ESTUDO DAS FONTES SALESIANASUma leitura histórico-críticaIntroduçãoFonte não pode ser algo que encerra um conteúdo positiv...
para o entendimento da vida espiritual e apostólica de Dom Bosco, o sonho dos “nove anos”, oencontro com Bartolomeu Garell...
Após a Missa, D. Bosco realizou a primeira reunião de sua futura Sociedade religiosa. Começoucom uma Ave Maria e um jovem ...
Um dos cuidados principais era deixar claro o objetivo de seu trabalho educativo com ajuventude.9 Tratava-se do início da ...
•    O pai biológico> os genitores;           •    O pai religioso> os padres;           •    O Pai de todos os pais>Deus....
A mensagem que Dom Bosco parece querer passar à Igreja e a todos os educadores que exercemqualquer tipo de paternidade mat...
1.3.5 Um amor personalizado   Na parábola do Bom Pastor cada ovelha é conhecida pessoalmente pelo seu dono. O bom pastor  ...
Em 1926 um jornal italiano publicou uma declaração sobre os escritos de D. Bosco que muito    incomodou os estudiosos de s...
•   Obras pedagógicas                       Vincenzo Cimatti•   Obras catequéticas e polêmicas          Sante Garelli•   O...
* 1965: Vol. V - O primeiro livro de Dom Bosco: Traços sobre a vida de Luís Comolo e MiguelMagone. Trata-se de uma experiê...
1. JOÃO BOSCO Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales [1858] – 1875 Testos críticos aos cuidados de Francesco ...
Trata de um sonho que Dom Bosco teve em Roma em 10 de Maio de 1884. Seu biografo, Pe.Lemoyne o descreve em duas formas: ao...
10. BRAIDO PIETRO (ed) Dom Bosco para os jovens: O “Oratório” uma “Congregação dos Oratórios”. Documentos. Piccola Bibliot...
Edição como a precedente, mas sem o conjunto da crítica testual.14. JOÃO BOSCO Epistolário Introdução, testos críticos e n...
Neste capítulo temos as seguintes testemunhas:   • Tommaso Pentore (1860-1908)   • Stefano Febraro (1856-)   • Domenico Ca...
VALDOCCO 2002    16
17. JOÃO BOSCO             [Dom Bosco Fundador]. “Aos sócios Salesianos” (1875-1885)             Introdução e testos críti...
«O santo da ação bem proveu a vossa vida interior, ditando-vos nada menos que à sua                          dúplice famíl...
No entanto, este homem de Deus, tornou-se um dos maiores carismáticos da Igreja. Sendo que o   lugar por excelência de sua...
O século XIX, também chamado de século da pedagogia, trouxe para a Europa e em especialpara a Itália uma série de moviment...
divino. «Nele era profunda e constante a consciência de ser instrumento do Senhor para umamissão singularíssima».40No iníc...
confesso os jovens, que farei então? Prometi a Deus que até o meu último respiro seria para meuspobres jovens».434    São ...
quase o levaram às raias do desespero, quando na Universidade de Paris, ele estava no meio dosgrandes debates sobre a pred...
Separando-se de Tomás e Agostinho, a quem pediu perdão, Francisco a abraçou, até ao final desua vida, a doutrina, denomina...
A confiança do Bispo de Genebra em Deus é paralela à sua confiança na bondade natural dohomem. Seu otimismo envolve a amba...
O que acima dissemos sobre a mansidão que não é fraqueza, nem covardia, afirmamossemelhantemente a respeito da doçura que ...
Sales entende que estas fórmulas provam o amor de Deus pelas suas criaturas e são meios paraprovocar da alma uma resposta ...
«Se devesse ser como ele, não me aconteceria nada, mesmo quando me fizessem Papa...                              “Minha vi...
«Vimos uma alma agarrada fortemente ao seu Deus, todavia tinha o intelecto e a                          memória tão livres...
A mansidão, a doçura não pode ser confundida com fraqueza ou covardia. É coragem, firmezacapazes de enfrentar as violência...
«Outra razão era a de colocar-me sob a proteção deste santo, a fim de que do céu nos                        ajudasse no co...
O patrimônio típico do salesiano é, portanto a bondade, a doçura e o otimismo. Diz-se que S. F.   de Sales era tão bom que...
São Francisco de Sales, como todos os santos fundadores de uma nova espiritualidade, traçou seucaminho próprio de santidad...
Vejamos como ficou a modificação do titulo primitivo, durante a evolução da causa decanonização de Dom Bosco.   1. Memorie...
•          id                  XV       1881 – 1882.........Turim           1934,                871                 p.   ...
Em 1817, o teólogo Luiz Guala funda em Turim o Convitto, cuja finalidade era a formação     pastoral do jovem clero. Sua a...
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  1. 1. ESTUDO DAS FONTES SALESIANASUma leitura histórico-críticaIntroduçãoFonte não pode ser algo que encerra um conteúdo positivo ou negativo ou uma realidade ondeposso abeberar-me, enriquecer-me de conhecimentos, experiências e mensagens de quem viveuantes de mim. Significa ainda: princípio, causa, testo original de uma obra. Fonte é ainda tudo oque deu origem, que forma o arcabouço, o patrimônio científico, pedagógico, espiritual de umaInstituição.Neste aspecto, ao estudarmos as fontes da Congregação salesiana colocamos em primeiro planoo fundador da Sociedade, Dom Bosco, com sua vida e seus escritos.Nosso trabalho apresentarágenérica e não exclusivamente as seguintes fontes que formam hoje o patrimônio pedagógico-espiritual dos Salesianos: 1. A vida do fundador. 2. Sua produção escrita. 3. O patrono da Sociedade: São Francisco de Sales “pastor zeloso e doutor da caridade”.1 4. Suas Memórias Biográficas. 5. Os Arquivos, como o Arquivo Central da Casa Geral de Roma, onde se encontram milhões de documentos, recolhidos em todo o mundo sobre a Sociedade Salesiana. 6. Os salesianos passados e presentes que construíram ou constroem uma memória e uma tradição, à medida que os tempos vão se sucedendo. 7. Os Monumentos referentes ao fundador ou à história da Fundação. 1. DOM BOSCO (1815-1888)Entre as diversas e multiformes fontes, que nos oferecem abundantes e ricos conhecimentossobre a história primitiva ou atual da Congregação dos Salesianos/as estão sem dúvida os fatosocorridos com o próprio D. Bosco, durante seus setenta e três anos de existência. Por ser ummarco fundamental de sua vida e sua obra falaremos desde logo de três episódios fundamentais1 Const. 9. 1
  2. 2. para o entendimento da vida espiritual e apostólica de Dom Bosco, o sonho dos “nove anos”, oencontro com Bartolomeu Garelli e a Carta de Roma.1.1 O sonho dos nove anos2Na biografia de João Melchior Bosco narram-se uma série de sonhos. O primeiro destesfenômenos aconteceu quando ele era ainda uma criança. Tinha nove anos e se encontra em meioa diversos meninos que riam e blasfemavam. Ouvindo as blasfêmias ele parte para a luta corporalcom eles, tentando fazer com que se calassem. Naquele momento aparece um homem bemvestido e de rosto resplandecente, que ao observar a pancadaria, aproxima-se de Bosco e lhe dizque não era com pancadas, mas com mansidão e carinho que ele conseguiria conquistar aquelesjovens para seus amigos.Há discussões se estes acontecimentos seriam realmente sonhos ou visões. Dom Bosco mesmonão nos deixou muito clara a idéia de ter compreendido plenamente o valor daqueles eventos.Não obstante, aquele sonho ficou profundamente gravado em sua mente, durante toda a sua vida.Não pode deixar de dar-lhes atenção, sobretudo porque em certas ocasiões funcionaram comopremonição chamando atenção sobre a morte próxima de algum aluno ou salesiano.O carinho, a caridade e a mansidão apresentados pelo homem venerando e de aspecto varonil,personagem do sonho dos nove anos foi aceito por D. Bosco como um dos tripés da práxispedagógica, de seu Sistema Preventivo.A Senhora majestosa e resplandecente que juntamente com a figura masculina apareceu naquelesonho-visão tornou-se a conselheira diuturna, a Mãe e Mestra da obra bosquiana em favor dosjovens. Ela “indicou a Dom Bosco seu campo de ação entre os jovens e constantemente o guiou esustentou3, sobretudo na fundação da nossa Sociedade.41.2 Bartolomeu Garelli, o Oratório e a Congregação SalesianaOutro marco indelével e fundamental de sua vida apostólica está no encontro com o jovemcamponês analfabeto, Bartolomeu Garelli. O diálogo aconteceu na sacristia da Igreja de SãoFrancisco de Sales em Turim, aos oito de dezembro de 1841. Celebrava-se então a festa daImaculada Conceição. Naquela data e naquela sacristia nascia o primeiro Oratório Salesiano,hoje difundido por todo o mundo pelos filhos do amigo dos jovens.2 Vide ANEXO II3 Const. 8.4 Idem. 2
  3. 3. Após a Missa, D. Bosco realizou a primeira reunião de sua futura Sociedade religiosa. Começoucom uma Ave Maria e um jovem que aos 16 anos não sabia ainda fazer o sinal da Cruz.5Os salesianos consideram o encontro com Garelli como o início da Sociedade. Ali plantava apedra fundamental da Congregação dos jovens. Com uma prece à Auxiliadora o santo piemontêsdava início ao «movimento de pessoas que de vários modos trabalhariam para a salvação dajuventude».6Uma sacristia tornava-se o símbolo da pesca milagrosa das águas da Galiléia. Dois Mestres, o deSimão e o de Bartolomeu (Garelli). Ambos precisariam de colaboradores. Assim o foi noepisódio das águas do Tiberíades, assim seria na sacristia turinesa, imagem e início do marbosquiano.O Oratório, lugar catequético de D. Bosco, instrumento de salvação da juventude, continua sendoum abrigo para todos aqueles que hoje, como em 1841, vivem nas ruas, praças, botecos, pontes,canteiros de obras ou em cárceres.7 É ainda a casa que acolhe, o refúgio daqueles que procuramuma «sacristia», onde deverão encontrar um padre amigo e não um sacristão violento e malhumorado.O Oratório salesiano consolida-se em 1842, acolhendo inicialmente só os jovens mais perigosos,especialmente os saídos das prisões. Embora existissem entre eles também rapazes de boaconduta e instruídos. Os trabalhos eu executavam consistia em ajudar na disciplina e namoralidade, nas leituras e cânticos das funções litúrgicas.8 Chamavam-se os “maestrini”,pequenos mestres e deveriam mais tarde, integrar o «grupo de estudantes» de onde surgiriamcolaboradores mais preparados. À medida que os freqüentadores do Oratório iam crescendo,fazia-se necessário criar um corpo de normas administrativas e disciplinares, a fim de que ogrupo não fosse um aglomerado sem ordem, indisciplinado. D. Bosco começou assim a prepararum Regulamento para aqueles jovens. Consultou diversos outros Regulamentos de Oratórioscomo As Regras do Oratório de S. Luís, de Milão e As Regras para os Filhos do Oratório.5 João Bosco, Memórias do Oratório:1815-1855, São Paulo, Editora Salesiana, 1982, p. 18ss.6 Const. 1 e 5.7 As Memórias Biográficas falam das “pescas” de D. Bosco a esses lugares, onde sabia que iria encontrar jovens,famintos e abandonados. MB XVIII, p, 258. Const. 1.f Alguns Oratórios da época:Oratório do Anjo da Guarda, fundado em Turim, pelo P. João Cocchi (1813-1895)O famoso Oratório de Valdocco ou S. Francisco de Sales (ou ainda D. Bosco)Fundado em 1847, encontramos no Bairro de Porta Nova, O. de S. Luiz Gonzaga.Ainda em Turim, em 1851, P. Cocchi abre O. de S. Martinho, no bairro de Porta Palazzo. Este Oratório estava a 50metros do O. de S. Francisco de Sales. P. Cocchi, apadrinhado pela Marquesa Barolo, não se afinava muito com D.Bosco que jamais quis saber de suas idéias políticas. A insistência de Cocchi em formar uma sociedade com D.Bosco também não era aceita por este. O local escolhido para a fundação do S. Martinho poderia ser umaprovocação, uma prova de força do grupo de Cocchi. São coisas de nossa Igreja também formada por homens. Deusdeve rir muito de nossas bobagens…Em Brescia havia o Oratório do Pe. Ludovico Pavoni (1774-1849)Algumas cidades francesas, como Marselha apresentavam os Oratórios fundados pelo sacerdote Jean-JosephAllemand (1772-1836), chamado também “l`apôtre de la jeunesse”.Os Oratório de Milão. Por130 km de Turim, volta de 1850 eram 15, alguns com mais de um século de fundados(Cf. Pietro STELLA. Storia della Religiosità Catolica , pg., 106, nota 15).zendo de tudo, menos coisas louváveis. Lembram-nos ainda aquelas fontes as astúcias, perigos e perseguições deque várias vezes foi alvo pelo fato de ser amigo dos jovens (Cf. MB III,52ss e 392ss).8 Os primeiros Oratorianos em geral eram escultores, pedreiros, assentadores de ladrilhos, estucadores. Trabalhavamnas obras de Turim. A partir de 1842, o setor construção começou a apresentar grande surto na cidade. 3
  4. 4. Um dos cuidados principais era deixar claro o objetivo de seu trabalho educativo com ajuventude.9 Tratava-se do início da sistematização do organismo que iria ser a sua Congregação,uma “Sociedade que não nasceu de simples projeto humano, mas por iniciativa de Deus”.101.3 A Carta de Roma11 (10 de maio de 1884)12Estamos na Primavera de 1884. Dom Bosco está em Roma preocupado com diversos problemas: • A construção da Igreja do Sagrado Coração (próxima à grande Estação Termini) exige grandes somas que ele tem que conseguir através de pedidos e doações; • O pensamento de conseguir um Estatuto jurídico para sua Congregação não lhe sai da mente. • Uma de suas grandes preocupações era também o desejo de estabilizar e dar unidade às sua obras e concretizar o estilo de educação, próprio de seu sistema preventivo. • Todas estas dificuldade parecem aumentar, e ele o sabe e sente, face ao crescente estado de debilidade de sua saúde.É nesta atmosfera que vem a lume a Carta de Roma escrita aos jovens e educadores deValdocco, a quem ele chama de Caríssimos filhos em Jesus Cristo.Figuras de proa da Congregação, como Don Álbera e Pietro Stella referiram-se a este documentoafirmando que é “o comentário mais autêntico do Sistema Preventivo” (Dom Álbera); e P. Stellaescreveu que “o seu conteúdo é de se considerar como um dos mais ricos documentospedagógicos de Dom Bosco”.Ao refletirmos sobre o hino da caridade, composto por S. Paulo13 e a Carta de Roma, creio quenão estaremos equivocados se dissermos como Gianni Ghiglione que Dom Bosco fez quase umcomentário perfeitamente educativo ao hino de S. Paulo. Para Aubry a Carta é como umtestamento. Deve ser encarado com seriedade, pois o que um testamento pede deve ser cumprido.Pe. Bartolomeu Fascie, quando Conselheiro escolástico, em uma apresentação sobre o textoescrevia: «O senhor nos dê a graça de lê-la com filial e devota atenção para extrair dela aquele fruto de verdadeira caridade que é alma e vida do Sistema preventivo».14 1.3.1 O sentimento de paternidade na Carta de Roma Amar e ser amado são dos sentimentos mais nobres do coração do homem: materializados na paternidade e na filiação. Não faz muito houve quem tentasse eliminar estas características existentes entre filiação e paternidade. Freud anunciou “a morte do pai”, procurando anular desautorizar a autoridade: • O pai cultural>os professores; • O pai político> a coronelança, triste fenômeno ainda hoje encontradiço no Brasil; • O pai capitalista> os patrões;9 MB III, 86 - 92.10 Const. 111 Vide ANEXO I.12 Este comentário baseia-se em Don Gianni GHIGLIONE, Lettera da Roma 10 maggio 1884.13 1 Cor, 13.14 Cf. G. GHIGLIONE, Lettera da Roma..., p. 4. 4
  5. 5. • O pai biológico> os genitores; • O pai religioso> os padres; • O Pai de todos os pais>Deus.A missiva de Dom Bosco trata de um tema que hoje se tenta renovar, reconquistar. E tambémneste ponto está sua atualidade. Os nossos tempos procuram redescobrir a figura paterna, sente-se a necessidade de sua presença, da figura paterna. Muito embora tantos genitores vivamseparados, ou por motivos vários (emprego, viagens de negócio etc.) se encontrem com os filhosapenas nos finais de semana; não obstante, o pai de nossos dias não é mais visto como alguém aser removido do caminho dos filhos e sim uma figura necessário para a formação e educação daprole. Alguém vizinho ao filho em quem ele confie, imite, tenha como um ídolo.Não se pode negar que uma das características da personalidade de Dom Bosco era precisamentea paternidade. Pode-se afirmar que era uma de suas originalidades. Parece até que a perda do paiaos dois anos veio reforçar este sentimento, tão explícito e notório que a Igreja o chama de Pai eMestre dos jovens. Sua bondade paterna não pode ser separada de seu estilo educativo.O educador dos jovens de Turim soube ser para eles um pai bondoso, terno e ao mesmo tempofirme. Corrigia-os amando-os com um ilimitado sentido de responsabilidade e dedicação. Não secansava de estar com eles, não reclamava. Estava sempre alegre mesmo quando sua enormeresistência ao trabalho, encontrava-se combalida pela enfermidade. Somente se ausentoufisicamente dos seus jovens quando por eles deu seu último suspiro. Amou-os até o fim,seguindo o exemplo do mártir do Gólgota de quem foi perfeito imitador. Basta que sejais jovenspara que eu vos ame.1.3.2 Chamai-me sempre pai e eu serei felizToda paternidade no céu e na terra vem do Pai.15A vida de Dom Bosco e sua Carta romana mostram uma sensibilidade que não é simplesmenteuma característica da bondade humana. Sua maneira de ser e agir era fruto do convencimento deque só através do amor paterno aos jovens ele poderia conquistá-los para o verdadeiro Pai, fontede toda paternidade no céu e na terra.Vejamos o que nos diz o Padre Aubry que intuiu no educador de Valdocco duas paternidades: «Dom Bosco me aparece assim: um padre educador, cujo coração se anima dos sentimentos e das dedicações de um verdadeiro pai de família da terra; mas também dos mesmos sentimentos de Deus Pai. Estamos aqui em um dos pontos mais claros da figura também espiritual de Dom Bosco, talvez ao centro de sua santidade pessoal como também de seu êxito educativo. Nele vida espiritual e método educativo fazem parte de um só e mesmo movimento do coração e da vida. Se esta paternidade ativa é autêntica e plena, só imitando e prolongando a paternidade infinita de Deus, exige que o educador se mantenha em contacto com aquele Pai supremo, que conheça os costumes do seu coração infinitamente paterno e deixe o Coração divino difundir alguma coisa deste amor no seu coração para fazê-lo extravasar os limites. Verdadeiramente não se é pai se não com Deus e como Ele. Exercitar a autêntica paternidade é, portanto unir-se a Deus, é cumprir o seu dever providencial e ao mesmo tempo empenhar-se na vida da santidade».1615 Cf. Ef. 3, 15.16 Cf. G. GHIGLIONI, op. cit. pp. 7, 8. 5
  6. 6. A mensagem que Dom Bosco parece querer passar à Igreja e a todos os educadores que exercemqualquer tipo de paternidade material ou espiritual é que sua riqueza e grandeza devem estarpróximas a Deus. Ambas devem conduzir a Ele. Para G. Ghiglione, o fundador dos Salesianosassume as duas expressões do Evangelho de João: como o Pai me amou, assim eu também vosamo (Jo. 15, 9); e como o Pai me enviou eu também vos envio (Jo. 20, 21).A paternidade vivida por nosso Santo fundador foi a execução prática da paternidade invisível deDeus Pai. Ele a traduziu no mundo para felicidade de muitos, especialmente dos jovens.Nãocompreenderá verdadeiramente Dom Bosco quem não conseguir vê-lo como um pai no meio deseus filhos.Podemos observar na Carta de Roma algumas características do amor de Dom Bosco que são asmesmas do amor do Pai.1.3.3 Um amor que não espera, mas tem a iniciativa, é preventivoSão João nos avisa que foi Deus quem nos amor por primeiro e não nós e S. Paulo reforça aafirmação, dizendo que este fato aconteceu antes mesmo da criação do mundo(Ef. 1, 4).As parábolas da ovelha perdida, do pai que sai de casa para abraçar o filho que retorna da misériasão entre outras, provas de que Deus na maioria dos casos é quem dá o primeiro passo.Dom Bosco nos ensina que o amor deve ser preventivo. São sua palavras: «Não esperai que os jovens venham a vós. Ide a eles, daí o primeiro passo. E para serem acolhidos, descei da vossa altura. Colocai-vos no seu nível, do lado deles».É certamente com tristeza que o santo da juventude relembra, nos tempos de menino e mais tardeno Seminário de Chieri, fatos acontecidos com alguns reverendos. «Quantas vezes quis falar, pedir-lhes conselhos ou soluções de dúvidas e não podia. Antes, acontecendo que algum superior passasse no meio dos seminaristas, sem saber a razão, cada um fugia precipitadamente para a direita e para a esquerda... Aquilo inflamava sempre mais meu coração para ser logo padre para entreter-me no meio dos jovenzinhos, para atendê-los, para ouvi-los em cada necessidade».1.3.4 Um amor que se aproxima das pessoasA vida de Jesus Cristo nos mostra como Ele se fazia próximo, às pessoas, de modo especialdaquelas mais carentes, sofridas, abandonadas. Para o Filho de Deus não há diferenças, nemdistâncias, Ele veio para todos, é o bom Samaritano universal. Ide ao mundo e conquistai-o peloamor, ajudando-o, servindo-o. É o que Jesus nos pede, o amor ao próximo é a nossa alforria.É o que o apóstolo dos jovens fez e nos pede que façamos: aproximar-nos deles, acolhê-los semprejulgamentos. Não nos escandalizarmos com seu modo de encarar a vida, com suas limitaçõesou falhas, mas desculpá-los17. Assim eles serão conquistados pelo coração, pois educação é coisado coração. Amai as coisas que os jovens amam, estejais sempre no meio deles.Quantos jovens, nós educadores não encontramos em nossa vida e que nos deram a oportunidadede vivermos com eles esta experiência de nosso fundador. Um deles me dizia: “muito obrigado,pelo que me disse, não tenho fé, mas reze ao seu Deus por mim. Gostei do senhor”.17 Diante da horta arruinada o filho dizia a Mamãe Margarida: “são jovens”. 6
  7. 7. 1.3.5 Um amor personalizado Na parábola do Bom Pastor cada ovelha é conhecida pessoalmente pelo seu dono. O bom pastor conhece suas ovelhas... as chama pelo nome e elas o seguem, porque conhecem sua voz. Como é bonito e como seria maravilhoso se em todos os redis acontecesse essa afirmação do Senhor. Contudo, é assim que o Pai celeste age, conhecendo e amando cada uma de suas criaturas pessoalmente e pedindo que façamos o mesmo. Chega mesmo a contar os fios de nossos cabelos, a saber quantas são as estrelas e o nome de cada uma. O amor, sob esta característica é a constância na vida de Jesus, a todos acolheu e ajudou, como o sol e a chuva descem também sobre todos. O fundador do Oratório de Valdocco conhecia e amava cada um de seus jovens. E eles sabiam e gostavam dessa atitude e a retribuíam. Desta maneira educador e educandos realizaram naquele bairro de Turim o milagre educativo de transformação de muitos jovens do perfil daqueles do Sonho dos nove anos. 1.3.6 A prática de um amor positivo Olhando novamente para o Senhor Jesus, a Fonte de todas as fontes, notamos como ele acredita nas pessoas que encontra em seu caminho. Foi assim com os pescadores de Tiberíades, com o baixinho e tímido Zaqueo, com a escorregadia Samaritana e tantos outros. Cristo confiou nos pequenos, nos simples, nos pobres, porque sabia que eles não fariam objeções ao Reino dos Céus; eles seriam os donos daquele Reino. O otimismo bosquiano baseia-se nessa fé. Ele sabia e acreditava quer cada um tem um ponto positivo, acessível ao bem. Seu mestre S. Francisco de Sales também pensava o mesmo: cada um tem pelo menos uma zona positiva dentro de si. O educador, o pastor tem que encontrá-la. Dom Bosco era um ingênuo? Ele sabia que tanto o bem como o mal agem no mundo. Não era adepto de Rousseau, muito pelo contrário. Sua inabalável confiança em transformar pela educação fundava-se em três fontes poderosas que fortificam e conduzem o jovem à casa do Pai. Estas riquezas são: a Palavra, a Reconciliação e a Eucaristia. Toda sua vida foi uma contínua dedicação à Catequese, à Penitência e ao Sacerdócio. Como se transformava e se sentia feliz, como vivia sua paternidade espiritual, quando distribuía o Pão da Vida aos seus meninos. E não se cansava de dizer-lhes: meus filhos, todos juntos caminhamos em direção a Deus. 1.3.7 Uma mensagem para o mundo Dom Bosco envia de Roma uma preciosa mensagem a todos os homens e mulheres de boa vontade ou não. Ele nos recorda que não há nada mais sublime do que ser pai ou mãe, filho ou filha. Duas atitudes devem acompanhar toda a vida de um vocacionado, de quem foi chamado para viver eternamente nas mansões celestes, na Casa eterna do Pai comum: a primeira é a de viver como filho para com Deus Pai e segunda, a de cultivar uma postura de pai bondoso e compreensivo diante dos filhos ou destinatários que forem confiados a cada um.2. A produção escrita de Dom Bosco 2.1 “Um grande educador, cujos escritos são procurados em vão” 7
  8. 8. Em 1926 um jornal italiano publicou uma declaração sobre os escritos de D. Bosco que muito incomodou os estudiosos de sua obra, de modo especial os salesianos. A afirmação era de Giovanni Gentile, que reconhecia o valor do educador turinês, mas ao mesmo tempo falava da impossibilidade de se encontrar suas obras: “grande educador, mas (um) autor do qual seus escritos são procurados em vão”.18 A afirmação de Gentile, era no entanto, uma convicção para muitos admiradores e pessoas que estudavam os acontecimentos dos anos oitocentos na Itália. O ISS (Istituto Storico Salesiano)19 apresenta seis momentos da história da publicação das obras de D. Bosco. 2.2 Setembro de 1898: VIII Capítulo Geral Na sessão vespertina foram discutidos 16 artigos com propostas apresentadas pelos sócios, cujo tema era: “sente-se cada vez mais a necessidade e o dever que o espírito de D. Bosco se conserve intacto e em todos os lugares entre nós seus filhos. Que propostas nos pareceriam mais propícias para nos levar a este fim, tão santo e de capital importância para nossa Pia Sociedade”? O art. 12 teve a formulação seguinte: “faça-se uma edição completa de todas as obras de D. Bosco: destas haja uma biblioteca circulante em cada casa e se incentive a leitura aos irmãos”. Ao final da discussão suprimiram-se o artigo 12 e o 15. Possivelmente pelas dificuldades que teriam que ser enfrentadas na prática dos mesmos. 2.3 Dezembro de 1914: Capítulo Superior Lê-se nos verbais do mês de Dezembro: “o Secretário encarrega-se de preparar um elenco de todas as escritos de D. Bosco e se pede ao senhor Pe. Cerruti que prepare uma edição de todas as obras de D. Bosco, também para dar trabalho à Tipografia do Oratório que não o tem, faz tempo, com prejuízo não só material, mas moral dos jovens. Para algumas obras, como a História Sagrada, colocar oportunas notas, exigidas pelo progresso feito por tal ciência”. 2.4 Março de 1915: circular e comissão Pe. Cerruti com a circular de 18 de março daquele ano comunicava que o Cap. Superior tinha aprovado “que se preparasse uma edição autêntica, completa das obras de D. Bosco”. Na mesma circular convidavam-se os destinatários para fazerem parte de uma “comissão de Salesianos, cada um dos quais tenha o pensamento de tudo que diz respeito à pesquisa, o exame, a disposição, à impressão daquela qualidade de trabalho que lhe foi confiado”.As secções e relativos encargos ficaram assim constituídas:• Epistolário Angelo Amadeo• Escrito marianos Augusto Amossi• Escritos biográficos e amenos Giuseppe Binelli• Vidas dos Papas Giovanni Battista Borino• Obras históricas Alberto Caviglia 18 1926, p. 313. 19 Vide ANEXOS. 8
  9. 9. • Obras pedagógicas Vincenzo Cimatti• Obras catequéticas e polêmicas Sante Garelli• Obras religiosas Giacomo Mezzacasa A Comissão encarregada de acolher os critérios propostos para a edição das Obras e dos Escritos de D. Bosco reuniu-se no dia 31 de março. Infelizmente dos fatos vieram por termo à iniciativa: o falecimento de Pe. Cerruti e o agravamento dos problemas bélicos da I Guerra Mundial. 2.5 1928-1933: Pe. Alberto Caviglia • 1922 a 1932: após ser encarregado oficialmente pelo Conselho Superior, Pe. Caviglia publicou os quatro primeiros volumes da Secção Escritos históricos. • 1929: Vol. I/1 História Sagrada. Vol. I/2 História Eclesiástica. • 1932: Vol. II/1-2 As vidas dos Papas. • 1932: Vol. III A História da Itália.20 Segundo o documento do ISS, citado anteriormente, o testo crítico da História da Itália não corresponde a nenhuma das edições publicadas enquanto D. Bosco vivia, une partes de várias edições. Trata-se de uma espécie de coletânea com trechos de várias edições. Lemos ainda naquele mesmo estudo: «O valor atribuído à História da Itália é desproporcional com respeito às mais modestas intenções do escritor. Do ponto de vista crítico os resultados foram insatisfatórios, até porque muitas achegas afastaram da intenção original e do que foi prometido pelo título da série: Obras e escritos publicados e inéditos de “Dom Bosco”, novamente publicados e revistos segundo as edições originais e manuscritos supérstites aos cuidados da Pia Sociedade Salesiana». As dimensões do projeto foram apresentadas no Boletim Salesiano do mês de abril de 1933. Previam-se, em cinco séries, 14 volumes ou tomos, cada um com mais de 500 páginas contendo Anexos, Fragmentos e Índices: Obras históricas. Obras religiosas. Obras pedagógicas. Escritos morais e amenos. Instituição da Obra Salesiana. Cada volume viria enriquecido com notas preliminares de caráter documental ou editorial e oportunas anotações ou comentários entre as várias edições. O trabalho era enriquecido ainda com lembretes de retorno às fontes ou a circunstancias históricas que dissessem respeito à composição dos escritos. 2.6 Trabalhos publicados a partir de 1943 * 1943: Vol. IV - A vida de Domingos Sávio e o estudo Domingos Sávio e Dom Bosco. Trata-se de um trabalho de muito valor, utilizado por muitos. 20 Francisco Motto, diretor do ISS, apresentou recentemente um episodio ainda desconhecido sobre a História Sagrada de Dom Bosco. 9
  10. 10. * 1965: Vol. V - O primeiro livro de Dom Bosco: Traços sobre a vida de Luís Comolo e MiguelMagone. Trata-se de uma experiência pedagógica clássica.* 1965: Vol. VI – A vida de Francisco Besucco. Texto e estudo (escrito em 1940).2.7 1963 – 1973: Universidade Pontifícia SalesianaNa sexta etapa da publicação das Obras de D. Bosco encontramos duas iniciativas, ambas unidasà Universidade de Roma e à Direção Central dos Salesianos. Durante o reitorado do Pe. RenatoZiggiotti e com sua aprovação, constituiu-se um grupo redacional21 com a finalidade de publicaruma edição crítica dos escritos publicados e inéditos de D. Bosco e das testemunhascontemporâneas. A equipe se encarregaria de escrever sobre a vida e atividade do santo.Em 1965 o Cap. Geral XIX propôs: «compilar uma antologia de todos os tesouros educativos herdados de D. Bosco e dos primeiros salesianos, mediante a criação de um Centro de estudos históricos salesianos, que ilustre sempre melhor a obra educativa de S. João Bosco, e expresse com precisão as linhas de seu método e do seu espírito».22O Cap. Geral de 1971 recomendou que se estudassem os meios necessários e mais idôneos paragarantir o desenvolvimento do “Centro de Estudos Don Bosco”. Em 6 de fevereiro de 1973,fundou-se o Centro sendo confiado “ad experimentum” à Faculdade Salesiana. Uma de suasatribuições era efetuar uma série de publicação e estudos sobre a história das Missões Salesianaspor ocasião de seu centenário.Os Atos do Cap. Superior publicava, naquele mesmo ano de 1973, a fundação na Casa Geral deum “Centro de Estudos para a história da Congregação Salesiana”. No ano seguinte surgiu o“Centro de Estudos de História das Missões Salesianas”.232.8 1978-1982:.. Casa Geral Salesiana – ISS (Istituto Storico Salesiano)O Capítulo Geral XXI estabelecia:24«O Conselho Superior, no mais breve tempo possível criará um Instituto Histórico Salesiano, que nas formas ideal etecnicamente mais válidas coloque à disposição da Família Salesiana, da Igreja e do mundo da cultura e da açãosocial os documentos do rico patrimônio espiritual deixado por D. Bosco e desenvolvido pelos seus continuadores epromova em todos os níveis o aprofundamento, a ilustração e a difusão. Toda a Congregação concorrerá para arealização e a vitalidade da importante iniciativa com o pessoal e os meios disponíveis.»25O Instituto Histórico Salesiano, com sede em Roma, foi criado em 23 de Dezembro de1891.26Seu grupo de pesquisadores de várias nacionalidades tem realizado uma série importantede trabalhos, impressos nas mais diversas línguas.DOM BOSCO: FONTES (seus escritos)21 Entre 28 e 29 de Dezembro de 1963.22 Atti del Cap. Gen. XIX, Roma 1966, p. 201.23 (http://www.ups.urbe.it Settori Centro St. don Bosco).24 26 de janeiro de 1978.25 Estatuto.26 Vide ANEXO IV 10
  11. 11. 1. JOÃO BOSCO Constituições da Sociedade de S. Francisco de Sales [1858] – 1875 Testos críticos aos cuidados de Francesco Motto (ISS, Fonti, Serie prima, 1). Roma – LAS 1981.O responsável pela crítica deste trabalho faz a seguinte observação:«Entre a notável massa de documentos disponíveis (além dos 40), em sua maior parte manuscritos, o curador para efeito editorial privilegiou 5 documentos do testo e 4 do testo latino, considerando etapas bem individuais e significativa do longo e complexo processo redacional. Desses 8 foram colocados em paralelo...; Uma que apresenta exigências particulares, foi editada à parte. Cada um dos 8 testos é conjugado a um riquíssimo aparato das variantes, que se unem entre si sem solução de continuidade ao texto sucessivo. “ É de se considerar a empresa de significado excepcional e incontestável valor histórico-espiritual”».272. JOÃO BOSCO Constituições para o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (1872-1825) Testos críticos aos cuidados de Cecília Romero (ISS, Fonti, Serie prima, 2). ROMA – LAS 1982.Explicações de Madre Romero a respeito do documento:«Edição crítico-genética, nas formas costumeiras e felizmente entrelaçadas, do último manuscrito disponível das Constituições das FMA (1872-1885), da qual dependem os primeiros dois testos a serem impressos (1878,1885). O aparado das variantes leva em conta, quer documentos que entram na história redacional do texto, quer separadamente, aqueles paralelos, embora significativos. Na introdução a problemática dos testos constitucionais enquadra-se naquela humana das Filhas da Imaculada contidas em parte no Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora».3. Francisco MOTTO (ed) Lembranças confidenciais aos Diretores (Picola Biblioteca dell’ISS, 1). ROMA – LAS 1984.Neste documento Dom Bosco deixou à Congregação sua grande experiência espiritual epedagógica. A carta foi escrita a D. Rua, em Outubro de 1863. Ele que foi, o primeiro diretor deuma comunidade salesiana educadora, fora de Turim em Mirabello Monferrato. Posteriormenteampliada, era enviada aos novos Diretores das casas salesianas.4. Jesus BORREGO (ed) Lembranças de Dom Bosco aos primeiros missionários Pequena biblioteca do IHS, 2). Roma – LAS 1984.5. Pedro BRAIDO (ed) Carta de Roma (10 de maio de 1884) (Piccola Biblioteca dell’ISS, 2). Roma – LAS 1984.27 RSS 2, 1983, p. 170). 11
  12. 12. Trata de um sonho que Dom Bosco teve em Roma em 10 de Maio de 1884. Seu biografo, Pe.Lemoyne o descreve em duas formas: aos jovens e à comunidade salesiana de Turim – Valdocco.É um dos documentos mais ricos para se compreender o Sistema educativo de Dom Bosco. Aamorevolezza e o relacionamento educador-jovem são dos temas mais importantes desta Carta,famosa em toda a Congregação.6. Francisco MOTTO Memórias de 1841 a 1884-5-6 (escritas) pelo Sacerdote João Bosco aos seus filhinhos salesianos (Testamento espiritual). (Piccola Biblioteca dell’ISS, 4). Roma - LAS 1985.Transcrevo o comentário ao documento feito pelo diretor do ISS, Dom Motto: «Para a compreensão de Dom Bosco e do seu espírito, para o aprofundamento da sua concepção pedagógico-religiosa, para o conhecimento de suas ânsias em ordem à salvação da alma e ao futuro da sociedade salesiana o documento constitui um dos escritos mais eloqüentes. Trata-se de recordações e conselhos escritos em épocas diferentes, para os Salesianos, as Filhas de Maria Auxiliadora, para os Cooperadores e Benfeitores das obras salesianas. Numerosas as recomendações para quem exerce autoridade nos vários níveis».7. JOÃO BOSCO O Sistema Preventivo na educação da juventude Introdução e testos críticos aos cuidados de Pietro Braido (Piccola Biblioteca dell’ISS, 5). Roma – LAS 1985.Don Braido afirma que este pequeno escrito de 1887 tornou-se famosíssimo. Nele encontramosem síntese o pensamento pedagógico de Dom Bosco. O conjunto das informações, das variantese das fontes paralelas são de grande auxílio à compreensão do texto.288. JOÃO BOSCO Valentim ou a vocação contrariada Introdução e texto crítico aos cuidados de Mathew Pulingathil (Piccola Biblioteca dell’ISS, 6). Roma – LAS 1987.Em 1866 as Leituras Católicas publicaram este romance de fundo histórico. Tinha sidoprecedido de um manuscrito autografado com correções e achegas. A edição crítica éinteressante e oferece ao leitor aspectos da concepção religioso-pedagógica de Dom Bosco “emum momento significativo de sua evolução espiritual”.9. JOÃO BOSCO Escritos pedagógicos e espirituais Aos cuidados dos historiadores e escritores:Jesús Borrego, Pietro Braido, Antonio da Silva Ferreira, Francesco Motto, José Manuel Prellezo. (ISS, Fonti, Serie prima, 3). Roma – LAS 1987 [Ed. esgotada, cf 3ª edição n. 18].28 Vide ANEXOS. 12
  13. 13. 10. BRAIDO PIETRO (ed) Dom Bosco para os jovens: O “Oratório” uma “Congregação dos Oratórios”. Documentos. Piccola Biblioteca dell’ISS, 9). Roma – LASS 1988.Estes dois documento fazem história, afirma Pe. P. Braido. Pelo momento significativo em queforam compostos (1854, 1863, 1873/1874), pelo contesto e pela finalidade. E continua o mestrede nossa história: «Se na realidade, Dom Bosco nos deixou vários testemunhos sobre “as origens” de sua obra – a mais notável são as “Memórias do Oratório de S. Francisco de Sales” - nenhuma delas é simples, linear, privada de supra-estrutura, interpretações e comentários, interpretações e comentários, quanto os dois breves testos aqui assinalados, riquíssimos de informações historicamente significativas dos primeiros anos do Oratório. Não se pode prescindir deles.»11. JOÃO BOSCO A Patagônia e as terras austrais do Continente americano Introdução e testo crítico de Jesus Borrego Piccola Biblioteca dell’ISS, 11). Roma – LASS 1988.A obra foi encontrada por Ernesto Zsanto na Biblioteca da Pontifícia Universidade Urbaniana deRoma. Ele a definiu como o “Projeto patagônico de Dom Bosco”. O principal autor é o Pe.Giulio Barberis, embora Dom Bosco tenha sido o inspirador, revisor e por vezes, tenha corrigidoalgumas páginas. O santo lhe deu o seu jeito (impronta) e o assinou em 20 de Agosto de 1876,assumindo assim a responsabilidade por ele.Pe. Barberis recolheu tudo o que na época havia em Turim sobre aquelas terras setentrionais daArgentina. O estudo apresenta cinco partes: Descrição física, História da descoberta daPatagônia, Os habitantes: caráter e costumes, Religião e Missões.Na conclusão alude-se ao Presente estado da Patagônia e Novo Projeto para sua evangelização.12. JOÃO BOSCO Memórias do Oratório de S. Francisco de Sales de 1815 a 1855 Introdução, notas e testo crítico aos cuidados de Antônio da Silva Ferreira ISS, Fonti, Serie prima, 4). ROMA – LAS 1991.A obra em pauta, surgida possivelmente entre os anos de 1873-1875, é de grande importânciapara todos os que se debruçam sobre a história salesiana. No julgamento do historiador Pe.Antônio Ferreira as Memórias do Oratório de S. Francisco de Sales constituem «a fonte primaria para a compreensão de sua mentalidade (Dom Bosco) e de seu projeto operativo global: é ao mesmo tempo re-evocação, reflexão e projeção para o futuro.»O aparato das variantes vem provar sobejamente o que se afirma acima.13. JOÃO BOSCO Memórias do Oratório de S. Francisco de Sales de 1815 a 1855 ISS, Fonti, Serie prima, 5). ROMA – LAS 1991. 13
  14. 14. Edição como a precedente, mas sem o conjunto da crítica testual.14. JOÃO BOSCO Epistolário Introdução, testos críticos e notas aos cuidados de Francisco Motto.Primeiro Volume (1835-1863). Correspondências (cartas): 1-726(ISS, Fonti, Seria prima, 6). Roma – LAS 1991.Segundo Volume (1864-1868). Correspondências (cartas): 727-1263).(ISS, Fonti, Serie prima, 8). Roma – LAS 1996.Terceiro Volume (1869-1872). Correspondências (cartas): 1264-1714.(ISS, Fonti, Serie prima, 10). Roma – LAS 1999.Quarto Volume (1873-1875). Correspondências (cartas) 1715-2243). (ISS, Fonti, ISS, Fonti,Serie prima, 11). Roma – LAS 2003.Não seria necessário reforçar que a correspondência epistolar que Dom Bosco manteve, cominúmeras e variadas pessoas e por dezenas de anos, é de enorme utilidade para seu conhecimentohumano e espiritual. É uma grande riqueza para os estudiosos de sua espiritualidade e de seumétodo pedagógico.Ao lermos estas correspondência, muitas inéditas, descobrimos outro Dom Bosco, um homemsempre mais coerente com seu projeto de servir aos jovens, até o último respiro.15. BRAIDO PIETRO (ed)Dom Bosco educador. Escritos e testemunhasAos cuidados de Jesús Borrego, Pietro Braido, Antônio da Silva Ferreira, Francesco Motto,José Manuel Prellezo(ISS, Fonti, Serie Prima, 7). Roma-LAS 1992[Esgotado: 3ª ediz. N.18].16. PRELLEZO José ManuelValdocco nos anos oitocentos, entre real e ideal (1866-1889)Documentos e testemunhos(ISS, Fonti, Serie seconda, 3). Roma- LAS 1992.Prelezzo dividiu o trabalho em quatro partes:1. O Oratório de Valdocco no “Diário” do Pe. Chiala e Pe. Lazzero (1875-1888 e 1895).2. O Oratório de Valdocco nas “Reuniões Capitulares’ (1866-1877).3. O Oratório de Valdocco nos “Encontros do Capítulo da Casa” e nas “Reuniões mensais” (1871-1884).4. Valdocco 1884. 14
  15. 15. Neste capítulo temos as seguintes testemunhas: • Tommaso Pentore (1860-1908) • Stefano Febraro (1856-) • Domenico Canepa (1858-1930) • Secondo Marchisio (1857-1914) • Serafino Fumagali (1855-1907) • Giacomo Ruffino (1850-1913) • Giovanni Bonetti (1838-1916) • Giovanni Battista Lemoyne (1839-1916). Planta do complexo dos edifícios do Oratório de Dom Bosco:1869 – 88). 15
  16. 16. VALDOCCO 2002 16
  17. 17. 17. JOÃO BOSCO [Dom Bosco Fundador]. “Aos sócios Salesianos” (1875-1885) Introdução e testos críticos os cuidados de Pietro Braido (Piccola Biblioteca dell’ISS, 15. Roma- LAS 1995. Trata-se de um libreto com 38 paginas dirigidas aos Sócios Salesianos em 1875. É uma fonte de suma importância para se conhecer a figura de Dom Bosco fundador. 3. Uma palavra sobre as fontes da doutrina espiritual de Dom Bosco29 Na Introdução de Scritti Spirituali Aubry faz de imediato dos questionamentos sobre os escritos e a espiritualidade de Dom Bosco. Ele mesmo responde, dizendo que as duas afirmações contêm ao mesmo tempo a razão de ser e a dificuldade de seu trabalho. 1. Dom Bosco é um “escritor espiritual”? Certamente que não, responde o autor. 2. É um “mestre espiritual”? Certamente que sim. 3.1 Um mestre espiritual Como mestre espiritual, não há dúvidas que Deus enriqueceu sua Igreja com a presença e atuação de Dom Bosco. «Para o imaginário popular, Dom Bosco é aquele padre dinâmico que consagrou sua vida aos jovens mais pobres e fundou para eles a sociedade Salesiana. Para o cristão um pouco mais informado, é o fundador das Filhas de Maria Auxiliadora e dos Cooperadores Salesianos, autor de um método de educação particularmente eficaz, um dos padres do século XIX que viveu da forma mais dolorosa, mas também mais positiva o drama da unidade italiana, enfim, um dos grandes servidores da Igreja no campo missionário».30 No entanto, sua vida e seus escritos mostram-nos um homem providencial que deu à Igreja uma nova fisionomia, um carisma especial, capaz de atrair um numeroso grupo de cristãos e cristãs para um novo estilo de vida que leva à santidade. Santidade esta, em poucos anos, reconhecida pela Igreja que elevou aos altares como exemplos do seguimento evangélico vários homens e mulheres, inclusive jovens adolescentes de ambos os sexos. Aí estão o próprio fundador Dom Bosco, santa Maria Domingas Mazzarello, São Domingos Sávio, e dezenas de outros santos, beatos e servos de Deus. Pio XI, por ocasião do decreto para a beatificação de Madre Mazzarello fala de Dom Bosco como: “este sapientíssimo doutor em cujo magistério ela foi conduzida até ao mais alto vértice da perfeição cristã e religiosa”.31 Anos mais o Papa Pio XII dirá aos Cooperadores Salesianos:29 Cf; Giovanni BOSCO, Scritti spirituali, a cura di Joseph Aubry, pp, 24ss.30 Giovanni BOSCO, Scritti…p.11.31 Acta Apostolicae Sedis, 30 [agosto, 1938], p 272, apud Aubry, op. cit, p, 13. 17
  18. 18. «O santo da ação bem proveu a vossa vida interior, ditando-vos nada menos que à sua dúplice família dos Salesianos e das Filhas de Maria Auxiliadora uma regra de vida espiritual, destinada a formar-vos.»32 Dom Bosco passou em poucos anos a ter uma grande família 33, uma “numerosa posteridade”. Não obstante, pode-se dizer que ele em sua humildade não pensava em se apresentar como mestre e doutor. Pensava, desejava sim, difundir um método de vida cristã. Suas atitudes demonstram que desejava que no conjunto sua Família (SDB, Irmãs Salesianas, Cooperadores, alunos das casas salesianas) seguissem um só “espírito”. Através de suas convicções pedagógicas e espirituais, de sua liderança, de seu fascínio, de seus dons conseguiu que muitos de seus colaboradores, onde quer que fossem, seguissem voluntária e afetuosamente suas orientação, seu “espírito”. Não é comum que os fundadores possam formar ainda em vida seus colaboradores, ainda jovens. Isso Dom Bosco o fez, quando viveu no seu Oratório de Valdocco. Pe. Rua, seu primeiro sucessor, viveu com ele cerca de 40 anos abeberando-se de sua espiritualidade, de seu carisma.34 3.2 Dom Bosco não é um autor espiritual (Aubry) Dom Bosco, para Aubry, “não tem nada de teólogo especulativo e é avesso à introspecção espiritual). Ao contrário de São F. de Sales não produziu obras comparáveis ao Tratado do amor divino, ou Introdução à vida devota, ou ainda História de uma alma, de Santa Teresinha. Dom Bosco continua um homem de sua terra, camponês do Piemonte. Homem inteligente e prático, deixa a roça e vai para a cidade, agradando-lhe mais a experiência do que as idéias. Em sua trajetória de estudos vêem-se como suas preferências são para as ciências positivas como a Sagrada Escritura ou a história da Igreja. Por outro lado, o apostolado da escrita é um dos principais trabalhos de sua existência. Quando escreve não produz tratados, «mas é para “falar” aos seus jovens, ao povo, aos seus Salesianos e aos Cooperadores e propor-lhes uma doutrina simples, conselhos práticos, exemplos concretos que têm toda a aparência de serem “ordinários”, mas que representam o sinal de suas mais profundas convicções e mais vivas insistências. Sua doutrina espiritual aparece como envolta na sua simplicidade de escritor popular e seus diversos elementos estão dispersos em numerosos opúsculos, sem pretensão especulativa ou literária. E, apenas tenta uma coordenação de princípios, parece perder a inspiração e seus manuscritos se adensam de inumeráveis correções.»3532 Discorso 12 sett. 1952. Acta Apost. Sedis, 44 [ottobre 1952], p. 778, apud Aubry, op. cit. p. 13.33 Vide ANEXO VII.34 Em conversa com Dom Barberis, no dia 17 de maio de 1876, Dom Bosco lhe falava sobre a importância deste seutrabalho de preparação dos primeiros salesianos, seus sucessores: «Todas as outras Congregações no seu iníciotiveram ajudas de pessoas doutas... que se associavam ao fundador. Entre nós, não: são todos ex-alunos de DomBosco. Isso me custou um trabalho duríssimo e contínuo de cerca de trinta anos, porém com a vantagem, tendo sidotodos educados por dom Bosco, têm os mesmos métodos e sistemas.». MB XIII, 221).35 Giovanni BOSCO, Scritti…p.15. 18
  19. 19. No entanto, este homem de Deus, tornou-se um dos maiores carismáticos da Igreja. Sendo que o lugar por excelência de sua doutrina é justamente sua vida, sua experiência espiritual, extremamente rica.BRAIDO Pietro (ed)Dom Bosco educador. Escritos e testemunhasUma nova terceira edição aumentada. Colaboraram: Antônio da Silva Ferreira, Francesco Motto, José Manuel Prellezo.(ISS, Fonti, Serie prima, 9). Roma- LAS 1996.O trabalho recolhe escritos e documentos relacionados com as experiências e as idéias pedagógico-espirituais de Dom Bosco. «Aos documentos fragmentários do primeiro decênio de trabalho educatico em Turim- Valdocco (1845-1854) juntam-se os de pedagogia narrativa [entre eles Cenno storico (nota breve, explicação) e Cenni storici: 1854-1862] e os escritos normativos e programáticos (Lembrança aos diretores, Dialogo com o mestre Francisco Bodrato, Lembrança aos missionários, Sistema preventivo na educação da juventude, Artigos gerais do “Regulamento para as Casas”, Sistema preventivo aplicado entre os jovens abandonados (pericolanti):1863-1878). A coleção conclue-se com os conselhos e as lembranças da ancianidade: a longa carta sobre os castigos de 1883, as duas cartas de Roma de 1884, o “Testamento espiritual” e três cartas aos salesianos da América (1885)».36 3 O projeto de um santo «D. Bosco era um gigante que despontava entre os educadores católicos do `800. “Promotor de uma educação completa, sobretudo porque aparecia em contraposição àquela que se baseava no adestramento físico e no mito da força conquistadora, coisas que levavam ao encontro violento de povos e a uma nova e desumana conflagração mundial».37 36 Alguns destes testos foram publicados na Piccola Biblioteca do Instituto Histórico Salesiano nn, 1-5 e 9. 37 Mario MIDALI (a cura di), Don Bosco nella storia. Roma, LAS 1990, p. 22. n. 6. 19
  20. 20. O século XIX, também chamado de século da pedagogia, trouxe para a Europa e em especialpara a Itália uma série de movimentos políticos,38 sócio - religiosos que muito viriam influir noContinente e além mar.A nova problemática atingiu de cheio sobretudo a juventude.O jovem Bosco observando asituação começou a angustiar-se. Quanta tristeza não sentia ao observar tantos jovens destruídosfísica e moralmente, já nos primeiros anos de idade. A existência degradante e aviltante daquelesmoços atingiria profundamente os sentimentos e o coração do novel sacerdote. De tal modo lheimpressionaram as cenas que via todos os dias, que resolveu dedicar toda sua vida ao bem dajuventude necessitada. Seu relacionamento de amizade com os moços basear-se-ia naaproximação, no diálogo e na amizade, tentando fazer com que eles descobrissem que erampessoas humanas e amadas por Deus. Tinham uma dignidade e deveriam dar um sentidohumano-cristão às suas vidas.D. Bosco muito se preocupava com as crescentes transformações e materialização do mundo,com as novas exigências, com a Igreja e os jovens dentro do novo contexto da sociedade. Omundo do seu tempo queria ver o clero trabalhar, fundar obras de instrução e educação dajuventude pobre, abandonada. Os padres deveriam abrir colégios, obras de caridade, escolasprofissionais. A sociedade para ser cristianizada deveria começar com a instrução religiosa dajuventude. O Pe. João Batista Lemoyne cita as categorias de garotos que na época perambulavam nasimediações de Porta Palazzo, um dos bairros da Capital do Reino piemontês. Ali seacotovelavam camelôs ambulantes, vendedores de fósforos, engraxates, limpa-chaminés, moçosencarregados de cocheiras, distribuidores de volantes, carregadores, todos pobres meninos quesobreviviam daqueles magros negócios. Como o profeta da Galiléia, o santo de Turim também secompadecia daquelas multidões.O ajuntamento de rapazes e trabalhadores dos mais diferentes lugares gerava nas cidades oproblema demográfico das massas humanas, impulsionadas pelo início da industrialização, onovo motor da história que viria transformar com sua tecnologia revolucionária o ritmo dasociedade universal. Famílias inteiras do Piemonte, da Lombardia e alhures procuravam aCapital piemontesa desestruturada e sem condições edilícias e sociais para atendê-las.39O jovem sacerdote, cada vez mais tinha consciência de ter sido chamado por Deus para cumpriruma missão especial no meio da juventude. Sua vida era dominada pela presença insistente do38 Apenas lembramos entre outros fatos o ofuscamento definitivo e inexorável da estrela napoleônica em Waterloo.As mutações drásticas impostas pelo Congresso de Viena, em se tratando da geopolítica européia. Os diversosmovimentos revolucionários nacionalistas que transformaram o velho Continente.39 O recenseamento de 1838 revelou na cidade a presença de 117.072 habitantes. Em 1848 eram 136.849. Ashabitações de 2.615 passaram para 3.289. As famílias eram em 1838, 26.351, (10,08 pessoas por casa); em 1848eram 33.040 (10,45 por habitação). A média familiar em 1838 era de 4,44 indivíduos, enquanto que 10 anos maistarde, de 4,14.Em 10 anos a população havia aumentado de 19.777, exatamente 16,89 por cento. (G. MELANO. La popolazione diTorino e del Piemonte nel secolo XI, Torino 1961, p.73, apud Pietro STELLA, Don Bosco nella Storia dellaReligiosità Cattolica, Vol. I p.103. 20
  21. 21. divino. «Nele era profunda e constante a consciência de ser instrumento do Senhor para umamissão singularíssima».40No início das Memórias do Oratório, interrogando-se sobre a finalidade daquele manual, DBafirma que servirá como norma para se superar as dificuldades futuras, a fim de que se aprendaas lições do passado. Demonstrará como Deus tenha dirigido cada coisa a seu tempo. Servirápara que seus filhos se entretenham, quando lerem os fatos dos quais seu pai foi protagonista.As Constituições Salesianas no seu primeiro artigo lembram que a Sociedade de S. Francisco deSales não nasceu de um simples projeto humano. Nossa Sociedade é obra de uma iniciativa deDeus, em favor da salvação da juventude «a porção mais delicada e preciosa da sociedadehumana».41 O artigo constitucional reforça ainda a idéia de que a intervenção de Maria, fez comque o Espírito Santo, suscitasse D. Bosco para um apostolado específico. Não se cansava deafirmar que na execução de seu projeto Nossa Senhora havia realizado tudo. Ela tinha sido a Mãee a Mestra que sempre o acompanhara no desenrolar de sua obra. Certa vez, ao visitar em Turima Casa da Divina Providência, seu amigo Cotolengo fez-lhe um prognóstico, cuja realização foirealmente uma constante em sua vida. Ao despedir-se, apertando entre as mãos as mangas da suabatina, o colega também santo, fixou-o vaticinando: «Sua batina é muito tênue e fina. Arranje uma de tecido muito mais forte e consistente, a fim de que os jovens não possam rompê-la. Virá um tempo em que será puxada por muita gente».42Um dos jovens Domingos Bosso, no momento próximo aos dois santos, escutara a profecia.Mais tarde, sacerdote e sucessor do Cotolengo, não esquecia o episódio. A história irá mostrar naprática aquela profecia, o que ocorrerá ali mesmo naquela Casa de Caridade.A vida de D. Bosco foi realmente uma total doação aos jovens. Seu propósito de consumir-se poreles foi cumpriu inexoravelmente até o fim de seus dias. Nos últimos anos tornava-se para elemuito difícil confessar, dado o cansaço que o acometia, a falta de forças que toda uma vida deesforços constantes lhe consumira. Uma ocasião em 1886, seu médico sugeriu ao Pe. Vigliettique lhe dissesse que parasse um pouco. Ele, rindo responde: «Êh, meu caro, se ao menos não40 P. STELLA, Don Bosco nella storia, Vol. II, Mentalità Religiosa e Spiritualità. Zürich, PAZ VERLAG, 1969, p.32 [Giovanni BOSCO], Memorie dell’Oratorio di San Francesco di Sales, (a cura di) Antônio Ferreira, LAS, 1992,p.5, n.4.41 MB II, 45.42 Em diversas ocasiões D. Bosco teve dificuldades com sua a “veste”. Foi roubada (MB III, 80). Certa feita,enquanto dava aulas de catecismo no coro da Capela de S. F. de Sales, recebe um tiro que lhe estraçalha a batinasobre o peito e na manga esquerda. (MB III, 300). É distribuída com as pessoas (MB V, 617; VI, 112-113. Torna-sepuída e imprestável (III, 24); é cortada em pedacinhos para ser ofertada como relíquia (XVI 58,118. Hoje em umadas passagens do pórtico, onde se localiza a veneranda Capelinha, outrora local da Tetóia Pinardi, observa-se umaplaca, mostrando o local do atentado. (172-193). 21
  22. 22. confesso os jovens, que farei então? Prometi a Deus que até o meu último respiro seria para meuspobres jovens».434 São Francisco de Sales (1567 – 1622) (vide Anexo V)Achamos importante, por diversas razões colocar Francisco de Sales entre as Fontes Salesianas,logo após o fundador da Congregação. Entre outros motivos porque ele é o protótipo de nossaespiritualidade. Como salesianos devemos estudá-lo sempre mais, para imitá-lo cada vez mais eassim nos tornarmos a cada dia salesianos mais próximos de Dom Bosco. É nesta intenção queousamos apresentar também alguns delineamentos histórico-espirituais sobre a figura do santodo Chablais.44Monsenhor Francis Vincent45 em uma de suas conferencias sobre a espiritualidade de S. F. deSales começa afirmando que para se compreendê-la e defini-la, deve-se primeiro perguntar o queo santo pensava sobre Deus e o homem.46Sabe-se que na época do santo havia concepções diferentes sobre a vida religiosa em relação aDeus. Para uns, como Monsenhor de Saint-Cyran, Deus era um Mestre terrível. Santa Teresinhado Menino Jesus se dirigia a Ele como um Pai amável, bondoso. Sobre o homem, Pascal diziaque é um anjo e não uma besta, um animal. Nossa concepção religiosa irá ser diferente, setendermos para o que conhecemos como teologia do otimismo ou do pessimismo. Diante dessasduas correntes não há dúvida que pela vida e atuação de nosso santo ele estava muito longe deser um pessimista. «São Francisco de Sales era decididamente otimista em teologia. Ele era impressionadíssimo com a abundancia dos meios de salvação...Nada poderia ser mais contrário ao sentimento (tremor, medo) que Monsenhor de Saint-Cyran experimentava e inspirava.»47Vejamos o que pensava o santo a respeito de Deus.Aos dezoito anos e após sua famosa crise que chamou de tentação ele tornou-se definitivamenteum otimista. Não foi fácil. As lutas que teve antes de se decidir entre as diferentes teodicéias,43 MB XVIII, pg, 258. Const. 1.44 Cidade ao Sul do lago de Genebra (Suíça) na Sabóia, onde o santo trabalhou incansavelmente, durante os cincoprimeiros anos de sacerdote, para converter os Calvinistas.45 Reitor emérito das Faculdades Católicas do Oeste (França?).46 THE SPIRITUALITY OF SAINT FRANCIS OF SALES by Mgr Francis ... spirituality of Saint Francis ofSales we must first ask what the Saint thought of God and man. ...www.ewtn.com/library/SPIRIT/SALESPIR.TXT - 85k - Cached47 Francis VINCENT, The Spirituality of Saint Francis of Sales (Conferência). 22
  23. 23. quase o levaram às raias do desespero, quando na Universidade de Paris, ele estava no meio dosgrandes debates sobre a predestinação.4.1 Predestinação e pré-conhecimento (pré-monição)Na época duas correntes teológicas opunham-se fortemente. Uma afirmava que Deus predestinoupara a salvação aqueles aos quais Ele tinha decretado dar a salvação e os meios necessários paraalcançá-la. Isto significava que Deus predestina à salvação, os que Ele predestina para a salvaçãoe não os que ele vê, através de sua pré-cognição que corresponderão à sua graça. O assunto eramuito sério e preocupante: a predestinação não se basearia no pré-conhecimento, mas era ocontrário, a pré-cognição estava baseada na predestinação. Deus sabe quem vai se salvar, porqueEle já decretou sua salvação. A conclusão é que se Deus não salvou a todos, aqueles que secondenam, não o fazem porque não corresponderam com a graça, ou pela conseqüência de suaprópria recusa, mas porque o próprio Deus os recusou. Estes que assim pensavam seguiam nadamais, nada menos que Santo Agostinho e Santo Tomás.O jovem estudante descobriu que os Jesuítas, seus professores, não seguiam o mesmo parecer,discordavam de Agostinho e Tomás. Eles seguiam os ensinamentos de Santo Ambrósio, SãoJoão Crisóstomo e os Padres Gregos. Substancialmente a doutrina destes santos tinha a seguinteexposição: «Em Deus o decreto da predestinação à glória baseia-se primeiramente, se assim podemos falar, não no simples prazer divino, mas, na previsão dos méritos e santidade do eleito. “Deus prevê seus méritos e segundo o resultado desta previsão, Ele o predestina para a salvação.»4.2 Um Deus de amor e misericordiosoFrancisco não podia entender um Deus que não fosse um Deus de amor que quisesse salvar todosos homens. Sua mente e seu coração refutaram espontaneamente a predestinação, embora a duplaautoridade de Agostinho e Tomás pesassem fortemente em seu espírito. Antes de decidir-seviveu cinco ou seis longas semanas de incertezas (e) angústia mental, minando suas forçasfísica. Atormentava-o atrozmente o pensamento se ele estaria “a priori” incluído no misteriosodecreto da predestinação.Sua escolha foi realizada, após uma oração fervorosa e sofrida aos pés de Nossa Senhora.Naquela ocasião ele ouviu uma voz que lhe dizia: Eu não sou Aquele que condena. Meu nome éJesus. 23
  24. 24. Separando-se de Tomás e Agostinho, a quem pediu perdão, Francisco a abraçou, até ao final desua vida, a doutrina, denominada Molinismo48. Para ele Deus é “Alguém que não desejacondenar”. Conseqüentemente dá a todos as graças suficientes para se salvarem. Franciscoensina que o mecanismo dos atos divino-humanos, quando coordenados, se o quisermos, noslevam diretamente ao Céu. O próprio Deus, após o pecado de Adão desejou verdadeiramente quetodos os homens fossem salvos.A decisão de Deus sobre cada um de nós, só é tomada depois de Ele ter visto como é que nósvamos nos comportar. Os homens se condenam não por falta da graça, mas porque eles nãoaceitam a graça, não porque a graça lhes falte, mas porque eles faltam à graça. São Franciscoestava tão convencido da munificência da graça de Deus, que seu convencimento era que Deusjamais abandona um pecador. Ele pensava que Já condenação de Judas aconteceu somente porcausa de sua obstinação e frieza. Mesmo após sua ação criminosa Deus ainda esperou por ele,ainda lhe ofereceu sua graça. “Ó homem infeliz, ele não sabia bem que nosso Senhor... era oSalvador e que Ele tem a salvação em suas mãos?”49Esta certeza de que Deus não abandona o pecador levava nosso santo a jamais anatematizar,mesmo o mais obstinado dos pecadores. Eis o que ele chegou a afirmar: «Quando pecadores se tornam tão empedernidos, endurecidos em seus pecados, de tal modo que vivam como se não existisse nem Deus, nem céu, nem inferno, então é quando Deus faz com que eles conheçam sua piedade e a doçura de sua graça».50No Tratado sobre a graça encontramos afirmações como estas: «Quando Ele (Deus) vê que a alma mergulha profundamente na iniqüidade é seu costume oferecer sua ajuda e com incomparável graça Ele escancara a porta de seu coração.»51Freqüentemente o pessimismo tem escurecido a mente dos homens. Arnauld e Saint-Cyranacreditavam que chegaria um momento em que Deus se afastaria do pecador e suspenderia suagraça, deixando-o viver em sua impiedade e perdição. Foi assim que Port-Royal tratou Pascal eRacine. Porque eles abandonaram Deus, este por sua vez também se afastou deles. Este, porém,não é o Deus de São Francisco. O Deus da vida não nos abandonou. O profeta Ezequiel já nosdizia que Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (Ez. 18, 32).48 Molinismo é a doutrina criada pelo jesuíta Luis Molina (1547-1551). O teólogo espanhol procura conciliar a idéiade livre-arbítrio à graça e onisciência divina, as teses dos reformadores com o Concílio de Trento.49 Sermon of March 22, 1622.50 Idem, ibidem.51 Book 3, chapter 3. 24
  25. 25. A confiança do Bispo de Genebra em Deus é paralela à sua confiança na bondade natural dohomem. Seu otimismo envolve a ambas. Esta atitude está, no entanto longe do otimismo frio eabsoluto de J. Jacques Rousseau e do mesmo modo distante da posição dos Jansenistas queensinavam que o homem é radicalmente corrupto.Neste aspecto entre o pensamento Salesiano (de São Francisco de Sales) e o dos Calvinistas hátambém um enorme fosso. Para nosso Bispo o ponto de partida é o amor de Deus, enquanto parao pensamento calvinista é o forte sentimento de afastamento da parte de Deus.Francisco não deixa de ensinar que a tendência natural que existe no homem de amar a Deus nãopode durar muito tempo se não é fortificada pela graça. Afirma ainda que esta graça encontra nohomem um aliado e não um inimigo, como acreditam seus opositores. E é através desta graçaque Deus quer salvar todos os homens, pois Ele é sempre Aquele que não deseja condenarninguém e que oferece a todos as graças suficientes para que não se percam. A concepçãootimista da divindade fez com que tudo que o santo do Chablais escreveu se baseasse naconcepção otimista da graça, da salvação4.3. O centro de sua espiritualidade: o amor, a caridade, a doçuraNosso amor para com Deus que nos ama é tudo aquilo que devemos desejar e procurar praticar.“Tudo na santa Igreja é por amor, no amor, para o amor e do amor”, afirma nas primeiraspáginas do Tratado sobre o amor divino. Não se trata apenas de um ideal que buscamosintensamente, mas é o princípio e a fonte deste ideal. No amor estão todas as virtudes. É alinguagem do Apostolo São João repetida e vivida por outro santo.No livro Histoire du sentiment religieux aux XVIIe siecle M. Strowsky afirma que São F. deSales efetuou uma “verdadeira revolução” no asceticismo. «Ele é o grande mestre e técnico da espiritualidade do amor. Houve homens antes dele que praticaram o asceticismo, homens que o viveram, nós diríamos hoje. Mas quem o formulou numa teoria ou o reduziu em um sistema?»52Não são poucos os santos que escreveram e viveram o amor: São Paulo, Agostinho, Boaventura,Santa Teresa, São João da Cruz. O bispo saboiense reuniu suas próprias experiências,estabeleceu uma doutrina coordenada, uma arquitetura da vida espiritual baseada no amor.Para ele a doçura era uma virtude mais rara do que a perfeita castidade é, a flor da caridade.A uma jovem superiora de um Mosteiro “recomendava sobretudo o espírito de doçura queesquenta os coração e conquista as almas”. 5352 Francis VINCENT, The Spirituality of Saint Francis of Sales (Conferência).53 François de Sales a Madama Bourgeois, 3 maggio 1604, in Oeuvres XII 272, apud F. Desramaut: SpiritualitàSalesiana, Cento parole chiave, verbete Dolcezza, p. 241. 25
  26. 26. O que acima dissemos sobre a mansidão que não é fraqueza, nem covardia, afirmamossemelhantemente a respeito da doçura que não é melifluosidade, afetação, debilidade.Dom Bosco era afável, amigável, mas firme quando precisava sê-lo. São Paulo nos lembra queos frutos do Espírito são doçura e domínio de si.54A filosofia grega fala do domínio de si, da vontade sobre as paixões. Neste sentido a doçuracristã é diferente e distante de tudo o que possa dar a impressão de moleza. Pelo contrário elalibera a pessoa da escravidão de si e a conduz á mliberdade.4.4 Ama (Deum) et fac quod vis55A famosa frase de Santo Agostinho “ama e faze o que quiseres” jamais foi tão vivida na práticacomo na vida de Francisco de Sales. Ele demonstrou como alguém pode realmente amar a Deusno mais íntimo e no mais acessível de sua alma, como fazer de cada momento de seu dia, o que émelhor e mais justo, precisamente aquilo que Deus deseja que se faça.4.5 O amor, princípio e fim de toda sua espiritualidadeEstabelecer e desenvolver nos corações a caridade eis o Alfa e Ómega de toda sua pregação.Muitos santos desde São Paulo intuíram o eminente papel do amor na santidade, sua importânciafundamental. Não obstante, eles jamais o colocaram como objeto de uma demonstraçãometódica.São Jerônimo parece ter escolhido a castidade como o fundamento de seu asceticismo; Franciscode Assis dialogava com a irmã pobreza; São Bernardo escolheu a mortificação; São Benedito foio homem da liturgia.Não há dúvidas que estes santos tinham na caridade a fonte de toda a santidade e jamais negaramo seu papel. Talvez se, eles fossem diretamente questionados, respondessem que essa verdadeestava implícita, não era necessário que se dissesse. A esta resposta, São Francisco de Sales teriarespondido: “mas, é melhor que seja dita”. Assim ele o fez com uma insistência inigualável.Santo Inácio, a quem Sales muito cultuou, também não insistiu tanto no valor da caridade em suaestratégia para a conquista da perfeição. O jesuíta, Pe. Brou observa inteligentemente: «Todo autor tem suas fórmulas (sinais) favoritas que aparecem constantemente e informam as preocupações de sua alma... para Santo Inácio estas fórmulas testemunham, mostram a autoridade de Deus sobre as criaturas.»5654 Gal. 5, 23.55 Ama (Deus) e faze o que quiseres.56 Francis VINCENT, The Spirituality of Saint Francis of Sales (Conferência). 26
  27. 27. Sales entende que estas fórmulas provam o amor de Deus pelas suas criaturas e são meios paraprovocar da alma uma resposta de amor. Brou nos diz que Santo Inácio fala nas “Constituições”259 vezes sobre a Maior Glória de Deus. Para São Francisco de Sales pode-se afirmar que elesubstituiu “Caridade” por “Maior Glória de Deus”.Sempre foi o grande apaixonado: “quando estava em Pádua estudava Direito para agradar a meupai e para me agradar estudava Teologia. Sua maior paixão foi ser o grande enamorado de Deus.4.6 Não escolher, mas deixar que Deus escolhaNeste particular São Francisco de Sales colocava o dever como sinal incontestável da vontadeDeus. Dom Bosco insistia muito sobre este aspecto da vida religiosa, com Domingos Sávio ecom todos os jovens por ele dirigidos espiritualmente. Aceitar a obrigação como algo que vem davontade de Deus, faz-nos indiferentes a tudo o mais. Às vezes cumprir uma obediência, pelomenos inicialmente, é como correr sobre brasas.4.7 IndiferençaA obediência vista na ótica de São Francisco e podemos dizer na de Dom Bosco pode conduzir auma heróica indiferença. «Se amo somente o meu Salvador, porque do mesmo modo não amarei o Calvário e o Tabor, dado que é sempre Ele que se encontra, tanto em um como no outro? E por que não deverei dizer com igual amor, tanto no Calvário como no Tabor: é bom estarmos aqui?»Não fica por aqui a típica indiferença de Francisco: «Se desejo somente água pura, que me importa que me seja entregue em uma taça de ouro, ou em um copo se, de qualquer modo quero somente água? “Pelo contrário, preferirei num copo, porque não tem outra cor senão aquela da água que, em tal caso, vejo também melhor.»574.8 Ser você mesmoEste é outro ponto de insistência da espiritualidade franciscana. Devemos ser aquilo que Deusquer que sejamos. Como Dom Bosco os santos de nossos dias procuram seguir os passos de SãoFrancisco. Vejamos os que nos dizem dois Papas que conhecemos:João XXIII, grande devoto de São Francisco de Sales, escreveu durante um retiro espiritual:hoje, não devo desejar o aquilo não sou, mas de ser muito bem o que sou. E em outro discurso:57 Carta III a Bassura. 27
  28. 28. «Se devesse ser como ele, não me aconteceria nada, mesmo quando me fizessem Papa... “Minha vida, o Senhor me diz, deve ser uma cópia perfeita da de São Francisco de Sales, se quer ser fecunda em alguma coisa boa.»58Outro Pontífice de muita intimidade e familiaridade com a doutrina do Sales foi João Paulo I.Inspirou-se e moldou sua ação pastoral nos escritos e discursos. «Se os políticos vos escutassem! Eles medem a própria ação pelo sucesso. Conseguem? Tudo bem. Para vós, a ação deve valer também se não chegou a ter sucesso, se feita por amor de Deus. O mérito da cruz carrega, não é o seu peso, mas o modo pelo qual é carregada.»4.9 Descomplicador do caminho espiritualDeixar-se guiar pelo amor, este é o segredo de Francisco. Tudo então se simplifica. Não gostavade problemáticas complicadas e por vezes inúteis. Olhava com certa compaixão para as almasque se deixavam enredar por semelhantes caminhos. Coitados! Angustiam-se procurando a artede amar a Deus e não sabem que não há outra, senão a de amá-Lo. Falando desta problemática,chega a ser até um tanto satírico: Torturam-se tanto, pensando como fazê-lo que não têm maistempo de fazer nada.J. AumanAntes de morrer deixou às suas irmãs um convite em sete palavras que podem ser o resumo detoda sua espiritualidade: Fazei tudo por amor e não por obrigação.No Oratório de São Francisco de Sales, em Valdocco, a santidade consistia na alegria, emviverem sempre alegres. Havia até a mesmo a Sociedade da Alegria, fundada por Dom Bosco eseus colegas seminaristas, quando estudavam no Seminário de Chieri.4.10 O Tratado do amor de Deus (Teótimo)Um dos livros mais lidos em seu tempo e que teve inúmeras edições. Nos primeiros anos umapor ano. Na obra ele fala do fogo que lhe queima por dentro. Muito recatado, por vezes recorre aartimanhas literárias, evitando falar de si mesmo. Eis um exemplo:558 Il giornale dell’anima 28
  29. 29. «Vimos uma alma agarrada fortemente ao seu Deus, todavia tinha o intelecto e a memória tão livres de qualquer ocupação interior, que percebia muito claramente o que se dizia ao seu redor e lembrasse completamente, embora lhe fosse impossível responder e separar-se de Deus, ao qual estava unida por adesão de sua vontade. De tal modo unida, digo, que não podia ser tolhida daquela doce ocupação, sem experimentar uma grande dor que provocava lamentos, ainda mais intensos se vinha ininterrupta no ápice de sua consolação e quietude».Em sua simplicidade e ao mesmo tempo sabedoria considera esta sua obra de tal modo acessívela todos que seria, segundo ele, como uma carta enviada aos amigos.Eis os termos com que escreve ao amigo duque Roger de Bellegarde: «Mando-lhe o livro do Amor de Deus, ninguém o viu ainda. Se em algum momento a consideração que tem por mim, dá-lhe vontade de receber uma minha carta, tome este tratado e leia um capítulo.»59 5. Dom Bosco, São Francisco de Sales e ( a Família Salesiana) os SalesianosA figura e a obra de um grande teólogo espiritual contemplada por Dom Bosco em São Franciscode Sales impressionaram menos que a vida cotidiana do apóstolo, plena de caridade e bondade.Foi esta faceta do santo saboiano que conquistou o santo piemontês e fez com que ele decidisseseguir os seus passos.Na primeira Missa do filho de Margarida ele formulou dez propósitos. No quarto ele escrevia: a ,a caridade, a bondade e a doçura de São Francisco de Sales guiem-me em tudo. O sonho de188360, traz uma sugestão para o missionários: com a doçura de São Francisco de Sales, ossalesianos atrairão a Jesus Cristo os povos da América.Entre as oito bem-aventuranças da Família Salesiana de Dom Bosco uma nos diz que sejamosdóceis, mansos: bem-aventurados os mansos. É através desta virtude que conquistaremos oscorações e os educaremos. Educação, obra que nasce no coração.Por que o pregador de Nazaré conquistou e continua conquistando tantos corações nos quatroquadrantes do orbe? Porque era manso e humilde de coração (Cfr. Mt. 11, 29).59 16 de Agosto de 1616.60 É o ano em que os Salesianos chegaram ao Brasil e fundaram sua primeira Comunidade em nossa terra, o ColégioSanta Rosa, na cidade de Niterói, em 14 de julho de 1883. O primeiro diretor foi o Pe. Miguel Borghino. CertamenteDom Bosco, então com 60 anos, estava preocupado com o êxito daquela missão e pedia ao santo da bondade queintercedesse pelos seus missionários do Brasil. 29
  30. 30. A mansidão, a doçura não pode ser confundida com fraqueza ou covardia. É coragem, firmezacapazes de enfrentar as violências e truculências de um mundo hostil e insensível. Sem iras nemrancores, mas com modos pacíficos, com benignidade e amabilidade. Desde o sonho dos noveanos que Dom Bosco assumiu esta atitude, aceitando o conselho da Senhora que lhe apareceunaquela noite: não com maus tratos, mas com caridade, com amor deverás conquistar estes teusamigos. A violência é a mãe da violência. A amabilidade, a doçura vence a maldade. Só assim seconstruirá no mundo uma civilização do amor.Não se pense que a doçura era um dom natural de Dom Bosco. No sonho dos nove anos ele nosdiz que acordou com os punhos doloridos pelos murros que deu nos jovens blasfemadores. EmChieri, nos primeiros anos de seminarista era tido como o mais colérico dos alunos.61Paulatinamente e com muita vontade iniciou um árduo trabalho de renovação. Nesta conversãomuito ajudaram as pregações que no Seminário ouvia sobre S. Francisco de Sales, sobretudo asdo dia 29 de janeiro de cada ano, quando da celebração da festa do Santo saboiano. Já falamossobre seu propósito no dia da ordenação, quando escreveu que a caridade e a doçura de SãoFrancisco de Sales deveriam orientá-lo em todas as suas atitudes. Nota-se este seucomportamento, de modo especial ao tratar com os jovens.Dom Bosco nas Memórias do Oratório fez questão de explicar porque preferiu que SãoFrancisco de Sales fosse patrono e modelo de sua obra. No incipiente e humilde Oratório de1884 seus meninos se reuniam diante de um quadro de São Francisco de Sales. A primeiraCapela do Oratório e posteriormente o próprio Oratório receberam o título de São Francisco deSales.Dom Bosco apresenta ainda outro motivo para esta sua escolha: «Por causa do nosso ministério, exigindo grande calma e mansidão, colocamo-nos sobre a proteção deste grande Santo, a fim de que nos obtivesse de Deus a graça de poder imitá- lo na sua extraordinária mansidão e na conquista das almas.»Mais tarde62, possivelmente com os problemas pastorais criados pela atuação dos protestantesvaldenses e com reflexos perigosos para a fé popular, Dom Bosco acrescenta mais uma razãopara seguir o apóstolo de Chablai. A atuação firme e ao mesmo tempo fraterna e bondosa deFrancisco de Sales no combate à heresia valdense motivou ainda mais Dom Bosco a imitar osanto em seu trabalho apostólico de Turim.61 Cf. F. Desramaut, Don Bosco em son temps, 120.62 Possivelmente entre 1848 e 1850. 30
  31. 31. «Outra razão era a de colocar-me sob a proteção deste santo, a fim de que do céu nos ajudasse no combate aos erros contra a religião especialmente o protestantismo, que insidioso, começava a insinuar-se nas nossas vilas e especialmente na cidade de Turim.»63Os títulos de São Francisco de Sales ou Salesianos, Salesianas, através de Dom Bosco haveriameternizasse-iam pelo mundo afora através de Dom Bosco, dos Salesianos e suas obras: • Sua primeira obra, o Oratório chamou-se de São Francisco de Sales; • O Oratório de Valdocco, Casa Mãe em Turim, levou o nome de São Francisco de Sales; • Em 1859, a sociedade religiosa fundada por Dom Bosco é denominada Sociedade de São Francisco de Sales; • O patrono da Congregação de Dom Bosco é São Francisco de Sales; • Os religiosos da Sociedade de São Francisco de Sales serão chamados Salesianos, em homenagem a Francisco de Sales, e, não Bosquianos, de João Bosco; • As religiosas da segunda Congregação fundada por Dom Bosco e Madre Mazzarello, as Filhas de Maria Auxiliadora, são também conhecidas por Salesianas; • Ao correr do tempo foram surgindo os vários grupos que formam a Família Salesiana de Dom Bosco (Salesianos Cooperadores, Cooperadoras Salesianas, Salesianos externos, Associação das Damas Salesianas); • Nossos ex-alunos ou ex-alunas são: ex-alunos salesianos, ex-alunas salesianas.Hoje todos esses grupos continuam a encontrar e imitar em São Francisco de Sales umaespiritualidade do quotidiano, da alegria e do otimismo. Uma casa salesiana sem estescomponentes: alegria, bondade, otimismo não é verdadeiramente uma casa salesiana.O Capítulo Geral XXIV estabelece que “o Conselho Geral promova e apóie outras...experiênciase escolas para a formação de formadores...Seja dada atenção particular à espiritualidade deFrancisco de Sales”. 64Por que esta preocupação da Assembléia Geral da Congregação Salesiana? Os padres capitularesbem sabiam que foi a espiritualidade do missionário da Sabóia que delineou o coração de DomBosco, através da tradução prática que ele fez daquela espiritualidade e que posteriormentealimentou nossa formação. As nossas Constituição nos lembram: «O salesiano, inspirando-se no humanismo de São Francisco de Sales acredita nas riquezas materiais e sobrenaturais do homem, embora não lhe ignorando a fraqueza.»63 MO 133.64 N. 148. 31
  32. 32. O patrimônio típico do salesiano é, portanto a bondade, a doçura e o otimismo. Diz-se que S. F. de Sales era tão bom que causava admiração em quem dele se aproximava. Certa feita, alguém que o conheceu exclamou: se um homem é tão bom, como não será a bondade de Deus!5.1 Amizade cultivada por S. F. de Sales, uma prática constante em Valdocco Como vimos, a caridade foi uma das características mais apreciadas e mais cultivadas pelo santo do Chablay, durante toda a sua vida. O sistema posto em prática por Dom Bosco no Oratório tem a amizade como ponto essencial: sou teu amigo, considera-me sempre um teu amigo, dizia aos seus jovens.5.2 A bondade Ele a via como uma espécie de primado entre as demais virtudes. Eis o que escreveu a respeito: «É um fato real: não existe ninguém no mundo, pelo menos penso, que goste mais cordialmente, mais ternamente e com um amor maior que o meu. E foi Deus que me deu um coração assim.» Vemos este primado da bondade em relação aos jovens também em Dom Bosco. Suas palavras são quase as mesmas ditas por S. Francisco. “Podeis encontrar alguém mais inteligente que eu, mas não encontrareis ninguém que vos ame mais que eu”. Nota-se esta atitude de São Francisco também com relação ao mundo. Sua intenção é conquistá- lo com a bondade. Preocupado com a situação em seu tempo escrevia em 1620: «O mundo está se tornando tão delicado, que daqui para frente, não se ousará tocá-lo a não ser com luvas de veludo e suas chagas não poderão ser curadas senão com delicadeza. Mas, que importa, para que os homens sejam curados e por fim salvos!» Pe. Pascoal Liberatore, ex-procurador salesiano das causas de nossos santos, comentando este trecho diz: “quanta sensibilidade hoderna e quanto espirito ecumênico nesta sua postura! É toda uma bondade dirigida para Deus, com a finalidade de se fazer com que Ele seja amado e nao de uma maneira comum, mas de um amor dirigido à santidade”. 5.2 Santidade 32
  33. 33. São Francisco de Sales, como todos os santos fundadores de uma nova espiritualidade, traçou seucaminho próprio de santidade. Dom Bosco o assumiu e deu-lhe novos contornos, determinadostraços. Um dos elementos adotados pelo santo piemontês, embora muito conhecido por nós, valeser recordado. Neste capítulo colocaremos alguns trabalhos e seus autores, considerados comofontes enriquecedoras de contribuição para nossa Sociedade 6. Outras fontes 1. Francis Desramauta) Les Memorie I (Étude d’um ouvrage fondamental sur La jeunesse de Saint Jean Bosco).De Giovanni Battista Lemoyne. Maison D’Étude Sanint-Jean – BOSCO47. chemin de Fontanières LYON (5e), 1962.Este trabalho, segundo o próprio autor, é de fundamental importância para se conhecer ajuventude de São João Bosco.O estudante curioso e amante da história, ao entrar em uma biblioteca de nossas comunidadessalesianas, logo é atraído para os volumosos testos intitulados: Memórias biográficas de DomBosco. E se ele se tornar salesiano esses tomos irão lhe acompanhar por toda sua vida.O estudo de Desramaut intitula-se: As Memórias I. precisamente este era o titulo do primeirotomo que se transformou nos volumes atuais, durante a evolução das causas de beatificação ecanonização.O conjunto da obra1 - As Memórias I.Título do primeiro tomo: Memorie Biografiche di Don Giovanni Bosco raccolte dal Sac.Salelsiao Giovanni Battista Lemoyne, vol. I, San Bennigno Canavese, 1898.Com a evolução das causas da beatificação e canonização de Dom Bosco este primeiro tomo setransformou nos 19 volumes atuais,As Memórias Biográficas têm precisamente 16.121 páginas, sem contarmos com o Índiceanalítico, o vol. XX com mais 620.6565 Cf. Lês Memorie I de Giovanni Battista Lemoyne, par Francis DESRAMAUT, S.D.B, p, 1 nota 2. 33
  34. 34. Vejamos como ficou a modificação do titulo primitivo, durante a evolução da causa decanonização de Dom Bosco. 1. Memorie Biografiche Del Venerabile Servo di Dio Don Giovanni Bosco..., vo.l VI, 1907. 2. Memorie Biografiche del Venerable Don Giovanni Bosco..., vo.l VII, 1909. 3. Memorie Biografiche del Beato Giovanni Bosco..., vol. XI, 1930. 4. Memorie Biografiche di San Giovanni Bosco, vol. XVI, 1935.Em 1939, veio a lume o X volume. Três autores: João Batista Lemoyne, A. Amadei e E. Foglioassumiram a tarefa de narrar por partes, a vida de Dom Bosco, através dos anos. G. B. Lemoyne I 1815 - 1841, S. Benigno, 1898, XXIV 532 p. • id II 1841 – 1847, S. Benigno, 1901, XII 594 p. • id III 1847 – 1850, S. Benigno, 1903, VIII 661 p. • id IV 1850 – 1853, S. Benigno, 1904, 766 p. • id V 1854 – 1857, S. Benigno, 1905, 953 p. • id VI 1858 – 1861, S. Benigno, 1907, 1102 p. • id VII 1862 – 1864, S. Benigno, 1909, 931 p. • id VIII 1865 – 1867, Turim, 1912, 1110 p. • id IX 1869 – 1871, Turim, 1917, 1032 p. G. B. Lemoyne, A. Amadei, E. Ceria • id X 1871 – 1874, Turim, 1939, VI 1384 p. • id XI 1875. Turim, 1930, 623 p. • id XII 1876 Turim 1931, 711 p. • id XIII 1877 – 1878 Turim 1932, 1018 p. • id XIV 1879 – 1880 Turim 1933, 855 p. 34
  35. 35. • id XV 1881 – 1882.........Turim 1934, 871 p. • id XVI 1883 Turim 1935, 731 p. • id XVII 1884 – 1885 Turim 1936, 967 p. • id XVIII 1886 – 1888 Turim 1937, 884 p. • id XIX 1888 – 1938 Turim 1939, 456 p.Em 1948, saiu em Turim o XX volume com 620 páginas, preparado por E. Foglio.66b) Don Bosco e la vita Spirituale.67 (Francis Desramaux, incaricato presso le Facoltà cattoliche diLione).O autor nas primeiras linhas da introdução esclarece que o livro “nasceu do desejo de esclarecere ambientar o pensamento religioso de um santo do século XIX, santo quase nossocontemporâneo”. O trabalho se inicia com a descrição das convicções fundamentais de DomBosco sobre no campo espiritual. Divide-se em sete capítulos e uma conclusão.Capítulo I – Dom Bosco no seu século68 • A formação clerical em um ambiente antes rigorista, depois ligoriano O jovem Bosco inicialmente pensou entrar nos Franciscanos, chegando mesmo a ser postulante na Ordem. Convencido de que não era seu caminho, em Novembro de 1835 ingressa no Seminário de Chieri. Ali dominava o espírito do séc. XVIII, rigorista ou mesmo jansenista orientado mais à piedade do que à ciência. Reinava a mentalidade probabiliorista, sob a influência da Universidade de Turim, de orientação tomística.66 Idem, op. cit. p. 19,20.67 Título original: Don Bosco et la vie spirituelle. Beauchesne,Paris, 1967. Tradução: Luigi Motatto – DinoDonadoni a cura del CENTRO CATECHISTICO SALESIANO di Torino-Leuman.68 De cada título apresento apenas alguns sub-títulos que julguei mais pertinentes. 35
  36. 36. Em 1817, o teólogo Luiz Guala funda em Turim o Convitto, cuja finalidade era a formação pastoral do jovem clero. Sua atuação era bem diferente do que reinava em Chieri, o benignismo substituía o rigorismo. Os jesuítas com o teólogo Guala à frente, difundiam o espírito que reinava então na Itália: «a ascética inaciana, luta aberta contra o jansenismo e o regalismo, devoção sincera e terna ao Sagrado Coração, a Nossa Senhora e ao Papa, freqüência aos Sacramentos»69 O Convitto moldou Dom Bosco nos seus três primeiros anos de sacerdócio (ordenado em 5 de junho de 1841). Ali “aprendeu a ser padre”, o que não aconteceu suficientemente no Seminário de Chieri, segundo ele. • O apostolado citadino entre os jovens abandonados Ao concluir os estudos estava com 29 anos. Conservará em sua vida certas características ded sua doutrina e s eu espírito. «Ele será sempre liguoriano (...) sem renegar completamente o Deus severo da sua juventude. Combinará o humanismo, que lhe era conatural, com o sentido da fraqueza extrema da criatura, do domínio de Satanás sobre o mundo e da atração da concupiscência sobre o homem»70 Não obstante, a vida e as experiências pessoais lhe trarão mudanças, o sentido de Igreja, se afirmará sua confiança na ação santificadora, sua piedade sacramental. • A luta contra os Valdenses. Os Valdenses conquistavam muitos adeptos, sobretudo no meio popular71. Suas ações eram facilitadas pela igualdade de direitos e pela liberdade de imprensa. Dom Bosco contra atacou em 1850, com Avisos aos Católicos. A aceitação foi muito boa. Em dois meses foram divulgados mais de duzentos mil exemplares.72 Em 1853 a ofensiva foi realizada através das Leituras Católicas, que eram uma resposta às publicações dos Valdeses Leituras Evangélicas. Dom Bosco foi visitado, ameaçado, provocado pelos adversários, sofreu atentados. Não cedeu, pelo contrário, contra atacou. • As fontes de Dom Bosco. Dom Bosco, muito embora fosse um homem de ação, tinha uma biblioteca bastante boa.69 Cf. Fancis DESRAMAUT, Don Bosco e la vita spirituale. Elle Di Ci, Torino-Leuman, p.21.70 Idem. Don Bosco e la vita... p. 23.71 De acordo com as estatísticas em 1848 dois quintos dos turineses não sabiam ler nem escrever (MO, 241).72 MO, 241. 36

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