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  • 1. 1PAULO CESAR DE AQUINO SOARES:Uma Trajetória de Vida!
  • 2. 2FICHA TÉCNICAPUC-RJCURSO DE ESPECIALIZAÇÃO TECNOLOGIAS EM EDUCAÇÃOINCLUSÃO E TECNOLOGIAS ASSISTIVASSEMINÁRIO VIRTUALTEMA:Tetraplegia com Cognição NormalGrupo:Turma 1 - Grupo C – ColaboratividadeTutora:Ana Beatriz Carvalho PereiraElaboradores:Andréa Amaral Franco PintoGisele Rodrigues MartinsHerold Torres JuniorJulio Ramalho de SouzaRodrigo Santos Pereira
  • 3. 3SUMÁRIO1. Contextualização .................................................................................... 05[PARA CONHECER EM QUE CONTEXTO ESTE TRABALHO ESTÁ INSERIDO]2. Mensagem de Apresentação no Fórum .................................... 06[PARA CONHECER A MENSAGEM INICIAL DO FÓRUM QUE APRESENTA ESTE TRABALHO E CONVIDA TODOS À PARTICIPAÇÃO]3. Quem sou eu? .................................................................................... 07[PARA CONHECER O PERFIL DE PAULO CESAR DE AQUINO SOARES]4. Meus recursos: família, reabilitação e tecnologia .................................... 09[PARA CONHECER OS RECURSOS QUE POSSIBILITARAM A OBTENÇÃO DA FORMAÇÃO PROFISSIONAL]Família .............................................................................................. 09Reabilitação .................................................................................. 10Tecnologia .................................................................................. 12
  • 4. 45. Minha trajetória no Curso de Qualificação Profissional ........................ 13[PARA CONHECER AS ESPECIFICADES RELATIVAS À FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE PAULO CESAR DE AQUINO SOARES]O Início .................................................................................. 13As Questões da Acessibilidade ............................................................ 13O Conforto e o Transporte de Pessoas em Cadeira de Rodas ........... 15A Cadeira de Rodas Acionada por Controle de Voz ...................... 16O Uso do Computador ..................................................................... 17Relacionamento Interpessoal .......................................................... 19O Perfil Profissional do Curso e a Adaptação Curricular...................... 20Interação Família e Escola ......................................................... 246. Minha vida hoje ................................................................................... 25[PARA CONHECER A VIDA DE PAULO CESAR DE AQUINO SOARES EM 2013]
  • 5. 51. CONTEXTUALIZAÇÃOOs elaboradores deste trabalho são colaboradores do Sistema Firjan na área de Educação(Básica e Profissional) e atuam como Interlocutores de Tecnologias Educacionais nas Escolas doSESI-RJ e SENAI-RJ como uma das funções do cargo exercido por cada um (coordenador deprojetos educacionais, analista em educação, analista técnico em educação e técnico emeducação).Como iniciativa da Firjan foi oferecido aos Interlocutores de Tecnologias Educacionais apossibilidade de aprimorar seus conhecimentos realizando uma Pós-graduação. Para tal foifeita uma parceria com a PUC-RJ – CCEAD (Coordenadoria Central de Educação a Distância)para oferta do Curso de Especialização Tecnologias em Educação.Este trabalho é parte integrante da Disciplina “Inclusão e Tecnologias Assistivas” e consistenum “Seminário Virtual” onde a turma foi dividida em grupos e cada grupo pesquisou umtema, elaborou materiais e postou num “Fórum de Apresentação” para compartilhamento ecolaboração de toda a turma.[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]
  • 6. 62. MENSAGEM DE APRESENTAÇÃO NO FÓRUMCaros Companheiros,O Grupo “Colaboratividade” pesquisou e elaborou materiais sobre a tetraplegia com cogniçãonormal, optando por narrar um caso na voz do próprio aluno tetraplégico (fictício). Para talforam utilizados os seguintes recursos:1) Elaboração do Perfil do Aluno:Criação de perfil no Facebook (aluno fictício) com interação dos membros do “GrupoColaboratividade”.2) Descrição da Inclusão Escolar:Criação de um diário, em formato de flipbook, escrito pelo próprio aluno (fictício), narrandosua trajetória no Curso de Qualificação em Auxiliar Administrativo realizado no SENAI NovaIguaçu no ano de 2010.Esperamos que este trabalho garanta um conhecimento à respeito do processo escolar de umaluno com tetraplegia, suas possibilidades e limites, vistos nos aspectos técnicos, masespecialmente, na ótica do ser humano que se define para muito além de sua deficiência.“A verdadeira deficiência está no abandono dos sonhos, da vontade de viver, dodescaso ao próximo. A deficiência é aquilo que te prende por dentro, que engessa suaalma, sua fé, pois ainda que incapacitados de andar, todos somos livres para sonhar,para amar, para ajudar o próximo com uma palavra de afeto, um sorriso... somos livrespara voar nas asas da nossa imaginação!”Marciah Pereira[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]
  • 7. 73. QUEM SOU EU?Sou Paulo Cesar de Aquino Soares, tenho 21 anos, sou tetraplégico, trabalho como AuxiliarAdministrativo em uma grande empresa e tenho muito orgulho da minha trajetória de luta esucesso.Em 2006, quando tinha 14 anos, viajei para a casa de minha avó no interior do Rio de Janeiro.Durante um passeio com meus primos, resolvi banhar-me em um rio e,como todo menino daminha idade, achava que podia tudo. Mergulhei de cabeça no rio sem avaliar corretamente aprofundidade. A água era mais rasa do que eu imaginava, o que fez com que me chocassediretamente com uma pedra. Sofri fratura na coluna cervical, mais especificamente, entre a C4e a C5.O acidente ocasionou a perda total dos movimentos do pescoço para baixo. Fiquei internadodurante três meses e, desde que saí o hospital, utilizo de cadeira de rodas para me locomovere faço uso de sonda para as necessidades fisiológicas. Os movimentos de cabeça ficarampreservados, assim como, minha capacidade cognitiva, o que possibilitou com que eucontinuasse os estudos, após a fase inicial de adaptação.“Segundo dados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas daFaculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o mergulho em água rasa é a quartacausa de lesão medular no Brasil. E em época de verão, o acidente ocupa a segunda maiorincidência do país. Para se ter uma ideia deste número, a cada semana, cerca de dez pessoasficam paraplégicas ou tetraplégicas ao bater a cabeça em mergulhos. A incidência é de 60,9%dos casos.Com relação ao perfil das vítimas, uma pesquisa realizada pela Rede Sarah mostrou que opredomínio é de pacientes do sexo masculino e na maioria adolescentes e adultos jovens. OLocal de maior incidência é o rio, onde ocorre cerca de 43,5% dos casos.”http://portal.rac.com.br/blog/blog_post.php?post_id=34613&blog_id=/32Acessado em 02/05/2013.“Para se ter uma ideia, a cadasemana, cerca de dez pessoasficam tetraplégicas ao bater acabeça em mergulhos. Aincidência é de 60,9% doscasos. As vítimas são namaioria adolescentes e adultosdo sexo masculino. Em 44%dos casos, os acidentesocorrem em rios.”http://www.blogdoguilhermebara.com.br/mergulho-em-agua-rasaAcessado em 02/05/2013.http://www.copacabanarunners.net/coluna-cervical.htmlAcessado em 02/05/2013.“Qualquer lesão na medula espinhal acima dossegmentos da coluna cervical C3, C4 e C5pode interromper a respiração. Pessoas comessas lesões precisam de suporte respiratórioimediato. Quando a lesão está no segmentoC5 da coluna cervical e abaixo, a função dodiafragma é preservada, porém a respiraçãotende a ser rápida e a pessoa tem problemapara tossir e limpar secreções dos pulmões porcausa da fraqueza dos músculos torácicos.Uma vez que a função pulmonar melhora, umagrande percentagem das pessoas com lesãono segmento C4 da coluna cervical podem selivrar da respiração mecânica nas semanasposteriores à lesão”.
  • 8. 8Após o processo de adaptação, que durou o restante do ano de 2006, meus pais, apesar daorigem humilde, fizeram questão de me incentivar a continuar com os estudos e nãomediram esforços para tal.Não foi nada fácil, sempre acompanhado por minha mãe, iniciei o Ensino Médio em 2007em escola pública estadual do Rio de Janeiro.Após os três anos de Ensino Médio decidi que queria ter uma profissão. Comecei a questionar-me sobre o que gostaria de fazer e iniciei uma pesquisa de atividades profissionais que eupoderia fazer.Percebi diversas barreiras nesta busca, em 2010 optei por procurar o SENAI no Município emque resido, Nova Iguaçu, na tentativa de obter orientação para ingresso num cursoprofissionalizante.Participamos, eu e minha mãe, de uma Reunião de Informação Profissional (RIP), feita comtodos os alunos que ingressam no SENAI. Juntos, escola e eu, chegamos a conclusão de queum curso na área de Gestão seria mais interessante e adequado aos meus anseios do aluno. Ocurso escolhido foi o Auxiliar Administrativo na modalidade Qualificação Profissional.É a história da minha profissionalização que passo a narrar aqui. Toda a trajetória que melevou a ter uma vida produtiva a partir do meu olhar, entretanto incluindo minha família e aescola em que me formei Auxiliar Administrativo.[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]Sou sociável, alegre, batalhador, enão me dobro fácil frente a umdesafio.Passei e ainda passo por momentosdifíceis, mas quem não passa?Luto a cada dia por maisindependência, estabeleço umobjetivo de cada vez e me dedico à
  • 9. 94. MEUS RECURSOS: FAMÍLIA, REABILITAÇÃO E TECNOLOGIAJamais chegaria sozinho aonde cheguei, tive três fortes aliados para atingir meus objetivos:MinhaFAMÍLIA ,a possibilidade de realizar uma REABILITAÇÃO de qualidade eo acesso à .TECNOLOGIA.FamíliaMoro com meuspais, com um irmão mais novo (19 anos) que é estudante e uma irmã maisvelha (24 anos) que trabalha como Auxiliar Administrativa. Meu pai é operário em umaindústria. Minha mãe se dedica ao lar e aos filhos e faz doces para fora.A renda da minha família é suficiente para uma vida modesta, mas digna. Todos nós (os filhos)pudemos estudar em escolas públicas e trabalhar somente após a conclusão do Ensino Médio.Sou atendido pelo sistema público de saúde desde que sofri o acidente.Nossa casa teve de passar por algumas adaptações internas para facilitar minha vida, mas éuma casa de vila, o que me dá dando mobilidade.Minha família é bem estruturada o que permite o apoio às minhas necessidades. Minha mãecuida mais diretamente de mim e meu irmão mais novo, por ter maior disponibilidade detempo, participa ativamente dos cuidados comigo. Meu pai e minha irmã mais velhaparticipam na medida de suas disponibilidades, ela foi a grande incentivadora para que eu nãodesistisse de estudar e tivesse uma carreira.
  • 10. 10ReabilitaçãoA reabilitação é uma das minhas grandes “tarefas”, exigindo não só meu esforço pessoal, mastambém de toda minha família, especialmente no que diz respeito à minha locomoção e,inicialmente, aos recursos financeiros para a manutenção dos tratamentos e aquisição demateriais, instrumentos, medicamentos, tecnologias, etc. necessários para que eu tenha umamelhor qualidade de vida.Na reabilitação, segundo Gabriela Mader,Os pais esperam:Compreensão, consolo, incentivo, momentos para descarregar sentimentosde culpa, palavras de esperança, pessoas que escutam e pessoas com quemdividir a responsabilidade.Os profissionais esperam:Interesse pelo programa de reabilitação, compreensão, informaçõescorretas do que é realizado em casa e na escola, otimismo em relação aotratamento e cooperação para o alcance dos objetivos.Em 2007 fui inserido num programa de atendimento especializado ao tetraplégico compostode atendimento médico, fisioterapia e terapia ocupacional. Onde, as expectativas de todos(minhas, da minha família e dos terapeutas que me acompanharam / acompanham) vêmsendo atendidas.A TERAPIA OCUPACIONALA partir da avaliação do nível funcional a terapia ocupacional avalia as potencialidadese capacidades funcionais do paciente e desenvolve um trabalho para: aumentar a forçados músculos; aumentar a resistência física; maximizar a independência; explorar asatividades de lazer e trabalho; auxiliar no ajuste psicossocial; avaliar, recomendar etreinar no uso dos equipamentos médicos utilizados; garantir a acessibilidade comsegurança e independência; garantir que as atividades de vida diária e as atividadesinstrumentais da vida diária sejam reconquistadas.Atividades da Vida Diária (AVD):São atividades relacionadas com os seguintes itens:⋅ Auto cuidado,⋅ Mobilidade,
  • 11. 11⋅ Alimentação,⋅ Higiene pessoal;⋅ Vestir-se, despir-se, calçar-se.Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD):São atividades que permitem a integração de uma pessoa na comunidade, gerir a suacasa e a sua vida:⋅ Ir às compras⋅ Gerir o dinheiro⋅ Utilizar o telefone⋅ Limpar⋅ Cozinhar⋅ Utilizar transporteshttp://www.advita.pt/cuidadoscontinuados/definicao-de-avd-e-aivdAcessado em 04/05/2013.Quatro anos após o acidente que me deixou paraplégico (2010), já havia resgatado diversasfuncionalidades. Ocasião em que iniciei minha formação profissional.Além deste resgate, o fato de ter cursado todo o Ensino Médio já tetraplégico me deu umasegurança maior para iniciar este novo desafio. Contei com uma escola compromissada com aminha aprendizagem e consciente e atuante em relação às minhas possibilidades e limites.A FISIOTERAPIAA fisioterapia tem importante papel na assistência aguda do paciente visando facilitaruma transição rápida e eficiente para o processo de reabilitação. Isso pode incluir aprevenção de deformidades, maximização da função muscular e respiratória eaquisição de postura em pé (ZIELIG et al, 2000; BROMLEY, 1985).Quando os pacientes se recuperam dos problemas agudos, são feitos planos dereabilitação baseados no prognóstico de futuras habilidades funcionais. Para se obterum serviço eficiente, os programas de reabilitação devem ser baseados na escolha demetas realistas (MAYNARD et al, 1997).Os principais objetivos são evitar as complicações, promover independência em termosde alimentação e ingestão de líquidos, cuidados no vestir e higiene, controle da bexigae intestino, sentar e sair da cadeira de rodas e a capacidade de usá-la, retorno àsatividades laborais e se possível retorno da marcha com uso de dispositivos ortóticos(LIANZA et al, 1993; UMPHERED e SCHINEIDER, 1994).http://www.ccs.uel.br/espacoparasaude/v5n1/doc/artigo2.htmAcessado em 04/05/2013.A fisioterapia é uma atividade constante em minha vida. Este atendimento iniciou-se logo apóso acidente e continua até hoje compareço semanalmente às sessões, apesar das dificuldadesde dirigir-me ao centro de atendimento. Realizo também diversos exercícios em casa auxílio domeu irmão, a partir das orientações do fisioterapeuta.
  • 12. 12TecnologiaComo todos da minha geração sempre fui muito ligado nas tecnologias. Meus pais,reconhecendo a importância que um computador tem para a formação educacional,compraram um desktop à prestação e, desde os 14 anos tive contato com o mundo digital.Hoje, mais do que nunca, as tecnologias são imprescindíveis em minha vida. Estou cercado porelas, desde minha cadeira de rodas, que hoje (2013) é acionada por controle de voz, aossoftwares que utilizo para acessar e interagir na internet.Quando fiquei tetraplégico iniciei uma busca por tudo e por todos que pudessem ajudar asuperar minhas dificuldades. Fui encaminhado a profissionais especializados que muito meauxiliaram nesta busca. Descobri que existe muita coisa para auxiliar o tetraplégico a ter maiorindependência e melhor qualidade de vida.Algumas coisas são simples e baratas ou gratuitas, outras, são caras e mais complexas, porémconhecendo os caminhos certos é possível ter acesso a cada vez mais recursos, lutar pordireitos, encontrar aliados...O foco deste “diário” é minha formação profissional, minha trajetória escolar contemplando asnormas de acessibilidade, as adaptações curriculares e as tecnologias assistivas para que fosseuma trajetória de sucesso.[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]Tecnologia Assistivaé uma área do conhecimento, decaracterística interdisciplinar, que engloba produtos, recursos,metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivampromover a funcionalidade, relacionada à atividade eparticipação de pessoas com deficiência, incapacidades oumobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência,qualidade de vida e inclusão social.Ata VII – Comitê de Ajudas Técnicas – CAT
  • 13. 135. MINHA TRAJETÓRIA NO CURSO DE QUALIFICAÇÃO PROFSSIONALO InícioDefinido o curso (Auxiliar Administrativo) começamos todos (eu, minha família, a escola, osprofessores) a buscar os recursos necessários para um processo educativo eficiente, eficaz eefetivo.Saiba mais emhttp://www.cursosenairio.com.br/O conhecimento a respeito de minhas deficiências foi feito logo no início da minha vidaescolar, considerando a mobilidade, alimentação e higiene pessoal.Os principais cuidados, queexigiram orientação da minha família e minha própria, foram direcionados aos professores edemais alunos.As Questões da AcessibilidadeQuando cheguei á Escola SENAI de Nova Iguaçu, no início de 2010, começo a ser feito umlevantamento das condições de acessibilidade da escola, para que o ambiente físico pudesseestar acessível não só a mim, mas a todos que necessitassem.Este levantamento levou à busca de normas e soluções para acesso à sala de aula,deslocamento para outros ambientes como auditório, biblioteca, laboratório,etc. Pensou-se nalocalização da cadeira de rodas, no meu deslocamento em sala de aula, etc.O que diz a Legislação?
  • 14. 14“A necessidade de adaptações razoáveis como um meio de eliminar barreiras, principalmentenos locais de trabalho, é citada inúmeras vezes no texto da Convenção sobre os Direitos dasPessoas com Deficiência (CDPcD), adotada em 2006 pela Assembleia Geral da Organização dasNações Unidas (Brasil, 2007), e que o nosso país ratificou (Brasil, 2008) e promulgou (Brasil,2009).No artigo 3 da CDPcD tem que ter adaptações razoáveis e tornar acessíveis para aspessoas com deficiência os ambientes, os equipamentos e as ferramenta de trabalho”.O Ministério do Trabalho e do Emprego estabelece normas regulamentadoras que forampesquisadas e adotadas para garantir segurança e saúde para todos. Especialmente a NR 8 –Edificações e a NR 17 – Ergonomia.http://www.mte.gov.br/seg_sau/leg_normas_regulamentadoras.aspA Lei 10.098, de 19 de dezembro de 2000, estabelece normas gerais ecritérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoasportadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, diz que os locaisde aula deverão dispor de espaços reservados para pessoas que utilizamcadeira de rodas, e de lugares específicos para pessoas com deficiênciaauditiva e visual, inclusive acompanhante, de acordo com a ABNT, demodo a facilitar-lhes as condições de acesso, circulação e comunicação.Estabelece requisitos técnicos mínimosque devem ser observados nasedificações para garantir segurança econforto aos que nelas trabalhem.Visa estabelecer parâmetros que permitam aadaptação das condições de trabalho às característicaspsicofisiológicas dos trabalhadores de modo aproporcionar um máximo de conforto, segurança edesempenho eficiente.
  • 15. 15O que foi feito?Algumas adaptações foram feitas no SENAI Nova Iguaçu para minha chegada, as maissignificativas foram:⋅ As portas dos ambientes da escola frequentados por mim receberam um sistema de chipsque faz com que sejam abertas sem necessidade de serem tocadas e tiveram sua larguraampliada para passagem da cadeira de rodas;⋅ Foram instalados pia e vaso sanitário adaptáveis nos banheiros, mesmo usando sonda, aescola compreendeu a necessidade desta adaptação;⋅ Foi construída uma rampa para acesso ao segundo pavimento onde se localiza o auditórioe a biblioteca e⋅ Foi designada para minha turma uma sala de aula ampla possibilitando a circulação deminha cadeira de rodas e localizada no primeiro pavimento.O Conforto e o Transporte de Pessoas em Cadeira de RodasOutras questões foram observadas como minha acomodação na postura correta, me foiorientado o uso de almofadas e faixas para estabilização do tronco. São recursos simples deadaptações físicas e, muitas vezes, bem eficazes para auxiliar no processo de aprendizagem.Uma postura correta é vital para um trabalho eficiente na sala de aula e no computador.De minha parte, tive de orientar / esclarecer aos colegas e professores algumas questõesrelativas a estar numa cadeira de rodas:⋅ Para mim e para qualquer pessoa sentada em cadeira de rodas, é incômodo ficar olhandopara cima por muito tempo. Portanto, é muito importante que a lousa, materiais,equipamentos, etc. estejam numa altura cômoda para se olhar sentado.⋅ Numa conversa, com uma pessoa em cadeira de rodas, quando demora mais do quealguns minutos, é importante que o interlocutor sente-se para que fiquemos com os olhosno mesmo nível.
  • 16. 16⋅ A cadeira de rodas (assim como bengala e muleta para quem as usa) é parte do meuespaço corporal, quase uma extensão do meu corpo. É necessário que todos saibam quenunca devem movimentarminha cadeira de rodas sem antes me pedir permissão.⋅ Empurrar uma pessoa em cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho desupermercado. Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas, equando parar para conversar com alguém, lembre-se de virar a cadeira de frente, para queeu também possa participar da conversa.⋅ Ao me empurrar na cadeira de rodas, faça-o com cuidado. Preste atenção para não baternas pessoas que caminham na frente. Quando conversarem comigo, lembre-se de quesentado tenho um ângulo de visão diferente. Se quiser mostrar-me qualquer coisa, abaixe-se para que eu efetivamente a veja.A Cadeira de Rodas Acionada por Comando de VozFoi surpreendente o envolvimento de toda a equipe pedagógica, dos professores e de meuscolegas na minha adaptação.Os alunos de outras turmas do SENAI Nova Iguaçu tomaram ciência das minhas dificuldades eresolveram desenvolver (como Projeto Integrador) uma cadeira de rodas acionada porcomando de voz, que pudesse me auxiliar e a outras pessoas que enfrentam as mesmasdificuldades.O Projeto da CADEIRA DE RODAS ACIONADA POR COMANDO DE VOZganhou notoriedadenacional quando foi apresentado na Olímpiada Nacional de Educação Profissional, em 2010,tendo sido consagrado vencedor em um concurso de projetos inovadores na categoria votopopular.A metodologia utilizada pelo SENAI consiste em uma formação baseadaem competências de acordo, com esta metodologia, o aluno vemdesenvolvendo competências ao longo do curso, estando preparadopara exercer a qualificação ao término do mesmo.Os alunos desenvolvem, em grupo, um projeto associado à atividadeprática, a fim de comprovar, ao final do curso, a aquisição dascompetências correspondentes este momento de culminância deve serplanejado pelos docentes responsáveis pelo curso com o apoio daequipe pedagógica da devendo ser adequado à avaliação dascompetências previstas.O Projeto Integrador representa uma inovação em termos demetodologia de formação educacional, uma vez que permite acontextualização de todas as unidades curriculares na temática da áreade formação profissional do curso, introduzindo assim a possibilidade deaprendizado por competências. Este consiste em desenvolver acapacidade de mobilizar os recursos necessários no cumprimento doobjetivo.
  • 17. 17https://www.youtube.com/watch?v=xgkg6jiAROAhttps://www.youtube.com/watch?v=2kvNfTtbA0ENão sei se vocês podem imaginar o significado deste projeto para mim. Senti-me acolhido pormeus colegas de escola, senti uma real preocupação deles com os tetraplégicos como eu eacompanhei o empenho no desenvolvimento do projeto, desde a concepção até o produtofinal, demonstrando o quanto todos realmente se importam.Desde então faço uso desta cadeira de rodas, o que me permitiu maior mobilidade eindependência. Sinto-me orgulhoso de ter sido o “detonador” deste projeto.O Uso do ComputadorNo mundo atual é inconcebível qualquer processo educativo sem o uso do computador, já queestamos na era digital e nosso universo é cercado de tecnologia. A despeito dos usos comuns,feitos por mim, o uso do computador é imprescindível, pois é minha única forma decomunicação escrita.Eu, a equipe pedagógica e os professores nos empenhamos em selecionar, providenciar ainstalação dos programas nos equipamentos e buscar treinamento para seu uso.Chegamos a alguns programas que utilizo até hoje e que possibilitaram minha trajetóriaescolar:PROJETO INOVADORINOVA SENAI / OC 2010
  • 18. 18É um programa diferente e inovador, permitindo que os usuários mexam o mouse e usem seudesktop, fazendo apenas alguns movimentos com a cabeça. O programa trabalha em conjuntocom qualquer webcam, que detecta estes movimentos e os transmitem para o mouse.Esta aplicação foi desenvolvida pela Universidade de Lleida, na Espanha, com o intuito deauxiliar pessoas que apresentem comprometimentos motores. Criando-se um mouse virtual,estes usuários podem ter acesso a computadores, movendo os olhos, lábios e sobrancelhas,garantindo uma interação com as máquinas.Leia mais em:http://www.baixaki.com.br/download/headmouse.htm#ixzz2SH1uwrwohttp://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1392648-6174,00.htmlAcessado em 02/05/2013.É um software produzido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal doRio de Janeiro (NCE / UFRJ) que permite ações do mouse e do teclado, acionamento deprogramas do Windows, acionamento de scripts adaptativos, seleção de menus de comandopor meio de voz.“O programa é simples e está disponível de graça na internet. Precisa apenas instalaruma câmera no computador. Primeiro, ela reconhece o movimento da cabeça e moveo cursor na tela. O clique é feito com os olhos. Um teclado virtual escreve textos,endereços eletrônicos e a abre a porta da rede mundial de computadores para pessoascom essa limitação."A partir daí podemos ver o potencial do paciente e executar o principal dareabilitação, que é reinclui-lo socialmente", explica Marcelo Ares, gerente dereabilitação da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). "Ganhar essaautoestima e a possibilidade de poder executar uma função é fundamental."“Uma ferramenta como essa faz mais do que devolver a autoestima e aindependência. Imagine-se na frente de um computador, mas sem poder usar o mouseou o teclado. Para muita gente, esse mundo - e tudo o que ele traz de bom para onosso mundo real - ficou mais acessível.”
  • 19. 19Os comandos possuem uma diferença sonora entre as palavras, aumentando assim aconfiabilidade do entendimento pela máquina. Sempre que um comando é acionado ele éescrito na barra de comandos do Windows, e desta forma a pessoa pode ter um feedbacksobre o entendimento ou não do comando pelo reconhecedor. O sistema permite tambémdigitação soletrando. Para diferenciar os sons das letras, o Motrix utiliza o alfabeto fonético deaviação.http://vidamaislivre.com.br/colunas/post.php?id=4845&/motrix_ou_headmouseAcessado em 05/05/2013.http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/Acessado em 02/05/2013.Juntos, fomos aprendendo e ensinando uns aos outros. Professores e colegas de classeenvolveram-se na tarefa. A escola disponibilizou computadores específicos para que euutilizasse. Fui evoluindo a cada dia e ganhei velocidade e agilidade no uso do computador.Relacionamento InterpessoalSempre fui muito extrovertido e comunicativo, após o acidente passei um período sementender o que tinha acontecido comigo, precisei de ajuda para encarar a “nova vida”. Minhafamília em primeiro lugar e os profissionais que me atenderam, desempenharam papelfundamental para organizar minha cabeça. Passei pela fase do questionamento, da negação,da revolta, da aceitação e, hoje, encontro-me permanentemente na fase de superação. Ondelimite é algo que se desloca a cada dia e que persigo a todo custo.Em 2010 quando entrei no Curso de Qualificação eu já havia vencido muitas das dificuldadesque a minha condição de tetraplégico impõe. Isso facilitou a vida de todos na escola.O SENAI Nova Iguaçu sempre adotou uma prática inclusiva, onde garante não só a entrada (amatrícula) do aluno como também os recursos para a sua aprendizagem. A escola vê a pessoae não a deficiência, isto para mim significou ser olhado nas minhas possibilidades e limites enão através da tetraplegia.Antes da minha chegada, a única preparação foi no ambiente físico, o restante foi realizado naconvivência, no conhecimento mútuo.“O uso do Motrix torna viável a execução pelo tetraplégico de quase todas asoperações que são realizadas por pessoas não portadoras de deficiência, mesmo asque possuem acionamento físico complexo, tais como jogos, através de um mecanismointeligente, em que o computador realiza a parte motora mais difícil destas tarefas. Osistema pode ser acoplado a dispositivos externos de home automation para facilitarem especial a interação do tetraplégico com o ambiente de sua própria casa.”
  • 20. 20Tanto os professores quanto os colegas de classe me receberam muito bem, algunsextremamente prestativos, outros curiosos, alguns indiferentes... Mas no geral, obtive apoio eincentivo.Como não tenho vida social intensa me dedico muito aos estudos e isto faz com me destaque eseja requisitado por meus colegas para os trabalhos de grupo.Os professores se viram desafiados, a todo momento, para criar uma forma adequada de meincluir nas aulas, trabalhos e avaliações. A maioria deles foi bastante criativo, possibilitandoque eu concluísse o curso com uma gama enorme de competências adquiridas.O Perfil Profissional do Curso e a Adaptação CurricularVisando o meu desenvolvimento no curso e observando minhas limitações a equipe técnico-pedagógica da escola realizou uma avaliação do perfil profissional do curso AuxiliarAdministrativo para que pudesse traçar estratégias paraacompanhamento das aulas e paraavaliação da aprendizagem.A partir da análise realizada, foi identificada que nem todas as atividades do AuxiliarAdministrativo eu poderia realizar de forma plena considerando minhas limitações físicas.As competências “Prestar apoio logístico no ambiente de trabalho” e “Controlar amovimentação de documentos” foram as mais prejudicadas por essas limitações, assim, elasforam abordadas apenas visando o conhecimento teórico por mim. A equipe decidiu tambémdar foco ao desenvolvimento da competência “Organizar e executar as rotinas administrativas”pela possibilidade concreta de minha atuação profissional.A partir de uma análise mais apurada percebeu-se que o grande conjunto de padrõesdesempenho poderia ser desenvolvido com as devidas adaptações e apenas os padrões dedesempenho “Realizando serviços de reprografia” e “Utilizando projetor multimídia eretroprojetor” teriam que ter também uma abordagem apenas teórica.Em todos os componentes em que a atuação permitida era apenas teórica, devido às minhaslimitações, fui incentivado e orientado a fazer observações dirigidas, relatórios, narrativas,descrição de processos, etc. possibilitando um conhecimento consistente mesmo que teórico.SENAI – NOVA IGUAÇUJaneiro / 2012ANÁLISE DO PERFIL PROFISSIONAL DO CURSO PARA REALIZAÇÃO DE ADAPTAÇÃOCURRICULAR PARA O ALUNO PAULO CESAR DE AQUINO SOARESCurso de Qualificação em Auxiliar AdministrativoCOMPETÊNCIA GERALPrestar serviços de apoio e suporte às atividades das áreas administrativas, financeiras,comerciais e de recursos humanos cumprindo as rotinas e processos estabelecidos com focona otimização e nos padrões de qualidade requeridos.
  • 21. 21A competência geral do curso apresenta de uma forma sintética todas as atividades desenvolvidas pelo profissionalplenamente desenvolvido.COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS ELEMENTOS DE COMPETÊNCIA APTO AREALIZAR?Prestar apoio logístico no ambientede trabalho.Transportar documentos entre áreas NãoManusear material de expediente. NãoApoiar na realização de eventos. NãoControlar a movimentação dedocumentos.Receber e expedir documentos. NãoArquivar documentos NãoOrganizar e executar as rotinasadministrativas.Executar serviços em meioseletrônicos SimOperar recursos tecnológicos deapoio à área administrativa SimAtender ao cliente SimAs competências específicas são aquelas relacionadas às atividades específicas realizadas pelo profissional. A partirdelas foi realiza-se uma análise considerando as limitações e as adaptações necessárias para o desenvolvimento dasmesmas e ainda a possibilidade de atuação das atividades do profissional quando inserido no mercado.COMPETÊNCIAS DE GESTÃOTrabalhar em equipe.Demonstrar visão sistêmica do processo ao qual está inserido.Demonstrar capacidade de planejamento e organização do próprio trabalho.Demonstrar capacidade de relacionamento interpessoal mantendo comportamento ético.Demonstrar capacidade de solucionar problemas.Atuar com foco na qualidade dos processos.Demonstrar capacidade de administrar as adversidades.As competências de gestão apresentam aspectos que são desenvolvidos de forma transversal em todo curso.
  • 22. 22ORGANIZAR E EXECUTAR AS ROTINAS ADMINISTRATIVASELEMENTOS DE COMPETÊNCIA PADRÕES DE DESEMPENHOAPTO AREALIZAR?Executar serviços em meioseletrônicosConsiderando as especificidades daárea SimUtilizando editor de texto, planilhaseletrônicas, apresentações, dentreoutros recursos SimUtilizando recursos da Internet eIntranet SimObservando as orientações dosupervisor imediato SimOperar recursos tecnológicos deapoio à área administrativaTransmitindo e recebendodocumentos via fax SimRealizando serviços de reprografia NãoUtilizando projetor multimídia eretroprojetor NãoAtender ao cliente Identificando os serviços e produtosda empresa SimRealizando o atendimento telefônicoem conformidade com o padrãoadotado pela empresa SimContatando por mensagemeletrônica aos clientes internos SimFornecendo informações necessáriase/ou encaminhando ao local dedestino. SimComunicando-se de forma clara eobjetiva, observando a norma cultada Língua Portuguesa SimA principal competência específica identificada (organizar e executar as rotinas administrativas) foi desmembradaem elementos de competência e padrões dedesempenho para um maior detalhamento.
  • 23. 23AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEMUNIDADES DE COMPETÊNCIA ELEMENTOS DE COMPETÊNCIA FOCO DA AVALIAÇÃOPrestar apoio logístico noambiente de trabalho.Transportar documentos entreáreasConhecimentosteóricosManusear material deexpediente.ConhecimentosteóricosApoiar na realização de eventos.ConhecimentosteóricosControlar a movimentação dedocumentos. Receber e expedir documentos.ConhecimentosteóricosArquivar documentosConhecimentosteóricosOrganizar e executar as rotinasadministrativas.Executar serviços em meioseletrônicosConhecimentosTeóricose práticosOperar recursos tecnológicos deapoio à área administrativa Teóricos e práticosAtender ao cliente Teóricos e práticosProcesso de avaliação da aprendizagem realizado de forma a observar os conhecimentosteóricos nas competências identificadas como inaptas a realizar e foco nos conhecimentosteóricos e práticos naquelas identificadas como possíveis de serem realizadas.Não houve necessidade de relatórios específicos, em função da minha deficiência. Durantetodo o processo de ensino-aprendizagem foram realizados para mim os mesmos registrosrealizados para os outros alunos.Minha participação no curso deu-se de forma oral e escrita (a partir do uso de editores detexto).A prática exigiu de mim um apoio maior da reabilitação.Tanto o Terapeuta Ocupacional quantoo Fisioterapeuta dispunham do meu prontuário e prepararam um relatório que foidisponibilizado ao SENAI de Nova Iguaçu, contribuindo com o estabelecimento das adaptaçõescurriculares. Também dedicaram-se ao trabalho com as novas competências que eu poderiaadquirir em função da minha formação em Auxiliar Administrativo.A escola, por sua vez, disponibilizou o Plano de Curso para que os profissionais pudessemcompreender as competências que seriam trabalhadas no curso e realizassem atividadescontextualizadas e produtivas nos momentos de reabilitação. Entendendo ser o trabalho maiorna área motora e no uso das tecnologias assistivas empregadas na minha inclusão escolar.
  • 24. 24Este trabalho integrado só rendeu bons frutos, facilitando minha trajetória escolar.Esmerei-me na aquisição das competências de gestão entendendo que poderia ser meudiferencial. Dediquei-me à parte prática com maior intensidade, considerando ser minha realpossibilidade de atuação e busquei compreender em minucias a parte teórica para quepudesse orientar ou coordenar um colega que, junto comigo, poderia realizar as tarefasmotoras que eu era impedido de fazer.Interação Família e EscolaMesmo sendo maior de idade, estou sempre acompanhado por alguém da família que meajuda na locomoção, alimentação e higiene pessoal. Em geral minha mãe ou meu irmão maisnovo, desta forma o contato de minha família com a escola sempre foi constante.Mais do que qualquer exame ou relatório, a escola teve o próprio aluno (EU) para narrar meuslimites e demonstrar minhas possibilidades, bem como exigir a garantia de meus direitos dealuno.Todos (eu, minha família e a escola) reconheceram que o convívio diário foi quedemonstrouminhas reais necessidades, mas reconheceram também que os relatórios dosespecialistas que me acompanhavam deram pistas mais detalhadas e específicas para melhoradequação e atendimento às minhas necessidades.Ao realizar minha matrícula prontifiquei-mea solicitar relatórios do Terapeuta Ocupacional e do Fisioterapeuta que me acompanhavam.Como possuo as funções cognitivas preservadas sempre fui o principal elo na relação entreescola – família – terapeutas.Minha família, como a família de qualquer aluno, foi incumbida de fornecer informações nocaso de afastamento temporário por doença ou qualquer outro problema que venha ocorrercomigo.A escola, como no caso de qualquer aluno, tem a responsabilidade de comunicar à minhafamília qualquer ocorrência que julgue pertinente para o meu bem estar, para a melhoria nomeu aprendizado, para o bom andamento do trabalho escolar, etc.O SENAI de Nova Iguaçu, através de seus Pedagogos, possui um estreito relacionamento com afamília de todos os alunos, promovendo encontros e reuniões, comunicando-se com asfamílias sempre que necessário, bem como, disponibilizando-se ao atendimento às mesmasquando solicitado.A integração família-escola estende-se para além das atividades pedagógicas, e para além dosalunos com deficiência ou indisciplinados ou com dificuldades de aprendizagem ou ..., ocorretambém na promoção de palestras, festas, comemorações e atividades internas ou externas,etc. Nestas ocasiões familiares são convidados a participar, conviver e contribuir para aformação de seus filhos e filhas, irmãos e irmãs, maridos e esposas... Tornando esta integraçãoparte essencial de todo o processo educacional de todo e qualquer aluno.[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]
  • 25. 256. MINHA VIDA HOJETenho consciência do que perdi: o futebol com os amigos, as baladas, os passeios noshopping... Porém reconheço tudo o que ganhei: uma família amorosa; amigos leais, éticos esolidários; uma escola de qualidade para realizar minha formação profissional; uma profissão;um emprego, maturidade, consciência crítica...Hoje estou em busca de difundir minha trajetória, de incentivar outros jovens a não desistirnunca. Estou organizando uma comunidade na internet para troca de informações,experiências, sentimentos, inovações...Vejo isso quase que como uma missão. Percebi que não sou o único, que não estou só, que soudiferente e que posso fazer a diferença.[PARA RETORNAR AO SUMÁRIO]

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