Apostila toxicologia
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Apostila toxicologia Apostila toxicologia Document Transcript

  • NOÇÕES DE TOXICOLOGIA Airton Marinho da Silva – Médico do Trabalho (Texto baseado em apostila utilizada no Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho da FEAMIG, de autoria de Luiz Gonzaga Resende Bernardo, a quem apresentamos sinceros agradecimentos.)
  • 1 SUMÁRIO NOÇÕES DE TOXICOLOGIA ..........................................................................................................................0 1 A TOXICOLOGIA NA HISTÓRIA..............................................................................................................2 2 CONCEITOS BÁSICOS...........................................................................................................................3 2.1 TOXICOLOGIA ...............................................................................................................................3 2.2 INTOXICAÇÃO ...............................................................................................................................4 2.4 AGENTE TÓXICO ...........................................................................................................................5 2.4.1 OS AGENTES TÓXICOS .........................................................................................................6 2.5 TOXICIDADE..................................................................................................................................6 2.6 RISCO TÓXICO ..............................................................................................................................7 2.7 TERMOS DE INTERESSE EM TOXICOLOGIA...................................................................................7 3 RELAÇÕES DOSE X EFEITO E DOSE X RESPOSTA............................................................................8 3.1 PRINCIPAIS MECANISMOS DE AÇÕES TÓXICAS: ...........................................................................9 4 EXEMPLOS DE AGENTES TÓXICOS DE INTERESSE EM TOXICOLOGIA OCUPACIONAL ......................9 5 VIAS DE PENETRAÇÃO DOS AGENTES TÓXICOS NO ORGANISMO ...............................................9 5.1 A ABSORÇÃO DE AGENTES TÓXICOS:...........................................................................................9 5.2 O TRANSPORTE DOS AGENTES: .................................................................................................10 5.3 AS VIAS DE ABSORÇÃO:..............................................................................................................10 5.3.1 PENETRAÇÃO PELA VIA GASTROINTESTINAL..................................................................10 5.3.2 PENETRAÇÃO PELA VIA CUTÂNEA (PELE)........................................................................11 5.3.3 PENETRAÇÃO PELA VIA RESPIRATÓRIA ..........................................................................11 6 DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM DOS AGENTES TÓXICOS NO ORGANISMO .............................12 6.1 DISTRIBUIÇÃO.............................................................................................................................12 6.2 ARMAZENAGEM ..........................................................................................................................12 7 MECANISMOS DE PROTEÇÃO E DESINTOXICAÇÃO .......................................................................12 7.1 BIOTRANSFORMAÇÃO ................................................................................................................13 7.2 EXCREÇÃO..................................................................................................................................14 8 PREVENÇÃO DA INTOXICAÇÃO OCUPACIONAL..............................................................................14 8.1 MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL .....................................................................................................15 8.2 MONITORIZAÇÃO BIOLÓGICA......................................................................................................16 9 INDICADORES BIOLÓGICOS DE EXPOSIÇÃO....................................................................................16 9.1 INDICADORES DE DOSE INTERNA (BIOMARCARDORES DE EXPOSIÇÃO) .........................................17 9.2 INDICADORES DE EFEITO ...........................................................................................................17 9.3 LIMITES BIOLÓGICOS DE EXPOSIÇÃO ........................................................................................18 REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................19
  • 2 1 A TOXICOLOGIA NA HISTÓRIA Em determinado estágio da evolução da raça humana, o homem reconheceu que havia consequências danosas ou benéficas associadas ao uso de determinadas substâncias. Ao manipular ou ingerir substâncias de origem animal, vegetal ou mineral o ser humano foi aprendendo, a duras penas, que algumas delas produziam doenças ou causavam a morte ou eram uma forma de alimento indesejável. Paracelso disse, há cerca de 400 anos: “Todas as substâncias são tóxicas. Não há uma que não seja veneno. A dose correta é que diferencia um veneno de um remédio”. Levando-se em conta este enunciado e raciocinando em termos de presença de substâncias diversas no ambiente de trabalho, podemos dizer que todas essas substâncias podem produzir algum tipo de efeito adverso, quando em interação com o organismo humano. A percepção da relação trabalho/doença, historicamente, não é recente. Há registros das observações de Lucrécio, um século antes da era cristã, indagando sobre os mineiros daquela época: “Não viste ou ouviste como morrem em tão pouco tempo, quando ainda tinham tanta vida pela frente”? Plínio, no início da era cristã, após visitar galerias de minas descreveu suas horríveis impressões sobre os trabalhadores expostos ao chumbo, ao mercúrio e a poeiras de toda espécie. O mesmo autor fez ainda referências às tentativas daqueles “infelizes”, que procuravam minimizar a inalação de poeiras, fazendo uso de membranas de bexiga de carneiro à frente do rosto, como se fossem máscaras contra poeiras. Em 1556 foi publicado o livro de Georgius Agricola, com referências a acidentes do trabalho e doenças ocupacionais típicas dos mineiros; Em 1567 foram publicados os trabalhos de Paracelso, onde também eram associadas doenças típicas a determinadas atividades, apontando-se a presença de substâncias químicas como características inerentes a essas atividades. Em 1700 surgiu a obra de referência histórica neste campo: o livro do médico Bernardino Ramazzini, intitulado As doenças dos Trabalhadores, que trazia descrições de doenças associadas a 54 atividades diferentes. Esse autor, considerado o "Pai da Medicina do Trabalho", é admirado até hoje pela profundidade e detalhamento com que descreveu diversas doenças ocupacionais e como fez a relação das doenças dos trabalhadores com a presença de agentes tóxicos físicos, químicos e biológicos no ambiente de trabalho, apontando inclusive fatores ergonômicos para os quais só se tem dado atenção muito recentemente, como é o caso do levantamento de pesos e movimentos repetitivos. Transcrevemos um pequeno parágrafo, que reflete o que se disse acima: "Capítulo II – Doenças dos Douradores: "...Ninguém desconhece o lamentável dano que o mercúrio causa aos ourives, ocupados, geralmente, em dourar objetos de prata ou de bronze. É preciso amalgamar e depois volatilizar o mercúrio no fogo, não podendo os operários virar o rosto para evitarem a absorção dos vapores venenosos e, assim, rapidamente, sofrem vertigens, tornam-se asmáticos, ficam paralíticos e tomam um aspecto cadavérico. Poucos envelhecem nesse ofício, e, os que não sucumbem em pouco tempo, caem num estado tão calamitoso que é preferível desejar-lhes a morte. Tremem o pescoço e as mãos, perdem a dentadura, bambeiam suas pernas..." View slide
  • 3 Em 1916 realizou-se em Milão, o I Congresso Internacional de Doenças do Trabalho. Há registros de que tal evento teve, entre outros motivos, o de prestar uma homenagem à memória de cerca de 10.000 trabalhadores que perderam a vida nas atividades de construção de um túnel. Em 1919 é criada a OIT (Organização Internacional do Trabalho) e, já em 1925 foi publicada a primeira lista oficial, de abrangência universal, especificando doenças profissionais devidas a intoxicações por diversas substâncias, mas limitava-se ao saturnismo (chumbo), hidrargirismo (mercúrio) e carbúnculo (contaminação biológica). Em 1934 a lista foi ampliada para dez doenças profissionais; em 1964, para quinze. Em 1980 a lista foi estruturada segundo vinte e nove grupos de doenças profissionais. No Brasil, os Anexos do Decreto 3048/1999, e suas atualizações, lista as doenças profissionais ou do trabalho. Recentemente, o Ministério da Saúde fez publicar uma Lista de Doenças Relacionadas com o Trabalho, pela Portaria 1339/GM de 18/11/99, onde cerca de 200 (duzentas) patologias são relacionadas a diversos tóxicos encontrados nos ambientes de trabalho. 2 CONCEITOS BÁSICOS 2.1 TOXICOLOGIA É a ciência que estuda os efeitos adversos produzidos pela interação de agentes químicos com sistemas biológicos. Casareth a define como "ciência que define os limites de segurança dos agentes químicos". O objetivo básico é prevenir, diagnosticar e tratar as intoxicações provocadas por esses agentes. Por ser uma ciência muito ampla e de interesse para várias áreas, é necessária a subdivisão da toxicologia, segundo o seu campo de aplicação. Toxicologia Ambiental - aplicada ao estudo dos efeitos nocivos produzidos pelos contaminantes ambientais nos seres vivos, visando ao controle da poluição do ar, da água e do solo. Toxicologia Ocupacional - aplicada ao estudo dos mecanismos de ação e efeitos nocivos produzidos pelos contaminantes, presentes nos ambientes de trabalho, sobre a saúde dos trabalhadores, visando ao controle ambiental desses contaminantes, à vigilância da saúde dos trabalhadores, através de controle biológico de exposição durante e após as exposições, além de avaliação de tratamentos feitos em trabalhadores doentes. Toxicologia de Alimentos - aplicada ao estudo dos efeitos nocivos produzidos pelos contaminantes presentes nos alimentos. Toxicologia de Medicamentos - aplicada ao estudo dos efeitos nocivos decorrentes do uso de substâncias químicas como medicamentos. Toxicologia Social - aplicada ao estudo dos efeitos nocivos dos agentes químicos usados pelo homem individualmente ou em sociedade, capazes de induzir a toxicomania. A toxicomania, por sua vez, é um estado de intoxicação nocivo ao indivíduo e à sociedade, devido aos problemas de ordem ética, moral e legal acarretados pelo consumo repetido de uma droga. Toxicologia Experimental - aplicada ao estudo de testes toxicológicos realizados em cobaias e/ou voluntários. Dentro da Toxicologia Ocupacional, cujo objetivo maior é a saúde do trabalhador, os pontos principais são: - conhecer todos os agentes químicos no ambiente de trabalho, inclusive misturas e combinações, resíduos gerados. - conhecer as propriedades físico-químicas dos mesmos View slide
  • 4 - conhecer aspectos toxicocinéticos, ou seja, absorção, metabolização e excreção. - conhecer a toxicidade e mecanismos de ação tóxica dos agentes presentes no ambiente de trabalho - fazer monitorização ambiental e biológica - introduzir controles para prevenção de intoxicações - capacitar todos os envolvidos, incluindo trabalhadores e pessoal médico na identificação e diagnóstico das intoxicações. - definir no programa de controle médico os biomarcadores que serão determinados periodicamente. 2.2 INTOXICAÇÃO É um estado de desequilíbrio no organismo provocado por um agente tóxico que interage com qualquer órgão do corpo. Este estado é caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas que revelam um estado patológico. A intoxicação é, pois, a manifestação clínica do efeito tóxico. Qualquer substância química em interação com o organismo é capaz de produzir um efeito adverso. Como o organismo humano é um sistema aberto, capaz de trocar energia e matéria com o meio externo, através de um equilíbrio dinâmico, pode-se afirmar que entre o instante de contato do agente tóxico com o organismo, até o momento da manifestação clínica do efeito tóxico, ocorrerá uma serie de fenômenos. Nesse sentido, considera-se que um processo de intoxicação ocorre em quatro fases. Fase de Exposição - corresponde ao contato do agente tóxico com o organismo. Nessa fase é importante considerar entre outros fatores, a via de incorporação do agente tóxico, a dose ou concentração do mesmo, bem como o tempo durante o qual se deu a exposição. Fase Toxicocinética - corresponde ao período de “movimentação“ do agente tóxico no organismo. Nesta fase destacam-se os processos de absorção, distribuição, e eliminação do agente tóxico ou de seus metabólitos, ou sejam os produtos de transformação ocorrida dentro do organismo na substância inicial. Fase Toxicodinâmica - corresponde ao período em que se dá a interação do agente tóxico com o organismo, a qual poderá provocar desde leves distúrbios até mesmo a morte. Fase Clínica - corresponde ao período de exteriorização dos efeitos do agente tóxico, isto é, o aparecimento dos sinais e sintomas de intoxicação. 2.3 OS TIPOS DE INTOXICAÇÕES: Do ponto de vista didático, podemos classificar as intoxicações segundo vários aspectos, como por exemplo: intoxicações acidentais - ocorrem de maneira inesperada e independente da vontade alheia ou da própria vítima; intoxicações alimentares - ocorrem após a ingestão de alimentos contaminados por produtos químicos de origem industrial, por produtos químicos existentes no próprio alimento (cianeto X mandioca "brava"), ou por microorganismos diversos (fungos, bactérias, vírus.); intoxicações profissionais - resultam da exposição do trabalhador, no exercício de sua atividades, à ação de agentes químicos diversos; intoxicações iatrogênicas - são decorrentes do uso de medicamento, devido a superdosagem, sinergismo, hipersensibilidade ou mesmo devido a erros na prescrição, na via de introdução, na frequência de uso, etc.;
  • 5 intoxicações ambientais - são devidas à poluição atmosférica, hídrica e do solo, sendo mais comuns em grandes centros urbanos e industriais, podendo ocorrer também em áreas de intensa atividade agropecuária; intoxicações suicidas e homicidas - são aquelas produzidas livre e espontaneamente pela própria vítima ou por terceiros, objetivando a morte; intoxicações congênitas - são aquelas adquiridas pelo novo ser em formação, durante a gravidez; intoxicações agudas - são aquelas que decorrentes de uma única ingestão/exposição do/ao agente tóxico ou mesmo de sucessivas ingestões/exposições, desde que ocorram num prazo médio de 24 horas; intoxicações crônicas - são aquelas decorrentes da ação lenta e prolongada de pequenas quantidades do agente tóxico no organismo de indivíduos que o ingerem ou a ele se expõem sistematicamente, durante vários meses ou anos; intoxicações subagudas - ocorrem quando a evolução do processo de intoxicação apresenta um quadro intermediário entre o agudo e o crônico. 2.4 AGENTE TÓXICO Pode-se definir agente tóxico como sendo qualquer substância que interagindo com o organismo seja capaz de produzir em um órgão ou conjunto de órgãos, lesões estruturais e/ou funcionais, podendo provocar até mesmo a morte. De modo geral, a intensidade da ação do agente tóxico será proporcional à concentração e ao tempo de exposição. Esta relação de proporcionalidade, por sua vez, pode variar de acordo com o estágio de desenvolvimento do organismo e de acordo com seu estado de funcionamento biológico. Com bastante frequência, o termo xenobiótico é usado para designar agente tóxico. No entanto, xenobiótico entende-se qualquer substância química qualitativa ou quantitativamente estranha ao organismo. Um xenobiótico pode ser de efeito benéfico, como é o caso dos medicamentos, ou de efeito negativo, como no caso de intoxicação por Chumbo, por exemplo. A presença de agentes químicos, físicos ou biológicos no ambiente de trabalho oferece um risco à saúde dos trabalhadores. Entretanto, o fato de estarem expostos a estes agentes agressivos não implica, obrigatoriamente, que venham a contrair uma doença do trabalho. Para que os agentes causem danos à saúde, é necessário que estejam acima de uma determinada concentração ou intensidade, que seja suficiente para uma atuação nociva desses agentes sobre o ser humano. Denominamos Limites de Tolerância, para fins legais, como está na NR-15 da Portaria 3214/78 do MTE, aquelas concentrações dos agentes presentes no ambiente de trabalho sob as quais os trabalhadores podem ficar expostos durante toda a sua vida laboral, sem sofrer danos a sua saúde. Esses limites têm por objetivo garantir a proteção da saúde, mas o seu caráter não é absoluto, refletindo, unicamente, o estado em que se encontram os conhecimentos em um dado momento. Quando se determina a possibilidade de uma substância provocar câncer, por exemplo, (substância cancerígena), não há mais sentido em falar-se em "Limites de Tolerância", uma vez que qualquer exposição deverá ser evitada, como é o caso dos conhecimentos sobre o Benzeno, que até poucos anos atrás tinha seu Limite de Tolerância definido internacionalmente. No Brasil até o ano de 1978, não tínhamos tabelas de Limites de Tolerância para substâncias químicas. A Portaria 491, de 1965, que era a legislação vigente até a promulgação da atual (e já muito desatualizada) NR-15 e Anexos, determinava os trabalhos insalubres baseando-se apenas nos aspectos qualitativos da exposição aos agentes químicos.
  • 6 2.4.1 OS AGENTES TÓXICOS Os agentes tóxicos podem ser agrupados, para fins didáticos, em diversas categorias, como por exemplo: agentes tóxicos irritantes - são substâncias que produzem inflamação dos tecidos com que entram em contato, tais como a pele, conjuntiva ocular, tecidos de revestimento das vias respiratórias, etc. ( gás clorídrico, amônia, cloro, soda cáustica, ácido sulfúrico...); agentes tóxicos asfixiantes - são aqueles que exercem sua ação no organismo, interferindo com o oxigênio disponível. Há os asfixiantes simples, que são gases inertes cuja interferência é apenas a nível de diluição do oxigênio disponível ( gás carbônico, hélio, hidrogênio, nitrogênio,...). Há também os asfixiantes químicos, os quais impedem o transporte de oxigênio ou a sua perfeita distribuição pelo organismo (monóxido de carbono, anilina, cianeto de hidrogênio, sulfeto de hidrogênio...); agentes tóxicos anestésicos - são aqueles que interagem com o organismo, atuando a nível do sistema nervoso central, de ampla aplicação médica (álcoois, éter, clorofórmio,...); agentes tóxicos de ação local - são aqueles cujos efeitos se manifestam no local onde ocorreu o contato inicial com o organismo (cimento X dermatose ocupacional); agentes tóxicos de ação sistêmica - são aqueles cujos efeitos se manifestam à distância do local onde se deu o contato inicial entre o agente tóxico e o organismo (benzeno X danos celulares na medula óssea, tetracloreto de carbono X danos hepáticos/renais/Sistema Nervoso Central); agentes tóxicos mutagênicos - são aqueles capazes de provocar alterações na informação do material genético, acarretando o aparecimento de alterações em descendentes do indivíduo contaminado (alguns pesticidas, clorofórmio, formaldeído); agentes tóxicos teratogênicos - são aqueles capazes de produzirem alterações no desenvolvimento do feto (mercúrio, selênio, manganês); agentes tóxicos carcinogênicos - são aqueles capazes de induzirem a transformação de células normais em células cancerígenas (benzeno, asbesto, formaldeído, anilina). 2.5 TOXICIDADE Quando consideramos apenas o conceito de agente tóxico, limitamo-nos ao pondo de vista de Paracelso (vide histórico). O conceito de toxicidade complementa a idéia que se tem sobre agente tóxico. Toxicidade é a capacidade que tem o agente tóxico de produzir efeitos nocivos sobre o organismo com os quais interage. O grau de toxicidade de uma substância é avaliado quantitativamente pela medida da "DL50", que é a dose de um agente tóxico, obtida estatisticamente, capaz de produzir a morte de 50% da população em estudo. Assim, um agente será tanto mais tóxico, quanto menor for sua DL50. Pode-se avaliar a toxicidade de uma substância a partir provável dose letal oral para humanos. Segundo esse critério os agentes tóxicos podem ser agrupados segundo 6 diferentes categorias de toxicidade: CLASSIFICAÇÃO DL 50 1 - praticamente não tóxico ...................acima de 15g/Kg 2 - Ligeiramente tóxico ..........................entre 5 e 15 g/Kg 3 - moderadamente tóxico.......................entre 0,5 – 5 g/Kg 4 - muito tóxico......................................entre 50 – 500 g/Kg
  • 7 5 - extremamente tóxico......................... entre 5 - 50mg/Kg 6 - super tóxico.......................................abaixo de 5mg/Kg Esta classificação ainda é de pouca utilidade prática, pois está baseada apenas na toxicidade intrínseca das substâncias. Na verdade, outros fatores vão afetar significativamente a toxicidade, como por exemplo: - co-formulantes da substância ou produto considerado; - organismo receptor; - fatores genéticos; - estado nutricional; - sexo; - idade; - estados patológicos; - dose ou concentração da substância considerada; - temperatura ambiental; - pressão; Os efeitos clínicos e tóxicos de uma dose estão relacionados, por exemplo, à idade e ao tamanho do corpo do indivíduo receptor. Uma dose de 650 mg é a dose para adultos do medicamento Tylenol, por exemplo. Isso pode ser muito tóxico para jovens crianças, e então as doses infantis são em torno de apenas 80 mg. Geralmente o melhor método de comparar a efetividade em relação à toxicidade de um produto químico, é determinar a quantidade aplicada em relação ao peso corporal. Usa-se comumente a medida de dose em mg/kg, ou seja o número de miligramas de substância por kg de peso corporal. Um agente químico de alta toxicidade pode ser de baixo risco em virtude da baixa exposição, mas um agente químico de baixa toxicidade pode ser de maior risco se houver elevada exposição individual ou coletiva. 2.6 RISCO TÓXICO Os dois conceitos anteriores, agente tóxico e toxicidade, vinculam-se ainda a um outro conceito, o de risco tóxico. Nem sempre a substância de maior toxicidade será a de maior risco. Tudo dependerá das condições de contato com a substância. Pode-se definir o risco como sendo a probabilidade existente para que uma substância produza um efeito adverso previsível, em determinadas condições específicas de uso. Geralmente, se se fraciona a dose total, tem-se uma redução da probabilidade que o agente venha a causar efeitos tóxicos. A razão para isso é que o corpo pode reparar o dano, ou neutralizar o efeito de cada dose sub-tóxica se ocorre um intervalo de tempo suficiente até que se receba a próxima dose. Em tais casos, a dose total, que seria muito tóxica se recebida toda de uma vez, passa a ser pouco ou não-tóxica se administrada em determinado período de tempo. Por exemplo, 30 mg de estricnina ingerida de uma só vez pode ser fatal para um adulto, enquanto que 3 mg ingeridas a cada dia por 10 dias podem não ser fatais. 2.7 TERMOS DE INTERESSE EM TOXICOLOGIA É interessante também definir alguns termos importantes na toxicologia: a) ADIÇÃO - é o fenômeno observado quando o efeito resultante de dois agentes tóxicos é igual à soma dos efeitos individuais.
  • 8 b) SINERGISMO - é o fenômeno observado quando o efeito de dois agentes tóxicos é maior que a soma dos efeitos individuais. c) POTENCIALIZAÇÃO - é o fenômeno observado quando um agente tóxico que mesmo não sendo capaz de atuar sobre determinado órgão, intensifica a ação de um outro agente tóxico sobre este órgão. d) ANTAGONISMO - é o fenômeno observado quando dois agentes tóxicos têm seus efeitos atenuados ou anulados, devido a interações contrárias entre cada um deles e o indivíduo intoxicado. e) REAÇÃO IDIOSSINCRÁTICA - são reações anormais a certos agentes tóxicos. Nesses casos o indivíduo pode apresentar uma reação adversa a doses extremamente baixas (doses consideradas não tóxicas) ou apresentar tolerância surpreendente a doses consideradas altas ou até mesmo letais. f) REAÇÃO ALÉRGICA - são reações adversas que ocorrem após uma prévia sensibilização do organismo a um agente tóxico. Na primeira exposição o organismo, após incorporar a substância, produz anticorpos. Estes, após atingirem uma certa concentração no organismo, ficam disponíveis para provocarem reações alérgicas no indivíduo, sempre que houver nova exposição àquele agente tóxico. 3 RELAÇÕES DOSE X EFEITO e DOSE X RESPOSTA São importantes instrumentos de estudo toxicológicos, tanto para novos medicamentos quanto na toxicologia ocupacional. Dose é a expressão utilizada para indicar a quantidade ou a concentração de um agente tóxico que atinge um determinado ponto do organismo do receptor, em determinado espaço de tempo. Usualmente expressa-se a dose através da relação massa/massa (massa da substância administrada /unidade de massa corporal do indivíduo receptor). Efeito é a alteração biológica observada em um indivíduo ou uma população, alteração essa provocada pela interação entre a dose do agente tóxico e os organismos receptores. Resposta é o índice percentual de uma população que apresentou um determinado efeito, mediante a administração de uma determinada dose. Em se tratando de ambientes ocupacionais, o estudo das relações dose x efeito e dose x resposta deve ser realizado considerando-se grupos homogêneos de trabalhadores expostos a riscos semelhantes. Nestes casos busca-se conhecer ou confirmar dados já obtidos estatisticamente, que relacionam a intensidade de exposição com as alterações do estado de saúde provocadas por essa exposição. O conhecimento da relação dose-resposta: - estabelece o nexo causal entre os fatos observados e o produto tóxico em estudo; - estabelece a menor dose onde um efeito induzido ocorre; - determina a taxa de evolução da lesão Dentro de uma população, a maioria das respostas a xenobióticos são similares, mas existe uma variação nas respostas em alguns indivíduos, com maior susceptibilidade ou maior resistência em alguns outros. O limiar para efeitos tóxicos ocorre no ponto onde a possibilidade do corpo desintoxicar-se ou reparar a lesão tóxica foi excedida. Para a maioria dos órgãos, existe uma capacidade reserva, de forma que a perda de uma certa porcentagem da função não chega a afetar a performance geral do órgão. Por exemplo, o desenvolvimento de cirrose no fígado pode não resultar em efeitos clínicos até que 50% do fígado tenha sido tomado por tecido fibroso (cirrótico).
  • 9 3.1 PRINCIPAIS MECANISMOS DE AÇÕES TÓXICAS: a) Interferência com os sistemas enzimáticos (reversível, irreversível, síntese letal) b) Interferência com o transporte de Oxigênio (Carboxihemoglobina, metahemoglobina) c) Interferência com o sistema genético (ação citostática, carcinogênese, mutagênese e teratogênese) d) Interferência com as funções gerais das células (anestésica, neurotransmissão) e) Irritação direta dos tecidos (dermatite química, gases irritantes) f) reações de hipersensibilidade (alergia química, fotoalergia, fotossensibilização) 4 EXEMPLOS DE AGENTES TÓXICOS DE INTERESSE EM TOXICOLOGIA OCUPACIONAL - Hepatotóxicos (fígado): clorofórmio, tetracloreto de carbono, fósforo, cloreto de vinila, álcool etílico - nefrotóxicos (rins): Mercúrio, Cádmio, Cromo, hidrocarbonetos policíclicos, PCB (askarel), clorofórmio, tetracloreto de carbono, Pb. - neurotóxicos (sistemas nervoso central e periférico): dissulfeto de carbono, álcool etílico, manganês, mercúrio orgânico, brometo de metila, DDT, compostos organofosforados, BTX (thinners). - Interação com sistemas biológicos diversos: As, Cd, Pb, Cu, Cr, Sn, Mn, Hg e outros. - Carcinogênicos (câncer): benzidina, níquel, cromo 6+, cloreto de vinila, benzeno, asbestos - pneumoconióticos (pulmões): sílica, asbestos, óxidos de ferro, carbonetos de tungstênio, alumínio - irritantes primários: - vias aéreas superiores: amoníaco, ácido crômico, ác. clorídrico, ac. fluorídrico e outros - v.a .s e tecido pulmonar: halógenos (Br2, Cl2, I2), dimetilsulfato, ozonio, cloreto de enxofre, tricloreto de fósforo e outros - alvéolos pulmonares: tricloreto de arsênico, dióxido de nitrogênio, fosgênio e outros. - irritantes secundários: sulfeto de hidrogênio e fosfina - asfixiantes simples ou mecânicos: etileno, acetileno, nitrogênio, metano e etano, propano, propileno e outros. - asfixiantes bioquímicos: monóxido de carbono, cianeto, agentes metahemoglobinizantes - anestésicos e narcóticos: éter etílico, hidrocarbonetos parafínicos (propano a decano), cetonas alifáticas, alcoois alifáticos (etílico, propílico, butílico e amílico), ésteres (que se hidrolizam a ácidos orgânicos e alcoois.) 5 VIAS DE PENETRAÇÃO DOS AGENTES TÓXICOS NO ORGANISMO No item 2.2, foi dito que a fase toxicocinética corresponde à fase de movimentação do agente tóxico no organismo. Pode-se dizer que tão logo se inicia a primeira das quatro fases de um processo de intoxicação, a exposição, começa também a segunda fase, que é a toxicocinética. Esta, por sua vez, inclui as etapas de absorção, distribuição e eliminação do agente tóxico. A exposição pressupõe a penetração do agente tóxico no organismo. A penetração é, pois, o contato inicial seguido do ingresso da substância no organismo, por meio de seus orifícios anatômicos (oral, nasal, retal, cutâneos) ou por aberturas não naturais, como feridas e cortes, por exemplo. A absorção, por sua vez, consiste no transporte do agente tóxico do meio externo para o meio interno do organismo receptor, através de membranas biológicas. Saliente-se aqui que, como meio externo, para fins de absorção, considera-se qualquer meio que não seja a circulação sanguínea. Assim, como meio externo pode-se considerar a epiderme, o estômago, os alvéolos pulmonares ou o intestino, por exemplo. 5.1 A ABSORÇÃO DE AGENTES TÓXICOS: Obviamente, a absorção varia conforme a via de penetração do xenobiótico, pois as diversas membranas (pele, mucosa do sistema respiratório) oferecem diferentes resistências ao
  • 10 transporte das substâncias químicas para a corrente sanguínea. Os fatores mais importantes envolvidos na absorção são: - estrutura da membrana - espessura da membrana - área de membrana disponível - seletividade da membrana - lipossolubilidade do agente - hidrossolubilidade do agente (coeficiente de partição óleo/água) 5.2 O TRANSPORTE DOS AGENTES: O transporte dos agentes tóxicos através das membranas ocorre segundo quatro mecanismos: a) difusão simples - É a passagem do agente tóxico através das membranas, regida apenas pelo coeficiente de partição óleo/água; b) filtração - o agente tóxico, na forma de soluto, passa através dos poros da membrana juntamente com o fluxo de água; é influenciada pela solubilidade do agente tóxico em água; c) pinocitose - determinadas células “incorporam” o agente tóxico, fazendo-o através de dobras da membrana celular; d) transporte ativo - substâncias específicas funcionam como “transportadores" do agente tóxico, transportando-o mesmo contra um gradiente de concentração, um gradiente de pressão ou uma diferença elétrica, às custas de consumo energia do organismo receptor. 5.3 AS VIAS DE ABSORÇÃO: Há três vias importantes de absorção dos xenobióticos no organismo: - absorção via gastrointestinal - absorção via cutânea - absorção via respiratória. Em termos quantitativos, a via respiratória é sem dúvida a mais importante em termos de toxicologia ocupacional. Em seguida vêm as vias cutânea e gastrointestinal. 5.3.1 PENETRAÇÃO PELA VIA GASTROINTESTINAL As intoxicações ocupacionais pela via gastrointestinal são raras e devem-se, na maioria das vezes, a condições higiênicas e de conforto muito precárias nos ambientes de trabalho e a hábitos como fumar ou alimentar-se com as mãos sujas nos ambientes de trabalho. Uma vez no trato gastrointestinal, o agente tóxico poderá sofrer absorção desde a boca até o reto, por difusão através das mucosas, ou por transporte ativo. Normalmente não há absorção através das mucosas da boca e do esôfago, pois o tempo de contato entre o agente tóxico e estas mucosas é muito pequeno. Nas demais seções do trato gastrointestinal a absorção varia em função das características do agente tóxico, visto que o “ambiente físico-químico” é diferente de uma para outra seção. No estômago, por exemplo, há as substâncias químicas específicas, enzimas digestivas, além do ácido clorídrico (pH~1). Poderá haver ainda alguma quantidade de alimento, a qual contribuirá para a redução da absorção, já que haverá menos contato entre o agente tóxico e a mucosa estomacal.
  • 11 A seguir, no início do intestino delgado, na área denominada duodeno, o pH varia de 12 a 14, devido à presença dos sais biliares e de hidróxido de sódio e isso facilita ou interfere na absorção de determinadas substâncias. No intestino grosso, a ação de bactérias sobre o agente tóxico poderá levar à produção de moléculas absorvíveis. A via gastrointestinal contribui ainda de forma passiva para a incorporação de substâncias tóxicas inaladas, principalmente material particulado, pois a porção que se deposita na parte superior do trato respiratório é arrastada para cima, pela ação ciliar, sendo posteriormente engolida. Tal contribuição é, na maioria das vezes, pouco significativa em termos de efeitos. 5.3.2 PENETRAÇÃO PELA VIA CUTÂNEA (PELE) As intoxicações ocupacionais pela via cutânea podem significar a penetração do agente tóxico através da pele e o posterior ingresso na corrente circulatória, através da epiderme. As intoxicações mais conhecidas são aquelas de efeito local, ou seja, as dermatoses ocupacionais, produzidas pelo contato com os agentes tóxicos. A pele constitui-se numa barreira de revestimento do corpo, sendo um obstáculo contra a penetração de xenobióticos. São duas as camadas formadoras da pele: a epiderme, que é a camada mais externa, estando em contato com o meio ambiente; a derme, camada interna, onde se observa a presença de glândulas sudoríparas, vasos sanguíneos, nervos e folículos pilosos. Muitos fatores influenciam a absorção através da pele, tais como: abrasão ou descontinuidade da pele, que tornam fácil a penetração do xenobiótico; inflamação; pilosidade (áreas com pelos apresentam absorção cutânea cerca de 3 a 13 vezes maior que as demais); tamanho da área exposta; presença de outras substâncias na pele; tempo de exposição; temperatura no local da exposição. redução da camada gordurosa protetora (efeitos dos solventes e sabões) 5.3.3 PENETRAÇÃO PELA VIA RESPIRATÓRIA Em termos de intoxicações ocupacionais, esta é a via mais importante e frequente de penetração de agentes tóxicos. A exposição dos trabalhadores a aerodispersóides constitui-se num problema presente na maioria dos ambientes de trabalho. A absorção se dá tanto nas vias aéreas superiores quanto nos alvéolos. A superfície de contato pulmonar, composta pela superfície interna dos brônquios e bronquíolos é estimada em 90 m2 , e a superfície interna dos alvéolos pulmonares, estimada em 70 m2 , formam a interface de contato com o exterior. Essa área, somada a uma rede capilar de vasos sanguíneos com área média de 140 m2 , facilitam muito a absorção, particularmente de substâncias na forma gasosa. Sendo o consumo de ar de 10 a 20 kg diários, dependendo fundamentalmente do esforço físico realizado (metabolismo), é fácil chegar à conclusão que mais e 90% das intoxicações generalizadas tenham origem na absorção respiratória. As partículas sólidas ou mesmo as líquidas de maiores diâmetros, podem ficar retidas nas partes superiores do aparelho respiratório, onde podem causar doenças irritativas. Quando menores que 10 micra, podem chegar até os alvéolos pulmonares, onde atravessam a membrana alveolar, entram na corrente sanguínea e dai podem ser levadas a outras partes do organismo, através do sangue ou das células fagocitárias (glóbulos brancos) do sangue. Outras vezes, determinados xenobióticos fixam-se firmemente nas paredes pulmonares, tornando-se resistentes às tentativas de remoção do organismo, que tenta dissolvê-los, através do sangue
  • 12 e secreções, ou pela ação das células fagocitárias que tentam digerir os corpos estranhos. Isso faz com que surjam reações pulmonares à agressão da presença dos aerodispersóides, como inflamações e cicatrizações que acabam por afetar a função dos pulmões a longo prazo. A quantidade de um agente tóxico que será absorvida pelo organismo, quando a penetração se dá pela via respiratória, depende de alguns fatores, tais como: - concentração do agente tóxico no ar; - taxa de respiração; (quantidade de ar respirada, que depende da taxa de metabolismo) - solubilidade do material no sangue (coeficiente de distribuição); - reatividade do material com tecidos do organismo. 6 DISTRIBUIÇÃO E ARMAZENAGEM DOS AGENTES TÓXICOS NO ORGANISMO 6.1 DISTRIBUIÇÃO Uma vez na corrente sanguínea, ou seja, uma vez absorvido, seja por via cutânea, digestiva ou respiratória, o agente tóxico está disponível para ser distribuído pelo organismo e alcançar o seu “sitio de ação” ou “sítio alvo”. Estas duas expressões designam o local (tecido de um dado órgão) onde o agente tóxico vai exercer sua ação nociva. Pode ocorrer, entretanto, que o local de armazenamento não seja, necessariamente, o sítio de ação do agente tóxico. A distribuição é, em geral, rápida. A velocidade e a extensão de distribuição de um agente tóxico no organismo depende de dois fatores principais: - fluxo sanguíneo através dos tecidos de um dado órgão; - facilidade que tem o agente tóxico para atravessar a membrana capilar e atingir as células de um determinado tecido. Vê-se, pois, que a distribuição está sujeita aos mesmos mecanismos que regulam o transporte. 6.2 ARMAZENAGEM O fato de alguns agentes tóxicos fixarem-se preferencialmente em alguns tecidos deve-se à maior afinidade físico-química entre tais agentes e o tecido alvo. A fixação ou concentração de um agente tóxico em um determinado tecido pode ser vista como um processo de armazenagem. A armazenagem poderá ocorrer inclusive no próprio tecido sanguíneo, através das ligações entre o xenobiótico e as proteínas plasmáticas. A armazenagem não é, em princípio, um fenômeno desejável, particularmente quando se tem como objetivo um processo de desintoxicação. Mesmo quando os agentes tóxicos estão armazenados em outro tecido que não o sanguíneo, eles estarão em equilíbrio com a sua forma livre circulante. Se a concentração da forma livre cai, o agente tóxico armazenado em outro tecido tende a ser liberado em quantidade tal que o equilíbrio seja restabelecido. O armazenamento de agentes tóxicos em determinados órgãos se dá pelo mecanismo de ligação celular, do qual participam as proteínas intracelulares. Neste sentido, as células dos rins e fígado têm uma enorme capacidade de fixação de agentes tóxicos. O tecido adiposo (gorduroso) (em média 50% de peso em uma pessoa obesa e 20% em uma pessoa magra) é também um local de armazenagem de agentes tóxicos. Nesse caso o fenômeno se dará por simples dissolução do xenobiótico nesse tecido. Uma outra alternativa de armazenamento para os agentes tóxicos, particularmente os inorgânicos, é o tecido ósseo. A penetração do xenobiótico ocorrerá através da matriz inorgânica desse tecido. O fenômeno é influenciado pelo tamanho e pela carga dos íons a serem deslocados. 7 MECANISMOS DE PROTEÇÃO E DESINTOXICAÇÃO
  • 13 Durante a fase de exposição e mesmo após a penetração do agente tóxico no organismo, mecanismos de proteção são acionados, tentando minimizar ou até evitar a absorção do xenobiótico. Por exemplo: a pele e a película de suor e gordura que a recobrem atuam como barreira efetiva para várias substâncias químicas, impedindo sua penetração; a camada queratinosa da pele (formada por células mortas) resiste, até certo ponto, à ação da água, ácidos, raios ultravioleta, etc. Nos olhos, as glândulas lacrimais são ativadas quando gases, vapores ou corpos estranhos entram em contato com a conjuntiva ocular. O aparelho respiratório reage prontamente à presença de partículas, através do reflexo da tosse, do efeito dos cílios dos brônquios, produção de secreções (catarro) e ação das células sanguíneas denominadas macrófagos alveolares que englobam e tentam destruir os agentes estranhos. Persistindo a exposição ou dependendo da dose/concentração do agente tóxico, esses mecanismos de proteção tornam-se ineficientes e o xenobiótico instala-se no organismo. Ocorrendo isto, o processo de intoxicação prossegue, ou seja, o agente tóxico começa a movimentar-se no organismo. Para se evitar uma doença ou intoxicação, deve-se então eliminá-lo ou neutralizá-lo. Entram em cena os mecanismos de desintoxicação, que são a biotransformação e a excreção. 7.1 BIOTRANSFORMAÇÃO Antes de qualquer comentário, é importante ter em mente que para a toxicologia, biotransformação não é sinônimo de metabolização e muito menos de detoxificação. Biotransformação é o conjunto de alterações químicas que as substâncias sofrem no organismo, geralmente pela ação de enzimas. Essas alterações produzem, geralmente, compostos mais polares e solúveis em água. O termo metabolização é aplicável às transformações dos elementos essenciais ao organismo, inclusive as reações químicas de queima de alimentos para fornecimento de energia às células. A detoxificação (desintoxicação) pode ser entendida como a biotransformação de um agente tóxico que resulta em um composto menos tóxico. O oposto à detoxificação seria a biotoxificação (intoxicação). A maior parte dos agentes tóxicos ao serem biotransformados sofrem desativação, ou seja, o produto resultante da biotransformação é menos ativo (menos tóxico) que o precursor. Nestes casos, a biotransformação é, realmente um mecanismo de detoxificação. Esta não é, entretanto, uma regra geral; como exemplo cita-se a biotransformação dos hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, quando os mesmos são convertidos em derivados arilados, que podem reagir com proteínas, induzindo mutações, câncer e anormalidades embrionárias. OBSERVAÇÃO: Na sequência do texto o termo enzima surgirá com certa frequência; como informação geral, tenha em mente que: Enzima é um tipo de proteína que possui ação catalítica, ou seja, interferem nas reações químicas, normalmente sem participar diretamente da mesma. Uma proteína, por sua vez, é um polímero de um aminoácido. As proteínas existem em todas as células vivas, constituindo-se em cerca de 3/4 do peso seco dos tecidos animais. Algumas proteínas têm função estrutural (pele, cabelos, fibras musculares); outras têm função reguladora (hormônios); outras participam ativamente dos mecanismos imunológicos de defesa dos organismos (anticorpos); outras têm a função catalisadora, atuando como enzimas. As principais reações envolvidas na biotransformação de agentes tóxicos são do tipo oxidação, redução, hidrólise e conjugação. A biotransformação de agentes tóxicos por oxidação se dá pela ação das enzimas do grupo oxidase, localizadas no fígado. As reações de oxidação são as mais frequentes, sendo esta a tendência dos processos bioquímicos no reino animal.
  • 14 Em menor escala, a biotransformação de agentes tóxicos por redução se dá pela ação das flavoproteínas, também situadas no fígado. A biotransformação por hidrólise se dá pela ação das enzimas do grupo estereases, as quais podem localizar-se no fígado, plasma do sangue e outros tecidos. A biotransformação por conjugação consiste na ligação do agente tóxico, ou de seus metabólitos provenientes de biotransformações anteriores, a determinados substratos do organismo, formando moléculas conjugadas de grande tamanho. A biotransformação pode ser intensificada pela presença de substâncias indutoras da síntese de enzimas específicas. Contrariamente, substâncias inibidoras de certos grupos enzimáticos reduzem a velocidade do processo de biotransformação. A biotransformação varia com alguns fatores tais como: - idade (o feto e o recém-nascido têm biotransformação mais lenta); - o estado nutricional; - frequência das doses; - estado patológico; - temperatura (a biotransformação é mais rápida quando a temperatura aumenta). 7.2 EXCREÇÃO A excreção pode ser entendida como o processo de eliminação do agente tóxico 'in natura' ou biotransformado. Essa eliminação pode ocorrer através das secreções (secreção biliar, sudorípara, lacrimal, salivar, láctea), através das excreções (urina, fezes e catarro) ou através do ar expirado. Associado ao fenômeno de excreção surge o conceito de meia vida biológica do agente tóxico. O sistema excretor mais importante para a toxicologia é o sistema renal, por ser bastante específico. A urina é o único material biológico de excreção do organismo humano que é citado na NR-7 (PCMSO) como material de referência de rastreamento biológico para detecção de agentes químicos absorvidos em ambientes ocupacionais. 8 PREVENÇÃO DA INTOXICAÇÃO OCUPACIONAL A prevenção da intoxicação profissional pressupõe o correto reconhecimento fatores de risco presentes no trabalho e da realidade dos riscos ocupacionais a que estão expostos os trabalhadores. O problema começa já na fase de reconhecimento do fator de risco. Independente da boa intenção e da perspicácia do profissional envolvido com a questão, algumas dificuldades podem surgir: por exemplo, para determinadas substâncias químicas, as propriedades toxicológicas são pouco conhecidas; uma determinada substância poderá estar presente como co-formulante ou como veículo em um determinado produto, sem que isso esteja claro, quantitativa e qualitativamente na especificação do produto; impurezas comercialmente aceitáveis no produto podem torná-lo perigoso à saúde... A pesquisa bibliográfica de fichas toxicológicas (FISPQ ou MSDS) é fundamental para esse conhecimento. Superadas as possíveis dificuldades de reconhecimento do risco, deve-se estimar o risco presente. Sendo o risco evidente, por grande exposição e grande toxicidade dos produtos envolvidos, não há que se pensar em fazer uso de instrumentos para quantificação. É necessário tomar-se medidas de controle imediatas, que deverão ser proporcionais aos riscos envolvidos. Muitas vezes a aplicação de meios simples de organização e limpeza dos ambientes de trabalho, evitando-se recipientes abertos, derramamentos, contaminação por evaporação, uso de rotulagem adequada, armazenamento correto, podem reduzir em muito os riscos do uso de determinados produtos químicos. Mudanças na forma e
  • 15 quantidade de utilização, incluindo circuitos fechados, recipientes selados, pipetagem mecânica, redução das concentrações utilizadas, podem ser medidas que reduzam a exposição dos trabalhadores. Tomadas as medidas iniciais de controle, controlada a exposição grosseira e evidente, é necessário controlar-se a exposição a longo prazo, sendo necessário, muitas vezes, quantificar os agentes químicos presentes no ambiente. Para a quantificação é preciso que se conheça a intensidade da exposição (dose), os efeitos que tal exposição pode produzir e ainda, a relação dose x resposta, para o agente químico considerado. Obtidas estas informações, especifica-se o risco aceitável (exposição admissível) para aquele agente químico. Utilizam-se geralmente os Limites de Tolerância legais, constantes na NR-15 da Portaria 3214/78, e, em não havendo parâmetros claros nessa Norma, os Limites internacionais mais aceitos são os da ACGIH americana. Os métodos de coleta e análise de produtos químicos são procedimentos delicados e sujeitos a muitos erros, motivo pelo qual os profissionais devem redobrar seus cuidados e aprofundar seus conhecimentos para que não se perca a validade dos resultados obtidos. Por exemplo, se não for possível amostragem contínua, a avaliação das concentrações de agentes químicos através de métodos de amostragem instantânea, de leitura direta ou não, deverá ser feita pelo menos em 10 (dez) amostragens, para cada ponto, ao nível respiratório do trabalhador, e entre cada uma das amostragens deverá haver um intervalo de, no mínimo, 20 minutos. Só este exemplo demonstra a complexidade dessas avaliações e os cuidados necessários. Tomadas as medidas de controle e, mesmo estando a exposição dentro dos Limites de Tolerância, a exposição deverá ser monitorizada, objetivando rastrear possíveis efeitos tóxicos nos trabalhadores. A monitorização é feita em duas linhas de ação: monitorização ambiental e monitorização biológica. 8.1 MONITORIZAÇÃO AMBIENTAL A monitorização ambiental pode ser entendida como a prática contínua de medir e avaliar os agentes real ou potencialmente nocivos, existentes no ambiente ocupacional, para que se possa estimar a exposição dos trabalhadores e o risco à saúde, através de comparação dos resultados com as referências apropriadas da legislação ou da literatura especializada (Níveis de Ação – PPRA – ou Limites de Tolerância). Baseia-se na definição que, para um grande número de substâncias, existe uma concentração no ar, abaixo da qual nenhum efeito tóxico deveria ocorrer em pessoas "normais", dentro dos conhecimentos atuais. Importante lembrar que os Limites de Tolerância expressos na lei brasileira (NR-15, Portaria 3214/78), estão datados de 1978 e não foram renovados desde então, o que leva a dúvidas importantes quanto à validade de se dizer que determinada situação está dentro dos limites de tolerância, uma vez que poderá haver negligência no controle de agentes presentes em concentrações que, apesar de dentro do limite legal, estão em concentrações sabidamente tóxicas nos dias atuais. A monitorização ambiental envolve a medição instrumental ou laboratorial do agente químico e a comparação dos resultados com limites determinados científicamente. São procedimentos sujeitos a muitos erros e variações e, no mínimo, é necessário conhecer: a) área a ser avaliada, para reprodução de resultados no futuro b) número de trabalhadores eventualmente expostos c) rotatividade de trabalhadores d) movimentação de material (fontes móveis) e) condições de ventilação e suas modificações f) ritmos de produção (rotina, momentos de pico, aumento do risco) g) agentes que possam interferir ou contaminar as medições h) atividades e funções desenvolvidas no local (prescritas e reais). As finalidades da monitorização ambiental são:
  • 16 a) verificar se as concentrações dos agentes químicos determinados em amostras ambientais estão de acordo com os padrões de segurança, estabelecidos legalmente ou recomendados. b) estabelecer a relação, quando possível, entre a concentração dos agentes no ambiente e o estado de saúde dos indivíduos expostos c) verificar as medidas de controle dos agentes químicos d) determinar as principais fontes de exposição e) avaliar a necessidade de controle de uma fonte específica de emissão f) determinar os problemas específicos de contaminação por agentes químicos em diferentes regiões. 8.2 MONITORIZAÇÃO BIOLÓGICA A monitorização biológica consiste na medição e avaliação periódica e sistemática de agentes químicos ou de seus produtos de biotransformação em tecidos, secreções, excreções, ar exalado, de cada um dos trabalhadores, com o objetivo de avaliar a exposição ou o risco à saúde, por comparação dos resultados com referências apropriadas, que são determinados pelas pesquisas em Medicina do Trabalho. A legislação brasileira define índices (IBMP) na NR-7, Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO. O IBMP é o Índice Biológico Máximo Permitido é o valor máximo do indicador biológico para o qual se supõe que a maioria das pessoas ocupacionalmente expostas não corre risco de dano à saúde. A ultrapassagem deste valor significa exposição excessiva. Existe também na NR-7 o Valor de Referência da Normalidade que é valor possível de ser encontrado em populações não- expostas ocupacionalmente; Tanto na monitorização ambiental quanto na biológica, o objetivo é o de detectar e prevenir a exposição excessiva dos trabalhadores aos agentes químicos, visto que estes podem provocar efeitos tóxicos agudos ou crônicos nos indivíduos expostos. Em ambos os casos, os valores isolados encontrados em apenas um trabalhador são importantes para aquele indivíduo, mas, do ponto de vista preventivo, deve-se considerar uma série histórica de dados que será obtida ao longo dos anos, de um indivíduo ou de uma população exposta aos mesmos riscos. Esta série histórica constitui-se no mais valioso instrumento da empresa de avaliação de seus mecanismos de controle sobre os agentes tóxicos no meio ambiente de trabalho e servem de confirmação ou atualização de informações toxicológicas disponíveis na literatura. A monitorização biológica permite que, com base em amostragens, faça-se uma estimativa da exposição real dos trabalhadores. A monitorização biológica permite estimar a dose interna de um agente químico no organismo do trabalhador. Por dose interna ou quantidade biodisponível, entende-se a quantidade de um agente tóxico absorvido e retido no organismo, durante um determinado intervalo de tempo. A dose interna medida pode representar uma quantidade do agente tóxico recentemente absorvida ou uma quantidade do agente tóxico armazenada em um determinado órgão ou tecido do organismo, dependendo da meia vida do agente tóxico; A legislação de segurança do trabalho, atualizada em dezembro/94, prevê tanto a monitorização ambiental (incluída nas obrigações da empresa quanto ao Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA - NR-9) quanto a monitorização biológica (por meio do PCMSO - NR-07). Como destaque, deve-se citar no Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA – a obrigação de medidas de controle coletivas e individuais, por parte dos empregadores, a partir dos chamados níveis de ação (NA), que correspondem a situações onde a concentração ambiental do agente tóxico esteja acima da metade do Limite de Tolerância legal. Trabalhar em prevenção neste nível gera uma situação de muito maior segurança do que quando já foi ultrapassado o Limite de Tolerância ambiental e a exposição dos trabalhadores já provoca grande risco de lesões e intoxicações. 9 INDICADORES BIOLÓGICOS DE EXPOSIÇÃO
  • 17 Como se viu, a exposição dos trabalhadores a agentes tóxicos pode ser avaliada através da monitorização biológica com o auxílio dos indicadores biológicos de exposição. Qualquer xenobiótico ou seu produto de biotransformação, bem como qualquer alteração bioquímica precoce, cuja determinação possa ser feita nos fluidos biológicos, tecidos ou ar exalado, servirá como indicador biológico de exposição. A tecnologia tem permitido o uso de indicadores biológicos cada vez mais específicos, bem como de limiares de sensibilidade cada vez menores para métodos de medição. Os indicadores biológicos de exposição podem ser indicadores de dose interna e indicadores de efeitos sobre o organismo. 9.1 INDICADORES DE DOSE INTERNA (biomarcardores de EXPOSIÇÃO) São aqueles que permitem conhecer a dose real do agente tóxico no organismo do receptor. Permitem ainda que se estime de forma indireta, a intensidade da exposição, desde que o teor do agente tóxico no material biológico possa ser correlacionado com a concentração ambiental. O uso de um indicador de dose interna pressupõe o conhecimento da toxicocinética do agente tóxico no organismo humano. Um indicador de dose interna é dito indicador seletivo quando: - o agente tóxico pode ser determinado diretamente em amostras biológicas, por não ser biotransformado ou por ser pouco biotransformado; - mesmo para exposições pouco intensas, formam-se suficientes quantidades de produtos de biotransformação; - quando os produtos de biotransformação são inespecíficos. Quando o indicador de dose interna serve para um grupo de substâncias químicas com características comuns, ele é dito indicador não seletivo. São previstos na NR-7, PCMSO, vários indicadores de exposição, como por exemplo: - Pentaclorofenol na Urina - Ác. Tricloroacético na Urina para exposições a Tetracloroetileno - Ác. Hipúrico na urina para exposições a Tolueno - Triclorocompostos na urina para exposições a tricloroetano - Ácido metil-hipúrico para exposições a Xileno 9.2 INDICADORES DE EFEITO São aqueles que revelam alterações no organismo resultantes da ação de um agente tóxico em um ponto específico (tecido, órgão ou sistema). Esses indicadores já representam um diagnóstico de doenças, e, para serem úteis, devem mostrar alterações o mais precocemente possível, para ajudar a evitar danos ao organismo do trabalhador. Também, para servir como marcadores, os danos demonstrados por esses indicadores devem ser reversíveis. É o caso da medição de Chumbo sanguíneo, que, quando acima do índice biológico máximo permissível, indica, em primeiro lugar, exposição do indivíduo ao chumbo. Representa também, no entanto, a existência de uma doença em curso. A conduta da empresa deve ser a de afastamento do trabalhador do risco e de encaminhar o trabalhador para o devido tratamento. Obviamente, esse trabalhador, uma vez curado, somente deverá voltar para ambientes devidamente controlados e corrigidos, de forma a não se permitir novas contaminações.
  • 18 9.3 LIMITES BIOLÓGICOS DE EXPOSIÇÃO A partir do conhecimento da relação entre a exposição e a dose interna são propostos os limites biológicos de exposição. (VR e Índice Biológico Máximo Permitido - IBMP - vide anexo 1 da NR-7) Os Valores de Referência (VR) referem-se a valores passíveis de serem encontrados em população não exposta ocupacionalmente, sendo utilizados para caracterizar grupo exposto e grupo não exposto. Considera-se um grupo como exposto quando todos os membros do grupo apresentarem o biomarcador com concentração superior à metade do Limite de Referência Superior. Os IBMP, Indices Biológicos Máximos Permitidos, são definidos como o valor máximo do indicador biológico para o qual se supõe que a maioria das pessoas ocupacionalmente expostas não corre risco de dano à saúde. Esses índices são obtidos em estudos com humanos, simulando exposição, ou por derivações matemáticas partindo-se de valores permitidos no ambiente ocupacional. Tanto os IBMP quanto os Limites de Tolerância não devem ser considerados marcos absolutos, que separam concentrações seguras de concentrações nocivas. Eles devem ser vistos como níveis de advertência, pois foram propostos com base em conhecimentos atuais da relação exposição x resposta. Por este motivo, devem ser revistos periodicamente, sempre que novos dados clínicos sejam oficialmente publicados. É necessário atentar para os pré-requisitos para o desenvolvimento de um programa de monitoração biológica de um agente químico, a ser feito pela Medicina do Trabalho, em conjunto com o pessoal de segurança e higiene do trabalho: a) ambiente de trabalho adequado do ponto de vista de higiene do trabalho (controles implementados, limpeza e conservação, monitoração contínua) b) conhecimento, pelos trabalhadores, dos riscos apresentados pelo agente a ser controlado c) conhecimento, pelos trabalhadores, do potencial tóxico da substância, e do significado do resultado do biomarcador, inclusive dos parâmetros de normalidade. d) conhecimento profundo, por parte do Médico do Trabalho, do processo de produção industrial em questão, seus desvios, tipo e frequencia de manutenção, as operações de rotina e as eventuais variações da produção e) visitas periódicas do Médico, para observações e contato com os trabalhadores a fim de colher novas informações f) controle permanente da qualidade dos exames toxicológicos, dos métodos e horários de coleta, visando a boa reprodutibilidade e sensibilidade dos exames.
  • 19 REFERÊNCIAS 1 Buschinelli, J. T. P.; Rocha, L. E.; Rigotto, R. M. et al., in "Isto é trabalho de gente?" Editora Vozes, 1994. 2 Alcântara, H. R. Toxicologia clínica e forense. Andrei Editora Ltda., 1985. 3 Mendes, R. Patologia do Trabalho. Editora Atheneu, 1995. 4 Brito, F. D., Toxicologia humana e geral. Livraria Atheneu, 1988. 5 Colacioppo, S e Della Rosa, H. V., Monitorização ambiental e biológica, in "Fundamentos de Toxicologia", São Paulo, Atheneu, 1996. 6 Amorim, Leiliane C. A ., Apostila de Toxicologia, Curso de Medicina do Trabalho da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, 1999. NA INTERNET: SITES DE INTERESSE: http://www2.state.id.us/dbs/safety_code/300.html http://www.scorecard.org/chemical-profiles/ http://www.anvisa.gov.br/alimentos/tox/informed/index.htm http://www.atsdr.cdc.gov/atsdrhome.html http://www.ilo.org/public/english/protection/safework/cis/products/icsc/dtasht/index.htm http://www.cdc.gov/niosh/ipcsneng/nengsynp.html http://www.blackswanmfg.com/msds.htm http://www.cdc.gov/niosh/nmed/nmedname.html http://www.quimica.ufpr.br/Servicos/Seguranca/links.html http://www.quimica.ufpr.br/dqui2.html http://www.saudeetrabalho.com.br/ http://sis.nlm.nih.gov/Tox/ToxMain.html http://toxnet.nlm.nih.gov/ http://www.ilpi.com/msds/index.html