Historia da Escola Estadual Regente Feijó Itu
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Historia da Escola Estadual Regente Feijó Itu

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Resumo da História da Escola Estadula Regente Feijó de Itu, interior do Estado de São Paulo que completo

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Historia da Escola Estadual Regente Feijó Itu Document Transcript

  • 1. FEIJÓ” ESCOLA ESTADUAL “REGENTE FEIJÓ” Em 12 de fevereiro de 1932, o Sr. Joaquim Galvão de França Pacheco, então Prefeito de Itu,foi recebido em uma audiência pelo Interventor Federal no Estado de São Paulo Coronel ManuelRabelo, para tratar da criação do Ginásio do Estado em Itu. 1 Com o apoio decisivo do Dr. Franciscode Salles Gomes Jr, então Secretário de Educação e Saúde Pública, e do Capitão Waldemar LevyCardoso, Diretor do Departamento das Municipalidades, o Interventor decidiu que o Ginásio seriainstalado num sobrado da Rua dos Andradas, onde se localizava a antiga sede do Grupo Escolar“Convenção de Itu”. Este encontro é o primeiro capítulo da gloriosa históriade nossa Escola Regente Feijó que, neste ano de 2012,completa oito décadas de existência. Porém, o ano de 1932 éespecial não apenas para história de nosso colégio, mastambém para a história da educação de todo país. Foi em 1932 que a Reforma de Francisco de Campos,considerada por muitos como o episódio que inaugurou a eramoderna da educação no Brasil, foi elaborada e promulgadadepois de décadas de debates e demandas sociais pormudança na política pública de educação. Até a década de1930, o poder público se limitava a oferecer o ensino primário Prefeito Joaquim Galvão de Françanos Grupos Escolares. O ensino secundário, oferecidos nos Pacheco - Fundador do Ginásio do Estado em ItuGinásios, estava majoritariamente na rede particular, em suamaioria dominada pela Igreja Católica. Itu também fez fama neste sistema escolar, pois possuía dois1 O cargo de Interventor era equivalente ao atual cargo de Governador de Estado. Atente para o fato do país convivercom um governo provisório neste período, sofrendo com as disputas características de um governo em formação.Getúlio Vargas, chefe de governo, após o Golpe de 1930 caiu no erro de nomear um Interventor para o Estado de SãoPaulo retirando sua autonomia administrativa. Isso desagradou e muito a elite cafeicultora paulista que já estavaressentida com o processo “revolucionário” que encerrou a Republica Velha, colocando um ponto final no sistemarodízio que alternava o poder entre São Paulo e Minas Gerais. Curioso notar que apenas alguns dias após a reunião doprefeito de Itu com o Interventor do Estado de São Paulo, no dia 23 de Maio, quatro jovens paulistas foramassassinados em uma campanha contra o governo de Vargas. Este episódio é considerado o estopim da RevoluçãoConstitucionalista de 1932.
  • 2. colégios secundaristas, particulares e católicos, considerados exemplares e frequentados porestudantes que se deslocavam de todos os cantos do Estado e mesmo de outros Estados: o ColégioMadre Marie Theodore Voiron e o Colégio São Luiz2. Todavia, no alvorecer do século XX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial, osurgimento da sociedade de massa, a urbanização e tudo mais que compunha o complexo quadroda modernidade, a política pública de educação passou a ser foco de criticas e debates. Osquestionamentos mais contundentes surgiram através da atuação do grupo chamado de Pioneirosda Educação. Movimento propositivo, organizado na Associação Brasileira de Educação, cobrouuma atuação mais intensa do poder publico na organização e no oferecimento de ensinosecundário.3 Este debate encontrou ecos no processo “revolucionário” encabeçado por Vargas,materializando-se no governo provisório quando, já em 1931, Getúlio Vargas criou o Ministério deEducação e Saúde submetendo-o ao comando de Francisco de Campos. Em 1932 é sancionado o decreto que promulgou a famosa Reforma Francisco de Campos, determinando maior atuação do poder publico na criação de cursos secundário através de Colégios estaduais. O Estado de São Paulo foi pioneiro neste processo. E a cidade de Itu, justamente no primeiro ano da reforma, fora agraciado com o terceiro Colégio secundário de todo o Estado de São Paulo.4 O Decreto n.5.424 de 05 de Março de 1932 que criou o Colégio do Estado em Itu colocou a cargo do Estado os custos de contratação do Diretor e de seis professores, transferindo aos cofres municipais a responsabilidade pela contratação dos demais professores, bem como pelos custos de funcionamento da instituição por dois anos.Sobrado que abrigou o Ginásio do Estado na rua2 dos Andradas Colégio São Luís 140 anos: a educação e os jesuítas no Brasil / [pesquisa histórica Montserrat Moreno ; texto deViviane Pereira]. – São Paulo: Tempo & Memória, 2000. MANOEL, Ivan. Igreja e educação feminina (1859-1919). Umaface do conservadorismo. São Paulo: Ed. da Unesp, 1996.3 MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA (O). In: Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos. V. 65, n. 150 mai- ago, 1984. Brasília: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, p.407-25.4 Itapetininga, Tatuí e Itu.
  • 3. Direção, Professores e Corpo Docente em 1935. Os primeiros professores do Colégio contratados pelo Estado foram: Dr. José Leite Pinheiro – Português e Francês; Prof. José de Paula Santos – Matemática; Prof. Joaquim de Toledo Camargo – Ciências Físicas e Naturais; Profª Claudemira de Vasconcelos – História da Civilização; Prof. Antonio Berretta - Geografia e Cosmografia; Prof. Salathiel Vaz de Toledo – Educação Física. Pela Prefeitura Municipal foram nomeados os seguintes professores: Prof. Tristão Mariano da Costa Júnior – Música e Canto; Prof. Pery Guarany Blackman – Desenho; Paulo Affonso da Rocha Pinto Jr. – Secretário; Cesário Galvão – Porteiro; Orlando Zenaro – Servente; Francisco Prieto – Servente. Em abril de 1932 o primeiro diretor, o Dr. Oscavo de Paula e Silva foi nomeado Diretor doGinásio do Estado em Itu, função que exerceu por dez anos. Desta forma, em 16 de maio de 1932, uma segunda-feira, é instalado no antigo prédio daPrefeitura Municipal, situado na esquina da Rua dos Andradas com a Rua Dr. José Elias, o “Ginásiodo Estado”. A data de instalação foi adotada como o DIA DE FUNDAÇÂO DA ESCOLA.
  • 4. Um sobrado, antiga sede do Grupo Escolar “Convenção de Itu”, próprio da Prefeitura, situado mesmo local onde hoje se encontra o edifício da Escola, passou por algumas reformas de adaptação – laboratórios, sanitários, campos de esportes e outros melhoramentos – que permitissem abrigar o Ginásio. Durante 12 anos, foi sede do estabelecimento. Possuía salas da diretoria, secretaria, laboratório e seis salas de aulas, ocupando uma área de dois mil metros quadrados a parte edificada. Além do recreio, o velho Ginásio possuía campo de esportes (voleibol, basquete e pista de atletismo). O prédio, Dr. Oscavo de Paula e Souza apesar dos esforços da direção, estava longe de ser o ideal 1º Diretor (1932-1943) para um estabelecimento de ensino. As pequenas salas dolaboratório e da biblioteca eram impróprias para atender às exigências pedagógicas. Anos mais tarde, quase toda a população ituana apoiou a iniciativa de construir um novoprédio, deixando, entretanto, o antigo sobrado, apesar de suas deficiências, saudosa recordaçãoem todos os jovens que passaram por seus bancos. Na ocasião da instalação do Ginásio foi apresentado pelo Prof. Dr. José Leite Pinheiro osversos adotados como hino da escola: Refulgindo no céu cor de anil Sobre nós se desdobra o Cruzeiro. Prodigioso pendão do Brasil – Bis Que no alto balouça fagueiro! Jovens filhos da terra querida, Rendei culto à justiça, ao saber, Só com honra se vence na vida. Dado à Pátria cumprindo o dever! Sem temor pela pátria lutemos, Alentados com a ciência bebida, Que de luz a vitória faremos, Enloirando o Brasil pós a lida! Jovens filhos da terra querida, Rendei culto à justiça, ao saber, Só com honra se vence na vida. Dado à Pátria cumprindo o dever!
  • 5. Soergamos bem alto a bandeira Nas ameias da glória imortal, Nós, valente falange guerreira Do Brasil vitorioso afinal. Empolgado com os versos o Diretor Oscavo pediu ao maestro Tristão Mariano da CostaJúnior, Professor de Música e Canto Orfeônico, que compusesse a música para que os versospudessem ser adotados como Hino da Escola. Naquela mesma semana, no dia 20 de maio, foi fundado oGrêmio Estudantil que, por indicação do historiador Francisco NardyFilho, recebeu como patrono o nome do Conselheiro Paula e Souza eMello.5 Entidade representativa dos estudantes, o Grêmio PaulaSouza e Mello teve papel de destaque não apenas na história daEscola, mas também na história da cidade. Muitos dos eventosculturais e lúdicos de mais alto nível oferecidos na cidade partiam dainiciativa desta entidade. Bandas, corais, equipes de esportes, bailes,jogos, feiras culturais, eventos religiosos, cursos, palestras e atémesmo movimentos assistencialistas e políticos foram organizados Conselheiro Paula Souza e Mellopelos membros da Diretoria do Grêmio. Patrono do Grêmio Estudantil Festas famosas, como a Festa da Primavera, Festivais de Músicas Populares e a Semana deArtes Estudantis, bem como o Dia de Paula Souza, comemorado todo dia 16 de Agosto, forameventos que marcaram a vida de muitos que passaram por nossa escola. Em 1971, no auge dorecrudescimento do Regime Militar, a reforma educacional promovida pela lei 5.692 desativoutodos os grêmios estudantis criando os Centros Cívicos, deixando na memória a atuação do famosoGrêmio Paula Souza e Mello. Em 1933, quando o Ginásio do Estado em itu funcionava a pleno vapor um duro golpe quasepôs fim a trajetória ainda incipiente de nossa escola. Porém, este golpe, rapidamente assimilado,5 Ilustre ituano, Francisco de Paula Souza e Mello, nasceu em Itu no ano de 1791 e faleceu no Rio de Janeiro em 1851.Amigo do padre Diogo Antônio Feijó, viveu um tempo em sua casa no Rio de Janeiro, na rua São José, nº 28.Filho de Antônio José de Sousa e Gertrudes Solidônia de Cerqueira, casado com Maria de Barros Leite, tiveram oitofilhos, dentre eles Francisco de Paula Leite.Foi deputado à Assembleia Constituinte em Portugal, ainda no tempo do Brasil colônia. Foi depois deputado-geral nastrês primeiras legislaturas, senador (de 1833 a 1854) e primeiro-ministro do Império do Brasil em 1848.Foi sepultado no Convento Franciscano de Itu, sendo transferido para um Mausoléu construído em sua homenagem noCemitério Municipal de Itu.
  • 6. transformou-se em um dos capítulos mais belos da história da instituição. Nesta data fatídica, oentão Secretário da Educação do governo do Coronel Waldomiro Castilho de Lima, o ProfessorFernando de Azevedo, elaborou o Decreto 5.885 que extinguia o Ginásio do Estado de Itutransformando-o em Ginásio municipal. O Estado assumia apenas a subvenção mensal de duzentoscontos de réis, devendo a Prefeitura municipal contratar novos professores para que substituíssemos professores contratados pelo Estado, bem como um novo Diretor para substituir o Dr. Oscavo dePaula e Silva. O ex-prefeito Joaquim Galvão de França Pacheco, com o apoio do prefeito José Leite PinheiroJúnior, dirigiu-se ao Palácio dos Campos Elíseos para reunir-se com o Interventor Federal, JoaquimGalvão, a fim de tentar reverter as trágicas consequências provocadas pelo Decreto 5.885. Umaintensa campanha seguiu-se na cidade, condensando autoridades de todos os campos que seuniram em cobranças endereçadas ao governo estadual para reassumisse a responsabilidade peloGinásio em Itu. A pressão deu resultado. O Diretor Oscavo de Paula e Silva pôde reassumir suafunção no Ginásio. Mas parou por ai. O Estado não reassumiu a gestão do Ginásio. Porém, neste momento, o Diretor Oscavo reuniu-se com os professores e diante do lamentopelo risco da extinção do Ginásio uniram-se e organizarão a reação. Ao longo de um período de umano os professores adequaram seus horários de trabalho e, mesmo sem receber pagamento algum,continuaram lecionando no Ginásio de Itu para que o ano letivo não fosse interrompido. APrefeitura Municipal, com muitas dificuldades, procurava manter os custos básicos do Ginásio. Mesmo sem existência legal, o Ginásio continuou funcionando. A sociedade ituana não seconformava com tal situação. No mês de novembro deste mesmo ano de 1933, foi nomeado paraexercer o cargo de Prefeito Municipal Braz Bicudo de Almeida. Uma das primeiras providências desua administração foi tentar regularizar a situação do Ginásio de Itu. Organizou uma comitivajuntamente com os representantes de outras cidades próximas que também haviam perdido seusginásios estaduais e exigiram a revogação das extinções promovidas pelo Código de Educação.Alguns meses após, em fevereiro de 1934, o Decreto 6.316 assinado pelo Interventor Federal emSão Paulo, Armando Salles de Oliveira, e pelo Secretário de Educação Christiano Altenfender Silva,reestabeleceu o Ginásio do Estado em Itu, Araras, Catanduva e Taubaté. Em 1936, formou-se a primeira turma de bacharelando do Ginásio do Estado em Itu.Abrilhantou a festa o grande professor de Música e Canto Luiz Gonzaga da Costa Júnior, o famosoLuizito, que assumiu esta função substituindo seu tio, o saudoso maestro Tristão Mariano da CostaJunior.
  • 7. O Prefeito Galvão Pacheco, em 1938 determinou que os dois melhores alunos de cada GrupoEscolar Municipal receberia uma bolsa de estudos da Prefeitura para que pudessem frequentar ocurso secundário no Ginásio do Estado em Itu. Em 1942, o Diretor Oscavo de Paula e Silva é transferido para São Paulo e assume seu cargo o professor de Geografia Antonio Berretta. De personalidade serena e honesta, exerceu administração marcante e decisiva na história da Escola, pois foi sob sua tutela a Escola assumiu como Patrono Diogo Antonio Feijó, obteve a instalação do curso clássico e científico, posteriormente desenvolvendo o curso Normal, além de ter participado da empreita que construiu o edifício atual da Escola. Por iniciativa do Professor Antonio Berretta, um grupo de alunos, em 1942, percorreu a cidade recolhendo Professor e Diretor Antonio Berreta assinaturas para um abaixo-assinado solicitando ao governodo Estado a instalação de um Colégio Estadual na cidade. Encaminhado ao Palácio do GovernoEstadual, tal petição foi atendida e, em 1943, foi publicado o Decreto Estadual que permitia ainstalação do curso colegial transformando o Ginásio do Estado em Colégio do Estado em Itu. O então prefeito Mário da Costa de Oliveira e o Doutor Luiz Gonzaga Novelli Júnior sejuntaram a causa e, desta união, floresceu a força necessária para a demanda ituana. Assim, aindaem 1943, foi admitida a primeira turma de colegiais queoptaram entre os cursos clássico e científico. Deputado Federal Constituinte em 1946, Secretário deEducação entre 1947 a 1950 e, posteriormente, vice-governador de Estado, o Doutor Novelli Júnior capitaneou umdos episódios mais importantes do então Colégio do Estadoem Itu: a construção de um novo prédio. Uma comissão de 21pessoas reuniu-se com o Interventor Federal do Estado deSão Paulo em 1944 apresentando a demanda pela construçãode um novo prédio no local do antigo casarão para abrigar onovo Colégio do Estado. Bem recebidos pelo Interventor, Dr. Luiz Gonzaga Novelli Júnior
  • 8. algumas semanas depois a comissão recebia a resposta afirmativa do governo estadual, deixandotoda a cidade em regozijo. Construção do novo prédio do Colégio do Estado em Itu Entre os anos de 1944 a 1949, enquanto o novo edifício era construído, o Colégio passou afuncionar no Ginásio Convenção de Itu situado na praça Conde de Parnaíba. O Professor TristãoBauer, então prefeito em 1944 a 1946, deu inicio às obras do novo prédio que, por indicação doDoutor Novelli Júnior, seria sede co Colégio batizado de Regente Feijó.6 Em 1945, o professor Antonio Berretta é removido da Direção do Colégio do Estado paraassumir cargo diretivo na Secretaria da Educação, assumindo seu cargo o Professor Alberto Rovai.Em 1946 o professor Antonio Berretta reassume a direção do Colégio e novamente será decisivopara sua história. O então Deputado Martinho Di Ciero iniciou uma batalha para que junto ao Colégio do Estadoem Itu fosse instalada a Escola Normal, órgão responsável pela formação de professores. E assim,em 1947, sob a direção do professor Berretta, o antigo Colégio do Estado, passa a se chamarColégio Estadual e Escola Normal Regente Feijó7.6 Decreto 14.897 de 1945.7 Decreto 16.912 de 1947.
  • 9. Em 1949 assume a direção do Colégio o professor Salathiel Vaz de Toledo. Em 15 de Agostode 1949, o professor Salathiel discursou nas festividades de inauguração do novo edifício doColégio Estadual Regente Feijó e Escola Normal. Edifício reconhecido estadualmente comoreferência de instalações educativas, pois fora construído com o que havia de melhor e maismoderno no período, graças à intensa atuação e fiscalização do Deputado Martinho Di Ciero. Em 24 de Abril de 1949 é solenemente inaugurado o majestoso edifício do Colégio e Escola Normal “Regente Feijó” pelo então Governador do Estado Adhemar de Barros. Em 1953 é autorizado o funcionamento no período noturno dos cursos Ginasial e Colegial. Neste mesmo ano a escola recebe aquele que se tornaria talvez seu mais ilustre personagem: o novo Diretor João dos Santos Bispo. Ex-aluno, pertencente a primeira turma de alunos de 1932, Professor Bispo, como era conhecido, atuou com extremo zelo, carinho e competência à frente do Colégio por mais de 25 anos. Sua Professor João dos Santos Bispo gestão marcou de maneira indelével esta instituição, levando-a Diretor de 1953 a 1977 a seu apogeu. Sua atuação como Diretor marcou diversasgerações de ituanos e ituanas, e a memória de sua presença se confunde com a própria identidadeda Escola Estadual “Regente Feijó”. O ex-aluno e, posteriormente professor do colégio,Alcides Scalet, em 1955 manda confeccionar a primeira eatual bandeira da instituição. Inspirada no Hino queconclama “Refulgindo no céu cor de anil, sobre nós sedesdobra o Cruzeiro”, a bandeira possuía em seu centro oCruzeiro do Sul. O Doutor Jânio Quadro da Silva, então Governador do Estado de São Paulo, sancionou a Lei3.711 que transformou o então Colégio Estadual e Escola Normal “Regente Feijó” em Instituto deEducação. Mais uma vez sustentava mais este passo decisivo para a História de nossa instituição oentão Deputado Martinho Di Ciero, autor do projeto de lei em questão. Agora, enquanto Instituto de Educação, além do curso Ginasial, Colegial e Normal, passava afuncionar o curso de Aperfeiçoamento de para Professores.
  • 10. Em 16 de Maio de 1958, em meio às comemorações do aniversário da Escola é inaugurado opavilhão anexo destinado ao Ensino Primário, batizado como Pavilhão Brigadeiro Faria Lima emhomenagem ao então Secretário de Viação e Obras Públicas do Estado de São Paulo que atuou demaneira decisiva na desapropriação dos edifícios situados nos fundos do Instituto. O Professor Benedito Hellmeister iniciou uma campanha para que fosse instalado junto aoInstituo de Educação “Regente Feijó” o curso de Administração Escolar. A autorização veio noDespacho do Diretor Geral do Departamento de Educação em 10 de março de 1960. Foram alunosdo primeiro curso Cícero Siqueira Campos e Rogério Lázaro Toccheton. Logo em 1962, o prefeito Galileu Bicudo consegue junto ao governo do Estado verba para aampliação do Pavilhão Anexo destinado à Educação Primaria. Em 1970 é instalado o CARE, Centro de Avaliação do Rendimento Escolar, programaidealizado pelo governo militar na época para treinar professores e implantar as novas tendênciaspedagógicas do período. No fatídico ano de 1971 é extinto o Grêmio Estudantil Conselheiro Paula Souza e Mello sendosubstituído pelo Centro Cívico. O Grêmio voltaria a eleger uma nova diretoria somente em 1982, nocontexto de comemoração do cinquentenário da Escola. Este ato era apenas a primeira cena do desastroso espetáculo de desmonte da educaçãopública no Brasil. O Governo Militar instalado no poder desencadeou uma profunda reformaeducacional através da Lei 5.692 de 1971, que reestruturou toda a rede ensino do Brasil. O grandeobjetivo era universalizar o acesso à educação, mas os termos da teoria da Escola de Chicago quenorteou a reforma orientava um processo de universalização a custa da qualidade.8 Foi elaboradoum Plano Estadual de Implementação da Lei 5.692/71, reestruturando a Rede Oficial de Ensino noEstado de São Paulo em 1º e 2º grau. Neste contexto, a resolução número 20 extinguiu o Institutode Educação Estadual “Regente Feijó”, transformando-a em Escola Estadual de 1º Grau “RegenteFeijó”. Desta forma, a instituição passou a oferecer apenas as quatro primeiras séries do antigoensino primário e mais quatro séries do antigo ginásio, as oito séries passaram a compor o EnsinoFundamental ou 1º Grau. Tragicamente era encerrada a gloriosa história do curso Colegial Clássicoe Científico, bem como do curso Normal. Parte da biblioteca e laboratório forma transferidas À8 PELEGRINI, Thiago e AZEVEDO, Mário Luiz Neves de. A Educação nos anos de chumbo: a Política Educacionalambicionada pela Utopia Autoritária” (1964-1975). Disponível emhttp://www.historiahistoria.com.br/materia.cfm?tb=artigos&id=46
  • 11. Escola Estadual de 2º Grau Antonio Berreta, bem como todos os alunos e professores quecompunham o 2º Grau foram compulsoriamente transferidos. Em 1977, o grande professor João dos Santos Bispo se aposenta, encerrando um dos capítulosmais majestosos da História de na Escola. Em 1982, novamente a Escola Estadual de Primeiro Grau “Regente Feijó” centralizou asatenções da cidade e da região com a espetacular comemoração de seu Jubileu de Ouro. O grande matutino O ESTADO DE SÃO PAULO publicou em sua edição de 14 de maio, umEditorial intitulado: “Os 50 anos do “Regente Feijó”: Com uma semana de festa, Itu comemorou ocinquentenário da Escola Estadual “Regente Feijó”, antigoGinásio do Estado, colégio estadual, escola normal eInstituto de Educação. Incorporado embora à rede deescolas estaduais 1º e 2º graus, o estabelecimentoconsegue sobrenadar do anonimato do ensinomassificado, mantendo viva a tradição escolas e elos que oligam às várias gerações de ex-alunos”. No dia 13 de maio, a Escola recebeu um presentepela passagem de seu cinquentenário: o Monumento do“Regente Feijó” em bronze. A estátua foi colocada naentrada do estabelecimento. A imponente estátua do Regente permaneceudurante muitos anos no Largo da Liberdade em São Paulo.Foi construída, em 1911, pelo escultor Louis Conversa. Em1967, por ocasião da construção do metrô, foi retiradadaquele local e levada para uma instalação da Prefeitura Municipal de São Paulo, mais conhecidacomo “depósito da Ponte pequena”. Em 1983 a Escola voltou a receber o ensino secundário, tornando-se Escola Estadual dePrimeiro e Segundo Grau “Regente Feijó”. Nos anos noventa, com o desencadeamento do processode municipalização do ensino fundamental I, a Escola diminuiu pouco a pouco as salas de ensinoprimário, até extingui-las plenamente e tornar-se Escola Estadual “Regente Feijó”, oferecendoapenas o ensino fundamental II (5ª a 8ª série) e médio.
  • 12. Na última década a Escola passou a incorporar o Centro de Línguas, que oferece curso delínguas para alunos da rede pública de ensino de toda a cidade de Itu, contando com mais dequatrocentos alunos. Além disso, uma parceria foi firmada com o Centro Paula Souza, transformando algumas salasde aula de nossa Escola em extensão da Escola Técnica Martinho Di Ciero. No ano de 2012, justamente no ano das comemorações dos oitenta anos, a Escola EstadualRegente Feijó passou a possuir uma turma de Ensino Técnico Integrado ao Médio cursando aformação técnica de Informática para Internet. Texto base: CARVALHO, Roberto Machado. Memória de uma Escola. Edição Comemorativa doCinquentenário da Escola Estadual “Regente Feijó”. São Paulo: Editora Pannartz, 1983.