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Cabala Document Transcript

  • 1. CABALA ASPECTOS DO OCULTO MUNDOS ALÉM DA MENTE entre os vários sistemas de estudo e consecuções mágico-místicas, aquele que,D provavelmente, nos oferece as melhores lições, adaptando-se às características do Ocidente é, sem dúvida, a Cabala. Mas o que é a Cabala? Esta é a primeira questão que se ergue, quandoouvimos referências sobre este Ramo do Esoterismo. O assunto torna-se ainda mais intrigante ao sabermos que grande parte das OrdensIniciáticas, principalmente as ditas maçônicas (1), se desenvolveram baseadas na Cabala,que aparece como a chave de todos os rituais destas ordens, inclusive os da Igreja Romana,como torna-se obvio a qualquer estudante não minado pelo fanatismo religioso. A Cabala, a grosso modo, pode ser definida como sendo a Doutrina EsotéricaJudaica (2). A palavra Cabala (3), soletrada em hebraico é QBLH, derivando-se da raiz QBL,Qibel, significando “receber”. Isto refere-se ao fato ( assim é dito ) de que o ConhecimentoCabalístico é sempre transmitido oralmente. Quanto às origens da Cabala, por mais que nos aprofundemos em pesquisas, jamaisteremos respostas concretas a respeito. Mas, entre várias hipóteses, é dito que a tradição foicriada e desenvolvida durante seis mil anos de civilização nas terras de KHEM (Egito) (3).Naqueles gloriosos tempos, quando os “deuses” andavam pela Terra, a tradição eraconhecida como PAUT NETERU (Nove Divindades). Em seguida, ao perceberem o inícioda decadência do Grande Império Camita, os iniciados resolveram transmiti-la aosCaanitas. Deixemos, entretanto, estas ‘lendas’ de lado por enquanto. O que mais nos interessano momento é que, no Sistema Ocidental de Iniciação, a Cabala tem sido usada comsucesso por muitos séculos e que contém o mais conveniente e seguro corpo decorrespondências jamais concentrado em um só e simples grifo. As divisões e subdivisõesrepresentadas pelas Dez SEPHIROTH e os VINTE E DOIS CAMINHOS compreendem ointeiro Universo. Existem vários meios de exegese cabalista. Os principais seguem regras concisas.Algumas destas regras são de grande importância.O princípio formal estabelece que, uma vez o profundo significado de uma palavra ou fraseseja estabelecido, ela passa a ter o mesmo significado através de toda uma escritura. Istoaplica-se também aos números, letras, abreviações e leis. Por exemplo: de acordo com esta
  • 2. regra, a expressão “SERPENTE DO PARAISO” pode ser entendida como sendo asBIOENERGIAS QUE ASCENDEM PELA COLUNA DORSAL EM ESPIRAISDURANTE CERTAS PRÁTICAS OCULTAS. Seguindo o princípio acima, todas asserpentes citadas na Bíblia são metáforas para estas energias flamejantes do corpo humano(4). Em Gênesis, 49:10, Jacob dirige-se à seu filho dizendo: “venha SHILOH...” (IABOSHILOH). Shiloh é primeiramente mencionado por Jeshuah, que construiu um povoadoanfictiônico no sítio ao redor do TABERNÁCULO. O quanto sabemos a respeito destepovoado não nos oferece qualquer significado metafórico do termo Shiloh. Os cabalistasencontraram a resposta do seguinte modo: a frase “Venha Shiloh” tem como soma total358. Existem duas outras palavras com idêntica numeração: SERPENTE e MESSIAS(NChSh e MESSIAH ), que nos ajuda a explicar o significado alegórico de Shiloh. O termo Serpente foi antes explicado como uma palavra código para as bioenergiasque em seu movimento de subida lembram os populares desenhos espiralados do DNA, emelhor ainda, a Serpente do Bastão de Hermes (Mercúrio-Thot), mensageiro dos DeusesGregos, e nos lembra também a SERPENTE DE BRONZE erguida por Moisés no deserto (Números, 21:6-9). Durante a subida através do corpo, estas energias serpentinas entram no coração(Chakra Coronário), onde despertam um Poder chamado MESSIAH. NO sagrado Livro doZohar está escrito que o Messiah tem que primeiro erguer-se no coração do homem. Vejamos outro exemplo: A palavra ADONAI (AD-ON-AI) que os irmãos do QuartoGrau da maçonaria Osiriana conhecem, mas não sabem o que significa, escreve-se emhebraico ADNI, valor numérico 65, 6+5 = 11, o número da Magia e o total das Sephiroth(Contando com DAATH) na Árvore da Vida; a união do Hexagrama com o Pentagrama;isto é, o Macro e o Micro reunidos, fazendo UM SÓ. Em uma mais profunda interpretação,temos que os iniciados Gnósticos transliteraram a palavra para implicar suas própriasfórmulas secretas. ON é o Arcano dos Arcanos, seu significado é ensinado gradualmenteaos Aspirantes da REAL ARCA DE ENOCH. Também AD é a fórmula paternal, HADIT;ON seu suplemento, NUIT; o YOD final etimológicamente significa “MEU, eessencialmente significa a semente mercurial ( transmitida), virginal e hermafrodita – OEREMITA do Tarot . O nome é, pois, usado para invocar o ARCANO PESSOAL maisíntimo, considerado como resultado da conjunção de NUIT ( O Infinito Grande) e HADIT(O Infinito Pequeno). Se o segundo “A” está incluído, sua importância consiste em afirmara operação do ESPÍRITO SANTO e a formulação do BEBÊ NO OVO que precede aaparição do Eremita. Diz-nos Crowley: “A Cabala, isto é, a Tradição dos Judeus, concernente àinterpretação iniciática das escrituras deles, é, em sua maior parte, ou ininteligível ou tolice.Mas ela contém como seu esqueleto a mais preciosa jóia do pensamento humano; aquelearranjo geométrico de nomes e números que é chamado de ÁRVORE DA VIDA Eu ochamo de precioso porque tenho verificado que é o método mais conveniente, até agoradescoberto, de classificarmos os fenômenos do Universo e de registrarmos as relações entreeles”.(5)
  • 3. A ‘Arvore da Vida contém Dez SEPHIROTH e Vinte e Dois Caminhos, perfazendoas TRINTA E DUAS PORTAS DA SABEDORIA. Entretanto, aí existe um Véu. Não sãosomente Dez Sephiroth, mas ONZE – DAATH, que quase nunca é mencionada noscompêndios (porque não interessa a muitos) a respeito da Cabala, é a invisível Porta que dáacesso às TRÊS SEPHIROTH SUPERNAS (KETHER, CHOKMAH E BINAH). Assim,temos a soma TRINTA E TRÊS (11+22) que nos fornece as chave dos Trinta e Três Grausda Maçonaria e, como todos devem ter notado, a idade de IHShVH, isto é, o Magus doAEON de OSIRIS. A Árvore da Vida é, por assim dizer, uma chave cabalística no senso místico emágico. Numerosos livros t6em sido escritos a respeito da Dez Sephiroth e dos Vinte eDois Caminhos, desdobrados pela consciência humana, em sua tentativa de compreender ospoderes macrocósmicos em termos de valores microcósmicos. O ocultismo no Ocidente, entretanto, vem sendo dominado porinterpretações que somente tomam em consideração o aspecto positivo deste grandesímbolo. O outro lado, o negativo (6), ou avesso da Árvore, tem sido mantido velado emaliciosamente ignorado. Mas não existe dia sem noite, e o SER, Ele mesmo, não existesem referência ao NÃO-SER, do qual é a inevitável manifestação. Qualquer alusão a este aspecto da Árvore da Vida e seus Ramos tem sidoclassificada sob oprobiosos cabeçalhos ou relacionados ao infernal domínio dos Qliphoth, omundo das “cascas” ou “sombras”, que não é outro senão nosso mundo, tal como oconhecemos, sem a Luz transformadora da Consciência Mágica. Assim sendo, a total Iniciação não será possível sem o entendimento dos CaminhosQliphothicos, que são, na prática, tão reais quanto a sombra de qualquer objeto iluminadopelo sol. Em outras palavras, os Caminhos Luminosos de Horus, os Caminhos que ohomem tem projetado para conectar as Zonas-de-Poder Cósmico (Sephiroth) com suaprópria consciência, possui suas contrapartes nos Túneis de Seth, uma obscura teia, ounoturna rede de Caminhos, cuja existência é ignorada por esses que são incapazes deperceber a total complexidade da Árvore, mas percebida mesmo àqueles que atingiram seusmais baixos Ramos. É falso e fútil imaginar uma moeda com somente uma face. Pessoasque assim tentam imaginar, jamais poderão descobrir os segredos do Universo que, narealidade, são os seus mesmos segredos. Somente depois de dominar o mundo das sombrasdentro de si mesmo, na forma de arqui-demônios, luxuria, ódio e orgulho, é que o homempoderá realmente clamar-se o Senhor dos Discos Luminosos, a Sephiroth. As Sephiroth eram descritas pelos antigos Cabalistas, e por alguns dos atuais, comosendo divinas emanações do Absoluto. A Palavra Sephiroth é o plural de Sephira,significando “número” ou “emanação”. As Dez Sephiroth representam a emergência deAIN (O Nada que está além da Unidade) via a escala numérica de Um a Nove, e seuretorno ao Nada via Malkuth onde a Unidade (1) torna-se Nada (0) outra vez. Como os leitores devem ter percebido, existem certos fatos relacionados com aCabala que necessitam ser ventilados antes que possamos obter uma melhor compreensãodeste Sistema, como também para evitar andar em círculos e becos sem saída, causados por
  • 4. distorções e deturpações que, num passado não muito remoto, impediram o avança daevolução humana, neste particular assunto nos últimos dois mil anos. Contudo é necessário alertar que estes erros não ocorreram de acidentes fortuitos,mas sim provocados deliberadamente, fazendo parte de maquiavélico plano no qual ohomem viu-se envolvido inconscientemente. Grupos, os mais diabólicos, deturpandoalguns Arcanos, pretenderam, e ainda pretendem, usurpar não só o poder religioso, mastambém o mágico, e, através destes, manipular o destino do Planeta. Muitos questionarão oporque disso, ou melhor, qual o intuito desses que elaboraram o plano. Existem pistasespalhadas por toda nossa História, as quais os mais perceptivos, ou os de fato Iniciados,poderão Ter idéia do porque. Entretanto, como deveria se tornar obvio a esses grupos, o plano jamais teria êxitopor muito tempo, e está se desmoronando no presente AEON, malgrado os desesperadosesforços deles em mante-lo de pé. A ardilosa maquinação elaborada pela, assim chamada, A GRANDE FEITIÇARIA,falha em um detalhe: sendo a Lei da Evolução Universal perfeitamente dinâmica e elástica,ela contém várias subdivisões de desordem, de imperfeições; mas também de salvaguardas,agindo automaticamente quando a Vontade Maior é atingida pela vontade menor,interferindo além dos limites estabelecidos. Também esse assunto, sendo de suma importância para uma melhor compreensãodo Grande Quadro e, obviamente, das causas de nossos males, deve ser estudado eanalisado demoradamente. Quando isso for feito, veremos que aquela falha no plano e esses males são, elesmesmos, perfeitos exemplos do funcionamento das salvaguardas: a falha produz sofrimentoe, sofrendo, o homem busca respostas e, nessa busca, encontrará, mais cedo ou mais tarde,a chave do GRANDE ARCANO, anulando a ação nefasta daquela organização diabólica. Depois da Yoga, a cabala é o mais propalado Sistema de Iluminação no Ocidente,porém um dos menos compreendidos. Na maior parte das vezes, as pessoas interessadas nesta Ciência perdem-se noamaranhado de superstições derivadas daí. Todo o segredo, o próprio coração do Edifício Cabalístico, está contido na Árvoreda Vida; e é mediante o certo e adequado uso desse glifo que conseguimos atinar comrealidades subjacentes a toda complicação que a Cabala pode parecer aos menosesclarecidos. A Árvore da Vida simboliza o inteiro Universo (Macro e Micro), umaproposição tão vasta em suas implicações que muitos chegam a duvidar da existência de umtal simbolismo. A Árvore é um diagrama composto por dez esferas chamadas Sephiroth, e vinte eduas linhas conectando estas esferas, e que se chamam Caminhos. Normalmente a Árvore é
  • 5. mostrada em duas dimensões, mas também existem representações em que ela aparece emtrês dimensões. Existem dois métodos básicos de consecução espiritual baseados no uso direto daÁrvore da Vida: MEDITAÇÃO e RITUALISMO. Seguindo esses dois processos, o homemlogrará atingir o Coração da Árvore, o Centro Crístico Nele Mesmo – TIPHARETH – ondeterá a Visão e Conversação do Sagrado Anjo Guardião (ADONAI, no linguajar cabalístico)sendo das mais transcendentais experiência que o homem pode ter. Os dois métodos acima referidos – meditação e ritualísmo – na realidade são um, efundamenta-se na mais rigorosa disciplina interna e externa (disciplina mágica), cujafinalidade é obter o completo controle do princípio pensante, o RUACH. Com essafaculdade sob controle, o Aspirante exalta gradualmente seu ser por várias técnicasritualísticas: invocações, evocações, vibração dos nomes divinos, identificação com asimagens telesmáticas ou místicas, adoração, entrega, etc. No final ele percebe que todas astécnicas perfazem UMA SÓ. Assim trabalhando, ele transcende o que ele é no atual, ou melhor, o que ele pensaser, ascendendo pelas SEPHIROTH até atingir (teoricamente) KETHER. Esta subidarealiza-se pela COLUNA DO MEIO, ou o CAMINHO DO MEIO, isto é, a Coluna Centralda Árvore, formada por MALKUTH, YESOD, TIPHARETH, DAATH e KETHER. NoSistema Oriental isto equivale ao Canal Shushuma, por onde eleva-se KUNDALINI. NaTradição Greco-Romana, o Caduceu de Hermes (Mercúrio-Toth) é o símbolo do segredo,tanto quanto a Serpente de bronze erguida por Moisés no deserto. Evidentemente, pode-se usar os outros Caminhos laterais, as duas Colunas laterais,que na maçonaria recebem os nomes de BOOZ e JACHIN (7).Antes de usar os métodosprescrito pela Cabala prática, o Aspirante deverá lograr perfeito conhecimento dos diversosNomes Divinos, posições relativas das Sephiroth e, ispso facto, no seu próprio veículopsicossomático, atribuições simbólicas, ligações (Caminhos), relações com outros sistemas,cores atribuídas a cada Sephira e a cada Caminho nos Quatro Mundos, etc. Como dito porEliphas Levi: “é um brinquedo de criança e um trabalho de gigante”. Após estas considerações, o Aspirante procederá à meditação que, diferentementedaquela do Yoga, é essencialmente dinâmica, consistindo naquilo que vulgarmente sedenomina Viagem Astral, usando como referências para a ‘viagem’ aqueles símbolos,nomes, cores, imagens, etc. A ritualística requer, por parte do Estudante, preparações externas e internas,principalmente um profundo desejo em realiza-la. A construção do Círculo Mágico torna-seimprescindível nesta fase inicial, e nenhum magista de bom senso o descartará, sob risco dese tornar presa de forças desequilibradas. Dentro do Círculo, o magista traçará figurasgeométricas correspondentes à Sephira com a qual deseja trabalhar, e outros símbolosadequados como cores, nomes divinos, perfumes, etc. Exemplo: digamos que ele decidatrabalhar com GEBURAH. Esta Sephira, a Quinta, tem estreita relação com Marte, Horus,Thor, etc. (8). Sua cor é o vermelho, e a estrela de cinco pontas seu símbolo máximo. OMagista então, traçará um pentagrama no interior do círculo e, na circunferência usará os
  • 6. nomes divinos apropriados. O pentagrama terá a cor vermelha e o círculo será verde (corcomplementar), etc. Colocando-se no centro do círculo, o Magista procederá às invocaçõesou evocações, e usará seu corpo astral para tal fim. Assim descrito, o processo, parece fácil. Mas ele requer um perfeito entendimentodo que se está fazendo, perfeito controle sobre seus aspectos mais inferiores, perfeitaconcentração, tempo, dedicação, exaltação de todo o ser do magista, etc. Outro método para se obter os mesmo resultados é chamado de Identificação. É ométodo do místico. O livro “Exercícios Espirituais” de Inácio de Loyola, é um dos textosmais perfeitos que trata do assunto e deve ser estudado com seriedade. Para melhor visão do que agora vai ser dito, devo lembrar que as Três SephirothSupernas (Kether, Chokmah e Binah) encontram-se separadas das demais por uma espéciede “vazio” chamado ABISMO, UMA VERSÃO DO VÉU DE PAROKETH num planomais elevado. A Árvore da Vida, sendo normalmente figurada com as Dez Sephiroth conhecidas,na realidade, como já dito, possui ONZE, embora a décima primeira – Daath – seja citadapelos Cabalistas como uma falsa Sephira, porque ela não possui, por assim dizer, lugar noesquema da Árvore. Na realidade ela está “fora” da Árvore se olharmos o problema sobcertos aspecto. Um dos significados dados a Daath é “CONHECIMENTO”. Em um aspecto, estaSephira é o fruto de Chokmah e Binah; em outro, é a Oitava Cabeça do Dragão, elevadaquando a Árvore da Vida foi “arruinada” e o Macroposopus (Grande Face) colocou aEspada Flamejante contra o Microposopus (A Pequena Face). Por permutação, DOTH(Daath) equivale a OthD, outra palavra hebraica para CARNEIRO ou BODE; também é onúmero da palavra DUO (Dois). O DUPLO ou DUBLE é a imagem, boneco, ou SOMBRA,velado pelos antigos egípcios pelo TAT que equivale a Doth. Daath também é o Palácio deCHORONZON, o Guardião do Portal do Abismo. Unindo estes vários significados, vemosque o Conhecimento de Daath, ou “Morte” (Death, em Ingles), é de natureza do Segredoda DUALIDADE, representada pela Sombra ou Duble Mágico, através do qual o homemsobrepuja a morte, penetra pelo Portal de Daath e explora o Palácio de Choronzon, oDeserto de Seth. Daath, como fruto de Chokmah e Binah (10), está atribuída a URANUS, que indicaa natureza altamente explosiva deste Conhecimento. Netuno, assim como Chokmah, é umaforma de Hadit; e Saturno, da mesma forma que Binah, é uma forma de Nuit. EsteConhecimento, portanto, é o Conhecimento da Vida e também o é da Morte e, como tal,sugere a natureza sexual da fórmula. No Sistema Oriental dos Chakras, Daath está atribuída ao Centro Laríngeo (OCentro da Palavra) – VISHUDA. Este centro representa a fala, mas a PALAVRA, no seusenso oculto da Verdadeira VOZ (MAKHERU), somente pode ser pronunciada por umMAGUS, cuja natural Casa é a Segunda Sephira, Chokmah. O II (dois) e o 11 (onze)
  • 7. encontram-se, assim, em Daath, a Esfera de Conhecimento, pois Conhecimento somente épossível onde a dualidade (dois, duo, II, 11) prevalece. Daath é uma Porta. Nós sabemos que a letra DALETH, o número 4, significa“Porta” e está atribuída a Vênus, a Deusa do Amor Sexual, como a Porta de toda vidamanifestada; e a Porta Venusiana está simbolizada por uma VESICA (KTEIS). Para alcançarmos Kether, a Suprema Coroa, urge ultrapassarmos o Dualismo, isto é,Conhecimento, e isto torna-se difícil enquanto possuímos um ego. Esta passagem, estetranscender, conhecido como A ATRAVESSIA DO ABISMO, quer dizer ultrapassar adualidade, o ego. Lá, do outro lado, se é que podemos usar tal expressão, não existem ospares de opostos, tais como preto e branco, alto e baixo, luz e trevas, frio e quente, etc. Láé a morada de NEMO (Nenhum Homem). Lá, TUDO É UMA SÓ E ÚNICA COISA, OUM INDIFERENCIADO. No transe da passagem do Abismo, situa-se o maior e mais terrível medo do egohumano. Pois, para transcender o Abismo e atingir as Supernas, ele terá que ser destruído>“Se não te tornares outra vez uma criança e voltares ao útero de tua mãe, não verás o Reinodos Céus”. Isto pode, a grosso modo, ser colocado em termos da Segunda morte da teologiaromana.” Apresenta-se também como um dos paradoxos do Caminho Iniciático; o ego, apósincríveis dificuldades para se aperfeiçoar, tem que ser destruído. Torna-se, portanto,compreensível que aquela parte do homem em mudança tema deseperadamente e se rebelecontra o fato, e procure algo que explique o paradoxo em termos racionais. Não podendoencontrar explicações, atribui logicamente que sua penas sejam provocadas por algumaforça maligna, destrutiva e oposta à divindade. Porém, o Universo não pode ser explicadoem termos da razão, ou do intelecto, pois, tanto a razão quanto o intelecto, trabalham sob opoder da dualidade, que é uma mentira no Drama Universal. “A loucura de Deus é maissábia que a sabedoria dos homens”. Usando um pouco de poesia, poderíamos afirmar que a beleza de uma árvore, aharmonia nela existente, está na manifestação total de seu conjunto, isto é, seus ramos,flores, frutos, tronco e suas RAÍZES, muito embora sejam estas últimas invisíveis ao olhardo observador superficial e desatento. Entretanto, sem a raízes, a árvore não se manteriacompleta e de pé. As raízes estão profundamente mergulhadas na terra negra, no seio daMãe, do mesmo modo que todo edifício possui seus alicerces fortemente estabelecidos sobo solo; e quanto mais profundo for este alicerce, esta base, mais alta e mais firme estará aestrutura edificada. Pensem nisto... É patético que qualquer referência ao aspecto avesso ou negativo da Árvore da Vidatenha sido identificado com o “reino do Diabo”. Somente broncos ou maliciosos possuemessa religiosidade tão primitiva. Sob o ponto de vista iniciático, que é o único que nos interessa no momento, ohomem não se encontra em Malkuth, mas sim nos Qliphoth. Sob esse mesmo ponto devista, não haverá total e completa Consecução Espiritual sem o direto contato e domínio
  • 8. dos, assim chamado, Reis do Edon (Qliphoth). Necessitamos compreender que os Qliphothsão partes integrantes e inseparáveis do conjunto da Árvore da Vida, da mesma forma quenosso anus e nosso pênis (ou vagina) fazem parte de nosso corpo e que estaremos mal desaúde se estas partes não executarem suas funções biológicas livremente. Os Qliphoth são aoutra face das Sephiroth, e estas duas faces constituem, usando um velho clichê, uma sómoeda. Qualquer estudante (seja mação, teósofo, etc.) que escolhe (na verdade o mação nãotem escolha) o Sistema Cabalístico, ou qualquer outro sistema para seu trabalho oculto,forçosamente encontrar-se-á com os Qliphoth, pois não existe qualquer maneira de evitá-lo.Na própria fábula romana, Jesus teve que descer aos Infernos... O acima dito não quer significar em absoluto existirem duas Árvores da Vida, umasuperior, sob o comando de “deus”, e outra inferior sob o comando do “diabo”. A filosofiamaniqueista copiada pela Igreja Romana foi uma dessas superficiais tentativas deinterpretar os fenômenos do Universo. Não existe Bem e Mal absolutos em constante lutapela posse do Cosmo. Uma “lado negro” da força, combatendo um “lado branco”, éassunto onde toda a superstição e deturpação da teologia ocidental é manipulada parareforçar o plano da Grande Feitiçaria. Isis, Seth, Osiris, Typhon e Horus são manifestaçõespersonalizadas de uma só e Única Energia. Somente após pleno conhecimento e domíniodessas forças amorais (nem morais e nem imorais) existentes dentro de nós mesmos – sob aforma de deuses, demônios, anjos, etc. – é que o ser humano transcenderá as condições domundo onde tem sua atual existência, tornando-se, ele Mesmo, Um com a Divindade, umMestre dos Mistérios. Lidar com os Qliphoth constitui perigo na medida que não haja clara perspectiva doassunto. Independente disso, devemos entender que tudo é projeção de nossas mentes, queo Universo espelha esta mente com seus sonhos, temores, alegrias, medos, tristezas,ambições, etc. Luta e perigo existem em todas as partes. Existe perigo até no atravessar deuma rua, mas nem por isso deixamos de atravessa-la. Se o Universo não se apresentasse sob esse dinamismo, sem esses desafios, sem estaexcitação, sem os incentivos naturais, não haveria evolução. O Universo é um FLUIRETERNO. Não existe tal lugar como o céu católico romano ou protestante, estático, onde sedescansa indefinidamente cercado de anjos tocando harpas, e mil virgens cantando. Quecoisa sem cor... Iniciar-se é viajar internamente nos mais profundos estratos da Alma, entrando emcontato com tudo que existe, dentro e fora de nós. Isso chama-se Bodas Químicas. Todoocultista que evita essa salutar viagem, esse salutar casamento, essa união com as EnergiasCósmicas, está, obviamente construindo castelos de areia. Os Qliphoth, tais como as Sephiroth, são partes e “artes” de nós mesmos. Portanto,além de tolice, é impossível fugir do encontro com as regiões as quais, na realidade,estamos constantemente em contato.
  • 9. A partir do momento em que o homem opta pelo Caminho da Iniciação,automaticamente tem começo o processo do despertar dessas energias, bem como elasiniciam o trabalho para o qual foram destinadas. Ao darmos exagerado valor ao perigonesses Caminhos, despertamos o medo, e o medo constitui, por si só, a maior barreira noCaminho da Iluminação. É estupidez o temor à morte, à loucura, ou à perda da Alma. Alenda que diz ser possível vender a Alma ao diabo é pura tolice, invencionice de mentesdesequilibradas. Mesmo admitindo-se a existência de um tal ser, o homem não poderia, emhipótese alguma, vender sua Alma, pois ela é UNA COM A DIVINDADE que se manifestasob a máscara da personalidade destinada a desaparecer pelo processo iniciático. A Alma,parte divina do homem, jamais pode ser destruída. No decorrer de suas vidas, a maioria das pessoas jamais se deu conta de que, muitoalém do Universo dos processos mentais considerados normais, existem outros tantosUniversos completamente desconhecidos por nossa parte consciente, contendo em simesmos mundos tão vastos e tão amplos, que tona-se difícil falarmos deles, oudescrevermos suas dimensões, sem recorrermos a um exótico linguajar simbólico. A chavedeste linguajar vamos encontrar na CABALA. Lograr o inefável prazer de abordar aquelas paragens