Artigo fatores psicologicos que interferem na arbitragem

  • 810 views
Uploaded on

 

  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
    Be the first to like this
No Downloads

Views

Total Views
810
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
15
Comments
0
Likes
0

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. 113 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r FATORES QUE PODEM INTERFERIR NA TOMADA DE DECISÃO DO ÁRBITRO DE FUTEBOL 1 Alberto Inácio da Silva , 1 Mario Cesar de OliveiraRESUMO ABSTRACTEm uma competição oficial de futebol, uma Factors that may interfere in football referee’spartida não pode ser iniciada sem a presença decision-makingde um árbitro. Este especialista na aplicaçãodas regras do futebol durante o jogo leva em In an official competition, a football match canconsideração inúmeras informações antes de not be started without the referee presence.proferir uma decisão. Entretanto, as This expert in applying the rules of footballinformações para a formulação desta decisão during the game, takes into account manyvão além daquelas obtidas pela visualização details before make a decision. However, theda jogada. Assim sendo, o objetivo deste information for this decision goes beyond thetrabalho foi analisar a produção científica, de information obtained by viewing the play.modo amplo, e verificar quais seriam as Therefore, the aim of this study was to analyzevariáveis que interferem na formulação da the scientific production, broadly, and checkdecisão do árbitro de futebol no momento que what are the variables that affect theele vai interromper uma partida para sinalizar formulation of football referees decision at theuma transgressão à regra do jogo. Através time that he will interrupt a game to signal thedesta revisão, foi possível constatar que vários breaking of a game rules. Through this review,fatores interferem na tomada de decisão do we determined that several factors influenceárbitro de futebol, entre os quais, destacaram- the football referee decision-making, betweense: o tamanho e o barulho da torcida, que this stood out: the size of the crowd and thepode interferir no número de faltas sinalizadas, noise that can interfere with the number of foulde pênalti marcado, no número de cartões signaled, the penalty, the number of yellow andamarelo e vermelho apresentados e no tempo red cards presented and extra time given byde acréscimo dado pelo árbitro durante o jogo. the referee during the game.Palavras-chave: Árbitro; Futebol; Key words: Referees; Footabll; BiasedJulgamentos distorcidos. judgments.1-Universidade Estadual de Ponta Grossa - E-mail:Paraná. Líder do Grupo de Pesquisa em albertoinacio@bol.com.brÁrbitros de Futebol - GPAF mcoliverus@uol.com.br2-Programa de Pós-Graduação - UniversidadeFederal de São Paulo (USP) Escola Paulista Endereço para correspondência:de Medicina - Brasil Alberto Inácio da Silva Rua: Sete de Setembro, 40 - Centro CEP: 84.010-350 - Ponta Grossa - PR, BrasilRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 2. 114 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rINTRODUÇÃO Portanto, uma decisão errada do árbitro também pode estar associada com seu mau No futebol, a autoridade máxima que posicionamento durante a partida de futebolestabelece as regras do jogo é a International (Oliveira, Orbetelli e Neto 2011).Football Association Board (IFAB). Os árbitros de futebol são preparados O futebol, quando praticado para interpretar as regras do futebol de formaprofissionalmente, segue regras próprias, pré- imparcial. Porém, eles podem mostrar umestabelecidas, com o objetivo de padronizar poder discricionário considerável, em particularações permissivas e restritivas, de maneira a ao acrescentar tempo extra, marcarobter o caráter universal. penalidades, usar os cartões amarelos ou Naturalmente, essas regras não são vermelhos e decidir os tiros livres oudotadas de autoaplicabilidade, dependendo de impedimentos. Como consequência, osuma pessoa que faça valer os preceitos árbitros podem ter uma influência muitonormativos estabelecidos, sem o qual, as importante no resultado final de uma partidaregras seriam tão somente escritos sem valor; de futebol.esta pessoa é denominada árbitro. Apesar do árbitro passar por um curso Os jogadores, os substitutos, os de formação e ser submetido constantementesubstituídos e os dirigentes de equipe devem a cursos de atualização, durante uma partidarespeitá-lo. O fato de suas decisões não são observados alguns erros ao serempoderem ser contestadas ou corrigidas aplicadas as regras de futebol. O elevadodurante uma partida, uma vez confirmadas, número de decisões erradas tem sua origemprotege e sustenta a autoridade do árbitro no processo de discernimento ou na especialdentro do campo de jogo (Ekblom, 1994). dificuldade do árbitro para formar uma opinião. A atenção é um componente O árbitro deve, num mesmo instante, observar,importante no momento que o árbitro vai tomar constatar, interpretar, julgar, punir ou absolveruma decisão dentro do campo de jogo, já que, um atleta - e isto não é fácil e não é qualquerem termos de exigências perceptuais- pessoa que consegue (Da Silva, 2005).cognitivas, um árbitro de elite toma As razões para decisões erradas estãoaproximadamente 137 decisões observáveis na percepção das informações ou na falha dapor jogo (Helsen e Bultynck, 2004). memória (Plessner e Haar, 2006; Plessner e Ainda segundo Helsen e Bultynck Raab, 2000).(2004), dado o tempo efetivo de jogo, um Por exemplo, um árbitro toma umaárbitro de alto nível toma 3-4 decisões por decisão, mesmo se ele estiver em umaminuto. Lembremos que, durante uma partida situação de não ter visto corretamente o lance,de futebol, o árbitro deve analisar as jogadas por mau posicionamento em campo, aque ocorrem em uma área que mede, em percepção da informação deve ser processadamédia, 8.250 m2. assim mesmo. Para estar mais próximo da bola no Em outras situações, o árbitro tambémmomento de suas intervenções, o árbitro terá dificuldade em juntar informações parapercorre distâncias entre 9 e 12 km no uma decisão; por exemplo: quando suatranscorrer do jogo (Catterall e colaboradores, decisão tenha que levar em conta a intenção1993; Johnston e Mcnaughton, 1994; Krustrup do jogador no momento do lance e isto nãoe Bangsbo, 2001; Da Silva, Fernandes e puder ser observado de forma direta.Fernandez, 2011). Da mesma forma, a memória tem Sendo que, num período que varia de influência na precisão da arbitragem; um4 a 6 segundos, o árbitro muda sua ação exemplo disso é o reconhecimento de umamotora (Catterall e colaboradores, 1993; repetida falta, pela memória, dependendo dasKrustrup e Bangsbo, 2001). Portanto, durante situações de jogo anterior. Um resumoos 90 minutos de jogo, ele realiza, em média, detalhado das sentenças e dos processos de1.268 atividades diferentes (Krustrup e decisão dos árbitros de futebol é encontradoBangsbo, 2001). no estudo conduzido por Mascarenhas, A capacidade de um árbitro perceber a OHare e Plessner, (2006).rápida movimentação dos jogadores, em Manzolello (s/d) destaca que a funçãomovimentos sequenciais ou simultâneos, decisória do árbitro é de extrema dificuldade,depende da destreza visual, um fator que pode em razão de não decidir a respeito de um fatoafetar o julgamento do árbitro em todas as isolado, mas de uma série de acontecimentossituações (Sanabria e colaboradores, 1998). sucessivos, num estreito lapso temporal, oRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 3. 115 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rque, naturalmente, dificulta qualquer A presença do barulho da multidãojulgamento de mérito. tem efeito dramático nas decisões tomadas Neste trabalho, pretende-se levantar pelos árbitros, segundo Nevill, Balmer eas principais conclusões de inúmeros estudos Williams, (2002). Estes autores forneceramreferentes a fatores que podem interferir na evidência experimental de que os árbitros deformulação da decisão do árbitro de futebol no futebol são afetados pelo barulho da torcida.momento que este tem que paralisar uma Para tanto, em um laboratório, eles mostrarampartida de futebol. algumas disputas de bola ocorridas em jogos da Primeira Liga Inglesa, gravadas em vídeo,MATERIAS E MÉTODOS para dois grupos de árbitros qualificados que tiveram que decidir se marcariam ou não umaDelineamento do estudo e coleta dos dados falta. Um grupo assistiu o videoteipe sem o A presente revisão envolveu consulta barulho da torcida, enquanto o outro grupoa artigos científicos, livros didáticos, resumo ouviu o barulho. Aqueles que enfrentavam osde trabalhos apresentados em congressos, desafios com o barulho da multidão de fundoobtidos pela navegação na Internet, e consulta ficavam mais inseguros no momento de tomarem bases de dados eletrônicas indexadas, a decisão e marcaram significativamentecomo SciELO, Medline, Sport Discus, Scopus menos faltas (15,5%) contra o time da casa,e Lilacs, sobre a temática “árbitro de futebol”. quando comparado com os que assistiram emAs palavras-chave (unitermos) utilizadas para silêncio. É notável que as decisões tomadasa pesquisa foram: árbitro, futebol, referee, pelo grupo de árbitros que ouviu o barulhofootball e soccer. estejam significativamente mais de acordo Foram identificadas e selecionadas com as decisões tomadas pelo árbitro original132 publicações envolvendo árbitros de da partida do que as decisões tomadas pelofutebol; após a leitura, foram selecionadas 28, grupo que assistiu as entradaspor tratarem especificamente do tema desta silenciosamente.pesquisa, ou seja, tinham como objetivo da Nevill, Newell e Gale (1996)pesquisa estudar um tema relacionado com observaram que a vantagem do time da casafatores que podem interferir na tomada de aumentava nas divisões com multidõesdecisão ou na conduta do árbitro durante a maiores. A maior vantagem da casa empartida. porcentagens de jogos ganhos, jogadores expulsos e pênaltis marcados não ocorreu naDISCUSSÃO Primeira Liga Inglesa, mas na primeira divisão inglesa, na qual as multidões eram Recentemente, o técnico de futebol consideravelmente menores.Vanderlei Luxemburgo, treinador da equipe do Estes resultados sugerem que umaFlamengo, comentou em várias emissoras de vez que a multidão alcance certo tamanho outelevisão que ele havia observado e tinha densidade, observa-se um pico na vantagemgravado em uma fita de vídeo uma partida de da casa. Estes estudos fornecem algumafutebol sem a presença de torcedores, quando evidência de que o tamanho e a consistênciadirigia uma equipe de futebol que havia sido da multidão (torcida) podem influenciar o graupunida com o mando de uma partida com os da vantagem da casa. Esta descobertaportões fechado. conduziu à sugestão de que a multidão seja Na partida, ele observou que o árbitro capaz de elevar o desempenho dosapresentou menos cartões, inclusive para competidores da casa ou,infrações que repetidamente sempre o jogador subconscientemente, influenciar os árbitrosrecebia cartão, principalmente o amarelo, e para favorecerem o time da casa (Nevill evárias faltas sinalizadas pelos árbitros quando Holder, 1999).o estádio está cheio de torcedores ali não Wallsten e Barton (1982) mostraramforam marcadas. Ou seja, na prática, ele que quando os participantes são colocadosobservou e comentou que o comportamento sob restrições ou pressões de tempo édo árbitro durante uma partida sem torcida era provável que eles focalizem nas possibilidadestotalmente diferente do seu comportamento mais salientes. Estas tendem a seremquando o estádio estava tomado por uma possibilidades que chamam mais atenção oumultidão. Esta observação foi objeto de alguns que são mais fáceis de processar, nãoestudos. importando seu valor diagnóstico (Payne, 1980).Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 4. 116 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r Uma sugestão é que quando torcida era para reduzir significativamente oestiverem frente a uma decisão contenciosa, número de infrações marcadas contra o timeos efeitos do barulho da torcida sejam da casa, em lugar de aumentar o número departicularmente salientes para os árbitros por infrações contra o time visitante.guiar ou constranger sua busca por Observam-se, constantemente, napossibilidades que favoreçam o time da casa. imprensa algumas pessoas sugerindo queIsto é confirmado pela pesquisa que sugere seria prudente interromper o jogo emque informações que são difíceis de interpretar determinadas jogadas para que uma equipeserão subprocessadas ou ignoradas (Bettman, decidisse o lance.Johnson e Payne, 1990; Johnson, Payne e Com base nos resultados jáBettman, 1988). apresentados, uma vez acatada esta Uma vez que o barulho da torcida não sugestão, seria prudente que os corposé confiável e não é de natureza diagnóstica, administrativos, como a Fédérationisto resultaria em mais decisões favoráveis ao Internationale de Football Association (FIFA),time da casa. considerassem empregar o replay do vídeo Com respeito a um julgamento para ajudar os árbitros em campo, fossetendencioso em potencial na tomada de empregado mais de um árbitro para ajudar adecisão, o árbitro pode colocar importância julgar tais replays contenciosos e, maisigual na informação audível da torcida e na importante: os árbitros deveriam julgar eminformação visual, levando a desequilíbrio de uma cabine à prova de som, evitando adecisões a favor do time da casa. influência da torcida. Pesquisas anteriores sugerem que a Nos estudos apresentados acima,experiência pode ajudar a reduzir houve um desequilíbrio significativo naspotencialmente efeitos negativos de estresse decisões tomadas, por árbitros experientes,no desempenho (Janelle, Singer e com e sem barulho da torcida.Williams,1999; Williams e Elliott, 1999). Os anos de experiência tiveram efeitoÁrbitros experientes provavelmente teriam significativo no número de infrações marcadasmaior controle sobre suas emoções (Hardy, pelos árbitros contra os jogadores do time daJones e Gould, 1996) e bases de casa, aumentando com os anos deconhecimento de tarefa específica ampliadas experiência até um pico aos 16 anos deque facilitam a tomada de decisão com experiência (aproximadamente) e, depoishabilidade, em ambientes com alto nível de disso, foi observado um declínio (Nevill,estresse (Williams, Davids e Williams, 1999). Balmer e Williams, 2002). Dado que fazer uma marcação ruim e O outro efeito principal da experiênciao barulho da torcida elevarão os níveis de do árbitro foi aumentar significativamente otensão nos árbitros do grupo exposto ao número de decisões incertas pelos árbitrosbarulho, de modo semelhante ao do árbitro da experientes, ou seja, mais velhos.partida (fontes de tensão percebidas como Dohmen (2008) afirma que sociólogosdifíceis de controlar), a estratégia para lidar e psicólogos sociais reconhecem que ascom isso é provavelmente evitá-la. Como é decisões dos indivíduos não só sãoprovável que a torcida deixe claro que eles governadas pelos pagamentos materiaissentem que a decisão foi errada, evitar isso (dinheiro), mas também por pagamentospoderia ser interpretado como simplesmente sociais (reconhecimento), não-materiais, quenão tomar a decisão impopular para penalizar surgem no ambiente social dos tomadores deo time da casa ao avaliar os desafios menos decisão; por exemplo, na forma de aprovaçãoclaros ou contenciosos. social ou de sanções sociais. Sempre que um jogador da casa Este tipo de pressão social pode fazercomete uma infração, a reação da torcida é com que os árbitros tomem decisões quecapaz de ativar uma tensão potente de fazer acomodem as preferências de um grupo socialmarcação ruim, assim aumentando o nível de (torcida) até mesmo se eles não estiverem deincerteza ou indecisão dos árbitros, resultando acordo com os próprios interesses do tomadorem nenhuma decisão (evitar) e menos de decisões (árbitro).infrações contra o time de casa (Nevill, Balmer Dohmen (2008) se refere a este pontoe Williams, 2002). de vista como a "hipótese da pressão social". Portanto, de forma interessante, o Em uma partida de futebol, é deestudo de Nevill, Balmer e Williams, (2002) interesse particular do árbitro ser imparcial,indicou que o efeito dominante do barulho da enquanto os torcedores querem o sucesso deRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 5. 117 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rseu time e, portanto, deveriam ter interesse próxima do campo e do árbitro; nesse caso, háem trabalhar por um objetivo comum; uma intensidade da pressão socialentretanto, contestam as decisões do árbitro indiscutivelmente maior.que não favorecem seu time e aprovam Essa descoberta empresta suportesomente as decisões favoráveis, em uma para a conjetura que forças sociais influenciamatitude totalmente parcial e irracional. a decisão dos árbitros, seja por causa da Dohmen (2008) desenvolveu um pressão social da torcida, diretamenteestudo que forneceu evidência complementar acionando o julgamento parcial da arbitragem,do comportamento tendencioso do árbitro com ou por um canal mais oblíquo, no qual, porbase nos dados de 3.519 jogos da Primeira exemplo, a torcida cria uma atmosfera queBundesliga (Campeonato Alemão), que apóia encoraja os jogadores no campo para exercera visão de que o ambiente social pode afetar pressão sobre o árbitro.as decisões do árbitro. A análise empírica Portanto, times da casa que jogam emconfirma que árbitros profissionais, que são estádios com uma pista de atletismo sãodesignados e pagos pela Associação de afetados de forma diferente do que os timesFutebol Alemão (DFB) e de quem se espera que jogam em estádios sem uma pista aoque sejam imparciais, na realidade, redor do campo (Dohmen, 2008).sistematicamente favorecem o time da casa. O árbitro acrescenta mais tempo na O favoritismo é manifestado no tempo partida se o time da casa está perdendode acréscimo, na marcação de gols e nas (Dohmen, 2008).cobranças de pênalti. Os dados também De forma interessante, torcedores têmforneceram evidências de que características incentivos muito mais fracos para influenciar oda torcida, tais como a composição da torcida árbitro em partidas decididas na qual o últimoe a distância do campo de futebol que esta se resultado da partida é improvável que mudeposiciona, prejudicam as decisões dos durante o tempo de acréscimo.árbitros, de forma que é consistente com a Outro estudo que corroborou estahipótese de pressão social; quer dizer, que as afirmação foi desenvolvido por Garicano,forças sociais influenciam o comportamento do Palacios-Huerta e Prendergast (2005), que,árbitro. analisando dados de duas temporadas da Dohmen (2008) relata que a extensão Primeira Liga de Futebol Espanhol,do comportamento tendencioso depende da perceberam que os árbitros espanhóiscomposição da torcida: a parcialidade da casa favoreciam o time da casa prolongando otende a ser menor quando mais partidários do tempo da partida em quase 2 minutos quandotime visitante assistem à partida. Isto é o time da casa estava perdendo por um gol,consistente com a ideia de que a aprovação quando comparado à situação na qual o timesocial e as sanções sociais têm efeito de valor da casa está ganhando por um gol.contrário em recompensas sociais líquidas. Eles também investigaram se o Os partidários de cada time, que têm o tamanho da torcida e a proporção deinteresse comum, que o time preferido deles frequência-capacidade fazia diferença ealcance sucesso, trabalham para este objetivo descobriram que o aumento no desvio padrãoaclamando decisões favoráveis do árbitro e na frequência aumenta a parcialidade emexpressando descontentamento com as cerca de 20%, enquanto a proporção dedecisões desfavoráveis. frequência-capacidade mais alta reduz a Os julgamentos dos árbitros evocam a tendência à parcialidade.aprovação social dos torcedores do time Eles também concluíram quefavorecido e sanções sociais do time oposto. incentivos não monetários, em particular aEspera-se que um árbitro que não é pressão social da multidão, provocam oinfluenciado, quer dizer, que não deriva tratamento preferencial.utilidade intrínseca de uma determinada Sutter e Kocher (2004) destacam que,partida e valoriza pagamentos sociais, pense como são os árbitros que decidem anos custos e benefícios sociais do quantidade de tempo extra a favor ou não doacontecimento esportivo. time da casa, não há nenhuma razão pela qual Outro dado importante desta pesquisa os árbitros deveriam acrescentar mais tempofoi perceber que o favoritismo do time da casa extra quando o time da casa está perdendoé mais forte quando a partida acontece em um por um gol depois dos primeiros 45 min,estádio sem pista de atletismo ao seu redor, porque ainda há o segundo tempo a serou seja, quando a torcida fica fisicamente mais jogado.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 6. 118 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r Em vez disso, os árbitros poderiam indicaram que é significativamente maisficar tentados a acrescentar menos tempo provável que os times da casa recebam umaextra se o time da casa estiver perdendo por cobrança de pênalti quando esta deveriaum gol no primeiro tempo para evitar mais objetivamente ser marcada e quando umadanos (o time visitante poderia marcar mais marcação de pênalti é discutível.um gol) e dar ao time da casa a oportunidade As estimativas também mostram quede se reorganizar o mais rápido possível os árbitros tendem a marcar menos cobrançasdurante o intervalo. de pênalti discutíveis e injustificadas quando a Outra informação a ser destacada no torcida está separada do campo por uma pistaestudo de Dohmen (2008) diz respeito à de atletismo (Dohmen, 2008).marcação de faltas. Este autor observou Outra diferença ocorre quando adiferença estatisticamente significativa, que análise envolve situações ambiguas, em queindica que times da casa tiveram mais gols até mesmo a subsequente análise do vídeomarcados incorretamente ou discutíveis a seu não pôde determinar claramente se estafavor, em relação aos times visitantes. situação deve ser punida com penâlti. Notavelmente, é menos provável que Nestas situações ambíguas, a equipegols concedidos sejam corretamente da casa teve frequentemente mais pênaltismarcados quando um time está perdendo, marcados do que a equipe adversáriaespecialmente quando o time da casa está (Dohmen, 2008).perdendo. É particularmente provável que o Esta é uma prova de que o árbitro, emtime da casa receba a marcação de gol com situações ambíguas, não decide casualmente,base em uma decisão errada ou discutível se mas contraditoriamente. No caso daestiver perdendo por um ou dois gols. vantagem da equipe da casa, poderiam os Os árbitros também parecem gritos da plateia ter estimulado o árbitro afavorecer os times da casa em decisões de realizar esta sinalização.cobrança de pênalti. Os dados brutos revelam Askins (1978) sustentou que durante oque uma fração menor de pênaltis para o time curso de qualquer competição há muitosda casa é corretamente marcada (65,20% vs incidentes que parecem ambíguos, até mesmo72,57%). para os árbitros mais veteranos. Quando isto Diferenças observadas nas acontece, os árbitros fazem o que todos osfrequências de decisões injustas, corretas e humanos fazem, basicamente, em tal situação:discutíveis foram estatisticamente eles buscam esclarecer a situação porsignificativas. Novamente, a fração de qualquer meio disponível. A reação da torcidadecisões erradas ou discutíveis a favor do time às vezes pode fornecer a dica que incita ada casa é maior quando o time da casa está decisão.perdendo. Dohmen (2008) afirma ter ficado Porém, deve ser notado que os evidenciado que os árbitros mais experientesárbitros também tomam mais decisões tendem a ser menos parciais, o que sugerediscutíveis a favor do time visitante, quando o que os indivíduos podem aprender a resistir àtime visitante está perdendo por apenas um pressão social.gol. Na ampla literatura sobre a vantagem Foi constatado que o time da casa do time da casa em esportes nos quais ocorrerecebe significativamente mais gols ilegítimos o enfretamento entre duas equipes, a pressãodo que o time visitante. Também foi observado social exercida pela torcida mostrou ser deque é mais provável que os times visitantes grande importância (Courneya e Carron, 1992;tenham negado um gol ou uma cobrança de Nevill e Holder, 1999).pênalti legítimo ou discutível, pois o time Há dois canais principais pelos quais ovisitante teve um pênalti legítimo injustamente fator torcida se torna efetivo. Primeiro, asnegado em 35,75% dos casos; mas com o torcidas podem estimular o time da casa a setime da casa isso só aconteceu em 29,59% desempenhar melhor.dos casos. Embora a literatura não seja No caso de decisões a respeito de conclusiva nesse aspecto, um recente estudopênaltis discutíveis, a evidência do favoritismo realizado por Neave e Wolfson (2003) pôdedo time da casa é ainda mais pronunciada: os unir a composição da torcida à reaçãotimes da casa têm 28,67% dos pênaltis fisiológica dos jogadores. Maisdiscutíveis marcados, mas os times visitantes especificamente, eles mostram que ostêm apenas 20,27%. Portanto, os dados jogadores têm um nível de testosteronaRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 7. 119 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rsignificativamente mais alto nos jogos objetivo examinar a agressão exibida pelosrealizados em casa do que quando atuam fora jogadores e analisar as decisões dos árbitrosde casa, o que poderia ser causado por um sobre estes comportamentos como umadesejo natural de defender seu próprio função do gênero dos jogadores no futebolterritório. francês. Em segundo lugar, o barulho criado Foi percebido que os jogadores dopela torcida pode influenciar o árbitro para, sexo masculino praticaram atos agressivossubconscientemente, favorecer o time da mais violentos que os jogadores do sexocasa. As torcidas liberam sua raiva em grande feminino.parte e bastante depressa nos árbitros por Não obstante, em relação ao númerocausa de decisões que não favorecem seu total de punições aos atos agressivostime (Sutter e Kocher, 2004). cometidos, os árbitros penalizaram mais as Exames estatísticos de registros de mulheres do que os homens.jogo indicam que os times da casa ganham Estereótipos de gênero poderiam sermais frequentemente que os times de fora; os uma explicação pertinente para estestimes da casa recebem mais penalidades resultados, uma vez que o futebol geralmentefavoráveis e recebem menos cartões (Nevill, é percebido como um esporte do tipoNewell e Gale, 1996). masculino, particularmente na França, e a Por exemplo, em um estudo sobre o agressão como uma característica tipicamentenúmero de penalidades marcadas a favor dos masculina, afirmam os autores.times da casa nas ligas inglesas e escocesas, No contexto desportivo, há tambémos resultados mostraram evidências claras de uma evidência crescente de que os homensque os times da casa com grandes torcidas são mais agressivos ou percebem a agressãorecebem mais penalidades a seu favor, como sendo mais legítima do que as mulheresenquanto os times de fora recebem mais o fazem (Conroy e colaboradores, 2001;penalidades contra, com mais jogadores Tucker e Parks, 2001).sendo expulsos (Nevill, Newell e Gale,1996). Este fato poderia justificar o porque De acordo com Courneya e Carron das mulheres serem mais penalizadas por(1992), quatro fatores poderiam explicar infrações às regras em faltas similares àsporque a vantagem da casa acontece: o fator cometidas pelos homens durante uma partidatorcida, isto é, o número de torcedores de futebol.presentes no campo de jogo; os fatores de Apesar da falta de consenso naaprendizagem, que estariam relacionados ao definição do que é agressão no esporte, umatempo de arbitragem do indivíduo; os fatores que é frequentemente aceita é ode viagem, ou seja, o desgaste físico que o comportamento que transgride as regras daárbitro sofre para chegar ao estádio; e os atividade considerada com a intenção defatores de regras, que se referem ao prejudicar ou ferir alguém (Tenenbaum econhecimento das mesmas. Nevill e Holder colaboradores, 1996).(1999) acreditam que o fator de torcida é o Os árbitros estão diretamentemais importante e que os árbitros podem ser preocupados com a agressão porque eles sãoinfluenciados em suas decisões pela pressão responsáveis por fazer com que as regrasda multidão. sejam cumpridas adequadamente, pois o risco Folkesson e colaboradores (2002) de um jogador sofrer ferimento é cerca demostraram que a concentração e o 1.000 vezes maior do que o encontrado nadesempenho dos árbitros, particularmente dos maioria de outras profissões (Fuller, Junge emais jovens, foram influenciados pelas Dvorak, 2004).ameaças e agressões dos jogadores, dos Investigações de atos de agressão dotreinadores e do público. Reforçando esta espectador e observações de torcedoresafirmação, McMahon e Ste-Marie (2002) demonstram uma relação entre a agressão domostraram que as decisões dos árbitros de torcedor e as atividades dos jogadores norúgbi eram tomadas em função da experiência campo.- e não tanto pela descoberta de infrações Berkowitz (1972) e Smith (1983)decorrentes de fatores que não estavam sugerem que quando o desempenho dospresentes na jogada, ou seja, de informações jogadores no campo for percebido comoextracampo. violento, os espectadores e os partidários do Coulomb-Cabagno, Rascle e Souchon esporte tendem a agir ambos violentamente(2005) publicaram um estudo que teve como durante e após a partida.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 8. 120 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r Entretanto, o conceito de agressão uma atitude correta relacionada à ofensadesportiva é multifacetado (Lindroth, 1986). verbal ocorrida no transcurso de uma partidaPor exemplo, é importante distinguir entre (Praschinger, Pomikal e Stieger, 2011), apesaragressão física e agressão verbal. Agressão de a literatura mostrar que o abuso verbal dosfísica acontece, por exemplo, quando um jogadores nos árbitros é percebido como umajogador de futebol machuca o outro jogador das situações mais embaraçosas em um jogointencionalmente. Outra forma de agressão (Kaissidis e Anshel, 1993). Em outrasacontece quando os atletas aplicam métodos palavras, a regra 12 não estaria sendoverbais, por exemplo, ameaças e palavras de cumprida em sua plenitude.baixo calão, na tentativa de perturbar um ao O estudo desenvolvido poroutro e, assim, ganhar um pouco de Praschinger, Pomikal e Stieger, (2011)vantagem. demonstrou que os árbitros são inconsistentes O ato físico de tentar em suas aplicações das regras em relação aperturbar/danificar a integridade física de outra ofensas verbais, vindas de dentro ou de forapessoa por aplicação de força física foi do campo de jogo. A mesma palavra sendocunhado de agressão por Gill (1979). De dita para dois árbitros diferentes podeacordo com este autor, um chute dado por desencadear reações diferentes, embora asuma atleta no seu adversário quando do regras do jogo sejam idênticas em relação àconfronto em uma disputa de bola (como, por situação de agressão verbal.exemplo, no futebol) é uma ação agressiva, Weiberg e Gould (2001) enfatizarammas golpear a mesma pessoa no queixo com que a comunicação gestual transmiteo punho fechado constitui um ato vingativo de mensagem tanto em nível voluntário como nãoagressão. voluntário. Exemplo disso, é que tanto árbitro Além disso, Gill (1979) sugere que um como atletas, técnicos, dirigentes e torcedores,ato pode ser considerado vingativo quando quando se expressam mediante determinadosnão há uma desculpa satisfatória ou quando o gestos, podem ser aclamados, criticados,ato é executado de forma deliberada. vaiados e/ou expulsos. De acordo com Isberg (1986), alguns Entretanto, de um lado temos asatos de agressão são incluídos nos conceitos regras do jogo, as quais os árbitros devemde que estes pertencem ao esporte e ao redor seguir, do outro lado, nós temos uma situaçãodos quais surge uma dificuldade de identificar altamente complexa e dinâmica: uma partidao que realmente constitui uma ação agressiva de futebol.e um ato de agressão. Os árbitros parecem resolver este Isberg (1986) especula que a palavra dilema aplicando a “administração do jogo”“agressão” incorpora uma dimensão de (Praschinger, Pomikal e Stieger, 2011).valores que podem ser interpretados de vários Eles balanceiam suas decisõesmodos. Uma entrada legítima para a posse de através da sua sensibilidade a váriasbola no futebol pode ser interpretada como influências, por exemplo: tempo de jogo, nívelagressiva, mas não necessariamente como de agressividade dos jogadores dentro dauma agressão para a qual a exigência partida, tamanho da torcida presente noadicional de um ato físico ilegítimo deve ser estádio, se a partida está sendo televisionada,cumprida; esta distinção pode facilitar as se há policiamento no campo de jogo, osimplicações subjacentes de "agressivo" e antecedentes do jogador etc."agressão". A administração do jogo parece ser As regras do jogo instruem os árbitros um pré-requisito necessário para a aplicaçãoem como eles devem responder quando das regras do jogo, apesar de, em algumasjogadores, substitutos, substituídos ou situações, contrariar o que está escrito nasdirigentes de equipe se utilizam de um regras, sendo aplicada de maneira diferentelinguajar abusivo e/ou gestos no sentido de em situações específicas durante uma partida.contrariar a sua decisão. Folkesson e colaboradores (2002) Um estudo, que teve como objetivo examinaram as circunstâncias pertinentes averificar a relação da aplicação dos cartões ameaças e agressão (físicas ou verbais)amarelo e vermelho, frente a uma agressão durante as partidas de futebol que foramverbal, levando em consideração o disposto no vivenciadas por 107 árbitros da Associação deitem que trata de faltas e incorreção do Futebol da Província de Värmland (regiãocaderno de regras da FIFA, mostrou que ocidental da Suécia). Foram identificadas trêssomente 55,7% dos árbitros teriam tomado fontes de agressão: (1) jogadores de futebol,Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 9. 121 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r(2) técnicos/treinadores e (3) espectadores. A Em um estudo que teve como objetivoincidência de ameaças e agressão teve efeito examinar as razões e os motivos que levavamna concentração, no desempenho e na uma pessoa a atuar como árbitro de futebol,motivação, inclusive nas preocupações antes os resultados mostraram que a razão maisda partida. Além disso, descobriu-se que os importante para se tornar um árbitro de futebolresultados foram afetados pela idade, pelo era manter o contato com o esporte depois degrau de experiência e pela orientação de vida uma carreira ativa como um jogador de futeboldos árbitros. (Isberg, 1978). Percebeu-se que os árbitros mais Um forte interesse pelo jogo tambémjovens eram os mais sujeitos a ameaças e foi um fator crítico. O desejo contínuo de seagressão. Com relação à motivação para tornar um árbitro melhor era um dos motivosarbitrar uma partida, este estudo concluiu que para eles continuarem atuando como árbitrosos árbitros com orientação geralmente de futebol. Foram listadas oportunidades depessimista experimentaram menos motivação, contato humano e chances de melhoria nadesempenho pior e maiores problemas para função de árbitro entre as experiênciasenfrentarem o comportamento agressivo dos positivas deles. Entre as experiênciastorcedores, quando comparados com árbitros negativas, figurou o nível elevado de críticacom orientação geralmente otimista. gerada pela mídia e pelos técnicos. Rainey (1994, 1995) examinou fontes Já os resultados do estudo de Friman,de tensão entre 782 árbitros qualificados Nyberg e Norlander (2004) descrevem as(certificados) de beisebol e de softboll. Foram percepções de ameaças e agressõesrevelados quatro fatores correlacionados: vivenciadas pelos árbitros. Apesar disto, e demedo de fracasso, medo de dano físico, certa forma surpreendentemente, muitos delespressão do tempo e conflito interpessoal. O declararam que é divertido ser árbitro deestudo sugeriu que esses fatores podem ser futebol.fontes comuns de tensão entre os árbitros e Por exemplo, em comunidadesque há necessidade de se pesquisar as fontes pequenas o valor do sucesso é muitode tensão em árbitros de outros jogos importante.esportivos. Da mesma forma, uma decisão que Andersson (1983) examinou os não favorece o time da casa foi relacionada amotivos que levam os árbitros a continuarem reações emocionais fortes (irritação earbitrando partidas de futebol, apesar de ser agressão) do público que assiste ao jogo. Umaum trabalho aparentemente ingrato. O estudo possível explicação para as ameaças e asincluiu 36 árbitros de futebol da Associação da agressões que os espectadores dirigiram aoregião de Göteborg, Suécia, para os quais foi árbitro pode ser por falta de conhecimentopedido que respondessem perguntas sobre as regras do jogo.organizadas na forma de um questionário. Por exemplo, vários participantes Os resultados indicaram que dois validam a raiva que os jogadores, os técnicosterços tiveram intenção de desistir do seu e a torcida expressaram em situações quandotrabalho como árbitro. A razão mais comum eles não estavam completamente certos daspara isto era que arbitrar ocupava muito de regras ou da mais recente interpretação dasseu tempo e que eles tinham se cansado de regras (Friman Nyberg e Norlander, 2004).toda a crítica que eles tiveram que aceitar no Um exemplo do baixo nível depapel de árbitro. conhecimento em relação às regras de futebol Geralmente, eles também percebiam é dado por Mack (1980). Segundo este autor,as exigências feitas a eles como sendo pode-se garantir que menos de um porcentoirracionais. Vinte por cento dos respondentes da população brasileira leu uma regra de(7 entre 36) tinham ficado tão chateados por futebol e isto, sem dúvida nenhuma, dificulta acausa das críticas que consideraram a atuação do árbitro durante uma partida, tendopossibilidade de renunciar ao trabalho. Vários em vista os fatos mencionados anteriormente.árbitros (aproximadamente 30%) queriam que A atenção é um aspecto importante noos jogadores e os treinadores recebessem processo de elaboração de uma decisão a seruma formação melhor e ensinamentos a tomada pelo árbitro.respeito das regras e regulamentos do jogo. A Quando o árbitro não corre no camporazão principal pela qual os árbitros como se espera que faça, os jogadores ficamcontinuaram arbitrando, apesar de tudo, foi o visivelmente aborrecidos. Se o árbitroamor que tinham pelo jogo. frequentemente perder situações importantes,Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 10. 122 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b ros jogadores eventualmente perderão a com reputação agressiva foi penalizado maisconfiança no árbitro e começarão a agir severamente do que o outro time.agressivamente e ameaçadoramente e isto Plessner e Betsch (2001) observarampode contribuir para o seu fracasso na que as decisões também podem sercondução da partida. influenciadas por decisões anteriores; era Friman Nyberg e Norlander, (2004) menos provável que os árbitros marcassemafirmam que há esperança de que um uma penalidade para um time se eles tivessemtreinamento mais extensivo de jogadores e marcado uma penalidade para o mesmo timetécnicos sobre as regras e os regulamentos do antes, e era mais provável que marcassemjogo reduziriam as experiências negativas uma penalidade para um time se eles tivessemcausadas por ameaças e agressões. Além marcado para o outro time antes. Ou seja,disso, os resultados realçam a importância de uma vez que o árbitro concedeu um pênalti ase espaçar as partidas. Muitos jogos por uma equipe, ele supostamente muda seusemana parecem afetar a atenção dos critério de conceder pênalti ao mesmo timeárbitros. para um nível mais alto em situações Em resumo, os resultados do presente subsequentes.estudo correspondem a resultados A maioria das realizações esportivasencontrados em pesquisas anteriores requer a execução de força física e habilidade(Coakley, 1994; Folkesson e colaboradores, do indivíduo (Connell, 1987; 1995).2002; Gill, 1985; Smith, 1983), mostrando que A força que é exibida durante umaameaças e agressões são um problema entre competição pode assumir a forma de agressãoárbitros de futebol. latente ou implícita associada com aquele Todos estes resultados apóiam a esporte.evidência de que atitudes tendenciosas podem Neste contexto, Messner (1992)estar presentes no processo de tomada de sugeriu que o esporte de alto nível (elite)decisão dos árbitros. Este fato também é requer que os desportistas (homens econfirmado por outros estudos que incluíram mulheres) vejam seus corpos comovariáveis como a cor dos uniformes, a instrumentos, até mesmo armas, na "luta" parareputação dos times ou as decisões anteriores vencer.dos árbitros. O desempenho esportivo na Assim, Frank e Gilovich (1988) sociedade atual é associado com váriosindicaram que os árbitros de futebol e hóquei fenômenos diferentes que incorporamno gelo percebiam os jogadores com sofrimento, histeria, excitação, drama e osuniformes pretos como sendo mais agressivos. ideais tradicionais, mas até mesmo trapaça ePor conseguinte, eles também tenderam a agressão (Strahlman, 1997).penalizar mais esses jogadores, talvez porque Pode-se sugerir que o esporte fornecea cor preta seja associada com agressividade. oportunidades para a expressão de Jones, Paull e Erskine (2002) sentimentos e emoções (agressão) (Coakley,estudaram o impacto da reputação agressiva 1994), que pode, por um lado, levar a umde um time nas decisões tomadas por árbitros domínio melhor das situações estressantes ede futebol. Cinquenta incidentes, divididos emocionalmente carregadas, enquanto, porentre cinco categorias – faltas manifestas outro lado, pode levar a comportamentocometidas pelo time; faltas ambíguas violento e agressivo.cometidas pelo time; faltas manifestas Na ótica de Buther (2000), o estadocometidas contra o time; faltas ambíguas emocional influencia o comportamento decometidas contra o time; e nenhuma falta técnicos, atletas, torcedores, árbitro ecometida. Foram mostrados a 38 árbitros, assistentes durante o desenvolvimento de umprimeiro com informação explícita sobre jogo. Ninguém tem a noção exata da natureza,reputação agressiva do time, depois sem da extensão e da profundidade dos impactosqualquer informação a respeito da reputação dos fenômenos sociológicos e psicológicosdo time. O último grupo apenas teve que julgar sobre o comportamento dos indivíduos dentrocada incidente em seu próprio mérito. dos estádios de futebol. Os resultados revelaram que a Os árbitros mais jovens estão maisinformação sobre a reputação agressiva do expostos e são mais vulneráveis à ameaça e àtime afetou o número de cartões amarelos e agressão. Uma possível explicação para estavermelhos (a severidade da sanção), mas não situação pode ser que os árbitros mais jovenso número total de decisões marcadas. O time tenham frequentemente menos experiênciaRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 11. 123 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rem arbitragem de partidas de futebol, tendo cartão amarelo ou do cartão vermelho éem vista o número pequeno de partidas que os necessário o critério do árbitro. Contudo,mesmos participaram (Folkesson e espera-se que a equipe defensiva seja comcolaboradores, 2002). mais frequência punida. Uma equipe visitante Poderia se especular que um tipo tem jogo defensivo mais do que uma equipediferente de experiência seja relevante, da casa. Por isso, espera-se que uma equipealguma maneira de "experiência de vida" que visitante seja penalizada com mais frequênciapermite que o árbitro mais velho apresente do que a equipe da casa (Courneya e Carron,maior eficácia para desarmar as tendências à 1992; Pollard, 2006).ameaça e à agressão em uma fase inicial. E, portanto, recebe a equipe da casaOutra explicação pode ser que os jogadores menor número de cartões amarelos e menosde futebol, os técnicos e o público podem expulsões do que a equipe visitante (Sutter eperceber um árbitro mais velho como sendo Kocher, 2004).mais merecedor de respeito que um árbitro Árbitros no futebol têm a tarefa demais jovem, i.e., sugerindo a existência de conduzir as partidas de forma imparcial. Noalgum mecanismo "patriarcal" (Folkesson e entanto, há pelo menos duas dificuldades paracolaboradores, 2002). os árbitros desenvolverem julgamentos Por outro lado, o fator idade não imparciais e tomarem decisões dificeis.parece influenciar a motivação e o Primeiro, eles devem chegar a uma decisãodesempenho dos árbitros, pois, segundo rapidamente, mesmo que não tenhamFolkesson e colaboradores, (2002), ambos os observado corretamente o lance da partida. E,árbitros (com orientação pessimista e segundo, há lances ambíguos, nos quais sãoorientação otimista) se sentiram expostos à obrigados a tomar uma decisão. Esta situaçãoameaça e à agressão a um grau equivalente, leva ao surgimento de decisões tendenciosas.mas os árbitros pessimistas sofreram mais Os dados mostram que a semelhança culturalcom os efeitos, independente da idade. Os do árbitro com uma equipe se reverte emárbitros com orientação pessimista tiveram vantagem (Messner e Schmid, 2007).maiores problemas de motivação e o seu A vantagem de uma equipe numadesempenho tendeu a se deteriorar quando partida pela proximidadade cultural não é bemcomparado com árbitro com orientação clara. Neste ponto, a pesquisa difere de umotimista. estudo no futebol australiano. Além disso, os árbitros pessimistas Mohr e Larsen (1998) encontraramtiveram maiores problemas para lidar com o maior número de jogos do campeonatocomportamento agressivo dos espectadores. australiano nos quais os tiros livres diretosParece ser o caso de que uma perspectiva de eram mais favoráveis às equipes de regiõesvida otimista pode afetar em grande parte a tradicionais do futebol australiano do que emforma como a pessoa lida com as tensões e as comparação com as equipes das regiões emexigências dos jogos esportivos fisicamente e que o esporte foi introduzido mais tarde. Elespsicologicamente (Folkesson e colaboradores, explicam este efeito pela condição social do2002). árbitro, pois os árbitros provêm, na maioria das Na Suíça existem duas comunidades, vezes, de áreas tradicionais.divididas em língua francesa e língua alemã, Outros fatores podem influenciar nasendo assim, ali foi desenvolvido um estudo atenção concentrada, conforme análisescom o intuito de verificar se uma equipe possui resultantes dos estudos de Maughan e Leiperalguma vantagem quando se trata da mesma (1994), os quais relatam que houvecultura do árbitro (Messner e Schmid, 2007). interferência na performance em testes de Foram analisados 1.033 jogos do função cognitiva quando o nível decampeonato da primeira divisão de futebol desidratação alcançou 2% do peso corporalsuíço (masculino). Verificou-se que uma inicial. A desidratação dos árbitros durante aequipe tem vantagem quando se trata da partida já foi objeto de estudo da comunidademesma cultura do árbitro. O benefício foi científica. No primeiro estudo, constatou-seevidente no número de vitórias, a quantidade que a perda total de água corporal pelo árbitrode pontos ganhos, o número de cartões durante a partida era equivalente a 2,05% doamarelos e o número de expulsões. seu peso corporal (Da Silva e Fernández, Outra característica especial do árbitro 2003).é o poder discricionário entre diferentes Já, em outro estudo, foi constatadopunições. No uso da advertência verbal ou do que a perda hídrica estimada do árbitro foi deRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 12. 124 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r2,16% do peso corporal (Roman e pesa nos ombros, pelo caráter irrecorrível dascolaboradores, 2004). Entretanto, estes dois suas sentenças.estudos foram desenvolvidos na região sul do Como foi possível constatar nesteBrasil, mais especificamente no Paraná. Na estudo, são inúmeros os fatores que podemliteratura, consta que a perda hídrica média do interferir no momento da formulação daárbitro de futebol atuando no Estado de São decisão de um árbitro de futebol no instantePaulo é de 3,20% do peso corporal (Da Silva e que ele tem que interromper a partida.colaboradores, 2010). Estas informações são importantes para os profissionais que trabalham comCONCLUSÃO psicologia do esporte, pois há necessidade de se desenvolver metodologias de trabalho para As regras do jogo constituem a base minimizar a influência destes fatores, para quede cada esporte. Os jogadores poderiam as decisões dos árbitros sejam cada vez maisconhecê-las e os árbitros deveriam apenas imparciais e, desta forma, se reduzindo asupervisioná-las durante o jogo, pronunciar responsabilidade do árbitro no resultado dajulgamentos com o intuito de apenas sancionar partida.as ações permissivas. Contudo, uma vez que o árbitro sofre REFERÊNCIASinfluência intra e extracampo, o que incluijogadores, treinadores e torcida, ele deve 1- Andersson, B. Hur orkar dom? En studie avapresentar um nível de tolerância para a fotbollsdomare i Göteborg. Sports Pedagogicalcondução de uma partida. A tarefa dos árbitros Reports, 10, Göteborg, Sweden: Göteborgé de difícil execução, pelo fato de que cada University, Department of Education, 1983.decisão tomada não pode ser fundamentadapor escrito. 2- Askins, R. L. Observations: The official Apesar da regra 5 estabelecer que o reacting to pressure. Referee. Vol. 4. 1978. 17-árbitro fará cumprir a regra do jogo durante 20.uma partida de futebol, Mascarenhas, O’Haree Plessner (2002) discutem que os árbitros 3- Berkowitz, L. Sports, competition, andaplicam certo tipo de administração do jogo. aggression (4th ed.) Ottawa, Canada: OttawaIsto significa que os árbitros em geral estão University, Department of National Health anddispostos a aplicar as regras de jogo, mas Welfare. 1972.durante uma partida eles têm de ser sensíveispara com a fluência do jogo. Isto os leva a 4- Bettman, J. R.; Johnson, E. J.; Payne, J. Asituações nas quais não aplicam as regras de componential analysis of cognitive effort andacordo com o propósito que estas indicam. choice. Organizational Behavior and Human Segundo Praschinger, Pomikal e Performance. Vol. 45. 1990. p. 111-139.Stieger, (2011), os árbitros se consideramcomo os administradores do jogo, ao invés de 5- Buther, R.J. Sports psychology in action.se considerarem como administradores das New York: Oxford University Press, 2000.regras do jogo. Possivelmente, porque um jogo de 6- Catterall, C.; Reilly, T.; Atkinson, G.;futebol requer administração do jogo ao invés Coldwells, A. Analysis of the work rates andde uma simples aplicação das regras pelo heart rates of association football referees. Br.árbitro. J. Sp. Med. Vol. 27. Num 3. 1993. p. 193-196. Para Manzolello (s/d), o julgamento doárbitro difere do julgamento de um juiz, por 7- Connell, R. W. Gender and power: society,exemplo, pois esse pode consultar a lei, the person and sexual politics. Cambridge:defender uma tese, invocar a doutrina ou Polity Press, 1987.discursar para os jurados, antes de pronunciarsua decisão. 8- Connell, R. W. Masculinities. Cambridge: Para tomar uma decisão, o árbitro é ao Polity Press, 1995.mesmo tempo, delegado, promotor, júri e juiz,tendo, também, que atuar como advogado de 9- Coakley, J. Sport in society (5 Ed). St.defesa em alguns momentos, porque é Louis: Mosby-Year Book, 1994.sabedor da grande responsabilidade que lheRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 13. 125 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r10- Conroy, D. E.; Silva, J. M.; Newcomer, R. 20- Frank, M. G.; Gilovich, T. The dark side ofR.; Walker, B. W.; Johnson, M. S. (2001). self and social perception: Black uniforms andPersonal and participatory socializers of the aggression in Professional sports. Journal ofperceived legitimacy of aggressive behavior in Personality and Social Psychology. Vol. 54.sport. Aggressive Behavior. Vol. 27. 2001. p. 1988. p. 74-85.405-418. 21- Friman, M.; Nyberg, C.; Norlander, T.11- Coulomb-Cabagno, G.; Rascle, O.; Threats and Aggression Directed at SoccerSouchon, N. Players’ Gender and Male Referees: An Empirical PhenomenologicalReferees’ Decisions About Aggression in Psychological Study. The Qualitative Report.French Soccer: A Preliminary Study. Sex Vol. 9. num. 2004. p. 652-672.Roles. Vol. 52. Num 7/8. 2005. p. 547-553. 22- Fuller, C. W.; Junge, A.; Dvorak, J. An12- Courneya, K. S.; Carron, A. V. The home assessment of football referees´ decisions inadvantage in sport competitions: A literature incidents leading to player injuries. Thereview. Journal of Sport and Exercise American Journal of Sports Medicine. Vol. 32.Psychology. Vol. 14. 1992. p.13-27. Num. 1, 2004. suppl. p. 17s-21s.13- Da Silva, A. I. Bases científicas e 23- Garicano, L.; Palacios-Huerta, I.;metodológicas para o treinamento do árbitro Prendergast, C. Favoritism Under Socialde futebol. Curitiba. Brasil, Imprensa da UFPR, Pressure. Review of Economics and Statistics.2005. Vol. 87. 2005. p. 208-216.14- Da Silva, A. I.; Fernández, R. Dehydration 24- Gill, P. Moral judgements of violenceof football referees during a match. Br J of among Irish and Swedish adolescents.Sport Med. Vol. 37. 2003. p. 502-506. Göteborg, Sweden: Acta Universitatis Gothoburgensis, 1979.15- Da Silva, A. I.; Fernandes, L. C.;Fernandez, R. Time motion analysis of football 25- Hardy, L.; Jones, J. G.; Gould, D.(soccer) referees during official matches in Understanding psychological preparation forrelation to the type of fluid consumed. Braz J sport: Theory and practice of elite performers.Med Biol Res. Vol. 44. Num 8. 2011. p. 801- Chichester, UK: Wiley, 1996.809. 26- Helsen, W.; Bultynck, J. B. Physical and16- Da Silva, A. I.; Fernandes, L. C.; Oliveira, perceptual-cognitive demands of top-classM. C.; Neto, T. L. B. Nível de desidratação e refereeing in association football. J. Sports Sci.desempenho físico do árbitro de futebol no vol. 22. Num. 2. 2004. p. 179-189.Paraná e São Paulo. Revista Brasileira deFisiologia do Exercício. Vol. 9. Num 3. 2010. 27- Isberg, L. Arbetsuppgifter, krav ochp.148-155. utbildning. Uppsala, Sweden: Almqvist & Wiksell International Stockholm. 1978.17- Dohmen, T. J. (2005). The influence ofsocial forces: evidence from the behavior of 28- Isberg, L. Våldet inom idrotten. En teoretiskfootball referees Economic Inquiry. Vol. 46. diskussion och empirisk analys av begreppetNum 3. 2005. p.411-424. regelvidrig handling i lagspelet ishockey. Uppsala, Sweden: Uppsala University,18- Ekblom, B. Football (soccer). London: Department of Education, 1986.Blackwell Scientific. 1994. 29- Janelle, C. M.; Singer, R. N.; Williams, A.19- Folkesson, P.; Nyberg, C.; Archer, T.; M. External distraction and attentionalNorlander, T. Soccer referees’ experience of narrowing: Visual search evidence. Journal ofthreat and aggression: Effects on age, Sport and Exercise Psychology. Vol. 21. 1999.experience, and life orientation on outcome of p. 70–91.coping strategy. Aggressive Behavior. Vol. 28.2002. p. 317-327. 30- Johnson, E. J.; Payne, J. W.; Bettman, J. R. Information displays and preferenceRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 14. 126 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b rreversals. Organizational Behavior and Human 41- Messner M. Power at play: sports and theDecision Processes. Vol. 42. 1988. p. 1-21. problem of masculinity. Boston: Beacon Press, 1992.31- Johnston, L.; Mcnaughton, L. Thephysiological requirements of soccer 42- Messner, C.; Schmid, B. Über dierefereeing. Aust J Sci Med Sport. Vol. 26. Schwierigkeit, unparteiische EntscheidungenNum. 3-4. 1994. p. 67-72. zu fällen: Schiedsrichter bevorzugen Fußballteams ihrer Kultur. Zeitschrift für32- Jones, M. V.; Paull, G. C.; Erskine, J. The Sozialpsychologie. Vol. 38. Num. 2. 2007. p.impact of a team’s aggressive reputation on 105-110.the decisions of association football referees.Journal of Sports Sciences. Vol. 20. 2002. p. 43- Mohr, P. B.; Larsen, K. Ingroup favoritism991-1000. in umpiring decisions in Australian Football. The Journal of Social Psychology. Vol.138.33- Kaissidis, A. N.; Anshel, M. H. Sources and 1998. p. 495-504.intensity of acute stress in adolescent andadult Australian basketball referees: A 44- Neave, N.; Wolfson, S. Testosterone,preliminary study. The Australian Journal of territoriality, and the home advantage.Science & Medicine in Sport. Vol. 25. 1993. p. Physiology and Behaviour. Vol. 78. 2003. p.97-103. 269-275.34- Krustrup, P.; Bangsbo, J. Physiological 45- Nevill, A. M.; Newell S.; Gale, S. Factorsdemands of top-class soccer refereeing in associated with home advantage in Englishrelation to physical capacity: effect of intense and Scottish Soccer". Journal of Sportsintermittent exercise training. Journal of Sports Sciences. Vol. 14. 1996. p. 181-186.Sciences. Vol. 19. 2001. p. 881-891. 46- Nevill, A. M.; Holder, R. L. Home35- Lindroth, J. Idrottsvåld- En historisk advantage in sport: An overview of studies onrapsodi. In Forsberg, A. (Ed.), Våld inom och the advantage of playing at home. Sportskring idrotten. Stockholm, Sweden: SISU Medicine. Vol. 28. 1999. p. 221-236.Förlag. 1986. p. 45-68. 47- Nevill, A. M.; Balmer, N. J.; Williams, A. M.36- Mack, R. C. V. Futebol empresa. Rio de The influence of crowd noise and experienceJaneiro: Palestra Edições. 1980. upon refereeing decisions in football. Psychology of Sport and Exercise. Vol. 3.37- McMahon, C.; Ste-Marie, D. M. (2002). 2002. p. 261-272.Decision-making by experienced rugbyreferees: Use of perceptual information and 48- Oliveira, M. C.; Orbetelli, R.; Neto, T. L. B.episodic memory. Perceptual and Motor Skills. Call accuracy and distance from the play:Vol. 95. 2002. p. 570-572. study with Brazilian soccer referees. Int J of Exec Science. Vol. 4. Num. 1. 2011. p. 287-38- Mascarenhas, D. R.; Collins, D.; Mortimer, 296.P. The art of reason versus the exactness ofscience in elite refereeing: Comments on 49- Payne, J. W. (1980). InformationPlessner and Betsch (2001). Journal of Sport & processing theory: Some concepts andExercise Psychology. Vol. 24. 2002. p. 328- methods applied to decision research. In333. Wallsten, T. S. (Ed.), Cognitive processes in choice and decision behavior. Hillsdale, NJ:39- Mascarenhas, D. R. D.; O’Hare, D.; Erlbaum. 1980, p. 95-115.Plessner, H. (2006). The psychological andperformance demands of soccer refereeing. 50- Plessner, H.; Betsch, T. Sequential effectsInternational Journal of Sport Psychology. Vol. in important referee decisions: The case of37. 2006. p. 99–120. penalties in soccer. Journal of Sport and Exercise Psychology. Vol. 23. 2001. p. 200–40- Manzolello, L. Futebol: revolução ou caos. 205.Rio de Janeiro: Livraria editorial Gol LTDA, s/d.Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.
  • 15. 127 Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício ISSN 1981-9900 versão eletrônica P e r i ó d i c o do I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e sq u i s a e E n si n o e m F i s i o l o gi a do E x e r c í c i o w w w . i b p e f e x . c o m . b r / w w w . r b p f e x . c o m . b r51- Plessner, H.; Haar, T. Sports performance ISSP position stand. Internacional Journal ofjudgments from a social cognitive perspective. Sport Psychology. Vol. 27. 1996. p. 229-236.Psychology of Sport and Exercise. Vol. 7.2006. p. 555-575. 63- Tucker, L. W.; Parks, J. B. Effects of gender and Sport type on intercollegiate52- Plessner,H.; Raab, M. Kampf- und athletes’ perceptions of the legitimacy ofSchiedsrichterurteile als Produkte sozialer aggressive behaviors in sport. Sociology ofInformationsverarbeitung. Psychologie und Sport Journal. Vol. 18. 2001. p. 403-413.Sport. Vol. 6. 2000. p. 130-145. 64- Wallsten, T. S.; Barton, C. Processing53- Pollard, R. Home Advantage in Soccer: probabilistic multidimensional information forVariations in its Magnitude and a Literature decisions. Journal of Experimental Psychology:Review of the Inter-related Factors Associated Learning, Memory, and Cognition. Vol. 8.with its Existence. Journal of Sport Behavior. 1982. p. 361-384.Vol. 29. 2006. p. 169–189. 65- Weinberg. R.; Gould, D. Fundamentos da54- Praschinger, A.; Pomikal, C.; Stieger, S. psicologia do esporte e do exercício. 2ªMay I curse a referee? Swear words and edição. Porto Alegre: Artmed, 2001.consequences. Journal of Sports Science andMedicine. Vol. 10. 2011. p. 341-345. 66- Weinberg, R. S.; Richardson, P. A. Psychology of Officiating. Champaign, Ill:55- Rainey, D. W. Magnitude of stress Leisure Press, 1990.experienced by baseball and softball umpires.Perceptual and Motor Skills. Vol. 79. 1994. p. 67- Williams, A. M.; Elliott, D. Anxiety and255-258. visual search strategy in karate. Journal of Sport and Exercise Psychology. Vol. 21. 1999.56- Rainey, D. W. Sources of stress among p. 362-375.baseball and softball umpires. Journal ofApplied Sport Psychology. Vol. 7. 1995. p. 1- 68- Williams, A. M.; Davids, K.; Williams, J. G.10. Visual perception and action in sport. London: Routledge, 1999.57- Roman, E. R.; Arruda, M.; Gasparin, C. E.B.; Fernadez, R. P.; Da Silva, A. I. Estudo dadesidratação, intensidade da atividade físicado árbitro de futebol durante a partida. Rev Recebido para publicação 04/03/2012Brasileira de Fisiologia do Exer. Vol. 3. Num. Aceito em 31/03/20122. 2004. p. 161-171.58- Sanabria, j.; Cenjor, C.; Márquez, F.;Gutierrez, R.; Martinez, D.; Prados-Garcia, J.L. Oculomotor movements and football’s law11. Lancet. Vol. 351 Num. 9098. 1998. p. 268.59- Smith, M. Violence and sport. Toronto,Canada: Butterworths, 1983.60- Stråhlman, O. Elitidrott, karriär ochavslutning [Sports elite, career and resolution].Acta Universitatis Gothoburgensis, 1997.61- Sutter, M.; Kocher, M. G. Favoritism ofagents. The case of referees’ home bias.Journal of Economic Psychology. Vol. 25.2004. p. 461-469.62- Tenenbaum, G.; Stewart, E.; Singer, R. N.;Duda, J. Agresión and violence in sport: AnRevista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v.6, n.32, p.113-127. Mar/Abr. 2012. ISSN 1981-9900.