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Como identificar se os riscos em uma construção civil
 

Como identificar se os riscos em uma construção civil

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Gestão de Riscos, Gestão de Segurança, Segurança do Trabalho, OHSAS 18001

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    Como identificar se os riscos em uma construção civil Como identificar se os riscos em uma construção civil Document Transcript

    • Como identificar-se os riscos em uma construção civil? Prof. Eng. Antonio Fernando Navarro INTRODUÇÃO A pergunta pode até soar estranha, quando feita, já que em uma construção civil tem-se uma infinidade de riscos, independentemente do porte da mesma, desde que guardadas as relações de similaridade, como por exemplo, construções de prédios residenciais, construção de obras de arte especiais (pontes, túneis, viadutos), construção de contenção de encostas, entre outras. Entre todo o conjunto de construções, a construção civil de prédios ou edificações é a que mais emprega mão-de-obra, especializada ou não. Desta maneira como se identificar os riscos? Pela característica multifacetada de uma construção, envolvendo distintas disciplinas, poderão existir riscos, os quais por si só tenham uma limitada extensão quanto à gravidade ou severidade das perdas e outros onde os efeitos se multiplicam, como no caso de um desabamento de uma estrutura. Os riscos não são devidos somente a aquilo que se executa, mas também como e de que forma se executa. E aí, entre em cena a tão decantada mão-de-obra e suas qualificações, com os empresários reclamando sempre da qualificação da mão-de-obra, levantando a bandeira da eterna rotatividade dessa mesma mão-de-obra, fruto mais dos reduzidos períodos de obra e da necessidade das empresas manterem em seus quadros próprios de pessoal somente aquela estrutura mais qualificada, certamente de maior nível hierárquico – estrutura enxuta. A mão-de-obra normalmente encontrada em uma construção civil abrange categorias como: armadores (preparadores de armaduras ou ferragens inseridas em concreto), carpinteiros, pintores, ladrilheiros, encanadores, eletricistas, soldadores, montadores de esquadrias, portas, janelas, elevadores, monta cargas, entre outras atividades. Muito dessa mão-de-obra permanece na construção por um período curto, que nós denominamos de turn over ou rotatividade elevada. Também, ao sabor da demanda de mercado, há um incremento ou decréscimo de lançamentos imobiliários, com ingressos ou demissões de contingentes de trabalhadores menos qualificados. Assim, os operários passam a adquirir distintas culturas em função daquelas absorvidas em cada uma das empresas em que trabalharam. Há empresas mais cuidadosas ou com maiores predicados para projetos, outras que se voltam mais para a segurança, ainda outras que têm como diferencial a rapidez na entrega dos imóveis, aquelas que se preocupam com a qualidade dos materiais empregados, e assim segue. Não é incomum que os
    • especialistas, ao olharem para uma edificação o associem a uma construtora específica, mais pelas características e qualidade da construção. Mas, diante disso e até por detrás disso há um grande contingente de pessoas que faz com que os empreendimentos sejam erguidos. Esse enorme contingente de pessoas fica exposto ou pode provocar acidentes. É sobre isso que iremos tratar neste artigo. APRESENTAÇÃO Quando se menciona riscos durante uma construção civil é perceptível que as pessoas comecem imaginando uma construção de uma residência, e depois a construção de um prédio de apartamentos ou de um edifício comercial. Ao passarmos por muitas dessas construções pelas calçadas não nos damos conta de que muitos dos riscos existentes não só podem atingir os próprios operários da obra como também os transeuntes nas ruas e calçadas. Para evitar-se isso ou atenuarem-se os riscos as empresas dispõem de um corolário de Normas Regulamentadoras emitidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, as quais são de cumprimento obrigatório. Em muitas situações, o MTE, por falta de pessoal para isso, não fiscaliza com maior profundidade as obras e, assim, tem-se os riscos ampliados pelo descumprimento das normas e até, digamos, pela falta de uma cultura prevencionista da empresa. Uma norma, mesmo que obrigatória, é uma diretriz que as empresas devem cumprir, minimamente. As normas regem comportamentos, inclusive os relacionados com as questões de responsabilidade social. A gestão de pessoas nas organizações vem se constituindo num dos principais pontos determinantes do sucesso. A política de pessoal normalmente deve estar direcionada para os objetivos estratégicos da organização, relacionados com os resultados financeiros e o processo produtivo da empresa. Recentemente aborda-se a questão da responsabilidade social das organizações e a relevância dos resultados aí localizados para o reconhecimento da sociedade e para a sustentabilidade do crescimento empresarial. A declaração de visão ou missão de uma empresa socialmente responsável freqüentemente vai além do propósito de “lucrar” ou “ser melhor”, e especifica que a empresa procurará agregar valor a todos os envolvidos no ambiente empresarial: acionistas/proprietários, funcionários, clientes, fornecedores, comunidades, e o próprio meio ambiente.1 1 Quelhas et al, A Cultura de Segurança como resultado de um processo de liderança eficaz
    • MELO apud MESQUITA (1998) define riscos do trabalho, também chamados riscos profissionais, como sendo os agentes presentes nos locais de trabalho, decorrentes de precárias condições, que afetam a saúde, a segurança e o bem-estar do trabalhador, podendo ser relativos ao processo operacional (riscos operacionais) ou ao local de trabalho (riscos ambientais). A Norma Regulamentadora (NR) 9, considera riscos ambientais os agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho, capazes de causar danos à saúde do trabalhador. Consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como ruídos, vibrações, temperaturas extremas, entre outras; consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória nas formas de poeiras, fumos, neblinas, névoas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão; consideram-se agentes biológicos, dentre outros: bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários e vírus. Existem ainda os riscos ergonômicos, que envolvem agentes como esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso e exigência de postura inadequada (Rodrigues, 1995). Este mesmo autor menciona um outro tipo de risco de acidentes, o risco social, decorrente da forma de organização do trabalho adotada na empresa, que pode comprometer a preservação da saúde: o emprego de turnos de trabalho alternados, divisão excessiva do trabalho, jornada de trabalho e intensificação do ritmo de trabalho são apenas alguns exemplos. 2 Em uma visão simples poderíamos dizer que os riscos envolvidos em uma construção civil podem ser classificados de três modos: • Riscos Internos • Riscos Externos • Riscos Internos e Externos Por riscos internos entende-se aqueles que afetam unicamente o ambiente interno da obra, como a queda de uma ferramenta de trabalho, um acidente do trabalho, o desabamento parcial de um escoramento, ou quaisquer outros riscos que não causam reflexos no ambiente externo. 2 Medeiros et Rodrigues, apud Melo apud Mesquita: A existência de riscos na indústria da construção civil e sua relação com o saber operário
    • Entende-se por riscos externos, aqueles, como por exemplo os citados anteriormente, que afetam a propriedades, bens ou pessoas não diretamente envolvidas com a obra em questão. Por fim, os riscos são internos e externos, continuando-se com os mesmos exemplos anteriores, quando têm capacidade de causar perdas ou danos aos empregados da obra e ou empresas envolvidas e terceiros. A queda de uma ferramenta pode causar lesões em um operário e em sua queda sair do perímetro da obra e atingir terceiros. O mesmo se dá com os demais riscos enumerados. Assim, a primeira classificação, apesar de simples, abarca com o olhar mais arguto os efeitos verificados. De modo geral os riscos são sentidos em função dos efeitos provocados. Não custa dizer que o risco é uma seqüência do perigo. O trabalho em altura é um trabalho perigoso. Assim, é capaz de gerar riscos, entre os quais o de queda. O trabalho com eletricidade é um trabalho perigoso. Um dos riscos é o da eletrocussão do trabalhador. Há riscos com vários efeitos. O empreendimento resolve podar os galhos de uma árvore que se encontra próxima ao portão do canteiro de obras. Durante a poda dos galhos o operário se distrai e um desses cai sobre uma rede elétrica energizada. Essa entra em curto, que ao atingir o operário fá-lo cair da escada. Por sua vez, o curto circuito rompe os condutores e um dos cabos atinge um passante. Porém, o curto circuito atinge uma casa próxima e causa danos nos aparelhos eletrodomésticos. Ora, o que seria uma atividade simples pode causar vários riscos, como o da perda de bens materiais de terceiros, a queda com lesões no operário, o acidente com um transeunte, enfim, muitos podem ser os danos causados. Imagine-se que ao invés de uma residência o curto circuito atinja os equipamentos frigoríficos da padaria da esquina e essa fique sem resfriar. O prejuízo sofrido pelo comerciante também passa a ser conseqüência da poda de árvores. Uma causa, poda, gera muitos efeitos, traduzidas aqui por acidentes pessoais ou materiais. Em uma segunda classificação podemos dividir os riscos de acordo com as atividades desenvolvidas, segundo os princípios básicos dos perigos. Segundo essa divisão, existem perigos na realização de tarefas como: • Manuseio de ferramentas elétricas, pneumáticas ou mecânicas; • Operação com energias perigosas (ar comprimido, gases, vapores, frio ou calor excessivos, eletricidade, etc); • Operações desenvolvidas com a movimentação de cargas; • Atividades realizadas em distintos níveis de alturas; • Serviços de escavação; • Serviços em espaços confinados, entre outros.
    • Limitamos a esses perigos porque a lista poderia ser extensa. Alguém poderia dizer: esquecemos do assentamento de alvenarias externas, ou das conexões de gás canalizado ou de energização de subestações. Quem sabe os trabalhos com pintura ou solventes, os assentamentos de esquadrias, e assim segue. Um eletricista, trabalhando na montagem de um painel elétrico pode sofrer acidentes com alicates de corte ou chave de fenda durante a instalação. Um encanador pode ferir-se ao passar uma guia em uma tubulação de água. Assim, passamos a descobrir que toda e qualquer atividade humana pode e representa riscos, não necessariamente associados à execução de uma atividade. Ao passar o cartão de ponto na portaria o operário pode acidentar-se, da mesma maneira que ao pegar o ônibus no final da jornada de trabalho, retornando para casa. As ações para a redução ou eliminação dos riscos passa algumas vezes pela questão dos custos necessários. O conceito de “Custos de SMS” nunca foi muito claro, não só na literatura específica, como também nos orçamentos dos empreendimentos, por apresentar somente parte da questão. Por conta disso, e pela falta de transparência desses valores, alguns custos passaram a não ser bem percebidos e, por conseguinte, não adequadamente provisionados. Não era incomum, por conta dessa falta de provisionamento de recursos, que as margens de lucro dos negócios fossem reduzidas por conta de despesas adicionais, essas fruto de exigências contratuais, ou de exigências legais não de todo avaliadas. Inúmeros autores sempre encararam a questão dos “custos de SMS” sob a ótica dos benefícios gerados. Assim, passou a ser mais prático entender que quaisquer que fossem os custos despendidos esses seriam infinitamente menores do que os acidentes, principalmente quando dentre esses ocorressem fatalidades. Campbell, em discurso proferido no terceiro congresso americano de segurança em 1914, disse que a execução de tarefas de modo seguro era uma necessidade econômica. Esse conceito até hoje prevalece, e está contemplado no The Robert W. Campbell Award – International Award for Business Excellence through Safety, Health & Environmental Management. “Trabalho seguro é hoje reconhecido como uma necessidade econômica, e um dos movimentos mais construtivos que jamais entraram em nosso cotidiano nacional. É o estudo de fazer as coisas da forma correta e conseqüentemente é reconhecido atualmente como um dos maiores incentivos a eficiência e economia.” (Campbell, R. W., Third Safety Congress, 1914) A segurança dentro da empresa tem seus “gastos”, porém seus investimentos, muito retornáveis, pois fazem com que seus funcionários, tendo
    • qualidade de vida dentro da empresa, transmitam tal qualidade para o processo de produção. (Bruzon et al, 2005) Silva (2004) diz que o custo econômico da ocorrência de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho é gigantesco, seja no plano empresarial, nacional ou global. Estima-se que as perdas com compensação de trabalhadores, dias perdidos de trabalho, interrupção da produção, despesas médicas e outras relacionadas são da ordem de 4% do PIB mundial, possivelmente muito mais. Chiavenato (1991) também explica que, em relação aos custos dos acidentes de trabalho, cobre-se apenas os gastos com despesas médicas e indenizações ao acidentado. Existem dois tipos de custos que incidem sobre os acidentes de trabalho, são eles: custo direto do acidente, estabelecido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em que conceitua custos diretos como o total de despesas decorrentes das obrigações para com os empregados expostos aos riscos inerentes ao exercício do trabalho, como as despesas com assistência médica e hospitalar aos acidentados e respectivas indenizações, sejam estas diárias ou por incapacidade permanente. Em geral, estas despesas são cobertas pelas companhias de seguro, e o custo indireto de acidente, traduzido como aquele que envolve todas as despesas de fabricação, despesas gerais, lucros cessantes e demais fatores cuja incidência varia conforme a indústria.3 Grandes têm sido os avanços nos estudos para a compreensão dos acidentes do trabalho. No princípio, as associações eram até relativamente bem simples, associando-se o trabalhador aos seus afazeres – trabalho, procurando encontrar algo que justificasse o acidente. Mais posteriormente, nesses estudos passou-se a ligar também o meio ambiente do trabalho, ao trabalhador e a sua tarefa. Descobriu-se que com a incorporação desse terceiro vetor muitas das causas inexplicáveis passavam a ter sentido. Hoje já se sabe que há muito mais coisas a serem estudadas do que simplesmente aquelas três linhas: meio, homem, trabalho. O meio é mutável de acordo com circunstâncias da mesma forma que o comportamento humano. Uma tarefa pode ser mudada sob certas circunstâncias. Há os procedimentos que devem ser seguidos. Quando a pressa para a ser eleita como prioridade número um muitos dos procedimentos são postos de lado. Aí surgem os atalhos, que também auxiliam o surgimento dos acidentes. Ainda estamos no resumo do artigo e já percebemos que acidente é algo complexo. Quando não corretamente analisado está se dando “sorte ao azar”, ou seja, possibilitando que outros possam ocorrer. A quebra desse círculo vicioso 3 Navarro: Custos envolvidos na gestão das atividades de SMS
    • começa com o estudo de suas causas raiz ou causas básicas. Se um elo da corrente fica aberto evitam-se novas ocorrências. No estudo sobre a Percepção dos Riscos e a sua influência na redução dos acidentes do trabalho vamos discutir apenas um dos elos, que trata da “vítima” ou o trabalhador. Os acidentes do trabalho sempre foram causa de muitas preocupações por parte das empresas e governos e motivo de grandes investimentos, ocasionalmente repensados, porque a redução dos mesmos não ocorria na mesma proporção desses investimentos. A partir dessa constatação, e premidas por resultados em função da implementação de normas de gestão (NBR ISO 14001, OHSAS 18001 e outras); pelos acionistas, preocupados com a imagem da empresa e os valores das ações, e órgãos fiscalizadores, motivados pelos atendimentos médicos hospitalares e aposentadorias precoces, as empresas passaram a avaliar melhor as razões e causas dessas ocorrências de acidentes, em vista dos investimentos realizados e das boas práticas adotadas. Afora as tradicionais práticas de prevenção de riscos passaram a dar mais atenção a outras questões envolvendo os aspectos comportamentais envolvendo os trabalhadores acidentados. Prova disso que muitas das análises de acidentes passaram a incorporar informações sobre as atividades dos trabalhadores no mesmo dia ou no dia anterior à ocorrência dos acidentes, como por exemplo: a que horas o trabalhador chegou ao canteiro de obras? Qual foi o tema das orientações de segurança do dia? Qual foi a hora de início das atividades? Quem estava acompanhando os serviços? Houve a liberação das atividades? E outras questões mais. Pode parecer óbvio que a partir dessas análises e a interpretação das respostas ter-se-iam relações associando o acidente a alguém, ou pelo menos apontasse para culpado. Até então está se falando da teoria da culpa, sim, porque em todo o acidente deve haver um culpado! (SIC) Será que o objetivo das análises é apenas para conduzir ao culpado ou serviria esse para evitar novas ocorrências? As questões ou aspectos de percepção de riscos mais imediatas eram percebidos nas análises, mas e as outras não tão perceptíveis assim e igualmente importantes? 4 Visto dessa maneira, poderíamos imaginar que não há limites aos perigos e riscos em uma construção civil, porque são várias as atividades desenvolvidas. Assim, ao preparar-se a argamassa para o concreto o operário pode sofrer lesões respiratórias ou oculares. Ao montar as 4 Navarro: A percepção de riscos e sua influência na redução dos acidentes de trabalho
    • ferragens dentro das formas os operários podem sofrer lesões musculares ou cortarem-se com os arames. Como se pode agir para prevenir-se os riscos e livrar-se os operários de tantos riscos? Por mais que se faça não se pode eliminar 100% os riscos isso é uma certeza. Quando as normas regulamentadoras passaram a ter o poder de Lei, através da Portaria de número 3.214/78, já na primeira norma, a NR-1, verificava-se que o equipamento de proteção individual era a última coisa a ser entregue ao trabalhador. Inicialmente a empresa deveria eliminar os riscos. Caso não o conseguisse, deveria mitigá-los, ou atenuá-los através da instalação de equipamentos de proteção coletiva. Se nada disso desse certo a empresa forneceria os equipamentos de proteção individual, independentemente de capacitá-los adequadamente. Seguindo essa linha de raciocínio, verifica-se a olhos vistos que em todas as obras os operários portam EPIs. Por acaso seriam esses “salvo-condutos” para que os acidentes não ocorressem? Parece que não, pois que as estatísticas são desfavoráveis. Ora, verificamos que há riscos nas construções civis, também identificamos que esses podem ser classificados de distintos modos. Também passamos a saber que quando há riscos devem existir medidas de prevenção. Por fim, identificamos que mesmo com todas as medidas de prevenção os acidentes ocorrem. Neste impasse, resta-nos discutir o que nos resta fazer. Muitas são as maneiras dos operários não se envolverem com os riscos. Todavia, essas passam sempre por uma questão denominada de Percepção. Algumas fotografias apresentadas a seguir irão nos demonstrar que nem sempre a percepção é efetiva ou eficaz. Foto 1 – Arquivo apócrifo, divulgada pela Internet
    • A foto 1 apresenta um operário montando uma instalação de ar condicionado, apoiando-se sobre o equipamento, supondo que o mesmo não venha a se deslocar. Independentemente disso o faz de sem qualquer segurança física. Por acaso estará ele preocupado com sua própria segurança? Cremos que não. Talvez, quem sabe, foi solicitado a realizar a atividade de pronto e não tinha como dizer não? Foto 2- Idêntica origem da foto 1 Esta foto 2 não causa surpresa mais, vez que é comum em nossas cidades que as faxineiras fiquem limpando os vidros das janelas dessa maneira. Será que as patroas pensam na segurança de seus empregados? Será que os empregados têm a correta noção do risco que estão correndo? O que torna o fato pior é que cenas como essa são vistas várias vezes ao dia em centenas de cidades sem que nada as faça mudar.
    • Foto 3- Idêntica origem da foto 1 A imagem que temos chega a ser surreal, pelo modo com que os trabalhadores se protegem. Ambos passam a impressão de estarem preocupados com a atividade, ou seja, têm a percepção do risco, porém nada fazem para se proteger. Por outro lado vem uma dúvida: será que há condições de se instalar o equipamento de outra forma? Eventualmente essas improvisações surgem de necessidades imediatas e da falta de soluções mais práticas ou menos caras. Diante disso, pessoas são expostas, pois passam a ser mais cômodas para a solução dos problemas do que alugarse guindastes.
    • Foto 4 - Idêntica origem da foto 1 A foto 4 é uma variação sobre o mesmo tema da foto anterior. O que faz com que um operário realize um trabalho desse preso pelo companheiro apenas pelas pernas? Em algumas circunstâncias pode-se depreender que por detrás dessa situação pode existir enorme pressão para a correção de um eventual erro ou falha. Assim, a pressão pode ser a causa raiz do descumprimento de legislações que vem a favorecer o trabalhador quanto ao aspecto de sua segurança intrínseca. Vários são os fatores sob o ponto de vista de aspectos psicológicos e ou psiquiátricos que podem afetar os seres humanos, envolvendo-os, direta ou indiretamente na ocorrência de acidentes do trabalho. Alguns desses podem ser devido a: • • • • • • • • • • • • • • Abuso de drogas; Acidentes; Angústias; Ansiedade; Compulsões; Culpas; Dependências químicas e outras; Doenças; Fatores ambientais; Fatores genéticos; Fatores traumáticos; Fobias; Hábitos; Histerias;
    • • • • • • • • • • • • • • • • Humor; Manias; Medos; Obsessões compulsivas; Rotinas; Stress; Transtornos comportamentais; Transtornos de pânico; Transtornos de personalidade; Transtornos obsessivos compulsivos; Traumas emocionais; Traumas físicos; Traumas psicológicos, entre outros; Uso contínuo de medicamentos; Uso de drogas. Como podem esses fatores desencadear um desequilíbrio emocional que possibilite que o trabalhador se acidente? Estudos realizados em indústrias demonstram que o stress contínuo, pressões para que seja concluída a tarefa ou reduções de custo, inclusive com a possibilidade de demissões coletivas podem ser fatores que rompam o equilíbrio emocional dos trabalhadores. Inúmeros são os processos de motivação de pessoas e mesmo animais, empregados de acordo com as espécies e os fins a que se propõem. Há motivações, ou a criação de climas motivacionais para a guerra, como os kamikazes japoneses que lançavam seus aviões lotados de munição contra os navios americanos, ou os terroristas que se auto explodem com enormes cargas de dinamite para atingir populações ou prédios públicos, motivações para a paz, como Gandhi, motivações para o trabalho e mesmo motivações para uma partida de futebol. O trabalhador pode ter ou não uma adequada percepção de que se realizar suas atividades seguindo orientações pré-estabelecidas pode alcançar como resultado, a conclusão de suas tarefas, sem ter sofrido acidentes. Qual será esse tipo de estímulo ou motivação? Poderá o trabalhador buscar alterar suas rotinas, conceitos e métodos para atingir alvos os quais não são perfeitamente identificados? Deve-se estabelecer como premissa que se reconhece que os estímulos somente devem ocorrer quando a cultura das pessoas ainda não é suficientemente estruturada para que essas possam espontaneamente realizar suas tarefas de maneira segura sem que seja necessário nenhum tipo de estímulo, incluindo-se aqui um dos mais importantes: “o muito obrigado”.
    • Não se deve generalizar que as premiações devem ser eleitas como prioritárias em detrimento das obrigações dos trabalhadores, aqui implicitamente denominados “valores”. Devolver-se uma carteira de dinheiro recheada de dinheiro não é razão para premiações, pois se trata de uma obrigação. Nas atividades de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, doravante, SMS, inúmeras são as obrigações estabelecidas para os trabalhadores, a fim de que cumpram com segurança suas atividades. Antes de mais nada, devem conhecer os procedimentos, processos, estar inteirados de suas obrigações, entre outros. Porém, mesmo que saibam efetivamente todas essas questões, em alguns momentos, e sob determinadas circunstâncias, ficam mais expostos a serem vitimados por acidentes. São os fatores estressores, o ambiente, falhas ocorridas com os equipamentos, eventuais distrações pelos motivos mais variados possíveis, e mesmo por razões intencionais, algumas vezes motivadas mais por insatisfações pessoais ou não do que pela simples intenção de descumprir as ordens recebidas. Neste caso estar-se-á falando de orientações recebidas, de abordagens feitas pela fiscalização da empresa, entre outras causas.5 Foto 5: Arquivo pessoal de AFANP Em uma situação aparentemente crítica para muitos, um operário sozinho prepara as ferragens de uma caixa separadora de água e óleo, despreocupado com os riscos que corre. Sua descida ao local se deu por uma pequena escada de madeira. Ele se encontra em pé sobre tábuas presas à própria ferragem por “pernas de madeira” de 3”X3”. Nem ele e nem seu encarregado estão 5 Navarro: Mudando culturas de SMS: prevenção, motivação ou sinergia de ações?
    • muito preocupados com as questões de riscos. Ao ser entrevistado o trabalhador informa que estava concluindo uma tarefa e que não havia risco qualquer para ele. Será? Foto 6: Arquivo pessoal de AFANP Este carpinteiro, a quinze metros de altura, conclui o fechamento da forma de uma coluna, na extremidade de um prédio. Sua preocupação no momento é concluir a atividade para a concretagem que ocorrerá à tarde. Nesse momento, sequer utilizava cinto de segurança preso a algo que suportasse sua queda. Nesse caso, a preocupação com o fim da tarefa suplantava qualquer medo de queda. Quando questionado informou que fazia isso com freqüência e que não tinha medo de altura
    • Foto 7: Arquivo pessoal de AFANP Nesta foto o trabalhador monta uma torre de andaime em uma calçada, em rua movimentada de veículos e pedestres, para a realização de reparos na fachada de uma edificação. Ao ser questionado sobre sua segurança informa que o encarregado não forneceu EPIs e que ele já estava acostumado a realizar esses serviços. Não usava calçados porque atrapalhava a escalada. Foto 8 – Arquivo pessoal de AFANP
    • A foto 8 representa a própria incoerência das questões de SMS. Nessa, dois trabalhadores, empregando cintos de segurança, com cordas nas proximidades, resolvem improvisar. Um deles segura uma escada em um beiral enquanto o outro sobe para pregar um sarrafo em uma forma. Questionados alegaram que a atividade durou pouco tempo, ou seja,um serviço rápido. CONCLUSÃO Outros exemplos poderiam ser apresentados sobre o mesmo tema. A simples identificação dos riscos não impedirá que os acidentes continuem ocorrendo. Há que se abordar a questão de frente, e energia, pois para se romper uma cultura que valoriza o trabalhador mais rápido ou mais produtivo, independentemente desse estar seguro ou não é tarefa das mais fáceis. Ouvidos alguns trabalhadores, a grande maioria disse que o uso de EPIs atrapalhava mais do que protegia, na execução de suas tarefas. Por outro lado, as empresas preocupam-se mais com aqueles trabalhadores “mais rápidos”. Um dos entrevistados disse que havia sido demitido do emprego anterior porque havia cobrado o fornecimento dos EPIs. Vive-se em um ambiente onde a cultura reinante é a da facilidade, em todos os aspectos. As empresas, pressionadas por orçamentos cada vez menores busca reduzir seus custos a qualquer custo. Especialmente quando se volta para as questões de SMS – Segurança, Meio Ambiente e Saúde, existem empresas que reduzem as exigências quanto a exames admissionais, não fornece os EPIs necessários, ou utiliza os mais baratos, pois poucos são os contratos em que as exigências de atendimento à legislação de SMS são explícitas. A mudança da Cultura nas Organizações e mesmo nos trabalhadores requer conhecimento, experiência, motivação para a mudança e vontade. A Cultura, longe de ser um empecilho para o desenvolvimento das atividades, vai ao encontro da política de padronização de
    • atividades, bem como da mudança da imagem. Grandes empresas hoje em dia, com ações negociadas em Bolsa de Valores, são percebidas por seus acionistas, inclusive pelo fato das mesmas serem empresas que respeitam as legislações, não apresentam acidentes do trabalho ou acidentes ambientais. São empresas que procuram trilhar o caminho da Sustentabilidade Sócio-Ambiental. Para isso, a Cultura deve se transformar em Valor e não uma simples prioridade. Na prioridade pode se alterar as questões. Assim, identificar-se riscos pra que? Porque a vida humana não tem preço. Todos os envolvidos nos processos de fiscalização das atividades devem estar atentos não somente ao cumprimento da legislação, mas sim, da assimilação da mesma pela empresa e pelos empregados. Deve-se investir na Cultura e na Percepção dos trabalhadores. Esse é o caminho da autopreservação. Quando esses forem os primeiros a querer se proteger as empresas talvez possam adotar outras medidas de prevenção.