhido umtexto que abordasse os recursos estéticos utilizados por João Cabral de Melo Neto quando serefere ao rio Capibaribe, que tem forte influência na obra desse autor. Em relação à disciplina Educação Artística, selecionamos o termo “mamulengo” (linha10). Em um primeiro momento, o professor poderia traçar um panorama histórico acerca docontexto sócio-cultural que permitiu o surgimento desses bonecos, como eles sãocaracterizados, quais os tipos principais e como se deu a trajetória quanto ao aspectovalorativo deles, desde seu surgimento até os dias de hoje. Depois de situados social, cultural ehistoricamente, os alunos poderiam aprender, passo a passo, numa atividade prática, comoproduzir seus próprios mamulengos, que poderiam, posteriormente, se tornar personagens deuma pequena representação dramática realizada pelos próprios alunos para outros alunos docolégio. Em seguida, destacamos o termo “mangue” (linha 17) que, por si só, já permitiria umprojeto pedagógico interdisciplinar. Em uma visita a um manguezal, em conjunto com osprofessores de Ciências, Geografia, Matemática e Música, por exemplo, os alunos poderiamconhecer, respectivamente: (1) a riqueza biológica deste ecossistema complexo; (2) o tipo devegetação característica, como o mangue se forma e quais seus benefícios para a economia;(3) alguns dados relevantes a respeito do mangue, através da leitura de gráficos e de tabelasmatemáticas, bem como de conceitos desta área; e, por fim, (4) o Movimento Manguebeat,bem como sua proposta na condição de movimento musical, que foi fortemente influenciadopor esse ecossistema. Na linha 20, com o propósito de explorar um conteúdo de Literatura, destacamos onome do poeta Joaquim Cardoso. O professor da disciplina citada poderia apresentar umpouco da biografia do autor e das características de sua poesia, através da leitura de váriostextos a respeito dele. A partir dessa caracterização, os alunos passariam a perceber que háuma forte presença de representações matemáticas, fruto dos conhecimentos do poeta (que éformado em Engenharia) em sua produção poética. Além disso, o professor poderia ressaltar aimportância de conhecer alguns dos conceitos matemáticos dos quais se utiliza o poeta para acompreensão do poema. Assim, um professor de Matemática poderia retomar alguns dessesconceitos.
  • Na linha 21, destacamos o termo “pifo” com o intuito de explorar o tema “Formação depalavras”, que faz parte do conteúdo de Língua Portuguesa. O professor da disciplina poderiaexplorar, além das já conhecidas regras de formação, os efeitos de sentido que a redução dotermo “pífano” provocam na música; alguns aspectos da variação lingüística, ao levantarhipóteses sobre os prováveis membros de grupos sociais que utilizam a forma destacadatipicamente e que, normalmente, constituem as bandas de pífano; ou os recorrentes “erros” ànorma padrão, que alguns compositores cometem e que são fundamentais para a sonoridadeou para o propósito da música. Se escolhido este último tema, o professor poderia comparar aletra Leão do Norte com outras composições, como: História de uma gata (de Chico Buarque),em que o autor vai de encontro às regras da gramática normativa quanto à colocaçãopronominal (“Me alimentaram/ me acariciaram/ me aliciaram/ me acostumaram”), com o intuitode fazer alusão a um miado; Fora de Si (de Arnaldo Antunes) que não utiliza a concordânciaverbal adequada, conforme aponta a gramática, com o objetivo de demonstrar que há umdesregramento dos sentidos da voz enunciadora, que passa a se despersonalizar (“Eu ficolouco/ eu fico fora de si/ eu fica assim/ eu fica fora de mim/ eu fico um pouco/ depois eu saiodaqui/ eu vá embora/ eu fico fora de si/ eu fico oco/ eu fica bem assim/ eu fico sem ninguém emmim”); e muito outros exemplos. Diante dos conhecimentos para construção do hipertexto, os alunos poderiampesquisar na rede ou em outras fontes, textos relevantes e complementares ao link destacado,o que contribuiria para o desenvolvimento do olhar crítico dos alunos, que passariam aselecionar as informações que forem mais pertinentes. Além disso, os alunos poderiam sermotivados a produzir seus próprios textos e os transformar em links, construir tabelas egráficos, disponibilizar imagens relacionadas etc.3. Considerações finais Neste estudo, partimos do pressuposto que poderíamos articular algumas áreas desaber, através do hipertexto, visto que este potencializa as possibilidades de acesso a outrostextos, por associação, facilitando assim o processo de ensino-aprendizagem. Desta forma,permitiríamos que alunos e professores, enquanto sujeitos sociais, se engajassem naconstrução do conhecimento, por meio de reflexões e interações diante das informações. Valea pena ressaltar que, ao defendermos a interdisciplinaridade, via hipertexto, não estamospropondo a extinção das disciplinas. Aqui, faz-se necessário distinguir dois tipos de relaçõesentre as disciplinas, propostas por Piaget (além da interdisciplinaridade): multidisciplinaridade,transdisciplinaridade e interdisciplinaridade. Em uma postura multidisciplinar, recorremos avárias informações das disciplinas, sem necessariamente, as interligarmos. Já numa açãotransdisciplinar, as matérias se relacionam e interagem entre si de tal forma extremada que nãoé possível distingui-las (aqui, haveria, de fato, a eliminação das disciplinas). Acreditamos,portanto, que seja importante que os alunos entrem em contato com os conteúdos específicosde cada matéria, contanto que não sejam dispostos em blocos estanques.
  • Quanto à proposta de construção de hipertexto, é interessante notar, como resultadodesta primeira etapa aqui apresentada e como ponto de partida para discussões outras, quaisos principais conteúdos, aos links indexados, foram mais utilizados pelos alunos. Foramconteúdos bibliográficos ou biográficos? Foram conceituações, descrições, exemplificações ousugestões de outros sites? Será que houve coerência e relevância ao tema tratado no texto departida (sabemos que a centralidade não caracteriza o hipertexto, mas levemos em conta,neste caso, que os alunos construíram os hiperlinks a partir de um texto-base), quanto ao texto“linkado”? Quais possíveis hipóteses estariam relacionadas à escolha de um tipo de conteúdoem detrimento de outro? Essas e outras questões poderiam ser discutidas, a partir dosprimeiros resultados obtidos. ANEXO
  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBARTHES, R. O prazer do texto. Lisboa: Edições 70, 1973.KLEIMAN, A B.; MORAES, Silvia E.. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos projetosda escola. Campinas (SP): Mercado de Letras Editora, 1999.KOCH, I.G.V. Texto e hipertexto. In: Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez,2003. p.61-73.KOMESU, F. C. Pensar em hipertexto. Disponível em:http://www.ufpe.br/nehte/artigos/hipertexto.pdf. Coletado em: 21/11/06.LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Trad.:Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993.MARCUSCHI, L. A. e XAVIER, A. C. (orgs.). Hipertexto e gêneros digitais: novas formas decomunicação de sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004.PIAGET, JEAN. 1973 — Problemas gerais da investigação interdisciplinar e mecanismoscomuns. 2ª. Ed. Lisboa: Livraria Bertrand, 1976.POSSENTI, S. Notas um pouco céticas sobre hipertexto e construção de sentido. Disponívelem: http://calvados.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/educar/article/view/2098/1750. Coletado em:20/11/06.XAVIER, A.C.S. Hipertexto na sociedade da informação: a constituição do modo de enunciaçãodigital. Tese (Doutorado) em Lingüística. Universidade Estadual de Campinas, Instituto deEstudos da Linguagem. Campinas (SP): /s.n./, 2002.XAVIER, A.C.S. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCUSCHI, L. A. & XAVIER, A. C. S. (orgs).Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. Rio de Janeiro: Lucerna,2004.