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“A congruência entre a filosofia, o treino e a realidade no Jogo de Futebol” António Martins Silva 2009 -Tese de mestrado
 

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    “A congruência entre a filosofia, o treino e a realidade no Jogo de Futebol” António Martins Silva 2009 -Tese de mestrado “A congruência entre a filosofia, o treino e a realidade no Jogo de Futebol” António Martins Silva 2009 -Tese de mestrado Document Transcript

    • Master Profissional em Alto Rendimento de Desportos de Equipa Estudo de caso “A congruência entre a filosofia, o treino e a realidade no Jogo de Futebol” António Martins Silva 2009
    • António Martins Silva Página 1 Índice Agradecimentos 2 Introdução 3 Formulação de objectivos 7 Procedimentos 8 Apresentação e analise dos resultados 9 Conclusões 27 Anexo I 29 Anexo II 33 Referencias bibliográficas 40
    • António Martins Silva Página 2 Agradecimentos A Xesco Espar, pela disponibilidade, incentivo e, sobretudo, pelo que me ensinou ao longo do Master e deste trabalho. Ao Victor Loureiro, pela ajuda preciosa no contacto com a instituição Futebol Clube do Porto. Ao Prof. Luis Castro, pela disponibilidade e por possibilitar a realização deste trabalho. Ao Patrick Greveraas, pela disponibilidade, paciência e colaboração. Ao João Maciel, pelo apoio e ajuda gráfica.
    • António Martins Silva Página 3 Introdução “Treinar é fabricar o jogar que se pretende”. Amieiro (2005) O treino como forma de operacionalizar o jogar é, hoje em dia, a preocupação máxima de qualquer treinador. O problema de sempre é o como, o porquê, a forma, em suma, a metodologia. Longe vão os tempos em que o jogador de futebol era treinado como um atleta de atletismo, no entanto, há ainda hoje muitas dúvidas sobre o que será mais efectivo e é disso que se trata, da eficácia do treino, dos seus resultados práticos. Desta procura incessante da melhor forma do treinar, resultaram teorias, metodologias e convicções distintas, que no seu mais ínfimo propósito têm, como único interesse, claro está, ganhar! Se se é apaixonado pelo treino e pelo jogo, busca-se também a melhor forma de conseguir que o treino seja eficaz e que se revele em jogo, decidiu-se debruçar sobre o assunto, e tentar com este trabalho ajudar a iluminar um pouco mais este caminho tão escuro e cheio de dúvidas. O que está em causa neste trabalho é encontrar paralelos entre a ideia que o treinador tem do seu jogo, o treino que executa para esse fim e o que realmente acontece no jogo. Busca-se o modelo de jogo: A Ideia de Jogo do Treinador + Princípios de Jogo + Organização Funcional + Características dos Jogadores + Organização Estrutural = Modelo de Jogo. “Os princípios de jogo e os sub princípios de jogo são comportamentos e padrões de comportamento que o treinador quer que sejam revelados pelos seus jogadores e pela sua equipa nos diferentes momentos de jogo. Esses comportamentos e padrões de comportamento, quando articulados e entre si, evidenciam um padrão de comportamento ainda maior, ou seja, uma identidade de equipa, a qual denominamos de organização funcional.” (Guilherme Oliveira, 2003) Busca-se o modelo de treino:
    • António Martins Silva Página 4 “O modelo de preparação / treino deverá estar orientado por uma preparação táctico-técnica que tenha como objectivo estimular o tipo de solicitações que o modelo e os seus princípios exigem.” (Frade, 1985 cit. por Freitas, 2004) "Existe o treino tradicional, o analítico; existe o treino integrado, que é o tal treino com bola, mas onde as preocupações fundamentais não são muito diferentes das do treino tradicional; existe a minha forma de treinar, a que podem chamar ‘periodização táctica‘, que nada tem a ver com as outras duas – embora muitos pensem que sim.” (Mourinho, 2006) “O princípio da Especificidade é quem dirige a periodização táctica.” (Carvalhal, 2003) “Só se poderá chamar especificidade à Especificidade, se houver uma permanente e constante relação entre as componentes psico-cognitivas, táctico-técnicas, “físicas” e coordenativas, em correlação permanente com o modelo de jogo adoptado e respectivos princípios que lhe dão corpo.” (Oliveira, 1991, cit. por Carvalhal, 2003) “A componente táctica surge como o núcleo central de preparação.” (Carvalhal, 2003) “O meio de operacionalizar o modelo de jogo é os exercícios específicos. A operacionalização do treino reclama a utilização de exercícios específicos desde o primeiro dia.” (Carvalhal, 2003) “Aquilo que acontece é que o objectivo final é jogar. E se é esse o objectivo, treinar só pode ter um significado: fazê-lo a jogar. Se o objectivo é a melhoria da qualidade de jogo e de organização, esses parâmetros só se conseguem concretizar através de situações de treino ou de exercícios onde se consiga trabalhar essa organização. Perante isso, só através de uma especificidade de jogo é que se consegue gerir esses mesmos objectivos.” (Rui Faria, 2003)
    • António Martins Silva Página 5 “Treinar significa melhorar sob o ponto de vista do jogo. Tendo claramente definido um modelo e os princípios que o orientam, o que acontece diariamente é a exacerbação desses princípios em busca da melhoria da qualidade de jogo e daquilo que é a forma de jogar estipulada pelo treinador.” (Rui Faria, 2003) “Todo o processo de treino deve contemplar exercícios específicos do modelo de jogo adoptado pelo treinador. O modelo de jogo e os seus respectivos princípios devem ser alvo de uma periodização e planeamento dinâmicos, o que faz com que a dimensão física surja arrastada pela dimensão táctica, mas sempre em paralelo.” (Guilherme Oliveira, 1991 cit. por Freitas, 2004) “Quando vejo referências às pré-épocas e me mostram imagens de atletas a correr e a trabalhar num espaço que não é o campo de futebol, da praia ao campo de golfe, dou comigo a pensar que são métodos ultrapassados, para não dizer arcaicos.” (Mourinho, 2006) “Não acredito, no futebol de hoje, em equipas bem fisicamente e outras mal. (…) Há equipas adaptadas, ou não, à forma de jogar do seu treinador. O que nós procuramos é que a equipa se consiga adaptar ao tipo de esforço que a nossa forma de jogar exige…” (Mourinho, 2006) “Há 20 anos falava-se muito em volume e em intensidade; começava-se com volumes de trabalho altos mas com intensidades baixas e depois com a aproximação da competição, invertiam-se os parâmetros, diminuindo-se o volume do treino e subindo as intensidades, planeando-se, assim, a equipa para determinados momentos. Não é eu não acreditar, mas é mais do que isso – creio que o futebol é feito de intensidades altas e aquilo a que normalmente se chama resistência aeróbica que convencionalmente se dizia que se conseguia com volume de trabalho acho que ela se consegue com a acumulação das intensidades máximas. Quando se trabalha com intensidades máximas e se trabalha um, dois, três ou quatro ou cinco dias, a acumulação de esforços de máxima intensidade vai, de uma forma natural, desenvolver-se.” (Mourinho, 2002)
    • António Martins Silva Página 6 “Trabalhámos desde o primeiro dia em intensidade altas relativas, ou seja de acordo com aquilo que é o rendimento máximo que o jogador nos pode dar em determinado momento.” (Rui Faria, 2003) “Treinar com base em intermitências máximas de acordo com o modelo de jogo adoptado, vai criar o hábito no organismo de se cansar a realizar este tipo de esforço, mas também em função deste tipo de esforço a recuperar mais rapidamente.“ (Carvalhal, 2003) “Esta periodização reclama o Princípio da Estabilização, de forma a permitir os patamares de rendibilidade.” (Carvalhal, 2003) “A estabilização da Forma Desportiva consegue-se com base na estruturação de um determinado microciclo, onde o grau de desgaste semanal seja similar de semana para semana. A estrutura básica do microciclo deve manter-se (os momentos de treino, a duração, etc.), o que leva a uma estabilização do rendimento.” (Carvalhal, 2003) Busca-se então a congruência entre estes e o jogo que se apresenta no relvado. É sabido que é uma tarefa árdua, esta de querer estabelecer paralelos e congruências. No entanto, há a convicção de que se pode, pelo menos, limar algumas arestas mais neste processo de busca da perfeição. Este trabalho é um estudo de caso em que tentará explorar a ideia de jogo da equipa, o que se treina e como, e o que resulta disso, se tem ou não congruência com a ideia inicial do arquitecto deste plano: - o seu treinador.
    • António Martins Silva Página 7 Formulação de objectivos A preocupação deste trabalho centra-se em três factores: ideia de jogo/modelo, treino do modelo, resultado do treino em jogo. Procurar-se-á analisar a ideia que o treinador tem da forma como quer que a sua equipa jogue, a forma como treina para esse fim e o que realmente acontece no terreno de jogo em competição. Prestar-se-á atenção aos esquemas tácticos utilizados, à organização defensiva, às transições, à organização ofensiva e às suas etapas (construção, preparação de situações de finalização, situações de finalização e finalização). O objectivo deste trabalho é observar se a percepção que o treinador tem da sua forma de trabalhar tem, ou não, resultados na prática, i.e., se a sua ideia de jogo se reflecte no terreno de jogo como resultado da sua metodologia de treino.
    • António Martins Silva Página 8 Procedimentos O presente trabalho foi desenvolvido no F. C. Porto (Futebol Clube do Porto) no CTDF-Porto Gaia (Centro de Treinos e de Formação) com a sua equipa de sub-19, que disputava o campeonato nacional da 1ª divisão da categoria, na época desportiva 2007-2008. O FC Porto é um dos clubes de futebol mais antigos em actividade em Portugal. Foi fundado no dia 28 de Setembro de 1893 por António Nicolau d'Almeida, um comerciante de vinho do Porto que descobriu o futebol nas suas viagens a Inglaterra. Destaca-se no seu Palmarés as vitórias internacionais: Taça UEFA (2003), Taça dos Campeões Europeus (1987), Liga dos Campeões (2004), Taça Intercontinental (1987,2004). O trabalho consistiu numa entrevista prévia ao seu treinador - Patrick Gerveraars. Nesta entrevista pretendeu-se compreender a sua filosofia de jogo e ter uma noção do modelo do jogo, treino e liderança adoptados. Numa segunda fase, procedeu-se à restante recolha de dados, que foram a observação in-loquo, quer dos treinos, quer dos jogos, num período de cinco semanas. Os treinos realizaram-se de segunda a sexta-feira, pelas 9.00 horas, e os jogos aos Sábados, pelas 15.00 horas. A entrevista (ver anexos) foi gravada por um gravador digital OLYMPUS VN-2100, os treinos registados em papel e os jogos em fichas de observação (ver anexos). Na ficha de observação foram observados os seguintes pontos: 1. Sistemas tácticos apresentados, dinâmica defensiva e ofensiva 2. Transições (defensivas e ofensivas); 3. Momentos do ataque (construção, preparação de situações de finalização, situações de finalização e finalização) 4. Observações dos itens anteriores.
    • António Martins Silva Página 9 Apresentação e análise dos resultados Neste capítulo ir-se-á fazer a correspondência entre as ideias do treinador, os exercícios por ele utilizados para esse fim e o que realmente sucedeu nos jogos observados. Para isso recorrer-se-á aos itens utilizados na observação. 1. Sistemas tácticos apresentados, dinâmica defensiva e ofensiva Sistemas tácticos apresentados • Ideia do treinador “… 4-3-3, preferencialmente”. • Exercícios utilizados Situação de jogo formal 11x11 • Estrutura 4-3-3 • Extremos bem abertos • Pressão ao portador da bola pelo jogador mais próximo • Passes rápidos, poucos toques
    • António Martins Silva Página 10 Jogo formal 10x9 (sendo que 10 são os habituais titulares) Princípios • Campo grande • Pressão • Linhas altas de pressão Na segunda parte do exercício colocou os habituais titulares em inferioridade, utilizando então 3 defesas (3-3-3) Sentido da equipa com 10 unidades Jogo posicional Os X estão numa zona fixa, onde só têm um metro de raio para jogar. Devem fazer circular e manter a posse de bola entre eles e com a ajuda dos Jokers, que são móveis. Se os О (que defendem ou tentam recuperar a posse de bola) ganharem a posse de bola, os X vão defender e os O ocupam as posições.
    • António Martins Silva • Resultados da observação Fica clara a predominância do 4 se manteve até ao final em 2 deles, sendo alterado para 4 das segundas partes em três do 0 1 2 3 4 5 1ª parte nº de utilizações de cada sistema 0 1 2 3 2ª parte nº de utilizações de cada sistema Jogo a meio campo, com uma linha bem visível de fora de jogo, que deve ser usada pelos O e ser tida em conta pelos X. A equipa X tenta marcar na baliza normal; a equipa O tenta marcar nas balizas pequenas. Há troca de campo sempre que haja golo por parte da equipa O. Linha de fora de jogo Ataque Resultados da observação a predominância do 4-3-3, que foi sempre utilizado no início dos jogos e que final em 2 deles, sendo alterado para 4-4-2 no início ou no decorrer das segundas partes em três dos jogos observados. 1ª parte 4.3.3 4.4.2 2ª parte 4.3.3 4.4.2 Jogo 7x7 Jogo a meio campo, com uma linha bem visível de fora de jogo, que deve ser usada pelos O e ser tida em conta pelos X. A equipa X tenta marcar na baliza normal; a equipa O tenta marcar nas balizas pequenas. Há troca de campo sempre que haja golo por parte da equipa O. Linha de fora de jogo Página 11 cio dos jogos e que cio ou no decorrer Jogo a meio campo, com uma linha bem visível de fora de jogo, que deve ser usada pelos O e ser tida em conta pelos X. A equipa X tenta marcar na baliza normal; a
    • António Martins Silva Página 12 Dinâmica defensiva • Ideia do treinador “Pressão na bola em três situações 1- pressão no portador da bola; 2- recuar o bloco aos 60 metros; 3- definir zonas de pressão”; “ O bloco pode estar mais alto ou mais baixo em função do adversário”; “Pode haver jogadores que não me interessa que defendam”. • Exercícios utilizados Objectivo - tentar fazer chegar a bola de um Joker ao outro. Princípios presentes • Manutenção da posse de bola • Pressão por parte da equipa que não tem posse de bola • Movimentações constantes para facilitar o passe
    • António Martins Silva Página 13 Jogo formal 9x9 A equipa X ataca só num sentido, com o intuito de manter a posse de bola. A equipa O tenta, com pressão forte, ganhar a posse de bola. Se o consegue, pode atacar qualquer das balizas e fazer golo, ao contrário da equipa que só mantém a bola, que não efectua a finalização. • Princípios de campo grande/pequeno • Pressão da equipa que defende • Transição defesa/ataque e ataque/defesa Sentido da equipa, que só mantém a bola. Jogo 8x8 • Equipa que perde a bola baixa o bloco • Noção de fecho de linhas de passe e recuo das linhas defensivas • Grande pressão no meio campo defensivo • Duas estruturas diferentes em jogo
    • António Martins Silva Página 14 • Resultados da observação Dos jogos observados a equipa entrou, em 3 deles, em bloco alto, fazendo pressão ao portador e fechando linhas de passe. Nos restantes 2 jogos, a equipa utilizou o bloco baixo. Em ambas as situações foi visível uma alternância de bloco, ora alto ora baixo. Foram observadas atitudes de contenção no último terço do terreno, ao que se juntavam apoios por parte de jogadores próximos da zona da bola para ajudar na sua recuperação. A equipa faz baixar todas as suas unidades, excluindo o ponta de lança. Há, como se pode constatar, uma correspondência entre as ideias os exercícios e o que acontece no jogo neste plano. A equipa consegue realizar as acções idealizadas pelo seu treinador. Jogo 7x7 Jogo a meio campo, com uma linha bem visível de fora de jogo, que deve ser usada pelos O e ser tida em conta pelos X. A equipa X tenta marcar na baliza normal; a equipa O tenta marcar nas balizas pequenas. Há troca de campo sempre que haja golo por parte da equipa O. Linha de fora de jogo Ataque
    • António Martins Silva Página 15 Dinâmica ofensiva • Ideia do treinador “Procurar o homem livre, o espaço…” “Ter a bola, tomar a iniciativa” “Com espaço driblar” “1x1 e 2x1 - técnica” • Exercícios utilizados Objectivo - tentar fazer chegar a bola de um Joker ao outro. Princípios presentes: • Manutenção da posse de bola • Pressão por parte da equipa que não tem posse de bola • Movimentações constantes para facilitar o passe
    • António Martins Silva Página 16 Situação 3x2 Após o 1º passe para o ponta de lança (que se encontra marcado por um defensor), que o devolve ao extremo, sobem os três ( 1 ponta mais 2 extremos) para atacar uma baliza agora defendida por dois jogadores defensores - o defensor inicial e um que se junta. Jogo de posse de bola: • A bola não pode sair do espaço delimitado • Há bolas a entrar constantemente sempre que uma saia do espaço • O jogo não pára • Os Jokers ajudam a equipa com posse de bola
    • António Martins Silva Página 17 • Resultados da observação Os jogadores tomam a iniciativa do jogo, tentam sempre ter a posse da bola. Realizam uma circulação abundante e rápida, embora nem sempre eficaz. O último passe é o que menos sucesso obtém. Há jogadores a efectuar o 1x1, sobretudo no meio campo ofensivo, não sendo isolada a situação em que um dos centrais sobe com a bola controlada após 1x1 com um atacante rival. O 1x1 é mais eficaz nos corredores laterais que no corredor central. Nota-se que a equipa procura o espaço e também o cria, através de movimentações permanentes, sendo de realçar a movimentação do médio ofensivo, que não tem uma Campo dividido em dois: 1. Um jogo de 5+5x5 a dois toques com pressão, manutenção da bola e circulação da mesma. 2. Trabalho de finalização. Cada jogador remata 4 bolas em cada zona. Os jogadores vão rodando. - Jogador de outra equipa Situação 3x3 Após passe de um dos treinadores para o ponta de lança, desenvolve-se uma situação 3x3. Coach
    • António Martins Silva Página 18 zona fixa e entra tanto entre linhas como na linha do ataque. Ainda na busca desse espaço, os médios defensivos abrem nas alas para criar espaço para a entrada do central ou do médio ofensivo. Os extremos estão bem abertos. Verifica-se o campo grande na fase ofensiva. Verifica-se já alguma congruência entre todo o processo de ideia, treino e aplicação real. No entanto, há ainda alguma imaturidade táctica e uma notória falta de oportunidade nas acções individuais. Ressalta a ideia de que os princípios já lá estão, mas o trabalho ofensivo é ainda confuso.
    • António Martins Silva Página 19 2- Transições • Ideia do treinador “Existem algumas ideias, sem definir uma ou outra” “Dou privilégio à leitura e a decisão no jogo” • Exercícios utilizados Jogo 7x7 Jogo a meio campo, com uma linha bem visível de fora de jogo, que deve ser usada pelos O e ser tida em conta pelos X. A equipa X tenta marcar na baliza normal; a equipa O tenta marcar nas balizas pequenas. Há troca de campo sempre que haja golo por parte da equipa O. Linha de fora de jogo Ataque
    • António Martins Silva Página 20 Jogo 8x8 • Equipa que perde a bola baixa o bloco • Noção de fecho de linhas de passe e recuo das linhas defensivas • Grande pressão no meio campo defensivo • Duas estruturas diferentes em jogo Jogo formal 9x9 A equipa X ataca só num sentido, com o intuito de manter a posse de bola. A equipa O tenta, com pressão forte, ganhar a posse de bola. Se o consegue, pode atacar qualquer das balizas e fazer golo, ao contrário da equipa que só mantém a bola, que não efectua a finalização. • Princípios de campo grande/pequeno • Pressão da equipa que defende • Transição defesa/ataque e ataque/defesa Sentido da equipa, que só mantém a bola.
    • António Martins Silva Página 21 • Resultados da observação Na observação teve-se em conta as duas fases da transição, a transição defensiva e ofensiva. Na primeira, observa-se um recuo-o do bloco defensivo, uma pressão imediata no portador da bola e o fecho de linhas de passe para retardar e dificultar quer a transição rápida, quer a construção por parte da equipa adversária. Verifica-se ainda uma orientação em função da bola de toda a equipa do lado da bola, e um fecho em espaço no lado oposto. Na transição ofensiva não se verificam zonas nem jogadores alvo para este momento do jogo. A equipa, ou lança directo para um jogador extremo, ou faz circular com calma a bola, iniciando a construção em jogo apoiado e indirecto. As ideias do treinador em relação às fases de posse e não posse de bola (ataque e defesa) estão muito presentes nos momentos de transição. A transição defensiva é mais visível e os comportamentos dos jogadores mais sincronizados. Ao invés, na transição ofensiva não se verificam movimentos padrão, zonas ou jogadores alvo previamente incumbidos deste momento do jogo.
    • António Martins Silva 3- Momentos do ataque (construção, preparação para situações de finalização, situações de finalização e finalização) • Ideia do treinador: “Momentos do ataque, trabalho O treinador não especifica o trabalho que efectua neste ponto. Ficou a impressão que o faz de uma forma global, sem separar nenhum dos momentos do ataque. • Exercícios utilizados: Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor direito ou esquerdo) e, após deslocamento em profundidade por parte do extremo, este realiza um cruzamento (passe) para a área. Tentam finalizar dois ponta de lança. Momentos do ataque (construção, preparação para situações de finalização, situações de finalização e finalização) trabalho-os todos…” O treinador não especifica o trabalho que efectua neste ponto. Ficou a impressão que o sem separar nenhum dos momentos do ataque. Exercícios utilizados: Combinação ofensiva 1 Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor direito ou esquerdo) e, após deslocamento em profundidade por parte do extremo, este realiza um cruzamento (passe) para a área. Tentam finalizar dois Página 22 Momentos do ataque (construção, preparação para situações de O treinador não especifica o trabalho que efectua neste ponto. Ficou a impressão que o sem separar nenhum dos momentos do ataque. Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor direito ou esquerdo) e, após deslocamento em profundidade por parte do extremo, este realiza um cruzamento (passe) para a área. Tentam finalizar dois médios e o
    • António Martins Silva Após 6 passes no interior passe para o ponta de lança, que coloca no médio ofensivo. Este faz a bola ir até ao corredor lateral, de onde o extremo realiza o cruzamento (passe). Tentam finalizar os 3 médios, o ponta de lança O guarda-redes, sempre que consiga defender, tenta colocar a bola numa das balizas laterais, que se encontram na zona do meio campo. Situação idêntica à primeira, mas com um passe do extremo para o lateral do mesmo corredor, após o passe do médio interior desse lado. Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor direito ou esquerdo), o extremo devolve o passe ao médi bola no mesmo corredor, mais à frente, de onde conduz para cruzar (passar) para a área. Tentam finalizar os dois médios e o ponta de lança. Combinação ofensiva 4 Após 6 passes no interior do espaço delimitado no centro do terreno, é efectuado um passe para o ponta de lança, que coloca no médio ofensivo. Este faz a bola ir até ao corredor lateral, de onde o extremo realiza o cruzamento (passe). Tentam finalizar os 3 e o extremo oposto. redes, sempre que consiga defender, tenta colocar a bola numa das balizas laterais, que se encontram na zona do meio campo. Combinação ofensiva 3 Situação idêntica à primeira, mas com um passe do extremo para o lateral do mesmo corredor, após o passe do médio interior desse lado. Combinação ofensiva 2 Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor direito ou esquerdo), o extremo devolve o passe ao médio interior, que lhe coloca a bola no mesmo corredor, mais à frente, de onde conduz para cruzar (passar) para a área. Tentam finalizar os dois médios e o ponta de lança. Página 23 do espaço delimitado no centro do terreno, é efectuado um passe para o ponta de lança, que coloca no médio ofensivo. Este faz a bola ir até ao corredor lateral, de onde o extremo realiza o cruzamento (passe). Tentam finalizar os 3 redes, sempre que consiga defender, tenta colocar a bola numa das balizas Situação idêntica à primeira, mas com um passe do extremo para o lateral do mesmo Após 3 passes na zona central é efectuado um passe para uma zona lateral (corredor o interior, que lhe coloca a bola no mesmo corredor, mais à frente, de onde conduz para cruzar (passar) para a
    • António Martins Silva 1- Manter a posse de bola e efectuar triângulos de linhas de passe. Os Jokers são centrais e laterais; os restantes jogadores são jogadores da linha média. 2- 3 laterais contra 3 avançados ( dois extremos e um ponta de lança). Trabalho de pressão dos avançados, dos colegas. 3- Ataque posicional: o guarda tentara fazer golo, ou directo, ou com jogada com os colegas de ataque. Se os defesas conseguirem anular e recuperar a bola, tentam eles fazer golo. 3 1 2 Situação em tudo idêntica, com a diferença que, se a jogada dos 6 passes terminar numa lateral, é esse jogador que efectua o passe para o extremo e sobe nas suas costas, para receber e cruzar a bola que vem do médio ofensivo, após este a ter recebido a passe do extr extremo oposto. Jogo 3+3x3 Manter a posse de bola e efectuar triângulos de linhas de passe. Os Jokers são centrais e laterais; os restantes jogadores são jogadores da linha média. 3 laterais contra 3 avançados ( dois extremos e um ponta de lança). Trabalho de pressão dos avançados, fechos das linhas de passe e recuo aquando da pressão de um Ataque posicional: o guarda-redes do ataque lança a bola para um dos avançados que tentara fazer golo, ou directo, ou com jogada com os colegas de ataque. Se os defesas anular e recuperar a bola, tentam eles fazer golo. Combinação ofensiva 5 m tudo idêntica, com a diferença que, se a jogada dos 6 passes terminar numa lateral, é esse jogador que efectua o passe para o extremo e sobe nas suas costas, para receber e cruzar a bola que vem do médio ofensivo, após este a ter recebido a passe do extremo. Tentam finalizar 2 médios, o ponta de lança e o Página 24 Manter a posse de bola e efectuar triângulos de linhas de passe. Os Jokers são centrais 3 laterais contra 3 avançados ( dois extremos e um ponta de lança). Trabalho de fechos das linhas de passe e recuo aquando da pressão de um redes do ataque lança a bola para um dos avançados que tentara fazer golo, ou directo, ou com jogada com os colegas de ataque. Se os defesas m tudo idêntica, com a diferença que, se a jogada dos 6 passes terminar numa lateral, é esse jogador que efectua o passe para o extremo e sobe nas suas costas, para receber e cruzar a bola que vem do médio ofensivo, após este a ter emo. Tentam finalizar 2 médios, o ponta de lança e o
    • António Martins Silva • Resultado da observação: Os momentos do ataque observados serão apresentados sob a forma de gráfico em função das combinações ofensivas detectadas em jogo. A fase de construção foi sempre efectuada através de duas soluções: central para tabela com algum médio e posterior colocação ou circulação pelos corredores com abertura dos médios defensivos para criar espaço “vagueando” o médio ofensivo entre linhas ou incorporando o ataque desequilíbrios e linhas de passe. Fase de preparação para situações de finalização duas soluções, ou as tabelas corredores laterais para subida dos extremos ou laterais. 0 5 10 15 20 25 nº de utilizações de cada combinação 1- Um jogo de 5+5x5 a dois toques com pressão, manutenção da bola e circulação da mesma. 2- Trabalho de finalização. C vão rodando. - Jogador de outra equipa Resultado da observação: Os momentos do ataque observados serão apresentados sob a forma de gráfico em s ofensivas detectadas em jogo. foi sempre efectuada através de duas soluções: central para tabela com algum médio e posterior colocação da bola numa faixa lateral, circulação pelos corredores com abertura dos médios defensivos para criar espaço “vagueando” o médio ofensivo entre linhas ou incorporando o ataque, no intuito de criar desequilíbrios e linhas de passe. o para situações de finalização - nesta fase foi notória a busca de duas soluções, ou as tabelas 2x1 pelo centro do terreno, ou colocação da bola nos corredores laterais para subida dos extremos ou laterais. Comb. 1 Comb. 2 Comb. 3 Comb. 4 Comb. 5 Campo dividido em dois: Um jogo de 5+5x5 a dois toques com pressão, manutenção da bola e circulação da Trabalho de finalização. Cada jogador remata 4 bolas em cada zona. Os jogadores Jogador de outra equipa Página 25 Os momentos do ataque observados serão apresentados sob a forma de gráfico em foi sempre efectuada através de duas soluções: - ou subida do da bola numa faixa lateral, circulação pelos corredores com abertura dos médios defensivos para criar espaço, no intuito de criar foi notória a busca de colocação da bola nos Um jogo de 5+5x5 a dois toques com pressão, manutenção da bola e circulação da ada jogador remata 4 bolas em cada zona. Os jogadores
    • António Martins Silva Página 26 As situações de finalização respeitam os passos anteriores: ou eram fruto de combinações na ala, ou resultado de tabelas 2x1 pelo centro, preparando os finalizadores quer para o remate de fora quer para uma finalização resultante de um cruzamento. A finalização compreendia o remate de fora ou o remate após cruzamento, sendo este de cabeça ou com os pés, dependendo da zona de finalização e da altura do passe. A complexidade do jogo ofensivo desta equipa é visível pelo número de combinações trabalhadas. O ataque sempre foi, e será, a fase mais complexa e difícil do jogo de futebol, pelo que o automatismo assumiu grande parte do reportório dos jogadores. No entanto, verifica-se nesta equipa uma tentativa de busca de soluções em função do desafio que lhe é apresentado. O recurso às situações trabalhadas é observado com frequência, mas também é observado um sem número de derivações destas mesmas situações, fruto de tomadas de decisão em função da situação com que se depara o jogador num determinado momento.
    • António Martins Silva Página 27 Conclusões Como referido anteriormente, era propósito deste trabalho estabelecer uma relação de congruência, ou não, entre as ideias do treinador, do seu “jogar”, as formas de o conseguir e os resultados desse trabalho, visíveis em situação real de jogo. Após as análises efectuadas aos resultados, podemos constatar que essa congruência existe e a filosofia primária do treinador esta já, nesta fase da época, bem presente na maioria das acções da equipa. No que respeita aos sistemas tácticos utilizados, é notória a prevalência do 4-3-3, o sistema estrutural eleito pelo treinador, não deixando de ir introduzindo o 4-4-2, o que representa, por um lado, a manutenção de uma identidade, por outro, o enriquecimento táctico, quer do grupo, quer dos jogadores individualmente, o que trás mais valias ao nível da sua formação e mais recursos ao nível da competição, podendo o grupo mais facilmente ajustar-se aos diferentes adversários e realidades. A dinâmica defensiva da equipa está já muito próxima também da ideia do seu treinador. O bloco alto pressionante e o bloco baixo aparecem em jogo em função do adversário e/ou situação de desgaste fisiológico. Observou-se também uma série de comportamentos (baixar o bloco, fechar linhas de passe, a pressão ao portador da bola) por ele idealizados e trabalhados. A dinâmica ofensiva apresenta algumas noções da ideia do seu treinador, embora ainda um pouco pobre em termos da sua plenitude. Há a busca do 2x1 e do 1x1, há uma abertura clara das linhas de passe, circulações rápidas e pelos 3 corredores. No entanto, muitas vezes as jogadas não têm conclusão, sendo ainda uma acção um pouco confusa. Quando falamos em transições é bem visível que, no que respeita à sua vertente defensiva, a equipa consegue muito bem praticar a ideia do seu treinador. Já na sua vertente ofensiva não se detectaram zonas ou jogadores pré-determinados para este momento do jogo. Quanto aos momentos do ataque, o treinador afirmou que os trabalha todos, e pela observação dos treinos conclui-se que sim, que o faz de uma forma muito integrada com o uso das combinações. O momento mais trabalhado de uma forma mais analítica terá sido a finalização. As principais ideias do treinador estão já presentes nestes momentos: as tabelas constantes, a busca dos espaços, a subida do central (fase de construção), as circulações
    • António Martins Silva Página 28 rápidas pelos três corredores do ataque, o uso do passa e vai, a colocação da bola nos corredores laterais após circulação no central (preparação para situações de finalização), o 2x1 e 1x1, os cruzamentos/passes laterais (situações de finalização) e a busca continuada do golo com remates de fora e aproveitamento dos cruzamentos/passes laterais (finalização). Ressalta que toda esta dinâmica está ainda longe do pretendido pelo seu treinador, que, mais que criar automatismos, pretende que os seus jogadores consigam analisar e decidir em função do problema ou situação que se lhes apresenta. Como foi possível recolher, através dos treinos, é vasto o reportório táctico que o treinador quer oferecer aos seus jogadores e isso leva o seu tempo. O facto desta observação ter sido feita na última semana de Setembro e durante todo o mês de Outubro pode justificar a imaturidade e a pouca consolidação destes aspectos tácticos. O tempo de trabalho era ainda curto para que se pudessem observar estes comportamentos mais complexos do ataque e toda a sua dinâmica. Acrescente-se que era o primeiro ano em que este treinador trabalhava com este grupo. Uma boa parte dos golos obtidos durante o período de observação resultou de esquemas tácticos (também chamados lances de estratégia) todos eles trabalhados semanalmente. Há ainda a destacar que o trabalho técnico era uma constante nos treinos, sobretudo na sua fase inicial, o que, mais uma vez, condiz com as ideias do treinador. Em suma, existe uma congruência entre o que pensa, o que faz e o que depois acontece.
    • António Martins Silva Página 29 Anexo I Ficha de observação 1- Sistemas tácticos, sistemas tácticos a defender e a atacar
    • António Martins Silva Página 30 Ficha de observação 2- Transições (defensivas e ofensivas)
    • António Martins Silva Página 31 Ficha de observação 3- Momentos do ataque (construção, preparação para situações de finalização, situações de finalização, finalização)
    • António Martins Silva Página 32 Ficha de observação 4- Observações aos itens 1,2,3.
    • António Martins Silva Página 33 Anexo II Entrevista a Patrick Greveraars Treinador dos sub19 do F. C. Porto 20/09/07 Qual é a sua filosofia de jogo? Eu tenho uma filosofia minha que tento implementar agora no FCP como treinador dos sub19. Para mim, o jogo é 1x1 ou 2x1 algures no campo, ou tens um jogador livre ou não tens. Eu quero que eles pensem nas melhores soluções perante estes cenários, no futebol o jogo muda a cada segundo, por isso eles têm de reconhecer no campo se há ou não um jogador livre. Se o homem está livre eu quero que ele conduza. Se ele conduzir vai ter um outro homem livre no meio ou à frente. Isto vai fazer com que haja desorganização, nenhum defesa o vai deixar chegar a 6 metros e chutar à vontade. E então aparece o 1x1. É aqui que entra a técnica. Por isso temos um treinador de técnica também vindo do PSV. Em resumo, quero que encontrem o homem livre (vão passando a bola até encontrarem) e ele terá de decidir, será confrontado com a situação. Isto com bola. E agora sem bola? Pressão na bola. Pressão alta. Considero 3 situações: - 1º, quero que façam pressão no portador da bola, porque esta é a mais difícil e da que podemos retirar mais dividendos, porque torna difícil o adversário decidir, e obriga-o a jogar para trás, por exemplo. 2º, fazer recuar o bloco para os 60 metros, 3º, definir zonas de pressão. Toda a equipa faz essa pressão? Sim. Mas depende muito do adversário, podemos jogar mais em cima ou mais em baixo e até directo se for caso disso depois. Tento explicar aos meu jogadores que, se há um deles que não é tão bom defensivamente mas que tem mais-valias atacantes, dependendo do jogo, pode eventualmente não trabalhar tanto na fase defensiva.
    • António Martins Silva Página 34 Em relação aos momentos do jogo, como a construção, a preparação de situações de finalização, as situações de finalização, a finalização e as transições ofensivas e defensivas, como as trabalha? Eu trabalho-as todas, mas na minha filosofia faço-o por partes. Gosto de trabalhar um pouco de resistência 10’,15’, 20’ porque se quero que driblem, façam pressão resolvam um 1x1, têm de estar preparados. Nas transições, têm zonas delimitadas para o fazer? Temos várias soluções. Eles têm de pensar o jogo porque ele muda constantemente. Dou-lhes algumas ideias mas têm de ser eles a decidir. Mas têm jogadas previamente definidas? Tento mostrar-lhes todas as possibilidades. Hoje mostrei cinco, amanhã mostro outras tantas e assim…às vezes coloco-lhes 6 defesas, outras 4, outras com pressão, outras sem pressão, e em todas elas há inúmeras possibilidades. Quero que eles reconheçam qual é a melhor opção para aquela situação. Pretende guiá-los à solução? Sim…não quero que joguem como robots onde estão estáticos nas suas zonas e as jogadas são sempre as mesmas. Temos algumas combinações, mas quero sempre que pensem o jogo, e pergunto-lhes em determinada situação: “O que fazes?” Se queremos manter a posse de bola, às vezes pode ser necessário jogar até para o guarda-redes. A principal linha da sua filosofia é manter a bola? Não, é fazer golos, mas se não dá vamos manter a bola, e quero ter a iniciativa do jogo mesmo sem bola porque assim nós decidimos “ler o jogo”. É disto que se trata com, e sem bola, “ler o jogo”. E ter qualidade técnica. Se formos bons no passe, pomos a bola onde queremos, e é isso que quero que consigam. As capacidades condicionais, como as trabalham? Trabalho quer com bola quer sem bola. Também acredito que se pode fazer tudo com bola, em jogos e outras actividades, mas há a mentalidade dos jogadores. Depende de mim controlar que em qualquer exercício eles dêem o máximo, tenham a mesma carga física, não se escondam. Se não controlas isto não és um bom treinador. Às vezes é bom
    • António Martins Silva Página 35 pegar nos jogadores e dar uma corrida sem nexo porque eles não gostam e eles têm de perceber que no jogo há coisas que eles não gostam mas têm de fazer. Usa apenas uma estrutura/sistema táctico ou mais que um? O principal é o 4-3-3. A questão não é o sistema, é como ele é interpretado, como o articulamos. Existem muitas variações. O importante é que eles percebam onde há espaço e como tirar partido desse espaço. O importante é a dinâmica, sem isso não se pode jogar. Sistematizamos um pouco, mas eu quero que eles leiam. Mas assim fica difícil operacionalizar, com tantas variações… Talvez para ti seja difícil, eu poderia dar-te algumas ideias de coisas que eu gosto, mas às vezes não é possível. O “caso Mourinho” é o exemplo da operacionalização, mesmo com dois sistemas. O modelo é a estrela, é isso que ele treina e operacionaliza. Não havendo nada de fixo e predeterminado, como consegue operacionalizar? Eu faço o mesmo. (…) Nós jogamos num 4-3-3 mas é importante para os jogadores jogar em vários sistemas, passar por várias experiências, aprender coisas diferentes. Na minha filosofia, esta forma de trabalhar (mudando de posições, aprendendo a defender a atacar o 1x1) seria até aos 15/16 anos, depois partiríamos para um trabalho mais de sistema, mas aqui no Porto eles ainda não têm esse nível. Para mim, o futebol juvenil é mais especializar qualidades e não sistemas. Depois dos 19 anos o jogador será especializado numa posição, porque o treinador só joga num sistema e será na posição em que render mais que será colocado. Estou a defender a formação. Aqui no FC Porto temos um treinador de técnica que trabalha uma vez por semana com cada equipa. Numa equipa profissional talvez não tivesse tanta importância, talvez só a nível individual para alguns jogadores. Falemos agora de liderança. Como se define como líder? Eu digo-te como trabalho, tu dizes-me que tipo de líder sou. O que eu quero é que eles percebam que, se querem ser profissionais, têm de ser bons, e isso é com eles, ninguém lhes dará nada, têm de trabalhar para isso. Falamos muito
    • António Martins Silva Página 36 sobre isto nos treinos, nos balneários, em casa para os internos, na rua. Acho importante socializar, a parte afectiva. Não devemos dizer só o que fazer, embora seja esse o nosso papel como treinadores, mas ouvi-los também. Às vezes estou contigo, outras contra ti, é possível? Claro, sem problema. Não podemos ser sempre democratas, gosto que eles falem uns com os outros, que encontrem soluções uns com os outros, mas há regras, 3 regras: 1ª dar tudo no treino/jogo; 2ª olhar sempre para ti primeiro e como podes resolver a situação antes de falares com e dos outros; 3º … Como, e em que circunstâncias, castiga os seus jogadores? Eu inicialmente faço um plano com eles. Há um plano colectivo mas também individual. Individualmente, apresento-lhes um quadro com círculos, onde eles vão colocar num deles os seus objectivos (um contrato, ser um grande jogador, jogar na equipa profissional…) e no final colocar o seu “sonho”. Afinal é para isto que ele trabalha. Depois, um círculo onde coloca todas as suas virtudes, e questiono-o sobre essas virtudes, que vamos revendo ao longo das semanas: ou os chamo ao escritório, ou vou ter com eles. Num outro círculo eles vão descrever no que não são bons - aqui eles têm medo, porque pensam que os posso afastar por isso, ou por medo de mostrar as fraquezas, e aqui também os faço ver que os posso ajudar, que esse é o meu trabalho. Sou, de um modo geral, democrático e amistoso, mas há regras e aí não facilito. A forma como os castigo depende também de quem se trata. Há que conhecer o grupo e saber o que os fará perceber que erraram e que não quero aquele comportamento. Prefere ser agressivo no início e depois ser mais amistoso? Depende. Prefiro ser amistoso, mas é um jogo. Tenho de conhecer o grupo para saber como lidar. Se tiver de ser duro serei. Às vezes engano-me e não tenho medo de dizer que falhei, comunico muito com eles, e explico tudo e porque o faço. Há treinadores que não explicam porque não jogam os jogadores. Acho mal, se um jogador não joga 4 ou 5 vezes tenho de lhe explicar porquê. Em situações de treino como usa os reforços positivos ou negativos? Depende do jogador, cada um é único e diferente. Algumas regras são para todos, mas nos exercícios quero que eles estejam concentrados e confronto-os com os erros, tendo soluções. Quando descobrimos uma incapacidade ou uma deficiência, eu envolvo-me
    • António Martins Silva Página 37 no processo, pergunto-lhe “então queres melhorar? O que temos de fazer? Quando começamos?” Faço uma pressão. “Em que altura é que achas que estarás melhor?” Dou-lhes um tempo no final dos treinos, se quiserem, para melhorar essa lacuna, pergunto se precisam de mim, eles escolhem. Se for preciso estou lá. Explico-lhe que se quer ser bom, tem mesmo de trabalhar, mesmo que não goste, ou faz ou não. Não sou muito amigo; eu pressiono-os, a responsabilidade é deles…quando me apercebo que algum deles não está a corresponder com aquilo que descreveu no círculo, chamo-o e pergunto-lhe “ então não queres ser um jogador de topo? O que tens feito para isso? Nada. Olha, não falo mais contigo, não quero mais saber deste teu projecto…” e por vezes até rasgo o plano que ele fez. Isto é pressão, não é ser amistoso. Mas o que faz quando um jogador tem um mau comportamento? Se não está a trabalhar no limite: “Fora! Não trabalhas mais com a equipa, ficas a correr fora do campo”, e ainda o provoco: “queres treinar com bola? Pois, mas hoje não, se não queres treinar a 100%.” Ou ponho-os a fazer coisas para a equipa. Eles não gostam de ser embaraçados perante a equipa. Uso também a punição do grupo por alguém fazer asneira… para que depois do treino eles conversem… Raramente castigo só um jogador. Quero implementar um espírito forte de grupo. Por exemplo, são 25 jogadores, mas só 18 podem jogar ou ficar no banco, mas vêm todos ao balneário, ouvem o que se vai fazer e levam papel e caneta para escrever ao longo do jogo aquilo que acham que não correu bem ou que correu bem aos colegas. Se fosse treinador da 1ª equipa, perguntaria aos jogadores não convocados o que acharam desta e daquela situação. Nunca sabem nada, só vão para a conversa, não se concentram nas coisas. Na plateia podemos aprender, mas isso eu explico aos meus. Todos os treinos estão sempre descritos no balneário, não lhes explico quase nada dos exercícios no campo. Antes do último treino fica no quadro quem são os titulares, os suplentes e quem não vai a jogo. Por vezes no treino retiro-os ou dos 1ºs 11 ou dos 1ºs 18 e vão para os 25. Eu quero que eles venham ter comigo se não perceberem os exercícios. No campo digo “vamos começar” e eles têm de saber o que fazer ou então perguntam. Acho que têm medo de falar com o treinador principal. No ano passado ele não falava com os
    • António Martins Silva Página 38 jogadores, deixava ao cargo do adjunto as informações, como quem joga, quem vai ao banco ou quem fica de fora. Como é que se pode trabalhar assim? Acho importante que eles saibam quem vai jogar para se prepararem para o jogo. Durante a semana misturo-os todos nos exercícios, mas na sexta faço essa distinção. Já retirei um jogador dos 1ºs 11 por estar a individualizar o jogo. Não concebo isso, nem que baixem braços só porque não receberam a bola, mesmo que seja o Ronaldinho, eles têm de perceber que senão contribuem para o grupo, o grupo não joga com ele, não ataca para ele, não defende para ele. Eles é que perdem. Se tivermos uma estrela na equipa, tipo Romário, aí temos de conversar com a equipa e faze-los ver que também não gostamos da forma como ele trabalha, mas fazer perceber que ele nos é útil. Acerca de liderança É importante que os jogadores acreditem e confiem em ti quando lhes tentas ensinar alguma coisa, não quero trabalhar com jogadores que não dêem 100%, portanto eu dou esses 100%. A confiança é muito importante, e pergunto-lhes em que circunstância é que acham que se quebra o elo de confiança. Alguns dizem “quando me tirar dos titulares”, eu questiono “mas porquê?” Eles dizem “se não me escala é porque não confia em mim.” Eu digo ”não, há algo mais, não tens as mesmas habilidades que outro jogador, mas eu continuo a trabalhar para ti, a titular ou não.” Pergunto “quando é que a confiança se vai?” Eles respondem “se nos mentir, se não for justo”. “Muito bem, se isso acontecer digam-me que eu quero explicar-vos, porque a vocês vou sempre dizer o porquê das coisas. Podem mentir-me uma vez, à segunda estão fora da equipa para sempre. Não vos quero de volta, podemos estar em desacordo, mas não mintam, não façam batota.” Muito claro. Se me obrigarem a ficar com algum jogador, eu rasgo o contrato e vou-me embora, não aceito trabalhar com jogadores sem carácter. Em Dezembro voltamos a ver os quadros com os círculos e vemos o que se conseguiu, e o que temos de melhorar mais. Garanto-lhes que continuo a trabalhar para os ajudar, sou muito honesto, se algum está longe do objectivo, também lhe digo que não vamos ter tempo para atingir esses objectivos.
    • António Martins Silva Página 39 Conversas antes e depois dos jogos O que gosto é de não ter de dizer nada, deixar no quadro só os 11. Mas neste momento não é possível, temos vários esquemas tácticos que é necessário explicar e definir. Ainda não têm autonomia para decidirem eles. Gostaria que eles preparassem o jogo, mediante aquilo que treinamos e estamos habituados a fazer. Mas por enquanto não dá. Eles gostam de ter essa iniciativa depois de perceberem a mecânica. Nós gravamos todos os jogos, faço compilações de 10 minutos, e eu vejo o jogo com eles e são eles que comentam, só lhes chamo a atenção para algumas situações. Também falo depois dos jogos. Tudo depende, se ganhamos facilmente e está um clima de troça, falo com eles. Se perdemos por 1-0 mas demos tudo, apertamos a mãos e falamos na segunda-feira, mas se não se esforçarem, aí intervenho. Cabe ao treinador controlar algum eventual conflito, cabe-me a mim dizer se continuamos a falar ou se acabou a conversa. “Agora é assim, assim e assim.” Eles só vão onde os deixas ir. Podes adoptar a posição do ditador, onde mandas. Eles obedecem por medo, mas penso que ganhamos mais e tiramos mais proveito se estivermos mais perto. Claro que é mais perigoso. É importante sentir os jogadores, ler o grupo. Se entras no balneário e estão todos aos berros porque correu mal, mando-os calar, e digo “agora estão todos nervosos e zangados, lá dentro não estavam zangados, hoje não jogaram nada, ninguém fala mais hoje, vão para o autocarro e falamos na segunda com calma.” Se algum se esticar a falar, passa a ser o meu assessor e falar sempre que eu achar, nos treinos, e no meu escritório, vai atender o meu telefone, vai fazer de secretária.
    • António Martins Silva Página 40 Referencias bibliográficas • Lourenço,L. e Illharco,F. (2007) Liderança as lições de Mourinho. Booknomics • Oliveira, B. ; Amieiro, N. ; Resende, N. ; Barreto, R. (2006) Mourinho porquê tanras vitórias?. Gradiva • Carvalhal,C. (2001) No treino de futebol de rendimento superior a recuperação é…muitíssimo mais que “recuperar”. Liminho • Bosco,C. (1999) Aspectos fisiológicos de la preparación física del futbolista. Editorial Paidotribo • Kormelink,H. e Seeverens,T. (1997) The coaching philosophies of Louis Van Gaal and the Ajax coaches. De voetbal Trainer • Araujo,J. (2000) Como formar a melhor equipa. Caminho • Oliveira,R. : Microciclo de treino: a base fundamental da planificação táctico – estratégica de um jogo de futebol, artigo do site http://www.efdeportes.com/efd109/planificacao-tactico-estrategica-de-um-jogo- de-futebol.htm