Almeida Garrett

7,562 views
7,175 views

Published on

0 Comments
4 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
7,562
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
80
Comments
0
Likes
4
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Almeida Garrett

  1. 1. André Aires 6ºCAndré Aires 6º C
  2. 2. É provavelmente o escritor português mais completo de todo o séculoXIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e naprosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes génerosliterários. Foi também um lutador, político e um sedutor romântico.BIOGRAFIAJoão Baptista da Silva Leitão nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1799.Naadolescência foi viver para os Açores, na Ilha Terceira, quando as tropasfrancesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelotio, D. Alexandre, bispo de Angra.Em 1816 seguiu para Coimbra, onde se matriculou no curso de Direito. Em1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que lhe custou um processo porser considerado materialista, ateu e imoral. E neste mesmo ano que ele e suafamília passam a usar o apelido de Almeida Garrett.Presença nas lutas liberaisParticipou na revolução liberal de 1820, seguindo para o exílio na Inglaterra em1823, após a Vilafrancada. Antes havia casado com Luísa Midosi, de apenas14 anos. Foi em Inglaterra que tomou contacto com o movimento romântico,descobrindo Shakespeare, Walter Scott e outros autores e visitando castelosfeudais e ruínas de igrejas e abadias góticas, vivências que se reflectiriam nasua obra posterior.Em 1824, seguiu para França, onde escreveu Camões (1825) e Dona Branca(1826), poemas geralmente considerados como as primeiras obras da literaturaromântica em Portugal. Em 1826 foi amnistiado e regressou à pátria com osúltimos emigrados dedicando-se ao jornalismo, fundando e dirigindo o jornaldiário O Português (1826-1827) e o semanário O Cronista (1827).Teria de deixar Portugal novamente em 1828, com o regresso do Reiabsolutista D. Miguel. Ainda nesse ano perdeu a filha recém-nascida.Novamente em Inglaterra, publica Adozinda (1828) e Catão (1828).
  3. 3. Juntamente com Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar, tomouparte no Desembarque do Mindelo e no Cerco do Porto em 1832 e 1833. Vida políticaAlmeida Garrett, Alexandre Herculano e José Estêvão de Magalhães nosPassos Perdidos, Assembleia da República Portuguesa.A vitória do Liberalismo permitiu-lhe instalar-se novamente em Portugal, apóscurta estadia em Bruxelas como cônsul-geral e encarregado de negócios, ondelê Schiller, Goethe e Herder. Em Portugal exerceu cargos políticos,distinguindo-se nos anos 30 e 40 como um dos maiores oradores nacionais.Foram de sua iniciativa a criação do Conservatório de Arte Dramática, daInspecção-Geral dos Teatros, do Panteão Nacional e do Teatro Normal(actualmente Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa). Mais do que construir umteatro, Garrett procurou sobretudo renovar a produção dramática nacionalsegundo os cânones já vigentes no estrangeiro.mmmmmmmmmmmmmmmmmCom a vitória cartista e o regresso de Costa Cabral ao governo, AlmeidaGarrett afasta-se da vida política até 1852.Contudo, em 1850 subscreveu, commais de 50 personalidades, um protesto contra a proposta sobre a liberdade deimprensa, mais conhecida por “lei das rolhas”.
  4. 4. Garrett - um sedutorA vida de Garrett foi tão apaixonante quanto a sua obra. Revolucionário nosanos 20 e 30, distinguiu-se posteriormente sobretudo como o tipo perfeito dodandy, ou janota, tornando-se árbitro de elegâncias e príncipe dos salõesmundanos. Foi um homem de muitos amores, uma espécie de homem fatal.Separado da esposa, Luisa Midosi, com quem se casou, em 1822, quando estatinha 14 anos de idade, passa a viver em mancebia com D. Adelaide Pastor atéà morte desta em 1841.A partir de 1846, a sua musa é a viscondessa da Luz, Rosa Montufar Infante,andaluza casada, desde 1837, com o oficial do exército português JoaquimAntónio Velez Barreiros, inspiradora dos arroubos românticos das Folhascaídas.Por decreto do Rei D. Pedro V de Portugal datado de 25 de Junho de 1851Garrett é feito Visconde de Almeida Garrett em vida (tendo o título sidoposteriormente renovado por 2 vezes). Em 1852 sobraça, por poucos dias, apasta dos Negócios Estrangeiros em governo presidido pelo Duque deSaldanha.Falece em 1854, vítima de cancro, em Lisboa, na sua casa situada na actualRua Saraiva de Carvalho, em Campo de Ourique.OBRAS
  5. 5. TeatroDá início ao seu projecto de regeneração do teatro português, levando à cenaem 1838 Um Auto de Gil Vicente, pouco antes Filipa de Vilhena e, em 1842, OAlfageme de Santarém, todas sobre temas da história de Portugal.Em 1844 é publicada a sua obra-prima, Frei Luís de Sousa, que um críticoalemão, Otto Antscherl, considerou a "obra mais brilhante que o teatroromântico produziu". Estas peças marcam uma viragem na literaturaportuguesa não só na selecção dos temas, que privilegiam a história nacionalem vez da antiguidade clássica, como sobretudo na liberdade da acção e nanaturalidade dos diálogos.ProsaAlmeida Garret pelo escultor Barata FeyoEm 1843, Garrett publica o Romanceiro e o Cancioneiro Geral, colectâneas depoesias populares portuguesas, e em 1845 o primeiro volume dO Arco deSantana (o segundo apareceria em 1850), romance histórico inspirado porNotre Dame de Paris de Victor Hugo. Esta obra seduz não só pela recriação doambiente medieval do Porto, mas sobretudo pela qualidade da prosa,longe dasconvenções anteriores e muito mais próxima da linguagem falada.A obra que se lhe seguiu deu expressão ainda mais vigorosa a estastendências: Viagens na minha terra, livro híbrido em que impressões deviagem, de arte, paisagens e costumes se entrelaçam com uma novelaromântica sobre factos contemporâneos do autor e ocorridos na proximidadedos lugares descritos (outra inovação para a época, em que predominava oromance histórico). A naturalidade da narrativa disfarça a complexidade daestrutura desta obra, em que alternam e se entrecruzam situações discursivas,estilos, narradores e temas muito diversos.
  6. 6. PoesiaNa poesia, Garrett não foi menos inovador. As duas colectâneas publicadas naúltima fase da sua vida (Flores sem fruto, de 1844, e sobretudo Folhas caídas,de 1853) introduziram uma espontaneidade e uma simplicidade praticamentedesconhecidas na poesia portuguesa anterior.Ao lado de poemas de exaltada expressão pessoal surgem pequenas obras-primas de singeleza ímpar como «Pescador da barca bela», próximas dapoesia popular quando não das cantigas medievais. A liberdade dametrificação, o vocabulário corrente, o ritmo e a pontuação carregados desubjectividade são as principais marcas destas obras. BIBLIOGRAFIA
  7. 7. Almeida Garret pelo escultor António Pinheiro• Hino Patriótico (poema), 1820• Proclamações Académicos textos de intervenção), 1820• Ao corpo académico (poema),1821• O Dia Vinte e Quatro de Agosto (ensaio político), 1821• O Retrato de Vénus (poema), 1821• Ensaio sobre a História da Pintura (ensaio), 1821• Catão (tragédia), 1822• Oração Fúnebre de Manuel Fernandes Tomás (?), 1822• Camões (poema), 1825• Dona Branca, ou A Conquista do Algarve (poema), 1826• Da Europa e da América e de Sua Mútua Influência na Causa da Civilização e da Liberdade (ensaio político), 1826• Bosquejo da História da Poesia e da Língua Portuguesa, 1826• Carta de Guia de Eleitores (ensaio político), 1826• Adozinda (poema), 1828• Lírica de João Mínimo (poesia), 1829• Lealdade, ou a Vitória da Terceira (poesia), 1829• Da Educação, 1829• Portugal na Balança da Europa (ensaio político),1830• Elogio Fúnebre de Carlos Infante de Lacerda, Barão de Sabroso, 1830• Carta de M. Cévola, ao futuro editor do primeiro jornal liberal que em português se publicar (panfleto político), ?• Relatório dos decretos nº 22, 23 e 24 [reorganização da fazenda, administração pública e justiça], 1832• Manifesto das Cortes Constituintes à Nação, 1837• Da Formação da Segunda Câmara das Cortes, 1837• Necrologia [do conselheiro Francisco Manuel Trigoso de Aragão Morato], 1838• Relatório ao projecto de lei sobre a propriedade literária, 1839• Discurso do Sr. Deputado pela Terceira, J. B. de Almeida Garrett, na Discussão da Resposta ao Discurso da Coroa, 1840• Mérope, (tragédia), 1841.
  8. 8. • Discurso do Sr. Deputado por Lisboa J. B. de Almeida Garrett na Discussão da Lei da Décima (folheto), 1841 • O Alfageme de Santarém, 1842 • Elogio Histórico do Sócio Barão da Ribeira de Sabrosa, 1843 • Memória Histórica do Conselheiro A. M. L. Vieira de Castro (biografia), 1843 • Romanceiro e Cancioneiro Geral, 1843 • Miragaia (folheto), 1844 • Frei Luís de Sousa (drama), 1844 • O conselheiro J. B. de Almeida Garrett (autobiografia), 1844 • Carta sobre a origem da língua portuguesa, (ensaio), 1844 • O Arco de Santana (romance), 1845 • Os Exilados (poesia), 1845 • Memória Histórica do Conde de Avilez (biografia), 1845 • Flores Sem Fruto (poesia), 1845 • Da Poesia Popular em Portugal (ensaio literário), 1846 • Viagens na Minha Terra (romance), 1846 • Filipa de Vilhena (comédia) 1846 • Tio Simplício (comédia), 1846 • Falar Verdade a Mentir (comédia), 1846 • A Sobrinha do Marquês (comédia), 1848 • Memória Histórica da Excelentíssima Duquesa de Palmela (folheto), 1848 • Memória Histórica de José Xavier Mouzinho da Silveira, 1849 • O Arco de Santana (romance), 1850 • Romanceiro (poesia), 1851 • Cópia de uma Carta Dirigida ao Sr. Encarregado de Negócios da França em Lisboa, 1852 • O Camões do Rossio (comédia), 1852 • Folhas Caídas (poesia), 1853CONCLUSÃO
  9. 9. João Baptista da Silva Leitão e mais tarde Visconde de Almeida Garrett, foium escritor e dramaturgo romântico, orador, Par do Reino, ministro e secretáriode Estado honorário português.mmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmGrande impulsionador do teatro em Portugal, foi ele quem propôs a edificaçãodo Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de ArteDramática.No século XIX e em boa parte do século XX, a obra literária de Garrett erageralmente tida como uma das mais geniais da língua, inferior apenas à deCamões. A sua obra conservará para sempre o seu lugar na história daliteratura portuguesa, pelas inovações que a ela trouxe e que abriram novosrumos aos autores que se lhe seguiram. Garrett, até pelo acentuadoindividualismo que atravessa toda a sua obra, merece ser considerado o autormais representativo do romantismo em Portugal.

×