Para configurar ambientes de cocriação interativa
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Para configurar ambientes de cocriação interativa

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Primeira versão das FAQ com 26 perguntas e respostas, redigida por Augusto de Franco (2013)

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Para configurar ambientes de cocriação interativa Document Transcript

  • 1. AUGUSTO DE FRANCO PARA CONFIGURAR AMBIENTES DE COCRIAÇÃO INTERATIVAPubliquei em 5 de abril de 2013, no Facebook, um pequeno artigointitulado "Sobre as dificuldades de distribuir a cocriação". Já é o sextotexto que escrevo sobre o tema (1).Mas por que continuo insistindo?É simples. Só pode ser por teimosia. Porque por mais que se explique oque é a cocriação interativa, as pessoas não conseguem entende-la antesde experimentá-la. Simplesmente o processo, tal como testemunhado por 1
  • 2. nós que o experimentamos, não faz sentido para elas. Devem pensar maisou menos assim: "Ah!... Não pode ser só isso. Deve haver alguma coisa por trás, algo que não estamos percebendo".O problema é que não há nada por trás e sim pela frente. E o que há pelafrente, de tão simples, chega a ser desconcertante.No seu formato presencial a cocriação interativa acontece assim. Pessoasque têm ideias nascidas de seus desejos vão para um lugar encontraroutras pessoas que também têm ideias nascidas de seus desejos. Vão comseus próprios pés (ou de bicicleta, de patins ou patinete, de moto ou decarro, de ônibus, de metrô ou de trem, de barco ou jet ski, a cavalo ou decharrete, de avião ou asa delta, sei lá); quero dizer com isso que não sãolevadas ("acarreadas", como dizem os mexicanos). Ao chegar lá essaspessoas conversam umas com as outras, contam quais são as ideias queestão a fim de concretizar e a partir daí formam-se grupos dosinteressados em desenvolver algumas dessas ideias. Como são váriasideias, formam-se vários grupos. E como uma ideia, em geral, não vira umprojeto em uma única sessão, esses grupos tornam a se encontrar paracontinuar desenvolvendo as ideias em que estão trabalhando. E daíconstituem (ou não) comunidades de projeto estruturadas em rede.Ponto.É só isso? Sim, é só isso. 2
  • 3. Mas com a distribuição da cocriação presencial do Festival de Ideias (2)para vários lugares apareceram algumas dificuldades práticas. Resolvientão escrever uma espécie de FAQ com minhas opiniões sobre o tema.Não é um oráculo para ser consultado. Não é uma regra para ser seguida.São apenas minhas visões sobre o assunto, compartilhadas eventualmentepor alguns amigos e amigas que estão interagindo comigo nos últimosanos.Coloco abaixo algumas perguntas que imagino que devam serrespondidas. E, em seguida, ofereço minhas respostas.1 - O que é cocriação interativa?2 - Como configurar um ambiente físico favorável à cocriação interativa?3 - Como configurar um ambiente virtual favorável à cocriação interativa?4 - Um ambiente de cocriação pode ser configurado em qualquer lugar?5 - Quanto demora para configurar um ambiente de cocriação?6 - Quais as funções (ou tarefas) necessárias que podemos desempenhar(ou executar) para que a cocriação interativa aconteça?7 - Como convidar as pessoas para sessões de cocriação?8 - Podemos propor temas para a cocriação?9 - O que fazer durante uma sessão de cocriação?10 - Por que não reunir as pessoas em um único grupo? 3
  • 4. 11 - Por que evitar uma dinâmica de discussão ou debate?12 - Por que não incentivar a cocriação com palestras?13 - Por que não começar as sessões de cocriação com uma fala inicial ouuma explicação dirigida a todas as pessoas presentes?14 - Por que não dirigir, coordenar, nem mesmo facilitar processos decocriação?15 - Por que não adotar metodologias conducionistas?16 - O que fazer depois de uma sessão de cocriação?17 - Quais são os resultados esperados da cocriação?18 - Como registrar os resultados da cocriação?19 - Como avaliar se a cocriação está indo bem?20 - Por que as instituições têm tanta dificuldade de aceitar a cocriaçãointerativa?21 - Por que a cocriação pode ser promovida mas não pode ser capturadapara outros fins por uma organização hierárquica?22 - Se uma organização hierárquica não pode se aproveitar dosresultados da cocriação por que deveria promovê-la?23 - Qual o efeito da configuração de um ambiente de cocriação naorganização hierárquica que abriga esse ambiente? 4
  • 5. 24 - O que é o Festival de Ideias?25 - A cocriação interativa é um programa proprietário do Festival deIdeias? O Festival de Ideias é uma iniciativa proprietária do Centro RuthCardoso?28 - Qual o sentido de todo esse esforço (quer dizer, de configurarambientes de cocriação interativa)? FAQ (FREQUENTLY ASKED QUESTIONS)1 - O que é cocriação interativa?Cocriação (co-creation) é o processo pelo qual várias pessoas criam (oudesenvolvem) ideias conjuntamente. A cocriação diz-se interativa (ou emrede) quando tem entrada e tema abertos, desfecho aberto, processo livre(sem metodologia predeterminada imposta a todos, embora qualquergrupo seja livre para adotar a metodologia que quiser), estruturadistribuída e, obviamente, dinâmica interativa. Acontece assim. Aspessoas vão para um determinado lugar (físico ou virtual) e lá começam aconversar umas com as outras sobre suas ideias. William Irwin Thompson(1987), em Gaia: uma teoria do conhecimento, escreveu que “as ideias,como as uvas, dão em cacho”. Uma ideia puxa outra, cada ideia namora 5
  • 6. outras (no plural, hehe), várias ideias são polinizadas por outras formandocachos de ideias congruentes. Se der liga, daí podem sair projetos queserão desenhados e implementados coletivamente. Pronto. Acabou (oumelhor: começou!).Reconhece-se como prática de cocriação interativa qualquer processo decocriação que tenha as seguintes características:1) entrada e tema abertos (qualquer pessoa pode entrar para cocriar epara propor temas inesperados);2) desfecho aberto (não há um resultado esperado a ser alcançado);3) processo free (não há uma metodologia ou um conjunto de passos queas pessoas devam seguir para atingir um objetivo prefixado: somentelivre-conversação);4) estrutura distribuída (em um campo de cocriação todos interagem emigualdade de condições: não há dirigentes, professores, palestrantes,coordenadores ou facilitadores e todos os cocriadores são netweavers);5) dinâmica interativa (a cocriação não tem procedimentos participativos,como a reunião coordenada, a votação e a construção administrada deconsenso: ninguém precisa acatar decisões, todos são livres para interagircomo quiserem). 6
  • 7. 2 - Como configurar um ambiente físico favorável à cocriaçãointerativa?Basicamente precisamos apenas de um lugar (uma sala, salão, jardim,gazebo, pátio, varanda, caverna ou mesmo - em tempo seco - a sombra deuma frondosa árvore). Além disso, ajuda se tivermos várias mesas comcadeiras (nunca uma mesa só, muito menos cadeiras sem mesas,dispostas como em um auditório ou anfiteatro).O que mais? Flip charts (o ideal é um para cada mesa) e vários tipos demarcadores, pincéis atômicos, canetas hidrográficas, lápis de cor e decera. Post its de muitos tamanhos e cores. Paredes ou painéis para fixarcartazes e fita adesiva. Quadros para escrever (com pinceis ou giz) sempresão muito úteis. Brinquedos de montar, como Lego, são ótimos. Umadecoração especial também pode ajudar: o espaço deve ser semelhanteao de uma habitação agradável de seres humanos e não ao de uma escolaou outro tipo de organização hierárquica (sem aquela monotonia dasrepartições governamentais ou empresariais). Pode ter decoração de festa(com bandeirinhas e balões). Água, café, chás e petiscos. Nada disso,porém, é fundamental.O fundamental é manter a porta aberta (se porta houver): isso tem umsentido prático (alta acessibilidade, sem restrições) e um forte (e óbvio)sentido simbólico. O local deve permanecer disponível em determinadosperíodos - do dia, da semana ou do mês - exclusivamente para a atividadede cocriação, sem a incorrência de outras atividades e sem interferênciasde administradores, porteiros e seguranças. 7
  • 8. 3 - Como configurar um ambiente virtual favorável à cocriaçãointerativa?Conexão wifi banda-larga é necessária. Uma tela grande (smart TV wifi, depreferência a partir de 55 polegadas) ligada a um laptop (ou ligável avários) ajuda bastante (em condições ideais, uma para cada mesa,equipada com câmera de vídeo), mas não é realmente indispensável(pode-se usar velhos projetores data show; ou não).Um site-agregador onde as pessoas possam indexar as ideias que estãotrabalhando em qualquer site da Internet (em que haja possibilidade deinteração) é preferível a uma única plataforma. Se for usada umaplataforma interativa é necessário que ela tenha, pelo menos, duasfuncionalidades: timeline e grupos (um grupo para cada ideia), mas omelhor é que a plataforma seja mesmo a Internet, de vez que as pessoasnão costumam sair dos lugares virtuais que costumam frequentar para irpara outro lugar onde queremos reuni-las. As pessoas podem colocar suasideias em páginas ou grupos do Facebook, no Google+, em Google Docs eassemelhados abertos à edição pública, em várias plataformas de rede(como o Ning, o Elgg, o Yammer e em dezenas de outras) ou em portais,blogs ou sites (desde que abertos à comentários, sem mediação). Casoseja adotada esta solução, um site-agregador (contendo uma lista com onome e uma pequena descrição de cada ideia com link para o lugar virtualonde ela foi publicada e está sendo cocriada) é necessário. 8
  • 9. 4 - Um ambiente de cocriação pode ser configurado em qualquerlugar?Sim, em qualquer lugar onde haja liberdade para as pessoas cocriarem.Pode ser configurado em um local público, comunitário ou proprietário,inclusive dentro de uma organização hierárquica, desde que fiqueestabelecido que - nos períodos destinados às atividades de cocriação -não haverá qualquer tipo de interferência, nem ordinária, nemextraordinária. Uma vez tomada a decisão de destinar um espaço àcocriação, a organização perde, temporariamente, o comando e controlesobre tal espaço. Se não estiver disposta a apostar e confiar e a abrir mãode vigiar o que está sendo feito (em nome da ordem e da segurança ou dequalquer outro motivo ou pretexto), é melhor que desista de configurarum ambiente de cocriação. Assim, ambientes de cocriação podem serconfigurados até mesmo em residências familiares, escolas ou igrejas,organizações da sociedade civil, universidades, empresas ou órgãosestatais. Falando de futuríveis, seria melhor, entretanto, instalá-los emespaços públicos e comunitários.5 - Quanto demora para configurar um ambiente de cocriação?Depende. Em qualquer lugar vai demorar um pouco para "pegar", mas emalguns vai demorar mais, em outros menos. Vai demorar mais em lugaresonde não exista uma rede já articulada e animada como rede de mododistribuído, ou seja, onde não exista netweaving em "volume" suficiente eonde não exista gente que assuma a tarefa, cotidiana, de convidar 9
  • 10. pessoalmente, convidar nas mídias sociais, convidar por todos os meios(do telefone ao e-mail), acolher amorosamente quem aceitou o convite efazer o follow up (o que compreende divulgar amplamente as atividades,as fotos, os vídeos e, sobretudo, conversar com as pessoas quecompareceram e interagiram iniciando novas relações de amizade comelas).Se as pessoas que chegam não virarem nossos amigos, então alguma coisaainda não está funcionando (e o ambiente de cocriação não estáplenamente configurado). As pessoas que comparecem na cocriação nãosão assistentes de atividades que promovemos, nem são participantes deeventos que organizamos: são interagentes, que atuam nos seus própriostermos. Quanto mais interagentes amigos fizermos, mais rápido oambiente de cocriação será configurado.6 - Quais as funções (ou tarefas) necessárias que podemosdesempenhar (ou executar) para que a cocriação interativaaconteça?Um lugar de cocriação é assim como uma região no espaço-tempo dosfluxos meio que temporariamente autônoma, protegida (ainda que porbreve tempo) do campo hierárquico que a circunda. É uma bolha, mas édifícil que essa bolha se forme se houver muita interferência do campohierárquico no seu interior: por exemplo, se houver a introdução dedinâmicas participativas (e pouco interativas); se houver gente querendofazer palestras, ministrar cursos ou adotar metodologias para a coisa "não 10
  • 11. ficar muito solta"; e se houver grande expectativa com resultados (ou seja,gente de olho em resultados esperados para apresentar para alguém emvez de gente aberta a resultados inesperados, como é próprio da pulsãocriativa). A experiência tem mostrado que penas uma coisa ajuda acocriação: cocriar.A principal função a ser desempenhada é a de netweaving (articular eanimar a rede social que está se conformando quando as pessoasinteragem para desenvolver suas ideias). Mas os netweavers devem sertambém cocriadores. Nada de ficar olhando a turma trabalhar. Nada deficar supervisionando. Quem não tem nenhuma ideia para desenvolver ounão está disposto a colaborar no desenvolvimento de ideias alheias nãodeve comparecer em ambientes de cocriação. Todos os cocriadorespodem ser netweavers e todos os netweavers são cocriadores. Quantomais nos aproximamos disso, melhor configurado estará o ambiente decocriação.Em termos bem práticos: o segredo é deixar rolar. É mais não-fazer do quefazer (algo diferente do que todo mundo faz). Na cocriação ninguémprecisa liderar, ninguém precisa se diferenciar.7 - Como convidar as pessoas para sessões de cocriação?Convidar é fundamental (do contrário as pessoas, sobretudo as novaspessoas, não saberão que estão acontecendo sessões de cocriação).Convidar por todos os meios: pessoalmente (é sempre a maneira mais 11
  • 12. importante), por contato presencial ou telefônico, por e-mail, nas mídiassociais (por exemplo, cada sessão pode ter um evento no Facebook, noGoogle+ e em outras plataformas interativas), por meio de um flyer("mosquitinho", de preferência um cartão, como uma carta de baralho)entregue de mão em mão. Sim, deve-se evitar convocações do tipobroadcasting, como panfletos (despersonalizados) e-mail marketing(mesmo personalizado), anúncios no rádio ou TV, outdoor, pois não setrata de convocar um evento participativo, massivo ou assembleístico esim de acionar uma rede interativa usando seus próprios canais peer-to-peer. Esse esforço de convidar deve ser permanente.8 - Podemos propor temas para a cocriação?Pode-se propor temas para inspirar a cocriação. Desde que sejam simplessugestões. Uma das características da cocriação interativa é que ela éopen, ou seja, seus temas são abertos (qualquer pessoa pode entrar paracocriar e para propor temas inesperados), além, é claro, de ser opentambém porque a entrada e o desfecho são abertos.9 - O que fazer durante uma sessão de cocriação?A melhor coisa a fazer é cocriar. É a única coisa realmente importante aser feita. É claro que os netweavers que estão convidando devem acolheras pessoas amistosamente, explicar a quem chega pela primeira vez doque se trata (mas essa explicação deve ser pessoal, uma-a-uma, nunca 12
  • 13. feita "no atacado", a um coletivo). É bom que algumas pessoas cuidemtambém dos equipamentos e materiais que estão sendo utilizados, paraque não faltem ou para que possam ser prontamente reparados quandofor o caso.10 - Por que não reunir as pessoas em um único grupo?É fundamental não fazer uma roda com todo os presentes ou um únicogrupo. Isso não faz o menor sentido porque é essencial para o processococriativo que as pessoas tenham suas próprias ideias e queiramdesenvolvê-las em conjunto com aqueles que estiverem dispostos. Umúnico grupo só se justificaria se houvesse apenas uma ideia a ser cocriada,mas se isso está acontecendo é sinal de que há algo muito errado. Aconfiguração física do ambiente, com várias mesas (com poucas cadeirascada uma) já induz à formação de vários grupos.Quando um único grupo se forma via de regra decaímos para umadinâmica participativa (que constitui o principal risco para a cocriaçãointerativa).11 - Por que evitar uma dinâmica de discussão ou debate?Quando se instala uma dinâmica de discussão, a cocriação vai pro espaço.Por que? Ora, porque a discussão convoca outras dimensões (não-criativas) das pessoas: é uma espécie de check-in com o passado. Numa 13
  • 14. discussão ficamos preocupados em comparar o que alguém está dizendocom nossas convicções, crenças e valores e então queremos saber seconcordamos totalmente, se concordamos parcialmente ou sediscordamos daquilo que está sendo dito por uma pessoa. Comparamos oque está surgindo no presente com alguma coisa que trouxemos dopassado.Numa criação interativa, nada disso é invocado: nos atiramos livrementena tarefa conjunta de desenvolver uma ideia (um processo, um produto,um serviço, um modelo ou outra coisa qualquer) e ficamos meio quepossuídos pelo futuro: possuídos pelo desejo de gerar o que ainda nãoexiste.Não há comparação com uma discussão. Ninguém nem se lembra de pedira palavra, todos falam naturalmente, as iniciativas se combinam erecombinam, não há necessidade de decidir (pois quando nos colocamos oproblema de como decidir é sinal de que algo não está maduro, é sempreum modo de forçar a barra produzindo artificialmente escassez ondehavia abundância).Na cocriação não é necessário convencer os outros de nossos pontos devista. Não é necessário ganhar ninguém para uma causa, movimento ouorganização (transformando-o em objeto de uma estratégia urdida exante). 14
  • 15. 12 - Por que não incentivar a cocriação com palestras?Esta é a pior ideia que ocorre frequentemente para estimular a cocriaçãoou "atrair mais gente". Palestras, conferências, painéis de discussão,oficinas, cursos e assemelhados, introduzem uma dinâmica avessa àcocriação interativa. Instalam processos broadcasting, obrigando a todos aolhar para um mesmo centro difusor. Ainda que as pessoas gostem disso,adotar esses artifícios é um modo de verticalizar o tecido social emformação, deformar o campo criativo, hierarquizar a rede e,inevitavelmente, romper a bolha que está sendo conformada.13 - Por que não começar as sessões de cocriação com uma falainicial ou uma explicação dirigida a todas as pessoas presentes?Pelas mesmas razões do comentário anterior, explicações gerais dirigidasa todos os presentes, quer para começar, quer para concluir os trabalhos,são de todo inadequadas. Começar com uma aulinha inaugural (a pretextode alinhar ou uniformizar as informações) é um péssimo procedimento: apartir daí vai ficar muito mais difícil buscar respostas na interação pessoa-a-pessoa ou em pequenos grupos cocriativos e os participantes vão ficarchamando o professor, coordenador, facilitador, tecnólogo do diálogo (ouque nome se queira dar) a cada dúvida que surgir. Vão como que pedirautorização para fazer isso ou aquilo, perguntar se é possível, se está deacordo com a metodologia ou com os propósitos da atividade. Asexplicações devem ser dadas sempre pessoa-a-pessoa, de preferência porqualquer um que já tenha experimentado o processo cocriativo. 15
  • 16. 14 - Por que não dirigir, coordenar, nem mesmo facilitar processosde cocriação?Para configurar ambientes de cocriação interativa é preciso resistir aoimpulso de querer organizar a auto-organização. Falamos da boca parafora, mas no fundo não acreditamos muito que as pessoas, abandonadas asi mesmas, vão conseguir se organizar (por si mesmas). Então temos queconduzir, direcionar, dar a linha, intervir para que todos entrem na trilhaque concebemos e produzam os resultados que esperamos.É impressionante como as pessoas têm dificuldade de se libertar da ideiade que a intermediação é necessária. É por isso que a tentação-docente émuitas vezes travestida como facilitação de diálogo, criação de contextoconversacional ou aplicação de metodologias participativas.Existem ainda muitas pessoas que não veem que intermediação ésinônimo de hierarquia. Quando veem, dizem então que isso é uma provade que a hierarquia é necessária. Ou acham que há uma hierarquia “dobem” (para ajudar as pessoas a se libertarem) e outra “do mal” (queaprisiona as pessoas). Não veem que toda libertação é, justamente, umalibertação da... hierarquia. Talvez porque não tenham visto ainda quehierarquia é sinônimo de centralização (obstrução de caminhos). E quelibertação é sempre distribuição (abertura de múltiplos caminhos). Ouseja, rede!Mas a cocriação interativa é distribuída, não centralizada oudescentralizada. Distribuída de fato, quer dizer, a topologia da rede socialque se configura no processo de cocriação é distribuída (ou, pelo menos, 16
  • 17. mais distribuída do que centralizada). Isso significa que não há hierarquiana cocriação, ou seja, não há a possibilidade de alguém, em virtude docargo ou posição que ocupa em uma estrutura de poder, mandar nosoutros, dizer o que eles devem ou não devem fazer exigindo-lhesobediência. Em um campo de cocriação todos interagem nas mesmascondições (o CEO e o auxiliar de escritório). E os articuladores eanimadores dos eventos ou processos de cocriação não podem conduziros cocriadores, seja por meio da inculcação de ensinamentos (como sefossem professores), seja por meio de tecnologias ou metodologias queobriguem os fluxos a passar por determinados caminhos pré-traçados.Articuladores e animadores de processos de cocriação são netweavers,não dirigentes.Quando comparecem em sessões de cocriação interativa, os que estãoacostumados a cumprir o papel de mediadores, bem como os que estãocom medo de perder o seu papel (e, às vezes, o seu trabalho remunerado)de facilitadores, em geral ficam perdidos e não sabem bem o que fazer.Em vez de se juntarem ao processo, iniciando uma ideia ou aderindo auma ideia já proposta por alguém, eles querem ensinar as pessoas comotransformar suas ideias em projetos bem-sucedidos a partir de umconjunto de crenças (ideológicas) sobre as características “vencedoras”que deve possuir o criador da ideia (ou “o” empreendedor – em geraltomado sempre como um indivíduo que soube se destacar), sobre omodelo de negócio com mais chances de sucesso ou sobre como deve serestruturado o tal business plan que, como sabemos, é “um subgênero daficção contemporânea” (3). Mas todas as evidências indicam que, assim 17
  • 18. como inovador é quem inova e não quem fala sobre inovação, o que ajudaa cocriação é cocriar, não dizer como a cocriação deve ser feita.15 - Por que não adotar metodologias conducionistas?Para configurar ambientes de cocriação interativa é preciso resistir àtentação de inventar um conjunto de procedimentos urdidos antes dainteração e válidos para todas as experiências.Podemos estabelecer regras de convivência, mas não podemos obrigar aspessoas a seguir uma metodologia, uma sequência de passos determinadaex ante à interação.Como já há uma rejeição generalizada em certos meios ao dirigismoclássico, ao comando-e-controle puro e simples, inventamos entãometodologias para conduzir o povo docemente pela mão. Declaramos quenão queremos comandar e sim facilitar, ajudar e, então, inventamosetapas ou passos para as pessoas percorrerem; ou, ainda, dinâmicas paraauxiliá-las a fazer aquilo que queremos que elas façam. A desculpa é, àsvezes, bastante elaborada: queremos apenas libertar o potencial criativodas pessoas, mas como essas pessoas – às vezes chamadas de “excluídos”– estão impregnadas de uma cultura de obediência ou sujeição, possuembaixa autoestima, foram desempoderadas pelas instituições em que vivemou não têm os conhecimentos ou os instrumentos suficientes, temos que“dar uma mãozinha”, construindo para elas, antes da interação, um 18
  • 19. caminho para a sua libertação. Sem isso elas não descobririam que sãocapazes, não tomariam consciência de que podem inventar, inovar, criar.Na cocriação interativa (ou em rede) qualquer grupo que se conformar emtorno de uma ideia é livre para adotar a metodologia que lhe parecer maisadequada. Mas não se pode determinar que todos os grupos de cocriaçãoadotem a mesma metodologia.Assim como o desejo – origem de toda criação – não pode ser enfiado defora para dentro, transfundido por nenhum método de gestão ouprograma de atualização, o processo criativo também não pode serfabricado artificialmente e replicado. Se pudesse, não haveria umproblema: bastaria seguir a receita, aplicar a fórmula. Mas como ele éimprevisível, envolvendo um número de variáveis que não conseguimosequacionar, a única coisa que podemos fazer é não atrapalhá-lo.Fundamentalmente, para criar zonas favoráveis à criação (ambientes decocriação interativa) o que precisamos é de obstruir ou direcionar omínimo possível os fluxos, aumentando os graus de liberdade das pessoaspara interagir.Nada, portanto, de adotar metodologias com passos orientadores. Tudoisso, que à primeira vista parece ajudar a orientar a atividade cocriativadas pessoas, na verdade atrapalha na medida em que restringe aliberdade de interagir. 19
  • 20. 16 - O que fazer depois de uma sessão de cocriação?Bem... depois de uma sessão de cocriação a principal tarefa é convidar aspessoas para a próxima sessão. Tal esforço não tem fim e deve serpacientemente repetido, ad nauseam.É bom também não esquecer o follow up, que compreende: publicar asfotos e vídeos nos lugares frequentados pelos cocriadores e estimular oregistro e a publicação das atividades de todos os grupos cocriativos quese formaram ou estão continuando seu trabalho. Mais importante do quetudo isso, porém, é conversar pessoalmente com os que compareceram einteragiram.Cada nova pessoa que surge é uma nova porta que se abre para outrosmundos, quer dizer, para novas redes. Cada pessoa, portanto, épreciosíssima. É um desperdício deixar para encontrá-la somente nasemana que vem (ou no mês que vem), na próxima sessão (à qual elapode nem comparecer por algum motivo). Conversar, conversarpessoalmente, conversar sempre com as pessoas é o fundamental.17 - Quais são os resultados esperados da cocriação?A cocriação não tem resultados esperados: pelo contrário, buscaconseguir resultados inesperados. Como no dito atribuído à Heráclito deÉfeso, "espere o inesperado ou você não o encontrará". 20
  • 21. 18 - Como registrar os resultados da cocriação?Existem muitas técnicas ou tecnologias para fazer isso. As mais adequadas(no momento em que este texto está sendo escrito) são aquelas quepermitem a formação de painéis com post its virtuais (como o Linoit), masesses painéis ou cartazes também podem ser feitos com post its de papelmesmo, colados em uma folha de flip chart, fotografados e publicados emqualquer plataforma interativa. Plataformas organizadas por fluxos em vezde perfis (como o Flowdoc) também podem ser muito úteis.19 - Como avaliar se a cocriação está indo bem?A melhor maneira de fazer tal avaliação é qualitativa: observando se aspessoas estão gostando, se estão animadas e... se afinal estão cocriando(seja o que for).Às vezes é mais fácil avaliar pelo avesso, observando a ocorrência e afrequência de comportamentos pouco interativos. Por exemplo, sealguém estiver levantando o dedo para pedir a palavra, a cocriação estáindo mal. Um dedo levantado é o melhor indicador (hehe...) de que oambiente de cocriação interativa não chegou a se configurar (ou estádegenerando).Nunca se deve avaliar a cocriação pelo volume de resultados (quantidadede material produzido pelos grupos), muito menos pelo tamanho dopúblico presente (quantidade de pessoas que comparecem às sessões decocriação). A dinâmica do processo criativo é imprevisível. Em uma sessão 21
  • 22. podem comparecer 40 pessoas e, na seguinte, apenas 5 pessoas. É assimmesmo. Para configurar ambientes de cocriação interativa é necessáriopersistir e persistir significa deixar a porta aberta e não fazer um esforçosobrehumano para trazer mais gente. Embora convidar e fazer o follow upsejam atividades permanentemente necessárias, nunca se deve tornaruma iniciativa voluntária em obrigatória ou quase (por exemplo, as chefiasda organização hierárquica onde estiver sendo ensaiado eventualmenteum processo de cocriação, não devem ordenar, nem mesmo induzir seusfuncionários a comparecer). Uma frase utilizada em um flyer por umagrande empresa que está experimentando um processo de cocriaçãoparece perfeita: "Chegue quando puder, fique o quanto der e traga quemquiser".20 - Por que as instituições têm tanta dificuldade de aceitar acocriação interativa?Só tem dificuldade de aceitar a cocriação interativa quem não aexperimentou. As pessoas que trabalham em instituições hierárquicas têmdificuldade de aceitar a cocriação-explicada mas não a cocriação-experimentada. A razão para isso é bem óbvia: toda a chamada culturaorganizacional foi erigida sobre o modelo de comando e controle, deavaliação de processos a partir da entrega de resultados. Isso é assimporque as instituições hierárquicas foram organizadas para a reprodução,não para a criação. Quando alguém tenta explicar aos gestores de umaorganização hierárquica que na cocriação interativa não se pode exercer 22
  • 23. comando e controle e que não se pode obter resultados (previamente)esperados, isso não faz o menor sentido para eles. Mas esses gestores sãopessoas (humanas) como quaisquer outras: quando se permitem interagircriativamente com outras pessoas, gostam do que estão fazendo, ficamanimados, ficam felizes porque são emocionalmente recompensados peloexercício da colaboração e até sorriem... Esquecem, ainda que por umbreve momento, que devem gerenciar (ou liderar) os seus semelhantes epassam a se comportar como pessoas comuns (abertas às mesmascondições de compartilhamento de todas as demais pessoas de seuemaranhado). É aí, como se diz, que "cai a ficha".Há uma defasagem entre o padrão de organização predominante nasinstituições e a forma como vem se reestruturando a sociedade nodealbar de uma sociedade em rede. Desenhadas para a reprodução, asinstituições não estão conseguindo acompanhar o ritmo das inovaçõescontemporâneas, embora suspeitem de que deve haver alguma coisaerrada com suas estruturas e dinâmicas. Elas percebem sinais deinadequação quando não conseguem inovar na velocidade desejada parasatisfazer seus clientes ou seu público em geral. Se não fosse por isso nemestariam cogitando da cocriação. Quando vão experimentar a cocriaçãointerativa (ou em rede), as instituições cedem frequentemente ao antigomodelo mental (ou melhor, social) e querem logo comandar as ações,controlar os procedimentos, metodologizar os passos e avaliar osresultados com suas velhas métricas quantitativas. E aí reclamam que acocriação não está funcionando por falta de um bom método, testado eaprovado, pela falta de benchmarking. Isso significa que, no fundo, ainda 23
  • 24. estão buscando a reprodução e não a inovação. Eis a razão pela qualfazem, recorrentemente, sempre a mesma pergunta: "Mas onde isso já foiaplicado e deu certo?". É uma pergunta cretina: se já tivesse sido aplicadonão seria inovação e sim reprodução.21 - Por que a cocriação pode ser promovida mas não pode sercapturada para outros fins por uma organização hierárquica?Configurar um lugar de cocriação é como abrir uma bolha em um camposocial deformado por uma hierarquia. Mas essa bolha nunca durará parasempre, por óbvio; nem mesmo perdurará por muito tempo. Para que elatenha chance, porém, de se conformar, é necessário que ninguém tentecapturá-la, usá-la, instrumentalizá-la. Não se pode pegar uma carona numprocesso de cocriação para emplacar outra ideia, outro projeto, outrainiciativa que não seja cocriação. Não se pode aproveitar a "metodologia"da cocriação para gerar novas metodologias colaborativas simplesmenteporque na cocriação interativa não há metodologia. Só há um ambiente:um ambiente livre, formado pelas relações recorrentes entre as pessoasque frequentam esse ambiente, configurado pelos .redemoinhos(circularidades inerentes às conversações recorrentes) que se formam noespaço-tempo dos fluxos e que a gente não vê, mas que estão lá dandouma marca distintiva, uma assinatura própria do campo que se formou.Por isso, a rigor, não se pode replicar lugares de cocriação: pode-se nomáximo reinventá-los. Porque cada lugar de cocriação é único: nãodepende do lugar geográfico, não depende do prédio, não depende da 24
  • 25. organização que o promove e mantém e sim das configuraçõesparticulares do emaranhado de relações que se formam.22 - Se uma organização hierárquica não pode se aproveitar dosresultados da cocriação por que deveria promovê-la?Uma organização hierárquica pode, sim, se aproveitar dos resultados dacocriação: o que não pode é aproveitar tais resultados para outros finsque não sejam a inovação; por exemplo, para reforçar ou recauchutar seuvelho modelo de gestão baseado em comando-e-controle. A cocriação nãoé, assim, um novo software que possa ser adotado para fazer o velhohardware funcionar melhor: ela implica uma mudança (ainda quetemporária e localizada) de hardware, quer dizer, do padrão deorganização piramidal ou centralizado da organização. Um ambiente decocriação interativa, uma vez configurado, se constitui como uma redemais distribuída do que centralizada, ilhada em um entorno maiscentralizado do que distribuído.Uma organização hierárquica só deve promover processos de cocriaçãointerativa se estiver disposta a inovar a partir da interação das pessoas deseu ecossistema. 25
  • 26. 23 - Qual o efeito da configuração de um ambiente de cocriação naorganização hierárquica que abriga esse ambiente?Processos de cocriação não são aqueles tipos de softwares (vendidos pelasconsultorias empresariais) para mudar-sem-mudar (o supremo desejo detodos os gerentes, que querem mudar os resultados sem mudar aconfiguração do ambiente). Uma vez criada uma rede de cocriadores(mais distribuída do que centralizada), isso pode contaminar todo omodelo de gestão hierárquico (mais centralizado do que distribuído) daorganização.Em geral quando isso acontece há o risco da gerência média daorganização matar no embrião o processo cocriativo. A organizaçãohierárquica tem seus anticorpos (nas empresas, notadamente o RH, a TI eo Jurídico) que serão acionados ao menor sinal de risco de mudança dopadrão de organização. Sob qualquer pretexto, mesmo sem autorizaçãoda alta direção da organização, esses agentes atuarão com autonomiapara afastar os riscos de mudança de hardware (uma espécie de alerta-vermelho será então disparado a qualquer sinal de perigo, e perigo aquisignifica qualquer coisa que desobstrua caminhos, inviabilizando odisciplinamento de fluxos que possibilita o exercício do comando econtrole e a avaliação de resultados pela verificação do atingimento demetas já traçadas e pelo entrega de resultados previamente esperados -como é próprio da reprodução). Mal sabem eles que há um risco bemmaior a que está exposta a organização num mundo emergente de altainteratividade: o risco sistêmico da organização entrar em colapso ou de 26
  • 27. perder sustentabilidade como consequência da perda de inovatividade,mesmo em contextos de alto crescimento.24 - O que é o Festival de Ideias?O Festival de Ideias nasceu em 2011 por iniciativa do Centro Ruth Cardoso(CRC), com o objetivo de articular uma rede de pessoas interessadas eminteragir e construir bons projetos com soluções inovadoras dedesenvolvimento social. É um processo permanente de apresentação deideias e de transformação dessas ideias em projetos viáveis.Do início de 2012 até meados de março de 2013, 2.346 pessoasinteragiram em torno de 532 ideias, polinizadas 1963 vezes em umprocesso de cocriação interativa que ocorreu virtualmente na plataformahttp://festivaldeideias.org.br. A partir do final março de 2013 foi cocriadovoluntariamente, por um grupo de participantes do Festival de Ideias, umsite-agregador http://festivaldeideias.org para possibilitar que qualquerpessoa publique sua ideia onde quiser: na antiga plataforma do Festival,no seu blog, no seu site pessoal ou institucional, em qualquer plataformade rede, no Facebook (página pública), no Google+ (idem) etc. É lá, nolugar em que a pessoa publicar sua ideia, que haverá a interação cocriativavirtual (exigindo-se apenas que tal lugar tenha funcionalidades mínimasque permitam isso, como campo aberto de comentários, por exemplo).A partir do início de 2012 começaram a ocorrer também sessões semanaise presenciais de cocriação, abertas, interativas e livres de atitudes que 27
  • 28. possam forçar caminhos. Não há orientação ou condução do processo. Aspessoas chegam, agregam-se em mesas ou mesmo de pé e partem para aproposição e melhoria de ideias. Inicialmente apenas o CRC ofereciaestrutura para as reuniões ocorridas semanalmente em São Paulo (na RuaPamplona 1005) mas, a partir de 2013, os lugares de cocriação já estãodistribuídos em todos os dias da semana em vários locais da capital de SãoPaulo e de outras cidades do país.25 - A cocriação interativa é um programa proprietário do Festivalde Ideias? O Festival de Ideias é uma iniciativa proprietária doCentro Ruth Cardoso?Não. É tudo open.A partir de 2013, para instalar um local de cocriação interativa não énecessário mencionar o Centro Ruth Cardoso, nem mesmo a iniciativaFestival de Ideias: as pessoas são livres para inscrever ou não suas ideiasno Festival (publicando-as no site-agregador http://festivaldeideias.org econcorrendo ao investimento-semente a ser fornecido em um grandeencontro anual). Se quiser se integrar à iniciativa, qualquer grupo depessoas é livre para criar sua própria marca (logo) do Festival de Ideias epara criar sua própria plataforma.O Festival de Ideias reconhece, porém, como iniciativas associadas, apenasaquelas que mantenham a prática da cocriação interativa. 28
  • 29. 28 - Qual o sentido de todo esse esforço (quer dizer, de configurarambientes de cocriação interativa)?O sentido óbvio é criar ambientes favoráveis à criação pelo aumento dainteratividade. Ambientes de alta interatividade são formados por redesaltamente conectadas e com topologia altamente distribuída. Nessesentido, a cocriação interativa não vai salvar o mundo. É apenas umprocesso de interação livre capaz de contribuir para tornar maisdistribuídas algumas redes de pessoas.Mas existe, talvez, um sentido mais profundo. Em uma espécie deinvocação de entidades ainda desconhecidas e que não controlamos,ensaiamos na cocriação interativa um novo modo de convivência capaz dedar vida ao simbionte social que prefiguramos quando nos abrimos àinteração com o outro-imprevisível. Se ambientes hierárquicos sãocampos de reprodução (no melhor dos casos, de criação dirigida), entãosó a livre criação coletiva pode constituir ambientes distribuídos dando àluz a outros mundos.NOTAS1) Em janeiro de 2012 publiquei a primeira versão do texto: "Cocriação:reinventando o conceito". Este texto foi reeditado (revisto e ampliado) emoutubro de 2012. Está disponível no Slideshare (onde alcançou - as duas edições- 4.400 views) no link abaixo:http://www.slideshare.net/augustodefranco/cocriao-reinventando-o-conceito-14554143 29
  • 30. Em meados de 2012 (não posso precisar a data) o pessoal do Festival de Ideiasfez um banner (que hoje está disponível em todos os lugares de cocriaçãoassociados) com os cinco princípios da cocriação. Este banner está disponível nolink abaixo:http://goo.gl/I5HXDEm março de 2013 publiquei um artigo no Grupo do Festival de Ideias noFacebook intitulado "O que estamos aprendendo com a cocriação interativa".Ele está disponível no link:http://www.facebook.com/groups/festivaldeideias/permalink/546952388683092/Ainda em março de 2013 publiquei um resumo intitulado "Para entender acocriação interativa", que está disponível no Slideshare no link:http://www.slideshare.net/augustodefranco/para-entender-a-cocriao-interativaNo início de abril de 2013 fiz outro resumo, mais completo, intitulado "OsPrincípios da Cocriação", disponível no link:http://goo.gl/xHkUYFinalmente, ainda em abril de 2013, publiquei o texto "Sobre as dificuldades dedistribuir a cocriação" (que motivou o presente texto). Eis o link:http://www.facebook.com/groups/festivaldeideias/permalink/556153514429646/(2) Cf. o arquivo no link abaixo:http://www.facebook.com/groups/festivaldeideias/551119891599675/(3) Um tweet de Luli Radfahrer em 2011. 30