SOCIOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES I Parte – As Organizações e a Modernização do Mundo 1.1.  Modernidade e organização 1.2.  Max ...
I – As Organizações e a Modernização do Mundo <ul><li>A definição porventura mais consensual de  Modernidade  refere que e...
<ul><li>A  Modernidade , entendida como implicando mudanças relevantes no sentido intelectual, económico, social e polític...
<ul><li>No sentido intelectual, os produtores estruturantes do Iluminismo ( filósofos ) deram origem a uma nova ortodoxia ...
<ul><li>Contudo, estas concepções não questionam ainda a estrutura económica e social do século XVIII na Europa. </li></ul...
<ul><li>As diferentes conceptualizações sobre a modernização do mundo tendem a configurar modelos globais e, como tal, car...
<ul><ul><li>Organizacionalmente , pelas burocracias enormes e, muitas vezes inábeis que a modernidade gerou, na procura da...
1.1.  Modernidade e organização <ul><li>MARX, DURKHEIM,  WEBER     relação dogmática entre  modernidade  e  organização ....
<ul><li>Não é, pois, de admirar que as principais raízes do modernismo organizacional tenham sido desenvolvidas a partir a...
<ul><li>O próprio desenvolvimento da sociologia como ciência é atravessado pelo objectivo de compreensão dos contornos da ...
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<ul><li>Independentemente das perspectivas particulares dos cientistas sociais do século XIX, todos partilhavam de uma con...
<ul><li>É pacífico, então, afirmar que a importância da “organização” ( vide  CLEGG, 1998:31) decorria do facto de esta es...
1.2.   WEBER  e a análise das organizações <ul><li>É óbvio que Max  WEBER  não pretendia fundar o campo de análise específ...
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<ul><li>Porém, o processo de racionalização do mundo desembocaria no “aprisionamento” da humanidade numa masmorra – o « co...
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<ul><li>De facto, não raras vezes, o modernismo adquiriu um carácter moral explícito. </li></ul><ul><ul><li>Charles  PERRO...
<ul><ul><ul><li>Nesta concepção de burocracia como projecto moral, de carácter liberal, de Perrow, espelham-se os princípi...
<ul><li>Porém, definitivamente,  WEBER  não era a favor nem contra o conceito de burocracia. </li></ul><ul><ul><li>Enquant...
1.3.   O colete-de-forças da burocracia <ul><li>Segundo WEBER, o advento da modernidade testemunhava a invasão das esferas...
<ul><li>Porém, a superioridade técnica da burocracia – comparativamente com as administrações pré-burocráticas – não signi...
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<ul><li>Segundo  GRUMLEY  (1988), o trabalho de Max Weber constitui provavelmente  a  tentativa intelectual mais complexa ...
<ul><li>Segundo Weber, a  burocracia  constituía um modo de organização. </li></ul><ul><ul><li>O conceito de  organização ...
<ul><li>A  racionalidade burocrática  desenvolveu-se, assim, a partir de dois grandes tipos de acção: </li></ul><ul><ul><l...
<ul><li>Era, então, das acções racionalmente orientadas para um sistema de fins individuais discretos que decorreria a  le...
<ul><li>Como afirma Evan (1993:23): </li></ul><ul><li>«A teoria racional-legal da burocracia, de Weber, constrange todo o ...
<ul><li>Esta “reactividade” decorria da dependência do exterior face à procura, aos mercados e à tecnologia. </li></ul><ul...
<ul><li>As organizações precisavam, assim, de “ ordem ” para subsistir, mas, adicionalmente, de capacidade para entender, ...
<ul><li>Não é, pois, de estranhar que as preferências de Weber vão para o exercício do poder racional-legal, já que os tip...
<ul><li>Na base da burocracia estão, assim, as crenças dos seus membros na  legitimidade  da sua existência, dos seus prot...
<ul><li>Com efeito, a burocracia marcou indelevelmente o século XX, através das seguintes tendências: </li></ul><ul><ul><l...
<ul><ul><li>Delegação de poderes consubstanciada em contratos de trabalho pormenorizados,  que especificam deveres, direit...
<ul><ul><li>Remuneração diferenciada das várias posições hierárquicas ( estratificação das organizações ); </li></ul></ul>...
<ul><ul><li>A formalização das normas exige que a gestão se baseie em documentos escritos, adquirindo a acção organizacion...
<ul><ul><li>O poder pertence ao cargo e não à função do titular desse cargo ( oficialização ); </li></ul></ul><ul><ul><li>...
<ul><li>Cada uma destas quinze tendências da burocracia era representada como variável do “ tipo ideal ”, podendo um dado ...
<ul><li>Apesar de merecidamente influentes, as análises de Weber foram objecto de revisão e crítica. </li></ul><ul><li>Qua...
<ul><li>Eis alguns autores que evidenciaram nos seus estudos que, na prática, a burocracia do “tipo ideal” não é perfeita:...
<ul><li>A  burocratização  (do “tipo ideal”) e a  racionalização  não podem ser tão facilmente conceptualizados enquanto r...
Advertência! O estudo destes apontamentos NÃO dispensa a leitura das obras referenciadas na Bibliografia, constante do Pro...
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SO Parte I As Organizações e a Modernização do Mundo

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  • SO Parte I As Organizações e a Modernização do Mundo

    1. 1. SOCIOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES I Parte – As Organizações e a Modernização do Mundo 1.1. Modernidade e organização 1.2. Max Weber e a análise das organizações 1.3. O colete-de-forças da burocracia 1.4. As tendências variáveis da burocracia
    2. 2. I – As Organizações e a Modernização do Mundo <ul><li>A definição porventura mais consensual de Modernidade refere que esta envolve um conjunto de relações sociais ligadas com a industrialização, o que, desde logo, a separa das sociedades tradicionais (Giddens, 1992; Webster, 1995; Kumar, 1995). </li></ul><ul><li>Amplitude de datação: </li></ul><ul><ul><li>Século XVI / finais do século XVIII  finais do século XVIII / meados do século XIX </li></ul></ul><ul><ul><li>Preponderância da indústria; emergência e generalização de um sistema de trocas caracterizadamente capitalista (Santos, 1999:72) </li></ul></ul>
    3. 3. <ul><li>A Modernidade , entendida como implicando mudanças relevantes no sentido intelectual, económico, social e político – as quais vieram a propiciar a intervenção futura da teorização social – deve ser equacionada a partir dos primeiros desenvolvimentos do modernismo </li></ul><ul><ul><li>Primeiro como movimento filosófico </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Descartes e o cogitu ergo sum – declaração de uma absoluta e inevitável razão do conhecimento </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Depois, na perspectiva cultural e estética </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Renascimento </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Racionalidade – Descartes e Newton </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Positivismo </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Secularização </li></ul></ul></ul>
    4. 4. <ul><li>No sentido intelectual, os produtores estruturantes do Iluminismo ( filósofos ) deram origem a uma nova ortodoxia intelectual com linhas de pensamento diferentes das anteriores: </li></ul><ul><ul><li>Anti-clericalismo </li></ul></ul><ul><ul><li>A crença na preponderância do conhecimento empírico e materialista </li></ul></ul><ul><ul><li>Entusiasmo pelos progressos médicos e tecnológicos </li></ul></ul><ul><ul><li>Um desejo de reformas legais e constitucionais </li></ul></ul>
    5. 5. <ul><li>Contudo, estas concepções não questionam ainda a estrutura económica e social do século XVIII na Europa. </li></ul><ul><li>Só com o aparecimento da Sociologia se começam a abordar as temáticas das reformas e da revolução, centradas nos campos económico (industrialização e desenvolvimento do capitalismo), social (desarticulação da sociedade tradicional) e político (ocorrência, por exemplo, das Revoluções Americana de 1776 e Francesa de 1789). </li></ul>
    6. 6. <ul><li>As diferentes conceptualizações sobre a modernização do mundo tendem a configurar modelos globais e, como tal, caracterizáveis sob os pontos de vista económico, político, organizacional e pessoal. </li></ul><ul><ul><li>No campo económico , porque se dá início à separação entre a família e o trabalho e se procura o aumento da produtividade, pela concentração racional da produção em massa no sistema fabril. </li></ul></ul><ul><ul><li>Politicamente , pela emergência de um Estado interventivo e regulador, nomeadamente em matéria económica. </li></ul></ul>
    7. 7. <ul><ul><li>Organizacionalmente , pelas burocracias enormes e, muitas vezes inábeis que a modernidade gerou, na procura da gestão de um complexidade crescente. </li></ul></ul><ul><ul><li>Pessoalmente , pela construção de um sistema e de uma ordem, propiciadores de algum sentido de identidade colectiva e de pertença, o que gerou um preço a pagar pela racionalidade, que é a perda do espírito e da magia. Nomeadamente este último facto conduziu, segundo a concepção de Weber, ao desencantamento do mundo. </li></ul></ul>
    8. 8. 1.1. Modernidade e organização <ul><li>MARX, DURKHEIM, WEBER  relação dogmática entre modernidade e organização . </li></ul><ul><ul><li>Partilham do pressuposto de que a modernidade foi alcançável através das organizações. </li></ul></ul><ul><li>Pré-modernidade: </li></ul><ul><ul><li>Decorreu enquanto a agricultura foi mais importante do que a indústria. </li></ul></ul><ul><li>Modernidade: </li></ul><ul><ul><li>Iniciou-se com a maior relevância da indústria face à agricultura. </li></ul></ul><ul><ul><li>Após a II GM, a tese de Weber ganha notoriedade e aceitação por fazer procurar equivaler racionalidade a eficiência. </li></ul></ul><ul><li>Pós-modernidade ... </li></ul>
    9. 9. <ul><li>Não é, pois, de admirar que as principais raízes do modernismo organizacional tenham sido desenvolvidas a partir a obra de Max Weber. </li></ul><ul><li>Porém, não existe uma única perspectiva quanto ao modernismo e à sua influência no campo de acção. Na verdade, as organizações foram representadas nos mais diversos termos modernistas. Foram imaginadas como: </li></ul><ul><ul><li>Tipos ideais e respectivas disfunções (burocráticas) </li></ul></ul><ul><ul><li>Sistemas e respectivos mecanismos de processamento </li></ul></ul><ul><ul><li>Organizações e respectivas contingências </li></ul></ul><ul><ul><li>Mercados e respectivas ecologias </li></ul></ul><ul><ul><li>Culturas e respectivos rituais e mitos institucionalizados </li></ul></ul><ul><ul><li>Realpolitik do poder </li></ul></ul>
    10. 10. <ul><li>O próprio desenvolvimento da sociologia como ciência é atravessado pelo objectivo de compreensão dos contornos da modernidade emergentes no século XIX. </li></ul><ul><li>MARX e DURHKEIM desenvolveram duas importantes reacções (opostas) à modernização. </li></ul><ul><ul><li>MARX : a modernização correspondia à maturação e à eventual superação do capitalismo como modo de produção mundialmente dominante, tal implicando a superação da divisão do trabalho (essência da racionalidade capitalista). </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Ideia implícita – a sociedade futura, plenamente modernista, caracterizar-se-ia por estruturas organizacionais simples, indivíduos multiqualificados, ausência de hierarquia e elevados níveis de rotação de postos de trabalho. </li></ul></ul></ul>
    11. 11. <ul><ul><li>DURHKEIM : por sua vez, antevia uma crescente divisão do trabalho nas sociedades e concebia a organização modernista como palco de uma tendência para o “sobredesenvolvimento” da divisão do trabalho. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Esta tendência conduziria ao aumento (moralmente arriscado) da diferenciação das identidades sociais existentes. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Ideia implícita – a modernidade organizacional estava associada à hierarquia e complexidade, bem como ao desenvolvimento de uma sociedade mercantilizada. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Apesar do autor insistir que a modernização se tratava de um processo de cariz económico, a sua análise faz transparecer um conteúdo muito menos economicista do que o trabalho de Marx. </li></ul></ul></ul>
    12. 12. <ul><li>Independentemente das perspectivas particulares dos cientistas sociais do século XIX, todos partilhavam de uma concepção “universalista” da modernização enquanto veículo para a modernidade: </li></ul><ul><ul><li>A imagem que tinham do futuro: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>«Eliminação gradual das diferenças culturais e sociais em favor de uma cada vez maior participação de todos num modelo geral, único e comum de modernidade.» (TOURAINE, 1988:443). </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Assente na ideia de que os problemas humanos teriam que ser resolvidos com base na razão, i.e., a modernidade seria “alcançável” se se aplicasse à condução dos problemas humanos os princípios gerais da razão. (TOURAINE, 1988:443). </li></ul></ul></ul>
    13. 13. <ul><li>É pacífico, então, afirmar que a importância da “organização” ( vide CLEGG, 1998:31) decorria do facto de esta estar subjacente à mudança social (  modernidade). </li></ul><ul><li>COMTE , SAINT-SIMON , DURKHEIM e MARX </li></ul><ul><ul><li>“ fundadores” da sociologia e testemunhas do nascimento da modernidade. </li></ul></ul><ul><ul><li>Porém, os seus escritos em pouco contribuíram para o estudo sistemático das organizações. </li></ul></ul><ul><li>Apenas a obra de Max WEBER foi entendida como marco inaugurador de um estudo rigoroso das organizações, nomeadamente, a sua análise da natureza da burocracia, da vida económica em geral e da afinidade electiva existente entre a “ética protestante” e o “espírito do capitalismo”. </li></ul>
    14. 14. 1.2. WEBER e a análise das organizações <ul><li>É óbvio que Max WEBER não pretendia fundar o campo de análise específico dos estudos organizacionais. </li></ul><ul><li>Os seus intentos comparativos extravasavam as organizações em si; alargaram-se às questões e temas associados à compreensão das principais culturas mundiais e à sua relação com a modernidade secular e racional, tendo por base as religiões mundiais com maior relevância. </li></ul>
    15. 15. <ul><li>Daqui resultam, na década de 50, os trabalhos de: </li></ul><ul><ul><li>Peter BLAU (1955); </li></ul></ul><ul><ul><li>Alvin GOULDNER (1954); </li></ul></ul><ul><ul><li>Amitai ETZIONI (1961). </li></ul></ul><ul><li>Fontes de inspiração deste conjunto de autores: </li></ul><ul><ul><li>As orientações pioneiras de Philip SELZNICK (1942; 1948) e de Robert MERTON (1940); </li></ul></ul><ul><ul><li>As “teorias formais de administração”, com carácter mais pragmático, desenvolvidas por consultores, engenheiros e gestores bem sucedidos, como: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Chester BARNARD (1938), nos Estados Unidos; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Charles PERROW (1986) e Henry FAYOL (1949), na Europa. </li></ul></ul></ul>
    16. 16. <ul><li>Para além destes, existia um conjunto de trabalhos claramente associado à crítica de Elton MAYO à “civilização industrial” que tinha sido construída com base na imagem individualista do homem que Frederick TAYLOR (1911) começou por desenvolver na indústria americana e que, posteriormente, foi difundida no mundo ocidental. </li></ul><ul><ul><li>Esta crítica deu origem à chamada “ teoria das relações humanas ” </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Esta abordagem, sublinha a importância da organização social informal que era subjacente à organização formal. </li></ul></ul></ul>
    17. 17. <ul><li>Independentemente das fontes realçadas, e da sua influência tanto no campo teórico, como na prática, o certo é que foi o trabalho de Max WEBER que ganhou maior destaque e, até, estatuto académico. </li></ul><ul><li>WEBER foi, assim, eleito como percursor da análise das organizações e como um dos seus fundadores. </li></ul><ul><li>Como refere PUGH (1971:13), após ter sido eleito como fundador legítimo, podia atribui-se a Weber: </li></ul>
    18. 18. <ul><li>«o estudo de três tipos gerais de organizações com base no critério da legitimidade da autoridade dominante, e a concentração da análise no facto de o tipo burocrático ter-se tornado preponderante na sociedade moderna devido, segundo o autor, à sua maior eficiência técnica. Ao fazê-lo, fundou o ponto de partida de uma série de estudos sociológicos em que se pretendia analisar a natureza e o funcionamento da burocracia, mais precisamente, as disfunções desta forma estrutural que não haviam sido ponderadas pela análise original.» </li></ul>
    19. 19. <ul><li>As organizações, na forma como foram caracterizadas por Max WEBER, enquanto tipo ideal de burocracia, constituem uma representação modernista de práticas modernistas. </li></ul><ul><li>O modernismo consistia, assim, num conjunto de tendências empíricas, consideradas irresistíveis e inevitáveis (a famosa “racionalização” do mundo), cujo sucesso seria atribuído à burocracia, enquanto mecanismo principal da sua conquista. </li></ul>
    20. 20. <ul><li>Porém, o processo de racionalização do mundo desembocaria no “aprisionamento” da humanidade numa masmorra – o « colete-de-forças da burocracia ». </li></ul><ul><ul><li>As organizações tornar-se-iam elementos essenciais e inevitáveis da modernidade, quer trilhasse esta caminhos ao som do tambor capitalista ou socialista. </li></ul></ul><ul><ul><li>É, por isso, que se afirma que a TO é, em vários aspectos, uma disciplina modernista (visava descortinar os factores que contribuíam para a eficiência do desenho organizacional). </li></ul></ul><ul><ul><li>Nesta linha, a modernidade parece estar associada não a múltiplas, mas a uma forma particular de organização que, de modo crescente e irreversível, se tornaria definitiva – a organização burocrática . </li></ul></ul>
    21. 21. <ul><li>A modernidade – capacidade de responder a um ambiente instável e para gerir sistemas complexos (TOURAINE, 1988:452) – e a organização estavam envolvidas numa convergência profética: </li></ul><ul><ul><li>A concepção específica da organização tornava-se na essência da modernidade. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Não se tratava de um conceito de organização meramente formal, enquanto simples meio para atingir uma acção intencional, repetitiva e rotineira, mas antes de um conceito real que, na sua definição, transportava valores e um propósito muito claros. </li></ul></ul></ul>
    22. 22. <ul><li>De facto, não raras vezes, o modernismo adquiriu um carácter moral explícito. </li></ul><ul><ul><li>Charles PERROW – Complex Organizations , contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento de uma concepção de burocracia como projecto moral: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>A racionalidade organizacional, expressa nos princípios da burocracia, surge como garantia contra a discriminação, alicerçada em aspectos particulares da identidade, como a etnicidade, o género, a idade, e religião e a sexualidade. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>A moralidade da burocracia radica na sua promessa implícita de tratar cada um apenas de acordo com o seu estatuto, enquanto membro da organização, independentemente de quaisquer outros aspectos da sua identidade. </li></ul></ul></ul>
    23. 23. <ul><ul><ul><li>Nesta concepção de burocracia como projecto moral, de carácter liberal, de Perrow, espelham-se os princípios do universalismo burocrático: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Cada um apenas deve ser tratado de acordo com os direitos, responsabilidades, normas e deveres inerentes à sua posição, enquanto membro de uma organização; e o facto de uma pessoa ser preta, branca, vermelha ou verde, homem ou mulher, hetero ou homossexual deve ser totalmente irrelevante. </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Em alguns aspectos importantes, as organizações constituem, de facto, a forma característica da nossa condição moderna: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>A maioria das pessoas só consegue alcançar alguma forma de articulação de interesses através da representação organizacional. Sindicatos, partidos, governos, empresas e outras organizações privadas e públicas constituem meios através dos quais participamos na modernidade, exceptuando o teatro e o ritual ocasionais que caracterizam o processo político formal. </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>Na verdade, para a maioria das pessoas, vida organizacional significa vida pública . </li></ul></ul></ul></ul>
    24. 24. <ul><li>Porém, definitivamente, WEBER não era a favor nem contra o conceito de burocracia. </li></ul><ul><ul><li>Enquanto nacionalista liberal convicto, interpretou a pré-modernidade em termos germânicos: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Como reportando-se a um conjunto de Estados enfraquecido e fragmentada, não a um forte Estado-Nação. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Desta forma, e inerente aos ideais iluministas, tal correspondia à aniquilação dos “selvagens” das Américas, da África, da Ásia, da Oceânia e da Austrália e à sua transformação numa massa subordinada ao modelo dominante. </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Porém, a realidade actual nada tem a ver com o contexto em que ele viveu. Aliás, Weber apenas insiste na racionalização das formas de vida menos “racionais” . </li></ul></ul><ul><ul><li>Tendo por base esta perspectiva, o projecto de eliminação da diferença pode ser descrito através da metáfora do “colete-de-forças da burocracia”. </li></ul></ul>
    25. 25. 1.3. O colete-de-forças da burocracia <ul><li>Segundo WEBER, o advento da modernidade testemunhava a invasão das esferas da vida pela “disciplina” da burocracia. </li></ul><ul><ul><li>A difusão da burocracia tornou-se irresistível devido à «superioridade puramente técnica, por comparação com as restantes formas de organização» (Weber, 1948:214), mas em muitos aspectos Weber encarava-a com cepticismo, pois, a burocracia não deixava de ser um produto humano. </li></ul></ul>
    26. 26. <ul><li>Porém, a superioridade técnica da burocracia – comparativamente com as administrações pré-burocráticas – não significa que Weber chegue a conclusões optimistas: </li></ul><ul><ul><li>Ele reconhece as ambivalências, nomeadamente pelo perigo de despersonalização e pelo facto de a racionalidade conduzir ao desencantamento de que falamos ( vide Clegg, 1998:35). </li></ul></ul><ul><ul><li>Para Weber, ainda que a burocracia fosse “necessária”, “inevitável”, “inelutável”, “infalível”, “universal” e simplesmente “inquebrável”, tal ilustrava, em última instância, algum pessimismo cultural: a burocracia, ainda que irresistível, era totalmente “horrenda”, mas marcava o «destino da (nossa) época» (Weber, 1920). </li></ul></ul>
    27. 27. <ul><li>George RITZER , que analisou a McDonaldização como uma ilustração da teoria de Weber da racionalização e do desencantamento, diz o seguinte: </li></ul><ul><li>«A McDonalds opera com um menu limitado, quantidades certas de comida e sistemas padronizados de distribuição com vista a aumentar a eficiência, margens de lucro e segurança. A McDonaldização retira todas as surpresas da vida; os seus métodos de produção anulam o aleatório, incluindo o risco de intoxicação. A pequena e rápida refeição ingerida na McDonalds é o oposto do ritual de orgia das refeições das hordas primitivas. A diferença entre a refeição da família tradicional, com a sua civilidade e convivialidade, e a refeição no McDonalds revela bem a distinção entre o modo de vida tradicional e o sistema racional da moderna sociedade industrial.» (Ritzer, 1996, in Turner Ed., 2000:492) </li></ul>
    28. 28. <ul><li>Segundo GRUMLEY (1988), o trabalho de Max Weber constitui provavelmente a tentativa intelectual mais complexa de sistematização da repentina mudança da pré-modernidade para a modernidade. </li></ul><ul><ul><li>A acção racional consistia precisamente na capacidade de responder às novas incertezas de um mundo sem significado. </li></ul></ul><ul><ul><li>O mundo moderno era, por definição, uma época de incerteza e, esta, definia e limitava a liberdade. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>As práticas racionais conduzem à previsibilidade dos comportamentos organizacionais. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Só a racionalidade limitaria a incerteza do mundo moderno. </li></ul></ul></ul>
    29. 29. <ul><li>Segundo Weber, a burocracia constituía um modo de organização. </li></ul><ul><ul><li>O conceito de organização agregava: Estado, partidos políticos, igreja ou seita e a empresa. </li></ul></ul><ul><ul><li>Mas a característica definidora da organização era a presença de: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>um líder </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>um corpo administrativo </li></ul></ul></ul>1.4. As tendências variáveis da burocracia
    30. 30. <ul><li>A racionalidade burocrática desenvolveu-se, assim, a partir de dois grandes tipos de acção: </li></ul><ul><ul><li>Acções racionais comparativamente com os valores ; </li></ul></ul><ul><ul><li>Acções racionais relativamente aos fins – Weber privilegiava este tipo de acção, subordinando a dimensão humana ao funcionamento (técnico) da burocracia. </li></ul></ul><ul><li>Tal seria uma consequência do “ desencantamento do mundo ”, até aí marcado pelo desenvolvimento da história com base em crenças, superstições, religiões organizadas ou partidos políticos centrados em “sujeitos históricos”, dos quais o proletariado é um exemplo. </li></ul>
    31. 31. <ul><li>Era, então, das acções racionalmente orientadas para um sistema de fins individuais discretos que decorreria a legitimidade : </li></ul><ul><ul><li>do poder – capacidade de forçar as pessoas a obedecer, independentemente da sua vontade; </li></ul></ul><ul><ul><li>da autoridade – obediência voluntária a ordens por parte de quem as recebe. </li></ul></ul><ul><li>A autoridade varia, assim, consoante o modo como é legitimidade, havendo, da mesma, três tipos: </li></ul><ul><ul><li>a carismática , fundada na capacidade do líder; </li></ul></ul><ul><ul><li>a tradicional , assente no costume; </li></ul></ul><ul><ul><li>a racional-legal , baseada na racionalidade e na forma, sendo nesta que se sustenta o modelo burocrático. </li></ul></ul>
    32. 32. <ul><li>Como afirma Evan (1993:23): </li></ul><ul><li>«A teoria racional-legal da burocracia, de Weber, constrange todo o pessoal, incluindo os decisores de topo, compele à conformidade com as políticas existentes, papéis e regulações. Se bem que não seja impossível para as elites organizacionais em burocracia iniciar políticas e mudanças organizacionais, é um lento e incerto processo, razão pela qual se caracteriza o papel da gestão em burocracia como reactivo .» </li></ul>
    33. 33. <ul><li>Esta “reactividade” decorria da dependência do exterior face à procura, aos mercados e à tecnologia. </li></ul><ul><li>O que explica, também, o êxito da burocracia num século que, sendo de progresso, foi, até há pouco, também de continuidade. </li></ul><ul><li>Porém, a descontinuidade do actual progresso caracteriza-se por: </li></ul><ul><ul><li>Imprevisibilidade da procura; </li></ul></ul><ul><ul><li>Diversificação globalizada de mercados; </li></ul></ul><ul><ul><li>Intensidade da mudança tecnológica. </li></ul></ul>
    34. 34. <ul><li>As organizações precisavam, assim, de “ ordem ” para subsistir, mas, adicionalmente, de capacidade para entender, interiorizar e responder aos desafios que, vindos de fora delas próprias, as obrigavam a evoluir sem pôr em causa a base que regia o seu funcionamento até essa altura. </li></ul><ul><ul><li>Esta é, aliás, uma das debilidades actualmente apontada à teoria de Weber, já que fez encarar as organizações como “sistemas fechados”, influenciados pela envolvente, mas sem tornar evidentes os efeitos da burocracia para o sistema social. </li></ul></ul><ul><ul><li>De facto, Weber apenas apontou para a emergência do estado moderno e da economia de mercado capitalista como pré-requisitos para o êxito da burocracia racional-legal. </li></ul></ul>
    35. 35. <ul><li>Não é, pois, de estranhar que as preferências de Weber vão para o exercício do poder racional-legal, já que os tipos de autoridade tradicional e carismático são menos bem adaptados, pela menor constância que pressupõem, como dependentes do tipo de líder ou da manutenção de costumes. </li></ul><ul><li>É a legitimidade do tipo racional-legal que entende dever caracterizar a sociedade moderna, impondo-se a autoridade pela via de um estatuto legal e de competências positivas, fundadas sobre regras estabelecidas racionalmente. </li></ul>
    36. 36. <ul><li>Na base da burocracia estão, assim, as crenças dos seus membros na legitimidade da sua existência, dos seus protocolos, do seu pessoal e das suas políticas. </li></ul><ul><li>É por isso que a burocracia tem razões históricas : </li></ul><ul><ul><li>Superioridade técnica : as ineficiências podem existir e ser denunciadas como consequência de normas que as sancionam; </li></ul></ul><ul><ul><li>Calculabilidade do capital : decorrente da necessidade de prever de maneira racional e unívoca os custos e benefícios de todos os actos económicos relevantes; </li></ul></ul><ul><ul><li>Aparecimento da democracia de massas : a qual se pressupõe ser capaz de garantir a todos os cidadãos tratamentos iguais, imparciais e previsíveis, segundo as normas vigentes. </li></ul></ul>
    37. 37. <ul><li>Com efeito, a burocracia marcou indelevelmente o século XX, através das seguintes tendências: </li></ul><ul><ul><li>Descontinuidade das tarefas, pela especialização funcional ( especialização ) ; </li></ul></ul><ul><ul><li>Separação funcional das tarefas, que faz com que o pessoal tenha de dispor de níveis de autoridade e de poder de sanção proporcionais aos seus deveres (tendência para a legitimação da actividade organizacional ); </li></ul></ul><ul><ul><li>Dada a distribuição funcional das tarefas, necessidade de existência de alguma relação de hierarquia entre os poderes, o que pressupõe a tendência para a hierarquização ; </li></ul></ul>
    38. 38. <ul><ul><li>Delegação de poderes consubstanciada em contratos de trabalho pormenorizados, que especificam deveres, direitos, obrigações e responsabilidades ( contratualização das relações organizacionais ); </li></ul></ul><ul><ul><li>Como o contrato especifica as qualidades exigidas pelo trabalho, há uma procura de especificação das qualidades em termos de qualificações medidas por diplomas formais ( tendência para a credencialização ); </li></ul></ul><ul><ul><li>Como o preenchimento das diferentes posições da hierarquia exige credenciais estratificadas diferenciadamente, tal pressupõe uma estrutura de carreira ( tendência para a carreirização ); </li></ul></ul>
    39. 39. <ul><ul><li>Remuneração diferenciada das várias posições hierárquicas ( estratificação das organizações ); </li></ul></ul><ul><ul><li>A hierarquia está claramente consubstanciada nos direitos de controlo, específico dos superiores, e no poder de resistência a tentativas impróprias de controlo, próprias dos subordinados ( configuração específica da autoridade no interior da estrutura); </li></ul></ul><ul><ul><li>A separação funcional, a descontinuidade das tarefas e as relações hierárquicas levam a que a realização e o controlo do trabalho inerente à organização devam ser alvo de uma definição normativa formal, em termos técnicos ou legais, por forma a que as normas possam ser seguidas independentemente das pessoas, isto é, sem medo de represálias (tendência para a formalização das normas ); </li></ul></ul>
    40. 40. <ul><ul><li>A formalização das normas exige que a gestão se baseie em documentos escritos, adquirindo a acção organizacional uma forma estandardizada ( estandardização ); </li></ul></ul><ul><ul><li>As relações não são exclusivamente hierárquicas; a centralidade da referida repartição promove o desenvolvimento da comunicação, da coordenação e do controlo, que passam necessariamente por este centro ( centralização ); </li></ul></ul><ul><ul><li>A acção legítima passa por uma nítida diferenciação entre acção burocrática e acção particular dos indivíduos ( legitimação da acção organizacional); </li></ul></ul>
    41. 41. <ul><ul><li>O poder pertence ao cargo e não à função do titular desse cargo ( oficialização ); </li></ul></ul><ul><ul><li>Como os poderes são exercidos em nome do cargo e não da pessoa, há uma tendência para a despersonalização da acção organizacional; </li></ul></ul><ul><ul><li>Esta despersonalização ocorre de acordo com sistemas disciplinares do conhecimento desenvolvidos na organização e importados de corpos de conhecimento profissional exteriores ( disciplinarização da acção organizacional). </li></ul></ul>
    42. 42. <ul><li>Cada uma destas quinze tendências da burocracia era representada como variável do “ tipo ideal ”, podendo um dado processo estar mais ou menos presente numa organização específica. </li></ul><ul><li>De facto, «estes tipos acentuam, de forma expressa e consciente, aspectos relevantes da realidade, constituindo um modelo artificial que serve de esquema interpretativo e explicativo » (Clegg e Dunkerley, 1980:38). </li></ul><ul><li>Analisados em conjunto, estes processos expressam a forma como Weber antevia a transformação do mundo num complexo de gaiolas de ferro. </li></ul>
    43. 43. <ul><li>Apesar de merecidamente influentes, as análises de Weber foram objecto de revisão e crítica. </li></ul><ul><li>Quando os investigadores começaram a fazer estudos empíricos das organizações, recorrendo ao tipo ideal de burocracia, rapidamente concluíram que: </li></ul><ul><li>No mundo real da modernidade, e não na teorização de Weber, as tendências burocráticas nem sempre apareciam em conjunto num pacote racional-legal completo . </li></ul>O fim do colete-de-forças
    44. 44. <ul><li>Eis alguns autores que evidenciaram nos seus estudos que, na prática, a burocracia do “tipo ideal” não é perfeita: </li></ul><ul><ul><li>Blau e Scott </li></ul></ul><ul><ul><li>Etzioni </li></ul></ul><ul><ul><li>Merton e Selznick </li></ul></ul><ul><ul><li>Hage </li></ul></ul><ul><ul><li>Burns e Stalker </li></ul></ul><ul><ul><li>Gouldner e Blau </li></ul></ul><ul><li>( Vide CLEGG, Stewart R. – As Organizações Modernas . Lisboa: Celta, 1998, pp. 47-55) </li></ul>
    45. 45. <ul><li>A burocratização (do “tipo ideal”) e a racionalização não podem ser tão facilmente conceptualizados enquanto representações da modernidade. </li></ul><ul><li>A organização racionalizada, burocratizada, não é necessariamente mais eficiente. </li></ul><ul><li>A organização burocrática foi, durante a era industrial clássica, o modelo ideal para as grandes organizações enquanto elas funcionavam num ambiente estável e de pouca mudança. Mas o tempo passou, e o mundo mudou… </li></ul><ul><li>A organização burocrática do “tipo ideal” já não é mais o «destino da nossa época»! </li></ul>Algumas conclusões…
    46. 46. Advertência! O estudo destes apontamentos NÃO dispensa a leitura das obras referenciadas na Bibliografia, constante do Programa da cadeira de Sociologia das Organizações.
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