Revista Jane Austen Portugal Sensibilidade e Bom Senso            Abril 2011 | Nº 4    janeaustenpt.blogs.sapo.pt        C...
Sumário         1. Sugestões Austenianas                          3         2. Quando Conheci Jane Austen                 ...
Sugestões Austenianas                                      Por Fátima Velez de Castro                                     ...
Sugestão Filme:                                        Quem não gosta de uma boa história de amor no cinema? Este é o film...
Por Leonor, uma fã do JAPT                                                        desde o 1º dia…         R        ecordo-...
simbólico de tocar as mãos e levá-las até               me de correr para o computador do         aos lábios foi, pessoalm...
SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1981 | CLARA FERREIRA                                                     “Definitivamente pos...
Brandon      é        pouco                                                                      aprofundado.             ...
episódio     que    Brandon salva Marianne.                                                       tem uma das         De  ...
SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1995 E 2008 | CATARINA R. P.                                                         A históri...
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SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1995         “ALMA” |CÁTIA PEREIRA                                                            ...
SENSIBILIDADE E BOM SENSO 2008EXPECTATIVA E CONSENSO |CÁTIA PEREIRA                                                     ...
SENSIBILIDADE E BOM SENSO 2008         “PÁLIDO” |CÁTIA PEREIRA                                                          ...
chegar no seu novo local de morada.              Achei     interessante,    na      entrevista         Acompanhei o olhar ...
Querida Jane Austen,         Como sempre, aqui estou eu para lhe           sobre o livro (pelo menos para quem         env...
histórias com as suas personagens (que,      história e, para os menos astutos (como         na maior parte das vezes, não...
QUANDO LI S&S|CLARA FERREIRA                                                                 Acredita-se que estas duas ...
criadas a partir de Jane        do que sente se reflecte        amor... o que não deixa de         Austen e da sua irmã   ...
SENSE AND SENSIBILITY EM PORTUGAL 200 ANOS         DEPOIS – LEITURA COMPARADA |CÁTIA PEREIRA                              ...
literais ao original, traduzem a ideia que o         texto quer transmitir.                                               ...
“O guardião de Marianne, título que                descodificação de uma mensagem. Ele está         Margaret, com mais ele...
CONTRA TODAS AS TORMENTAS |CLARA FERREIRA                                                       Elinor tem igual porção ...
possui   uma                                                                   não faz nada         maturidade            ...
ESTOICAMENTE ELINOR |CLARA FERREIRA                                                                  A sua conduta é reg...
MARIANNE DASHWOOD |VERA SANTOS                                                Ela é também das poucas personagens que nã...
momento                                                                                            romântico              ...
A TERCEIRA DASHWOOD |CLARA FERREIRA                                                                      Margaret na sua...
Margaret        é                                                                                também       uma         ...
EDWARD FERRARS |LILIANA ISABEL                                                                Apesar de ser um homem pas...
JOHN WILLOUGHBY |LILIANA ISABEL                                                                           Nem tudo o que...
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  1. 1. Revista Jane Austen Portugal Sensibilidade e Bom Senso Abril 2011 | Nº 4 janeaustenpt.blogs.sapo.pt Conteúdo original © Jane Austen Portugal Conteúdo Original © Jane Austen Portugal
  2. 2. Sumário 1. Sugestões Austenianas 3 2. Quando Conheci Jane Austen 5 3. Sensibilidade e Bom Senso 1981 7 4. Sensibilidade e Bom Senso 1995 e 2008 10 5. Sensibilidade e Bom Senso 1995 – “Alma” 12 6. Sensibilidade e Bom Senso 2008 a. Expectativa e Consenso 13 b. Pálido 14 7. Jane Austen e Eu 16 8. Quando Li S&S 18 9. S&S em Portugal 200 Anos Depois Leitura Comparada 20 10. Contra Todas as Tormentas 23 11. Estoicamente Elinor 25 12. Marianne Dashwood 26 13. A Terceira Dashwood 28 14. Edward Ferrars 30 15. John Willoughby 31 16. Lucy Steele, A Manipuladora 32 17. As Irmãs Steele 33 18. Mrs. Jennings 34 19. John Dashwood 35 20. Mrs. Ferrars e o Seu Filho Robert 36 21. Charlotte e Thomas Palmer, O Adorável Casal 37 22. Sir John e Lady Middleton 38 23. A Herança em S&S 39 24. Mini Conto Temático 41 25. Lost In Jane Austen Portugal 42 26. Os Lugares de Jane Austen 45 27. Sabias Que… 472Página
  3. 3. Sugestões Austenianas Por Fátima Velez de Castro Sugestão Livro:Truman Capote, um dos mais geniais e controversos escritores americanos de sempre, (re)inaugura o estilo “non-ficcional novel” com este livro – A Sangue Frio (In Cold Blood, no original). Foi publicado pela primeira vez em 1966 etrata a história de um crime horrendo que ocorreu Holcom, Kansas (EUA). A família Clutter, pais agricultores e dois filhos,foram assassinados de forma bárbara por Richard "Dick" Hickock e Perry Smith, ex-condenados pretendiam apenasroubar algum dinheiro e fugir para o México, com o objectivo de começar uma nova vida. Porém ocrime desenrola-se da pior forma.Truman Capote trabalha durante seis anos nesta obra, entrevistando na prisão os assassinosassim como outras pessoas das relações das vítimas. Como resultado, produz um impressionanterelato dos factos, baseado na intensa e profunda análise psicológica dos intervenientes. (Nota:Leiam o livro e vejam o filme “Capote”, com a brilhante interpretação de Philip Seymour Hoffman.)Site: http://en.wikipedia.org/wiki/In_Cold_Blood Sugestão música: Literalmente o segundo trabalho desta cantora brasileira – Maria Rita, Segundo. Filha da cantora Elis Regina e do músico César Camargo, apenas aos 24 iniciou a sua carreira musical, com receio de ficar “na sombra da mãe”. Mas não foi isso que aconteceu, e hoje Maria Rita é uma das mais importantes intérpretes musicais de MPB. O primeiro álbum intitulou-se “Maria Rita”, tendo alcançado grande sucesso (tripla platina). É uma cantora enérgica, criativa, que interage de forma única com o público.Exuberante sem exageros, possui uma voz potente e segura em vários registos, incrivelmente bonita no samba.Impossível ficar indiferente a este furacão brasileiro!Uma das minhas músicas favoritas, “Feliz”: http://www.youtube.com/watch?v=7WGIubAfu6o3Página
  4. 4. Sugestão Filme: Quem não gosta de uma boa história de amor no cinema? Este é o filme ideal para todos aqueles que gostam de romance, aventura, acção, crime e muito, muito humor num só filme. Realizado por Emir Kusturica (1998), Gato Preto, Gato Branco (Crna macka, beli macor, no original) é sobre a história de Matko, um criminoso incapaz e do seu filho Zare, cujo sonho é ser capitão de um barco de recreio (cruzeiro). Eles vivem nas margens do Danúbio e são ciganos da Europa de Leste. Dadan Carambolo, um verdadeiro gangster/vedeta, quer a todos os custos casar o jovem Zare com a sua irmã Afrodita, conhecida pela sua fealdade e baixa estatura, mas que sonha com o príncipe encantado – um jovem alto de bigode. E ele existe, é o neto mais velho de Grga Pitic, il padrino de uma complexa e divertida máfia queopera na região. Mas Zare gosta de outra – Ida – uma voluptuosa jovem que, em conjunto com a avó, é contratada paralhe organizar o casamento. Partindo do princípio que os avôs dos noivos morrem e são deixados no sótão com um blocode gelo preso ao corpo (para não “atrapalhar” a realização da cerimónia), o que é que pode correr mal? Tudo! Mas commuito humor.Tailer: http://www.youtube.com/watch?v=7uB8lA8mSxY Sugestão Blog:Imigraste, o meu blog pessoal, dedicado a todos aqueles que se interessam pelas (i)migrações e sobretudo pelo Outro.Porque, no fundo, todos fomos, somos e seremos sempre (i)migrantes. Sítio onde, com alguma regularidade, dou aconhecer notícias, entrevistas, eventos académicos, estatísticas, livros e outros aspectos relacionados as migrações.Tendencialmente é um blog sobre estrangeiros que procuram Portugal para trabalhar e residir, embora o âmbito temáticoacabe por se alargar à emigração portuguesa e aosfluxos migratórios internacionais, numa perspectivaglobal/regional/local.Blog: http://imigraste.blogs.sapo.pt/4Página
  5. 5. Por Leonor, uma fã do JAPT desde o 1º dia… R ecordo-me de que era noite. Numa das habituais viagens à sala que antecedem o jantar, sento-me no sofá, perscrutando o ecrã Um novo movimento e, do lado oposto, um semblante enceta o seu desenho por entre o campo verdejante. Dou conta do televisor em busca de algo que capte de que é um homem de porte distinto. o meu interesse. Avança confiante, como se nada o Efectuando um breve “zapping”, pudesse impedir, imerso nos seus detenho-me perante uma imagem que pensamentos, em jeito de reflexão. O se afigurava como um campo envolto piano que em crescendo acompanha os na misteriosa neblina da manhã. A seus passos e é o espelho do estado da câmara desloca-se e acompanha em sua alma – é-me quase possível sentir o uníssono o caminhar melancólico de bater descompassado do seu coração. uma jovem rapariga, a qual subitamente Lembro-me do momento seguinte como faz uma pausa na ponte, fixando os olhos uma das confissões mais profundas e na neblina. Sufocando um murmúrio despojada de emoções artificiais que quase inaudível na garganta, parece evocava tão-só e subtilmente o amor indagar a veracidade do que presencia. sincero, sem falsas pretensões. O acto5Página
  6. 6. simbólico de tocar as mãos e levá-las até me de correr para o computador do aos lábios foi, pessoalmente, melhor do meu irmão e vidrar-me vezes sem conta que qualquer beijo efusivo, expressando na “cena da tempestade” e outras; a a delicadeza e respeito que ambos composição de Dario Marianelli e Jean- possuíam e partilhavam. A fechar, o Yves Thibaudet eram a minha banda quadro encerra-se juntamente com a sonora na escola e da minha casa, coroação dos primeiros raios solares. rodeada por pinheiros e carvalhos ao longe e o chilrear dos pássaros, abria a Agarrada ao comando e com os olhos janela do meu quarto todas as manhãs presos no ecrã: assim permaneci alguns inspirando o orvalho da manhã e fruindo instantes, imóvel e plácida até que por o nascer do sol. fim – acordada pela racionalidade – apercebi-me de que um sorriso se Passaram cinco anos e entretanto tomei esboçava no meu rosto. Sorria para a contacto com outros trabalhos de televisão, sozinha na sala. Tomada de Austen – “Persuasão” e “Sensibilidade e impulso, precipitei-me com o controlo Bom Senso” – sendo que, quando me é remoto nas mãos, perseguindo apenas possível, assisto a séries e filmes. um intento: saber o nome do filme. Ansiosa, foi com felicidade que o Por último, foi através do blogue da Clara desvendei: “Orgulho e Preconceito”. (quando era ainda “Um Minuto de Uma ideia rapidamente se tornou um Histórias") que tive conhecimento - com imperativo: “Tenho de ver este filme”. E enorme satisfação – do Jane Austen assim fiz. Portugal, o qual visito frequentemente. Descobri a autora que inspirou esta Foi igualmente com imenso prazer que adaptação cinematográfica e rendi-me acolhi o gentil pedido endereçado pela à obra, a qual prontamente imprimi e Clara para descrever a minha que só consigo ler em inglês (não sei experiência enquanto leitora desta justificar a razão). perspicaz escritora que delicia gerações. Desde então, a evasão no universo de Neste momento, tal como há cinco anos, Jane Austen foi-me concedida: lembro- sorrio. E acrescento: muito Obrigado.6Página
  7. 7. SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1981 | CLARA FERREIRA  “Definitivamente posso dizer que me tornei fã deste Edward Ferrars” I ncentivada por comentário um de uma leitora do blogue, decidi ver esta Edwards não sei, mas a timidez muito bem conseguidos!), parece inata, e o "mau estar" de se ver no versão de centro das 1981 de atenções parece Sensibilidade incrivelmente e Bom Senso. genuíno. Esta versão Elinor está conta com fenomenalmente Irene Richard bem no papel de representada. Elinor e Tracey Nesta versão, Childs no Elinor possui papel de sentido de humor Marianne. engraçadíssima, aliás, a (como também acontece actriz que interpreta Fanny no livro), é certo que a O primeiro episódio está Dashwood (Amanda Boxer) Elinor de 08 consegue muito próximo da história consegue encarnar também mostrar isso, já original. Tal como no livro, totalmente a personagem, Emma Thompson em 95 sabemos da morte de Mr. deixando de lado o deu-nos uma Elinor Dashwood pelas falas das histerismo tanto da Fanny demasiado distante. restantes personagens. de 95 como da de 08. A Uma falha enorme, cena em que Fanny Nesta versão existe o gigantesca... não há convence o marido a verdadeiro "adeus a Margaret Dashwood. Mrs. dispensar a renda às meias- Norland" de Marianne, da Dashwood aparece como irmãs segue rigorosamente tão célebre frase de Elinor, mãe apenas de duas o texto de Austen, se a "It is not every one,” said raparigas, Elinor e memória não me falha. Elinor, “who has your Marianne. passion for dead leaves". O Edward desta versão Esta Marianne é muito Um episódio muito curioso, (Bosco Hogan) é interessante, embora às que penso que nunca foi encantador, muito mais o vezes pareça menos aprofundado nas restantes Edward que sempre espontânea do que seria adaptações foi o da imaginei, pela descrição do suposto. porcelana de Mrs. livro, do que o Edward das Dashwood e a inveja de restantes adaptações Devo confessar que, se não Mrs. John Dashwood... está (embora ache todos os soubesse a história, não
  8. 8. Brandon é pouco aprofundado. Uma curiosidade, a actriz que interpreta Mrs. Dashwood (Diana Fairfax) interpretou também Emma Woodhouse na versão de 1960. No 2º episódio, ficamos a conhecer Willoughby... a cena do resgate de Marianne não é muito intensa, comparada com a das restantes versões. Willoughby não é tão encantador como se espera, nem tão galã. No entanto, a paixão de Marianne por ele é muito teria percebido muito bem O convívio com os desenvolvida, seguindo se Edward e Elinor estavam Middleton não é muito rigorosamente o texto apaixonados. Existem duas aprofundado, neste original, temos a pergunta cenas em que os vemos vepisódio conhecemos sobre "quem é Willoughby" juntos no jardim, e outra em também Mrs. Jennings, feita a Sir John e a que parecem estar de muito longe da imagem indignação de Marianne olhares desencontrados que temos dela no livro ou por ele só lhe falar dos seus durante o pequeno- que temos de outras dotes de caçador; temos almoço, mas nada de versões; e o Coronel Willougby a cantar com substancial que nos possa Brandon, muito aquém de Marianne, a recitar poesia levar a pensar que foram qualquer expectativa, com ela, a criticar Brandon, feitos um para o outro. O garanto. O tema Marianne- a oferecer-lhe o cavalo, adeus é distante. A chegada a Devonshire ainda acontece neste episódio. Confesso que sou uma grande admiradora na alteração feita em 2008, onde colocam a casa perto do mar, mas esta "cottage" também é "fofinha". O encontro com Sir John e Lady Middlenton é engraçado, Lady Middleton não é como eu imaginava, acho que está muito bem retratada na versão de 2008, Sir Jonh, é Sir John, embora prefira o de 2008 (até porque entrou no Harry Potter).8Página
  9. 9. episódio que Brandon salva Marianne. tem uma das De facto a relação cenas mais Brandon-Marianne é pouco importantes e ou nada focada nesta hilariantes, no adaptação, estou ansiosav entanto, por saber como é que no pareceu-me fim os vão juntar. mais teatral do que os O último episódio foi uma anteriores. É agradável surpresa, natural as embora tenha fugido um adaptações pouco à obra original, desta data adorei a forma como serem teatrais e transformaram Coronel devemos dar Brandon, só com esta sim, temos tudo isso! Aliás, sempre um desconto, no adaptação é que ganhei todo este episódio gira em entanto, lembro-me agora simpatia por ele, embora torno de Marianne. da cena em que Miss de inicio não tenha Steele visita Elinor depois do gostado muito do seu Este é o episódio em que serão passado em Mrs. papel, até porque nesta recebemos a visita de Ferrars e achei essa cena adaptação, como já referi, Edward Ferrars, peço tão crua que até me doeu! a relação dele com desculpa ao Hugh Grant e Marianne é pouco ao Dan Stevens, mas a Este episódio teve muitos desenvolvida. interpretação de Bosco altos e baixos. O ponto alto Definitivamente posso dizer Hogan é tal e qual o refere-se à cena do pedido que me tornei fã deste Edward de Jane Austen... e de desculpas de Edward Ferrars, pura e o mesmo posso dizer de Willoughby que em todas simplesmente maravilhoso. Irene Richard, que nos dá a as versões tem sido muito Em relação a esta Elinor, Elinor mais próxima da Elinor comovente (salvo a de considero que foi uma de Jane Austen. 1995 em que esta cena é grande interpretação, inexistente). O ponto baixo todavia, nestes últimos Não me canso de repetir refere-se ao facto de episódios creio que perdeu que estou a adorar este retirarem a cena em que alguma qualidade. casal - Elinor e Edward - parece que estou a ler Jane Austen e além disso, esta versão de Sensibilidade e Bom Senso, tem muitos dos diálogos originais. Mas estou certa que quem não for fã ardente de Jane Austen já não conseguiria suportar esta adaptação porque, sejamos sinceras, já lá vão quase 30 anos e as versões mais recentes são muito mais apelativas tanto em cenário como em guarda- roupa! O 5º episódio não me "soube" tão bem como os9 anteriores. Quer dizer, é umPágina
  10. 10. SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1995 E 2008 | CATARINA R. P.  A história propriamente dita, não é a mais bonita, ou a mais romântica da autora Jane Austen, mas sem dúvida a mais real e a mais cruel para as mulheres da sua época. H á que desde já mulheres da referir que este sua época. livro, da autoria de Jane Austen Em relação é o mais ao filme autobiográfico com umencontrado na sua elencoobra. É aqui que luxuoso,Austen expõe um compostodos seus maiores por: Emmamedos… ficar sem Thompson,nada após a morte Kate Winslet,do pai e viver à o rei damercê dos seus comédiairmãos. Elinor é sem românticamais nem menos do britânicaque a sua irmã Hugh Grant,Cassandra e a apaixonada Marianne tem e o Alan Rickman, escusado será dizer que acaracterísticas em comum com a autora parte interpretativa não é um ponto fraco(Jane Austen). Se fizermos um exercício muito deste filme. O mesmo se poderá dizer dosimples que é; ver o filme “Becoming Jane” e argumento, o realizador Ang Lee (Brokebackdepois Sense & Sensibility, podemos ver as Mountain) inteligentemente colocou umaenormes parecenças/semelhanças entre mulher a escrevê-lo, nada mais do que apersonagem e as pessoas em questão. actriz principal Emma Thompson (vencedora de Óscar de melhor argumento adaptado).A história Nota-se umapropriamente maturidadedita, não é a deliciosamentemais bonita, cruel no diálogoou a mais e um toqueromântica da feminino, doisautora Jane componentesAusten, mas que parecemsem dúvida a não de conjugar,mais real e a conseguem aquimais cruel conviver numapara as extraordinária harmonia, todavia o
  11. 11. excesso de espectaculares. romance leva a um certo Para finalizar há cansaço do que referir a espectador. extraordinária Reconheço interpretação que a maior de Emma parte de nós, Thompson e mulheres, não Kate Winslet, as adormece melhores do durante o filme. filme, mas estes filmes Em relação à não são só série de 2008, para mulheres não tenho extremamente românticas, mas sim para grandes comentários a fazer. Considero que todos, inclusive homens, dotados de uma comparar o filme de Ang Lee à produção insensibilidade difícil de explicar. Não se televisiva de 2008 é no mínimo impossível. O pode ter sensibilidade então têm-se bom elemento central e principal de uma pelicula senso! é o seu argumento é com ele que se distingue um bom e um mau filme. Como Em relação ao guarda-roupa, na minha sabemos as séries televisivas têm o dom de opinião o calcanhar de Aquiles desta terem um péssimo argumento, salvo algumas produção, poderia ser melhor mas acredito excepções. Isto porque, este varia conforme que o financiamento de um realizador as audiências e o grau de satisfação da estrangeiro não seja o melhor para satisfazer cadeia televisiva. Acho que já me fiz esta categoria. Perderam no guarda-roupa entender em relação à produção de 2008. mas ganharam na banda-sonora da autoria Pode ter todos os ingredientes como guarda- de Patrick Doyle, um nome não muito roupa, banda-sonora e até actores bastante conhecido mas com um trabalho bastante razoáveis, mas sem um bom argumento não interessante. Os cenários são fantásticos, se faz um bom filme. aliás tenho de referir que os cenários dos filmes de Jane Austen têm a particularidade de serem todos maravilhosamente11Página
  12. 12. SENSIBILIDADE E BOM SENSO 1995 “ALMA” |CÁTIA PEREIRA  Tratando-se de um filme com mais de quinze anos, é impressionante a actualidade da sua imagem  A alma deste filme reside em dois Thompson for the lead, eventually nomes: Emma Thompson e Ang Lee. decided to age Elinors character to 27 years so that modern audiences would Em primeiro lugar, foi Emma Thompson understand how Elinor could be quem se dedicou e acreditou nesta considered a spinster. Thompson adds: obra ao ponto de levar quase cinco "With make-up and a good wig I might anos a escrever o roteiro. Na sua look young enough." In addition, some adaptação, alguns personagens ficaram de of the supporting cast members had to fora, como Lady Middleton e a irmã de Lucy be cast older as well, to balance the Steel; contudo, penso que isso não lhe retira 36-year old lead." o valor. O facto do roteiro ter o cunho de Emma Thompson explica - e esta é uma Chego ao segundo nome, Ang Lee. Quem suposição minha - o facto de Shakespeare imaginaria que ele, um cineasta ainda ser uma presença constante através da voz novato e de origem chinesa, seria perfeito de Marianne Dashwood. Sabemos que Jane para fazer um filme de época inglês? Muitos Austen não o faz. Mas Emma Thompson tem deverão ter duvidado. Aliás eu li no Eras of um passado voltado para as produções Elegance que, até aquela altura, ele nunca baseadas em obras de Shakespeare, teria lido nenhuma obra de Jane Austen. O principalmente durante o seu casamento que demonstra, sem sombra de dúvidas, a com Kenneth Branagh. qualidade do seu trabalho; já que consegue transmitir o estilo da nossa querida Jane. Ela não teria a intenção de interpretar o papel de Elinor. Quem a convenceu de tal Sempre fico impressionada com a qualidade foi Ang Lee, o director do filme. Ele defendia do cenário e da fotografia deste filme. a opinião de que ela seria perfeita para Tratando-se de um filme com mais de quinze interpretar este personagem: anos, é impressionante a actualidade da sua imagem. Por vezes, ao assistir esqueço-me "Emma Thompson, who wrote the deste pormenor, de como já faz tanto tempo screenplay, crafted the script que foi filmado. E isso tem a ver com a intending to cast real-life sisters, elegância que Ang Lee imprimiu à obra. Natasha and Joely Richardson Achei interessante descobrir que ele tenha (daughters of British actress Vanessa se inspirado nos quadros do pintor holandês Redgrave) as Marianne and Elinor. Johannes Vermeer (a característica However, she was later encouraged to principal da sua obra é a forma como utiliza play Elinor herself by director Ang Lee. a luz e o jogo com as sombras ) para criar e Thompson was reluctant to cast herself desenvolver a fotografia deste filme. as Elinor, because she thought she was12 too old (Elinor is supposed to be 19 São dois nomes, dois estilos, duas assinaturasPágina years old). Lee, who wanted e um excelente resultado final.
  13. 13. SENSIBILIDADE E BOM SENSO 2008EXPECTATIVA E CONSENSO |CÁTIA PEREIRA  Grande expectativa - esta é a expressão correcta para traduzir o que milhares de fãs de Jane Austen sentiram enquanto a mini-série não estreava  P odemos Propositadamente, contar com não aprofundei a mais de uma leitura destes década de mesmos artigos intervalo para não entre a condicionar aprodução minha própriacinematográfica opinião. Contudo,de Ang Lee e a este sentimento deadaptação expectativa ételevisiva de latente. De igual forma, notava-se que todos"Sense and Sensibility" pela BBC. Destaque-se tinham curiosidade de verque a última adaptação da BBC é de 1981, como Andrew Davieso que gera quase trinta de anos de intervalo teria desenvolvido o- no que diz respeito à BBC - e, por roteiro. O que pudeconsequência, gera também um elevado concluir é que asgrau de curiosidade pelo resultado final. opiniões dividem-se e nãoPortanto, a fasquia era alta. são de maneira nenhuma consensuais. Há os que nãoGrande expectativa - esta é a expressão gostaram, os que gostaram, os que nãocorrecta para traduzir o que milhares de fãs gostaram mas apreciaram certos pontos, osde Jane Austen sentiram enquanto a mini- que gostaram mas desgostaram de muitasérie não estreava. Eu tive a curiosidade de coisa. Enfim, uma amálgama de opiniões.fazer uma breve pesquisa de artigos daépoca anterior à estreia e nos dias seguintes.
  14. 14. SENSIBILIDADE E BOM SENSO 2008 “PÁLIDO” |CÁTIA PEREIRA  Aquele local ressaltaria também todo o distanciamento da vida social O tratamento exteriores como cénico, as os interiores são locações, o amiúde sombrios; design, a e, algumas vezes, fotografia e o até cinzentos. guarda- roupa resultou do trabalho de três pessoas: James Aqui a imagem Merrifield, Paul revela e Ghirardani e Michele potencializa Clapton. Toda a sentimentos e coordenação da sensações; na imagem leva a medida em que a predominância de cores neutras, pálidas e sua combinação substancializa o que o cinzentas, o que faz com que toda a personagem visado está a pensar, a sentir ou fotografia de Sensibilidade e Bom Senso 2008 a exteriorizar. Pode-se dizer que o tom quase traduza os sentimentos de melancolia, pálido imprime recolhimento e realismo ao alguma tristeza. ambiente de luto Sobretudo, das Dashwood. melancolia. Acho que o contraste é ainda mais acentuado Inicialmente sente-se quando as alguma estranheza. Dashwood Esperamos ver chegam a Barton campos verdejantes Cottage. Que e dias de sol sensação tão convidativos a desoladora senti, passeios e pic-nics. devo confessar,14 Contrariamente, quando vi a cena tanto os cenários da família aPágina
  15. 15. chegar no seu novo local de morada. Achei interessante, na entrevista Acompanhei o olhar de total desilusão de anteriormente publicada aqui, a produtora, Mrs. Dashwood a olhar para cada recanto Anne Pivcevic, dizer que esta opção de da húmida, vazia e descolorida casa. colocar Barton Cottage numa zona tão Entendi-lhe o olhar: “então, ser viúva é isto? diferente da concebida por Jane Austen, então, ser pobre é isto? então, não ser mais teve como fundamento reforçar a ideia do senhora de Norland é isto? então, ser alvo de corte ocorrido na vida anterior das mulheres caridade alheia é isto? Que fiz eu para viver Dashwood. Para além da perda, da descida nestas condições? que fiz eu, de tão errado, económico-social, aquele local ressaltaria para ver as minhas filhas descerem de nível também todo o distanciamento da vida social desta maneira? que fiz eu…?”. social. Por outro lado, não se pode negar que o Não posso dizer que assistir a esta mini-série local atribuído à Barton Cottage é idílico e seja como admirar uma pintura. Mas, a meu belíssimo. É impossível ser-lhe indiferente. O ver, há sequências de profunda beleza em cenário quase épico reforça a ideia de Sensibilidade e Bom Senso 2008, que melancolia, recolhimento, tristeza, luto e enchem os olhos e traduzem uma série de alguma solidão. mensagens.15Página
  16. 16. Querida Jane Austen, Como sempre, aqui estou eu para lhe sobre o livro (pelo menos para quem enviar os meus pensamentos sobre as conhece a história): o orgulho e o suas obras nestas singelas cartas. preconceito de cada uma das Singelas, sim, que o meu talento para a personagens (tal como muitos outros escrita não se compara ao seu. defeitos que nem vale a pena enumerar...), bem patente ao longo da Mas se é verdade que desejava história, é o mote de todo o livro. Sem imenso voltar a escrever-lhe uma carta, estes nossos "amigos" ali, atrevo-me a também é verdade que me tenho dizer que a curiosidade do leitor não deparado com diversos problemas: o seria estimulada. primeiro, e talvez o mais urgente de todos, é a época de exames que se Afinal de contas, porquê "orgulho"? inicia e que exige imenso estudo, Porquê "preconceito"? E quando damos concentração mas, acima de tudo, por nós, estamos a tentar decifrar todas calma (que eu não costumo ter!); o as palavras da sua obra. segundo, é o tema da carta. Sabe, Jane, é que ainda que um dos meus objectivos seja ler tudo o que Mas há mais: O Parque de escreveu, ainda só li Orgulho e Mansfield. Novamente, este título Preconceito e O Parque de Mansfield. reporta-se ao mote da história - ou pelo Como poderei, então, escrever-lhe algo menos à zona principal onde ela se que vá de encontro ao livro do mês, desenrola. Com efeito, o parque de Sensibilidade e Bom Senso? Mansfield é o background para todos os Devo confessar que andei, durante momentos de aflição da nossa querida muito tempo, às voltas, tentando arranjar Fanny (de quem eu lhe falei na última algo que encaixasse. Lembrei-me, carta, como certamente se lembra), inclusive, que vi a mini-série britânica de para os despautérios da nossa querida 1981 mas (ironia do destino), não me (ahem!) Mary Crawford, para a aparente recordo bem da sua história. redenção de Mr. Crawford e para tantas outras coisas. Até que, no meio disto, tudo me Ainda que a referência ao parque apercebi de algo: títulos. não dê, imediatamente, uma ideia do tema principal envolvido (ao contrário do que ocorre, por exemplo, em Orgulho "Títulos? Como assim, títulos?", e Preconceito), a verdade é que16 pergunta a Jane. Bem, passo a explicar: conseguimos, automaticamente, formar Orgulho e Preconceito. Este título diz tudo uma imagem de um parque e váriasPágina
  17. 17. histórias com as suas personagens (que, história e, para os menos astutos (como na maior parte das vezes, não eu), que surpreendem quando se combinam com a verdadeira história). termina o livro. E os títulos são essenciais por isso E, com isto, chego ao meu ponto mesmo. Mas quem refere estas obras, principal: Sensibilidade e Bom Senso. Ora, refere outras: Emma, Northanger Abbey, tendo em conta que me lembro de Persuasion, Lady Susan,... muito pouco da história, tendo a juntar fragmentos da mini-série com o próprio Cada uma das suas obras tem título. Assim, tudo me leva a crer que títulos que correspondem à história, que estamos perante personagens que são a resumem e que a caracterizam. ou demasiado sensíveis (acabando por Haverá alguém melhor do que a Jane sair magoadas devido à sua facilidade para ensinar a alguns destes novos em se apaixonar ou ficarem ofendidas) autores a importância de um título bem ou cujo bom senso lhes falta em alta feito? Provavelmente, não. medida. E, com isto, devo deixá-la, minha Estarei certa? Talvez não, afinal, cara Jane: não serve de nada continuar não me recordo da história. Mas é a debater a importância dos seus títulos. precisamente a isto que quero chegar, e A verdade é que todos aqueles que não propriamente ao título da obra: lerem a carta se irão lembrar da primeira títulos bem escolhidos e sonantes fazem- vez que olharam para um dos seus livros nos pensar sobre eles. e imaginaram uma história, muito provavelmente, completamente Porque razão se chama diferente à verdadeira, e irão rir-se. Sensibilidade e Bom Senso? Será que há alguém com demasiado bom senso e E não há nada melhor do que outra pessoa com pouca sensibilidade? rirmos com as nossas próprias memórias e Será o contrário? Será que não tem nada termos a possibilidade de voltarmos a que ver com isto? mergulhar nas histórias que amamos. Verdade seja dita, a Jane é mestra Até à próxima carta, na arte de dar títulos dignos às suas obras, títulos que aguçam a curiosidade e a imaginação, títulos que contam, para os mais astutos, um pouco da17Página
  18. 18. QUANDO LI S&S|CLARA FERREIRA  Acredita-se que estas duas irmãs foram criadas a partir de Jane Austen e da sua irmã Cassandra "A ranked as nd among the and Elinor merits Marianne, let it not be the the happiness of and least considerable, that, though sisters, and living almost within sight of each other, they could live without disagreement between themselves, or producing coolness between their husbands" Publicado em 1811, foi o primeiro romance de Jane Austen a ser publicado, sob o pseudónimo de " A Lady". Jane Austen escreveu o primeiro rascunho desta personagem preferida de tão fortemente como se obra em 1795, quando sempre - Elinor Dashwood. ama a primeira vez. tinha cerca de 19 anos. Primeiramente chamado À semelhança de A história possui duas "Elinor and Marianne" e "Persuasion" este livro é personagens principais: depois, definitivamente totalmente absorvente, são Elinor e Marianne "Sense and Sensibility". tantas as desgraças que Dashwood (duas irmãs). O acontecem à família contraste entre ambas é Não é o meu livro preferido Dashwood que vivemos a enorme. Elinor revela um de Jane Austen, mas é história como se fôssemos enorme bom senso e aquele que contém lá uma das irmãs. O livro, fala- Marianne representa a dentro a minha nos da possibilidade de emoção do seu maior18 amar uma segunda vez, esplendor. Acredita-se quePágina estas duas irmãs foram
  19. 19. criadas a partir de Jane do que sente se reflecte amor... o que não deixa de Austen e da sua irmã (exageradamente) para ser irónico, dado que era Cassandra. fora, embora sinta tudo e ela a "eterna romântica". de uma forma muito Tudo começa quando o profunda, acaba por se Deixo aqui um trecho do pai de Elinor, Marianne e apaixonar por Edward último capítulo que explica Margarett morre. Toda a Ferrars, irmão da sua a situação de Marianne, sua fortuna passa para as cunhada. Uma relação em tudo diferente dos finais mãos do filho do primeiro manifestamente impossível a que Jane Austen nos casamento (meio irmão de perante os olhos da família habituou, pois o de Elinor, Marianne e de Edward. Marianne, aproxima-se mais Margarett). As irmãs e a sua da realidade da vida e não mãe ficam com uma Marianne, apaixona-se por da felicidade eterna. pequena renda anual. O Willoughby... e também nós irmão e a sua mulher (leitores), a relação deles é "Marianne Dashwood was acabam por vir residir para claramente aquele "amor born to an extraordinary Norland - a morada do pai, perfeito" em que fate. She was born to madrasta e meias-irmãs. acreditamos fielmente. No discover the falsehood of entanto, esta personagem her own opinions, and to Mrs. Dashwood começa a acaba por nos counteract, by her procurar uma casa para decepcionar a todos, conduct, her most favourite poder ir viver com as suas porque, afinal de contas, maxims. She was born to filhas, um primo oferece-lhe não era tão perfeito assim. overcome an affection uma pequena casa de formed so late in life as at campo em Barton e aí se Há um capítulo, já no fim, seventeen, and with no acabam por estabelecer. em que Willoughby tem sentiment superior to strong uma conversa com Elinor, esteem and lively friendship, Elinor, razoável, sensata, onde se justifica ou explica voluntarily to give her hand prudente e com um as suas acções... e até eu, to another! (...) enorme bom senso é o que lhe fiquei com um oposto da sua irmã, que enorme "pó" depois do que But so it was. Instead of vive tudo com a emoção à ele fez à Marianne, falling a sacrifice to an flor da pele, que não consegui desculpá-lo, de irresistible passion, (...) she suporta ficar calada certa forma. found herself at nineteen quando julga que algo está submitting to new mal, que pouco que lhe O fim do livro é ao mesmo attachments, entering on importa o que os outros tempo fantástico e ao new duties, placed in a pensam das suas acções - mesmo tempo de um certo new home, a wife, the Marianne é a eterna desapontamento... fiquei mistress of a family, and the romântica que apenas muito feliz com Elinor pois patroness of a village. acredita no único amor e acabou por se casar com que ninguém consegue Edward (o "amor da sua (...) and that Marianne amar novamente depois vida"), mas o destino de found her own happiness in de ter encontrado o "amor Marianne é, embora feliz, forming his, was equally the da sua vida". um destino alternativo, pois persuasion and delight of ela não acaba com o each observing friend. "amor da sua vida", eu senti Marianne could never love que, ao casar-se com o by halves; and her whole Muito acontece Colonel Brandon, casou-se heart became, in time, as entretanto... Elinor, que primeiramente pela grande much devoted to her pode por vezes parecer amizade que tinham e que, husband as it had once indiferente e fria, pois nada acabou por se tornar em been to Willoughby."19Página
  20. 20. SENSE AND SENSIBILITY EM PORTUGAL 200 ANOS DEPOIS – LEITURA COMPARADA |CÁTIA PEREIRA  Ler escritores clássicos é, muitas vezes, visto como algo pouco atractivo e antiquado. Acredito que a genialidade ultrapassa a barreira do tempo   Traduções: “Sensibilidade e Bom Senso” (Maria Luísa Ferreira da Costa) e “Razão e Sentimento” (Ivo Barroso) I ntrodução. Após a surpresa e a alegria semelhantes aos da nossa iniciais provenientes do convite da contemporaneidade. Raquel Sallaberry do Jane Austen em Português para este desafio, veio a Gosto deste desafio que, por vezes, fase de planeamento e a designo como um desafio lusófono. concretização de algumas etapas do programa delineado. Sobre a tarefa Leitura Comparada. Esta primeira etapa da específica da Leitura Comparada Leitura Comparada entre “Sensibilidade e confesso que senti algum pânico: o Bom Senso” (tradução de Maria Luísa Ferreira que posso eu dizer sobre isto? Como da Costa) e “Razão e Sentimento” (tradução posso fazer uma apreciação sobre o de Ivo Barroso) foi feita do Capítulo 1 ao 22. resultado do trabalho de um Não foi um percurso de um fôlego só. Tem especialista? Eu não sou tradutora. sido uma gradual construção e um exercício Estou bem longe deste ofício. de compreensão. É interessante confirmar que a língua portuguesa é multifacetada e Não tenho a pretensão de fazer um que a sua expressão nos dois países (Portugal estudo aprofundado e/ou e Brasil) assume particularidades assinaláveis. académico. Assumi a certeza de que a minha leitura terá de ser a de Optei por não demonstrar capítulo a alguém que ama três coisas: a língua capítulo as diferenças porque seria portuguesa, a literatura e Jane Austen. demasiadamente longo. O que faço é O meu olhar será do ponto de vista do destacar algumas passagens que convidam leitor. Uma irremediável leitora. à reflexão. Ler Jane Austen, nos nossos dias, pode parecer um tanto deslocado. Ler escritores clássicos é, muitas vezes, Uma mesma língua: significantes diferentes, visto como algo pouco atractivo e significados iguais. Falamos a mesma língua antiquado. Acredito que a mas a forma de expressão difere. A escolha genialidade ultrapassa a barreira do e o uso das palavras para traduzirem tempo. Se lapidarmos as determinado significado, pelos tradutores, circunstâncias e o contexto histórico são um exemplo desta diferença. Há20 entendemos que os sentimentos e as expressões que são típicas e que, não sendo atitudes relatados são extremamentePágina
  21. 21. literais ao original, traduzem a ideia que o texto quer transmitir. Opções e dúvidas. Deparo-me com algumas Coloco alguns exemplos deste tipo de frases em ambas traduções que levantam- situação: me dúvidas quanto ao resultado. “uma articulação imperfeita das palavras, um desejo voluntarioso de fazer o que “Lembra-te, minha querida, de que ainda queria, muitas partidas* engraçadas e muito não tens dezassete anos.” (Sensibilidade e barulho” (Sensibilidade e Bom Senso, Bom Senso, Capítulo 3, pg. 16) Capítulo 1, pg. 6) "Lembre-se, minha querida, de que você “uma articulação imperfeita, um persistente ainda não tem dezesseis anos.” (Razão e desejo de afirmar a sua vontade, muitas Sentimento, Capítulo 3 , pg. 16) artimanhas astuciosas e uma barulheira infernal” (Razão e Sentimento, Capítulo 1, pg. Questiono-me o porquê da tradução 6) brasileira atribuir à Marianne uma idade diferente do original. Será que “you are not *Dizer “pregar uma partida” em Portugal será seventeen” possa implicar que Marianne não o equivalente a “pregar uma peça” no Brasil; tenha especificamente 16 anos e que possa ou seja, o sentido é o de uma brincadeira ter menos idade? Deirdre La Faye escreve inesperada. que “they made their debut into society in their late teens” (La Faye, Deirdre; “Jane Austen – The world of her novels”, pg. 113) o que poderia significar que uma jovem debutaria entre os 17 e os 18 anos. Então faria sentido pensar que com esta fala, Jane Austen através de Mrs. Dashwood não está a indicar a idade exacta de Marianne. “A sua casa ficará portanto quase completamente recheada* logo que tomar posse dela”. (Sensibilidade e Bom Senso, Capítulo 2 , pg.12) “Ela estará com a casa quase completamente montada quando se mudarem daqui.” (Razão e Sentimento, “Margaret, como acompanhante de Capítulo 2, pg.12) Marianne, com maior elegância que precisão, acalmou Willoughby, que viera * A expressão “casa recheada” ou “com cedo, na manhã seguinte à casa para saber recheio” é quando ela está devidamente pessoalmente como ela mobilada. Não é incomum aqui utilizar-se o passava.”(Sensibilidade e Bom Senso, termo “montada”, mas é mais usual dizer-se Capítulo 9, pg. 36)21 “recheada”.Página
  22. 22. “O guardião de Marianne, título que descodificação de uma mensagem. Ele está Margaret, com mais elegância que precisão, diante de uma obra, que pertence a um atribuíra a Willoughby, apareceu na manhã tempo histórico, a uma cultura, a um tipo de seguinte bem cedo à porta do chalé para mentalidade e a uma língua específica. Para saber pessoalmente do estado dela.” (Razão além disso, ainda temos que considerar que e Sentimento, Capítulo 9, pg. 35) há o escritor e a sua intencionalidade. E, ainda temos de considerar também, que o Este foi o parágrafo que, ao longo destes 22 tradutor tem o seu ponto de vista de leitor e capítulos, levantou-me mais dúvidas. Não que tem de abstrair-se disto. Ou não? vos parece que o início da frase, em ambas as traduções, transmita um significado Interrogo-me, muitas vezes, se a dualidade totalmente diferente entre si? Quando “tradutor/leitor” entram em conflito na compara ambas com o original, as minhas actividade de tradução. Há a intenção do dúvidas aumentam. autor da obra que, excepto ele a deixe por escrito, nunca a alcançamos totalmente. Há a interpretação da obra por parte do leitor. Isto será um terreno minado para quem tem Em traços gerais, através destes breves a tarefa de traduzir uma obra? exemplos pretendi destacar diferenças de expressão e as dúvidas que algumas Parto da ideia de que para efectuar passagens criaram em mim. Contudo, a qualquer tradução estarão inerentes aventura ainda está no início. Ainda há um determinados processos que levam ao rigor longa caminho a percorrer nesta trilha do e a objectividade para obter um resultado desafio do Bicentenário S&S e da Leitura final fiel ao original. Num texto técnico, o Comparada entre "Sensibilidade e Bom rigor e a objectividade parecem-me ser Senso" e "Razão e Sentimento". Guardo a metas indispensáveis senão fundamentais. certeza de que as páginas ainda reservam Num texto e obra de cariz literário, para além muitos aspectos sobre os quais repousar os disto, há toda uma série de olhos, alargar a visão e surpreender-me com condicionalismos. Alguns condicionalismos alegria pelas novas descobertas. Aproprio- foram referidos acima: tempo histórico, me, com civilidade, de uma frase das cartas cultura, língua, mentalidade; mas ainda há de Jane Austen para afirmar... outros, dentre eles: o estilo de escrita do autor da obra, a coordenação entre a ..."No, indeed, I am never too busy to think of subjectividade do autor e do tradutor, e a S. and S.." interpretação da intencionalidade do autor pelo tradutor. Será que podemos conceber que exista este espaço de interpretação? Isto é, a semelhança de um jornalista, há a necessidade de imparcialidade como condição ética essencial para o exercício Não sou tradutora e estou bem longe disto. da sua actividade; ou, pelo contrário, a Contudo, a dada altura e durante a leitura parcialidade é benéfica? comparada, comecei a reflectir sobre a posição do tradutor. Neste desafio não Estas interrogações e afirmações têm uma estamos a focar o olhar unicamente sobre natureza intuitiva. Foram ilações que me Jane Austen, mas sobretudo sobre as opções atravessavam a mente durante o exercício tomadas por cada tradutor. de leitura de ambas as traduções. Não quero ter a pretensão de lançar pressupostos Dei por mim a pensar na dinâmica deste sobre a técnica de tradução ou sobre o trabalho e surgiu-me este pensamento: trabalho do tradutor e acredito que estas haverá condição mais solitária do que o questões poderão parecer “romantização” tradutor no exercício do seu ofício? Não sei da profissão. A minha partilha destina-se, se a minha interrogação será abusiva mas apenas, a ser matéria de reflexão de uma actividade que parece ficar um pouco à22 comecei a visualizar mentalmente o tradutor neste diálogo silencioso de leitura e de sombra do anonimato.Página
  23. 23. CONTRA TODAS AS TORMENTAS |CLARA FERREIRA  Elinor tem igual porção de Sensibilidade quanto de Bom Senso  E linor Dashwood, effectual, possessed a she knew how to govern geralmente associada strength of understanding, them: it was a knowledge ao lado de "Bom Senso" and coolness of judgment, which her mother had yet do título da obra, é a which qualified her, though to learn, and which one of irmã mais velha de only nineteen, to be the her sisters had resolved Sensibilidade e Bom counsellor of her mother, never to be taught."Senso. Com apenas 19 and enabled her frequentlyanos, Elinor é detentora de to counteract, to the Ao longo da históriauma personalidade advantage of them all, that habituamo-nos à aparenteterrivelmente sensata, eagerness of mind in Mrs. crueza com que lida comrealista e razoável. Por tudo Dashwood which must tudo. Personagem com pésisso, sinto uma forte generally have led to mais assentes na terra, creioempatia e admiração pelo imprudence. She had an que não existe, pelo menosseu carácter. excellent heart; her no universo de Jane Austen. disposition was Elinor julga correctamente"Elinor, this eldest daughter affectionate, and her as acções e atitudes daswhose advice was so feelings were strong: but restantes personagens,
  24. 24. possui uma não faz nada maturidade disso, ela faz tremenda e pior... guarda uma tudo dentro consciência de si na abismal. expectativa Menospreza- de que o se tempo tudo demasiado. cure, mas Considera ilude o que os seus próprio sentimentos coração apenas (que julga ser servem para mais forte do afligir os que é na outros e por realidade) e isso, cala-os esquece-se e envolve-os numa redoma Marianne, dou um passo que se a dor não for falada de vidro colocando sobre si ainda mais em falso e digo e partilhada consome uma máscara de bem-estar que Elinor tem igual porção cada pedaço da alma. E o ou de "tudo vai correr de Sensibilidade quanto de choro desalmado com que bem". Nada parece deitá- Bom Senso. Ninguém sofre recebe a notícia do não la abaixo, nada faz com mais ao longo da história casamento de Edward que fraqueje, Elinor do que ela, ninguém Ferrars é precisamente a permanece firme contra suporta mais tristeza. Tal consequência de toda essa todas as tormentas e é como diz, ela ama com reserva, Elinor rebenta, mas nela, que todos os outros se todas as desvantagens que ainda bem que é de alívio abrigam, qual porto seguro. isso traz sem nunca ter de alegria... ! Elinor é sinónimo de conhecido os benefícios - segurança, sobre ela mais palavra menos parece que nada perfura, palavra, esta é a ideia. De tudo se desintegra antes de facto, ela não chora feita Elinor parece-me, apesar poder atingi-la. No entanto, desalmada como da família adorável que sabemos, que não é bem Marianne, ela não caí tem e que a ama muito, assim... numa apatia doentia como uma personagem Marianne, ela não grita aos incrivelmente solitária, Elinor, arrisco afirmar, sente sete mundos a sua dor demasiado... muito mais que a irmã como Marianne... não, ela24Página
  25. 25. ESTOICAMENTE ELINOR |CLARA FERREIRA  A sua conduta é regular e constante e é isso que a torna tão sublime aos meus olhos  E linor Dashwood alguma possui uma importância ainda enorme que falsa e descartável. A importância de Elinor está, em condescendência contraponto, no e paciência. Ela seu carácter forte, atura e suporta inabalável, com a maior das determinado, na naturalidades qualquer carácter. Não possui sua humildade e na sua bondade. a impertinência de Emma ou a ousadia de uma Lizzie ou mesmo o atrevimento da Elinor não é totalmente indiferente aos própria irmã, Marianne... Não, em sociedade comentários malévolos da futura sogra e Elinor trata todos de forma plácida, cunhada, sabemos que a magoam, mas ela suportando os comentários mais atrozes e sabe como ultrapassá-los, dar a volta por injustos e nunca se subjugando, mantendo cima e por isso as trata com uma indiferença sempre uma "irritante" dignidade que deixa superior e educada que me fazem regozijar cair por terra toda e qualquer observação enquanto leio certas passagens. Elinor é, menos própria vinda de uma Mrs. Jennings tanto em carácter como em inteligência, ou um comentário a roçar o insulto vindo de superior a qualquer uma delas e por isso é Mrs. Ferrars ou de Fanny Dashwood. ela quem se ri no fim. Nela não há contradições, a sua conduta é regular e Ao contrário de muitas das outras heroínas constante e é isso que a torna tão sublime de Austen, Elinor sabe agir em sociedade aos meus olhos, tomando conta do lugar sem provocar tumultos, sem gerar atritos; a cimeiro nas minhas preferências em relação Elinor é impossível apontar uma falha, todas às heroínas de Jane Austen. Elinor é fiel a si as intrigas que se geram em torno dela são própria, não age com subterfúgios, não se provocadas pela simples e odiosa inveja, serve do cinismo para conquistar amizades, não há um defeito nela aos olhos dos outros ela age em sociedade com naturalidade, e por isso, servem-se da sua falta de dinheiro sem impulsos, porque sabe avaliar, à partida, para a diminuir porque só por aí conseguem os bons e os menos bons caracteres, justificação - claro exemplo disso são Mrs. respondendo a todos à altura das Ferrars e Fanny Dashwood que coitadas, a circunstâncias. É de certa forma a sua única coisa que têm em seu abono é, de estoicidade (aparente) que me cativa e é facto, a fortuna, tudo o resto é mau e sem pela profundidade dos seus sentimentos que valor, daí que se agarrem tanto à sua eu me apaixono.25 fortuna, a única coisa que lhes pode trazerPágina
  26. 26. MARIANNE DASHWOOD |VERA SANTOS  Ela é também das poucas personagens que não disfarça aquilo que sente  H á quem não hesite apaixonasse, em apelidar conhecem-se de Marianne de tola uma forma muito romântica, mas romântica, quem aos dezassete haverá algo mais anos, nunca o foi romântico queque atire a primeira pedra. um homem queDizia, o Camilo Castelo surge do meio deBranco que o primeiro nevoeiro e salva aamor sentido por uma donzela emmulher é ainda uma perigo?? Depois,manifestação do amor às os seus modos,bonecas, contudo ele maneira de ser eacredita que Teresa, a sua gostos comunsheroína em Amor de aos dela,Perdição, amou Simão acabam porcom mais seriedade e vencer qualquersinceridade do que outras resistência casoda mesma idade o teriam ela ainda existisse.feito. Infelizmente, Willoughby engana Marianne eEu também eu acredito que o amor de todos os leitores quando mais tarde revelaMarianne por Willoughby está longe de ser ser o bom sacana que é.uma manifestação do amor às bonecas,mas sim uma verdadeira afeição. Olhando a Mas se Marianne tem uma naturezaestória dos romântica,dois de uma ela éforma tambémimpessoal, é das poucasquaseimpossívelque ela nãose
  27. 27. momento romântico que ela própria gostaria de ter, morrer por amor, porque aquela morte seria vista por ela como isso. Mas não é um balde de água fria, pelo menos para mim, que ela se personagens que não disfarça aquilo que recupere. Jane Austen já demonstrou por sente, seja o amor por Willoughby, seja a diversas vezes que acredita em novas indiferença pelo Coronel Brandon e é aqui oportunidades e Marianne ao viver percebe que a personagem se torna digna de ser como as suas ideias eram erradas e depois amada, por ser absolutamente sincera, outro como diz o Mr. Bennet, toda a rapariga tanto não se pode dizer de outras precisa de um desgosto amoroso, o homem personagens e corajosa, muito corajosa, na sua sabedoria, faz-nos ver que são esses acho que ninguém se atreveria a dizer a Mrs. dissabores, o bater com a cabeça na Ferrars aquilo que ela disse. parede que nos fazem crescer. Marianne cresce ao longo do livro e no fim já Há quem questione o amor pelo Brandon, não será tão romântica e terá percebido afinal ela não era TÃO apaixonada por que afinal pode-se amar mais que uma vez, Willoughby? Pessoalmente acredito que ela entre outras lições igualmente importantes. ame o Coronel e que o seu amor seja sincero, afinal já não tenho dezassete anos, A primeira vez que vi a adaptação de já não sou uma tola romântica e já descobri 1995 pensei que Marianne não iria resistir e que se pode voltar amar, basta darmos uma acabaria por morrer, esse seria o grande oportunidade ao amor....27Página
  28. 28. A TERCEIRA DASHWOOD |CLARA FERREIRA  Margaret na sua simplicidade e "criancice" concede-nos momentos especiais ao longo da história  M em Margaret. Não era um adulto mas sim uma "criança" que podia argaret, the transmitir other sister, was alguma a good- "sinceridade" humored, well- nas suas disposed girl; but observações as she had ao que se already imbibed passava à a good deal of sua volta. " Mariannes De facto, é a romance, without having much of her sense, sinceridade das suas observações que she did not, at thirteen, bid fair to equal her levantam o véu de muito daquilo que as sisters at a more advanced period of life." irmãs pensam mas não dizem! Margaret é a irmã mais nova, uma figura engraçada e muito bem conseguida nas adaptações de 1995 e 2008. A minha colega Marina aqui no blogue deixou, o que passo a citar de seguida, um comentário acertadíssimo: "Margaret, a meu ver, existe na história para a tornar mais jovial. A seriedade e sensatez de Elinor e o carácter apaixonado e impulsivo de Marianne (e até de sua mãe) tinha que ter um "ponto de equilíbrio". E esse ponto de28 equilíbrio foi muito bem "encontrado" por Jane AustenPágina
  29. 29. Margaret é também uma espécie de âncora para Mrs. Dashwood, é Margaret que está junto dela quando as outras filhas não estão, mantendo o seu papel maternal activo, afastando-se assim da viuvez representada por Mrs. Jennings. Mrs. Dashwood ainda tem um Embora a descrição feita no início da obra papel crucial a cumprir - o de educar tão acerca de Margaret a diminua em relação bem ou melhor Margaret como fez com as às irmãs, é de notar que, também ela sofre outras duas filhas. uma mudança ao longo da história. Jane Austen escreve que, enquanto as irmãs estiveram em Londres com Mrs. Jennings, Margaret foi alvo de um processo educativo É uma personagem aparentemente intensivo por parte da sua mãe, descartável, tanto assim é que a adaptação conhecimento que adquire e que mostra de 1981 decidiu suprimi-la, no entanto, depois quando as irmãs regressam a Barton Margaret na sua simplicidade e "criancice" em vários diálogos. concede-nos momentos especiais ao longo da história. Quero também ressalvar a interpretação de Lucy Boynton em 2008 que nos deu uma Margaret inoportuna e doce.29Página
  30. 30. EDWARD FERRARS |LILIANA ISABEL  Apesar de ser um homem passivo, é um homem apaixonado  P rimeiro de noivado seja uma tudo o forma de escape e Edward é revolta contra as uma regras ditadas pela personagem sua família, no que que eu gosto diz respeito ao seu bastante, apesar futuro pessoal e da minha monetário. dualidade de sentimentos Apesar de amar como já vão Elinor, Edward reparar pela mantém a sua minha análise. promessa de No que toca a adaptações eu acho que o casamento com Lucy, o que reflecte um Hugh Grant foi mesmo perfeito como homem íntegro e com valores que pensa nos Edward Ferrars. Apesar outros em detrimento dos de gostar de Edward seus sentimentos. No final porque no fundo ele talvez se terá apercebido consegui fazer frente a de que ao "abafar" os seus todos por amor, não sentimentos por Elinor, está deixa de ser, na minha também a ferir os opinião um homem um sentimentos da mulher que pouco fraco, apenas ama. No entanto, mesmo no decidido em fazer a momento em que sua mãe feliz e seguir o finalmente fala dos seus plano que ela tem sentimentos a Elinor, eles são traçado para ele. Ao escassos e deixam Elinor um mesmo tempo que se pouco confusa à espera de apresenta "obediente" um pedido, que não vem à sua mãe e irmã, logo... No fundo apesar de comete uma ser um homem passivo, é um "ilegalidade" e nas homem apaixonado, costas destas fica noivo sensível e com bons de Lucy, mesmo princípios morais e como tal, sabendo que a sua merece todo o meu família está respeito.30 inteiramente contraPágina esse cenário. Talvez o
  31. 31. JOHN WILLOUGHBY |LILIANA ISABEL  Nem tudo o que reluz é ouro... Q uando língua" com pensamos quem ele em John passou bons Willoughby momentos de pensamos diversão, e logo no nada mais...ditado português"quando a esmola é Infelizmentedemais o santo Marianne nãodesconfia". teve o discernimentoNão passa de um lobo No entanto eu não suficiente para avaliarmascarado de cordeiro acredito que ele não sinta correctamente Willoughby,com toda a sua educação, remorsos do que fez. Ele é mas se pensarmos bem nãocordialidade e simpatia. Ele daquelas pessoas que se é fácil acreditar que umfez com que não só deixa envolver pelo que ela rapaz com tantasMarianne como toda a própria faz e diz e depois é qualidades que se vãofamília Dashwood se tarde demais. Também revelar de tão márendesse ao seu charme. podemos consideram John qualidade...Promete mundos e fundos a Willoughby como umMarianne (não Playboy da era Regency e Detesto homens como"descaradamente" mas nada mais que isso. Willoughby e penso que aimplicitamente) e isso é o Marianne é bonita, Jane talvez tenha escritosuficiente para apaixonar determinada e inteligente. esta personagem a pensarMarianne que sonha com o Trata-se de uma rapariga nas muitas donzelasseu futuro ao lado do divertida e sem "papas na sonhadoras que sonhampríncipe com o príncipeencantado. E encantado quedepois, desaparece mais tarde see não dá tornará num lobosatisfações, como mau. Podemosse nem sequer mesmo dizer quetivesse feito parte com Johnda vida de Willoughby nemMarianne e do resto tudo o que reluz édas Dashwood. ouro...

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