• Save
Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Like this? Share it with your network

Share

Livros fuvest 2013apresentação memórias póstumas de brás cubas

  • 4,941 views
Uploaded on

APRESENTAÇÃO DO LIVRO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS LIVRO FUVEST 2013

APRESENTAÇÃO DO LIVRO MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS LIVRO FUVEST 2013

More in: Education
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Be the first to comment
No Downloads

Views

Total Views
4,941
On Slideshare
4,941
From Embeds
0
Number of Embeds
0

Actions

Shares
Downloads
0
Comments
0
Likes
3

Embeds 0

No embeds

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
    No notes for slide

Transcript

  • 1. LIVROS FUVEST 2013Profª Ana Paula Vaz Boechat de Azevedo
  • 2. Aula 3 :Memórias Póstumas de Brás Cubas–Machado de Assis
  • 3. Memórias Póstumas de Brás Cubas– Machado de Assis
  • 4. Memórias Póstumas de Brás Cubas– Machado de Assis• desenvolvido em princípio como folhetim de março a dezembro de 1880, na Revista Brasileira, para, no ano seguinte, ser publicado como livro pela então Tipografia nacional.• O livro marca um tom cáustico e novo estilo de Machado, bem como audácia e inovação temática no cenário literário nacional, que o fez receber, à época, resenhas estranhadas.• Confessando adotar a "forma livre“ com Memórias Póstumas, rompe com a narração linear e objetivista de autores proeminentes da época como Flaubert e Zola para retratar o Rio de Janeiro e sua época em geral com pessimismo e ironia e indiferença — um dos fatores que fizeram com que fosse amplamente considerada a obra que iniciou o Realismo no Brasil.
  • 5. Características:• Narrado em 1ª pessoa, seu autor é Brás Cubas, um "defunto- autor", isto é, um homem que já morreu e que deseja escrever a sua autobiografia.• Nascido numa típica família da elite carioca do século XIX, do túmulo o morto escreve suas memórias póstumas começando com uma "Dedicatória": Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas.• Seguido da dedicatória, no outro capítulo, "Ao Leitor", o próprio narrador explica o estilo de seu livro, enquanto o próximo, "Óbito do Autor", começa realmente com a narrativa, explicando seus funerais e em seguida a causa mortis, uma pneumonia contraída enquanto inventava o “emplasto Brás Cubas", panacéia medicamentosa que foi sua última obsessão e que lhe "garantiria a glória entre os homens".
  • 6. O QUE ENTENDEMOS POR MEMÓRIAS?O QUE É DIGNO DE MEMÓRIA?
  • 7. Autobiografia• (do Grego, αὐτός-autos eu + βίος-bios vida + γράφειν- graphein escrita)• Um gênero literário em que uma pessoa narra história da sua vida, trata-se de uma biografia escrita ou narrada pela pessoa biografada.• consiste na narração da experiência vivencial do indivíduo , levada a cabo por ele próprio ou escrita com a ajuda de outro escritor.• A autobiografia pode ter diferentes formatos, tais como: o diário, as memórias, dentre outros, podendo ainda ser literal ou contar com elementos ficcionais.• É no início da Idade Média que surge o primeiro grande modelo de obra autobiográfica, as Confessiones (Confissões) de Santo Agostinho (século IV)• autobiografias parciais: uma de índole filosófica do imperador e pensador estóico Marco Aurélio; outras, de tendência política, Júlio Cesar.
  • 8. A grande ironia de Machado• O que Brás Cubas fez que mereça uma memória ?• Quem foi Brás Cubas?• Qual a credibilidade de um defunto- autor em um período marcado pelo cientificismo?
  • 9. Aqui jaz Brás Cubas ... o homem que não teve filhos; não transmitiua nenhuma criatura o legado de nossa miséria. Não inventou o emplastro, não viveu um grande amor, não fez nada de heroico.
  • 10. Os críticos sociológicos tambémacreditam que o fato do protagonista ser morto o faz narrar sua vida com "total isenção" e inteiramente "desvinculado de qualquer relação com a sociedade" e, nestedescomprometimento propiciado pela morte, possui o poder dedizer, falar, zombar e criticar quem e o que quiser
  • 11. • Parte do impacto produzido pelo romance machadiano se traduz na sensação de• desnorteamento freqüentemente manifestada pelos críticos: “a nossa impressão final é a seguinte: A obra do Sr. Machado de Assis é deficiente, senão falsa, no fundo, porque não enfrenta com o verdadeiro problema que se propôs a resolver e só filosofou sobre caracteres de uma vulgaridade perfeita; é deficiente na forma, porque não há nitidez, não há desenho, mas bosquejos, não há colorido, mas pinceladas ao acaso.”
  • 12. Características machadianas• Machado apresenta característica própria uma vez que não descreve situações romanescas comuns casamentos, amos e a tensão bem x mal, herói x — as personagens eram movidas por interesse na obtenção de “status", na ascensão social através do casamento:• como quando o pai de Brás quer que ele se case com Virgília, filha do Conselheiro Dutra, político proeminente.• Não há final feliz• Não há um romance
  • 13. Características machadianas• E mesmo assim, Machado não compactua com o esquematismo determinista dos realistas, nem procura causas muito explícitas ou claras para a explicação das personagens e situações• Faz sátiras das próprias correntes filosóficas: a criação do personagem “Quincas Borbas” um filósofo que apresenta teorias malucas que todos levam em consideração.• “Ao vencedor as batatas”• Quando como por exemplo Brás Cubas escreve: a sabedoria humana não vale um par de botas curtas [...] Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca• alusão à personagem que era coxa de nascença, num célebre exemplo de humor negro.
  • 14. Características machadianas• mostra a visão objetiva e pessimista da vida, do mundo e das pessoas (abolição do final feliz).• análise psicológica das contradições humanas na criação de personagens imprevisíveis, jogando com insinuações em que se misturam a ingenuidade e malícia, sinceridade e hipocrisia. Crítica humorada e irônica das situações humanas, das relações entre os personagens e seus padrões de comportamento.• Linguagem sóbria que, entretanto, não despreza os detalhes necessários a uma análise profunda da psicologia humana. Envolvimento do leitor pela oralidade da linguagem. A historia é repleta de "conversas" que o narrador estabelece freqüentemente com o leitor, transformando-o em cúmplice e participante do enredo (metalinguagem).• Citação de um autores e intertextualidades com outros textos (como por exemplo citações bíblicas) ;• Reflexão sobre a mesquinhez humana e a precariedade da sorte humana.• Os aspectos externos (tempo cronológico, espaço, paisagem) são apenas pontos de referência, sem merecerem maior destaque.
  • 15. Capítulo LV - O Velho Diálogo de Adão e Eva Brás Cubas . . . . . ? Virgília . . . . . . Brás Cubas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Virgília . . . . . . ! Brás Cubas . . . . . . . Virgília . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ? . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Brás Cubas . . . . . . . . . . . . . . . . . . Virgília . . . . . . . . . . . . . . !
  • 16. • A ironia é um dos traços mais marcantes da obra de Machado de Assis e aparece ainda mais acentuada nos chamados romances da maturidade.• Pode ser entendida como mais um recurso para combater as verdades absolutas, das quais desacreditava por princípio. A construção irônica prevê sempre outros sentidos para o que é dito. Machado de Assis utiliza-se da ironia como um recurso para fazer o leitor desconfiar das declarações, pensamentos e conclusões do narrador Brás Cubas. Ao comentar, no primeiro capítulo, sobre o amigo que lhe presenteia com um empolado discurso fúnebre, o narrador agradece as palavras ditas em tom de comoção exagerada com uma frase certeira:• “Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei".• A digressão é outro elemento importante da linguagem machadiana. Consiste na interrupção do fluxo narrativo, que envereda por assuntos desvinculados do tema inicial, mas mantendo com ele alguma analogia criada pela mente de quem conta.• Essa analogia, com algum esforço, pode ser percebida pelo leitor, desde que ele se mantenha atento. O leitor de Machado é constantemente solicitado a interagir criticamente com a obra, distanciando-se ainda mais do modelo de leitura proposto pelos romances românticos, que mobilizam a emoção e a imaginação. É o que acontece, por exemplo, na parte inicial do romance, quando Brás Cubas deixa em suspenso por vários capítulos a explicação para sua morte, que prometera desde o início, para passear descomprometidamente por assuntos tão díspares quanto as pirâmides do Egito e a sua árvore genealógica. Quando volta a falar da causa mortis, é para comentar, com ironia "...acabemos de uma vez com o nosso emplasto”. Como se já tivesse explicado antes do que se tratava!
  • 17. Contexto histórico da obra• Memórias Póstumas de Brás Cubas retrata a escravidão, a divisão das classes sociais no Rio de Janeiro: proletariado e trabalhadores• correntes cientificistas:o evolucionismo de Darwin, o positivismo de Comte,A patologia Humana de Taine , o Determinismo.• A classe de trabalhadores : Em 1850 foi criada a Lei Eusébio de Queirós, abolindo o tráfico de escravos no Brasil. Com isso, os produtores de café, principalmente, contratavam mão-de-obra assalariada• O final do período colonial - século XIX• O funcionalismo público• Mesmo com a economia crescendo, o Brasil continuava dependente da Inglaterra.• A população brasileira passa dificuldades. A riqueza se concentra nas mãos de poucos.• Em 1870, o governo brasileiro adotou medidas para incentivar a imigração européia. Começa a chegada dos primeiros italianos para os cafezais de São Paulo.
  • 18. Contexto histórico da obra• Forma biográfica com digressões e episódios cariocas, que apresenta a ausência do trabalho e de projeto consistente, denunciando os privilégios de classe,• Brás Cubas – cargo, posição superior sem esforço. Demonstra a “desobrigatoriedade” da classe dominante com os dominados, dá a ela condição de total irresponsabilidade.
  • 19. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 20. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 21. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 22. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 23. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 24. Rio de Janeiro retratado por Machado
  • 25. A obra- um resumo• Na abertura do livro, uma dedicatória escrita sob a forma de um epitáfio anuncia o narrador desse romance inusitado:• Brás Cubas, um defunto-autor que começa contando detalhes do seu funeral. Depois de algumas digressões, ele retoma a ordem cronológica dos acontecimentos:• relatando a infância e a primeira paixão da adolescência, aos 17 anos, pela cortesã Marcela. Presenteia tanto a amada que o pai, irritado com o gasto excessivo, manda-o estudar Direito em Coimbra, Portugal. Assim como foi, também volta a chamado do pai porque a mãe está à morte. Namora então Eugênia, a filha de uma amiga pobre da família, enquanto o pai procura arranjar um casamento de interesse com Virgília, a filha de um político, o Conselheiro Dutra. Ela, no entanto, casa-se com um político, Lobo Neves, e posteriormente se torna amante de Brás, mantendo com ele encontros na casa habitada por dona Plácida. Antes de o caso começar, morre o pai de Brás. Começa então um litígio entre ele e a irmã Sabina pela herança. Em meio a tudo isso, o protagonista Brás reencontra Quincas Borba, amigo dos tempos de escola, que lhe apresenta uma doutrina filosófica que criara, o Humanitismo. Virgília parte para o Norte, acompanhando o marido, nomeado presidente de província. Brás namora então a sobrinha do cunhado Cotrim, mas a garota morre aos 19 anos.
  • 26. A obra- um resumo• Ele, que já se tornara deputado, fracassa na tentativa de virar ministro de Estado. Frustrado, funda um jornal de oposição. Percebe, então, que Quincas Borba está enlouquecendo progressivamente.• Procurado por Virgília, já idosa, Brás ampara dona Plácida, que morre pouco depois.• . É um período cheio de perdas e decepções: morrem Marcela, o louco Quincas Borba, Lobo Neves e Eugênia aparece em um cortiço• Ao tentar inventar um emplasto que lhe daria a fama tão desejada, Brás Cubas adoece e recebe a visita da ex-amante Virgília e do filho dela.• Morre depois de um delírio, aos 64 anos.• Decide, então, contar sua vida em detalhes, mas, pouco sistemático que é, e ainda excitado pela experiência da morte, sua narrativa segue a lógica do pensamento. O caráter inovador de Memórias Póstumas de Brás Cubas não está na história propriamente dita ou na seqüência cronológica dos fatos.• A melhor chave para compreender a obra são as reflexões do personagem, como elas se encadeiam e se misturam aos eventos que ele vive.
  • 27. PERSONAGENS COMPLEMENTARES• Os personagens criados por Machado de Assis entram e saem de cena conforme os pensamentos de Brás Cubas.• Entre eles, quem merece maior destaque é Quincas Borba, que, mais tarde, será o personagem-título de outro romance do autor.• Ele influencia profundamente o narrador com a sua teoria do Humanitismo. Os dois conheceram-se no colégio e reencontram-se muitos anos depois. Quincas é um mendigo que vai enlouquecendo progressivamente.• Ao morrer, está completamente fora de si. Seu Humanitismo prega que tudo o que acontece na vida faz parte de um quadro maior de preservação da essência humana.• A ironia é uma das marcas da obra de Machado de Assis. Nesta obra isso fica claro quando o autor faz com que uma doutrina de valorização da vida seja defendida justamente por um mendigo que morre completamente louco.
  • 28. PERSONAGENS COMPLEMENTARES• Brás Cubas – filho abastado da família Cubas, é o narrador do livro; conta suas memórias, escritas após a morte, e nessa condição é o responsável pela caracterização de todos os demais personagens. VIRGÍLIA – grande amor de Brás Cubas, sobrinha de ministro, e a quem o pai do protagonista via como grande possibilidade de acesso, para o filho, ao mundo da política nacional. MARCELA – amor da adolescência de Brás. EUGÊNIA – a “flor da moita”, nas palavras de Brás, já que era filha de um casal que ele havia flagrado, quando criança, namorando atrás de uma moita; o protagonista se interessa por ela, mas não se dispõe a levar adiante um romance, porque a garota era coxa. NHÃ LO LÓ – última possibilidade de casamento para Brás Cubas, moça simples, que morre de febre amarela aos 19 anos. LOBO NEVES – casa-se com Virgília e tem carreira política sólida, mas sofre o adultério da esposa com o protagonista. QUINCAS BORBA – teórico do humanitismo, doutrina à qual Brás Cubas adere, morre demente. DONA PLÁCIDA – representante da classe média, tem uma vida de muito trabalho e sofrimento. PRUDÊNCIO – escravo da infância de Brás Cubas, ganha depois sua alforria.