Fluzz pilulas 37
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    Fluzz pilulas 37 Fluzz pilulas 37 Document Transcript

    • Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 37 (Corresponde ao primeiro tópico do Capítulo 7, intitulado Alterando a estrutura das sociosferas) Aprendizagem, não ensinoAs escolas foram urdidas para nos proteger da experiência da livreaprendizagem- Psiu! Cale a boca. Comporte-se! Pare de conversar. Para de perguntar. Emvez de conversação, silêncio. A quem é inferior (ignorante) cabe apenasouvir o superior (aquele que sabe). Isto foi, é e sempre será escola: umartifício para proteger os alunos da experiência de fluzz.Sim, escolas não são comunidades de aprendizagem. São burocracias doensinamento. Não são redes distribuídas de pessoas voltadas à busca e aocompartilhamento do conhecimento. São hierarquias sacerdotais cujo
    • principal objetivo é ordenar indivíduos capazes de reproduzir atitudes dedisciplina e obediência. Não são ambientes favoráveis à emergência dedinâmicas interativas, mas à imposição de relações intransitivas. Estruturascentralizadas, baseadas na separação de corpos: docente (hierarquia-ensinante) x discente (massa-ensinada).A arquitetura traduz o conceito. Na chamada educação formal, escolas sãoconstruções que aprisionam crianças e jovens em salas fechadas, obrigadosa sentar enfileirados, como gado confinado ou frangos de granja; pior: nas“salas de aula” ficam alguns – a maioria – olhando para a nuca dos outros.São campos de concentração e adestramento, onde o aluno tem de saltarobstáculos, vencer as provas. São prisões temporárias em que se tem decumprir a pena, pagar a dívida. Não é por acaso que a maior recompensana escola é passar de ano. Ano após ano. Até sair. - Ufa! Livre afinal.Por que construímos tal aberração?Fomos levados a acreditar que o ensino era o antecedente daaprendizagem. Em termos lógicos formais: ensino => aprendizagem;donde, formalmente: não-aprendizagem => não-ensino.Mas ao que tudo indica o ensino surgiu – como instituição – de certo modo,contra a aprendizagem. E não-ensino, dependendo das circunstâncias, podeaté aumentar as possibilidades de aprendizagem. O que é sempre umperigo para alguma estrutura de poder.Onde começou o ensino? Qual é a origem do professor? Ora, ensino éensinamento. Mas ensinamento é, originalmente, (reprodução de)estamento (ou da configuração recorrente de um cluster enquistado na redesocial). Alguém tem alguma coisa que precisa transmitir a outros. Precisamesmo? Por quê? Alguém conduz (um conteúdo determinado, funcionalpara a reprodução de uma estrutura e suas funcionalidades). E alguémrecebe tal conteúdo (tornando-se apto a reproduzir tal estrutura e taisfuncionalidades). Eis a tradição!Os primeiros professores – parece evidente – foram os sacerdotes. Aprimeira escola já era uma burocracia sacerdotal do conhecimento (umaestrutura hierárquica voltada ao ensinamento). Isso significa que só háensinamento se houver hierarquia (uma burocracia do conhecimento).Sim, todo corpus sacerdotal é docente. A tradição é tão forte que há atébem pouco a doutrina oficial católica romana (e ela não é a única) aindadividia a igreja em docente (ensinante: os hierarcas) e discente (ensinada: 2
    • os leigos). E as escolas, que também se estruturaram, em certo sentido,como igrejas (mesmo as laicas), consolidaram sua estrutura com base naseparação de corpos entre docentes e discentes.O que se ensina é um ensinamento. Quando você ensina, há sempre umensinamento. Mas quando você aprende há apenas um aprendizado, não háum “aprendizamento”, quer dizer, um conteúdo pré-determinado doaprendizado. O que se aprende é o quê? Ah! Não se sabe. Pode serqualquer coisa. Não está predeterminado. Eis a diferença! Eis o ponto! Aaprendizagem é sempre uma invenção. A ensinagem é uma reprodução.Mas como escreveu o poeta Manoel de Barros (1986) no Livro sobre Nada:“Tudo que não invento é falso” (1).O professor como transmissor de ensinamento e a escola como aparatoseparado (sagrado na linguagem sumeriana) surgiram, inegavelmente,como instrumentos de reprodução de programas centralizadores(verticalizadores) que foram instalados para verticalizar (centralizar) arede-mãe.As escolas foram urdidas para nos proteger da experiência da livreaprendizagem. Aprender sem ser ensinado é subversivo. É um perigo para areprodução das formas institucionalizadas de gestão das hierarquias de todotipo. Por isso o reconhecimento do conhecimento é, até hoje, umreconhecimento não do conhecimento-aprendido, mas do conhecimento-ensinado, dos graus alcançados por alguém no processo de ordenação aque foi submetido. Mas como twittou Pierre Lévy (2010), as universidadesnão têm mais o monopólio da distribuição do conhecimento; restou-lhestentar reter em suas mãos o monopólio da distribuição do diploma. 3
    • Nota(1) BARROS, Manoel (1986). Livro sobre Nada in Poesia Completa. São Paulo:Leya, 2010. 4