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Fluzz pilulas 23
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  • 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 23 (Corresponde ao primeiro tópico do Capítulo 3, intitulado Pessoa já é rede) Gholas sociaisUm ghola não é um borgNo universo ficcional de Duna, obra monumental de Frank Herbert (1965-1985), os tanques axlotl são mulheres tleilaxu que sofreram um comacerebral químico induzido, a par de outras intervenções genéticas, paraservir como usinas de gholas (espécies de clones de uma pessoa morta apartir de seu material genético). Os Tleilaxu (ou Bene Tleilax) são umasociedade fechada de religiosos muito avançados tecnologicamente.No entanto, os gholas são réplicas que não manifestam automaticamente asqualidades dos originais. Para tanto eles devem passar por um processo
  • 2. longo de aprendizagem e devem viver certas experiências (sobretudo derelacionamento íntimo com seus treinadores) para despertar suashabilidades.A leitura das diversas camadas da escritura de Herbert (literal, alegórica oumetafórica, simbólica etc.) permite um paralelo (meramente evocativo epara efeitos heurísticos) entre o processo biológico-cultural de clonagem eaprendizagem de um ghola e o processo social de geração de uma pessoa(que seria, então, uma espécie de “ghola social”).Os “tanques axlotl” onde somos gerados como seres propriamente humanosseriam os clusters onde convivemos com outras pessoas (seres que jáforam humanizados pelo mesmo processo) a partir do nascimento. De sorteque não somos humanos apenas por força da genética, da reprodução ou dahereditariedade biológica (que replicamos como indivíduos da espéciehomo) e sim em virtude da rede social em que com-vivemos, cujaconfiguração particular replicamos como pessoas, ou seja, “gholas sociais”.Aquele que é geneticamente humanizável só consuma tal condição a partirdo relacionamento com seres humanizados. Somos (enquanto entesculturais) filhos da rede social. E não podemos ser humanos sem esse tipode relacionamento. Como reza a máxima Zulu, “uma pessoa é uma pessoaatravés de outras pessoas”.Tudo isso é para dizer que um ghola (social) não é um borg. Mas por que étão importante dizer isso?No universo ficcional de Star Trek os Borgs são uma “raça” alienígena deciborgues, humanóides de várias espécies assimilados e melhorados com ainjeção de nanossondas e a aplicação de implantes cibernéticos que alteramsua anatomia e seu funcionamento bioquímico, ampliando suas habilidadesmentais e físicas.Quando encontram suas presas - quaisquer membros de outras civilizações,aos quais andam a cata – os Borg recitam, com algumas variações, aseguinte litania: “Nós somos os Borg. A existência como vocês conhecem acabou. Adicionaremos suas qualidades biológicas e tecnológicas à nossa. Resistir é inútil”.Não existe uma rede social Borg, com algum grau significativo dedistribuição, porque não existe pessoa-Borg. Transformados em indivíduossubstituíveis, os borgs são replicados em série por uma estrutura 2
  • 3. fortemente centralizada em sua rainha (sim, o regime é monárquicoabsoluto), a única que pode pensar livremente (se é que isso é possível semo conversar). Seus cérebros são conectados a uma mente coletiva (aColetividade Borg) controlada por um hub central (Unimatrix Um). Oobjetivo declarado do povo Borg (que só é um povo naquele particularsentido original da palavra latina ‘populus’: “contingente de tropas”) é“aperfeiçoar todas as espécies trazendo ordem ao caos”.Uma interpretação possível para a metáfora é a seguinte: de certo modoqualquer pessoa, transformada em peça substituível por uma organizaçãocentralizada (hierárquica), é – em alguma medida – um borg.Sim, o paralelo é mais fértil do que parece. Dizer que um ghola (social) nãoé um borg (biotecnológico), seria como colocar na boca do primeiro – nodealbar de uma época-fluzz – uma paródia da “saudação” borg como aseguinte: Nós somos gholas sociais. Novas possibilidades de existência, até agora desconhecidas de todos nós, estão sendo abertas. Nossas qualidades biológico-culturais estão se combinando em novos padrões sociais. É só preciso deixar-ir.A rigor, como uma configuração de pessoas está sempre ligada a outrasconfigurações, todas as pessoas estão de algum modo emaranhadas noespaço-tempo dos fluxos (quem sabe não era isso que chamávamos dehumanidade, uma prefiguração). Assim, no limite, todas as pessoas sãofeitas de todas as outras pessoas. 3

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