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Este relatório tem o objetivo de investigar o cotidiano escolar da EEB Getúlio Vargas – Florianópolis através de sua estrutura física, seu entorno escolar e de seus alunos, os quais levam para a sala …

Este relatório tem o objetivo de investigar o cotidiano escolar da EEB Getúlio Vargas – Florianópolis através de sua estrutura física, seu entorno escolar e de seus alunos, os quais levam para a sala de aula experiências singulares vividas em seu cotidiano. Nesta investigação buscamos identificar a cultura da escola e a cultura escolar, examinando o ambiente da escola e interrogando seus alunos. Posteriormente, ao observar as práticas pedagógicas da Professora de História do sexto ano do ensino fundamental na mesma escola, podemos identificar a interação entre professores e alunos, o currículo da escola em ação, o conteúdo escolar, o planejamento da professora, suas habilidades de ensino e os processos avaliativos. Desse modo, investigando os diferentes tipos de cultura e observando as relações de ensino e aprendizagem entre professores e alunos, buscamos compreender o saber-fazer professor, que entre outras, está condicionado a adaptar seu conteúdo com a realidade social encontrada nas instituições de ensino

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  • 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE METODOLOGIA DE ENSINO INVESTIGAÇÃO DO COTIDIANO ESCOLAR E OBSERVAÇÃO DA PRÁTICAPEDAGÓGICA NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA GETÚLIO VARGAS, ESTADO DE SANTA CATARINA (FLORIANÓPOLIS) – 2012.2 ESTÁGIO SUPERVISIONADO DE HISTÓRIA I André Fernandes Passos Anderson Tsukiyama Ilha de Santa Catarina, 2012.
  • 2. ANDRÉ FERNANDES PASSOS ANDERSON TSUKIYAMA INVESTIGAÇÃO DO COTIDIANO ESCOLAR E OBSERVAÇÃO DA PRÁTICAPEDAGÓGICA NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA GETÚLIO VARGAS, ESTADO DE SANTA CATARINA (FLORIANÓPOLIS) – 02.2012. Relatório apresentado como requisito parcial para a obtenção de aprovação na disciplina de Estágio Supervisionado I em História junto ao Centro de Ciências da Educação. Orientadora: Profª Me. Joana Vieira Borges Ilha de Santa Catarina, 2012.
  • 3. INVESTIGAÇÃO DO COTIDIANO ESCOLAR E OBSERVAÇÃO DA PRÁTICAPEDAGÓGICA NA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA GETÚLIO VARGAS, ESTADO DE SANTA CATARINA (FLORIANÓPOLIS) – 2012.2 Relatório apresentado como requisito parcial para a obtenção de aprovação na disciplina deEstágio Supervisionado I em História junto ao Centro de Ciências da Educação. A observação e a investigação na Escola de Educação Básica Getúlio Vargas ocorreram duas vezes na semana durante o período de 29 de outubro a 23 de novembro. O estágio na instituição concedente foi Supervisionado por Lia Fernandes, assessora de direção. Professora Me. Joana Vieira Borges Ilha de Santa Catarina, 2012.
  • 4. Índice de Figuras e MapasFigura 1 – Fachada da Escola de Educação Básica Getúlio Vargas 13Figura 2 – Quadra de esportes 14Figura 3 – Sala de aula durante o intervalo escolar 15Mapa 1 – O entorno escolar 17Figura 4 – Alunos do Projeto Caiera 21 em visita ao museu 19
  • 5. Índice de Quadros e TabelasQuadro 1 – Estrutura física da EEB Getúlio Vargas 15Quadro 2 – Lista de aprovados, reprovados, transferidos, desistentes e alunosregulares (2005-2009) 20Gráfico 1 – Distribuição dos educandos por família 21Gráfico 2 – Distribuição do tempo residente no bairro onde mora por educando 22Gráfico 3 – Distribuição dos educandos por idade 23Quadro 3 – Expectativas por idade no futuro presente 27Quadro 4 – Expectativas por idade no futuro distante 27
  • 6. RESUMO Este relatório tem o objetivo de investigar o cotidiano escolar da EEB Getúlio Vargas –Florianópolis através de sua estrutura física, seu entorno escolar e de seus alunos, os quais levampara a sala de aula experiências singulares vividas em seu cotidiano. Nesta investigação buscamosidentificar a cultura da escola e a cultura escolar, examinando o ambiente da escola e interrogandoseus alunos. Posteriormente, ao observar as práticas pedagógicas da Professora de História do sextoano do ensino fundamental na mesma escola, podemos identificar a interação entre professores ealunos, o currículo da escola em ação, o conteúdo escolar, o planejamento da professora, suashabilidades de ensino e os processos avaliativos. Desse modo, investigando os diferentes tipos decultura e observando as relações de ensino e aprendizagem entre professores e alunos, buscamoscompreender o saber-fazer professor, que entre outras, está condicionado a adaptar seu conteúdocom a realidade social encontrada nas instituições de ensino. Palavras-chave: Cotidiano escolar, Práticas pedagógicas, EEB Getúlio Vargas –Florianópolis, Estágio Supervisionado I.
  • 7. AGRADECIMENTOS Primeiramente a Professora Joana Vieira Borges pela orientação neste relatório de pesquisa. Ao corpo administrativo, docente e estudantil da EEB Getúlio Vargas – Florianópolis pelagentileza de conceder o ambiente escolar desta pesquisa. A minha companheira Fernanda, pelo afeto e por dominar muitas técnicas de produção textuale iconográfica. André Fernandes Passos
  • 8. SUMÁRIOIntrodução 09Parte 1 – Investigando o Cotidiano Escolar 11Capítulo 1 – Estrutura física da escola 13Capítulo 2 – O entorno escolar 17Capítulo 3 – Os alunos/as: Características, interesses e expectativas 20Parte 2 – Observando a Prática docente 29Capítulo 1 – Interação Professor Aluno/a 30Capítulo 2 – Os educandos e o currículo em ação na EEB Getúlio Vargas 32Capítulo 3 – O conteúdo escolar 35Capítulo 4 – Planejamento da Professora 37Capítulo 5 - Habilidades de Ensino da Professora 38Capítulo 6 - Processos avaliativos 41Considerações Finais 42Referências 44Anexos 45Apêndices 47
  • 9. 9 Introdução. Este estudo é uma reflexão acerca da experiência na prática de Estágio Supervisionado I –disciplina oferecida no curso de História da Universidade Federal de Santa Catarina – e tem comoquestão central a inserção do aluno no campo de estágio e sua preparação para etapa seguinte a qualserá a prática docente. Nessa perspectiva a pesquisa ocorre em duas etapas pré-estabelecidas sendoprimeiramente a investigação, buscando compreender através do prisma etnográfico1 o espaçoescolar, examinando a organização do seu cotidiano; o entorno escolar investigando a relação dosalunos com a comunidade adjacente; os alunos, um levantamento de dados acerca dos alunos dosexto ano da Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, localizada no bairro Saco dos Limões,Município de Florianópolis, utilizando-se da prática de entrevistas para interrogá-los com afinalidade de reconhecer nos educandos suas consciências individuais, ou seja, um estudo daconsciência particular do ser em si, possível através de uma pesquisa fenomenológica emEducação2 Por conseguinte se fará a observação, estudo etnográfico sobre as práticas docentes daprofessora de História Ferdinanda3 e das atividades que envolvem o cotidiano e a cultura escolarnesta instituição de ensino. 4 Um dos maiores desafios do momento é “reinventar a escola” ampliando os ecossistemaseducativos para seu horizonte de sentido, formando pessoas capazes de serem sujeitos de suaspróprias vidas e cidadãos ativos comprometidos com um projeto social e humano. Para isto,enfatizamos a utopicidade do professor para almejar uma sociedade ideal caracterizada por relaçõesde solidariedade entre as pessoas. Reinventar a escola é também reinventar os espaços de produçãoda informação e do conhecimento, é reconhecer as identidades e as práticas socioculturais nelavigente. Antropologicamente a cultura caracteriza-se como estrutura profunda do cotidiano e seexpressa nos modos de agir, relacionar, interpretar, atribuir sentido, etc. A cultura escolar, aquela onde diferentes atores do processo educacional vivenciam diferentesuniversos culturais e levam ao ambiente da escola suas experienciais individuais do mundo em quevivem, está ao mesmo tempo indissociada e não relacionada com a cultura da escola, situação1 ANDRÉ, Marli E. D. A. A pesquisa no cotidiano escolar. In: FAZENDA, Ivani. Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 2004. p. 35-452 ALEXANDRE. Agripa Faria. Abordagem fenomenológica. In: Metodologia Científica e Educação. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009. p. 25-283 Os nomes dos professores e alunos utilizados neste trabalho são fictícios.4 CANDAU, Vera Maria. Reinventar a Escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
  • 10. 10contraditória na qual a escola de hoje se encontra. A cultura da escola encontra-se “engessada”,pouco permeável aos universos culturais das crianças e do adolescente a que se dirige o que podeser confirmado comparando o trabalho de Vera Maria Candau (CANDAU, 2008) para duas escolasda mesma zona do Rio de Janeiro e que possuíam universos sociais diferentes, onde a cultura daescola permaneceu uniforme e distante de ser um espaço dinâmico e plural. Na pesquisa realizadana Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, estado de Santa Catarina, podemos comprovar que acultura “engessada” da escola também extrapola os limites do espaço geográfico. A sala de aula, o ambiente e a cultura escolar também determinam no saber fazer-se professore nos processos de ensino e aprendizagem na instituição de ensino. Pois, a sala de aula em que oprofessor irá trabalhar não está, e nem a deve ser, isolada do universo em que se encontra seusalunos. Estudos mostram que a história da escola, sua construção, seus valores, seu formatoorganizacional determinam a qualidade dos resultados da aprendizagem. (Carvalho, 2012). Em trabalho sobre os estágios nos cursos de licenciatura 5 a autora oferece questões pararefletir sobre a prática docente nas instituições de ensino e que servirá neste trabalho comoreferencial teórico para dialogar com a experiência de observação de estágio em História na turmado sexto ano do ensino fundamental da Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, inserida na redede ensino público do município de Florianópolis.5 CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Os estágios nos cursos de licenciatura. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
  • 11. 11 Parte 1 – Investigando o cotidiano Escolar. Neste capítulo serão abordados três limites e possibilidades de análise: A estrutura física eorganizacional da escola e o Entorno escolar, que serão examinados com atenção no ProjetoPolítico e Pedagógico da escola e nas fontes iconográficas6 registradas no espaço institucional egeográfico da escola; Por seguinte o objeto de análise serão os alunos, suas características,interesses e expectativas de acordo com entrevista realizada com os educandos do sexto ano doensino fundamental desta instituição de ensino. Propomos a análise do cotidiano da Escola deEducação Básica Getúlio Vargas, Florianópolis – Santa Catarina, com uma pesquisa qualitativa7. Sistematizados os dados numa tabela, pode-se traçar também o perfil quantitativo dos alunosda escola no concernente a quantidade dos alunos que dispõe a sala de aula, bem como o perfilfamiliar dos alunos em cada residência. O estudo etnográfico do cotidiano escolar estáfundamentado na seguinte proposição: A utilização de diferentes técnicas de coleta e de fontes variadas de dados também caracteriza os estudos etnográficos, ainda que o método básico seja a observação participante. O pesquisador em geral conjuga dados de observação e de entrevista com resultados de testes ou com material obtido através de levantamentos, registros documentais, fotografias e produções do próprio grupo pesquisado, o que lhe permite uma “descrição densa” da realidade estudada. 8 (ANDRÉ, 1989). A pesquisa do cotidiano escolar através de imagens 9 estuda por Nilda Alves analisa o olhar deobservador, dos produtores de tais obras iconográficas através dos séculos. Dada a sua distânciacom observador estudado e seu fato documentado, a autora consegue analisar através das imagens ocotidiano dos alunos em diferentes épocas, trunfo que nós pesquisadores enquanto estagiários nãotemos em nossas mãos. Foi necessário então fotografar a cultura da escola enquanto instituição deensino e observados pelos estagiários os quais são ao mesmo tempo produtores da fonte primária esecundária em questão e como não dispusemos de autorização prévia para fotografar os alunos em6 As imagens do cotidiano escolar estão disponíveis em anexo7 MARTINS. Joel. A pesquisa qualitativa. In: FAZENDA, Ivani. (Org) Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 2004. p 51-63.8 ANDRÉ, Marli. A pesquisa no cotidiano escolar. In: FAZENDA, Ivani. (Org) Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 2004. p 35-46.9 ALVES, Nilda. Cultura e cotidiano escolar. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n23/n23a04.pdf Acesso em: 28-nov-2012
  • 12. 12suas atividades escolares, as fotos não estão carregadas de cultura escolar. Nesta ocasião, asubjetividade do autor revela a tarefa árdua em que o observador se destina estando entre ainterlocução das fontes e o registro de sua atividade, com a sua própria pesquisa do cotidianoescolar. Foi proposta também uma entrevista com a professora Ferdinanda, responsável pelo ensino deHistória nessa classe. A entrevista abordou questões como a relação da escola com a comunidadeadjacente, projetos sociais, planejamento de disciplina e avaliação dos alunos. A professora da redemunicipal de ensino solicitou preferencialmente que a entrevista fosse enviada via e-mail. Após ocontato com a mesma, não obtivemos êxito em sua contrapartida e resposta para concretização noandamento dessa pesquisa. Portanto alguns dados que se verá adiante e no capítulo seguinte são deconcepções exclusivas por parte do corpo estudantil-estagiário da Universidade Federal de SantaCatarina na escola.
  • 13. 13 Capítulo 1. A estrutura física e organizacional da escola A Escola de Educação Básica Getúlio Vargas, inaugurada em doze de março de milnovecentos e quarenta pelo próprio Getúlio, foi mais uma obra de caráter paternalista 10 do governodeste presidente e está localizada na Rua João Motta Espezim, Saco dos Limões, na Ilha de SantaCatarina. Durante o estágio, que compreendeu o período de 29 de outubro a 23 de novembro, adiretoria se fez na presença de Dilcéia Bernadete D. Roesner e sua assessora, Lia Fernandes,supervisora de estágio na concedente. Localizada em área urbana a escola atende alunos do ensinofundamental do 1º ao 9º ano e ensino médio.Figura 1. Fachada da Escola de Educação Básica Getúlio Vargas (Acervo: Site oficial da escola) Sua estrutura física compreende (02) duas salas de direção, (01) uma secretaria, (02) duassalas de professores adequadas para o uso do corpo docente e direção. Possui também (01) uma salade leitura/biblioteca (02) duas salas de TV e vídeo, (01) uma sala de informática, (01) sala demultimeios, (01) sala de ciências/laboratório e (01) auditório. De acordo com a assessoria dedireção a escola carece de cortinas e equipamentos nas salas de vídeos e multimeios, falta armáriosnas salas de ciências/laboratório e o auditório necessita de reparos visuais como pintura e reparosno teto. Para o lazer e a prática esportiva dos alunos, a instituição de ensino oferece somente (01)uma quadra descoberta que necessita de reformas.10 Sobre o caráter paternalista e populista das obras de Getúlio Vargas ver: NEGRO, Antonio Luigi. Paternalismo Populismo e História Social. Campinas, Cadernos AEL. Disponível em: http://segall.ifch.unicamp.br/publicacoes_ael/index.php/cadernos_ael/article/view/1/1 Acesso em: 28-nov-2012
  • 14. 14Figura 2. Quadra de esportes (Acervo: Site oficial da escola) A biblioteca, que se encontra quase sempre fechada, inclusive nos horários de intervalo,carece de algumas estantes de organização de livros, talvez pela falta de lugares para armazená-los.Organizada superficialmente através do índice temático, ao que parece, é defectível no setor deprofissionais capacitados para o setor. Algumas coleções encontram-se devidamente registradas ecadastradas ainda que a biblioteca não possua um sistema de consulta ao acervo através dos meiosde comunicação digital. O acervo de seus arquivos possuem mapas políticos e geográficos,coleções de enciclopédias e revistas, jornais, livros didáticos e outros para a pesquisa escolar. Aproposição de análise da biblioteca é singularidade do ponto de vista parcial observado pelosestudantes de Estágio Supervisionado I. De acordo com as considerações da auxiliar de direção entrevistada, estão o depósito dematerial de limpeza e o sanitário dos portadores de necessidades especiais adequados para o uso. Aescola possui em sua estrutura (04) quatro sanitários de funcionários e (04) sanitários de alunos quenecessitam de manutenção. Falta espaço no almoxarifado, despensa, refeitório e recreio coberto. Dispõe a escola para educar confortavelmente os alunos de (26) vinte e seis salas de aulas quepor último, e não menos importante, carece também de estruturas para o bom desenvolvimento daprática pedagógica. As salas onde se alojam cerca de (35) trinta e cinco alunos, são pequenas,facilitando a conversa paralela durante as aulas de História e não difícil supor que tais diálogosocorrem em todas as demais disciplinas. Sem recursos audiovisuais algum, o único material paradespertar a atenção dos alunos além do livro didático é a técnica primitiva de “cal e pedra”,simbolizados através de um giz e uma lousa.
  • 15. 15Figura 3. Sala de aula durante o intervalo escolar. (Foto retirada por André Fernandes Passos) Quadro 1. Estrutura física escolar Salas de Aula 26 Sala de Direção 2 Quadra esportiva 1 Biblioteca 1 Sala de Professores 2 Ginásio de Esportes 1Sala TV e vídeo 2 Auditório 1 Laboratórios 1 Secretarias 1 Cozinha 1 Xerox 1 Almoxarifado 1 Sanitário Alunos 4 Sanitário Professores 4 (Tabela quantitativa elaborada a partir do seguinte livro: Como elaborar o Plano deDesenvolvimento da Escola; aumentando o desempenho da escola por meio do planejamento eficaz. 3ª ed. Brasília: FUNDESCOLA/DIPROFNDE/MESC, 2006. p. 52-53). O Projeto Político Pedagógico dessa escola busca satisfazer as exigências propostas peloParâmetro Curricular de Santa Catarina, garantindo igualdade de acesso, permanência e sucesso daEducação Básica. A proposta da escola caracteriza-se por ser: Uma Escola de qualidade, democrática, participativa e comunitária, como espaço cultural de socialização e desenvolvimento do/ a educando/a visando também prepará-lo/a para o exercício da cidadania da prática e cumprimento de direitos e deveres. (PPP EEB Getúlio Vargas, 2010) Para isto, acredita que a função social da escola é a promoção do aluno ao acesso e aoconhecimento. A escola deve ser crítica e reflexiva, formando um cidadão consciente eparticipativo, possibilitando à comunidade a consolidação mútua das propostas políticas epedagógicas através da Associação de Pais e Mestres, que contribuem espontaneamente, de acordo
  • 16. 16com sua disponibilidade, por melhorias na qualidade de ensino. A comunidade escolar repensaconstantemente o seu papel pedagógico. Buscando enfrentar os desafios do mundo contemporâneoe, de acordo com seu currículo para que a escola cumpra sua função social, são necessários direitose deveres como a integração e participação da comunidade escolar, segmentos da escola voltados àcompleta valorização do educando, cursos de formação continuada e qualificação dos profissionais,reorganização do espaço físico, material didático disponível; recursos humanos, pedagógicos efinanceiros, regras de convivência em grupo e por último, o restabelecimento da motivação ecredibilidade dos professores. Iniciando o ano letivo, as duas semanas seguintes são destinadas ao “conhecimento prévio doaluno”. Após segue-se uma reunião por área para aproximar as disciplinas curriculares: professorese equipe pedagógica organizam os projetos pedagógicos, ambos construindo propostasinterdisciplinares com a participação da comunidade. A Escola Básica Getúlio Vargas oferece Ensino Fundamental e Médio, Educação de Jovens eAdultos e Magistério. Para as duas primeiras modalidades o ensino é bem parecido e objecta odesenvolvimento da capacidade de aprender e de socializar o que foi aprendido através do domínioda leitura e da escrita; compreensão do ambiente natural e social dos sistemas políticos; formaçãode consciência crítica; fortalecimento dos vínculos de família, laços de solidariedade humana queassentam a vida social. A escola age através da Hora da Leitura, do Momento Cívico herdado doensino positivista, onde cada turma, em esquema de rodízio, entoa os Hinos Nacionais e Estaduaisnas semanas que antecedem o dia da Independência da Republica. Para o magistério visa formarprofessores de nível médio para atuar como educadores nas escolas de educação infantil e sériesiniciais O Projeto Político Pedagógico da escola finaliza seu currículo com as disposições gerais dadireção, corpo docente, administração escolar, assistente técnico e pedagógico, assistente deeducação, serviços gerais, bibliotecário e corpo discente. Analisando a estrutura física e organizacional da EEB Getúlio Vargas podemos concluir que amesma preocupa-se com o desenvolvimento íntegro e participativo dos seus educandos, com umprojeto ao mesmo tempo libertário, promovendo a criticidade do aluno em relação às intempéries dosistema político e ao mesmo tempo autoritário, que adota práticas da corrente teórica positivista,resquício de uma ditadura não muito distante. A gestão democrática escolar pode ser ainda umsonho distante, mas cada PPP é reflexo de seu tempo e espaço, sendo que as novas teorias acerca daeducação escolar começam a ser pulverizadas e cabe ao âmbito escolar estar a par dessas novasabordagens para além de proporcionar um ambiente de trabalho crítico, também seja crítica no seuplanejamento, organização e nas ações de suas práticas costumeiras.
  • 17. 17 Capítulo 2. O entorno escolar: O bairro Saco dos Limões, local onde está situada a Escola de Educação Básica GetúlioVargas – Florianópolis, Santa Catarina, é um dos bairros mais antigos da cidade. A ocupaçãoterritorial da comunidade remonta ao final do século XVIII, o bairro foi local fértil em plantação delaranjas, limões, mandiocas e café. Atualmente nesse bairro encontra-se a “Consulado”, escola desamba presente no carnaval florianopolitando, ou desterrense, para os adeptos do antigo nome dacidade que hoje carrega em sua memória o autoritarismo de Floriano Peixoto11. Os primeiros caminhos em direção ao sul da Ilha de Santa Catarina atravessavam terras doSaco dos Limões, uma rede de estradas que do Saco dos Limões partiam para o interior e davamacesso pelo litoral para " Costeira do Pirajubaé", Rio Tavares, Ribeirão, etc. Há mais duas outrasestradas de rodagem que acedem ao centro geográfico da Ilha, destacando-se a Rua Cap.Romualdo de Barros pela Carvoeira, e a Deputado Antônio Edu Vieira pelo Pantanal: a primeirapercorre toda a colina do seu nome e indo findar na antiga freguesia (atual bairro) Trindade; asegunda atravessa o arraial que tomava a mesma denominação, até aos morros do Córrego Grande,onde uma bifurcação à esquerda retorna para Trás do Morro (Trindade) e, à direita dá acesso aoMorro da Lagoa, leste da Ilha. A imagem seguinte é o mapa extraído do site “Google Maps”12Mapa 1. O entorno escolar (panorama)11 CALDAS, Cândido. História Militar da Ilha de Santa Catarina: Florianópolis: Editora Lunardelli, 1992.SCHUTEL, Duarte Paranhos. A República Vista do Meu Canto. Florianópolis: Instituto Histórico e Geográfico deSanta Catarina, 2002.12 A imagem aproximada do entorno escolar pode ser consultada através dos documentos em anexo
  • 18. 18 A comunidade pode notificar-se das atividades desenvolvidas na escola por meio do seusite13. Nele estãos dispostos os dias em que ocorrerão as matrículas, conselhos de classe, recessoescolar, reunião de pais e responsáveis, solicitação da lista de aprovados e reprovados na escola, etc.Também há neste site a lista do corpo administrativo e docente e suas respectivas funções. A páginavirtual é atualizada moderadamente, podendo este recurso ser mais utilizado. A escola não produz periodicamente nenhum tipo de atividade sociocultural em seu regimentointerno. No bairro Saco dos Limões, as atividades sócioculturais são desenvolvidas no interior doGrêmio Recreativo Escola de Samba Consulado. O Carnaval de Florianópolis, também chamado de Carnaval da Magia, é um evento culturalorganizado pela prefeitura em conjunto com as comunidades do município, e festejado no aterro dabaía sul, próximo a Ponte Hercílio, na passarela Nego Quirido. No sambódromo cujo nomehomenageia o antigo sambista Juventino João dos Santos Machado, desfilam no sábado de carnaval,cinco escolas de samba e no domingo desfilam ainda dez blocos de enredo e duas sociedadescarnavalescas. A todas essas entidades é comum o uso de carros alegóricos com animação dossamba-enredos. Dada a importância do carnaval para o município de Florianópolis onde escolas movimenta-sedurante o ano inteiro para os dias subsequentes, o GRES Consulado representa um espaço deorganização comunitária fundamental. O grêmio, interessados na valorização da cultura brasileira,desenvolve o Projeto Caeira 21 com o objetivo de integrar a comunidade do Caeira do Saco dosLimões às atividades do Grêmio Recreativo e Escola de Samba Consulado. A escola visa amanutenção da raiz do samba e a construção de espaços culturais para além dos objetivoscomerciais que a mídia e o turismo incentivam e divulgam, desenvolvendo o potencial criativo decrianças e jovens da comunidade do Caeira e motivando o reconhecimento social, asustentabilidade, a elevação da auto-estima e o fortalecendo da identidade local. Atualmente 140crianças e jovens incluindo alunos da escola EEB Getulio Vargas participam das oficinas de artes-pláticas, futsal, recreação, capoeira, musicalização, bateria mirim, educação física, jornalismocidadão, Programa Projovem, Boi de Mamão e dança clássica. As aulas acontecem de segunda asexta na quadra de eventos do Caeira sede do GRES Consulado. O Projeto é mantido pelo Grupo deTrabalho Comunitário Catarinense em parceria com seus patrocinadores.13 Disponível em: http://www.eebgetuliovargas.sed.sc.gov.br/ Acesso em: 29-nov-2012
  • 19. 19Figura 4. Alunos do Projeto Caeira 21 em visita ao museu. (Acervo: Site oficial da GRES Consulado) O Projeto Caeira 21 direciona suas atividades com oficinas de arte-educação no EspaçoCultural Consulado e Casa da Memória do Caeira, inaugurados em 10 de setembro de 2003, oEspaço Cultural conta com uma biblioteca que contém cerca de dezoito mil livros doados por meiode campanhas sociais. No ano seguinte ganhou mais dependências: uma cozinha comunitária,banheiros, salas de arte, apoio pedagógico e secretaria. Nesse período de tempo firmou convêniocom a Prefeitura de Florianópolis para atendimento de professores da Rede Municipal paraEducação Continuada. Idealizado para ações no campo da arte-educação, foca-se no processocriativo das crianças e jovens, independente das condições adversas em que vivem, promovendoassim uma educação para desenvolver e mostrar o potencial que há nas pessoas, transformando esseem competências e habilidades.
  • 20. 20 Capítulo 3. Os Educandos/as: Características, interesses e expectativas. Para saber mais da cultura escolar que cada aluno trás consigo para a sala de aula elaboramosalguns gráficos e tabelas quantitativos e qualitativas baseados nas seguintes afirmações: “Tudo quese manifesta à consciência vale como dado e poder ser chamado de objeto. A fenomenologiafundamenta todas as suas afirmações na experiência vivida (em dados).” (ALEXANDRE, 2009).“As descrições dos alunos no questionário de respostas abertas podem ser emotivas, tanto quanto sedeseje que elas sejam assim, mas nunca serão certas ou erradas. Este critério de certo ou errado nãose aplica as descrições acerca do universo familiar dos entrevistados.” (MARTINS, 1989). A tabela abaixo faz um retrospecto dos alunos ao longo dos cinco anos (2005-2009) do totalde alunos aprovados, reprovados, transferidos, desistentes e o total geral dos alunos regulares.Quadro 2. Lista de aprovados, reprovados, transferidos, desistentes e alunos regulares (2005-2009)Ano Aprovados Reprovados Transferidos Desistentes Total geral dos alunos regulares2005 1506 443 214 495 27062006 1519 448 277 574 27932007 1345 410 260 337 23462008 1391 186 222 266 20692009 1335 201 174 194 2439 (Fonte: PPP Getúlio Vargas 2010) Talvez o mais impressionante na tabela acima seja a quantidade de repetentes que diminuiu natransição do ano de 2007-2008, em função progressão continuada. Os professores da rede de ensinose queixam das recomendações do MEC que insiste que se interrompam as reprovações nos três ouquatro primeiros ciclos do ensino fundamental e prossigam no ano letivo seguinte mesmo comresultado insatisfatório nas avaliações. As queixas salientam que muitos alunos não estão sededicando ao processo de ensino e aprendizagem de forma colaborativa com as intenções doproposto e acabam por dificultar a aprendizagem dos demais alunos. Tal medida, segundo o MEC,tem o caráter de evitar as evasões dos estudantes do ambiente escolar e a tabela acima confirma quepara os anos seguintes, a partir de 2007, há uma redução também no numero de estudantesdesistentes da matrícula. Ao que parece, estes alunos precisam assimilar as novas diretrizeseducacionais como seus direitos e deveres enquanto estudantes, e sendo assim permanecer ou nãono mesmo ciclo escolar.
  • 21. 21 Analisando o gráfico seguinte podemos observar a quantidade de pessoas que residem namesma casa, considerando-os como núcleos familiares. Portanto, a definição de família nestetrabalho concentra-se na unidade do lar, desconsiderando os laços de parentesco e enfatizando oslaços de dependência e solidariedade entre os membros de uma mesma casa.Gráfico 1. (Fonte: Questionário aplicado aos alunos) Podemos observar que apenas um percentual de apenas 10% dos alunos reside em casas comaté três dependentes. É possível que o restante tenha um ou dois irmãos e que alguns ainda possamter em seus cotidianos familiares, mais de uma geração, ou seja, compondo o quadro familiar,netos, pais e avós, representantes de épocas diferentes, pessoas que viviam sobre outros costumes eperíodos históricos distintos, o que reflete diretamente na comunicação do lar que estabelecem comesses alunos. Em partes, o educando é resultado desta cultura familiar ou cultura privada, adquiridade fato por cada aluno/a através dos intercâmbios espontâneos com o seu contexto. 14 Considerando que a maioria destes alunos reside nas adjacências da EEB Getúlio Vargas,identificaremos em linhas gerais a cultura social que trazem para a escola, representada pelosvalores e práticas hegemônicas no cenário social, e analisadas aqui pelos gráficos seguintes:14 CANDAU, Vera Maria. Coditiano escolar e culturas(s): Encontros e Desencontros. In. CANDAU, Vera Maria. Reinventar a Escola. 6. ed Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. p. 65
  • 22. 22Gráfico 2. (Fonte: Questionário aplicado aos alunos) O gráfico acima revela que a maior parte dos educandos reside na comunidade em quenasceram desde os primeiros anos de suas vidas considerando o alto índice das crianças que morammais de dez anos na mesma localidade. Por outro lado os dados ainda nos revelam que dos trinta eum alunos entrevistados, cinco são recém-chegados ao bairro caracterizando-os como sujeitos quetrazem consigo experiências e práticas hegemônicas de outra localidade ou instituição escolar,portanto, outras vivencias. Nessa proposição, considerando ainda os alunos que vivem de quatro anove anos na comunidade em que se encontram, temos nessa sala de aula alunos que não residemdesde que nasceram na mesma localidade e que por essa razão são experientes de um êxodofamiliar mais remoto, adaptando-se a novas práticas e códigos que regem e vigiam o seu cotidiano. Por último distribuímos os educandos de acordo com a sua idade para traçar o perfil de alunosque se encontram devidamente matriculados e aqueles que, por alguma ocasião, não estãoacompanhando o desenvolvimento programado para seu respectivo ano na escola. Esses alunoscaracterizados aqui como atrasados15 podem ter sido reprovados, entrado na escola com certoatraso ou ainda terem parado de estudar e retornado ao estudo algum tempo depois.15 Este termo se refere aqui exclusivamente para designar os alunos que estão por algum motivo fora do ano escolar programado para a aprendizagem, não refletindo no seu caráter enquanto estudante.
  • 23. 23Grafico 3. Análise dos educandos por idade 16 14 12 10 Educandos 8 6 4 2 0 11 anos 12 anos 13 anos 14 ou mais (Fonte: Questionário aplicado aos alunos) Percebemos pelo gráfico acima que um índice elevado de nove alunos, considerandoexclusivamente aqueles que estão acima dos treze anos, no sexto ano do ensino fundamental,encontram-se entre aqueles que por algum motivo não obtém o mesmo desenvolvimento escolar.Esse questionário, aplicado com os alunos no segundo semestre do ano de dois mil e doze,desconsidera a idade dos alunos que tem doze anos, os quais fazem aniversário após o dia 23 denovembro. 16 Como a intenção do questionário não é levantar dados sobre o desempenho escolar doaluno em outros tempos, não sabemos quantos efetivamente se encontram nessa situação. Importamenos aqui saber os repetentes ou mais velhos da classe, do que extrair desses momentos algo quefaça sentido para os participantes do processo. Esta pesquisa está sobretudo focada na análise dasdiversas manifestações das existências e das experiências do ambiente escolar, uma vez que dada aespecificidade, o ensino de história precisará se comunicar com a essência histórica de cadaeducando, compreendendo o ambiente antes de construir e aplicar o conhecimento. Quando questionados sobre o que mais gostam ou que não gostam na escola, as respostasfazem menção em maior parte às disciplinas escolares. Preferencialmente as respostas remetem asmatérias de Educação Física, o horário em que os alunos deixam de lado o giz e a lousa para16 O questionário em questão fora respondido no dia 23-novembro-2012, portando os alunos com doze anos aniversariantes após esta data seriam considerados como atrasados.
  • 24. 24interagir em aulas práticas. Considerável foi a crítica dos alunos em relação ao “Ensino Religioso”ainda praticado no estado laico. Acreditamos que o ensino das religiosidades, ou História dasReligiões é uma via emancipatória para a cultura “engessada” das escolas básicas. Há casos relevantes a esta pesquisa, em cada entrevista quando a opção de resposta é aberta.De forma a desvelar a intencionalidade do ser, vejamos o que escreve uma aluna de onze anos edois alunos de doze anos respectivamente, sobre as primeiras questões do questionário: Na escola eu gosto muito de Educação Física e Artes, e não gosto de vim pra aula. (Doze anos, masculino). Na escola eu gosto muito das professoras, e não gosto das aulas. Se eu pudesse na escola eu mudaria que virasse o dia inteiro. ( Onze anos, feminino). Na escola eu gosto muito de Educação Física, e não gosto de provas. (Onze anos, masculino). Nessa classe há descontentamento com as aulas de conteúdo específico que são realizadas noambiente pouco confortável que dispõe as escolas básicas e verificamos que há aceitação de novasformas de avaliação. As matérias em si e os professores não são um problema para os alunos. O queé reprovado nas avaliações dos educandos é o método tradicional que está sendo empregado nasaulas na escola. Há uma contradição no registro das duas primeiras respostas acima: como pode umaluno gostar das aulas e das matérias e não gostar de ir às aulas? Ou, mesmo não gostando dasaulas, como pode sugerir que elas passem a ser o dia inteiro? O ambiente escolar e a interação queestabelecem nele contribuem para que o aluno sinta-se motivado à frequentar as aulas, mas o queestá acontecendo com as aulas? Analisemos algumas respostas. Eu tenho facilidade para aprender quando me divirto. (Doze anos, masculino) Se eu pudesse na escola eu mudaria as salas, a merenda, as paredes, os banheiros, escola inteira para melhor. (Onze anos, feminino) Se eu pudesse na escola eu mudaria a escola e fazia uma reforma. (Treze anos, feminino) Seu eu pudesse na escola eu mudaria livros comuns por mangás. Eu tenho facilidade para aprende [sic] quando existem personagens na explicação. (…) Eu aprenderia melhor se tivesse maneiras animadas para aprender. (Doze anos, feminino) Para os educandos do sexto ano da EEB Getúlio Vargas- Florianópolis melhorar oaprendizado é, em partes, estar a cultura da escola próxima de sua cultura particular, como
  • 25. 25utilizando ferramentas que se aproximam do cotidiano do aluno. Utilizar uma abordagem micro-histórica para o ensino de história pode ser uma alternativa para obter uma maneira animada deaprender, explicando a partir do micro os eventos macrossociais. Compartilhamos a ideia que oensino precisa buscar estabelecer esta mediação entre o momento singular expresso no cotidianoescolar e o movimento social, ao que parece, só pode ser conseguido através de uma postura teóricamuito consistente, de uma visão de escola definida e de um esforço analítico bastante árduo.(ANDRÉ, 1989). Observamos também que a maioria desses alunos tem acesso à internet e estãousando as redes sociais dentre os sites que mais acessam. O uso do computador dentro das salas deaula por parte do aluno é uma medida que prevê certos cuidados de como utilizar esta ferramenta depesquisa. O aluno jamais poderá se apropriar do uso destas ferramentas quando não solicitado. É oque ocorre, por exemplo, quando a auxiliar de direção entra na sala e confere um aluno interagindocom seu celular. Ela logo confisca o objeto em medida punitiva e convida o aluno à ir retirá-lo emsua sala no final da aula. Podemos medir a distância da cultura escolar e da cultura da escola, utilizando o método depesquisa que revela a insatisfação com a organização das disciplinas “engessadas” na escola. Háuma necessidade de pesquisadores e alunos por uma reforma da escola, propiciando um ambientede ensino que seja atrativo para que ambos consigam reformular e estabelecer novas relações deensino-aprendizagem. Passemos a analisar agora as questões seguintes: Para mim aluno bom é aquele que estuda muito, tira só 10, quase não escuto falando na sala. (Onze anos, feminino) Para mim aluno bom é aquele que Ajuda. (Doze anos, masculino) Para mim aluno bom é aquele que tem educação (Treze anos, feminino) Na escola tenho o direito de ter um ensino sempre bom. E o dever de aprender. Além das aulas na escola, eu também participo de aulas virtuais em japonês. (Doze anos, feminino) A primeira resposta reflete o que muitos alunos têm uma concepção de bom aluno que éaquele passivo, que recebe o saber já pronto do professor. As demais supõem que os alunospossuem uma noção de solidariedade, identidade e cidadania, que é o educando que ajuda nasociedade e aquele que dispõe de boa educação. As respostas afirmam a persistência existencial daconsciência individual, ou seja, a experiência de cada um para que chegassem a tais conclusões, ouainda, os alunos conscientes de si, estão marcados pela sua própria existência. Ajudar, ter educação,estudar muito, refletem que estão marcados por aquilo que acreditam ser necessário para que se
  • 26. 26tornem um bom aluno. O que chamou atenção foi o considerável número de respostas como “Projeto e Atividades”na questão “Além das aulas na escola, eu também participo de___”. Nessas também estavaminseridas, “Escolinha de futebol, grupo de dança, curso”. A partir de duas respostas acreditamos quetais atividades se desenvolvam junto ao Projeto Caeira 21, como uma aluna de onze anos querespondeu a questão sugerida com a seguinte resposta: “Ballet, Bateria Mirin e Projeto”. Comovisto anteriormente, o Projeto Caeira 21 oferece oficinas de artes-pláticas, futsal, recreação,capoeira, musicalização, bateria mirim, educação física, jornalismo cidadão, Programa Projovem,Boi de Mamão e dança clássica. Acreditamos então que esses alunos fazem partem do projetosociocultural desenvolvido no Grêmio Recreativo Escola de Samba Consulado. Refletiremos agora sobre algumas respostas a respeito da última parte do questionário: Em casa, não gosto muito quando eu bato no meu irmão (…) Sobre a violência eu penso que é errado. (Quinze anos, masculino). Sobre a violência penso que é legal. (Treze anos, masculino) Sobre a violência penso que deveriam ao invés de fazerem presídios, fazerem mais escolas. (Onze anos, feminino) A experiência dos educandos com a violência se mostrou sobretudo dentro do lar retratadaatravés da televisão, internet, ou em alguma relação familiar. A consciência da violência pode serainda compreendida no alto índice carcerário e na dificuldade de ter um ensino de qualidade nasescolas, ou seja, um estado violento constrói mais presídios pela demanda da alta criminalidade doque escolas para educar a população e estreitar as portas que dão acesso ao crime organizado.Depois de serem questionados a respeito de seus interesses e experiências de vida, pedimos aosalunos que manifestassem sua consciência sobre suas expectativas. Na minha idade eu penso muito em ficar namorar e estudar. E quando penso no meu futuro em ter um bom serviço e um futuro bom. (Onze anos, feminino) Na minha idade eu penso muito em namorar. E quando penso no meu futuro, uma casa muito linda e um carro e uma moto. (Treze anos, feminino) Na minha idade penso muito em me formar. E quando penso no meu futuro penso em virar design. (Doze anos, feminino) Fizemos um levantamento que correspondesse as expectativas dos alunos de acordo com a
  • 27. 27sua idade, desconsiderando as questões de gênero. Aqui nos referimos a “Questão 1” a seguinteproposição: “Na minha idade penso muito em___.” e “Questão 2” a proposição “E quando penso nomeu futuro___”. Desse modo podemos analisar quais as expectativas dos educandos acerca do queestão pensando para um futuro próximo e em relação a um futuro mais distante, e veremos de queforma estão agindo para ter um futuro conforme planejado em suas infâncias. Organizamos a tabelade acordo com as respostas abertas e discursivas dos alunos, tentando enquadrá-las em algunsconceitos. Vale lembrar que, como as respostas são abertas, os alunos estavam livres para escolhermais de uma alternativa por resposta, assim há aqueles que esperam namorar e ficar, bem como serlivre em uma mesma proposição.Quadro 3. Expectativas por idade no futuro presente Questão 1: Expectativas Onze Doze Treze anos ou Total por Idade: anos anos mais Estudar 2 6 2 12 Lazer/Ativ.Rec. 2 4 0 8 Bens 0 0 1 1 Liberdade 2 2 0 4 Ficar/Namorar 1 4 3 8 Família 0 0 3 3 Outros 2 3 1 6 (Fonte: Questionário aplicado aos alunos)Quadro 4. Expectativas por idade no futuro distante. Questão 2: Expectativas Onze Doze Treze anos ou Total por Idade: anos anos mais Profissão 6 10 4 20 Bens 0 1 1 2 Família 0 1 3 4 Fama 0 0 1 1 Outros 1 4 1 6 (Fonte: Questionário aplicado aos alunos) Para a “Questão 1” foram entrevistados 31 educandos, sendo que doze esperam poder estudar
  • 28. 28enquanto ainda estão na escola. Oito deles pensam nas atividades recreativas como “jogar futebol”,“brincar”. Esse número também representa o número de crianças e adolescentes que pensam emnamorar. Os dados computados no termo “família”, correspondem à atual família na qual seencontram e também engloba a resposta “casar”, que supõe uma alternativa à família atual e aformação de um novo núcleo familiar. A opção “outros” corresponde ao número de respostassolitárias ou indefinidas, como por exemplo, “tomar Nescau”. Analisando a “Questão 2”,investigamos que 20 alunos estão pensando em trabalhar, dado que não apareceu na “Questão 1”, esobre a profissão notamos que o número é acentuadamente maior dos que pensam em continuar osestudos. Nota-se ainda que “Lazer/Atividade Recreativa” desaparece quantitativamente na “Questão2”, acreditamos que os alunos estão conscientes do seu momento como criança e dasresponsabilidades que carregaram pelo número de respostas acentuadas sobre questão profissionalna questão 2”. Podemos supor que de uma forma geral, essa faixa etária de educandos da EEBGetúlio Vargas está focada num futuro profissional, mas não relacionam a desigualdade educacionalcom a desigualdade social e profissional, ou seja, objetivando trabalhar no futuro distante não veemo sucesso profissional acompanhado da dedicação aos estudos no futuro presente. A educaçãosuperior, portanto, não está no horizonte da maioria. Interessante também ressaltar a quantidade de respostas para cada pergunta. Na “Questão 1”foram relacionadas 42 respostas, já na “Questão 2” foram 33 respostas. Podemos relacionar isto afalta de expectativas que alguns estudantes dessa instituição possuem para inclusão em algumaforma de educação profissional ou técnica. Considerando todas as proteções do Estatuto da Criançae Adolescente, precisamos fomentar nesses educandos a perspectiva de uma vida melhor, inclusiveprofissional, através da valorização da educação. Através do método de investigação podemos perscrutar um pouco a vida do educando nascondições em que se encontram e nesse processo procuramos verificar se o educando é capaz de sereconhecer enquanto um ser presente no mundo e identificar algumas experiências que os alunostrazem para sala de aula e que devem ser levadas em conta na hora de elaborar a temática das aulasdo ensino de história nessa escola. As vivências pessoais representam a fonte do genuínoconhecimento que pode ser dado à consciência.17 (ALEXANDRE 2009).17 ALEXANDRE, Agripa Faria. Metodologia Cientifica e Educação. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009.
  • 29. 29 Parte 2 – Observando a prática docente Nesta parte do relatório faremos a observação das interações entre professora e educandos esuas relações de ensino-aprendizagem, analisando e tentando superar uma visão simplista dosproblemas de ensino e aprendizagem nas escolas atuais, proporcionando dados significativos docotidiano escolar que possibilitem uma reflexão crítica do trabalho a ser desenvolvido comoprofessor do ensino de história. Observando como a professora questiona e como responde aosquestionamentos e respostas dadas pelos alunos, a maneira como problematizam os saberes préviose espontâneos de seus educandos e como ambos reagem às situações encontradas na sala de aula,faremos uma análise da aula de história. Como frisou Ana Maria Pessoa de Carvalho em seutrabalho sobre os “Estágios nos Cursos de Licenciatura”, na grande maioria dos casos, os estágiosde observação serão realizados em salas de aulas tradicionais em que a concepção de ensino estácentrada no modelo transmissão-recepção e na concepção empirista-positivista. Observamos também as manifestações do currículo educacional da EEB Getúlio Vargasatravés da maneira como os alunos se distribuem e se relacionam com os espaços da escola, comose relacionam com os conteúdos e materiais didáticos apresentados pela professora e as relações queestabelecem com as práticas de leitura e escrita. Observando a preparação e execução dos trabalhossobre Roma Antiga analisamos as interações em grupos e a realização das atividades propostaspela professora. Problematizaremos a observação do fenômeno “ensino e aprendizagem do conteúdoespecífico” nas seguintes vertentes: priorizando o papel do professor e sua interação com os alunos,priorizando o currículo em ação, priorizando o conteúdo escolar, priorizando as habilidades deensino da professora e, finalmente, priorizando os processos de avaliação.
  • 30. 30 Capítulo 1. Interação Professor e Educando/a O objetivo nesta parte do trabalho é levar aos licenciandos a consciência do grau de liberdadeintelectual dos educandos que existe nas interações professor-aluno na sala de aula do sexto ano daEEB Getúlio Vargas, verificando se na aula se faz lição ou se há liberdade para os alunos fazeremciências.18 A interação professor-aluno é uma das principais variáveis na caracterização entre fazerlição e fazer ciência. (CARVALHO, 2012) As relações ensino e aprendizagem nessa turma problematizam os conteúdos através de aulaexpositiva com ampla utilização da lousa, onde após a chamada a professora utiliza cerca de vinteminutos de sua aula para elaborar um esquema do conteúdo do livro didático no quadro, onde osalunos copiam sem interação maior ou conexão com sua realidade histórica. O estilo de questionamento bastante comum utilizado pela professora, e identificado por AnaMaria de Pessoa Carvalho como perguntas sem sentido, fazem parte dessa relação. Pergunta como“Vocês tem alguma dúvida?” é um tipo de pergunta que serve menos para obter uma real respostado aluno do que para apaziguar a consciência do professor. Durante a primeira aula de Roma Antiga a professora utilizou além da lousa, um mapageográfico para situar os educandos numa esfera global, mostrando em que parte do mundo situava-se o estado romano, cabendo aos alunos prestar atenção, seguir o raciocínio do professor e copiar nocaderno. Após a apresentação do mapa, um aluno questionou sobre a cidade que pegou fogo naRoma Antiga. A professora não aceita nem usa a ideia do aluno, falando simplesmente que antes deperguntar o educando deveria saber mais sobre que cidade pegou fogo e tentar elaborar melhor suapergunta. Portanto, cabe nessa situação encorajar as ações ou comportamentos do aluno, uma vezque as manifestações atitudinais não ocorrem nesta classe com certa frequência. Raras são as manifestações intelectuais dos alunos em relação com o conteúdo exposto,mesmo possuindo certo grau de liberdade para interromper a aula e fazer questões. Nesse quesito aprofessora também é tradicional: pergunta tem hora, e se possível, essa hora será após a exposiçãodo conteúdo. O método tradicional utilizado pela professora não vincula a informação que o alunoleva para sala de aula à cultura escolar. É necessário esperar que o conteúdo seja exposto paradepois solucionar as eventuais dúvidas que possam vir à tona na experiência do aluno, ou seja, umaparte muito pequena da aula é destinada à fala dos alunos. Os alunos pouco participam da aula de forma crítica, não interagindo com o conteúdo18 CARVALHO, Ana Maria Pessoa de. Os Estágios nos Cursos de Licenciatura. São Paulo: Cengage Learning, 2012. p. 20.
  • 31. 31exposto. As dúvidas frequentes são sobre as formas técnicas de apresentação do conteúdo, comoquando são solicitados a fazer trabalhos em grupo. Perguntas do tipo “é pra fazer cartaz?” ou“podemos escolher o mesmo tema?” foram as manifestações dos alunos enquanto a professorasolicitava a apresentação de trabalhos acerca do tema “Roma Antiga”. Nas aulas observadas podemos notar que os alunos não “fazem ciência”, isto é, os diálogoscientíficos ou argumentações sobre o conteúdo específico. Verificamos então, que se encontra maispresente a exposição processual de “fazer lição” através das revisões das lições de casa, se oscadernos dos alunos contêm o conteúdo passado no quadro, etc. As relações de ensino e aprendizagem propostas pela professora não obtém retorno esperadopelos estagiários, revelador das manifestações intelectuais dos educandos. Os alunos reagem deforma diversa ao conteúdo exposto, mas em sua maioria continuam a conversa paralela,relacionando a realidade histórica conceitual com o sua atitude no decorrer das relações sociais, semsaber cientificamente o que realizam no dia a dia. Podemos observar também que as relações de ensino e aprendizagem se mostraram de formaadversa quando foi utilizada uma aula para aplicação do questionário. Nesta ocasião a professorasolicitou aos estagiários que ocupassem por um período de duas aulas faixas de quarenta e cincominutos a posição de professor enquanto ela se retirara para perícia profissional. Assim, podemosnotar que os educandos perguntavam com ênfase no que estava escrito e nas formas de abordagensdas respostas, levantando questões referentes a interpretações textuais e procedimentais.Interessante observar foi que mesmo por um curto período de tempo os alunos se mostraramentusiasmados com uma abordagem não tradicional do conteúdo específico, ocasião onde eles semostravam construtores do conteúdo conceitual, sendo também sujeitos do processo de construção.
  • 32. 32 Capítulo 2. Os educandos/as e o currículo em ação na EEB Getúlio Vargas Talvez a frase mais conhecida de Getúlio Vargas tenha sido: “Saio da vida para entrar para ahistória”, momentos antes de cometer a infelicidade de se suicidar. O suicídio não é um ato debravura, muito pelo contrário, mas mesmo depois de falecido o então presidente da república estavaconsciente de que mediante sua ação, construirá a sua história. Experiências como essas dopresidente que leva o nome da escola, podem ser mais bem trabalhadas com seus alunos através desua última carta. Tomar parte da vida pública é também estar consciente de que é mediante a ação do aluno emseu cotidiano, através de suas ações do dia a dia, que faz do educando um indivíduo que atua deforma ativa na sociedade, enfatizando e construindo de forma crítica a história através dos seuspróprios atos. O currículo nas escolas da atualidade reforça a formação de sujeitos pragmáticos, ou seja, aspolíticas neoliberais atuais procuram habilitar as pessoas para entender e lidar com o mundo dotrabalho, preparando-os para manusear ferramentas tecnológicas. As políticas críticas, por sua vez,buscam propiciar aos indivíduos uma formação integral, de sorte que esses não só compreendam omundo do trabalho, mas também entendam sua posição no mundo e tomem parte da vida pública.19 Na EEB Getúlio Vargas – Florianópolis, o currículo não encontra ressonância entre os alunosque estudam no sexto ano do ensino fundamental. É o que se nota através do método de observaçãoonde os alunos são obrigados a copiar a matéria do quadro uma vez que não podem levar os livrosdidáticos para seu lar, caso precedem estudar para uma eventual prova, ou realizar as atividadesescolares extraclasse. As atividades recomendadas para serem feitas em casa foram relacionadaspela professora como pouco eficazes, uma vez que não adianta pedir para fazerem tarefa extraclasseporque o índice de abstenção é altíssimo e os alunos raramente aparecem em sala de aula com osdeveres de casa para iluminar as eventuais dúvidas que tenham durante o processo de resolução deexercícios. As práticas de leitura e escrita no ambiente escolar, desse modo, se tornam pouco eficazes,uma vez que escrevem muito no caderno a partir do que foi passado no quadro, sendo que a práticada leitura possivelmente seja a escrita que os mesmos constroem, ou em alguns casos, quandosolicitados à pesquisar na internet ou na biblioteca para uma futura apresentação de trabalho. Durante apresentação de trabalhos sobre Roma Antiga foi possível observar que houve alunos19 VIEIRA, Angelina de Melo. Currículo em Ação: Implicações na construção de uma Escola Democrática. Tese de Doutoramento. Universidade Federal Fluminense. Niterói, RJ, 2009. p. 17
  • 33. 33que não prepararam as atividades coletivamente, sendo que algum colega fez o cartaz,compartilhando com os demais a experiência da escrita e todos leram a respectiva parte pré-determinada em cada grupo para o restante da turma. Houve caso em que determinada aluna tevedificuldades para ler o texto escrito por sua colega, justificando que não estava adaptada a ler umaletra que não era a sua. A maioria dos trabalhos se deu de forma desconecta entre os membros domesmo grupo. Ainda que cada um trouxesse a contribuição de sua pesquisa, na hora daapresentação esses conteúdos não se relacionavam entre si de forma intelectual, e nem foramrelacionados pela professora, exceto por se tratar do mesmo tema. Vejamos algumas considerações dos primeiros trabalhos apresentados em aula, através dodiário de campo de André Fernandes Passos. Os números a seguir representam diferentes trabalhos,onde cada aluno participou exclusivamente em um único trabalho: 1. Religião na Roma Antiga: Se desenvolveu com a leitura de cartazes em sala de aula, dispostos com os alunos colocados em frente ao quadro, pouco ou nada, interagindo com os demais colegas de sala. 2. Arte na Roma Antiga: Os alunos apresentaram cartazes com colagens intercalados com textos. A leitura do texto mostrou a pouca interação que fizeram com o passado e o presente. 3. Religião na Roma Antiga: O trabalho reforçou a ideia de que é a atividade de incentivo a leitura, pois se por um lado o aluno não cria uma visão reflexiva sobre o tema, ao menos tem o estímulo a ler para poder preparar um tema sobre o trabalho. 4. Religião e mitologia romana: O cartaz com pequenas imagens ao lado dos textos. Primeiro apresentou a leitura dos textos. Por conseguinte foi feita a leitura das imagens, onde se apresentou a diversidade dos Deuses. A aluna procurou uma maior interatividade com a sala, expondo o cartaz e tentando explicar o que tinha feito e o conteúdo do mesmo. 5. Arte na Roma Antiga: Apresentado por 4 alunos, o cartaz continha folhas de caderno, coladas de forma a parecerem pergaminhos. Utilizaram nas pesquisas prévias de construção dos trabalhos: internet, imagens impressas,livros didáticos, mas não citaram as fontes nas quais se basearam para a pesquisa. A professora,
  • 34. 34também não pediu que citassem as fontes de pesquisas, tão importante no trabalho de pesquisahistórica e em uma determinada apresentação observada a dificuldade dos alunos de apresentarem oconteúdo proposto seguindo o tema que selecionaram para a apresentação, pediu a professora aosseus educandos que fizessem uma leitura das imagens que colaram nos cartazes. Os alunosesforçaram-se para argumentar com todo o seu limite de conhecimento sobre o tema, fizeramconsiderações genéricas acerca das figuras coladas como: “Este é um deus romano”, “Isto é umteatro de pedra”, etc.; ainda que a professora os repreendesse uma vez que não sabiam exemplificarespecificamente de qual deus se tratava. Considerando que a professora poderia ter costurado aapresentação dos alunos com o politeísmo romano, as concepções de artes que eram expostas noColiseu, etc. A conversa paralela em sala de aula é facilitada pelo pequeno espaço onde se encontramdistribuídas cerca de 35 cadeiras agrupadas muito próximas umas das outras. Há momentos em quea chuva de bolinhas de papel toma conta do ambiente escolar. O desrespeito com o professor tomaproporções desastrosas. Não adianta pedir que o aluno levantasse e jogasse seu artefato no lixo, poistodos os pedidos são ignorados. Em certa ocasião, os estagiários realizaram uma atividade diferente: o trabalho comdobraduras em forma de origami para proporcionar aos alunos experiências mais inteligentes dedobras que possam ser feitas com papéis. Esta atividade foi proposta em caráter emergencial,durante uma sobra de tempo nas aulas utilizadas para realização do questionário proposto. Comonão tínhamos elaborado um plano de aula (pois não era o nosso objetivo para realização do EstágioSupervisionado I) fomos surpreendidos pela objetificação da professora pedindo que ficássemosresponsáveis pelos alunos do sexto ano. Apesar do improviso, a atividade inusitada apresentouconclusões positivas acerca do desempenho do aluno e o grau de aceitação de novas perspectivas doensino de história. Sentimos que os alunos estão carentes de conteúdos procedimentais, onde adistancia entre o “professor ensinar” e o “aluno aprender” é aproximada pelo fato do professorproporcionar mais liberdade intelectual aos seus alunos.
  • 35. 35 Capítulo 3. O Conteúdo Escolar: Nas últimas décadas do século XX, houve uma alteração significativa no conceito deconteúdo escolar. A ampliação desse conceito inclui agora os aspectos conceituais, procedimentaise atitudinais, e sugere que o professor planeje e desenvolva as atividades de forma que seus alunosinter-relacionem estes três tipos de conteúdos. Dedicaremos um espaço neste capítulo paradescrever estes três conceitos. Talvez o ponto mais importante na definição de conteúdo conceitual seja a suacontextualização relativa à sociedade. No ensino das ciências, por exemplo, a dimensão cultural vaipropor e exigir que a escola assuma em seu currículo as relações entre ciência, tecnologia,sociedade e ambiente (CARVALHO, 2012). Visando a aprendizagem, este conteúdo estárelacionado ao conhecimento que o aluno traz para o interior da sala de aula. Este conceito leva emconta os conceitos que os alunos já têm sobre determinado conteúdo, como por exemplo, asprimeiras reflexões que se têm quando questionados sobre os avanços trabalhistas no período deGetúlio Vargas, ou após a passagem de um filme, o conceito que cada aluno obteve em relação aoque fora exibido. O conteúdo procedimental requer ensinar um dado conhecimento incorporando a ideia deindicar como esse conhecimento fora construído, isto é, ensinar o modo processual como este foiedificado. A contextualização do conteúdo procedimental se dá quando o ensino é orientado de modo a levar os estudantes a construir o conteúdo conceitual participando do processo de construção. Cria-se nesse caso a oportunidade de levar os alunos a aprender e argumentar e exercitar a razão, em vez de fornecer-lhes respostas definitivas ou impor-lhes pontos de vista, transmitindo uma visão fechada do conhecimento. No ensino das ciências, ao estudar os processos de construção do conhecimento científico na escola, Sasseron (2010) indicou algumas destrezas necessárias ao desenvolvimento científico dos alunos, as quais denominou indicadores da alfabetização científica. São eles: criar, organizar e classificar informações, levantar e testas hipóteses, apresentar justificativas, fazer previsões e dar explicações (CARVALHO, 2012).20 Os conteúdos procedimentais estão, portanto relacionados ao saber-fazer, aquele que abre a20 CARVALHO. Anna Maria Pessoa de. Os Estágios nos Cursos de Licenciatura. São Paulo: Cengage Learning, 2012. p.32.
  • 36. 36possibilidade da criança construir instrumentos e estabelecer caminhos que possibilitem arealização de suas ações. Por sua vez, o conteúdo atitudinal trata dos valores, das normas e das atitudes, visando àinteração do aluno em sua realidade. Este conteúdo trata da vivência do ser com o mundo que orodeia. Os conteúdos atitudinais passam pelo processo sociedade-individuo-sociedade, seguindonormas estabelecidas por todos como o respeito, compreensão, solidariedade, entre outros. Ao acompanhar as aulas da professora Ferdinanda verificamos que não havia livros didáticospara todos os alunos durante as aulas. O conteúdo era passado na lousa e em algumas aulas,formavam-se duplas para que os poucos livros didáticos pudessem ser divididos entre os alunos. Oconteúdo tratado nas primeiras aulas de observação foi Roma, onde conceitos como a organizaçãosocial e política existente na época foram problematizados através do que chamamos “cal e pedra”,ou seja, o uso da prática mais primitiva do ser professor: Giz e quadro. Ao ministrar os conteúdosem sala de aula, a professora conecta as aulas entre si, mantendo boa parte dos alunos atentos aoconteúdo em questão. Em determinada aula, a professora fez a atividade de caça-palavras, onde os alunos deviamachar dentro de uma folha com várias letras, palavras relacionadas ao tema tratado em sala.Analisando o grau de liberdade proposto por Anna Maria Pessoa de Carvalho 21, é possíveldescrever esta atividade como aquela que se enquadra no “grau 2 de liberdade”, onde oentendimento do enunciado é posto pelo professor, a discussão e a resolução do problema sãoconstruídas junto com os alunos e a análise dos resultado volta a ser de responsabilidade doprofessor. A dificuldade de encontrar conteúdo é um desafio para os professores da rede de ensinopúblico, uma vez que encontram alunos semianalfabetos no interior da sala de aula. Na instituiçãoonde fora concebido a prática de Estágio Supervisionado I, contabilizou-se cerca de três alunosnessa condição na turma observada. Como as atividades de forma geral requerem o domínio daleitura, é fundamental que os educandos saibam ler e escrever para dar prosseguimento nas fasesiniciais do ensino fundamental. É notório que muitos alunos chegam quase ao ensino médiodominando pouco a prática da leitura, alargando em muito o desenvolvimento cognitivo de todaclasse.21 IBIDEM. p. 37.
  • 37. 37 Capítulo 4. Planejamento da professora Durante as aulas observamos que a professora sempre trouxe atividades para propor aosalunos em classe, seja através de exercícios de caça-palavras, trabalhos para serem realizados emcasa, ou para serem apresentados no ambiente escolar. O planejamento da aula supõe que estas estão direcionadas para incentivar os alunos dosexto ano à prática da leitura e escrita, uma vez que nessa turma encontrou-se grande dificuldadepor parte de muitos alunos em interpretar determinado texto ou dar sentido à um conjunto depalavras de modo a determinar uma frase coerente. Os procedimentos adotados pela professora sugere que os alunos não estão problematizandoo conteúdo exposto, e numa tentativa quase que interdisciplinar e desesperadora, tenta levar osalunos à interpretarem os enunciados e resolverem algumas questões simples e que já deveriam serpor muito tempo problematizadas nas aulas de português nas séries iniciais do ensino fundamental.A atividade de caça palavras torna-se assim um exemplo, onde os alunos procuravam a grafiacorreta de cada proposição. Sendo assim, a professora preparou uma série de atividades diferentes,como se um dos focos de sua aula fossem o incentivo a escrita e a leitura. Na EEB Getúlio Vargas, no período em que os estagiários se dispuseram à observação nãohouve reunião do colegiado e, devido a falta de resposta por parte da professora em relação aoquestionário proposto via e-mail, não podemos fazer observação desse capítulo com outras fontes.
  • 38. 38 Capítulo 5. Habilidades de Ensino da Professora Segundo (CARVALHO, 2012), o profissional da educação há de ter habilidades de ensino,as quais possam ajudar os alunos a construir seus próprios conhecimentos, e que relataremos aquicom especial atenção. A primeira habilidade que todo professor que visa formar um aluno crítico deve desenvolveré a habilidade de levar os alunos a argumentar, pois é pela exposição argumentativa de suas ideiasque os alunos constroem as explicações dos fenômenos estudados e desenvolvem o pensamentooperacional (CARVALHO, 2012)22. Dessa maneira, os estudantes precisam ter a oportunidade deexpor suas ideias na sala de aula, e para isso o professor necessita criar um ambiente em que o alunosinta segurança de se envolver com as práticas cientificas. Tal habilidade vem acompanhada deoutra que é a habilidade do professor ouvir seus alunos, onde é preciso não ter pressa de chegarlogo à resposta mais adequada, antes disso o professor tem que deixar que as ideias de um sejamcomplementadas por outros educandos. A habilidade de fazer pequenas e precisas perguntas deve pedir sempre as explicações emvez de construir as suas próprias, e nesse tipo de pergunta é importante também o professoraprender a não adiantar o raciocínio com perguntar complementativas, como por exemplo, “GetúlioVargas foi responsável por presidir o Brasil no período do Estado...”, e os alunos respondem:“Novo.” Outra habilidade que diferencia o ensino tradicional e o ensino crítico que propõe ao alunoparticipar da construção do conhecimento é a habilidade do professor de considerar a importânciado erro no processo ensino aprendizagem. Ou seja, os erros são fundamentais nos processos deensino-aprendizagem, pois é através deles que os alunos aprendem a construir um raciocínio lógico,dialogando com a cultura que trazem para a escola. Os erros e fracassos são reveladores dasdificuldades e dos obstáculos vencidos. Por isso a habilidade de utilizar as ideias dos alunos para asua síntese é essencial, não podemos fazer os alunos falarem e depois simplesmente desconsiderarsua fala independente de erros e acertos. Dessa forma, quando trabalhamos com as ideias dosalunos, levar em consideração o seu modo de pensar é definitivo para um construir um resultadopositivo no processo de ensino-aprendizagem. A transformação da palavra que os alunos trazem para a sala de aula, há de ser transformadaem linguagem científica pela habilidade de transformar a linguagem cotidiana dos alunos emlinguagem científica. Essa é uma habilidade nova, uma vez que o professor do ensino tradicional22 IBIDEM. p.46.
  • 39. 39esteve por muito tempo interessado em novos conceitos que os alunos receberiam já definidos peloprofessor e utilizados como “decoreba”. Assim, a habilidade de aceitar as ideias dos alunostambém é muito necessária, pois é preciso trabalhar essas ideias fazendo os alunos ponderaremsobre o poder explicativo de cada afirmação (CARVALHO, 2012)23. Por último, temos a habilidade de introduzir os alunos nos diferentes modos decomunicação, onde o aluno deve entender e dar significado a uma tabela ou um gráfico, como porexemplo, a população escrava de vários distritos rurais, o professor pode usar ao mesmo tempo umgesto para indicar a porcentagem dos cativos e a linguagem para explicar o número efetivo desses.Nesse sentido cooperar e especializar são conceitos que articulam os gestos do professor com oconteúdo ensinado, ou seja, o professor há de trabalhar tanto a linguagem verbal, como a linguagemdas imagens. O objetivo dessa habilidade é formar cidadãos que ao lerem determinado meio deinformação saibam ler também o conteúdo que a reportagem quer transmitir. As três principais habilidades talvez sejam, ao nosso ver, ouvir os alunos, considerar aimportância do erro do processo de ensino-aprendizagem e utilizar as ideias dos alunos para a suasíntese. A professora de história da EEB Getúlio Vargas desenvolve muito bem a primeirahabilidade, porém as duas últimas deixaram a desejar. Os poucos alunos que participam das aulassão repreendidos enquanto fazem objeções que acarretam o erro, mas que poderiam ser levados emconta na hora de amarrar o conteúdo de forma a sintetizá-lo. Durante a aplicação da atividade de caça palavras, onde os alunos deviam encontrar aspalavras trabalhadas na aula, grande parte dos alunos participou encorajando os colegas a encontraras palavras restantes. A docente costumava orientar aqueles que cometiam erros no processo,contra-argumentando a fala do aluno. Sua postura em sala de aula é, dar maior atenção aos alunosparticipativos e em relação aos alunos semianalfabetos, insiste tenazmente que não façam barulhona sala de aula. Em conversa extraclasse a professora conversou com os estagiários, comentando sobre asdificuldades em trabalhar com os alunos semianalfabetos. Em específico, citou o caso de um alunoonde a mesma se propôs a ajudar fora do período normal de aula, com atividades direcionadas. Oaluno, embora tenha aceitado não se mostrou favorável a ideia, pois não trazia as atividadessugeridas para sala de aula. Assim, a professora comentou que os alunos sem a habilidade deleitura, não participam das atividades, ficando na sala com o caderno fechado, utilizando-o maiscomo ferramenta para brincadeiras que desafiam às leis da física, se dispersando durante as aulasexpositivas. Ainda assim, boa parte da sala presta atenção e até participa do processo de23 IBIDEM. p.50.
  • 40. 40aprendizagem. Nesse tipo de aula, há pouca argumentação dos alunos, que sempre consideram ainformação da professora como correta.
  • 41. 41 Capítulo 6. Processos Avaliativos. O objetivo central do processo avaliativo atual deve colocar novamente a avaliação em seureal contexto, sendo um instrumento destinado a mostrar o quanto o aluno se desenvolveu noprocesso de ensino e aprendizagem e não para conceder poder ao professor. Esta é ainda a maiorbarreira nas mudanças propostas pelos órgãos oficiais brasileiros (CARVALHO, 2012) 24. Outramudança na forma de avaliar os alunos é a ênfase na avaliação formativa em detrimento daavaliação somativa, ou seja, o professor que estava acostumado a medir a aprendizagem dos alunosatravés de uma prova classificatória, agora há de promover outros meios de avaliação. No questionário enviado para a professora fizemos perguntas mais detalhadas sobre oprocesso avaliativo na qual inseria seus alunos do sexto ano da EEB Getúlio Vargas. Como nãoobtivemos sua resposta no tempo em que a professora se propôs a responder às questões sugeridas,os processos avaliativos aqui descritos são fruto da observação em sala de aula, onde asconsiderações da professora se tornariam essenciais para iluminar tais aspectos. Nas aulas de História da Professora Ferdinanda, podemos notar os processos de avaliaçãoatravés da atividade de apresentação dos trabalhos em cartazes, onde a professora analisou apreparação para os trabalhos, a produção dos meios de comunicação e a apresentação. Asapresentações dos alunos, na maioria das vezes, se fizeram voltadas para o quadro com poucaparticipação em construir o conhecimento junto com o restante da classe. Portando supomos queessa forma de avaliar os alunos também é uma maneira de fomentar nos educandos o desejo aleitura através da pesquisa que desenvolvem. Ainda que, o exaustivo uso da técnica de “copiar ecolar”, tenha feito com que os alunos chegassem à aula sem o domínio da leitura ou do preparo pararealizá-la na sala durante a apresentação.24 IBIDEM. p.57.
  • 42. 42 Considerações finais. A experiência de Estágio Supervisionado I no sexto ano do ensino fundamental proporcionoumomentos de reflexão nos estagiários por ser aquele momento em que deixamos de ir à sala de auladas primeiras etapas de formação e retornamos agora com o olhar de investigador, pessoa esta queassiste aos fenômenos, se propondo a identificar a percepção existencial dos educandos no processode ensino e aprendizagem. Interessados em perceber um pouco da consciência individual dosalunos, ficamos pensando em quais métodos utilizar durante nossa prática docente, que caminhospercorrer para que aquelas mesmas crianças e adolescentes se desenvolvam criticamente, queparticipem da aula e que demonstrem satisfação por estar construindo seu conhecimento através deuma linguagem cotidiana que é constantemente transformada em linguagem científica pelos alunos. Por vezes parece que o caminho é simples e gradual e nos deparamos com situações em quesabemos o caminho a trilhar mas não sabemos ainda o lugar de chegada. Assim foi a experiência doestágio observatório na EEB Getúlio Vargas, os alunos se mostraram muito participativos em salade aula, mas não participam efetivamente da aula. Individualmente, eles traçam conversas paralelasque chegam a se propagar feito brincadeira de criança, telefone sem-fio numa linha congestionadaonde várias linguagens tramitam ao mesmo tempo em que o professor tenta expor o conteúdoproposto pelo livro didático. Ó céus! Pensamos, procurando lembrar no espaço a metodologia das bibliotecas. E aí nosdeparamos com o paradoxo teoria-prática, vivenciado na sala de aula, onda a teoria só é validaquando aplicada a determinada realidade, ou seja, talvez nunca exista uma teoria aplicada à todas asescolas, mas ela pode ser sim, adaptada de acordo com o modelo escolar proposto. Então,começamos por analisar a estrutura da escola, o modo como seus alunos se relacionam com acomunidade adjacente e a cultura escolar que poderiam levar para a sala de aula. Detectamos que a escola possui um ambiente de espaço restrito, quase nenhuma opção derecreio coberto, que as salas de aula não oferecem a comodidade necessária para que os alunos semostrem interessados em permanecer naquele espaço. Mas há uma alternativa que os alunos poriniciativa própria acabam aderindo: O Projeto Caeira 21, que está ligado ao Grupo RecreativoEscola de Samba Consulado e que recebe os alunos, os quais participam de diversas atividadesdesenvolvidas no interior do espaço concedido pela GRES Consulado. A alternativa para que os alunos permaneçam na escola é, antes de recomendar o número devezes que o aluno pode rodar em determinado ciclo, criar condições para que o aluno se sintamotivado à frequentar o ambiente escolar e sentir satisfação com aquilo encontra nessa ocasião.
  • 43. 43Precisamos pós-modernizar a educação, deixar o retroprojetor e investir em projetores multimídias,aproximar as ferramentas educacionais da escola as técnicas que os alunos vivenciam em seucotidiano. Outra medida a ser tomada pela escola é proporcionar atividades recreativas e científicas paraque o aluno interaja de forma a construir o conhecimento das aulas teóricas. Um exemplo dessaatividade pode ser uma aula interdisciplinar entre as disciplinas de História e Artes, onde os alunosde duas salas distintas do mesmo ciclo se subdividirão em “tribos” produzindo no interior de seusgrupos objetos que os representem coletivamente, então os enterrem no pátio da escola.Posteriormente o Professor da disciplina de História realizará a escavação das representações comtécnicas de arqueologia, ensinando o aluno sobre o valor das antigas civilizações através da prática-cotidiana. A maneira de aprender “brincando”, foi uma das principais críticas dos alunos à escola atual.Relataram esses, que aprenderiam melhor se aprender fosse uma forma divertida no processo deensino e aprendizagem, se a escola utilizasse de novos meios que não fossem os métodos já hámuitos anos ultrapassados como chamar atenção do aluno com manuscritos nas mais diversassituações. Portanto pós-modernizar é manter a educação criando um ambiente escolar que ofereçacondições de permanência ao aluno; “Acerar” o cotidiano escolar de forma que a cultura“engessada” da escola aflaute e se aproxime da cultura escolar, criando novas maneiras detransmitir o conteúdo conceitual, agregando nas relações entre professor e aluno os conteúdosprocedimentais e atitudinais, se mostraram as alternativas para reinventar as práticas costumeiras deensino e aprendizagem nas escolas básicas atuais.
  • 44. 44 Referências: ALEXANDRE, Agripa Faria. Metodologia Científica e Educação. Florianópolis: Editora daUFSC, 2009. ALVES, Nilda. Cultura e cotidiano escolar. Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n23/n23a04.pdf Acesso em: 28-nov-2012. CALDAS, Cândido. História Militar da Ilha de Santa Catarina: Florianópolis: EditoraLunardelli, 1992. CANDAU, Vera Maria. Reinventar a Escola. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. CARVALHO, Anna Maria Pessoa de. Os estágios nos cursos de licenciatura. São Paulo:Cengage Learning, 2012. FAZENDA, Ivani. Metodologia da pesquisa educacional. São Paulo: Cortez, 2004. NEGRO, Antonio Luigi. Paternalismo Populismo e História Social. Campinas, CadernosAEL. Disponível em:http://segall.ifch.unicamp.br/publicacoes_ael/index.php/cadernos_ael/article/view/1/1 Acesso em:28-nov-2012. SITE OFICIAL DA ESCOLA. Disponível em: www.eebgetuliovargas.sed.sc.gov.br . Acessoem 27/02/2013 SITE OFICIAL DA GRES CONSULADO. Disponível em: http://www.gresconsulado.com.br/Acesso em: 27/02/2013 VIEIRA, Angelina de Melo. Currículo em Ação: Implicações na construção de umaEscola Democrática. Tese de Doutorado. Universidade Federal Fluminense. Niterói, RJ, 2009.
  • 45. 45 AnexosAnexo 1 – Fotos do Projeto Caeira 21(Logotipo, visita Corpo de Bombeiros e Bateria Mirim)(Bateria Mirim)(Alunos do Projeto Caeira 21 em atividade folclórica)
  • 46. 46Anexo 2 – Entorno escolar através do “Google Maps”Visão do entorno escolar IVisão do entorno escolar II
  • 47. 47 Apêndices Apêndice 1 – Fotos retiradas do ambiente escolar da EEB Getúlio Vargas por AndréFernandes Passos(Trabalho afixado no mural da EEB Getúlio Vargas)(Sala de leitura infantil localizada na biblioteca)
  • 48. 48(Estante temática da biblioteca)(Estante de coleções)
  • 49. 49(Mapa de apoio pedagógico)(Pátio da escola durante intervalo matinal)(Intervalo escolar matinal; Em primeiro plano visão do pátio escolar, ao fundo as salas de aula no
  • 50. 50piso térreo)Imagem ampliada da sala de aula durante o intervalo escolarApêndice 2 – Trabalho de (re)conhecimento dos alunos da EEB Getúlio Vargas.
  • 51. 51Idade: _________ Sexo: Fem. __________ Masc. _____________Cor: ____________________Série ____________________Na Escola eu gosto muito de ________________________________________________________,e não gosto de __________________________________________________________________.Se eu pudesse na escola eu mudaria __________________________________________________.Eu tenho facilidade para aprender quando ___________________________________________, etenho dificuldade para aprender quando ______________________________________________.Eu aprenderia melhor se ___________________________________________________________.Na escola eu tenho do direito de _____________________________________________________,e o dever de _____________________________________________________________________.Além das aulas na escola, eu também participo de _______________________________________.Para mim, bom aluno é aquele que ___________________________________________________.A escola está mudando a forma de avaliar os alunos. Eu penso que essa nova maneira _______________________________________________________________.Na minha casa moram ___________ pessoas. Moro nesse bairro há _________________________.Em casa, gosto muito de __________________________________________________________,mas não gosto muito quando ________________________________________________________.Sempre que posso assisto na TV _____________________________________________________.Na TV, eu mais gosto de ___________________________________________________________,mas não gosto de ________________________________________________________________.Sempre que utilizo a internet meus sites preferidos são ___________________________________.Na internet o que mais gosto é ______________________________________________________,mas não gosto de _________________________________________________________________.Quando tenho um tempo livre, eu participo de __________________________________________.Sobre a violência eu penso que ______________________________________________________,e a minha experiência _____________________________________________________________.Pra me defender eu procuro _________________________________________________________.Eu gosto do tipo de musica que ______________________________________________________.Na minha idade eu penso muito em __________________________________________________.E quando penso no meu futuro ______________________________________________________.Apêndice 3 – Roteiro de entrevista com a Professora de História
  • 52. 52Nome Completo:Idade:Formação Superior:Como você vê a relação da escola com a comunidade em seu entorno?R:Existem projetos sociais desenvolvidos na escola?R:No seu entendimento como que a relação escola-comunidade pode melhorar?R:De que forma a universidade pode contribuir para o ensino na escola?R:De que forma você planeja as atividades de ensino? Há planejamento conjunto com outrosprofessores?R:Você acha que é possível despertar o interesse pela pesquisa entre os jovens estudantes? De quemaneira?R:Sobre os processos de avaliação, quais os critérios utilizados nesta nova forma de avaliar os alunos?R:Quais os principais problemas enfrentados na sua profissão?R:Quais suas propostas para melhorar o ensino na escola pública?R:

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