Fluzz pilulas 53

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Fluzz pilulas 53

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 53 (Corresponde ao décimo-sétimo tópico do Capítulo 7, intitulado Alterando a estrutura das sociosferas) O reflorescimento das cidadesCidades transnacionais, cidades-pólo tecnológicas, redes de cidades ecidades-redesNão é por acaso que as cidades sempre estiveram na ponta da inovação,seja no aspecto social e político, como a Atenas no século de Péricles (ou,mais amplamente, no período considerado democrático: 509-322 antes daEra Comum), seja no aspecto econômico e científico-tecnológico, comoBruges (no final do século 12), pólo da nascente ordem comercial moderna,logo seguida por Veneza, que foi, talvez, o primeiro centro globalizado daEuropa (do final do século 14 até o ano de 1500), ou Antuérpia (na primeirametade do século 16) e depois Gênova (na segunda metade), que se
  2. 2. tornaram centros financeiros, seguidas por Amsterdã (na passagem doséculo 17 para o 18), ou por Londres, que se transformou na primeirademocracia de mercado e onde o valor agregado industrial, impulsionadopelo vapor, ultrapassou, pela primeira vez na história, o da agricultura, oupor Boston (no início do século 20), com a fabricação de máquinas,passando a Nova Iorque que predominou durante quase todo o séculopassado, com o uso generalizado da eletricidade e chegando, afinal, àCalifórnia atual, com Los Angeles e às cidades do Vale do Silício.Hoje o dinamismo das cidades inovadoras já se vê por toda parte.Freqüentemente não são mais os países (Estados-nações) que constituemreferências para o desenvolvimento e sim as cidades, sejam cidadestransnacionais (Barcelona, Milão, Lion, Roterdã), sejam cidades-pólotecnológicas (Omaha, Tulsa, Dublin e, talvez, Bangalore e Hyderabad, nochamado terceiro mundo), sejam, por último, as coligações de numerosascidades em extensas regiões do planeta, que começam a adotar uma lógicaprópria e diferente daquela do Estado-nação.Na verdade, cidades que se afirmaram como unidades econômicas – nãonecessariamente políticas – relativamente autônomas, já vêm surgindo aolongo dos últimos séculos (como Veneza e outros centros mais ao norte daEuropa: e. g., Riga, Tallin e Danzig). São prefigurações do que KenichiOhmae (2005) chamou de ‘Estado-região’, que constitui hoje o palcoprivilegiado da economia global e que está levando a “um inevitávelenfraquecimento do Estado-nação em favor das regiões” (47).Algumas dessas regiões, que tendem a substituir o Estado-nação, sãocoligações de cidades (como a área metropolitana de Shutoken, formadapor Tóquio, Kanagawa, Chiba e Saitama, com um PNB de 1,5 trilhão dedólares; ou a área de Osaka, com 770 bilhões, em dados de 2005). Pareceóbvio que essas regiões, que representam unidades econômicas maispujantes do que a imensa maioria das nações do mundo, figurando então(2005) em terceiro e o sétimo lugares, respectivamente, no rankingmundial, mais cedo ou mais tarde, entrarão em choque com o centralizadosistema político do velho Estado-nação japonês, que não lhes permite umadose de autonomia correspondente ao seu peso econômico.Ainda que algumas dessas regiões emergentes coincidam com pequenospaíses (como Irlanda, Finlândia, Dinamarca, Suécia, Noruega e Cingapura),em geral elas se formarão a partir do protagonismo de cidades edesenharão uma nova configuração geopolítica do mundo. Ou seja, ao quetudo indica, a estrutura e a dinâmica do Estado-nação não serãopreservadas, a não ser em alguns casos. 2
  3. 3. Mas quer falemos de Bangalore e Hyderabad, quer falemos de Dalian ou dailha de Hainan na China, ou, quem sabe, de Vancouver e da BritishColumbia, da Grande São Paulo ou de Kyushu no Japão – mesmo em umsentido predominantemente econômico quantitativo, como o empregado porOhmae – ainda estamos falando de cidades (ou de arranjos de cidades).Sim, continuamos falando de cidades. E é por isso que, nos exemploscolhidos na história e nas nossas tentativas de projeção para as próximasdécadas, não aparecem, em maioria, as capitais dos países, as localidades-sedes dos seus governos centrais. Falamos de Milão e não da Itália (ouRoma). Falamos de Bangalore e não da Índia (ou Nova Delhi). Os que falamda Índia (e do Brasil e da Rússia e da China – repetindo a ilusória hipótesedos BRICs, inventada por Jim O’Neill) são aqueles autores, professores,consultores e policymarkers intoxicados de ideologia econômica e sideradospelo crescimento (ou expansão, mudança quantitativa) e não pelodesenvolvimento (mudança qualitativa). Com freqüência são tambémpessoas que não se dão muito bem com a idéia de democracia. 3
  4. 4. Nota(47) OHMAE, Kenichi (2005). O novo palco da economia global: desafios eoportunidades em um mundo sem fronteiras. Porto Alegre: Bookman, 2006. 4

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