O Trabalho em Marx Carlos Ignácio Pinto - 3º Ano - História/USP carlos@klepsidra.net marx.doc - 115KB"O caminho da vida po...
seio da mesma velha sociedade. É por isso que a humanidade só se propõe as tarefas que poderesolver, pois, se se considera...
produto, surgindo neste meio, o proprietário dos meios de produção. O trabalho tornou-se umamercadoria, a partir do moment...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

O trabalho em marx

663

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
663
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
7
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "O trabalho em marx"

  1. 1. O Trabalho em Marx Carlos Ignácio Pinto - 3º Ano - História/USP carlos@klepsidra.net marx.doc - 115KB"O caminho da vida pode ser o da liberdade e dabeleza, porém, desviamo-nos dele.A cobiça envenenou a alma dos homens, levantouno mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchara passo de ganso para a miséria e os morticínios.Criamos a época da produção veloz, mas nossentimos enclausurados dentro dela.A máquina, que produz em grande escala,tem provocado a escassez.Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossainteligência, empedernidos e cruéis.Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.Mais do que máquinas, precisamos dehumanidade; mais do que de inteligência, precisamos deafeição e doçura!Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido."(Charles Chaplin, em discurso proferido no final do filme O grande ditador.)Este trabalho tem por objetivo, demonstrar como a questão do trabalho é elaborada em Marx,permeando todos os demais sentidos de sua obra; a busca da compreensão da força motriz doCapitalismo tanto como ela se apresenta a sociedade, como para Marx; a contraposição dossentidos.Para Marx, o homem é o primeiro ser que conquistou certa liberdade de movimentos em face danatureza. Através dos instintos e das forças naturais em geral, a natureza dita aos animais ocomportamento que eles devem ter para sobreviver. O homem entretanto, graças ao seu trabalho,conseguiu dominar em parte, as forças da natureza, colocando-as a seu serviço."Como criador de valores de uso, como trabalho útil, é o trabalho, por isso, uma condição deexistência do homem, independente de todas as formas de sociedade, eterna necessidade naturalde mediação do metabolismo entre homem e natureza e, portanto, da vida humana."Os animais também trabalham e produzem, porem somente para atender as exigências práticasimediatas, exigências materiais diretas dos mesmos ou de seus filhotes portanto, não podendo serlivres ao trabalharem, pois a atividade dos mesmos é determinada unicamente pelo instinto ou pelaexperiência limitada que podem ter.O que ocorre ao homem é diferente. Anterior a realização de seu trabalho, o homem é capaz deprojetá-lo, ou seja, a capacidade de definir meios diversos que possibilitam o alcance de seuobjetivo, possuindo a livre escolha da alternativa que melhor se adeqüe a seus meios e procurasegui-los.Justamente porque o trabalho humano pode ser diferente do trabalho dos animais é que o homemmodifica a natureza de acordo com suas possibilidades. O que Marx observa na História é aevolução gradativa do trabalho, naquilo que corresponde a evolução do homem e a necessidadede suprir suas necessidades frente ao meio."Uma formação social nunca perece antes que estejam desenvolvidas todas as forças produtivaspara as quais ela é suficientemente desenvolvida, e novas relações de produção mais adiantadasjamais tomarão o lugar, antes que suas condições materiais de existência tenham sido geradas no
  2. 2. seio da mesma velha sociedade. É por isso que a humanidade só se propõe as tarefas que poderesolver, pois, se se considera mais atentamente, se chegará a conclusão de que a própria tarefasó aparece onde as condições materiais de sua solução já existem, ou, pelo menos, são captadasno processo de seu devir."Para aumentar o seu poder sobre a natureza, o homem passa a utilizar instrumentos, acrescentameios artificiais de ação aos meios naturais de seu organismo multiplicando-se enormemente acapacidade do trabalho humano de transformar o próprio homem.O desenvolvimento do trabalho criador aparece, assim, aos olhos de Marx, como uma condiçãonecessária para que o homem seja cada vez mais livre, mais dono de si próprio. Contudo Marxverifica que em sua contemporâniedade, o trabalho assumiu características diferentes dasanteriormente pensadas: os homens que produzem os bens materiais, alguns indispensáveis a suaprópria existência, porém, não se realizam como seres humanos em suas atividades.Se no trabalho encontramos o sentido de transformação dos bens necessários a espécie, e é otrabalho o fomentador de seu progresso, como pode transformar-se em grilhão? Para conseguimoscompreender este antagonismo, devemos prestar atenção no caráter do trabalho em nossasociedade que exterioriza-se sob a forma da mercadoria."A riqueza de uma sociedade em que domina o modo de produção capitalista aparece como uma"imensa coleção de mercadorias", e a mercadoria individual como sua forma elementar." Em Marx, a análise do papel da mercadoria dentro do sistema capitalista é que permite determinar o caráter do trabalho no mesmo. Busca compreender a especificidade da mercadoria dentro do sistema, e, principalmente a que se deve seu valor; especifica dois tipos de valores: aquele no qual se encontra agregado o valor do trabalho em si, mas que de certa forma, abstraí-se na aquisição do produto, e seu valor de uso que parece aos olhos do comprador como o determinante de seu preço. Karl MarxO trabalho é o caráter específico que aparece no valor da mercadoria, e, ao que interessa a estaanálise, confere a mercadoria a propriedade que transita em todos entendimentos de valor que amesma possa ter: "que é a de serem produtos do trabalho."Contudo, em sua análise, ainda sobre o aspecto da mercadoria e trabalho, Marx permite avisualização de um fator característico de nossa sociedade: a descaracterização do produto(mercadoria) como fruto do trabalho humano. Não se conhece quem produziu, apenas o que foiproduzido. O valor da mercadoria está em si mesmo e não transcende a isto."Ao desaparecer o caráter útil dos produtos do trabalho, desaparece o caráter útil dos trabalhosnele representados, e desaparecem também, portanto, as diferentes formas concretas dessestrabalhos, que deixam de diferenciar-se um do outro para reduzir-se em sua totalidade a igualtrabalho humano, a trabalho humano abstrato.Consideremos agora o resíduo dos produtos do trabalho. Não restou deles a não ser a mesmaobjetividade fantasmagórica, uma simples gelatina de trabalho humano indiferenciado, isto é, dodispêndio de força de trabalho humano, sem consideração pela forma como foi dispendida."Portanto, um dos determinantes do valor da mercadoria é o trabalho despendido em suafabricação. Assim sendo, o trabalho não possui a característica de ser reconhecido na compra damercadoria, porem, no valor da mesma. O trabalho despendido desta forma, tornou-se valoragregado, passando ao aspecto de "venda" da mão de obra, sem a interligação do trabalhador e o
  3. 3. produto, surgindo neste meio, o proprietário dos meios de produção. O trabalho tornou-se umamercadoria, a partir do momento que o trabalhador a vende como única fonte de suasobrevivência."O que essas coisas ainda representam é apenas que em sua produção foi despendida força detrabalho humano, foi acumulado trabalho humano. Como cristalização dessa substância socialcomum a todas elas, são elas valores, valores mercantis." Sendo o exercício do trabalho em qualquer regime econômico sucedido ao longo da História um dispêndio físico de energia, somente sob o regime capitalista vamos encontrar na força de trabalho humana a particularidade de ser fonte de valor. O valor é um fenômeno puramente social; o valor de um produto é portanto, uma função social e não função natural adquirida por representar um valor de uso ou trabalho nos sentidos fisiológicos ou técnico material.O pensamento econômico evolui no sentido de buscar desvendar as formas sociais de trabalhoabstraindo as formas concretas de trabalho. O trabalho abstrato não está compreendido namaterialidade, pois sua forma é puramente uma construção social da economia MercantilCapitalista.Como o trabalho abstrato é o responsável pela criação de valor em nossa sociedade capitalista, omesmo fica dependente da expansão e consumação do modo capitalista de produção. Estanecessidade de universalização colocou-se na base do processo histórico que engendra o trabalhoabstrato como aquele que cria valor.Sob este aspecto, e na caracterização do trabalho abstrato como uma espécie de trabalhosocialmente igualado, não há no mercado mundial nenhuma outra "mercadoria" capaz de regular oconjunto das diversas economias a não ser o próprio trabalho, e através de Marx , é queconseguimos chegar a esta compreensão.No sistema atual o trabalhador produz bens que não lhe pertencem e cujo destino, depois deprontos, escapa ao seu controle. O trabalhador, assim, não pode se reconhecer no produto de seutrabalho; não há a percepção daquilo que ele criou como fruto de suas capacidades físicas ementais, pois se trata de algo que ao trabalhador não terá utilidade alguma. A criação (o produto),se apresenta diante do mesmo como algo estranho e por vezes hostil, e não como o resultadonormal de sua atividade e do seu poder de modificar livremente a natureza.Assim sendo, se o produto do trabalho não pertence ao trabalhador e de certa forma, se defrontacom o mesmo de uma forma estranha, isso somente ocorre porque tal produto pertence a outrohomem que não o trabalhador. Portanto, quem se apropria de parte do fruto e do próprio trabalhooperário ? Marx responde: O capitalista; o proprietário dos meios de produção.Este trabalho gostaria de alçar vôos mais longínquos, porem, a percepção da falta deembasamento teórico não permite que o autor deste se proponha a escrever aquilo que ainda nãocompreende em todo seu conjunto. A vontade cede a realidade. Gostaria de poder trabalhar com ocaráter da alienação e da apropriação da mão de obra por meio da caracterização desta comomercadoria, mas atenho-me ao que compreendo.Poucos homens tem a compreensão de sua contemporaneidade e por tal, não conseguem atuar deforma determinante dentro do meio em que vivem. Não se atua sobre aquilo que não se conhece, anão ser de forma inconsciente e despretensiosa. Marx conhecia seu tempo e o processo que traziaà mendicância humana deplorável aos homens.Muito mais do que conhecer, ele se propôs a ensinar, através de sua obra, aquilo que pôdeconhecer e desvendar. Mais do que qualquer tese, foi um homem disposto a mudar o mundo emvivia.

×