Coleção Emails Publicáveis - Parte1

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Coleção Emails Publicáveis - Parte1

  1. 1. Coleção Emails Publicáveis Número 1 O CINEASTA É ANTES DE TUDO UM FORTE ou Humanidades e Políticas Audiovisuais Correio Eletrônico de Noilton Nunes 2007 –2009 Um passeio na Internet pelas listas da Abraci, ABD, CBC, CNC, Cine8 e Cinema Brasil. noiltonunes@hotmail.com
  2. 2. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 31 Maio 2009 14:16 CineOP - Representante da Abraci Prezadas Raquel e Mônica: Primeiramente desejo parabenizá-las por mais essa edição em Ouro Preto, evento que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente, mas espero poder fazê-lo em uma próxima oportunidade, pois tendo participado várias vezes do Festival de Tiradentes penso que é maravilhoso que agora vocês estejam também levando o cinema a outra bela cidade histórica brasileira. Que ótimas notícias sobre o trabalho de vocês. Espero poder participar adiante. Já estive muito envolvida com a questão da preservação durante a crise da Cinemateca do MAM, quando estive também em outra gestão da Abraci e abrimos o contacto com o Arquivo Nacional para a salvação de cópias e matrizes que para lá foram transferidas. Certamente é uma questão fundamental. Entendemos o convite ao Noilton. Ele é mais que merecedor. Certamente irá contribuir como cineasta que é de longa trajetória. Entretanto para a representação oficial da Abraci indicamos uma colega da diretoria. Mas se só puderes convidar o Noilton, nada contra. Abraços Tetê Moraes 30 Maio 2009 6:12 Oi, Tetê Você anda sumida de Tiradentes e será um prazer poder recebê-la também nas duas outras realizações audiovisuais que promovemos – CineOP (junho) e Mostra CineBH (outubro). Os três eventos tem abordagens diferenciadas e são complementares integrando um programa nacional que denominamos de Cinema sem Fronteiras. A CineOP chega a sua quarta edição de 18 a 23 de junho é nos apresenta um grande desafio que é a preservação. Ela foi idealizada para ser um instrumento de valorização do patrimônio cinematográfico brasileiro - é o único evento audiovisual do Brasil que agrega valor de patrimônio à sétima arte. Em três edições já realizadas presenciamos uma mudança e mobilização grande do setor de preservação – reunimos anualmente os representantes de arquivos e acervos audiovisuais brasileiros para construirmos juntos um plano nacional para a preservação. Especialmente nesta edição seria importante a continuidade do trabalho iniciado no ano passado, em que contamos com a presença do Noilton em uma das mesas de debates e também com grande contribuição na platéia, planejamos o seu retorno com este intuito, o que não impede de outros membros da ABRACI participarem também da programação. Em outubro, a Mostra CineBH contextualizado o cinema no mercado e a temática será co-produção. Em janeiro, o foco de Tiradentes é o cinema contemporâneo. Tetê, obrigada pela atenção, sucesso no trabalho à frente da ABRACI. Obrigada à Carolina pela compreensão também. Será um prazer recebê-los em nossos eventos que são planejamos para atender a demanda da cadeia produtiva do audiovisual e do público. Sugestões, idéias são bem-vindas! Fiquem à vontade para propor. Um abraço, Raquel Hallak 2
  3. 3. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 29 de Maio de 2009 18:28 Os Sertões agradecem Querida Tereza, muito obrigado pela atenção. Penso que para começar o melhor seria em bela entrevista num programa onde o Edeor de Paula, aquele compositor, cantor entusiasmado, que sambou para você lá na ABI, possa expor a estratégia. Estamos envolvendo o Juca Ferreira, o Fernando Haddad e o Carlos Minc na campanha, pois Euclides é cultura, educação e ecologia. Estamos no momento certo para o lançamento da campanha, pois carnaval começa cedo. Em breve, os enredos estarão definidos. Abraços Noilton 29 Maio 2009 17:16 Os Sertões no Carnaval 2010 Caro Noilton, Vamos ver isso, com todo carinho. Abs Tereza Cruvinel 29 de Maio de 2009 Os Sertões no sambódromo Querida Tereza e demais companheiros da Tv Brasil. A campanha Os Sertões no Carnaval 2010 já foi lançada e a Tv Brasil ainda não deu nem um sinal dessa maravilhosa idéia para seus telespectadores, ou seja, para conhecimento do povo brasileiro. E, foi a Tv Brasil que brilhantemente abriu 2009 Ano Nacional Euclides da Cunha, exibindo o filme A Paz é Dourada, inspirado na vida e obra do autor de Os Sertões, Peru versus Bolívia, A Margem da História, Contrastes e Confrontos e Um Paraíso Perdido. Por favor... Ab. Noilton 29 Maio 2009 01:43 UniRio Anistia 30 Anos e Euclidianas Euclidianas 2009 Ano Nacional Euclides da Cunha, projeto da UniRio aprovado pelo MEC, levará aos estudantes de diversas cidades do estado do Rio de Janeiro a oportunidade de uma aproximação maior com o universo do autor de Os Sertões, A Margem da História, Peru versus Bolívia e Um Paraíso Perdido. As atividades serão realizadas durante fins de semanas a partir de agosto, começando pela cidade de Campos, no norte fluminense. As aberturas dos eventos em cada cidade ocorrerão sempre nas sextas-feiras, com a apresentação do compositor Edeor de Paula com seu samba enredo Os Sertões, considerado um dos mais belos de todos os tempos e hino do Euclidianismo. Em seguida a exibição do filme A Paz é Dourada, de Noilton Nunes, inspirado na vida e obra de Euclides. Nos dias seguintes (sábados e domingos), palestras, aulas, conferenciais e oficinas. Estamos lançando também uma campanha para re-edição do samba enredo Os Sertões no Carnaval de 2010. 3
  4. 4. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 12 Maio 2009 19:45 Silvio e encontro com Tereza que terminou em samba Prezadas abracianas . Primeiramente quero pedir desculpas pelas tensões criadas e tentar explicar o que aconteceu no encontro com o Silvio. Na véspera saíra do Tempo Glauber bastante transtornado com o quadro pintado pelo Secretário do Audiovisual, que demonstrou a impossibilidade de ações e continuidade dos trabalhos da SAV, segundo as novas regras adotadas pelo MINC. No dia seguinte, depois que a Paloma se referiu ao fato, re-afirmei as preocupações que tirara meu sono, pensando sinceramente que estava sendo humanamente coerente. Silvio desmentiu-me e então houve um desagradável desentendimento entre nós. Quero deixar bem claro, depois de ótima conversa com a Tetê, que vou rever meus conceitos, pois não pretendo criar nenhuma forma de constrangimentos para ninguém e muito menos para os associados da Abraci. Tenho dialogado com o Silvio e estou certo de que haveremos de entrelaçar nossas inteligências. Continuo acreditando que o Ser Político está com seus dias contados e que o Ser Humano ganhará cada vez mais a confiança do povo. Segue relato sobre encontro com a Tereza na ABI. Tereza deu um show de bola lá na ABI. Devia jogar no ataque do Flamengo. Recebi pedidos apaixonados do Fã Clube dela, para descrever o que aconteceu lá naquela sala, naquela noite e botar nas listas. Logo que puder, revendo as fitas que gravei, farei uma edição e mandarei para Deus e todo mundo. Por enquanto, fico no samba enredo que abrilhantou o evento: Os Sertões do Edeor de Paula. Que a Tv Brasil participe ativamente da campanha para reeditá-lo no sambódromo, Carnaval 2010. Será nota 10. Até agora só tivemos 2 encontros com ela e em situações de pós crises... Precisamos nos encontrar pra bater um papo firme com ela, seguindo a lógica da mais elevada política, que é a da aproximação dos espíritos... No dia em que nos conhecermos bem e as nossas inteligências se entrelaçarem, não haverá surpresas políticas que nos precipitem na guerra, na miséria, no obscurantismo." Euclides da Cunha 1904 Ab Noilton O Carnaval de 2010 poderá ter no Sambódromo a reedição do famoso samba enredo "Os Sertões" de Edeor de Paula, ganhador do Estandarte de Ouro em 1976, pela Em Cima da Hora. Depois do emocionante depoimento que o sambista Edeor de Paula, compositor do samba enredo "Os Sertões", considerado dos mais belos de todos os tempos e hino do Euclidianismo, para a série Memória das Matrizes do Samba, no Centro Cultural Cartola, (evento destacado na coluna do Ancelmo Gois, com direito a foto colorida, na edição de 20 de abril, no O Globo), diretor de uma grande escola procurou o compositor e poderemos ter no Sambódromo, no Carnaval 2010 a reedição do sucesso de 1976, provocado pelo "Os Sertões". No Carnaval de 2009 tivemos a reedição pela Império Serrano de "A Lenda das Sereias e os Mistérios do Mar", também de 1976, ano de uma das melhores safras de sambas enredos e a Mocidade Independente de Padre Miguel prestou homenagem a Machado de Assis no centenário de sua morte. Tudo a ver "Os Sertões" voltar com força total no Carnaval 2010, pois estamos agora lembrando Euclides da Cunha, também pela passagem do centenário de sua morte. Olha "Os Sertões" aí gente... "Marcados pela própria natureza... Os jagunços lutaram até o final, defendendo Canudos naquela guerra fatal.. dizia o poeta assim..." Noilton 15 maio 2009 23:20 4
  5. 5. Coleção Emails Publicáveis - Parte I Prezado Gustavo, conforme nossos entendimentos durante encontro de 14 de maio, último, no CTAV, formalizo as seguintes propostas: Participação do CTAV nos projetos editorais Song Book Cinema e E-mails Publicáveis. A coleção Song Book Cinema seguirá do formato tradicional Song Book, agora com pautas musicais de trilhas sonoras de filmes acompanhadas de relatos dos seus compositores, intérpretes e diretores dos filmes envolvidos. A coleção E-mails Publicáveis pretende contar a história das políticas audiovisuais brasileiras e começará com uma seleção do meu Correio Eletrônico – 2007/2009. Outro assunto é nosso Paz Dourada, que desde o Rui Solberg, desde a Fundação do Cinema Brasileiro e da Embrafilme, tem sua finalização aprovada pelo CTAV. Nos arquivos daí devem estar as cartas referendando tal acordo, assinadas por Afonso Beato, depois, Sérgio Sanz e finalmente pelo Araripe. Com o trabalho fino e competente do Alexandre, mixamos o filme aí e com o Aloísio iniciamos o transfer. As primeiras projeções que assistimos na Labor, deixaram-nos muito confiantes de que tal processo de apuração das imagens, torna-as cada vez mais límpidas, oferecendo-nos a certeza de que a magia do cinema existe. Solicito empenho de V. Sa., junto a RioFilme, demonstrando interesse de que nosso filme (nosso do Ctav, da RioFilme, da Imagine, meu... seu...) possa ser lançado oficialmente no dia 15 de agosto de 2009, centenário da morte de Euclides da Cunha. Atenciosamente, Noilton Nunes Para divulgação: Mais um gol no nosso audiovisualesco mundo está para ser marcado, com o lançamento de livros recheados por coletâneas de e-mails. A Coleção E-mails Publicáveis da Song Book Cinema, vai começar com Sérgio Santeiro e Noilton Nunes. Pretende tirar do virtual e materializar no nobre espaço da literatura impressa, as importantíssimas questões que estão sendo debatidas sobre o presente e futuro da comunicação no Brasil. Nossos imortais vão se interessar e muito. Nelson, por exemplo, nosso imortal cineasta, que está na ABL sentado na cadeira onde sentou Euclides da Cunha e dantes, nada mais nada menos que nosso querido Castro Alves, sabe muito bem o que está acontecendo no coração dessa contínua e entediante guerra pelo controle dos espaços aéreos e terrestres da mídia nacional e que o fato consumado serve também para espelhar a revolução literária promovida através da internet. E-mails hoje são uma das melhores manifestações do pensamento humano, pois graças ao instantâneo de suas criações, distribuições e exibições, ultrapassam todas as barreiras comunicativas impostas até então pelo mercado, pelas industrias do livro, do cinema e ou da televisão. E-mails publicados na forma tradicional do livro já podem fazer parte do currículo necessário para um cidadão sonhar em fazer parte da Academia, esse "... mais elevado posto no país...", conforme bem frisou Euclides, quando foi convidado por Machado a entrar para a ABL. O universo virtual é por demais infinito, não tendo o ser humano normal, natural, condição de absorver tamanha carga de informação. A publicação de outras séries vai dar continuidade a defesa dos e-mails como estratégia para se deixar óbvio na cabeça, principalmente da juventude, o que está em jogo: a cabeça do brasileiro. O audiovisual, queiramos ou não, já está constatado, faz a cabeça de milhões de pessoas no mundo inteiro. Influencia comportamentos e dita moda. Portanto deveria ser tratado como assunto de segurança nacional. Roosevelt foi muito claro: "Onde vão nossos filmes, vão nossos produtos, nosso way of life...". 27 Mar 2009 20:06 Ótimo diálogo com Cadu da Tv Globo Parabéns. Noilton! Esse seu diálogo como Cadu está ótimo. Você está amadurecendo, como o Jabor amadureceu há algum tempo. 5
  6. 6. Coleção Emails Publicáveis - Parte I É infantilidade ficar criticando a TV Globo. Infantilidade e incoerência. Se defendemos a autonomia da produção brasileira, diante da estrangeira, como podemos negar os produtos das organizações Globo que são os que, em grande parte, superam os lá de fora? Ao contrário, deveríamos ter orgulho de o Brasil ter uma empresa desse porte. Já imaginou quantos enlatados a mais entrariam no país se não tivéssemos produções próprias de qualidade? E, no mercado de trabalho, quantas pessoas seriam desempregadas? Essa história de produtor independente é outra balela. Ninguém é independente (aqui não temos sequer estúdios) a não ser pela negação da realidade e do mundo. Só os mitos se bastam a si mesmos. Será que os cineastas brasileiros se consideram mitos, fora do conjunto de relações cotidianas, se achando produtores iluminados que se completam em si mesmos, desconhecendo a relação com o restante da sociedade? Roland Barthes já nos dizia que o " mito é a fala despolitizada", que se aliena das simples e necessárias relações cotidianas, como as que temos com o porteiro do nosso edifício, etc e nos coloca acima dos outros. Talvez por isso, o grande público brasileiro, em sua santa sabedoria, como diria Nelson Rodrigues, prefira os produtos da Globo ao dos onipotentes senhores de suas medíocres corporações de negação da realidade. Agora tenho que ficar por aqui. Estou atrasado para o meu pôquer semanal na casa do Ziraldo. Mas, quero terminar com um comentário de Orson Welles sobre si mesmo, em homenagem ao nosso saudoso Rogério Sganzerla: " O diretor de cinema é um farsante; ele faz o seu trabalho com a participação fundamental de toda uma equipe e, no final, vem o crédito: Um filme de Orson Welles". O gênios são humildes e verdadeiros... Saudações tricolores, Jesus Chediak 24 Mar 2009 11:29 De Cadu da Tv Globo 1 x 0 Caro Noilton, tudo bem ? Escrevo-lhe para esclarecer que a exibição de filmes nacionais, em especial na Sessão Brasil foi coordenada pela Globo Filmes, a cerca de 4 anos atrás em ação coordenada na época pela Dra. Marluce , operacionalizada por mim e com incentivo do Roberto, um grande defensor de nosso cinema. São exibidos, apenas nesta sessão, que atinge 5 milhões de domicílios por exibição, mais de 50 longas nacionais sendo a grande maioria de filmes que não foram produzidos pela Globo Filmes. Além disto são exibidos ao longo de outros horários da programação mais de 30 outros longas nacionais de produtores diversos. Os filmes de grande sucesso, normalmente exibidos no Tela Quente, coincidentemente tem sido produzidos pela Globo Filmes em parceria com produtores independentes. Há muito tempo deixei de debater nesta lista por achá-la tendenciosa e com muitos preconceitos com relação à TV Globo e seus mais de 8.000 profissionais. Espero que possa pelo menos ter dado uma informação útil ao debate. 6
  7. 7. Coleção Emails Publicáveis - Parte I Abraços, Cadu 24 Mar 2009 22:51 Resposta para Cadu da Tv Globo 1 x 1 Cadu, muito obrigado pela atenção. O Roberto Farias é realmente um grande defensor do nosso cinema e nos entendemos muito bem. Concordo com sua afirmação de que a Tv Globo tem aumentado muito a exibição de filmes brasileiros e sei que você e o Roberto tem de fato grande parcela de contribuição nesse processo. Eu critico muito o poder de fogo e violência que muitos filmes "estrangeiros" trazem. São filmes subsidiados pela indústria bélica. O mundo está cada vez mais violento e não precisamos de tais incentivos audiovisuais nas nossas telas. Outra crítica é a respeito de não se privilegiar as cinematografias de outros paises, oferecendo-se ao nosso povo uma visão estreita do mundo, como se só fosse interessante o american way of life, que agora está de pires nas mãos... Gostei da sua iniciativa de diálogo. Quando quiser vir tomar um chazinho aqui em casa, está convidado. Com algumas poucas gotas podemos viajar no futuro e ver o belo casamento da nossa televisão com nosso cinema. Noilton De Cadu da Tv Globo 2 x 1 Caro Noilton, aceito o convite com o maior prazer, sem duvida. Segundo a Unesco, 85% dos ingressos vendidos no mundo são para filmes americanos e ingleses. Sobram em média os 15% que são disputados a tapa por pelo menos 60 paises que produzem cinema. Se tivermos que proteger alguém, em todas as mídias, que seja os nossos filmes, que é o que cada país tenta fazer em seu território para fazer frente ao cinema hegemônico. Não sou contra os filmes de outros paises, mas nosso poder de fogo, pequeno em relação à hollywood, está concentrado nas obras brasileiras e nos filmes que empregam preferencialmente brasileiros. Segundo um hit recente da internet, cada um no seu quadrado, e o quadrado que escolhemos é o filme brasileiro. Já temos problemas demais por aqui para produzi-los e exibi-los e um pouco de proteção não faz mal a ninguém, além de achar que a bem vinda tv fechada resolve parte dos problemas de filmes de línguas estrangeiras, não inglesas. Estamos no mesmo barco, tenha certeza. Forte abraço e vou cobrar o café...Cadu 3 Abr 2009 11:25 De Noilton para Cadu 2 x 2 Prezado Cadu, desculpe a demora no empate do nosso diálogo. Como informei passei por mais uma desagradável cena na Ancine. Tive que incomodar o Manoel Rangel mais uma vez por causa do PAZ DOURADA, que mofava há sete meses na Cinemateca Brasileira a espera de um laudozinho. Ainda bem que ele aceitou minhas ponderações e mandou carimbar na capa do processo do filme URGENTE URGENTISSIMO. Em menos de 48 horas o laudo chegou, bonitinho. Que beleza é a vida cinematográfica desburocratizada. Estou gostando muito desse novo tratamento. Espero que chegue logo aos ouvidos do Juquinha Paz e Amor, nosso queridíssimo Ministro da Cultura, que ainda não teve tempo para agendar um belo encontro comigo para 7
  8. 8. Coleção Emails Publicáveis - Parte I entrelaçarmos nossas inteligências de uma vez por todas e acendermos a tocha olímpica do 2009 Ano Nacional Euclides da Cunha. Mas, vamos ao nosso diálogo que está sendo acompanhado por 9 dentre as mais belas estrelas do firmamento audiovisual brasileiro. Antes porém de tocar na defesa dos seus argumentos que tentam amenizar os estragos da invasão dos filmes made in USA e ingleses, subsidiados pela industria bélica, pergunto: O que é que a Tv Globo vai fazer para homenagear nosso querido Euclides da Cunha, na passagem do centenário de sua morte? Um Globo Repórter? Reprisar a mini série Desejo, que mostra mais o lado cama e mesa da relação entre Ana e Dilermando, do que os brilhantes pensamentos do Euclides? Fica a pergunta. Cadu. Mas, você não acha que esse panorama tende a mudar e rapidamente. Não sei se você tem filhos e até netos, mas, pergunto: Você acha que seus filhos e ou netos vão viver igualzinho a nós? Serão formatados desde criancinhas, como nós fomos, para aceitar sem pestanejar qualquer filmeco que lhes empurrem pelos olhos, ouvidos, coração e mente? Você não acha que o povo, que não é bobo, quer comer do bom e do melhor? Você não acha que essa programação regada a violência, sangue, terror, ódio, preconceitos, faz mal a saúde? Não acha que um belo dia as forças inteligentes dentro do Projac vão dizer uma basta a tudo isso, que afeta também suas próprias vidas? Eu acredito que sim. Sou um otimista e pacifista de carteirinha. Aguardo resposta. Estamos empatados 2 X 2 e com um chá e um café prometidos de cada lado. Bom fim de semana. Ab Noilton 6 Abr 2009 03:26 Cadu da Tv Globo 3 X 2 Caro Noilton, tenho um filho de 21 anos que estuda engenharia na França após Ter sido bicampeão mundial de robótica tendo uma educação de país que trabalhavam e com liberdade de ver Tv aberta a vontade. Assim como se acostumou a internet desde cedo. Não posso dizer que ele é perfeito mas nunca se envolveu em brigas ou coisas que nos decepcionassem. Ou seja, teve liberdade de escolha e boas referencias. Tenho uma filha de 18 que recém passou no vestibular de direito e e minha melhor consultora de leitura de roteiros. Não erra um quando gosta do roteiro e nunca ensinei nada técnico a ela. Também teve liberdade de ver e acessar o que quisesse desde cedo. E, em casa tem canal cult, etnico, especializado,etc. Mas, assistem as séries americanas e as novelas e séries brasileiras. No cinema vão por opção aos filmes mais comentados, dos blockbusters aos indicados ao Oscar. Fiquei impressionado com a qtd de filmes indicados que eles já tinham visto antes de eu que trabalho na área. Em resumo, assistiram muita Tv, Tv Globo,acessaram muita internet e vão ao cinema muito mais que nos e sabem exatamente o que gostam, mas nos cineastas não sabemos mais pois se perdeu o costume de perguntar. Por que? Por que insistir em um único gênero, no drama social realista para público adulto elitizado. De 80 filmes lançados quase metade são documentários e dos longas de ficção a maioria e para adultos com o gênero que disse acima. Lanço a pergunta e devolvo as relativas a Tvs pois nossa conversa pode começar pelo cinema. Abração. Cadu Enviado de meu iPhone. Para Cadu da Tv Globo: 3 x 3 Cadu, my friend, somos bem parecidos. Tenho um filho (Pedro) que fez cinema na Estácio, agora termina Geografia na PUC e já me deu um neto (Francisco, 4 anos). Sou pai também da Nina, 22 8
  9. 9. Coleção Emails Publicáveis - Parte I anos, que se formou em Biologia e que de tanto ouvir, ler e ver a frase "Alimento há muito o sonho de uma viagem ao Acre, mas não vejo como realizá-la pois nessa terra para tudo fazer-se é necessário mil pedidos e mil empenhos", do Euclides, que uso no filme A Paz é Dourada, ela não teve dúvidas, rumou para lá... Está feliz da vida. Só tem elogios para o Governo da Floresta; está encantada com o Acre. Com Rio Branco. Quem conheceu a capital do Acre antes e passa por lá agora, tem que admitir que o PT tem do que se orgulhar. Rio Branco hoje é a princesinha da Amazônia. Quando vier aqui em casa tomar o prometido chazinho, traga, se der, seus filhos para uma aproximação elevada dos nossos espíritos. Cadu, tenho recebido muitos parabéns pela elegância e finesse do nosso diálogo. Minha mulher é antropóloga, escritora e professora doutora da UniRio. Ela já foi procurada por uma aluna que quer desenvolver uma tese, tomando como estudo de caso, nossa conversação e começa a pesquisar sobre o poder das imagens, do audiovisual sobre o comportamento humano. Ela vai te procurar, mas disse que antes precisa mergulhar fundo em estudos de psicólogos e comunicólogos conceituados, para se preparar melhor. Desculpe-me voltar ao Euclides, mas como estou lançando o filme em agosto, não consigo deixar de promover seus pensamentos, certo de que ajudarão na carreira cinematográfica do PAZ. Ele dizia, no começo do século, que "no dia em que nos conhecermos bem e as nossas inteligências se entrelaçarem..." e eu emendo: será a revolução, ou melhor a sublime evolução, tal qual Darwin profetizava. Pois, se temos dentro dos nossos neurônios tão fecundos ideais; se somos democratas e republicanos, é óbvio que queremos o melhor para nosso povo. Eu quero ver, encontrar, sentir a pessoa brasileira feliz, como procurava poeticamente Maiakovsky. O título A Paz é Dourada já é em si um convite. Para terminar nosso 3 X 3 lembro que a Fátima Bernardes ainda não deu a notícia de que o Paz está pronto e deve entrar para o livro dos recordes como um dos mais longos processos fílmicos da história. Se ela demorar muito, a Taciana Villas Boas, do Jornal da Band vai dar. Nem os Williams da Tv Globo, nem o Fantástico informaram ao povo brasileiro tal façanha, que foi conseguida, segundo laudo da Ancine, captando-se apenas 3,8 % do orçamento para o roteiro original. Mas, o Boechat que não dorme de touca, o Joelmir, o Boris, a Marília Gabriela, o Paulo Henrique Amorim, já tem a história inacreditável desse filme em pauta e em breve ouviremos "...Isso é uma vergonha... um absurdo.... Como é que o Juca Ferreira deixa 2009 Ano Nacional Euclides da Cunha, passar em cinzentas nuvens tendo a luz dourada da Paz para iluminar os olhos, os ouvidos, os corações, as mentes, de tanta gente que está por aí vivendo num triste "não estou nem aí para nada..." Cadu, temos uma santa semana pela frente. Saúde. Abraços do amigo Noilton Para Cadu da Tv Globo: 3 x 4 Confesso, não consigo entender, por mais que você fale que seus filhos não se deixam dominar pelo pensamento massacrante dos filmes subsidiados pela indústria bélica, porque vocês da Tv Globo não podem mudar. Desculpe. A Tv Globo tem mudado muito e cada vez mais, para melhor, nesses 40 e tantos anos de magnífica penetração e domínio da audiência no país. Mas, digo e repito, é preciso mudar o foco no que diz respeito ao filme estrangeiro que vocês exibem. Quando explico para meus filhos essa minha insatisfação, aí eles passam a entender um pouco melhor por que eu, um cineasta brasileiro, sem dinheiro no bolso, vindo do interior, sem parentes importantes... Alego que fui e continuo sendo lesado nos meus mais naturais direitos humanos. A Tv Globo, Cadu, não exibe o documentário ou o curta nacional, considerados dos melhores do mundo. Eu sou documentarista e curta metragista. Nunca tive o prazer de ver um só dos meus filmes exibidos nessa sua valiosa telinha, enquanto uma multidão de cineastas norte americanos nos invadem com seus verdadeiros horrores todos os dias e ainda são muito bem pagos por isso. A Tv Globo, Cadu, é nossa. A Tv Brasil, que está mais uma vez 9
  10. 10. Coleção Emails Publicáveis - Parte I na berlinda, por exemplo, nesse primeiro ano de vida já passou quatro filmes meus: A Fábula da Festa no Céu e Era uma vez um índio Carijó no programa Curta Brasil, Você Já Abriu Os Olhos (gravado no Xingu durante ritual do Kuarup de Orlando Villas Boas) e finalmente, A Paz é Dourada, abrindo corajosamente 2009 Ano Nacional Euclides da Cunha. A Tv Brasil está cada vez mais ganhando a confiança do povo brasileiro. Gostaria muito que seus filhos vissem o que já fiz e ter a oportunidade de perguntar a eles o que poderia acontecer se um desses meus pacíficos filmes e vídeos pudessem ser vistos por milhões de telespectadores globais. Paro por aqui hoje, pois é dia Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador. Vou para a praia com meu neto, minha mulher, minha filha... Abraços do Noilton 22 de março de 2009 15:35 Que filmes Lula assisti? Caro Joel, o artigo do Ugo é realmente muito bem vindo. É necessário cada vez mais sabermos muito bem onde está nosso público alvo e como chegar até ele. Assisti ontem na Tv Brasil, na nossa querida Revista do Cinema Brasileiro, uma entrevista do nosso amigo Fábio Barreto sobre o filme que está dirigindo contando a história do Lula, que certamente será um estrondo de bilheterias, o filme do ano. Quem sabe Lulinha não acorda de vez para a importância do nosso audiovisual? Ele, o Lula, naquela cerimônia no Capanema, reclamou que não agüentava mais ver filme de segunda e terceira classe na sua televisão (suponho que veja tv a cabo, de noite, na cama com a Dona Marisa, no Alvorada). Ali estava explicito em ato público, um pedido de socorro que merece ser analisado com cuidado. O que assiste nosso Presidente? O que ele tem possibilidade de assistir pela televisão, deve ser, guardada a devida distancia de classe, a mesma que você tem. Sabemos que a Tv de pobre, a famosa tv aberta, é dominada pela Globo e pelos pastores da noite. A tv Globo está anunciando os filmes que vai mostrar durante o ano de 2009. Até agora não ouvi, nem li ninguém comentar nada a respeito. Mas, eles continuam com o vício, que vem desde o tempo da ditadura, de impor o american way of life, esquecendo que entramos na era da globalização e que o mundo não é só made in USA. E a tão festejada diversidade cultural não existe para os Projaquianos? E o cinema francês, o português, argentino, chinês, indiano, cubano??? Alguém na platéia já deve estar levantando a mãozinha para dizer que eles estão melhorando. Antes, só passavam filmes estadunidenses. Agora (deve ser pela ação do Roberto e do Cadu lá dentro), já estão botando uns nacionais, obviamente, deles mesmo, da Globo Filmes, com dinheiro que fica aqui recolhido da remessa de lucros do próprio cinema norte americano, ou melhor, estrangeiro via Art. Terceiro. Joel, gostei muito das suas propostas no encontro dos 18 do Forte da Abraci. Quando é que você se dispõe a vir tomar um chazinho aqui comigo. Garanto que o chazinho é muito bom. Nos leva a ver filmes maravilhosos. Noilton 21 Mar 2009 07:49 De Joel Zito Prezadas e Prezados Abracianos, Envio, sem autorização do Ugo Giorgetti, um artigo super bom que o Paulo Betti acaba de me enviar. É tão bom, importante de ser conhecido e discutido 10
  11. 11. Coleção Emails Publicáveis - Parte I por todos, que não tomei a iniciativa de consultar o grande Ugo. Sei que ele concordará. abs do Joel Distribuição: por onde e pra quem? Ugo Giorgetti Em primeiro lugar acho que não cabe mais falar só em cinema. Cinema é uma das faces do áudio visual, que, alias, já está, até tecnicamente, se confundindo perigosamente com outras faces. "Filmes" podem ser feitos em digital, filmes são editados em digital, filmes são exibidos em digital. Sendo, portanto, um produto áudio visual por definição, acho profundamente impróprio falar ainda só de salas de cinema, quando se pensa a distribuição. A sala de cinema, é apenas um dos lugares de circulação do produto áudio visual e, estou seguro, não o principal, sobretudo quando se trata de cinema brasileiro. Qual é o lugar de excelência então, para onde os filmes brasileiros deveriam ser distribuídos e depois exibidos? Onde está o público brasileiro do áudio visual? Em minha opinião o público do cinema brasileiro está majoritariamente em casa e deveria, portanto, receber nossos filmes pela televisão. Esse é o problema central da distribuição no Brasil, pelo menos para uma parte substancial de nossos filmes. Olhamos frequentemente para o lado errado da questão. Ouço falar o tempo todo em ocupação de salas pelo cinema estrangeiro, e a questão, a meu ver vital, da televisão fica sempre protegida, sempre numa sombra confortável longe da polêmica e da discussão. É claro que as salas não devem ser abandonadas, mas salas convencionais de cinema morrem, ou já morreram, no mundo todo, com exceção, talvez dos USA. As salas de cinema não são sombra do que foram no passado, quando o mundo era inteiramente outro, quando não tinha sido submetido as tremendas transformações do últimos vinte e cinco anos. Mas nós ainda pensamos em cinema como se estivéssemos em 1971. Ótimo para a televisão, que continua produzindo internamente toda a sua dramaturgia, ignorando solenemente a diversidade de pensamento no Brasil e impondo a todos um único modo de pensar a vida, que sai da cabeça dos poucos que se intitulam seus proprietários. É culpa deles? Não, evidentemente. A culpa é nossa, dos artistas, da imprensa e da academia, isto é, de quem pensa exatamente através da publicidade, porém, poderia ser em parte corrigido esse problema. Me permito um singela sugestão, aliás de alguém que não pode ser acusado de qualquer vezo estatista ou ditatorial, que por mais de trinta anos trabalhou na publicidade e, portanto, ao lado da chamada livre iniciativa e do mercado. Agindo como qualquer anunciante, com direito a colocar seus comerciais onde lhe aprouver, o estado brasileiro poderia, através de empresas como a Petrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, entre outras, aplicar sua verba publicitária também em programação que lhe conviesse, isto é, que acrescentasse algo ao patrimônio cultural do país, que fosse em suma, no mínimo, entretenimento inteligente. Isso não seria censura, mas sim a utilização de seu legítimo direito de anunciante. E lembro que, salvo engano, o estado ainda é o maior anunciante deste país. Creio que uma medida dessas abriria imediatamente caminho para uma parceria mais que necessária entre redes de televisão e amplos setores ligados ao 11
  12. 12. Coleção Emails Publicáveis - Parte I audiovisual brasileiro. Desse modo a distribuição de filmes poderia se deslocar um pouco da vertente das salas de cinema e diminuiriam procedimentos francamente absurdos, para não dizer ridículos, de, por exemplo, toda a produção de documentários brasileiros ser exibida em salas de cinema, lugar na maioria das vezes completamente inadequado para esse gênero de filmes. Isso a despeito do documentário ser um dos produtos mais significativos da cinematografia nacional, tendo produzido recentemente mais do que uma obra prima. Que, é claro, foram exibidas em salas de cinema. Como outra sugestão de distribuição eficiente de filmes, gostaria de que se utilizasse alguma verba, das várias que o estado põe á disposição do cinema, para o financiamento de DVDs a preços realmente populares. Creio que alguma coisa deve ser feita para vivificar esse mercado tão importante. Os mesmos "gargalos" que asfixiam os filmes nas salas estrangulam o processo de distribuição de DVDs. Creio todavia que é possível, por ser uma relativa novidade e, portanto, com privilégios e distorções não tão arraigados como no circuito de salas, encontrar uma solução criativa para que DVDs sejam, distribuídos, com preços próximos do pirata. Se tanto dinheiro é destinado a outras instancias do cinema, por que não empregá-lo também para estruturar maneiras de fazer o DVD chegar ao publico de modo mais eficiente? DVD seria uma forma de distribuição importantíssima, uma vez que o Brasil inteiro já incorporou esse aparelho aos lares. É também uma idéia que depende de uma visão do que se quer realmente do cinema e, mais ainda, do que se quer do destino do dinheiro público empregado nos filmes. Se a intenção final é que os filmes sejam vistos pelo mesmo público que os está pagando, não vejo como omitir problemas de distribuição que mencionei acima e que passam um pouco ao largo da antiga e desgastada distribuição em salas de cinema. O que tinha sentido no tempo da Vera Cruz não é exatamente aplicável mais de meio século depois. Sem dúvida uma modificação desse tipo deveria claramente partir das televisões públicas. Elas deveriam dar o exemplo e, felizmente aparentemente, estão começando a se mover neste sentido. Uma iniciativa atual da Secretaria da Cultura do Estado de S.Paulo me parece um bom exemplo de algo que preconizo para as televisões. Foi realizado um edital público para a produção de quatro telefilmes em co-produção com a TV Cultura de S.Paulo, onde serão exibidos. Escolhidas as propostas, as primeiras providências para o inicio das produções já foram tomadas e brevemente quatro trabalhos de realizadores independentes poderão ser vistos, na sua heterogeneidade e diversidade, por um número de espectadores raramente atingido nas salas de cinema do país. Isso é ou não distribuir filmes na inteira acepção da palavra? Sei que há outras iniciativas de mesmo teor envolvendo a mesma TV Cultura e o SESC. É um começo animador, cujo final talvez seja a inclinação das redes de televisão abertas em direção de novas idéias e novas propostas. Abs do Hugo Enquanto isso, na Argentina... ARGENTINA VAI CONSTRUIR 80 CINEMAS PARA SEUS FILMES A nova diretora do Instituto Nacional de Cinema e do Audiovisual Argentino (INCAA), Liliana Mazure, que participa do Festival de Cannes, declarou que seu organismo está disposto a construir ou reformar cerca de 80 salas para promover o cinema nacional. Mazure deu a declaração à revista Variety, que divulgou que o INCAA é o maior financiador do cinema argentino, desembolsando US$ 12
  13. 13. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 30 milhões para a produção de 60 a 70 filmes por ano, "muitos dos quais têm ganho prêmios em importantes festivais internacionais". Oito obras cinematográficas que tiveram participações argentinas na produção concorrem em Cannes. São elas: "Leonera" (que tem Rodrigo Santoro no elenco), "Linha de Passe" (dirigido por Walter Salles), "A Mulher sem Cabeça", "Liverpool", "Salamandra", "Acné", "La Sangre Brota" e "Oír tu grito". "O INCAA assumirá um papel mais ativo na promoção do cinema argentino, criando um circuito de 100 salas exclusivamente dedicadas a projetar filmes nacionais", disse Liliana. Segundo ela, o governo da presidente Cristina Kirchner está "decidido a apoiar a indústria cinematográfica para que possa se desenvolver ainda mais". O INCAA também vai contribuir com empresas privadas que criem circuitos independentes, como no caso do produtor e diretor Daniel Helmer que, em sociedade com o distribuidor espanhol José María Morales, da Wanda Films, pretende abrir três multi-salas em Buenos Aires com um investimento de US$ 1 milhão e 200 mil. (ANSA) 13 Maio 2008 14:16 A morte veríssima de um cineasta no Retiro dos Artistas Fiquei sabendo ontem á noite através de e-mail na lista da ABD, que o cineasta Paulo Veríssimo faleceu. Só hoje, 3a. feira consegui saber detalhes. Foi na 4a passada. Foi enterrado no sábado e não foi ninguém no enterro. Ninguém. Ele foi parar lá no Retiro depois de ser despejado diversas vezes. O Stepan, pessoa de coração imenso, abrigou-o lá. Ele chegou a demonstrar certa felicidade com a situação. Telefonou-me convidando para visitá-lo e fazer um documentário-ficcional com os moradores seus vizinhos. Queria criar lá uma TV Retiro. Atuar no Teatro e no Cine Clube. Sonhava com um Ponto de Cultura. Planejava ter uma ilha de edição. Uma câmara. Falar para todo o bairro de Jacarepaguá; mostrar as imagem, os sons, os sonhos dos que nos ajudaram a imaginar mundos melhores, que nos fizeram rir, chorar, com suas musicas, suas danças, seus circos, seus teatros. O que José Sette escreveu mexeu comigo profundamente. Antes que a vida apodreça é preciso mudar, do poeta Thiago de Mello. Noilton 13 Maio 2008 16:38 Atenção Noilton e amigos cineastas, Isso pode acontecer a qualquer um de nós.Noilton, vc continua uma cara sensível e sonhador. Quem não te conhece mais de perto não sabe do que vc é capaz para ser solidário. Mas a ACV/MS que aconteceu por influencia sua quando a ABD foi fundada se solidariza com a morte solitária de um cineasta que a vida não favoreceu. Parabéns ao Stepan que mantém no Rio a solidariedade centroestina desse goiano de coração vermelho que bate do lado esquerdo. Abraço e leve nossos pêsames a sepultura de um colega de profissão que me deixou penalizado. Pelos menos na hora da morte ele encontrou pessoas como vc e o Stepan que devem ter mostrado a ele que nem todos são indiferentes e que ele não era um número. Abraços do Candido 13 Maio 2008 10:21 Macunaímico: O último encontro que tive com Paulo Veríssimo, foi de uma tristeza sem fim. Paguei para ele uma boa comida em um restaurante do Leme. Ele me contou, entre uma garfada de fome e outra de revolta, um pouco do que havia acontecido com ele... Conhecia o carioca Veríssimo de longa 13
  14. 14. Coleção Emails Publicáveis - Parte I data. Fui fotógrafo do seu único longa-metragem Exu-Piá. Depois de ouvir sua trágica narrativa, me despedi e cada um seguiu o seu caminho... É impressionante o massacre que aconteceu com os artistas da minha geração. Saímos da ditadura militar para a financeira, nos marginalizamos, conservamos a essência, a estética, a ética, a rebeldia, a resistência, a poesia e toda a vanguarda, que é a alma da grande arte e é o que de melhor herdamos do cinema novo e de todo cinema de arte que se fazia no mundo. Estávamos descobrindo e sonhando. Não sabíamos que viveríamos o pesadelo modernista da autenticidade e da miséria. Vá portanto Paulo encontrar o que nos é oculto, e lá chegando, antes de atravessar o grande rio, abrace por mim os amigos e diga a cada um deles que por aqui tudo continua um pouco pior do que quando eles partiram. Jose Sette 12 Maio 2008 18:08 A vida é uma caixinha de surpresas. O Veríssimo se retirou do Retiro...Gravei um momento do Paulo cantando e declamando poemas lá no Retiro dos Artistas há três semanas. As fitas ficaram com ele. Peço ao Stepan para tentar localizá-las e me repassar. Nem ele as viu pois foram gravadas com uma câmara hdv. Telefonou-me no sábado e combinamos fazer um dvd esta semana. Vá Veríssimo em paz. Vou botar suas cenas na novela O Amor por Princípio. Noilton 12 Maio 2008 14:30 Não sabia da situação de Paulo Veríssimo. Fico chocado. Nos tempos em que estávamos na ABD tivemos vários momentos de muita aproximação, ele sempre original, sempre irreverente. Fico muito, muito triste com a notícia de sua morte. Oswaldo Caldeira 12 Maio 2008 12:32 Fiquei muito comovido com a notícia da morte do Paulo. Faz cerca de um ano ele esteve aqui na produtora com a idéia de levar em frente um antigo projeto dele sobre a black music carioca. Para tanto precisava, é claro, de grana - e eu não pude ajudá-lo. Depois disso não ouvi falar mais dele, não sabia que estava no Retiro dos Artistas. O Paulo era um cara bacana que tentava ir em frente fazendo uma coisa aqui e outra ali, algumas bastante surpreendentes, como a temporada em que foi um realizador top de filmes X-Rated no Rio. Eu perguntei a ele porque não voltava para esta atividade certamente bem remunerada e ele me contou, entristecido, que seus assistentes se apoderaram dos seus contatos americanos e passaram a produzir para fora por preços mais baixos, que ele não teve como acompanhar. Outra lembrança que tenho do Paulo é que por volta de 1970 eu e o Davi Neves, que tínhamos nessa ocasião uma produtora chamada Pop Filmes, produzimos para ele um filme sobre o Jorge Ben, um verdadeiro precursor dos videoclips, como as outras produções da Pop. O Paulo era uma grande figura, uma cara super talentoso, cuja morte me fez recordar versos do poeta Mário Faustino em Terra em Transe: "Não conseguiu firmar o nobre pacto Entre o cosmo sangrento e a alma pura Gladiador defunto, mas intacto (Tanta violência, mas tanta ternura)" 14
  15. 15. Coleção Emails Publicáveis - Parte I Paulo, só desejo que o universo te dê uma boa acolhida. Abs, Antonio Carlos Fontoura 18 Maio 2008 19:06 Salvar nossos arquivos de filmes, fotos, roteiros... Assino embaixo de tudo o que você escreveu, Noilton. só não quero que providências fiquem exclusivamente por conta de Adriana Rattes e de Stepam. Homenagens são muito bem vindas, mas não paremos aí. Reitero o que escrevi antes: é uma boa hora pra uma série de reflexões. Nós, cineastas, temos de partir deste trágico desfecho da vida do Paulo para formular projetos que garantam a perenidade de nosso trabalho. Abraço. Conte comigo. Saúde. José Carlos Asbeg 17 Maio 2008 10:48 Ao constatar como vivia no Retiro dos Artistas nosso amigo o cineasta Paulo Veríssimo, num quarto cheio de fitas de vídeo, fotos, roteiros, documentos diversos, discos amontoados, desenhos, cartazes, pinturas e latas com películas 35, 16mm e super 8, senti, com sua morte, a necessidade de encontrarmos urgentemente um local que possa abrigar todo esse rico acervo que todos nos realizadores cinematográficos carregamos pela vida. Muita coisa vai se perdendo pelos caminhos, mas muita riqueza pode e deve ser guardada, preservada. O Arquivo Nacional tem possibilidades de suprir parte dessa demanda, mas precisamos de outros locais de acesso facilitado, talvez o Museu da Imagem e Som ou outro órgão da Secretaria Estadual de Cultura. Com a palavra Adriana Rattes. Outra proposta. A sala de cinema do Retiro dos Artistas deveria ser batizada com o nome do Paulo, primeiro cineasta a se hospedar na Casa. Precisa ser definido o que vai acontecer com o material do Veríssimo. Com a palavra Stepan. Noilton 17 Maio 2008 13:40 Podemos fazer um contato já com o Leopoldo Nunes e propor esta homenagem na TV Brasil. Abraços, Manfredo 28 Maio 2008 12:19 Prezado Stepan. Escrevo em meu nome - Roberto Moura - e de dois colegas da classe cinematográfica, Sérgio Péo e Noilton Nunes, sobre o material de nosso falecido amigo Paulo Veríssimo. Gostaríamos de nos constituir numa curadoria para preservar e organizar seu material e, eventualmente, dar seqüência a alguns de seus projetos. Como professor do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense, imaginei levar inicialmente o material para lá e com uma equipe de alunos catalogar suas fitas e pastas de escritos.Estivemos aí algumas vezes, já falei com a Cida e com o Sorriso, mas dependemos de sua decisão para levar a frente tal projeto. Se 15
  16. 16. Coleção Emails Publicáveis - Parte I você preferir podemos marcar uma reunião para falar disso. Aguardo sua resposta. Um abraço do Roberto Moura 8 Abril 2008 12:08 O CBC - Congresso Brasileiro de Cinema, em 08/04 passado, entrou com uma representação junto ao CONAR - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária, solicitando a retirada do ar da insidiosa campanha "LIBERDADE NA TV" da ABTA - Ass. Bras. das Televisões por Assinatura, por entendermos que esta falsifica a verdade, informa erradamente, ñ confere direito de resposta e se constitui em mero artifício político visando manter inalterados - e, portanto sem oferecer escolha, os privilégios que hoje têm a distribuição de conteúdo nos canais a cabo. O CBC, na defesa intransigente que faz da produção independente e regional, da ampliação de nosso mercado de trabalho e da presença de nossa e de outras culturas em nossas telas, vem solicitar a todos os colegas e interessados na retirada imediata desta campanha que manifestem seu apoio a nosso pedido, protocolado como processo ético nº 088/08 (vide abaixo), através de email. Ressaltamos que - como se trata da defesa do direito inalienável do consumidor/espectador à verdade e à informação honesta - qualquer manifestação de pessoas físicas também cabe. Sabemos q este julgamento será agora no início de junho, em uma semana aproximadamente. Contamos com todos, digam aos conselheiros do CONAR o q acha o espectador brasileiro! Em nome da produção independente e regional em nossas telas, o CBC agradece. Com um abraço cordial, Paulo Rufino CBC - Congresso Brasileiro de Cinema - Presidente 11 Abril 2008 11:30 Resposta ao Consumidor da Rep. 088/08 Prezado Sr. Paulo Rufino, Em atenção a sua reclamação, recebida em 08/04/08, o CONAR informa que instaurou o processo ético nº 088/08, resultante daquela queixa e referente ao anúncio "ABTA - LIBERDADE NA TV". O julgamento do processo ocorrerá brevemente e, tão logo seja possível, a decisão estará disponível no site: www.conar.org.br - em Notícias. Atenciosamente Secretaria Executiva CONAR - Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária 5 Mar 2009 13:37 Parabéns Nova Ancine Professora Flávia, sem querer ser intrometido, acho a lista da ABD um lugar apropriado para se defender a democracia, principalmente quando o poder em jogo é a indicação de cargos políticos para ocupar vagas na área da cultura no estado brasileiro. O maior exemplo de infidelidade nos é dado pela diretoria da entidade, que também sem consulta pública aqui ou em qualquer outra lista, anuncia na voz de sua presidente o nome dos indicados pelas ABDs e entregues ao CBC. ABDs? CBC? Você saberia nos dizer onde se encontram as produções e as publicações de conteúdos 16
  17. 17. Coleção Emails Publicáveis - Parte I políticos destas entidades acerca destas matérias de destacada relevância cultural para o devir de nossa intocada democracia. Acompanho também a lista a da Associação Curta Minas, o braço mineiro da ABD Nacional, onde também este assunto não veio à baila para consulta pública. Gostaria de saber a sua opinião. Eu não sou Santeirista de carteirinha, mas também desconheço outro personagem do cinema que vem instigando o debate político e à sua maneira realiza direta e abertamente a crônica do contemporâneo audiovisual brasileiro. Você o conhece? Ora, o prof. Sérgio Santeiro, quem eu também não conheço pessoalmente, apenas através da sua produção intelectual, me parece ser um artista brasileiro que ao contrário de muitos de nós, palpiteiros intermitentes e políticos de ocasiões adequadas, há mais de trinta anos dedica-se diariamente ao projeto cultural desta democracia que tantos outros, os democráticas, evocam para empanar processos políticos criminosamente anti-democráticos. Para não estender demais a palavra, pois quem o faz corre o risco de ter o nome sujo na lista dos organismos de propaganda, termino votando minha lista tríplice para as diretorias da Ancine. 1- Sérgio Santeiro 2- Cláudio Assis 3- Ivana Bentes Pão pães e opiniães.. ass. Neimar Carta para Ancine 5 Mar 2009 19:06 Prezado Luiz Fernando Noel. Ontem o Bernardo me pediu para mandar uma carta informando que o filme tinha passado da Lapa para a Imagine. Fiz conforme ele pediu e entreguei ontem mesmo. Hoje ele me pediu para mandar por email informes sobre as propostas de exibição do filme e eu mandei o texto abaixo. Agora falei com a Vicência que disse faltar um pedido direto para se enquadrar o filme na nova produtora. Posso mandar tal solicitação por e-mail? Obrigado. Noilton Prezado Bernardo, A Jornada Internacional de Cinema da Bahia terá como tema Euclides da Cunha. A abertura será com um espetáculo musical baseado na musicalidade euclidiana. A Jornada acontecerá no Espaço Unibanco Cinema Glauber Rocha, com modernas salas administradas pelo Ademar, que negocia com o Guido a exibição do Paz, comercialmente, lá na sala 2. A TVE da Bahia lançará uma grande campanha com 10 inter-programas de 60 segundos, que estamos preparando com material do nosso próprio filme. Tudo para o lançamento oficial do filme. Portanto não dá mais para esperar. Abraços Noilton 30 Maio 2008 9:36 Quanto vale um curta, um doc ou um longa? Caros. Acho que o Noilton tem razão. Na Europa, são principalmente as TVS públicas que viabilizam o cinema, associando-se ou adiantando recursos para que os filmes sejam realizados. Roberto Farias 17
  18. 18. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 29 Maio 2008 11:15 A Tv Brasil esta fazendo levantamento de preços para pagamento de longas, medias e curtas para aquisição. Como a tv é pública devemos nos manifestar para que tais preços sejam justos e contribuam para a melhoria da qualidade de vida do cinema brasileiro. A Abraci e as ABDs devem acompanhar tais políticas públicas de perto. Noilton 16 Jun 2008 12:16 CineOP - Saco cheio de teorias, queremos soluções Pelo magnífico espaço do Cine Vila Rica, na abertura do CINEOP, ecoaram as seguintes palavras do nosso amigo Glauber: Estou de saco cheio de teorias; quero soluções. Na qualidade de representante da ABRACI, coloquei estas palavras no plural, na abertura dos debates sobre preservação do nosso audiovisual: Estamos de saco cheio de teorias; queremos soluções. Somente no dia em que nosso cinema se libertar do colonialismo conseguiremos preservar decentemente nossos filmes. Agora é preciso olhar para os cineastas brasileiros com mais humanidade, pois estamos amarrados, acorrentados, estrangulados no funil da distribuição e da exibição. O boneco símbolo do CINEOP, de terno e gravata com uma câmara na cabeça, está querendo dizer o que? Que os cineastas brasileiros devem usar terno e gravata, smoking, daqui para frente, para poder continuar vivendo? Desnudemos esse boneco. Tiradentes nunca usaria terno e gravata. Liberdade para nosso cinema, antes que seja tarde. Só existem duas posições políticas possíveis hoje no Brasil: a dos que estão do lado de Tiradentes e a dos que estão do lado de Joaquim Silvério dos Reis; como já dizia Barbosa Lima Sobrinho. Noilton 18 Jun 2008 09:23 Tombamento de filmes e da Dona Lucia Rocha Durante o brilhante e histórico Seminário sobre preservação da memória do cinema brasileiro, ocorrido no CineOP 08, o representante da Abraci e da Jornada Internacional de Cinema da Bahia, propôs que, a exemplo da Itália e dos Estados Unidos, o Brasil passe a tombar anualmente um numero determinado de filmes, longas, docs e curtas. Foi lembrado também o projeto da Unesco de tombamento de pessoas consideradas patrimônios vivos da humanidade e sugerido que o Brasil, a exemplo da França, do Japão e outros paises mais avançados no trato com a sua memória, inicie tal processo tombando, exemplarmente, merecidamente, Dona Lucia Rocha. Noilton 19 Jun 2008 09:20 18
  19. 19. Coleção Emails Publicáveis - Parte I CINEOP - Sérgio Sá e uma proposta inaceitável Sá Leitão, representando a Ancine na CINEOP-08, fez uma apresentação muito bem preparada, utilizando power point, computador, tudo primeiro mundista. Com sua experiência de ter passado pelo PT Cultura; de ter sido convidado para representar o Ministro Gil no Rio de Janeiro, tomando posse num show inesquecível no Cine Odeon lotado; com o tempo passado num cargo importante no BNDES numa sala ao lado da do presidente, traçou um panorama quase completo da situação do cinema brasileiro atual. Mas, quando perguntado por um preservacionista de onde sairia o dinheiro para salvar e manter nosso acervo audiovisual, fez umas contas afirmando que o cinema nacional dispunha de cerca de 350 milhões por ano para suas atividades, de onde saem as verbas para se produzir cerca de 80 longas, não sei quantos docs, curtas e para a manutenção das cinematecas... Concluiu dizendo que poderíamos diminuir a produção dos longas de 80 para 70 e destinar 10% dos tais 350 milhões para a política de conservação. Ponderei que os realizadores não iam gostar muito da idéia. Seria como despir um índio para tentar dar uma tanga para outro. Lembrei que 350 milhões era o orçamento do Titanic (200 milhões de dólares na época) e que o que nós queremos é um aumento do orçamento do Ministério da Cultura, tipo daquele movimento que começamos quando o Gil, o Juca e toda esse pessoal que está no MINC, reivindicando 1% para a Cultura. Não deu em nada. Continuamos disputando migalhas. Até quando? 20 Jun 2008 12:22 CINEOP - Gustavo e o saco cheio de teorias Gustavo Dahl, nos debates em Ouro Preto, defendeu a tese de que precisamos cada vez mais de teorias para que nossas idéias, nossas metas, fiquem cada vez mais claras. Citou Paulo Emílio e outros pensadores do cinema brasileiro. Enquanto isso ecoava pelos espaços do CINEOP a frase do Glauber: Estou de saco cheio de teorias, quero soluções. Ninguém é contra os estudos, as pesquisas, as teorias... Mas, é preciso arregaçar as mangas, tirar o terno e a gravata... Gustavo está com a faca, o queijo e a rapadura do CTAv nas mãos. Entrando numa fase de modernização sem precedentes daquele local sagrado do nosso cinema. Esperamos que, junto com todas as suas teorias, criadas desde antes dos tempos em que ele andava com seu magnífico índio Uirá, procurando Deus pelas ruas do Rio, pelo cinema UM, lá na Prado Jr, do David Neves, pelo Paissandu, pela Cinemateca do Mam, consiga também encontrar as soluções que o Glauber tanto sonhava e que nós sobreviventes dos massacres, desde o famigerado Collor, continuamos querendo, continuamos sonhando. Noilton 21 Jun 2008 08:42 CINEOP – Da Rin: Chega de retórica Silvio informou em Ouro Preto, durante os debates sobre preservação da memória do cinema brasileiro, que o Ministério da Cultura já está com estudos avançados sobre tombamento de filmes, a exemplo de outros bens tombados recentemente, como a rapadura, o açaí, o cupuaçu, o chorinho, o samba, o frevo, etc... Durante almoço, Silvio, com um sorriso dos tempos das filmagens do seu curta Fênix, quando saíamos pelas ruas do Rio e São Paulo catando imagens e sons, com uma câmara 16mm, blimpada, som direto, coisa moderníssima naquelas passadas épocas, aproximou-se da mesa onde eu estava cercado de abdistas e preservacionistas, disparando simpaticamente, em bom som: "É preciso sair da retórica...", depois continuou, perguntando quando serão as eleições para a Abraci e 19
  20. 20. Coleção Emails Publicáveis - Parte I se eu era candidato à presidência... Solange, presidente da ABD&C, testemunhou o encontro, documentando tudo... Noilton 23 Jun 2008 05:45 CINEOP – Saída do Orlando da Tv Brasil Ainda sob o impacto causado em minhalma pelo que vi, ouvi, falei e senti durante a CINEOUROPRETO 2008, ainda não conseguindo cair na real depois de uma semana maravilhosa, cercado de gente maravilhosa, inundado por pensamentos dos mais generosos; querendo que a vida seja um eterno festival cinematográfico, acordo às 5 da manhã e resolvo sair da retórica e partir para a ação. Soube da saída do Orlando pela boca da Mulher de Todos, Helena Inês, que jantava com sua bela filha. Era noite fria e faltava pouco para começar o Anabazys. Fomos para o cinema Vila Rica e lá fui convidado pela Paloma para falar sobre o assunto para o distinto público. Disse o que tenho dito desde que me entendo por cineasta: A Tela Quente é Nossa, A Tela Fria, a Tela Morna, a Sessão da Tarde, o Domingo Maior, o Domingo Menor, tudo isso é Nosso. A Tv Brasil é Nossa e veio para reparar os prejuízos causados pela tv Privada, que comete crime de lesa cultura e lesa pátria todos os dias, exibindo filmes made in USA, na sua maioria subsidiados pela indústria bélica, todos os dias, de manhã, de tarde, de noite e de madrugada. O grande impacto da saída do Orlando tem que ser aproveitado para mais um grande debate aberto sobre a TV BRASIL que queremos. Chega de retórica. Ação. Noilton Nunes 24 Jun 2008 00:50 TV PUBLICA, UMA TV DE TODOS NÓS!!!! Hoje o meu Diretor de Comunicação na ABD Nacional, Cândido Alberto da Fonseca, ao receber a notícia da saída do Orlando Senna, citou a frase do filme "Coronel Delmiro Golveia" que não por acaso tem como Roteirista o próprio Orlando Senna: *"Atiraram no Coronel e mataram a Fábrica"...* Confesso que ainda estou em estado de choque. Recebi a noticia em pleno Festival de Ouro Preto, onde tratávamos do tema memória do Cinema Nacional. Recebi a notícia quando na tela iniciava-se a projeção do filme TERRA EM TRANSE, do Glauber Rocha. Parecia ironia do destino, ver todo o tema de hoje na tela de ontem. Parecia que voltava ao túnel do tempo. Então fiquei pensando como convocar a nossa classe a reagir, a não entregar de bandeja mais um sonho pelo qual lutamos. Então fui rever o "Coronel Delmiro Golveia" filme do Geraldo Sarno, roteirizado por Senna, e me detive na cena que abre o primeiro bloco do filme com o incêndio que provoca a fuga de Delmiro do Recife. Onde o Coronel Delmiro fala: *"Para me atacar, para me destruir, os chacais de Rosa e Silva e desse governadorzinho, fi-duma-puta, tacaram fogo no único mercado onde o povo podia matar a fome". Depois me chamou atenção a segunda parte onde vemos Delmiro Gouveia e a indústria nacional, encurralada pelo capital estrangeiro...E mais uma frase de um dos operários da fábrica ecoavam nos meus ouvidos: "Seu Delmiro mandou a gente fazer a fábrica, a gente fez. Os inglês veio e mandou quebra as máquinas e derrubá no rio. A gente quebrou e derrubou". Então pensei fomos convocados para criar uma TV Pública, brigamos e acreditamos que mesmo não vencendo em todos os itens estávamos implantando> uma nova TV no Brasil e que estaríamos dando um novo passo que esta estaria sendo ajustada aos poucos, sem "assustar" os que contra ela lutavam. E ai vem a Direção desta TV e nos diz que é para esquecer este modelo, quebrar tudo e apoiar um projeto que não nos 20
  21. 21. Coleção Emails Publicáveis - Parte I contempla, que não é o que apostamos. Vamos obedecer? Vamos nos calar? Ainda no 2º bloco do filme já no final Angiquinho* *em *off*, na sua narrativa conduz a cena, explicando:* "Agora, o povo daqui nunca esqueceu o Coronel. A fraqueza do Coronel é que ele era só, sozinho mesmo, e aí atiraram nele e mataram a fábrica. Tenho pra mim que ele foi como um exemplo pra nós tudo" Acredito que a atitude do Orlando Senna também é um exemplo para todos nós. Sai em silêncio, com classe sem atacar ninguém, acredito que também por ética, mas também e principalmente, por acreditar que ainda há uma chance para tentar salvarmos esta TV que pode ainda ser Pública. Então, vamos deixá-lo só? Ou vamos pegar este ato corajoso de um homem com quase 70 anos, mas que não tem medo de arriscar tudo em nome de algo maior que é o respeito pelo povo que nele acreditou e por isso apostou neste projeto? Quantos no seu lugar não estaria garantindo a segurança para o futuro de uma velhice "tranqüila" e sem problemas $$$$...? Vamos nos unir e cobrar a TV que apostamos e acreditamos ser a saída não só para a visibilidade dos nossos filmes, mas de toda uma produção independente no nosso pais. E finalizando ainda com o filme do Sarno e roteiro do Orlando, o Angiquinho continua: "penso também que o dia em que o povo fizer a fábrica para ele mesmo, aí num tem força no mundo que possa quebrar nem derrubar, porque num tem força maior que a do povo trabalhador, que trabalha, como as máquinas, e pensa, que nem gente". É isso ai, se entendermos que a TV Pública é uma fábrica que nos pertence, fabrica de fomento e escoamento para as nossas produções, fabrica para levar às telas de cada lar e cada região do País a imagem do verdadeiro Brasil, fábrica onde a diversidade cultural vai estar de fato nas telas e não uma caricatura do nosso povo com falsos sotaques estereotipando um povo como vemos por aí. Vamos de fato ter uma TV Pública onde todos tenham voz e vez. Independente de quem apostou ou não no projeto, mas onde todo o Brasileiro poderá exibir o seu produto, entreter, debater, e transformar uma nação. Mas para isso temos que nos unir sem siglas, sem partido, mas enquanto povo, enquanto operários da sociedade brasileira para juntos exigirmos uma TV PÚBLICA que de fato retrate a alma do nosso povo e que projete nas telas a riqueza da pluralidade do nosso País!!!! Vamos ao Planalto, vamos ao Congresso Nacional, vamos aos ministros, vamos ao Presidente da República, vamos à TV Brasil e onde mais preciso for, dizer que a TV nasceu Publica e não pode se enterrar privada. Que as pessoas que criaram este projeto da TV Pública não pode ser descartadas como se não tivesse mais utilidade já que o projeto passou e está no ar. Pois a classe deu um voto de confiança a estas pessoas que já estiveram classe e hoje estiveram ou estão gestores desta TV. Solange Lima Presidente da ABD Nacional 25 Jun 2008 11:22 Rapadura é doce... Prezado Leopoldo, segue abaixo carta que enviei ao Orlando, há mais de um mês atrás. Muito antes da tempestade que acabo tirando-o do ar da Tv Brasil. Quero deixar bem claro que sou um defensor incansável da Tv Brasil e que estarei sempre tentando contribuir para que se realize, em breve, o sonho de uma tv pública forte, atuante e benéfica para os anseios dos realizadores e do povo brasileiro. Abraços, Noilton 16 Jun 2008 08:42 21
  22. 22. Coleção Emails Publicáveis - Parte I Rapadura é doce, mas não é mole, não. Prezado Orlando, você que fez Diamante Bruto conhece bem a vida dos garimpeiros. Procuram, procuram e às vezes acham. Muitos morrem antes de achar qualquer diamante ou pepita de ouro... Mas, o ditado popular continua afirmando que quem procura, acha. Seguindo essa profecia e tendo ainda na mente as suas palavras naquele encontro no Sesc Flamengo,quando você disse que a Tv Brasil ia ser feita mostrando-se publicamente, no dia a dia; apresentando-se como uma noiva que se prepara para ir ao altar; como uma orquestra que se desnuda diante do público,enquanto ensaia, imaginei que a Tv Pública do Brasil ia apoiar justamente isso; ensaios, procuras, pesquisas de linguagem; tudo que fosse feito em prol de uma nova possibilidade de se ver e fazer televisão no país.Por isso comecei, com os meus parcos recursos próprios, a tentativa de contar histórias em capítulos, de artistas, produtores culturais, de pessoas e entidades que lutam pela liberdade de expressão, que batalham pela Paz, por um mundo melhor. Tudo isso, através do que estou chamando de novela O Amor por Princípio. Fiz já 2 capítulos pilotos e tenho mostrado para muita gente buscando pareceres, avaliações, sempre no intuito de encontrar uma forma, uma fórmula para um produto televisivo que possa ser um diferencial ao que as tvs privadas fazem, na sua maioria bestificando cada vez mais o povo brasileiro. Tenho visto bastante a Tv Brasil e noto que ela sai muito cedo do ar. Deixa, os que só tem tv aberta, dominados pelas bobagens da Globo, ou dos pastores da noite. Proponho que a Tv Brasil abra mais uma ou duas horas na sua programação para deixar entrar no ar, essas pesquisas, essas procuras, essas garimpagens... Mesmo que seja na madrugada, que se for feita uma pesquisa, descobriremos que têm um bom numero de espectadores. Esperar pelos editais que vocês estão anunciando há meses, sabendo que já estamos no meio do ano, é terrível para os realizadores.Todos nós estamos cansados. Editais são loterias. Dizem que democráticas... e pelo andar da carruagem, podemos considerar o ano de 2008, perdido. Senão vejamos; editais em junho ou julho. Mais 2 ou 3 meses para apresentação das propostas; mais 2 ou 3 meses para julgamentos e escolhas; mais tempo para contratos e já é Natal, quem sabe carnaval. Resta-nos cantar: “Como será o amanhã, responda quem souber, o que irá me acontecer... “ Que Deus te ilumine pois fazer uma nova tv é como comer rapadura; pode ser doce, mas obviamente, não é mole, não. Ab. Noilton Salvador, 12 de setembro de 2007. Abertura da 34a. Jornada Internacional de Cinema da Bahia Aos Exmos. Senhores e Senhoras Promotores Públicos Ministério Público Salvador - Bahia Na qualidade de diretor do filme A PAZ É DOURADA, inspirado na vida e obra do poeta, engenheiro, militar, ecologista, pacifista, jornalista e escritor Euclides da Cunha, autor do clássico Os Sertões, 22
  23. 23. Coleção Emails Publicáveis - Parte I venho solicitar providências do Ministério Público para garantir sua exibição nos cinemas e televisões do Brasil, ocupados vergonhosamente por produtos Made in USA, na sua maioria subsidiados pela indústria bélica. O referido filme de longa metragem, concluído após 21 anos de insistentes batalhas, merece, como qualquer outro filme brasileiro, ser decentemente exibido nos espaços estruturados para esse fim, no território nacional. É triste ter que recorrer ao Ministério Público para exigir o cumprimento de normas, que deveriam já ser naturalmente defendidas pelos órgãos da administração pública criados e mantidos para defesa dos interesses do audiovisual do nosso país. No ano passado, outro cineasta, Marcelo Laffitte, recorreu ao Ministério Público solicitando providências para o cumprimento da Lei do Curta. No último dia 20 de agosto, a Associação Brasileira de Cineastas - ABRACI, junto com a Associação Paulista de Cineastas - APACI, com o apoio do Conselho Nacional de Cineclubes - CNC, recorreram também ao Ministério Público, denunciando a ocupação de mais de 80% das nossas salas de cinema, por 3 filmes Made in USA, nos primeiros meses de 2007. Além das salas de cinema, nosso espaço aéreo audiovisual televisivo, é invadido diariamente através das emissoras privadas que cometem crime de lesa cultura de manhã, de tarde, de noite e de madrugada, promovendo o american way of life, em detrimento da diversidade cultural. Esse sistema, montado nos tempos da ditadura militar, não exibe o curta metragem e o documentário nacional, considerados dos melhores do mundo e quando apresenta o longa nacional, o faz em programas especiais, aumentando a estranheza do nosso público perante suas próprias imagens e sons. Mesmo sabendo que o Ministério Público sozinho não tem o poder de mudar o Brasil e o mundo, acreditamos que só a conscientização salva e que tal ação possa criar movimentos positivos para que as mudanças nessa área estratégia possam acontecer. Noilton Nunes Identidade 2068159-9 IFP 29 Jun 2007 17:34 Começou a maior e melhor novela da tv brasileira Caro Orlando, está começando com a Tv Pública a maior e melhor novela da tv brasileira. A minha contribuição seguirá conselho do Bloch quando fui lá na Tv Manchete propor um programa com um projeto no papel. Ele olhou para mim e disse: Meu filho, televisão é imagem em movimento. Só papel não dá. Quando você tiver um piloto para mostrar, volte aqui que as portas estão abertas... Estou botando, com o apoio da ABI, as imagens movimentadas da minha proposta de novela para a tv pública. Até janeiro. Bom Natal e próspero 2008. 23
  24. 24. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 1 Dez 2007 13:51 Caro Noilton, parabéns, que você também voe junto com milhões de brasileiros. Vamos deixar passar essa correria da estréia da TV Brasil e conversemos. A melhor época para falarmos sobre novas idéias e programas é início de janeiro. Grande abraço. Orlando 26 Nov 2007 10:53 Parabéns, que voe junto com milhões de brasileiros. Orlando, depois dos parabéns ao vivo lá no Festival de Televisão, os parabéns via satélite; que você voe muito alto junto com milhões de brasileiros e latino-americanos. Estou estudando, pesquisando, gravando e editando desde 2000, uma novela para tv acompanhando movimentos artísticos, culturais e/ou educacionais brasileiros, com o título provisório de Tela Nossa. Tenho 2 protótipos (pilotos) feitos em parceria com os estudantes de cinema da Universidade Estácio de Sá e com o Tempo Glauber. Quero muito apresentar tal proposta para a TV Brasil. Gostei do que você falou sobre o processo inicial da tv que será o de mostrar ao público como ela está sendo feita, cotidianamente. É isso que tento fazer gravando o dia a dia das nossas batalhas ancinávicas e/ou íntimas da vida de cineastas, músicos, teatrólogos, artistas e técnicos de diversas áreas lutando para que seus sonhos cheguem nas telas, nos palcos, nas rádios e nas televisões. Estou pronto para o que der e vier. Abraços. Muitas felicidades e sorte. Noilton 22 Set 2008 12:19 Depois que Camila encantou o público na homenagem ao Pitanga, foi a vez da filha da Marlene França emocionar os participantes da 35a. Jornada. Marlene, outra homenageada, uma sertaneja de Uauá, que quando tinha 12 anos, vendendo cocada num acampamento de retirantes em Feira de Santana, foi descoberta pelo cineasta Alex Viany, estreando no cinema em Ana, episódio brasileiro dirigido por Alex, para o longa metragem alemão Rosa dos Ventos. Acabou virando atriz, cineasta e casou-se com um Matarazzo. Marlene estrelou cerca de 30 filmes e dirigiu documentários que entraram para a história do cinema brasileiro, como Frei Tito, Mulheres da Terra, Meninas de Rua e O Vale das Mulheres. Sua filha, com síndrome de Down, leu uma carta para a mãe fazendo todo mundo se arrepiar... Foi um dos momentos mais emocionantes da 35a. Jornada. Noilton 21 Set 2008 12:03 Allende e Por Dentro do Hamas na Jornada Belo relato, bela síntese desta Jornada, porque apaixonado, que teve tudo para se imortalizar. Não assisti à abertura da qual só ouvi dizer maravilhas, homenageados Antonio Pitanga, a cara e a voz do cinema brasileiro, Marlene França, a sertaneja militante, e Sergio Ricardo, o nosso cine trovador cigano, com o xará ainda conversei um tanto no bar 24
  25. 25. Coleção Emails Publicáveis - Parte I do maravilhoso hotel da Bahia, relevos de Caribé, mural de Genaro, prédio de Niemeyer, anos cinqüenta. Tudo os sete dias do condão misterioso de Guido Araújo, pela 35a. vez, reunindo o que há de melhor no cinema combatente de América Latina. Algum dia conseguirei dar forma a estas notáveis questões, mas de primeiro preciso arrumar o meu quintal. Há desperdício e desespero no meu quintal. O cinema militante e combatente do Brasil está sendo deliberadamente destroçado por esta irresponsável juventude que prefere seduzir-se com o sistema absurdo implantado no Brasil, o tripé: globo/majors/governo. Não há quem agüente o besteirol da telinha transportado pra telona. E já não basta os tantos milhões que vocês dizem que cativam. Querem vir disputar os milhares a quem servimos e de quem esperamos que repassem nossas mensagens? E porque o governo, ou os governos acabam por se tornar os maiores inimigos da criação, mediante indignos fraseados de políticas falsas impostas a seu bel prazer e que somente consistem na multiplicação de guichês e formulários enquanto deixam escorrer a seiva desta maravilhosa floresta de diversidade que é o cinema brasileiro, como tudo do país a mais extraordinária reserva de biodiversidade do planeta. E nem adianta, quando revejo colossos como o Rio Zona Norte, de Nelson Pereira, antecipado pelo Sol Sobre a Lama, de Alex Viany, o genial relato de vida da Marlene França ao Silvio Tendler, poder ver, acabei não revendo, Um dia na Rampa, junto ao Paulino, que está melhor que nunca e concordar com Otavio Bezerra em algum pé-sujo em que ele insiste beber uma cerveja local, curiosamente conseguimos envelhecer com a mesma cara, reconhecíveis portanto. E nem conseguiria reproduzir os sete dias em papel algum, mas ao gosto final meio amargo de uma Abaíra, ou de mais suave Itajubá,todas brancas, nos mergulhos em oceano mas três braçadas esgotam-me os pulmões, mas quero registrar outro bom momento que foi uma reunião da ABD moços e nem muito, visitados por Silvio, Orlando, o incrível aniversariante Thomaz Farkas, entre tantos de nosotros, e em que me curvo ao que decide a maioria, mas divirjo em número e grau, a ABD é uma entidade que representa o cinema independente combatente e não pode servir de linha auxiliar do modelo de governo inexplicavelmente patrocinado por um, o primeiro, governo de trabalhadores, em que são estes os que são excluídos enquanto anda o poder de braço dado com o imperialismo cultural. Cabe à ABD liderar uma campanha nacional pela erradicação do filme imperialista pois que é imoral sequer um centavo publico para mantê-los invadindo e depredando o nosso mercado. Até que cada brasileiro tenha três refeições completas ao dia e horizonte para crescer e viver é intolerável que se permita o escoamento de nossas divisas para garantir o banquete da pirataria internacional, e o cinema tem a sua parte a cumprir que é detonar a ocupação do mercado audiovisual em nossa terra. Imaginem que a alavanca para o pseudocapitalismo brasileiro foi a substituição das importações nos anos cinqüenta. Pois voltemos no tempo e implantemos a substituição das importações no audiovisual, dos festivais às tevês. E talvez algum dia eu consiga convencer os exibidores a ganhar mais dinheiro com o produto nativo do que com essa 25
  26. 26. Coleção Emails Publicáveis - Parte I pastelaria de má farinha que entopem suas telas. Nunca é demais lembrar que o exibidor é proprietário ou preposto apenas do imóvel, a sessão de cinema é uma espécie de condomínio dos espectadores, tanto faz dois ou centenas. O exibidor arrenda a sessão aos usuários que intimidados tem que consumir sem opção o que o "dono da casa" quiser. É preciso o estado e os governos mostrarem aos exibidores o caminho das pedras nativas para ficarem mais ricos e se fôr o caso, no lo creio, acho que a paga do mercado pela locação das salas é suficiente, aí sim, incentivar o pleno emprego no mercado nacional mediante a exclusiva exibição do conteúdo brasileiro onde quer que se apresente, mídia ou suporte. Os estrangeiros se quiserem que banquem seu jogo no mercado assim como nos USA recolhendo aos cofres nacionais 100% do que investem na invasão. E aí eu quero ver o Tio Sam de frigideira numa batucada brasileira. Sérgio Santeiro 20 Set 2008 08:03 Assisti na 35a. Jornada o filme Por dentro do Hamas, feito para o Canal 4 da França, por Rodrigo Vasquez, cineasta argentino radicado em Londres. É um trabalho que deixa qualquer um perplexo com a violência na Palestina. A câmara entra no meio das confusões, dos tiroteios, leva tapas, pauladas, mostra irmãos brigando, matando irmãos, de uma maneira que nos obriga a pensar e repensar como a humanidade chegou a tal ponto de brutalidade. O documentário mostra a criação do estado de Israel em 1948 e o que foi acontecendo com o povo palestino até chegarmos a essa situação absurda de humilhações, de divisões, com uma parte sobrevivendo na Faixa de Gaza. O próprio Canal 4, com toda a democracia francesa, relutou em exibir o filme, exigindo que o realizador fizesse cortes. Mesmo morando no Rio de Janeiro, uma cidade violenta, em guerra urbana cotidiana, não consigo entender como seguem vivendo aquelas pessoas, aqueles seres humanos; mães desesperadas, filhos, maridos, ensangüentados, todos a atormentados pelas disputas políticas e pela impossibilidade de enxergar as cores de uma Paz qualquer no fim do túnel. Vi, na véspera, a entrevista do Allende concedida ao Rosselini, quando o Presidente chileno diz que só a conscientização pode salvar um povo e que para um povo atingir um grau de conscientização que lhe permita ter clareza do que está acontecendo no seu país e no mundo, é preciso que a educação e a cultura sejam as principais bases do governo do seu país. Não teve tempo Allende de fazer com que a educação e a cultura o salvasse e poupassem o povo chileno de uma das mais crueis das ditaduras sul americanas. No dia 11 de setembro de 1973, Allende não resistiu mais aos bombardeios ao palácio presidencial, não se entregou... Eu, que assino um filme com um título que tenta dizer que Paz tem cor e que essa cor é a do ouro; que A Paz é Dourada; que é a Paz o mais querido desejo da humanidade; filme que acredita na poesia; que termina declamando um 26
  27. 27. Coleção Emails Publicáveis - Parte I poema do Euclides da Cunha. Eu quero; Eu quero a doce luz dos vespertinos cálidos, lançar-me apaixonado por entre as sombras das matas; sentir minh'alma erguer-se entre a floresta e Deus. Da natureza eu quero beber a Calma, o Bem, a Crença ardente e altiva... sigo, me perguntando, se a fé, que não costuma falhar, pode trazer ainda algumas respostas para as nossas esperanças de viver num mundo melhor. Noilton 23 Set 2008 09:03 Jornada: Privatização, Estatização ou ABDlização JÁ Noilton: Conte comigo pro que der e vier mas não mexa na Jornada não. Ela é a melhor coisa que existe em termos de Cinema junto com o Festival de Brasília e ode Goiânia. A Jornada é cara do Guido que, você tem razão, deve ser tombado. Temos que dar os meios para ele fazer a Jornada ma sem enfiar burocratas e homens de negócio e marqueteiros de todos os quilates que vão desvirtuar o espírito da coisa. Deixa como está. Abraços Silvio Tendler 24 Set 2008 19:30 A 35a Jornada Internacional de Cinema da Bahia terminou deixando no ar inquietantes perguntas sobre a sua continuidade, sobre o seu destino. Penso que chegou a hora de todos os que já participaram das anteriores; todos que um dia, uma semana, comeram, beberam, dormiram, viajaram, assistiram, sentiram, emocionaram-se, ganharam imagens e sons dos mais diversos quilates; todos que se beneficiaram de uma maneira ou de outra, dessa iniciativa das mais importantes já criadas para o desenvolvimento do audiovisual brasileiro; que mexeu com a cabeça de milhares de pessoas nos seus 35 anos de resistência, de lutas, de dedicação; todos, repito, creio que deveriam parar para pensar e dar uma contribuição, pelo menos ideológica, sobre como poderemos fazer para que nossa Jornada continue firme e forte. Penso que os Ministérios da Cultura, da Educação, das Comunicações, a TvBrasil, o Canal Brasil, as entidades de classes, deveriam assumir uma parte dos trabalhos para que a 36a Jornada aconteça com a qualidade que merece. Ficou muito claro para mim, que o Guido, a Nélia, a Nelma e mais umas poucas meninas e meninos, sozinhos, não tëm porque continuar sofrendo para nos oferecer anualmente esse quitutes apimentados pelos conhecimentos do Guido, sobre cinema, que ele domina e generosamente abre para a comunidade cinematográfica. Penso que a JORNADA deve ser PRIVATIZADA, ESTATIZADA e ABDLIZADA, pela Petrobrás, pelo Banco do Nordeste, pela SAV-MINC, pelas ABDs, pela ABRACI, pelo CNC, pela Federação de Cine Clubes, etc... e tal. URGENTEMENTE. Guido deve ser tombado pelo patrimônio histórico, seguindo-se o modelo que a UNESCO tenta implantar pelo mundo e que já foi adotado pela França, Japão, Coréia etc... Fiz um doc sobre o projeto francês, Tesouros Humanos Vivos. Os mestres que dominam um importante conhecimento são tombados e passam a ganhar um salário mensal para continuar passando seus conhecimentos para as gerações que estão chegando. Guido é tombável. A cena que mais me tocou em toda a Jornada foi protagonizada por ele e pela Mila, mulher dele, sentados solitários numa cadeira, na porta do cinema do ICBA, esperando pelo distinto público. O Guido muito cansado e a Mila tentando animá-lo. Vi que ele precisa parar de ficar assumindo todos os detalhes para que os filmes passem na hora, nos locais marcados; precisa parar de se preocupar se fulano comeu ou não comeu; se tem transporte para fulaninha ir pro aeroporto... Chega Guido. Você, agora na era do PRESAL, merece ser uma espécie de Papa, de Presidente, de Pai de Santo Maior... Deixe que essa garotada maravilhosa que está vindo, com a maior disposição, assuma os trabalhos mais desgastantes. Farão com o máximo prazer. Passe a bola e fique só no que 27
  28. 28. Coleção Emails Publicáveis - Parte I todos queremos que você faça: brindar a alegria de estarmos juntos, vendo os diamantes, as pérolas, os ouros que você garimpou pelos festivais do mundo inteiro. Se eu fosse o Juca Ferreira dava sem editais, sem complicações, sem nhem nhem nhens, um Ponto de Cultura completo para a Jornada, com câmaras, ilha de edição, data show, projetores, sistema de som e até mesmo uma casa, do tipo daquela que o Tempo Glauber conseguiu no Rio de Janeiro com as batalhas da Dona Lúcia e família para preservar a obra do mais cinematográfico dos baianos. A memória da Jornada precisa ser preservada enquanto é tempo. Viva a Jornada. Muitos anos de vida para todos que a realizam e para todos que dela participam. Noilton 25 Set 2008 18:10 Tem que ter... Maria do Rosário Acabo de receber telefonema de minha amiga Carolina Paiva dando parabéns pelo artigo de fechamento da cobertura que fiz da Jornada, com uma cobrança... Maria do Rosário. Não mencionei no Jornada que se preze, que tem que ter: Maria do Rosário Caetano. Perdão. Desculpem-me. Maria, cada vez, mais é uma Jornalista admirável, que sabe de tudo, que fala sobre tudo e é uma das presenças mais queridas. Rosário arruma até os cenários das mesas, fotografa cada personalidade, entrevista os cineastas mais carentes... Maria do Rosário Caetano é uma das musas do nosso cinema. Claro que outras pessoas ficaram sem destaque nos meus escritos, mas deixei em aberto a possibilidade de quem quiser dar esses toques e retoques necessários. Pretendemos guardar bem mais esse monte de memórias de nossas Jornadas. Obrigado. Noilton Obs. Nesse mesmo telefonema minha amiga pergunta se ganhei alguma coisa pelo 'belo trabalho de divulgação especial' que fiz. Respondi que sim. Quanto? Insistiu ela. Respondi que não poderia revelar por estar muito preocupado com o estouro da bolha dos banqueiros norte americanos e que poderiam me acusar de ser o culpado... Mas, parece que o resultado foi de fato muito bom, pois até já fui sondado para fazer o mesmo, em breve, num outro festival. Vamos aguardar, quem sabe não arrumei nova profissão. 26 Set 2008 10:00 Tem que ter... Maria do Rosário Noilton, acho que você deveria colocar ainda uma frase dizendo que não dá para enumerar todos que "a Jornada que se preze tem que ter", sempre fica alguém esquecido, as pessoas que se acrescentem. Para mim, falta José Tavares de Barros e pessoal que está em Brasília - Vladimir, Marquinho, etc.etc. Na realidade, olhando bem o seu texto, você já diz isto na parte final da sua mensagem: "Quem quiser que conte outra, outras, anexe, edite, coloque mais nomes....." Então não mude nada, a sua mensagem é ótima e inspirada, simplesmente com bom astral. Um grande abraço, Mila. JORNADA QUE SE PREZE TEM QUE TER MARIA DO ROSÁRIO. Encerro minhas contribuições como correspondente de Paz da 35a. Jornada oferecendo Jornada que se preze.Jornada que se preze, tem Pré Jornada pelo interior da Bahia, com exposições, seminários, mostras e debates, para incentivar o gosto pelo nosso cinema; tem encontro para fortalecimento da Plataforma Audiovisual Intercontinental, uma rede político-cultural para promoção da sinergia entre Europa, América do Sul, África e Ásia, buscando difusão e escoamento do material audiovisual de conteúdo social, além da preservação da memória e das identidades culturais; Jornada que se preze 28
  29. 29. Coleção Emails Publicáveis - Parte I tem provocações privatizantes, estatizantes; tombamentos de pessoas como patrimônios da Humanidade; tem Glauber, Olney São Paulo, Ana Maria Magalhães, Antônio e Camila Pitanga, Marlene França, Alex Viany, Betina Viany, Silvio da Rin, Cristina Leal com seus iluminados fotógrafos, Thomas Farkas, Conceição Sena, Hamilton Pereira, Luís Paulino, Orlando Aguilera, Raul Gadea, Evelina Hoisel, Mauro Santayana, Renato da Silveira, Muniz Ferreira, Maria do Rosário... tem Yakui Tupinambá; tem argentino, Rodrigo Vasquez; tem ator portuguës, André Gago; tem o uruguaio Mário Jacob, fundador da Cinemateca del Tercer Mondo; tem o diretor egipcio-espanhol Basel Ramsis, que no ano passado nos brindou com seu inesquecível Mulheres da Palestina; tem a bela italiana Florëncia Santucho, diretora do Festival Internacional del Cine de Derechos Humanos; tem Jornal da Jornada com matérias para marcar a passagem do tempo e deixar nossa memória e nossas esperanças bem antenadas, como por exemplo no artigo Osasco apresenta Modelo de Projeto Cultural; tem Encontro Nacional das ABDs para ninguém botar defeito: e a 35a Jornada teve mais um desses encontros. Cenário: Hotel Tropical da Bahia, ainda mais movimentado por uma edição da Casa Cor baiana. Ação: representantes das ABDs de todo país fazem história dando continuidade aos processos iniciados durante as primeiras Jornadas. Nossa querida Solange Lima, atual presidente nacional da entidade, convida fundadores históricos que ainda continuam participando ativamente das batalhas em prol do curta e do documentário; Orlando Sena, Sérgio Santeiro, Silvio Tendler, Joatan Vilela, Octávio Bezerra vulgo Cine Jornada, Emmanoel Cavalcanti, e eu, Noilton Nunes. Todos damos o ar de nossas graças e nenhum de nós deixou de fazer gols antológicos nos seus pronunciamentos para a nação abdista. Viva a Lei do Curta. Viva. Viva o doc Abdistas Unidos que a Tv Brasil vai fazer... ReViva a Ancinav. Viva o Trio Elétrico que a Ivete Sangalo doou para a próxima Jornada. E tome de caviar e de champagne francesa... Vivam os jegues e as carroças de burros que vão trazer os estudantes para lotar as sessões das próximas Jornadas. O delírio toma conta de todos. Viva o Pre Sal. O imortal cineasta Nelson Pereira anuncia: Nosso Maior Pre Sal está lá no fundo da memória cinematográfica brasileira. Quanto vale nossa história, pergunta. E as atividades não param. O cineástico poeta Edgar Navarro tirou a roupa, fico nú, declamando Castro Alves, para mostrar ao povo nossa situação de pelados no baile, sem lenço e sem documentos, na Jornada de 1978. Trinta anos atrás, quando o curta Leucemia ganhou o Troféu Humberto Mauro, como o Melhor Filme da Jornada. Emoções. De repente me lembro da Maria das Graças Sena, cuja história inspirou o filme. Exilada política em Portugal, com leucemia, vive drama no Aeroporto de Lisboa, separando-se do seu filho recém nascido, que é levado para o Brasil. 2008. Trinta anos não são trinta dias. Sena sobrevive. Vive. Seu filho também. São exemplos de resistência. É preciso que se faça um documentário sobre ela, uma jovem que sonhou mudar o mundo. Lutou contra a ditadura militar, a ditadura collorida e continua lutando contra a ditadura dos burocratas, a ditadura dos economistas... Continua lutando pela vida. Vence a leucemia... até quando, não sabemos... Quem quiser que conte outra, outras, anexe, edite, coloque mais nomes e fatos, poeticamente por entre mergulhos no mar azul verde da Baía de Todos os Santos; chegou a hora dessa gente bronzeada pelos Sóis Brasis mostrar seu valor. Paro por aqui, rezando, sonhando, pedindo ao Senhor do Bonfim que nos ilumine, sempre. Noilton 17 Set 2008 12:03 Marlene França Caro Noilton.Você poderia dar meu e-mail à Marlene França? Diga a ela que me arrepiei ao ler a notícia da carta lida pela filha dela. Imagino o que foi assistir esse acontecimento. Obrigado, Roberto Farias 29
  30. 30. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 17 Set 2008 15:00 Filha da Marlene França emociona Jornada Parabéns, por você faço parte da mostra e todas as informações colhidas no calor da hora, são para mim importante, acontecimentos iguais ao da Marlene, que eu não sabia de sua trajetória. Maravilhoso. Abraço. Sérgio Pereira Bispo 16 2008 11:40 Jornada ganha Prêmio Roberto Rossellini Amigos, depois de todas as dificuldades que tivemos para viabilizar a 35a edição da Jornada, como você pode ver de perto, tenho agora uma boa notícia para lhe transmitir em primeira mão: a Jornada acaba de ser agraciada com o 'Prêmio Roberto Rossellini', que acontece desde 1999 em Maiori, cidade na costa Amalfi, na Itália, onde Roberto Rossellini fez alguns dos seus filmes, como L'amore, Paisà e La Macchina ammazza-cattivi. Dentro de uma semana estarei viajando para Roma, a convite de Renzo Rossellini e Luigi Ferrara, organizadores do Festival de Maiori, para receber o prêmio no dia 25 de outubro. A surpresa desta premiação me faz bastante feliz, pois é uma manifestação autêntica e sincera que me vem da Itália em reconhecimento ao meu trabalho e de toda a equipe da Jornada, através de pessoas que nem sequer eu conheço pessoalmente. E este prêmio ganha para mim uma dimensão extraordinária, pois carrega o nome de um dos cineastas da minha maior admiração. Quando na juventude decidi ligar minha vida ao cinema, foram dois filmes de Rossellini que me impulsionaram: 'Roma, cidade aberta' e 'Paisà'. Este prêmio pertence também aos amigos como você que acreditam no meu trabalho. Ciao, Guido. 18 2008 11:40 Caro Guido, Parabéns pelo Prêmio! A Jornada sempre foi uma trincheira de afirmação do cinema independente e isso nos honra a todos os que trabalhamos no país! Um abraço do Luiz Carlos Lacerda. 17 2008 12:45 Caro Guido, Poucas vezes um premio foi tão merecido. Pela persistência do evento e pelo valor dos debates suscitados. Grande abraço e boa viagem, José Joffily 30
  31. 31. Coleção Emails Publicáveis - Parte I 01 Abril 2008 3:53 Para Xexeo de O Globo Querido Xexeo, na qualidade de seu ex-professor na Faculdade de Comunicação Helio Alonso, quando você ainda sonhava ser um jornalista, lá pelos idos de 78, 79... quero expressar minha simpatia pelas suas coragens. Um filho que expõe seus pais nas páginas de um jornal contando passagens de seus cotidianos, merece respeito. Não li ainda mas me contaram que você escreveu no Globo que seus pais foram ver Terra em Transe, não gostaram e juraram não ver mais filme brasileiro... Revelar isso no auge desse debate artístico-político-social-cultural-comercial é ótimo. Remete a muitas questões. Serão nossos pais os responsáveis pela mediocridade que assola nosso Brasil? Ou serão nossos avós? Não. Deve vir de bem antes tal processo de deseducação, de desvalorização da nossa gente. Euclides da Cunha, lá no começo dos anos 1900, escreveu que "no Brasil, quem pensa, quem estuda, quem pesquisa, quem tem consciência é cada vez mais enxotado pelos medíocres, que passam por nós, nos afrontam e ocupam os melhores postos de decisão. É a imbecilidade triunfante..." Xexeozinho, você que todo ano alimenta "o mala do ano" poderia variar criando algo novo. O troféu IMBECILIDADE TRIUNFANTE de 2008. Mas, o voltemos ao que me inspirou escrever essa carta aberta para voce. Vou te contar como foi a reação dos meus pais quando viram Deus e o Diabo na Terra do Sol. Antes preciso informar ao distinto público quem eram meus pais: 1944. Seu Milton, jovem estudante que sonhava ser Guarda Livros, conheceu Noemia, balconista de uma padaria no centro de Campos dos Goytacazes. Logo depois casaram e tiveram 3 filhos. Noelton, Noilton e Noemi... Resolveram morar no Rio de Janeiro em 1958. Fomos morar na Lapa. Em 1972 eles estavam viajando para Blumenau junto com meu irmão que ia se casar lá, quando sofreram um acidente na estrada e faleceram os três. Mas a lembrança deles que quero deixar aqui registrada é a da sensação de ter assistido uma obra prima. Minha mãe ao chegar do cinema perguntou: Vocês já viram Deus e o Diabo? Por favor, meus filhos não percam. E cantarolou Se entrega Corisco... Eu não me entrego não... Meu pai sabendo que eu, um sul-americano sem dinheiro no bolso e vindo do interior, adolescente que imaginava fazer filmes um dia, disse: Esse tal de Glauber dá uma aula de cinema. Vá ver o filme dele. Será para você um estímulo. Brasileiro pode fazer cinema, meu filho. Ab. Noilton. 30 Mar 2009 19:35 31

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