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Jornal O Engenheiro - Alexsandro Teixeira Ribeiro

  1. 1. www.senge-pr.org.br Impresso Especial 3600139608 - DR/PR SENGE CORREIOS Jornal do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Paraná Ano 18. Número 98. Janeiro/Fevereiro de 2009 Transporte público Para onde vamos? Alexsandro Teixeira Ribeiro Sindicato obtém Desde a drástica redução de investimentos públicos que assolou aumentos reais o Brasil a partir dos anos 1980, nunca se falou tanto em melhorar em 90% das o transporte coletivo. Antes rele- gado a única opção de desloca- negociações mento dos mais pobres, o trans- porte público agora é apontado salariais de 2008 como a salvação de cidades com sistemas viários a um passo da Levantamento do Dieese mos- saturação. Às vésperas do lança- tra também que reajustes acima da mento do metrô de Curitiba e em inflação tiveram percentuais meno- meio a desentendimentos entre es- res que em 2007. tado e prefeitura, Senge-PR abre + Copel: Senge-PR cobra + debate sobe o assunto. reajuste do piso após aumento do salário-mínimo Ippuc: Curitiba Páginas 19 e 20 demanda metrô desde 1981 Veja fotos do jantar Em entrevista, presidente do de confraternização órgão de planejamento urbano da capital diz também que metrô só do Dia do Engenheiro é viável se governo federal pagar Leia textos vencedores do por boa parte da obra. concurso “Causos da Engenharia” Páginas 10 a 14 Comec: estado só investe se houver ECONOMIA consórcio de transporte Juros da dívida rendem a “Projeto do metrô só terá pouco mais de 20 mil sustentabilidade se for discutido famílias 18 vezes mais por uma instância regional, que dinheiro que tudo o que é hoje não existe”, diz Alcidino gasto com o Bolsa-Família Bittencourt. Crise econômica: todos Sociedade deve vamos pagar pela estupidez ficar com lucros da de alguns poucos operação do metrô Índice de Gini: Ipardes “É preciso evitar a conhecida responde questões do fórmula de socializar custos e pri- Senge-PR sobre indicador vatizar lucros”, diz Valter Fanini, da desigualdade social presidente do Senge-PR. Páginas 15 a 18 Ônibus e carros presos em engarafamento na Marechal Deodoro, Centro de Curitiba Páginas 3 a 8 Janeiro/Fevereiro de 2009
  2. 2. www.senge-pr.org.br Carta do presidente SINDICATO DOS ENGENHEIROS NO ESTADO DO PARANÁ SENGE-PR A chance desperdiçada Filiado à Diretor-Presidente Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros Valter FANINI “A manutenção da atual política a quem oferecemos o sacrifício do Vice-Presidente Ernesto Galvão Ramos de CARVALHO de controle da inflação gerará estag- desenvolvimento de um país ainda Diretor-Secretário nação econômica, aumento do de- pobre, monstruosamente injusto. Ulisses KANIAK semprego, maior concentração de Como disse, em dezembro, Diretor-Secretário Adjunto Marcos Valério de Freitas ANDERSEN renda e aumento da dívida pública, pouco após o eclodir da crise, a Diretor Financeiro tendo como perdedores o trabalha- economista Maria da Conceição LÍdio Akio SASAKI dor brasileiro e o capital produtivo. Tavares, o Copom, o BC, torna- Diretor Financeiro Adjunto Jorge Irineu DEMÉTRIO Os ganhadores serão os banqueiros, ram-se irrelevantes. Em entrevista especuladores e agiotas, além de al- à Agência Carta Maior, ela dizia Diretores Valter Fanini ADRIANO Luiz Ceni Riesemberg, Antonio Cezar Quevedo guns políticos por eles financiados. que o Brasil não pode mais contar GOULART, CLEVERSON de Freitas, CLODOMIRO Onésimo da Se esse processo é ilógico e resultará em desas- com o BC. “A intransigência tornou o BC Silva, Décio José ZUFFO, DIMAS Agostinho da Silva, GISLENE Lessa, Joel KRUGER, José da Encarnação LEITÃO, tres ainda maiores que os já provocados, então irrelevante para o País, essa é a verdade; e LEANDRO Alberto Novak, Luiz Antônio CALDANI, por que optar por ele?” isso é uma marca grave. O BC brasileiro é MARGIT Hauer, PAULO SIDNEI Carreiro Ferraz, ROLF Gustavo O parágrafo acima é parte de um artigo um ponto fora da curva mundial. Um estorvo, Meyer, SANDRA Cristina Lins dos Santos, Sérgio Roberto CAVICHIOLO Franco, Victor Barnech CAMPANI, WILSON Uhren que publiquei, neste jornal do Senge-PR, edição uma peça menor no esforço do governo para Sede Rua Marechal Deodoro, 630, 22.º andar. de abril e maio de 2004 — quase cinco anos defender o País contra a recessão. Simples- Centro Comercial Itália (CCI). CEP 80010-912 atrás, portanto. Faço questão de reproduzí-lo mente, não se pode mais contar com essa Tel./fax: (41) 3224 7536. senge-pr@senge-pr.org.br agora que o Comitê de Política Monetária do gente para nada. Na verdade, eu já não espera- Banco Central finalmente baixou os juros em va nada desse grupo de interesses. Hoje, nem Diretores Regionais Roberto Menezes MEIRELLES (Campo Mourão) um ponto percentual. Ouviram-se comemora- indignada eu fico; me dá cansaço”, disse ela. HÉLIO Sabino Deitos (Cascavel) ções; mas devemos mesmo é lamentar. Porque ROGÉRIO Diniz Siqueira (Foz do Iguaçu) A partir da página 3 desta edição, publicamos ORLEY Jayr Lopes (Francisco Beltrão) a decisão veio muito tarde. Graças à ortodoxia WILSON Sachetin Marçal (Londrina) um extenso, profundo debate sobre os desafios do Copom, perdemos a chance de um salto SAMIR Jorge (Maringá) do sistema de transporte coletivo da Grande Carlos SCIPIONI (Pato Branco) muito maior em crescimento e redução das Curitiba — e, por extensão, de todas as regiões desigualdades sociais nos últimos cinco anos. Campo Mourão Avenida Capitão Índio Bandeira, 1400, metropolitanas e grandes áreas urbanas do sala 607, Centro, 87300-000. Mas crescemos, argumentarão alguns — País. Ouvimos Augusto Canto Neto, então Tel./fax: (44) 3523 7386. campomourao@senge-pr.org.br o governo federal, principalmente. É fato. Mas ainda presidente do Ippuc — ele deixou o Cascavel Rua Paraná, 3056, também é fato, é líquido e certo, que teríamos sala 703, Centro, 85801-000. cargo em janeiro, numa reforma do secreta- crescido muito mais se nossa economia não Tel./fax: (45) 3223 5325. cascavel@senge-pr.org.br riado municipal — e o coordenador da Região tivesse a gigantesca amarra da maior taxa de Foz do Iguaçu Rua Almirante Barroso, 1293, Metropolitana de Curitiba no governo estadual, juros real do mundo. loja 9, Centro, 85851-010 Alcidino Bittencourt Pereira. Tel./fax: (45) 3574 1738. fozdoiguacu@senge-pr.org.br Agora que a crise contaminou o mundo, Ambos tiveram todo o espaço para tecer Francisco Beltrão Rua Palmas, 1800, ouve-se em terras tupiniquins empresários, argumentos e análises sobre o caso. Canto loja D, Centro, 85601-650. analistas econômicos — esses ainda vassalos Tel./fax: (46) 3523 1531. franciscobeltrao@senge-pr.org.br Neto deu detalhes sobre o metrô curitibano, do pensamento único, da verdade suprema e que finalmente deve sair do papel, mas ainda Londrina Rua Senador Souza Naves, 282, divina do Consenso de Washington — advo- sala 1001, Centro, 86010-170. carece de muita discussão e debate. Num garem a redução de direitos dos trabalhadores Tel./fax: (43) 3324 4736. londrina@senge-pr.org.br artigo que começa na página 4, ofereço minha como forma de manter empregos. Maringá Travessa Guilherme de Almeida, 36, contribuição, pois é um tema muito caro a Não poderiam ser mais cínicos. Tivessem cj.1304, Centro, 87013-150. mim, já que, como engenheiro da Comec, Tel./fax: (44) 3227 5150. maringa@senge-pr.org.br mais independência e capacidade de análise, e coordenei inúmeros trabalhos na área de trans- Pato Branco Rua Guarani, 1444, apontariam o dedo acusador para a irrespon- porte metropolitano, entre eles o Programa sala 1, Centro, 85501-050. sável política monetária brasileira. Já são quase Tel./fax: (46) 3225 2678. patobranco@senge-pr.org.br de Integração do Transporte (PIT). 15 anos de política imutável, alicerçada nas metas de inflação absurdamente perseguidas Você dever ter percebido que o jornal O unicamente pela via monetária — ou seja, pela Engenheiro está diferente na apresentação taxa de juros. O custo disso para trabalhadores, visual. Esta edição consolida mudanças Publicação bimestral do Sindicato capital produtivo, para o desenvolvimento iniciadas no último número, elaboradas pela dos Engenheiros no Estado do Paraná nacional, é incalculável. nossa equipe de comunicação com o auxílio Editor-responsável Rafael Martins (Reg. Prof. 3.849 PR) Deixamos de criar empregos, realizar de um planejamento que contratamos para a Editor-assistente Alexsandro Teixeira Ribeiro grandes obras de infra-estrutura, de realmente área. A intenção é tornar a leitura mais leve e Fale conosco comunica@senge-pr.org.br melhorar sistemas públicos de saúde e educa- agradável. Esperamos ter conseguido atingir Artigos assinados são de responsabilidade dos autores. O Senge-PR permite a reprodução do conteúdo deste ção. São prejuízos que talvez nunca consigamos esse objetivo. E, é claro, esperamos também jornal, desde que a fonte seja citada. dimensionar de fato. Tudo em nome das metas ouvir suas críticas e sugestões sobre a Fotolitos/impressão Gráfica Exatha de inflação e do superávit primário, os deuses mudança. Tiragem 12 mil exemplares 2 O Engenheiro n.º 98
  3. 3. www.senge-pr.org.br Transporte público A hora da verdade Com sistemas viários a um passo da saturação, grandes cidades brasileiras voltam os olhos para o transporte público. Senge-PR abre debate sobre o tema, às vésperas do lançamento do metrô de Curitiba, e chama a atenção para questões pouco discutidas até agora O transporte público de passageiros entrou de- estruturas de transporte coletivo.Asolução usual (PSDB) prometeu começar as obras do metrô finitivamente na lista de prioridades das metró- era o endividamento financeiro interno e externo. em pouco tempo, mas a sua implantação está poles brasileiras. Uma das grandes vítimas do Curitiba, cantada como exceção num triste ainda na fase de projetos. esvaziamento do setor público e da drástica redu- cenário, não foi exceção. Organismos internacio- A possível vinda da Copa do Mundo de 2014 ção do nível de investimentos que se instalou no nais como o Banco Interamericano de Desen- à cidade pode apressar as obras — mas ao País nos anos 1980, o transporte público ganha volvimento e o Banco Mundial financiaram boa mesmo tempo atropelar uma discussão mais nesta primeira década do século 21 a atenção parte das mudanças implantadas na rede de profunda sobre o modelo a ser adotado, sob a de quem raramente utilizou-o até então. transporte coletivo — outra parte do dinheiro justificativa de que não há tempo para isso. E Encalhada nos monstruosos conges- sobram questões a discutir. Qual será, tionamentos das grandes cidades, a por exemplo, o papel das classe média brasileira parece ter empresas privadas que tido tempo para refletir e concluir atualmente operam o que ônibus, metrô e trens transporte cole- metropolitanos podem tivo? Quem fi- resolver seus cada nancia as o- vez mais graves bras? Na Gran- problemas de de Curitiba, o mobilidade. cenário não é me- Antes a única nos complexo. Um alternativa de terminal de ônibus mobilidade dos em Colombo, Gua- brasileiros de raituba, novo em fo- baixo poder lha, passou meses aquisitivo, o fechado, juntando transporte urbano brasi- pó, fruto de uma leiro tem pela frente um desafio monu- lamentável pen- mental — crescer em quantidade e qualidade, saiu dos Ilustração: Alexsandro Teixeira Ribeiro denga entre a Urbs atraindo passageiros que hoje se deslocam em cofres da Caixa — empresa da pre- automóveis particulares. e do BNDES. feitura de Curitiba que administra o transporte A avassaladora onda neoliberal que chegou Na Grande Curitiba, não foi diferente. Cerca coletivo — e a Comec. Pelo mesmo motivo, o ao Brasil nos anos 1980 desmontou os meca- de 90% da infra-estrutura que sustenta a opera- terminal de Roça Grande, também em Colombo, nismos federais de financiamento do transporte ção do sistema de transporte metropolitano fo- segue fechado.Aqui, também, há muito a discutir. coletivo, matando o Fundo Nacional de Desen- ram construídos com dinheiro de empréstimos Qual é o modelo estratégico do transporte para volvimento Urbano e a Empresa Brasileira de nacionais e internacionais, contratados a partir a Grande Curitiba? Qual o papel do estado e Transportes Urbanos. Era o começo do des- de meados dos anos 1980 pela Coordenação das prefeituras? monte do Estado — o preço da política econô- da Região Metropolitana de Curitiba (Comec). Para iniciar um debate sobre o assunto, o mica ditada pelo Fundo Monetário Internacional Sem uma política nacional bem estruturada, Senge-PR entrevistou em dezembro o então (FMI), a quem o Brasil se subordinara na e sem uma fonte de recursos específica, a presidente do Instituto de Pesquisa e tentativa de resolver a crise em seu balanço de evolução do transporte coletivo urbano não Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Au- pagamentos, tornada insustentável pelo choque acompanhou a demanda. Em Curitiba, o eixo gusto Canto Neto, e o coordenador da Região do petróleo da década de 1970 e pela alta dos Norte-Sul do transporte coletivo transporta 450 Metropolitana de Curitiba no governo do estado, juros nos EUA. mil passageiros por dia em ônibus biarticulados Alcidino Bittencourt. Leia também artigo do A partir daí, as cidades brasileiras se viram — quando 150 mil pessoas já justificam a presidente do Senge-PR,Valter Fanini, que iniciou perdidas sempre que precisaram de dinheiro e implantação de um sistema de alta capacidade a elaboração do Programa de Integração do assistência para manter ou ampliar suas como o metrô. O prefeito reeleito Beto Richa Transporte (PIT) da Grande Curitiba. Ilustração: Alexsandro Teixeira Ribeiro Janeiro/Fevereiro de 2009 3
  4. 4. www.senge-pr.org.br um sistema de metrô. O segundo, não menos Metrô de Curitiba: poderoso, é o lobby que pressiona pela manutenção do ônibus como modal exclusivo de transporte na Grande Curitiba — mesmo por que a sociedade com os fatos que apontam para o esgotamento de sua capacidade. Quem quer que mergulhasse nas atividades de tal lobby provavelmente encontraria reunidos não fica com o lucro? os empresários que operam o sistema, fabrican- tes de ônibus e carrocerias, alguns técnicos e urbanistas. Colocando a paixão e a vaidade acima da razão, defendem o modelo que criaram, veem o transporte sobre pneus em corredores Valter Fanini, presidente do Senge-PR, analisa a exclusivos de forma dogmática, vendem mundo evolução do sistema do transporte coletivo de afora a ideia de que criaram uma modalidade de transporte urbano capaz de superar qualquer Curitiba e vê uma boa nova na chegada do metrô. outra em quaisquer condições, em qualquer cidade do planeta. Verdade é que tal lobby até Mas operação privada pode repetir problema do bem recentemente impediu que sequer se pedágio nas rodovias, alerta cogitasse a implantação do metrô nos corredores de transporte de Curitiba. É inegável que a que autorizou o adensamento urbano ao longo A atual administração do município, prefeitura de da rodovia e batizou-a de Eixo Metropolitano reconheça-se, começou a remover tais barreiras Curitiba, a partir — que agora a prefeitura transforma numa em 2005, quando a prefeitura e a Companhia dos anos 1970, avenida, rebatizada Linha Verde. Entretanto, a Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) realizaram estruturou uma ampliação do número de usuários de automóveis estudos de viabilidade técnica e econômica da eficaz rede de transporte coletivo de passageiros nos últimos anos complicou as tentativas de implantação de uma linha de metrô de 22 por ônibus. Para isso, pôs em marcha uma se- deslocar parte dos passageiros que viajam em quilômetros no corredor norte-sul. O estudo qüência de intervenções que resultou no que corredores de ônibus já saturados para o sistema demonstra o óbvio — que o metrô no corredor hoje é a Rede Integrada de Transporte (RIT) viário compartilhado com o automóvel. norte-sul é altamente viável tanto do ponto de — ainda vista como referência no País e mesmo A explosão na frota de carros de Curitiba vista técnico, de engenharia, como no aspecto fora dele. É também inegável que em alguns tornou muito onerosa a operação dos ônibus que econômico, e traz enormes vantagens à momentos tais intervenções se anteciparam à compartilham as vias — caso das linhas estruturação da cidade. demanda e solucionaram questões operacionais convencionais, interbairros O anuncio da implan- do transporte. Tome-se como exemplo a e dos ligeirinhos. Isso tação do metrô no corredor introdução dos corredores exclusivos para obrigou o retorno da “Em vez de reproduzir a norte-sul é um primeiro e im- ônibus, em 1974, quando ainda não havia estratégia de concentrar a conhecida fórmula de portante passo. Ele repre- competição severa por espaço entre o transporte oferta de transporte em socializar custos e senta um compromisso polí- coletivo e os automóveis. corredores, utilizadas nas privatizar lucros, em que tico da atual administração Ainda assim, sabem todos aqueles que décadas de 1970 e 80, o poder público constrói em romper com as forças discutem as questões do transporte na Grande como maneira de reduzir que pretendiam eternizar os Curitiba que, já em meados da década de 1990, o conflito com o transporte o metrô e a iniciativa ônibus como modal exclusi- o modelo operado exclusivamente por ônibus individual e aumentar a privada fica com a vo do transporte coletivo na chegara ao limite de sua capacidade em seus velocidade média do receita da operação, por Grande Curitiba. No entan- principais corredores. O sistema não acom- sistema. Abandonou-se que a sociedade não to, há duas questões no hori- panhara o rápido crescimento demográfico de assim, a ideia de descon- zonte — quem irá financiar Curitiba e dos municípios do entorno. centração inaugurada com pode assumir a as obras e de que forma o Novas intervenções, como os ônibus a implantação das pri- responsabilidade de metrô será operado. ‘ligeirinhos’, que operam fora das canaletas meiras linhas do ligeirinho. implantar o sistema e Pelo alto custo da im- exclusivas e atendem deslocamentos de longo E tornou-se obrigatória a administrá-lo com uma plantação e pela abrangên- percurso, e a entrada em operação dos utilização de modelos de cia territorial, os metrôs de empresa pública de biarticulados, deram sobrevida aos corredores alta capacidade, notada- todas as metrópoles brasi- radiais de transporte operados por ônibus. mente o metrô. abrangência leiras são responsabilidade Em 2000, surgiu a ideia de se implantar um Aqui, é oportuno lem- metropolitana?” solidária das três esferas do corredor de ônibus ao longo do trecho urbano brarmos que a adoção do Poder Executivo. Ou seja da BR-476 (antiga BR-116). Aideia era retirar transporte sobre trilhos nos corredores de — União, governo do estado e prefeitura devem do corredor Rui Barbosa/Pinheirinho os Curitiba sempre teve grandes adversários. O unir forças para tirar do papel um projeto desse passageiros que saíam do extremo sul do trecho primeiro deles, sem dúvida, é a falta de recursos porte. Curitiba, até agora, é notável exceção. com direção ao Centro da capital. Aisso seguiu- financeiros para a execução de intervenções Anuncia-se, por enquanto, uma parceria entre se uma mudança no zoneamento da BR-476, de grande porte, inescapáveis na construção de o município e o governo federal nas obras civis 4 O Engenheiro n.º 98
  5. 5. www.senge-pr.org.br e na construção da via permanente, e a entrada do setor privado no fornecimento dos trens — o que indica que a operação do metrô curitibano será privada. Cidade tem demanda por metrô desde Causa estranhamento a ausência do governo do Estado do Paraná nesse empreendimento, já que o metrô faz parte do conjunto de infra- estruturas de interesse metropolitano. Ou seja — ele terá impacto no transporte de toda a Região Metropolitana de Curitiba. Além disso, o modelo privado de operação pode reproduzir o que vemos nas rodovias 1981, diz Ippuc paranaenses — em que a sociedade arcou com os custos de implantação das vias e o setor Em entrevista concedida em dezembro, privado tomou para si a exploração dos serviços, Augusto Canto Neto, então presidente do órgão num processo de espoliação financeira que ocorre a despeito da vontade de governantes, de planejamento, condiciona implantação do metrô do Poder Judiciário e da sociedade. Me parece muito mais razoável e bem me- a financiamento a fundo perdido do governo federal nos arriscado para a comunidade que a implan- tação total do metrô fique a cargo do município O eixo Norte- 160 mil pessoas transportadas por dia no eixo de Curitiba, do governo do estado e da União, e Sul do transporte Norte-Sul. E a conta é essa, no mundo todo que a operação seja pública. Para isso, temos a coletivo de Curi- — com mais de 150 mil passageiros por dia Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), tiba tem passa- um sistema de metrô já é viável. Hoje, temos que já administra a operação do transporte na geiros suficientes para tornar viável a implan- 750 mil. Tivemos capacidade para manter o Região Metropolitana. tação de uma linha de metrô desde 1981, afirma sistema como referência, até aqui, sem o Com recursos a fundo perdido da União, o engenheiro civil Augusto Canto Neto. Então metrô. Mas não será qualquer duplicação que estado e município para a implantação, o metrô presidente do Instituto de Pesquisa e vai suprir a necessidade que temos agora. A no eixo Norte-Sul terá alto retorno financeiro Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), evolução do eixo é o metrô. E temos vantagem apenas com a tarifa cobrada dos usuários. Tal Canto Neto falou a O Engenheiro no final sobre São Paulo, por exemplo — aqui a rentabilidade pode ser usada como subsídio de dezembro. população já está nos eixos de transporte. Só cruzado no sistema, cobrindo áreas de operação “Já em 1981, (o então prefeito) Jaime temos que dar (ao passageiro) conforto, deficitária, em vez de ser transformada em lucro Lerner (então PDT, depois PFL, hoje no velocidade e não cobrar mais caro por isso.” para empresários privados. PSB) queria o metrô. Àquela época, eram 160 Ao mesmo tempo, se faz necessário refor- mil pessoas transportadas por dia no eixo Norte- O caminho dos trens mular o papel da Urbs. Ela deve se transformar Sul. Com mais de 150 mil passageiros diários, “Quando foi feito o plano diretor, na definitivamente numa empresa de abrangência um sistema de metrô já é viável”, diz. década de 1940, definiu-se que Curitiba iria metropolitana, habilitada legalmente a gerenciar Apesar disso, Canto Neto condiciona a crescer ao longo dos eixos radiais, das vias toda a rede de transporte da Grande Curitiba. construção da primeira linha do metrô de estruturais. Hoje, 15% da população de O retorno financeiro da operação do metrô daria Curitiba a um financiamento a fundo perdido Curitiba vive ao longo dos eixos de transporte, independência financeira à Urbs, tornando-a do governo federal. “Sem que o governo que também concentram boa parte do uma empresa auto-sustentável financeiramente. federal arque com 50% do metrô, ele é inviável, comércio da cidade. Prolongados, eles se Temos diante de nós duas opções. A pois a tarifa teria de ser mais cara que a dos tornam eixos metropolitanos. Hoje, no eixo primeira é a reprodução de uma conhecia ônibus. Temos que manter o sistema integrado, Norte-Sul (Santa Cândida-Pinheirinho), formula de socializar custos e privatizar lucros, como é hoje, com uma só tarifa. E não transportamos 750 mil pessoas por dia, das em que o poder público constrói o metrô e a queremos ter de subsidiar a tarifa do metrô”, quais 450 mil estão no eixo Sul, do Pinheirinho iniciativa privada fica com os lucros da sua justifica. Segundo ele, a prefeitura já tem como ao Centro, em ônibus biarticulados. Ora, nem operação. Na segunda, vemos os poderes certa a abertura de uma parceria público- o Metrô de São Paulo carrega tantos públicos municipal e estadual assumindo privada para construir e administrar o sistema. passageiros em sua linha mais cheia.” (A conjuntamente a responsabilidade de implantar Na entrevista, Canto Neto também falou Linha 3 do Metrô paulistano transportou um sistema de transporte metropolitano e do papel do estado no planejamento e no 967 mil passageiros por dia, em média, administrá-lo com uma empresa de abrangência financiamento do metrô, da sobrevida do atual em 2007, segundo a empresa que adminis- metropolitana. sistema de transporte da capital e do desafio tra o sistema). A urgência no início das obras — que pode de atrair para os ônibus — e o futuro metrô “A Região Metropolitana está crescendo. ser agravada pela confirmação de Curitiba — quem hoje usa automóvel para se deslocar Curitiba tem um dos mais baixos níveis de como sede da Copa do Mundo 2014 — não pela cidade. Leia os principais trechos. crescimento populacional do Brasil, mas pode servir como motivo para não discutirmos Colombo, Fazenda Rio Grande, entre outras tais opções. É preciso que as discutamos O metrô chega tarde a Curitiba? cidades, não, elas crescem duas vezes mais profundamente. Pois seus impactos serão “Já em 1981, o (então prefeito) Jaime rápido que a capital, e vai continuar sendo imensos — e duradouros. (Lerner) queria o metrô. Àquela época, eram assim. Por isso, precisamos de um sistema >> Janeiro/Fevereiro de 2009 5
  6. 6. www.senge-pr.org.br >> de transporte preparado para a demanda “Já conversamos com ministros do Qual o papel do governo do estado? futura. O grande eixo que corta Curitiba é o governo federal, com Paulo Bernardo “Se procurássemos hoje o estado pra falar eixo Norte-Sul. Mas não podemos enfiar um (Planejamento), com o ministro das Cidades do metrô, estaríamos perdendo tempo. Mas veículo com cento e vinte metros de (Márcio Fortes). E ouvimos — façam um há outros interesses em jogo, como a Copa comprimento na superfície na cidade. O metrô anteprojeto para termos uma ideia mais clara. do Mundo em Curitiba. O governo do estado precisa ser enterrado. E, para isso, vamos Teremos uma parceria público-privada. Até fez um pedido de adiantamento de recursos usar a canaleta onde passam os biarticulados. junho do ano que vem, teremos estudos da ao governo federal para a Copa, que não batia O pneu do ônibus passa sobre o que será o topografia, e com estes dados a prefeitura com as nossas necessidades, e por isso o teto dos túneis do metrô. Serão sete metros soltará um edital de parceria público-privada. próprio estado mudou-o na última hora, para de profundidade ao longo das canaletas. Basta Quem ganhar a PPP vai arcar com os custos adequar ao que precisávamos. Então, existe cavar, cravar as estacas e colocar as lajes do projeto, dos estudos que ainda não temos. um relacionamento com o estado, apesar das — o ônibus pode até mesmo seguir rodando.” Com o projeto concluído, teremos a indicação questões políticas. Quando soltarmos o edital “Ainda temos um problema não resolvido de quanto custará a tarifa. Daí vamos dizer de parceria público-privada em 2009, nada — não sabemos qual será o trajeto entre o se vamos ou não fazer o metrô, se o governo impede que haja participação do estado. Pois Colégio Estadual do Paraná e a Universidade federal será nosso parceiro nessa obra. Sem vamos precisar muito do governo estadual, Teconológica do Paraná (UTFPR). Por isso, ele, não vamos fazer metrô.” da Copel, que vai gerar energia para todo este temos um edital, que está liberado, para sistema. Em momento algum o município estudos de topografia, sondagem e impacto Joka Madruga/Arquivo Senge-PR deixou de conversar com o estado em tudo o ambiental. Temos que saber qual o tipo do que foi preciso, ainda que tenhamos pro- terreno, para saber qual é a profundidade blemas políticos pontuais.” necessária para os túneis, ou para optarmos por um trecho em superfície. O metrô O modelo de Curitiba está esgotado? enterrado terá capacidade para transportar “Curitiba tem uma vantagem, criou seu 750 mil pessoas por dia no eixo de maior sistema de transporte, conseguiu mantê-lo carregamento. E o governo do estado pode adequado à demanda e fez adequações para estendê-lo às cidades vizinhas, a Colombo, a aperfeiçoá-lo. Em 1974, a primeira linha de Fazenda Rio Grande.” ônibus expressos, do Centro ao Santa Cândida, carregava 14 mil pessoas por dia. Quem financia as obras? Hoje, são 180 mil — doze vezes mais, num “O metrô só é viável se houver parceria eixo em que não houve o adensamento do com o governo federal, se o governo federal eixo Sul. Com isso, fomos evoluindo. Em 1980, der dinheiro a fundo perdido para arcar com já tínhamos um ônibus articulado. O 50% dos custos das obras. Por quê? Desde biarticulado veio no início dos anos 1990. E 1974, construímos nosso sistema de transporte com financiamento externo. Temos mais de um bilhão de dólares financiados no sistema de transporte. E nunca colocamos um centavo “ Já em 1981, o então prefeito Jaime Lerner queria o metrô. Àquela ainda hoje estamos melhorando o sistema. Há mais de doze, treze anos, foi pensado em desalinhar as estações tubo, para permitir ultrapassagens nas canaletas. Isso está sendo de obras na tarifa, a prefeitura sempre absorveu época, eram 160 mil feito na Marechal Floriano, e na Linha Verde o custo, e nunca recebemos um centavo do pessoas transportadas por já será assim. Temos um programa com uma governo federal, seja qual for o presidente. dia no eixo Norte-Sul. agência francesa para desalinhar desde perto Outras cidades sempre contaram com recursos do Ceasa até o Santa Cândida. Com isso, da União, o governo federal ajudou a fazer os E a conta é essa, acreditamos que o eixo de transporte que já metrôs de todas as cidades que possuem o no mundo todo — com transporta 450 mil pessoas por dia possa sistema. Por que só Curitiba que não vai mais de 150 mil transportar mais 50 mil. Mas as projeções receber nada? Temos que pleitear isso, é um indicam que, nos próximos 15 anos, o eixo direito da cidade. Sem que o governo federal passageiros por dia, Norte-Sul terá 750 mil passageiros diários.” arque com 50% do metrô, ele é inviável, pois a um sistema de metrô “A Linha Verde não estava prevista há tarifa teria de ser mais cara que a dos ônibus. já é viável. Hoje, dez anos, não está no plano diretor da cidade Temos que manter o sistema integrado, como como eixo de transporte, pois era uma no eixo Norte-Sul (Santa é hoje, com uma só tarifa. E não queremos ter rodovia. Ali, os ônibus alternativos ao eixo de subsidiar a tarifa do metrô. Com o governo Cândida-Pinheirinho), Norte-Sul começam a rodar transportando federal bancando 50% da infraestrutura, a transportamos 750 mil 40 mil passageiros por dia. Para um eixo que prefeitura bancaria o restante — e, como 67% pessoas por dia, em transporta 450 mil, é quase 10% da demanda, do custo de implantação é custo de o que já é um alívio. Ela vai ajudar a desafogar infraestrutura, o município arcaria com 17% ônibus biarticulados. a o eixo Norte-Sul, permitindo que a pessoa do custo do metrô. Ou seja — 67% do custo E 450 mil delas estão venha ao Centro pelo eixo da Marechal do metrô não teriam impacto algum na tarifa. no eixo Sul, do Floriano. O desalinhamento também vai Como se trata de uma parceria público-privada, melhorar a eficiência do eixo Norte-Sul. E a Pinheirinho ao Centro os 33% restantes ficam a cargo de empresas, que vão comprar, manter e operar os trens.” 6 Augusto Canto Neto ” Linha Verde vai chegar ao Norte, ao Atuba, ao Alto Maracanã e ao Guaraituba. Há dois O Engenheiro n.º 98
  7. 7. www.senge-pr.org.br anos, não prevíamos fazer integração no Alto Maracanã e no Guaraítuba (terminais em Colombo), porque eles não faziam parte dos nossos estudos, o que gerou toda aquela briga. Estado só financia metrô se for criado Prevíamos um terminal no Atuba, mas agora vamos usar o Alto Maracanã e o Guaraituba.” Transporte coletivo versus automóvel “Quase todo mundo hoje tem carro, pois há condições para isso. Em Curitiba, são 1,05 milhão de carros para 1,8 milhão de habitantes. Nos últimos dez anos, a população da cidade consórcio de transporte cresceu 50%, mas a frota de automóveis aumentou dez vezes mais, aumentou 550%. A Alcidino Bittencourt Pereira, coordenador da cada criança que nasceu, surgiram dez carros Região Metropolitana de Curitiba, diz que todos na cidade. O Estar (estacionamento regula- mentado, mecanismo que disciplina o uso os prefeitos da Grande Curitiba têm de ser das vagas nas ruas do anel central) é barato. Ainda é barato estacionar no Centro, responsáveis pela política de transporte da região mesmo em estacionamentos particulares. Ou restringe-se o Centro (aos automóveis) ou não O governo do O estado no planejamento dá. Além disso, são necessários projetos estado só irá fi- do transporte metropolitano impactantes no Centro, são necessárias nanciar e parti- “O estado tem um plano estratégico para o ciclovias, ciclofaixas. Mas não podemos cipar da implan- transporte coletivo da Grande Curitiba, e tem impedir que as pessoas venham ao Centro, ou tação do metrô de Curitiba se o projeto for interesse em participar e integrar um consórcio causaríamos a degradação da área, as pessoas tocado por um — hoje inexistente — consórcio público de transporte, em que a responsabilidade vão embora dali. Para atrair todos esses metropolitano de transporte, afirma o do planejamento e gestão não dependa de uma motoristas para o transporte coletivo, só tem coordenador da Região Metropolitana de única prefeitura, como é hoje, em que a Urbs um jeito — melhorá-lo. Quando houver o Curitiba, Alcidino Bittencourt Pereira. responde apenas à prefeitura de Curitiba. O desalinhamento das estações, que deve “Trata-se de um grande investimento, que estado quer entrar no consórcio público do desafogar um pouco o sistema, esperamos precisa de aportes constantes. Não fomos transporte, que foi regulamentado em janeiro que algumas pessoas deixem o carro em casa. chamados a participar do desenvolvimento do de 2007 pela União. Isso permite que as Com o metrô, certamente muitos mais devem metrô. Creio que esse projeto só terá decisões de planejamento, de gestão de recursos deixar o carro em casa. Por isso, temos que sustentabilidade (se for discutido em uma) ins- e do crescimento sejam tomadas por um fazer como em outras cidades, criar tância regional”, diz. colegiado de prefeitos. A responsabilidade tem estacionamentos ao lado das estações, para Em entrevista concedida em dezembro a de ser coletiva.” que o motorista faça parte de sua jornada de O Engenheiro, Bittencourt defende a criação “Todos os prefeitos têm de ser responsáveis metrô, desafogando o Centro.” de um consórcio com a participação dos política e financeiramente pelas decisões. E, “O transporte de passageiros de Curitiba prefeitos da Grande Curitiba e do governo do aí, o Estado pode participar, bancando parte não está perdendo, mas ganhando passageiros. estado para discutir o sistema de transporte dos recursos em municípios que tenham Até 2004, perdíamos 2,5% ao ano do total de metropolitano. limitações, com uma política compensatória passageiros, pois tínhamos a tarifa mais alta “Todos os prefeitos têm de ser responsáveis para os municípios que contribuem com o do Brasil entre todas as capitais, o salário- política e financeiramente pelas decisões. E, abastecimento de água. O pleito mais frequente mínimo era mais baixo, havia mais desem- aí, o Estado pode participar, bancando parte hoje, na Urbs, é extensão das linhas integradas, pregados. Então, muita gente andava a pé por dos recursos em municípios que tenham a integração do sistema. Não é possível haver não poder pagar o ônibus. Pois, em todo o limitações”, justifica. desenvolvimento sustentável com uma tal Brasil, boa parte dos passageiros usa o vale- “Hoje, as cidades do entorno de Curitiba disparidade de renda como a que temos na transporte que recebe no emprego. Depois são totalmente dependentes do Ippuc, e não Grande Curitiba. Mas os prefeitos dos disso, a tarifa ficou congelada por praticamente tem como não ser diferente. Mas Curitiba não municípios vizinhos sequer são ouvidos quando três anos — em 2007, houve um pequeno leva em conta as necessidades dos municípios reclamam da localização de uma parada de aumento de dez centavos (a entrevista foi vizinhos, só tem a visão da sua realidade local. ônibus, por exemplo.” concedida em dezembro, antes do aumento Temos discutido o consórcio do transporte, mas “A população da Região Metropolitana que recoloca o transporte coletivo de Curi- os prefeitos tem de estar de acordo com isso”, cresce três vezes mais que a da capital. Nas tiba entre os mais caros do País), criou-se a argumenta Bittencourt. Ele também comenta áreas de baixa densidade, o Índice de Pas- tarifa domingueira. Então, vemos o número de a difícil relação entre estado e prefeitura de sageiros por Quilômetro, na ótica da Urbs, não usuários aumentar, num crescimento de 2% Curitiba, que fez com que dois terminais de é compensador. Então, o transporte perde ao ano. Hoje, temos 1,3 milhão de pas-sageiros transporte em Colombo — Roça Grande e função de indutor do adensamento. Ou seja – que fazem 2,3 milhões de deslocamentos por Guaraituba —, novos em folha, passassem áreas em que a ocupação é recomendável, dia. Com o congelamento, houve aumento da meses fechados para o público. por não haver restrição legal ou ambiental, demanda pelo sistema.” Leia os principais trechos da entrevista. deixam de ter seu crescimento induzido por >> Janeiro/Fevereiro de 2009 7
  8. 8. www.senge-pr.org.br >> linhas novas de transporte. Isso contraria a contribuições orçamentárias de longo prazo. estrutura de transporte, e não um Plano de lógica do planejamento que foi aplicado em Os problemas regionais têm de ser resolvidos Transporte, que começou a ser estudado em Curitiba, e que não se repete na sua Região por uma instância regional. Vamos ver agora, 1996, somente recebeu recursos em 2002 e Metropolitana.” com a posse dos novos prefeitos. Vamos voltar foi programado para terminar em 2004, mas à carga. Não se trata de tirar o poder da Urbs, até hoje não está concluído, segundo Valter Estado e prefeitura que tem uma enorme experiência acumulada, Fanini, presidente do Senge-PR.) brigam, população perde uma estrutura. Mas ela precisa estar subordi- “ A inauguração do terminal (de Guarai- nada à assembléia dos prefeitos, do consórcio Qual o papel do estado tuba, em Colombo, que ficou meses fecha- público.” no metrô de Curitiba? do, após pronto, devido a um impasse entre “Em São Paulo, o metrô é uma empresa do Comec e Urbs; Roça Grande segue sem O estado tem um plano governo do Estado. No momento em que inte- uso) é benéfica para todos. O interesse público de transporte metropolitano? grarmos um consórcio público (de transporte), deve predominar. A prefeitura de Curitiba “Com o Programa de Integração do passa a ser viável, cabível, o aporte de recursos também verá o benefício. O problema da Transporte (PIT), em que investimos R$ 124 (do estado ao metrô). Trata-se de um grande governança metropolitana, da gestão, é sempre milhões, melhoramos as condições de 75 investimento, que precisa de aportes constantes. complicado, pois os centros de planejamento e quilômetros de vias fora de Curitiba, com Não fomos chamados a participar do desenvolvi- de poder são municipais, mas o problema é impacto direto no sistema viário da capital, pois mento do metrô. Creio que esse projeto só terá regional. E esse é um dilema que se repete em desviamos o tráfego para eixos de desen- sustentabilidade se tivermos a instância regional todo o mundo. Essas divergências só serão volvimento fora de Curitiba. Em Colombo, para resolver o problema. Senão, permanece a superadas com o consórcio público. Aí, o investimentos R$ 20 milhões na Estrada da distorção de um órgão municipal tentando processo decisório se torna mais transparente. Ribeira e mais R$ 10 milhões em três terminais, resolver um problema regional.” Temos de partir para a governança colegiada.” que finalmente foram inaugurados. A Estrada Roberto Dumke/Secs “Hoje, as cidades do entorno de Curitiba da Ribeira tem tráfego de 25 mil veículos por são totalmente dependentes do Ippuc, e não dia. Fizemos mais seis quilômetros em tem como não ser diferente. Mas Curitiba não Almirante Tamandaré, e temos em construção leva em conta as necessidades dos municípios a trincheira da Avenida das Torres com a vizinhos, só tem a visão da sua realidade local. Avenida Rui Barbosa, em São José dos Pinhais, Temos discutido o consórcio do transporte, mas o maior projeto do PIT, com 10 milhões, e uma os prefeitos tem de estar de acordo com isso. obra que deve levar um ano e meio para ficar Veja o caso do lixo — até hoje, o consórcio pronta. Fizemos terminais em Colombo, público intermunicipal não se reuniu para Araucária,Almirante Tamandaré — um pronto decidir sobre a entrada do Estado. Nós e um em obras —, construímos em São José, cumprimos nossa parte, pedimos para entrar Fazenda Rio Grande e Campo Largo. São há cerca de um ano. Mas queremos um projetos de longo prazo, para atender a demanda consórcio, agora, em que o Estado possa atual e dos próximos 15 anos.”(Mas o PIT é contribuir no planejamento e na gestão, com um programa de investimento em infra- Ricardo Rufca/Sedu “ No momento em que integrarmos um consórcio público (de transporte), passa a ser viável, cabível, o aporte de recursos (do estado ao metrô). Trata-se de um grande investimento, que precisa de aportes constantes. Não fomos chamados a participar do desenvolvimento do metrô. Creio que ele só será viável se já existir uma instância regional de planejamento Urbs e Comec brigam, e o Terminal da Roça Grande, em Colombo (na foto, ainda em obras), segue fechado ao público 8 ” Alcidino Bittencourt Pereira O Engenheiro n.º 98
  9. 9. www.senge-pr.org.br Fórum Social Mundial 2009 Senge-PR participa de evento que reúne 135 mil em Belém Evento paralelo ao fórum de Davos foi realizado pela primeira vez na Amazônia Arquivo pessoal A primeira edição do Fórum Social Mundial realizada na Amazônia, encerrada em 1.º de fe- vereiro, reuniu quase 150 mil pessoas de 142 países, informa a organização do evento. O evento realizado em Belém teve 135 mil partici- pantes inscritos, e quase 20 mil pessoas traba- lhando na organização e no atendimento. O presidente do Senge-PR, Valter Fanini, os diretores Ulisses Kaniak e Antônio Cézar Quevedo Goulart e os convidados Luis Carlos Correa Soares e Fernando Nunes Patrício par- ticipam do Fórum Social Mundial 2009. “Num momento em que caem por terra os conceitos econômicos que dominaram o mundo nos últimos 30 anos, participar de um evento como o Fórum Social Mundial é fundamental para termos claro que há muitas outras questões que afetam a vida da humanidade, além das relações de produção e consumo”, avalia Fanini. Por isso, o Fórum Social Mundial é simultâ- Senge-PR coordena debate sobre privatização da Vale. Ulisses Kaniak e Antonio César Goulart, diretores do neo ao Fórum Econômico Mundial, realizado Sindicato, a ex-deputada federal Clair da Flora Martins (em pé) e a ex-deputada estadual paraense Araceli Lemos em Davos, Suíça. “Enquanto os responsáveis participaram de debate sobre a privatização da Vale durante o Fórum Social Mundial. Kaniak coordenou pela hecatombe do capitalismo mundial faziam a discussão, organizada pelo Instituto Reage Brasil, qure reuniu 70 pessoas, a maioria do Norte do País. seu mea culpa em Davos, em Belém debate- mos outros assuntos igualmente importantes à comunidade global, como a preservação do Alguns números do FSM 2009 ecossistema mundial, do espaço em que todos 135 mil participantes inscritos nós vivemos”, diz o presidente do Senge-PR. 15 mil inscritos nos acampamentos Próximos passos 4.830 trabalhadores voluntários, tradutores, técnicos e representantes de entidades organizadoras No encerramento do Fórum, os movimentos 5.200 expositores em tendas da feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e sociais propuseram a realização de uma semana lanchonetes de protestos contra o capital e a guerra entre os dias 28 de março e 4 de abril. Neste período, 200 eventos culturais será criada uma nova articulação de países ricos 2.500 jornalistas da grande imprensa, mídia alternativa ou freelancers credenciados que, além do G8, incluirão as demais 12 nações 800 veículos de comunicação credenciados, de 30 diferentes países mais ricas do mundo — entre elas o Brasil. 5.808 entidades e organizações inscritas Organizações que discutem a dívida exter- na de países do Sul lançaram convocação para 489 organizações da África que todos os governos implementem auditorias 119 organizações da América Central e, a partir delas, declarem a ilegalidade das 155 organizações da América do Norte dívidas, suspendendo os pagamentos e exigindo reparação por processos abusivos de endivi- 4.193 organizações da América do Sul damento. 334 organizações da Ásia A próxima edição do Fórum Social Mundial 491 organizações da Europa será realizada em 2011, na África. 27 organizações da Oceania Fonte: Agência Carta Maior/Organização FSM 2009 Com informações da Agência Carta Maior Janeiro/Fevereiro de 2009 9
  10. 10. www.senge-pr.org.br Dia do Engenheiro Senge-PR reúne 400 pessoas O jantar de confraterniz pelo Senge-PR para comem Engenheiro reuniu mais de dezembro, em Curitiba. É fraternização anual consec pelo Senge-PR para homen fissão e seus associados. N sócios remidos em 2008 re certificado e uma caneta p Sindicato. No jantar, o Sen premiou os vencedores do Causos da Engenharia. Le vencedores a partir da pág Os engenheiros e geólogos remidos em 2008, e o presidente do Senge-PR, Valter Fanini, com os certificados Roda Viva, a banda da festa: momentos de dança e alegria Valter Fanini e o ex-diretor Isaias Seade, homenageado pelos muitos anos de lutas O presidente da Fisenge, Carlos Bittencourt, e os ex-presidentes do Senge-PR Luis Os ganhadores do concurso Causos da Engenharia, Sérgio Frankiv e Renato Américo Correa Soares e Daniel L. de Moraes. Ao fundo, Valter Fanini e Claude Loewenthal Possebon, com Valter Fanini ao centro 10 O Engenheiro n.º 98
  11. 11. www.senge-pr.org.br em jantar de confraternização Fotos de Joka Madruga zação promovido morar o Dia do e 400 pessoas em a quarta con- cutiva realizada nagear a pro- No evento, os 38 eceberam um personalizada do nge-PR também concurso eia os causos gina 12. Fanini discurssa no evento O diretor Victor Campani, idealizador do Associados, funcionários, assessores e amigos do Senge-PR reunidos no quarto jantar concurso, anuncia os vencedores consecutivo promovido pela entidade para comemorar o Dia do Engenheiro Janeiro/Fevereiro de 2009 11
  12. 12. www.senge-pr.org.br Causos da Engenharia: a maior repercussão social A universalização da energia Harry Fockink, engenheiro eletricista estava ligada e, algumas fazendas já a ligação da primeira propriedade atendida contavam com a energia para iluminar pela rede. Estava assim consumado o Vou narrar um causo que me foi contado casas, para alimentar geladeiras e mesmo sequestro do governador, no momento em há muito tempo. algumas televisões — antenas parabólicas que ele efetivava a primeira ligação, assistida Aconteceu lá no Herval, fronteira com sequer existiam. Outras tinham bomba e festejada pela comunidade local e pelas o Uruguai. Naquela época, os prefeitos eram d’água elétrica nos poços e até motores autoridades do município! nomeados pelo governo federal. E lá fui eu maiores usados para triturar ração. E, mais As diferenças de um sistema para outro conhecer a cidade para visitar uma obra importante, até chuveiro elétrico já começava são muitas, mas se resumem numa questão revolucionária — uma rede elétrica para a ser usado pelos moradores daquela região. — fazer ou não fazer. O custo da rede pro- distribuição de energia na área rural feita Mas o causo é como isso foi ligado! Na posta à época, com patrocínio da Escola com apenas um condutor. Técnica Federal de Pelotas, era 90% menor Quando cheguei ao pos- que o da rede usual, te da chave fusível que porque os recursos dá início à rede, logo financeiros fo- me apaixonei. Ex- ram arreca- plico — do poste dados na pró- anterior, parte pria comuni- outra rede de e- dade. Não era nergia que so- preciso ir pe- be o morro dir dinheiro pela estrada em bancos que leva à nem pagar torre de tele- empréstimos visão, feita a juros abu- com os três sivos. Isto ti- condutores e rava de cena os postes se- a máquina guindo a es- política mon- trada. Por es- tada em nos- tranha coinci- so País, que dência, são 64 através de postes. partidos faz E por que di- distribuição go que me apai- de recursos ao xonei? Pois essa custo de pro- outra rede, de um con- pinas e favores dutor, alcança o mesmo ponto, no Ilustração: Alexsandro Teixeira Ribeiro para a redistribui- alto do morro, em um só um vão. Isso ção do que nós todos pagamos em impostos. mesmo — ela começa no poste onde está a época, a engenharia era limitada à aplicação Assim, resolvia-se parte importante do chave fusível, e o próximo poste já está no de normas e tabelas de utilização pré- que encarece obras de engenharia em cimo do morro, e dali a fiação segue por 80 estabelecidas pelos organismos de controle pequenas comunidades. E houve a deter- quilômetros para atender dez fazendas, cada do mercado e comércio de materiais minação do professor Enio de Jesus Pinheiro uma com um transformador de 10 kVA. elétricos. Mas a rede fora determinação do Amaral em por em prática sua concepção Ver tal feito me causou grande espanto. então prefeito, decisiva. A ligação foi pro- filosófica do uso de materiais adequados ao Pois, quando cheguei a Herval, era recém- gramada com antecedência, e a comemo- atendimento de cargas elétricas rurais e de formado, barba e cabelos compridos, e não ração teve um farto churrasco e a presença recursos humanos e materiais que podem conseguia imaginar que o que já se falava do governador. ser aproveitados da comunidade. E, é claro, nas palestras dos seminários no curso de Mas havia os que queriam que nada disso de soluções tecnológicas que possibilitaram Engenharia Elétrica na Universidade acontecesse, e esses construíram outra rede a substituição de materiais e equipamentos Católica pudesse causar um impacto tão para atender a uma só fazenda. Pois, no dia pelos necessários à construção e operação grande quanto a imagem da construção da inauguração o prefeito mandou inverter de uma linha rural dentro dos parâmetros pronta me permitiu ver. as placas de sinalização, e levou o necessários ao uso racional e eficiente da O mais impressionante é que a rede governador ao local onde estava preparada energia elétrica. 12 O Engenheiro n.º 98
  13. 13. www.senge-pr.org.br Causos da Engenharia: o maior desafio Controle de Entre elas, o uso de postes de eucalipto tratado, mais leves, que podem ser manuseados e instalados pela comunidade. desmatamento O condutor foi produzido especialmente pela Siderúrgica Belgo-Mineira em aço de alta Sérgio Frankiv, engenheiro eletricista vocês onde os ome tão derrubando. E lá fomos resistência à tração e maior camada de nós, potreiro abaixo. galvanização para proteção contra corrosão. Logo que me formei em Engenharia Depois duns vinte minutos de solavancos, Assim, ficou mais leve, o que permitiu Agronômica, e na euforia de começar a avistamos uma mata ciliar ao longe, e já nos aumentar a distância entre os postes, apro- exercê-la, lá fui eu, nos idos dos anos oitenta, preparávamos para a ação quando veio a veitando a topografia do terreno e evitando para a distante Cascavel, Oeste do nosso surpresa — um rio, e de grande correnteza! o abate da vegetação existente. Estado, estagiar no Instituto de Terras, A mata, alvo da nossa investida, estava do Para amarração e conexões, usou-se a Cartografia e Florestas (ITCF), precisamente outro lado da margem. E aí veio a surpresa já existente emenda pré-formada para bitola na fiscalização e preservação dos recursos maior — dois cavaleiros estavam à nossa de 3,09 mm² de seção. naturais renováveis da região. espera e, sem pestanejar, foram dizendo — A chave fusível, exigida em cada Um dia, bem cedinho, saímos, eu e um rápido, montem na garupa dos cavalo e vamo transformador, foi substituída por um engate fiscal, para atender uma denúncia de atravessá o rio. Aí, nós é que nos ‘pelamos’ espiralado confeccionado com o mesmo desmatamento numa área num município da de medo, dum certo pavor nos invadiu a alma condutor. jurisdição do nosso escritório regional. Logo e o corpo. Mas o profissionalismo falou mais A proteção para a indução provocada no caminho, corremos literalmente alto e, na garupa dos ca- atrás duns ‘piás’ valos, entramos n’á- por descargas atmosféricas foi feita com com cetras, ou gua — de início, até centelhadores confeccionados em condutor estilingues, co- o joelho, depois, até de aço de diâmetro maior, além de hastes mo eram conhe- a cintura e, final- de captação em cada poste. cidos na região. mente, até o pesco- Para o ponto de energização da rede foi Isso me fez lem- ço, tal qual filme de desenvolvido um agrupamento de três brar dos dias da faroeste. Literal- chaves fusíveis, de forma que na queima de minha infância, mente, nadamos; um elo fusível, o cartucho que desarma faz quando usei aliás, os cavalos na- a ligação do próximo, mantendo a linha um desses pa- daram, atravessando energizada. ra matar um correnteza e redemoi- Este feito de engenharia acabaria por se passarinho, e de nhos até chegarmos, tornar conhecido, despertando o interesse de como meu pai me sãos e salvos, à outra comunidades carentes que não tinham como fez sepultá-lo margem do rio. Nem custear ligações de energia elétrica com honras. preciso dizer que, na convencionais. Também en- margem oposta, não Feito o primeiro projeto para uma contramos pelo cami- encontramos ninguém, comunidade de pequenos proprietários rurais nho alguns caçadores com suas espin- Ilustração: Alexsandro Teixeira Ribeiro apenas árvores der- e assinada a ART para o sistema de gardas, mas não demos muita importância, rubadas, toras e maquinário pesado que seria construção comunitária de Rede Monofásica pois nosso objetivo era outro. Nossa viatura usado no transporte da madeira. Aí, nos restou com Retorno por Terra, a comunidade foi até oficial era um ‘fusquinha preto’, daqueles fazer nosso trabalho. a diretoria da concessionária pedir a usados pela polícia local. Assim que terminamos, dissemos aos aprovação do projeto. Nem é preciso dizer que, tão logo éramos cavaleiros — Estamos prontos, vocês podem Foi-lhes dito que rasgassem aqueles avistados, portas e janelas se fechavam, e nos levar ao povoado mais próximo para papéis, porque jamais conseguiriam aprovar moradores e proprietários desapareciam para pegarmos uma condução até nosso carro? algo do gênero. Mas, com a substituição de só reaparecerem horas depois, quando a coisa Pois havia de ter uma ponte por perto! Foi aí, alguns diretores, o projeto foi aprovado e se acalmava. Pois seguíamos por uma que os cavaleiros disseram — Ei, seus iniciada a obra. estrada de chão até nos aproximarmos duma doutores! Vocês voltam com a gente, vamos Por esses dias e desse jeito é que vim ao porteira, que dava para um potreiro a perder ter que atravessar o rio de novo, pois ponte Paraná, onde estava em andamento um de vista. aqui não tem, não! Imaginem como foi a volta! grande programa de eletrificação rural. Com Perguntei ao colega se chegáramos ao Passamos por tudo de novo! Só no final da baixo custo, era possível, viável, adequado a fim do caminho, pois não se via nenhum sinal tarde, quando chegamos finalmente ao uma nova realidade, alcançando grande de mato — era só pasto! De repente, surge escritório, é que terminamos essa incrível sucesso. do nada um trator, e o tratorista logo foi jornada que, pode acreditar, realmente E assim é até hoje em todo Brasil. dizendo — subam nos paralama que vou levar aconteceu! Janeiro/Fevereiro de 2009 13

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