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Artigo ed esp prot. Artigo ed esp prot. Document Transcript

  • REVISTA DE EDUCAÇÃO Vol. XII, Nº. 13,14, Ano 2010 POSSIBILIDADES DE INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NO ENSINO REGULAR A Sala de Recursos como facilitadora nesse processo Angela Maria Pelaes Faculdade Anhanguera de Pirassununga angelarocco@lancernet.com.br RESUMO A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais têm sido amplamente discutido a partir da década de 90. A questão que orienta a pesquisa é conhecer os apoios prestados na Sala de Recursos da escola pública municipal EMEI “Malackey Taufic Albuquerque”, na cidade de Leme-SP. Participou da pesquisa a professora especialista da escola supracitada. A metodologia foi de caráter qualitativo com entrevistas informais, tendo como núcleos temáticos: ações desenvolvidas pela professora da Sala de Recursos visando à aprendizagem desses alunos em classes comuns; atividades específicas para o atendimento das necessidades educacionais especiais e auto avaliação da professora quanto ao atendimento especializado. A pesquisa teórica e análise crítica da entrevista basearam-se em renomados autores e em documentos oficiais que nos levou a algumas conclusões. Espera-se que o resultado auxilie o atendimento ao aluno com deficiência visual no ensino regular. Palavras-Chave: deficiência visual; sala de recursos; aprendizagem. ABSTRACT The inclusion of pupils with special educational needs have been widely discussed from the 90s. The question that guides the research is to know the support provided in the Resource Room of the public school EMEI "Malackey Taufic Albuquerque," the city of Leme-SP. He participated in the search to a specialist teacher of the school above. The methodology was qualitative the interviews with informal, having as central themes: actions taken by the teacher's Resource Room with a view to learning of these students in regular classes; specific activities to meet the special educational needs teacher and self assessment of as to specialized attendance . The theoretical and critical analysis of the interview was based on: renowned authors and official documents that led us to some conclusions. It is hoped that the result helps the service to students with visual impairments in regular schools. Anhanguera Educacional S.A. Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 2000. Valinhos, São Paulo. CEP 13.278-181 rc.ipade@unianhanguera.edu.br Keywords: visual impairment; resource room; learning. Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE Artigo Original / Informe Técnico / Resenha Recebido em: 30/12/1899 Avaliado em: 30/12/1899 Publicação: 22 de setembro de 2009 1
  • Angela Maria Pelaes 1. 1 INTRODUÇÃO A educação inclusiva tem sua história influenciada por dois marcos importantes em março de 1990, quando foi realizada em Jomtien, na Tailândia, a Conferência Mundial de Educação para todos, com a proposta da CEPAL/UNESCO: educação e conhecimento, em que o objetivo foi examinar o encaminhamento e enfrentamento da exclusão escolar. O segundo se deu no ano de 1994, na ocasião em que foi realizada uma conferência na Espanha, em Salamanca, em que foi elaborada a Declaração de Salamanca, sobre as necessidades educativas especiais: acesso e qualidade. Tal documento enfatiza, entre outras questões, o desenvolvimento de uma orientação escolar inclusiva. (MAZZILLO, 2008, p. 27). A autora ainda nos esclarece que o princípio da inclusão é um processo educacional que busca atender a criança com deficiência na escola ou na classe ensino regular. Esse novo paradigma educacional procura fazer com que todos os alunos com alguma limitação, independentemente do comprometimento, tenham acesso à educação de qualidade, prioritariamente, na rede regular de ensino, procurando a melhor forma de desenvolver suas capacidades. A questão que orienta a pesquisa é de conhecer e analisar os tipos de apoios prestados na Sala de Recursos a alunos com deficiência visual aos professores das classes comuns. Quais as dificuldades apresentadas pelas escolas no processo de inclusão dos alunos com deficiência visual de acordo com as suas necessidades? Analisando-se mais amplamente a questão da deficiência visual a partir das ideias de Santos (2008 p. 127 e 129), podemos perceber que a visão é um dos sentidos mais importantes do ser humano, se sobrepondo aos demais sentidos dos quais dispomos. Ela nos permite captar inúmeras informações numa única observação, que são levadas diretamente ao cérebro, onde são processadas e formam a imagem correspondente. Entretanto milhares de pessoas no mundo inteiro, por problemas oculares ou por distúrbios genéticos, não podem se utilizar desse sentido, pois seus olhos estão totalmente ou parcialmente comprometidos. Santos (2008) em sua obra nos descreve os aspectos gerais da deficiência visual, a classificação da deficiência segundo a (OMS, 1992), que pode ser descrita em dois grupos: a visão subnormal ou visão baixa e a cegueira, e estas podem ser congênitas ou adquiridas. Mas superadas as limitações provenientes da deficiência visual, não há nada que impeça os alunos que não enxergam de levarem uma vida normal, indo à escola, trabalhando, frequentando cinemas, teatros, exposições, etc. Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 2 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular Diante disso a autora afirma que alunos com deficiência visual não podem ficar segregados em escolas especiais, devendo se relacionar em total harmonia com os demais alunos da escola regular. Assim, ambos aprenderão conviver com o novo respeitando e lidando com as limitações de cada um. Afinal todos nós temos algum tipo de limitação. Ideia semelhante se evidenciou na obra de Caiado (2006 p. 33), que também aponta a necessidade de analisar as possibilidades que o aluno com deficiência visual tem para estudar no ensino regular. Esta autora nos faz refletir sobre algumas das práticas pedagógicas que, historicamente, têm sido construídas na educação da pessoa com deficiência visual. Estas revelam as concepções que o educador tem sobre o homem, sobre a sociedade, sobre a educação e pode ser um caminho interessante para refletirmos sobre o trabalho pedagógico, expressado no cotidiano escolar. Neste estudo, o foco está na exploração das possibilidades da sala de recursos como facilitadora na escolarização das crianças com deficiência visual. Com base nos pressupostos legais da Constituição Federal de 1988, o artigo 205 prevê o direito de todos à educação e o artigo 208, o atendimento educacional especializado fundamentada na atenção à diversidade, exigindo mudanças estruturais nas escolas comuns e especiais. A educação especial, por sua vez, converte-se em uma modalidade transversal de educação escolar que permeia todos os níveis, etapas e modalidades de educação. Por meio da realização do atendimento educacional especializado, definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais, orientando e colaborando com a educação regular comum, em benefício de todos os alunos (DELOU, 2010, p. 18). A nova política de educação especial na perspectiva de Educação Inclusiva tem por objetivo: incentivar, valorizar e promover as práticas inclusivas dentro das escolas comuns. Então, a Educação Especial, como modalidade de ensino, deverá contribuir com a inclusão por meio de recursos didáticos, pedagógicos e de acessibilidades, com códigos específicos de comunicação e tecnologia assistiva. E terá como função, entre outras, complementar ou suplementar o currículo escolar. (BRASIL, 2008). Esta pesquisa consistiu em levantar dados significativos que possam subsidiar o trabalho pedagógico e, se espera que o conhecimento construído possa contribuir com a escolarização do deficiente visual. Ainda tem a intenção de dialogar sobre a inclusão desses alunos nas classes comuns, focalizando os tipos de apoios especializados que a Sala de Recursos proporciona aos alunos com deficiência visual. Se os professores do Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 3 ensino regular, especificamente o professor da classe comum, recebem o apoio especializado que necessitam. Segundo Silva (2010, p.17) apud Mazzotta (1982), o recurso mais adequado será aquele que melhor atender as necessidades educacionais dos alunos, não podendo descartar a importância do ambiente. “A integração e segregação constituem elementos importantes a serem considerados na decisão sobre as escolhas dos recursos educacionais” (MAZZOTTA, 1982, p. 58). A sala de recursos foi escolhida como tema da pesquisa, supondo-se que esta possibilita condições para a participação de alunos com deficiência visual na rede regular de ensino, de forma a fundamentar a possibilidade existente entre a deficiência visual e a escolarização dessas pessoas. Diante do exposto surgiu o interesse de conhecer e analisar os tipos de apoios prestados aos alunos com deficiência visual da rede regular de ensino municipal e seus professores, objetivo geral dessa pesquisa. Os objetivos específicos abrangeram: a identificação das ações desenvolvidas na Sala de Recursos, para propiciar o apoio de aulas requeridas pelos alunos com deficiência visual; conhecer as atividades desenvolvidas que sejam relevantes à inclusão dos alunos com deficiência visual; a consciência da importância do apoio prestado aos professores da classe comum e familiares desses alunos e pesquisar a dinâmica de atendimento em uma Sala de Recursos. A fim de alcançar tais objetivos, o trabalho fundamenta-se inicialmente, em pesquisa bibliográfica que é empregada para construir um quadro contextual que permitiu interpretar um experimento de vivência sobre o uso do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e a partir de entrevista informal com a professora especialista, pela docente-pesquisadora, em 2011, junto a EMEI ”Malackey Taufic Albuquerque”, no município de Leme-SP. 2. A INCLUSÃO DOS ALUNOS COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA ESCOLA REGULAR De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na perspectiva de Educação Inclusiva, a educação inclusiva deve ser assegurada em escolas de qualquer nível, mesmo que, para tanto, necessitem ser adaptadas para propiciar um ensino de qualidade a todos os alunos independentemente de seus atributos pessoais (BRASIL, 2008a). Vale a pena pensar no que alerta Santos (2008), sobre a inclusão dos alunos com deficiência visual na escola regular: Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 4 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular Alunos com deficiência visual devem ser educados com todos os demais, frequentando uma escola regular e convivendo com os mais variados alunos para que aprendam juntos a conviver com a limitação um do outro, considerando que todos nós temos algum tipo de “deficiência”, ou seja, dificuldade. (SANTOS, 2008, p. 146) A elaboração de um plano de Atendimento Educacional Especializado por esses professores é fundamental para as possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular, assim como a sua articulação com os professores das salas comuns e com as famílias desses educandos, devendo esse plano constar na proposta pedagógica da escola. Ademais o AEE, de acordo com a Resolução CNE/CEB nº. 4/2008 abrange sala de recursos (multifuncionais) e atendimento educacional especializado em centros de atendimentos de instituições públicas ou filantrópicos sem fins lucrativos. (BRASIL, 2009a). Santos (2008) nos relata que a Sala de Recursos é uma extensão da sala comum, que será frequentada pelo aluno com deficiência visual em horário contrário e deve haver uma junção de todos os alunos para que se relacionem entre si, em todos os aspectos. A autora também descreve que para esse atendimento deve haver materiais e equipamentos necessários que possibilitem o aprendizado dos alunos com deficiência visual (cegos ou com baixa visão), havendo também um professor especializado que domine o Sistema Braille e todos os instrumentos necessários à educação de tais alunos. Caiado nos proporciona uma reflexão sobre a escola como instituição social e a formação do homem e sua posição na sociedade. (...) ao refletir sobre a gênese da constituição do homem, ilustra como a espécie, ao transformar, a natureza, também se transforma. Nesse processo, o corpo, como substrato biológico, humaniza-se, assim, pelo trabalho, o refinamento dos movimentos das mãos, o desenvolvimento fonoarticulatório, a plasticidade do cérebro, e a reconstrução de signos e significados conferem singularidade a essa espécie que necessita, permanentemente, produzir sua existência. A escola, enquanto instituição social está imersa e se constitui nessa trama histórica. As instituições sociais são criadas pelos homens e, portanto, não são neutras, respondem aos interesses econômicos e ideológicos que engendram as relações de existência humana. Nesse sentido, a escola reproduz a formação de um homem que deve estar adaptado às condições históricas de trabalho de seu tempo e lugar social. Muito embora nessa escola também esteja presente o conflito social, que pode impulsionar o movimento de participação e luta social, sua função, relevada nas políticas educacionais, é reproduzir e manter as relações sociais vigentes (CAIADO apud ENGELS, 2006, s/d). De acordo com Rosa (2008) esta visão nos leva a avaliar o que nos parece seguro e certo, evitando as verdades estabelecidas, além de nossos preconceitos, para que busquemos investir em modo mais ousado de organizar nossa escola conforme nos recomendou Paulo Freire (1995): Precisamos contribuir para criar uma escola que é aventura, que marca que não tem medo do risco, por isso recusa o imobilismo. A escola em que se pensa em que se atua em que se fala, em que se ama, em que e adivinha, a escola que apaixonadamente diz sim à vida. (ROSA, 2008, p.278 apud FREIRE, 1995). Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 3. 5 RECURSOS DE ACESSIBILIDADE Santos (2008) nos esclarece sobre as possibilidades de ações pedagógicas e utilização de materiais adequados ao deficiente visual, poderá trazer maior facilidade de inclusão dos deficientes visuais na escola regular. Sendo possível que haja certa resistência em relação à inclusão, por parte de professores, família e sociedade, pois a deficiência visual acaba muitas vezes sendo vista como incapacidade, se durante o desenvolvimento maturacional da criança houve carência de estímulos social, cultural e afetivo pode levá-los, consequentemente, a uma subestimação de potencialidades e capacidades (DOMINGUES; et al; 2010 p.15). Continuando com a autora, a falta de informação sobre a deficiência visual por parte dos professores pode impossibilitar um trabalho eficaz, e a inclusão só terá êxito com sua total integração ao ambiente escolar e a capacitação profissionais em educação. Portanto nos afirma que, a falta de informação dos professores quanto aos programas específicos existentes, é outro fator que dificulta o processo de inclusão das crianças com deficiência visual. Apesar de estar disponibilizado o Sistema Braille, Dosvox e Soroban podem não estar sendo usados por falta de conhecimento desses profissionais. 3.1. Auxílios Ópticos Como nos descreve a autora, os auxílios ópticos são lentes ou recursos que possibilitam a ampliação para visualização de objetos, favorecendo o uso do resíduo visual. Exemplos de auxílios ópticos são:  Lupas de mão e de apoio;  Óculos bifocais ou monoculares e telescópios, dentre outros, que não devem ser confundidos com óculos comuns. Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 6 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular Figura 1: Auxilios òpticos para perto Os auxílios ópticos para perto podem ser:  Óculos com lentes especiais;  lupas manuais ou de apoio que possibilitam, por exemplo, o aumento do material de leitura. Figura 2: Lupas de mesa – Auxílios ópticos para perto Os auxílios ópticos para longe como telescópios, favorecem a visualização de pessoas ou de objetos distantes. O aluno poderá usar esse tipo de auxílio para ver o que está escrito na lousa, identificar uma placa na porta ou na parede e aprender a observar o objeto a ser visualizado por segmento horizontal ou vertical. Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 7 Figura 3: Binóculos – Auxílios ópticos para longe A prescrição desses recursos é da competência do oftalmologista que define quais são os mais adequados à condição visual do aluno. 3.2. Auxílios Não Ópticos Auxílios não ópticos se referem às mudanças no ambiente, ao mobiliário, à iluminação e aos recursos para leitura e para escrita, como contrastes e ampliações, usados como recursos complementares ou não aos auxílios ópticos, com a finalidade de melhorar o funcionamento visual. Incluem, também, auxílios de ampliação eletrônica e de informática. São considerados auxílios não ópticos:  Iluminação natural do ambiente, luzes fluorescentes e incandescentes;  contrastes de cores, como por exemplo: branco e preto, preto e amarelo;  visores, boné, oclusores laterais;  folhas com pautas mais contrastada e mais larga entre as linhas;  livros com escrita ampliada,  caneta de ponta porosa preta ou azul escura;  lápis (6b) com grafite mais forte; prancheta inclinada para leitura;  lupa eletrônica: recurso usado para ampliação de imagens e textos; Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 8 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular  mesa mais alta que a convencional com prancheta inclinada ou mesmo uma pilha de livros podem ser usados para aproximação e conforto da leitura e da escrita possibilitando melhor postura;  guia de leitura ou tiposcópios: régua vazada feita com papel cartão ou EVA preta;  circuito fechado de televisão (CCTV): consiste em um sistema de câmera de televisão acoplado a um monitor com a finalidade de ampliar o texto selecionado pela câmera. Figura 4: Sistema Bonavision – Recursos não ópticos. 3.3. Sistema Braille Atualmente o Sistema Braille é utilizado no mundo inteiro, afirma Santos (2008, p. 167) como sendo o mais indicado para a alfabetização das pessoas com deficiência visual, pois possibilita a compreensão correta da grafia das palavras. A autora também nos descreve sobre os instrumentos para a escrita Braille é a escrita em alto relevo, que permite sua leitura pelo tato e sua escrita é feita por meio de instrumentos diferenciados, dentre eles: 3.4. Máquina Braille A máquina Braille é semelhante a uma máquina de datilografia, só que tem menos teclas, sendo uma para dar espaço, outra para pular a linhas, uma para voltar atrás quando necessário três do lado esquerdo correspondem aos pontos 1,2 e 3, as três do lado direito aos pontos 4, 5 e 6. Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 9 Figura 5: Máquina Braille. 3.5. Reglete A grande diferença entre a reglete e a máquina de Braille é que na reglete, deve-se pressionar os pontos com a punção de acordo com as combinações desejadas. Figura 06: Reglete Figura 07: Punção Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 10 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular 3.6. Impressora em Braille A impressora em Braille veio facilitar muito a produção de materiais, uma vez que, basta enviar um texto do computador para ela, utilizando-se de um programa chamado “Braille Fácil”, e está começará a imprimir o documento, livro ou texto sem qualquer esforço humano. Figura 08: Impressora para Braille 3.7. Soroban Instrumento de grande importância para apreensão dos conceitos matemáticos, também conhecido como Ábaco Chinês e a utilização para as pessoas com deficiência visual não difere da utilização das pessoas consideradas videntes. Figura 09: Soroban ou Ábaco Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 4. 11 TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TICS) Segundo Domingues (2010, p. 15-25) as tecnologias de informação e comunicação podem ser grandes aliadas para atividades produzidas pelo professor da AEE e o aluno com deficiência visual, entre elas, proporcionar ampliação da tela toda ou de partes dela. Também enfatiza a variedades de programas que são disponibilizados de diferentes formas, desde o já disponível no ambiente Windows (Lente de Aumento do Windows), os disponíveis para "download" gratuito, como a Lente Pro do sistema Dosvox, até os mais sofisticados, com muitos outros recursos, que são adquiridos no mercado, como é o caso do MAGic e Zoom Text. Para minimizar este esforço, o uso de "softwares" com síntese de voz torna-se uma alternativa valiosa para a obtenção da leitura imediata. Assim o aluno pode beneficiar-se de diferentes recursos, de acordo com a sua necessidade, urgência e tipo de atividade a ser realizada. Cabe ao professor da AEE analisar com os alunos e demais professores, as vantagens de se utilizar diferentes recursos facilitadores. Domingues et al. (2010) nos mostra de acordo com sua obra, programas com síntese de voz, como podemos confirmar nos itens de (4.1) a (4.7) do texto abaixo: 4.1. SISTEMA DOSVOX Ambientes com interface adaptativa que oferece programa como editores de texto, leitor de documentos, recursos para impressão e formação de textos em Braille. Contêm jogos didáticos e lúdicos, calculadora vocal, programas sonoros para acesso à internet, correio eletrônico, chat. Contém ainda um ampliador de telas para Windows gratuito. Disponível em http://intervox.nce.ufrj.br. Figura 10: Sistemas com sintetizadores de voz Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 12 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular 4.2. DELTA TALK Esse sintetizador de voz foi desenvolvido pela empresa Micopower. Permite a interação com o computador por meio de voz, com opções para escolher o tipo de voz e fazer leituras de textos selecionados com comandos simples. Também controle de velocidade, tonalidade e volume do áudio. 4.3. LEITORES DE TELA Programas que possibilitam a leitura de informações contidas na tela do computados, bem como o retorno sonoro do que é digitado pelo usuário, leitura de menus, telas e textos. São exemplos de leitores de tela para o ambiente Windows:  Virtual vision (www.micropower.com.br);  Jawas (www.freedomscientific.com);  NVDA Non Visual Desktop Access (www.ndva-project.org). Para acesso ao ambiente Linux temos:  ORCA (http://live.gnome.org/orca). Para a digitação de textos cujos caracteres, letras, palavras ou frases são modulados por voz, é necessário que o usuário use os comandos do leitor de tela, acionado via teclado pela combinação de teclas. 4.4. NVDA (Non Visual Desktop Access) Leitor de telas livre e gratuito, de código aberto, para o sistema operacional Windows e pode ser lido diretamente de um pen drive ou CD (www.nvda-project.org e http://www.nvaccess.org). 4.5. VIRTUAL VISION Desenvolvido pela empresa Micropower, permite utilização do ambiente Windows, os aplicativos Office, navegação pela Internet, uso de programas de comunicação, como Skype e MSN, emuladores de terminais, aplicativos de desenvolvimento e processos (www.micropower.com.br). Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 13 4.6. JAWS Da empresa internacional Freedom scientif, permite operar no ambiente Windows e em seus aplicativos, utiliza programas, editar documentos, ler páginas da Web com idioma Português do Brasil (www.freedomscientific.com). 4.7. ORCA Leitor de telas livres que permite o acesso ao ambiente Linux e suas ferramentas (http://live.gnome.org/Orca). Segundo o que nos esclarece a autora o professor deve providenciar a digitalização do texto (em pen drive ou CD), para que o aluno possa acompanhar a aula. Dessa forma os recursos de acessibilidade devem ser assegurados para que o aluno com deficiência visual possa participar das aulas com autonomia. 5. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA Para o desenvolvimento desse estudo optou-se por pesquisa qualitativa, pois possibilita a compreensão do ambiente natural, nesta pesquisa à escola municipal EMEI “Malackey Taufic Albuquerque”. A pesquisa qualitativa proporciona explicações sobre as informações levantadas sem maior detalhamento, sem quantificar, valorizando as particularidades. Neste caso conforme salientam Ludke e André (1996), os dados são predominantemente descritivos. O material obtido é de descrição de pessoas, acontecimentos, situações e inclui descrições de entrevistas e depoimentos (LUDKE, ANDRÉ, 1996). O presente estudo consistiu em coleta de informações através dos depoimentos da professora da Sala de Recursos da Escola Municipal supracitada. Como já mencionado foi realizada a entrevista com professora da Sala de Recursos desta Escola Municipal, pois é a única que faz atendimento aos alunos com deficiência visual, inclusive faz atendimento de crianças com todas as deficiências e dificuldades de aprendizagem, visto que, esse foi um dos pontos negativos em relação ao cotidiano escolar. Os meios utilizados foram entrevistas informais focalizando a ação pedagógica e os recursos que a professora aplica no atendimento desse alunado, obtendo a transcrição da pesquisadora, que por meio de análise critica das respostas e trechos selecionados, Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 14 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular foram sendo tecidas as relações entre as informações, comparando-se a realidade com a legislação e com o ideal de atendimento especializado. Acredita-se que foi possível alcançar o objetivo de estudo com a coleta de dados e as argumentações embasadas na literatura, sobre os tipos de apoios especializados que a Sala de Recurso pode proporcionar a inclusão dos alunos com deficiência visual na escola regular. A Escola EMEI “Malackey Taufic Albuquerque” está situada em um bairro de classe média, com atendimento de ensino fundamental do 1º ao 5º ano, e o atendimento especializado na Sala de Recursos, onde podemos encontrar computador com software de voz, tela de 50 (cinquenta) polegadas, impressora comum e impressora em Braille, regletes, soroban, globo terrestre em alto relevo, cadernos com linhas grossas e ampliadas, um armário com materiais produzidos pela professora da sala (em uma forma de pizza, colocou grãos de feijão para que o aluno possa ouvir o barulho das ondas do mar), bengala, lupas, marcadores para leitura, enfim, uma sala com os recursos necessários ao apoio do aluno com deficiência visual. Ao perguntar à professora da Sala de Recursos sobre as ações que desenvolve para facilitar a inclusão desses alunos nas classes comuns, respondeu que utiliza de várias possibilidades inclusive uma destinada a alunos com baixa visão e outra para alunos totalmente cegos. Mostrou-se preocupada em preparar atividades que possibilitem que os alunos desenvolvam as atividades nas classes comuns. Observa-se, porém, que a professora prioriza em preparar o material para o acompanhamento do aluno na sala comum, seja esse material em Braille ou em formato ampliado dependendo das necessidades de cada aula. A professora relata que faz o acompanhamento dos alunos mediante o caderno que é adaptado para a baixa visão com linhas mais grossas e lápis de ponta porosa. Quanto aos alunos que não utiliza caderno, por ser totalmente cegos, conversa com as professoras das salas comuns durante os HTPCs. Segundo nos afirma a sua atuação poderia ser mais eficaz se pudesse conversar com as professoras antes do inicio de todas as aulas, para orientação das atividades a serem aplicadas em sala, e se em sua sala atendesse apenas uma deficiência. As atividades desenvolvidas na sala de recurso visa desenvolver a autonomia do educando, a organização de seus pertences dentro da sala, objetos pessoais, para que assim possam se locomover sozinhos, atividades da vida diária, como por exemplo, Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 15 arrumar seus materiais escolher suas roupas de acordo com a temperatura que está sentindo, desenvolver a percepção sensorial, ou seja, o uso dos demais sentidos. A professora afirma que promove a adaptação dos materiais didáticos, principalmente mapas e gráficos, para que possam ser compreendidos através do tato pelos alunos. Disponibiliza livros em Braille e impressão de material em letra ampliada para melhor visualização dos alunos com baixa visão. Usa computador com tela de 50 polegadas, software de voz, impressora em Braille, soroban, papel especializado, caneta de ponta porosa, livros com letras ampliadas e papel com pautas adaptadas aos alunos de baixa visão. A professora auxilia no que se faz necessário, para tentar sanar as dificuldades, de modo a complementar o que é ensinado em sala comum. Porém nos esclarece que o atendimento poderia ser melhor se atendesse a apenas uma deficiência, pois assim teria um tempo maior para preparar o material destinado ao aluno com deficiência visual. Este estudo tem a finalidade de contribuir para o entendimento da deficiência visual, visando à melhoria do processo de ensino-aprendizagem, com a utilização das salas de recursos garantindo a esse alunado a permanência e o sucesso escolar. Caiado apud Vygotsky (1995), aponta em seus estudos que: “(...) Se de um lado o processo de humanização impulsiona o individuo para o convívio social, de outro lado, a limitação biológica, de mobilidade e de recepção visual, dificulta os processos sociais”. O novo significado da compensação mostra que esse conflito engendra forças para a superação dos obstáculos. A autora nos esclarece que a luta contra as limitações da cegueira e suas consequências, compreendida numa abordagem social e histórica, revela a necessidade de se empreenderem ações em três dimensões: a prevenção da cegueira, enquanto produção social dada às péssimas condições de vida das camadas populares; ações educacionais que coloquem fim ao isolamento da pessoa cega e ao limite entre a escola especial e a escola regular; o acesso ao trabalho criador em contra posição ao trabalho explorado, humilhante, assistencial. Assim complementa com as considerações de Vygotsky (1995), onde revela que “a superação da cegueira depende de um projeto político, bem como da constituição de uma nova sociedade”. Para Caiado (2006) apud Schaff (1967 p. 9), o projeto político revolucionário que deve “transformar o mundo desumano, em que dominam os objetos, num mundo dos Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19
  • 16 Possibilidades de inclusão dos alunos com deficiência visual no ensino regular homens, num mundo de homens livres, que formem conscientemente o seu destino e para os quais o bem supremo seja o próprio homem”. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo procurou analisar os tipos de apoios oferecidos pela Sala de Recursos da escola municipal que oferece apoio educacional especializado (AEE). Tal pesquisa buscou cumprir o objetivo de conhecer os auxílios disponíveis para facilitar a acessibilidade que as salas de recursos, proporcionam aos alunos com deficiência visual. O estudo foi embasado na legislação e documentos nacionais e internacionais, entre os quais, o conceito de deficiência visual segundo Organização Mundial da Saúde. O texto também se reportou ao Parecer que normatiza a Sala de Recursos, Constituição Federal de 1988, o artigo 205 prevê o direito de todos à educação e o artigo 208 prevê o atendimento educacional especializado, e a inclusão escolar, fundamentada na atenção à diversidade. No decorrer da pesquisa pôde ser observado que os objetivos do atendimento na Sala de Recursos, visam garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular; desenvolver recursos didáticos e pedagógicos para auxiliar o processo de ensino e aprendizagem e garantir sua permanência no ambiente escolar garantindo sua formação para o desenvolvimento da autonomia e inclusão social com a inserção no mercado de trabalho. E o professor é o responsável pelos primeiros passos rumos a socialização, que só querem uma chance de poder aprender, e assim, ultrapassar as barreiras e mudar paradigmas em relação à pessoa com deficiência visual. Portanto neste estudo compartilha-se a ideia de que é preciso dar oportunidade do aluno com deficiência visual, com atendimento educacional especializado, de forma que se sinta parte não só da sala de aula ou escola, mas inserido na sociedade. Porém todo o esforço desses alunos será pouco se não houver educadores preparados a ajudá-los a superar seus limites e romper as barreiras sociais. Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2009  p. 2-19
  • Angela Maria Pelaes 17 Dessa forma, a pesquisa nos mostra que as pessoas com deficiência visual não necessitam de piedade ou atitudes paternalistas muitas vezes até poupando-as das atividades básicas de sobrevivência. Na verdade o que ela precisa é ser inclusa na sociedade, oferecendo-lhes oportunidades educacionais, para que sejam capazes de enfrentar o ensino superior e assim ter a oportunidade de um emprego digno. REFERÊNCIAS BARBOSA, A.C.; A inclusão de crianças com deficiência na escola comum: é possível?; Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Educação, Campinas, SP, [s.n.], 2006. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br. Acesso em: 17 Jul 2011. BRASIL. Saberes e práticas da inclusão : desenvolvendo competências para o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos cegos e de alunos com baixa visão.[2. ed.] Coord. geral SEESP/MEC. Brasília : MEC, Secretaria de Educação Especial, 2006.208 p. (Série : Saberes e práticas da inclusão). CAIADO, K. R. M.; Aluno Deficiente Visual na Escola – Campinas PUC – Autores Associados: PUC, 2ª. Ed. – Campinas, SP, 2006. 150 p. KASTRUP, V.; O aprendizado da utilização da substituição visuo-tátil por pessoas com deficiência visual: primeiras experiências e estratégias metodológicas. Psicol. Soc., vol. 21, no. 2, Florianópolis, maio/ago. 2009. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em: 16 Jul. 2011. LUDKE,M.; ANDRE, M. E. D. A.; Pesquisa em Educação: Abordagem Qualitativa, São Paulo, EPU, 1996. ROSA, S.P. da S.; et al ; Fundamentos Teóricos e Metodológicos da Inclusão – Curitiba: IESDE S. A., 1ª. Ed., 2008, p 127 - 175. SILVA, C. R. de O. e; Metodologia e Organização do projeto de pesquisa (Guia Prático); Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará, maio 2004. Disponível em: http://www.ufop.br/demet/metodologia.pdf. Acesso em: 14 Jul. 2011. SILVA, R. S. da; Sala de Recursos como Apoio Especializado a Alunos com Necessidades Educacionais Especiais: Um Estudo de caso em Escolas Estaduais; São Paulo, 2009. Disponível em: http://www.radarciencia.org/Record/oai-mx-mackenzie-com-br-852 Acesso em: 12 Dez. 2011. Angela Maria Pelaes Revista de Educação  Vol.XII , Nº. 13,14, Ano 2010  p. 1-19