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Não é assim? Tanto faz morar em Curitiba ou Pernambuco, só porqueambas estão no Brasil? Tanto faz morar em Milão ou Consen...
formal, figurando como sujeitos de pactos federativos em muitasConstituições modernas, as cidades são realmente subordinad...
Nota(37) "Patriotism is the last refuge of a scoundrel" ("O patriotismo é o último refúgiodos canalhas”). Cf. BOSWELL, Jam...
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Fluzz pilulas 50

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Fluzz pilulas 50

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 50 (Corresponde ao décimo-quarto tópico do Capítulo 7, intitulado Alterando a estrutura das sociosferas) EstadoUm delírio de raiz belicistaAs preferências que levam alguém a querer morar ou trabalhar emBarcelona, São Francisco, Curitiba, Milão ou Genebra, não são, em geral,relacionadas às características das nações que abrigam essas cidades e simà dinâmica singular que cada uma delas apresenta. Quem optou porBarcelona, certamente não optaria genericamente pela Espanha. Quemgosta de viver em São Francisco, freqüentemente tem motivos muito clarospara não querer morar em outros lugares dos Estados Unidos.
  2. 2. Não é assim? Tanto faz morar em Curitiba ou Pernambuco, só porqueambas estão no Brasil? Tanto faz morar em Milão ou Consenza, só porqueambas estão na Itália? Tanto faz morar em Genebra ou Berna, só porqueambas estão na Suíça? É claro que não! Há uma diferença de capital social(ou seja, uma diferença de topologia e de conectividade, na estrutura e nadinâmica, de suas redes sociais) entre essas cidades, que faz toda adiferença em termos de condições e estilo de vida e convivência social.O fato é que vivemos em cidades, moramos, estudamos, trabalhamos e nosdivertimos em localidades. Ninguém convive no país. A nação não é umacomunidade concreta. É uma comunidade imaginária, de certo modoinventada e patrocinada pelo Estado e seus aparatos, inclusive pelapublicidade massiva das empresas estatais (que se enrolam nas bandeirasnacionais para tentar estabelecer uma vantagem competitiva bypassando omercado ou para fazer propaganda dos governantes que nomearam seusdirigentes). E a pátria (e o patriotismo), ou é a remanescência de um delíriode raiz belicista (aquele mesmo que acompanhou a instalação desse frutoda guerra chamado Estado-nação moderno) ou – para lembrar a já batidasentença de Samuel Johnson (1709-1784) – é um refúgio de canalhas (37)que se escondem por trás do nacionalismo para proteger seus interesses oulevar vantagem sobre os concorrentes, em geral no campo econômico, porcerto, mas também no político.Mas as profundas mudanças sociais que estão ocorrendo nas últimasdécadas estão criando condições favoráveis à independência das cidades doponto de vista do desenvolvimento local. Fala-se aqui – entenda-se bem –das cidades como redes de múltiplas comunidades, e não propriamente dasinstâncias locais do Estado (central ou regional), das prefeituras e dasoutras instituições privatizadoras da política que querem “representá-las” oucomandá-las.O mundo humano-social, ao contrário do que pensam os governantes, nãoé um conjunto de Estados, nações ou países. É uma configuração móvel ecomplexa de infinidades de fluxos entre pessoas e grupos de pessoas,agregadas, por sua vez, em múltiplos arranjos locais e setoriais: famílias,vizinhanças, comunidades, cidades, regiões, organizações (dentre as quais,algumas poucas – que não chegam a duas centenas – são Estados).Depois que se generalizou a forma Estado-nação, as cidades passaram a serlocalidades de um país (devendo-se entender por isso que elas passaram aser instâncias subnacionais). Para todos os efeitos, são encaradas, pelosaparatos estatais que comandam os países, como instâncias subordinadas(ordenadas a partir de cima). E conquanto tenham alguma autonomia 2
  3. 3. formal, figurando como sujeitos de pactos federativos em muitasConstituições modernas, as cidades são realmente subordinadas do pontode vista político, jurídico, fiscal, energético, econômico etc. Seufuncionamento depende, em grande parte, de decisões tomadas sem a suaparticipação. Normas, repasses de recursos e investimentos, sãodeterminados por outras instâncias, de cima e de fora. E na medida em quetudo isso gera dependência, não interdependência, são construções contra-fluzz. 3
  4. 4. Nota(37) "Patriotism is the last refuge of a scoundrel" ("O patriotismo é o último refúgiodos canalhas”). Cf. BOSWELL, James & CROKER, John (1791). The life of SamuelJohnson, LL. D. New York: George Dearborn Publisher, 1833. Disponível em GoogleBooks:<http://books.google.com/books?id=TmShu9cK3IUC&pg=PP1#v=onepage&q&f=false> 4

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