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A Construção Histórica das Ciências Sociais, do século
XVIII até 1945
 Empreendimento do mundo moderno
 Tentativa: desenvolver um saber sistemático; regular a
realidade; e ser empiricamente ...
 Parte de duas Premissas:
 1) modelo newtoniano - prevê uma simetria entre
passado e o futuro
 2) dualismo cartesiano -...
 Divisão entre Exatas e Humanas
 Exatas – entendida como o “conhecimento das coisas
naturais, e de todas as Artes úteis,...
 Ciência: leis da natureza universais e verdadeiras sob
qualquer circunstância.
 Progresso: dotado do sentido de infinit...
 Conseqüência: encurtamento das distâncias sociais e
temporais em decorrência das viagens dos
descobrimentos e da divisão...
 Finitude da terra e encurtamento das distâncias:
incentivaram novas explorações; alargamento da dominação
 Humanos – se...
 Vista como fonte de um conhecimento certo
 Variabilidade da chamada Filosofia – falta coesão
interna; incapacidade de r...
 Marcado pela criação de estruturas institucionais
permanentes;
 São voltadas para a produção de um novo conhecimento e
...
 Passam por processo de revitalização e transformação
 Intuito: disponibilizar um lugar institucional para a criação de
...
 Ciências Naturais: atuavam fora da academia devido ao
apoio social e político angariado graças à promessa de
resultados ...
 Conseqüência: estabelece-se um espaço permanente
de tensão entre as artes e as ciências.
 Revolução Francesa – lançou n...
 Houve necessidade de entendê-las e estudá-las para poder
organizá-las e racionalizá-las posteriormente, como se
desejava...
 Com a necessidade de organizá-las segundo critérios
estáveis, requereu-se um caráter exato ou “positivo” a esta
ciência,...
 Houve uma associação das narrativas históricas nacionais
com as c. sociais e naturais no sentido de rejeitar a
“especula...
 C. sociais- situada entre as humanidades e as c. naturais,
encontrando-se mais próxima desta última
 História – mais pr...
 Triunfo deste sobre a filosofia especulativa – prestígio
social no mundo do conhecimento; meritocracia
 Implicações pol...
 Em todas as partes em detrimento da Filosofia
 O que restou a Filosofia?
 Redefinir, de maneira mais equivalente com o...
 Estabelecem regras que prescindem às análises do mundo
social.
 Física social comtiana: preocupações políticas relativa...
 Física Social: reconciliação da ordem e do progresso graças
a um “número reduzido de inteligências de elite” dotadas de
...
 Enquanto a ciência positiva visava pela libertação total no
concernente a teologia e a metafísica assim como a todos os
...
 História
 Economia
 Sociologia
 Ciência Política
 Antropologia
 Garantir e avançar conhecimento ‘objetivo’ sobre a
realidade na base de descobertas empíricas
 Descobertas empíricas: o...
 Questão: deveria ser singular, ou dividida em
disciplinas diversas? Que tipo de epistemologia
empregar?
 1) Onde essa i...
 Por que essa institucionalização não ocorreu no restante do
mundo?
 Universidades: não possuíam o peso / prestígio
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 2) De nomes de ‘assunto’ e de ‘disciplinas’ avançados
no decurso do século passado
 I Guerra Mundial: consenso em torno...
 Nomotéticas: visam à investigação das leis da
natureza; buscam enquadrar os fatos dentro de leis
gerais da espécie a que...
 Primeira disciplina a adquirir uma existência
institucional autônoma; muitos historiadores rejeitaram
o rótulo de ciênci...
 Prática antiga
 relatos alusivos ao passado, e em particular ao passado
dos povos e dos Estados, constituíram uma práti...
 Ênfase: rigorosa na descoberta de ‘o que efetivamente
aconteceu’,
 Oposição: a histórias imaginadas ou exageradas, foss...
 ciência utilizou de temas como: ênfase na existência de um
mundo real e tido por objetivo e cognoscível, ênfase na
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 Onde ele deve buscar então as informações de que precisa?
 Num espaço onde é possível reunir, armazenar, controlar e
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 Aproximou história e ciência, entendidos como modos de
conhecimento ‘modernos’
 Moderno = a não medieval
 Rejeição por...
 “Explica o porquê de terem sido capazes, no âmbito do seu
trabalho, não só de espelharem o novo primado da ciência
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 Válida – historiadores enfatizaram uso dos arquivos;
 Arquivos: baseado num conhecimento contextual e
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 Estudo voltado para o presente;
 Conseqüência: história econômica ficou relegada a
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 Comte: a sociologia seria a rainha das ciências, na qual
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 Só ocorre na segunda metade sec. XIX
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 Precederam a institucionalização dos estudos orientais
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 Preocupação em serem distintos da filosofia e da
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diacrônica interesse: compreensão e avaliação correta
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 Geografia
 Psicologia
 Direito
 prática antiga, que procedeu à sua própria reconstrução
como disciplina nova no século XIX
 mesmas grandes preocupações...
 ponte com as humanidades (geografia humana), com ênfase
nas influências do meio
 preocupação em ser uma prática mundial...
 Vs. ciências sociais, com sua ênfase temporal (negligenciando
o tratamento do espaço)
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 na abordagem u...
 visão específica da espacialidade = territórios
soberanos (Estados)
 fronteiras políticas como parâmetro das interações...
 Também cindiu da Filosofia, partilhando do ethos
científico
 considerada como parte do terreno médico,
aproximação das ...
 psicologia social – modalidades com ênfase no
indivíduo visto em sociedade, permanecendo no campo
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 forte e influente teorização da psicologia, com maior
potencial de se definir como ciência social
 não aconteceu, porqu...
 já existiam faculdades de Direito - formar advogados
 ceticismo por parte dos cientistas sociais de vocação
nomotética,...
 contexto: domínio Europa sobre o resto do mundo
 Questão: “Por que razão é que esta pequena porção do mundo
foi capaz d...
 poderio militar mais forte e eficaz interpretações livres
 preocupação com o modo da expansão e dominação
coincindiu co...
 conceito que sofreu interpretações livres
 justificação da superioridade da sociedade européia
 ponto final do progres...
 história, antropologia e geografia marginalizam as
tradições universalizantes
 sociologia, economia e ciência política,...
 1840 - 1945 - campo ciências sociais definido
 institucionalização da formação acompanhada pela
institucionalização da ...
 História - afirmavam ter relação privilegiada com os materias, e
se propunham a reconstruir a realidade do passado, rela...
 ciências nomotéticas - ênfase no que as distinguia da
história: interesse por leis gerais, fenômenos enquanto casos
(não...
 economistas: operações do mercado
 cientistas políticos: estruturas governamentais formais
 sociólogos: problemática s...
 institucionalização na maioria das universidades de todo o
mundo
 Com o fim da II Guerra Mundial até instituições alemã...
 Mas mesmo com as estruturas institucionais já montadas, após
a II Guerra Mundial, começa a cisão entre as práticas e
pos...
 WALLERSTEIN, I. Para abrir as Ciências Sociais.
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  1. 1. A Construção Histórica das Ciências Sociais, do século XVIII até 1945
  2. 2.  Empreendimento do mundo moderno  Tentativa: desenvolver um saber sistemático; regular a realidade; e ser empiricamente válido  Scientia = conhecimento empírico
  3. 3.  Parte de duas Premissas:  1) modelo newtoniano - prevê uma simetria entre passado e o futuro  2) dualismo cartesiano - prevê a existência de uma dicotomia natureza/seres humanos; matéria/mente; mundo físico/mundo social-espiritual
  4. 4.  Divisão entre Exatas e Humanas  Exatas – entendida como o “conhecimento das coisas naturais, e de todas as Artes úteis, Manufaturas, práticas Mecânicas, Máquinas e Invenções pela via da Experimentação”  Humanas - envolve “o Divino, a Metafísica, a Política, a Gramática, a Retórica, ou a Lógica
  5. 5.  Ciência: leis da natureza universais e verdadeiras sob qualquer circunstância.  Progresso: dotado do sentido de infinitude, da tecnologia e de suas conquistas materiais.  Mudança na percepção a respeito do globo terrestre – dotado de finitude
  6. 6.  Conseqüência: encurtamento das distâncias sociais e temporais em decorrência das viagens dos descobrimentos e da divisão do trabalho;  Infinidade do tempo e do espaço - alimentava a idéia de um progresso ilimitado;  Até o séc. XX a finitude da terra propiciou a exploração ocidental pelo progresso
  7. 7.  Finitude da terra e encurtamento das distâncias: incentivaram novas explorações; alargamento da dominação  Humanos – senhores de uma unidade cada vez mais cósmica; prepotência do homem (e da ciência).  Desprendimento da ciência com relação à filosofia – metafísico em oposição ao termo ciência (leis da natureza)
  8. 8.  Vista como fonte de um conhecimento certo  Variabilidade da chamada Filosofia – falta coesão interna; incapacidade de resultados “práticas”  Luta epistemológica pelo controle do conhecimento relativo ao mundo humano (controle do conhecimento relativo à natureza já se encontrava encabeçado pelos próprios cientistas naturais).
  9. 9.  Marcado pela criação de estruturas institucionais permanentes;  São voltadas para a produção de um novo conhecimento e reprodução dos seus produtores  Marca determinante da história intelectual desse período  Grande processo de disciplinarização e profissionalização do conhecimento.
  10. 10.  Passam por processo de revitalização e transformação  Intuito: disponibilizar um lugar institucional para a criação de conhecimento, visto que se notou a existência de múltiplas espécies de sistemas sociais com variedades a espera de explicações  Faculdades de Filosofia: edificação da autonomia de múltiplas estruturas disciplinares pelos praticantes tanto das artes como das c. naturais.
  11. 11.  Ciências Naturais: atuavam fora da academia devido ao apoio social e político angariado graças à promessa de resultados práticos e de aplicação imediata  Demais estudiosos: foram os que mais se manifestaram pela revitalização das universidades durante o séc. XIX  Estes atraem as C.N para o interior da academia graças ao seu perfil positivo com vistas a obter apoio estatal para as investigações “filosóficas”
  12. 12.  Conseqüência: estabelece-se um espaço permanente de tensão entre as artes e as ciências.  Revolução Francesa – lançou novas luzes à discussão sobre este antagonismo, graças ao surto cultural que trouxe consigo.
  13. 13.  Houve necessidade de entendê-las e estudá-las para poder organizá-las e racionalizá-las posteriormente, como se desejava  O que se reivindicava: um espaço próprio do que seriam as Ciências Sociais de fato, visto que já se demonstrava uma necessidade social pelo seu surgimento.
  14. 14.  Com a necessidade de organizá-las segundo critérios estáveis, requereu-se um caráter exato ou “positivo” a esta ciência, utilizando como modelo a física newtoniana  Preocupação em recompor a unidade nacional dos Estados: favoreceu a criação de narrativas históricas nacionais baseadas na investigação empírica de arquivos a fim de poder assim escorar as novas ou potenciais soberanias
  15. 15.  Houve uma associação das narrativas históricas nacionais com as c. sociais e naturais no sentido de rejeitar a “especulação” e a “dedução”, características da Filosofia.  Porém, este tipo de história não via com bons olhos o surgimento desta nova “ciência social” com intenções de estabelecer leis universais para a sociedade, ou seja, o que se acreditava ser uma mera generalização.
  16. 16.  C. sociais- situada entre as humanidades e as c. naturais, encontrando-se mais próxima desta última  História – mais próxima às faculdades de artes / letras  Entretanto, como cada uma destas esferas possuía sua ênfase epistemológica própria, seus estudiosos viram-se divididos e encurralados pelas respectivas questões.
  17. 17.  Triunfo deste sobre a filosofia especulativa – prestígio social no mundo do conhecimento; meritocracia  Implicações políticas: conceito de leis deterministas era conveniente às tentativas de controle tecnocrático dos movimentos de mudanças; tanto àqueles que se opunham as mudanças tecnocráticas em defesa das instituições e tradições quanto àqueles que almejavam uma interferência mais espontânea e radical no terreno sociopolítico, interessava a defesa do particular, do não determinado e do imaginativo.
  18. 18.  Em todas as partes em detrimento da Filosofia  O que restou a Filosofia?  Redefinir, de maneira mais equivalente com o próprio ethos científico, suas respectivas atividades, principalmente por ser conhecida pela sua faculdade de cogitar e escrever a respeito das próprias cogitações.
  19. 19.  Estabelecem regras que prescindem às análises do mundo social.  Física social comtiana: preocupações políticas relativas ao partido da ordem e partido do movimento decorrentes de uma “anarquia intelectual” datada desde a Revolução Francesa
  20. 20.  Física Social: reconciliação da ordem e do progresso graças a um “número reduzido de inteligências de elite” dotadas de um nível de instrução adequado aptos a resolver os problemas sociais. Instalação de um novo poder espiritual que findaria a Revolução finalmente. “A base tecnocrática e a função social da nova física social tornavam-se, assim, evidentes”
  21. 21.  Enquanto a ciência positiva visava pela libertação total no concernente a teologia e a metafísica assim como a todos os demais modos de “explicação” da realidade, os filósofos se tornariam “especialistas em generalidades” nesta nova estrutura do conhecimento.  Mill: correspondente de Comte no contexto inglês; defesa não de uma ciência positiva mas de uma ciência exata.
  22. 22.  História  Economia  Sociologia  Ciência Política  Antropologia
  23. 23.  Garantir e avançar conhecimento ‘objetivo’ sobre a realidade na base de descobertas empíricas  Descobertas empíricas: oposto ao trabalho de ‘especulação’; aprender a verdade em vez de intuí-la  Institucionalização: não linear, nem simples
  24. 24.  Questão: deveria ser singular, ou dividida em disciplinas diversas? Que tipo de epistemologia empregar?  1) Onde essa institucionalização teve lugar?  Séc. XIX: a Grã-Bretanha, a França, as Alemanhas, as Itálias e os Estados Unidos.
  25. 25.  Por que essa institucionalização não ocorreu no restante do mundo?  Universidades: não possuíam o peso / prestígio internacional dos cinco países citados; maioria dos estudiosos e universidades encontrava-se num destes espaços
  26. 26.  2) De nomes de ‘assunto’ e de ‘disciplinas’ avançados no decurso do século passado  I Guerra Mundial: consenso em torno de um punhado de nomes específicos, principalmente em torno das cinco apontadas  Mas por que a geografia, a psicologia e o direito não estão inclusos nesta lista?
  27. 27.  Nomotéticas: visam à investigação das leis da natureza; buscam enquadrar os fatos dentro de leis gerais da espécie a que pertencem (psicologia)  Idiográficas: ou culturais, que visam as formas particulares (história, arte, direito)
  28. 28.  Primeira disciplina a adquirir uma existência institucional autônoma; muitos historiadores rejeitaram o rótulo de ciência social;  Por que isso ocorre?  Divergências internas dentro das ciências sociais – resulta disputa entre historiadores e demais disciplinas das primeiras
  29. 29.  Prática antiga  relatos alusivos ao passado, e em particular ao passado dos povos e dos Estados, constituíram uma prática muito conhecida no mundo do conhecimento  O que distinguia a ‘nova disciplina’ da história tal como esta veio a se desenvolver no século XIX?
  30. 30.  Ênfase: rigorosa na descoberta de ‘o que efetivamente aconteceu’,  Oposição: a histórias imaginadas ou exageradas, fossem estas por lisonjearem os leitores ou para servirem aos fins imediatos dos governantes  Conclusão: passou a ser mais exata, menos fictícia e alegórica. Passou então a ter como máxima a busca da verdade acima de tudo.
  31. 31.  ciência utilizou de temas como: ênfase na existência de um mundo real e tido por objetivo e cognoscível, ênfase na prova empírica e ênfase na neutralidade do estudioso  O historiador: ex. C.N não deve buscar informações nem nos escritos já existentes (a biblioteca, lugar da leitura) nem nos processos do seu próprio pensamento (o estúdio ou estudo, lugar por excelência da reflexão)
  32. 32.  Onde ele deve buscar então as informações de que precisa?  Num espaço onde é possível reunir, armazenar, controlar e manipular uma informação objetiva e exterior (o laboratório ou o arquivo, lugar da investigação)
  33. 33.  Aproximou história e ciência, entendidos como modos de conhecimento ‘modernos’  Moderno = a não medieval  Rejeição por parte dos historiadores: busca de esquemas gerais capazes de explicar os dados empíricos, pq qualquer busca de eventuais ‘leis’ cientificas do mundo social os reconduziria necessariamente à via do erro
  34. 34.  “Explica o porquê de terem sido capazes, no âmbito do seu trabalho, não só de espelharem o novo primado da ciência no pensamento europeu, mas também de surgirem como arautos e defensores de uma posição idiográfica e antiteórica.” Daí a insistência dos historiadores de pertencerem às faculdades de letras e de mostrarem resistência em identificar-se com as CSO.
  35. 35.  Válida – historiadores enfatizaram uso dos arquivos;  Arquivos: baseado num conhecimento contextual e aprofundado da cultura;  Resultado: fez com que a investigação histórica fosse validada quando “o historiador a levava a cabo no seu próprio quintal.”
  36. 36.  Conseqüência: os historiadores que se haviam negado a continuar a alinhar na justificação dos reis, se acharam na posição de justificar ‘nações’ e com freqüência os seus novos soberanos – ‘os povos’  Isso se tornou útil aos Estados uma vez que contribuiria para lhes reforçar a coesão social, contudo, não os ajudou a tomar decisões quanto às políticas mais avisadas a empreender no presente.
  37. 37.  Grande procura por especialistas(funcionários públicos x), por parte dos Estados  Por que essa procura?  Ajuda na formulação de políticas, sobretudo nos momentos marcadamente mercantilistas dos respectivos percursos históricos.
  38. 38.  Jurisprudência (termo antigo) e o direito das nações (termo novo). A primeira já era ofertada nas faculdades de Direito da universidades;  A economia política (termo igualmente novo que designava a macroeconomia ao nível das sociedades politicamente organizadas);
  39. 39.  A estatística (outro termo novo, que designava os dados quantitativos relativos aos Estados)  E as Kameralwissenschaften (ciências da administração) – que passou a ser matéria de estudo das universidades alemãs no século XVIII
  40. 40.  Séc.XIX: passa a fazer parte das faculdades de Direito;  Encontrada antes no interior das faculdades de Filosofia  Economia Política: expressão corrente sec. XVIII desaparece – teorias econômicas liberais XIX- na metade de oitocentos em favor da expressão ‘economia’
  41. 41.  Deu condições aos economistas de defenderem “que o comportamento econômico era reflexo de uma psicologia individualista universal e não de instituições socialmente construídas, argumento que pôde então ser utilizado para afirmar o caráter natural dos princípios do laissez-faire.”
  42. 42.  Estudo voltado para o presente;  Conseqüência: história econômica ficou relegada a lugares inferiores nos currículos de economia, e quando surge como subdisciplina essa evolução dá-se a partir da historia (da qual irá parcialmente separar) do que da economia
  43. 43.  Economia ganha solidez; surge disciplina nova: a sociologia  Comte: a sociologia seria a rainha das ciências, na qual seria uma ciência social integrada e unificada e caracterizada pelo ‘positivismo’
  44. 44.  Só ocorre na segunda metade sec. XIX  institucionalização e transformação, nos limites das universidades, do trabalho realizado pelas associações para a reforma da sociedade
  45. 45.  Programa de ação: o mal-estar e os desequilíbrios vividos pelo número incontável da população operária urbana.  Trabalho no ambiente universitário: ao fazerem isso acabaram por abdicar da sua militância ativa em prol de medidas legislativas imediatas
  46. 46.  Ao consumar o corte com suas origens nas organizações para a reforma social, “os sociólogos começaram a cultivar o impulso positivista que, juntamente com a sua disposição para o estudo do presente, os empurrou, também a eles, para o campo nomotético.”
  47. 47.  Surge ainda mais tarde em relação as disciplinas mencionadas  Por que isso ocorreu?  Não porque seu respectivo conteúdo – o Estado contemporâneo e a sua componente política – se prestasse menos à análise nomotética, mas sim porque as faculdades de Direito não queriam abrir mão do monopólio que detinham sobre esta área;
  48. 48.  reflete a importância atribuída pelos cientistas políticos ao estudo da filosofia política – que ora assumia a designação de teoria política – pelo menos até a revolução behaviorista do período posterior a 1945
  49. 49.  Permitiu que a ciência política reivindicasse como sua uma herança que já vinha dos gregos, detendo-se na leitura de autores desde há muito com lugar firmado nos currículos universitários;  C.P cumpre outro objetivo: o de legitimar a economia como disciplina autônoma
  50. 50.  Rejeitada como matéria – o Estado e o mercado funcionavam, e deviam funcionar, através de lógicas distintas;  Esse argumento exigia como garantia o estabelecimento a longo prazo de um estudo científico autônomo da esfera política
  51. 51.  “ao se tornarem disciplinas universitárias no século XIX (e de fato até 1945), esse quarteto não só se limitou a ser praticado nos cinco países em que elas tiveram coletivamente origem, como se dedicou em grande medida, a descrever a realidade social desses mesmos países. Não se pode dizer que as universidades dos cinco países ignorassem o resto do mundo. O que sucedia é que nelas esse estudo era segregado para disciplinas diferentes”
  52. 52.  Moderno sistema-mundo: implicou encontro – e a conquista – de europeus com povos de diferentes regiões do mundo;  O encontro: deu-se com dois tipos muito diferentes de povos e de estruturas sociais
  53. 53.  Grupos pequenos, sem nenhum sistema de registro escritos, desinseridos de qualquer sistema religioso geograficamente amplo e militarmente frágeis em relação à tecnologia européia;  Civilizações ‘avançadas’ (orientais) possuíam: escrita, sistemas religiosos que cobriam um vasto espaço geográfico; uma estrutura política relativamente organizada, sob forma imp.burócratico; uma capacidade militar significativa
  54. 54.  Criou a necessidade de uma nova disciplina, que tivesse por domínio esse objeto  = a soc. a antrop. teve início fora da universidade; praticada por: exploradores,viajantes e funcionários dos serviços coloniais das potências européias  Mais tarde fora institucionalizada como a soc. embora segregada das demais ciências sociais dedicadas ao estudo do mundo ocidental
  55. 55.  Atraídos pela idéia de uma “história natural da humanidade de contornos universais  pressões exercidas pelo mundo exterior levam os antropólogos a tornarem-se etnógrafos deste ou daquele povo;  objeto de estudo: os povos que encontravam nas colônias internas ou externas dos respectivos países.
  56. 56.  Conseqüência: adoção metodologia muito especifica, construída em torno do trabalho de campo (resp.exigência ethos científico investigação empírica) e da observação participante (exigência de se atingir um conhecimento mais profundo em torno da cultura em estudo)  Observação participante: desde sempre ameaçou violar o ideal da neutralidade científica.
  57. 57.  Ser mediador entre o povo que estudava e o mundo dos conquistadores europeus, principalmente por cidadão da potência colonizadora do povo estudado;  ex: antropólogos ingleses na África Ocidental; antropólogos italianos na Líbia; antropólogos dos EUA que se dedicaram ao estudo da ilha Guam e dos índios americanos)
  58. 58.  fato preponderante para que mantivessem a prática da etnografia dentro das premissas normativas da ciência  Assumem, talvez, uma posição nomotética e debruçada sobre o presente, semelhante ao dos economistas, e em verdade após 1945 a antropologia estrutural viria a conhecer uma evolução desse tipo
  59. 59.  prioridade à necessidade de justificar o estudo da diferença, bem como o de defender a legitimidade moral de não se ser europeu. “Por isso, seguindo a lógica dos primeiros historiadores, os antropólogos resistiram à exigência de formular leis, dedicando-se, na sua maioria, à prática de uma epistemologia idiográfica.”
  60. 60.  mundo árabe-islâmico e a China  civilizações "avançadas“(ñ consid. Tribos)  organização política, sistemas religiosos, vasto território, grandes impérios burocráticos capacidade militar opunha resistência às tentativas de conquista
  61. 61.  com os progressos tecnológicos europeus essas civilizações também se tornaram colônias ou semicolônias  institucionalização estudos orientais  caráter mais secular -participação no quadro das estruturas disciplinares das universidades
  62. 62.  Precederam a institucionalização dos estudos orientais  Antiguidade, "cultura clássica" povos antepassados da Europa moderna  saga única – antiguidade - conquistas dos bárbaros - continuidade assegurada pela Igreja - Renascimento - reincorporação da herança greco-romana - criação do mundo moderno
  63. 63.  Preocupação em serem distintos da filosofia e da teologia tinham caráter essencialmente literário, apesar de serem uma mistura de literatura, artes e história abriram terreno para os estudos orientais, que davam entrada nas universidades
  64. 64.  prática própria, sem interesse na reconstrução diacrônica interesse: compreensão e avaliação correta do conjunto de valores e práticas de civilizações vistas como estáticas exigiam capacidades lingüísticas e filológicas resistência à modernidade, ao ethos científico consideravam-se integrados nas "humanidades", mas contribuíram para as CSO por serem os únicos que se dedicavam a tais estudos (os comparativistas não tinham interesse nas civilizações orientais em si mesmas)
  65. 65.  Geografia  Psicologia  Direito
  66. 66.  prática antiga, que procedeu à sua própria reconstrução como disciplina nova no século XIX  mesmas grandes preocupações CSO, mas resistiu à categorização  ponte com as ciências naturais (geografia física)
  67. 67.  ponte com as humanidades (geografia humana), com ênfase nas influências do meio  preocupação em ser uma prática mundial em relação ao objeto de estudo  mas, com a compartimentação em disciplinas no final do séc. XIX, tornou-se anacrônica, devido ao seu caráter generalizante  menos prestígio, "acólito da história"
  68. 68.  Vs. ciências sociais, com sua ênfase temporal (negligenciando o tratamento do espaço)  espaço, nas CSO  na abordagem universalista, determinista, era considerado como "plataforma" em que ocorriam os acontecimentos,  na abordagem com ênfase no específico, era considerado um contexto, com certa influência sobre os acontecimentos, mas tido como residual, não essencial para análise
  69. 69.  visão específica da espacialidade = territórios soberanos (Estados)  fronteiras políticas como parâmetro das interações e dos processos (sociais, políticos, econômicos),  fatores cruciais de confinamento social
  70. 70.  Também cindiu da Filosofia, partilhando do ethos científico  considerada como parte do terreno médico, aproximação das ciências naturais  legitimidade = natureza fisiológica e química  dando entrada nas faculdades de ciências naturais
  71. 71.  psicologia social – modalidades com ênfase no indivíduo visto em sociedade, permanecendo no campo das ciências sociais  mas não conseguiram autonomia institucional completa  marginalização por parte da psicologia  subdisciplina da sociologia
  72. 72.  forte e influente teorização da psicologia, com maior potencial de se definir como ciência social  não aconteceu, porque saiu da prática da medicina,  o ambiente de escândalo do início a tornou uma atividade pária, levando à criação de estruturas institucionais fora do sistema universitário  (o que preservou a psicanálise enquanto prática e escola do pensamento, mas afastou os conceitos freudianos dos departamentos de psicologia)
  73. 73.  já existiam faculdades de Direito - formar advogados  ceticismo por parte dos cientistas sociais de vocação nomotética, considerados muito normativos,idiográficos, sem base na pesquisa empírica, leis que não eram científicas  a ciência política, em vez de analisá-las, dedicava-se à análise das regras abstratas dos comportamentos políticos, dos quais se extrairiam os sistemas jurídicos racionais
  74. 74.  contexto: domínio Europa sobre o resto do mundo  Questão: “Por que razão é que esta pequena porção do mundo foi capaz de derrotar todos os rivais e de impor a sua vontade às Américas, à África e à Ásia?“  resposta ao nível da comparação de "civilizações" (nao ao dos Estados soberanos)
  75. 75.  poderio militar mais forte e eficaz interpretações livres  preocupação com o modo da expansão e dominação coincindiu com a teoria evolucionista de Darwin  o paradigma da física newtoniana dominava a metodologia das ciências sociais, mas a biologia darwinista influenciou as teorias do social com a idéia de evolução enquanto sobrevivência do mais apto
  76. 76.  conceito que sofreu interpretações livres  justificação da superioridade da sociedade européia  ponto final do progresso – civilização  esses primeiros estudos comparativos ainda não se centravam no Estado  acabaram vítimas do impacto das guerras mundiais, minando o otimismo liberal das teorias progressistas industrial
  77. 77.  história, antropologia e geografia marginalizam as tradições universalizantes  sociologia, economia e ciência política, com ênfase no Estado, consolidam-se como cerne (nomotético) das ciências sociais
  78. 78.  1840 - 1945 - campo ciências sociais definido  institucionalização da formação acompanhada pela institucionalização da investigação (revistas especializadas, associações de investigadores)  esforço das disciplinas em se distinguirem das demais, também em relação às voltadas para a realidade social distinção entre disciplinas quanto ao conteúdo e às metodologias
  79. 79.  História - afirmavam ter relação privilegiada com os materias, e se propunham a reconstruir a realidade do passado, relacionando- a com as necessidades culturais do presente pela via interpretativa e hermenêutica  antropologia - modos de organização social de povos não ocidentais, considerados não irracionais  Orientalistas - civilizações não ocidentais "avançadas" ("religiões mundiais" vs. perspectiva cristocêntrica)
  80. 80.  ciências nomotéticas - ênfase no que as distinguia da história: interesse por leis gerais, fenômenos enquanto casos (não entidades individualizadas), segmentação da realidade para análise, métodos estritamente científicos, provas produzidas de forma sistemática, observação controlada  Separados da história idiográfica, demarcaram as diferenças em relação às demais disciplinas, tanto quanto ao conteúdo quanto às metodologias:
  81. 81.  economistas: operações do mercado  cientistas políticos: estruturas governamentais formais  sociólogos: problemática social emergente (alheia aos economistas e as c. políticos)  o sucesso do estabelecimento de estruturas disciplinares de investigação gerou estruturas de investigação, análise e formação produtivas (resultanto em grande legado bibliográfico)
  82. 82.  institucionalização na maioria das universidades de todo o mundo  Com o fim da II Guerra Mundial até instituições alemãs e italianas se alinharam ao padrão de classificação (bloco soviético só nos finais da década de 50)  distinção clara em relação às ciências naturais (sistemas não humanos) e às humanidades (produção cultural, mental e espiritual das sociedades humanas 'civilizadas')
  83. 83.  Mas mesmo com as estruturas institucionais já montadas, após a II Guerra Mundial, começa a cisão entre as práticas e posições intelectuais e a organização formal das ciências sociais
  84. 84.  WALLERSTEIN, I. Para abrir as Ciências Sociais. São Paulo: Cortez, 2206
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