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FUGA DE CEREBROS

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    FUGA DE CEREBROS FUGA DE CEREBROS Document Transcript

    • Escola Secundária de Cacilhas - Tejo Curso EFA ___________________________ Maria Zélia Teixeira Turma P – Nº12 Janeiro 2010
    • Trabalho realizado para os seguintes professores: • ARMANDO ROCHETEAU - CID PROF • PAULA AZOUGADO – CID PROF • ISABEL AZEVEDO - CLC • SILVESTRE RIBEIRO – CLC • GABRIELA GONÇALVES – STC • CARLA GRANGEIA - STC PELA ALUNA: MARIA ZÉLIA TEIXEIRA TURMA P – Nº12 DATA DE ENTREGA: JANEIRO DE 2010 2/26
    • INDICE DEBATE SOBRE PAPEL DOS PRIVADOS NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA EM QUE O TEMA FOI: FUNDAÇÕES PRIVADAS ESPERAM MAIS RESULTADOS DAS INVESTIGAÇÕES QUE FINANCIAM. ....................................................................................................................................................18 TESTEMUNHO DE UMA INVESTIGADORA QUE ASSISTIU AO DEBATE E COMO TANTOS OUTROS PLANEIAM VOLTAR AO SEU PAÍS..........................................................................................18 FUNDAÇÃO CHAMPALIMAUD ABRE CENTRO DE CANCRO EM 2010............................................19 CPLP E A FUGA DE CÉREBROS..................................................................................................................21 PROGRAMA CIÊNCIA GLOBAL - CENTRO UNESCO PARA FORMAÇÃO DE CIENTISTAS DA CPLP...................................................................................................................................................................22 3/26
    • 1. INTRODUÇÂO Sempre fomos um país de navegadores: demos a conhecer novos mundos ao mundo mas, hoje somos confundidos como uma província de Espanha. Encontrei um texto do jornalista José Fernando Monteiro do Jornal de Noticias que se enquadrava neste tema e achei por bem utiliza-lo na introdução do meu trabalho transversal sobre o tema a (Fuga de Cérebros): “Pelos idos anos do século XV, quando Portugal viveu a pujança, o Infante D. Henrique, denominado o "Navegador" e "Infante de Sagres", quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, foi uma figura ímpar na história de Portugal. Como ninguém, soube comunicar e ver os problemas da altura, sendo mais propenso às ciências experimentais que às metafísicas. Desejoso de decifrar os mistérios do Mundo, criou a maior escola científica da altura, dedicada às Ciências da Navegação: a Escola de Sagres. Mandou vir, de todo o mundo civilizado, os melhores especialistas em Matemática, Astronomia, Cartografia e Navegação que fundaram o corpo docente da Escola e transmitiam aos marinheiros da época todo o saber para a grande epopeia dos Descobrimentos. Curiosamente, Carl Sagan disse-nos, em entrevista há uns anos, que "Portugal perdeu a sua projecção no Mundo porque tinha deixado a vocação de explorar e descobrir. Vem tudo isto a propósito da tão falada fuga de cérebros para o estrangeiro. Na verdade, não é uma fuga: é uma necessidade.” 4/26
    • 2. Trabalho Transversal – Fuga de Cérebros Tenho por hábito guardar os suplementos dos jornais para os ler quando o tempo me permite, pois quase sempre trazem artigos interessantes. Foi no suplemento do jornal expresso a Única que descobri esta reportagem sobre o professor Alexandre Quintanilha reconhecido cientista nacional e internacional. Abaixo transcrevo as passagens que considerei mais importantes para este trabalho: ” Nasceu em Moçambique a 9 de Agosto de 1945, é licenciado em Física Teórica pela Universidade Witwatersrand (Joanesburgo), e foi na mesma Universidade que fez o Doutoramento em Física do estado sólido, em 1968. Mas foi há área de Biologia que decidiu dedicar-se na Universidade de Berkeley (Califórnia ,EUA).Foi nomeado Director do Centro de Estudos Ambientais onde desenvolveu importante investigação nessa área”. “Em 1990 regressa Portugal é nomeado director do Centro de Citologia Experimental, e para professor no instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS). Ao longo do seu percurso publicou mais de 90 artigos em diversas revistas científicas de nível mundial”. Na primeira parte da entrevista o professor fala de seu pai Aurélio Quintanilha também ele cientista, em anexo a este trabalho junto a sua biografia, estão separadas por várias décadas mas tem algo em comum que as une. Professor Alexandre Quintanilha investigador e autor na área da Biofísica, membro de varias comunidades científicas internacionais, um nome fundamental da ciência que por cá se pratica. O seu currículo, impressionante de responsabilidade e distinções, não se esgota na Academia. Tem 65 anos, nacionalidade portuguesa e americana, é um cidadão do mundo. Na mais ampla acepção do termo. P-É filho de um açoriano, também cientista, a sua mãe é alemã, de Berlim, nasceu em Maputo, estudou Física em Joanesburgo, trabalhou na Califórnia durante vinte anos até chegar ao Porto. Como é que esta herança toda se cruza em si? Sou resultado da experiência de vida dos meus pais, e, foi fundamental para a formação do ser que sou. P- Que experiência foi essa? O meu pai era contra o regime de Salazar. Participou activamente nas discussões anarco- sindicalistas do inicio do séc.xx, era um homem muito á frente para aquela época. Nasci em 1945 e não fui baptizado. No início dos anos 30 foi expulso da Universidade de Coimbra e, como já era 5/26
    • conhecido geneticista de plantas, convidaram-no para ir para Berlim como investigador. Ainda antes da Guerra, percebeu que a Alemanha não era o lugar indicado para se estar naquele momento e mudou-se para Paris. Em 1940, recebeu o convite de uma Universidade no Canadá, mas como a mãe estava muito doente, em Lisboa, o director da Estação Agronómica Nacional (EAN) convenceu-o a voltar, dizendo que Salazar já se tinha esquecido e lhe arranjaria um lugar como investigador. Mas Salazar não se tinha esquecido e o meu pai esteve dois anos em Lisboa a dirigir a cantina da EAN. Foi o único lugar que conseguiram para um dos geneticistas portugueses mais conhecidos internacionalmente daquela altura. Salazar acabou por deixa-lo ir para Moçambique, dirigir o Instituto de Genética do Algodão. Sou produto destas circunstâncias e de uma história europeia controversa e muito pouco democrática. P-Como é que estas circunstâncias influenciaram a sua educação? Apesar do meu pai ter tido, de algum modo, a vida destruída e de a minha mãe ter visto o seu país desempenhar um papel monstruoso, os meus pais não ficaram traumatizados por esta experiência nem deixaram de acreditar no ser humano. Pelo contrario. O meu pai acreditava que a única coisa de valor que nos pertence é o conhecimento e entendia que eu tinha de me desenvolver a partir da minha experiência pessoal. A única regra que usava lá em casa era “trata os outros como gostas que te tratem”. P- Em que se traduzia essa liberdade? Por exemplo, em poder dizer-lhes, com apenas quinze anos, que estava apaixonado por um rapaz. A única coisa que o meu pai me disse foi, que se isso me preocupava iria procurar alguém com quem eu pudesse falar. Naquela altura havia dois psiquiatras muito bons em Lourenço Marques .Fui ter com um deles, um homem extraordinário, levei-lhe o meu diário, voltei passados uns dias, perguntei-lhe o que tinha achado e ele respondeu: “Não acho nada. Tens muita sorte em estar apaixonado, que é uma coisa óptima”. P- O que conta é extremamente raro. Raríssimo. Tudo foi excepcional. Naquela altura tive relações muito intimas com pessoas de ambos os sexos, cheguei a viver com algumas delas e durante muito tempo tive duvidas. Nunca me senti atraído pela beleza física. Atraiam-me pessoas que eu considerava inteligentes, criativas, sensíveis… Em toda esta minha trajectória tive uma sorte enorme nos pais que tive. P- A partir do momento em que os seus pais aceitaram a sua escolha, a questão social nunca foi relevante? Nunca foi sequer tema. Nunca tive vergonha das minhas relações amorosas. Não se esqueça que tive a sorte de vir para São Francisco. Nos 20 anos que vivi na Califórnia fiz as duas grandes descobertas de vida. Uma delas foi perceber que a investigação interdisciplinar é aquela que mais me fascina. Dirigi um grande centro de estudos do ambiente onde estavam biólogos, matemáticos, juristas, arquitectos, engenheiros…e cruzar todas as áreas. Pôr todos a funcionarem e a trocarem conhecimento entre si foi uma coisa que adorei fazer, a outra foi a descoberta do meu parceiro. 6/26
    • P- Richard Zimler, o escritor, que se nacionalizou português … É uma relação que dura á 31anos. Uma das coisas mais importantes que os meus pais me transmitiram foi o prazer, muito verdadeiro, que ambos sentiam ao ver que as pessoas de que gostavam iam tão longe quanto podiam. Do ponto de vista cientifico, a grande felicidade do meu pai foi ter meia dúzia de alunos que foram muito mais longe do que ele. P- Outra coisa rara? Pois é. Mas muito infeccioso e fui contaminado. A grande satisfação que retiro de ser professor é saber que pessoas que passaram por mim poderão ir muito mais longa que eu. P- Porque relacionou essa característica com o amor? Se tivéssemos a sorte de desenvolver uma relação intima, onde se possa sentir um prazer e uma alegria muito particulares com o sucesso do outro, torna-se contagioso deixar crescer. P- È assim tão simples? Não. Pelo contrário, dá muito trabalho. P- Experiência é uma palavra complexa. No seu caso, e agora enquanto cientista, qual é o eco que tem em si? Para pegar num cliché, diria imediatamente que é o que está na base do conhecimento sobre nós e o mundo á nossa volta. Mas anterior à experiência há a palavra curiosidade que nos leva em direcções muito diferentes e não estou a falar de mobilidade, Kante nunca saiu da sua cidade, mas a curiosidade levou-o a explorar a sua cabeça assim como é a curiosidade que nos pode levar a fazer experiências sobre o mundo exterior e partir para a descoberta das leis da física e da química. Quem está satisfeito com o seu pequenino mundo não faz perguntas. P- O mesmo se passa num laboratório? Sim, sem curiosidade não se desenha uma experiência. Há pessoas pouco curiosas, pessoas muito curiosas, e outras pegam nas perguntas que fazem, juntam a imaginação e desenham formas de responder. P- Esses são os cientistas? Toda a ciência é feita a partir da procura de formas de responder às grandes perguntas. Em breve vou fazer uma conferência a Coimbra dobre Darwin. Um dos dilemas dessa discussão, e isto é uma coisa de que ás vezes os cientistas não se apercebem, é que a conversa começa sempre pela mesma pergunta:”acredita em Darwin, ou acredita no criacionismo? P- Pode um cientista da área de biologia não acreditar na Teoria da Evolução das espécies? Darwin postulou uma hipótese, desde então temos feito tudo para ir à procura da evidencia que seja a favor ou contra. Alias, é mais importante ir à procura da evidencia contra porque se a teoria for abaixo haverá outra ainda mais sofisticada. Começamos com as leis de Newton e temos o Einstein, 7/26
    • que engloba Newton. Sei lá se daqui a cem anos não haverá outra teoria que vá ainda mais longe? Acreditar é uma palavra que não faz parte da ciência. Os cientistas não acreditam em coisa nenhuma, só acreditam, temporariamente, naquilo que é a evidência do que está à nossa volta. P- Nem quando se confirma a hipótese? Enquanto estiver confirmada. Aliás, todos os grandes avanços da ciência são feitos quando as pessoas, depois de confirmarem a hipótese, passam 50 anos a ver se a desaprovam. As teorias mais robustas são as que resistiram a todas as tentativas de as contraprovar. P- No nosso imaginário o cientista é um lunático, um ser ultra-inteligente mas muito desajeitado para os lados práticos da vida. Pois é. Costumamos até dizer ‘um cientista maluco’.Mas é uma figura que não assusta. Essa construção surge muito provavelmente da física do século XX que veio destruir todo o senso comum das coisas aparentemente óbvias. A teoria da relatividade veio alterar tudo: os relógios em aviões espaciais a grande velocidade atrasam-se e isto é estranhíssimo. A física do século XXI fez com que as pessoas começassem a achar que a ciência estava cheia de coisas muito estranhas. O cientista louco é sempre apresentado de cabelos no ar, como Einstein, e de bata branca com os lápis e as réguas de calcular a sair do bolso. P-Alguém (que) sabe as respostas das grandes questões e perplexidades sobre o universo? E ás vezes abusam da sua aura. Acreditam demasiado na ciência. Têm dificuldade em dizer que daqui a 20 anos talvez saibamos outras coisas. Ao tentar convencer de que o colesterol é mau tem de se ter a certeza de que é mesmo mau. Nestes processos tornam-se demasiado autocráticos. Isso assusta-me. Se alguém deveria ter duvidas, então seriam os cientistas. Mas na verdade, são também vocês jornalistas, que forçam os cientistas a responder – ‘ Há ou não um gene da esquizofrenia?’; ‘introduzir organismos geneticamente forçados são ou não um perigo?’- e nós sentimo-nos obrigados a certezas absolutas. P- Os cientistas estão demasiado condicionados à pressão de publicar, a aos investimentos. Isto não retira liberdade à investigação? Cada vez há menos liberdade. A maioria dos investidores, quando propõe um projecto, propõe mundos e fundos do que sairá daquele projecto, porque a aplicação de uma ideia cientifica exige um enorme investimento. A descoberta de um novo fármaco pode levar anos a desenvolver depois de se descobrir a substância que esta na sua origem. Isto custa milhões. P- Quando se leva anos a trabalhar numa experiencia e não se confirma o resultado, o que se faz com a matéria que não se pode validar? É mais difícil publicar resultados negativos. Há muita gente que começa a fazer um trabalho convencida de que a resposta está ali, e depois descobre que está noutro lado. Isto é tanto mais normal acontecer quanto mais arriscada for a pergunta. 8/26
    • P- Estudou Física mas o seu trajecto enquanto cientista foi feito em diversas áreas da biologia. O que o fez mudar de campo de investigação? Quando estava a acabar o meu doutoramento em Física do Estado Sólido na universidade witwatersrand, em Joanesburgo, conheci Sydney Brenner (biólogo sul-africano, prémio Nobel da Medicina em 2002) isto passou-se em 1971. Brenner era também físico de formação, tinha estudado na minha universidade, estava na África do Sul para receber o premio honoris causa e alguém pediu que fizesse de chaperon. Andei com ele uns dias e fiquei deslumbrado. Falei-lhe das minhas dúvidas, que gostava de ir para Berkeley investigar em biologia, mas que não sabia nada. Ele olhou para mim e disse;’qual é o problema? Vá aprender!’ Tinha 25 nos e vivido uma existência muito protegida, São Francisco era o outro lado do mundo e foi ele que me deu o empurrão para ter coragem de partir. Quando cheguei, só tinha o bilhete de ida, comecei quase do zero e foi complicado. Mas foi a decisão mais importante da minha vida. P- Hoje tem dupla nacionalidade e por isso teve a possibilidade de fazer nos Estados Unidos o seu testamento vital. Pensou exactamente quais as condições em que não quer morrer? Se eu adoecer e entrar numa fase em que os médicos saibam que não há recuperação possível, quero que não sejam usados quaisquer meios para me manter vivo. A pior coisa que posso imaginar é manterem-me ligado a tubos para se me tornar um vegetal. P- Este documento não é valido em Portugal? Não. E nos Estados Unidos tenho de o renovar a cada cinco anos. P- O que pensa da nossa lei do testamento vital cuja aprovação foi recentemente adiada? Não conheço o conteúdo, mas posso dizer que acho extraordinário que, neste momento, todas as questões ligadas à ética deixaram de ser uma utopia. Finalmente começamos a debater coisas muito íntimas que determinam a nossa vida. P- Estas são hoje as grandes questões colocadas pela bioética? São. A palavra bioética surgiu no inicio da década de 70. Tem pouco mais de 30 anos. Dizia numa conversa que o século XX foi o da física e o XXI será o da biologia?.. Essa afirmação é redutora, mas tem a ver com o facto de a biologia ter deixado de ser uma ciência descritiva e passar a ser uma ciência interventiva. P- Foi professor adjunto numa das universidades mais prestigiadas na área das ciências. Qual foi a descoberta que o validou junto da sua comunidade? Na biologia, a minha área é o stresse oxidativo. Todos sabemos que precisamos de oxigénio para viver mas o que nem todos sabem e que o oxigénio e um elemento da natureza altamente tóxico. 9/26
    • P- Depois de 20 anos em Berkeley, veio para Portugal para trabalhar no instituto Abel Salazar, no Porto. Nessa Altura tinha já o projecto de construir o IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) instituto que dirigiu até o inicio de 2009? Demorei quatro anos a conseguir montar um instituto interdisciplinar com pessoas de cinco faculdades diferentes – Medicina, Farmácia, Biomédicas, Engenharia e Ciência. Quando aqui cheguei existia o Centro de Citologia Experimental, onde trabalhavam três pessoas de áreas diferentes. Começamos com três grupos e agora já são trinta. O maior desafio foi criar um ambiente onde se cruzem várias áreas do conhecimento. Gosto muito da ideia da mobilidade mental. P- Quando chegou dirigia um centro de estudos ambientais no Lawrence Berkeley Laboratory, um dos mais prestigiados laboratórios dos Estados Unidos da América. Não foi complicado trocar São Francisco pelo Porto? O meu primeiro grande choque foi ver só pessoas brancas à minha volta. Vinha de uma cidade muitíssimo cosmopolita e aqui não havia nada para fazer. Qual é a importância de uma comunidade científica para um país? Gostava de chamar conhecimento à generalidade da ciência. Penso que as melhores sociedades são constituídas por indivíduos que saibam pensar. “A forma como usamos o conhecimento não é decisão só para cientistas “ “Alexandre Quintanilha” 10/26
    • Carta Europeia do Investigador e Código de Conduta para o Recrutamento de Investigadores. No âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, realizou-se a “Conferência sobre a Modernização das Universidades”. A Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) veio novamente chamar a tenção dos bolseiros, dos professores universitários, dos investigadores científicos, da comunicação social e do público em geral para a Carta Europeia do Investigador e Código de Conduta para o Recrutamento de Investigadores, em particular para a forma como este documento tem sido desconsiderado e as suas recomendações desprezadas pelo actual Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES). A carta Europeia do Investigador e Código de Conduta para o Recrutamento de Investigadores (CEI) é uma recomendação da Comissão Europeia dos Estados Membros, de 11 de Março de 2005, que tem como objectivo transformar a Europa, até 2010, numa economia baseada no conhecimento, mais competitiva e dinâmica. Neste sentido, o investimento em recursos humanos e a criação de condições necessárias para a investigação e desenvolvimento mais sustentáveis, são considerados “pedra[s] angular [es]” com especial prioridade para as condições de trabalho e formação na fase inicial da carreira dos investigadores. Por condições destaca-se:  A melhoria das suas perspectivas de carreira;  Garantir que o desempenho dos investigadores para que não seja prejudicado pela instabilidade dos contratos de trabalho;  Garantir que os investigadores em todas as fases de carreira, incluindo os investigadores em inicio de carreira, beneficiem de condições justas e atraentes de financiamento e/ou de salários com regalias de segurança social adequadas e equitativas ( incluindo assistência na doença e assistência à família, direitos de pensão e subsidio de desemprego);  Elaborar uma estratégia especifica de progressão na carreira, independentemente da sua situação contratual, incluindo os investigadores com contratos de trabalho a termo, contribuindo para a redução da insegurança quanto ao seu futuro profissional;  Promoção de uma atitude pública positiva em relação à profissão de investigador, encorajando assim os mais jovens a enveredar por carreiras no domínio da investigação;  Garantir que os investigadores sejam tratados como profissionais; Portugal encontra-se longe de alcançar as condições recomendadas pela Carta Europeia do Investigador (CEI). Os jovens investigadores e técnicos de investigação, em particular os bolseiros e avençados, vivem condições de insegurança, enfrentam falta de perspectivas de emprego e carreira, débeis benefícios sociais, e falta de reconhecimento profissional. O MCTES tem insistido numa política de recursos humanos centrada nas bolsas de investigação, mas este modelo de 11/26
    • financiamento tem sido utilizado abusivamente pelas unidades de investigação, incluindo as universidades, para colmatar necessidades básicas de funcionamento e garantir a prática de investigação científica, substituindo a prática de contratação de investigadores e técnicos de investigação. O modelo da bolsa não oferece perspectivas de carreira ou segurança social condigna, e não promove o reconhecimento dos jovens investigadores e técnicos como trabalhadores profissionais. O MCTES não tem desenvolvido uma política consistente de promoção de emprego científico e criação de alternativas de carreira de Investigação e Desenvolvimento (I&D). Consequentemente, em vez de constituir uma saída profissional atractiva para os jovens, a I&D em Portugal é uma actividade de precariedade e insegurança, o que fomenta a "fuga de cérebros" ou a opção por outros ramos de actividade. 12/26
    • A Organização das Nações Unidas para a e Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Ciência para o Século XXI – Um Novo compromisso: Declaração sobre o Ciência e a Utilização do Conhecimento Científico De seguida apresento os textos adoptados pela Conferência Mundial sobre a Ciência a 1 de Julho de 1999 traduzidos e editados pela Comissão Nacional da UNESCO: “Todos vivemos no mesmo planeta e todos fazemos parte da biosfera. Temos de reconhecer que estamos numa situação de crescente interdependência e que o nosso futuro se encontra intrinsecamente ligado à preservação dos sistemas globais de apoio à vida e à sobrevivência de todas as formas de vida. As nações e os cientistas do mundo são instados a reconhecer que urge utilizar o conhecimento de todos os campos da ciência de um modo responsável para responder às necessidades e às aspirações humanas sem abusar desse conhecimento. Procuramos colaboração activa em todos os domínios do trabalho científico, e tanto das ciências naturais como das ciências físicas, da terra e da biologia, das ciências biomédicas e de engenharia, e das ciências sociais e humanas”. 3º-As Nações Unidas proclamaram o ano 2000 como o Ano Internacional da Cultura da Paz, o ano 2001 como o Ano das Nações Unidas para o Diálogo entre as Civilizações que passos a dar na direcção de uma paz duradoura: a comunidade científica, juntamente com outros sectores da sociedade, pode e deve desempenhar um papel essencial neste processo. 4º-O desenvolvimento contínuo do conhecimento científico sobre a origem, evolução do Universo e da vida, fornece à Humanidade práticas que influenciam profundamente a conduta e as perspectivas desta. 8º- Que no século XXI a ciência tem de se tornar um bem partilhado, beneficiando todos os povos. A ciência é um poderoso recurso para a compreensão de fenómenos naturais e sociais, e que o seu papel promete ser ainda maior no futuro, à medida da crescente complexidade. 12. Que a investigação científica é uma força motriz decisiva no campo dos cuidados sociais e de saúde e que uma maior utilização do conhecimento científico representa um grande potencial na melhoria da qualidade da saúde da humanidade; 13. O actual processo de globalização e o papel estratégico que nele tem o conhecimento científico e tecnológico; 15. Que a revolução da informação e da comunicação oferece meios novos e mais eficientes de realizar o intercâmbio de conhecimento científico e de fazer progredir a educação e a investigação; 13/26
    • 18. As recomendações das grandes conferências convocadas pelas organizações do sistema das Nações Unidas, e outras, e dos encontros relativos à Conferência Mundial sobre a Ciência; 19-º Que a investigação científica e o uso de conhecimento científico devem respeitar os direitos humanos e a dignidade dos seres humanos, em concordância com a Declaração Universal do Direitos do Homem e à luz da Declaração Universal sobre o Genoma Humano e os Direitos Humanos. 20. Que algumas aplicações da ciência podem ser prejudiciais para os indivíduos e para a sociedade, para o ambiente e para a saúde humana, podendo mesmo ser ameaçadoras da continuidade da existência da espécie humana, e que a contribuição da ciência é indispensável à causa da paz e do desenvolvimento e à segurança mundial; 24. Que há um desequilíbrio histórico na participação de homens e de mulheres em todas as actividades relacionadas com a ciência; 25. Que existem barreiras que têm impedido a participação plena de outros grupos, de ambos os sexos, incluindo pessoas deficientes, populações autóctones e minorias étnicas, doravante referidos como grupos desfavorecidos; 28. A necessidade de um forte compromisso com a ciência por parte dos governos, da sociedade civil e do sector produtivo, bem como um compromisso igualmente forte dos cientistas com o bem- estar social; 38. Os direitos de propriedade intelectual necessitam de protecção adequada à escala mundial, e o acesso a dados e a informação é essencial ao empreendimento do trabalho científico e à tradução dos resultados da investigação científica em benefícios tangíveis para a sociedade. Devem ser adoptadas medidas para favorecer as relações entre a protecção dos direitos de propriedade intelectual e a divulgação do conhecimento científico que sejam mutuamente úteis. É necessário considerar o âmbito, a extensão e a aplicação dos direitos de propriedade intelectual em relação à produção, distribuição e uso equitativos do conhecimento. Há também a necessidade de desenvolver mais os quadros jurídicos nacionais apropriados à acomodação das exigências específicas dos países em desenvolvimento e dos saberes, das fontes e dos produtos tradicionais, para assegurar o seu reconhecimento e adequada protecção a partir do consentimento informado dos detentores tradicionais ou habituais deste conhecimento. Estas devem incluir a regulação de procedimentos para lidar com as contestações e os contestatários de forma justa e eficaz. A Comissão Mundial sobre a Ética do Conhecimento Científico e das Tecnologias da UNESCO pode oferecer um quadro de diálogo neste âmbito. 14/26
    • Testemunho na primeira pessoa de um Médico Cientista DR. Luís Graça Em Portugal pouco ou nada foi feito para investir na ciência e nas condições de trabalho dos cientistas. Para cá poderem trabalhar, e assim evitar a fuga de cérebros para outros países, muitos optam por concorrer a bolsas de estudo no país, nomeadamente ao Instituto Gulbenkian de Ciência. Os mais arrojados concorrem directamente ao país e à Universidade que escolheram para estudar na esperança de serem aceites, o que acaba por acontecer na sua maioria, e por lá ficam alguns anos ou nunca mais voltam, perdendo-se assim importantes contributos para o nosso país. Outros, os mais jovens, vão acalentando o sonho de um dia voltarem e ajudar o seu país a evoluir na área da ciência e investigação. Este é um testemunho na primeira pessoa: O seu nome é Luís Graça dá aulas na faculdade de medicina no Hospital de St. Maria e é lá que também tem a sua equipa e faz investigação na área das Ciências Biomédicas. Olá Luís! Obrigada por te dispores a dar o teu testemunho e assim contribuíres para o enriquecimento do meu trabalho. O que pretendo é que no geral dês o teu testemunho pessoal explicando a razão porque foste estudar para fora. Como te adaptaste? Como te acolheram? Quais as diferenças que existiam entre cá e lá? Quando foste e quando voltaste? Aconselhas os jovens que queiram ser reconhecidos pelo seu trabalho quer nacional ou internacionalmente seja em que área for irem trabalhar ou estudar para fora? Luís: Fui para Inglaterra para fazer investigação científica numa área inexistente nessa altura em Portugal que era (Imunologia dos transplantes). O local para onde fui está muito habituado a receber estrangeiros, pelo que fui muito bem recebido sendo todas as questões burocráticas facilmente resolvidas (ao contrario do que veio acontecer a estrangeiros que vêm fazer investigação em Portugal). Fui em 1998, regressei em 2004. O conselho que poderei dar é que estas experiências são úteis quando o local escolhido faz sentido. Isto é, no estrangeiro, tal como em Portugal existem locais com características excelentes e que beneficiarão imenso a carreira de quem por lá passar pois permitem uma formação excepcional. Existem igualmente sítios péssimos que só prejudicam quem por lá passe. E existem todas as variantes entre estes dois extremos. No nosso país, também tem havido uma grande mudança da oferta em termos de investigação científica. Hoje é possível encontrar em Portugal locais tão bons como alguns dos melhores do Mundo. Quais as vantagens ou desvantagens se tivesses ficado no teu país? Terias tido as mesmas oportunidades de carreira profissional? Quais as principais diferenças que encontraste, quando foste para Inglaterra? por ex: ao nível de alojamento, condições de trabalho, transportes, oportunidades, de reconhecimento (internacional), etc.etc. Como foste acolhido 15/26
    • lá fora? Qual foi o teu percurso antes de regressares ao teu país? E quando regressas-te alguma coisa havia mudado significativamente? Porque voltaste? Se fosse hoje tomarias a mesma decisão? Luís: No meu caso pessoal, ficando no país não teria tido a oportunidade de formação na área em que hoje trabalho. Estive 6 anos em Inglaterra (Oxford), primeiro a fazer o doutoramento e depois como investigador pós- doutorado. Em seguida passei 6 meses na Austrália para tomar conhecimento com outros assuntos importantes para a investigação que hoje faço. Neste momento tenho condições tão boas em Portugal como teria no estrangeiro para fazer investigação. Isto influenciou o meu regresso. Hoje tomaria a mesma decisão, quer na saída, quer no regresso. Promessas eleitorais que ficam [quase] sempre por cumprir. Durante a última campanha eleitoral os principais partidos fizeram promessas de investimento na ciência para evitar a fuga de cérebros (caso ganhassem as eleições claro!). Para convencer mais investigadores a trabalhar em Portugal, os programas legislativos dos partidos propõem o reforço do orçamento das instituições, o fim da precariedade laboral, maior cooperação entre organismos e empresas e apoios fiscais para quem contrate doutorados. As forças políticas dão a conhecer suas propostas no domínio da ciência e tecnologia. Na obstante continua a ser usual aparecerem nos programas eleitorais promessas aliciantes para a área da investigação, uma vez que é reconhecido por todos os partidos a sua importância estratégica para o desenvolvimento e modernização do país. A titulo de exemplo, do ultimo acto eleitoral transcrevo aqui as propostas do (PCP), (CDS), (BE), (PSD), e (PS): O (PCP) considera que, para cativar investigadores para as instituições Portuguesas, é” fundamental atribuição de um orçamento próprio plurianual a todos os organismos e instituições publicas “ de onde se faz investigação, nomeadamente laboratórios públicos, institutos e centros de investigação ligados ou dependentes de instituições publicas de ensino superior. O (CDS) considera que o “ o estado deve ser generoso em bolsas” que permitam mobilidade internacional de investigadores portugueses e que “é preciso abrir a universidade portuguesa a investigadores e docentes - portugueses ou não provenientes do estrangeiro”. O (BE) esta também preocupado com a fraca internacionalização da investigação científica portuguesa, o (BE) considera importante a estabilidade profissional para os professores e investigadores, que devem ter renumerações decentes. O bloco defende “ o fim do recurso aos bolseiros como mão-de-obra barata para suprir necessidades permanentes das instituições e 16/26
    • combate à precariedade pela conversão das falsas bolsas em contratos de trabalho” e a sua substituição do processo de Bolonha “por um modelo de cooperação europeia no ensino, ciência e investigação”. O (PSD) no seu programa de governo pretende criar “ um sistema estruturado de inovação cientifica e tecnológica, baseado no apoia jovens investigadores e empreendedores” com Incentivos à articulação entre empresas, universidades e “ outros serviços do sistema científico e tecnológico nacional. O (PS), partido do actual governo garante que o futuro da ciência passa pela continuidade da politica que promova a “ colaboração entre instituições cientificas, as universidades e as empresas” através de novos mecanismos de financiamento público que complementem financiamento privado. Os socialistas pretendem triplicar o numero de patentes internacionais, duplicar a despesa privada em I&D (investigação e desenvolvimento), e aumentar o numero de investigadores e de novos doutorados e criando um Simplex da Ciência que de ao sector um quadro legal próprio mais flexível. O (PS) garante que é nesta legislatura que “ todos os investigadores doutorados [terão] um regime de protecção social idêntico ao dos restantes trabalhadores, incluindo os actuais bolseiros”. O Estatuto da Carreira de Investigação Científica: de uma carreira para trajectórias diversas no sistema de investigação De seguida apresento um excerto de um artigo de Tiago Santos Pereira – investigador que achei interessante: “A política de recursos humanos em ciência e tecnologia estão crescentemente no centro de diversos debates quer a nível europeu quer a nível nacional. Perante o sucesso dos Estados Unidos em atrair recursos humanos altamente qualificados, oriundos de todo o mundo, a noção de brain drain (fuga de cérebros), deixou de estar unicamente associada aos países em desenvolvimento e faz já parte das principais preocupações a nível europeu. A Europa esta ainda em fase de aprendizagem, olhando não só para os Estados Unidos de forma reverencial perante a sua capacidade de atracção de investigadores, como também para as economias emergentes, perante as suas estratégias de valorização de recursos humanos, que muitas vezes transformam o brain drain em brain gain. (fuga de cérebros em regresso de cérebros). Para além de questões estratégicas dos recursos humanos na competitividade e produtividade das economias mundiais, esta torna-se também cada vez mais uma questão operacional, no quadro dos objectivos da agenda de Lisboa, e da cimeira de Barcelona que definiram como meta para o Espaço Europeu atingir 3% do PIB de investimento em I&D, (Investigação e Desenvolvimento) em 2010.Conhecida que é a dependência da despesa em I&D (investigação e desenvolvimento) nos recursos humanos, este objectivo implica um crescimento significativo na capacidade de atracão e 17/26
    • de retenção de investigadores no Espaço Europeu. Na Comunicação da Comissão “(Researches in the European Research Area: One Profession, Multiple Careers”), estima-se que sejam necessários mais de 700.000 investigadores na Europa, para além da renovação natural dos quadros de investigadores, para atingir este objectivo a nível europeu”. Debate sobre papel dos privados na investigação científica em que o tema foi: Fundações privadas esperam mais resultados das investigações que financiam. “As fundações privadas que financiam investigação científica arriscam mais e são mais flexíveis, mas esperam também mais resultados, dizem representantes de várias destas entidades que se reuniram em Oeiras as para um debate sobre o sector”. Decorreu a 28 de Dezembro de 2009 no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) uma mesa redonda para debater a política de apoio à investigação científica pelas fundações privadas em Portugal e a nível internacional. Contou com a participação das figuras mais importantes ligadas à área científica. O presidente do (IGC) Instituto da Gulbenkian Ciência, Dr. António Coutinho e Dr. Diogo Lacerda, da Fundação Chanpalimaud, Dr.ª Leonor Beleza, e representando a Fundação Volkswagen (Alemanha), DR. Wilhelm Krul, Deste debate saíram criticas e ideias, mas a palavra [talvez] mais repetida com que todos se deparam é a burocracia. Dr. António Coutinho frisou que: “com (algumas excepções), são os burocratas que, actualmente, na União Europeia, tomam as decisões em vez dos políticos. A falta de comunicação entre departamentos e as consequências negativas da organização tradicional das universidades, a não alteração da forma de algumas disciplinas, é muito importante a partilha de princípios na investigação para haver complementaridade, flexibilidade e entendimento, “os investigadores querem apoio, flexibilidade e confiança”. A Dr.ª Leonor Beleza revelou os planos para 2010 da instituição e explicou o funcionamento da organização, que procura a “ excelência da Ciência” para seguir o modelo do seu fundador o (empresário António Champalimaud), é preciso “ ser criativo, activo e obter resultados”. “Wilhem Krull, da Fundação alemã Volkswagen, sublinhou que a fundação é “padrão e não parte da academia” e por isso é mantida a independência de uma investigação “excelente e inovadora.” Testemunho de uma investigadora que assistiu ao debate e como tantos outros planeiam voltar ao seu país A investigadora Sara Geraldo, de 29 anos, iniciou há três meses uma nova “aventura” em Paris, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Foi uma das pessoas que ouviram que “flexibilidade, risco e confiança” são conceitos que caracterizam as fundações privadas que financiam investigação científica. Depois de uma licenciatura em Bioquímica em Coimbra, Sara ligou-se à Gulbenkian e rumou a Londres para um doutoramento na área das ciências neurobiológicas. 18/26
    • Actualmente, investiga o cancro no Instituto parisiense Curie e planeia voltar a Portugal após a formação com “ideias frescas para ajudar ao crescimento da Ciência” no país. “Contacto com novas culturas, com formas diferentes de se fazerem as coisas”, é como resume a experiência de estudar no estrangeiro. Fundação Champalimaud abre centro de cancro em 2010 O Centro de Investigação da Fundação Champalimaud vai abrir em Lisboa uma área dedicada às neurociências e ao cancro. O responsável pela área oncológica do Centro, que abrirá em Outubro de 2010, Raghu Kalluri, explica que parte do edifício será dedicada à prevenção e tratamento clínico. Mais um caso de sucesso desta feita nos Estados Unidos e que regressa a Portugal a convite da fundação Champalimaud de seu nome Rui Costa Rui Costa doutorou-se em Ciências Biomédicas pela Universidade do Porto e da Califórnia em Los Angeles, fez um pós- doutoramento em Neurobiologia na Universidade de Duke, também nos EUA, e desde 2006 chefia a secção de Neurobiologia no laboratório de Neurociência interactiva dos Institutos Nacionais de Saúde (INS) dos EUA . Rui Costa recebeu o prémio de jovem investigador da Fundação Nacional de Neurofibromatose em 2001 e foi finalista do prémio Donald B. Lindsey da Sociedade de Neurociência dos Estados Unidos da América em 2003. Apesar de muito jovem (36 anos) Rui Costa tem já um vasto currículo: Em Abril de 2010 regressa a Portugal para integrar o projecto de Neurociências da Fundação Champalimaud. Este investigador de começou por estudar os mecanismos da aprendizagem, nomeadamente a Neurofibromatose do tipo 1. Nesta área o seu laboratório nos (NIH) investiga actualmente os mecanismos neuronais que controlam a aprendizagem de novas acções. È um trabalho que, tem implicações na compreensão dos fenótipos associados a certas doenças por exemplo a de Parkinson, à compulsividade e à psicose. “A aprendizagem de acções é, no fundo, a aprendizagem de novas maneiras de fazer as coisas e de novas regras, e a escolha de acções prende-se coma a tomada de decisões", disse Rui Costa. O objectivo do nosso trabalho é perceber como é que aprendemos essas novas maneiras de fazer as coisas ou como geramos novas regras, porque é que escolhemos certas acções em vez de outras, como é que desenvolvemos acções automáticas ou hábitos, e como é que os hábitos eventualmente se transformam em comportamentos compulsivos", explicou. Na sua perspectiva, o estudo das acções é "fascinante" por remeter para o conceito de objectivo 19/26
    • ou de recompensa dentro do cérebro, já que muitas das acções são executadas para atingir um objectivo específico.” Rui Costa e oTrabalho em dois continentes “Além disso, esta investigação implica os conceitos de ordem, de sequência e de tempo relativo, e de probabilidade causal entre acção e objectivo, e está também ligada ao conceito de diversidade no cérebro, diversidade de padrões de actividade cerebral, de células e circuitos cerebrais e de comportamento. O seu laboratório recorre a vários níveis de análise, desde as moléculas às células e aos sistemas ou circuitos de células, e utiliza manipulações genéticas e técnicas de medição e visualização de actividade cerebral. Rui Costa vai trazer a maioria da sua equipa de investigação para Portugal, que funcionará no Instituto Gulbenkian de Ciência, em Oeiras, enquanto o edifício da Fundação Champalimaud não estiver concluído, mas continuará a chefiar o seu laboratório de Neurobiologia da Acção dos Institutos Nacionais de Saúde ( NIH) dos EUA. Nota de rodapé O neurocientista Rui Costa - investigador principal no Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, no Instituto Gulbenkian de Ciência - recebeu uma bolsa de 1,6 milhões de euros para tentar descobrir, nos próximos cinco anos, as diferenças a nível cerebral entre as acções novas e as praticadas por rotina ou compulsividade. A bolsa foi atribuída pelo European Research Council (ERC), o mais importante organismo europeu de apoio à ciência e à investigação e o neurocientista português é um dos 219 bolseiros do prestigioso European Council Starting – selecção feita entre 2503 candidatos. 20/26
    • CPLP e a Fuga de cérebros A chamada «fuga de cérebros» e as dificuldades no reconhecimento das habilitações que os imigrantes encontram nos países de acolhimento foram os temas em debate na conferência internacional «Migrações e Desenvolvimento», a decorrer em Lisboa. Ilustrando as dificuldades que essa «fuga de cérebros» pode provocar nos países de origem, Maria Hermínia Cabral, da Fundação Calouste Gulbenkian, fez saber que existem em Portugal cerca de 2.100 médicos angolanos e 180 guineenses. «Angola não tem tantos e a Guiné-Bissau não supera os 80», afirmou. A responsável disse ainda que a Gulbenkian tem pontualmente incentivado o regresso de médicos ao país de origem, quando é essa a sua vontade, mas afirma que os que aceitam acabam por ficar pouco tempo. «Tentamos criar condições para a integração desses médicos em hospitais dos seus países de origem, mas depois as condições salariais não são apetecíveis» e eles acabam por regressar a Portugal, disse Maria Hermínia Cabral à agência Lusa. Por isso, uma das apostas da Gulbenkian é apoiar a formação das pessoas nos seus países de origem, «com o intuito também de essas pessoas passarem a ser as formadoras», afirmou. Referindo-se ao problema do reconhecimento das habilitações dos imigrantes, Maria Hermínia Cabral deu a conhecer às diversas organizações internacionais presentes na conferência o programa que a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolveu com médicos e enfermeiros estrangeiros, que permitiu que mais de 100 estejam actualmente a trabalhar no Sistema Nacional de Saúde. Em declarações à Agência Lusa, a chefe de missão em Portugal da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Mónica Goracci, mostrou-se confiante com o trabalho que vai ser desenvolvido no gabinete de Reconhecimento de Habilitações, do Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI). «Acredito que vai facilitar esse reconhecimento», afirmou a responsável, para quem o actual processo «é muito lento e não está a responder às necessidades». Mónica Goracci disse ainda que os países de acolhimento deveriam «aproveitar» os conhecimentos que os imigrantes levam porque são pessoas com «capacidade de se adaptar a contextos diferentes, trabalham em equipas multiétnicas e falam mais línguas do que as populações locais». Na conferência foi ainda apresentado um projecto da fundação holandesa IntEnt, que incentiva e apoia os imigrantes na Holanda a criarem Pequenas e Médias Empresas nos seus países de origem. 21/26
    • Programa Ciência global - Centro UNESCO para formação de cientistas da CPLP Projecto inovador será sedeado em Portugal O programa Ciência global é lançado no âmbito da preparação do centro UNESCO para as Ciências no âmbito das Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), iniciativa apresentada por Portugal junto da UNESCO com o apoio e a participação de todos os países da CPLP. Reunidos em Lisboa em Agosto de 2009, os ministros responsáveis pela ciência e Ensino Superior de cada um dos países da CPLP decidiram saudar, apoiar, e acompanhar a iniciativa, de criação de um Centro Unesco para a formação avançada em ciências, como entidade distribuída. Trata-se de uma iniciativa que tem como objectivo evitar a fuga de cérebros oferecendo-lhes os meios necessários para a sua permanência nas Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A formação que se pretende dar aos investigadores deste centro consistirá na aprendizagem das condições específicas do trabalho de investigação nos seus países de origem e a sua educação no domínio da responsabilidade social dos cientistas, e também tem com objectivo avaliar os investigadores de acordo com critérios internacionais, de modo a ficarem aptos para operar num contexto universal, através da integração em programas e redes internacionais de investigação. A ideia foi formalmente proposta ao Director-geral da UNESCO por José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em Paris, os seus homólogos das CPLP, ou os seus representantes, já haviam aprovado unanimemente a iniciativa, numa cimeira realizada em Lisboa no mês de Agosto. Consideraram o projecto um contributo pioneiro para a criação e consolidação de capacidades científicas em países em vias de desenvolvimento. A UNESCO exprimiu também o seu empenho e interesse na concretização desta iniciativa. Portugal assumiu a responsabilidade de garantir o funcionamento inicial do Centro assim como assegurar o seu secretariado, que será financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A este organismo competirá a gestão da iniciativa, futuramente sujeita a uma avaliação internacional independente. 22/26
    • Cientista Zachary Mainen da Fundação Champalimaud recebe bolsa de 2,3 milhões de euros Zachary Mainen, coordenador do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud, no Instituto Gulbenkian de Ciência, acaba de ver reconhecido, pelo European Research Council (ERC), o trabalho que tem desenvolvido como investigador na área das Neurociências ao ser-lhe atribuída uma das maiores bolsas científicas, no valor de 2,3 milhões de euros. A atribuição tem a duração de cinco anos e servirá para apoiar o estudo das funções biológicas da serotonina. O cientista norte-americano publicou mais de uma trintena de artigos de referência em revistas científicas conceituados. Em 2007, trocou o Laboratório de Cold Spring Harbor pelo Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud e veio viver para Portugal. O investigador e o seu grupo propõem-se levantar o véu sobre um dos assuntos mais enigmáticos nas Neurociências – dissecar o papel da serotonina (um neurotransmissor, o que permite a comunicação entre os neurónios) no controlo de comportamentos vitais como comer, dormir, ou respirar, e nas perturbações psiquiátricas associadas, como ansiedade, depressão, enxaqueca ou disfunções alimentares. Zachary Mainen explica que “remédios anti-depressivos como o Prozac aumentam o nível de serotonina no cérebro, mas ainda pouco se sabe sobre o que leva o cérebro a libertar a sua própria serotonina, ou em que como é que isso afecta o funcionamento do sistema nervoso. A equipa está a desenvolver novas ferramentas que irão permitir efectuar testes decisivos sobre a função desta molécula e adquirir mais informação sobre a forma como este importante neurotransmissor realmente actua no cérebro. Os nossos estudos poderão ter aplicações clínicas e contribuir para o desenvolvimento de drogas mais eficazes no tratamento de perturbações do comportamento e até mesmo de terapias genéticas mais avançadas concluiu. As ferramentas que os cientistas estão a desenvolver, baseadas na genética, na visualização dos neurónios e na electrofisiologia (registando a actividade dos neurónios), serão um recurso valioso para toda a 23/26
    • comunidade científica internacional. A bolsa, «Advanced Investigator Grant», atribuída a Zachary Mainen destina-se a investigadores seniores, com o objectivo de incentivar e apoiar projectos inovadores à sua escolha, em qualquer campo da ciência. Nesta segunda edição houve 512 candidaturas, provenientes de países de toda a Europa. Esta bolsa é a primeira atribuída a um investigador das Ciências da Vida a trabalhar em Portugal. Nasceu em Rockville, nos Estados Unidos e estudou na Universidade de Yale. Posteriormente, doutorou-se em Neurociências na Universidade da Califórnia. Até 1997 foi bolseiro de pós-doutoramento no Laboratório de Roberto Malinow, em Cold Spring Harbor; passou depois para o Laboratório de Karel Svoboda. Em 1999 foi nomeado professor assistente em Cold Spring Harbor; entre 2004 e 2007 trabalhou como professor associado na mesma instituição até que veio para Portugal como investigador principal e coordenador do Programa de Neurociência da Fundação Champalimaud. 24/26
    • 3. CONCLUSÃO Não fui muito feliz na escolha do tema, não se adequava aos DRS mas, fiz o melhor que sabia espero que esteja do vosso agrado, alguns vão ter mais trabalho visto que não deu para separar os DRS das três áreas, assim sendo vão ter de ler o trabalho todo e decidir que partes se enquadram na respectiva área. Gostei de trabalhar este tema é sempre muito gratificante saber que temos excelentes cérebros mas que infelizmente não tem no seu país a oportunidade que lhe oferecem nos EUA, visto que é lá que se encontra a maior comunidade de cientistas, embora alguns regressem, não perdem a ligação ao país que os acolheu como poderão verificar em alguns exemplos que vos apresento neste trabalho a” fuga de cérebros” mas na verdade não é uma fuga, mas uma necessidade. Gratos a todos pela ajuda e paciência que tiveram. M-ª Zélia Teixeira 25/26
    • 4. BIBLIOGRAFIA • Expresso « Revista Única» • Fundação para Ciências e a Tecnologia • Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior • Programa global • www.mctes.pt/CPLP-unesco. • cienciahoje.pt ciencia hoje • Diário Digital/ Lusa • Jornal de Negócios. • Http://www.snesup.pt/htmls/EEZyZFlpuldVAojguA.shtml 26/26