As Profecias do Tempo do Fim - LaRondelle

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As Profecias do Tempo do Fim - LaRondelle

  1. 1. AS PROFECIAS DO TEMPO DO FIM [Clique na palavra CONTEÚDO] ENFOQUE CONTEXTUAL-BÍBLICO Hans K. LaRondelle Dr. em Teologia Professor emérito de Teologia O SERMÃO PROFÉTICO DE JESUS: MATEUS 24 A PROFECIA DE PAULO: 2 TESSALONICENSES 2 O APOCALIPSE DE JOÃO Título do original em inglês (5ª edição inglesa, 1997) How to Understand The End-Time Prophecies of the Bible FIRST IMPRESSIONS Miami Beach, Florida, E.U.A., 1997 Tradução: Carlos Biagini [Contracapa] "O Dr. LaRondelle fez uma contribuição extremamente importantepara nossa compreensão da profecia bíblica". Dr. George R. Knight, professor de História Eclesiástica no Seminário Teológico de Universidade Andrews. "Este livro faz uma contribuição fundamental a uma necessidadeabsolutamente crucial em todas as igrejas cristãs: A necessidade de nãosó interpretar a Bíblia, mas também a de entender corretamente suamensagem apocalíptica e escatológica. Este é um livro bem a tempo". Wilmore D. Eva, diretor da revista Ministry.
  2. 2. As Profecias do Tempo do Fim 2 "LaRondelle tira o apocalíptico do reino da fantasia e especulaçãoque caracteriza as apresentações de tantos que nos deslumbram mas quenão nos alimentam. O enfoque do LaRondelle leva a uma fé maisamadurecida em Cristo. Isto é erudição cristã, responsável e equilibradada melhor classe". Charles E. Bradford, presidente aposentado da Divisão Norte-americana da igreja adventista. Hans K. LaRondelle é professor emérito de Teologia noSeminário Teológico da Universidade Andrews, em BerrienSprings, Michigan, Estados Unidos. Serve nos Países Baixoscomo pastor evangelista e professor durante 14 anos, e naUniversidade Andrews como professor de teologia durante 25anos. Recebeu seu título doutoral em Teologia Sistemática eÉtica do distinto teólogo holandês G. C. Berkouer na ReformedFree University [Universidade Livre Reformada], em Amsterdã,em 1971. É o autor dos livros Perfection and Perfectionism [Perfeição ePerfeccionismo], Christ Our Salvation [Cristo nossa salvação],Deliverance in the Psalms [Libertação nos Salmos], Chariots ofSalvation [Carruagens de Salvação], The Israel of God inProphecy [O Israel de Deus na profecia] e The Good News AboutArmageddon [Boas Novas Sobre o Armagedom]. Também é co-autor nos livros A Symposium on Biblical Hermeneutics [UmSimpósio Sobre Hermenêutica Bíblica] (editado pelo G. M. Hyde),Symposium on Revelation, Book II [Simpósio Sobre o Apocalipse,Livro II] (editado por F. B. Holbrook) e The Sabbath in Scriptureand History [O Sábado na Escritura e na História] (editado por K.A. Strand).
  3. 3. As Profecias do Tempo do Fim 3 CONTEÚDO Prólogo . ...........................................................................................7 Introdução geral.................................................................................9 Chave de abreviaturas ....................................................................11 Agradecimentos..............................................................................14 PRIMEIRA PARTE: A PROFECIA BÍBLICA 1. A esperança apocalíptica dos judeus do século I.........................15 2. A distinção entre profecia clássica e profecia apocalíptica….....21 Profecia clássica .....................................................................21 Profecia apocalíptica ..............................................................25 Resumo ...................................................................................28 3. A aplicação que Cristo fez da Bíblia Hebraica............................30 Jesus e a Palavra de Deus .......................................................30 A nova revelação de Jesus o Messias......................................33 Cristo, o representante do novo Israel.....................................34 4. Como Cristo empregou os símbolos apocalípticos ....................38 5. A interpretação que os apóstolos fizeram do cumprimento da profecia..................................................45 A unidade orgânica dos cumprimentos cristológicos e eclesiológicos ................................................................47 O princípio de universalização das promessas territoriais feitas a Israel....................................................49 O inadequado da hermenêutica do literalismo........................51
  4. 4. As Profecias do Tempo do Fim 4 SEGUNDA PARTE: MATEUS E TESSALONICENSES 6. A compreensão de Cristo das profecias do Daniel......................54 A estrutura cronológica do discurso profético de Jesus em Marcos 13....................................................................59 A aplicação que Cristo fez da tipologia .................................61 Cristo, a chave para entender a profecia ................................63 O anticristo abominável..........................................................65 O anticristo pós-apostólico .....................................................69 O estilo apocalíptico de Mateus 24 ........................................70 A ênfase de Lucas sobre o curso da história...........................71 A teologia de Cristo sobre os sinais cósmicos........................74 A universalização que Cristo fez das profecias do tempo do fim ...............................................................78 Resumo ...................................................................................79 FONTES BIBLIOGRÁFICAS DO CAPÍTULO 6.......................82 7. A compreensão de Paulo das profecias de Daniel.......................85 O enfoque contínuo-histórico em Daniel ...............................86 Paralelos entre os esboços apocalípticos de Jesus e Paulo............88 A ênfase de Paulo sobre a apostasia religiosa.........................90 Como Paulo emprega a frase "o templo de Deus"..................92 Como Paulo emprega os tipos de adoração falsa no Antigo Testamento.......................................................94 A aplicação que Paulo faz do antimessias predito por Daniel....96 O momento histórico exato do anticristo segundo Paulo........98 O anticristo de Paulo como uma paródia de Cristo...............100 O mistério da iniqüidade.......................................................102 O ato que coroará o drama do engano...................................104 Resumo..................................................................................105 FONTES BIBLIOGRÁFICAS DO CAPÍTULO 7.....................107
  5. 5. As Profecias do Tempo do Fim 5 TERCEIRA PARTE: O APOCALIPSE 8. Introdução ao Apocalipse..........................................................109 9. O propósito do Apocalipse........................................................114 10. Chaves interpretativas dentro do Apocalipse............................120 11. A composição literária do Apocalipse.......................................129 FONTES BIBLIOGRÁFICAS DO CAPÍTULO 11................................140 12. A visão do trono do Criador: Apoc. 4.......................................141 13. A entronização do Cordeiro de Deus: Apoc. 5..........................147 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 4 E 5......................153 14. Compreendendo os sete selos: Apoc. 6.....................................153 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 6..........................182 15. Segurança de libertação no tempo do fim: Apoc. 7..................184 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 7..........................202 16. Compreendendo as trombetas em seus contextos: Apoc. 8 e 9................................................................................204 17. Uma aplicação histórica das trombetas.....................................225 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA ENTENDER AS TROMBETAS EM SEUS CONTEXTOS............................................245 18. O refletor profético sobre o povo de Deus do tempo do fim: Apoc. 10............................................................247 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 10........................264 19. A missão profética das testemunhas de Deus: Apoc. 11....................................................................................266 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 11…......................296 20. Compreendendo os "1.260 dias" em Apocalipse 11-13 ...........299 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA ENTENDER OS "1.260 DIAS"......326 21. A mensagem do tempo do fim na perspectiva histórica: Apoc. 12-14...............................................................................331 22. O conflito final de lealdade do tempo do fim: Apoc. 13...........366 23. Identificando o anticristo...........................................................393 24. Os últimos companheiros do Cordeiro: Apoc. 14:1-5...............403
  6. 6. As Profecias do Tempo do Fim 6 25. A mensagem do primeiro anjo: Apoc. 14:6, 7..........................412 26. A mensagem do segundo anjo: Apoc. 14:8...............................429 27. A mensagem do terceiro anjo: Apoc. 14:9-12...........................437 28. A dupla ceifa da terra: Apoc. 14:14-20.....................................450 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 12-14....................458 29. O significado das sete últimas pragas: Apoc. 15 e 16...............467 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 15 E 16.................489 30. A sétima praga: A retribuição de Babilônia: Apoc. 17.............492 31. O significado do veredicto de Deus sobre Babilônia: Apoc. 18 ...................................................................................520 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 17 E 18.................540 32. Compreendendo o milênio: Apoc. 19 e 20................................544 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA ENTENDER O MILÊNIO.............576 33. O significado da Nova Jerusalém: Apoc. 21 e 22 ....................581 FONTES BIBLIOGRÁFICAS PARA APOCALIPSE 21 E 22.................603 Epílogo…………………………………………….…………..….606 APÊNDICES A. Relação do dom de profecia do tempo do fim com a Bíblia......................................................................609 B. Alguns textos problemáticos com respeito à Nova Terra........................................................................618
  7. 7. As Profecias do Tempo do Fim 7 PRÓLOGO O propósito deste estudo da profecia bíblica é singelo: É meutestemunho como professor de Teologia, alguém que ensinouEscatologia Bíblica e Interpretação Apocalíptica por mais de 25 anos noSeminário Teológico da Universidade Andrews (em Berrien Springs,Michigan, Estados Unidos) e em seminários de extensão ao redor domundo. Este livro é o resultado de meus contínuos esforços por aprendercom o passar do tempo. O presente estudo não é um tratamentoexaustivo de cada profecia de longo alcance da Sagrada Escritura. Oscapítulos problemáticos do Daniel 8-12 constituem uma estudo à parte, eestão além do alcance deste livro. Os eruditos bíblicos adventistasestudaram recentemente estes capítulos apocalípticos no livro do Daniel.Os resultados de seus estudos podem encontrar-se nos livros TheSanctuary and the Atonement, Biblical Historical, and TheologicalStudies [O Santuário e a Expiação: Estudos Bíblicos, Teológicos eHistóricos] (A. V. Wallenkampf e W. R. Lesher, eds., Biblical ResearchCommittee [Comissão de Investigação Bíblica]; Washington DC:Review and Herald, 1981), Symposium on Daniel [Simpósio SobreDaniel] (Frank B. Holbrook, ed., Biblical Research Institute [Instituto deInvestigação Bíblica]; Hagerstown, Maryland: Review and Herald,1986), e no número de "Daniel" da Journal of the Adventist TheologicalSociety [Revista da Sociedade Teológica Adventista] (T. 7, N.° 1, 1996). O tema central da presente obra é o discurso profético de Jesus emMateus 24 (e seus capítulos paralelos no Marcos e Lucas), o esboçoapocalíptico de Paulo em 2 Tessalonicenses 2, e Apocalipse de João. Estou convencido de que a interpretação contínuo-histórica dasgrandes séries apocalípticas proporciona o método mais adequado para adesafiante tarefa de compreender a perspectiva bíblica do tempo do fim.Isto requer uma comprovação cuidadosa das tradicionais aplicaçõeshistoricistas à história da igreja, de modo que possamos aprender dos
  8. 8. As Profecias do Tempo do Fim 8enganos do passado. Nosso enfoque é primariamente a exegesecontextual-bíblica de cada passagem apocalíptica antes que se possaextrair qualquer aplicação histórica. Por um lado, a redação deste livro reflete o estilo de minhas classescom os estudantes de Teologia, como também com o dos encontros compastores e leigos nos seminários bíblicos. E, por outro lado, tem aintenção de beneficiar a todos os estudantes sinceros da Bíblia quedesejam investigar esta parte importante e desafiante das Escrituras,
  9. 9. As Profecias do Tempo do Fim 9 INTRODUÇÃO GERAL O propósito deste livro é ajudar ao leitor a compreender melhor oplano de Deus para a redenção do planeta Terra. A Sagrada Escritura dáa conhecer o significado do plano de Deus até que alcance sua revelaçãototal e completa no último livro da Bíblia, o Apocalipse, que é "arevelação do Jesus Cristo" (Apoc. 1:1). O Apocalipse é reconhecidocomo o mais destacado e um resumo de todas as profecias anteriores;isto sugere sua profunda unidade espiritual com os outros livros daBíblia. Portanto, requer-se um conhecimento básico de toda a Escrituraantes de poder obter uma revelação mais profunda do Apocalipse. O Apocalipse adota seus símbolos, imagens e termosprincipalmente do Antigo Testamento, por isso estes não podem sercompreendidos se forem isolados de suas raízes hebraicas. Posto assim,para ler o Apocalipse dentro de seu amplo contexto bíblico se requer quenos familiarizemos com as Escrituras Hebraicas, com sua forma de falare com sua linguagem profética. Além disso, também é de proveito ainterpretação que fazem da profecia os rabinos do judaísmo posterior.Este antecedente revela a surpreendente novidade da mensagemevangélica, tal como a apresentaram Jesus e os escritores do NovoTestamento. Nosso exemplo autoritativo para a aplicação cristã das profecias dotempo do fim será a maneira como Cristo e o apóstolo Paulo usaram ossímbolos apocalípticos do livro do Daniel. O sermão profético do Jesusem Mateus 24 (e paralelos) e o esboço profético de Paulo em 2Tessalonicenses 2 constituem os dois elos indispensáveis entre os livrosdo Daniel e Apocalipse. Tanto Jesus como Paulo aplicam as profecias doDaniel 7-12 do ponto de vista de sua própria época. Assim sendo, comocrentes cristãos devemos derivar nossos princípios de interpretaçãoprofética de suas aplicações históricas de Daniel. Estes princípioshermenêuticos, ou de interpretação, são de uma importância decisivapara nossa compreensão das profecias bíblicas do tempo do fim.
  10. 10. As Profecias do Tempo do Fim 10 A primeira parte de nossa investigação se concentra em Mateus 24 eem 2 Tessalonicenses 2. Em Apocalipse, o enfoque estará sobre a daprova final de fé no grande conflito dos séculos. A profecia bíblica nuncafoi dada para satisfazer nossa curiosidade sobre o futuro. Mais bem, suafinalidade divina é animar o povo de Deus para que persevere na sagradafé e revitalize sua bem-aventurada esperança na breve volta de Cristocomo o Rei-Salvador. Quando o Apocalipse, a revelação de Jesus Cristo,fizer pleno impacto em nossas mentes e corações, experimentaremossuas descrições poéticas e dramáticas como a mensagem mais sublimeda misericórdia e justiça divinas para a humanidade. A culminação daprofecia é a segurança celestial de que o Criador se importa conosco ecom nosso mundo, e de que Sua justiça prevalecerá durante toda aeternidade sobre a terra assim como prevalece no céu. No final da maioria dos capítulos se sugere material bibliográficocomo uma guia para um estudo exaustivo. A menos que se indique outracoisa, usa-se a versão Almeida Atualizada, revisão de 1997 (toda ênfasena transcrição do texto dos versículos, em negrito ou em itálico, é doautor).
  11. 11. As Profecias do Tempo do Fim 11 CHAVE DE ABREVIATURAS Bíblias (versões) BC Bover-Cantera BJ Bíblia de Jerusalém CI Cantera-Iglesias BLH Bíblia na Linguagem de Hoje JS Juan Straubinger LXX Septuaginta, ou Versão dos Setenta NASB New American Standard Bible NBE Nova Bíblia espanhola NC Nácar-Colunga NEB New English Bible [Nova Bíblia inglesa] NVI Nova Versão Internacional NKJV New King James Version RA Revista e Atualizada TA Torres-Amat Espírito de Profecia AA Atos dos apóstolos CE Colportor evangelista, O DTN Desejado de Todas as Nações, O Ed Educação Ev Evangelismo FE Fundamentos da Educação Cristã GC Grande Conflito, O MS Mensagens Escolhidas PE Primeiros Escritos PP Patriarcas e Profetas PR Profetas e Reis TS Testemunhos Seletos, vol. 1, 2, 3
  12. 12. As Profecias do Tempo do Fim 12 Revistas teológicas AUSS Andrews University Seminary Studies [Estudos do Seminário da Universidade Andrews] CBQ Catholic Biblical Quarterly [Revista Trimestral Bíblica Católica] JATS Journal of the Adventist Theological Society [Revista da Sociedade Teológica Adventista] JBL Journal of Biblical Literature [Revista de Literatura Bíblica] JETS Journal of the Evangelical Theological Society [Revista da Sociedade Teológica Evangélica] JSNT Journal for the Study of The New Testament [Revista para o estudo do Novo Testamento] NTS New Testament Studies [Estudos do Novo Testamento] SBTh Studia Bíblica et Theologica [Estudos Bíblicos e Teológicos] SJT Scottish Journal of Theology [Revista Escocesa de Teologia] Miscelânea a.C. antes de Cristo ANF The Ante-Nicene Fathers [Os Pais antenicenos] cap. Capítulo caps. Capítulos CBA Comentário bíblico adventista (espanhol) cf. Compare-se com d.C. depois de Cristo ed. Editor / editado por / edição de eds. Editores gr. grego lit. Literalmente p. Página pp. Páginas p.ex. Por exemplo
  13. 13. As Profecias do Tempo do Fim 13 QM Regra de guerra (Qumrán) trad. Tradutor/ Traduzido por vol. Volume v. Versículo vs. Versículos
  14. 14. As Profecias do Tempo do Fim 14 AGRADECIMENTOS O material bibliográfico que se encontra no final da maioria doscapítulos mostra a enorme dívida que tenho com os eruditos bíblicos queprocuraram descobrir o significado do Apocalipse, a revelação de JesusCristo. Estou agradecido especialmente a meus colegas no campo dateologia, e aos estudantes, que leram o manuscrito e estimularam a umestudo renovado de certas passagens das Escrituras. De maneira especial desejo mencionar ao Dr. Peter M. vanBemmelen, professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológicoda Universidade Andrews, Berrien Springs, Michigan, Estados Unidos;ao Dr. Ángel M. Rodríguez, do Instituto de Investigação Bíblica daAssociação Geral da Igreja Adventista, Silver Spring, Maryland; ao Dr.Norman R. Gulley, professor de Teologia Sistemática no SouthernCollege, Collegedale, Tennessee; ao Dr. Roy C. Nadem, professoraposentado de Educação Religiosa na Universidade Andrews; ao Dr.George R. Knight, professor de História da Igreja no SeminárioTeológico da Universidade Andrews; ao Pr. Graeme S. Bradford,secretário ministerial da União Trans-Tasmânia, Austrália; ao Pr. JacColombo, secretário de campo da Associação de Washington, Bothell,Washington; a todos eles por seu interesse especial no livro, por suasconversações estimulantes, e por suas úteis sugestões para esclarecê-lo emelhorá-lo. Estou agradecido à minha esposa Bárbara pela correção final dasprovas, quem também me indicou a necessidade de simplificar porçõescomplicadas. A todos meus colegas, professores e estudantes da profeciabíblica lhes expresso minha profunda gratidão. É obvio, sou o únicoresponsável pelas deficiências e enganos que possam encontrar-se. Olivro tão-só reflete minha percepção presente como teólogo experiente naprofética Palavra de Deus, mas em caminho para uma compreensão maiscompleta da mensagem divina.
  15. 15. As Profecias do Tempo do Fim 15 A ESPERANÇA APOCALÍPTICA DOS JUDEUS DO SÉCULO I O Apocalipse de João está em marcado contraste com os váriosescritos apocalípticos judeus que estiveram em atualidade no primeiroséculo de nossa era. Desde que o general romano Pompeu invadiu aPalestina em 63 a.C. e sujeitou à nação judia ao governo romano,intensificou-se a esperança judia em um Messias prometido. A maioriados judeus esperava a vinda de um Rei-Messias poderoso, da casa deDavi, quem mataria ao dragão romano com seu poder militar ajudadopelo poder divino. Então o Messias restauraria a nação do Israel àsuprema grandeza política como o reino messiânico sobre a terra. Esta esperança apocalíptica era vibrante entre os fariseus. Podedemonstrar-se pelos denominados Salmos de Salomão, um documentofarisaico escrito pouco depois da morte do general Pompeu no 48 a.C. "Olha-o Senhor, e lhes suscite um rei o filho de Davi, no momento que tu escolhas, oh Deus, para que reine em Israel teu servo. Rodeia-o de força para quebrantar aos príncipes injustos, para purificar a Jerusalém dos gentios que a pisoteiam destruindo-a; expulsa em sabedoria e justiça aos pecadores da herança; para despedaçar a arrogância dos pecadores semelhante a um cântaro de oleiro; para quebrantar toda sua solidez com uma vara de ferro; para destruir as nações ilícitas com a palavra de tua boca; a sua advertência as nações fugirão de sua presença; e condenará aos pecadores pelos pensamentos de seus corações".1
  16. 16. As Profecias do Tempo do Fim 16 O Testamento do Moisés, um hino escrito pelos essênios ou pelosfariseus antes da queda de Jerusalém no 70 D.C., também expressava odesejo premente do pronto advento do reino de Deus: "Pois o Altíssimo Deus eterno se elevará sozinho, aparecerá para tomar vingança das nações e destruirá todos os seus ídolos. Então, tu, Israel, serás feliz. Montarás sobre pescoço e asas de águia. Sim, todas as coisas se cumprirão".2 No Quarto livro do Esdras, conhecido também como o Apocalipsede Esdras, um documento escrito depois da queda de Jerusalém no 70D.C., lemos que o Messias viria para liberar à remanescente do Israel datirania de Roma e para estabelecer o reino messiânico por 400 anos (cap.12).3 A esperança dominante no Israel era a da libertação política, similarà forma como Deus os tinha libertado do Egito. Só que esta vez aexpectativa era por uma redenção permanente dos males da história. Apartida dos zelotes [fanáticos] tinha uma febre apocalíptica tal, queapoiou uma guerra de guerrilhas contra Roma na segurança de que Deusdestruiria os opressores do Israel e criaria um mundo no qual Satanás e ador não existiriam mais. Josefo, o historiador judeu do primeiro século, ordem que um certoJudas, galileo, originou um levantamento a princípios do século I. Suafilosofia era que o povo de Deus devia reconhecer só a Deus como seusoberano e Senhor, e recusar-se a pagar impostos a um amo pagão.4 ONovo Testamento registra que essa rebelião chegou a um fimdesventurado (At. 5:37). Entre os rolos do Mar Morto, descobertos nas cavernas de Qumran,encontrou-se um denominado Regra de guerra (QM), escrito a começosda era cristã. Descreve um plano de batalha para que os pactuantes deQumran travem a última guerra santa contra Roma (Quitim) e Belial. Aesperança era de novo que Deus interviria com seu santos anjos e daria
  17. 17. As Profecias do Tempo do Fim 17ao fiel remanescente de Israel uma vitória eterna por meio de umdesdobramento do poder do Miguel como o guerreiro divino. 5 Esta esperança política de um futuro mais brilhante alcançou umtom tão febril no século I, que conduziu ao levantamento judeu contraRoma nos anos 66-72 e no 132. Em ambas as ocasiões os judeuscomeçaram uma guerra militar contra o Império Romano confiando emque Deus os vindicaria com uma vitória sobrenatural. Salomão Schechter resume com quatro características os elementosessenciais da esperança apocalíptica no primeiro século: (1) o Messias,da casa de Davi, restaurará o reino do Israel e estenderá seu governosobre toda a terra; (2) os inimigos de Deus lançarão um ataque maciçocontra Israel, no qual o Messias destruirá a todos seus oponentes pagãos;(3) todas as nações sobreviventes aceitarão o Deus de Israel,reconhecerão seu reino e procurarão a instrução de seu Torah (lei); e (4)a era do reinado messiânico será uma era de prosperidade material esorte espiritual; até a morte seria abolida por meio da ressurreição dosjustos mortos. Este reino do Messias era, de acordo com algumas fontes,uma preparação para o tempo quando Deus mesmo reinaria.6 Infelizmente, os judeus estavam tão dominados por seu ódio paraRoma que enfatizaram unilateralmente a missão da vinda do Messiascomo o libertador do jugo romano e o restaurador do reino nacional aIsrael. Por esta razão, os rabinos estudaram as profecias messiânicas dasEscrituras Hebraicas com uma mente preconcebidas que lhes impediu dever a revelação da plenitude da missão do Messias para salvar do pecadoa todos os homens. Esperando um Messias político só para sua próprianação, passaram por cima das profecias e dos tipos que prediziam amorte expiatória do Messias em sua primeira vinda. Interpretando aprofecia para encontrar evidências com o fim de sustentar sua ambiçãonacional, os judeus se prepararam para rechaçar o Salvador do mundo.Quando Cristo veio em uma maneira contrária a suas expectativas,ficaram completamente desapontados e não o receberam.
  18. 18. As Profecias do Tempo do Fim 18 Cristo tratou de lhes mostrar que tinham interpretado mal apromessa de Deus de conceder favor eterno a Israel. Tinham chegado aconsiderar sua descendência natural de Abraão como uma pretensão paraessa promessa (João 8:33-40). Na verdade, em seu orgulho racial, osdirigentes judeus passaram por cima das condições prévias que Deustinha especificado. O favor de Deus estava assegurado só a um Israelespiritual e em cujos corações ele tinha escrito sua lei: "Darei minha leiem sua mente, e a escreverei em seu coração; e eu serei a eles por Deus,e eles me serão por povo... Porque todos me conhecerão, do maispequeno deles até o maior, diz o Senhor" (Jer. 31:31-34). As promessas divinas de salvação e bênção para o mundo estavamasseguradas a um Israel regenerado como o verdadeiro povo do pacto. Opovo espiritual de Deus são constituídos pelos que estão "circuncidados"em seus corações (ver Deut. 10:16; 30:6; Jer. 4:4). Um povo assim nãoreclamará as promessas de Deus e renderá um serviço exterior a Deusmeramente pelo puro prazer de alcançar grandeza nacional. O essencialda Bíblia Hebraica não é o Israel, e sim o Messias de Israel! As profeciasmessiânicas constituem o coração tanto da Escritura como dos sagradosserviços do santuário no Israel. Muitos rabinos e fariseus chegaram aacreditar que por meio de um conhecimento da Escritura e umaconformidade exterior a ela, possuíam vida eterna. A Mishná ensina:"Grande é a lei, porque lhe dá vida aos que a praticam tanto neste mundocomo no vindouro".7 Mas Jesus assinalou uma falta fundamental devisão: "Vós perscrutais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vidaeterna; ora, são elas que dão testemunho de mim; vós, porém, nãoquereis vir a mim para terdes a vida" (João 5:39, 40, BJ). A vida está centrada no Messias, o Filho de Deus, e não naEscritura. Jesus afirmou: "As palavras que eu lhes falei são espírito e sãovida" (João 6:63). Ao perder de vista a Cristo como o coração viventedas Escrituras, os judeus já não entenderam mais o significado espiritualdo serviço ritual em seu templo. Começaram a confiar nos mesmossacrifícios e cerimônias em vez de contemplá-lo a ele, a quem
  19. 19. As Profecias do Tempo do Fim 19assinalavam os sacrifícios. De modo que perderam o significadoespiritual de sua adoração no templo. Aferrando-se a fórmulas mortas,esses rituais chegaram a ser um mistério inexplicável. Até as restrições rabínicas quanto à observância do sábado revelamque os judeus já não percebiam que no sábado havia uma promessadivina do descanso messiânico. Os dirigentes judeus interpretaram mal oato do Jesus ao curar milagrosamente a um paralítico no sábado como aevidência de uma atitude contra na sábado (João 5:16-18). Entretanto, ooposto era verdade. Jesus ensinou que as obras de misericórdia não sóestavam permitidas, mas também eram obrigatórias no sábado para queas fizesse o Messias, e em perfeita harmonia com a vontade do Paicelestial. "Meu Pai, até o presente, continua trabalhando e eu tambémtrabalho" (João 5:17, NBE). O erudito evangélico Leão Morris o explicadesta maneira: "Ele [Jesus] não estava dizendo que não devia guardar-seo sábado... Estava dizendo que seus críticos não entendiam o quesignificava na sábado e por que tinha sido instituído".8 Não surpreende que Jesus censurasse os judeus por sua falta depercepção espiritual, por não discernir quem era ele, o Enviado ao Israelpelo Pai. E desafiou-os perguntando: "Não vos deu Moisés a lei?Contudo, ninguém dentre vós a observa. Por que procurais matar-me?...Não julgueis segundo a aparência, e sim pela reta justiça" (João 7:19,24). Enquanto desejavam a vinda do Messias, os judeus já não tinham overdadeiro conceito de sua missão divina como Redentor do pecado e deSatanás. Cristo lhes disse: "Todo o que comete pecado é escravo do pecado...Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8:34,36), mas eles afirmaram que eram livres porque, disseram, "jamaisfomos escravos de ninguém" (v. 33). Não compreenderam o significadoespiritual do pecado ou o significado da natureza da dignidade real deCristo. O Messias devia vir como o verdadeiro intérprete dos profetas deIsrael. Devia definir os princípios do reino e o plano de redenção. Issofoi o que fez Cristo, e seus ensinos estão registrados nos Evangelhos, os
  20. 20. As Profecias do Tempo do Fim 20quais formam a chave essencial para entender corretamente o AntigoTestamento. Também formam a ponte teológica entre as profecias doAntigo Testamento e o livro do Apocalipse. Portanto, antes de podermosentender corretamente o último livro da Bíblia, é indispensável descobrirprimeiro como Jesus interpretou a perspectiva profética dos profetasclássicos e o livro do Daniel. Referências 1. "Salmos de Salomão", 17:21-25, citado em J. H. Charlesworth, The Old Testament Pseudepigrapha, T. 2, p. 667. 2. "Testamento de Moisés", 10:7, 8, chamado em G. Aranda Pérez, F. García Martínez e M. Pérez Fernández, Literatura judía intertestamentaria (Estella, Navarra: Verbo Divino, 1996), p. 301. 3. "O Messias que o Altíssimo reservou para o final dos tempos: Ele surgirá da estirpe de Davi " (Ibid., p. 329). 4. Flavio Josefo, Obras completas de Flavio Josefo: Antigüedades judías (Buenos Aires: Acervo Cultural, 1961), XVIII, 1, 1-6 (t. 3, pp. 225-228); La guerra de los judíos, 11, 8 (t. 4, pp. 136-142). 5. 1 QM 6; 12-14. 6. Schechter, Salomão, Aspects of Rabbinic Theology (Nova York: Schocken Books, 1961), p. 102. 7. Abot [Pais] 6: 7. 8 Leão Morris, Reflections on the Gospel of John (Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1987), T. 2, pp. 265, 266.
  21. 21. As Profecias do Tempo do Fim 21 A DISTINÇÃO ENTRE PROFECIA CLÁSSICA E PROFECIA APOCALÍPTICA Os profetas do Antigo Testamento tais como Amós, Isaías,Sofonías, Ezequiel e Jeremias são chamados profetas clássicos. Suasmensagens foram em primeiro lugar pronunciados em voz alta, seja aoreino rebelde do Israel no norte (as 10 tribos) ou à apóstata Jerusalém eJudá (as 2 tribos). Com freqüência suas mensagens foram um clamor emfavor da justiça social, econômica e política para as classes oprimidas.Os profetas convocaram Israel e Judá para que voltassem para a torah oulei do pacto do Moisés, e para que servissem a Deus com arrependimentoverdadeiro. Se os líderes políticos e religiosos do povo eleito originavamjustiça social e uma renovação da adoração, o reino de Deus viria sobre aterra em sua história futura. Em realidade, o "dia do Senhor", ou o "diado Jeová", não viria como Israel o tinha antecipado popularmente. Profecia Clássica Amós: Este profeta, como porta-voz de Deus, pronunciou em formafulminante estas horríveis palavras às 10 tribos: "Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Diado Senhor? É dia de trevas e não de luz ...Não será, pois, o Dia do Senhortrevas e não luz? Não será completa escuridão, sem nenhuma claridade? "Por isso, vos desterrarei para além de Damasco, diz o Senhor, cujonome é Deus dos Exércitos" (Amós 5:18, 20, 27). Amós deu a conhecer dois castigos sobre Israel: Em primeiro lugar,a nação infiel seria levada cativa ao exílio em Assíria ("além deDamasco") como resultado da maldição do pacto do Deus do Israel, emharmonia com suas ameaças do pacto pronunciadas mediante Moisés(Deut. 28; Lev. 26). Esta sentença teve lugar no ano 722 a.C., e seconhece como o desterro assírio das dez tribos. Em segundo lugar, osignificado pleno deste juízo nacional chega a compreender-se só quando
  22. 22. As Profecias do Tempo do Fim 22se vê este acontecimento como um tipo ou prefiguração do juízo cósmicode Deus ao fim da história sobre todas as nações que se rebelem contraDeus. Amós apontou ao juízo final de Deus quando se referiu aos sinaiscósmicos: "Farei que fique o sol ao meio dia, e cobrirei de trevas a terrano dia claro" (Amós 8:9), e: "Não se estremecerá por isso a terra, e faráluto tudo o que nela habita? (v. 8, BJ). Escuridão repentina ao meio-diaou um terremoto catastrófico podem ser mais que um desastre natural. Ofogo apocalíptico consumirá a terra e o mar (7:4) e levará a seu fim ahistória de Israel! Na escatologia (a ordem dos acontecimentos finais) que apresentaAmós, o dia do Senhor seria um juízo iminente sobre Israel a mãos deseu inimigo nacional: Assíria (no 722 a.C.). Mas Amós anunciou umacatástrofe ulterior, na qual Deus julgará a uma sociedade mundialapóstata e libertará a seus fiéis em todas as nações. A esta relação dojuízo local iminente e do juízo mundial do tempo do fim chamamos"conexão tipológica". Ambos os juízos procedem do mesmo Deus, maso juízo sobre a nação é um tipo ou modelo profético que garante queDeus julgará finalmente a todo mundo pelos mesmos princípios morais.Só mediante sua retribuição final se cumprirá completamente o propósitoredentor de Deus para esta terra. O tipo histórico pode ser local eincompleto, mas o antitipo escatológico será universal e completo emseus resultados. Sofonías: O duplo foco do juízo de Deus em Amós também odescrevem graficamente os outros profetas. Em geral se considera queSofonías é o profeta mais grandioso que fala do juízo de Deus. Inclusivecomeça seu pequeno livro com uma admoestação da destruição universalvindoura: "De fato, consumirei todas as coisas sobre a face da terra, diz oSenhor. Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e
  23. 23. As Profecias do Tempo do Fim 23os peixes do mar, e as ofensas com os perversos; e exterminarei os homensde sobre a face da terra, diz o Senhor" (Sof. 1:2, 3). Assim como Amós, Sofonías contempla o futuro histórico imediatocontra o fundo do juízo final, porque é o mesmo Deus o que visita Israele o mundo para juízo e salvação. A mensagem principal é que Deus atua,não a duração do período de tempo entre os juízos. Joel: O profeta Joel estruturou sua perspectiva profética de formatal que uma praga histórica de lagostas (1:4-12) serve como um tipoprofético do juízo escatológico de todo o mundo, que é seu antitipo(2:10, 11; 3:11-15). A história local e a escatologia do tempo do fimestão tão mescladas entre si que não podem ser completamente separadasna descrição profética. O presente corresponde ao futuro porque é omesmo Deus quem vem agora e no futuro. Este é a mensagem principaldo Antigo Testamento. O propósito moral de cada anúncio de um juízode Deus é levar a seu povo a caminhar em harmonia com sua vontaderedentora no presente. O objetivo final da profecia não é a catástrofe e adestruição, a não ser uma nova criação e a restauração do paraíso perdidona terra. Isaías: Um exemplo de como o juízo de Deus sobre umarquiinimigo histórico do Israel e seu juízo final do mundo estãointimamente misturas, como se ambos fossem um só dia do Senhor,encontra-se no Isaías 13. Isaías anuncia a iminente queda do ImpérioNeobabilônico às mãos dos medos: " Uivai, pois está perto o Dia doSENHOR; vem do Todo-Poderoso... Eis que eu despertarei contra elesos medos" (Isa. 13:6, 17). Neste oráculo profético de guerra, Deus atuarálogo como o guerreiro divino para liberar a seu povo oprimido: "OSenhor dos exércitos revista seu exército para o combate" (v. 4, NBE). Oresultado será a destruição: "Babilônia, a jóia dos reinos, glória e orgulhodos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou.
  24. 24. As Profecias do Tempo do Fim 24Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração emgeração" (vs. 19, 20). Depois, o profeta acrescenta a dimensão cósmica do diaapocalíptico do Senhor: "As estrelas dos céus e seus luzeiros não darãosua luz; e o sol se obscurecerá ao nascer, e a lua não dará seu resplendor"(V. 10). Deus castigará "ao mundo por sua maldade, e aos ímpios por suainiqüidade" (V. 11). Deus fará "estremecer os céus, e a terra se moveráde seu lugar... no dia do ardor de sua ira" (V. 13). Esta é uma descrição de um juízo universal. Por isso, a profecia deIsaías de condenação sobre Babilônia contém a estrutura de umaperspectiva tipológica. É claro que o dia apocalíptico do Senhor, comseus sinais cósmicos e seu terremoto universal, não ocorreu durante aqueda histórica de Babilônia ante os medo-persas no 539 a.C. Aquelejuízo sobre Babilônia serve só como um tipo ou símbolo do juízo final dahumanidade; por esta razão se descrevem os dois juízos como se fossemum só dia de retribuição divina. A natureza tipológica da queda deBabilônia da antiguidade não requer que cada rasgo da profecia secumpra no tipo. Antes, o cumprimento parcial das antigas profecias decondenação e liberação indicam que ainda precisam encontrar suaconsumação definitiva. O livro do Apocalipse nos assegura que todas asprofecias antigas de condenação e liberação ocorrerão em escala mundialpor ocasião da segunda vinda de Cristo. Por definição, o antitipo sempreé maior que o tipo. Por isso encontramos que a característica da profeciaclássica é seu duplo foco, sobre o próximo e o longínquo, sem nenhumadiferenciação de tempo. Ensina-nos que o Deus do Israel é o Deus dahistória. É o rei que vem na história e ao fim da história da humanidade.Sua vinda traz o fim desta era maligna, para restaurar o reino de Deussobre nosso planeta por meio do Jesus Cristo. Outra característica vital da profecia clássica são suas preocupaçõeséticas, seu chamado ao arrependimento e a uma vida santificada. Osprofetas de Israel não fizeram predições incondicionais mas simdesafiaram tanto ao Israel como aos gentios com a vontade imediata de
  25. 25. As Profecias do Tempo do Fim 25Deus. De fato, as predições divinas satisfazem o propósito mais elevadode chamar o povo ao arrependimento e a obedecer a vontade de Deus edessa forma, evitar o juízo vindouro. O resultado significativo destapreocupação ética dos profetas do Israel é a segurança de que só umremanescente do Israel, fiel e purificado, entrará no reino escatológico deDeus. Os profetas anunciaram que só um fragmento ou remanescente danação como um tudo seria salva, assim como o "tronco" que fica de umaárvore (Amós 3:12; 5:14, 15; Ouse. 5:15; 6:1-3; Isa. 4:2-4; 6:13; Jer. 23:3-6).A razão é que só o remanescente restaurado se voltará para Senhor comarrependimento verdadeiro (Isa. 10:20-23; Zac. 12:10-13); só um Israelespiritual dentro do Israel nacional receberá um coração "circuncidado"(Deut. 10:15, 16; 30:6; Jer. 4:4). A distinção no Antigo Testamento entreum verdadeiro o Israel de Deus dentro da nação do Israel não se apóia narelação de raça ou de sangre com Abraão, e sim na fé e na obediência aDeus. O fator decisivo é possuir a relação espiritual de pacto com Deus.De acordo com esta teologia do remanescente do Antigo Testamento, oapóstolo Paulo chegou a esta conclusão: "Porque nem todos os quedescendem de Israel são israelitas" (Rom. 9:6). Seu ensino apostólicoenfatizou que só quando israelitas reconheçam que Jesus é o Messias daprofecia, são os portadores de luz das promessas do novo pacto de Deus.E enquanto que os gentios são chamados para serem os herdeiros dasmesmas promessas, Paulo insistiu: "Só o remanescente será salvo" (v.27). Profecia Apocalíptica O livro do Daniel forma uma classe de profecia por si mesmodentro do Antigo Testamento. Aqui nos encontramos com um fenômeno:Não se prediz um só evento ou juízo, e sim uma seqüência total deacontecimentos que começam nos próprios dias do Daniel e se estendemadiante sem interrupção até o estabelecimento do reino de glória de
  26. 26. As Profecias do Tempo do Fim 26Deus. Um contínuo histórico ininterrupto em profecia, como apresentaDaniel, não tem precedentes na profecia clássica. Alguns profetas, comoJoel e Ezequiel, revelaram o princípio de uma sucessão de dois períodosem seus esboços proféticos (Joel 2:28; Ezeq. 36-39), mas nenhum haviapredito uma história contínua religiosa e política do povo do pacto deDeus terminando com o juízo final do dia do Senhor. Um panorama tãoamplo da história da salvação adiantado é a característica específica daprofecia apocalíptica. Este contínuo apocalíptico na história está em ummarcado contraste com a profecia clássica, com seu dobro foco e suaperspectiva tipológica futura. O segundo aspecto único no livro apocalíptico do Daniel é quecontém uma quantidade de esboços históricos e cada um culmina nojuízo universal do Deus de Israel. Podem distinguir-se 4 séries proféticasprincipais (Dan. 2; 7; 8; 11). Cada uma reitera a mesma ordem básica deacontecimentos, mas todas acrescentam detalhes com respeito ao conflitodo povo do pacto de Deus com as forças que se opõem a Deus. Estas visões paralelas mostram um interesse crescente em enfocar aera do Messias e seu conflito com o antimessias ou o anticristo(especialmente em Dan. 8 e 9). A idéia chave de cada série profética é otriunfo do governo de Deus sobre o mal. Portanto, precisamoscompreender que a meta da apocalíptica bíblica não é predizeracontecimentos específicos da história secular do mundo em si. Aapocalíptica bíblica não é um exibicionismo da presciência de Deus.Antes, o seu interesse é inspirar esperança entre o oprimido povo deDeus. Anima-os a perseverar até o fim, porque o Deus fiel do pactoestabeleceu ao anticristo limite de tempo e poder. Deus vindicará a seusfiéis na luta entre o bem e o mal. O foco definitivo da apocalípticabíblica não é o primeiro advento do Messias e sua morte violenta (Dan.9:26, 27), e sim seu segundo advento quando voltar como o vitoriosoMiguel para resgatar o remanescente fiel (Dan. 12:1, 2). O que forma a culminação de toda a profecia apocalíptica do AntigoTestamento é este evento final da história da humanidade. É este "fim" o
  27. 27. As Profecias do Tempo do Fim 27que está em vista na singular frase do Daniel: "o tempo do fim" (5 vezesem Dan. 8-12). Este foco notável do tempo do fim também é a razão depor que a profecia apocalíptica enfatiza mais o aspecto incondicional doplano determinado de Deus para a redenção da humanidade. Mas esteaspecto distintivo de determinismo não deve ver-se como um contrastefundamental com as profecias clássicas do Israel com seu chamado aoarrependimento. As profecias apocalípticas de Daniel se centram ao redor dalibertação final do fiel remanescente do Israel, o povo espiritual do pactode Deus, em quem se realizarão finalmente as preocupações éticas detodos os profetas (Dan. 11:32-35; 12:3; Ezeq. 11:17-20; 18:23, 30-32;33:11; Isa. 26:2, 3). Em Daniel, a preocupação fundamental, tanto dos capítuloshistóricos (caps. 1-6) como dos proféticos (caps. 7-12), parece ser avindicação que Deus faz de seu santos acusados falsamente. Estasoberania de Deus como Rei e Juiz está expressa pelo foco centralizadono Messias que se apresenta em muitos capítulos (Dan. 2; 7; 8; 9; 10-12),e em suas divisões predeterminadas de tempo da história da redenção(Dan. 7:25 [3 ½ tempos]; 8:14, 17 [2.300 dias]; 9:24-27 [70 semanas deanos]; 12:4, 7, 11, 12 ["o tempo do fim", 1.290 e 1.335 dias]). Em todos os tempos, Deus proporciona um povo remanescente fiel,coloca os limites sobre a história pecaminosa deste mundo, permitetempos especificamente atribuídos para a apostasia e a perseguição,determina "o tempo do fim", ordena o mundo para a hora de seu juízofinal e levará a cabo a libertação dos santos na segunda vinda. Estescaracterísticos únicos pertencem à soberania de Deus e constituem apedra angular da profecia do Daniel. Pode fazer-se uma observação adicional a respeito da parte históricado livro de Daniel. Nos capítulos 3 (a liberação do forno de fogo) e 6 (aliberação do fosso dos leões), os relatos da intervenção divina e o resgatesobrenatural têm a finalidade de ser mais que simplesmente um pouco deinteresse histórico. O autor do livro chama a atenção a sua inerente
  28. 28. As Profecias do Tempo do Fim 28perspectiva tipológica, em vista da libertação futura do povoremanescente de Deus ao fim da história da redenção. Isto chega a serevidente a partir da repetição enfática do verbo chave "libertar" ou"resgatar" que se encontra no Daniel 3:15 e 17 (e 5 vezes no capítulo 6),e que volta a aplicar-se na seção apocalíptica do Daniel 12:1, quandoMiguel "libertará" o verdadeiro o Israel de Deus por meio de suaintervenção pessoal. Além desta conexão literária entre a seção histórica e a apocalípticade Daniel, também existe uma correspondência temática fundamentalentre as duas seções do livro. As narrações que Daniel faz da lealdadereligiosa à sagrada lei de Deus por uns poucos fiéis, proporciona os tiposou as prefigurações essenciais da natureza da crise final para o povo deDeus no tempo do fim. Estes acontecimentos históricos no livro deDaniel servem como o pano de fundo para a crise vindoura do tempo dofim e seu resultado providencial, tal como se descreve no livro deApocalipse (caps. 13 e 14). Resumo O livro apocalíptico de Daniel revela ao menos quatrocaracterísticas únicas: (1) Uma repetição dos esboços apocalípticos que mostram um contínuo da história da redenção. Cada esboço culmina no estabelecimento do reino de glória (Dan. 2:44, 45; 7:27; 8:25; 12:1, 2); (2) O foco centrado no Messias de todos seus esboços (Dan. 2:44; 7:13, 14; 8:11, 25; 9:25-27; 10:5, 6; 12:1); (3) As divisões predeterminadas de tempo, que servem como o calendário sagrado da história progressiva da redenção de Deus (Dan. 7-12). Estas profecias de tempo únicas determinam o começo do famoso "tempo do fim", particularmente a terminação
  29. 29. As Profecias do Tempo do Fim 29 do período de tempo profético dos 2.300 "dias" na visão selada de Daniel 8 (vs. 14, 17, 19); (4) O aspecto incondicional da história da redenção, o qual recalca uma sessão predeterminada de juízo no céu e a vindicação dos santos fiéis por um Filho do Homem. Isto também está expresso pela imagem de um guerra santa final e o triunfo do Miguel como o guerreiro divino, e a ressurreição de todos os mortos para receber sua recompensa (Dan. 2:7-12). Em resumo, o livro apocalíptico de Daniel contém o fundamental daprofecia clássica (o duplo foco de uma perspectiva tipológica na seçãohistórica do livro) e o esboço profético de um contínuo histórico em suaseção apocalíptica. A unidade orgânica da profecia clássica e da apocalíptica podeobservar-se na harmoniosa combinação de sua perspectiva do tempo dofim: O juízo universal com a libertação cósmica de um povoremanescente fiel na última guerra entre o bem e o mal, e a restauraçãodo reino de Deus em paz e justiça eternas.
  30. 30. As Profecias do Tempo do Fim 30A APLICAÇÃO QUE CRISTO FEZ DA BÍBLIA HEBRAICA O propósito deste livro é triplo: (1) Descobrir como entendeu Cristoos livros de Moisés, os Profetas e os Salmos; (2) formular os princípioshermenêuticos de Cristo para interpretar as profecias da Bíblia; (3)aplicar esses princípios às profecias não cumpridas, especialmente às doApocalipse. Como cristãos que acreditam na verdade do evangelho, que Jesus éo Messias prometido, precisamos saber como entendeu Cristo os livrosde Moisés, os Profetas e os Salmos. Jesus é o verdadeiro intérprete dasSantas Escrituras. Sua mensagem é nossa chave para descobrir osignificado correto do Antigo Testamento. Se queremos compreender oAntigo Testamento, devemos compreendê-lo do ponto de vista de Deus.Portanto, nosso ponto de partida é a forma como Jesus explica o AntigoTestamento. A aplicação que Cristo fez das Escrituras de Israel é nossomodelo de interpretação bíblica. Nosso princípio guiador está apoiadosobre a convicção de que a atividade redentora de Deus na história doIsrael alcançou seu cumprimento em Cristo. Portanto, trataremos deinterpretar o Antigo Testamento à luz da vida e mensagem de Cristocomo a Palavra encarnada de Deus, pois só dele se escreveu o seguinte: "No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo eraDeus. Ele estava no princípio com Deus... E o Verbo foi feito carne, ehabitou entre nós" (João 1:1, 2, 14). Jesus e a Palavra de Deus Deus enviou ao Jesus para revelar plenamente ao Deus do Israel emsua vida e ensino. Cristo afirmou que foi enviado com uma mensagem deDeus e que suas palavras procediam de Deus mesmo: "Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que meenviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar. E sei que o seu
  31. 31. As Profecias do Tempo do Fim 31mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que eu falo, como o Pai motem dito, assim falo" (João 12:49, 50). "Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou (João8:28). Só Cristo pode revelar o significado e o sentido algumas vezesoculto da Escritura e da história do Israel. Tanto os judeus como ossamaritanos esperavam que viesse o Messias, pois ele "nos explicará issotudo" (João 4:25, NBE). Sem vacilação, Jesus declarou: "Eu sou, o quefala contigo" (v. 26). "Jesus lhes disse: De certo de certo lhes digo: Antesque Abraão existisse, eu sou" (8:58). O testemunho da autoridade de Jesus como o Messias se repetevárias vezes no Novo Testamento (ver João 1; Col. 1 e 2; Heb. 1), e é decrucial importância para compreender as visões simbólicas doApocalipse de João. No último livro da Bíblia, as imagens e os símboloshebreus se aplicam consistentemente a Cristo e a sua nova comunidadedo pacto como o novo Israel. É evidente a necessidade que existe de ter um enfoque correto doApocalipse. Primeiro devemos conhecer a verdade do evangelho deCristo como foi ensinada por Jesus antes que possamos compreender oApocalipse. Em interpretação profética, freqüentemente se descuidou ométodo adequado. É indispensável reconhecer a natureza progressiva edesdobrada da revelação divina dentro da Bíblia. Deve permitir-se que os livros do Antigo Testamento nos contemsua própria mensagem, mas não como se fossem a última palavra deDeus. As Escrituras Hebraicas não são um cânon fechado da Escritura.Formam um registro incompleto da totalidade da revelação divina. Emsua major parte apresentam as promessas de Deus de um Messiasvindouro como o maior dos profetas, o Rei supremo e o único SupremoSacerdote. O Antigo Testamento termina com a promessa do Eliasvindouro antes do dia de Jeová (Mal. 4:5, 6). Por outro lado, os escritosinspirados do Novo Testamento registram o começo dos cumprimentosdas promessas messiânicas na vinda de Cristo (o Messias) Jesus, e em
  32. 32. As Profecias do Tempo do Fim 32sua criação de uma nova comunidade messiânica: os cristãos (um nomeque significa "povo do Messias"). O Apocalipse de João se concentra especialmente na gloriosaconsumação de todas as realizações. Para receber uma compreensãomais profunda de Moisés, os Profetas e os Salmos, devemos aceitar oensino de Cristo e seus apóstolos como a verdadeira interpretação dasprofecias e dos tipos hebraicos. O Novo Testamento funciona como arevelação final da verdade de Deus tal como se ensina nestas palavrasapostólicas: "Deus, tendo falado muitas vezes e de muitas maneiras em outrotempo aos pais pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho, aquem constituiu herdeiro de tudo, e por quem deste modo fez ouniverso" (Heb. 1:1, 2). Assim como o Filho de Deus é imensamente maior que qualquerprofeta de Israel, assim a palavra de Cristo é a norma para interpretar osescritos do Antigo Testamento. Jesus ensinou que as EscriturasHebraicas estavam centradas na promessa messiânica. Sua especialpreocupação foi ensinar aos judeus que a Escritura não é um fim em simesma, que memorizar as palavras da Sagrada Escritura não produzméritos. O propósito da Escritura é levar a Cristo! "Vós perscrutais asEscrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; ora, são elas que dãotestemunho de mim; vós, porém, não quereis vir a mim para terdes avida" (João 5:39, 40, BJ). Segundo Jesus, a Bíblia Hebraica está centrada em Cristo. Portanto,é essencial para um cristão descobrir o novo método com o qual Cristoexplicou o Antigo Testamento. Dois dos discípulos de Jesus foramprivilegiados para ouvir o Cristo ressuscitado explicar-lhes todas asEscrituras que se referiam a ele (Luc. 24:25-27). Como resultado, seuscorações começaram a arder com um novo entusiasmo. Cristo "abriu-lhes o entendimento para que compreendessem as Escrituras". Mostrou-lhes como "era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito demim, na lei de Moisés, nos profetas e nos salmos" (Luc. 24:44, 45).
  33. 33. As Profecias do Tempo do Fim 33 A pergunta provocadora para nós é: Podemos chegar a saber comointerpretou Jesus o Antigo Testamento numa forma centrada em Cristo?Podemos descobrir a hermenêutica de seu enfoque cristocêntrico? Sepodemos estabelecer os princípios hermenêuticos de Jesus para aprofecia cumprida, saberemos como entender a profecia não cumprida,especificamente as profecias apocalípticas de Daniel e Apocalipse. A Nova Revelação de Jesus o Messias Para Jesus, as profecias messiânicas não eram predições isoladas,senão uma parte do extenso plano de Deus para a redenção do homem.Inclusive viu a história de Israel como uma série de eventos redentoresque prefiguravam a grande salvação operada pelo Messias. Portanto,Cristo reconheceu que as promessas de Deus lhe foram dadas em doisníveis a Israel: tanto mediante predições verbais como mediante tiposhistóricos de libertação e juízo. Na Bíblia, um "tipo" é um acontecimentohistórico, ou uma pessoa ou uma instituição, ordenado por Deus paraprefigurar uma verdade redentora de Cristo. Jesus aplicou publicamenteà sua pessoa a missão de Isaías de pregar as boas novas de Deus, de sararas feridas de Israel e de pôr em liberdade aos oprimidos (Luc. 4:17-21 eIsa. 61:1, 2). Entretanto, o que pôde ter deixado ainda mais pasmados os judeusfoi a surpreendente declaração de Jesus de que ele era o Antítipoprometido ou a consumação de todos os profetas, dos reis e da mediaçãosacerdotal de Israel: "E eis aqui está quem é maior do que Jonas" (Mat. 12:41). "E eis aqui está quem é maior do que Salomão" (Mat. 12:42). "Aqui está quem é maior que o templo" (Mat. 12:6). Jesus incluso declarou que sua morte abnegada proveria o "sanguedo novo pacto, que por muitos é derramado" (Mar. 14:24). Por todasestas afirmações, Jesus introduziu no judaísmo a assombrosa idéia deque tinha chegado o tempo dos antítipos. Apresentou-se a si mesmo
  34. 34. As Profecias do Tempo do Fim 34como a realidade à qual apontavam todos os símbolos das instituiçõesredentoras do Israel. Por conseguinte, anunciou solenemente na sinagogaque nele tinha começado a idade messiânica ou o ano do jubileu(libertação). Tendo citado a promessa messiânica do Isaías 61:1, disse:"Hoje se cumpriu esta Escritura diante de vós" (Luc. 4:21). Apontou seutriunfo sobre os demônios como uma prova de que o governo de Deusagora estava presente em Israel: "Mas se eu pelo Espírito de Deusexpulso os demônios, certamente chegou o reino de Deus" (Mat. 12:28). Onde se rechaça a Satanás, o reino de Deus se faz manifesto. ComJesus entrou em operação o princípio salvífico soberano de Deus. Emoutras palavras, com a primeira vinda de Cristo se inaugurou o tempoescatológico. "O tempo está cumprido", disse Jesus, "e o reino de Deusestá próximo; arrependei-vos e crede no evangelho" (Mar. 1:15). Tinhaterminado o tempo de espera para o reino de Deus, e tinha começado otempo do reinado de Deus no ministério de Cristo. Jesus é o iniciador doreino da graça de Deus. Como o Rei-Messias, representa o reino deDeus; como o doador da misericórdia divina, é o Mediador sacerdotal doreino de Deus. Em qualquer lugar que Cristo está presente, o reino deDeus irradia seu poder. Jesus assegurou: "Eis que o reino de Deus está entre vós" (Luc.17:21). A graça de Deus está dentro do alcance do homem onde quer queJesus é proclamado como o Messias. Esta é a essência do evangelho. Averdade de que o Cristo ressuscitado é Senhor e está sentado à mãodireita do trono de Deus, foi respaldado no dia de Pentecostes peloderramamento do Espírito. O apóstolo Pedro anunciou então que os"últimos dias" tinham chegado, que tinham começado os dias do reinadoespiritual de Cristo (At. 2:17; cf. Heb. 1:2). Cristo, o Representante do Novo Israel Que Jesus afirmasse ser o Messias da profecia não deve obscurecero fato de que o Messias também foi designado para ser o perfeito
  35. 35. As Profecias do Tempo do Fim 35representante de Israel. O pacto de Deus com Israel tem que realizar-seem obediência perfeita ao Messias. Como a personificação de Israel, oprofeta descreve a Cristo como "o servo do Senhor" assim como Israeltinha sido designado o servo do Senhor (Isa. 42-53). Assim como Israel,Cristo também foi chamado "Filho" de Deus (Êxo. 4:22; Isa. 42:1; Mat.3:17). Jesus foi enviado para suportar a mesma enxurrada de provas queteve Israel, para vencer onde Israel tinha fracassado. Depois de seubatismo, esteve durante 40 dias no deserto para ser tentado pelo diabo eassim igualar simbolicamente os 40 anos que Deus provou os israelitasno deserto (Deut. 8:2; Mat. 4:1). A maioria dos eruditos do Novo Testamento reconhecem que Jesusse viu a si mesmo, em um sentido tipológico, como o novo Israel. Estetinha falhado, mas Jesus cumpriu o pacto de Deus em favor de Israel e dahumanidade. Desta forma, a história de Israel alcança um cumprimentofeliz em Cristo. Portanto, de decisiva importância para o corretoentendimento da profecia de Israel e do livro do Apocalipse é a verdadedo Novo Testamento de que Jesus Cristo incorpora Israel e dessamaneira leva a missão de Israel a um fim em sua própria vida. O rechaço pela nação judaica dos sofrimentos, morte e ressurreiçãode Cristo não foram tragédias inesperadas que frustrassem o plano desalvação de Deus para a humanidade. Deus não depende dos judeus parao cumprimento de suas promessas. Depende do Messias. O profeta tinhaassegurado: "A vontade do Senhor será em sua mão prosperada" (Isa.53:10). Pedro disse que o que aconteceu com Jesus na cruz e em suaressurreição, ocorreu "por conselho e antecipado conhecimento de Deus"(At. 2:23). Dois exemplos do livro de Salmos ilustram como Jesus soubeo que tinha que esperar na providência de Deus. Cristo percebeu nas experiências do rei Davi uma prefiguração desuas próprias provas e rechaço por parte de Israel. Jesus recorreuespecificamente a Salmos 41:9 para revelar sua intuição de que a traiçãode Davi por seu amigo em quem confiava era um tipo dos sofrimentos doMessias, que era maior que Davi (ver João 13:18-27). No momento de
  36. 36. As Profecias do Tempo do Fim 36sua agonia mais profunda na cruz, Cristo clamou a grande voz: "MeuDeus, Meu deus, por que me desamparaste?" (Mat. 27:46; Mar. 15:34).Estava citando Salmos 22:1, que Davi tinha clamado em seu própriodesespero enquanto estava rodeado por seus inimigos sedentos desangue. Como o salmo é uma unidade que consiste de uma lamentaçãoprolongada sobre o sofrimento intenso (vs. 1-21), Cristo viu naexperiência do Davi um tipo de sua própria agonia. Muitos comentadoresnão consideram a lamentação histórica de Davi no Salmo 22 como umaprofecia diretamente messiânica, não obstante, Cristo e os escritores doNovo Testamento aplicam muitos aspectos do Salmo 22 à cruz e à glóriaque seguiu. Este modelo surpreendente de tipologia no livro de Salmos, que foitrazido à luz por Jesus Cristo, justifica que salmos como este seclassifiquem como profecias messiânicas. O propósito de tais entrevistas do Novo Testamento não ésimplesmente para mostrar de que maneira se cumpriram com todaexatidão na vida de Jesus as predições messiânicas ocultas, mas sim paraproclamar a Jesus como a meta da história de Israel e como a realizaçãodo pacto que Deus tinha feito com eles. Os escritores dos Evangelhos declaram com freqüência que oseventos do passado de Israel se "cumpriram" na vida de Cristo. Mateuscita o profeta Oséias, "do Egito chamei a meu filho" (Ouse. 11:1), o querecordava a Israel seu êxodo histórico do Egito. Mateus aplica estaspalavras à fuga do José e Maria para o Egito até a morte de Herodes:"Para que se cumprisse o que disse o Senhor por meio do profeta,quando disse: Do Egito chamei o meu Filho" (Mat. 2:15). O aspecto daentrevista de Mateus é que a Escritura de Oséias se "cumpriu" no meninoJesus. Entretanto, as palavras de Oséias não foram uma profecia, a nãoser um recordativo significativo da experiência histórica de Israel como"filho" de Deus (cf. Êxo. 4:22). Então, como pôde declarar Mateus queOséias 11:1 se "cumpriu" em Jesus? Pela mesma razão fundamental com
  37. 37. As Profecias do Tempo do Fim 37que justificou a interpretação messiânica das experiências do Davi (verSal. 41:9 e 22:1). Como o Filho de Deus, Cristo não só representa o Israel ante Deus,mas também representa o destino de Israel em sua própria vida. Mateusensina que o significado da história de Israel se revela completamente navida de Jesus Cristo. Desta maneira, o Novo Testamento insinua comforça que os acontecimentos na vida de Jesus – como seu nascimento emBelém, sua morte humilhante, sua ressurreição e exaltação à direita deDeus – não foram eventos imprevistos ou acidentais. Todos formaramparte do determinado conselho de Deus (ver At. 2:23; 4:28).
  38. 38. As Profecias do Tempo do Fim 38 COMO CRISTO EMPREGOU OS SÍMBOLOS APOCALÍPTICOS Como observamos no primeiro capítulo, Jesus viveu em um tempoquando a esperança judia de uma pronta vinda de um Messias político seintensificou grandemente. Uma quantidade de escritos apocalípticos, sobnomes falsos ou pseudônimos, circulavam com grande profusão, emantinham a esperança messiânica candente aplicando a mensagem dojuízo de Daniel e de outras passagens proféticas a seu próprio tempo esituação. Os títulos de algumas destas obras pseudoepigráficas são: 4Esdras, 1 Enoc, Apocalipse de Baruque, Livro dos Jubileus. Os termos "apocalíptico" e "apocalipticismo" foram usados maistarde pelos eruditos para indicar as escatologias especulativas econtraditórias contidas nesses escritos do judaísmo tardio. As trêscaracterísticas dominantes desse apocalipticismo judeu foram asseguintes: (1) O juízo cósmico-universal em torno do Israel nacional ou aum fiel remanescente judeu; (2) a substituição súbita da presente erapecaminosa pela criação de um mundo sem pecado e um novo cosmos; e(3) o fim predeterminado deste mundo pecaminoso e a vinda iminente doMessias. Esta urgência freqüentemente estava apoiada por cálculoscontraditórios de períodos de tempo na história mundial. A maioria dos escritores apocalípticos acreditavam que o fim destaera pecaminosa estava perto, e que ocorreria em sua geração. Tambémacreditavam que eles eram os verdadeiros intérpretes dos profetascanônicos de Israel com respeito à sua própria crise. Um exemplonotável foi a comunidade de Qumran, cujo fundador e professor ensinouque a predição de Habacuque de um remanescente do povo de Deus quesobreviveria (Hab. 2:4) estava cumprindo-se em sua própria e única seitanas cavernas do Mar Morto. Contra o fundo desta esperança iminente comum do judaísmo doséculo I de nossa era, o emprego que Jesus fez de alguns símbolosapocalípticos bem conhecidos chega a ser mais significativo. Mostra o
  39. 39. As Profecias do Tempo do Fim 39enfoque inovador da mensagem do evangelho que proclamou Jesus.Cristo deu novo significado a termos apocalípticos tão populares como:"Filho do Homem", "juízo", "vida eterna e ressurreição", "reino deDeus", "esta era e a era por vir". Todas estas expressões eram mais oumenos termos técnicos nos esquemas apocalípticos do judaísmo tardio.A mensagem de Jesus surpreendeu os judeus de seu tempo porque deu acada símbolo apocalíptico um novo significado messiânico oucristocêntrico que despedaçou seus sistemas escatológicos. Os odresvelhos não podiam conter o espumoso vinho novo de sua mensagem deum cumprimento presente em si mesmo (ver Luc. 5:37, 38). A conexão mais dramática do Jesus com o livro do Daniel e osescritos judeus tardios foi sua autodesignação explícita como "o Filho doHomem" (65 vezes nos Evangelhos sinóticos e 12 vezes no quartoEvangelho). Ele se aplicou este titulo em forma consistente. Era a formaprópria como Jesus se referia a si mesmo. O emprego extraordinário queJesus fez deste símbolo convenceu em forma geral à erudição bíblica denosso tempo de que Cristo adotou o termo apocalíptico "um como o filhode homem", da visão do Daniel 7:13 e 14, e o elevou a um títulomessiânico. As similitudes do livro 1 Enoc 37-71 e a sexta visão em 4Esdras 13 (ambos os documentos pós-cristãos) refletem como algunscírculos apocalípticos judeus interpretavam o personagem daniélico"filho de homem": um Messias preexistente e celestial que viria à terracomo o Juiz de toda a humanidade e governaria sobre um novo reinoterrestre. A questão é: Como empregou Jesus o título e o que contido colocounesta expressão apocalíptica, o "Filho do Homem"? Jesus explicou queseus milagres de cura ele os fez com um propósito mais elevado: "Paraque saibam que o Filho do Homem tem potestade na terra para perdoarpecados" (Mar. 2:10). Mas, como pôde ser Jesus ao mesmo tempo ohumilde Filho do Homem e o glorioso ser preexistente da visão deDaniel? O mistério se intensificou quando Jesus começou a dizer que o
  40. 40. As Profecias do Tempo do Fim 40Filho do Homem celestial "devia" sofrer e ser morto, e que ressuscitariadepois de três dias (Mar. 8:31; 9:31; 10:33, 34). Entretanto, sua declaração mais profunda foi: "Porque o Filho doHomem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vidaem resgate por muitos" (Mar. 10:45). Aqui Jesus se identificou com oservo sofredor de Isaías 53, que morreria para o benefício de todos. Aofazê-lo, Jesus fundiu o servo sofredor da profecia de Isaías com o Filhodo Homem da visão do Daniel. Por assim dizê-lo, esvaziou o conteúdodo servo sofredor no personagem apocalíptico do Filho do Homem. Talcombinação de dois personagens messiânicos em profecia eradesconhecido. Aos judeus parecia algo completamente paradoxal. Foi aidéia criadora de Jesus introduzir esta reinterpretação radical do Filho doHomem daniélico. Cristo viu sua missão como Messias em formacompletamente diferente a todas as expectativas messiânicas nojudaísmo. Colocou sua missão de um Messias sofredor e moribundodentro da estrutura apocalíptica de Daniel. Entretanto, a maior surpresados judeus foi o escutar que este humilde filho de um carpinteiroafirmava ser o apocalíptico Filho do Homem, não só em seus dias, mastambém no juízo final. Considere estas afirmações de Jesus (as ênfasessão minhas): "Porque o que se envergonhar de mim e de minhas palavras nestageração adúltera e pecadora, o Filho do Homem se envergonhará tambémdele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (Mar. 8:38). "Então verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens com grandepoder e glória" (13:26). "Tornou a interrogá-lo o sumo sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, oFilho do Deus Bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho doHomem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens docéu" (14:61, 62). Nestas declarações dramáticas, Jesus afirmou que a profecia doDaniel 7 até esperava seu cumprimento futuro e apocalíptico quandoDeus julgue a todos os homens, mas que o Filho do Homem daniélico játinha aparecido com outro propósito: trazer salvação da escravidão do
  41. 41. As Profecias do Tempo do Fim 41pecado. Cristo declarou claramente que ele, como o Filho do Homem,tinha descido "do céu" (João 3:13), e que "os anjos de Deus... sobem edescem sobre o Filho do Homem" (1:51). Dessa maneira Cristo ensinouque tinha estabelecido em Israel uma nova comunicação entre o céu e aterra por sua autoridade divina (3:31; 6:62). Isto também envolve suamissão para julgar ao Israel em nome de Deus: "E [Deus] também lhedeu autoridade de fazer juízo, porquanto é o Filho do Homem" (5:27),embora o propósito da primeira vinda do Jesus foi explicitamentesalvação e não juízo no sentido de condenação (3:17; 12:47). Não obstante, João pôde também informar que Jesus veio ao mundopara um juízo presente: "Para juízo vim eu a este mundo; para que os quenão vêem, vejam, e os que vêem, sejam cegados" (João 9:39). Esta classede juízo ou processo de sacudidura era inerente ao oferecimento dasalvação de Cristo, oferecimento que implica necessariamente juízo. Osque rechaçam o dom de Deus de Jesus o Messias, pronunciaramindevidamente seu próprio juízo. Escolheram ser condenados. Oevangelho de Cristo separa aos que aceitam o oferecimento da graçadaqueles que o rechaçam (ver João 3:18-21; 5:24). A presença de Cristoproduz um tempo escatológico de decisão, e esse tempo é agora. Cadapessoa está compelida a rechaçá-lo ou a reconhecê-lo, e assim determinade antemão o veredicto do juízo final sobre si mesmo. Cristo consideracomo de importância decisiva o que o confessemos como o Filho doHomem. Por isso, ao cego a quem tinha sarado perguntou: "Crês tu noFilho do Homem?" (João 9:35). Desse modo Jesus deu a tal pessoa umarevelação mais elevada de si mesmo. Jesus revelou que era o Messiascelestial de que se falava no livro de Daniel, que viria nas nuvens do céuao "Ancião de dias" para receber a glória e o domínio e o reino sobretodos os povos (Dan. 7:14). Este conhecimento conduz a uma fé maisamadurecida em Jesus. O ponto importante nos quatro Evangelhos é a mensagem em queCristo se referiu à missão do Filho do Homem em uma forma dupla: comrespeito a um cumprimento presente e terreno, e também a uma
  42. 42. As Profecias do Tempo do Fim 42consumação cósmica futura. Em outras palavras, Cristo explicou que oapocalíptico Filho do Homem de Daniel teve um cumprimento históricoem salvação e juízo desde seu humilde primeiro advento, enquanto quetambém olhou para o futuro, à consumação em salvação e juízo em seusegundo advento. Em resumo, o juízo de Deus, a vida eterna e aressurreição por meio do Filho do Homem são tanto presente comofuturas. Esta dupla aplicação está expressa no Evangelho de João pormeio desta frase peculiar: "Vem a hora, e agora é, quando os mortos ouvirão a voz do Filho deDeus; e os que a ouvirem viverão. Porque como o Pai tem vida em simesmo, assim também deu ao Filho o ter vida em si mesmo" (João 5:25, 26;ver também 4:23 e 16:32). Quão surpreendente é que Jesus ensinasse que não é suficiente crerque haverá uma ressurreição no último dia, como se promete em Daniel12:2. Sua nova mensagem foi: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crêem mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo o que vive e crê em mim,não morrerá eternamente" (João 11:25, 26). Em outras palavras, a vidafutura no glorioso reino de Deus está à nossa disposição pela fé emCristo agora como uma qualidade espiritual de vida. Um emprego duplo similar da terminologia apocalíptica pode ver-sena forma em que Jesus aplica os conceitos do reino de Deus e sua "era"(aion) correspondente. Ambas idéias estão combinadas na proclamaçãode Jesus: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo;arrependei-vos e crede no evangelho" (Mar. 1:15; cf. Mat. 3:2; 4:17;5:17). O chamado de Cristo parece estar motivado por uma urgênciaapocalíptica da vinda do reino de Deus, e muito bem pode estar inspiradona profecia de tempo messiânico das 70 semanas do Daniel 9.(Particularmente Daniel 2 e 7 prometem a vinda do reino de Deus; Dan.2:44, 45; 7:27.) O conceito de Jesus do reino universal de Deus também era partedas Escrituras. Estas ensinavam que Jeová, o Deus de Israel, é agora Reie chegará a ser Rei no futuro "sobre toda a terra" (Núm. 23:21; Deut.
  43. 43. As Profecias do Tempo do Fim 4333:5; Sal. 103:19; Isa. 6:5; Dan. 2:44; 4:3; Isa. 24:23; Zac. 14:9). Alémdisso, os profetas haviam predito que um filho de Davi chegaria a ser oRei de Israel e que, como o Messias do mundo, representaria o governorégio de Jeová para sempre (2 Sam. 7:12-16; Sal. 2:7-9; 132:11-18; Isa.9:7; 11 :1-5; Miq. 5:2; Dan. 7:14, 27). Como já indicamos no capítulo I, o judaísmo farisaico tinhadesenvolvido a esperança de que nos últimos dias o Messias viria notempo indicado por Deus, subiria ao trono de Israel e por seu poderquebrantaria aos príncipes injustos, purificaria a Jerusalém de gentios,quebrantaria toda sua solidez com vara de ferro e, por último, submeteriatodas as nações da terra a seu governo. Na pregação de Cristo, o reino de Deus foi o conceito principal. Seuensino do reino de Deus, sua proximidade, tal como está representadapor sua própria vida, seu ministério de cura e seu domínio sobre osdemônios, revolucionaram o apocalipticismo judeu que tinha perdidotoda esperança de que Deus reinasse no presente histórico. O primeiroadvento de Cristo não foi o fim do tempo a não ser o poder régio deDeus que pôde "atar" a Satanás e liberar os homens do poder do mal (verMat. 12:29). Jesus insistiu em afirmar que nele o reino dos céus seaproximou como uma soberania espiritual de Deus que agora estavaativa em seu oferecimento messiânico de graça e seu domínio sobre osdemônios; uma realidade totalmente diferente do que esperavam osrabinos judeus e os escritores apocalípticos, pois seu reino não era destemundo (João 18:36). Em resumo, a mensagem de Jesus é que em sua própria pessoaDeus invadiu a história humana e triunfou sobre o mal. Ao mesmotempo, Cristo ensinou que a liberação final viria no fim do tempo, emsua segunda vinda (Mat. 6:10; 13:41-43; 16:27; 19:28; 25:31). A nova idéia que Jesus apresentou foi que tanto no presente comono futuro reino de Deus ele intervém como Filho do Homem, e emconexão com isto aplicou a terminologia apocalíptica de "as duas eras" à
  44. 44. As Profecias do Tempo do Fim 44sua nova estrutura escatológica. Enquanto que os apocalipticistasconceberam um dualismo claro de duas eras ou períodos nos quais afutura era isenta de pecado substituiria por completo a esta erapecaminosa, Cristo ensinou que com seu ministério tinha começado a eramessiânica e a salvação. Ao mesmo tempo reconheceu que "a eravindoura" começaria só com a ressurreição dos mortos (Luc. 20:34-36). A identificação por parte do Jesus da era messiânica com "esta era"(Mar. 10:29, 30) destruiu a idéia básica da doutrina das duas eras dosapocalipticistas. A ênfase de Cristo em sua mensagem foi chamar oarrependimento (metanoia) e aceitá-lo como Senhor e Messias (Mat.4:17; 19:21), condição básica para entrar no reino de Deus no momentopresente. Desta forma, a paz e o gozo messiânicos serão experimentadosjá agora na alma (João 15:11; 16:33). Esta tensão entre a escatologiainaugurada e a escatologia apocalíptica, entre o reino da graça e o reinoda glória, entre o "já" e o "ainda não", é característica da mensagem doevangelho do Novo Testamento em sua totalidade. O evangelho não é simplesmente as boas novas a respeito da obrade Cristo no passado ou no futuro. Os poderes da era vindoura jáinvadiram esta era em forma dramática desde o Pentecostes, e agora osverdadeiros crentes "provam" dos poderes do século vindouro medianteCristo (Heb. 6:5). Esta verdade do evangelho dissipa o desespero doapocalipticismo judeu. Os apóstolos afirmaram que a história dasalvação entrou agora na era messiânica, ou os "últimos dias", no qual opoder libertador do Espírito de Deus está totalmente à disposição detodos os que se encontram em Cristo Jesus (Heb. 1:1, 2; At. 2:17-39).
  45. 45. As Profecias do Tempo do Fim 45A INTERPRETAÇÃO QUE OS APÓSTOLOS FIZERAM DO CUMPRIMENTO DA PROFECIA A aplicação que faz Pedro da profecia do Joel é altamenteinstrutiva. O apóstolo aplica a promessa do Espírito de Deus profetizadapelo Joel ao derramamento pentecostal do Espírito Santo sobre os judeuscristãos reunidos em Jerusalém. Pedro cita a predição do Joel de umfuturo derramamento do Espírito (Joel 2:28) e ato seguido assinala aexperiência presente como o cumprimento "nos últimos dias",declarando: "Isto é o dito pelo profeta Joel" (At. 2:16). Um olhar maisdetalhado aos assuntos mencionados no esboço profético do Joel expõe oproblema seguinte: por que anunciou Pedro o cumprimento histórico dos"últimos dias" no dia de Pentecostes? Pedro citou Joel 2:28-32 emboraalgumas dos sinais preditos ainda não se cumpriam visivelmente,incluindo as seguintes: (1) "Toda carne" incluso no tinha recebido oderramamento milagroso do Espírito, porque só 12 apóstolos, ou nomáximo 120 crentes, tinham-no recebido (At. 1:15); (2) os sinaismilagrosos de "sangre, fogo e colunas de fumaça" parecem incluir maisque as "línguas de fogo" assentadas sobre cada um dos discípulos,sacudidos por um vento robusto; e (3) os sinais cósmicos do sol e da lua,no melhor dos casos só se cumpriram parcialmente, até se se aceita oobscurecimento do sol por três horas durante a crucificação como umdos sinais (Mat. 27:45). Isto nos leva a um princípio básico de interpretação apocalíptica namensagem apostólica: O cumprimento em Pentecostes constitui só umaescatologia parcialmente realizada. Do ponto de vista apostólico, ocumprimento dos "últimos dias" não requer um cumprimento imediatode cada detalhe. O cumprimento se enfoca na realização messiânica dapromessa de Deus na história da salvação. O derramamento do Espíritodemonstrou ser a indicação nesta terra da coroação do Jesus ressuscitadocomo o Rei-Sacerdote no céu (At. 2:33, 36). Em outras palavras, ocumprimento não requer a verificação de cada detalhe da profecia na
  46. 46. As Profecias do Tempo do Fim 46história presente. O cumprimento está determinado pelo progresso dahistória da salvação no ministério de Cristo e seus apóstolos. Agora se tinha aberto um novo caminho de salvação para todoaquele que invocar o nome do Senhor Jesus (At. 2:21; ver também Rom.10:9-13; 1 Cor. 1:2). Era-a escatológica do Joel tinha sido inauguradapelo reinado do Jesus Cristo. O que podemos dizer das característicasuniversais ("toda carne") e cósmicas ("sol" e "lua") da perspectiva dofuturo que anuncia Joel? Estas assinalam à consumação e ao fim da eracristã, quando Cristo volte pela segunda vez. Estes aspectosapocalípticos não se cumpriram nos dias do Pedro. Ao aplicar Joel 2,Pedro ressaltou que o Cristo ressuscitado era a fonte do derramamentodo Espírito. Além disso assinalou que o Espírito é dado baixo a condiçãode ter fé no Jesus como o Messias: "Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós sejabatizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, erecebereis o dom do Espírito Santo. Pois para vós outros é a promessa,para vossos filhos e para todos os que ainda estão longe, isto é, paraquantos o Senhor, nosso Deus, chamar" (At. 2:38, 39). A distribuição do Espírito sobre o Israel crente em Cristo peloSenhor ressuscitado está no próprio coração da mensagem apostólica doevangelho. Isto ensina que o primeiro princípio de interpretaçãoprofética dos apóstolos está determinado por um cumprimento em Cristo(o cumprimento cristológico), e por extensão, na igreja de Cristo (ocumprimento eclesiológico). Isto nos leva a uma característica final daaplicação que Pedro fez da profecia do Joel: O derramamento do Espíritode Cristo sobre a terra iniciou os "últimos dias" (At. 2:16). O conceito de "os últimos (ou últimos) dias" é usadofreqüentemente pelos profetas do Antigo Testamento, mas no NovoTestamento recebe uma qualidade messiânica ou cristológica, porqueagora Cristo veio na plenitude do tempo (Gál. 4:4). Seu Espírito doadorde vida começou a ser derramado sobre toda carne (ver João 7:37-39). Aidéia dos "últimos dias" não se refere a uma quantidade de tempo, a não
  47. 47. As Profecias do Tempo do Fim 47ser a uma qualidade no tempo, ao começo da era messiânica emcontraste com o tempo dos profetas do Israel (cf Heb. l:1, 2). A verdade apostólica da chegada dos "últimos dias" implicava quetinha chegado "a consumação dos séculos" da era do velho pacto (Heb.9:26; 1 Ped. 1:20; 1 Cor. 10:11). Este anúncio do fim da velha dispensa edo começo dos "últimos dias" messiânicos envolve um rechaço dasdivisões de tempo do apocalipticismo judeu e uma volta ao conceitoprofético que insígnia que Deus domina o tempo e a história. "Anjos, principados e autoridades", inclusive "todas as coisas",estão submetidas a Cristo (F. 1:20-22; 1 Ped. 3:22). Até às autoridadespolíticas as designa como servos de Deus para governar à humanidade(Rom. 13:4; diákonos; 13:6, leitourgós; ver também João 19:11). Comorações de petição, intercessão e agradecimento, a igreja está chamada asubmeter-se "por causa do Senhor" aos protetores políticos da lei e aordem na sociedade humana (Rom. 13:1; 1 Ped. 2:13-17; 1 Tim. 2:1-3).Esta atitude positiva para a história por parte da igreja apostólica estábem compendiada pelo R. Bauckham: "O significado da história presente foi garantido pelos escritores doNovo Testamento por meio de sua crença de que na morte e a ressurreiçãodo Jesus, Deus já tinha atuado em uma forma escatológica; a nova era tinhainvadido a velha; a nova criação estava em marcha, e o período intermédioda superposição das foi estava ocupado com a missão escatológica daigreja".1 A Unidade Orgânica dos Cumprimentos Cristológicos e Eclesiológicos O sentido de missão dos apóstolos estava enraizado na convicçãoincomovível de que Cristo os tinha designado como os líderes de umnovo o Israel para cumprir a vocação da nação judia: ser a luz dasalvação divina para todo mundo (Mat. 21:43; Luc. 12:32; 1 Ped. 2:9,10). Para sua comissão de pregar o evangelho, Paulo e Barnabé apelaramà profecia do Isaías, a qual comissionava ao Servo do Jeová: "Também
  48. 48. As Profecias do Tempo do Fim 48te dava por luz das nações, para que seja minha salvação até o último daterra" (Isa. 49:6). Paulo citou esta chamada divina e sua missão aosjudeus em seu sermão na sinagoga do Pisídia da Antioquia, e o aplicoudiretamente a sua missão apostólica: "Porque assim nos mandou oSenhor" (At. 13:47; cf. 26:23). Isto significa que o cumprimento cristológico das profeciasmessiânicas se estende à igreja de Cristo e inclui o cumprimentoeclesiológico. Isto é o que podemos chamar "a hermenêutica doevangelho". A igreja cristã é essencialmente o povo do Messias, os quese reúnem em seu nome e quem o segue como o Pastor messiânico (Mat.18:30; João 10:14-16; 11:51, 52). Neste novo o Israel ficam eliminadasas antigas restrições étnicas e geográficas do Israel. Se reúne peloevangelho do Cristo crucificado e ressuscitado. Cristo já o tinhaanunciado: "E eu, se for levantado da terra, a todos atrairei para mimmesmo" (João 12:32). O livro de Atos descreve com mais detalhe a aplicação históricadesta hermenêutica do evangelho à igreja apostólica. Um exemplorevelador se encontra em Feitos 4, onde se aplica o Salmo 2 (com seucentro messiânico e sua perspectiva de juízo) à conspiração dos gentis ejudeus contra Jesus e seus apóstolos (At. 4:18, 23-30). A interpretaçãoevangélica do Salmo 2 não é uma reinterpretação que introduzaelementos estranhos ao texto. Antes bem, o evangelho de Cristo expõe osignificado intencional da profecia a respeito do Israel à luz de seucumprimento em Cristo e em sua igreja. Por conseguinte, o NovoTestamento reconhece esse cumprimento na era da igreja como umaatividade atual do Espírito, que um dia chegará a sua consumaçãouniversal (ver Apoc. 18:1). O Apocalipse de João é uma contraparte complementar dos quatroEvangelhos, porque se concentra principalmente nos gozos e a herançados que são fiéis até o fim e vencem ao mau pelo sangue do Cordeiro e a
  49. 49. As Profecias do Tempo do Fim 49palavra de seu testemunho (Apoc. 12:11). O livro do Apocalipse estácategoricamente centrado em Cristo e destinado para a igreja de todas asidades, especialmente para prepará-la para a crise do tempo do fim. Toda a escatologia do Novo Testamento está regulada pela verdadedo evangelho. Este é o princípio apostólico de interpretação profética. O Princípio de Universalização das Promessas Territoriais Feitas a Israel Os intérpretes cristãos da profecia algumas vezes estiveramconfundidos em sua aplicação das promessas territoriais feitas ao antigoo Israel. Isto é especialmente verdade com as aplicações das profeciasnão cumpridas do Daniel, Ezequiel, Joel, Zacarias e o Apocalipse. Alguns supõem que o território do Oriente Médio chegará a ser oponto focal dos cumprimentos das profecias do tempo do fim, o querequer um esforço sério para determinar o princípio básico que segue oNovo Testamento em sua aplicação das promessas territoriais feitas aoIsrael. Neste assunto, Cristo também estabeleceu a norma para nós.Proclamou o princípio da ampliação mundial das promessas territoriaislocais; fê-lo assim quando disse que a promessa do pacto com respeito àterra se cumpriria na terra feita nova. Isto pode ver-se ao observar como aplicou Jesus esta antigapromessa territorial: SALMOS 37:11, 29 Mateus 5:5 Davi Jesus"Mas os mansos herdarão a terra e "Bem-aventurados os mansos,se deleitarão na abundância de porque herdarão a terra".paz" (v.11)."Os justos herdarão a terra e nelahabitarão para sempre" (v. 29).
  50. 50. As Profecias do Tempo do Fim 50 Cristo aplicou claramente o Salmo 37 em uma forma inovadora: (1)Esta "terra" seria maior do que pensou Davi; o cumprimento incluirátoda a terra em sua formosura criada de novo (ver também Isa. 11:6-9 eApoc. 21 e 22); (2) a terra renovada será a herança de todos os mansosde todas as nações que aceitem a Cristo como Salvador. Cristo não estáespiritualizando a promessa territorial feita a Israel. Pelo contrário,amplia o alcance de seu território futuro para incluir toda a terra. De igual modo, o apóstolo Paulo entendeu a promessa territorial dopacto assim como o entendeu Jesus, incluindo toda a terra: "Porque nãopela lei foi dada a Abraão ou a sua descendência a promessa de que seriaherdeiro do mundo, mas sim pela justiça da fé" (Rom. 4:13). Paulodeclara que esta promessa territorial mundial era a substância do pactoabraâmico, a qual estaria garantida só pela justiça pela fé. A sugestão deDeus a Abraão de que olhasse ao "norte e ao sul, ao oriente e aoocidente" (Gên. 13:14) na terra do Canaã não especificava limites: "Porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tuadescendência, para sempre. Farei a tua descendência como o pó da terra;de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contarátambém a tua descendência" (Gên. 13:15,16). Para compreender o princípio do evangelho, deve-se contemplar aterra da Palestina como uma antecipação ou uma garantia que assegurouao Israel um território muito mais extenso, necessário para acomodar àsinumeráveis multidões da descendência de Abraão. O pacto abraâmicocontinha a promessa de uma descendência incontável e de uma terra semlimites para dita descendência. Entretanto, Paulo considera Abraão como o pai de todos os crentes,de todos os que são justificados por meio da fé em Cristo entre as naçõesdo mundo (Rom. 4:13, 16-24). Abraão "é pai de todos nós" (tão crentesjudeus como crentes gentis). O apóstolo declara: "Como diz a Escritura:Constituí-te pai de muitas nações; nosso pai diante Daquele a quemacreditou" (Rom. 4:17, BJ). Isso não está de acordo com a hermenêuticado literalismo. É a exegese cristocêntrica do Paulo. A "terra" chega a ser

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