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Slide da oficina ministrada pelo acadêmico da Faculdadade Uneouro Jenefissom Fagundes em caráter especial e apresenta a subjatividade e a interface presentes na obra do autor

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  • 1. Conhecendo Chico ―Atrás da Porta‖
  • 2. Chico Conviveu com grandes escritores, compositores: Vinícius de Moraes, Tom Jobim, João Gilberto, Manoel Bandeira, entre muitos outros; Artista consagrado nos Anos de Chumbo (após o Golpe Militar de 1964); Consciente da responsabilidade social (―Mas eu continuo achando que é melhor ser censurado do que omisso‖ BUARQUE, Chico. Revista 365, 1976. Disponível no site; Primeira peça teatral: Roda Viva; Optou , após a repressão sobre a peça de teatro Roda Viva, auto-exílio na Itália; Julinho da Adelaide
  • 3.  Ranking dos músicos do século: 1º Chico Buarque - 76,48% Autor de "A banda" e "Apesar de você" um dos poetas mais exuberantes da MPB. 2º Tom Jobim - 73,78% - Compositor popular brasileiro mais conhecido internacionalmente. 3º Vinícius De Moraes - 59,76% - Poeta que deu qualidade à música popular O músico do século. Istoé - 28/02/99
  • 4.  ―A poesia de Chico Buarque é a tentativa de encontrar um sentido para o homem num mundo desfigurado pela técnica, projetando-se como uma interrogação, O espaço externo, entendido não como uma dimensão limitada do real, mas todo o contexto humano- existencial do século XX como totalidade do real, atravessado pela angústia e incerteza da humanidade, carece de sentido.‖
  • 5. CHARTIER, Roger ., op. Cit., p. 52-53―a obra só adquire sentido através dasestratégias de interpretação que constroemsuas significações. A do autor é uma dentreoutras, que não encerra em si a―verdade‖, suposta única e permanente daobra. Através disso, pode ser restituído umjusto lugar ao criador, cuja intenção (claraou inconsciente) não contém mais toda acompreensão possível de sua criação, mascuja relação com a obra não é, noentanto, eliminada.‖
  • 6.  Mario Prata; Autores Independentes; Literatura Contemporânea, não possui um estilo; Caracois (Roberto Carlos) As entrelinhas
  • 7. Tem dias que a gente se sente A roda da saia, a mulataComo quem partiu ou morreu Não quer mais rodar, não senhorA gente estancou de repente Não posso fazer serenataOu foi o mundo então que cresceu A roda de samba acabouA gente quer ter voz ativa A gente toma a iniciativaNo nosso destino mandar Viola na rua, a cantarMas eis que chega a roda-viva Mas eis que chega a roda-vivaE carrega o destino pra lá E carrega a viola pra láRoda mundo, roda-gigante Roda mundo (etc.)Roda-moinho, roda piãoO tempo rodou num instante O samba, a viola, a roseiraNas voltas do meu coração Um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageiraA gente vai contra a corrente Que a brisa primeira levouAté não poder resistir No peito a saudade cativaNa volta do barco é que sente Faz força pro tempo pararO quanto deixou de cumprir Mas eis que chega a roda-vivaFaz tempo que a gente cultiva E carrega a saudade pra láA mais linda roseira que há Roda mundo (etc.)Mas eis que chega a roda-vivaE carrega a roseira pra láRoda mundo (etc.)
  • 8.  Composta em 1967 é um protesto contra a falta de liberdade de expressão; A gente tem que ter voz ativa (a roda viva - ditadura/exercito - que matava a voz das pessoas); Nosso destino mandar/Mas eis que chega roda viva/E carrega o destino pra lá... (destino carregado pela roda viva, as pessoas não podiam escolher o destino);
  • 9.  A gente toma iniciativa/Viola na rua a cantar/Mais eis que chega a roda viva/E carrega a viola pra lá... (a roda viva - ditadura/exercito protesto contra o militarismo – pessoas presas e torturadas); Faz tempo que a gente cultiva/ A mais linda roseira que há/ Mas eis que chega a roda viva/ E carrega a roseira prá lá... (rosa como símbolo do socialismo);
  • 10.  O samba, a viola, a roseira Que um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou... (samba, viola é o fim da liberdade de expressão e, roseira/rosa = socialismo é a ilusão queimada pela ditadura); OLIVEIRA, Walklenguer H. de. Disponível no site http//analisedeletras.com.br/chico-buarque/roda-viva/
  • 11.  Sentimento de impasse:construção de uma vida com a responsabilidade do cotidiano, a rotina circular e repetitiva, Roda vida como onipresente (forma de sentir a vida); Primeiros versos transmitem impotência (partiu, morrei, estocou) a alienação da pessoa com o mundo, o mundo cresce e você não, a roda viva o impede; A repetição da estrofe ao fim de cada verso dá a ideia de rotação (roda- gigante, moinho e peão);
  • 12.  As roseiras cultivadas por nós é levada pela roda-viva antes que floresça, tirando a capacidade de viver); Os versos representam a fraqueza do protesto, a liberdade é oprimida; O ultimo verso dito por várias pessoas representa o que todos pensam sobre a supressão ―Pare o mundo que eu quero descer‖
  • 13.  Os cantores revolucionários foram proibidos de cantar (os cantores do Tropicalismo) surgindo assim a criação do POP, a imagem e produto de novos ídolos; A indústria constrói um sistema musical que atinja a massa, padronizando as diferenças;
  • 14.  Foram oferecidas atrações para distrair o povo do que estava acontecendo no Brasil (ditadura), abrindo espaço ao Fino da Bossa com Elis Regina e Jovem Guarda comandado por Roberto Carlos e sua turma do iê-iê-iê do Zé-do-Mato, (copiando as guitarras estrangeiras); Roda-Viva descreve o tortuoso caminho de um recente ídolo (que não sabe cantar) dentro dessa máquina poderosa em que se transformou o mercado de consumo; (JÚNIOR, Egon Hamann Seidler. Acadêmico do Curso de Artes Cônicas – Centro de Artes – UNDESC. Artigo Científico: A encenação no Brasil entre os anos 1967 e 1974 – O tropicalismo no teatro.
  • 15.  A peça Roda-viva nada tinha de político. Refletia tão somente o am-biente em que Chico vivia e com o qual estava assustado: o show business. Ele descreve a trajetória do cantor popular Benedito Silva, engolido pelo esquema da televisão. Num primeiro momento o Anjo, seu empresário, o transforma em Ben Silver, depois em Benedito Lampião, para, finalmente, quando não mais atende aos interesses da máquina, induzi-lo à morte. HOMEM, Wagner. Histórias de Canções - Chico Buarque, Ed. Leya, 2009 (fl. 55, 56, 57)
  • 16. Construção
  • 17. ConstruçãoAmou daquela vez como se Sentou pra descansar comofosse a última se fosse sábadoBeijou sua mulher como se Comeu feijão com arroz comofosse a última se fosse um príncipeE cada filho seu como se Bebeu e soluçou como sefosse o único fosse um náufragoE atravessou a rua com Dançou e gargalhou como seseu passo tímido ouvisse músicaSubiu a construção como E tropeçou no céu como sese fosse máquina fosse um bêbadoErgueu no patamar quatro E flutuou no ar como se fosseparedes sólidas um pássaroTijolo com tijolo num E se acabou no chão feito umdesenho mágico pacote flácidoSeus olhos embotados de Agonizou no meio do passeiocimento e lágrima público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
  • 18. ConstruçãoAmou daquela vez como se Comeu feijão com arroz comofosse o último se fosse o máximoBeijou sua mulher como se Bebeu e soluçou como sefosse a única fosse máquinaE cada filho seu como se Dançou e gargalhou como sefosse o pródigo fosse o próximoE atravessou a rua com E tropeçou no céu como seseu passo bêbado ouvisse músicaSubiu a construção como E flutuou no ar como se fossese fosse sólido sábadoErgueu no patamar quatro E se acabou no chão feito umparedes mágicas pacote tímidoTijolo com tijolo num Agonizou no meio do passeiodesenho lógico náufragoSeus olhos embotados de Morreu na contramãocimento e tráfego atrapalhando o públicoSentou pra descansarcomo se fosse um príncipe
  • 19. ConstruçãoAmou daquela vez como se Por me deixar respirar, por mefosse máquina deixar existir,Beijou sua mulher como se Deus lhe paguefosse lógico Pela cachaça de graça que aErgueu no patamar quatro gente tem que engolirparedes flácidas Pela fumaça e a desgraça, queSentou pra descansar como se a gente tem que tossirfosse um pássaro Pelos andaimes pingentesE flutuou no ar como se fosse que a gente tem que cair,um príncipe Deus lhe pagueE se acabou no chão feito um Pela mulher carpideira prapacote bêbado nos louvar e cuspirMorreu na contra-mão E pelas moscas bicheiras aatrapalhando o sábado nos beijar e cobrirPor esse pão pra comer, por E pela paz derradeira queesse chão prá dormir enfim vai nos redimir,A certidão pra nascer e a Deus lhe pagueconcessão pra sorrir
  • 20.  “Amou daquela vez como se fosse a última /Beijou sua mulher como se fosse a última/E cada filho seu como se fosse o único /E atravessou a rua com seu passo tímido ”. O sujeito da canção é um homem, pai de família, ainda sugere que é de baixa condição social, devido ao andar tímido, e também pelo número de filhos.
  • 21.  ―Subiu a construção como se fosse máquina‖. O desempenho no emprego é comparado a uma máquina, o que nos revela que o homem trabalha sem questionar o que faz. Pelo fato da letra ter sido escrita na época da ditadura, nos remete a pensar que Ele, ou faz aquilo que mandam ou é punido. ―Ergueu no patamar quatro paredes sólidas /Tijolo com tijolo num desenho mágico.” Comprova o emprego do Homem na construção civil.
  • 22.  O sentimentalismo se faz presente em “ Seus olhos embotados de cimento e lágrima“ ou seja nos olhos do trabalhador , reflete o sofrimento dessa condição social. ―Sentou pra descansar como se fosse sábado/ Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe ‖. Retrata a necessidade de descansar e o fato de comer arroz e feijão é a rotina que não pode escapar.
  • 23.  ―Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago /Dançou e gargalhou como se ouvisse música .‖ O alcoolismo que é comum nas classes inferiores que ajuda manter a força muscular dos trabalhadores de construção. A alegria barata da bebida proporcionou a queda ―E tropeçou no céu como se fosse um bêbado /E lutou no ar como se fosse um pássaro/E se acabou no chão feito um pacote flácido ―, tropeçar no prédio alto é como tropeçar no céu.
  • 24.  ―Agonizou no meio do passeio público /Morreu na contramão atrapalhando o tráfego‖, os últimos momentos do homem que foi indiferente, a única preocupação do povo era que atrapalhava o tráfego. A contradição existente é que dentro de casa o homem é o líder, mas na rua é um sujeito qualquer, um parafuso da engrenagem capitalista.
  • 25.  A ultima estrofe é de um modo mais acelerado, com sons vindo de todos os lados, ilustra a vida sem rumo daquele trabalhador, como outros trabalhadores por aí, invisíveis à sociedade. SENKEVICS, Adriano. Disponível no site http//analisedeletras.com.br/chicoBuarque/Construção/
  • 26.  A música difere três antagonismo da sociedade brasileira: a diferença social, a vida profissional, familiar e a visão social sobre eles;
  • 27.  A primeira estrofe retrata o pobre trabalhador: ―Beijou sua mulher como se fosse a última ―, ―Sentou pra descansar como se fosse sábado ― qualquer descanso como se fosse sábado, ―Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe‖ qualquer feijão com arroz é banquete porque é trabalhoso conseguir, e por fim, ―Morreu na contramão atrapalhando o tráfego‖ pessoa ignorada pelo povo.
  • 28.  A segunda a classe média (talvez um engenheiro): ―Beijou sua mulher como se fosse a única ―, ―Sentou pra descansar como se fosse um príncipe ― na hora em que o trabalhador trabalha, ―Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo‖, não é o máximo poderia ir a uma churrascaria, por fim, ―Morreu na contramão atrapalhando o público‖, atrapalha o trânsito porque ainda não é conhecido.
  • 29.  A terceira os militares: ―Beijou sua mulher como se fosse lógico―, ―Sentou pra descansar como se fosse um pássaro ―, por fim, ―Morreu na contramão atrapalhando o sábado‖ atrapalhando o sábado de todo o Brasil, mexendo com a mídia, funeral com todas as obrigações como se fosse mais importante que o trabalhador e o engenheiro... João Paulo, disponível no site http//analisedeletras.com.br/chicobuarque/Construção /
  • 30.  A consciência social de Chico Buarque de Holanda, em Construção, como em toda a sua obra, é evidente. Sabe o poeta que a poesia é seu instrumento, o seu veículo de denúncia, de crítica, de representação de uma realidade desumana e injusta. Pois é preciso que o homem não seja ―máquina‖, nem ―pacote‖. Mas que signifique. Mas também que possa exercer sua liberdade. Assim deve ser visto pela sociedade, assim deve ser
  • 31. entendido por todos. Chico aponta para uma estrutura social que não gostaria que existisse para uma coisificação do homem que não deve persistir. Em Construção, o sujeito é generalizado. O homem é visto, em relação a sociedade, de maneira trágica, oprimido, marcado pela inutilidade. Ele constrói, mas é destruído. Ah!, se ele não morresse num sábado... Chico atesta a desumanização do homem: amou daquela vez como se fosse máquina.  DANTAS, José Maria de Souza. MPB o canto e a canção. Rio de Janeiro. Ed. Ao Livro Técnico S/A. 1988.
  • 32.  Falando à revista Status, em 1993, Chico confessa que inicialmente tudo não passava de uma experiência formal, e que a idéia de narrar os últimos instantes de vida de um operário veio depois da música quase pronta. O jornalista David Nasser, que sugeriu a inclusão de mais uma proparoxítona: "Médici", o nome do presidente. HOMEM, Wagner. Histórias de Canções - Chico Buarque, Ed. Leya, 2009 (fl. 97, 98)
  • 33.  Não passava de experiência formal, jogo de tijolos. Não tinha nada haver com o problema dos operários – evidente, aliás, sempre que você abre janelas. Na hora que eu componho não há intenção – só emoção. Em Construção, a emoção estava no jogo de palavras (todas paroxítonas). Agora, se você colocar um ser humano dentro de um jogo de palavras, como se fosse... Um tijolo – acaba mexendo com a emoção das pessoas.Entrevista a Judith Patarra, revista Status, 1973.
  • 34. Geni e o Zepelin
  • 35. Geni e o ZepelinDe tudo que é nego torto Um dia surgiu, brilhanteDo mangue e do cais do porto Entre as nuvens, flutuanteEla já foi namorada Um enorme zepelimO seu corpo é dos errantes Pairou sobre os edifíciosDos cegos, dos retirantes Abriu dois mil orifíciosÉ de quem não tem mais nada Com dois mil canhões assimDá-se assim desde menina A cidade apavoradaNa garagem, na cantina Se quedou paralisadaAtrás do tanque, no mato Pronta pra virar geléiaÉ a rainha dos detentos Mas do zepelim giganteDas loucas, dos lazarentos Desceu o seu comandanteDos moleques do internato Dizendo – Mudei de idéiaE também vai amiúde – Quando vi nesta cidadeCom os velhinhos sem saúde – Tanto horror e iniqüidadeE as viúvas sem porvir – Resolvi tudo explodirEla é um poço de bondade – Mas posso evitar o dramaE é por isso que a cidade – Se aquela formosa damaVive sempre a repetir – Esta noite me servirJoga pedra na Geni Essa dama era GeniJoga pedra na Geni Mas não pode ser GeniEla é feita pra apanhar Ela é feita pra apanharEla é boa de cuspir Ela é boa de cuspirEla dá pra qualquer um Ela dá pra qualquer umMaldita Geni Maldita Geni
  • 36. Geni e o ZepelinMas de fato, logo ela Foram tantos os pedidosTão coitada e tão singela Tão sinceros, tão sentidosCativara o forasteiro Que ela dominou seu ascoO guerreiro tão vistoso Nessa noite lancinanteTão temido e poderoso Entregou-se a tal amanteEra dela, prisioneiro Como quem dá-se ao carrascoAcontece que a donzela Ele fez tanta sujeira– e isso era segredo dela Lambuzou-se a noite inteiraTambém tinha seus caprichos Até ficar saciadoE a deitar com homem tão nobre E nem bem amanheciaTão cheirando a brilho e a cobre Partiu numa nuvem friaPreferia amar com os bichos Com seu zepelim prateadoAo ouvir tal heresia Num suspiro aliviadoA cidade em romaria Ela se virou de ladoFoi beijar a sua mão E tentou até sorrirO prefeito de joelhos Mas logo raiou o diaO bispo de olhos vermelhos E a cidade em cantoriaE o banqueiro com um milhão Não deixou ela dormirVai com ele, vai Geni Joga pedra na GeniVai com ele, vai Geni Joga bosta na GeniVocê pode nos salvar Ela é feita pra apanharVocê vai nos redimir Ela é boa de cuspirVocê dá pra qualquer um Ela dá pra qualquer umBendita Geni Maldita Geni
  • 37.  A história de Bola de Sebo se passa na França, no período final da guerra contra a Alemanha. O país estava sendo invadido pelos prussianos. Na cidade de Ruão, um grupo de habitantes resolve partir para o porto de Havre. Entre os viajantes havia pessoas da nobreza e outros menos favorecidos, entre eles uma gorda prostituta, apelidada, adivinhem? Bola de Sebo. Com o passar das horas, todos sentiam fome, mas apenas Bola de Sebo havia levado
  • 38.  Gentil, ela compartilha com os outros que, desta forma, deixaram de lado o preconceito inicial. No caminho foram impedidos de sair por um oficial alemão, que impôs a condição de dormir com Bola de Sebo, para que fossem liberados. No início ela recusa, afinal aquele é um homem que faz parte do povo que invadiu sua pátria e aquilo seria antiético para sua profissão, mas com a insistência de seus companheiros, ela acaba cedendo.
  • 39.  Acredito que Chico Buarque tenha tido a intenção de compartilhar com o seu público essa história do significado do valor de um indivíduo para as pessoas. É como a seguinte situação: A sua utilidade (bondade, talento) é valiosa até o favorecimento de outros. Depois a sua utilidade(serventia) não vale mais. Izabele - Mossoró-RN
  • 40.  Chico Buarque conta a história de uma mulher que é vista como uma prostituta e é julgada e humilhada pela sociedade que a mesma não ajuda. Trata-se de uma mulher simples e com ‗respeito‘ por ser donzela e boa, o suficiente, para auxiliar as pessoas como os idosos.
  • 41.  Porém, quando a comunidade necessita dela para os salvar, se ajoelham a seus pés – O padre, o banqueiro e o prefeito- O poder religioso, financeiro e político se cegam para enxergar os princípios, ou seja, só pensam nos seus interesses próprios. O compositor reputa a hipocrisia das pessoas e a ingratidão. Após Geni salvar a cidade, ela volta ao patamar baixo no qual a sociedade a colocou e no, no fundo, sempre a enxergou.
  • 42.  Em Geni e o Zepelin ―De tudo que é nego torto/Do mangue e do cais do porto/Ela já foi namorada” é narrada a estória de um homossexual (por ele próprio) que salva uma cidade de uma possível explosão, ameaçada por um ser cósmico que por ali desembarcara. No entanto, mesmo tendo proporcionado essa salvação à custa de seu sacrifício pessoal “Entregou-se a tal amante/Como quem dá-se ao carrasco”.
  • 43.  Geni é repudiado e apedrejado “Joga pedra na Geni/ Joga bosta na Geni/ Ela é feita pra apanhar/ Ela é boa de cuspir/ Ela dá pra qualquer um Maldita Geni”. Geni é um plano idealizado de mulher, que de dia é Genival e de noite é Geni. CARVALHO, Gilberto de. Chico buarque: análise poético- musical. Rio de Janeiro, Editora Codecri, 1982. 
  • 44.  A música, cuja história é baseada na da prostituta do conto "Bola de sebo", de Guy de Maupassant, rapidamente virou sucesso — e, como tal, gerou reações as mais diversas. Interpretações equivocadas da letra levaram até vândalos a atirar areia em prostitutas, usando o bordão catártico "joga bosta na Geni". Em entrevista ao programa Canal livre, em 1980, Chico lamenta o fato, dizendo que todo artista está sujeito a coisas do tipo, mas que não deve submeter o processo criativo ao temor de ser mal entendido. HOMEM, Wagner. Histórias de Canções -  Chico Buarque, Ed. Leya, 2009 (fl. 169, 170, 171)
  • 45. Quando olhaste bemnos olhos meusE o teu olhar era deadeusJuro que nãoacreditei, eu te estranheiMe debrucei sobre teucorpo e duvideiE me arrastei e tearranheiE me agarrei nos teuscabelosNo teu peito, teu pijamaNos teus pés ao pé dacamaSem carinho, sem Dei pra maldizer o nosso larcoberta Pra sujar teu nome, te humilharNo tapete atrás da porta E me vingar a qualquer preçoReclamei baixinho Te adorando pelo avesso Pra mostrar que inda sou tua
  • 46.  A música, narrada por um eu- feminino, compõe um cenário de separação, numa espécie paradoxal de amor e ódio, paixão e vingança. O título da canção, ―Atrás da Porta‖, já evidencia uma separação, com a porta servindo com barreira entre os dois lados. Os primeiros versos, não foi necessária nenhuma palavra, senão apenas o olhar, para ficar subentendida a mensagem de partida. Em “Juro que não acreditei / Eu te estranhei / Me debrucei / Sobre o teu corpo e duvidei”, a assonância causada pela terminação ‗ei‘ reforça a idéia de pretérito perfeito.
  • 47.  Chico realça a noção de amor como instinto selvagem, uma série de atitudes impulsivas, a visão selvagem dá destaque a esta ação.. Um dos versos mais interessantes é “Sem carinho, sem coberta”. A ausência de carinho, uma palavra que assume sentido abstrato. A primeira estrofe termina com “No tapete atrás da porta / Reclamei baixinho”. O tapete atrás da porta destaca a submissão.
  • 48.  Na segunda estrofe rompem com a submissão e mostram uma vingança inevitável, tendo como pano de fundo, logo, a selvageria. A ambigüidade da canção fica a cargo de “Te adorando pelo avesso” que cria uma imagem confusa de amor. A letra finaliza com ótimo desfecho; Chico, em vez de escrever ‗ainda‘, escreveu ‗inda‘, para mostrar sua intimidade com a língua portuguesa. SENKVICS, Adriano. http://letrasdespidas.wordpress.com/2007/07/1 9/chico-buarque-atras-da-porta/
  • 49.  É a primeira parceria da dupla, Francis começou a cantarolar a música ao piano, e Chico fez o que nunca havia feito e nem voltaria a fazer: compor na frente dos outros. Conforme ele mesmo diz, "tenho vergonha de fazer na frente dos outros". Prefere a so-lidão do seu estúdio. Mas com "Atrás da porta" foi diferente. Na mesma hora, no meio da confusão, saiu a primeira parte da letra. E parou aí.
  • 50.  A segunda parte não veio no dia seguinte nem nos meses subse-quentes. Quem cantaria a canção seria Elis Regina, cujo disco já estava sendo gravado. Dos Estados Unidos, onde morava na ocasião, Francis fez com que o produtor enviasse a Chico uma fita com todos os arranjos e a voz da intérprete até onde havia letra e com a segunda parte já orquestrada. Não dava para protelar. O expediente utilizado para pressionar ficou conhecido como "O Golpe de Francis".
  • 51.  A vigilante censura parecia ter preferência por homens glabros, e os versos "E me agarrei nos teus cabelos/ Nos teus pelos" tiveram que ser substuídos por "E me agarrei nos teus cabelos/ No teu peito". Chico cantou a letra original no show do Teatro Castro Alves. Mas quando o espetáculo virou disco, novamente a censura proibiu os "pelos", e a solução encontrada pela gravadora foi enxertar um estranhíssimo e crescente aplauso fora de hora quando os cantores pronunciavam a palavra condenada.  HOMEM, Wagner. Histórias de Canções - Chico Buarque, Ed. Leya, 2009 (fl. 106, 107)