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B2b inteligencia 200901

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  • 1. capa Por Rogério Godinho e Anderson Costa xecução rmação tornou a e era da info sucesso A o insuficie nte para o ficiente alg taurar um e ios. É preciso ins nte. nos negóc ado consta aprendiz inteligência p rocesso de no qual a cenário dar a N esse novo ia pode aju tecnolog roduzir p revalece, a extrair e p cultura e trans mitir uma ente da nto n ovo diretam escola conhecime esa é uma . A empr experiênciaB2BDEZ/JAN2009
  • 2. mobilidade ᵬ mais valor convergência governo rede social indústria talentoI ISADORA TEM 14 ANOS. EM JULHO DOANO PASSADO, 400 PESSOAS ATENDERAMAO SEU CHAMADO. NA ÉPOCA, TODA ACOMUNIDADE DE FÃS DO BRUXO HARRYPOTTER AGUARDAVA ANSIOSAMENTE OLANÇAMENTO DO ÚLTIMO LIVRO DASÉRIE, O TÍTULO “AS RELÍQUIAS DAMORTE”. A obra tem 784 páginas e estava paraser lançada, ainda em inglês. Sem esperar pelaversão oficial, os fãs liderados pela internautaadolescente traduziram tudo em dez dias.A palavra mágica é colaboração. As empresasprecisam aprender com Isadora. O modelo de execução de tarefas seguidopelas corporações hoje ainda se baseia na era damanufatura. Pioneiros como Henry Ford eFrederick Taylor dividiram tarefas em ações 23repetitivas e previsíveis em uma linha demontagem. Inovador no passado, esse modelohoje está definitivamente superado. “Execuçãosem falhas não garante mais o sucesso”, diz aespecialista em gestão de Harvard, AmyEdmonson, em um artigo publicado em julhodeste ano. “A economia do conhecimento exigedecisões em colaboração para responder aocomplexo e imprevisível”. B2B DEZ/JAN 2009
  • 3. capa ᵬ mais valor Foi esse o conceito usado que ele gera. Desempenho Ricardo Fenley, por Isadora para executar significa atributos como superintendente de educação uma tarefa complexa e experimentação inteligente, do banco, coordena o enorme em um período tão engenhosidade, habilidades conhecimento a ser curto. Ela não tinha todo o interpessoais e resiliência transmitido para toda a área conhecimento nem saberia em face da adversidade. comercial, o que inclui toda a tomar todas as decisões. O espaço para manobra é rede de agências. Fenley já Apenas o conjunto de extremamente alto. conseguiu colocar 16 mil 400 pessoas pôde realizar a Na era em que prevalece funcionários em treinamento tradução. Cada página foi a economia do serviço, o no programa de educação de lida e checada por pessoas conhecimento é acumulado negócios financeiros, chamado diferentes. O conhecimento em algumas pessoas e se vai de Enfin. É metade do coletivo supera a quando o funcionário sai contingente total do banco. especialização individual. da empresa. Há poucas e Esses funcionários não No modelo clássico da ineficientes formas de guardar realizam tarefas coletivamente manufatura, a dependência do o conhecimento. Ele não está como o grupo coordenado trabalhador era muito menor. no coletivo. Está isolado e pela menina Isadora, mas há O processo reduzia o erro, em fragmentado nas pessoas. grandes semelhanças. Como um contexto em que a tarefa E se perde quando elas saem. em diversas organizações, uma era simples e o trabalhador Agora imagine uma carga enorme de conhecimento fácil de controlar. Erros eram instituição que lida com um tem de ser passada para um inadmissíveis e, portanto, elemento abstrato. Dinheiro, gerente para que ele possa sumariamente punidos. por exemplo. Há processos tomar decisões sem consultar a 24 Para Amy, o modelo antigo bem estruturados nos bancos, todo momento um superior. era baseado na eficiência da mas cada funcionário precisa Ele precisa saber e atuar execução. O atual deve ser tomar decisões diferentes e com autonomia. baseado no aprendizado. complexas todos os dias. A paulistana Luciane Erros são permitidos desde O Banco Real possui 33 mil Martins Costa, por exemplo, que gerem conhecimento para funcionários, dezenas de conhece bem a atividade que não sejam repetidos. produtos e mais de bancária; trabalhava há dez O desempenho se media 14 milhões de clientes. anos no setor antes de entrar por horas trabalhadas; A complexidade é enorme no Real no início de 2008. agora, se mede pelo e o cenário econômico muda Até então, atendia clientes conhecimento e o valor todos os dias. comuns; no Real, passou a trabalhar com clientes de alta renda, categoria que no banco é chamada de Van Gogh. Luciane, aos 34 anos e algo tão antigo Trocar informação é formada em administração, A tecnologia quanto a civilização. passou a estudar os módulos ática a níveis potencializou essa pr disponíveis na intranet. a nova inteligência ilimitados criando um É onde começam as semelhanças. No grupo da adolescente Isadora, os fãs B2BDEZ/JAN2009
  • 4. Ricardo Fernandes e Luciane Martins Costa, do Banco Real: em uma empresa baseada em informação, a rotina é estudar sempre 25precisavam saber inglês, 45 e 60 minutos. Cursos mais radicalmente o modelo deconhecer o mundo de complicados, como o de educação existente hoje emHarry Potter e dominar as crédito, chegam a duas horas. universidades e empresas.ferramentas de colaboração No final da tarde, Luciane No modelo tradicional, háda internet. É o necessário estudava mais. Em seis meses, enormes discrepâncias nopara trabalhar em grupo. a gerente fez 35 cursos. desempenho dos alunos. EmDa mesma forma, o primeiro A informação oferecida parte, diz Clayton, porque umcurso feito por Luciane em rede, além de propiciar a conceito absorvido facilmentecontinha tudo sobre os colaboração, também traz por um indivíduo pode ser deprocessos do Real, uma nova possibilidade de difícil compreensão para outro.conhecimento mínimo aprendizado. Como explica Módulos de ensino disponíveisnecessário para fazer parte outro especialista de Harvard, na internet, como os do Bancoda multinacional. Clayton Christensen, cada Real, permitem estudar na Todos os dias, Luciane indivíduo tem ritmo e forma velocidade própria de cada um.chegava no banco e fazia um de aprender diferente. Luciane, que conhecia boaou dois cursos on-line Clayton é conhecido por suas parte dos conteúdos pelaprovidos pelo Real. Em teorias de inovação e aposta experiência de dez anos emmédia, cada um durava entre que a tecnologia pode alterar bancos, pôde voltar quantas B2B DEZ/JAN 2009
  • 5. capa ᵬ mais valor Até então, Luciane atendia os clientes de maneira da informação O profissional da era instintiva. Apesar de conhecer a enorme carga precisa absorver um a rotina de um banco, ainda ra tomar decisões de conhecimento pa não conseguia bater as metas ilidade com autonomia e ag estipuladas. Após o curso, passou a abrir o sistema do banco sempre que recebia a ligação de um cliente. Na tela, vezes fosse necessário nos financeira, economia e outras ela vê rapidamente todo o pontos que desconhecia. disciplinas necessárias a um histórico da pessoa com quem Em meados de 2008, gerente de banco. está falando. Em outubro, um Luciane completou os cursos De volta à agência, cliente veio à agência e ela indicados especificamente para Fernandes percebeu Luciane viu que ele tinha uma filha o seu trabalho e foi convocada mais confiante. Como na adolescente. Rapidamente, a participar de um treinamento comparação de Amy, de ofereceu um consórcio de um presencial. Na agência, embora Harvard, o perfil de um carro. O cliente comprou. existam 14 funcionários, os operário da informação muda Em novembro, um outro 700 clientes Van Gogh são radicalmente quando ele ganha cliente ligou para uma atendidos somente por conhecimento. Em uma linha consulta de rotina e ela viu Luciane e mais uma gerente. de montagem, o operário que a conta corrente estava Para Luciane estudar, a realiza tarefas repetitivas e a descoberta. Ofereceu um agência Mandaqui perderia atitude importa pouco. Na empréstimo que já estava uma funcionária por 20 dias. sociedade da informação, a aprovado e o cliente pôde 26 Fenley, superintendente de forma como o funcionário cobrir o saldo. Luciane passou educação, comenta que trabalha e se expressa a bater a meta semanal os gerentes das agências influencia no desempenho. abrindo cinco contas novas resistem a liberar os funcionários para o treinamento com receio de prejudicar o atendimento. O gerente-geral de Luciane, Ricardo Fernandes, a liberou. Nesse período, ela deixou de ir à agência na zona norte de São Paulo a cinco minutos de sua casa e passou a se dirigir diariamente ao centro da cidade. Ali, em um hotel, pouco mais de 30 funcionários do Real assistiram a aulas Clayton desenvolvidas pelo Ibmec Christensen: cada indivíduo São Paulo. O curso incluiu tem ritmo e aulas de etiqueta, matemática perfil diferentes para aprender B2BDEZ/JAN2009
  • 6. por semana. Durante uma rotineiramente o trabalho e as impressões dos gerentescampanha de venda de seguro é realizado de forma gerais foram registradas. Emde vida, Luciane também relativamente solitária. 2008, Fenley treinou 2,4 milbateu a meta individual de Sim, há apoio. Ela pode tirar pessoas em 120 turmasR$ 10 mil em vendas. dúvidas com os colegas da como essa. Em janeiro, o Luciane pensa em agência. Além disso, depois de superintendente vai extrair efazer pós-graduação no futuro, voltar ao banco o número de organizar esse material. “Amas ainda não decidiu quando. amigos no comunicador informação ali é riquíssima”.No momento, tem mais seis instantâneo do Real (uma Trocar informação é umacursos on-line para fazer. Em espécie de MSN interno) prática tão antiga quanto auma organização baseada na chegou a 20. Com pelo civilização. A novidade é queinformação o aprendizado menos três deles, Luciane a tecnologia, e principalmentenunca termina. Para o conversa quase todos os a internet, potencializou essatrabalhador do conhecimento, dias. Eles comentam o que prática a níveis ilimitados.a rotina é estudar sempre. aprenderam e trocam Uma adolescente capaz de experiências. Mas no geral, coordenar centenas de pessoasCompartilhe e ele virá não há um repositório de para uma tradução de um Apesar das semelhanças, conhecimento criado pelos livro inteiro é um exemploas histórias da adolescente próprios funcionários. singelo, mas ilustrativo doIsadora e da gerente do Fenley, o superintendente, poder da colaboração. AsReal Luciane têm diferenças busca hoje um repositório de grandes corporações apenasimportantes. Traduzir o sétimo informações como esse. Ele começaram a se aproveitarHarry Potter foi um trabalho foi criado pelos que fizeram desse recurso.coletivo. Todos buscavam os cursos presenciais como O caso do Banco Real 27um objetivo único que foi Luciane. De volta ao mostra como uma instituiçãoalcançado ao mesmo tempo. Mandaqui, ela e Ricardo pode levar conhecimento aosDos 400 interessados que a Fernandes, gerente-geral de funcionários de formamenina Isadora reuniu em seu sua agência, participaram de flexível. É um cenário aindasite, 20 ficaram responsáveis uma teleconferência com pouco comum, pelo menospor transcrever a cópia baixada todos os alunos e seus com o nível de complexidadeda rede, outros dez receberam respectivos gerentes. Durante vivenciado por Luciane.a tarefa de verter a obra para meia hora, eles comentaram o Mas há etapas ainda maisportuguês. O resto leu e que foi aprendido. Notas de avançadas, como mostra ochecou a qualidade do trabalho desempenho foram atribuídas exemplo da adolescenterealizado. Apesar das tarefasdistintas e de uma certahierarquia, o ganho foi similarpara todos. Se um falhasse, o teligência podem Diferentes tipos de intrabalho de todos seria do. Ao colaborar, dificultar o aprendizacomprometido. Não havia nhecimento maismetas pessoais, apenas o o grupo absorve o co dos melhoressucesso geral. rápido e com resulta No caso de Luciane, hámetas individuais e B2B DEZ/JAN 2009
  • 7. capa ᵬ mais valor Isadora. Fenley, do Real, planeja buscar esse tipo de informação coletiva. O caminho, diz Amy, a especialista de Harvard é estabelecer processos padronizados para capturar rotineiramente a informação e tornar a informação disponível quando e onde for preciso. Um exemplo raro de uso Rafael Gomes: postar no inovador desse conceito é o blog, mediar que ocorre hoje na brasileira comentários da comunidade e CPM Braxis. Maria Carolina criar novo portal Mello Passos, gerente de qualidade, organiza o conhecimento da empresa. Ela precisa fazer com que os cinco mil funcionários da empresa troquem informações. E se trata de um conhecimento extremamente sofisticado, que vai de 28 linguagens de programação a complexas regras de negócios mil realmente acessam as bases tempo lendo e escrevendo na de clientes em todos os de dados. E embora algumas internet. Toca um blog pessoal, setores da economia. equipes não trabalhem sem a participa de uma comunidade Nesse caso, não basta base, há executivos que ainda de software livre e ainda é um executar um serviço em mantêm tudo duplicado no dos embaixadores brasileiros grupo, como foi a tradução do disco rígido pessoal (é apenas do projeto Fedora, uma Harry Potter. Programadores uma resistência cultural; o variação do sistema de software, ainda que em risco de vazamento de operacional Linux. grupos menores, fazem isso o informação é pequeno, Na CPM Braxis, Rafael foi tempo todo. Na CPM Braxis, somente executivos de alto um dos primeiros e mais a idéia foi mais adiante. Cada escalão acessam dados críticos). entusiasmados colaboradores funcionário pode publicar seu Hoje, o que impulsiona do portal de compartilhamento conhecimento para que todos mesmo os portais são os fãs da de informações, o Go Share, possam acessar. A soma das colaboração. Para criar as bases no qual ele medeia o informações de todos é mais de conhecimento, Maria tópico sobre software livre. do que qualquer especialista Carolina conta principalmente E a carga de trabalho do jovem pode saber individualmente. com funcionários como o técnico ainda deve aumentar. O projeto ainda está longe baiano Rafael Gomes. Analista Isso porque Maria Carolina de ser completo. Dos cinco mil de infra-estrutura, o técnico de está montando portais para funcionários, pouco mais de 23 anos passa boa parte de seu cada área da empresa. Ela B2BDEZ/JAN2009
  • 8. tem de criar uma nova A própria comunidade se Um post chega a tercultura no funcionário da auto-regula. Qualquer algumas dezenas deempresa; precisa fomentar funcionário que comportasse comentários. Para Rafael,os fóruns e estimular as mal ou mesmo gastasse tempo a atividade aumentou apessoas a publicar. Há hoje demais com a atividade, seria visibilidade profissionalquatro portais: processos, prontamente percebido. dentro da CPM Braxis;aplicações, metodologia e o Pelo menos uma vez por alguns posts são comentadosGoShare (que inclui todo dia Rafael checa os posts por executivos dotipo de documento). publicados. Se não tiver nada primeiro escalão. Até o final de dezembro, de interessante, gasta menos Mas o retorno para aMaria Carolina espera ter sete de dez minutos, faz uma empresa é mais interessante.portais. Alguns funcionários leitura dinâmica. Às vezes, Em dezembro, a CPMsimplesmente ligam para ela e chega a gastar meia hora. Braxis começa a operar asugerem um portal sobre Publica uma vez por semana, infra-estrutura de um novodeterminado assunto. Proposta no mínimo, e sempre no cliente. É o grupo de empresasfeita, proposta aceita; o tempo vago, dentro do financeiras americanas Citco.funcionário ajuda a montar e horário de almoço. Nesse Duas equipes, uma baiana eadministrar o novo site. caso, leva uma hora; requer outra paulista, vão monitorar e Um desses portais será estudo, a busca de referências dar suporte aos mais de 1,3para clientes globais e Rafael e então o tempo para mil servidores do cliente, umajá se prontificou a cuidar finalmente escrever o post. infra-estrutura espalhada peloda área de infra-estrutura. Para participar da montagem mundo inteiro. A equipe, jáPara muitos executivos e do novo portal, terá de gastar montada, é composta por dezempresários, ferramentas de mais tempo, uma parte dele funcionários, Rafael entre eles. 29conhecimento como essas no expediente normal. Em breve, serão 27.podem consumir tempodemais, algo que poderia sergasto atendendo melhor e Bibliotecamais clientes. É uma Alguns livros que passeiam bem pelo conceito depreocupação similar à dos inteligência coletiva:gerentes de agência nos “Wikinomics”, de Don Tapscott e Anthony D. Williamsbancos, que relutam em Mostra como empresas inteligentes podem explorardeixar os funcionários competência e genialidade do coletivo para estimular inovação,se ausentarem para crescimento e sucesso.freqüentar treinamentos. “Convergence Culture”, de Henry Jenkins (ainda sem Antes de considerar tradução no Brasil)possíveis ganhos com esse tipo Investiga o alvoroço em torno das novas mídias e expõe asde atividade, é importante importantes transformações culturais que ocorrem à medida que esses meios convergem.dimensionar o tempo gasto.Rafael não precisa aprovar os “Disrupting Class: How Disruptive Innovation Will Change the Way the World”, de Clayton Christensen (ainda semposts na comunidade na qual é tradução no Brasil)mediador. Nunca teve Aplica a teoria de inovação do autor ao segmentode chamar a atenção de educacional, oferecendo modelos de transmissão deninguém ou deletar posts. conhecimento para grupos não atendidos atualmente. B2B DEZ/JAN 2009
  • 9. capa ᵬ mais valor O primeiro passo da aplicações, padrões, equipe é consultar a base de configurações. Para isso, conhecimento e compreender precisavam perguntar aos quais são as melhores práticas próprios técnicos da Citco. para esse tipo projeto, obter Em 17 de novembro, três uma lista a ser checada, americanos chegaram ao modelos, descobrir o que é Brasil para uma maratona de necessário para fazer um reuniões. Durante seis dias, plano do projeto e como Rafael e a equipe enfrentaram avaliar riscos. Tudo baseado 10 horas diárias de conversas, na experiência anterior de perguntando cada detalhe que outros funcionários e boa lembrassem sobre quais eram parte postados por eles as ferramentas e sua forma de mesmos. Essa informação operação. Alguns levaram Rogério Costa, da USP: antes estava dispersa na notebooks, outros blocos de multidão anônima produz conhecimento intranet e desde o início do anotação. Era preciso aprender coletivo quando há um semestre, graças ao trabalho rápido, o cliente tinha pouco propósito comum de Maria Carolina, está tempo. Quando os americanos centralizada em uma única foram embora, toda a e maneira diferente. O base de dados, o Go Share. informação foi colocada aprendizado da equipe de Depois de descobrir o na base de conhecimento. Rafael foi compartilhado. procedimento, faltava o mais Cada dado coletado se somou No fim, não é muito diferente difícil para a equipe de ao do colega. Como o teórico do Harry Potter de Isadora. 30 Rafael: entender a gigantesca da inovação Clayton No mundo da colaboração, infra-estrutura do cliente. Isso Christensen lembra, o sucesso só pode ser inclui um número enorme de cada um aprende com ritmo alcançado coletivamente. Inteligência coletiva O conceito de inteligência compartilhamento da com Pierre Levy na década de coletiva não é novo. Desde os informação de um grupo em 90. Para ele, as tecnologias de tempos das cavernas, humanos determinado ambiente propício, comunicação ampliaram discutem e tomam decisões baseado em determinados de fato as possibilidades de coletivamente. Foi a dimensão fatores, para a ampliação inter-relação entre as pessoas. do conceito que mudou, do conhecimento. “Se inteligência coletiva é, num redefinida na década de 90 O professor Rogério da primeiro momento, troca de dentro de debates acadêmicos Costa, doutor em história da idéias, claro que as redes de promovidos por filósofos da filosofia pela Université de comunicação como internet e informação como Piérre Levy e Paris IV (Paris-Sorbonne) e celulares ampliam em muito Harold Bloom. Agora, analisa-se mestre em filosofia pela esse fenômeno.” a “inteligência coletiva em Universidade de São Paulo Antes do ambiente on-line, rede”. Todo o resultado do (USP), trabalhou diretamente o trabalho coletivo era mais B2BDEZ/JAN2009
  • 10. demorado e difícil. Hoje, é e se tornar algo maior, que todos Entretanto é importantepossível se comunicar em várias podem aproveitar. enfatizar que inteligênciadireções, a distância e em escala Mas a inteligência coletiva coletiva não significaglobal. Consumidores criticam também ocorre em ambientes simplesmente adotar novasprodutos com defeito e ouvem a corporativos. Em 2001, algumas tecnologias ou métodoscrítica do vizinho. Pesquisadores empresas de produtos administrativos. É uma nova 31se unem para trocar medicinais (Procter & Gamble, forma de comunicação. Aexperiências. Pacientes já não se Eli Lilly, Exxon etc.) procuravam perspectiva de mudança culturalcontentam mais com o que o soluções externas para existe no médio e longo prazo,médico diz. E leitores não problemas internos da empresa. na forma de gerar e lidar comesperam meses pela tradução de Assim surgiu a Innocentive o conhecimento.um livro. A chegada da internet (www.innocentive.com), um Coletivos inteligentes nãomudou a maneira de gerar portal na internet no qual são criados do nada; sãoconhecimento. As produções empresas buscam soluções para estimulados a acontecer emintelectuais não são apenas seus problemas e oferecem, de ambientes favoráveis e cercadosexclusivas de uma pessoa, país forma anônima, recompensas por alguns fatores (veja quadroou classe social isolada, mas em dinheiro. Qualquer na página seguinte). Quando seda coletividade. pesquisador pode tentar resolver pensa em controlar grupos ou A inteligência coletiva tem o problema. Com a máquina coletivos maiores, é possíveluma conexão óbvia com o funcionando, bastaria que as obter respostas coletivas adesenvolvimento da própria empresas formulassem bem determinados estímulos. Oeducação. Com novos meios à seus problemas que a “sabedoria projeto Innocentive é um casodisposição, por que aprender das multidões” da rede da de coletivo inteligente, masalgo em meios tradicionais? Innocentive traria os resultados, trabalha com a premiaçãoOs conhecimentos de uma sem investir e desenvolver a financeira como incentivo epessoa podem se somar a outros solução internamente. estabelece competição entre os B2B DEZ/JAN 2009
  • 11. capa ᵬ mais valor participantes. Embora traga moderados por “guardiões”, também que muitos outros soluções benéficas para a os próprios usuários, que não costumam interagir comunidade, elas serão aplicadas impedem alterações bruscas e com freqüência e apenas somente pela compradora da vandalismos nos textos. Esse observam as ações de outros solução. Ou seja, diz Rogério, é cuidado resulta em um “grande usuários. Desse modo, é colaborativo somente para o cérebro”, um banco de dados comum encontrar usuários propositor do prêmio. acessível instantaneamente. “espectadores” que são Para haver inteligência A Wikipédia também exibe cadastrados nos serviço, mas coletiva, diz o professor, é uma distância entre quem raramente acessam. Para a preciso compromisso. E isso só é pesquisa e quem colabora. inteligência coletiva se obtido com propósitos comuns, Se por um lado há usuários desenvolver completamente, com a inspiração de uma causa. assíduos que diariamente estão é importante o engajamento E um propósito e uma causa não sempre participando, acontece dos envolvidos em participar. aparecem de forma natural. Um ponto de partida sugerido é de extrair de um grupo de usuários Fatores a favor de um tipo de troca de informação, um coletivo inteligente e posteriormente, conhecimento. O ideal é partir de um Grupos que se tornam inteligências coletivas surgem problema a ser resolvido que os apenas com alguns fatores a favor, que são: Diversidade Opiniões divergentes são essenciais para indivíduos do grupo, sozinhos, a formação de um consciente democrático e ampliam não seriam capazes de as perspectivas. solucionar. O propósito diz o Estrutura hierárquica (ou a falta dela) Segundo o que deve ser feito. A causa é o professor Rogério da Costa, a hierarquia deve assegurar 32 que inspira a fazer. A Wikipédia que o propósito esteja vivo, que a causa valha a pena. “Isso significa que a verdadeira liderança nunca desaparece, porque (pt.wikipedia.org), por exemplo, alguns estão mais aptos do que outros a liderar dessa forma. tem o propósito da construção Mas autoritarismo é incompatível com inteligência coletiva.” coletiva do conhecimento. Se Tarefa em módulos A distribuição de tarefas entre grupos cada um sabe um pouco, todos reduz a interdependência entre os membros e aumenta juntos sabem muito. a performance. Na Wikipédia, um indivíduo Densa estrutura de comunicação Quanto mais canais de comunicação disponíveis para os membros, melhor o pode editar um verbete com o entendimento e o andamento do projeto. que conhece dele, passar para Incentivos à contribuição Não há nada de graça. Premiações outras pessoas revisarem e, por e reconhecimento por colaboração são bem-vindos, e no caso fim, o verbete é publicado, de remuneração aumenta a contribuição do membro em 30%. disponível para qualquer um Não é uma regra irrefutável, mas, sim, um incentivo. pesquisar. Todos se beneficiam Vocabulário comum Facilita e agiliza o compartilhamento da informação. Pode ser feito por meio de palavras comuns, e por isso a participação é de fácil entendimento ao coletivo participante. maciça: 75 mil colaboradores Uso de taxonomia O termo denomina o uso de “apelidos” ativos e dez milhões de verbetes ou etiquetas que você pode colocar em um termo para em mais de 250 línguas. A causa classificá-lo de outras maneiras que a simples categorização é manter o conhecimento não alcança. É muito usado em sites 2.0, como o Delicious, vivo e relevante. A Wikipédia e lojas on-line, como a Amazon. Conscientização Saber qual o seu papel em uma atividade. pode não parecer confiável, mas seus verbetes são Fonte: Cartilha de Pesquisas do Center for Collective Intelligence, do MIT B2BDEZ/JAN2009

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