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AUTOR DO MÊS<br />Sophia de Mello Breyner Andresen<br />(1919-2004)<br />
Dados biográficos<br />De ascendência dinamarquesa pelo lado paterno, Sophiade Mello Breyner Andresennasceu a 6 de Novembr...
Dados biográficos<br />Mais tarde, casou-se com o jornalista e político<br />Francisco Sousa Tavares, do qual teve cinco f...
Percurso literário<br />Data de 1944 a estreia de Sophia de Mello Breyner Andresen no panorama literário português com a p...
APOESIA<br />DESOPHIA <br />
Quem és tu<br />Quem és tu que assim vens pela noite adiante, Pisando o luar branco dos caminhos, <br />Sob o rumor das fo...
Como uma flor vermelha<br />À sua passagem a noite é vermelha,<br />E a vida que temos parece <br />Exausta, inútil, alhei...
Um dia<br />Um dia, gastos, voltaremos <br />A viver livres como os animais <br />E mesmo tão cansados floriremos <br />Ir...
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Fundo do mar<br />No fundo do mar há brancos pavores, <br />Onde as plantas são animais <br />E os animais são flores. <br...
Praia<br />Na luz oscilam os múltiplos navios <br />Caminho ao longo dos oceanos frios<br />As ondas desenrolam os seus br...
Casa branca<br />Casa branca em frente ao mar enorme, <br />Com o teu jardim de areia e flocos marinhas <br />E o teu silê...
Poemas<br />Sophia de Mello Breyner Andresen<br />Ilustrações<br />Fernanda Fragateiro<br />Concebido por <br />Prof.ª Ana...
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Sophia de Mello Breyner Andresen

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  1. 1. AUTOR DO MÊS<br />Sophia de Mello Breyner Andresen<br />(1919-2004)<br />
  2. 2. Dados biográficos<br />De ascendência dinamarquesa pelo lado paterno, Sophiade Mello Breyner Andresennasceu a 6 de Novembro de 1919,no Porto.<br />Durante a infância e a adolescência viveu no Porto e na Granja. <br />Iniciou o curso de Filologia Clássica na Universidade de Lisboa, <br />mas não o concluiu. <br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  3. 3. Dados biográficos<br />Mais tarde, casou-se com o jornalista e político<br />Francisco Sousa Tavares, do qual teve cinco filhos. <br />Estes foram a sua motivação para a escrita de contos infantis.<br />A par do gosto pela literatura, Sophia de Mello Breyner desenvolveu uma carreira política <br />marcada pela luta antifascista, <br />tendo sido candidata a Deputada <br />da Assembleia Constituinte,<br /> pelo Partido Socialista, após a <br />Revolução do 25 de Abril.<br />Faleceu a 2 de Julho de 2004, com 84 anos.<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  4. 4. Percurso literário<br />Data de 1944 a estreia de Sophia de Mello Breyner Andresen no panorama literário português com a publicação do livro “Poesia”.<br />A sua carreira literária ficou marcada pela prosa [“Contos Exemplares” (1962), “A Fada Oriana” (1958), “A Menina do Mar”, (1958), O Cavaleiro da Dinamarca” (1964), “O Rapaz de Bronze” (1965)...] e pela poesia [“Geografia” (1967), “Dual” (1972), “O Nome das Coisas” (1977), “Navegações” (1983), “Ilhas” (1989)…].<br />Traduziu ainda obras de Claudel, Dante,<br /> Shakespeare e Eurípedes. <br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  5. 5. APOESIA<br />DESOPHIA <br />
  6. 6. Quem és tu<br />Quem és tu que assim vens pela noite adiante, Pisando o luar branco dos caminhos, <br />Sob o rumor das folhas inspiradas?<br />A perfeição nasce do eco dos teus passos, <br />E a tua presença acorda a plenitude <br />A que as coisas tinham sido destinadas. <br />A história da noite é o gesto dos teus braços,<br />O ardor do vento a tua juventude, <br />E o teu andar é a beleza das estradas. <br /> Obra Poética I, Caminho<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  7. 7. Como uma flor vermelha<br />À sua passagem a noite é vermelha,<br />E a vida que temos parece <br />Exausta, inútil, alheia. <br />Ninguém sabe onde vai nem donde vem, <br />Mas o eco dos seus passos <br />Enche o ar de caminhos e de espaços <br />E acorda as ruas mortas.<br />Então o mistério das coisas estremece <br />E o desconhecido cresce <br />Como uma flor vermelha. <br /> Obra Poética I, Caminho<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  8. 8. Um dia<br />Um dia, gastos, voltaremos <br />A viver livres como os animais <br />E mesmo tão cansados floriremos <br />Irmãos vivos do mar e dos pinhais. <br />O vento levará os mil cansaços <br />Dos gestos agitados irreais <br />E há-de voltar aos nossos membros lassos A leve rapidez dos animais. <br />Só então poderemos caminhar <br />Através do mistério que se embala <br />No verde dos pinhais na voz do mar <br />E em nós germinará a sua fala.<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  9. 9. Evadir-me, esquecer-me<br />Evadir-me, esquecer-me, regressar<br /> À frescura das coisas vegetais,<br />Ao verde flutuante dos pinhais Percorridos de seivas virginais <br />E ao grande vento límpido do mar. <br /> Obra Poética I, Caminho<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  10. 10. Fundo do mar<br />No fundo do mar há brancos pavores, <br />Onde as plantas são animais <br />E os animais são flores. <br />Mundo silencioso que não atinge <br />A agitação das ondas.<br />Abrem-se rindo conchas redondas, <br />Baloiça o cavalo-marinho. <br />Um polvo avança <br />No desalinho <br />Dos seus mil braços, <br />Uma flor dança, <br />Sem ruído vibram os espaços. <br />Sobre a areia o tempo poisa <br />Leve como um lenço. <br />Mas por mais bela que seja cada coisa <br />Tem um monstro em si suspenso. <br />Obra Poética I, Caminho<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  11. 11. Praia<br />Na luz oscilam os múltiplos navios <br />Caminho ao longo dos oceanos frios<br />As ondas desenrolam os seus braços <br />E brancas tombam de bruços <br />A praia é lisa e longa sob o vento <br />Saturada de espaços e maresia <br />E para trás fica o murmúrio <br />Das ondas enroladas como búzios.<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  12. 12. Casa branca<br />Casa branca em frente ao mar enorme, <br />Com o teu jardim de areia e flocos marinhas <br />E o teu silêncio intacto em que dorme <br />O milagre das coisas que eram minhas. <br />A ti eu voltarei após o incerto <br />Calor de tantos gestos recebidos <br />Passados os tumultos e o deserto <br />Beijados os fantasmas, percorridos <br />Os murmúrios da terra indefinida. <br />Em ti renascerei num mundo meu <br />E a redenção virá nas tuas linhas <br />Onde nenhuma coisa se perdeu <br />Do milagre das coisas que eram minhas. <br /> Poesia I<br />Autor do Mês – Sophia de Mello Breyner Andresen<br />
  13. 13. Poemas<br />Sophia de Mello Breyner Andresen<br />Ilustrações<br />Fernanda Fragateiro<br />Concebido por <br />Prof.ª Ana Ribeiro<br />Para:<br />Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos<br />Agrupamento Escolas de Montenegro<br />Janeiro 2010<br />
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