Fluzz pilulas 18
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Fluzz pilulas 18 Document Transcript

  • 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 18 (Corresponde ao décimo-sétimo tópico do Capítulo 1, intitulado No “lado de dentro” do abismo) No “lado de fora” do abismoFicamos do “lado de fora” do abismo quando nos protegemos da interaçãoCair no abismo é entrar naquela região desconhecida onde novos padrõessão continuamente gerados. É ser colhido pela corrente alucinante na qualfluzz vai quebrando as circularidades inerentes aos padrões conversacionaisou interativos que se prorrogam (e que só se prorrogam enquanto taiscircularidades se mantêm).Quando nos abrimos à interação com o outro-imprevisível despencamos noabismo. Quando erigimos fronteiras opacas, que nos separam dos outros,
  • 2. evitamos a queda e ficamos do “lado de fora” do abismo. Nos “salvamos”protegendo-nos da interação.Aí, é claro, reproduzimos o velho mundo. Sim, o velho mundo é umconjunto de arquivos salvados: os mesmos programas são postos a rodar,continuamente. Enquanto protegidos da livre interação, esses programasnão se modificam.Todas as tentativas políticas e espirituais de mudar o mundo e reformar oser humano basearam-se na instauração de uma nova ordem, seja a ordem“descoberta” pela observação de supostas leis da história, seja a ordemrevelada por alguma instância extra-humana. Todas, de certo modo,demonizavam o caos e tinham horror à queda no abismo. Todas queriamnos salvar mantendo-nos seguros no “lado de fora” do abismo. Ofereciam-nos, como compensação pela aventura perdida, a segurança de regras quedisciplinam a interação.Líderes, condutores, reformadores, sempre apelaram para nossaconsciência, acreditando que a mudança se daria quando alcançássemosdeterminada visão, vivêssemos uma experiência extraordinária ou nosconvencêssemos individual e coletivamente de certas realidades. Essessalvadores, via de regra ligados a estruturas hierárquicas (fossem partidos,corporações, igrejas, escolas de pensamento, ordens, congregações, seitas,sociedades ou fraternidades) queriam nos inserir nessas estruturascentralizadas, sob a justificativa de que era necessário reunir condiçõesfavoráveis, recursos de monta, grandes contingentes de filiados, eleitores,seguidores ou adeptos, para poder implementar a mudança queanunciavam.Entretanto, os agentes de um sistema hierárquico, pensem ou acreditem noque quiserem, são sempre agentes da manutenção e reprodução dosistema. Não é mudando (ou “fazendo”) suas cabeças, incutindo novosvalores, disseminando novas crenças, que vamos conseguir realizar atransição do padrão centralizado para o padrão de organização em rede(mais distribuído do que centralizado). Todo proselitismo é inútil nessamatéria. Não se trata de convencimento, nem mesmo de consciência. Elesnão podem mudar seu comportamento enquanto não mudarem o modocomo se relacionam com os demais agentes. E esse modo de se relacionarnão pode mudar enquanto permanecerem como válidas apenas certasconfigurações de caminhos pelos quais a organização hierárquica seconstitui disciplinando a interação. 2
  • 3. Para libertar a interação desses constrangimentos é necessário quebrar asrotinas, violar as fronteiras e pular as cancelas internas e externas, tomariniciativas que não foram planejadas pelos chefes ou inspiradas peloslíderes, esquivar-se do seu comando, livrar-se de sua influência, colocando-se fora da possibilidade de controle; enfim... é necessário desobedecer!(31).Obediência é sempre manutenção de uma ordem. Desobediência é sempreintrodução de des-ordem. Em uma organização hierárquica desobediência é,simplesmente, fazer redes (mais distribuídas do que centralizadas). Sim, oúnico caminho para a rede é a rede.É paradoxal porque, como redes são múltiplos caminhos, esse únicocaminho já são múltiplos caminhos; ou seja, qualquer rede distribuída écaminho.Enquanto esperamos uma grande mudança no mundo a partir da mudançade consciência de seus agentes, o mundo único persiste. Persistia, enquantose conseguia impedir o surgimento de outros mundos em rede. Agora,porém, isso já não é mais possível. 3
  • 4. Nota(31) FRANCO, Augusto (2010): Desobedeça. Slideshare [5.157 views em22/01/2011]<http://www.slideshare.net/augustodefranco/desobedea> 4